Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Tratamento. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Tratamento. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Portugal - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde lidera projeto para inovar no tratamento do glioblastoma

Projeto para desenvolver nanomedicinas ativadas por ultrassons recebeu financiamento de 150 mil euros do Programa UT Austin Portugal


Uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto recebeu financiamento do Programa UT Austin Portugal para desenvolver um projeto orientado para o «Tratamento do glioblastoma através de nanoterapias baseadas em estruturas orgânicas ligadas por pontes de hidrogénio para libertação local de bevacizumab ativada por ultrassons». Este projeto foi um dos selecionados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) no âmbito de uma iniciativa de colaboração internacional com a University of Texas at Austin (UT Austin).

Com um financiamento total de 150 mil euros, dos quais 50 mil euros são assegurados pela FCT e 100 mil euros pela UT Austin, o projeto resulta de uma colaboração entre o grupo de investigação Nanomedicines & Translational Drug Delivery do i3S e o Department of Biomedical Engineering da universidade norte-americana, sendo coordenado em Portugal por Bruno Sarmento e, nos EUA, pelo investigador e professor Huiliang Wang.

“O projeto pretende desenvolver uma nova geração de nanomedicinas inteligentes para o tratamento do glioblastoma, um dos tumores cerebrais mais agressivos e difíceis de tratar”, explica Ana Catarina Pacheco, investigadora do i3S.

A estratégia combina nanopartículas inovadoras com ultrassons direcionados para permitir a libertação localizada e controlada de bevacizumab. Este medicamento reduz a formação de vasos sanguíneos que alimentam o tumor e promovem o seu crescimento.

A equipa vai recorrer a estruturas orgânicas ligadas por pontes de hidrogénio (Hydrogen-bonded Organic Frameworks, HOF), materiais supramoleculares altamente biocompatíveis capazes de encapsular proteínas terapêuticas e responder a estímulos externos. Quando expostas a ultrassons direcionados, estas nanopartículas sofrem alterações estruturais que desencadeiam a libertação do fármaco apenas na região do tumor.

“Esta abordagem permite separar a distribuição sistémica do medicamento da sua ativação terapêutica”, acrescenta a investigadora do i3S Cláudia Martins.

“O bevacizumab circula encapsulado e inativo no organismo, sendo libertado apenas no local pretendido através da aplicação de ultrassons. Desta forma, espera-se reduzir significativamente os efeitos adversos associados à terapêutica convencional e aumentar a eficácia do tratamento”, conclui.

Combater o glioblastoma com “maior precisão terapêutica”

O glioblastoma caracteriza-se por uma elevada vascularização e por uma grande resistência aos tratamentos atualmente disponíveis. Embora o bevacizumab seja utilizado na prática clínica para controlar a progressão da doença, a sua administração sistémica pode provocar várias complicações, incluindo hipertensão, formação de coágulos sanguíneos e hemorragias. Além disso, o cérebro possui uma barreira protetora que limita a quantidade de medicamento que chega ao tumor.

Para ultrapassar estes desafios, os investigadores vão desenvolver e otimizar nanopartículas capazes de transportar o fármaco de forma segura até ao cérebro e libertá-lo apenas depois de ativado por ultrassons. O projeto inclui estudos em modelos celulares 3D e em modelos animais de glioblastoma, permitindo avaliar a eficácia terapêutica, a segurança sistémica e o impacto da estratégia na progressão tumoral e na sobrevivência.

Segundo Bruno Sarmento, este financiamento representa também uma oportunidade para consolidar uma linha de investigação que o grupo tem vindo a desenvolver nos últimos anos na área da nanomedicina para o tratamento de tumores cerebrais.

“Este projeto permitirá dar continuidade ao trabalho que temos realizado no desenvolvimento de sistemas avançados de libertação de fármacos para o glioblastoma, explorando agora uma abordagem inovadora que combina nanotecnologia e ultrassons para alcançar uma maior precisão terapêutica”, explica o líder do grupo de investigação.

O Concurso de Projetos Exploratórios 2025 dos programas UT Austin Portugal financiou um total de oito projetos, de 41 candidaturas, correspondendo a um investimento global de quase 400 mil euros, integralmente financiado pela FCT. Universidade do Porto - Portugal


quarta-feira, 15 de abril de 2026

Portugal - Estudante da Universidade de Coimbra recebe Prémio ABB por avanços em método para síntese e reconstrução 3D a partir de imagens

O trabalho premiado tem aplicação em cirurgia minimamente invasiva para tratamento e diagnóstico de lesões articulares


O estudante Nelson Forte Simão, do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (DEEC) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), recebeu o “Prémio ABB” referente ao ano letivo 2024/2025, atribuído pela multinacional ABB.

A cerimónia de entrega decorreu no passado dia 14 de abril, na Sala do Conselho da Unidade Central da FCTUC, no Polo II, e reconheceu o trabalho desenvolvido pelo estudante na dissertação de mestrado intitulada “3D Ellipsoid Splatting for Cameras with Radial Distortion: Applications in Arthroscopy”.

O trabalho premiado tem como motivação a artroscopia, que recorre à introdução de uma câmara através de uma pequena incisão para diagnosticar e tratar lesões articulares de forma minimamente invasiva. Apesar das suas vantagens, estes procedimentos colocam desafios significativos ao cirurgião devido à visibilidade e acesso limitados.

Além disso, a utilização de câmaras com distorção radial - o chamado efeito “olho de peixe” - dificulta a aplicação de algoritmos de Inteligência Artificial e Visão por Computador que possam vir a apoiar o médico durante a intervenção.

Neste contexto, Nelson Simão desenvolveu uma abordagem inovadora para aplicar 3D Gaussian Splatting (3DGS) a imagens com efeito de “olho de peixe”. O método proposto permite modelar simultaneamente a luz e a geometria tridimensional da cena, bem como gerar novas vistas artroscópicas, o que abre novas perspetivas para aplicações em navegação cirúrgica e educação clínica.

O trabalho foi supervisionado por João Pedro Barreto, Professor Associado do DEEC da FCTUC, e contou com a coorientação de Michel Antunes, gestor de Investigação e Desenvolvimento na S&N Orion-Prime, S.A., uma empresa de tecnologia médica com origem na atividade de investigação da universidade.

Para Mário do Ó, Líder da área de negócio Motion e Membro do Board da ABB Portugal, "o Prémio ABB é uma forma de reconhecer e valorizar o talento e a excelência académica em áreas tecnológicas críticas para o futuro da indústria. O trabalho desenvolvido demonstra o enorme potencial da investigação aplicada, com impacto direto em áreas tão exigentes como a saúde. Esta iniciativa reforça também a ligação da ABB ao meio académico, ao promover a inovação e contribuir para a formação de profissionais preparados para responder aos desafios tecnológicos do futuro".

O “Prémio ABB” distingue anualmente o estudante do mestrado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da FCTUC que obtenha a classificação mais elevada numa dissertação nas áreas de Automação Industrial, Controlo Automático, Robótica, Domótica e Acionamentos/Variação de Velocidade. O prémio, no valor de mil euros, inclui ainda a possibilidade de realização de um estágio remunerado na empresa. Universidade de Coimbra - Portugal


terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Portugal - Investigadores da Universidade de Coimbra desenvolvem molécula inovadora para tratamento do cancro

Um grupo de investigadores do Departamento de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em colaboração com a empresa Luzitin SA, desenvolveram uma molécula inovadora que poderá representar um avanço significativo no tratamento de tumores sólidos através de Terapia Fotodinâmica (TFD).


O desenvolvimento de medicamentos eficazes contra tumores sólidos enfrenta dois grandes desafios: a acumulação seletiva do fármaco no tumor e a sua capacidade de infiltração para alcançar todas as células tumorais. A abordagem dominante tem sido o desenvolvimento de moléculas cada vez maiores e de nanopartículas mais complexas, o que, apesar de aumentar a seletividade, compromete a penetração em tumores densos e rígidos.

Contrariando esta tendência, a equipa de Coimbra optou por uma estratégia inovadora: identificar a menor estrutura molecular com propriedades farmacológicas ideais para Terapia Fotodinâmica. O resultado foi a síntese da molécula LUZ51, o mais pequeno fotossensibilizador conhecido que absorve luz infravermelha, essencial para atravessar eficazmente os tecidos humanos.

«A Terapia Fotodinâmica baseia-se na ativação de um fotossensibilizador através de luz vermelha ou infravermelha. Na presença de oxigénio, esta ativação desencadeia uma cascata de reações químicas que levam à morte das células tumorais. Uma das grandes vantagens desta terapia é a sua elevada seletividade: o fármaco é praticamente inócuo sem luz, permitindo destruir o tumor apenas na área iluminada», explica Luís Arnaut, professor da FCTUC e investigador do Centro de Química de Coimbra (CQC).

Os estudos realizados demonstraram que a LUZ51 se acumula 13 vezes mais nos tumores do que nos tecidos adjacentes, é rapidamente internalizada pelas células tumorais e induz a sua morte quando ativada por luz infravermelha. Em modelos animais, a Terapia Fotodinâmica com LUZ51 permitiu curar ratinhos com tumores agressivos e relativamente grandes, preservando os tecidos saudáveis circundantes e minimizando efeitos adversos.

«Um dos resultados mais notáveis foi observado no tratamento do análogo humano do cancro da mama triplo negativo. Mesmo quando o tumor primário já apresentava sinais de metastização para os pulmões, o tratamento local com LUZ51 levou à redução significativa, e em alguns casos à eliminação, das metástases pulmonares. Estes dados sugerem que a Terapia Fotodinâmica com LUZ51 poderá ativar o sistema imunitário do hospedeiro, promovendo uma resposta antitumoral para além da área diretamente tratada», revela o cientista.

A molécula LUZ51 foi patenteada pela Universidade de Coimbra e pela Luzitin SA, com patentes concedidas nos principais mercados da oncologia. Os resultados dos estudos in vivos foram recentemente publicados na prestigiada revista científica Angewandte Chemie International Edition, no artigo intitulado “Seamlessly Overcoming Biological Barriers with a Small Photosensitizer to Treat Metastatic Tumours with Photodynamic Therapy”.

Apesar do enorme potencial demonstrado, os investigadores sublinham que a LUZ51 terá ainda de ser avaliada em ensaios clínicos antes de poder ser utilizada em doentes oncológicos, um processo que poderá demorar cerca de cinco anos. Ainda assim, esta descoberta abre novas perspetivas para tratamentos mais seletivos, eficazes e com menor impacto nos tecidos saudáveis. Universidade de Coimbra - Portugal


quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Macau – Universidade de Macau descobre nova combinação de fármacos para tratar cancros

Um grupo de cientistas da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Macau identificou uma nova combinação de medicamentos, que possibilita melhores terapias para tratar cancros


Uma equipa de investigação liderada por Chuxia Deng, docente da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Macau (UM), identificou uma nova estratégia, que aumenta a eficácia de tratamentos contra tumores sólidos. A abordagem recorre a uma combinação dos medicamentos “tetratiomolibdato de amónio”, “plerixafor” e “bortezomib”, de acordo com um comunicado.

Os resultados do estudo demonstram que esta combinação de fármacos pode ajudar a melhorar tratamentos de cancros da mama. Os inibidores de proteassoma, como o “bortezomib”, são amplamente utilizados em terapias, por serem eficaz para tratar tumores líquidos, como cancros do sangue. Contudo, os inibidores de proteassoma não são tão eficazes contra tumores sólidos.

O grupo de investigadores descobriu que o “tetratiomolibdato de amónio” e o “plerixafor” podem sensibilizar as células do cancro da mama ao “bortezomib”, revertendo eficazmente a resistência dos tumores. O comunicado refere que este estudo tem um “potencial clínico significativo” e fornece uma nova estratégia de combinação de fármacos para a terapia baseada em inibidores do proteassoma contra tumores sólidos.

A investigação atraiu bastante atenção na área da biomedicina e foi publicada na revista internacional “Cell Reports Medicine”. A equipa de investigadores incluiu os doutorandos Tang Dongyang, Lin Shiqi, Chu Xiangpeng, Li Ling, He Lin e Qiao Yunfeng, os pós-doutorandos, Josh Lei Haipeng e Zhou Jingbo, e os professores Shao Fangyuan, Sun Heng e Xu Xiaoling. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Portugal - Investigadoras da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto desenvolvem tecnologia para o tratamento de Alzheimer

Joana Loureiro e Maria do Carmo Pereira estudam uma tecnologia baseada em nanopartículas concebidas para transportar medicamentos diretamente para o cérebro



A desenvolver investigação no Laboratório de Engenharia de Processos, Ambiente, Biotecnologia e Energia (LEPABE) da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), Joana Loureiro e Maria do Carmo Pereira preparam-se para a nova fase da abordagem inovadora que começaram a desenvolver há vários anos em conjunto com investigadores da equipa: um sistema de libertação controlada de fármacos para o tratamento da doença de Alzheimer.

A tecnologia baseada em nanopartículas concebidas para transportar fármacos diretamente para o cérebro é particularmente interessante para o tratamento de perturbações do sistema nervoso central, ao permitir a entrega de fármacos nas regiões afetadas pelo cérebro, maximizando os efeitos terapêuticos e minimizando os efeitos secundários.

Esta tecnologia poderá significar “um avanço no tratamento de doenças neurológicas, tais como Alzheimer, Parkinson e cancros cerebrais, onde as opções de tratamento são limitadas pela incapacidade de se conseguir uma entrega eficiente de medicamentos no cérebro”, perspetiva Joana Loureiro.

“Estas nanopartículas são modificadas com moléculas específicas que têm uma afinidade natural com os recetores cerebrais. Além disso, apresentam moléculas que induzem a permeabilidade celular, fazendo com que possam atravessar a barreira hematoencefálica (BHE) – uma membrana protetora seletiva que normalmente bloqueia a entrada da maioria das substâncias no cérebro”, explica a também professora do Departamento de Engenharia Mecânica da FEUP.

A juntar aos prémios e distinções que têm recebido ao longo dos últimos anos por esta investigação promissora, Joana Loureiro e Maria do Carmo Pereira criaram a startup BNanoTech, que recebeu o primeiro investimento da XTX Ventures, no valor de 120 mil euros, de modo a acelerar esta tecnologia e confirmar o seu potencial disruptivo.

“Os nossos próximos passos envolvem a construção de uma estratégia de financiamento robusta para garantir o capital necessário para mais investigação e desenvolvimento (I&D)”, acrescenta.

A desenvolver a ideia através da Conception X

O potencial desta tecnologia tem sido comprovado em sessões que, entretanto, aconteceram em Londres, em junho e novembro de 2024, onde a recetividade dos investidores tem permitido avançar dentro do programa de empreendedorismo tecnológico da Conception X, empresa londrina que aposta fortemente no talento dos alunos de doutoramento na busca de soluções para os problemas que afetam grande parte dos setores de atividade das nossas sociedades. A FEUP é a primeira instituição fora do território do Reino Unido a integrar o programa de empreendedorismo tecnológico da Conception X.

“Uma das características mais distintivas do programa é a orientação fornecida por especialistas do setor e empresários experientes, que oferecem orientação prática, ajudando os investigadores a enfrentar os desafios específicos do lançamento de um produto tecnológico no mercado. Este apoio estende-se a áreas cruciais como considerações jurídicas, gestão de propriedade intelectual e validação de clientes, dotando os participantes com um conjunto de ferramentas abrangente para o sucesso das futuras startups que possam vir a ser criadas”, refere Joana Loureiro.

Simpósio e workshop para debater a doença de Alzheimer na FEUP

Nos dias 6 e 7 de fevereiro, a Faculdade de Engenharia foi palco do 3.º simpósio sobre a Doença de Alzheimer, que contou com Joana Loureiro no comité organizador, a par de Maria do Carmo Pereira, Maria João Ramalho, Stéphanie Andrade, Meghna Dabur, Débora Nunes e Pedro Carneiro.

O 3rd Symposium on Alzheimer’s Disease surge na sequência do sucesso da primeira (online) e segunda (híbrida) edições, que contaram com mais de 400 participantes, e atraiu cientistas internacionais e jovens estudantes de todo o mundo, estando na vanguarda da compreensão dos mecanismos e da melhoria da terapia da doença de Alzheimer.

Além de apresentações e oportunidades para debater os progressos científicos alcançados em matéria de investigação, este simpósio teve um workshop sobre a produção e caracterização de nanopartículas para carregamento de compostos bioativos, proporcionando o conhecimento de métodos inovadores de produção e caraterização de nanopartículas, materiais biocompatíveis, nanopartículas comerciais e as suas tendências atuais no mercado. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Portugal - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde aposta em alternativa aos antibióticos para combater super-bactérias

Investigação apoiada pela Fundação “la Caixa” e pela FCT foi publicada na «Nature Communications» e abre caminho para o tratamento de bactérias patogénicas multirresistentes



Uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) descobriu que a presença de um açúcar (ramnose) na superfície da bactéria Listeria a torna mais agressiva e mais resistente aos antibióticos e que a presença desse açúcar, em particular, se deve exclusivamente à proteína RmlT. Os investigadores apostam agora numa droga que não mate a Listeria, mas que consiga inibir a proteína RmlT tornando a bactéria menos virulenta e mais sensível aos antibióticos. Esta descoberta, que abre caminho para o tratamento de bactérias patogénicas multirresistentes, foi publicada na prestigiada revista Nature Communications.

Este trabalho de investigação foi desenvolvido no i3S com o apoio do 6.º Concurso CaixaResearch de Investigação em Saúde 2023, promovido pela Fundação “la Caixa”, em parceria com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

As infeções causadas por bactérias Gram-positivas, como Staphylococcus, Enterococcus, Streptococcus ou Listeria, constituem um grave problema de saúde pública e um dos principais desafios da medicina moderna. Atualmente, assistimos ao aparecimento não só de novos agentes patogénicos, mas também de novas estirpes bacterianas com propriedades de virulência reforçadas e/ou maior resistência aos antibióticos. Listeria monocytogenes, por exemplo, é o agente patogénico de origem alimentar responsável pelo maior número de casos de hospitalização e mortes na Europa.

A equipa do i3S, que se tem centrado no estudo da bactéria Listeria monocytogenes, concluiu que “a proteína RmlT tem um impacto significativo na virulência bacteriana e na resistência antimicrobiana, já que é ela quem transfere o açúcar para as estruturas da superfície da bactéria, simultaneamente colocando factores de virulência na parede bacteriana e impedindo o antibiótico de atuar eficazmente”, explica Didier Cabanes, líder do grupo «Molecular Microbiology» do i3S, que liderou o estudo.

Para estudar o mecanismo da RmlT em Listeria, acrescenta Ricardo Monteiro, primeiro autor do artigo, “gerámos uma bactéria mutante sem o açúcar e verificamos que, de facto, ela ficou menos virulenta. Além disso, os antibióticos mostraram-se mais eficazes contra este mutante”.

A descoberta de um novo alvo terapêutico – a proteína RmlT – “permite-nos agora avançar para uma droga que atue especificamente nesta proteína”, acrescenta o investigador.

O objetivo, explica Didier Cabanes, “não é matar a Listeria, mas sim torná-la mais «fraca» para depois os antibióticos serem mais eficazes. Uma vez que a RmlT é muito similar a outras proteínas existentes em bactérias patogénicas que normalmente são multirresistentes e muito graves em ambiente hospitalar, como os Staphylococcus, a droga em que estamos a trabalhar poderá ser adaptada para combater outras super-bactérias”, sublinha. Universidade do Porto - Portugal


terça-feira, 29 de outubro de 2024

Portugal – Universidade de Aveiro sintetiza composto promissor para aplicação fotodinâmica em tratamento de cancro

Um grupo de investigação multidisciplinar da Universidade de Aveiro (UA) desenvolveu e caracterizou novos derivados de clorofila que demonstraram resultados muito promissores em ensaios experimentais de terapia fotodinâmica, tanto em cancro da mama triplo negativo, como em outros tipos de cancro, incluindo o cancro do pâncreas. Na terapia fotodinâmica há um efeito biológico em certas células que ocorre quando o tecido ou órgão onde o agente fotossensibilizador se localizou é iluminado com luz


O cancro da mama é o tipo de cancro mais comum entre as mulheres. O subtipo triplo negativo, em particular, é o mais desafiador, devido à ausência de terapias direcionadas. Por sua vez, o cancro pancreático afeta indistintamente homens e mulheres e também é uma doença que apresenta uma resposta mais limitada às terapias atuais, sendo necessário continuar a procurar novas abordagens de tratamento.

Neste sentido, um grupo formado pela estudante de doutoramento Cristina Dias, o investigador Nuno Moura e os docentes Amparo Faustino, Graça Neves (ambas membros do LAQV-REQUIMTE - Laboratório Associado para a Química Verde), Vítor Gaspar e João Mano (CICECO - Instituto de Materiais de Aveiro) e Luísa Helguero (Instituto de Biomedicina de Aveiro, iBIMED), desenvolveu e caracterizou novos derivados de clorofila nos laboratórios do Departamento de Química da Universidade de Aveiro e no Departamento de Ciências Médicas, respetivamente. Estes compostos demonstraram resultados muito promissores em ensaios experimentais de terapia fotodinâmica, tanto em cancro da mama triplo negativo, como em outros tipos de cancro, incluindo o cancro do pâncreas.

Amparo Faustino, professora do Departamento de Química e membro do LAQV-REQUIMTE, explica algumas das caraterísticas e o comportamento destes compostos, com destaque para eficácia e sustentabilidade da solução:

“A aplicação de derivados de clorofila extraídos a partir de fontes naturais como agente terapêuticos em terapia fotodinâmica permite não só utilizar recursos disponíveis de forma sustentável, como minimizar efeitos indesejáveis. Além disso, os compostos absorvem radiação na região do vermelho do espectro de visível, onde a luz penetra melhor os tecidos, facilitando a ativação dos derivados de clorofila presentes nas células tumorais”.

Compostos promissores

Os novos compostos foram caracterizados ao nível da sua atividade anti tumoral, em colaboração com Luísa Helguero, professora do Departamento de Ciências Médicas e membro do iBIMED, e apresentam, segundo concluiu a equipa, uma toxicidade muito baixa na ausência de luz e uma elevada eficácia na eliminação de células tumorais, quando ativados sob condições controladas de iluminação (terapia fotodinâmica).

“A utilização destes compostos em terapia fotodinâmica do cancro de mama triplo negativo representa uma solução promissora para suprir a falta de abordagens terapêuticas eficazes e seguras para os pacientes. Este tratamento é minimamente invasivo, e atua apenas na área iluminada, sendo uma alternativa viável quando outras terapias falham, especialmente em casos de resistência aos tratamentos convencionais.”, afirma Amparo Faustino. Assim, espera-se que esta abordagem possa ser estendida a outros tipos de cancros igualmente agressivos, como o cancro de pâncreas e do pulmão.

Esta tecnologia foi desenvolvida no âmbito do doutoramento da estudante Cristina Dias, cuja tese será defendida em breve na UA, e envolveu três grupos de investigação com conhecimentos complementares.

A UA, através da UACOOPERA, já submeteu um pedido provisório de patente e está a avaliar uma estratégia mais ampla de proteção. A UACOOPERA é a estrutura responsável pela interface da UA com o exterior, tendo como objetivo apoiar a academia nas diversas atividades de cooperação com a sociedade, valorizando o conhecimento e os resultados das atividades de I&D e potenciando o cumprimento da sua terceira missão (precisamente a cooperação com a sociedade). Universidade de Aveiro - Portugal


segunda-feira, 17 de junho de 2024

Portugal - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde descobre nova terapia biológica para tratamento da sépsis

Estudo publicado na revista "Nature Communication" aponta uma proteína como possível tratamento em humanos. Pedido de patente já está em curso


Um estudo liderado por Liliana Oliveira e Alexandre Carmo, investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), descobriu que a administração intravenosa de uma proteína biológica circulatória e anti-inflamatória é eficaz no tratamento da sépsis. O pedido de patente já está em curso e os resultados, que apontam a proteína CD5L como um possível tratamento para a sépsis em humanos, foram publicados na prestigiada revista Nature Communications.

A sépsis é diretamente responsável por quase 20% dos óbitos em todo o mundo, sendo a principal causa de morte em unidades de cuidados intensivos e a terceira em hospitais. Em vários tipos de infeções, e sobretudo em pessoas com a imunidade debilitada ou comprometida, o sistema imune pode reagir desproporcionadamente, de tal forma que a resposta inflamatória desencadeada torna-se incontrolável e provoca mais danos do que o agente infecioso propriamente dito. A sépsis é precisamente o termo mais generalizado para estas inflamações sistémicas severas e pode ser mortal depois de esgotadas todas as terapias antimicrobianas (antibióticos, antivirais, etc.).

Uma vez que ainda não existe nenhuma terapia totalmente eficaz contra a sépsis e é cada vez mais premente encontrar soluções, o grupo liderado por Alexandre Carmo tem centrado a sua investigação na proteína CD5L, uma proteína-chave no controlo da homeostase (ou estabilidade) imunitária e da doença inflamatória e que é produzida pelo organismo.

No âmbito desse trabalho, a equipa verificou que, numa situação de sépsis, 60 por cento dos animais que não possuem a proteína CD5L morre. Verificaram também que numa situação de sépsis mais severa nenhum ratinho sobrevive. No entanto, se lhes for administrada a proteína CD5L a taxa de sobrevivência é de 80 por cento. “Esta proteína é mesmo muito eficaz”, sublinha Alexandre Carmo. E acrescenta: “Não consigo dizer com certeza que vai curar humanos, mas que cura ratinhos, lá isso cura”.

“Estudámos os mecanismos desta proteína circulante e percebemos que a CD5L tem a capacidade de aumentar o recrutamento e a ativação dos neutrófilos, um tipo de glóbulo branco que ajuda o organismo a combater infeções. Verificamos também que está bloqueada com a proteína IgM, o primeiro anticorpo a ser ativado na resposta imunológica a uma infeção. Acontece que quando há uma inflamação, a CD5L consegue-se separar da IgM, embora a sua ação esteja limitada a 20 por cento do seu potencial”, explica Liliana Oliveira. A equipa decidiu então produzir esta proteína e injetá-la no modelo animal com sépsis com o objetivo de aumentar o número de neutrófilos.

“Ao injetarmos esta proteína para regular o sistema imune, estamos a administrar uma grande concentração de CD5L que tem a sua atividade a 100%, porque não está complexada com a IgM, logo a sua ação é muito eficaz”, detalha a investigadora.

Para já, a equipa do i3S realizou estes testes in vivo num modelo com sépsis de origem abdominal, que é o modelo standard. Mas como o maior número de casos de sépsis está relacionado com infeções respiratórias, e porque o objetivo é avançar depois para a translação em humanos, o próximo passo é testar também em casos de sépsis com origem pulmonar. A partir daí, e ainda antes dos ensaios clínicos, é preciso testar a toxicidade e a biodistribuição (modo como como afeta os outros órgãos) num outro modelo de mamífero.

“Vamos iniciar contactos com parceiros europeus e americanos para avançarmos”, avança Alexandre Carmo. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 6 de maio de 2024

Portugal - Universidade de Coimbra estuda aplicação de microalgas para tratamento de efluentes de ETAR e geração de biocombustíveis

O Departamento de Ciências da Vida (DCV) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em colaboração com a Algoteca da UC (ACOI), está a estudar a aplicação de microalgas para tratamento de efluentes de estações de tratamento de águas resíduas (ETAR) e geração de biocombustíveis.

O projeto “Application of microalgal and fungal biomass for the treatment of anaerobic digestion effluents and production of the 3d generation biofuels” é da autoria de Ewelina Sobolewska, aluna de doutoramento na Lodz University of Technology, na Polónia, que realizou a fase final do curso em Coimbra.

«Atualmente, estou a trabalhar com um bio reator para o tratamento do produto de digestão líquido (subproduto da digestão anaeróbia de águas residuais). A comunidade de algas que se desenvolve neste bio reator, utilizada nos processos de degradação, foi parcialmente removida do equipamento para que possamos procurar compostos potencialmente interessantes e úteis, obtendo valor agregado da biomassa que é o produto excedente desse tratamento», revela a estudante de Erasmus.

De acordo com Ewelina Sobolewska, o objetivo final deste trabalho é encontrar a melhor aplicação para a produção de biomassa excedente que resulta dos processos de limpeza das águas residuais por intermédio das algas, promovendo um modelo circular de gestão de resíduos. As aplicações desta matéria podem ser inúmeras, desde a produção de biocombustíveis até à potencial produção de compostos, que podem ser utilizados na área da cosmética, da medicina, entre outras.

«Neste projeto, foi testado um conjunto de microalgas aquáticas capazes de proporcionar biorremediação, quer seja por fitotransformação ou fitodegradação. Neste caso, está a ser utilizada uma mistura de algas que a aluna compôs para degradar determinados resíduos da água, previamente tratados, entrando as algas já numa fase final do processo», explicam Leonel Pereira e Nuno Mesquita, investigadores do DCV e orientadores da estudante durante o período de Erasmus.

Através da técnica de Espectroscopia Infravermelha com Transformada de Fourier, prosseguem, «obtivemos uma análise inicial do perfil químico da biomassa e, em seguida, a mesma foi caracterizada em termos lipídicos, incluindo a avaliação das frações lipídicas e perfil de ácido gordos por cromatografia gasosa (GC). Foi também feita a análise do perfil de pigmentos por cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC).

Finalmente, «os extratos totais da biomassa estão a ser testados quanto aos seus efeitos fungicidas em diferentes espécies de fungos. Os resultados são muito promissores», concluem.

A estudante terminará o doutoramento na Polónia, mas os investigadores da FCTUC continuarão a trabalhar nesta investigação também em Coimbra, no âmbito do projeto ANOXYOILS, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e desenvolvido em colaboração com o grupo Plants4Health, liderado por Célia Cabral, investigadora da Faculdade de Medicina da UC (FMUC). Universidade de Coimbra - Portugal


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

Brasil - Vírus da zika modificado em laboratório destrói células de tumores do sistema nervoso

Testada em animais, versão sintética do vírus, que não transmite a doença, multiplica-se nas células tumorais e as leva à morte. Os testes clínicos devem começar em junho, após aprovação da Anvisa


A transformação do vírus da zika em produto de biotecnologia para o tratamento de tumores do sistema nervoso é o resultado do projeto de uma startup criada por pesquisadores da USP. Testada com êxito em animais, uma versão sintética e modificada do vírus, que não transmite a doença, penetra nas células tumorais e, ao se multiplicar, leva essas células à morte. Os testes clínicos do tratamento devem começar em junho, após a aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O estudo com o vírus modificado é descrito em artigo publicado na edição de fevereiro da revista Molecular Therapy. A pesquisa, conduzida pela startup de biotecnologia Vyro Biotherapeutics, empresa incubada no Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec) da USP, contou com a colaboração de pesquisadores do Instituto Butantan, Harvard Medical School (Estados Unidos) e Universidade de Cambridge (Reino Unido), entre outras instituições.

O tratamento é voltado principalmente para tumores do sistema nervoso central, tanto em adultos quanto em crianças, que atingem cerca de 300 mil pessoas em todo o mundo, com sobrevida estimada em 14 meses após a descoberta do tumor. “Também foi observado um potencial para tumor de mama tipo triplo negativo”, afirma ao Jornal da USP a pesquisadora Carolini Kaid, da Vyro, empresa criada por especialistas do Centro de Pesquisas do Genoma Humano e Células-Tronco (HUG-CELL) do Instituto de Biociências (IB) da USP.

Com base em pesquisas sobre a atividade do vírus da zika contra tumores, os pesquisadores desenvolveram uma versão sintética, diferente da encontrada na natureza, que não transmite a doença. “Foi inserida no genoma do vírus uma sequência suicida, de modo que, se o vírus entrar em células saudáveis, ele é degradado”, relata Carolini Kaid. “Entretanto, quando entra em uma célula tumoral, ele replica, levando-a à morte.”

Morte da célula tumoral

“O vírus modificado usa a maquinaria da célula para replicar seu genoma e multiplicar. Quando a quantidade do vírus aumenta exponencialmente, a membrana plasmática da célula se rompe, processo conhecido como lise, e ela morre”, descreve a pesquisadora. “Por isso, esse tipo de terapia é chamado de oncolítica, ou seja, lise da célula tumoral.”

Os testes foram feitos com camundongos Balb/C Nudes. “No experimento foram inseridas células tumorais humanas no cérebro dos animais, imitando uma metástase”, relata Carolini Kaid. “Sete dias depois da inserção e crescimento do tumor, o tratamento com vírus modificado é feito direto no cérebro ou de modo sistêmico, por meio de injeção na barriga do animal, o que equivale à introdução de soro na veia em seres humanos.” A metástase é a fase final da propagação das células de tumores pelo corpo.

“Ambas as vias de administração mostraram remissão total do tumor, aumento de sobrevida e segurança”, ressalta a pesquisadora. “Como o vírus desenvolvido é sintético, o caminho para chegar à clínica é mais curto.” De acordo com Carolini Kaid, já foi desenvolvido o processo de produção industrial, ou seja, o vírus sintético pode ser produzido em grande escala.

“A equipe médica da startup já desenhou o estudo clínico de fase 0 para glioblastoma recorrente, um tipo de câncer nas células do cérebro”, aponta. “Os próximos passos são submissão da documentação para a Anvisa e a previsão para início dos estudos clínicos é junho de 2024.” O artigo Genetically modified ZIKA virus as a microRNA-sensitive oncolytic virus against central nervous system tumors está disponível nesta ligação.

A patente do tratamento foi submetida ao United States Patent and Trademark Office (USPTO), no Estados Unidos, no modelo do Tratado Internacional de Patentes (PCT), no qual o registro abrange vários países, inclusive o Brasil, com auxílio dos escritórios de patente Kaznar Leonardos no Brasil e Wilson Sonsini nos EUA. Todo o estudo foi financiado pela Vyro, que em 2022 recebeu um investimento de US$ 1,5 milhão da Vesper-Venture, fundo brasileiro especializado em biotecnologia. Júlio Bernardes – Brasil in “Jornal da Universidade de São Paulo”

Mais informações:

e-mails carolini.kaid@vyrobio.com e carolinikaid@hotmail.com, com Carolini Kaid, e cmpressproducoes@gmail.com, com Cláudia Moura


quarta-feira, 15 de novembro de 2023

China - Cientistas desenvolvem novo potencial tratamento para a doença de Alzheimer

Cientistas chineses desenvolveram um grânulo que poderá potencialmente tratar a doença de Alzheimer, de acordo com um estudo publicado na revista académica Nature Aging.


A equipa de investigadores, liderada por Xu Chuanlai, professor da Universidade Jiangnan em Wuxi, província de Jiangsu, desenvolveu o grânulo usando a propriedade da quiralidade. A quiralidade consiste numa estrutura que não pode ser sobreposta à sua imagem espelhada, assim como as mãos esquerda e direita.

“A quiralidade leva a algumas características distintas dos medicamentos, já que aqueles feitos com o mesmo conteúdo podem apresentar actividades distintas, devido a diferentes características de quiralidade”, disse Kuang Hua, professor da universidade e coautor do artigo, citado pelo Diário do Povo Online.

Ratos de laboratório infectados com a doença de Alzheimer apresentaram uma melhoria significativa no comportamento após a ingestão do grânulo, refere a revista. O cérebro dos ratos também apresentou uma queda de quase 90% nos factores de neuroinflamação.

Após transplantar a microbiota intestinal dos ratos tratados com grânulos para outros infectados com Alzheimer, a equipa descobriu que as funções cognitivas destes últimos também demonstravam sinais de recuperação.

Usando marcação isotópica, a equipa descobriu que o grânulo, após entrar no intestino dos ratos, facilitou a metabolização do triptofano – um aminoácido essencial à vida – em ácido indolacético (IAA), que é capaz de entrar no cérebro, aliviando a inflamação e recuperando algumas funções neurológicas, refere a pesquisa.

A equipa de investigadores acrescentou que a densidade do IAA entre soros e fluidos cerebrais de pessoas com doença de Alzheimer é significativamente menor do que em pessoas saudáveis da mesma faixa etária, sugerindo o papel que o IAA desempenhou no combate à doença.

“Como as pessoas não conseguiram encontrar um medicamento que pudesse vencer completamente a doença de Alzheimer, a investigação ofereceu uma via potencial para o tratamento de doenças degenerativas, como é o caso da doença de Alzheimer”, disse Xu. In “Ponto Final” - Macau


quarta-feira, 28 de junho de 2023

Portugal – Cientistas da Universidade de Coimbra estudam processo inovador para recuperação de materiais valiosos da indústria eletrónica

Um grupo de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) está a estudar um novo processo para a recuperação de materiais ligados à indústria dos eletrónicos. Esta investigação decorre no âmbito da Agenda Microeletrónica do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), financiada com 30 milhões de euros. 


Atualmente, o lixo eletrónico é um dos resíduos sólidos com uma elevada taxa de acumulação, chegando a quase 10 milhões de toneladas por ano na União Europeia, sendo que apenas cerca de 15 a 20% desses resíduos são reciclados. Em 2021, a produção estimada de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrónicos (EEEW) foi de 55,2 milhões de toneladas em todo o mundo.

Tendo em vista a resolução desta problemática, a equipa de investigadores da FCTUC está a desenvolver uma investigação ligada à tarefa “E-Waste Recycling to Foster a Circular and Sustainable Economy”, que pretende contribuir para a criação e definição de processos industriais relacionados com a economia circular e a reciclagem de produtos do setor da Microeletrónica.  Este projeto tem como foco principal a recuperação e tratamento de dispositivos eletrónicos, para que as matérias-primas possam ser novamente incorporadas na cadeia de valor.

«A ideia é encontrar um processo combinado, químico e biológico, para a recuperação de metais críticos e de alto valor a partir de resíduos elétricos e eletrónicos de computador», explica Paula Morais, docente da FCTUC e investigadora no Laboratório de Microbiologia do Centro de Engenharia Mecânica, Materiais e Processos (CEMMPRE).

«Para a criação deste processo, a metodologia aplicada terá por base um estudo de diagnóstico inicial para identificar e mapear o ecossistema português do setor da Microeletrónica e, posteriormente, o foco da investigação na FCTUC serão os processos microbiológicos e químicos de reciclagem de metais preciosos», revela a investigadora.

Assim, «serão desenvolvidos processos de bio-lixiviação, a partir de resíduos gerados por parceiros industriais no projeto, bem como de bioacumulação seletiva de metais após tratamento químico dos resíduos. O sistema de recuperação de metais por ser misto (químico-biológico) é extremamente inovador», assegura o grupo de Microbiologia. «Entre os materiais que se pretendem recuperar destacam-se os metais valiosos como ouro, platina e prata, e os metais críticos índio e gálio, a partir de computadores e equipamentos de telecomunicações em fim de vida», conclui.

Este projeto teve início em janeiro de 2023 e, neste momento, o consórcio, que envolve 17 entidades, encontra-se ainda a trabalhar na clarificação dos fluxos de resíduos e na caracterização dos materiais que serão utilizados para criar este novo processo, bem como a definir a estratégia integrada entre os parceiros da FCTUC para fazer esta recuperação de metais.

Para além do CEMMPRE, estão envolvidos nesta Agenda José António Paixão, do Centro de Física da Universidade de Coimbra (CFisUC), e também Licínio Ferreira, do Centro de Investigação em Engenharia dos Processos Químicos e dos Produtos da Floresta (CIEPQPF). Universidade de Coimbra - Portugal



quarta-feira, 21 de junho de 2023

Europa – Quais os países que mais reciclam?

Os países da União Europeia aumentaram significativamente as suas taxas de reciclagem, mas a velocidade desse progresso está a reduzir, alertam os especialistas


O cidadão médio da UE gerou 4,8 toneladas de resíduos em 2020, mas apenas 38% deles foram reciclados.

A reciclagem do nosso lixo é uma forma crucial de reduzir o consumo de recursos primários, substituindo-os por materiais secundários.

A caminho de uma economia totalmente circular, como estão os países europeus na gestão de resíduos? Quantos resíduos são gerados e reciclados por habitante na Europa? Quais os países europeus que mais reciclam?

É complicado vasculhar as pilhas de dados para obter respostas, mas esclarecer diferentes definições ajuda-nos a avaliar os desafios de resíduos do continente.

As famílias produzem apenas 9 por cento do total de resíduos

Em 2020, o total de resíduos gerados na UE por todas as atividades económicas e residenciais ascendeu a 2154 milhões de toneladas ou 4815 kg por pessoa.


As famílias geraram apenas 9,4% desse total de lixo.

A construção (37,5 por cento) e as minas e pedreiras (23,4 por cento) são os grandes responsáveis ​​pelos resíduos produzidos, gerando mais de 60 por cento do total de resíduos na UE. Resíduos e serviços de água representaram 10,8 por cento, e a indústria representou 10,6 por cento.

Alemanha e França geram um terço dos resíduos da UE

A Alemanha (401 milhões de toneladas) e a França (310 milhões de toneladas) foram os que mais contribuíram para a quantidade total de resíduos produzidos na UE. A partir de 2020, estes dois países foram responsáveis ​​por um terço dos resíduos da UE em 19 e 14 por cento, respectivamente.


O Reino Unido (282 milhões de toneladas), ex-membro do bloco, produziu a terceira maior quantidade de resíduos, seguido pela Itália (175 milhões de toneladas) e Polónia (170 milhões de toneladas).

Como os resíduos de mineração são um dos maiores fluxos de resíduos na UE, excluí-los permite-nos comparar mais facilmente os países de acordo com o Eurostat, o escritório oficial de estatísticas da UE.

São geradas 4,8 toneladas de resíduos por habitante da UE

Em 2020, foram produzidos o equivalente a 4,8 toneladas de resíduos por habitante da UE. Este valor inclui 3080 kg de resíduos minerais importantes e 1735 kg de resíduos de outras origens. Em outras palavras, 64 por cento dos resíduos na UE são provenientes da mineração, incluindo estéril e rejeitos (o material restante de um minério).


Os resíduos gerados por pessoa variaram de 1,5 toneladas na Croácia a 21 toneladas na Finlândia entre os estados-membros da UE, de acordo com os números mais recentes.

A Bulgária (16,8 toneladas) e a Suécia (14,7 toneladas) seguiram a Finlândia. Os números na Alemanha e na França ficaram muito próximos da média da UE de 4,8 toneladas.

Tratamento de resíduos: Recuperação ou eliminação?

Em 2020, 1971 milhões de toneladas de resíduos foram tratados na UE. Como esse valor exclui as exportações e inclui as importações, não é diretamente comparável à quantidade de resíduos gerados no bloco.

O tratamento de resíduos é dividido em duas categorias principais: valorização e eliminação. A recuperação inclui reciclagem, recuperação de energia e aterro - onde os resíduos são usados ​​para reestruturar áreas escavadas, como poços de cascalho e minas subterrâneas. A eliminação abrange o aterro e a incineração.

O Eurostat descobriu que 39,9 por cento dos resíduos tratados foram reciclados, 12 por cento foram aterrados e a parcela de recuperação de energia foi de 6,5 por cento.


Na UE, a quota de tratamento de resíduos aumentou de 45,9 por cento em 2004 para 59,1 por cento em 2020. Enquanto a quota de eliminação caiu de 54,1 por cento para 40,9 por cento no mesmo período.

A taxa de reciclagem da UE é de cerca de 40 por cento

Em 2020, a participação da reciclagem no tratamento total de resíduos foi de 39,9% na UE. A taxa de reciclagem variou consideravelmente de 5,2% na Roménia a 83,2% na Itália.

A taxa de reciclagem foi superior à média da UE na França (54,2%) e na Alemanha (44%), os dois países líderes em termos de maiores quantidades de resíduos gerados.


A participação da reciclagem no tratamento total de resíduos foi consideravelmente menor na Finlândia (9,5 por cento), onde os resíduos gerados per capita foram os mais altos entre todos os estados-membros da UE. Este número também foi baixo na vizinha Suécia (11,9 por cento).

O conjunto de dados do Eurostat não inclui o Reino Unido, mas de acordo com o Office for National Statistics, a parcela de “reciclagem e outras recuperações” foi de 50,4% no Reino Unido em 2018. O preenchimento (6,6%) não está incluído neste mapa.

Por que os registos de reciclagem dos países europeus são tão diferentes?

A principal razão para o grande contraste na participação da reciclagem deve-se às atividades económicas que geram resíduos.

Em 2020, a participação da mineração e extração no total de resíduos foi de 75% na Finlândia, 77% na Suécia e 84% na Roménia.

Algumas das maiores reservas conhecidas da UE de minerais usados ​​para baterias e outros produtos estão localizadas na Finlândia, onde existem cerca de 40 minas operacionais produzindo níquel, zinco, lítio, cobalto e ouro, entre outros.

Metade dos resíduos urbanos é reciclado na UE

E quanto aos papéis das famílias na gestão de resíduos? Eles geraram apenas 9,4 por cento do total de resíduos na UE. As estatísticas de resíduos municipais fornecem-nos algumas informações sobre os resíduos domésticos e de escritório, bem como a composição dos resíduos domésticos.

Em 2021, quase metade (49,6%) dos resíduos urbanos foi reciclada na UE.


A Alemanha teve a maior taxa de reciclagem de lixo municipal.

Em 2021, a taxa de reciclagem desse fluxo de lixo variou de 11,3% na Roménia a 71,1% na Alemanha.

Além da Alemanha, seis outros países da UE tiveram taxas de reciclagem mais altas do que a média da UE: Áustria, Eslovénia, Holanda, Luxemburgo, Bélgica e Itália.

França, Reino Unido e países escandinavos têm taxas de reciclagem mais baixas do que a média.

A taxa de reciclagem de resíduos urbanos foi de 45,1% na França e 44,1% no Reino Unido (dados de 2018). Notavelmente, este valor foi inferior à média da UE em quatro países escandinavos: Suécia (39,5), Noruega (38,2 por cento), Finlândia (37,1 por cento) e Dinamarca (34,3 por cento).

As taxas de reciclagem diminuíram na Noruega e na Dinamarca nas últimas duas décadas

Olhando para a evolução da taxa de reciclagem dos resíduos urbanos entre 2001 e 2021, esta aumentou 21 pontos percentuais (pp) na UE. No entanto, a Agência Europeia do Ambiente (AEA) adverte que o ritmo de progresso tem vindo a abrandar nos últimos anos.


A Eslovénia teve o maior aumento na sua taxa de reciclagem nas últimas duas décadas, 57 pp. A maioria dos países da UE aumentou significativamente as suas taxas de reciclagem de resíduos urbanos neste período. No entanto, as taxas caíram 6 pp na Noruega, 2 pp na Dinamarca e 1 pp na Áustria.

Por que alguns países são melhores em reciclagem do que outros?

De acordo com a AEA, os países com melhor desempenho em termos de reciclagem têm uma gama mais ampla de medidas em comparação com aqueles com taxas de reciclagem mais baixas.

Isso inclui a proibição de deposição em aterro de resíduos biodegradáveis ​​ou resíduos urbanos não pré-tratados e a coleta separada obrigatória de tipos de resíduos urbanos, especialmente bio resíduos. Os principais países também possuem instrumentos económicos, como impostos sobre aterros e incineração e taxas de coleta de lixo que incentivam fortemente a reciclagem.

A EEA também descobriu que altos níveis de consciência ambiental nacional contribuíram para altas taxas de reciclagem. Juntamente com a implantação efetiva da legislação nacional de gestão de resíduos.

A UE também exporta alguns dos resíduos

Nenhuma imagem dos resíduos da UE está completa sem olhar para quanto é ejetado do quadro.

Em 2021, as exportações de resíduos da UE para países não pertencentes à UE atingiram 33 milhões de toneladas, um aumento de 77 por cento desde 2004. As importações de resíduos de países não pertencentes à UE aumentaram 11 por cento neste período, ascendendo a 19,7 milhões de toneladas em 2021.


A Turquia foi o maior destino dos resíduos exportados da UE, com um volume de cerca de 14,7 milhões de toneladas em 2021, quase metade (45 por cento) do total das exportações. Esse valor foi mais de três vezes maior do que em 2004.

Que países da UE exportam mais resíduos?


A Holanda exportou 6,4 milhões de toneladas de resíduos para países fora da UE, seguida pela Bélgica (4,3 milhões de toneladas) e Alemanha (3,5 milhões de toneladas).

É o maior porto de trânsito para resíduos plásticos.

As exportações de resíduos do Reino Unido para a Holanda aumentaram mais de 60% entre 2020 e 2021, de acordo com a instituição de caridade holandesa Plastic Soup Foundation.

No mesmo período, as exportações holandesas de plástico para a América Latina, Ásia e África mais que dobraram, levando ativistas ecológicos a denunciar que os resíduos estão sendo despejados no exterior por intermediários holandeses. Euronews.green