Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Macau - Universidade de São José e Timor-Leste assinam acordo sobre desenvolvimento de capital humano

O desenvolvimento de capital humano motivou um acordo de cooperação entre a Universidade de São José e o Governo de Timor-Leste. A ideia é fortalecer a colaboração entre as duas partes através “da educação, capacitação e formação profissional de quadros timorenses”


A Universidade de São José (USJ) assinou um acordo de cooperação com Timor-Leste, focado no desenvolvimento de capital humano. “O protocolo visa fortalecer a colaboração entre as duas partes, nomeadamente através da educação, capacitação e formação profissional de quadros timorenses”, indica a instituição de ensino superior em comunicado.

A delegação timorense de alto nível foi chefiada pelo Ministro do Planeamento e Investimento Estratégico, Gastão Francisco de Sousa, que veio acompanhado, entre outros, pelo vice-ministro das Obras Públicas, Júlio do Carmo, pelo conselheiro principal do Ministro, Tomas Pinto, e pelo director executivo do Fundo de Desenvolvimento de Capital Humano (FDCH), Júlio Aparício.

Da parte da USJ estiveram presentes, entre outros, o reitor em exercício, Alejandro Salcedo, o vice-reitor para a Investigação Académica e Inovação, Alexandre Lobo, o vice-reitor para os Assuntos Externos e Desenvolvimento Institucional, Zhang Shuguang, e o director da Faculdade de Ciências da Saúde e Ambientais, Jacky Ho.

Na sessão de abertura da cerimónia, Alejandro Salcedo reafirmou o compromisso da USJ em contribuir para o desenvolvimento de longo prazo de Timor-Leste. Sublinhou igualmente “a relação histórica entre Macau e Timor-Leste” e garantiu que “a universidade está disponível para uma colaboração sustentada e significativa com o Governo timorense”.

Gastão de Sousa, por seu turno, agradeceu à equipa da USJ pelo empenho e coordenação, apontando que o acordo “representa uma missão importante para o Governo de Timor-Leste”. Afirmando que investir no futuro do país passa pelo desenvolvimento de capital humano, o governante timorense explicou que, através do FDCH, o Governo vai “trabalhar em estreita colaboração com a USJ para preparar profissionais qualificados que possam contribuir activamente para o desenvolvimento sustentado da nação”.

Na ocasião, Jacky Ho afirmou sentir-se honrado por trabalhar com o FDCH, especialmente nas áreas dos cuidados sociais e de saúde. Disse também que todas as comunidades herdam um legado dos antepassados e o transportam para o futuro, considerando “entusiasmante” ver esta cooperação tornar-se realidade. Expressou igualmente confiança de que “a vasta experiência da USJ poderá criar um diálogo sólido com o Governo timorense na preparação de um futuro mais promissor”.

Com o Ministro Gastão de Sousa como testemunha, o vice-reitor Alexandre Lobo e o director executivo do FDCH, Júlio Aparício, assinaram o acordo, tendo a cerimónia terminado com uma troca de lembranças.

A USJ refere que esta cooperação se insere no compromisso mais amplo de desenvolver parcerias práticas e de impacto com os países de língua portuguesa. “Está também alinhada com a política de Pequim de reforçar os laços com a lusofonia, reconhecendo o papel de Macau como plataforma de ligação entre a China e o mundo de língua portuguesa”, acrescenta. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


segunda-feira, 8 de junho de 2026

Portugal - Integra a rede de aceleradores da NATO DIANA

O acelerador nacional foi activado pela rede NATO DIANA (Defence Innovation Accelerator for the North Atlantic), o programa de desenvolvimento tecnológico para a indústria da Aliança Atlântica. Esta integração resulta da parceria estratégica entre a idD Portugal Defence e o Instituto Pedro Nunes (IPN), em Coimbra, que é o gestor operacional do acelerador, e coloca o nosso país no centro do desenvolvimento de tecnologias emergentes e disruptivas de duplo uso — inovações com forte aplicabilidade na Defesa.


A rede DIANA foi criada para detetar e acelerar soluções tecnológicas que respondam aos desafios críticos de resiliência e segurança das 32 nações aliadas, permitindo que as empresas testem o desenvolvimento tecnológico que realizem em centros de teste militares. O acelerador gerido pelo IPN passa agora a fazer parte de uma rede exclusiva de aceleradores distribuídos pela Aliança, acompanhando empresas portuguesas no terreno e apoiando-as a posicionarem-se com sucesso no mercado global de defesa.

Benefícios para quem se candidata

As empresas e startups selecionadas para os programas da DIANA recebem um financiamento inicial de 100.000 euros, podendo aceder a 300.000 euros adicionais na fase de crescimento. Beneficiam ainda de uma rede de mais de 200 centros de testes, de participação em exercícios operacionais, de apoio no desenvolvimento de modelos de negócio e de ligação estratégica ao Fundo de Inovação da NATO e a investidores de capital de risco.

Para apoiar as entidades portuguesas no processo de candidatura à edição de 2027, a idD Portugal Defence e o IPN organizam um webinar informativo sobre os novos Challenges do NATO DIANA, no dia 9 de junho.

Prioridades Tecnológicas

A activação do acelerador português da NATO DIANA ocorre num momento em que duas das startups incubadas no IPN — a Neuraspace (inteligência artificial para gestão de tráfego espacial) e a Connect Robotics (logística autónoma de entrega por drones) — foram recentemente selecionadas a nível nacional para integrar a rede de inovadores da DIANA, comprovando a competitividade internacional da tecnologia desenvolvida em Portugal.

O programa foca-se em áreas prioritárias como a Inteligência Artificial, a autonomia, os sistemas de energia e propulsão, a cibersegurança, os novos materiais, as ciências biológicas, as infraestruturas críticas e o Espaço.

Com este novo marco, Portugal e o IPN unem os seus laboratórios de I&D, a sua incubadora e a chancela internacional da NATO num esforço conjunto com a idD para projetar a indústria de Defesa Nacional na vanguarda da inovação tecnológica global.

Sobre a idD Portugal Defence:

A idD Portugal Defence é uma empresa pública que tem como missão promover o desenvolvimento de uma indústria de Defesa nacional competitiva, tecnologicamente avançada e com recursos qualificados para apoiar as Forças Armadas portuguesas e aliadas no desempenho das suas missões

Sobre o Instituto Pedro Nunes (IPN):

Fundado em 1990 por iniciativa da Universidade de Coimbra, o Instituto Pedro Nunes (IPN) é uma instituição privada sem fins lucrativos, de utilidade pública, que promove a inovação e a transferência de tecnologia, estabelecendo a ligação entre o meio científico e tecnológico e o tecido empresarial. O IPN atua através de três vertentes complementares: Investigação e Desenvolvimento Tecnológico (I&DT) com laboratórios próprios, Incubação e Aceleração de empresas de base tecnológica e Formação especializada. Instituto Pedro Nunes - Portugal


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Angola - Os parâmetros do acordo agrícola com o Brasil

O Expansão teve acesso ao documento que serve de base ao acordo agrícola do nosso governo com as autoridades brasileiras, onde estão referenciados os compromissos que cada uma das partes envolvidas tem de assumir. Confira o que cada um tem de fazer na notícia publicada


Estas são as responsabilidades de cada uma das partes envolvidas, de acordo com o documento que foi desenhado pelos governos dos dois países. Para que venha a concretizar-se, deve ser concluído e assinado até ao mês de maio.

Soluções bilaterais

  • Disponibilização de terras com potencial agrícola
  • Estabelecimento de segurança jurídica plena para investidores
  • Elaboração de legislação para os fins da parceria
  • Estruturação de linha de crédito específica
  • Envolvimento institucional para tropicalização de tecnologias
  • Desenvolvimento de sistemas sustentáveis de produção agropecuária
  • Inclusão da população local no processo produtivo

Compromissos do governo de Angola

Disponibilizar 500.000 hectares de terras aráveis, em região com solo e topografia adequadas para produção de grãos e com histórico pluviométrico para plantação de duas safras por ano (Planalto de Camabatela)

Garantir concessão do direito de superfície aos produtores rurais ou empresas participantes do programa, com prazo de 60 anos, renováveis, em áreas livres de ocupação e de disputas

Oferecer garantia soberana para as linhas de financiamento a serem do BNDES e Banco do Brasil

Habilitar o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) a ser o agente emissor de cartas de crédito do BNDES, para as operações amparadas nas linhas de crédito direccionadas ao programa

Estabelecer condições de taxas de juros similares às previstas no "Aviso 10" do Banco Nacional de Angola (BNA) e firmar os contratos com produtores rurais ou empresas em moeda nacional (Kwanza)

Determinar que o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) estabelecerá contratos com os produtores rurais ou com as empresas participantes do programa sem exigir a presença de cidadãos angolanos nas sociedades

Oferecer garantias, via Fundo de Garantia de Crédito (FGC), para as operações firmadas entre o BDA e os produtores rurais ou empresas

Garantir financiamento de bancos locais para apoio ao programa, como valor suplementar aos créditos oferecidos pelo Brasil

Autorizar o uso de sementes com biotecnologia, inclusive geneticamente modificadas, desde que tenham sido aprovadas no Brasil e em pelo menos um outro país ou bloco, como EUA, China ou União Europeia

Estabelecer legislação e mecanismos de protecção dos direitos dos obtentores de sementes

Permitir a repatriação de lucros e dividendos gerados nos empreendimentos do programa

Garantir que serão emitidas licenças de exportação para uma parte da produção agropecuária gerada nas áreas do programa

Estabelecer fluxo prioritário para análise dos pedidos de visto de trabalho para cidadãos brasileiros que venham trabalhar nos projectos do programa

Prever mecanismos de consulta e diálogo com comunidades locais, assegurando que não haja conflitos fundiários e que as comunidades locais sejam integradas na iniciativa

Compromissos do governo do Brasil

Disponibilizar linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com recursos para financiamento de exportações do Brasil para Angola de máquinas, veículos de carga e sistemas de armazenamento de grãos

Disponibilizar linhas de crédito à exportação do Banco do Brasil, com recursos para financiamento de exportações do Brasil para Angola (sementes, fertilizantes, defensivos agrícolas, bioinsumos, animais vivos, produtos veterinários, máquinas, etc)

Disponibilizar garantias/seguro de crédito à exportação via Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF)

Disponibilizar suporte técnico-científico aos projectos a serem desenvolvidos no âmbito do programa, a partir de ações da Cooperação Técnica Brasileira, a serem conduzidos pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA)

Compromissos dos produtores rurais brasileiros

Formar e capacitar técnicos e demais colaboradores, com prioridade para contratação de trabalhadores das regiões mais próximas aos locais de implantação dos projectos agropecuários

Desenvolver um programa contínuo de qualificação profissional, inclusive com envio de colaboradores para formação no Brasil

Transferir tecnologia, conhecimentos técnicos e de gestão

Garantir os direitos trabalhistas dos colaboradores

Apoiar os cultivos das comunidades próximas aos projectos, com serviços mecanizados, insumos e assistência técnica

Apoiar as escolas técnicas locais, com capacitação e oferta de vagas de estágio

Apoiar os serviços de saúde e ensino públicos nas áreas de abrangência dos projectos

Construir agrovilas, com adequada infraestrutura de saneamento e energia

Adoptar práticas agrícolas sustentáveis, incluindo o plantio directo e cumprir a legislação ambiental angolana

Assegurar que uma parte da produção seja destinada ao abastecimento do mercado interno angolano, em apoio à segurança alimentar. Miguel Gomes – Angola in “Expansão”


sábado, 10 de janeiro de 2026

Guiné-Bissau - Cantor Charbel lança “grito de socorro” e apelo à paz

O cantor guineense Charbel Pinto afirmou esperar que a Guiné-Bissau ultrapasse as “brigas entre irmãos”, ao lançar uma música que descreve como “grito de socorro” e apelo à paz


A música Dur (dor, em português) foi escrita em crioulo guineense, no dia do último golpe de Estado no país e surge como uma intervenção social: “Relata que estamos cansados de cair e levantar, de ver os irmãos a brigarem. Está na hora de nos abraçarmos e seguirmos em frente”, disse o músico, em entrevista à Lusa, a partir de Bissau para a cidade da Praia.

“Eu canto muito em crioulo de Cabo Verde porque amo a língua e acredito que a música não tem fronteiras. Sinto que guineenses e cabo-verdianos são irmãos de luta e de sangue, graças ao nosso grande líder e pai, Amílcar Cabral”, referiu.

Mas o contexto político levou Charbel a abrir uma exceção no seu percurso artístico, cantando em crioulo da Guiné-Bissau e desviando-se da habitual temática romântica e festiva, dizendo que não pode “ver o país a sofrer” e ficar calado.

Dur tinha de sair para acalmar as pessoas e tocar os seus corações”, explicou.

Segundo o cantor, a música não faz referências a partidos nem a figuras políticas, mas denuncia a realidade do país e defende a democracia.

“É uma reflexão e apelo à paz. Não quero que ninguém a interprete como perseguição. Luto por um país democrático. Não podemos viver numa ditadura onde não se pode falar quando as coisas estão mal”, afirmou.

O videoclipe divulgado na Internet aborda ainda desigualdades sociais e violência, com destaque para as más condições das infraestruturas públicas.

“Mostrei escolas degradadas. Ter boas escolas e hospitais não é um favor, é uma obrigação”, disse, acrescentando que “as mães perdem os seus filhos nos hospitais com uma facilidade que não se vê noutros países”.

Além da mensagem no seu novo tema, na entrevista à Lusa, o músico alertou para o desgaste da população e para a instabilidade económica, apontando o aumento dos preços dos bens essenciais.

“Sem estabilidade, a única grande fonte de riqueza do país, a castanha de caju, não atrai investimento estrangeiro”, referiu.

Charbel apontou também para o risco de instabilidade social caso a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) não responda de forma alinhada com a vontade da população.

“O povo espera uma resposta final da CEDEAO. Se não for a favor, pode haver revolta. Isso seria um desastre para o país”, afirmou, defendendo o respeito pelos resultados eleitorais.

“Se existe um resultado verdadeiro, não importa quem venceu. Que o vencedor assuma o poder e que seja o povo a julgar, não os militares”, disse.

Desde o lançamento da música, a 19 de dezembro, afirmou ter recebido mensagens de apoio, mas também críticas e ameaças.

“Recebi muitas mensagens positivas e algumas negativas, de perseguição, com ameaças de violência”, disse.

“Deixo uma mensagem para que este seja um ano de paz e de calma. Os guineenses já sofrem muito”, acrescentou.

A 26 de novembro, um dia antes do anúncio dos resultados provisórios das eleições presidenciais e legislativas, os militares depuseram o Presidente Umaro Sissoco Embaló, no poder na Guiné-Bissau, desde 2020, e suspenderam o processo eleitoral.

O candidato da oposição Fernando Dias da Costa, que reclama a vitória, refugiou-se na Embaixada da Nigéria, em Bissau, apontando o golpe como uma orquestração de Embaló para evitar a divulgação dos resultados eleitorais.

O líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, está detido e mantido incontactável desde o dia do golpe, sem que haja culpa formada. In “Balai Cabo Verde” – Cabo Verde com “Inforpress” e “Lusa”



terça-feira, 21 de outubro de 2025

Macau - CTM desenvolve ferramenta de Inteligência Artificial em língua portuguesa

A Companhia de Telecomunicações de Macau apresentou a sua “Nova Visão” para o sector tecnológico da RAEM, com destaque para o desenvolvimento de um modelo de linguagem de inteligência artificial em português. A empresa deu também a conhecer um conjunto de descontos para os seus clientes, com efeito a partir de Janeiro de 2026


Ebel Cham, vice-presidente das operações comerciais da Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM), anunciou em conferência de imprensa, planos para desenvolver e implementar um modelo de linguagem português de inteligência artificial (IA) que suportará geração de relatórios, tradução audiovisual e serviços de consultadoria e de apoio ao cliente no comércio electrónico. O projecto, que visa aproximar a China dos países de língua portuguesa (PLP), faz parte da “Nova Visão” da CTM e de um compromisso abrangente em prol do desenvolvimento da indústria tecnológica da RAEM.

“A razão pela qual tencionamos desenvolver o modelo de linguagem português é porque gostaríamos de torná-lo mais específico e adequado ao mercado de Macau”, explicou Ebel Cham. “Temos muita confiança que possamos [implementá-lo] em várias indústrias, como os sectores do retalho e do turismo. Temos muitos eventos de massas e muitos visitantes dos PLP. Portanto, precisamos de melhorar as proficiências da língua. Além dos serviços de tradução simultânea, também gostaríamos de ter algumas máquinas para que os turistas e residentes possam usá-las convenientemente”, referiu.

Além disso, a empresa pretende “alavancar a ‘internet das coisas’, a ‘big data’, a IA e tecnologias rodoviárias colaborativas para implementar aplicações como monitorização do trânsito em tempo real e sistemas de alerta dinâmicos”, de forma a impulsionar o avanço da rede inteligente do sistema de transportes. Inclusive, a CTM irá integrar o serviço “Baidu Maps” para “melhorar a mobilidade inteligente”.

A operadora tenciona também desenvolver um modelo de linguagem especializado em contextos legais, regulatórios e jurídicos, de modo a proporcionar serviços de consultadoria mais convenientes aos cidadãos.

Em apoio às pequenas e médias empresas (PME) na expansão dos seus canais de venda online, e para acelerar a integração das mesmas na Grande Baía, a CTM planeia lançar a plataforma electrónica da “Loja Certificada de Macau”, com um “acesso directo eficaz e fiável” ao mercado transfronteiriço. A companhia espera que, ao alavancar as transmissões ao vivo do comércio electrónico, os comerciantes de Macau possam conectar-se aos consumidores da Grande Baía, “melhorando assim as vendas e a eficiência do mercado”, apontou Ebel Cham.

No que diz respeito aos serviços de ‘big data’, a CTM vai aperfeiçoar o suporte à administração pública, com serviços de análise de dados anónimos em tempo real, para serviços governamentais e empresariais. Ao mesmo tempo, a concessionária planeia “colaborar com parceiros para criar uma plataforma de dados descentralizada que ofereça soluções de compatibilidade para empresas da Grande Baía”.

Descontos pontuais para clientes individuais

Todos os clientes da operadora de telecomunicações que tiverem celebrado contrato com a CTM até 30 de Setembro de 2025 beneficiarão de descontos ao longo do próximo ano. As reduções de preço abrangem indivíduos, PMEs, grandes corporações e departamentos governamentais. Em Setembro, a companhia tinha anunciado que iria rever as tarifas dos seus serviços.

Clientes individuais e PMEs elegíveis beneficiarão de descontos de 10% e 20%, respectivamente, em Janeiro, Abril, Julho e Outubro de 2026. Ademais, a partir de Janeiro do próximo ano, o preço para dados móveis adicionais cairá de 13 para 8 patacas por gigabyte, correspondendo a uma redução de 38,5%.

O plano mensal de serviço de telefone fixo para empresas será reduzido para 140 patacas a partir do próximo ano, sendo que estes clientes beneficiarão também de uma taxa de 112 patacas para serviços de banda-larga.

Grandes corporações e departamentos do Governo poderão auferir de um desconto de 20% nas mensalidades de Janeiro e Julho. Clientes comerciais que tenham serviços de “Direct Internet Access” beneficiarão de um desconto mensal de 10% no primeiro mês de cada semestre.

Estas medidas visam “suportar o Governo da RAEM na criação de um ambiente mais favorável para negócios, e melhorar a satisfação dos cidadãos”, notou Ebel Cham. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Guiné Equatorial – Governante lidera diálogo com a CPLP e o BAD sobre o futuro económico do país

O Primeiro-Ministro, responsável pela Coordenação Administrativa, presidiu a uma reunião em Bata com representantes do Banco Africano de Desenvolvimento e da Confederação dos Países de Língua Portuguesa, com foco em estratégias para diversificar a economia do país e fortalecer a cooperação internacional

O Governo da Guiné Equatorial continua a fortalecer as suas parcerias internacionais na procura de um crescimento económico mais equilibrado e sustentável. Na passada quinta-feira, o Primeiro-Ministro Manuel Osa Nsue Nsua, responsável pela Coordenação Administrativa, liderou uma reunião com as delegações do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e da Confederação dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) na sede da Presidência do Governo de Ntobo, em Bata.

Durante o encontro, as partes abordaram os desafios e oportunidades que o país enfrenta no seu processo de diversificação económica, com especial atenção ao projeto da Zona Económica Especial de Djibloho, considerado um eixo estratégico para promover novas áreas produtivas e reduzir a dependência do petróleo.

"Estamos a trabalhar arduamente no plano de diversificação económica, envolvendo todos os setores necessários para impulsionar esse processo. É hora de explorar e desenvolver outros recursos disponíveis para o país", afirmou o Primeiro-Ministro, que enfatizou que o governo já consolidou a infraestrutura essencial para facilitar os investimentos.

Representantes da CPLP e do BAD elogiaram o comprometimento da Guiné Equatorial e concordaram com a importância de aproveitar o potencial agrícola e natural do país.

"A Guiné Equatorial possui terras férteis, um território fantástico e uma infraestrutura que pode servir de modelo na África Central. As condições básicas estão reunidas para avançar em direção a uma economia mais diversificada", enfatizou um dos delegados.

O Banco Africano de Desenvolvimento reafirmou a sua disponibilidade para colaborar no financiamento de projetos prioritários, salientando que dispõe de instrumentos específicos para apoiar os países-membros da CPLP nas suas estratégias de crescimento sustentável.

A reunião também contou com a presença do vice-primeiro-ministro e dos ministros do Turismo, Pesca e Finanças, que concordaram sobre a necessidade de fortalecer a cooperação técnica e financeira com parceiros internacionais para acelerar a transformação económica do país.

Com este diálogo, o Governo da Guiné Equatorial reafirma o seu compromisso com um modelo de desenvolvimento inclusivo e diversificado, baseado na cooperação e no uso responsável dos seus recursos naturais. Sinforosa Esodja – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


quarta-feira, 16 de julho de 2025

Portugal - Investigadores desenvolvem pão funcional com benefícios para a digestão e saúde intestinal

Um consórcio liderado pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) está a desenvolver um pão funcional, com compostos que promovem a saúde digestiva em geral.


O projeto “AlBread: Uso de plantas aromáticas do Alentejo e farinha de bolota no desenvolvimento de pão funcional”, no qual participam as faculdades de Farmácia (FFUC) e Medicina (FMUC), bem como as universidades do Algarve e de Évora, surgiu no seguimento da ideia de criar um alimento com propriedades funcionais que conjugasse ingredientes naturais e benefícios comprovados para a saúde gastrointestinal.

Neste contexto, foi formado um consórcio interuniversitário, que conta com o apoio de várias empresas dos setores da extração de óleos essenciais, produção de farinhas e panificação. «Este projeto propõe a integração de óleos essenciais extraídos de plantas aromáticas e medicinais do Alentejo, como a erva-príncipe e o rosmaninho, e ainda o desenvolvimento de técnicas inovadoras de encapsulamento desses compostos, para que estes sejam libertados no momento certo do processo digestivo, preservando o sabor e aroma tradicional do pão», explica Luís Alves, investigador do Chemical Engineering and Renewable Resources for Sustainability (CERES), da FCTUC.

Outro dos elementos diferenciadores é a utilização de farinha de bolota, proveniente da região do Montado alentejano. «Esta farinha, isenta de glúten e com interessantes propriedades nutricionais, está a ser caracterizada e testada como base do produto, sendo também explorada como matriz para o encapsulamento de compostos bioativos, incluindo probióticos e óleos essenciais», revela o especialista.

Apesar de ainda não haver um protótipo de pão funcional finalizado, os investigadores já obtiveram resultados promissores nas fases de extração e encapsulamento dos compostos ativos. Estão também a avaliar a biodisponibilidade e dosagem segura dos óleos essenciais, em colaboração com a FMUC e FFUC, que contribuem para os ensaios de toxicidade e eficácia dos ingredientes.

«Contamos, em breve, apresentar um primeiro protótipo de pão funcional, com propriedades antioxidantes e digestivas, que respeite o sabor e a textura do pão tradicional, mas com benefícios acrescidos para a saúde. Este desenvolvimento pode representar um avanço significativo no setor da panificação funcional em Portugal, aliando inovação científica, valorização de produtos locais e promoção de hábitos alimentares saudáveis», conclui Luís Alves.

O projeto “AlBread: Uso de plantas aromáticas do Alentejo e farinha de bolota no desenvolvimento de pão funcional” é financiado pelo programa Promove da Fundação “la Caixa”, em parceria com a Fundação para a Ciência e Tecnologia e a colaboração do BPI, e termina em 2026. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 30 de junho de 2025

Macau - Acesso a fundo sino-lusófono terá regras “mais flexíveis”

A cooperação económica entre a China e os países lusófonos depende dos governos, sublinhou o secretário-geral do Fórum de Macau em entrevista à Lusa, vincando que o organismo “não é uma agência de promoção”. Ji Xianzheng realçou ainda que o fundo de cooperação criado em 2013 terá regras “mais flexíveis” e formas de aplicação “mais diversificadas”


O secretário-geral do Fórum de Macau imputa aos governos nacionais a responsabilidade pela condução das políticas de desenvolvimento e cooperação económica. Em entrevista à Lusa, Ji Xianzheng atribui as críticas ao Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa a uma interpretação errada relativamente à missão do organismo, frisando que “o Fórum é um mecanismo de cooperação entre os governos centrais”.

“Muita gente pensa que é ao secretariado que cabe a execução das políticas, mas temos um número de pessoas limitado”, acrescentou.

“O secretariado não tem projectos de investimento, é um mecanismo de preparação da conferência ministerial, de ligação com os governos, não é uma agência de promoção. Não foi pensado assim, faz ligação com as agências de promoção. Somos quatro pessoas enviadas pela China e um delegado por cada país”, concretizou.

Na última conferência ministerial, em Abril de 2024, o então ministro da Economia português Pedro Reis defendeu que o Fórum e o Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa deviam apostar mais nas pequenas e médias empresas (PME). O fundo de cooperação foi criado em 2013 pelo Banco de Desenvolvimento da China e pelo Fundo de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Macau, com mil milhões de dólares, dos quais cerca de 60% já foram investidos, segundo o secretário-geral.

Ji admitiu que as PME são “um tema difícil para qualquer governo” e que “a cooperação internacional para a promoção do desenvolvimento e cooperação das pequenas e médias empresas é ainda mais difícil. É um tema que está a ser debatido diariamente a nível mundial”. Porém, admitiu, “aqui, pouco”.

“Mas está estipulado no plano de acção [2024-2026]. Cabe aos governos centrais e às câmaras de comércio, agentes de promoção, trabalhar conjuntamente para fazer isso. O secretariado assume a responsabilidade conforme autorizado pelos governos centrais, concretamente, no programa de actividades”, reforçou.

Responsáveis políticos de vários países têm apelado a uma alteração das regras da candidatura ao fundo. As actuais regras obrigam, por exemplo, que os projectos candidatos tenham um investimento mínimo de cinco milhões de dólares, sendo que o Fundo apenas cobre 20% do investimento total, remetendo o resto para os governos ou empresas.

A nova direcção do Fundo “está empenhada em promover um investimento mais amplo, com melhor cobertura para todos os países do Fórum, [relativamente] aos projectos que têm um impacto estratégico ou significativo para o desenvolvimento socioeconómico dos países participantes”, afirmou Ji.

Segundo o secretário-geral, “os termos de aplicação [das regras de acesso ao Fundo] vão ser mais flexíveis e as formas de aplicação também vão ser mais diversificadas”. “Em vez de ser só investimento directo, eles também estão a estudar formas de aplicar o fundo, em cooperação com outros fundos ou com outras instituições financeiras”, deu como exemplo.

“Este fundo tem uma operação segundo as regras do mercado. Não é um fundo de ajuda humanitária. Por isso, tem de garantir o mínimo retorno de benefício. Mas, em cima disso, eles estão muito abertos para estudar, caso por caso, as condições de cada projecto”, acrescentou, escusando-se, porém, a dar exemplos da “flexibilização das regras”.

Fórum não discutiu países hispânicos

Por outro lado, Ji Xianzheng afirmou que o Fórum de Macau “nunca discutiu” criar uma entidade para alargar aos países hispânicos serviços de promoção de cooperação económica semelhantes aos que presta à ligação China-países lusófonos.

O responsável reconheceu que, “na sociedade, houve algumas conversas para discutir ou abordar a possibilidade de promover mais contacto e cooperação com os países da língua espanhola, mas, a nível do Fórum, nunca abordámos este tema”.

O Executivo da RAEM anunciou em meados de Abril a intenção de criar um centro para promover os serviços económicos entre a China e os países de línguas portuguesa e espanhola em Hengqin. A ideia é proporcionar às empresas de países hispânicos serviços no “âmbito linguístico, jurídico, fiscal, de verificação da observância das normas, de formação, de arbitragem e de mediação”, segundo o Secretário para a Administração e Justiça, André Cheong.

Dias antes, o líder do governo de Macau, Sam Hou Fai, tinha também anunciado a intenção de “promover o intercâmbio e a cooperação”, através de Macau, entre a China e os países de língua espanhola.

Apesar de Macau querer alargar o foco aos países que falam castelhano, “o Fórum continuará a ser o Fórum para a China e os países da lusofonia”, garantiu Ji, esclarecendo que a instituição que dirige “pode aportar contributos para a maior abertura da Macau na cooperação internacional”, como é a intenção anunciada pelo novo governo da RAEM.

Pessoalmente, garantiu ter “todo o prazer em trabalhar com todas as partes”, mas sublinhou que essa é uma “decisão que cabe aos governos centrais tomar” e que o Fórum nunca foi contactado nesse sentido.

“Trabalhei na América Latina, em Espanha, nove anos em Madrid e em Caracas. Mas isto não é uma decisão de interesse pessoal, cabe aos políticos tomar a decisão”, afirmou, explicando que a ideia será promover a relação entre Macau e o Brasil e daí a outros países da América Latina, assim como, alargar a relação com Portugal à Espanha.

“Não há limite. O Fórum de Macau é complementar. Não restringe nenhuma promoção da cooperação das outras partes”, disse. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


quinta-feira, 12 de junho de 2025

Macau - Enaltecido “inegável contributo” dos portugueses para a RAEM

É “inegável” o “contributo” dos portugueses para o desenvolvimento da RAEM – palavras do Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, por ocasião das comemorações locais do 10 de Junho. O papel da comunidade tem sido “importante” em “múltiplos aspectos”, vincou o líder da RAEM, na recepção oficial. Já o Cônsul-Geral, Alexandre Leitão, defendeu que “nenhum povo será tão dedicado e leal a Macau” como o português, pedindo que a comunidade seja estimada


A música “Avião de Papel”, pela voz dos “Portugalitos”, o coro da Casa de Portugal, abriu a recepção oficial do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, – lado a lado com o Cônsul-Geral, Alexandre Leitão, o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, assistiu ao momento musical de sorriso no rosto. Mais tarde, enalteceu o “inegável contributo” da comunidade para o desenvolvimento da RAEM, renovou as promessas de “abertura ao exterior” e garantiu que o Governo irá manter “inalterados” por “um longo tempo” o sistema capitalista e a “maneira de viver”. Já o embaixador português falou num “propósito comum” de crescimento, diversificação de economias e internacionalização, e defendeu que “nenhum povo será tão dedicado e leal a Macau” como o português.

Depois, ouviram-se os hinos da República Popular da China e de Portugal, mas não sem antes serem lançados ao ar aviões de papel, pelas crianças que cantavam na varanda do edifício da Bela Vista. Foi então altura de “Marcha dos Voluntários” e “A Portuguesa”. Vários elementos da comunidade portuguesa e macaense marcaram presença no local, além de titulares de altos cargos, como o Comissário dos Negócios Estrangeiros da RPC em Macau, Liu Xianfa, o director-geral do Departamento de Publicidade e Cultura do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, Wan Sucheng, e o Secretário para a Administração e Justiça, André Cheong.

“Nestes últimos 25 anos em que Macau conheceu mudanças profundas, o contributo das comunidades portuguesas tem sido importante para o desenvolvimento saudável, em múltiplos aspectos, desta Região”, vincou Sam Hou Fai, durante o seu discurso. Aproveitou ainda a ocasião para agradecer “todo o apoio, esforço e cooperação” que a comunidade portuguesa tem prestado ao trabalho do Governo da RAEM, “bem como o inegável contributo que tem vindo a dar para o desenvolvimento económico e social de Macau”.

Sam Hou Fai garantiu depois que o Governo da RAEM continuará, “com o forte apoio do Governo Central”, a implementar o princípio “um país, dois sistemas” de uma forma que descreve como “abrangente, precisa e inabalável”, bem como a “cumprir a Lei Básica”. Nesse sentido, assegurou que irá manter “inalterados, por um longo tempo, o sistema capitalista e a respectiva maneira de viver, o estatuto de porto franco internacional e de zona aduaneira autónoma da RAEM e o sistema de direito europeu continental”.

No discurso que proferiu, afirmou que as autoridades continuarão a “defender as características multiculturais de Macau e a promover o desenvolvimento em todas as vertentes”, procurando assegurar e melhorar continuamente o bem-estar de todos os residentes de Macau, “incluindo as comunidades portuguesas”.

Dizendo que “os fortes e profundos laços históricos entre Portugal e Macau” já são conhecidos, encontrando-se reflectidos no Dia de Portugal, Sam Hou Fai sublinhou que se celebra também o maior poeta português, “que viveu uns anos em Macau e fez parte dos primeiros momentos deste encontro histórico de dois povos”. “Nunca é demais recordar que é por conta deste encontro centenário de culturas, nesta ‘janela para o exterior’ da China, que surge a ‘singularidade’ de Macau enquanto ‘único local do mundo que tem como línguas oficiais o português e o chinês’”, prosseguiu, citando o Presidente chinês, Xi Jinping.

Para Sam Hou Fai, a “cooperação amistosa” e “as boas relações” entre a China e Portugal “revelam um modelo exemplar de colaboração e intercâmbio entre dois países, prevalecendo sempre o respeito e consideração pelas suas diferenças sociais e culturais”. Também assinalou o reforço da cooperação entre a RAEM e Portugal nos domínios da economia e do comércio, da inovação científica e tecnológica, dos recursos humanos, dos cuidados médicos e de saúde, da educação e da cultura. E disse estar convicto de que, no futuro, serão “aprofundados, tirando-se bom proveito das características únicas de Macau”.

Aproveitando novamente as palavras do líder chinês sobre Macau como “lugar onde as culturas chinesas e ocidental se encontram”, devendo Macau “promover o intercâmbio internacional entre as pessoas”, o Chefe do Executivo reiterou o “empenho e compromisso” do Governo da RAEM na “concentração de esforços para a construção de uma plataforma de abertura ao exterior de nível mais elevado, no reforço da abertura bilateral com a Lusofonia e na promoção de uma cooperação abrangente de benefícios mútuos, que enriqueça e alargue ainda mais o papel e as funções de Macau enquanto plataforma sino-lusófona”.

“Nenhum povo será tão dedicado e leal a Macau”

Por sua vez, Alexandre Leitão, também se fez valer das palavras do Presidente da RPC, que em Dezembro, ao recordar que Macau é o único local do mundo onde o chinês e português são línguas oficiais, “reforçou a esperança numa difusão alargada e no uso generalizado do português na Administração e na sociedade da RAEM” que, prosseguiu o Cônsul-Geral, “seriam inegavelmente vantajosos para a ‘plataforma importante para a promoção da cooperação económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa’”.

Assegurando que as empresas portuguesas estão preparadas para aproveitar uma “postura mais aberta e inclusiva para intensificar os laços internacionais e aumentar a projecção e a atractividade globais e o renome de Macau como metrópole internacional”, palavras que citou novamente, o embaixador acrescentou que “todos, na RAEM, estão conscientes do contributo das empresas e dos trabalhadores portugueses para o crescimento e a qualidade dos serviços da economia” do território.

Alexandre Leitão disse ainda ao Chefe do Executivo que “pode contar com a comunidade portuguesa para participar activamente no ambicioso desígnio de diversificação económica da RAEM” e pediu-lhe que estime a comunidade: “Compreendemos bem e partilhamos o desejo de abertura. Peço-lhe que acredite, senhor Chefe do Executivo, que nenhum povo será tão dedicado e leal a Macau como o nosso. Peço-lhe, por conseguinte, que estime os portugueses, todos os de Macau e os que vêm de fora, para contribuir para um futuro de prosperidade partilhada e a realização dos grandes projectos da RAEM”.

Recordou igualmente que, ao longo de séculos, os portugueses de Macau e os que aqui foram chegando “criaram laços afectivos indeléveis a este pequeno canto da grande China”. “Um pequeno canto que se fez grande, com o contributo da comunidade portuguesa que, como em qualquer parte do mundo, é trabalhadora, ordeira, dedicada à terra onde vive e desejosa de criar condições para que os seus filhos aqui possam viver”.

Apontando que está prevista a deslocação do líder da RAEM a Portugal, o Cônsul mencionou também a intenção de, como já foi dito, realizar em breve uma Comissão Mista. Já em relação aos serviços consulares, agradeceu o trabalho da equipa, “constituída quase na íntegra por macaenses”. Depois de ultrapassados os desafios pós-pandemia no Consulado, agora é tempo de “dedicar mais tempo a outros domínios”, como “o aprofundamento das relações diplomáticas, económicas e culturais de Portugal com as RAE de Macau e Hong Kong”.

Lembrando que o Chefe tem defendido a aceleração da abertura e da diversificação da economia, Alexandre Leitão acrescentou que “Portugal tem o mesmo desígnio”, pelo que há “um propósito comum”: crescer, diversificar as economias, internacionalizando-as, para “benefício dos nossos povos”.

Na ocasião, houve ainda um outro momento musical, pela Banda da Casa de Portugal, além dos habituais petiscos, numa celebração que se estendeu até às 20h30. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


terça-feira, 13 de maio de 2025

Portugal - Defesa ou desenvolvimento?

Os 2% do PIB em Defesa correspondem a cerca de um quarto da totalidade das verbas do PRR. O PRR, sim, é um instrumento de desenvolvimento

Num país como Portugal, onde as dificuldades estruturais são profundas e persistentes, o investimento de 2% do PIB em Defesa levanta dúvidas morais e económicas incontornáveis. É muito difícil conceber que este seja o melhor uso dos nossos limitados recursos.

A aposta no armamento, por mais necessário ou até inevitável que possa parecer no plano geoestratégico, hipoteca o verdadeiro desenvolvimento do país. É ilusório pensar que este tipo de investimento trará um retorno multiplicador sustentável. A indústria militar, assente numa lógica de destruição, não gera inovação com impacto duradouro na produtividade, na coesão social ou na competitividade do país. O seu efeito resume-se, no curto prazo, à criação de emprego e a um aquecimento relativo da economia. Nada mais. Grande parte dos recursos aplicados na Defesa não geram utilidade prática na vida das pessoas. Ampliar a dimensão industrial do país e as oportunidades de negócio a partir de produção que ocorre para explodir ou destruir não gera, decerto, efeito multiplicador sustentável.

Para termos uma noção do desvio, basta perceber que os 2% do PIB em Defesa correspondem a cerca de um quarto da totalidade das verbas do PRR. O PRR, sim, é um instrumento de desenvolvimento.

Em junho, haverá uma nova cimeira da NATO. Se subirmos os números para 3,5% ou 5%, então estarmos a falar de metade ou dois terços das verbas do PRR alocadas a Portugal. E, no entanto, com referência a 2023, Portugal ocupa o último lugar da Europa no ranking do investimento público em 10 anos. É um quadro que nos devia embaraçar.

Durante anos, sacrificámos o investimento público em nome da consolidação orçamental. Agora, estranhamente, as novas metas militares poderão vir a abrir exceções a essa contenção. Segundo o Conselho de Finanças Públicas, o esforço acrescido com a Defesa agravará o rácio da dívida pública entre 2026 e 2029, ano após ano. É o oposto do que recomendava a Comissão Europeia, que previa para Portugal uma das maiores reduções da dívida da Zona Euro, precisamente à custa do desinvestimento.

Este nível de esforço não era sequer estritamente obrigatório. Mesmo assim, preferimos as contas certas à reconstrução do país. Agora, optamos pela Defesa como exceção à regra, mas sem cuidar das infraestruturas de que a economia precisa para crescer.

O que vemos, na prática, é o país a falhar consecutivamente em matérias centrais para o seu desenvolvimento. O investimento líquido das administrações públicas tem sido negativo ano após ano. O stock de capital continua a deteriorar-se. Em 2023, o investimento público ficou 26% abaixo do previsto no OE2023. Em 2024, o desvio foi de 17,5%. Tudo isto compromete a função produtiva da economia. Estamos muito aquém do nível necessário de manutenção ou ampliação de ferrovias, hospitais, escolas, aeroportos, entre outros. Vai ficando tudo fica para depois.

Mais grave ainda, hipotecámos a aplicação correta do PRR, por falta de trabalhadores na construção civil. Agora, com o desvio de recursos para a Defesa, acentuaremos esse défice. A escassez de mão de obra e de capital público aponta para um resultado em que o país se torna cada vez menos competitivo e atrativo para o investimento estrangeiro. E o investimento direto estrangeiro é absolutamente indispensável para Portugal.

A escolha é moral. Os portugueses vivem com dificuldades e num país economicamente débil. Neste momento da sua História, Portugal parece ser obrigado a escolher canhões em vez de pontes. João Santos – Portugal in “Sapo”

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João Rodrigues dos Santos - Professor Associado e Coordenador da área de Economia e Gestão da Universidade Europeia


sábado, 12 de abril de 2025

Timor-Leste - Banco asiático quer o país a investir mais para desenvolver capital humano

O Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD) defendeu no relatório sobre as perspectivas de crescimento económico para a Ásia que Timor-Leste deve aumentar o investimento no desenvolvimento de capital humano

“Persistem taxas elevadas de pobreza e de subnutrição, níveis alarmantes de atraso no crescimento infantil e grandes lacunas nos domínios da saúde, educação e competências”, pode ler-se no relatório, que considera o investimento no capital humano um “desafio político significativo”.

Destacando a criação da autoridade interministerial para os Assuntos Sociais do Governo, como um “passo promissor” para o desenvolvimento da “primeira infância, nutrição e segurança alimentar e o empoderamento dos jovens”, o BAD defende, contudo, que o investimento ainda pode ser “mais reforçado”.

Para isso, o BAD propõe a otimização da despesa orçamental com o aumento do investimento público na educação, no desenvolvimento de competências, proteção social e saúde.

Segundo o banco, aquele aumento deve ser uma “prioridade” até porque continua abaixo da meta de 8% do Produto Interno Bruto, definido no Plano Estratégico de Desenvolvimento de Timor-Leste para 2011-2030. “Os gastos de investimento na saúde e educação nacionais podem mais do que duplicar, através da realocação de fundos das despesas correntes, assegurando simultaneamente o bom funcionamento e a maior eficiência dos serviços públicos”, defende aquela instituição financeira no relatório.

O BAD propõe também que os investimentos no desenvolvimento de capital humano sejam “bem direcionados” e que é preciso desenvolver mais trabalho para melhorar o acesso aos serviços de saúde, apoiar o desenvolvimento na primeira infância com programas de educação, saúde e nutrição.

Para os jovens, o BAD defende que sejam proporcionadas mais oportunidades de aprendizagem contínua, bolsas de estudo e formação técnica e profissional e, por outro lado, que sejam reforçados os sistemas de proteção social com a atribuição de mais apoios. “O reforço dos investimentos no desenvolvimento do capital humano é essencial para promover o crescimento económico a longo prazo e alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, salienta o relatório. Por último, o relatório propõe que os recursos devem ser mobilizados de forma mais eficaz através de políticas e regulamentos que favoreçam as parcerias público-privadas com partilha de riscos.

Timor-Leste é um dos países mais jovens do mundo com 1,3 milhões de habitantes, 64,6% dos quais com menos de 30 anos. Mas segundo dados da ONU, 47% das crianças com menos de cinco anos sofre de má nutrição crónica, 8,6% de desnutrição aguda, 32% têm peso abaixo do previsto e deficiências de vitamina A, ferro e iodo. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 14 de março de 2025

Macau vai ajudar a China a desenvolver a modalidade desportiva de hóquei em patins

A Associação de Patinagem de Macau vai assinar acordos de cooperação com algumas províncias da China para desenvolver o hóquei em patins. A modalidade precisa de um maior impulso no Continente e a RAEM pode assumir um papel importante na sua divulgação, nomeadamente com apoio técnico. Na permuta de colaboração, Macau pode beneficiar da ajuda chinesa em “skateboarding” e “inline free style”. A associação foi pela primeira vez convidada para participar na reunião bienal da Federação de Patinagem da China e teve oportunidade de “iniciar contactos para futuras parcerias”, revelou ao Jornal Tribuna de Macau o dirigente António Aguiar



O hóquei em patins de Macau vai poder contribuir para o desenvolvimento da modalidade no Continente, tendo mantido contactos nesse sentido na reunião bienal da Federação de Patinagem da China, que reuniu as várias províncias do país. No decorrer dos trabalhos, para os quais a RAEM foi convidada pela primeira vez, os dirigentes da Associação de Patinagem de Macau (APM), António Aguiar (presidente) e Sónia Silva (secretária), que são igualmente membros da “World Skate”, respectivamente para o hóquei em patins e para o “inline”, mostraram-se disponíveis para ajudar a impulsionar o hóquei em patins chinês.

Nesse sentido, durante os dois dias de trabalhos em Shunde, zona do distrito de Foshan, Província de Guangdong, os representantes do território promoveram vários contactos e negociações com homólogos chineses, tendo em vista a assinatura, a breve trecho, de acordos de colaboração, para além de terem visitado instalações desportivas.

Em declarações ao Jornal Tribuna de Macau, António Aguiar disse que a intenção das parcerias serve os dois lados, ou seja, “Macau oferece o que tem de mais forte, que é o hóquei em patins, e a China ajuda-nos a incrementar e a reforçar modalidades em que eles são muito fortes, concretamente ‘skateboarding’ e ‘inline free style’”.

O dirigente, que é igualmente membro do Comité Internacional de Hóquei em Patins, responsável pela modalidade na Ásia-Oceânia, sublinha que a ideia é também “poder ter competições regionais” que envolvam várias cidades do Interior da China, Macau e Hong Kong.

A patinagem de Macau tem mantido colaboração principalmente com Cantão, mas pretende alargar a outros locais da província, assim como reforçar os acordos existentes. Para além de Guangdong, foram estabelecidas anteriormente parcerias com Shandong, Hebei e Heilongjiang, assim como com a zona de Pequim, “que é importante”, considera Aguiar, destacando o objectivo de “reforçar estes acordos e assinar outros”.

Segundo o número um da APM, a primeira grande concretização será a participação de Macau na co-organização dos Campeonatos Nacionais de Patinagem, em Agosto, com os desportos distribuídos por várias cidades da China.

Em 2024 o hóquei em patins não foi integrado e agora a APM faz “muito questão” que a modalidade esteja presente naqueles campeonatos.

Macau candidatou-se a ser o palco da prova, mas não é possível haver uma competição nacional fora do Continente. Assim, a associação do território está disponível a organizar o torneio numa cidade perto da RAEM. “Zhuhai, por exemplo, é uma possibilidade que estamos a discutir, uma vez que envolvem verbas que obviamente têm de ser patrocinadas, existindo também outros locais como Shunde”, aponta António Aguiar.

Além disso, Macau tenciona organizar um campeonato, talvez em 2026 ou 2027, com formações da Grande Baía. “Isso está a ser pensado para quando houver estabilidade de equipas, quatro ou cinco”, declara o dirigente da patinagem do território.

Troca de apoios para hóquei e skate

Neste momento, o “skateboarding” é a modalidade da patinagem em maior expansão no Interior da China, principalmente por ser um desporto olímpico, com muitos atletas de elevado nível.

Já o hóquei em patins precisa de se desenvolver, havendo apenas quatro regiões onde se pratica. “Queremos alargar a mais províncias, mas para que isso seja uma realidade são necessários patrocinadores que estejam dispostos a financiar o desenvolvimento da modalidade, entrando nós com o apoio técnico”, garante o presidente da APM.

Macau tem actualmente cerca de meio milhar de praticantes no hóquei tradicional e no hóquei em linha, incluindo as escolas de patinagem, sendo que no primeiro desporto há 200 atletas.

No que se refere ao hóquei em patins, as selecções vão disputar o Interport com Guangdong provavelmente em Outubro ou Novembro deste ano, mas já no próximo período da Páscoa, entre 17 e 20 de Abril, as equipas seniores masculina e feminina e os rapazes Sub-19, participarão no Torneio de Taichung, Taiwan. Esta competição servirá de preparação para o Campeonato Asiático, agendado para a Coreia do Sul, de 20 a 30 de Junho.

Nesta altura decorre o campeonato de hóquei em patins de Macau, em três categorias, Open masculino e feminino e ainda Sub-16, com a participação de três equipas: Lusitânia Sport Clube, FC Porto e Vitória Clube.

Em “skateboarding” há apenas três ou quatro atletas em condições de competir, havendo um clube inscrito na APM e outro que solicitou a filiação. Na disciplina de velocidade, neste momento não há actividade, uma vez que “há dificuldade em treinar na rua e em Macau não existe nenhum local específico para isso”, lamenta António Aguiar. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Portugal - Cientistas da Universidade de Coimbra desenvolvem filmes de nanocelulose para conservação e restauro de documentos históricos

Uma equipa de investigadores do Departamento de Engenharia Química (DEQ) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) está a desenvolver biofilmes de nanocelulose, com o objetivo de criar soluções eficazes e sustentáveis para a conservação e restauro de documentos históricos em papel.


 

Estes filmes, feitos de materiais renováveis, são semelhantes à película aderente de cozinha, mas mais resistentes, apresentando-se como uma alternativa inovadora aos métodos tradicionais, como o uso de papel japonês, amplamente utilizado nesta área. 

«Durante séculos, a tinta ferrogálica foi bastante usada em manuscritos devido à sua nitidez e permanência. No entanto, certas características químicas que possui, como acidez e o elevado teor de ferro, causam, com o tempo, degradação no papel, resultando em fissuras, perda de resistência e até formação de furos no documento, para além do desvanecimento da própria tinta resultando em perda de legibilidade», explica José Gamelas, investigador do Centro de Engenharia Química e Recursos Renováveis para a Sustentabilidade (CERES). 

De acordo com o líder do projeto “NANOCELIRONGAL - Nanocellulose films for the repair of old documents containing iron gall ink”, os filmes de nanocelulose oferecem vantagens significativas em comparação com os materiais convencionais. Entre as principais caraterísticas destacam-se a elevada resistência mecânica que possuem, garantindo uma maior durabilidade e estabilidade estrutural do papel tratado, a barreira protetora superior, que impede a entrada de oxigénio e humidade, principais causas de degradação, e a transparência, que permite uma aplicação quase impercetível do filme. Para além disso, à semelhança do papel japonês, contribui para práticas de conservação mais verdes. 

Durante a investigação, a equipa testou diferentes técnicas de aplicação, incluindo a colagem do filme ao papel com adesivos específicos.

«Aplicamos os filmes em papel de trapos (usado para simular papel antigo) escrito com tinta ferrogálica (recriada em laboratório). Posteriormente, são feitos testes de envelhecimento acelerado em condições controladas de temperatura e humidade, entre outras, para avaliar a durabilidade e eficácia dos filmes», conta Ana Marques, membro do projeto.  

«Os resultados obtidos são bastante promissores e indicam que os filmes de nanocelulose superam o papel japonês em termos de resistência mecânica e capacidade de proteção, posicionando-se como uma alternativa mais eficaz», afirmam os investigadores. 

Em março, José Gamelas irá liderar um novo projeto, financiado pela Comissão Europeia no valor de 2,2 milhões de euros, que dará continuidade à investigação que tem vindo a ser feita nesta área. «Este novo capítulo visa consolidar uma linha de investigação de ponta na criação de materiais bio baseados por abordagens sustentáveis e explorar o seu potencial na conservação de património histórico e cultural», conclui o professor da FCTUC. Universidade de Coimbra - Portugal