Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Sahara Ocidental - Brasil doa US$ 120 mil ao Programa Mundial de Alimentos para ajudar saharauis abrigados na Argélia

A contribuição visa atender às necessidades urgentes de alimentos nos acampamentos de refugiados saharauis perto de Tindouf, mais de 80% dos refugiados depende exclusivamente de ajuda para sobreviver no deserto do Sahara


O Programa Mundial de Alimentos, WFP, anunciou uma contribuição de US$ 120 mil do Governo do Brasil.

O valor deve apoiar a resposta às necessidades alimentares urgentes das populações mais vulneráveis nos campos de refugiados saharauis, localizados na Argélia.

Distribuição de rações mensais e foco nas crianças e mulheres grávidas

Segundo o WFP, cinco campos próximos da cidade de Tindouf, no sudoeste argelino, abrigam estes cidadãos em condições extremamente difíceis no Deserto do Sahara desde 1975.

Em comunicado, o WFP, em parceria com a Cruz Vermelha Argelina, distribui rações alimentares mensais ajustadas às necessidades nutricionais da população.

A agência da ONU tem também reforçado programas destinados a combater a desnutrição, incluindo iniciativas de Mudança Social e Comportamental, SBC na sigla em inglês.

Esses programas visam reduzir casos de desnutrição infantil, apoiar mulheres grávidas e promover melhores práticas de alimentação nos campos.

2025: WFP distribuiu 22 mil toneladas de alimentos

A representante e diretora do WFP na Argélia, Aline Rumonge, agradeceu ao Brasil pela contribuição, afirmando que o apoio é fundamental para manter as operações.

Ela declarou que “esta contribuição oportuna fornece os recursos críticos necessários para sustentar a assistência alimentar e otimizar as nossas operações nos campos”.

O Programa Mundial de Alimentos, WFP, informou que, em 2025, forneceu mais de 22 mil toneladas métricas de alimentos a 133 mil beneficiários nos campos saharauis.

O apoio incluiu também 8,6 mil mulheres grávidas e lactantes, que receberam transferências mensais em dinheiro para melhorar a diversidade alimentar e reduzir casos de anemia.

Além disso, a organização distribuiu alimentos nutritivos especializados destinados à prevenção e tratamento de malnutrição aguda moderada em cerca de 15 mil crianças com menos de cinco anos.

Embaixador brasileiro reafirma compromisso com refugiados

O embaixador do Brasil na Argélia, Marcos Pinta Gama, afirmou que o país continuará a apoiar os refugiados saharauis em Tindouf com contribuições financeiras e doações em espécie, incluindo apoio do setor privado.

Ele afirmou estar ao lado dos refugiados, “que vivem em condições difíceis há muitos anos”.

Segundo o comunicado, o WFP na Argélia pretende ampliar a colaboração com doadores governamentais tradicionais e emergentes. A entidade da ONU apoia os refugiados saharauis no país desde 1986.

O WFP acrescentou que as suas operações são realizadas e monitorizadas em coordenação com organizações nacionais e internacionais, com o objetivo de garantir que a assistência alimentar chegue às populações mais necessitadas. ONU News – Nações Unidas


sábado, 10 de janeiro de 2026

Sahara Ocidental - Negociações sobre o território continuam bloqueadas

As negociações em torno do Sahara Ocidental permanecem num impasse, com Marrocos ainda sem conseguir apresentar o seu novo plano de autonomia para o território disputado, quase dois meses após uma reunião de alto nível realizada em Rabat. A informação é avançada pela publicação Africa Intelligence (AI), que aponta dificuldades internas e divergências diplomáticas como principais entraves ao processo.


Segundo a publicação, apesar de a Resolução 2797 do Conselho de Segurança da ONU, aprovada a 31 de outubro de 2025, reconhecer a proposta marroquina como base das futuras negociações, o texto sublinha a necessidade de uma “autonomia genuína” para o território. Esta exigência implicaria alterações constitucionais em Marrocos, um cenário sensível que poderá desencadear reivindicações semelhantes noutras regiões do país, como o Rif oriental.

O dossiê encontra-se atualmente sob análise do ministro do Interior marroquino, Abdelouafi Laftit, sendo a questão da regionalização considerada o principal obstáculo à finalização da proposta.

EUA querem liderar negociações e afastar ONU

O processo – adianta a AI - é ainda marcado por um braço-de-ferro entre os Estados Unidos e as Nações Unidas. Washington, principal impulsionador da Resolução 2797, pretende assumir a liderança direta das negociações entre Marrocos e a Frente Polisário, com ou sem o envolvimento da missão da ONU no terreno.

Esta estratégia surge num contexto de enfraquecimento da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO), afetada por cortes orçamentais e despedimentos, e numa altura em que a resolução aprovada em outubro evita referir explicitamente a realização de um referendo de autodeterminação, um dos pilares históricos da missão das Nações Unidas.

O novo embaixador dos EUA em Rabat, Richard Duke Buchan, tem defendido uma resolução rápida do conflito e admite mesmo uma saída antecipada da MINURSO antes do prazo de 12 meses previsto pela ONU.

Mediação norte-americana enfrenta resistências

Após a eventual apresentação do plano marroquino, os EUA pretendem avançar com negociações tripartidas envolvendo Rabat, Argélia e a Frente Polisário, sob liderança do enviado especial para o Médio Oriente, Steve Witkoff, e do enviado para África, Massad Boulos, com apoio de Jared Kushner.

No entanto, estas manobras diplomáticas esbarram na posição de Marrocos, que prefere negociar diretamente com a Argélia e a Polisário, e na recusa persistente de Argel em assumir um papel formal no conflito ou regressar ao formato de negociações multilaterais conhecido como “mesa-redonda”. In “Sahara Ocidental Informação” - Portugal com “Africa Intelligence”


quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Sahara Ocidental – Dar a voz aos povos oprimidos

Na cidade de Dakhla, no Sahara Ocidental, novas companhias aéreas chegam ao aeroporto, o porto cresce, resorts multiplicam-se ao longo da costa e as nuvens de kitesurf enchem o mar. A localidade é, inclusivamente, cenário do novo filme A Odisseia, do realizador Christopher Nolan. Enquanto isso, do outro lado da fronteira, na Argélia, cerca de 175.000 saharauis vivem exilados em campos de refugiados, que adotam os nomes das cidades que deixaram para trás na antiga colónia e província espanhola do Sahara, incluindo Dakhla.


A descolonização nunca chegou ao Sahara Ocidental, administrado por Espanha desde o final do século XIX até 1975, ano em que foram assinados os Acordos Tripartidos de Madrid. Espanha retirou-se então em favor da Mauritânia e de Marrocos, sob forte pressão deste último, que organizou a Marcha Verde — ou Negra, consoante o ponto de vista —, mobilizando cerca de 350.000 civis e militares para reivindicar o território. A Mauritânia abandonou o Sahara em 1979, enquanto Marrocos construiu o segundo muro defensivo mais extenso do mundo para consolidar o seu controlo.

Antes disso, durante o processo de descolonização africana em meados do século XX, Espanha tentou transformar o Sahara numa província, procurando eliminar o seu estatuto colonial perante as Nações Unidas — sem sucesso. A ONU incluiu o território na lista de territórios não autónomos e solicitou a realização de um referendo de autodeterminação. Espanha anunciou que o referendo teria lugar no primeiro semestre de 1975, mas Hassan II, então rei de Marrocos, recorreu ao Tribunal Internacional de Justiça para reclamar um alegado direito histórico sobre o território. O tribunal rejeitou essa tese, confirmou o direito à autodeterminação do povo saharaui e declarou a nulidade do Acordo Tripartido. Ainda assim, Rabat avançou.

A ocupação desencadeou um deslocamento em massa: entre 40.000 e 50.000 saharauis refugiaram-se na Argélia. A Frente Polisário, movimento de libertação saharaui criado alguns anos antes, iniciou uma guerra armada que se prolongou durante décadas. Os acordos de paz com Marrocos, que previam a realização de um referendo, só seriam assinados em 1991.

Espanha já tinha elaborado um censo em 1974, rejeitado por Marrocos. A ONU apresentou um novo em 1999, igualmente recusado. Em 2007, Rabat apresentou a sua alternativa: um plano de autonomia sob soberania marroquina. A Polisário opõe-se por excluir o direito à autodeterminação e, em 2020, declarou o fim do cessar-fogo. O conflito mantém-se.

De acordo com a Carta das Nações Unidas, as potências administradoras têm a obrigação de descolonizar os territórios sob a sua responsabilidade e não ficam isentas apenas por se retirarem. Assim, Espanha continua a ser a potência administrante de jure — embora não de facto — do Sahara Ocidental. Até 2022, Madrid defendia a realização do referendo sob mandato da ONU. Nesse ano, porém, deu-se uma reviravolta sem debate público nem consulta parlamentar: «Espanha considera que a proposta marroquina de autonomia apresentada em 2007 é a mais séria, credível e realista», afirmou o Governo numa carta divulgada por Rabat.

No seu primeiro mandato, Donald Trump reconheceu a soberania marroquina sobre o Sahara, e a lista de países alinhados com Rabat tem vindo a crescer. Recentemente, o Conselho de Segurança da ONU apoiou a proposta marroquina de autonomia. Até esta mudança de contexto internacional, o Tribunal de Justiça da União Europeia mantinha uma jurisprudência clara: o Sahara Ocidental não faz parte de Marrocos, anulando por isso os acordos comerciais e de pesca entre a UE e Rabat que incluíam recursos saharauis.

Marrocos precisa do rico deserto do Sahara. A sua zona de pesca faz do país o 15.º maior produtor mundial de peixe. Detém as maiores reservas globais de fosfatos, essenciais para a produção de fertilizantes, exporta grandes quantidades de areia e alberga, nas suas águas, minerais estratégicos como cobalto, lítio e terras raras, como o telúrio.

Para preservar o controlo destes recursos, Marrocos exerce influência de várias formas: instrumentaliza os fluxos migratórios — como ficou patente na tragédia de Melilha, onde pelo menos 77 pessoas desapareceram após Espanha ter prestado assistência médica ao líder da Polisário, Brahim Gali. No plano político, Rabat foi acusado de subornar eurodeputados para influenciar votações a nível europeu. A nível nacional, o Parlamento Europeu apontou Marrocos como possível responsável pela espionagem de altos responsáveis espanhóis, incluindo o presidente do Governo, através do spyware Pegasus.

Perante esta pressão e uma alegada «reserva de interesses» partilhada, impõe-se um pragmatismo que evita incomodar o vizinho. O Sahara Ocidental é o território mais extenso do mundo ainda pendente de descolonização, e 2026 será um ano decisivo: ficará claro se a via da legalidade internacional se mantém ou se o conflito evolui para uma escalada militar aberta. A população permanece dividida entre os campos de refugiados e os territórios ocupados, onde enfrenta discriminação económica e restrições políticas. Após meio século de espera, o destino do Sahara Ocidental continua por resolver. Pablo Fernández – Espanha in “Associação de Amizade Portugal Sahara Ocidental”

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Pablo Fernández Fernández - Diretor de conteúdos da Fundación porCausa, uma organização espanhola sem fins lucrativos, fundada em 2013, dedicada ao jornalismo investigativo, à investigação e à promoção de narrativas informadas sobre migrações e direitos humanos.


sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Argélia e Angola reforçam cooperação nos recursos minerais e energéticos

O ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, reuniu-se esta quinta-feira, com o embaixador da Argélia em Angola, Mounir Bourouba, para abordar o fortalecimento da cooperação bilateral no domínio dos recursos minerais e energéticos


O diplomata argelino destacou a importância do intercâmbio de experiências entre os dois países que possuem um histórico de colaboração nas áreas da exploração de petróleo e pesquisa subterrânea.

Segundo Mounir Bourouba, Angola e Argélia têm um grande potencial de cooperação, tendo acordado o envio de missões técnicas para ambos os países, com vista a aprofundar e expandir a parceria.

O embaixador afirmou que está em curso a discussão de um acordo bilateral no sector dos hidrocarbonetos, abrangendo também programas de formação técnica para quadros angolanos, uma prática que remonta desde os anos 70.

Recordou, ainda, o recente encontro entre o ministro Diamantino Azevedo e o seu homólogo argelino, Mohamed Arkab, ocorrido em Junho, à margem do 17.º Cimeira de Negócios EUA – África, onde foram analisadas novas oportunidades para ampliar a cooperação entre os dois países.

“Estou hoje aqui para dar seguimento a esse compromisso e acelerar o processo de consolidação das nossas relações bilaterais”, concluiu. In “Jornal de Angola” - Angola


sexta-feira, 10 de junho de 2022

Argélia - Suspende tratado de amizade com a Espanha sobre o Sahara Ocidental

O gabinete do presidente argelino anunciou nesta quarta-feira que a nação do norte de África estava “imediatamente” a suspender um tratado de amizade de duas décadas com a Espanha.

Foi o mais recente golpe nas relações cada vez mais vacilantes entre Argel e Madrid, que depende da Argélia para grande parte do seu fornecimento de gás natural.

As tensões aumentaram numa disputa complexa de três vias depois que a Espanha deu o seu apoio à posição de Marrocos sobre o território disputado do Sahara Ocidental.

A Argélia apoia o movimento de independência da Frente Polisário na região, que rejeita a anexação do Sahara Ocidental por Marrocos. Os membros da Frente Polisário estão acampados no sul da Argélia.

A declaração do gabinete do presidente argelino Abdelmadjid Tebboune citou o que disse ser a “injustificável reviravolta” em março sobre a posição da Espanha, equivalendo a um “facto consumado com argumentos falaciosos”. Afirmou que a Espanha desde então faz campanha “para justificar” a sua posição.

O comunicado disse que a Espanha está a abusar do seu papel como “potência administrativa” no Sahara Ocidental até que as Nações Unidas decidam o estatuto do vasto território rico em minerais. Está, portanto, “a contribuir diretamente para a degradação da situação no Sahara Ocidental e na região”, disse o gabinete do presidente argelino.

“Em consequência, a Argélia decidiu proceder imediatamente à suspensão” do tratado, que serviu de marco nos laços dos dois países, refere o comunicado. O tratado data de 2002.

O governo da Espanha lamentou a decisão da Argélia e reafirmou o seu compromisso com o tratado de amizade.

“O governo espanhol considera a Argélia como um país vizinho amigável e reafirma a sua total prontidão para manter e desenvolver a relação de cooperação especial entre os nossos dois países, em benefício do povo de ambos”, disse um comunicado do Ministério das Relações Exteriores espanhol.

A Espanha era a antiga potência colonial no Sahara Ocidental até ser anexada por Marrocos em 1975. Desde então, a Argélia e o vizinho Marrocos têm laços tensos sobre o destino do Sahara Ocidental. Marrocos quer alguma autonomia para a região com supervisão marroquina sobre o que chama das suas “províncias do sul”.

Os dois países africanos romperam relações diplomáticas em agosto no impasse.

A questão do Sahara Ocidental combinou-se com a turbulência sobre o fornecimento de energia da Argélia rica em gás. A imprensa argelina refere-se regularmente ao apoio da Espanha ao Marrocos como uma forma de “traição”.

A oposição diplomática da Argélia em Espanha ocorreu horas depois que o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchez, discursou longamente no Parlamento da Espanha sobre a sua decisão de se aliar a Marrocos sobre o futuro do Sahara Ocidental. Sanchez disse que fazer o Sahara Ocidental operar de forma autónoma sob o domínio marroquino é “a iniciativa mais séria, realista e credível” para resolver a longa disputa pelo território.

Embora seja líder em energia eólica e solar, a Espanha ainda precisa importar gás natural para atender às suas necessidades energéticas.

Em 2021, a Sonatrach da Argélia forneceu à Espanha mais de 40% do seu gás natural importado, a maioria trazida pelo gasoduto submarino Medgaz. Outra rota de abastecimento para a Espanha era através do oleoduto Maghreb Europe, que passa por Marrocos, mas foi interrompido após a interrupção de agosto nas relações diplomáticas entre a Argélia e o Marrocos.

Nos últimos meses, os Estados Unidos assumiram o lugar de principal fornecedor de gás natural da Espanha.

Até agora, não há indicação de que a Argélia planeie não cumprir o seu contrato atual para enviar gás para a Espanha por gasoduto e navios-tanque. Mas anunciou recentemente que a Itália, com a qual tem um oleoduto separado, será um cliente preferencial, enquanto os países europeus lutam para encontrar alternativas à energia russa para puni-lo pela sua invasão da Ucrânia.

“A Argélia é conhecida por ser um fornecedor confiável (de gás) e deu garantias do mais alto nível do seu governo” de que o gás continuará fluindo, disse o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Albares. Euronews.com

 

quarta-feira, 2 de março de 2022

Itália – Está a considerar receber gás argelino para distribuição pela Europa

O ministro das Relações Exteriores da Itália está de visita à Argélia com o seu principal CEO de energia para discutir a cooperação à luz da crise na Ucrânia, informou o ministério nesta segunda-feira.

A medida ocorre no momento em que os governos ocidentais intensificam os esforços para explorar suprimentos alternativos de gás para reduzir a sua dependência da Rússia após a invasão da Ucrânia.

O gás natural é considerado o combustível fóssil mais limpo – mas não substitui fontes de energia renováveis ​​como a eólica e o solar, pois ainda emite uma grande quantidade de metano.

O Ministério das Relações Exteriores anunciou que o ministro Luigi Di Maio estava viajando para a Argélia com o presidente-executivo da Eni, Claudio Descalzi, e um representante do ministério da transição energética.

A Eni tem uma série de contratos de gás de longo prazo com a empresa de gás argelino Sonatrach e é um dos maiores produtores estrangeiros de energia do país.

Também tem contratos estratégicos de gás take-or-pay com a russa Gazprom. Euronews.green

 

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Macau – Especialistas integram equipa médica da China no combate à Covid-19 na Argélia

Cinco especialistas de Macau integrados num grupo de peritos da China partem hoje para a Argélia com a missão de ajudar no combate à pandemia despoletada pela Covid-19. Os Serviços de Saúde ainda não têm data para a reabertura das creches, numa altura em que o território conta com 34 dias consecutivos sem novos casos de infecção e apenas três pacientes em tratamento

Um grupo de especialistas de Macau parte hoje para a Argélia, integrado na Equipa de Resgate Médico de Emergência da China, para participar nos trabalhos de combate à Covid-19 em África, anunciou ontem Mio Chi Fong, chefe da delegação de Macau, em conferência de imprensa, acrescentando que o objectivo da missão é prestar apoio e auxílio às equipas médicas locais que estão, neste momento, “sob grande pressão”. O grupo de Macau é composto por dois médicos, uma enfermeira, uma técnica de saúde pública e um representante dos Serviços de Saúde.

“Partimos para esta missão com o objectivo de partilhar experiências no âmbito do intercâmbio académico e plano de prevenção e controlo junto de instituições médicas locais e de outros locais indicados pelas autoridades da Argélia, como centros de investigação e estudo, instituições públicas locais”, afirmou Mio Chi Fong, acrescentando que o grupo de Macau irá colaborar na Argélia com 15 especialistas e peritos clínicos de prevenção de epidemia da província de Chongqing, e que a China já tem um total de sete equipas deste género em países africanos.

Mio Chi Fong explicou ainda que a Argélia é um país “considerado de zona de alta incidência”, com cerca de seis mil infectados, quase 600 mortos e 18 casos graves. “As equipas médicas estão sob grande pressão e pretendemos ajudar a comunidade na Argélia e as instituições médicas locais no combate à Covid-19, assim como partilhar a nossa experiência”, frisou o médico de Serviço de Urgência do Centro Hospitalar Conde de São Januário, que será acompanhado pela médica do Serviço de Urgência Ieong Pui I, a enfermeira do Centro Hospitalar do Conde São Januário, Wong Kun Man, a técnica de saúde pública, Chan Soi Fan, e o técnico superior do gabinete do director dos Serviços de Saúde, O Leong.

Em comunicado, o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus assinalou que todos os elementos possuem experiência na participação directa nos trabalhos de prevenção e controlo da epidemia de pneumonia do novo tipo de coronavírus de Macau e que têm a “capacidade suficiente para lidar com diferentes situações de risco”. Citada no comunicado, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong, referiu a importância desta missão para aumentar “a capacidade prática da Equipa de Emergência Médica de Macau” e permitir uma “acumulação de experiência internacional na luta contra a epidemia de Covid-19”, tendo em vista o aumento do “nível de resposta de emergência na saúde pública de Macau”.

Reabertura de creches ainda sem data marcada

Na habitual conferência de imprensa de actualização dos números da pandemia, Lo Iek Long, médico adjunto da direcção do Centro Hospitalar Conde de São Januário, foi questionado sobre a reabertura das creches e dos lares de terceira idade. O representante dos Serviços de Saúde revelou que o Instituto para os Assuntos Sociais ainda não tem uma data para a reabertura das creches. Em relação aos centros de cuidados de idosos, o IAS está a realizar trabalhos preparatórios nesse sentido.

“A decisão da reabertura dos lares e das creches é das funções do IAS, mas posso passar a mensagem que me passaram. O IAS tem-se mostrado preocupado com a situação epidémica e, tendo em conta a fragilidade das crianças, e no sentido de garantir a sua segurança, ainda não há um plano para a reabertura das creches. Sobre os lares, tem havido uma comunicação com as instituições cívicas para fazer os trabalhos preparatórios para a reabertura. Já agendaram a realização de testes de ácido de nucleico para os trabalhadores dos serviços sociais, duas semanas antes da reabertura das instituições, mas o IAS irá divulgar as informações depois”, explicou Lo Iek Long.

Autoridades montam tendas no parque de estacionamento do Pac On

Sobre o elevado número de pessoas que aguardam no Terminal Marítimo do Pac On para realizar os testes de ácido nucleico, o chefe da Divisão de Relações Públicas do CPSP, Lei Tak Fai, anunciou algumas mudanças no local para atenuar o desconforto da espera, mas reiterou também o apelo para que as pessoas se apresentem apenas à hora marcada, ou apenas 10 minutos antes.

“O número de pessoas que já fizeram marcação é muito elevado e chegam sempre com antecedência, por isso verificam-se as filas”, começou por dizer o porta-voz do CPSP, adiantando, depois, que vários representantes do Governo deram indicações para que se abrissem mais espaços no parque de estacionamento com a instalação de tendas. “Vários elementos do Governo foram ao Terminal Marítimo do Pac On e, depois de constatar a situação, deram informações para optimizar o trabalho, incluindo a abertura de espaços no parque de estacionamento e a instalação de tendas de forma a melhorar o ambiente de espera pelos testes. Para além disso, foram instaladas mais paragens de transportes públicos e táxis”, referiu. Eduardo Santiago – Macau in “Ponto Final”

eduardosantiago.pontofinal@gmail.com

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Argélia – Consórcio chinês cria hub de transbordo na Argélia

Dentro de sete anos, se tudo correr como previsto, a Argélia disporá de um porto de transhipment de contentores com uma capacidade projectada para atingir os 6,5 milhões de TEU em quatro anos.

O novo porto será construído por um consórcio chinês e operado pela Shanghai Ports Group. As autoridades argelinas estimam que assim será mais fácil captar tráfegos e contentores com origem/destino no Extremo Oriente, que ali façam transhipment, que utilizem as redes viária e ferroviária argelinas para chegar ao interior do continente africano.

A primeira fase do novo porto deverá estar operacional dentro de sete anos. Serão precisos depois mais quatro anos atingir os programados 23 postos de atracação e a capacidade de movimentar 6,5 milhões de TEU e 26 milhões de toneladas de mercadorias/ano.

O acordo para o desenvolvimento do novo projecto foi ontem mesmo assinado na Argélia pelo ministro dos Transportes argelino e por representantes da China Harbour Engineering Company e da China State Construction Engineering Corporation.

O projecto deverá arrancar formalmente em Março próximo, assim esteja constituída a nova sociedade que ficará responsável pelo seu desenvolvimento. In “Transporte & Negócios” - Portugal

sábado, 9 de janeiro de 2016

Argélia – Investimento de três mil milhões num novo porto

A Argélia anunciou que vai investir 3,3 mil milhões dólares (3 069 milhões de euros) na construção de um porto em El Hamdania, perto da cidade de Cherchell.

Citado pela agência de notícias “ANSAmed”, o primeiro-ministro argelino, Abdelmalek Sellal, afirmou tratar-se “do maior projecto de infra-estruturas desde a independência” do país da França, há 54 anos.

O projecto, que terá, segundo a comunicação social da Argélia, concurso aberto em breve, terá duas fases de desenvolvimento e será uma parceria público-privada aberta à participação estrangeira. O porto terá 23 cais e capacidade para movimentar 25,7 milhões de toneladas de carga.

Devendo ocupar uma área de mais de 2 000 hectares a menos de 100 km da capital Argel, o novo porto localizar-se-á numa baía naturalmente protegida com fundos de -20 metros.

Actualmente, a Argélia tem uma capacidade de movimentação de carga de apenas 10,5 milhões de toneladas, dividida entre os portos de Argel e Ténès. In “Transportes & Negócios” - Portugal