Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 24 de julho de 2025

Macau - Sugeridos programas de formação voltados para “língua + tecnologia”

Ip Kuai Peng, vice-reitor da UCM e director do Instituto para a Investigação sobre os Países de Língua Portuguesa, propôs a criação de formações “língua + tecnologia” para “superar as incompatibilidades linguísticas e profissionais na cooperação científica”. Instou ainda Macau a desenvolver “redes de cooperação multidimensionais voltadas para a União Europeia e os países de língua espanhola”


O vice-reitor da Universidade Cidade de Macau (UCM) e director do Instituto para a Investigação sobre os Países de Língua Portuguesa, Ip Kuai Peng, destacou o “potencial” de Macau para promover a cooperação internacional em alta tecnologia, economia digital e padronização da medicina tradicional chinesa. Para que a RAEM possa desempenhar de forma plena o seu papel de plataforma, deixou algumas propostas no âmbito do simpósio sobre “Cooperação Científica entre a China e os Países de Língua Portuguesa”.

“Para superar as incompatibilidades linguísticas e profissionais na cooperação científica, Macau deve promover programas de formação conjuntos para talentos voltados para ‘língua + tecnologia’ em universidades chinesas, portuguesas e espanholas”, defendeu, considerando que importa apostar num sistema de formação multidisciplinar.

Segundo disse, citado em comunicado, os programas deverão incluir módulos sobre terminologia de energias renováveis, patentes biomédicas e economia digital. “Além disso, devem ser estabelecidos mecanismos de intercâmbio académico para simplificar a educação, os estágios e as oportunidades de emprego, tornando Macau num centro de talentos científicos na cooperação Sul-Sul”, acrescentou.

Propôs também o reforço da conectividade económica e comercial e a expansão das redes de mercado internacionais. “Com base nos fortes laços com os países de língua portuguesa, Macau deve desenvolver redes de cooperação multidimensionais voltadas para a União Europeia e os países de língua espanhola”, sublinhou.

Para o vice-reitor da UCM, “Macau pode servir como uma plataforma para a correspondência precisa de negócios entre empresas chinesas e de língua portuguesa”, ao mesmo tempo que apoia as empresas da Grande Baía na exploração dos mercados lusófonos através de missões comerciais, promoção de investimentos e exposições internacionais.

Por fim, sugeriu que Macau aproveite as “vantagens institucionais” e os laboratórios nacionais da Grande Baía para formar grupos de reflexão inter-regionais com universidades de renome nos países de língua portuguesa e espanhola. “Estes esforços devem centrar-se na energia verde, na biomedicina e na tecnologia digital, a fim de permitir o fluxo transfronteiriço de tecnologia, colmatar o fosso digital nos países em desenvolvimento e posicionar a Grande Baía como líder global em ciência e tecnologia para o Sul Global”, defendeu.

Na abertura do simpósio, Ip Kuai Peng observou ainda que, à medida que a China avança no novo paradigma de desenvolvimento através de uma maior abertura, Macau deve alinhar-se com o seu posicionamento como “Um Centro, Uma Plataforma e Uma Base”.

Vários académicos de outras universidades abordaram também as suas perspectivas neste campo. A professora Marta Filipa Simões, da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, apresentou projectos de investigação conjuntos em micologia e astrobiologia entre a China e os países lusófonos e sugeriu a expansão da colaboração com instituições científicas em Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Portugal.

Já André Antunes, director do Instituto de Ciência e Ambiente da Universidade de São José, abordou o “papel vital” de Macau como elo de ligação no mundo lusófono e identificou a cooperação científica como uma área de oportunidades, particularmente nas ciências da vida, ecologia verde e economia marinha. Já José Paulo Esperança, vice-reitor da Faculdade de Economia da Universidade de Macau focou-se nas contribuições da Fundação para a Ciência portuguesa na facilitação da cooperação internacional, abordando desafios comuns e promovendo a inovação sustentável. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


segunda-feira, 7 de agosto de 2023

Macau - Plano de diversificação da RAEM releva sinergias sino-lusófonas

A RAEM pretende impulsionar ainda mais as relações entre a China e os países lusófonos no quadro do plano da “diversificação adequada” da sua economia entre 2024 e 2028, que estará em consulta pública até 2 de Setembro. Articulando-se com o 14º Plano Quinquenal Nacional e as Linhas Gerais para a Grande Baía, o aproveitamento das sinergias sino-lusófonas figura como um dos “princípios fundamentais” da estratégia de diversificação que abarca as quatro indústrias “prioritárias”, com a meta de elevar o peso do sector não jogo no Produto Interno Bruto para cerca de 60%. Entre várias medidas prometidas ou equacionadas, o Governo adianta que irá estudar vistos de curta duração para “equipas de inovação tecnológica do exterior”, incluindo Portugal e Brasil, e propor às autoridades do Continente a optimização da política de “isenção de visto por 144 horas” para incentivar a vinda de visitantes estrangeiros


O Governo lançou na sexta-feira uma consulta pública sobre o “Plano de desenvolvimento da diversificação adequada da economia da RAEM (2024-2028)” convicto de que essa é uma “via necessária para resolver os conflitos e problemas profundos que surjam no desenvolvimento socioeconómico” do território, e “uma escolha inevitável para assegurar a prosperidade e estabilidade a longo prazo”, em linha com as instruções dadas pelo Presidente da China, Xi Jinping. Conforme já tinha sido amplamente antecipado pelo Executivo, o documento da consulta, cujo prazo se estende até 2 de Setembro, assenta na fórmula “1+4”, que visa criar um novo paradigma nas áreas do turismo, jogo e lazer, paralelamente à aposta em quatro grupos de indústrias definidas como “prioritárias” – “big health” de medicina tradicional chinesa; finanças modernas; tecnologia de ponta, convenções, exposições (MICE) e comércio; e cultura e desporto. A meta final é ambiciosa: assegurar que o peso do sector não jogo ocupe cerca de 60% do Produto Interno Bruto em 2028.

Gizadas em articulação com o 14º Plano Quinquenal Nacional e as “Linhas Gerais do Planeamento para o Desenvolvimento da Grande Baía”, e em conformidade com o posicionamento do território como “Um Centro, Uma Plataforma, Uma Base”, as novas orientações estratégicas adoptam como “princípios fundamentais” o aproveitamento pleno das vantagens e do estatuto especial de Macau, “nomeadamente ‘um país, dois sistemas’, porto franco internacional, zona aduaneira autónoma, regime fiscal simples e reduzido”, e a “Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa”. De resto, ao longo das 195 páginas do documento, a relevância das sinergias sino-lusófonas para a diversificação da RAEM está bem patente, sobretudo em referências de cariz essencialmente político, mas também em medidas concretas.

No plano prático, sobressai a intenção de instituir “um regime de visto de curta duração para a inovação tecnológica”. “Iremos estudar a autorização de uma adequada permanência de curta duração (visto de negócios ou visto de empreendedorismo) destinada às equipas de inovação tecnológica do exterior (incluindo o Brasil e Portugal) para a criação de negócios em Macau e Hengqin, facilitando-lhes a procura de parcerias locais e do Interior da China”, adianta o Governo.

Até 2028, o Executivo assume o objectivo de seleccionar 20 das “melhores equipas de inovação tecnológica do Brasil e de Portugal, atraindo-as a instalarem-se em Macau e em Hengqin, ou a cooperarem com as equipas das cidades da Grande Baía”. Além disso, quer “aumentar a influência do concurso de inovação e empreendedorismo para empresas tecnológicas do Brasil e de Portugal” e, em cooperação com Zhuhai, planeia criar o “Centro de Intercâmbio e Cooperação de Ciência e Tecnologia entre a China e os Países de Língua Portuguesa”.

No domínio da indústria financeira moderna, será apoiada a criação, em Macau, “da plataforma de serviços financeiros entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, bem como realizadas acções de formação de quadros qualificados e conferências na área financeira dos dois blocos. Numa visão mais geral, o documento salienta que serão “fomentados os programas para o prosseguimento de estudos em Portugal, aprofundando-se a cooperação entre as instituições do ensino superior de Macau e as de Portugal, com vista à formação de quadros em língua portuguesa”.

Por outro lado, a RAEM quer “alargar” o intercâmbio cultural entre a China e o universo da Lusofonia, e aprofundar a cooperação com associações, câmaras de comércio e organismos oficiais lusófonos para promover a realização rotativa de convenções e exposições internacionais em Macau e nos países de Língua Portuguesa, que também serão incluídos nas acções de divulgação de marcas em plataformas de comércio electrónico no Continente. No que respeita à diversificação das fontes de visitantes, “para além da expansão dos mercados do Sueste e do Nordeste Asiático, serão explorados gradualmente mercados como a Índia, o Médio Oriente, a Europa e os Estados Unidos, e realizar-se-ão, em Portugal e Espanha, actividades de promoção turística de Macau”.

“Isenção de visto por 144 horas”

Igualmente na área do turismo, o Executivo revela que irá apresentar propostas aos serviços competentes do Interior da China sobre a optimização da política de “isenção de visto por 144 horas”, incluindo o lançamento do “visto de múltiplas entradas”, para incentivar visitantes estrangeiros a realizar roteiros turísticos “multidestinos”, nomeadamente entre Macau e Hengqin.

Recordando que a atracção de visitantes internacionais foi um dos requisitos do concurso para as novas licenças do jogo, as autoridades querem que as concessionárias se empenhem nessa vertente, tanto em actividades promocionais como na oferta de produtos turísticos diversificados e inovadores, focados em “visitantes de alto consumo” mas sem esquecer o apoio às zonas comunitárias e o turismo familiar, e “introduzindo espectáculos de categoria internacional”, entre outras iniciativas já lançadas ou muito debatidas nos últimos meses, incluindo a organização ou o apoio a eventos culturais e desportivos.

“Iremos impulsionar a parceria público-privada na exploração de projectos de consumo cultural, para apoiar o desenvolvimento sinérgico das indústrias de cultura e turismo; com o lançamento do Plano de Apoio Financeiro para a Revitalização de Edifícios Históricos, estimular a cooperação entre empresas e associações culturais no aproveitamento dos edifícios históricos para a realização de projectos de consumo cultural e turístico”, refere também o documento.

No capítulo da saúde, os projectos prioritários já tinham sido desvendados pelo Governo, com destaque para a aposta na medicinal tradicional chinesa e no turismo de saúde, em conjugação com a abertura do Hospital das Ilhas e a cooperação com Hengqin.

Expansão do Aeroporto avança no segundo semestre de 2024

As obras de ampliação do Aeroporto de Macau deverão arrancar no segundo semestre de 2024 e ficar totalmente concluídas em 2029. Segundo o documento da consulta sobre a diversificação económica, prevê-se que a plataforma de estacionamento do aeroporto esteja pronta no quarto trimestre de 2026. Após a ampliação, o aeroporto terá capacidade para servir 13 milhões de passageiros por ano, e irá aumentar os lugares de estacionamento para “aviões de longo curso” e ampliar “o sistema de caminho de circulação”. O projecto de ampliação do aeroporto implica a construção de uma aterro, cuja construção foi aprovada em Outubro de 2022 pelo Conselho do Estado da China.

Lei das Telecomunicações facilitará centros de dados

A nova Lei das Telecomunicações “irá flexibilizar as condições para o estabelecimento e a exploração de centros de dados em Macau, de modo a que os operadores deixem de ter de pedir licença de telecomunicações para o serviço”, indica o documento da consulta sobre a diversificação económica. O Governo acredita que isso “favorecerá a promoção do desenvolvimento de actividades de dados transfronteiriços entre Macau e Hengqin”. O plano preconiza ainda a instalação na Ponte do Delta do sistema de cabos ópticos que liga directamente Hong Kong e Macau. Sérgio Terra – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


segunda-feira, 31 de julho de 2023

Macau - Colóquio da medicina chinesa contou com a participação de 15 profissionais dos países lusófonos

Um total de 15 oficiais, técnicos e dirigentes de instituições médicas dos países lusófonos participou no Colóquio sobre a Cooperação no domínio de Medicina Tradicional para os Países de Língua Portuguesa.


A iniciativa decorreu entre 17 e 29 deste mês, ofereceu aos profissionais provenientes de Portugal, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique visitas, palestras temáticas e experiências in loco nas instituições médicas e empresas farmacêuticas em Macau, Zhuhai, Guangzhou e Foshan.

Por ocasião da cerimónia de encerramento e de entrega de certificados do Colóquio, que teve lugar na passada sexta-feira, Ji Xianzheng, Secretário-Geral do Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau), sublinhou que o presente colóquio foi a segunda edição neste domínio, após a inauguração oficial em 2022 do Centro de Intercâmbio da Prevenção Epidémica China – Países de Língua Portuguesa na Reunião Extraordinária Ministerial, o que marcou a retoma de realização presencial dos eventos após a pandemia.

Ji Xianzheng afirmou assim que no futuro irá organizar mais acções de formação, estágios e outros intercâmbios no domínio da saúde pública, voltadas para os Países de Língua Portuguesa, com vista a criar uma “plataforma de conhecimento mais ampla” que “fortaleça a visibilidade da medicina tradicional e consolide os alicerces da cooperação pragmática sino-lusófona do foro da saúde e da medicina”.

Por sua vez, o director dos Serviços de Saúde de Macau, Alvis Lo, salientou que o Governo da RAEM tem vindo a prestar elevada atenção à medicina tradicional e que o organismo vai estender o apoio ao Fórum de Macau na realização de eventos na área da medicina, “propiciando o reforço de diálogo e parceria sino-lusófonos na medicina tradicional”, disse.

Bernardo Dinis Coutinho, representante rotativo dos formandos, comentou que foram 15 dias de “imersão teórica e prática na riquíssima racionalidade e sistematização da medicina tradicional chinesa”, frisando que o colóquio “estreitou a fraternidade e a aprendizagem mútua” entre os respectivos profissionais e dirigentes da área da saúde da China e dos países de língua portuguesa. Catarina Chan – Macau in “Ponto Final”


terça-feira, 23 de maio de 2023

China - Delegação de Macau, Guangdong e Sichuan promove medicina chinesa em Portugal

A promoção da medicina tradicional chinesa e a cooperação internacional com instituições académicas lusófonas foram o foco de trabalho para a comitiva de Macau, Guangdong e Sichuan na viagem a Portugal e Espanha. Num encontro com a faculdade de medicina da Universidade de Lisboa, representada pela directora Beatriz Lima, o representante de Macau, Ching Hei, disse esperar introduzir mais produtos e tecnologias de medicina tradicional chinesa nos países de língua portuguesa e da União Europeia


Uma delegação de representantes e médicos de Macau, Guangdong e Sichuan, composta pelo Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa para a Cooperação entre Guangdong-Macau e pela Administração de Medicina Tradicional Chinesa de Sichuan, realizou na semana passada uma viagem de intercâmbio em Portugal e Espanha, com o intuito de promover o tratamento médico, a cultura e a educação da medicina chinesa.

Por ocasião de um encontro e evento de intercâmbio entre a comitiva e a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, que teve lugar na passada sexta-feira no Salão Nobre da Faculdade, as partes manifestaram a expectativa de abordar mais iniciativas internacionais de intercâmbio de medicina tradicional chinesa através da plataforma sino-lusófona de Macau.

Beatriz Lima, directora da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, salientou que espera aproveitar o intercâmbio académico na área da medicina tradicional chinesa como uma oportunidade de trabalhar com o Parque Científico e Industrial de Guangdong-Macau, de forma a expandir cooperação internacional e programas de formação.

“Desde há muito que o Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa para a Cooperação entre Guangdong-Macau mantém uma estreita relação de cooperação com a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, tendo sido lançadas em conjunto iniciativas nas áreas da formação de jovens talentos”, salientou.

Por sua vez, Ching Hei, médica de Macau, adiantou que o Parque tem trabalhado para introduzir produtos de elevada qualidade e tecnologias de medicina tradicional chinesa nos países lusófonos e da União Europeia.

Segundo a profissional, o Parque concentra-se na promoção ao estrangeiro de medicamentos chineses através do modelo da “introdução de medicamentos através de tratamentos médicos”, apostando nos mercados dos países de língua portuguesa e nos países membros da iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’.

“Actualmente, o Parque formou gradualmente três grandes segmentos de negócios internacionais, incluindo o registo internacional da medicina chinesa, comércio internacional e formação internacional, construindo uma rede de cooperação que liga os países lusófonos, a União Europeia, a Associação de Nações do Sudeste Asiático e os países da América do Sul, criando uma plataforma internacional de serviço público profissional”, assinalou Ching Hei.

A cooperação sino-lusófona no domínio da medicina não só concretiza a comunicação da cultura da medicina tradicional, como também ajuda a reserva de pessoal técnico qualificado, destacou Wu Song. O presidente do Parque Científico e Industrial assegurou na ocasião que vai aproveitar melhor o papel de Macau “como uma janela para os países de língua portuguesa” para reforçar a relação cooperativa entre as partes.

Recorde-se que o Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa para a Cooperação entre Guangdong-Macau foi inaugurado em 2011 ao abrigo do Acordo-Quadro de Cooperação Guangdong-Macau, promovido pelo Governo Central, apostando na diversificação económica de Macau.

A comitiva esteve em Portugal entre os dias 18 e 20 do mês, depois de terminar uma visita a Madrid e Barcelona, em Espanha, onde foi realizada uma série de actividades de sessão da promoção na comunidade e seminários de mesa redonda. Durante a viagem a terras lusas, o grupo de profissionais médicos visitou ainda as instituições médicas, associações e escolas de medicina de Portugal, para discutir e trocar opiniões sobre a integração da medicina tradicional chinesa e medicina moderna. Catarina Chan – Macau in “Ponto Final”


segunda-feira, 19 de setembro de 2022

China - Medicina tradicional com eixo sino-lusófono

O papel da medicina tradicional chinesa na cooperação sino-lusófona foi amplamente destacado num colóquio online, primeira iniciativa organizada no âmbito do Centro de Intercâmbio da Prevenção Epidémica China-Países de Língua Portuguesa, criado em Abril

A medicina tradicional “desempenha um papel enquanto eixo de ligação” entre a China e os países de língua portuguesa e é uma área à qual RAEM tem vindo a atribuir importância, ao nível da industrialização e internacionalização. A ideia foi sublinhada por Lu Hong, presidente do Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa para a Cooperação entre Guangdong e Macau, num colóquio online, iniciado na noite de sexta-feira, numa iniciativa promovida pelo Secretariado Permanente do Fórum de Macau, Serviços de Saúde da RAEM e aquele Parque, assinalando o primeiro evento oficial no âmbito do Centro de Intercâmbio da Prevenção Epidémica China-Países de Língua Portuguesa, que foi inaugurado à margem da Reunião Extraordinária Ministerial do Fórum de Macau a 10 de Abril.

Segundo um comunicado do Fórum, Lu Hong sublinhou que o Parque Científico e Industrial figura como uma relevante “plataforma” para o desenvolvimento da medicina tradicional por parte de Macau e dos países de Língua Portuguesa, por via do modelo internacional de “introdução de medicamentos através de tratamentos médicos”, pelo que irá promover gradualmente a cooperação com o mundo lusófono. A mesma responsável expressou ainda o desejo de que as experiências adquiridas possam ser aplicadas nos trabalhos diários, contribuindo para a promoção da medicina tradicional e saúde pública entre a China e os países lusófonos.

Na cerimónia de abertura do evento, conduzido a partir do Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, o secretário-geral do Secretariado Permanente do Fórum de Macau, Ji Xianzheng, recordou por sua vez que o desenvolvimento e a cooperação no domínio da medicina tradicional foram plasmados no Plano de Acção de todas as edições da Conferência Ministerial, merecendo o “empenho” e a “dedicação” do organismo. Ji Xianzheng garantiu que o Fórum irá aproveitar o papel do referido Centro para lançar mais actividades de formação, estágios e intercâmbios no sector da saúde pública entre a China e os países de Língua Portuguesa.

Já o director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo, referiu que o Governo da RAEM tem implementado um plano de cooperação com a Organização Mundial da Saúde na área da medicina tradicional desde 2011, apoiando a organização de diversos workshops de formação, e envolvendo já mais de 2500 funcionários públicos na área da saúde de todo o mundo, especialmente de Macau, países lusófonos e ligados à iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”.

O programa do colóquio foi distribuído por quatro sessões, com palestras e intercâmbios online, sendo transmitido em tempo real nas plataformas “VooV Meeting”, “YouTube” e “Bilibili”. Segundo o Fórum, estava prevista a participação de mais 600 personalidades, incluindo representantes de entidades governamentais, médicos clínicos, especialistas e académicos da área da medicina tradicional, do Interior da China, Macau e dos países lusófonos. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


sexta-feira, 29 de julho de 2022

Cabo Verde - Quer medicina tradicional chinesa como alternativa à convencional

O ministro da Saúde de Cabo Verde, Arlindo do Rosário, disse que o país está a trabalhar para implementar a medicina tradicional chinesa no país, para ser uma alternativa e para complementar a medicina convencional.

“Nós estamos a trabalhar para a implementação da medicina tradicional chinesa em Cabo Verde, medicina alternativa, dentro do Serviço Nacional de Saúde [SNS]”, disse o ministro, na sua intervenção, no ato de entrega por parte da China de equipamentos aos serviços do Hospital Universitário Agostinho Neto, da Praia, o maior do país.

O governante referiu que o projeto está a ser implementado em conjunto com o Parque Industrial de Macau, para funcionar como tratamento alternativo da medicina convencional.

“Neste aspeto também é uma área que podemos continuar a aprofundar, por forma a que possamos ter as duas medicinas trabalhando paralelamente e complementarmente em Cabo Verde”, perspetivou Arlindo do Rosário.

Há anos que Cabo Verde fala na implementação da medicina tradicional chinesa no país, prevendo também que seja um centro para servir também a África.

“Tal como em Portugal, que construiu também um centro de Medicina Tradicional Chinesa, em Lisboa, para a Europa, porque não em Cabo verde, para África?”, argumentou em setembro de 2019 o ministro, à margem do Fórum de Cooperação Internacional de Medicina Tradicional Chinesa, que aconteceu em Macau.

Na altura, frisou que a indústria farmacêutica já produz cerca de 40% dos medicamentos da medicina convencional consumidos no país.

“É uma indústria em expansão, que está a desenvolver-se, também virada para a região africana, para os países (…) africanos de língua oficial portuguesa”, salientou.

A criação de legislação para regulamentar a atividade é uma das prioridades, declarou na altura à Lusa a assessora para a implementação da medicina tradicional em Cabo Verde, Leila Rocha.

Em maio de 2019, Cabo Verde assinou um acordo com o Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa Guangdong-Macau, com o objetivo de aprofundar a cooperação nesta vertente medicinal com a China.

A China tem sido um dos grandes parceiros do desenvolvimento de Cabo Verde, apoiando, além da saúde, em diversas áreas, como habitação social, militar, económica, tecnologia, segurança e formação de quadros na cultura. In “Hoje Macau” - Macau

 

segunda-feira, 8 de março de 2021

Macau - Lei vai permitir intensificar exportação da medicina tradicional chinesa para os PALOP


O presidente da Associação Comercial Internacional para os Mercados Lusófonos disse que a nova lei de Macau sobre a medicina tradicional chinesa vai intensificar a exportação destes produtos para países africanos de língua portuguesa.

“A informação que tenho é que há pelo menos 25 empresas que se chegaram à frente a pedir emissão de alvarás para produção” de produtos associados à medicina tradicional chinesa, cuja indústria representa anualmente um negócio de muitas centenas milhões de euros, em especial no mercado asiático, adiantou Eduardo Ambrósio, presidente da Associação Comercial Internacional para os Mercados Lusófonos (ACIML).

O objectivo é produzir e registar em Macau, para dar mais valor e confiança nos países de expressão portuguesa”, explicou, acrescentando que a exportação também deve abranger equipamentos médicos descartáveis, muitos dos quais “têm sido comprados à Índia e são mais caros”.

Mercados como Angola, Moçambique e Cabo Verde são considerados importantes e de grande potencialidade, concretizou Eduardo Ambrósio. Esta aposta está em sintonia com um dos mercados definidos como prioritários para a ACIML, o da Grande Baía, um projeto de Pequim de criar uma metrópole mundial que integra Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong, com cerca de 70 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de 1,2 mil milhões de euros, semelhante ao PIB da Austrália, da Indonésia e do México, países que integram o G20.

No início deste ano, o Governo de Macau defendeu que a cooperação entre o antigo território administrado por Portugal e a cidade chinesa de Shenzhen deve apostar na exploração dos mercados lusófonos, nomeadamente no desenvolvimento da indústria da medicina tradicional chinesa. “Muitas empresas que pretendem internacionalização” podem “aproveitar o papel de plataforma de Macau para explorar os mercados dos países lusófonos”, defendeu o chefe do Governo num ciclo de visitas a cidades da Grande Baía.

Ho Iat Seng disse em Shenzhen “que Macau está empenhado em desenvolver a indústria da medicina tradicional chinesa e que, no futuro, os medicamentos podem ser registados em Macau e vendidos para a Grande Baía e gradualmente até às outras regiões”.

A proposta de lei, que está em fase final de discussão em Macau, visa regular “a obrigatoriedade de obtenção de licenças para o fabrico, importação, exportação, comércio por grosso e a retalho de medicamentos tradicionais chineses”, mas também melhorar a segurança através do “regime de inscrição de medicamentos tradicionais chineses”. “A proposta de lei estabelece o regime de inscrição de medicamentos tradicionais chineses, de modo a reforçar a supervisão da atividade farmacêutica de medicina tradicional chinesa, garantir ainda mais a qualidade e a segurança dos medicamentos tradicionais chineses fabricados, importados e circulados legalmente em Macau, aumentando a competitividade da exportação de medicamentos tradicionais chineses fabricados em Macau”, explicou o Governo, aquando da sua apresentação, em outubro do ano passado.

A proposta de lei foi apresentada no mesmo dia em que foi divulgado o “Plano de Construção da Área Importante de Medicina Tradicional Chinesa da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau (2020-2025)”.

Após a passagem da administração de Macau das mãos de Portugal para a China em 1999, Pequim definiu que uma das prioridades do território passaria por servir de plataforma cultural, comercial e económica sino-lusófona. Pequim acabou mesmo por criar em Macau, em outubro de 2003, o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, onde se encontram representados os oito países de língua portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe).

Portugal pode aproveitar a tensão Pequim/Camberra para exportar mais vinho para China

O presidente da ACIML disse também que Portugal pode aproveitar a tensão política e diplomática entre Pequim e Camberra para exportar mais vinho para a China. “Portugal pode tornar-se num dos maiores fornecedores de vinho no mercado chinês”, defendeu Eduardo Ambrósio, lembrando que a China tem imposto elevadas taxas alfandegárias sobre o vinho australiano. Em resposta à tensão diplomática entre os dois países, desde que a Austrália excluiu o grupo chinês de telecomunicações Huawei do desenvolvimento da sua rede de quinta geração (5G), por motivos de segurança nacional.

Principal parceiro comercial da Austrália, a China não perdoou também o facto de Camberra ter apelado a uma investigação internacional sobre as origens da pandemia de covid-19, o que enfureceu Pequim, que considerou que o pedido tem segundas intenções políticas.

Segundo dados do Instituto da Vinha e do Vinho, as exportações de Portugal para a China decresceram mais de um terço no último ano, quando comprado com os dados de 2019. No mercado chinês, para além da Austrália, Portugal concorre com os vinhos espanhóis e italianos.

O presidente da ACIML salientou ainda que a aposta empresarial de exportação para o mercado chinês tem de se focar “em produtos de primeira qualidade”. E deu exemplos, para além do vinho: o café produzido em boa parte dos países lusófonos (com o Brasil à cabeça), a madeira e o algodão de Moçambique, o caju da Guiné-Bissau.

A água é outro dos exemplos, defendendo que se tem fracassado na promoção na China. “Há que corrigir esse ‘gap’ [falha] e procurar entrar no mercado, como conseguiu a França”, explicou. A associação, sediada em Macau, tem todas as condições para conseguir fazer a ponte entre os diferentes mercados, sustentou, já que os empresários “percebem os chineses, Macau e os países de língua portuguesa, a cultura e os mercados”, sustentou.

Museu do café para tentar aposta na China

O presidente da Associação Comercial Internacional para os Mercados Lusófonos quer um museu lusófono do café em Macau que traduza a nova aposta empresarial na exportação do produto para a China. A criação do museu depende “de um acordo com o Governo de Macau”, com “o apoio do [empresário] Rui Nabeiro, da Delta” Cafés, explicou Eduardo Ambrósio.

A ideia do Museu do Café dos países de língua portuguesa passa por permitir a residentes de Macau e turistas contacto com a produção e cultura do produto nos países lusófonos, mas tem também um outro significado: traduzir “a aposta que se quer fazer no mercado da China continental”, acrescentou. O líder da ACIML lembrou que “o consumo do café está a crescer 20% em termos anuais”, com “os jovens a beberem cada vez mais café e menos chá”.

Uma oportunidade para países como Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, exemplificou Eduardo Ambrósio. O projecto de criação do museu foi abordado com o Governo de Macau no final de Fevereiro, num encontro com o secretário para a Economia e Finanças. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”