Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 24 de março de 2026

Moçambique – Avança projecto mineiro de Revúboè, uma nova etapa para a industrialização do país

O Presidente da República, Daniel Chapo, lançou, na passada sexta-feira, na cidade de Moatize, província de Tete, a primeira pedra do Projecto Mineiro de Revúboè, uma iniciativa considerada estratégica para o fortalecimento do sector extractivo e para a dinamização do crescimento económico nacional.


Falando na cerimónia, o Chefe do Estado afirmou que o projecto representa um marco importante na valorização dos recursos minerais do país e na atracção de investimento directo, sublinhando que o Governo continuará empenhado em promover iniciativas que geram emprego para a juventude, aumentam as receitas do Estado e contribuem para a melhoria das condições de vida da população.

“A nossa presença neste acto atesta a aposta do nosso Governo na atracção de mais investimentos, orientados para a criação de postos de emprego para a nossa juventude e para a geração de receitas para o Tesouro Público”, declarou o Presidente da República.

O estadista saudou igualmente a empresa Jindal Steel & Power, novo accionista do empreendimento, pela confiança depositada no potencial mineiro de Moçambique e pela decisão de investir na reactivação e desenvolvimento da mina de Revúboè.

Segundo o Chefe do Estado, a província de Tete possui algumas das mais importantes reservas de carvão do continente africano e do mundo, sendo historicamente reconhecida como o coração carbonífero do país. Contudo, frisou que o principal desafio continua a ser transformar essa riqueza geológica em desenvolvimento humano concreto.

“O nosso desafio histórico tem sido transformar essa riqueza geológica em desenvolvimento humano mensurável, em estradas; em escolas, em centros de saúde e em melhores condições de vida para cada família moçambicana”, afirmou.

De acordo com o Presidente da República, o projecto de Revúboè apresenta um elevado potencial económico, social e estratégico. Na primeira fase prevê-se uma produção anual de cerca de 3,5 milhões de toneladas de carvão, com possibilidade de atingir 7 milhões de toneladas por ano na segunda fase, projectada para 2032.

A iniciativa deverá igualmente criar 1500 empregos directos e cerca de 8 mil indirectos, beneficiando, sobretudo, jovens e trabalhadores da província de Tete. Com uma vida útil estimada em 35 anos, o projecto deverá contribuir de forma consistente para o aumento das receitas do Estado e para o financiamento de sectores prioritários como educação, saúde, agricultura e infra-estruturas.

O Chefe do Estado destacou, ainda, que a entrada em funcionamento da mina reforçará o posicionamento de Moçambique como um dos principais produtores de carvão da África Austral, além de optimizar o uso das infra-estruturas logísticas nacionais, nomeadamente, os corredores ferroviários da Beira e de Nacala.

Na ocasião, o Presidente da República enfatizou que o projecto se enquadra na estratégia nacional de industrialização, defendendo que o país deve deixar de exportar apenas matérias-primas em bruto.

“Por décadas, Moçambique exportou matérias-primas sem valor acrescentado, deixando para outros países os benefícios do processamento industrial. Esse paradigma tem de mudar, e com Revúboè começamos a mudar”, afirmou.

Segundo explicou, o carvão produzido na mina será, em grande parte, utilizado em unidades industriais da própria empresa para a produção de aço, contribuindo para o desenvolvimento da cadeia de valor no território nacional.

O estadista exortou igualmente ao operador do projecto a apresentar, com urgência, uma estratégia clara de contratação de empresas nacionais e da promoção da moçambicanização da mão-de-obra, garantindo que os benefícios da exploração mineira sejam partilhados com as comunidades locais.

No mesmo contexto, sublinhou a necessidade de o projecto respeitar rigorosamente os padrões de responsabilidade social e ambiental, advertindo que o Governo acompanhará de perto a sua implementação.

“Não aceitaremos que as oportunidades geradas por este projecto passem ao lado das nossas comunidades e das nossas empresas”, advertiu.

Entre outras medidas, está prevista a construção de uma nova vila de reassentamento com habitações dignas, serviços básicos e infraestruturas sociais, incluindo um centro de saúde comunitário.

Para o Presidente da República, a exploração responsável dos recursos naturais deve traduzir-se em benefícios concretos para as populações locais, através de oportunidades económicas em áreas como fornecimento de bens alimentares, serviços logísticos, transporte e outras actividades associadas à cadeia mineira.

“A maior riqueza de Tete não é apenas o carvão, mas sim o seu povo, trabalhador, resiliente e orgulhoso. É para este povo que trabalhamos”, sublinhou.

O Chefe do Estado manifestou ainda a expectativa de que o projecto de Revúboè marque o início de uma nova relação entre o sector extractivo e as comunidades, baseada na transparência, no respeito e no benefício mútuo.

Na parte final da sua intervenção, felicitou ao Ministério dos Recursos Minerais e Energia, aos investidores, às autoridades locais e à população da província de Tete pela concretização do projecto, desejando sucesso na sua implementação.

“Esperamos que este projecto contribua para reforçar o posicionamento de Moçambique como um destino atractivo para o investimento mineiro e para consolidar o sector como um dos pilares do desenvolvimento económico nacional”, concluiu. In “O País” - Moçambique


sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Argélia e Angola reforçam cooperação nos recursos minerais e energéticos

O ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, reuniu-se esta quinta-feira, com o embaixador da Argélia em Angola, Mounir Bourouba, para abordar o fortalecimento da cooperação bilateral no domínio dos recursos minerais e energéticos


O diplomata argelino destacou a importância do intercâmbio de experiências entre os dois países que possuem um histórico de colaboração nas áreas da exploração de petróleo e pesquisa subterrânea.

Segundo Mounir Bourouba, Angola e Argélia têm um grande potencial de cooperação, tendo acordado o envio de missões técnicas para ambos os países, com vista a aprofundar e expandir a parceria.

O embaixador afirmou que está em curso a discussão de um acordo bilateral no sector dos hidrocarbonetos, abrangendo também programas de formação técnica para quadros angolanos, uma prática que remonta desde os anos 70.

Recordou, ainda, o recente encontro entre o ministro Diamantino Azevedo e o seu homólogo argelino, Mohamed Arkab, ocorrido em Junho, à margem do 17.º Cimeira de Negócios EUA – África, onde foram analisadas novas oportunidades para ampliar a cooperação entre os dois países.

“Estou hoje aqui para dar seguimento a esse compromisso e acelerar o processo de consolidação das nossas relações bilaterais”, concluiu. In “Jornal de Angola” - Angola


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Guiné-Bissau – Presidente da República novamente de visita a Moscovo

Líderes africanos são hóspedes frequentes no Kremlin, em Moscovo. No entanto, o presidente da Guiné-Bissau, Sissoco Embalo, pode ser considerado um verdadeiro recordista. Ultimamente tem vindo todos os anos à Rússia



O Presidente Umaro Sissoco Embalo está por estes dias em Moscovo na procura de apoio para o desenvolvimento da Guiné-Bissau, um dos países mais pobres do mundo, enquanto marca uma posição contra o isolamento ocidental da Federação Russa.

Com esta deslocação à capital da Rússia, Sissoco Embalo, que foi recebido por Vladimir Putin no Kremlin, deixa perceber que o seu país não teme desafiar a norma ocidental de isolamento a que o país está a ser sujeito devido à guerra com a Ucrânia nem teme desafiar opções opostas de parceiros da CPLP, como Portugal.

Além disso, Bissau parece claramente apostada em seguir um caminho com semelhanças ao que está a ser feito pelos vizinhos da África Ocidental, Burquina Faso, Mali e Níger, e, de alguma forma, a Guiné-Conacri, de uma aproximação estratégica à Rússia.

Com um subdesenvolvimento crónico, a Guiné-Bissau, segundo fontes do Novo Jornal na capital guineense, está consciente de que a sua proximidade aos países ocidentais, nomeadamente Portugal, antiga potência colonial, e à União Europeia não resolve os seus problemas estruturais.

O país precisa urgentemente de investimento externo e os europeus não se têm mostrado abertos a fazê-lo, estando agora Sissoco Embalo a enveredar por uma alternativa, virando-se para a Rússia e a China, que já é um parceiro da linha da frente.

No encontro com Putin no Kremlin, o Chefe de Estado guineense, segundo a TASS, apresentou como áreas estratégicas para o investimento russo os recursos minerais, a agricultura, energia, pescas e infra-estruturas.

A Guiné-Bissau tem uma posição estratégica na costa da África Ocidental com uma larga abertura para o Atlântico, que permite a exploração de gigantescas áreas de pesca e que conta com indícios fortes da presença de reservas consideráveis de hidrocarbonetos.

Mas é na área da geopolítica que Bissau tem mais para oferecer a Moscovo, que já tem na região aliados de peso, somando-se ainda a melhoria das relações, além do Burquina, Mali e Níger, com Conacri e com o Senegal...

Além disso, existe um antigo desejo de ligar o Mali, e, por inerência de alianças regionais, o Burquina e o Níger, ao mar, por estrada e ferrovia, com um eventual desenvolvimento do porto de águas profundas de Buba.

E Umaro Sissoco Embalo não tem escondido que esse projecto está entre as suas prioridades de longo prazo desde que tenha condições para o executar, sendo esta a oportunidade, aproveitando as alianças estratégicas na região com a Rússia.

Devido à sua localização geográfica, esta infra-estrutura, que é um projecto com décadas, vindo mesmo do tempo colonial, devido às condições naturais da área de futura criação do porto de águas profundas, exigira sempre acordos de natureza sub-regional, porque entre o Mali e a Guiné-Bissau estão os territórios do Senegal ou da Guiné-Conacri.

No decurso do encontro no Kremlin entre os dois Presidentes, o russo lembrou que em 2024, as trocas comerciais entre a Rússia e o continente africano cresceram 10%, o que deixa perceber que existe um empenho dos dois lados para que tal aconteça.

Mas Putin disse ainda, segundo a agência de notícias, que "as relações comerciais entre os dois países requerem seguramente uma atenção cuidada de ambas as partes", mostrando, todavia, abertura para que estas tenham em breve um forte incremento.

"Existem bons alicerces e boas oportunidades para esse momento, e muitas das empresas estão viradas para aproveitar as oportunidades que se lhes apresentarem nos mercados africanos e na Guiné-Bissau seguramente", avançou o chefe do Kremlin.

Sissoco Embalo não foi parco em garantias de interesse no aprofundamento das relações entre os dois países: "Estou aqui para reafirmar a solidez das nossas relações de amizade, porque esta é uma ligação de fraternidade que sempre existiu".

Quando Putin diz que este reforço da parceria tem de ser cuidadosamente analisado, provavelmente tem em consideração que a situação política interna na Guiné-Bissau é, como há décadas, tensa, e desta feita, muito por causa da urgência da realização de eleições como fim do mandato do actual Presidente.

A oposição diz que o mandato terminou esta semana e a Presidência, com o apoio do Tribunal Supremo aponta essa data para o início de Setembro.

Várias personalidades em Bissau acusam o Presidente de tentar encontrar em Moscovo algum tipo de apoio para o prolongamento ilegal do seu mandato, o que será difícil de conseguir, visto que Putin tem actualmente uma situação com algumas semelhanças na Ucrânia, país com quem a Rússia está em guerra e cujo Presidente, Volodymyr Zelensky, o Kremlin acusa de sofrer de legitimidade democrática porque as eleições deveriam ter tido lugar em Maio de 2024, tendo estas sido proteladas no âmbito da Lei Marcial em vigor no país. Ricardo Bordalo – Angola in “Novo Jornal” com “MK”