Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 27 de julho de 2026

Burkina Faso - A startup NeereLab Technology lança "Djembé", um novo aplicativo para revolucionar as transferências de dinheiro

No sábado, 25 de julho de 2026, em Ouagadougou, a startup burquinense NeereLab Technology lançou oficialmente o Djembé, um novo aplicativo de transferência de dinheiro. Apresentada sob o tema "Na encruzilhada da inovação e da tecnologia", esta plataforma visa transformar o setor de dinheiro móvel, oferecendo uma solução de pagamento mais acessível e rápida, adaptada às realidades locais

Concebida como uma plataforma digital de serviços financeiros, a Djembé permite enviar e receber dinheiro instantaneamente em todo o mundo.

O aplicativo também integra funcionalidades de poupança, conversão de moeda e pagamentos digitais, com o objetivo de promover maior inclusão financeira.

Segundo Moumouni Ismaël Sinaré, cofundador da plataforma, a Djembé destaca-se pela sua independência das operadoras de telefonia móvel. "A Djembé também oferece soluções para pessoas sem smartphones, graças a um código curto que permite realizar pagamentos e saques em estabelecimentos autorizados."

"O objetivo é facilitar as transações financeiras, incluindo o pagamento instantâneo de salários e depósitos de seguros em caso de sinistro", explicou ele.

Com esta inovação, os autores pretendem democratizar o acesso a serviços financeiros, tanto para populações distantes do sistema bancário tradicional quanto para empresas que necessitam de soluções de pagamento rápidas e seguras.

Para Abdoul Latif Adama, também cofundador da Djembé, o aplicativo já conta com uma sólida rede de parceiros. "O aplicativo já colabora com diversas operadoras de dinheiro móvel no Burkina Faso, bem como com uma instituição financeira sediada no Canadá", indicou, destacando a ambição internacional da plataforma.

Presente na cerimónia de lançamento, o Dr. Boubacar Thiambiano, Diretor de Operações de Portfólio e Promoção da Educação Financeira, elogiou a iniciativa que, segundo ele, faz parte de uma dinâmica de transformação sustentável.

Ele destacou três dimensões principais do projeto: coesão social, inovação por meio da ação e desenvolvimento sustentável.

"Esta ferramenta tradicional promove a reunião, revoluciona as práticas diárias e permite a economia de recursos, contribuindo assim para o desenvolvimento sustentável", disse ele, traçando um paralelo entre o djembé, um instrumento de reunião nas culturas africanas, e essa nova solução tecnológica projetada para aproximar as pessoas por meio de serviços financeiros.

Já disponível na Play Store, o aplicativo Djembé visa facilitar transações financeiras nacionais e internacionais, tanto para pessoas físicas quanto jurídicas, contribuindo também para a modernização do ecossistema de pagamentos digitais no Burkina Faso. Frédéric Kambou – Burkina Faso in “Burkina24”


terça-feira, 14 de julho de 2026

CPLP – Após 30 anos a Organização continua sem se afirmar junto da China, diz especialista

O especialista em relações internacionais Luís Bernardino considera que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) chega ao 30.º aniversário sem ter conseguido afirmar-se junto da China, onde continua pouco conhecida

“A China não conhece a CPLP”, resumiu Luís Bernardino, professor da Universidade Autónoma de Lisboa e coronel de infantaria na reserva do Exército Português, que recentemente participou em duas conferências em Pequim, na Universidade de Estudos Internacionais de Pequim e na Embaixada de Portugal, sobre os 30 anos da organização, que se assinalam em 17 de julho. “Uma coisa que não se conhece também não se sabe como pode tirar vantagem dessa relação”, acrescentou.

Para Luís Bernardino, a organização “nunca se soube posicionar em relação ao Oriente” e continua afastada dos principais mecanismos criados por Pequim para aprofundar a cooperação com os países de língua portuguesa. “O Fórum de Macau não é a CPLP. É um instrumento da China para facilitar a cooperação com os países lusófonos e vai continuar a crescer. A CPLP está fora desta jogada, por enquanto”, considerou.

Criado em 2003, o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa reúne a China e os países lusófonos, mas funciona à margem da estrutura institucional da CPLP, embora utilize Macau como plataforma de ligação.

Para Bernardino, essa realidade traduz a forma como Pequim privilegia uma abordagem simultaneamente bilateral e multilateral, estratégia que descreve como “cooperação ‘bimultilateral’”. “A China relaciona-se bilateralmente com cada país, mas cria também fóruns multilaterais que reforçam essa cooperação. É uma abordagem pragmática que mais nenhuma grande potência desenvolveu em África”, defendeu.

O especialista em Segurança e Defesa em África sublinhou que a relação da China com os países lusófonos está longe de ser uniforme.

Enquanto com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) Pequim privilegia o financiamento de infraestruturas, o comércio, o desenvolvimento e, cada vez mais, a cooperação na área da defesa, com o Brasil a relação assume uma dimensão geopolítica distinta, impulsionada pelo bloco de economias emergentes BRICS e pela cooperação entre países do chamado Sul Global. “A China adapta a sua estratégia aos interesses que tem em cada região. Não existe uma abordagem única para todos os países da CPLP”, explicou.

No caso de Timor-Leste, Luís Bernardino considerou que a crescente importância estratégica do país no Indo-Pacífico deverá reforçar o interesse chinês, tanto pela posição geográfica como pela futura integração plena na Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). “A China olha para Timor-Leste como um parceiro estratégico no Indo-Pacífico, pela sua posição nas rotas marítimas e pela crescente relevância regional”, afirmou.

O investigador considerou ainda que a rivalidade estratégica entre a China e o Ocidente levou Pequim a reforçar a presença junto dos países lusófonos, sobretudo em África, onde a cooperação se expandiu para áreas como a segurança, a tecnologia e a defesa. “A cooperação deixou de ser apenas económica. A defesa tornou-se um dos pilares centrais da relação da China com praticamente todos os PALOP”, sustentou.

Essa evolução acompanha a transformação da presença chinesa em África, inicialmente centrada no apoio político aos movimentos de independência e, mais tarde, no financiamento de infraestruturas e acesso a matérias-primas.

Hoje, segundo Luís Bernardino, a estratégia inclui também formação militar, venda de equipamento, construção e modernização de portos e uma presença naval cada vez mais frequente no continente africano. “A China faz aquilo que uma potência global tem de fazer. É uma potência económica, mas sabe que também precisa de afirmar uma dimensão militar”, afirmou.

Apesar da crescente influência chinesa, Bernardino considerou que os países lusófonos, em particular os africanos, ainda não conseguiram retirar todo o partido dessa relação. “Há uma dependência crescente, sobretudo financeira. Os países têm de aprender a negociar melhor com a China e transformar esta cooperação numa verdadeira parceria estratégica, sem criar dependências excessivas”, defendeu.

O especialista considerou, por isso, que o maior desafio da CPLP, três décadas após a sua criação, passa por aumentar a sua visibilidade internacional e afirmar-se como interlocutor relevante junto de parceiros estratégicos como a China. “A CPLP é aquilo que os Estados-membros querem que ela seja. Se os próprios países não a valorizarem nos fóruns internacionais em que participam, dificilmente outros atores globais o farão”, disse.

Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau (actualmente suspensa devido ao golpe de Estado), Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 3 de julho de 2026

Macau - Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia concedeu 37 milhões de patacas para investigações científicas lusófonas

Na última meia década, o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia recebeu 69 pedidos de apoio para projectos de investigação científica relacionados com países lusófonos, tendo financiado 21, incluindo nove ligados a Portugal. O montante atribuído foi superior a 37,49 milhões de patacas, segundo revelou ao Jornal Tribuna de Macau. O Fundo acredita que a cooperação entre a RAEM e os países lusófonos continuará a crescer na área da ciência e tecnologia


Nos últimos cinco anos, o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia (FDCT) “tem atribuído grande importância e impulsionado activamente a cooperação entre Macau e os Países de Língua Portuguesa (PLP) no domínio da ciência e tecnologia”, tendo financiado 21 projectos de investigação científica, envolvendo um montante total de financiamento de 37,498 milhões de patacas, segundo revelou ao Jornal Tribuna de Macau. Nove desses projectos estão relacionados com Portugal e 12 com o Brasil.

No mesmo intervalo temporal, o FDCT recebeu 69 pedidos envolvendo países lusófonos. Especificamente, 11 pedidos correspondem ao co-financiamento do FDCT, em conjunto com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia de Portugal (FCT), no âmbito do “Programa de Apoio Financeiro para Cooperação em Ciência e Tecnologia com o Exterior”.

Abrangida no mesmo programa, a categoria de co-financiamento entre o FDCT e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo despertou 24 pedidos. Já na categoria de investigação internacional em colaboração, foram apresentados 34 pedidos de apoio relacionados com países lusófonos.

Em relação a Portugal, o FDCT concedeu, juntamente com a FCT, apoios no total de 2,821 milhões de patacas a três projectos de investigação no domínio do mar, na última meia década.

Questionado sobre a nova ronda de financiamento conjunto com a FCT, o Fundo presidido por U U Sang salientou que “presta estreita atenção ao andamento da reestruturação da FCT e irá continuar a comunicar e negociar activamente com a parte portuguesa, promovendo a celebração de acordos de cooperação, no sentido de materializar a nova ronda de plano de co-financiamento”.

Sobre os principais resultados alcançados, indicou que, no projecto “Plastish”, virado para a detecção e avaliação de risco de microplásticos na produção pesqueira, a Universidade de São José (USJ) e a Universidade do Algarve conseguiram revelar a citotoxicidade dos microplásticos, através de experiências celulares e em animais, tendo estabelecido com sucesso um modelo de avaliação de risco “in vitro” para “in vivo”.

Já no projecto “FISHMUC”, a USJ e Universidade Católica Portuguesa têm estudado as características de bioactividade do muco externo de peixes. Conseguiram identificar vários princípios activos e confirmar, através de experiências, as actividades biológicas como efeitos antimicrobianos e antitumorais, resultados que fornecem um valor significativo para o desenvolvimento de medicamentos de origem marinha.

Por seu turno, o “SeaSenseX”, microssensor de nova geração para a mutagénese marinha e a detecção de substâncias cancerígenas, sobre o qual têm trabalhado a Universidade de Macau (UM), em cooperação com a NOVA.id.FCT, de Portugal, combina microelectrónica avançada com tecnologia de biossensores, visando fornecer uma solução de monitorização da qualidade de água em tempo real e de alta sensibilidade.

Cooperação científica “irá continuar a crescer”

Numa perspectiva geral, o FDCT realça que muitos projectos financiados se estenderam para instituições portuguesas, brasileiras, entre outros países, tendo-se envolvido no estabelecimento de laboratórios conjuntos, promoção da formação de quadros qualificados e articulação tecnológica.

Na observação do Fundo, a função da RAEM enquanto plataforma de intercâmbio científico e tecnológico entre a China e os PLP “reforçou-se gradualmente” nos últimos anos.

Além disso, o programa de co-financiamento relacionado com o Brasil recebeu 24 pedidos no primeiro ano, 2025. Neste aspecto, destacou que, à medida que os mecanismos de co-financiamento com os PLP, “promovidos activamente” pelo Fundo nos últimos anos, amadurecem gradualmente, “prevê-se que [estes] impulsionem, no futuro, o lançamento de ainda mais projectos de investigação científica em cooperação com os PLP”.

Tendo em vista o lançamento do programa de co-financiamento com o Brasil, a criação sucessiva de laboratórios entre instituições de ensino superior de Macau e de países lusófonos, assim como a celebração de documentos de cooperação entre instituições de ensino superior da RAEM e portuguesas, testemunhada pelo Chefe do Executivo, durante a visita a Portugal em Abril, o FDCT prevê que “a cooperação entre Macau e os PLP na área da ciência e tecnologia irá continuar a crescer”.

Sobre os frutos de cooperação já obtidos entre a RAEM e os PLP, conclui que, nos últimos anos, o apoio do Fundo assenta no financeiro e na criação de plataformas, para ajudar instituições de ensino superior e empresas locais a estabelecer parcerias com instituições académicas e industriais portuguesas e de outros países. Além disso, realiza actividades de intercâmbio viradas para os PLP e com temas relacionados com os países lusófonos.

O Fundo mencionou resultados em três aspectos: apoiar o estabelecimento de plataformas de cooperação científica e tecnológica e impulsionar a transformação e aplicação dos frutos no estrangeiro; promover o estabelecimento conjunto de laboratórios, que fazem parte da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, juntamente com os países lusófonos; e apoiar instituições de ensino superior de Macau na realização de conferências sobre optoelectrónica, ciências da linguagem, ciências marinhas, entre outras áreas de ponta, em cooperação com Portugal, por forma a aprofundar o intercâmbio e a cooperação.

Relativamente ao “estabelecimento de plataformas de cooperação”, o Fundo apontou para o apoio concedido à criação, por parte da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (UCTM), do Laboratório Conjunto Sino-Português em Optoelectrónica, em cooperação com a Universidade Nova de Lisboa. Além disso, destacou o apoio dirigido à UM no estabelecimento do Laboratório Conjunto de Nanomedicina de Precisão (com a Universidade do Porto), Laboratório Conjunto sobre Envelhecimento Cognitivo (com a Universidade de Coimbra), Centro de Investigação Oceânica entre a China e os PLP (com a ULisboa e outras instituições) e um centro conjunto sobre direito e inteligência artificial (com a Universidade de Coimbra), inaugurado este ano.

Além disso, destacou o apoio para a introdução de um “Robô de Medicina Tradicional Chinesa com Inteligência Artificial” em Lisboa, com capacidade de realizar diagnósticos básicos e preparar fórmulas de fitoterapia, o que contribui para a divulgação dos conceitos da medicina chinesa.

Em relação a 2026, o FDCT atribuiu um apoio no valor de 712,8 mil patacas à UCTM para a construção de um modelo de avaliação dinâmica de risco para a importação transfronteiriça de dengue e chikungunya de países lusófonos para a Grande Baía, integrando dados de múltiplas fontes e inteligência artificial, bem como a sua aplicação na previsão e alerta precoce, de acordo com as informações divulgadas pelo Fundo.

Apoiados dois projectos sobre língua portuguesa

O FDCT revelou ainda a atribuição de apoio financeiro a dois projectos sobre o tema de língua portuguesa, nos últimos cinco anos, envolvendo quase 2,696 milhões de patacas. Sublinhando adoptar um mecanismo de apreciação rigorosa, o Fundo esclareceu que cabe à Comissão de Consultadoria de Projectos apreciar os pedidos, com base em critérios como o valor científico, a inovação e o potencial de aplicação, podendo ainda organizar uma sessão de defesa, caso necessário.

Segundo a colecção dos resultados de investigação científica de 2024 (a mais recente), o Fundo aprovou em 2018 e financiou uma “plataforma de turismo inteligente para Macau e países lusófonos com reconhecimento de voz”, desenvolvida pela Universidade Politécnica. No âmbito deste projecto, foi desenvolvida uma aplicação móvel de turismo inteligente que integra um sistema de reconhecimento de voz em português.

Para a UM, aprovou em 2019 e apoiou financeiramente um projecto de “orientação da tradução automática neutral baseada na autoatenção com conhecimento linguístico prévio”, que contribuiu para melhorar o sistema de tradução automática online chinês-português. À mesma instituição, o FDCT aprovou em 2017 e financiou um projecto de “investigação sobre tradução automática chinês-português baseada em aprendizagem profunda”, no âmbito do qual foi estabelecido e aberto ao público um sistema de tradução automática chinês-português online.

Segundo notou, ao tratar de assuntos envolvendo tradução profissional, conferências e emparelhamento de projectos, o Fundo costuma convidar tradutores locais ou pessoal de instituições de ensino superior para dar apoio. Nessa vertente, vincou que encara tanto os quadros multidisciplinares locais com formação em ciência e tecnologia e proficiência em língua portuguesa, como os tradutores e os docentes de ensino superior como “recursos humanos importantes para o desenvolvimento da indústria de ciência e tecnologia”. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


segunda-feira, 15 de junho de 2026

Portugal - Ministro da Educação sentiu na RAEM “a importância que a China dá à lusofonia”

Portugal deve desempenhar um papel central na ligação sino-lusófona, que a China tem desenvolvido através de Macau, defendeu Fernando Alexandre. De visita a Pequim, o ministro português da Educação anunciou que Portugal e China irão relançar a comissão mista de ciência e tecnologia


Portugal e China vão reactivar a comissão mista de ciência e tecnologia, que não se reúne desde 2019, para definir áreas de cooperação e criar instrumentos conjuntos de investigação, anunciou na sexta-feira o ministro da Educação, Fernando Alexandre. A decisão foi tomada durante um encontro entre Fernando Alexandre e o ministro chinês da Ciência e Tecnologia, Yin Hejun, em Pequim, no âmbito de uma visita oficial à China centrada no reforço da cooperação bilateral nos domínios da educação, ciência e inovação.

O governante português adiantou que os dois ministros vão liderar a estrutura, que deverá reunir-se “a muito curto prazo” para definir prioridades de colaboração e mecanismos concretos para as concretizar.

A comissão mista luso-chinesa de ciência e tecnologia enquadra-se no acordo de cooperação científica e tecnológica assinado pelos dois países em 1993 e visa promover projectos conjuntos de investigação, intercâmbio de investigadores e outras iniciativas de colaboração entre instituições científicas portuguesas e chinesas. O mecanismo serve também para definir prioridades comuns e acompanhar a execução da cooperação bilateral nesta área.

De acordo com o ministro da Educação, Ciência e Inovação português, a China assume hoje uma importância crescente para Portugal devido aos seus avanços no ensino superior, na ciência e na tecnologia. “A China tem algumas das instituições mais relevantes a nível internacional e são líderes em muitas áreas”, sublinhou.

O ministro indicou que vai ser igualmente criada uma comissão técnica na área da educação para desenvolver instrumentos destinados a aprofundar a cooperação entre os dois países, incluindo o reconhecimento mútuo de qualificações académicas, a mobilidade de estudantes e investigadores e os programas de dupla titulação.

“O reconhecimento das qualificações, reconhecimento dos graus, precisa também ser aperfeiçoado e agilizado, porque é essencial para essa circulação de talento”, afirmou.

Fernando Alexandre destacou ainda a crescente procura da língua portuguesa na China, referindo que existem actualmente mais de 60 instituições de ensino superior chinesas com cursos de português, frequentados por mais de 4000 estudantes e leccionados por mais de 200 docentes. “O que senti em Macau e aqui na China é a importância que a China dá à lusofonia”, afirmou, acrescentando que Portugal deve desempenhar um papel central nessa ligação.

Questionado sobre as áreas científicas com maior potencial de cooperação, o ministro referiu os oceanos e as ciências da vida, considerando que ambos os países dispõem de capacidades relevantes nesses domínios. “Oceanos e as ciências da vida, a medicina, foram duas áreas referidas, porque são duas áreas muito importantes para os dois países”, disse.

Fernando Alexandre salientou ainda que Portugal está a definir as prioridades nacionais para a investigação e inovação, no âmbito da nova Agência para a Investigação e Inovação (AI2), processo que deverá estar mais avançado nos próximos meses.

Sem antecipar conclusões, apontou o mar e as ciências da saúde como áreas que deverão assumir um papel relevante, por corresponderem a competências já instaladas em Portugal e a desafios globais partilhados por ambos os países, como o envelhecimento da população.

O ministro destacou também o crescimento do ensino do mandarim em Portugal, indicando que a língua é actualmente ensinada em sete escolas secundárias portuguesas, frequentadas por 340 alunos, um aumento de 60% nos últimos dois anos.

Fernando Alexandre iniciou na semana passada uma visita à China, que incluiu Macau e Pequim, onde manteve encontros com responsáveis chineses da educação e da ciência e visitou instituições académicas dos dois territórios. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


segunda-feira, 8 de junho de 2026

Portugal - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde desenvolve Inteligência Artificial que aprende a comunicar com neurónios

O projeto NeuroSAFE vai ser financiado com cerca de 100 mil euros no âmbito do Concurso de Projetos Exploratórios 2025 do Programa CMU Portugal


O investigador Paulo Aguiar, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto, vai liderar um novo projeto financiado em cerca de 100 mil euros pelo Concurso de Projetos Exploratórios 2025 do Programa CMU Portugal. O projeto intitulado NeuroSAFE foi um dos sete selecionados para financiamento pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) no âmbito desta iniciativa de colaboração internacional com a Carnegie Mellon University (CMU).

“O projeto NeuroSAFE pretende desenvolver novos métodos de inteligência artificial (IA) para controlar a atividade de neurónios, de forma segura e adaptativa”, explica o líder do grupo de investigação Neuroengineering and Computational Neuroscience do i3S. A ideia é criar algoritmos que observam continuamente a atividade dos neurónios, tomam decisões sobre quando e como estimulá-los e ajustam essas decisões com base na resposta obtida. Este processo acontece em tempo real, funcionando de forma semelhante a um sistema que aprende com a experiência e melhora gradualmente o seu desempenho.

Esta abordagem poderá contribuir para o desenvolvimento de futuras gerações de sistemas de estimulação cerebral profunda, utilizados, por exemplo, no tratamento da doença de Parkinson e de outras perturbações neurológicas.

“Como estes algoritmos não podem ser desenvolvidos diretamente com pacientes, a equipa recorrerá a plataformas brain-on-chip”, acrescenta Paulo Aguiar. Estas plataformas funcionam como pequenos laboratórios onde neurónios vivos são cultivados e ligados a sensores capazes de registar e estimular a sua atividade elétrica. Isto permite aos investigadores treinar os algoritmos em condições controladas e seguras.

O projeto resulta de uma colaboração entre o i3S e o Department of Electrical and Computer Engineering (ECE) da Carnegie Mellon University, sendo coordenado por Paulo Aguiar em Portugal e por Yorie Nakahira na instituição norte-americana. Para o investigador do i3S, este financiamento representa também uma oportunidade para reforçar a cooperação científica internacional e lançar bases para futuros desenvolvimentos na área das neurotecnologias. “

Este financiamento é particularmente importante porque permite estreitar a colaboração entre o i3S e a CMU, gerar dados preliminares e desenvolver ferramentas computacionais que poderão contribuir para futuras neurotecnologias inteligentes e personalizadas”, sublinha Paulo Aguiar.

Os resultados provisórios dos Concursos de Projetos Exploratórios 2025 dos programas CMU Portugal e UT Austin Portugal contemplam um total de 15 projetos, correspondendo a um investimento global de quase 800 mil euros, integralmente financiado pela FCT. No caso concreto do Programa CMU Portugal, foram apoiados sete projetos na área das Tecnologias de Informação, entre 36 candidaturas submetidas.

Desde 2017, o programa já financiou 42 projetos, contribuindo para reforçar a competitividade internacional e a capacidade de inovação científica e tecnológica de Portugal. Universidade do Porto - Portugal


quarta-feira, 22 de abril de 2026

Moçambique – Pretende empresários chineses a investirem na industrialização

O Presidente moçambicano convidou, na China, os empresários daquele país asiático a investirem em Moçambique para ajudar no desenvolvimento e industrialização através da transformação local das matérias-primas, afirmando que é preciso investir agora porque “o comboio não espera”


“Quero convidar os meus irmãos a investir em Moçambique, porque quanto mais cedo possível melhor, porque o comboio já está a andar e geralmente o comboio não espera, pode passar e chegar tarde, enquanto os outros já apanharam o comboio”, disse o chefe do Estado moçambicano, Daniel Chapo.

O Presidente moçambicano falava na província de Hunan, na China, durante um encontro com cerca de 350 empresários no quadro da visita de Estado que efetua àquele país asiático, em que lembrou que Moçambique está agora a atravessar uma fase de desenvolvimento de vários projetos, sobretudo os ligados à exploração de gás, indicando que é preciso aproveitar o momento para investir.

Além do sector de gás, Chapo quer os empresários chineses a investirem em tecnologia, agricultura, indústria, infraestruturas, inovação, corredores logísticos que causam maior impacto económico e social.

Perante os empresários, o Presidente de Moçambique esclareceu que o país está a construir as bases para a sua independência económica “com foco, resiliência e determinação”, através de uma transformação estrutural da economia que pretende alcançar a industrialização e o desenvolvimento da cadeia de valor, pedindo investimentos dos empresários de Hunan, província considerada “capital das máquinas agrícolas, máquinas industriais, camiões, máquinas para a indústria mineira”. “Queremos convidar aos empresários do Hunan para juntos aos empresários virem investir em Moçambique na industrialização (…) A nossa visão como Governo é que os nossos recursos minerais sejam transformados em Moçambique e já começamos esse trabalho (…) essa é a nossa visão, gerar rendimento em Moçambique, pagar-se impostos e desenvolvermos o nosso país”, disse Chapo.

Ao apresentar as potencialidades de Moçambique, Chapo referiu-se aos projetos de desenvolvimento dos corredores logísticos e dos portos, incluindo a construção de fronteiras de paragem única juntos dos países vizinhos, indicando que estas decisões colocam o país numa posição estratégica para receber investidores.

Neste sentido, o chefe do Estado moçambicano mostrou também abertura do país para concessões de diversas infraestruturas como estradas, em períodos de 20 a 30 anos, indicando que é para as empresas chinesas recuperarem os investimentos que eventualmente poderão fazer. “Estamos dispostos a receber irmãos empresários da China da província de Hunan e de outras províncias para podermos desenvolver juntos Moçambique”, disse Chapo.

O Presidente moçambicano pediu ainda a estes empresários aposta na formação do capital humano, indicando que a China é um parceiro estratégico de “primeira linha” não apenas para financiamento, mas para a troca de conhecimentos. “Queremos evoluir de uma parceria baseada no volume, para uma baseada no valor acrescentado, transferência de tecnologia, criação de emprego qualificado e desenvolvimento de cadeias produtivas. A nossa localização geográfica confere-nos uma vantagem estratégica única”, explicou Chapo, referindo-se aos acessos ao mar com ligações através dos corredores desenvolvidos e também às potencialidades agrícolas.

Chapo quer também estes empresários a investirem no setor de energia para exportar para os países da região austral de África que “enfrentam desafios”, indicando que o país também tem agora potencial para a construção de centrais elétricas, além das potencialidades que surgem com a exploração do gás.

Chapo chegou a Pequim na quinta-feira para uma visita de Estado que decorre até esta semana, num contexto em que os dois países assinalam meio século de relações diplomáticas e procuram aprofundar a parceria estratégica. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 4 de março de 2026

Internacional - As alterações climáticas são uma má notícia para as baterias de veículos elétricos

Temperaturas mais elevadas aceleram a degradação das baterias em veículos elétricos, representando um fator decisivo para quem está a considerar a transição


As alterações climáticas criaram um dilema para a transição para veículos elétricos (VE), mas os avanços na tecnologia de baterias podem superar o aumento das temperaturas.

Nos últimos anos, as preocupações ambientais têm motivado muitas pessoas a optarem por veículos elétricos. De acordo com dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA), as vendas de carros totalmente elétricos ultrapassaram as de veículos movidos exclusivamente a gasolina na União Europeia pela primeira vez em dezembro de 2025.

Apesar da UE ter suavizado a sua proibição de emissões de automóveis para 2035, o bloco também registou mais carros híbridos elétricos no ano passado, sinalizando uma mudança substancial. No final de 2025, os registos de carros a gasolina caíram 18,7%, com declínios em todos os principais mercados.

No entanto, um dos principais fatores decisivos que impedem as pessoas de optarem por um veículo elétrico é a sua capacidade de lidar com condições climáticas extremas.

O aquecimento global está a prejudicar as vendas de veículos elétricos?

2025 foi o terceiro ano mais quente em todo o mundo e na Europa, com temperaturas médias globais atingindo 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

Segundo o serviço de monitorização meteorológico Copernicus, o pico foi atribuído ao acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera e ao aumento da temperatura da superfície do mar – ambos fatores amplificados pela atividade humana.

Um estudo de 2025 da revista What Car? revelou que os veículos elétricos podem perder até 44% da sua autonomia declarada quando expostos a temperaturas entre 32 e 44°C.

A Polestar, fabricante de carros elétricos de alto desempenho, afirma que a temperatura tem um "grande impacto" na degradação da bateria, pois afeta as reações químicas no seu interior.

“Assim como as baixas temperaturas desaceleram tudo, as altas temperaturas podem criar reações mais rápidas, o que pode levar a reações indesejadas que fazem com que a sua bateria se degrade mais rapidamente”, acrescenta a empresa.

No entanto, um estudo da Universidade de Michigan descobriu que as recentes melhorias na tecnologia de baterias de veículos elétricos já podem estar a superar a degradação causada pelas alterações climáticas.

Investigadores analisaram a durabilidade de baterias antigas de veículos elétricos, fabricadas entre 2010 e 2018, em comparação com baterias novas, fabricadas entre 2019 e 2023.

Num cenário em que o planeta aquecesse em média 2°C, os veículos elétricos com baterias fabricadas entre 2010 e 2018 teriam a sua vida útil reduzida em até 30%.

Mas, para baterias novas, os investigadores descobriram que a queda média na vida útil é de apenas três por cento, com uma queda máxima de 10 por cento.

'Mais confiança' em veículos elétricos, mas apenas nalguns países

“Graças aos avanços tecnológicos, os consumidores devem ter mais confiança nas baterias dos seus veículos elétricos, mesmo num futuro mais quente”, afirma Haochi Wu, autor principal do estudo, publicado na revista Nature.

O autor principal, Michael Craig, destaca que o estudo tem uma ressalva importante: a equipa utilizou apenas dois veículos elétricos representativos no seu trabalho. Esses veículos foram o Tesla Model 3 e o Volkswagen ID.3.

“Em regiões como a Europa e os EUA, acreditamos ter um bom domínio da tecnologia de baterias disponível nessas regiões”, diz Craig.

“Mas quando analisamos cidades na Índia ou na África subsaariana, por exemplo, elas podem ter frotas de veículos muito diferentes – e quase certamente têm. Portanto, os nossos resultados podem ser otimistas para essas regiões.”

Muitas dessas regiões sentirão os efeitos mais severos das alterações climáticas, o que, segundo os investigadores, demonstra como as desigualdades são agravadas pelo aquecimento global. Euronews


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Portugal – Empresa Tekever desenvolve nova geração de drones para as Forças Armadas britânicas

Portugal reforça o seu posicionamento no setor tecnológico da defesa com a escolha de uma tecnológica nacional para colaborar com o Reino Unido. O projeto da Tekever, designado por NYX, visa o desenvolvimento de Sistemas Aéreos Não Tripulados (UAV) que irão operar em articulação direta com os helicópteros de ataque Apache das Forças Armadas britânicas


De acordo com a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), o objetivo central desta parceria é “a criação de soluções capazes de atuar em cenários de elevada complexidade”, pelo que as novas aeronaves não tripuladas serão projetadas para missões de reconhecimento avançado, identificação e sinalização de alvos em tempo real, e neutralização de sinais.

Os sistemas serão dotados de Inteligência Artificial (IA), permitindo que os drones tomem decisões autónomas dentro de parâmetros pré-definidos.

Esta tecnologia visa conferir uma maior adaptabilidade a contextos dinâmicos no terreno, garantindo que as máquinas possam ajustar a sua conduta perante alterações imprevistas na missão.

Esta colaboração estratégica foca-se na otimização de recursos logísticos e na redução do risco humano, procurando aumentar a eficiência operacional das forças envolvidas.

Fundada em 2001 por antigos alunos do Instituto Superior Técnico, em Lisboa, a tecnológica Tekever tem a sua sede principal em Portugal (com forte presença nas Caldas da Rainha e Lisboa), e consolidou-se recentemente como um dos “unicórnios” portugueses — empresas com uma avaliação de mercado superior a mil milhões de euros.

Embora tenha uma ADN e origem 100% nacional, a Tekever é hoje um grupo global com uma operação relevante no Reino Unido, onde possui centros de investigação e desenvolvimento em locais como Southampton e West Wales (País de Gales). In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Portugal - Universidade de Coimbra testa tecnologia que traduz sinais cerebrais em movimento físico através de mão robótica e realidade virtual no pós-AVC

O projeto UpReGain, liderado por um grupo de investigadores do Instituto de Sistemas e Robótica (ISR) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), está a testar a utilização de estratégias inovadoras e personalizadas para apoiar a reabilitação de pacientes que sofreram de acidente vascular cerebral (AVC).


Os primeiros ensaios estão a ser realizados com pessoas saudáveis, mas dentro de pouco tempo o projeto avançará para testes com pacientes de AVC. Os resultados preliminares são promissores.

«Neste projeto combinamos uma interface cérebro-computador (BCI) – que estabelece uma ligação direta entre o cérebro e dispositivos externos, sem recorrer a músculos ou nervos –, um exoesqueleto de mão robótica, que oferece feedback físico e somatossensorial, e ambientes de realidade virtual com elementos de gamificação. Esta combinação permite aos pacientes visualizar os movimentos num avatar e executar tarefas em contexto de jogo», explica Aniana Cruz, investigadora do ISR e coordenadora do projeto UpReGain.

De acordo com a especialista, o objetivo principal é o uso da imaginação motora: ao imaginar abrir ou fechar a mão, o cérebro ativa as mesmas áreas motoras como se o movimento fosse realmente executado. Esse sinal cerebral, captado por electroencefalografia (EEG), é interpretado pelo sistema e transformado em feedback visual (mão virtual), físico (mão robótica) ou em atividades gamificadas (por exemplo: agarrar objetos, espremer frutas, encher um copo).


«O nosso objetivo é comparar abordagens distintas – imaginação motora com feedback robótico, com avatar virtual ou com jogos gamificados – e avaliar o impacto de cada uma em relação à terapia convencional. Pretendemos, também, uma reabilitação de acordo com o perfil de cada paciente e a sua evolução clínica, combinando EEG com Eletromiografia (EMG), uma técnica que regista a atividade elétrica dos músculos, em casos de movimento residual. Queremos, ainda, avaliar a viabilidade prática, nomeadamente no que diz respeito à preparação, calibração, tempo de utilização e aceitação, tanto pelos pacientes como pelos profissionais de saúde», destaca Aniana Cruz. 

O projeto UpReGain é liderado por uma equipa multidisciplinar do ISR, com investigadores especializados em BCI, realidade virtual, reabilitação e visão por computador, em colaboração com a Unidade Local de Saúde de Coimbra / Polo Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro – Rovisco Pais.

«O objetivo final é transferir a tecnologia BCI do laboratório para a prática clínica, contribuindo para aumentar significativamente a taxa e a qualidade da recuperação motora após um AVC», conclui. Universidade de Coimbra - Portugal


 



segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Portugal - Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e INESC TEC criam tecnologia que deteta precocemente o cancro da mama

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) e do INESC TEC está a desenvolver uma tecnologia para a deteção de biomarcadores de cancro da mama de forma mais rápida e precisa. 


“O objetivo é criar um sensor de pequenas dimensões e portátil que junta, em simultâneo, duas técnicas das áreas ótica e eletroquímica para conseguir uma maior precisão do diagnóstico”, descreve José Ribeiro, investigador responsável pelo projeto eSPRcancer, liderado pela FCUP. 

O projeto vai focar-se, sobretudo, nos biomarcadores de CA (Cancer Antigen) 15-3 – uma proteína que se encontra em níveis mais elevados no sangue de pessoas com cancro da mama. 

Atualmente, os testes já existentes conseguem detetar estes biomarcadores, porém, são muito caros e nem sempre oferecem a sensibilidade necessária para diagnósticos muito precoces.

“A tecnologia a ser desenvolvida permitirá, a partir de uma pequena amostra do paciente, dar, em pouco tempo, informação clínica no ponto de cuidado, oferecendo maiores possibilidades de intervenção e combate à doença”, salienta o investigador. 

É na FCUP que estão a ser estudados novos materiais que imitam as funções biológicas dos anticorpos, funcionando como uma espécie de “chave” para permitir ao sensor detetar estes biomarcadores. Trata-se de recetores sintéticos feitos à medida para reconhecer os marcadores associadas ao cancro, neste caso concreto o biomarcador CA 15-3.

“Ao contrário dos testes de marcadores tumorais atuais, o nosso sensor incluirá a possibilidade de deteção de mais do que um biomarcador em simultâneo, permitindo um controlo e avaliação mais precisos da evolução da doença e reduzindo falsos positivos e negativos”, destaca José Ribeiro.  Por exemplo, poderá ser utilizado para detetar simultaneamente o CEA (do inglês Carcinoembryonic Antigen), outro tipo de proteína que aparece em níveis mais altos no sangue de pessoas com outros tipos de cancro, nomeadamente cólon e reto, pâncreas, pulmão e também em caso de metastização ou reincidência do cancro da mama.

De acordo com os investigadores, este equipamento, por ser portátil e fácil de utilizar, poderia ser utilizado em clínicas, centros de saúde ou mesmo em ambientes rurais, promovendo a deteção precoce do cancro da mama.

Tecnologia made in INESC TEC

A parte tecnológica está a ser desenvolvida no INESC TEC: “Vamos criar o protótipo do sistema eSPR, ou seja, a parte física do sensor, vamos desenvolver o software que vai controlar as medições e o funcionamento do dispositivo, fazer a impressão 3D e a integração eletrónica da plataforma, criando as condições para uma futura produção em escala, ou até, para a criação de uma spin off”, explica o investigador João Pedro Mendes, do INESC TEC. 

“Queremos com este projeto ter um impacto em várias áreas da sociedade. Desde logo na saúde ao permitir uma deteção mais precoce e fiável do cancro da mama – e possivelmente extensível para outras doenças”, destacam os investigadores. 

O eSPRcancer, financiando pelo programa P2030 em co promoção entre INESC TEC e FCUP, vai, assim, permitir diagnósticos mais rápidos, acessíveis e de baixo custo, melhorando a qualidade de vida e a eficiência do sistema de saúde.

Da equipa do projeto fazem ainda parte os docentes da FCUP e investigadores Manuel Azenha e Luís Coelho, José Almeida, e ainda os estudantes de doutoramento Ana Teresa Silva e Marcus Monteiro. Universidade do Porto - Portugal    


sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Estados Unidos da América – Gigante Havi escolhe cidade de Lisboa para investimento

A norte-americana Havi anunciou esta quarta-feira um investimento de 200 milhões de euros no seu centro de inovação tecnológica, o Havi TechHub, em Lisboa, prevendo a contratação de mais 70 colaboradores e a abertura de novas instalações na capital


A empresa global especializada em soluções integradas para a cadeia de abastecimento, logística e tecnologia pretende aumentar nos próximos meses, dos atuais 80 para 150, os trabalhadores que emprega no Havi TechHub.

Em comunicado a Havi esclarece que “esta decisão reflete o reconhecimento do talento nacional, do dinamismo do ecossistema tecnológico lisboeta e da afinidade com os valores portugueses de inovação, colaboração e visão de futuro”.

Há cerca de um ano, Lisboa foi “estrategicamente escolhida” pela empresa norte-americana para acolher o seu centro de inovação tecnológica global, o Havi TechHub.

No comunicado divulgado, a Havi revela ainda que, nos próximos anos, o Havi TechHub irá receber um investimento que rondará os 200 milhões de euros e que “contribuirá diretamente para o desenvolvimento económico local e para o posicionamento de Lisboa como um centro tecnológico global de referência”.

A inauguração de novas instalações da Havi em Lisboa, no Cais do Sodré, está prevista para o dia 17 de setembro. O evento contará com a presença do presidente global da empresa, Neil Humphrey, do vice-presidente sénior e do presidente executivo (CEO) do Havi TechHub, Reto Sahli.

Nesse contexto serão apresentadas “grandes novidades tecnológicas, investimentos e outros marcos a nível nacional e global”.

Fundada em Chicago (1974), presente em 30 mercados e com mais de 7000 colaboradores, a Havi está em Portugal desde 1993, contabilizando atualmente 250 trabalhadores em Lisboa e Porto. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Macau - Chefe do Executivo quer atrair empresas tecnológicas e científicas do bloco lusófono

O Chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai, quer que empresas dos sectores da tecnologia e ciência vindas dos países lusófonos se fixem no território, disse o Governo local


Sam Hou Fai apontou como objectivo para o território “atrair activamente empresas científicas e tecnológicas de excelência dos países de língua portuguesa”, de acordo com um comunicado.

O líder do Governo sublinhou que estas empresas podem estabelecer operações tanto em Macau como na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau, na vizinha Hengqin.

Esta zona económica especial, gerida em conjunto pelas autoridades de Macau e da província de Guangdong, foi lançada pelo Governo Central chinês em 2021, com uma área de cerca de 106 quilómetros quadrados.

Em sentido contrário, Sam prometeu “apoiar as empresas científicas e tecnológicas do interior da China a expandirem para o exterior”, aproveitando as vantagens de Macau e os quatro laboratórios de referência do Estado situados na cidade.

O Chefe do Executivo falava na terça-feira à noite, num encontro com o ministro da Ciência e Tecnologia chinês, Yin Hejun, que veio a Macau para assinalar a reestruturação dos quatro laboratórios.

Os laboratórios, com sede na Universidade de Macau e na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, são dedicados às áreas de medicina chinesa, ciência lunar e planetária, microeletrónica e Internet das coisas (comunicação entre objetos e aparelhos). Horas antes, Yin defendeu que os quatro laboratórios devem “aproveitar o ambiente e as vantagens de Macau”, nomeadamente a tradição de “cooperação com o exterior”, para contratar mais “talentos internacionais”.

Também na terça-feira, o Governo de Macau anunciou que Sam Hou Fai vai visitar Portugal a partir de 16 de Setembro, na primeira deslocação ao estrangeiro desde que tomou posse, em dezembro.

O Chefe do Executivo – o primeiro líder do território semiautónomo a dominar a língua portuguesa – vai visitar Lisboa e Madrid, entre 16 e 23 de setembro, indicou em comunicado o Gabinete de Comunicação Social.

Em Maio, Sam disse que a delegação enviada por Macau a Portugal e Espanha irá incluir empresários dos setores industrial, comercial e financeiro da região e “até certas empresas do interior da China”. Na mesma altura, o líder do Governo defendeu que o território tem de “receber os amigos estrangeiros para investir em Macau e também concretizar os seus sonhos em Macau”, principalmente na área da tecnologia avançada. Sam sublinhou que “podem ser provenientes dos países de língua português e espanhola”. “Desde que sejam a favor da diversificação económica, são sempre bem-vindos”, acrescentou o dirigente. Sam defendeu que os empresários locais devem “explorar os mercados de língua espanhola e portuguesa e os mercados de África e o Médio Oriente”. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Macau - Negócios em Angola seduzem empresários

Oportunidades de negócio em áreas como os têxteis, agricultura e tecnologia levaram o empresário de Macau Eduardo Ambrósio e um grupo de representantes de Hengqin a Angola. Em Luanda, o grupo manteve contactos com diversas entidades. O macaense disse ao Jornal Tribuna de Macau que a deslocação visou principalmente “estudar formas de enviar ‘know-how’ para aquele país africano e sensibilizar os empresários chineses que estão interessados em apostar no mercado angolano”


O empresário de Macau Eduardo Ambrósio e alguns representantes industriais de Hengqin estiveram em Luanda durante alguns dias para estudar formas de levar “know-how” para Angola, em áreas como os têxteis, a agricultura e as tecnologias.

O empresário macaense liderou as visitas efectuadas a diversas entidades bancárias e associações comerciais, e esteve reunido com o Ministro da Economia e Indústria angolano, Rui Miguêns de Oliveira, numa altura em que na capital daquele país africano estavam a ocorrer tumultos.

“Apesar da situação que se verificava, mas que acalmou ao fim de três dias, pude manter diversos contactos e ajudar os elementos de Hengqin, que tinham estado antes na Guiné-Bissau, a deslocar-se à Zona Económica Especial da Catola”, revelou ao Jornal Tribuna de Macau Eduardo Ambrósio, presidente da Associação Comercial Internacional para os Mercados Lusófonos.

O sector do vestuário é uma das principais áreas de investimento possível de estabelecer com Angola, “uma vez que não há nenhuma fábrica que faça uniformes”, disse o dirigente.

As primeiras abordagens foram feitas na capital angolana. A partir daqui, “vou falar com os empresários da China que estejam interessados em fazer ali negócios no ramo dos têxteis, expandindo também para outros países do continente africano”, salientou.

Para Ambrósio, Macau servirá de ponte para levar empresários da Grande Baía a Angola, ajudando os jovens daquele país a desenvolver a indústria têxtil e ter trabalho. “O objectivo é levar técnicos, especialistas e peritos nesta área”, frisa, acrescentando que “a China está agora numa crise e pretende exportar muita tecnologia para África”.


Constatando que a maioria dos chineses que estão em Angola são do norte, o que dificulta a comunicação com os líderes angolanos, afirma que “Macau tem a vantagem de falar português”.

Apontando que Angola tem um vizinho com milhões de habitantes, o Congo, frisa que “poderá desenvolver esse grande mercado”. O Brasil tem igualmente potencial, “mas fica muito longe”, admite.

A agricultura será outra das apostas a explorar em terreno angolano pelos homens de negócios do Interior da China, concretamente no reerguer da indústria do café. “Angola foi o terceiro maior exportador de café do mundo antes da guerra e agora quer recomeçar, por isso, a ideia é tentar levar pessoas a Timor-Leste para os ensinar na plantação de café, para que depois possam desenvolver a indústria em Angola”, afirma.

No que diz respeito às trocas comerciais entre a China e a África, o empresário refere que “o futuro está no continente africano” e que pode haver um maior intercâmbio. “Os chineses poderão importar diamantes e peças preciosas e exportar tecnologia, para além de algumas empresas da China terem um papel importante na construção civil em Angola”, sublinha.

Estes temas dominaram o encontro de Eduardo Ambrósio com o Ministro da Economia e Indústria angolano. “Foi uma conversa bastante positiva, durante cerca de quatro horas, período em que tivemos oportunidade de abordar várias questões de uma forma geral e no qual o ministro mostrou grande interesse e abertura para que a China faça investimentos em Angola”, concluiu. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”






quinta-feira, 14 de agosto de 2025

China - Lança novo visto para jovens cientistas e engenheiros para atrair talentos

Pequim - O governo chinês anunciou no dia 14 que alterará os seus regulamentos sobre o controlo de entrada e saída de estrangeiros, criando um novo "visto K" para "jovens talentos científicos e tecnológicos". O novo visto entrará em vigor em 1 de outubro. A intenção do governo é atrair jovens talentosos do exterior para as áreas de ciência e tecnologia e utilizá-los em inovação tecnológica.

Para obter o visto K, os candidatos devem atender a certas condições estabelecidas pelas agências governamentais chinesas relevantes. As condições específicas são desconhecidas. A China está a concentrar-se em promover tecnologias de ponta, como inteligência artificial (IA), robótica e semicondutores, e treinar engenheiros envolvidos nesses desenvolvimentos é um desafio. Kyodo News - Japão