Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Universidade Cidade de Macau. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Universidade Cidade de Macau. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 24 de julho de 2025

Macau - Sugeridos programas de formação voltados para “língua + tecnologia”

Ip Kuai Peng, vice-reitor da UCM e director do Instituto para a Investigação sobre os Países de Língua Portuguesa, propôs a criação de formações “língua + tecnologia” para “superar as incompatibilidades linguísticas e profissionais na cooperação científica”. Instou ainda Macau a desenvolver “redes de cooperação multidimensionais voltadas para a União Europeia e os países de língua espanhola”


O vice-reitor da Universidade Cidade de Macau (UCM) e director do Instituto para a Investigação sobre os Países de Língua Portuguesa, Ip Kuai Peng, destacou o “potencial” de Macau para promover a cooperação internacional em alta tecnologia, economia digital e padronização da medicina tradicional chinesa. Para que a RAEM possa desempenhar de forma plena o seu papel de plataforma, deixou algumas propostas no âmbito do simpósio sobre “Cooperação Científica entre a China e os Países de Língua Portuguesa”.

“Para superar as incompatibilidades linguísticas e profissionais na cooperação científica, Macau deve promover programas de formação conjuntos para talentos voltados para ‘língua + tecnologia’ em universidades chinesas, portuguesas e espanholas”, defendeu, considerando que importa apostar num sistema de formação multidisciplinar.

Segundo disse, citado em comunicado, os programas deverão incluir módulos sobre terminologia de energias renováveis, patentes biomédicas e economia digital. “Além disso, devem ser estabelecidos mecanismos de intercâmbio académico para simplificar a educação, os estágios e as oportunidades de emprego, tornando Macau num centro de talentos científicos na cooperação Sul-Sul”, acrescentou.

Propôs também o reforço da conectividade económica e comercial e a expansão das redes de mercado internacionais. “Com base nos fortes laços com os países de língua portuguesa, Macau deve desenvolver redes de cooperação multidimensionais voltadas para a União Europeia e os países de língua espanhola”, sublinhou.

Para o vice-reitor da UCM, “Macau pode servir como uma plataforma para a correspondência precisa de negócios entre empresas chinesas e de língua portuguesa”, ao mesmo tempo que apoia as empresas da Grande Baía na exploração dos mercados lusófonos através de missões comerciais, promoção de investimentos e exposições internacionais.

Por fim, sugeriu que Macau aproveite as “vantagens institucionais” e os laboratórios nacionais da Grande Baía para formar grupos de reflexão inter-regionais com universidades de renome nos países de língua portuguesa e espanhola. “Estes esforços devem centrar-se na energia verde, na biomedicina e na tecnologia digital, a fim de permitir o fluxo transfronteiriço de tecnologia, colmatar o fosso digital nos países em desenvolvimento e posicionar a Grande Baía como líder global em ciência e tecnologia para o Sul Global”, defendeu.

Na abertura do simpósio, Ip Kuai Peng observou ainda que, à medida que a China avança no novo paradigma de desenvolvimento através de uma maior abertura, Macau deve alinhar-se com o seu posicionamento como “Um Centro, Uma Plataforma e Uma Base”.

Vários académicos de outras universidades abordaram também as suas perspectivas neste campo. A professora Marta Filipa Simões, da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, apresentou projectos de investigação conjuntos em micologia e astrobiologia entre a China e os países lusófonos e sugeriu a expansão da colaboração com instituições científicas em Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Portugal.

Já André Antunes, director do Instituto de Ciência e Ambiente da Universidade de São José, abordou o “papel vital” de Macau como elo de ligação no mundo lusófono e identificou a cooperação científica como uma área de oportunidades, particularmente nas ciências da vida, ecologia verde e economia marinha. Já José Paulo Esperança, vice-reitor da Faculdade de Economia da Universidade de Macau focou-se nas contribuições da Fundação para a Ciência portuguesa na facilitação da cooperação internacional, abordando desafios comuns e promovendo a inovação sustentável. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


domingo, 9 de fevereiro de 2025

Macau - Estudo aponta falta de foco do Brasil na Região e na China


“Brazilian foreign policy and the quest to promote portuguese: building bridges through Macau”, estudo da autoria de João Simões, da Universidade Cidade de Macau, e de Daniel Veras, chama a atenção para a necessidade de o Brasil apostar mais nas vantagens de Macau na promoção do português, assim como na China



Um estudo publicado recentemente na revista Janus, da Universidade Autónoma de Lisboa, chama a atenção para o facto de o Brasil não estar a aproveitar devidamente as vantagens que Macau pode oferecer na promoção da língua portuguesa, integrada na política externa do país. “Brazilian foreign policy and the quest to promote portuguese: building bridges through Macau” [A política externa brasileira e a questão da promoção do português: construir pontes através de Macau] tem autoria de João Simões, professor assistente da Universidade Cidade de Macau (UCM) e Daniel Veras, docente na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, no Brasil.

“É tempo de o Brasil ter uma presença mais significativa em Macau, não só através dos canais diplomáticos, mas também estimulando o envolvimento de vários actores não estatais, como câmaras de comércio e investimento, associações profissionais, centros culturais brasileiros, órgãos de comunicação social, fundações artísticas e culturais, entre outros”, lê-se no artigo.

Desta forma, os autores consideram que este conjunto de parceiros poderia ajudar o Brasil “a alavancar o papel de Macau como gerador de oportunidades, algo que o Brasil ainda não aproveitou plenamente”, uma vez que essa “presença reforçada em Macau permitiria a consolidação das parcerias existentes entre universidades brasileiras e da China continental”.

Além disso, ao nível dos alunos, uma presença mais robusta do Brasil na RAEM poderia “aproximar os estudantes chineses que aprendem português das empresas brasileiras, reforçando a ligação entre a educação e o ecossistema empresarial da Grande Baía”, bem como potenciar a produção de “materiais didácticos adaptados localmente ao contexto chinês e, em última análise, aproximando o Brasil e a China através do ambiente único que Macau oferece”.

Baseando-se em documentos oficiais e demais estudos sobre esta temática, os autores consideram que, em termos gerais, existe “a necessidade de o Brasil aproveitar efectivamente a posição estratégica de Macau para capitalizar estas oportunidades”. Destaca-se entre os pontos principais desta posição o facto de, em Macau, vigorar a política de “Um País, Dois Sistemas”, ser “um porto franco internacional, uma zona aduaneira autónoma” e possuir “um regime fiscal simples e reduzido”, sem esquecer o papel de plataforma comercial.

Os académicos referem também o “Plano de Desenvolvimento para a Diversificação Económica Adequada da RAEM (2024-2028)” que “também oferece oportunidades, com destaque para a promoção do desenvolvimento de indústrias-chave como a medicina tradicional chinesa, a indústria financeira moderna, a tecnologia de ponta e os sectores MICE (reuniões, incentivos, conferências e exposições) e da cultura e desporto”.

Uma fraca aposta

Em relação à China, o Brasil também não está a explorar todas as oportunidades, destacam João Simões e Daniel Veras. “A política externa do Brasil tem promovido activamente a língua portuguesa em determinadas geografias, mas não tem dado prioridade à China, apesar da importância da relação bilateral entre os dois países”.

É referido que “a língua portuguesa está a expandir-se na China, mas a participação do Brasil não está à altura da sua magnitude enquanto maior país de língua portuguesa do mundo”. Defende-se que essa “discrepância é ainda mais surpreendente se considerarmos que a China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009”.

O estudo destaca a posição de Victoria Almeida sobre a origem dos professores de português na China, que “historicamente o ensino de português na China teve como referência professores de Portugal”. Assim, “só recentemente os professores do Brasil se tornaram mais predominantes”, e uma das explicações apontadas para esse facto é a criação do Programa de Leitorado, que envia docentes para ensinar português em todo o mundo.

É referida a situação desse programa em 2010, quando “foram selecionados 13 leitores, dois dos quais colocados na China: um no BISU e outro na Guangdong University of Foreign Studies”.

Ainda assim, “os materiais didácticos do Brasil são escassos e, embora haja estudantes chineses que queiram ir para o Brasil, essas oportunidades são limitadas e os custos são elevados”.

Entende-se que o Brasil “poderia tirar partido do que está a acontecer com o ensino do português na China continental”, pois “após anos de rápido crescimento do número de aprendizes de português, estamos agora numa fase de investimento nos chamados estudos de área ou regionais”. Assim, “as instituições de ensino superior e de investigação brasileiras podem contribuir para o reforço dos estudos de área da China sobre os países lusófonos e a América Latina, através da investigação e análise das dinâmicas sociais, económicas, políticas e culturais das regiões-alvo”, sobretudo tendo em conta a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, é salientado pelos autores.

Portugal faz melhor

O estudo denota que, apesar dos diversos intercâmbios entre o ensino superior brasileiro e chinês, a verdade é que “muito mais estudantes chineses retornam de intercâmbios em Portugal, cujas melhores universidades oferecem intercâmbios com estudantes chineses”, considerando-se que “demorará muito até que o Brasil construa uma cultura de ensino na China”.

Desta forma, “em comparação com o Brasil, Portugal tem um maior enquadramento no ensino do português no estrangeiro”, disponibilizando “programas de ensino e bolsas de estudo para estudantes chineses”, de nível de mestrado e doutoramento, sem esquecer “a parceria com o Instituto Camões”. “Portugal também facilita a aquisição de títulos, além de promover a tradução de romances portugueses na China. Em contrapartida, o Brasil não faz um esforço tão estruturado. Como resultado, actualmente, a maioria dos estudantes chineses de língua portuguesa tende a usar o português europeu como base ou, pelo menos, como referência”, destaca-se.

Assim, João Simões e Daniel Veras consideram que “o Brasil pode capitalizar o contexto actual, que engloba vários factores favoráveis, para adoptar uma abordagem mais colaborativa na promoção da língua portuguesa na China”.

O estudo refere que, actualmente, o português é falado por mais de 264 milhões de pessoas nos cinco continentes, prevendo-se que este número suba para quase 400 milhões de pessoas em 2050, com “o continente africano responsável pelo maior aumento”, reforçando a preponderância do português como uma das línguas mais faladas no hemisfério sul. Além disso, o português é uma língua oficial ou de trabalho em 32 organizações internacionais.

Com a chegada de Lula da Silva à Presidência do Brasil pela segunda vez, os autores consideram que este “tem tentado uma aproximação à China”, nomeadamente no compromisso de adesão à iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” e na nomeação “de um representante permanente no Fórum de Macau”. Os académicos citam a ideia de outro autor quanto à existência de “desconfiança e reserva que o Brasil tem demonstrado ao longo dos anos em relação ao Fórum de Macau”.

Um maior envolvimento “pode ajudar a garantir à China o acesso a recursos e mercados vitais no Brasil e em África, contribuindo potencialmente para a segurança alimentar e energética interna da China”, bem como potenciar Macau enquanto “canal cultural entre a China e o mundo lusófono”.

Porém, “embora exista vontade política e um ambiente favorável em Macau, serão necessários esforços mais concertados por parte do Brasil para materializar estas oportunidades”, é referido. Andreia Silva – Macau in “Hoje Macau”


sexta-feira, 26 de abril de 2024

Macau - “Temor” e “perigos” serviram de mote a concurso de eloquência em português

A 21ª edição do Concurso de Eloquência em Língua Portuguesa distinguiu ontem três alunos, dois da Universidade Politécnica e uma da Universidade Cidade de Macau. O mote foi “Nos perigos grandes, o temor é muitas vezes maior que o perigo”, de “Os Lusíadas”, de Luís Vaz de Camões. Os estudantes interpretaram a frase, tendo abordado temas como os Descobrimentos, os 50 anos do 25 de Abril de 1974 ou até mesmo experiências pessoais relacionadas com medos e anseios


É preciso “superar o medo e ter coragem”, por isso, estudantes universitários de Macau subiram ontem ao palco no âmbito da 21ª edição do Concurso de Eloquência em Língua Portuguesa, organizado pela Universidade de Macau (UM), e deixaram de lado o nervosismo. O mote foi precisamente sobre o medo: “Nos perigos grandes, o temor é muitas vezes maior que o perigo”, retirado de “Os Lusíadas”, de Luís Vaz de Camões.

No dia em que se celebraram os 50 anos do 25 de Abril, alguns dos 11 estudantes participantes invocaram a data e os desafios vividos naquele dia de 1974 em Portugal. Outros olharam para dentro, para as suas experiências, medos e ansiedades, e outros abordaram os Descobrimentos, por exemplo. No fim, saíram todos vencedores, como sublinharam os docentes que os acompanharam.

Humberto Zhang Hongyun mostrou-se “muito feliz” por ter conquistado o primeiro prémio, oferecido pela Fundação Macau, no valor de 10000 patacas. Aluno do terceiro ano do curso de Tradução Chinês-Português da Universidade Politécnica de Macau (UPM), Humberto contou ao Jornal Tribuna de Macau que tem “muita paixão” pela Língua de Camões.

“Para mim, a cultura ibérica, especialmente a cultura portuguesa, faz-me sentir muita paixão, e gosto também de muitas obras-primas da literatura portuguesa, de poesia”. Por essa razão, quis “explorar o mundo da Língua Portuguesa”.

Humberto levou a concurso o texto intitulado “Romper as correntes do temor”. “Indiquei os mecanismos do temor, que é algo psicológico, e, no fim do discurso, apresentei uma resolução para este problema: a resiliência, que é também algo psicológico. Porque todos nós temos uma barreira psicológica e por isso a resiliência é o melhor antídoto para este problema”, apontou.

O estudante da UPM, natural da província de Chongqing, declamou ainda parte de um poema de Ary dos Santos: “Serei tudo o que disserem/ por temor ou negação:/ demagogo, mau profeta/ falso médico, ladrão/ prostituta, proxeneta/ espoleta, televisão./ Serei tudo o que disserem:/ Poeta castrado não!”.

Patrocinado pelo Jornal Tribuna de Macau, o segundo prémio, no valor de 3000 patacas, foi conquistado por Alex Gan Tianer, também estudante da UPM e do terceiro ano, mas do curso de licenciatura em Português. “Nunca pensei que pudesse ganhar”, confessou.

“Como disse no meu discurso, falhei uma vez num concurso de eloquência de inglês, na minha escola secundária. Desta vez, estar no palco já fez de mim uma vencedora”, afirmou, apontando que o prémio foi um “extra”. “Coragem, pura e livre” foi o título que deu ao seu discurso, durante o qual falou então da sua experiência pessoal e do medo que sentia de subir ao palco.


Natural da Mongólia Interior, Alex Gan Tianer contou que só teve contacto com a Língua Portuguesa quando entrou para a universidade. “Escolhi aprender Língua Portuguesa porque gosto muito de aprender línguas estrangeiras e sei que Macau é uma plataforma de contacto entre a China e os países lusófonos. Por isso, escolhi Macau para estudar”, acrescentou a estudante.

O terceiro lugar, por sua vez, patrocinado pelo Banco Nacional Ultramarino (BNU) e no valor de 1000 patacas, coube a Aurora Cheng Ziyu, estudante na Universidade Cidade de Macau. “Este é o terceiro ano que estudo Português, e estudo porque adoro estudar línguas estrangeiras. Estudei espanhol durante seis anos na minha escola secundária”, contou a aluna.

“O perigo e o temor” foi o título escolhido por Aurora Cheng Ziyu. Na sua apresentação, a estudante natural da província de Tianjin falou sobre o temor ser muitas vezes maior que o perigo. “Temos de superar o medo com coragem”, acrescentou, nas declarações a este jornal.

A estudante frisou que “cultura ocidental é muito interessante e tem muitas diferenças em relação à cultura chinesa”, o que a levou também a interessar-se pelo Português. O curso de licenciatura em Português da Universidade Cidade de Macau vai formar, este ano, os primeiros graduados nesta área.

“Estou muito contente. Nunca pensei que pudesse ganhar, foi uma surpresa”, conclui Aurora Cheng Ziyu, acrescentando que “estava muito nervosa”, até porque foi logo a primeira a subir ao palco.

José Pascoal, docente da UM e organizador do concurso, explicou que o objectivo da iniciativa é levar a que os alunos se apropriem de uma língua que é também deles. “Ninguém se apropria da língua se não falar a língua. o concurso é uma das muitas outras vias possíveis para eles se apropriarem desta língua que é nossa, mas também é deles. Esta é a principal razão”, afirmou a este jornal.

Quanto à escolha do mote desta edição, uma frase de “Os Lusíadas”, de Camões, o docente disse que é uma forma de celebrar os 500 anos do nascimento do poeta. “É um desafio para os alunos interpretar aquela frase de Camões, sobre os perigos, os medos, o que fazemos com eles, como os encaramos e ultrapassamos”, observou, acrescentando que “há metáforas fantásticas” nos textos produzidos este ano.

O júri foi composto este ano pelo advogado Frederico Rato, pelo advogado e dramaturgo Miguel de Senna Fernandes, e pela docente e cantautora Maria Paula Monteiro. Durante a sessão, houve ainda momento para ouvir “Grândola, Vila Morena”, de Zeca Afonso, por Maria Paula Monteiro, bem como para ver o documentário “25 de Abril – Uma Aventura para a Democracia”, de Edgar Pêra. Na cerimónia esteve também presente o director do Departamento de Português da UM, João Veloso, bem como outros docentes, alunos e convidados. Os Serviços de Correios e os Serviços de Turismo, tal como o BNU, ofereceram presentes aos participantes. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”




quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Macau - Fórum de Macau discute economia azul

Cerca de 400 pessoas estão a participar num colóquio sobre Economia Azul, organizado pelo Fórum de Macau, que vai decorrer até 13 de Outubro

A Economia Azul foi o mote para um colóquio online que teve início no final da semana passada e vai decorrer até 13 de Outubro. Organizado pelo Centro de Formação do Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, o evento digital está a ser realizado pela Universidade Cidade de Macau.

Os desafios e oportunidades da economia azul, o Direito do Mar e o Direito Marítimo, gestão dos mares costeiros, estratégias da economia azul, inovação e turismo azul sustentável são alguns dos temas que vão ser discutidos ao longo das sete sessões com palestras e intercâmbios online.

No âmbito do colóquio, será ainda realizada uma mesa-redonda sobre “A Economia Azul e a Sustentabilidade do Oceano”, com os representantes do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental, da Universidade do Oceano da China, da Universidade do Oceano de Xangai e da Universidade do Oceano de Guangdong. A participar na iniciativa estarão quadros da função pública de nível de direcção de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné-Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, num total de 400 pessoas.

Na abertura do colóquio, o secretário-geral do Fórum de Macau realçou a importância da cooperação marítima para o Plano de Acção aprovado na quinta Conferência Ministerial. Ji Xianzheng disse esperar que as partes envolvidas possam “aproveitar Macau e a plataforma do Fórum para aprofundarem a cooperação nesta área, dando uma nova dinâmica à recuperação da economia global e ao desenvolvimento sustentável na era pós-pandémica”.

Já o director da Faculdade de Negócios da Universidade da Cidade de Macau, José Alves, referiu que a China e os Países de Língua Portuguesa possuem vastos recursos marítimos, existindo uma “enorme potencialidade” para a cooperação nesta área. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Macau - Universidades de Coimbra e Cidade de Macau assinam parceria de cooperação


A Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e a Universidade Cidade de Macau assinaram uma parceria para a criação de um diploma de Estudos Avançados Conjuntos em Relações Económicas Internacionais.

Na cerimónia de assinatura do acordo, que decorreu no Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, conduzida apenas em inglês, foi sublinhado que o programa de estudos prevê que os alunos tenham também a oportunidade de desenvolver as suas competências na área da língua portuguesa aplicada à economia.

O director da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra afirmou que a parceria com a Universidade Cidade de Macau a partir do próximo ano lectivo corresponde à ideia de uma “cooperação ambiciosa”.

Num discurso feito a partir de Coimbra, Álvaro Garrido destacou o foco pluridisciplinar da Escolas de Estudos Avançados no desenvolvimento e qualificação do ensino pós-graduado na faculdade.

Já o director da Faculdade de Economia da Universidade Cidade de Macau, Adrian Cheung, mostrou-se optimista em relação à parceria agora formada, mas ao mesmo tempo esperançado que no futuro seja possível reforçar a cooperação, de alunos e na área de investigação, entre as duas instituições.

O cônsul-geral, Paulo Cunha-Alves, elogiou “o compromisso das duas instituições”, assim como o resultado final traduzido no programa conjunto, e salientou que a iniciativa acaba por reforçar as relações académicas entre Macau e a China. In “Campeão das Províncias” - Portugal


 

terça-feira, 13 de julho de 2021

Macau - Universidade Cidade de Macau lança livro de Francisco José Leandro que olha para Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste como os Estados insulares, falantes de português

“China and portuguese speaking Small Island States: From sporadic bilateral exchanges to a comprehensive multilateral platform” é o nome do livro que acaba de ser lançado pela Universidade Cidade de Macau e que olha para Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste como os Estados insulares, falantes de português, aos quais nunca foi dada muita atenção, mas que representam um enorme potencial. Nesta equação, não só a China é parte interessada, mas também Macau


A entrevista a Francisco José Leandro, académico da Universidade Cidade de Macau ao jornal “Hoje Macau”:

Falemos deste conceito de Estados insulares, falantes de português que, de certa forma, são diferentes dos outros países de língua portuguesa, sobretudo a nível sócio-económico. Até que ponto estes Estados têm esta capacidade de entrar nas parcerias com a China?

São Estados vulneráveis, fazem parte da ONU, têm programas de apoio especiais. Partimos dessa ideia de, no contexto da língua portuguesa, quais seriam os Estados que estão nesta condição? São três [Timor-Leste, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe]. Quisemos perceber o que têm em comum, pois todos eles têm uma história comum e qualquer coisa de especial na sua localização.

Em que sentido?

Começando por Timor, é um Estado muito jovem que está ainda à procura do que irá ser o seu projecto económico em termos de sustentabilidade. O seu processo de adesão à ASEAN é decisivo e vital para o país. Toda a sua integração regional faz-se com dois grandes parceiros, que é a Indonésia e a Austrália, e depois com uma presença da China, que neste contexto é particularmente interessante.

Porquê?

Na mesma latitude aparece o Estreito de Torres, que é muito importante em todo o balanceamento da navegação comercial entre os oceanos Pacífico e Índico, porque a alternativa para o Estreito é pela rota do sul, dos pólos, muito morosa e cara.

Esta obra fala também de São Tomé e Príncipe.

É importante por várias razões, sobretudo pela localização. Muita gente fala em São Tomé por causa do petróleo, mas acho que não é muito relevante, ou pelo menos não o será nos próximos anos. A questão decisiva é São Tomé no contexto do Golfo da Guiné. A questão dos acessos aos mercados e novos corredores económicos que se desenvolvem em torno dos Camarões, Nigéria.

Decisivo em que sentido?

No Golfo da Guiné a quantidade de portos de água profunda é muito reduzida. Essa é a oportunidade que São Tomé poderá explorar através do investimento chinês no porto de águas profundas no norte. São Tomé pertence a uma série de organizações internacionais. Já há cooperação entre São Tomé e a Nigéria, mas aquilo que acho que ainda falta muito trabalhar é a questão do combate à pirataria. São Tomé tem a localização perfeita para isso, não tem é os meios. Isso permitia a exploração das rotas marítimas naquela zona de forma mais segura, diminuindo os custos de navegação e de seguros.

Aos olhos da China há diferenças a nível de interesses entre Timor-Leste e estes Estados insulares em África? Timor é mais importante por uma questão de proximidade e por ser membro candidato da ASEAN?

Em relação a Timor, a China tem vários tipos de interesse, pois é um país que tem neste momento um plano de desenvolvimento muito ambicioso. Estão a construir novos portos e aeroportos, novos centros para maximizar a capacidade que o país deve ter em relação ao petróleo e gás natural. Há investimentos em infra-estruturas que são fundamentais. Mas há um quadro de presença e de acesso aos mercados. Em São Tomé a ideia é mais abrangente.

Como?

É todo o Golfo da Guiné, com uma presença através dos investimentos, e depois tudo o que os investimentos acabam por gerar. Se vier a ser construído este porto em Fernão Dias, há depois uma série de actividades adjacentes e uma série de interesses que se vão desenvolvendo. A mesma coisa em relação a Cabo Verde. Cabo Verde tem uma localização interessante porque, do ponto de vista do acesso marítimo e aéreo, é uma espécie de porta aviões na costa ocidental de África ao Estreito de Gibraltar e no acesso ao Canal do Panamá.

Cabo Verde é um país mais desenvolvido.

Sim, e está muito bem no Índice de Desenvolvimento Africano. Tem uma estrutura de governação muito mais sólida e consistente. Cabo Verde, neste momento, já faz planos, e tem a generalidade da população com um maior índice de educação mais elevado, o que permite tirar outro tipo de sinergias desses acordos, porque há quadros qualificados. São Tomé não tem grandes possibilidades de fazer uma gestão moderna de um grande porto, vai precisar de mão-de-obra estrangeira. Estes três Estados insulares têm semelhanças entre eles, mas depois são diferentes relativamente ao seu desenvolvimento, estrutura de governação e sistema político, embora seja muito parecido.

A China tira partido dessas diferenças.

A China faz uma coisa pragmática, não tem um modelo que impõe a todos. Aliás, não há nada que se imponha, é muito flexível. O que a China faz, faz muito bem, mas o que falta aqui não é mérito da China, mas sim dos países de língua portuguesa. A China sabe exactamente o que quer destas cooperações, mas porque estes países estão em vias de desenvolvimento ou são muito jovens, nem todos têm os objectivos nacionais classificados de forma consistente.

E a China tem sempre os seus objectivos bem definidos, é um grande contraste.

Sim. É sempre fácil dizer que o problema é da China, mas não é. Estamos numa negociação muito assimétrica em termos de recursos, mas mesmo assim o que me parece essencial é que as partes, estes três Estados, tenham a capacidade de se auto-determinarem daquilo que para eles é importante, para depois usarem isso no contexto das relações bilaterais.

Macau tem capacidade para entrar neste jogo de investimentos, nomeadamente através do Fórum Macau? Há espaço para as relações bilaterais ou cria-se uma plataforma multilateral, como o nome do livro indica?

As duas coisas. O Fórum Macau é um instrumento político da cooperação chinesa. Há canais bilaterais que não passam pelo Fórum, mas isso é natural. O Fórum Macau é um complemento dos canais bilaterais. As pessoas criticam imenso o Fórum Macau mas eu tenho óptimas referências do Fórum, e acho que aquilo que eles fazem, fazem-no bem. Exploram aquilo que é deixado pelas relações bilaterais. Creio que a negociação do porto Fernão Dias em São Tomé será conduzida numa lógica bilateral, mas há imensas coisas que aparecem associadas a este projecto, que envolvem outro tipo de actores, e o Fórum Macau pode dar uma ajuda. O Fórum Macau foi constituído em 2003, mas na realidade só ficou constituído por volta de 2017, 2018.

Isso porquê?

Houve uma série de dificuldades ao nível dos representantes [dos países]. São Tomé só nomeou o seu representante a partir de 2017, 2018. Portugal nunca teve um representante e tem agora desde 2018, e o Brasil também nunca teve, tem agora. Na realidade, o Fórum como foi pensado tem dois anos de existência. O Fórum vive das conferências ministeriais, e a sexta cimeira não se sabe quando vai acontecer devido à pandemia. É muito injusto criticar o Fórum e dizer que não serve. Houve uma série de coisas que aconteceram que não são culpa do Fórum mas circunstâncias políticas que têm de ser respeitadas no contexto da soberania dos Estados.

Para que serviram então os primeiros anos do Fórum Macau?

Falamos de uma organização cuja base é chinesa e cujos representantes são de Estados soberanos. No contexto dos Estados soberanos não há outra organização como o Fórum. As organizações precisam de tempo para amadurecerem e criarem relações de confiança. A instituição do Fundo do Fórum é uma coisa relativamente nova que não correu muito bem, e estávamos à espera da sexta cimeira que ainda não aconteceu. Mesmo em Portugal, quem sabe da existência do Fórum Macau? Meia dúzia de pessoas. O Fórum é um mecanismo importante para a China e Portugal, e a prova é que todos os países de língua portuguesa estão representados no Fórum.

Mas e o papel de Macau neste contexto?

Nesta via bilateral e complementar do Fórum, Macau tem o seu nicho. Macau não tem capacidade soberana, porque não é um Estado, nem económica para grandes investimentos. Mas o que está a acontecer em Cabo Verde, com o investimento de David Chow, é um bom exemplo. Investe num nicho criado pelas relações bilaterais. As relações entre Portugal e a China passaram por várias fases, e entre 1999 e 2003 não aconteceu nada. A partir daí o Fórum é extremamente importante. No caso de Portugal é complexo porque há uma tradição europeia e de alinhamento com os EUA, e a China é um parceiro importante, e Portugal tem de arranjar aqui um equilíbrio. Os países de que falamos também têm este tipo de problemas. Cabo Verde tem uma relação muito integrada na comunidade ocidental africana, e talvez o país mais atrasado seja São Tomé em termos de integração na sua região. Mas Timor tem a lógica da Austrália e Indonésia, e agora procura a China, para obter equilíbrio. Por exemplo, a aquisição dos equipamentos militares é feita aos três, é o melhor interesse diplomático.

As fraquezas destes Estados insulares não os vão tornar mais dependentes da China?

Todos os Estados são dependentes de outros. Posso arranjar equilibrios nessas dependências, mas para isso preciso de saber o que quero. Nestes processos de desenvolvimento estes países têm de ter cuidado e não se adjudicarem a uma única solução. Cabo Verde, por exemplo, tem óptimas relações com os EUA, com a União Europeia. Timor tem óptimas relações com a Austrália, ainda tem algumas tensões com a Indonésia, porque não há-de ter relações com a China? O país com uma situação mais complicada é São Tomé, que está numa situação de auto-isolamento há muitos anos, com o sistema de partido único, em que praticamente só se relacionou com Angola. Falamos de três países que até foram menosprezados no seu potencial. Olhamos sempre para grandes potências, como Angola, por causa dos recursos. Mas veja-se o que aconteceu: tem um problema, que é a diversificação.

Só tem o petróleo.

Sim.

Que expectativas tem para a próxima conferência ministerial do Fórum?

Há uma tendência que o Fórum está a seguir, e bem, que é a seguinte: no princípio estava inteiramente dedicado à questão do comércio e economia, e agora está a abrir-se a cooperações a outras áreas, como a cultura, a educação e a ciência. As coisas estão associadas. Andreia Silva – Macau in “Hoje Macau”


sexta-feira, 5 de março de 2021

Macau – Novo reitor da Universidade Cidade de Macau vem liderar uma instituição que tem por bases as Letras e as Humanidades

Desde o início do mês aos comandos da instituição, Jun Liu pretende fazer crescer o número de alunos além dos actuais 6 mil, nos próximos anos, e o caminho passa pela aposta na Grande Baía, vista como uma grande oportunidade. O novo reitor promete também reforçar a aposta no português


Assumiu a posição no início deste mês, após quase 30 anos nos Estados Unidos. Como se está a adaptar?

Cheguei a Macau há menos de duas semanas e estou a instalar-me. Já tinha estado por cá muitas vezes no passado, por isso não é um lugar estranho. Estou a sentir-me bastante bem.

Que motivos o levaram a aceitar o convite da universidade e vir para Macau?

Sinto que é um momento entusiasmante para regressar à China com o projecto da Grande Baía. Escolhi regressar por Macau porque é um local muito característico, não é igual ao Interior e não é Hong Kong, é Macau. É um misto único das culturas portuguesa e chinesa, cantonense entre outras.

Mas não veio para uma posição qualquer…

É uma posição muito apelativa, porque me permite liderar uma universidade que tem por bases as Letras e as Humanidades. Na minha perspectiva é a altura perfeita para a posição perfeita. Vou poder usar o que aprendi e vivi e, num contexto mais amplo, contribuir para Macau, a Grande Baía e a China.

Quais vão ser as prioridades da Universidade Cidade de Macau para os próximos anos?

As áreas que vão ser mais desenvolvidas são as Humanidades e as Ciências Sociais, apoiadas pela vertente tecnológica, porque são as fundações desta universidade, ao contrário do que acontece com outras instituições. Por exemplo, a Universidade de Macau é mais abrangente, a Universidade de Ciência e Tecnologia é mais focada as Ciências e Medicina. A Universidade Cidade de Macau tem raízes nas Humanidades, Ciências Sociais e na comunicação intercultural, como com Portugal, os países de língua portuguesa, ou com os Estados Unidos, Austrália, Reino Unido e até a América do Sul, como é o caso do Brasil. Queremos aproveitar estas bases para desenvolver novas disciplinas e formar os quadros necessários para Macau e o mercado para os próximos 5 a 10 anos.

Que posições são essas?

Acreditamos que as profissões do futuro, dos próximos 10 anos, ainda não foram criadas. Por isso, precisamos de analisar bem o que vai ser necessário e começar a estudar antes do tempo, para que daqui a 5 a 10 anos, os alunos formados na Universidade Cidade de Macau tenham sempre muitas ofertas de trabalho e sejam procurados pelo mercado.

Falou das ligações com os países de língua portuguesa. A instituição oferece cursos nessa área. O futuro passa por uma expansão?

O multiculturalismo é um valor essencial para desenvolver os novos cursos, por isso esperamos aproveitar as vantagens culturais de Macau e trabalhar com os países de língua portuguesa. Neste momento, temos um instituto de investigação para os países de língua portuguesa. E queremos não só consolidar esse instituto mas colaborar com os próprios países, não só a nível da investigação, mas também em termos das oportunidades de mercado para os quadros formados.

Quer isso dizer que vai haver um reforço na aposta destes cursos?

O caminho passa não só por consolidar, mas reforçar a aposta na língua portuguesa, aproveitando as vantagens da cultura de Macau. Vamos também estudar muito bem as possibilidades desta vantagem. Os nossos cursos não se limitam a estudar a língua, são compreensivos, multidisciplinares, e é isso que vai ser uma vantagem para nós. Também nesse sentido, sinto que uma das coisas que quero fazer é visitar Portugal e os países de língua portuguesa.

Qual é o impacto da covid-19 nas finanças da universidade?

Somos uma universidade sustentável. Sabemos que temos de diversificar as fontes das nossas receitas, o que queremos fazer com o aumento das parcerias a nível empresarial e esperamos continuar a contar com o apoio do subsídio do Governo. Não encaro as finanças como uma preocupação, porque se a qualidade do ensino estiver presente a universidade vai sempre atrair alunos e isso garante que não há essas preocupações. Por isso, o nosso caminho passa por expandir e fazer crescer o número de estudantes. Temos 6 mil estudantes e esperamos expandir para 8 mil ou 10 mil.

E o crescimento dos alunos vai ser feito com alunos do Interior e do estrangeiro?

O nosso objectivo principal é servir os estudantes de Macau, que têm várias escolhas no território. Mas, Macau tem uma limitação relacionada com a dimensão da população, por isso a nossa segunda prioridade vai ser o Interior. E não ficamos por aqui, gostávamos de aumentar também o número de alunos fora da China.

O que é preciso para atrair mais alunos internacionais?

A única forma de atrai-los é, de forma gradual, melhorar os nossos cursos que são leccionados em inglês, porque de outra forma é demasiado difícil para os alunos internacionais aprenderem. Tenho um percurso como líder no sector da educação na língua inglesa e por isso quero desenvolver um ambiente onde todos os alunos vão ter oportunidades para melhorar, falar e compreender o inglês como língua global.

Nesse esforço vai também haver maior aposta na qualidade do ensino e investigação?

Precisamos de aumentar o número de investigadores e criar novos cursos. Vamos pensar em outras formas de tornar a universidade mais atractiva, como bolsas de estudo e investigação, criação de melhores condições para que os professores consigam apoios e possam contratar alunos como assistentes, que é uma forma de aprendizagem pela experiência. Todas estas formas diferentes vão fazer da instituição mais atraente para os estudantes.

Tem como objectivo aumentar o número de estudantes dos países de língua portuguesa?

Sim, queremos atrair mais estudantes internacionais. Mas, para tornar a universidade verdadeiramente internacional temos de nos focar na língua. Estamos abertos a receber estudantes de todo o mundo, e particularmente de Portugal e da Europa. Neste momento temos estudantes de África.

Como pensa fazer o número de alunos crescer e quantos pretendem de fora de Macau e do Interior?

O nosso objectivo prioritário é servir os estudantes de Macau, que têm várias escolhas. Uma delas é a universidade pública, a Universidade de Macau, que tem uma certa percentagem de alunos de Macau. Mas Macau tem uma limitação no número de população, por isso vamos olhar para o Interior, como segunda prioridade. Mas além dos estudantes de Macau e do Interior, quero uma maior representatividade de regiões e continentes.

Quando os alunos escolhem as universidades a que se querem candidatar é inegável que os rankings mundiais têm sempre uma influência no processo. Há o objectivo de dar maior destaque à Universidade Cidade de Macau?

Concordo que os rankings influenciam o número de candidaturas às universidades. E tendo trabalhado mais de 20 anos nos Estados Unidos, em diferentes institutos de investigação, tenho consciência da importância dos rankings. As escolas da Liga Ivy estão sempre entre os cinco ou dez primeiros lugares dos rankings mundiais, na China destacam-se a Universidade de Tsinghua e a Universidade de Pequim, mesmo na Grande Baía a Universidade de Hong Kong é uma referência. Considero que os rankings são importantes, mas não é o único aspecto que vamos considerar.

Isso que dizer…

Pode olhar-se para os critérios dos rankings, que até variam de ranking para ranking, e trabalhar-se especificamente para satisfazer os critérios e ir subindo na classificação. Só que essa estratégia ignora outras vertentes da educação que são muito importantes. Os lugares no ranking têm de ser o resultado do esforço na melhoria do ensino e da investigação.

É formado nas Ciências Sociais, por isso, pergunto-lhe como encara a liberdade académica?

É um assunto muito importante e queremos encorajar as pessoas a fazerem-se ouvir. Vamos ter discussões abertas sobre os assuntos controversos e vamos respeitar as pessoas e ouvir as ideias com que podem contribuir para a sociedade. Mas, como uma universidade vamos guiar os académicos em certos assuntos para terem discussões mais eficazes, vamos orientar as nossas discussões para a resolução de problemas.

O patriotismo é um valor chave da Cidade Universidade de Macau?

Sim, o patriotismo e a lealdade à comunidade local. O patriotismo faz parte da natureza das pessoas e acredito que é um valor essencial.

A Universidade Cidade de Macau tem como presidente o empresário e político Chan Meng Kam, e Jun Liu admite que esta foi umas das razões que o levaram a aceitar o cargo de reitor na instituição.

Chan Meng Kam? “Fazemos uma equipa muito boa”

“Chan Meng Kam foi uma das razões que fizeram com que aceitasse esta posição. Sinto que ele tem uma grande paixão pelo sector da educação”, começou por explicar Liu. “Ele é um empresário e não finge que sabe muito sobre educação. Foi uma pessoa muito honesta e directa, disse-me que apesar de não perceber muito sobre o sector da educação, que é uma área pela qual tem uma grande paixão. Gostei muito desta honestidade”, revelou. “Senti que apesar da juventude dele não ter sido muito ligada ao ensino, ele tem como objectivo fazer com que as próximas gerações possam beneficiar do ensino. É algo nobre”, acrescentou.

Para que o convite de regressar dos Estados Unidos e liderar a Cidade Universidade de Macau fosse aceite, Jun Liu garantiu igualmente apoio do influente empresário, que no passado fez parte do Conselho do Executivo escolhido por Chui Sai On e é o responsável pela eleição de dois dos deputados do hemiciclo.

“Ele mostrou que me apoia muito para que eu possa tomar certas decisões. Esse apoio é fundamental. Por isso, acho que esta parceria se traduz numa situação com ganhos mútuos”, sustentou. “Tenho um grande respeito por ele e sei que ele conhece Macau muito bem e é muito respeitado e ouvido. É um aspecto importante e considero que fazemos uma equipa muito boa”, sublinhou. João Filipe – Macau in “Hoje Macau”

Jun Liu - Stony Brook University: Vice-Presidente e Vice-director para os Assuntos Globais; Reitor dos Cursos Internacionais e Serviços; Director-Fundador do Centro da China; Georgia State University: Vice-director para Iniciativas Internacionais; Director do Instituto Confúcio; University of Arizona: Vice-Presidente; Chefe do Departamento de Inglês. Doutoramento: Educação em Línguas Estrangeiras e Secundárias na Ohio State University


segunda-feira, 23 de novembro de 2020

China - Universidade de Soochow inaugurou o Laboratório Conjunto China-Portugal das Ciências de Conservação do Património Cultural, em parceria com a Universidade de Évora e a Universidade Cidade de Macau

 


Num comunicado, a universidade sublinha que o laboratório faz parte da iniciativa chinesa Uma Faixa, Uma Rota e foi incluído em Setembro pelo ministério chinês da Ciência e Tecnologia numa lista de projectos prioritários de cooperação internacional. O laboratório funcionará em rede, com as três universidades a colaborar em projectos que vão desde o digital à conservação preventiva e sistemas de manutenção, disse à Lusa António Candeias, vice-reitor da Universidade de Évora.

Uma das missões é a investigação em materiais históricos e novas tecnologias, disse o director do novo laboratório, Wu Yongfa, incluindo técnicas de reabilitação virtual do património cultural.

Assim que a pandemia permitir, o laboratório Hércules da Universidade de Évora, dedicado às ciências do património, irá enviar um laboratório móvel para realizar campanhas na China Continental, revelou António Candeias. Além de dar formação a investigadores chineses, as três universidades pretendem criar mestrados e doutoramentos conjuntos, acrescentou o académico, que já foi director do laboratório Hércules.

O laboratório pretende desenvolver projectos de conservação e programas de investigação e formação em conjunto com autoridades e instituições da China Continental, Macau e Portugal, confirmou a Universidade de Soochow.

O acordo que levou à formação do laboratório foi assinado a 6 de Novembro e é válido por cinco anos.

A ligação à universidade da cidade de Suzhou, que fica perto de Xangai, surgiu através de uma parceria já existente entre a Universidade de Évora e a UCM, disse António Candeias. A instituição de Macau vai financiar uma cátedra dedicada ao desenvolvimento sustentável do património cultural em Évora, enquanto a universidade portuguesa vai ajudar a abrir e a montar em Macau um laboratório instrumental afiliado ao laboratório Hércules, num projecto que recebeu financiamento da Fundação Macau.

A deslocação de um investigador português para começar a montar o laboratório na UCM foi adiado para Janeiro ou Fevereiro devido à pandemia, lamentou António Candeias. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Macau – Acordo de cooperação entre as Universidades de Cidade de Macau e Cabo Verde

Foi assinado um acordo de cooperação em termos de mobilidade entre a Universidade Cidade de Macau e a Universidade de Cabo Verde. O primeiro resultado será um mestrado em Relações Internacionais, que deverá estar pronto para ser lançado no ano lectivo 2020/2021. O pró-reitor da Universidade de Cabo Verde defendeu, em entrevista ao jornal Tribuna de Macau, que “hoje em dia a internacionalização é uma das peças fundamentais” e que o memorando é apenas uma “peça do puzzle” para uma conexão mais alargada com outras universidades a nível mundial



A Universidade Cidade de Macau (UCM) assinou ontem no território, um memorando de entendimento no âmbito da mobilidade internacional com a Universidade de Cabo Verde. Em resultado deste memorando encontra-se já em processo de desenvolvimento um doutoramento em Relações Internacionais.

“Quer dizer que haverá possibilidade de estudantes que fazem o doutoramento na Universidade de Cabo Verde se deslocarem a Macau para passar alguns meses e vice-versa”, explicou o pró-reitor para Pós-Graduação e Investigação da Universidade de Cabo Verde, Aristides Silva, em entrevista ao Jornal Tribuna de Macau.

Não será no próximo ano lectivo, mas Aristides Silva prevê que este projecto possa arrancar no próximo: “Já não vamos a tempo porque é um processo muito burocrático em termos de implementação dos cursos. Acreditamos que para 2020/2021 vai haver essas condições”. “Esperamos que atinja um bom porto”, acrescentou.

O acordo foi assinado por Aristides Silva e pelo pró-reitor, da UCM Ip Kuai Peng, tendo o encontro contado com a presença do professor Francisco Leandro.

A preocupação de Aristides Silva prende-se maioritariamente com o financiamento da mobilidade. “A minha preocupação não é a negociação do doutoramento em si, mas sim encontrar fundos para apoiar a mobilidade dos estudantes, isso é que é fundamental”, afirmou, ainda acredita que há uma “luz ao fundo do túnel”.

“Muito recentemente abriu o Instituto Confúcio na Universidade de Cabo Verde, temos boas relações com a embaixada, ou seja, temos já uma rede de conexões e parcerias que poderão facilitar” nesse apoio, clarificou.

Aristides Silva considera que a universidade é “muito aberta” a iniciativas como é o caso da mobilidade a nível internacional, dando como exemplo dessa abertura o facto de recentemente ter recrutado um reforço que está focalizado apenas na área das relações internacionais. Porém, os programas de mobilidade “estão um bocadinho limitados, são poucos”, acrescentou. Neste momento há protocolos com o Brasil, Portugal, República Checa e Bruxelas. O protocolo com a UCM abre agora portas para a região da Ásia. “Acredito que devemos continuar com a diversificação das áreas de protocolo e dos países com os quais estamos a fazer os acordos (…) Agora o que estamos a fazer agora é tentar abranger esta zona toda, o que faz todo o sentido”, prosseguiu Aristides Silva, acrescentando que acredita que este memorando “é mais uma peça do puzzle que estamos a montar” e cujo objectivo é ter as “conexões ramificadas”.

Aristides Silva é cada vez mais um defenso acérrimo da mobilidade internacional. O seu percurso académico estendeu-se a três continentes – passou por Portugal, Estados Unidos e China, além de Cabo Verde – e a experiência deixou marcas.

“É uma vantagem ter estado em situações fora da minha zona de conforto. Tanto a cultura geral que desenvolvemos, como as metodologias de ensino de cada país, tudo isso é muito interessante”, observou.

Se defende que a mobilidade é “benéfica a nível administrativo”, também o é para docentes e “particularmente para estudantes” porque “ainda estão na fase embrionária em que não definiram quem são”. Experienciar a cultura e ensino de outros países é assim uma forma de “ganhar outros horizontes”, acrescentou Aristides Silva.

Além disso, o pró-reitor defende também que estudar num idioma diferente daquele que é o nosso próprio abre um leque de possibilidades. “No meu caso, se tivesse ficado só com a língua portuguesa, teria muitas limitações. Em termos do acervo bibliográfico internacional que existe e que é vasto, por exemplo”, contou. “Devemos conhecer outros idiomas que nos permitam consultar também conteúdos académicos fundamentais, por isso a mobilidade tem de continuar a ser cada vez mais forte”, reiterou.

Questionado sobre se os estudantes mostram interesse por este tipo de iniciativa, Aristides Silva foi peremptório: “Os alunos cabo-verdianos são muito interessados neste tipo de experiência. Às vezes a preocupação é como conseguir uma bolsa de mobilidade”.

Mestrado no Porto deve avançar este ano

Portugal é um dos países com que a Universidade de Cabo Verde tem vários projectos – “por afinidade as coisas começaram mais rapidamente e agora estamos a tentar aproximar-nos de outros países”, observou Aristides Silva.

Este ano lectivo deverá avançar um mestrado em língua inglesa no Porto. “Já estamos em fase muito avançada e deverá ir para acreditado no ministério brevemente”, avançou Aristides Silva. Neste momento, “estamos a identificar alguns professores da Universidade do Porto que irão deslocar-se para colaborar neste aspecto. Estamos a tentar que se inicie agora no ano lectivo de 2019/2020”, concluiu. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

sábado, 27 de abril de 2019

Macau - Universidade da Cidade de Macau intensifica aposta na cooperação sino-lusófona

As relações entre a China e os países lusófonos são o epicentro do Mestrado e Doutoramento da Universidade da Cidade de Macau visando cultivar as relações bilaterais, ao potenciarem o contacto interpessoal, no contexto de Macau enquanto plataforma mas também como parte da iniciativa Uma Faixa, Uma Rota. A estes associam-se o Instituto e Centro de Investigação da UCM que procuram ajudar a quebrar barreiras por vias da pesquisa e intercâmbio académico de alunos

Foto: JTM


A Universidade da Cidade de Macau (UCM) ministra, desde 2017, um Mestrado e Doutoramento em estudos sobre os países de língua portuguesa que vai, de certo modo, ao encontro da iniciativa chinesa “Uma Faixa, Uma Rota” – lançada em 2013 por Xi Jinping que prevê investimentos de milhões de dólares em projectos estruturais na Ásia, África e Europa. Além disso, conta com um Centro de Investigação e um Instituto para a Investigação dos Países de Língua Portuguesa, criados pela UCM há pouco mais de três anos.

O Jornal Tribuna de Macau esteve à conversa com Pang Chao, director do Centro, e Francisco José Leandro, director assistente do Instituto, para perceber o contributo e as expectativas destas duas ferramentas no desenvolvimento de Macau dentro da iniciativa chinesa, e nas relações sino-lusófonas.

Os avanços e progressos do programa chinês estão em destaque na medida em que decorre em Pequim a segunda edição do Fórum “Uma Faixa, Uma Rota”, com a presença de quase 40 Chefes de Estado, incluindo Marcelo Rebelo de Sousa. Portugal é, de resto, um dos poucos países da União Europeia (UE) que já expressou apoio formal a um projecto que tem suscitado divergências com as potências ocidentais.

As economias europeias olham para o projecto de Xi Jinping como uma nova forma de colonialismo e ordem mundial a ser moldada por um rival estratégico, com sistemas e valores políticos díspares. No entanto, para o director do Centro de Investigação “Uma Faixa, Uma Rota” existe, de facto, um “mal-entendido” sobre o plano. “É uma iniciativa assente no desenvolvimento por vias da cooperação. Este é o principal objectivo” e “à medida que a co-construção, co-uso e co-partilha vão crescendo, mais e mais países ocidentais farão parte da iniciativa”, estimou Chao Peng.

Aliás, “a intenção final é que todos os países se desenvolvam, cresçam, e não apenas a China. Depois de Portugal se ter juntado à iniciativa, em Dezembro, e a Itália, em Março, talvez a Suíça se junte. Acredito que isto irá acelerar os passos e a área que se pretende desenvolver”, acrescentou.

Francisco José Leandro ressalva que este projecto é recente e ainda “está a crescer”. “O que a China está a dar é a estrutura, as oportunidades e cabe-nos explorá-las. A responsabilidade também recai nos países participantes, e um dos principais problemas é que a maioria dos países não tem uma ideia clara sobre o que fazer e é aqui que entra a China”, notou.

Ao mesmo, e com uma “posição bastante positiva” sobre as relações que se estão a estabelecer – nomeadamente as sino-lusófonas – Francisco José Leandro reconhece o cepticismo de algumas economias europeias em aderir à iniciativa embora tudo faça parte do jogo. “Fico muito contente por ver que a União Europeia tem agora uma estratégia sobre Uma Faixa, Uma Rota. Durante muitos anos, a UE ignorou, simplesmente, a existência desta iniciativa o que deixou de ser verdade e representa um sinal positivo”.

Por outro lado, “a liderança chinesa está a tentar compreender os reais problemas e a satisfazer diferentes interesses, o que leva tempo”, além de que “tudo depende também da contribuição que cada país está disposto a fazer”.

Criar pontes e contactos

Mais direccionados para a plataforma sino-lusófona, enquadram-se o Mestrado e Doutoramento da UCM. Para Francisco José Leandro, os dois cursos, associados ao Instituto e Centro de Investigação, surgem como um “grande serviço”, somado ao Fórum Macau, prestado pela universidade nesta “ideia de reforço de relações entre a China e os países de língua portuguesa”.

“As pessoas têm diferentes percepções mas a verdade é que muitas coisas estão a ser feitas, nomeadamente ao nível de cooperação humana que abrange educação, saúde, turismo, rede de contactos, comunicação, acesso digital, etc. Todas as semanas recebo pedidos do Brasil, Cabo Verde e Guangdong e o nosso papel é, no fundo, colocar as pessoas em contacto porque há barreiras. A China não é conhecida nos países de língua portuguesa, e vice-versa”, frisou.

De qualquer modo, “o que a China está a fazer com todos os países de língua portuguesa é estabelecer uma rede de contactos permanente e a todos os níveis – medicina, educação, trocas comerciais – mas é um longo processo e um longo caminho a percorrer” que “estamos a construir em conjunto”, frisou Francisco José Leandro.

Ademais, descreveu Pang Chao, esse “é o aspecto mais importante e é aqui que Macau representa um papel crucial na relação com os países de língua portuguesa”. E, realçou Francisco Leandro, sendo o Fórum Macau “um instrumento” do poder soberano, “o que podemos fazer envolve cooperação, instituições como a nossa, e colocar as pessoas à volta da mesma mesa, organizar eventos culturais, conferências, etc. Estabelecer uma ponte não apenas no quadro das relações bilaterais soberanas mas ao nível de todos os outros aspectos que não são cobertos por questões soberanas”.

É neste contexto que entram os 60 alunos dos cursos sobre os estudos dos países de língua portuguesa: 40 do Mestrado e 20 do Doutoramento, 14 dos quais são do Continente chinês, seis de Macau e do estrangeiro.

Os cursos lançados estrategicamente pela UCM surgem como uma forma de incentivar a troca de contactos e de relações entre os diferentes países abrangidos pelas políticas chinesas de aproximação à lusofonia. “Estamos a tentar trazer alunos da China e de todos os países de língua portuguesa porque a partir do momento em que se encontram esta relação é eterna”, disse Francisco Leandro. O também professor assistente espera que os cursos consigam, nas próximas edições, atrair mais alunos lusófonos até porque “este é o único programa de mestrado e doutoramento, do mundo, que aborda as relações entre a China e os Países da Língua Portuguesa – há um curso semelhante em Coimbra mas que não confere o grau universitário”.

Exemplos disso são Diego, Rachel Li e Calvin Chen – alunos do Doutoramento em estudos sobre os países de língua portuguesa que partilham o interesse por esta área de investigação.

Diego, com investimentos em Portugal, encontrou uma “oportunidade interessante” no curso que espera dar-lhe uma via profissional ligada às relações internacionais, no Continente chinês. Já Rachel Li acha que o Doutoramento “permite estar em contacto com pessoas naturais de vários países de língua portuguesa”. Actualmente integra uma equipa de investigação sobre as potencialidades estratégias entre Macau, Timor-Leste a China.

“É uma oportunidade especial porque conhecia muito pouco do país. Além da língua, há algumas dificuldades porque a cultura é diferente mas está tudo a correr bem”, disse a este jornal.

Calvin, por exemplo, recorda com entusiasmo a sua estadia em Timor-Leste que lhe permitiu conhecer uma cultura e realidade diferentes que o enriquecem profissionalmente. O jovem estudante espera arranjar emprego na área política e diplomática sino-lusófona.

Experiências de estudantes que são parte integrante de um projecto que torna Macau o “único lugar no mundo com um centro de investigação, mestrado e doutoramento com pessoas com capacidade para falar três línguas. Isto é o importante, é a materialização da importante cooperação interpessoal”, rematou Francisco José Leandro. Catarina Almeida – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”