Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Timor-Leste e Singapura reforçam diálogo político e cooperação em vários sectores

Timor-Leste e Singapura decidiram na sexta-feira reforçar o diálogo político e a cooperação nos setores da economia, educação e saúde no âmbito da primeira visita de um primeiro-ministro daquele país a Díli


“Singapura tem sido um parceiro de confiança e um amigo de Timor-Leste. Tem apoiado o nosso povo, as nossas instituições e a nossa preparação para a adesão à ASEAN [Associação das Nações do Sudeste Asiático]”, afirmou Xanana Gusmão, em conferência de imprensa, após um encontro com o seu homólogo, Lawrence Wong.

“Timor-Leste espera dar continuidade aos resultados desta visita, incluindo nas áreas da cooperação no âmbito da ASEAN, mobilidade laboral, educação, saúde, investimento, conectividade e assuntos regionais”, salientou o líder timorense.

Durante o encontro, Singapura anunciou também a intenção de abrir determinados setores da sua economia a trabalhadores timorenses. “É um anúncio importante. Representa um desenvolvimento muito significativo nas relações entre os nossos dois países”, afirmou Xanana Gusmão, que destacou que será uma oportunidade para os trabalhadores timorenses adquirirem competências e experiência profissional.

O primeiro-ministro de Singapura considerou a visita como “histórica” por ser a primeira que um chefe de Governo do seu país faz a Díli, mas também por se realizar durante o primeiro ano em que Timor-Leste é membro de pleno direito da ASEAN.

“Singapura sente-se privilegiada por poder acompanhar Timor-Leste no seu percurso de construção da nação”, disse Lawrence Wong, recordando que o apoio do seu país começou ainda antes da restauração da independência.

Lawrence Wong disse também que Singapura vai continuar a apoiar Timor-Leste na integração regional e reforçar o programa para preparar a presidência de Timor-Leste da ASEAN.

Sobre a mobilidade laboral, o chefe do Governo de Singapura salientou que é uma iniciativa “vantajosa para ambas as partes”. “Timor-Leste é uma nação jovem, mas acreditamos que possui um enorme potencial de desenvolvimento e crescimento. Singapura fará a sua parte para ajudar Timor-Leste a ter sucesso”, salientou.

No âmbito da visita foi também assinado um memorando de entendimento para estabelecer consultas bilaterais entre os ministérios dos Negócios Estrangeiros de ambos os países.

Lawrence Wong chegou quinta-feira a Timor-Leste para uma visita de 24 horas, que terminou sexta-feira com um banquete oficial.

Antes do encontro com o primeiro-ministro, Lawrence Wong recebeu o Grande Colar da Ordem de Timor-Leste no Palácio da Presidência e reuniu-se com o chefe de Estado, José Ramos-Horta. Na altura, José Ramos-Horta salientou que “Singapura tem sido um parceiro inabalável” no percurso de construção de Timor-Leste e disse estar convicto de que a visita de Lawrence Wong “abrirá novos e estimulantes capítulos” nas relações bilaterais. In “Ponto Final” - Macau


sábado, 25 de abril de 2026

Macau - Chefe do Executivo diz que língua portuguesa “não merece preocupação”

Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, partiu de Lisboa para Madrid referindo que as ligações do território com Portugal estão cada vez mais estreitas e que o caminho da cooperação está traçado. Em encontros com ministros, destacou que “a língua [portuguesa] não é questão que mereça preocupação”, quer ao nível do ensino, quer no uso pelos tribunais

“Posso garantir que a língua não é questão que mereça preocupação.” Foi desta forma que o Chefe do Executivo da RAEM, Sam Hou Fai, se referiu ao panorama do ensino e uso da língua portuguesa no território em reuniões com ministros portugueses. Na conferência de imprensa de balanço da visita da delegação da RAEM a Lisboa, que decorreu entre sábado e esta terça-feira, Sam Hou Fai destacou alguns pontos abordados na intensa agenda que teve na capital portuguesa.

Tanto nos encontros com o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, ou com a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, o uso do português foi abordado. “Eles mostraram interesse sobre a formação em língua portuguesa”, disse Sam Hou Fai.

“Após o retorno de Macau à China, Macau fez muito pela formação e nunca houve uma formação tão abrangente. Nunca houve tantas escolas [a ensinar a língua] e, na história de Macau, nunca houve tantos estudantes a aprender português. Eles [ministros] sabem que, actualmente, há mais chineses a aprender português em Macau do que as pessoas de Portugal a aprender português. Sabem que damos importância à utilização do português, sobretudo no sistema judicial”, destacou.

Sam Hou Fai lembrou que a ministra da Justiça e a sua equipa tem conhecimento de que no Tribunal de Última Instância (TUI) “a maioria das sentenças, sobretudo a nível civil, continuam a ser em língua portuguesa”.

“Eles têm conhecimento da utilização da língua portuguesa em Macau, qual a situação e que continuamos a apostar na forte formação da língua portuguesa. Eles ficaram satisfeitos com a minha resposta”, adiantou.

O governante não deixou de lembrar que esta foi a primeira vez, em quase 27 anos, que um líder da RAEM foi recebido pelos “quatro líderes nacionais dos poderes executivo, legislativo e judicial”. Sam Hou Fai disse ainda que desenvolveu “um programa destinado a aprofundar a amizade e a promover a cooperação, obtendo resultados positivos e atingindo os objectivos previstos”.

Salários mais altos

No contexto da necessidade de mais quadros qualificados em Macau, Sam Hou Fai disse ter feito “uma apresentação muito pormenorizada sobre a força laboral de Macau” no encontro com o ministro português da Economia, sem que tenha havido espaço para questionar, concretamente, a questão da atribuição de residência a portugueses.

“Temos cerca de 180 mil trabalhadores não residentes em Macau. Não tenho aqui o número exacto, mas muitos deles são de países de língua portuguesa. No âmbito da terceira fase de importação de quadros qualificados do Governo da RAEM, expliquei que às pessoas que dominam a língua portuguesa, nomeadamente de universidades de excelência de Portugal, pode dar-se um valor [salarial] mais elevado para que possam ser atraídas a ir para Macau.”

Sam Hou Fai referiu-se concretamente às pessoas oriundas dos países de língua portuguesa, “incluindo Portugal”, para que tenham condições laborais mais atractivas. Tudo para que haja uma maior atracção de “quadros qualificados [para participar] no desenvolvimento de Macau”.

Mercado em projecção

Foi um corre-corre de encontros e visitas desde sábado, e que só terminou na tarde de terça-feira, dia em que se deu a partida da comitiva da RAEM para Madrid. O líder do Governo de Macau reuniu também com o Presidente da República, António José Seguro, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, João Cura Mariano.

Nestes encontros, Sam Hou Fai foi destacando o papel de Macau enquanto ponte nas relações sino-portuguesas. “Os principais líderes da República Portuguesa reconheceram que Macau desempenha um papel importante como plataforma nas relações estratégicas e de cooperação entre a China e Portugal, e manifestaram o desejo de aproveitar ainda mais as funções e vantagens únicas desta plataforma”, afirmou.

De acordo com Sam Hou Fai, o Governo português manifestou particular interesse em potenciar uma plataforma para permitir que empresas chinesas e de Macau utilizem e aproveitem as vantagens de Portugal como uma porta de entrada para novos mercados em África, Europa e América Latina.

Em contrapartida, foi explorada “a possibilidade de promover a colaboração entre empresas de Macau e de Portugal para explorar os mercados dos países da Península Ibérica”. “A cooperação entre a China e Portugal está voltada para o futuro e irá criar melhores oportunidades de desenvolvimento”, afirmou.

Sam Hou Fai adiantou que vai exigir ao IPIM – Instituto de Promoção do Comércio e Investimento que “promova esses projectos, ao nível da cultura, educação, assuntos sociais e também da economia, para que possam ter acompanhamento e avançar”.

Citado por uma nota oficial, Luís Montenegro, primeiro-ministro português, “afirmou que Portugal está empenhado em aprofundar a cooperação amigável luso-chinesa, esperando continuar, através da estreita ligação e cooperação pragmática com Macau, a consolidar ainda mais e até elevar ininterruptamente a amizade tradicional”.

Montenegro disse que “Macau é uma janela importante para o sector português entrar no mercado chinês”, e que Portugal “poderá igualmente ser uma plataforma de cooperação económica e comercial para as empresas do Interior da China e de Macau entrarem no mercado europeu”. Por essa razão, deve ser reforçada “a articulação e cooperação”, a fim de se chegar, por parte dos dois territórios, “a um maior mercado”.

O governante português afirmou que o país “espera ter mais empresas chinesas e de Macau a investir em Portugal”, apostando-se na cooperação nas áreas “judiciária, cultura e turismo, promoção da língua portuguesa e quadros qualificados de alto nível”. Andreia Silva – Macau in “Hoje Macau”


terça-feira, 17 de março de 2026

Timor-Leste - Governo garante combustível e pode intervir nos preços

O ministro do Petróleo e Recursos Minerais de Timor-Leste, Francisco Monteiro, garantiu fornecimento de combustível para os próximos dois meses e admitiu a intervenção do Governo caso os preços disparem devido ao conflito no Médio Oriente.

“Até ao momento, não estamos numa fase crítica no que toca a soluções, mas a segurança do abastecimento de combustíveis mantém-se estável e assegurada para os próximos dois meses”, afirmou Francisco Monteiro, em conferência de imprensa.

O ministro falava aos jornalistas após a subida do preço dos combustíveis em Timor-Leste, na sequência do conflito no Médio Oriente, e depois de críticas da oposição política, que acusou o Governo de não prestar esclarecimentos à população. “O Ministério do Petróleo garante ao público que a segurança energética, em termos de reservas de combustível, está assegurada para os próximos meses”, insistiu o governante.

O ministro explicou também que há uma “coordenação muito intensiva” com as empresas fornecedoras de combustíveis ao país e na semana passada foi realizada uma reunião para “discutir abertamente o que cada entidade está a fazer e tem previsto fazer nos próximos tempos”. Relativamente ao aumento dos preços dos combustíveis no país, Francisco Monteiro explicou que Timor-Leste adoptou o mercado livre e que o seu custo será sempre afectado pelo mercado mundial.

O ministro salientou que o Governo poderá adoptar medidas caso o preço do petróleo continue a subir. “Serão tomadas medidas apropriadas para minimizar, tanto quanto possível, os impactos negativos na economia caso os preços aumentem significativamente”, disse.

Francisco Monteiro acrescentou que não há motivo para alarme e que existe uma coordenação entre todas as entidades envolvidas. “Devemos manter a confiança. Quanto à questão dos preços, estamos a acompanhar a situação e, a curto prazo, o Governo deverá adoptar algumas medidas para minimizar ao máximo os impactos”, acrescentou. In “Hoje Macau” - Macau


terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Burkina Faso – Dispara produção de ouro após reforma que nacionaliza minas

Em 2025, o governo de transição concluiu a nacionalização de 5 activos de mineração de ouro, finalizando o processo iniciado em 2024 para reforçar o controlo sobre recursos minerais. Produção de ouro cresceu 47% num ano

O Fundo Monetário Internacional elogiou a "ambiciosa agenda de reformas governamentais" e a "gestão macroeconómica sólida" do Burkina Faso, no final de uma visita ao quarto maior produtor de ouro em África, que em 2025 atingiu uma produção recorde de 94 toneladas, mais 30 toneladas do que no ano anterior, segundo dados do ministro da Energia, Minas e Pedreiras, Yacouba Zabré Gouba.

O país é dirigido por um governo de transição presidido pelo capitão Ibrahim Traoré, desde Setembro de 2022, na sequência de um segundo golpe militar em oito meses. No espaço de quatro anos, as reformas do presidente interino fizeram disparar a produção de ouro, em 62% (de 58 toneladas em 2022 para 94 toneladas em 2025). A reforma incluiu a nacionalização de duas minas de ouro e a exigência de uma participação mínima de 15% em todos os investimentos estrangeiros no sector. Fiscalização mais apertada, para evitar o contrabando e a venda ilegal de ouro, também contribuíram para aumentar a produção.

"Políticas económicas sólidas e um rápido aumento das exportações contribuíram para o crescimento" e ajudaram o Burkina Faso a "manter a dívida pública numa trajetória sustentável, mantendo ao mesmo tempo a inflação sob controlo", afirmou Kenji Okumura, director-geral adjunto do FMI, chefe da delegação que visitou o país.

Segundo o FMI, que esteve no país poucos dias depois de o governo dissolver por decreto todos os partidos, num total de mais de 100 formações políticas, a economia do Burkina Faso têm-se mostrado "resiliente" no "meio de desafios humanitários e de segurança", graças a uma "gestão macroeconómica sólida" e uma "ambiciosa agenda de reformas governamentais".

Não é a primeira vez que o FMI elogia o governo interino do Burkina Faso, que, juntamente com o Mali e o Níger, iniciou um processo de ruptura com o Ocidente, principalmente com a antiga potência colonizadora da região do Sahel, a França. Os três países anunciaram a saída da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), em Janeiro de 2024, após sanções da organização na sequência dos golpes de estado, e criaram a Aliança dos Estados do Sahel, organização apoiada pela Rússia, com quem formalizou uma parceria estratégica de defesa e de segurança.

Reformas tiram o país da lista cinzenta do GAFI

No relatório sobre a quarta revisão ao programa aprovado em 2023, com um financiamento de 302 milhões USD, divulgado em Novembro de 2025, o FMI diz que as autoridades locais cumpriram "todas as metas indicativas quantitativas, com excepção de uma", graças a um "desempenho sólido" do governo, prevendo um crescimento de 5% em 2025, impulsionado pela "forte produção de ouro".

Segundo o FMI, as reformas implementadas pelas autoridades locais permitiram ao Burkina Faso sair da lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira (GAFI), organismo que vela pelo cumprimento das leis do branqueamento de capitais e melhoraram os indicadores estruturais que promovem a governação fiscal e a transparência. Isabel Bordalo – Angola in “Expansão”


sábado, 31 de janeiro de 2026

Angola - Angonabeiro exportou 1,4 mil milhões Kz em café no ano passado

A Angonabeiro exportou no ano passado cerca de 1,4 mil milhões Kz (1,29 milhões de euros) de café produzido no País para vários mercados internacionais, segundo um comunicado divulgado esta semana em Luanda


De acordo com o documento, as exportações estão inseridas na estratégia de relançamento da produção de café nacional, e no objectivo de diversificar a economia e contribuir para a dinamização de toda a cadeia produtiva do café, o que tem permitido levar o café angolano para diferentes partes do mundo.

"Hoje, levamos o café angolano a vários mercados internacionais, como França, Suíça, Cabo Verde, Senegal e Brasil, promovendo a sua qualidade, identidade e potencial junto de diferentes públicos no mundo. Este percurso reflecte o nosso compromisso contínuo com a valorização do café produzido em Angola e com o desenvolvimento sustentável da fileira do café", salienta Rui Gonçalves, citado no comunicado da Angonabeiro, que não avança a quantidade exportada.

A empresa garante que, em 2025, registou um volume de negócios de cerca de 29,9 mil milhões Kz, um crescimento de aproximadamente 13,3% face a 2024. "Estes resultados reflectem a trajectória de crescimento sustentado da Angonabeiro, reafirmando o nosso compromisso e contributo para o desenvolvimento do sector em Angola. São fruto de uma estratégia consistente, assente no reforço da capacidade produtiva, na valorização do talento local e numa aposta contínua na qualidade, inovação e proximidade com os consumidores e parceiros. Continuamos focados em criar valor para a economia angolana e em consolidar a Angonabeiro como um actor de referência no sector do café no País".

Para isso, a empresa tem apostado na recuperação de infraestruturas, formação de recursos humanos e disponibilização de meios técnicos, com o objectivo de revitalizar a fileira do café de Angola e recuperar o prestígio internacional que o País já teve nesta fileira de produção "Acreditamos na aposta que temos vindo a fazer, centrada no estímulo da produção nacional, através da compra de café a grandes e médias fazendas, bem como a pequenos agricultores", lê-se no comunicado.

A empresa, que se dedica à produção de café, garante também que tem apoiado produtores de café na integração das melhores práticas agrícolas, de forma a maximizarem o seu rendimento, assegurando ainda a venda de toda a produção de café verde destes produtores. "Este negócio tem vindo a ganhar relevo na economia angolana e, ao longo destes anos, já chegámos a mais de 40 mil famílias, que apoiamos e às quais adquirimos o seu café", refere o comunicado citando Rui Gonçalves, que lidera a empresa. A empresa, que emprega actualmente 106 trabalhadores, lidera o mercado de café torrado no País e detém marcas próprias, como a Delta e a Ginga. Faustino Diogo – Angola in “Expansão”


terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Alemanha - “Sinais claros de desindustrialização” – empresas de médio porte estão cada vez mais a transferir a produção para o exterior, alerta a DIHK

Cada vez mais empresas alemãs estão a transferir a sua produção para o exterior. Os motivos são o aumento dos custos, os altos impostos e a burocracia. A presidente da Câmara Alemã de Indústria e Comércio (DIHK), Melnikov, vê isso como um sinal de alerta para empregos, investimentos e para a indústria alemã


A Associação Alemã das Câmaras de Indústria e Comércio (DIHK) alerta para um êxodo crescente de empresas alemãs para o exterior. "O perigo é real", disse Helena Melnikov, diretora-geral da DIHK, à Reuters no domingo. O setor industrial, em particular, está sob imensa pressão. "Estamos vendo claros sinais de desindustrialização: empresas de médio porte estão a realocar a sua produção ou a fechar completamente", afirmou Melnikov.

Desde 2019, 400 mil empregos industriais já foram perdidos. Em 2025, houve mais de 1600 falências somente no setor industrial – o maior número em doze anos. "Este é um sinal de alerta para a Alemanha como local de negócios", enfatizou a CEO da Associação das Câmaras de Indústria e Comércio Alemãs (DIHK). As causas, segundo ela, são o aumento dos custos de mão de obra e energia, os altos impostos corporativos e a ainda enorme burocracia. "Se os formuladores de políticas não tomarem medidas decisivas, corre-se o risco de uma forte perda de valor agregado e empregos", afirmou Melnikov.

Ela apontou para as perspectivas económicas fracas. A DIHK (Associação das Câmaras de Indústria e Comércio Alemãs) prevê um crescimento de apenas 0,7% para 2026. "Isso não é uma recuperação, mas um número mínimo, em parte devido ao facto de que haverá menos feriados em dias úteis em 2026", enfatizou a especialista da DIHK. "Após três anos sem crescimento económico, este é um sinal fraco." A pesquisa económica atual da DIHK, que abrange cerca de 23.000 empresas, mostra que apenas 15% dos negócios esperam uma melhoria. Uma em cada três empresas planeia cortar investimentos e uma em cada quatro pretende reduzir o quadro de funcionários. "Falta o impulso necessário para uma recuperação real", disse Melnikov. "As reformas implementadas até agora não estão a chegar às empresas."

Os cortes nas taxas de juros do Banco Central Europeu (BCE), por si só, não fornecerão estímulo suficiente. Eles não substituem as reformas urgentemente necessárias na Alemanha. "Empresas que não enxergam uma perspectiva de longo prazo não investirão, mesmo com custos de financiamento mais baixos", afirmou a CEO da Associação das Câmaras de Indústria e Comércio Alemãs (DIHK). O BCE reduziu a sua taxa básica de juros para metade, de 4% para 2%, entre meados de 2024 e meados de 2025. Manteve-a inalterada no segundo semestre do ano devido aos riscos inflacionários existentes. InWelt” – Alemanha com “Reuters”


sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Internacional - PIB-PPC: Estas serão as maiores economias do mundo em 2026, segundo o FMI

Dados do World Economic Outlook mostram protagonismo do Sul Global na economia mundial


Os dados mais recentes do World Economic Outlook, divulgados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em outubro de 2025, revelam uma mudança estrutural profunda na economia global. Considerando o PIB em Paridade do Poder de Compra (PPC) — indicador que mede o tamanho real das economias ao levar em conta o custo de vida interno —, o ranking de 2026 confirma que o eixo do crescimento mundial já não está concentrado no Ocidente.

A China permanece como a maior economia do planeta em termos reais, respondendo por 19,84% do PIB mundial. Mesmo com uma desaceleração gradual, o país mantém uma liderança sólida baseada em mercado interno robusto, cadeia industrial completa e forte presença no comércio global. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com 14,52%, ainda como potência central, mas com peso relativo em declínio frente às economias emergentes.

O grande destaque do ranking é a Índia, que já concentra 8,73% da economia mundial, consolidando-se como a terceira maior economia do planeta. A combinação entre demografia favorável, expansão industrial e crescimento do consumo interno sustenta a ascensão indiana no longo prazo.

A Rússia ocupa a quarta posição, com 3,35% do PIB global, à frente de todas as grandes economias europeias. O resultado evidencia a capacidade do país de reorganizar sua economia apesar das sanções ocidentais, ampliando laços comerciais com a Ásia, o Oriente Médio e o Sul Global.

Entre as economias tradicionais, Japão (3,16%), Alemanha (2,89%), França (2,12%) e Reino Unido (2,10%) seguem relevantes, mas com participação cada vez menor no PIB mundial, reflexo de baixo crescimento, envelhecimento populacional e limitações estruturais.

Dois países do Sul Global reforçam a mudança de eixo econômico: a Indonésia, com 2,44%, e o Brasil, com 2,35%, figuram entre as dez maiores economias do mundo. No caso brasileiro, o desempenho reflete o peso do mercado interno, do agronegócio e a maior integração com os países do BRICS.

Os números do FMI confirmam que o século XXI é marcado pela consolidação de um mundo multipolar, no qual o protagonismo econômico se desloca de forma acelerada para a Ásia e o Sul Global. Yuri Ferreira – Brasil in “Revista Fórum”


sábado, 15 de novembro de 2025

China - Pequim destaca “convergência de posições” globais com a Espanha

A China afirmou que Pequim e Madrid partilham posições semelhantes em vários assuntos internacionais e reafirmaram o compromisso com o multilateralismo e o papel das Nações Unidas


Durante uma conferência de imprensa em Pequim, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, declarou que o Presidente da China, Xi Jinping, e o rei Felipe VI, de Espanha, coincidiram na defesa da resolução de conflitos “através do diálogo e da consulta” e no apoio à ONU como “núcleo do sistema internacional”, durante um encontro em Pequim.

“As duas partes sempre se pautaram pelo respeito mútuo e pela igualdade, promovendo conjuntamente o desenvolvimento contínuo da sua parceria estratégica integral, que trará mais benefícios aos povos de ambos os países e contribuirá para a paz e estabilidade mundiais”, afirmou Lin.

Segundo o porta-voz, os líderes comprometeram-se a aprofundar a cooperação prática e os intercâmbios entre os povos, “construindo uma parceria com maior determinação estratégica, desenvolvimento mais dinâmico e maior influência internacional”. Lin Jian destacou ainda a “forte dinâmica interna” das relações bilaterais, visível na intensificação dos laços políticos e quase quadruplicação do comércio bilateral ao longo das últimas duas décadas.

No último dia da visita de Estado, Felipe VI visitou uma fábrica do grupo espanhol Gestamp, fabricante de componentes automóveis, situada nos arredores de Pequim. Ao final do dia, os reis participaram numa receção com a comunidade espanhola residente no país.

Na quarta-feira, Felipe VI reuniu-se com Xi Jinping no Grande Palácio do Povo, numa cerimónia marcada por fortes componentes protocolares e a assinatura de dez acordos bilaterais nas áreas económica, científica e cultural. O monarca espanhol encontrou-se ainda com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, e com o presidente da Assembleia Nacional Popular, Zhao Leji. “Desde a primeira visita oficial ao país do então rei Juan Carlos I, em 1978, foi-se construindo uma relação sólida e de confiança mútua, baseada nos princípios de respeito e prosperidade partilhada”, afirmou Felipe VI durante o encontro com o Presidente chinês.

Felipe VI defende diálogo com China sem abdicar da democracia e dos direitos humanos

O rei Felipe VI encerrou a visita de Estado à China reiterando a importância de manter um “diálogo frutuoso” com Pequim, sem abdicar da defesa dos direitos humanos e da democracia.

Num encontro com a comunidade espanhola em Pequim, no último dia da visita de três dias, o monarca sublinhou que “a Espanha continuará a defender os seus valores – democracia, Direito Internacional, direitos humanos e cooperação multilateral – com confiança em quem é como nação: moderna, solidária, criativa, aberta e comprometida com os grandes desafios do nosso tempo”.

Foi a primeira vez, durante a visita, que Felipe VI abordou publicamente o tema dos direitos humanos, uma das questões mais sensíveis nas relações com a China.

Segundo o Governo espanhol, o assunto é regularmente tratado nos contactos diplomáticos bilaterais e no quadro do diálogo específico entre a União Europeia e a China sobre esta matéria. “A China é hoje um actor-chave na cena internacional, com enormes desafios e transformações em curso”, afirmou o monarca, destacando que Madrid mantém com Pequim “um diálogo europeu e próprio”, assente no respeito e benefício mútuo.

O rei manifestou satisfação com o resultado da visita, iniciada na terça-feira na cidade de Chengdu, e considerou que a deslocação simbolizou “a renovação de uma vontade partilhada de construir uma relação pragmática e ambiciosa”.

Felipe VI destacou ainda o papel dos mais de 5200 espanhóis a viver na China como “ponte viva” entre os dois países. “A Espanha valoriza-vos e sente orgulho em vós”, disse, enaltecendo o contributo da comunidade para o reforço dos laços bilaterais nos domínios empresarial, científico, educativo, cultural e institucional. “Representam uma Espanha que sabe adaptar-se sem perder a sua identidade, colaborar sem renunciar aos seus valores, estender a mão sem deixar de erguer a voz quando necessário”, sublinhou.

Antes do encontro com a comunidade, o monarca participou num pequeno-almoço com o Conselho Empresarial Espanha-China, promovido pela Confederação Espanhola de Organizações Empresariais (CEOE) e pelo Ministério da Economia espanhol, em colaboração com o Ministério do Comércio chinês e a associação CHINCA.

No evento, Felipe VI defendeu “previsibilidade” e segurança jurídica para as empresas espanholas, e apelou à criação de um ambiente de confiança. “A concorrência leal, o respeito pelos direitos de propriedade intelectual e industrial, e a reciprocidade no acesso aos mercados são condições essenciais para garantir uma competição justa”, afirmou. Acrescentou ainda que os benefícios do comércio “devem alcançar toda a população”, defendendo a inserção das empresas nas cadeias locais de valor, a criação de empregos qualificados e uma efetiva transferência de conhecimento.

Rainha Letizia homenageia em Pequim professores de espanhol na China

A obra “Cem Anos de Solidão” e a cantora Rosalía estão entre os principais motivos que levam milhares de jovens chineses a estudar espanhol, disse ontem a Universidade Beiwai, em Pequim, durante a visita da rainha de Espanha. Segundo dados da universidade, cerca de 60.000 alunos estudam espanhol em toda a China, incluindo 400 na Beiwai (Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim), o principal centro de ensino da língua espanhola no país. A rainha Letizia participou num evento de homenagem à língua espanhola e aos professores que impulsionaram o seu ensino na China, incluindo docentes espanhóis que, em contextos diversos contribuíram para o desenvolvimento do ensino do castelhano em instituições como a Beiwai desde os anos 1950. Acompanhada pelo reitor da universidade, Jia Wenjian, e pelo diretor da Faculdade de Estudos Hispânicos, Chang Fuliang, a rainha ouviu testemunhos de estudantes e professores sobre o crescente interesse pela língua e cultura hispânicas.

“Saber espanhol está na moda na China”, disse Chang Fuliang, citado pela agência EFE, sublinhando que o interesse ganhou força sobretudo a partir da entrada da China na Organização Mundial do Comércio, em 2001. Actualmente, mais de 13.500 estudantes chineses estão matriculados em cursos superiores de espanhol em Espanha. À entrada do campus, uma faixa com a mensagem “Calorosa boas-vindas a Sua Majestade a Rainha de Espanha, Dona Letizia Ortiz Rocasolano” rececionou a monarca, que foi aplaudida por centenas de estudantes empunhando bandeiras espanholas e chinesas e registando o momento com os telemóveis. Durante a cerimónia, foi inaugurada uma placa comemorativa da embaixada de Espanha e da universidade, dedicada à memória dos professores espanhóis pioneiros que lecionaram espanhol na China a partir da década de 1950. A primeira turma de licenciados em espanhol formou-se em 1973 e, atualmente, existem cerca de 3000 professores da língua no país, a maioria chineses. Uma reforma curricular de 2018 permitiu a inclusão do espanhol, francês e alemão como línguas estrangeiras no ensino secundário chinês. Cerca de 200 escolas de ensino básico e secundário oferecem aulas de espanhol, cinco das quais com secções bilingues. De acordo com dados recentes, 106 universidades chinesas possuem departamentos de espanhol, formando anualmente cerca de 5000 licenciados. Outros 60.000 estudantes frequentam cursos em instituições de ensino não superior, escolas privadas ou cursos extracurriculares. In “Ponto Final” - Macau


segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Suíça - Os vencedores do Prémio Nobel de Economia de 2019, Esther Duflo e Abhijit Banerjee, deixam o Instituto de Tecnologia de Massachusetts e vão trabalhar na Universidade de Zurique

O casal de investigadores vencedor do Prémio Nobel deixa os Estados Unidos para se estabelecer em Zurique com o apoio financeiro da Fundação Lemann. Em 2019, eles receberam o Prémio Nobel pelo seu trabalho na redução da pobreza global


Os vencedores do Prémio Nobel de Economia de 2019, Esther Duflo e Abhijit Banerjee, deixarão os Estados Unidos no próximo ano para trabalhar na Universidade de Zurique. Lá, eles estabelecerão um centro dedicado à economia do desenvolvimento, educação e políticas públicas.

O casal atualmente trabalha junto no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Eles assumirão o novo cargo em Zurique em julho de 2026, na Faculdade de Economia, anunciou a universidade na sexta-feira.

Em 2019, Esther Duflo e Abhijit Banerjee receberam o Prémio Nobel de Economia, juntamente com Michael Kremer, pela sua abordagem experimental para reduzir a pobreza global.

Educação, pobreza e saúde

Na Universidade de Zurique, Duflo e Banerjee assumirão, cada um, uma cátedra financiada pela Fundação Lemann. Lá, darão continuidade às suas pesquisas em economia do desenvolvimento e na eficácia de medidas políticas nas áreas de educação, pobreza e saúde.

A criação do novo Centro Lemann para o Desenvolvimento, Educação e Políticas Públicas, bem como das duas cátedras associadas, é financiada por uma doação de 26 milhões de francos da Fundação Lemann. Esta última é uma fundação de utilidade pública com sede em São Paulo, Brasil, fundada pelo investidor suíço-brasileiro Jorge Paulo Lemann.

Apoiar os relacionamentos entre a Universidade de Zurique e investigadores e formuladores de políticas brasileiros é um ponto forte do Centro Lemann. In “Le Temps” - Suíça


sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Macau - Governo avança com projectos de cooperação sino-lusófona

O Governo planeia avançar ainda mais a cooperação com os países lusófonos através de vários projectos comerciais. O Chefe do Executivo revelou que está a trabalhar para a criação do Centro de Serviços Económicos e Comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa (e de Língua Espanhola), bem como o estabelecimento de um Fundo de Desenvolvimento Económico e Comercial China–Países de Língua Portuguesa, com um montante inicial de mil milhões de renminbis.


Os projectos foram apresentados por Sam Hou Fai no seu discurso proferido na recepção da Celebração do 76.º Aniversário da Implantação da República Popular da China, na passada quarta-feira, que contou com a presença de 1320 convidados. O líder do Governo assumiu que Macau vai, assim, desempenhar melhor o papel de “interlocutor de precisão” no âmbito de cooperação entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

O plano de criar o centro de serviços económicos e comerciais sino-lusófonos foi iniciado por parte do Governo em Março deste ano, com intuito de começar as operações até ao final do ano, oferecendo serviços de formação, correspondência de recursos internos e externos, consultoria, tradução linguística, serviços jurídicos e auditoria financeira. O centro será gerido conjuntamente por Macau e Hengqin.

Além dos projectos relacionados com a cooperação sino-lusófona, Sam Hou Fai disse ainda estar prevista, neste trimestre, a entrada em funcionamento de canais automáticos de inspecção integral de reconhecimento facial, que não exigem a exibição de documento de identificação, no Porto de Hengqin, facilitando a sinergia de desenvolvimento entre Macau e Hengqin.

No seu discurso sobre o Dia Nacional da RPC, Sam Hou Fai mostrou-se bastante optimista ao desenvolvimento nacional e de Macau, frisando que a China apresenta este ano uma estabilidade e uma vitalidade inovadora da economia e da sociedade e o “poder nacional está cada vez mais forte”.

“Macau vai aproveitar as oportunidades do desenvolvimento nacional para continuar a alcançar uma nova conjuntura de desenvolvimento de alta qualidade do princípio ‘um país, dois sistemas’, e concretizar com empenho a desejada perspectiva de uma Macau alicerçada no Estado de Direito, dinâmica, cultural e feliz”, indicou.

Ao mesmo tempo, Sam Hou Fai não esqueceu os elogios à actual situação da RAEM, referindo que o desenvolvimento socioeconómico de Macau apresenta uma “evolução estável e positiva” e caminha para uma nova fase da recuperação ao desenvolvimento de alta qualidade, “conseguindo salvaguardar a sua harmonia e a estabilidade global”. Catarina Chan – Macau in “Ponto Final”


quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Moçambique – Adriano Maleiane lança livro sobre riqueza e moçambicanidade

O ex-Primeiro-ministro, Adriano Maleiane, lançou na passada quinta-feira, o livro “Agenda Nacional”, na cidade de Maputo. Segundo o ex-governante, o livro versa sobre riqueza e cultura moçambicana, com foco na inclusão.


Falar coisas difíceis de forma artística é o que o autor da obra “Agenda Nacional (Moça+mbique = Moçambique)”, Adriano Maleiane, leva aos leitores. Lançada na passada quinta-feira, a obra propõe a inclusão dos moçambicanos na riqueza nacional e valorização da cultura.

Maleiane aponta que é necessário eliminar a corrupção no país, motivada por problemas de carácter, através da estruturação da família e fiscalização.

O autor da obra sugere que se deve institucionalizar a família para maior inclusão na riqueza nacional. Na ocasião, a Primeira-ministra, Benvinda Levi, referiu que espera colher experiência do livro para seu percurso governativo.

Além da recente obra, Maleiane tem outras, entre elas, “Banca e Finanças” e “A Visão de Samora Machel sobre a Economia de Moçambique no Pós-independência”, com propostas de soluções para os desafios do país. In “O País” - Moçambique


terça-feira, 24 de junho de 2025

Macau - Chefe do Executivo reforça cooperação com Shenzhen e Huizhou

Sam Hou Fai iniciou, no sábado, uma visita de três dias a cidades da Grande Baía, com o objetivo de reforçar a cooperação regional e promover Macau como ponte entre a China e os países lusófonos


O Chefe do Executivo da RAEM, Sam Hou Fai, iniciou uma visita de três dias a seis cidades do Interior da China integradas na iniciativa da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. As primeiras etapas passaram por Shenzhen e Huizhou, onde foram discutidas novas formas de cooperação regional nas áreas da economia, inovação e cultura.

Em Shenzhen, Sam Hou Fai reuniu-se com Meng Fanli, líder local do Partido Comunista Chinês, com quem trocou opiniões sobre a intensificação da colaboração bilateral. Em foco estiveram a economia marítima, a inovação científica e tecnológica, o sector financeiro, o turismo e as conferências e exposições. Macau propõe aprofundar o papel de plataforma entre a China e os países lusófonos, apoiando a internacionalização das empresas de Shenzhen, em especial na área da ciência e tecnologia.

Sam Hou Fai agradeceu o apoio de Shenzhen no desenvolvimento da RAEM e destacou os bons resultados do programa de parceria iniciado em 2021. Sublinhou ainda que Macau está a planear a construção de um parque de investigação científica e tecnológica, podendo beneficiar da experiência acumulada por Shenzhen nas zonas de Qianhai e Hetao.

Antes da reunião, a delegação de Macau visitou uma empresa local de tecnologias de informação e a zona de inovação Shenzhen-Hong Kong de Hetao. In “Plataforma” - Macau


quarta-feira, 4 de junho de 2025

Angola - Lançada a 2.ª edição do Prémio Nacional de Ciência e Inovação

Com esta iniciativa, que já vai na sua 2ª edição, o Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI) quer incentivar a criatividade na busca de soluções para os desafios sociais, económicos e ambientais. O prémio tem, no total, sete categorias


O Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI) lançou a 2ª edição do Prémio Nacional de Ciência e Inovação 2025 (CTI) com objectivo de incentivar a participação de jovens e de mulheres nas actividades de investigação científica, invenção e inovação tecnológica, estimular e reconhecer a contribuição dos investigadores científicos, inventores e inovadores na ciência, tecnologia e inovação para o desenvolvimento sustentável de Angola.

Podem candidatar-se ao prémio particulares, grupos ou instituições, com trabalhos que constituam, na sua área, "um valioso e relevante contributo para o desenvolvimento sustentável de Angola".

As candidaturas vão de 3 de Julho de 2025 a 3 de Agosto de 2025, através do correio pnci25.candidaturas@ciencia.ao. Para pedidos de informações, os candidatos podem utilizar o correio: pnci25.informacoes@ciencia.ao.

Os candidatos devem ser investigadores científicos, inventores e inovadores ou outros actores do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, consoante a natureza do prémio a atribuir.

Já as instituições ou organizações candidatas devem ser aquelas cujo objecto social prevê a realização de actividades de investigação e desenvolvimento, transferência de tecnologia, inovação e empreendedorismo de base tecnológica ou apoiam a sua concretização.

Os prémios de CTI podem ser outorgados na categoria de prémio de investigação científica, prémio de invenção, de promoção da ciência, tecnologia e inovação, de educação e popularização da ciência e prémio carreira científica.

Quanto às áreas ou sectores, estão definidas as ciências exactas, ciências naturais, ciências da engenharia e da tecnologia, ciências médicas e da saúde, ciências agrárias, ciências sociais e humanidades.

Quanto aos princípios para a premiação, os trabalhos devem ser de interesse público, o que significa que os trabalhos a premiar concorrem, para a solução de problemas locais ou nacionais, rigor científico, igualdade de tratamento e o princípio da imparcialidade, o que significa que a avaliação dos trabalhos deve ser isenta e objectiva, devendo evitar-se conflitos de interesse.

Os prémios a atribuir podem contemplar os três melhores classificados de cada uma das categorias previstas e com possibilidade da organização poder abranger mais canditados em função da sua classificação. Já o financiamento dos prémios de CTI deve ser assegurado pelo organizador do respectivo prémio. Alexandre Lourenço – Angola in “Expansão”


terça-feira, 13 de maio de 2025

Portugal - Defesa ou desenvolvimento?

Os 2% do PIB em Defesa correspondem a cerca de um quarto da totalidade das verbas do PRR. O PRR, sim, é um instrumento de desenvolvimento

Num país como Portugal, onde as dificuldades estruturais são profundas e persistentes, o investimento de 2% do PIB em Defesa levanta dúvidas morais e económicas incontornáveis. É muito difícil conceber que este seja o melhor uso dos nossos limitados recursos.

A aposta no armamento, por mais necessário ou até inevitável que possa parecer no plano geoestratégico, hipoteca o verdadeiro desenvolvimento do país. É ilusório pensar que este tipo de investimento trará um retorno multiplicador sustentável. A indústria militar, assente numa lógica de destruição, não gera inovação com impacto duradouro na produtividade, na coesão social ou na competitividade do país. O seu efeito resume-se, no curto prazo, à criação de emprego e a um aquecimento relativo da economia. Nada mais. Grande parte dos recursos aplicados na Defesa não geram utilidade prática na vida das pessoas. Ampliar a dimensão industrial do país e as oportunidades de negócio a partir de produção que ocorre para explodir ou destruir não gera, decerto, efeito multiplicador sustentável.

Para termos uma noção do desvio, basta perceber que os 2% do PIB em Defesa correspondem a cerca de um quarto da totalidade das verbas do PRR. O PRR, sim, é um instrumento de desenvolvimento.

Em junho, haverá uma nova cimeira da NATO. Se subirmos os números para 3,5% ou 5%, então estarmos a falar de metade ou dois terços das verbas do PRR alocadas a Portugal. E, no entanto, com referência a 2023, Portugal ocupa o último lugar da Europa no ranking do investimento público em 10 anos. É um quadro que nos devia embaraçar.

Durante anos, sacrificámos o investimento público em nome da consolidação orçamental. Agora, estranhamente, as novas metas militares poderão vir a abrir exceções a essa contenção. Segundo o Conselho de Finanças Públicas, o esforço acrescido com a Defesa agravará o rácio da dívida pública entre 2026 e 2029, ano após ano. É o oposto do que recomendava a Comissão Europeia, que previa para Portugal uma das maiores reduções da dívida da Zona Euro, precisamente à custa do desinvestimento.

Este nível de esforço não era sequer estritamente obrigatório. Mesmo assim, preferimos as contas certas à reconstrução do país. Agora, optamos pela Defesa como exceção à regra, mas sem cuidar das infraestruturas de que a economia precisa para crescer.

O que vemos, na prática, é o país a falhar consecutivamente em matérias centrais para o seu desenvolvimento. O investimento líquido das administrações públicas tem sido negativo ano após ano. O stock de capital continua a deteriorar-se. Em 2023, o investimento público ficou 26% abaixo do previsto no OE2023. Em 2024, o desvio foi de 17,5%. Tudo isto compromete a função produtiva da economia. Estamos muito aquém do nível necessário de manutenção ou ampliação de ferrovias, hospitais, escolas, aeroportos, entre outros. Vai ficando tudo fica para depois.

Mais grave ainda, hipotecámos a aplicação correta do PRR, por falta de trabalhadores na construção civil. Agora, com o desvio de recursos para a Defesa, acentuaremos esse défice. A escassez de mão de obra e de capital público aponta para um resultado em que o país se torna cada vez menos competitivo e atrativo para o investimento estrangeiro. E o investimento direto estrangeiro é absolutamente indispensável para Portugal.

A escolha é moral. Os portugueses vivem com dificuldades e num país economicamente débil. Neste momento da sua História, Portugal parece ser obrigado a escolher canhões em vez de pontes. João Santos – Portugal in “Sapo”

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João Rodrigues dos Santos - Professor Associado e Coordenador da área de Economia e Gestão da Universidade Europeia


quinta-feira, 1 de maio de 2025

Guiné-Bissau - Análise do Capital Humano

O capital humano é um pilar fundamental do crescimento sustentável e da redução da pobreza. Inclui os conhecimentos, as competências e a saúde que os indivíduos acumulam ao longo das suas vidas, permitindo-lhes atingir o seu potencial como membros produtivos da sociedade. Para melhorar o capital humano e acelerar o crescimento económico e o desenvolvimento, a Guiné-Bissau deve dar prioridade aos esforços para garantir a saúde e a educação das crianças

O reforço do capital humano é essencial para os esforços de redução da pobreza na Guiné-Bissau e para impulsionar o crescimento sustentável do país a longo prazo. Os investimentos na saúde, nutrição e educação são fundamentais para permitir que os indivíduos atinjam o seu pleno potencial e contribuam para a produtividade económica.

No entanto, os indicadores atuais do Índice de Capital Humano revelam perdas de capital humano na Guiné-Bissau, o que leva a uma redução da produtividade económica.

Embora a taxa de sobrevivência das crianças desde o nascimento até aos cinco anos seja de 94,4%, cerca de 33% das crianças entre os 6 e os 11 anos nunca frequentaram a escola e as taxas de conclusão do ensino primário são baixas (27% em média), principalmente devido à elevada taxa de reprovação. Tanto a taxa de sobrevivência das crianças com menos de cinco anos como o desempenho escolar são diretamente afetados pela subnutrição, que também tem um impacto direto na produtividade do trabalho.

A taxa de mortalidade na Guiné-Bissau diminuiu de 18,7 para 13,6 por 1000 pessoas-ano entre 2000 e 2019, mas a taxa de sobrevivência dos adultos ainda é baixa, 83%, e a mortalidade materna é elevada.

Constrangimentos transversais como os desafios climáticos, as desigualdades de género, a fragilidade e a governação impedem o reforço e a preservação do capital humano. As alterações climáticas afetam dramaticamente áreas como a segurança alimentar, a água potável e o saneamento, a saúde e a educação. A desigualdade de género tem implicações importantes para a saúde, a educação e as oportunidades económicas das mulheres e das raparigas.

Vulnerabilidades económicas e desafios de proteção social

A economia da Guiné-Bissau depende fortemente da agricultura como principal setor económico, o que torna o país suscetível a choques e fatores externos. Uma parte significativa da força de trabalho está envolvida em atividades do setor informal, que carecem de segurança no emprego, estabilidade e acesso a benefícios essenciais. A combinação de salários baixos e de oportunidades de emprego limitadas conduziu a uma crise de pobreza generalizada, que se agrava nas zonas rurais e que, em grande medida, não é mitigada pela proteção social. A taxa de pobreza entre os trabalhadores das zonas rurais é de 60,0%, em comparação com 23,5% nas zonas urbanas.

Os mecanismos de proteção social na Guiné-Bissau têm uma cobertura limitada em relação à dimensão dos grupos populacionais a que se destinam. A cobertura dos dispositivos de proteção social contributiva é extremamente baixa, principalmente devido à pequena dimensão do setor formal da economia. Os programas de assistência social são extremamente limitados - o financiamento complementar dos doadores é essencial - causando baixa cobertura, fragmentação e potencial de duplicação.

Ações-chave para melhorar o capital humano

  • Melhorar o acesso aos cuidados de saúde e reforçar a qualidade dos mesmos.
  • Melhorar a nutrição das mulheres grávidas e das crianças com menos de cinco anos para evitar efeitos negativos no seu desenvolvimento físico e cognitivo.
  • Expandir os programas de desenvolvimento da primeira infância.
  • Melhorar o desempenho dos professores e garantir a disponibilidade de materiais de ensino e aprendizagem.
  • Prestar apoio ao rendimento das famílias vulneráveis através de transferências monetárias, juntamente com medidas de acompanhamento.
  • Desenvolver medidas de inclusão económica para apoiar os agregados familiares pobres e com formação académica desempregados nas zonas rurais.
  • Investir em instituições reforçadas para direcionar adequadamente os esforços mencionados acima, nomeadamente um registo social nacional.

Aceda ao relatório do Banco Mundial aqui. Banco Mundial


quinta-feira, 17 de abril de 2025

China - Economia cresce 5,4% no primeiro trimestre de 2025

A economia chinesa cresceu 5,4% no primeiro trimestre do ano, segundo dados oficiais difundidos, à medida que os fabricantes apressaram a entrega de encomendas, antes da subida das taxas alfandegárias nos Estados Unidos



O crescimento está em linha com o ritmo de expansão alcançado pela segunda maior economia do mundo no quarto trimestre e excede a meta de “cerca de 5%” para o ano de 2025 estabelecida por Pequim.

O impulso surge numa altura em que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou a guerra comercial contra Pequim, ameaçando uma dissociação total entre as duas maiores economias do mundo, numa altura em que a China enfrenta já uma prolongada crise no setor imobiliário.

As taxas sobre a maior parte dos produtos chineses aumentaram para, pelo menos, 145%, um nível que poderá levar as exportações da China a entrarem em contração este ano e prejudicar um motor de crescimento crucial.

Os dados divulgados pelo Gabinete Nacional de Estatística (GNE) ultrapassaram a estimativa consensual de 5,2% dos economistas inquiridos pela agência de notícias Bloomberg.

A produção industrial expandiu 7,7% em março, em relação ao mesmo período do ano anterior, no crescimento mais rápido desde junho de 2021. As vendas a retalho aumentaram 5,9%, o melhor ritmo desde dezembro de 2023.

“A surpresa mais agradável são as vendas a retalho, o que mostra que os subsídios ao consumo estão funcionar”, disse Michelle Lam, economista do banco francês Societe Generale SA para a China, citado pela agência. “A produção industrial foi uma surpresa, mas compreensível após os fortes dados de exportação. Mas isso agora faz parte do passado”, afirmou ainda à Bloomberg.

Apesar dos dados positivos, o GNE recomendou cautela, sublinhando a necessidade de dar maior apoio à economia. “Devemos estar conscientes de que o ambiente externo está a tornar-se mais complexo e grave. O impulso da procura interna para o crescimento é insuficiente e a base para uma recuperação económica e crescimento sustentado estão ainda por consolidar”, afirmou o gabinete num comunicado. “Temos de implementar políticas macroeconómicas mais pró-ativas e eficazes”, apontou.

O investimento em ativos fixos aumentou 4,2% nos primeiros três meses de 2025, enquanto o investimento imobiliário registou uma contração de 9,9%, prolongando a crise que atingiu o setor em 2022.

A taxa de desemprego urbano foi de 5,2% em março, descendo de 5,4% no mês anterior.

A China poderá ter dificuldades em atingir o seu objetivo oficial de crescimento este ano sem mais estímulos. Nas últimas semanas, vários bancos internacionais, incluindo o UBS Group AG, o Goldman Sachs Group Inc. e o Citigroup Inc., baixaram as suas previsões de crescimento da China para cerca de 4% ou menos, fruto do agravar das tensões comerciais com Washington.

Alguns economistas esperam que o Banco Popular da China reduza as taxas de juro ou a quantidade de dinheiro que os bancos devem manter em reserva já este mês, enquanto outros preveem vários biliões de yuan em empréstimos e despesas fiscais adicionais para preencher o vazio deixado pela queda das exportações.

A China tem de aumentar rapidamente o consumo doméstico e o investimento para contrariar o impacto das tarifas. A debilidade do mercado de trabalho continua a impedir os consumidores de gastarem mais, mesmo antes de as tarifas dos EUA atingirem empregos relacionados com as exportações.

O impacto da guerra comercial vai provavelmente manifestar-se na atividade económica a partir de abril, após um aumento de 12,4% das exportações em março, à medida que as empresas se apressaram a concluir encomendas.

A possibilidade de um acordo entre os EUA e a China sobre o litígio comercial parece reduzida num futuro próximo, uma vez que Pequim adotou por retaliar as sucessivas rondas de tarifas impostas por Trump.

Os índices bolsistas da China mantiveram em grande parte as suas perdas após a divulgação dos dados, com o Hang Seng China Enterprises, que reúne as principais empresas chinesas cotadas em Hong Kong, a perder 2,4%, e o CSI 300, que replica o desempenho das 300 principais acções negociadas nas bolsas de Xangai e de Shenzhen, a cair 0,8%. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”