Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Alemanha - Chanceler Merz não gostou da cidade de Belém do Pará

Imaginem se o chanceler alemão conservador de direita Friedrich Merz tivesse experimentado um prato maniçoba, ou de pato no tucupi! Tivesse dançado e tomado um gole num boteco! com certeza não teria falado mal de Belém, comentou Lula ao saber das críticas do chanceler.

Picado por mosquitos, excitados com a presença da comitiva alemã, e irritado com o som de violino tocado de noite pelos pernilongos, capazes de furar o controle de segurança do seu quarto, e suando com o calor, o chanceler deu vexame ao voltar a Berlim e fazer declarações depreciativas sobre a cidade de Belém do Pará, onde esteve pela COP 30, publicadas na imprensa alemã e repercutidas pela imprensa brasileira, quase no final da COP 30.

A imprensa alemã, que acompanhava o chanceler, contou para seus leitores a falta de educação e de diplomacia do chanceler, aliás já conhecido por dizer besteiras e abobrinhas, comprometendo o respeito curtido no Brasil pela cultura alemã.

O bastante lido jornal alemão Der Spiegel contou com destaque a grosseria de Merz com o título "Como o chanceler Merz provocou a cólera dos brasileiros", ilustrada com uma foto do chanceler com Lula, num aperto de quatro mãos e sorrisos de praxe. A legenda identifica Lula e Merz, seguida de uma frase ferina - "É preciso desaparecer o mais rápido possível?"


Mas ao falar na correria para deixar logo essa região primitiva cheia de índios, Merz não esperava a repercussão na imprensa internacional desse gesto de repulsa a Belém, ao Amazonas e ao Brasil!

O jornal suíço 20 Minutes deu destaque num título agressivo "Merz, tua xenofobia é o novo muro de Berlim", baseado num texto distribuído para todo mundo pela Agência France-Presse. A legenda da foto do chanceler é irônica: o chanceler não gostou das condições de seu alojamento.

O texto fala do discurso cheio de preconceitos do chanceler alemão. "É curioso, disse o governador Helder Barbalho, ver que aqueles que contribuíram para o aquecimento do planeta fiquem surpresos pelo calor na Amazônia".

Por sua vez, o prefeito de Belém, Igor Normando, também criticou: "Infelizmente o chanceler alemão pronunciou um discurso cheio de arrogância e de preconceitos, ao contrário de seu povo que mostra nas ruas de Belém sua fascinação por nossa cidade".

O jornal 20 Minutos acrescenta que o ministro alemão do Meio Ambiente, Carsten Schneider adotou uma atitude bastante diferente afirmando que "as pessoas maravilhosas do Brasil lhe cativaram pela calorosa hospitalidade".

O jornal francês Le Figaro também deu destaque às ofensas de Merz destacando a frase de Merz à sua comitiva "Quem de vocês gostaria de ficar aqui?", provocando uma viva polêmica no Brasil. Merz tinha acrescentado que nenhum jornalista alemão gostaria de ficar em Belém e que todos estavam contentes por deixar o lugar e voltar para a Alemanha. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.



 

domingo, 16 de novembro de 2025

CPLP - Países de língua portuguesa apresentam plano para acelerar transições energéticas

A implementação de um projeto regional de cozinha limpa é uma das iniciativas previstas no roteiro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para a energia e clima, apresentado na sexta-feira na conferência do clima (COP30)


Segundo o documento, consultado pela Lusa, a taxa de acesso a tecnologias de cozinha limpa (como fogões melhorados e gás de cozinha) era, em 2023, de 100% em Portugal, de 93% no Brasil e de 84% em Cabo Verde e não ia além dos 50% em Angola, 22% na Guiné-Equatorial e 19% em Timor-Leste.

A taxa em Moçambique era de 7%, em São Tomé e Príncipe de 5% e na Guiné-Bissau de 1%.

O objetivo é que a iniciativa, inserida no eixo estratégico da aceleração das transições energéticas, seja implementada em 2026.

No total, são quatro os eixos estratégicos do Roteiro de Cooperação 2030 em Energia e Clima nos Países da CPLP: planeamento energético, liderança e capacitação, mobilização e financiamento e aceleração das transições energéticas.

O “desenvolvimento de uma plataforma CPLP de partilha de informação, troca de experiências e alinhamento de políticas e instrumentos de planeamento”, a formação para a implementação de sistemas de monitorização, reporte e verificação para o planeamento climático, o “estímulo à replicação de mecanismos de troca de dívida soberana entre os Estados-Membros da CPLP” e a preparação de um proposta a um programa do Fundo Verde Para o Clima são outras das dez iniciativas previstas.

O documento – promovido pela presidência são-tomense da CPLP e lançado em outubro, em Moçambique, durante a Semana de Energia e Clima da CPLP – é coordenado pela Comissão Temática de Energia e Clima dos Observadores Consultivos da CPLP e constitui “o primeiro instrumento que integra de forma estratégica as dimensões de energia, clima e finanças verdes no âmbito” da Comunidade.

A apresentação na COP30, que decorre em Belém, Brasil, aconteceu no Pavilhão de Portugal e contou com intervenções da ministra do Ambiente, Juventude e Turismo Sustentável de São Tomé e Príncipe, Nilda Borges da Mata, do secretário de Estado da Energia de Portugal, Jean Barroca, e do secretário de Estado da Ação Climática e Desenvolvimento Sustentável de Angola, Nascimento Soares, entre outros. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Portugal – Cidade de Lisboa debate clima e segurança no Atlântico antes da COP30 no Brasil

Especialistas de todo o mundo reuniram-se em Lisboa nas vésperas da COP30, para debater forma como as alterações climáticas estão a transformar a segurança no espaço atlântico. O clima deixou de ser apenas um desafio ambiental, é uma questão estratégica de segurança e estabilidade global


Especialistas de todo o mundo reuniram-se em Lisboa este dia 30 de outubro para discutir a ligação entre segurança, defesa e alterações climáticas.

Nas vésperas da COP30, que decorrerá em novembro em Belém do Pará, no Brasil, o Atlantic Centre promoveu um seminário internacional, reforçando a ideia de que a crise climática deve ser tratada não apenas como uma urgência ambiental, mas como uma prioridade estratégica para garantir um Atlântico mais seguro, estável e próspero.

O Atlantic Centre é uma iniciativa portuguesa que promove a cooperação entre países do Atlântico nas áreas da segurança, defesa, governação marítima e desenvolvimento sustentável. Atualmente tem 27 Estados signatários, funcionando como plataforma de diálogo e formação sob a tutela do Ministério da Defesa Nacional.

Clima como nova fronteira da segurança

O coordenador do Atlantic Centre, o contra-almirante Nuno Noronha de Bragança, sublinha que as alterações climáticas tornaram-se parte central dos desafios comuns que atravessam o Atlântico.

Entre os principais fatores de risco, o responsável destaca a desertificação no Sahel, o impacto crescente dos eventos meteorológicos extremos, a migração irregular e as tensões sobre os recursos naturais.

Em entrevista à ONU News a partir de Lisboa, Noronha de Bragança dá alguns exemplos. “Olhamos para as alterações climáticas, naquilo que é o impacto nas megacidades do continente africano que, fruto daquilo que são as alterações climáticas, transportam as pessoas e os jovens para as cidades superpovoadas”.

Infraestruturas vulneráveis e impacto humano

A vulnerabilidade das infraestruturas marítimas e costeiras é um dos pontos de maior preocupação. “Sessenta por cento do produto interno bruto depende de infraestruturas que sofrem com as alterações climáticas”, referiu Noronha de Bragança, recordando episódios de cheias e tempestades recentes na Europa e nas Américas.

O impacto chega também às comunidades dependentes do mar, sobretudo na África Ocidental e nas Caraíbas, onde as alterações nos ecossistemas marinhos afetam a pesca e o sustento das populações, obrigando a uma migração forçada. “Em 2040 teremos 12 milhões de jovens a entrar no mercado de trabalho africano e o impacto da migração irregular numa das rotas mais mortíferas para a Europa que é a rota das Canárias”, referiu.

Cooperação e resposta integrada

O seminário pretendeu destacar a necessidade de respostas coordenadas entre governos, forças armadas, proteção civil, ciência e sociedade civil. Para o contra-almirante, a segurança climática exige uma “abordagem de toda a sociedade”, capaz de responder de forma rápida a catástrofes e construir resiliência coletiva.

“Não há país isolado, não há agência isolada que consiga fazer face a estes desafios comuns. Exige de todos, e desta comunidade atlântica,”, defendeu.

Ciência, governação e tecnologia

Para o Atlantic Centre, o combate às alterações climáticas no Atlântico deve assentar em três pilares fundamentais: ciência, boa governação e tecnologia. “Escutar a ciência, escutar aquilo que é a perspetiva nacional. E, de facto, a perspetiva de segurança e defesa entra nisto”.

Entre os exemplos de cooperação nacional e internacional, destacou o Centro de Dados Oceanográficos Nacional, que reúne informação recolhida por várias instituições portuguesas e internacionais para apoiar políticas públicas e decisões estratégicas.

“É mais fácil inovar na tecnologia do que inovar nas pessoas. Falamos muito, mas é preciso agir”, alertou, sublinhando que a tecnologia, incluindo inteligência artificial e computação quântica, pode ser uma aliada fundamental para antecipar riscos e planear respostas.

Propostas para a COP30

Embora o Atlantic Centre não vá participar diretamente na COP30, há ideias e recomendações que a instituição gostaria de ver debatidas em Belém. Entre elas está a revisão do direito internacional para lidar com a perda de território provocada pela subida do nível do mar, um fenómeno que ameaça a soberania de vários pequenos Estados insulares.

Outra proposta é reforçar o diálogo entre ciência, governação e tecnologia e garantir que o debate global sobre o clima inclua a dimensão de segurança. “Não há país nem agência isolada que consiga responder a estes desafios. É preciso cooperação, diálogo e, sobretudo, ação”, afirmou.

Parceria com as Nações Unidas

O Atlantic Centre tem vindo a reforçar a cooperação com as Nações Unidas e várias das suas agências, num esforço de convergência entre agendas de defesa, clima e segurança. “Temos trabalhado com inúmeras agências externas das Nações Unidas. É fundamental ter sempre presente o princípio da complementaridade”, referiu Noronha de Bragança.

O responsável destacou o papel central das Nações Unidas neste domínio e defendeu uma articulação constante. “A ONU tem um papel importantíssimo e continuará a tê-lo. O Atlantic Centre é mais uma iniciativa que trabalha em consonância com esses mesmos objetivos comuns, apoiando as convenções e tratados internacionais relacionados com o clima e o mar.”

Entre os temas ainda em aberto, Noronha de Bragança lembrou a necessidade de fortalecer a agenda clima-segurança no quadro das Nações Unidas e de integrar esta dimensão em convenções internacionais como a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar ou a nova Convenção para a Proteção do Alto Mar. ONU News – Nações Unidas



sexta-feira, 11 de abril de 2025

Brasil - É pioneiro na criação de currículo escolar sobre cultura oceânica

Com o apoio da Unesco, o país assinou documento para inserir estudos sobre o oceano em escolas da nação. O lançamento reforça o papel crucial da educação para a cidadania e integra preparativos para a COP30, que acontece em novembro, em Belém, no Pará



A educação sobre os oceanos passará a fazer parte do currículo escolar no Brasil. Um documento, assinado na quarta-feira, em Brasília, torna o país pioneiro na decisão, segundo a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco.

A medida demonstra o compromisso brasileiro com o tema. O chamado currículo azul será integrado às escolas de todo o país e adaptado às realidades regionais e locais. Ao assinar o Protocolo de Intenções para que a cultura oceânica seja matéria escolar, o Brasil assume um protagonismo internacional no tema, segundo a agência da ONU.

Década do Oceano

A iniciativa está alinhada à recomendação da diretora-geral da agência, Audrey Azoulay, para que todos os Estados-membros insiram, até este ano, a cultura oceânica nas escolas.

O objetivo é uma visão holística do oceano como regulador climático, fonte essencial de vida e catalisador de soluções sustentáveis. Com o oceano consegue-se erradicar a pobreza, promover saúde, cultura, economia, inovação tecnológica e a justiça ambiental.

O copresidente do grupo de especialistas em Cultura Oceânica da Unesco, Ronaldo Christofoletti, disse que o currículo azul “nasce da escuta ativa e plural da sociedade brasileira”.

Já o professor da Universidade Federal de São Paulo, Unifesp, ressalta que esse passo dá “vida a um desejo coletivo de formar cidadãos que compreendam a importância do oceano para o Brasil e para a resiliência climática global de um país que sempre foi ligado ao mar.

COP30

Para a Unesco, a iniciativa coloca o Brasil na linha de frente da preparação para a Conferência das Nações Unidas sobre Alteração Climática, COP30, marcada para novembro, em Belém, no Pará.

O evento ocorre durante a Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável 2021-2030.

A ação inédita é resultado da colaboração estratégica entre o Ministério da Educação, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil, Unesco, universidades federais, administrações locais e redes escolares.

Outras iniciativas

A ministra de Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, explicou que o Ministério tem liderado ações estruturantes em cultura oceânica, como o fortalecimento do Programa Escola Azul, que já mobiliza mais de 100 mil estudantes em todas as regiões do país, a criação de clubes de ciência, a formação de jovens embaixadores do oceano, a expansão internacional da Olimpíada do Oceano, e a articulação de uma rede de universidades comprometidas com a formação de professores.

A encarregada sénior de Programas da Comissão Oceanográfica Intergovernamental da Unesco, Francesca Santoro, afirmou que “o Brasil é hoje uma referência global em educação oceânica, e que o currículo azul mostra que é possível transformar conhecimento científico em políticas públicas concretas, com a participação de educadores, estudantes e comunidades”.

Evento internacional

A cultura oceânica representa uma compreensão abrangente dos marres como elemento fundamental para o clima, a biodiversidade e o desenvolvimento sustentável global.

No Brasil, essa visão ganhou força e o grande marco inicial ocorreu em Santos, São Paulo, que aprovou a Lei Municipal nº 3.935, de 2021, estabelecendo a cultura oceânica como política pública educacional obrigatória em escolas municipais, desde a educação infantil até a de jovens e adultos.

Reconhecendo esse pioneirismo, a Unesco escolheu Santos para sediar um evento internacional sobre cultura oceânica, colocando o Brasil no mapa global dessa importante temática.

Desde então, o movimento ganhou escala nacional: hoje, mais de 100 mil alunos participam ativamente do programa Escola Azul, e 20 municípios e quatro estados brasileiros já integraram formalmente a cultura oceânica nos seus currículos escolares, adaptando conteúdos às diferentes realidades locais e regionais. ONU News – Nações Unidas


quinta-feira, 18 de abril de 2024

Brasil - Aposta na “diplomacia indígena” para a COP30

Em entrevista para a ONU News, a ministra dos Povos Indígenas destaca a preparação de jovens lideranças para incidência direta com negociadores. Defendeu a inclusão da demarcação de territórios no acordo final da conferência e disse que esse é um passo indispensável para que o Brasil cumpra compromissos climáticos


Como país anfitrião, o Brasil está a atuar para que a Cúpula do Clima da ONU de 2025, a COP30, tenha a “maior e melhor participação indígena”. A declaração foi feita pela ministra dos Povos Indígenas, durante a sua participação no Fórum Permanente das Nações Unidas sobre Questões Indígenas, em Nova Iorque.

Sonia Guajajara afirmou que, do ponto de vista dos povos tradicionais, o resultado mais importante da COP30 seria o “reconhecimento formal” da importância do conhecimento e dos territórios indígenas na resposta aos desafios do clima.

Demarcação de terras

“O Ministério dos Povos Indígenas está com essa iniciativa de formação de jovens indígenas e é o que nós estamos chamando de diplomatas indígenas, para que possam fazer uma incidência direta com os negociadores no momento ali da tomada de decisões. Acho que é muito importante essa orientação, esse olhar dos povos indígenas. Estamos pautando que as demarcações de territórios possam fazer parte também dos acordos dos textos oficiais, como parte dessa solução para a crise climática”.

Sonia Guajajara disse que é preciso incluir “a regularização fundiária dos territórios indígenas” como parte das medidas dos Compromissos Nacionalmente Determinados apresentados pelo Brasil para cumprir o Acordo do Clima de Paris.

“O alcance dessa meta não será possível se não incluir a demarcação das terras indígenas. É uma conta que já está dada, que já está feita. E como o Brasil tem um passivo muito grande de territórios ainda a serem reconhecidos, nós estamos com esse planeamento de avançar com a demarcação das terras indígenas para o alcance da meta de redução do desmatamento”.

Eliminação do garimpo ilegal

A preparação para a COP30 envolve ainda a criação de um comité internacional com representação de povos indígenas de várias partes do mundo, liderado pelo Brasil. O objetivo é reunir essas diversidades para fortalecer o “posicionamento dos indígenas como guardiões da Mãe Terra” e “maiores protetores da biodiversidade”.

Em relação à situação no estado do Pará, onde será realizada a COP30, Sonia Guajajara mencionou que o ministério está a planear ações de eliminação do garimpo ilegal das terras indígenas dos povos Munduruku e Kayapó. Destacou a preocupação com a eventual extração de minerais para a transição energética.

“Os grandes líderes mundiais estão a discutir a necessidade e as medidas para fazer essa transição. Mas não se está a haver muita adesão em ceder, em abrir mão de determinadas explorações. O Brasil tem discutido muito para fazer essa transição energética. Nós, do Ministério dos Povos Indígenas, temos defendido o processo de consulta. É muito importante que agora a Convenção 139 seja de facto implementada para garantir o consentimento livre prévio informado dos povos indígenas”.

É preciso “reflorestar mentes”

Citando o facto de que os povos indígenas representam apenas 5% da população mundial, mas protegem 82% da biodiversidade que ainda resta no planeta, a ministra disse que ameaçar os direitos indígenas significa ameaçar a biodiversidade.

“Nós não podemos ter vida no planeta se não há uma biodiversidade viva. Então é muito importante de olhar para os povos indígenas e entender a importância dos povos e dos territórios indígenas protegidos. Porque onde tem indígena a presença indígena é certeza de água limpa, de alimentação sem veneno, de floresta em pé da biodiversidade protegida. Então, como não considerar tudo isso?”

Sonia Guajajara declarou que é o momento de “reflorestar mentes”, criando uma mudança de comportamento, pensamento e projetos para que o futuro não esteja totalmente comprometido. ONU News – Nações Unidas