Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 10 de abril de 2026

Macau - Governo garante “condições favoráveis” na cooperação tecnológica com os Países de Língua Portuguesa

O Governo da RAEM promete aprofundar a cooperação científica e tecnológica com os países lusófonos, nomeadamente Portugal e Brasil. Para além disso, apoiará a criação conjunta de plataformas de alto nível, bem como a realização regular de actividades como intercâmbios académicos e visitas de investigação científica


A criação de “condições favoráveis” para aprofundar a cooperação em investimento e financiamento entre a China e os países de Língua Portuguesa (PLP) é uma garantia dada pelo Governo, com o objectivo de fomentar o desenvolvimento de alta qualidade do sector científico e tecnológico da RAEM. Nesse sentido, o Executivo “continuará a aprofundar a cooperação científica e tecnológica com os PLP, nomeadamente Portugal e o Brasil, implementando, de forma regular, um programa conjunto de apoio financeiro à investigação científica com o Brasil”, segundo refere o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia (FDCT) em resposta a uma interpelação do deputado Si Ka Lon.

No documento, o presidente do Conselho de Administração do FDCT, U U Sang, assevera que “adicionalmente, o Governo apoiará a criação conjunta de plataformas de investigação científica de alto nível, bem como a realização regular de actividades como intercâmbios académicos e visitas, com o intuito de impulsionar a implementação de mais projectos conjuntos de investigação científica”.

O FDCT salienta que, ouvidos o Gabinete do Secretário para a Segurança, a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) e a Autoridade Monetária (AMCM), “têm vindo a ser adoptadas diversas medidas para promover o intercâmbio e a cooperação entre Macau e Portugal nas áreas de ciência e tecnologia”, lembrando que, no ano passado, o Fundo alargou os seus trabalhos nalgumas vertentes principais.

O organismo frisa que, desde a criação do “Centro de Cooperação e Intercâmbio de Ciência e Tecnologia entre a China e os PLP”, a DSEDT tem apoiado a associações cívicas de Macau na realização de diferentes tipos de actividades, incluindo concurso de inovação e empreendedorismo, roadshows e seminários. Esse suporte, “cria oportunidades de intercâmbio entre as empresas tecnológicas e as instituições de ensino superior de Macau e do Interior da China com o sector dos PLP, promovendo assim a cooperação entre ambas as partes”.

A FCDT menciona na resposta ao deputado que a DSEDT tem vindo também a prestar assistência e apoio ao sector da ciência e tecnologia internacional que pretende desenvolver-se em Macau, incluindo os PLP. “Através do aperfeiçoamento contínuo das estruturas institucionais e da optimização do ambiente para as indústrias da inovação tecnológica”, podem ser atraídas mais empresas de tecnologia estrangeiras para se desenvolverem no território, sustenta.

Por outro lado, o Governo reforçou igualmente a divulgação externa do ambiente e das medidas de apoio do mercado financeiro de Macau, “lançando medidas de benefícios fiscais competitivas, com vista a atrair ainda mais sociedades de gestão de fundos de investimento, tanto nacionais como estrangeiras, a estabelecerem-se em Macau”, sublinha o FCDT.

O Fundo adianta que, até ao momento, a AMCM celebrou acordos bilaterais de cooperação com 12 autoridades de supervisão financeira de oito países de expressão lusa, o que contribui para promover a cooperação de investimento e financiamento entre a China e os países lusófonos. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Portugal - Estudante da Universidade de Coimbra desenvolve modelo de IA para descoberta e otimização de fármacos

Yanan Tian, aluna do Programa de Doutoramento Conjunto entre a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e a Macao Polytechnic University (MPU), desenvolveu um modelo de inteligência artificial (IA) que visa a descoberta e otimização de fármacos.

Esta investigação, publicada na revista Nature Communications, foi realizada sob a orientação dos professores Joel P. Arrais, do Departamento de Engenharia Informática da FCTUC, e Huanxiang Liu, da MPU, no âmbito do programa Dual Doctoral Degree MPU-UC, que visa promover a cooperação científica e a formação avançada entre Portugal e Macau.

As proteínas quinases constituem uma das classes de alvos terapêuticos mais relevantes na investigação biomédica. O seu potencial resulta do papel central que desempenham na regulação de múltiplos processos celulares, incluindo proliferação, diferenciação e morte celular. No entanto, o desenvolvimento de inibidores altamente seletivos continua a ser um desafio, devido à forte conservação estrutural entre as quinases e ao elevado custo dos ensaios experimentais.

«Este trabalho propõe o modelo MMCLKin, uma estrutura baseada em métodos de IA avançada, concebida para prever com elevada precisão e interpretabilidade a atividade e seletividade de inibidores de quinases, acelerando significativamente o processo de descoberta e otimização de novos fármacos direcionados», explica Yanan Tian.

O MMCLKin combina redes de grafos geométricos, modelos de linguagem para sequências proteicas e mecanismos de atenção multicanal para identificar as características críticas das interações entre quinases e fármacos. «Os resultados demonstram que o modelo supera os métodos existentes na previsão da afinidade e seletividade de inibidores, mesmo em casos que envolvem estruturas desconhecidas ou quinases mutadas», afirma Joel P. Arrais.

De acordo com os autores do estudo, os ensaios biológicos ADP-Glo validaram o poder preditivo do modelo, demonstrando que cinco compostos sugeridos pelo MMCLKin inibem de forma eficaz a mutação LRRK2 G2019S, associada a doenças neurodegenerativas, sendo quatro deles ativos em concentrações nanomolares. Estes resultados reforçam o potencial do MMCLKin como ferramenta para acelerar o desenvolvimento de terapias direcionadas, abrindo novas perspetivas para o desenho racional de fármacos com maior seletividade e eficácia clínica.

«A abordagem proposta representa um avanço na aplicação da Inteligência Artificial à descoberta de fármacos, demonstrando como modelos computacionais de nova geração podem reproduzir in silico processos biológicos complexos que, de forma experimental, podem demorar anos ou mesmo décadas. O MMCLKin exemplifica como modelos baseados em IA conseguem simular e compreender interações moleculares com um grau de detalhe que permite prever a atividade e a seletividade de inibidores com elevada precisão», sublinham  

Esta capacidade permite a identificação rápida de candidatos terapêuticos promissores, reduzindo significativamente o tempo e o custo da investigação farmacêutica. Para além do seu impacto imediato, o MMCLKin abre novas direções de investigação no campo da modelação de quinases, ao proporcionar um quadro unificado para analisar padrões estruturais, mutacionais e funcionais ao longo de toda a família de quinases humanas.

«Este tipo de abordagem pode evoluir para modelos generalistas capazes de antecipar o comportamento de novas quinases — incluindo aquelas ainda sem estrutura identificada — e apoiar o desenho racional de terapias seletivas e personalizadas em diversas áreas, desde o cancro às doenças neurodegenerativas», concluem. Universidade de Coimbra - Portugal


sábado, 6 de dezembro de 2025

Macau - “Livro Branco” delineia desafios, avanços e papel da RAEM na cooperação sino-lusófona

A Universidade da Cidade de Macau apresentou o “Livro Branco sobre a Cooperação Científica e Tecnológica entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, de Bárbara Pinto de Morais. A investigadora identificou um conjunto de desafios para as relações sino-lusófonas, reconhecendo alguns progressos, e deixa sugestões para o papel de Macau enquanto plataforma de ligação


A cooperação científica sino-lusófona “atravessa uma fase de transformação significativa”, de acordo com Bárbara Pinto de Morais, investigadora e autora do recente Livro Branco sobre a Cooperação Científica e Tecnológica entre a China e os Países de Língua Portuguesa (PLP). A publicação, que foi apresentada esta semana pela Universidade da Cidade de Macau, identifica a “existência de assimetrias de financiamento, barreias institucionais e constrangimentos geopolíticos” como os principais desafios para as relações sino-lusófonas.

Contudo, Bárbara Pinto de Morais reconheceu a consolidação de “parcerias em sectores de alta tecnologia” entre Portugal e Brasil e os esforços que os países africanos de língua portuguesa e Timor-Leste tem centrado “em programas de capacitação e desenvolvimento social”. Além disso, a autora defende que a economia azul constitui “uma área de elevado potencial para a cooperação futura”, refere um comunicado de imprensa.

O Livro Branco inclui também quatro linhas condutoras para a RAEM, nomeadamente “a modernização da função de Macau enquanto plataforma sino lusófona”, “a construção de um polo internacional de inovação envolvendo Macau, a Grande Baía e os PLP”, “a implementação de um sistema integrado de formação de talento bilingue e especializado” e o “reforço das ligações económico-tecnológicas, com vista a posicionar Macau como ‘hub’ do ‘Sul Global’”.

O Instituto para a Investigação sobre os Países de Língua Portuguesa, entidade que organizou a apresentação do livro, salientou que o livro “representa o primeiro estudo consolidado em Macau dedicado à análise sistemática da cooperação científica e tecnológica entre a China e os nove PLP”. Para o Instituto, o Livro Branco constitui “uma nova linha de investigação contínua”.

João Simões, professor do Instituto, referiu que “o Livro Branco nasceu num momento de intensificação acelerada da competição tecnológica global e de crescente reconhecimento de que a ciência e a tecnologia deixaram de ser simples instrumentos de desenvolvimento”.

Por seu turno, o professor Ip Kuai Peng, vice-reitor da Universidade da Cidade de Macau e director do Instituto, afirmou que “a instituição tem desempenhado um papel estruturante na formação de talentos qualificados e na produção de conhecimento orientado para o desenvolvimento sustentável das relações entre a China e o espaço lusófono”.

Para o vice-reitor, “a cooperação sino-lusófona em ciência e tecnologia tornou-se uma força motriz essencial para o aprofundamento de parcerias multilaterais”.

Zhou Ping, director do Centro de Investigação “Belt and Road” da Universidade da Cidade de Macau disse esperar que “as conclusões do estudo possam servir de referência prática para decisores públicos e operadores económicos na promoção de uma cooperação mais equilibrada e sustentável”. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Timor-Leste - Universidade de Coimbra vai formar funcionários parlamentares

A Universidade de Coimbra (UC) estabeleceu um acordo de cooperação académica, científica e cultural com o Parlamento timorense neste dia 18, que vai permitir ajudar na formação de funcionários parlamentares, em Timor-Leste, a partir de 2023.

“O protocolo consiste fundamentalmente no desenvolvimento de recursos humanos do Parlamento Nacional [de Timor-Leste], por sermos um Parlamento jovem, que completou recentemente 20 anos. Precisamos de consolidar conhecimentos técnicos para melhor servir o Parlamento Nacional e, consequentemente, o país”, explicou o secretário-geral do Parlamento timorense, Adelino Afonso de Jesus.

Durante a assinatura do acordo de cooperação académica, científica e cultural com o Parlamento de Timor-Leste, que decorreu na sala do Senado da Universidade de Coimbra, Adelino Afonso de Jesus sublinhou que a escolha deste estabelecimento de ensino superior teve por base “toda a sua experiência”.

“A nossa escolha recaiu na Universidade de Coimbra, porque se trata de uma universidade secular. Desde a minha infância que ouvia este nome”, acrescentou.

Já o vice-reitor da UC para as Relações Externas e Alumni, João Nuno Calvão da Silva, realçou a importância deste protocolo, que é mais um passo no estreitar das relações entre a UC e Timor-Leste.

“É um protocolo especialmente importante do ponto de vista simbólico, por ser no ano em que comemoramos os 20 anos da independência de Timor-Leste. O facto de ser um protocolo com o Parlamento Nacional timorense, a Casa do Povo de Timor-Leste, mostra a sua importância”, evidenciou.

De acordo com o vice-reitor da UC, foram formalizados dois instrumentos internacionais, sendo um deles com um conteúdo mais geral e outro uma prestação de serviços.

“Um com conteúdo mais geral que visa dar uma base de trabalho para toda e qualquer cooperação académica, científica e cultural que Timor-Leste deseje ou necessite e que a Universidade de Coimbra seguramente cobrirá. A UC é uma universidade que cobre todas as áreas de conhecimento, tem oito faculdades e imensos centros de investigação”, sustentou.

O outro instrumento, uma prestação de serviços, tem detalhadas todas as condições contratuais, em termos operacionais, financeiros e datas.

“Na última semana de janeiro de 2023 teremos a primeira ação de formação avançada intensiva, no Parlamento Nacional, em Dili, que será ministrada pela Faculdade de Direito, pelo professor catedrático e diretor da Faculdade de Direito, Jónatas Machado, na matéria de Legística, uma matéria estruturante para qualquer estado”, informou.

No seu entender, a assinatura destes instrumentos é mais um passo para reforçar a UC no espaço falante de língua portuguesa, uma aposta estratégica delineada por esta reitoria.

“Temos tido imensas ações com países africanos de língua oficial portuguesa, com cursos de formação avançada para magistratura e altos quadros da administração pública, com Angola, Moçambique, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, também com o Brasil. Faltava Timor-Leste, que a pandemia tinha dificultado”, admitiu.

João Nuno Calvão da Silva aludiu ainda a um protocolo alargado, assinado com o Ministério da Justiça de Timor-Leste, em 2019, antes da pandemia, para formação de 20 magistrados, que previa formação na UC, durante alguns meses, primeiro para aperfeiçoamento do português e depois em matérias de Direito.

“O acordo implicava a presença, mas com a pandemia foi impossível de concretizar, voltando a ser renegociado quando a pandemia permitiu, e tendo mesmo sido alargado a notários e conservadores. Mas as vicissitudes internas [em Timor-Leste] levaram à demissão desse ministro e substituição por outro”, alegou.

Apesar dos contratempos, o vice-reitor deixou a garantia de que este acordo voltará a ser renegociado, para dar continuidade à formação que estava prevista.

A UC conta, este ano letivo, com a frequência de aproximadamente uma centena de alunos de Timor-Leste. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

 

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Brasil – Unesp participa de demonstração de conexão ultrarrápida entre América do Sul e Europa

Nova ligação submarina de internet vai acelerar cooperação científica entre SPRACE e o maior acelerador de partículas do mundo


Embora América do Sul e Europa continuem separados por um oceano, a distância digital entre os dois continentes começou a se estreitar em fins de agosto. No dia 30, durante a conferência digital TICAL 2021, ocorreu a inauguração do EllaLink, um cabo de fibra ótica implementado pelo consórcio científico BELLA que conecta diretamente Fortaleza, no Ceará, à cidade de Sines, no litoral de Portugal.

Como parte dos procedimentos de inauguração, a equipe do São Paulo Regional Analysis Center (SPRACE), projeto ligado ao Núcleo de Computação Científica (NCC) da Unesp, conduziu uma série de experimentos para demonstrar o potencial do novo cabo, o qual tem potencial para impactar a colaboração científica entre as duas margens do Atlântico. Durante os experimentos, foram transmitidos dados entre São Paulo e Lisboa, onde está instalado o Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP), e entre São Paulo e as instalações do Centro Europeu para Pesquisas Nucleares (CERN). A taxa de transmissão de dados entre São Paulo e os centros de pesquisa europeus alcançou os 100 gigabits por segundo, propiciando um ganho de quase 10 vezes sobre a atual velocidade de transmissão.

Atualmente, a conexão entre o CERN e o SPRACE se dá através de redes que conectam a Europa com as cidades de Nova York e Washington, nos EUA. De lá, os dados trafegam por Atlanta e depois Miami, também nos EUA, antes de chegarem ao Brasil (veja mapa abaixo). Com o cabo EllaLink, os dados viajam por 6,2 mil quilômetros através do Atlântico, a uma profundidade que pode chegar a 4 mil metros, desde a costa brasileira até a Europa. Com a redução de percurso, o tempo para que um pacote de dados viaje de São Paulo até as instalações do CERN e retorne caiu, em valores médios, de 0,256 segundo para 0,106 segundo, menos da metade do valor atual.


A demonstração envolveu o apoio e a infraestrutura de duas redes brasileiras, a rede acadêmica paulista, ou Research and Education Network at São Paulo (Rednesp), e a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). Financiada pela Fapesp, a Rednesp chamava-se ANSP até 2020, tendo sido a primeira instituição nacional com acesso à internet. Usando equipamentos ópticos desenvolvidos pela empresa brasileira Padtec, os dados gerados em servidores no NCC foram transmitidos até os ativos de rede da Rednesp, instalados no datacenter da Equinix na cidade de Barueri. Equipamentos de rede de última geração da RNP e da RedClara foram responsáveis por permitir a transmissão entre São Paulo e Fortaleza, onde se situa o link para o cabo submarino do programa BELLA. A transmissão da inauguração da rede contou com a presença do vice-Ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação, Sérgio Freitas.

Entre os parceiros europeus, a demonstração envolveu o Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas e a Infraestrutura Nacional de Computação Distribuída, ambos de Portugal, e da rede multi-gigabit GÉANT, a principal rede de ensino e pesquisa da Europa. Na América Latina, houve o apoio da Cooperação Latino-Americana de Redes Avançadas (RedClara). O consórcio BELLA é integrado por GÉANT, RedClara e RNP, e investiu 25 milhões de euros no cabo, dos quais 7,5 milhões foram custeados diretamente pela RNP. A maior parte do investimento, estimado em 150 milhões de euros, foi custeada pelo fundo de ações pan-europeu Marguerite II. O novo cabo permitirá a comunicação rápida entre a Europa e sete países ligados a RedClara.

“A nova conexão permitirá pesquisas de alta qualidade, e possibilitará que a comunidade de pesquisadores de física de altas energias responda aos requisitos demandado pelo LHC em sua nova fase, em termos de taxas e volumes de transferência de dados” diz Mário Reale, que atua como senior research engagement officer no Geant. “A GÉANT e a RedCLARA, juntamente com a RNP, a Rednesp, a FCCN e outras redes europeias e sul-americanas, estão empenhados em continuar colaborando estreitamente para alcançar este objetivo, como têm feito com sucesso nos últimos anos.”

Conexão ultrarrápida é essencial para trabalho com o CERN

Além da competência técnica, a escolha do SPRACE para participar do evento de lançamento esteve ligada também ao fato de que o projeto com certeza será um dos principais usuários do programa BELLA, dentre todos os institutos e grupos de pesquisa do continente sul-americano. “O SPRACE já é um dos maiores utilizadores de rede na América do Sul, devido à colaboração com o CERN “, explica o coordenador-chefe da Coordenadoria de Informação da UNESP, Ney Lemke, que é também um dos diretores da Rednesp.

O CERN, situado em Genebra, abriga uma das mais sofisticadas infraestruturas de pesquisa do planeta, se não a mais: o acelerador de partículas Large Hadron Collider (LHC). Em seus experimentos, o LHC realiza colisões de “grupos” de prótons de altas energias a cada 25 nanosegundos. Estas colisões são monitoradas por nada menos do que 150 milhões de sensores, e o resultado é a produção anual estimada de 30 petabytes de dados brutos (um petabyte equivale a um milhão de gigabytes). Para processar tantos dados, o CERN utiliza um sistema de computação distribuída, o Worldwide LHC Computing Grid, que mobiliza 170 nós e 300 mil unidades de processamentos espalhadas por centros de processamento de dados em 40 países. A cada ano, o SPRACE recebe o equivalente a 9 petabytes de dados brutos para processar, e retorna 3 petabytes de dados processados ao CERN. “Sem uma estrutura de computação nestes moldes, levaria décadas para que os pesquisadores pudessem processar os dados que o LHC gera”, explica o professor Sérgio Novaes, coordenador do SPRACE. Parte das ferramentas de software usadas no experimento são as mesmas usadas pela colaboração CMS, responsável por um dos quatro grandes detectores em atividade no acelerador.

Atualmente, o LHC passa por um processo de “upgrade” que vai aumentar exponencialmente sua capacidade de realizar colisões de prótons. A previsão é que isso irá gerar um aumento de até 20 vezes o total de dados que são gerados atualmente.

“Essa conexão de alta velocidade será essencial para que possamos continuar colaborando com a análise e o processamento de dados do CERN neste novo período, que deve começar a partir de 2026”, diz Novaes.

“A participação do SPRACE foi considerada em função de nossa experiência em experimentos de transferência de dados durante as conferências anuais de supercomputação com Caltech e vários outros parceiros internacionais, que já resultaram em três recordes, em 2004, 2009 e 2016, respectivamente a 1G, 10G e 100Gbps”, diz Rogério Iope, engenheiro de sistemas e pesquisador do NCC/Unesp, que participou da demonstração.

“Investimentos constantes ao longo dos anos da Rednesp, da Reitoria e de projetos como o SPRACE e o GridUnesp garantiram à Unesp uma solução satisfatória para o problema da última milha, termo que define a conexão entre o provedor de acesso à internet (no nosso caso, Rednesp e RNP) e as instituições clientes”, diz ele.

Lemke lembra que os benefícios não necessariamente vão se restringir ao universo dos pesquisadores. “De uma hora para outra, vamos poder ganhar muito tempo no trânsito de dados entre os dois continentes. E vivemos numa era em que os dados são um elemento crítico. Diversos processos que se tornarão mais rápidos, causando efeitos positivos na vida de muita gente”, avalia. Pablo Nogueira – Brasil in “Jornal da Unesp”