Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Brasil - Instituição que protege a Amazónia está entre os “Campeões da Terra”

Premiação internacional reconheceu trabalho pioneiro do Imazon que usa inteligência artificial para prever e impedir desmatamento na floresta amazónica. A abordagem já ajudou a identificar 15 mil km² de áreas florestais de alto risco, 71% das quais foram posteriormente preservadas


O instituto de pesquisa brasileiro Imazon, que utiliza tecnologia de ponta para combater o desmatamento na Amazónia, é um dos cinco vencedores do prémio “Campeões da Terra” de 2025.

A distinção, anunciada nesta terça-feira, foi concedida pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, na 7.ª sessão da Assembleia Ambiental da ONU, Unea-7, que acontece em Nairóbi, no Quénia.

Alertas precoces para a proteção da floresta

O Imazon desenvolveu modelos de inteligência artificial para previsão do desmatamento, causado principalmente pela pecuária e pela exploração madeireira. O objetivo é criar alertas precoces, orientar políticas públicas e auxiliar as autoridades na proteção da floresta.

O pesquisador associado do Imazon, Carlos Souza Jr., explicou que nem o Brasil nem o mundo serão os mesmos sem a floresta amazónica.

“Se a Amazónia chegar num ponto de não retorno nós vamos ter vários impactos. Primeiro, a perda de biodiversidade. Segundo, a emissão de gases de efeito estufa, pois a Amazónia armazena muito carbono nas florestas e no subsolo.”

O instituto usa um mapa digital onde são lançados pontos amarelos, laranjas e vermelhos. Cada ponto representa um local onde o Imazon acredita que ocorrerá desmatamento, e cada cor indica o grau de risco, com base em dados de satélite e modelagem de inteligência artificial.

Uso da tecnologia ajudou a descobrir 99% dos casos de desmatamento ilegal

Em 2021, ano de lançamento do mapa, esses pontos ajudaram a identificar 15 mil km² de áreas florestais de alto risco, 71% das quais foram posteriormente preservadas.

Os dados também serviram de base para mais de 4,4 mil processos judiciais ambientais e ajudaram a descobrir 99% dos casos de desmatamento ilegal.

Carlos destacou a importância da tecnologia na defesa do meio ambiente.

“É uma mudança de paradigma significativa que a inteligência artificial, a computação em nuvem e os novos algoritmos permitem para que a gente tenha informações ainda mais precisas sobre o futuro próximo da Amazónia e tentar evitar estes cenários de destruição por desmatamento e degradação florestal.”

União da ciência com conhecimento ancestral

Os pesquisadores acompanharam a dinâmica do desmatamento na Amazónia de 1985 a 2024, para desenvolver uma ferramenta prática que permitisse à sociedade brasileira trabalhar em conjunto para evitar a destruição da Amazónia.

Outro foco da ONG é estimular o crescimento económico sustentável na região. Isso envolve trabalho de campo com as comunidades locais para apoiar práticas sustentáveis ​​e áreas florestais protegidas.

A entidade acredita na junção do conhecimento científico com o conhecimento ancestral local e a sabedoria dos povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas.

A pesquisa do Imazon demonstrou que a extração sustentável de madeira é possível e que as regulamentações de gestão florestal poderiam reduzir significativamente o impacto ambiental, mantendo os ganhos económicos. 

Com sede em Belém, no Pará, o Imazon é uma instituição científica sem fins lucrativos, que atua há 35 anos para promover a conservação e o desenvolvimento sustentável na Amazónia. ONU News – Nações Unidas



quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Alemanha - Chanceler Merz não gostou da cidade de Belém do Pará

Imaginem se o chanceler alemão conservador de direita Friedrich Merz tivesse experimentado um prato maniçoba, ou de pato no tucupi! Tivesse dançado e tomado um gole num boteco! com certeza não teria falado mal de Belém, comentou Lula ao saber das críticas do chanceler.

Picado por mosquitos, excitados com a presença da comitiva alemã, e irritado com o som de violino tocado de noite pelos pernilongos, capazes de furar o controle de segurança do seu quarto, e suando com o calor, o chanceler deu vexame ao voltar a Berlim e fazer declarações depreciativas sobre a cidade de Belém do Pará, onde esteve pela COP 30, publicadas na imprensa alemã e repercutidas pela imprensa brasileira, quase no final da COP 30.

A imprensa alemã, que acompanhava o chanceler, contou para seus leitores a falta de educação e de diplomacia do chanceler, aliás já conhecido por dizer besteiras e abobrinhas, comprometendo o respeito curtido no Brasil pela cultura alemã.

O bastante lido jornal alemão Der Spiegel contou com destaque a grosseria de Merz com o título "Como o chanceler Merz provocou a cólera dos brasileiros", ilustrada com uma foto do chanceler com Lula, num aperto de quatro mãos e sorrisos de praxe. A legenda identifica Lula e Merz, seguida de uma frase ferina - "É preciso desaparecer o mais rápido possível?"


Mas ao falar na correria para deixar logo essa região primitiva cheia de índios, Merz não esperava a repercussão na imprensa internacional desse gesto de repulsa a Belém, ao Amazonas e ao Brasil!

O jornal suíço 20 Minutes deu destaque num título agressivo "Merz, tua xenofobia é o novo muro de Berlim", baseado num texto distribuído para todo mundo pela Agência France-Presse. A legenda da foto do chanceler é irônica: o chanceler não gostou das condições de seu alojamento.

O texto fala do discurso cheio de preconceitos do chanceler alemão. "É curioso, disse o governador Helder Barbalho, ver que aqueles que contribuíram para o aquecimento do planeta fiquem surpresos pelo calor na Amazônia".

Por sua vez, o prefeito de Belém, Igor Normando, também criticou: "Infelizmente o chanceler alemão pronunciou um discurso cheio de arrogância e de preconceitos, ao contrário de seu povo que mostra nas ruas de Belém sua fascinação por nossa cidade".

O jornal 20 Minutos acrescenta que o ministro alemão do Meio Ambiente, Carsten Schneider adotou uma atitude bastante diferente afirmando que "as pessoas maravilhosas do Brasil lhe cativaram pela calorosa hospitalidade".

O jornal francês Le Figaro também deu destaque às ofensas de Merz destacando a frase de Merz à sua comitiva "Quem de vocês gostaria de ficar aqui?", provocando uma viva polêmica no Brasil. Merz tinha acrescentado que nenhum jornalista alemão gostaria de ficar em Belém e que todos estavam contentes por deixar o lugar e voltar para a Alemanha. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.



 

domingo, 16 de novembro de 2025

CPLP - Países de língua portuguesa apresentam plano para acelerar transições energéticas

A implementação de um projeto regional de cozinha limpa é uma das iniciativas previstas no roteiro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para a energia e clima, apresentado na sexta-feira na conferência do clima (COP30)


Segundo o documento, consultado pela Lusa, a taxa de acesso a tecnologias de cozinha limpa (como fogões melhorados e gás de cozinha) era, em 2023, de 100% em Portugal, de 93% no Brasil e de 84% em Cabo Verde e não ia além dos 50% em Angola, 22% na Guiné-Equatorial e 19% em Timor-Leste.

A taxa em Moçambique era de 7%, em São Tomé e Príncipe de 5% e na Guiné-Bissau de 1%.

O objetivo é que a iniciativa, inserida no eixo estratégico da aceleração das transições energéticas, seja implementada em 2026.

No total, são quatro os eixos estratégicos do Roteiro de Cooperação 2030 em Energia e Clima nos Países da CPLP: planeamento energético, liderança e capacitação, mobilização e financiamento e aceleração das transições energéticas.

O “desenvolvimento de uma plataforma CPLP de partilha de informação, troca de experiências e alinhamento de políticas e instrumentos de planeamento”, a formação para a implementação de sistemas de monitorização, reporte e verificação para o planeamento climático, o “estímulo à replicação de mecanismos de troca de dívida soberana entre os Estados-Membros da CPLP” e a preparação de um proposta a um programa do Fundo Verde Para o Clima são outras das dez iniciativas previstas.

O documento – promovido pela presidência são-tomense da CPLP e lançado em outubro, em Moçambique, durante a Semana de Energia e Clima da CPLP – é coordenado pela Comissão Temática de Energia e Clima dos Observadores Consultivos da CPLP e constitui “o primeiro instrumento que integra de forma estratégica as dimensões de energia, clima e finanças verdes no âmbito” da Comunidade.

A apresentação na COP30, que decorre em Belém, Brasil, aconteceu no Pavilhão de Portugal e contou com intervenções da ministra do Ambiente, Juventude e Turismo Sustentável de São Tomé e Príncipe, Nilda Borges da Mata, do secretário de Estado da Energia de Portugal, Jean Barroca, e do secretário de Estado da Ação Climática e Desenvolvimento Sustentável de Angola, Nascimento Soares, entre outros. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Portugal – Cidade de Lisboa debate clima e segurança no Atlântico antes da COP30 no Brasil

Especialistas de todo o mundo reuniram-se em Lisboa nas vésperas da COP30, para debater forma como as alterações climáticas estão a transformar a segurança no espaço atlântico. O clima deixou de ser apenas um desafio ambiental, é uma questão estratégica de segurança e estabilidade global


Especialistas de todo o mundo reuniram-se em Lisboa este dia 30 de outubro para discutir a ligação entre segurança, defesa e alterações climáticas.

Nas vésperas da COP30, que decorrerá em novembro em Belém do Pará, no Brasil, o Atlantic Centre promoveu um seminário internacional, reforçando a ideia de que a crise climática deve ser tratada não apenas como uma urgência ambiental, mas como uma prioridade estratégica para garantir um Atlântico mais seguro, estável e próspero.

O Atlantic Centre é uma iniciativa portuguesa que promove a cooperação entre países do Atlântico nas áreas da segurança, defesa, governação marítima e desenvolvimento sustentável. Atualmente tem 27 Estados signatários, funcionando como plataforma de diálogo e formação sob a tutela do Ministério da Defesa Nacional.

Clima como nova fronteira da segurança

O coordenador do Atlantic Centre, o contra-almirante Nuno Noronha de Bragança, sublinha que as alterações climáticas tornaram-se parte central dos desafios comuns que atravessam o Atlântico.

Entre os principais fatores de risco, o responsável destaca a desertificação no Sahel, o impacto crescente dos eventos meteorológicos extremos, a migração irregular e as tensões sobre os recursos naturais.

Em entrevista à ONU News a partir de Lisboa, Noronha de Bragança dá alguns exemplos. “Olhamos para as alterações climáticas, naquilo que é o impacto nas megacidades do continente africano que, fruto daquilo que são as alterações climáticas, transportam as pessoas e os jovens para as cidades superpovoadas”.

Infraestruturas vulneráveis e impacto humano

A vulnerabilidade das infraestruturas marítimas e costeiras é um dos pontos de maior preocupação. “Sessenta por cento do produto interno bruto depende de infraestruturas que sofrem com as alterações climáticas”, referiu Noronha de Bragança, recordando episódios de cheias e tempestades recentes na Europa e nas Américas.

O impacto chega também às comunidades dependentes do mar, sobretudo na África Ocidental e nas Caraíbas, onde as alterações nos ecossistemas marinhos afetam a pesca e o sustento das populações, obrigando a uma migração forçada. “Em 2040 teremos 12 milhões de jovens a entrar no mercado de trabalho africano e o impacto da migração irregular numa das rotas mais mortíferas para a Europa que é a rota das Canárias”, referiu.

Cooperação e resposta integrada

O seminário pretendeu destacar a necessidade de respostas coordenadas entre governos, forças armadas, proteção civil, ciência e sociedade civil. Para o contra-almirante, a segurança climática exige uma “abordagem de toda a sociedade”, capaz de responder de forma rápida a catástrofes e construir resiliência coletiva.

“Não há país isolado, não há agência isolada que consiga fazer face a estes desafios comuns. Exige de todos, e desta comunidade atlântica,”, defendeu.

Ciência, governação e tecnologia

Para o Atlantic Centre, o combate às alterações climáticas no Atlântico deve assentar em três pilares fundamentais: ciência, boa governação e tecnologia. “Escutar a ciência, escutar aquilo que é a perspetiva nacional. E, de facto, a perspetiva de segurança e defesa entra nisto”.

Entre os exemplos de cooperação nacional e internacional, destacou o Centro de Dados Oceanográficos Nacional, que reúne informação recolhida por várias instituições portuguesas e internacionais para apoiar políticas públicas e decisões estratégicas.

“É mais fácil inovar na tecnologia do que inovar nas pessoas. Falamos muito, mas é preciso agir”, alertou, sublinhando que a tecnologia, incluindo inteligência artificial e computação quântica, pode ser uma aliada fundamental para antecipar riscos e planear respostas.

Propostas para a COP30

Embora o Atlantic Centre não vá participar diretamente na COP30, há ideias e recomendações que a instituição gostaria de ver debatidas em Belém. Entre elas está a revisão do direito internacional para lidar com a perda de território provocada pela subida do nível do mar, um fenómeno que ameaça a soberania de vários pequenos Estados insulares.

Outra proposta é reforçar o diálogo entre ciência, governação e tecnologia e garantir que o debate global sobre o clima inclua a dimensão de segurança. “Não há país nem agência isolada que consiga responder a estes desafios. É preciso cooperação, diálogo e, sobretudo, ação”, afirmou.

Parceria com as Nações Unidas

O Atlantic Centre tem vindo a reforçar a cooperação com as Nações Unidas e várias das suas agências, num esforço de convergência entre agendas de defesa, clima e segurança. “Temos trabalhado com inúmeras agências externas das Nações Unidas. É fundamental ter sempre presente o princípio da complementaridade”, referiu Noronha de Bragança.

O responsável destacou o papel central das Nações Unidas neste domínio e defendeu uma articulação constante. “A ONU tem um papel importantíssimo e continuará a tê-lo. O Atlantic Centre é mais uma iniciativa que trabalha em consonância com esses mesmos objetivos comuns, apoiando as convenções e tratados internacionais relacionados com o clima e o mar.”

Entre os temas ainda em aberto, Noronha de Bragança lembrou a necessidade de fortalecer a agenda clima-segurança no quadro das Nações Unidas e de integrar esta dimensão em convenções internacionais como a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar ou a nova Convenção para a Proteção do Alto Mar. ONU News – Nações Unidas