Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 23 de abril de 2026

França – Extrema-direita quer controlar Edições Grasset

Hoje, quando qualquer um pode editar, publicar e vender seu livro pela Amazon, alguém pode perguntar se as editoras são ainda importantes. Sim, são importantes porque sem elas, sem a seleção dos originais, sem a impressão desses originais para serem vendidos nas livrarias, muitos autores de valor ficariam desconhecidos.

Por coincidência, relembra-se nesta semana (23 de abril) a morte de dois monumentos da literatura mundial, há 410 anos, William Shakespeare e Miguel Cervantes. Ambos se tornaram lidos e conhecidos por terem seus originais publicados depois da criação da imprensa por Gutenberg.

Os primeiros livros impressos, surgidos na segunda metade do século XV, marcaram o fim do monopólio da cópia manual de livros em pergaminhos feita nos mosteiros, pela qual a Igreja controlava a escassa produção de livros.

O surgimento das primeiras gráficas de Gutenberg, de custo bem mais barato, permitiu a produção em série de livros, tornou a Bíblia acessível a todos, criando a livre interpretação de seus textos e provocando uma fratura no cristianismo com a Reforma de Lutero. Ao mesmo tempo, abriu caminho para a literatura com o surgimento da indústria editorial e permitiu a livre expressão das ideias.

Mas, logo depois, como contrapeso, surgiram a censura e a proibição da leitura dos livros proibidos. Resumindo, a edição de livros abriu o caminho para a modernidade e foi o germe das revoluções sociais com o acesso facilitado ao mundo das ideias. Outras invenções vieram e depois do livro se chegou aos jornais, ao rádio, à tevê e agora à internet com suas redes sociais e à expansão das mídias.

E chegamos aqui ao tema desta semana - quem detém a produção de livros, pode controlar o pensamento dos intelectuais e do público melhor informado, assim como a TV e as redes sociais podem controlar o pensamento e o comportamento do povo, bem como dirigir suas opções políticas.

Toda imprensa francesa tem noticiado com destaque, nestes dias, a decisão de mais de 300 autores de romperem com a Editora Grasset, pela qual seus livros são editados. Grasset vinha sendo desde 1907, ano de sua criação, uma prestigiosa editora de literatura francesa e estrangeira, ensaios, romances, ciências humanas, etc.

Agora, importantes jornais franceses prevêem mesmo o risco de Grasset fechar pela recusa dos bons autores a ela entregarem seus originais para publicação. Nem sempre autores militantes de extrema-direita têm o talento de Louis-Ferdinand Céline, notório militante pró-nazistas durante a Ocupação francesa. Isso limita o acesso da editora aos bons e inovadores originais.

Até agora, o prestígio da Grasset provinha de sua independência na seleção e publicação de bons originais, sem procurar favorecer este ou aquele conteúdo político. 

O responsável pela crise é o milionário Vincent Bolloré, proprietário de Editions Grasset, mas igualmente do Canal+, Europe1, CNews, Le Journal du Dimanche, hoje transformados em órgãos de propaganda política.

Diante da proximidade das eleições francesas, com o fim do mandato de Emmanuel Macron, o milionário Bolloré deseja utilizar a penetração do seu aparelho mediático para a eleição do candidato Jordan Bardella, da extrema-direita francesa, Rassemblement National, caso a atual presidenta do partido seja declarada inelegível em julho, pela Justiça francesa.

Sua intervenção na Grasset, da qual é proprietário, consistiu em demitir Olivier Nora, o respeitado responsável pela seleção dos originais e pela publicação dos livros Grasset há 26 anos.

Antes de demitir Olivier Nora para intervir na seleção de autores e originais da Grasset, Vincent Bolloré já havia provocado a mobilização dos estudantes de jornalismo ao liderar um grupo de investidores na compra da Escola Superior de Jornalismo de Paris. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins - Jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Brasil - Metrópoles, a boa ou má opção de Reinaldo Azevedo

Dentro de alguns dias, no dia 2 de março, o comentarista político Reinaldo Azevedo estará estreando no canal Metrópoles. Foi o próprio Azevedo quem anunciou, em meados de janeiro, ter se demitido do portal Uol, plataforma da Folha, onde apresentava Olha Aqui, além de escrever suas colunas.

Acostumado a trocar diariamente de boné e de camisa, vai trocar mais uma vez de emprego, porém sem mudar de opinião. Quem garante é o jornalista Pedro Zambarda, em franca ascensão no concorrido mundo das redes sociais, talvez o primeiro a anunciar, no Canal Meteoro, a queda, embora voluntária, de Azevedo.

Zambarda ainda não sabia, em janeiro, se Azevedo ficava só na BandNews FM e TV, mas podia adiantar a causa da inesperada partida do Uol, onde garantia uma boa audiência: a direção do Uol vai mudar sua linha política, "o portal está se bolsonarizando neste ano de eleição e se preparando para apoiar Flávio Bolsonaro ou o Tarcísio" e a prova é a recente contratação de dois novos comentaristas vindos da direita conservadora, Alexandre Borges e José Fucs. Uma escuta dos áudios dos novos comentaristas não deixa dúvidas.

Uma reportagem de Gabriel Perline para Notícias da TV conta a trajetória de Alexandre Borges, que inclui CNN Brasil, Jovem Pan e Antagonista. E, embora não muito citado, Alexandre Borges, antes de ser contratado como analista político pela CNN em 2021, tinha sido marqueteiro de Wilson Witzel, eleito governador do Rio em 2018 e cassado em 1921; de Celso Russomano, candidato derrotado à Prefeitura de São Paulo em 2012; sendo amigo pessoal de Flávio Bolsonaro, candidato à presidência.

José Fucs, vindo do Estadão e revista Exame, colunista da Gazeta do Povo e colaborador da revista Oeste, é um liberal muito especial, pois nega a tentativa de golpe, mesmo diante de Ricardo Kotscho e Daniela Lima na sua primeira apresentação no Uol. Essa estreia foi muito mal recebida pela audiência do Canal. Numa reportagem no Estadão, em 2019, Fucs chamava, o que seria mais tarde conhecido como gabinete do ódio, de "rede bolsonarista jacobina".

No anúncio de sua inesperada partida, diante do surpreso Diego, seu apresentador no É da Coisa, Azevedo fez questão de frisar ser uma decisão pessoal e a seu pedido, "eu pedi pra sair", "estou com novos projetos, estou precisando descansar, reorganizar minha vida, cuidar melhor de minha saúde", "não aconteceu absolutamente nada", não quero e não vou dar entrevista. Eu pedi para sair e não ficar expondo. Eu fui muito bem tratado no Uol, esse tempo que fiquei aqui. Sempre escrevi o que eu quis, escrevo o que eu quero, não tenho nenhuma limitação". E negou também qualquer relação de sua demissão com o Banco Master, nada a ver com o podcast que faz com Walfrido Warde, advogado demissionário de Daniel Vorcaro, enfatizando ser uma decisão sua.

Foi uma boa decisão do Reinaldo Azevedo essa de ir para o Metrópoles?

O canal, de acordo com o site DCM, pertence ao Luiz Estevão, ex-senador preso num grande escândalo, perdoado depois por Bolsonaro, apoia o governador Ibaneis Rocha do Distrito Federal e faz uma campanha contra o STF, utilizando o escândalo do banco Master e políticos bolsonaristas. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.
 

sábado, 27 de dezembro de 2025

Internacional - Relatório aponta para queda histórica da liberdade de expressão no mundo

Dados alarmantes incluem crescimento de 63% da autocensura entre jornalistas e diminuição de 37% na liberdade académica e artística. A Unesco alerta para a impunidade em assassinatos de profissionais da imprensa, havendo tendências positivas que abrangem a ampliação do acesso a redes sociais e fortalecimento do jornalismo de investigação

A liberdade de expressão chegou ao nível mais baixo em décadas, após uma queda de 10% em comparação a 2012. Os dados são da Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura, Unesco.

O declínio é comparável apenas ao observado na Primeira Guerra Mundial, no período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial e ao final da década de 1970, durante a Guerra Fria.


Maior controlo sobre os meios de comunicação

O relatório sobre as tendências globais da liberdade de expressão e do desenvolvimento dos meios de comunicação abrange o período de 2022 a 2025. O estudo alerta para um aumento alarmante da autocensura entre jornalistas, com crescimento de 63%, a uma média de cerca de 5% ao ano.

Esta tendência é um reflexo do crescimento de 48% no controlo de meios de comunicação por governos e grupos poderosos e de uma maior incidência de vigilância digital e leis restritivas, que tornam a reportagem independente cada vez mais difícil.

Também foi observada uma queda de 37% na liberdade académica e artística, mostrando que o problema vai além do jornalismo.

Aumento de ataques contra jornalistas

Os profissionais da comunicação sofrem risco significativo de morte no exercício da profissão. Entre janeiro de 2022 e setembro de 2025, 310 jornalistas foram mortos, sendo 162 deles em zonas de conflito.

Embora tenham ocorrido avanços modestos, com a taxa de impunidade caindo de 95% em 2012 para 85% em 2024, a maioria dos responsáveis por estes assassinatos segue sem punição.

Os ataques a jornalistas incluem violência física, ameaças digitais e perseguição judicial. Muitos são forçados a deixar os seus países. Desde 2018, mais de 900 profissionais do setor na América Latina e no Caribe foram obrigados a exilar-se.

Repórteres do meio ambiente estão entre os mais expostos. Cerca de 70% deles relatam ter sido atacados por causa do seu trabalho. Foram 749 ataques entre 2009 e 2023, com aumento acentuado nos últimos anos.

O assédio online também cresceu globalmente, afetando de forma desproporcional as mulheres. Um novo estudo do Centro Internacional para Jornalistas revelou que 75% das jornalistas e trabalhadoras da mídia sofreram violência online relacionada com o trabalho em 2025, em comparação com 73% em 2020.

Tendências positivas

Apesar do grave retrocesso global na liberdade de expressão, o relatório identifica avanços importantes. Entre 2020 e 2025, mais 1,5 mil milhão de pessoas passaram a ter acesso a redes sociais e plataformas de mensagens, ampliando as possibilidades de participação cívica em todo o mundo.

O jornalismo de investigação colaborativo também ganhou força no período, resultando num aumento de grandes reportagens transfronteiriças. Equipas dedicadas à verificação de factos fortaleceram-se em diversos veículos de imprensa.

Além disso, leis que reconhecem os meios de comunicação comunitários vêm se multiplicando globalmente, ajudando a preservar uma fonte vital de informação local.

A Unesco pede aos países que protejam e invistam no jornalismo para promover sociedades pacíficas. Para a agência, a defesa do jornalismo livre e independente deve ser reconhecida como uma prioridade. ONU News – Nações Unidas


quinta-feira, 2 de outubro de 2025

França - A força dos jornalistas de Mediapart

É normal a imprensa ser detestada pelos corruptos e golpistas. Sempre existe um repórter, atacado pelos extremistas, descobrindo e tornando públicos um negócio escuso, uma trama, um desvio de dinheiro, uma conta secreta, um documento escondido.

É o caso do processo e condenação a cinco anos de prisão do ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, sob a acusação de organizador de uma associação de malfeitores financiada pelo líbio Muamar Khadafi, por coincidência alguns dias depois da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

No caso de Sarkozy, existe uma organização francesa de jornalistas investigativos especializada em localizar e seguir, sempre denunciando e publicando, etapa por etapa, os resultados de suas buscas. Ao mesmo tempo a condenação de Sarkozy assinala mais uma vitória do chamado jornalismo de investigação, corporificado e liderado na França pelo temido grupo de jornalistas do Mediapart, definido como uma espécie de fósforo cuja chama clareia e revela o lugar onde ocorre o escândalo ou crime, ao mesmo tempo que provoca o incêndio.

Mediapart não quer a exclusividade na investigação do escândalo revelado, contenta-se em mostrar e abrir o caminho para toda imprensa, seja o Le Monde, Libération, rádios e canais de televisão.

O caso Sarkozy começou há 14 anos com uma reportagem do jornalista Fabrice Arfi até terminar com uma severa sentença de cinco anos contra o ex-presidente. Mediapart foi também quem alertou a imprensa e a Justiça no recente caso de corrupção, desvio de fundos públicos, envolvendo os assistentes parlamentares do partido Reunião Nacional da líder da extrema-direita francesa Marine Le Pen. Condenada a quatro anos de prisão, Marine se tornará inelegível à presidência da França, se seus recursos contra a sentença não forem aceites.

Foi também Mediapart quem denunciou o ator Gérard Depardieu por agressão sexual, também condenado. Por isso, o dirigente da ONG francesa anticorrupção Sherpa, declarou ser hoje reconhecido pelos juízes franceses o fundamento das acusações quando originárias de Mediapart.

Além disso, ajuntou, Mediapart não deixa as acusações serem esquecidas, fazendo com que avancem durante o passar dos anos com novas investigações e revelações, como foi no caso de Sarkozy com o financiamento de parte de sua campanha eleitoral pelo ditador líbio Muamar Kadhafi.

Embora alguns possam julgar serem os políticos de direita ou extrema-direita os alvos de Mediapart, uma rápida pesquisa afasta essa hipótese, pois a extrema-esquerda, França Insubmissa e seu líder Jean-Luc Mélenchon já foram também alvo de denúncias quanto às contas relacionadas com o  financiamento da campanha eleitoral de Mélenchon. Denúncias também contra a deputada da França Insubmissa Sophia Chikirou por abuso de bens sociais na última campanha eleitoral.

Apesar de sua importância e força, Mediapart tem a estrutura de um jornal de investigação numérico apenas online com 245 mil assinantes, menor portanto que muitos canais brasileiros nas redes sociais. Foi criado em 2008 por um grupo de jornalistas liderado por Edwy Plenel e é presidido pela jornalista Carine Fouteau. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu “Dinheiro Sujo da Corrupção”, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, “A Rebelião Romântica da Jovem Guarda”, em 1966. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

Guiné-Bissau - Repórteres Sem Fronteiras alerta para sinais de repressão à liberdade de imprensa no país

Bissau – A Repórteres Sem Fronteiras (RSF) considerou a decisão das autoridades guineenses em expulsar os órgãos de comunicação portugueses RTP, RDP e Lusa como “um sinal preocupante para o pluralismo e para o direito à informação”.

A Guiné-Bissau anunciou, na passada sexta-feira, 15 de Agosto, a expulsão de dois órgãos de comunicação social portugueses: a agência de notícias Lusa e os canais públicos RDP/RTP, cujos programas se encontram desde então suspensos. A decisão foi comunicada sem qualquer explicação oficial por parte das autoridades guineenses.

Para o director do escritório da Repórteres Sem Fronteiras (RSF) para a África Ocidental, Sadibou Marong, trata-se de um “sinal preocupante para o pluralismo e para o direito à informação”.

Em declarações à imprensa, Sadibou Marong, afirmou que a medida constitui “uma espécie de aviso” que poderá reforçar a auto-censura nos meios de comunicação locais e nacionais, sobretudo num contexto em que a Guiné-Bissau se prepara para eleições presidenciais. Segundo o responsável da RSF, a decisão das autoridades pode contribuir para reforçar a auto-censura em torno de temas de interesse nacional.

A organização recorda ainda que este episódio não surge de forma isolada. Recentemente, o correspondente da RTP na Guiné-Bissau, Waldir Araújo, foi alvo de uma agressão perpetrada por indivíduos ainda não identificados. Para a RSF, este ataque não deve ficar impune, sob pena de agravar a auto-censura já disseminada entre os jornalistas no país.

“É extremamente importante que as autoridades levantem esta suspensão”, apelou Sadibou Marong, acrescentando que é necessária uma investigação transparente para identificar e levar à justiça os autores da agressão contra o jornalista da RTP. A RSF defende a adopção de todas as medidas indispensáveis para garantir que os profissionais da comunicação social possam exercer o seu trabalho sem receio de represálias.

Este domingo, em visita a Cabo Verde, o Presidente guineense recusou dar esclarecimentos sobre o caso, limitando-se a afirmar que “o problema é entre a Guiné-Bissau e Portugal”. A medida tem gerado fortes críticas: em Portugal, o governo manifestou o seu repúdio, e a Liga Guineense dos Direitos Humanos denunciou um “ataque contra a liberdade de imprensa e contra o Estado de Direito”. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau

 

sábado, 16 de agosto de 2025

Guiné-Bissau - Expulsa comunicação social portuguesa

O Governo da Guiné-Bissau remeteu para este sábado esclarecimentos sobre a expulsão da comunicação social portuguesa e mostrou-se “aberto ao diálogo sempre”, desde que seja respeitada a soberania do país


A informação foi transmitida pelo primeiro-ministro, Braima Camará, e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE), Carlos Pinto Pereira, em declarações aos jornalistas no final de um encontro com a comunidade internacional, em Bissau, sobre as eleições gerais marcadas para 23 de novembro.

O Governo da Guiné-Bissau decidiu expulsar do país as delegações da agência Lusa, da RTP África e da RDP África, com a suspensão das emissões a partir de hoje e a determinação de os representantes destes órgãos de comunicação social deixarem o país até terça-feira.

Questionado sobre a medida, o primeiro-ministro passou a palavra ao ministro dos Negócios Estrangeiros que confirmou que esta “é uma decisão do Governo”, que não vai pronunciar-se sobre o assunto, mas que “nas próximas horas tomará mais uma posição em termos de esclarecimentos sobre o assunto”.

O ministro disse ainda que Bissau tomou conhecimento do “comunicado publicado por Portugal”, referindo-se à posição do Governo português, e lamentou que o mesmo não tenha referido os fundamentos da decisão.

“Mas, amanhã [sábado] com toda a certeza, iremos nos pronunciar um pouco mais sobre esse assunto”, indicou.

À pergunta sobre as consequências da medida para as relações entre os governos da Guiné-Bissau e de Portugal, Carlos Pinto Pereira respondeu que “cada assunto é tratado no seu devido lugar e este assunto será tratado no seu devido lugar”.

“Está em tratamento”, acrescentou, indicando que “a seu devido tempo” o Governo guineense irá “esclarecer o que se passa”.

O primeiro-ministro, Braima Camará, acrescentou depois que o Governo está sempre aberto ao diálogo.

“Para tranquilizar-vos este é um governo de diálogo. Como disse, e bem, o MNE, na vida há solução para tudo, agora a soberania da Guiné-Bissau deve ser respeitada”, afirmou.

O primeiro-ministro do Governo de iniciativa presidencial, recentemente empossado, citou o Presidente da República da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, para reiterar que “não há Estado pequeno ou Estado grande”.

“A Guiné-Bissau é um Estado soberano e a nossa soberania custou-nos sangue, suor e lágrimas dos combatentes da liberdade da pátria”, enfatizou.

O primeiro-ministro reiterou que, “na base do diálogo, disciplina, rigor”, este “é um governo de diálogo sempre” e afirmou, enquanto chefe do Governo, que a Guiné-Bissau irá dialogar sempre, defendendo a soberania do país.

A decisão do Governo da Guiné-Bissau conhecida, sem avançar as razões da expulsão da comunicação social portuguesa, tem gerado reações nos dois países.

O MNE português repudiou a expulsão, que classificou de “altamente censurável e injustificável”, e disse que vai pedir explicações ao Governo guineense.

O embaixador da República da Guiné-Bissau em Lisboa foi, entretanto, convocado “para explicações e esclarecimentos junto dos Ministério dos Negócios Estrangeiros”. A reunião está prevista para sábado.

As direções de informação da Lusa, RTP e RDP reagiram, em conjunto, à decisão do Governo guineense, que descrevem como “um ataque deliberado à liberdade de expressão”.

As direções de informação exigem que os jornalistas da Lusa, da Rádio e da Televisão da RTP possam continuar a exercer o direito de informar na Guiné-Bissau”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

quinta-feira, 24 de julho de 2025

Estados Unidos da América - Trump, Epstein e o controle da imprensa no país

Até onde irá o presidente Trump, decidido a perseguir a imprensa independente, deixando a impressão de preparar o terreno para governar sem contestação, obter um terceiro mandato e se tornar o primeiro ditador nos EUA, considerado até agora o paraíso da democracia e liberdade?

Essa indagação resulta, entre outras, da atual reação de Trump a uma publicação no Wall Street Journal, acompanhada de um seu desenho lascivo e obsceno do púbis de uma mulher, enviado há alguns anos a Jeffrey Epstein. Por ocasião dos 50 anos do ricaço boa pinta, muitos de seus amigos lhe enviaram, em 2003, uma carta ou uma lembrança para ser integrada num álbum comemorativo, entre elas havia a carta com desenho erótico de Trump.

Essa publicação no Wall Street Journal relançou o caso Epstein, o gestor de fortunas que se tornou milionário, acusado de pedofilia e de utilizar jovens menores numa rede de prostituição de luxo, tendo mesmo comprado para isso uma ilha, onde promovia festas com presença de milionários e políticos. Denunciado por proxenetismo e pedofilia, Epstein teria se suicidado na prisão aos 66 anos, embora exista o rumor de ter sido assassinado para não comprometer gente importante. Trump havia prometido, na campanha eleitoral, revelar os nomes de todos os clientes de Epstein.

Trump entrou com uma queixa por difamação contra o jornal, alegando não saber desenhar, pedindo uma enorme fortuna como indenização moral. Entretanto, a imprensa lembra de ter havido muitos desenhos de Trump vendidos, no começo deste século, chegando mesmo a serem vendidos por alto preço em leilão pelo Sotheby, quando se tornou conhecido como político. Trump mente, mas para não ser desmentido precisa controlar a grande imprensa ou coagir e ameaçar quem puder contar a verdade.

Outra possibilidade é a de provocar novos escândalos para desviar a atenção dos seus seguidores do caso Epstein. O The Washigton Post conta os malabarismos de Trump para desviar a atenção de seus seguidores tratando da ex-administradora da agência USAID, da equipe de futebol Washington Commanders, de uma antiga conspiração contra ele pela administração do governo Obama e criou mesmo um vídeo fake com a prisão de Obama e anunciou a publicação de centenas de documentos sobre o assassinato do pastor Martin Luther King em 1968.

Trump é especialista em criar novos problemas para desviar a atenção das questões que possam embaraçá-lo. O problema atual é o caso Epstein ter provocado descontentamentos na própria base republicana e entre seus seguidores. Uma espécie de feitiço contra o feiticeiro, pois Trump tinha sempre utilizado o caso Epstein contra os democratas.

Como se não bastasse, anulou as credenciais dos jornalistas do Wall Street Journal para terem acesso ao Air Force One, nas viagens presidenciais. Essa não foi a primeira reação contra a imprensa, em fevereiro, Trump havia proibido à agência Associated Press de entrar no Salão Oval da Casa Branca, onde se realizam as entrevistas presidenciais, por um motivo mais ameno: a agência AP se negou a trocar o nome do Golfo do México para Golfo da América como decidido pelo presidente.

Trump mudou também o sistema de acesso privilegiado ao presidente, já existente há muito anos, elaborado com a participação da Associação dos jornalistas na Casa Branca. Eram os próprios jornalistas que formavam um pool para viagens ou encontros especiais com o presidente, criando uma espécie de rodízio entre os jornalistas das principais agências e jornais.

Depois do atrito com a agência AP, o pool, grupo reduzido de jornalistas na Casa Branca, é escolhido pela administração Trump e passou a incluir os mais vistos influenciadores trumpistas de canais e podcasts.

Tudo leva a crer existir um plano de Trump para modular a imprensa norte-americana, reforçando o risco de um controle gradativo da liberdade de informação.

A ironia é ser esse governo, empenhado em jugular a liberdade de imprensa nos EUA, que tenta intervir e utilizar mesmo de chantagem para impedir o julgamento de um ex-presidente e alguns generais envolvidos numa tentativa de provocar um golpe militar e implantar uma ditadura no Brasil. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu “Dinheiro Sujo da Corrupção”, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, “A Rebelião Romântica da Jovem Guarda”, em 1966. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

terça-feira, 29 de abril de 2025

Bolloré, o magnata da imprensa francesa

O Brasil já teve seus empresários donos da imprensa fixando a linha política do país. Basta lembrar dos nomes de Adolph Bloch com Manchete e de Victor Civita com a editora Abril. O panorama mediático da França mostra uma situação semelhante com o surgimento recente de um magnata da imprensa, cujas compras e controle de jornais, revistas e canais de televisão têm o objetivo de influenciar na formação da opinião do eleitorado francês.

Trata-se de um industrial e homem de negócios bretão. Vincent Bolloré, com um objetivo democrata-cristão, mas cujas diretrizes aplicadas nos seus grupos de imprensa e edição vão na direção da extrema-direita de Marine Le Pen e seu escolhido Jordan Bardella.

Suas primeiras medidas ao adquirir ou se tornar majoritário num órgão de imprensa são sempre de demitir os redatores considerados com tendência de esquerda e de acabar com os programas humorísticos ou sérios de análise e crítica política existentes.

Uma de suas iniciativas é bem atual: seu canal de televisão CNews vem promovendo o cardeal guineense Robert Sarah, considerado ultra conservador e reacionário, como o melhor nome para suceder ao Papa Francisco no Conclave, com início no próximo dia 7.

Essa campanha não tem possibilidade de sucesso. Entretanto, Bolloré está jogando pesado numa vitória do Rassemblement National, (partido de extrema-direita) nas eleições presidenciais de 2027, na sucessão de Emmanuel Macron. Se apesar do recurso apresentado à Justiça, Marine Le Pen continuar inelegível, Vincent Bolloré utilizará seu enorme aparelho mediático em favor de Jordan Bardella.

Como se bastasse sua coleção de jornais, revistas, canais de tv e editoras, Vincent Bolloré liderou um grupo de investidores na compra da Escola Superior de Jornalismo de Paris, provocando um manifesto assinado por 650 estudantes de jornalismo, no qual denunciam "uma nova expressão da subordinação da independência jornalística a interesses econômicos, políticos e ideológicos".

O grupo de investidores inclui os proprietários dos principais jornais franceses: Vincent Bolloré (Canal+, Europe 1, CNews, Le Journal du Dimanche, etc.), Bernard Arnaud (Parisien, Echos, Paris Match), Rodolphe Saadé (BFMTV, La Provence), a família Habert-Dassault (Le Figaro).

Os autores do manifesto acentuam que "esse ataque à mais velha escola de jornalismo do mundo é um ataque contra a profissão e isso desde sua formação." Haverá agora o respeito à deontologia jornalística, ao aprendizado da profissão e ao seu exercício? perguntam os estudantes.

E acrescentam: essa intrusão visa utilizar a mídia para assegurar um projeto político conservador e reacionário. De acordo com o jornal Libération, oito bilionários e dois milionários controlam 81% da difusão dos jornais diários nacionais. Cinco bilionários possuem 57% das audiências dos canais de televisão e 47% das rádios nacionais. "Como garantir uma formação de qualidade, completa, livre, independente e pluralista? perguntam os estudantes. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu “Dinheiro Sujo da Corrupção”, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, “A Rebelião Romântica da Jovem Guarda”, em 1966. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.


quinta-feira, 24 de abril de 2025

Morte do Papa mobilizou imprensa e redes sociais

A morte do Papa Francisco, chefe da Igreja Católica com cerca de 1,4 bilhões de seguidores, espalhados por todos os países do planeta com predominância no Brasil, criou uma quase unanimidade de tema nas redes sociais, embora com interpretações diversas e mesmo antagônicas. Uma tal mobilização é rara ou mesmo inédita e merece ser documentada.

Na grande imprensa ocidental, uma vista de olhos mostra uma convergência, ressaltando os traços positivos de um Papa mais próximo dos fiéis católicos, sem uso da distância e ostentação de seus predecessores, disposto a abordar temas controversos e a não rejeitar quem não comungava da mesma fé. E sobretudo sua proximidade dos pobres, dos rejeitados e dos migrantes.

Na sua notícia necrológica, o jornal francês Le Monde acentua a personalidade complexa do Papa Francisco "que se mostrava progressista em certas questões, mas isso, segundo diversos editorialistas, escondia uma doutrina e gestão conservadoras... num pontificado marcado por uma vontade reformadora". A sequência parece óbvia: "depois de Francisco está em questão a abertura da Igreja."  Prestaram homenagem à memória de Francisco, o líder da extrema-esquerda, Jean-Luc Mélenchon, a dirigente dos Verdes, Marine Tondelier e o socialista ex-president, maintenant député, François Hollande.

O jornal romano La Republica, citado por Le Monde, se refere a João Paulo II, Benedito XVI e Francisco como formadores de um trio, no qual "Wojtyla era a alma, Ratzinger era o espírito, e Bergoglio era o coração". Um Papa que se distanciou dos fastos para se aproximar "dos humildes, dos pequenos, dos fracos e dos "escravos".

Essa visão é reforçada na revista de imprensa do jornal suíço Le Temps, precedida pelas inovações trazidas por Francisco para a Igreja Católica: primeiro Papa originário do Novo Mundo, primeiro jesuíta a dirigir a Igreja, primeiro Papa eleito enquanto seu antecessor (o alemão Ratzinger) ainda era vivo. Para o jornal suíço, Francisco se destacou por dar prioridade aos pobres, aos oprimidos e aos esquecidos.

Mas isso não evitou as críticas dos tradicionalistas contra sua abertura, e dos progressistas contra seu conservadorismo.

A extrema-direita francesa detestava Francisco por se preocupar com os imigrantes que se afogavam no Mediterrâneo. Marine Le Pen criticava sua ingerência na política. Éric Zemmour disse que seu pontificado foi uma penitência para certos católicos e Philippe de Villiers chama Francisco de "Papa woke" que "perseguia os cristãos da Igreja tradicional de nossa infância". A extrema-direita tem um candidato para suceder Francisco: é o cardeal guineense Robert Sarah, de 76 anos, defensor conservador das tradições da Igreja e contra todo tipo de reformismo.

The Guardian e The New York Times acentuam sua preocupação pelas pessoas vítimas da guerra, dificuldades econômicas e pelas ameaças das mudanças climáticas. Francisco tentou ser o Papa da inclusão, da defesa das mulheres e da comunidade LGBT.

Nem tudo são elogios. O jornal espanhol El País, citado pelo jornal suíço Le Temps, critica a afirmativa "uma igreja pobre para os pobres", lembrando que o Vaticano tem uma fortuna de 10 a 15 bilhões de dólares. E lembra que a frase em favor dos homossexuais "se uma pessoa é gay, quem sou eu para julgá-la?" foi resumida ao circular pela imprensa. Na verdade, ela era mais restritiva: "se uma pessoa é gay, procura Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?"

Mediapart, também citado, lembra posições reacionárias de Francisco sobre questões de gênero e aborto. E alguns jornais lembraram de notícias que circulavam na Internet, em 2013, desmentidas ou não, na época da eleição do arcebispo Bergoglio para ser Papa.

As mais antigas contavam ter sido Bergoglio o confessor do general Videla, tendo sido criticado por omissão e cumplicidade com a ditadura argentina, que governou o país de 1976 a 1983. Ainda durante essa ditadura, Bergoglio foi acusado de ter traído dois padres acusados de comunistas por realizarem trabalhos sociais, acusação sempre negada.

Papa Francisco nas redes sociais

Praticamente a maioria das redes sociais brasileiras comentaram a morte do Papa Francisco. Como vivemos numa democracia, muitos conservadores católicos, de outra religião ou sem religião utilizaram sua rede social para expressar sua opinião contrária ao Papa.

Destaque para a declaração do ex-presidente Bolsonaro, distribuída pelas redes bolsonaristas, na qual não cita o nome do Papa Francisco num texto anódino que, segundo opinião do jornalista Reinaldo Azevedo, no É da Coisa na Rádio Bandeirantes, não se parece com nada do que diz Bolsonaro. "Bolsonaro não cita o nome do Papa, em atenção à sua base política (os evangélicos, ver transcrição da fala de Azevedo)".

O influenciador gaúcho Eduardo Bueno, conhecido também como Peninha, jornalista, professor, escritor e tradutor, tem um estilo muito especial na apresentação de seus vídeos, tanto no youtube como no instagram. No vídeo que selecionamos, Peninha, pergunta se os que estavam torcendo pela morte do Papa Francisco, vão fazer alguma publicação nos seus canais.

E, assim, ficamos sabendo que certos influencers católicos conservadores e não católicos torciam pela morte do Papa, tendo havido vídeos comemorando quando isso ocorreu. É o caso da vereadora Mariana Lescano, em Porto Alegre, para quem a morte do Papa tem o valor de uma "limpeza espiritual".

O professor Daniel Gontijo procurou ter mais informações e selecionou alguns canais entre as dezenas mostradas pelo Youtube. Vale a pena abrir seu vídeo. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu “Dinheiro Sujo da Corrupção”, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, “A Rebelião Romântica da Jovem Guarda”, em 1966. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.


quinta-feira, 5 de setembro de 2024

Suíça - O choque da transição da imprensa para o digital

Os tempos mudam. Houve uma época em que um ciclista passava diante das casas e jogava o jornal do dia para os assinantes, enrolado com um elástico. Me lembro de meu pai saindo para buscar o leite e o pão e voltando com o jornal do dia, enquanto minha mãe preparava o café.

Isso acabou. A quase totalidade dos que lêem jornal utilizam o celular ou o computador. Uma enorme economia de papel com a desativação das enormes impressoras, seguida de demissões no setor gráfico. Uma realidade mundial, cuja consequência é o fechamento de jornais ou, numa fase inicial, a diminuição de suas tiragens.

Essa transição acaba de ocorrer aqui na Suíça com o grande grupo de imprensa Tamedia. Iniciado em 1893, o grupo cresceu e se estendeu pelos cantões suíços, criando e editando os jornais mais lidos do país. Para se entender sua importância cultural e mesmo política, deve-se lembrar de ter a população suíça uma excelente formação escolar e colegial proporcionada pelo país. O hábito da leitura não só de jornais como de livros faz parte do cotidiano da população.

Dentro desse quadro favorável à expansão, o grupo criou três grandes centros gráficos abastecendo a Suíça em jornais, livros e impressos. Até chegar a transição digital, implicando na redução para um só centro gráfico e diminuição de tiragens dos jornais, mesmo porque muitos assinantes preferem ter acesso à edição online. Para se ter uma ideia, estão ligados direta ou indiretamente aos produtores impressos do grupo Tamedia cerca de 5.5 milhões de pessoas, num total de cerca de quase 9 milhões de habitantes.

As economias com essa transformação devem ser direcionadas para o futuro digital, mas fazem vítimas entre os gráficos e entre os jornalistas e pessoal ligado à imprensa tradicional. O primeiro corte é da ordem de 20% no pessoal. Os mais jovens saberão encontrar se adaptar e encontrar variantes no mundo digital, os outros sofrerão o choque. Esse choque será mais doloroso para os profissionais da Suíça francesa, onde a transição do papel para o digital é mais lenta que na Suíça alemã.

É difícil de se imaginar, mas dois importantes centros de impressão serão desativados e terão suas rotativas imobilizadas, enquanto cerca de 150 gráficos perderão seu emprego, seguidos por mais 50 trabalhando nas redações dos jornais com páginas e tiragens diminuídas. Felizmente essa transição não será imediata e está prevista para ser concluída durante 2026.

Com a existência de um único centro de impressão em Berna, os jornais da região de Zurique e Genebra terão de editar suas edições diárias, fechar mais cedo, no jargão jornalístico, para assegurar o transporte e distribuição dos jornais para os assinantes e centros de venda de jornais, revistas e impressos em geral. Como já ocorre, os assinantes dos jornais online já têm acesso à edição atualizada depois do fechamento da edição destinada à impressão.

A direção de Tamedia, junto com seu plano de transição, assegurou seu objetivo de seguir as inovações da mídia no mundo digital sem perder em termos de jornalismo de qualidade. Depois de vinte anos de adaptações aos modelos de informação, a direção de Tamedia considera ter chegado o momento de mudanças radicais.

Em todo mundo, os grandes grupos de mídia vão se adaptando à transformação digital de seus veículos de informação. Isso também inclui a edição de livros em versões digitais. As salas de cinema sofrem igualmente o impacto da individualização da visão dos filmes por streaming, com consequências num redimensionamento e na importância dos festivais. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

quinta-feira, 22 de agosto de 2024

Mídia: ter sucesso mesmo na morte

Os jornais, televisões, rádios e redes sociais dedicaram grandes espaços e tempos de duração com diferença de alguns dias, no Brasil e na França, para duas notícias necrológicas fora do comum: os falecimentos de um homem de televisão, Sílvio Santos, e de uma star do cinema, Alain Delon.

A língua francesa permite sintetizar esse tipo de passamento apoteótico com a frase "reussir sa mort" bem mais forte e expressivo que a tradução literal "ter sucesso na morte", que soa chocho, pois morte e ter sucesso são palavras que se opõem. Mas não se poderia utilizar "consagração na morte" porque ficaria a impressão de ter sido gloriosa a morte, dando a ideia de um ato heroico no momento de morrer.

Nada disso. Ambos tiveram seu sucesso, o seu reconhecimento durante a vida, mas ao deixarem de viver a mídia lhes prestou homenagens com os meios de que dispõe: manchetes, textos, reportagens, depoimentos, lembranças, vídeos, fotos. Os falecidos, tanto um como o outro, não puderam curtir essa apoteose póstuma como também não tiveram influência na sua programação.

A repercussão na mídia da morte de pessoas populares, ilustres, amadas, famosas, deriva de um trabalho paralelo de programação ignorado pelo público: todos os órgãos de imprensa têm um dossiê, uma biografia atualizada, fotos, tudo preparado para publicar e divulgar no dia da morte das personalidades e artistas mais conhecidos.

Talvez hoje com as novas tecnologias, arquivos e atualização de dados automáticos, não exista mais a figura do repórter mortuário nos grandes jornais, figura importante por garantir o prestígio do órgão junto às famílias enlutadas. No jornal Estadão, como é conhecido o tradicional matutino criado pelo velho e respeitado Mesquita, o dedicado colega responsável pelos obituários, na época em que ali trabalhei, ainda na rua Major Quedinho, acabou integrando no seu nome a sua função. Era o célebre Toninho Boa Morte, encarregado do noticiário fúnebre.

Sua dedicação à sua função vale um parágrafo. Sua dedicação à função garantiu sua popularidade nas redações paulistanas, tanto que ao chegar sua vez de morrer, aos 77 anos em março de 2011, António Carvalho Mendes mereceu destaque no Estadão e na Folha de S. Paulo. Foram mais de 800 mil mortes registradas com zelo durante cinquenta anos de serviço.

No caso de Sílvio Santos, chamou a atenção a maneira com que toda imprensa deu destaque à sua morte tornando-a um luto nacional, por personificar o homem comum e ser uma expressão da cultura popular brasileira. O luto francês e de certa forma europeu e mesmo internacional foi mais sofisticado, Alain Delon sintetizava o gosto refinado, artístico da cultura cinematográfica francesa personificado no que se convencionou considerar seu melhor ator, elevado à condição de star.

A televisão cria líderes populares, dotados é claro de poder de comunicação e de carisma, e Sílvio Santos conseguiu se tornar parte da família da maioria dos brasileiros, com sua presença na tela dos televisores. Politicamente era de direita mas sabia conviver com Lula e Dilma, como soubera com os ditadores militares.

Isso tem um nome, mas não importa, até petistas ficaram tristes no dia de sua morte e compartilharam isso nos seus whatsapps. A revista Veja fala dessa política do beija-mão do dono da SBT, que incluiu também o presidente Bolsonaro.

E pouca gente se lembrou de criticar o Baú da Felicidade que, no seu canal Youtube, Leonardo Stoppa, chama de Baú da Infelicidade. Celso Lungaretti lembra o vendedor de bugigangas na Praça da República, fala de sua mãe, embrulhada na ilusão do Baú da Felicidade e, no seu blog Náufrago da Utopia, pergunta: "mas por que fez tanto sucesso, apesar de ser o pior tipo do sanguessuga, aquele que chupa o sangue das coitadezas? Porque quem na conversa vende algodão por veludo sempre se dá bem no Brasil, onde tem bobo pra tudo". Paulo Ghiraldelli, no seu Canal, lembra também de seu pai, enganado pelo camelô Silvio Santos.

Alain Delon era o cinema francês, a expressão visual nas telas do saber artístico dos grandes realizadores do cinema com a beleza, malícia, atração dos excessos sexuais sugeridos mais a brutalidade cativante dos gângsters franceses. Delon era o homem francês e o que as mulheres pensavam e desejavam desse homem refletido no seu olhar que podia ser cínico e cruel.

De origens modestas, tanto Sílvio quanto Alain conseguiram surpreender com sua força e expressão natural. Sílvio, um vendedor de bugigangas como camelô nas praças paulistanas, encontrou seu público maior na televisão popular; Alain, mau aluno expulso de diversas escolas, era manhoso, esperto, sabia enganar. Seria um péssimo açougueiro, profissão a que seu tio lhe destinava. Viver o que não era e o que era, como excelente ator, foi seu tremendo sucesso.

Mas possuía também seu lado secreto mau e misterioso, que fortalecia sua imagem. Durante anos toda imprensa francesa seguiu seus passos, tentando decifrá-lo no famoso escândalo do seu amigo iugoslavo Markovic, encontrado morto num depósito de lixo. Uma história envolvendo até a esposa do primeiro-ministro e depois presidente francês Pompidou. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

Macau - Comunicação social em português e inglês faz papel de ponte com a população

Ho Iat Seng afirmou, no habitual almoço do Governo com os órgãos de comunicação social de língua portuguesa e inglesa por ocasião do Ano Novo Lunar, que o sector tem “desempenhado o papel de ponte” entre as autoridades e a população. O Chefe do Executivo assegurou que o Governo continuará, “como sempre”, a salvaguardar a liberdade de imprensa e a apoiar a comunicação social

Realizou-se o habitual almoço de Ano Novo Lunar oferecido pelo Governo aos órgãos responsáveis dos órgãos de comunicação social de língua portuguesa e inglesa. Na ocasião, o Chefe do Executivo destacou o “papel de ponte” dos órgãos em português e inglês.

“Os profissionais dos órgãos de comunicação social de língua portuguesa e inglesa de Macau assumem as suas responsabilidades com profissionalismo, têm desempenhado o papel de ponte, reflectindo as vozes da população, apresentam sugestões e achegas e dão colaboração, o que contribui relevantemente para o trabalho do Governo da RAEM nas diferentes tutelas”, afirmou Ho Iat Seng no discurso proferido na ocasião, aproveitando para manifestar o seu “sincero agradecimento a todos aqueles que fazem parte dos órgãos de comunicação social de língua portuguesa e inglesa”.

Ho descreveu também os órgãos de comunicação social em português e inglês como “veículos importantes de proximidade para a comunidade portuguesa e inglesa local e no exterior aceder à informação”, noticiando “extensivamente as novas dinâmicas e os novos desenvolvimentos na RAEM, bem como as actividades de intercâmbio do Governo da RAEM com o exterior, facto que veio a fortalecer o conhecimento e confiança do exterior em relação ao desenvolvimento da RAEM, elevando o renome de Macau”.

O Chefe do Executivo lembrou também que, após os três anos de restrições pandémicas, a primeira visita ao exterior de uma delegação do Governo da RAEM foi a Portugal: “Esta visita teve um significado muito importante, pois para além de ter intensificado o contacto de Macau com o exterior, reflectiu ainda mais o papel de Macau como plataforma entre a China e os países de língua portuguesa, bem como concretizou os objectivos de reforçar as relações amigáveis, aprofundar a cooperação em diferentes áreas e explorar novas oportunidades de cooperação”.

Lembrando que no ano passado os órgãos de comunicação social de língua portuguesa e inglesa foram convidados a visitar a Grande Baía e também o Tibete, Ho salientou que, estando sediados em Macau, “estão próximos da China e virados para o mundo”.

O líder do Governo assinalou também que este ano se comemora o 75.º aniversário da implantação da República Popular da China e também o 25.º aniversário do estabelecimento da RAEM. “Espero que o sector da comunicação social de língua portuguesa e inglesa continue a desempenhar bem o papel de ponte, a desenvolver as vantagens linguísticas e culturais, apoiar a acção governativa, promover a divulgação ampla dos grandes eventos e actividades do 25.º aniversário do estabelecimento da RAEM, e contribuir de forma mais empenhada  para a exploração de mercados de turistas no estrangeiro, o fomento de oportunidades de cooperação para as quatro indústrias prioritárias e a divulgação das perspectivas de desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada e da Grande Baía”, disse Ho, sublinhando que o Governo irá esforçar-se junto da comunicação social “para que mais pessoas possam conhecer melhor a implementação bem-sucedida do princípio ‘um país, dois sistemas’ em Macau, compreender o papel importante de Macau como plataforma entre a pátria e os países de língua portuguesa, e para que seja demonstrada a coexistência e harmonia multicultural que caracteriza Macau”.

“O Governo da RAEM continuará, como sempre, e em cumprimento da Constituição e da Lei Básica de Macau, a salvaguardar a liberdade de imprensa, a apoiar a comunicação social no exercício das suas funções e responsabilidades, dando apoio de forma activa ao trabalho de cobertura noticiosa”, frisou Ho.

Na ocasião, o Chefe do Executivo aproveitou para assinalar que este ano também se vão concretizar os objectivos da primeira fase de desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada, e é também o ano do início da implementação do Plano de desenvolvimento da diversificação adequada da economia da Região Administrativa Especial de Macau (2024 – 2028). Além disso, o Governo está a participar nos trabalhos preparatórios da VI Conferência Ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os países de língua portuguesa (Macau) e na organização da 7.ª reunião da Comissão Mista Macau-Portugal, “para alargar ainda mais o papel de Macau como  plataforma  entre a China e os Países de Língua Portuguesa, contribuindo para elevar a qualidade e o nível da cooperação económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa”.

O Chefe reiterou também que o Governo da RAEM “irá defender, com um esforço acrescido e firmeza, a segurança nacional e a estabilidade social, concretizar de forma acelerada as principais tarefas e os projectos prioritários consagrados no Plano ‘1+4’, acelerar o progresso da construção da Zona de Cooperação Aprofundada e impulsionar efectivamente o desenvolvimento de alta qualidade da economia de Macau”. “Vamos continuar a melhorar o bem-estar da população, a promover a harmonia social, a elevar constantemente o nível e a capacidade da governação, a resolver empenhadamente os conflitos e problemas profundamente arreigados no desenvolvimento socio-económico, a potenciar plenamente as vantagens únicas de Macau, a aprofundar a integração de Macau na conjuntura do desenvolvimento nacional e a impulsionar um novo desenvolvimento da RAEM em todas as vertentes”, sublinhou. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”


sexta-feira, 14 de julho de 2023

Guiné-Bissau - Bastonário da Ordem dos Jornalistas lamenta fecho das emissões da RTP e RDP/África no país

Bissau – O Bastonário da Ordem dos Jornalistas da Guiné-Bissau (OJGB), António Nhaga lamentou o fecho das emissões da Rádio Televisão Portuguesa (RTP) e Rádio Difusão Portuguesa (RDP/África), que segundo diz,  “não abona em nada para a imagem do país”.

Em entrevista exclusiva concedida esta quinta-feira à ANG, António Nhaga sustentou que a liberdade de expressão é fundamental para o exercício democrático, acrescentando que não é benéfico para o país se os órgãos de comunicação social estão sendo fechados.

“Estou convencido de que tudo o que a Guiné-Bissau podia ganhar com a realização da Cimeira da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) está manchada. Porque, de facto, sair da realização da Cimeira da CEDEAO e Sessão Extraordinária da UEMOA digamos que ganhamos uma imagem, mas a seguir fecharmos a Rádio e a Televisão. Isso não abona para realização da democracia”, frisou.

O Governo guineense exigiu, em comunicado, tornado público no passado dia, 09 do corrente mês, a reposição da verdade sobre todas as injúrias, difamações e acusações, termologias que diz serem “levianamente proferidas” nos canais da RTP e RDP/África contra o Chefe de Estado Umaro Sissoco Embaló, sob pena de tomar “medidas retificadoras”.

Na quarta-feira a noite, segundo uma fonte da RTP/Africa, os dois serviços de comunicação social portugueses receberam ordem de fecho das suas emissões. A fonte da RTP/Africa disse que lhe foram dito que o fecho das duas emissões teria sido decidido   por “Ordem Superior”.

Para o Bastonário da Ordem de Jornalistas da Guiné-Bissau, a democracia exige liberdade de expressão, exige ainda ter órgãos de comunicação social onde as pessoas possam exprimir, e Nhaga salienta que se uma pessoa exprimir num programa da RTP ou RDP isso não pode impedir o Presidente da República e nem ninguém de exercer as suas funções.

O fecho dos órgãos de comunicação social, de acordo com o Nhaga, não dignifica o Estado Democrático que se quer construir no país, e sobretudo órgãos internacionais, porque a decisão vai ter efeitos na imagem externa do país.

António Nhaga sublinhou que nesse momento “quer queiramos ou não as pessoas vão dizer que não há democracia porque fecham rádios, e questiona se a RDP e RTP/África não estão noutros países dos PALOP, e diz que estão, mas nunca são fechadas e que de facto, os Presidentes tomam medidas caso necessário.

Para o comunicador, esse tipo de decisões pode comprometer as relações entre a Guiné-Bissau e Portugal.

“Portugal é um país que tem grande influência no mundo, é ouvido quendo cada vez que há problemas nos PALOP. Dizem que é quem colonizou e conhece melhor as suas colónias. Não é por acaso que dissemos que tudo que é nosso que vai passar pelo plano internacional passa por Portugal”, salientou.

António Nhaga adverte que Portugal pode ajudar o país a fazer corredores nas Nações Unidas, União Europeia, mas se houver mal-estar pode também bloquear, sustentando que Portugal pode não fazer esse bloqueio direto, mas há tentáculos onde pode contornar e fazer o que quer.     

Lamentou ainda que no país as pessoas não têm a noção de que a imprensa é fundamental para a democracia e para a construção de boa imagem de um país. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau