Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Moçambique - Marrumbine Novela lança obras sobre segurança pública na ACIPOL

A Academia de Ciências Policiais (ACIPOL) acolhe, no próximo dia 15 de Maio, pelas 15h00, na Sala dos Grandes Actos do seu campus, a apresentação oficial de duas novas obras literárias do Mestre Francisco Marrumbine Novela, num evento que promete reforçar o debate académico sobre segurança pública e relações internacionais no país.


Com enfoque nos desafios contemporâneos da segurança e na política externa moçambicana, a cerimónia destaca o lançamento dos livros Segurança Pública: Leitura e Interpretação de Fontes Abertas de Informação e A Política Externa de Moçambique para África do Sul: Uma Abordagem na Área de Segurança Pública, ambos publicados pela Massinhane Edições.

A primeira obra propõe uma leitura aprofundada sobre o papel das fontes abertas de informação (OSINT) na análise e apoio à tomada de decisões em matéria de segurança pública, abordando fenómenos como criminalidade, terrorismo, migrações, geocriminalidade e policiamento democrático, com foco na realidade moçambicana.

Já a segunda obra oferece uma reflexão crítica sobre a política externa de Moçambique em relação à África do Sul, explorando as dinâmicas da cooperação regional em segurança e o posicionamento estratégico do país na África Austral.

Segundo informação disponibilizada pela editora, estas publicações representam um importante contributo para o fortalecimento do pensamento científico nacional e para a produção de conhecimento em áreas estratégicas para o desenvolvimento do país.

O evento deverá reunir académicos, especialistas em segurança, estudantes e público interessado, num espaço de reflexão e partilha sobre temas centrais para o presente e futuro de Moçambique. Rivaldo Massunda – Moçambique in “Moz Entretenimento”


terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Angola - Paula Agostinho estreia-se na literatura com “A Coruja e a Baleia

A artista multidisciplinar angolana Paula Agostinho dá o primeiro passo no mundo da literatura com o livro “A Coruja e a Baleia”, livro ilustrado sobre amizade, aceitação e a força das histórias, a ser lançado amanhã, 17, às 17h30, no Camões – Centro Cultural Português, sob égide da editora Kacimbo


A obra, que vai ser ainda apresentada na Livraria Kiela, no dia 20, às 11 horas, assinala a incursão de Paula Agostinho na literatura, uma disciplina que a artista multidisciplinar ainda não tinha explorado.

Neste livro bilingue (português / inglês), o texto da autora e as ilustrações em aguarela da artista sul-africana Jansie Pienaar encontram-se para contar a amizade improvável entre uma coruja e uma baleia.

Através de diálogos sobre cantar, sentir e viver, as duas personagens falam-nos de aceitação, encantamento e da força das pequenas histórias que cada um carrega consigo. Como diz Oki, a baleia, ao seu amigo Bubo: “Tu não precisas de ser um grande cantor. Só precisas de ter uma estória para contar.” In “O País” - Angola


quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Moçambique - Aurélio Furdela prepara o lançamento do romance histórico “Nas Garras do Conflito”

O escritor moçambicano Aurélio Furdela prepara-se para o lançamento do seu mais recente romance, intitulado Nas Garras do Conflito, uma obra de ficção histórica que promete transportar o leitor para um dos períodos mais marcantes da história contemporânea de Moçambique: a década de 1980.


De acordo com o agente literário do autor, Izidro Dimande, o livro oferece “uma oportunidade de mergulho no manancial de eventos globais e regionais que moldaram a História de Moçambique durante os anos oitenta”.

A narrativa de Nas Garras do Conflito está ancorada em investigação histórica e aborda as interligações entre a Guerra Fria, o regime do apartheid na África do Sul e os ataques militares que afectaram directamente Moçambique durante a luta do ANC contra o apartheid.

Segundo o autor, a obra constitui “um importante contributo para a compreensão das intersecções entre a política global e regional nesses derradeiros tempos do apartheid, que marcaram de medo e incerteza a minha própria adolescência, pela relação belicosa que esse regime votava a Moçambique”.

Depois do sucesso do seu primeiro romance histórico, Saga d’Ouro, actualmente na terceira edição e centrado no Império do Mwenemutapa, Aurélio Furdela volta a explorar a história moçambicana sob uma nova perspectiva. “O romance moçambicano não deve ficar amarrado tão-somente ao período pré-colonial ou à colonização portuguesa. É importante diversificar os temas e contextos da nossa ficção”, defende o escritor.

Licenciado em História pela Universidade Eduardo Mondlane, Aurélio Furdela é reconhecido pela sua versatilidade na literatura moçambicana, com obras publicadas nas áreas de conto, crónica, romance histórico e policial, dramaturgia, guionismo e composição de letras musicais. O autor é detentor de vários prémios literários nacionais e internacionais, e tem parte da sua obra traduzida para outros idiomas.

Com Nas Garras do Conflito, Furdela consolida a sua posição como um dos nomes de destaque da literatura moçambicana contemporânea, reafirmando o compromisso de usar a ficção como ferramenta de reflexão histórica e social. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Angola - De Beers anuncia descoberta de novo kimberlito no país

A De Beers anunciou esta semana a descoberta de um novo campo de kimberlito, no leste do país, para a produção de diamantes, o primeiro novo campo descoberto por esta empresa sul africana em mais de três décadas


Segundo o CEO do De Beers Group, Al Cook, Angola é um dos melhores lugares do planeta para procurar diamantes, e esta descoberta reforça a confiança do grupo. E foi fruto de um esforço coordenado, que teve início com levantamentos aéreos realizados em Março, que identificaram alvos prioritários para perfuração. No I trimestre do ano, Angola teve uma produção média de 1.116.185 quilates de diamantes, que foram comercializados a um preço médio de 98,70 USD por quilate, segundo o relatório de execução orçamental relativo aos primeiros três meses do ano, publicado pelo Ministério das Finanças. O documento avança também que as exportações de diamantes corresponderam a 391,7 milhões USD, neste período, com a Estado a arrecadar apenas 5,7% de valor em impostos, que valeram 22,4 milhões USD.

A De Beers abandonou Angola em 2012, depois de as autoridades terem suspendido todos os contratos de compra e venda de diamantes no âmbito de uma reestruturação do sector, que incluiu a criação da Sodiam, empresa a quem foi atribuído o monopólio da comercialização dos diamantes. Regressou dez anos depois e está confiante com essa nova fase de descobertas. "Estamos entusiasmados com o papel que a De Beers pode desempenhar para ajudar o País a concretizar o seu enorme potencial, tanto no subsolo como na superfície", referiu o líder da empresa, citado no comunicado da multinacional sul africana

Descoberto que está o novo campo de kimberlito para a exploração de diamantes, os próximos passos passam pelo aprofundamento dos trabalhos com perfurações adicionais, levantamentos geofísicos terrestres e análises laboratoriais detalhadas para confirmar a natureza e avaliar o seu potencial económico.

O regresso da De Beers a Angola permitiu a assinatura de uma parceria com a Endiama e dois contratos mútuos de investimento mineiro, para um período de 35 anos, com os primeiros cinco anos reservados para prospecção. A De Beers ficou com 90% do capital social de cada concessão, enquanto a Endiama tem 10%. A multinacional sul-africana vai investir 33,2 milhões USD na prospecção inicial de depósitos primários e secundários de diamantes nas concessões de Muconda (Lunda Sul) e Lumboma (Lunda Norte). Faustino Diogo – Angola in “Expansão”


sábado, 3 de maio de 2025

África do Sul - Investiga suposta negligência na investigação de assassinatos durante o apartheid

O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, está a criar uma comissão judicial de inquérito, para determinar se houve tentativas de impedir a investigação ou o julgamento de crimes, que ocorreram durante o apartheid. 

A informação é avançada pela revista Reuters. A medida é resultado de discussões sobre um acordo num processo judicial movido por famílias de vítimas de assassinatos e desaparecimentos políticos ocorridos há décadas, que dizem que os governos pós-apartheid nunca investigaram adequadamente esses crimes.

“Alegações de influência indevida no atraso ou na obstrução da investigação e do processo de crimes da era do apartheid persistem em governos anteriores”, disse a presidência num comunicado, citado por Reuters.

“Por meio desta comissão, o Presidente Ramaphosa está determinado a que os factos verdadeiros sejam apurados e o assunto levado a uma conclusão”, lê-se. 

Após o fim do apartheid em 1994, a África do Sul criou uma Comissão da Verdade e Reconciliação (TRC), para ajudar a descobrir violações de direitos humanos perpetradas pelo  governo da minoria branca. No entanto, segundo a Reuters muitos dos casos não foram resolvidos. 

Os 25 familiares e sobreviventes que entraram com o caso num tribunal de Pretória em Janeiro procuram também por cerca de 167 milhões de rands do Estado, devido a todos os danos.

O Governo vai solicitar a suspensão do pedido até as conclusões da comissão, informou a presidência. Não foi definido um prazo.

A Fundação para os Direitos Humanos, uma ONG que apoia as famílias, disse que recebeu com satisfação a criação de uma comissão de inquérito, mas se opôs à decisão do presidente de adiar a decisão sobre o pedido de indemnização. In “O País” - Moçambique com “Reuters”


domingo, 20 de abril de 2025

África do Sul - Vai começar julgamento por atrocidades do apartheid

Um juiz aprovou, esta semana, o julgamento de dois agentes da polícia da era do apartheid por alegado envolvimento no assassinato de três activistas estudantis em 1982.

O processo é inédito. Até agora, nenhum indivíduo havia sido responsabilizado pelo crime de apartheid.

O caso gira em torno de três jovens combatentes pela liberdade mortos numa explosão em 1982. As vítimas faziam parte de um movimento de resistência que se opunha ao regime do apartheid, que impunha o governo exclusivamente branco e a dominação sobre a maioria negra.

Também esta semana, a África do Sul reabriu uma investigação sobre a morte de Albert Luthuli, ex-presidente do Congresso Nacional Africano (CNA) e galardoado com o Prémio Nobel da Paz, morto em 1967.

A autoridade acusadora procura anular as conclusões de inquéritos anteriores sobre Luthuli. As autoridades da época concluíram que a morte de Luthuli foi resultado de um acidente.

O desenvolvimento ocorre mais de 30 anos depois que a África do Sul se tornou uma democracia e depois que uma comissão da Verdade revelou inúmeras atrocidades. In “O País” - Moçambique 


quarta-feira, 2 de abril de 2025

Moçambique, África do Sul e Eswatini traçam estratégias para fortalecer turismo na região

Moçambique, África do Sul e Eswatini procuram fortalecer as estratégias de cooperação regional para a promoção e consolidação da imagem da África Austral.  Os três países juntaram-se, nesta segunda-feira, numa conferência de negócios para discutirem os melhores caminhos para tornar a região como um destino turístico a nível internacional.



Moçambique, África do Sul e Eswatini têm sido um destino turístico preferido no contexto internacional. E é a pensar no fortalecimento do turismo, que o Instituto Nacional do Turismo juntou os três países para se procurarem as melhores saídas para os vários desafios. 

O Instituto Nacional do Turismo considera que os desafios no turismo são comuns, como é o caso da simplificação da travessia nas fronteiras, comercialização da oferta comum, assim como garantir que as comunidades das três regiões beneficiem do crescimento do turismo.  Um dos desafios essenciais prende-se também na protecção do património natural e cultural partilhado. 

O sector privado esteve representado no evento, como um dos braços fortes do Governo na promoção do turismo. O Instituto Nacional do Turismo entende que os Governos podem criar os ambientes favoráveis, mas que o verdadeiro turismo é feito pelo sector privado. 

“Enquanto Governo o nosso papel é incentivar, fomentar, promover e com o vosso apoio criarmos os instrumentos necessários para a vossa actuação e dela, naturalmente, vai resultar nos benefícios colectivos no que respeita à criação de emprego, geração de rendimento e de riqueza”.

Moçambique aproveitou a presença da África do Sul e Eswatini para promover as potencialidades turísticas do país. O encontro enquadra-se no projecto Triland, que visa consolidar a imagem da África Austral através de várias iniciativas. Ibraimo Assamo – Moçambique in “O País”


segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Moçambique - Portagens polémicas voltam a incendiar ruas na cidade de Maputo

A província de Maputo voltou a ser palco de protestos violentos na manhã de quinta-feira. O recomeço da cobrança de taxas na polémica portagem da concessionária sul-africana Trans African Concessions (TRAC), entre as cidades de Maputo e Matola, levou os cidadãos às ruas, resultando no bloqueio das principais vias de acesso à capital.



Manifestantes utilizaram barricadas, pneus incendiados e veículos atravessados nas estradas para interromper o tráfego, numa demonstração de descontentamento com a medida.

Em entrevista à DW, o analista político Xavier Nhanala afirma que a resposta popular veio confirmar as suspeitas de que a paz ainda não é uma realidade em Moçambique e que os protestos reflectem o descontentamento crescente do povo com medidas que considera injustas e com uma governação marcada pela falta de diálogo e transparência.

Deutsche Wwll (DW): Como descreveria o ambiente nas primeiras horas desta manhã nas imediações da portagem de Maputo? Quais foram os sinais iniciais de que os protestos seriam inevitáveis? 

Xavier Nhanala (XN): Passei pela portagem da TRAC, eram pontualmente 5 horas e 57 minutos, em direcção a Boane. Enquanto passava por ali, obviamente bem antes mesmo de chegar ali, estava na zona da Maquinag. O que procurei fazer foi prestar muita atenção, perceber se era possível passar, se havia escaramuças ou não, porque esta é uma coisa que já prevíamos que pudesse acontecer.

A situação estava aparentemente calma, mas na portagem mesmo havia um contingente policial. A polícia da UIR estava lá a preparar-se, obviamente, para começarem com as cobranças na portagem. Mas, eu passei, antes mesmo de começarem a cobrar. Pelas 12 horas, vi que já estavam a cobrar. Acho que levaram uns 30 minutos a cobrar. Aquela população ao redor da portagem, Casa Branca-Trevo e Maquinag começou a arremessar pedras e a queimar pneus. Pelo menos é assim que este povo tem se manifestado quando o seu apelo não é ouvido.

DW: Esta é a confirmação do que se suspeitava: que a paz que se vive no momento é uma paz frágil? 

XN: Pois, é uma paz frágil e aparente, porque a verdade é que não estamos em paz. Não estamos em paz. O que acontece é que as pessoas estão a circular de forma normal, mas no seio de cada moçambicano há uma dor muito enorme. Primeiro, por estar diante de um Governo que já nasce morto. A própria investidura do actual Presidente da República foi um autêntico fiasco, enquanto tomava posse, havia pessoas a morrer, pessoas a serem esbofeteadas pela Polícia da República.

E a situação que vivemos neste momento é essa: é uma paz aparente. Eu quero acreditar que a TRAC também estava mesmo a experimentar, para ver o que podia acontecer, porque não demorou e logo cancelou as portagens. É uma situação que já prevíamos e sempre dissemos que Moçambique nunca mais seria o mesmo diante desta situação pós-eleitoral que nós estamos aqui a viver.

DW: Está claro para todos que o povo moçambicano “abriu o olho”, como se diz na linguagem popular. Este caso de hoje confirma que o moçambicano nunca mais se vai conformar com aquilo que considera injusto na governação? 

XN: Nunca mais, nunca mais. O povo moçambicano nunca mais vai se vergar diante desta situação. E pior: antes mesmo desta situação toda, o autoproclamado presidente do povo, Venâncio Mondlane, já havia feito uma reportagem, bem mesmo ali na ponte, depois da portagem da TRAC, a dizer que a TRAC queria que se pagasse aquela portagem por 30 anos, mas, em menos de cinco anos, a amortização já estava totalmente paga.

Então, essas cobranças que estão a acontecer neste momento são ilícitas e nós não sabemos se realmente vão para a TRAC ou para o bolso de alguém, não entendemos. E também como é que a TRAC aparece a dizer que vai continuar a fazer as cobranças, se em nenhum momento disse que estava parada sem fazer as cobranças? Esta é a questão que mais girava em torno das redes sociais.

Voltou-se a ouvir o hino nas ruas de Maputo

O hino de Moçambique voltou a ser entoado por centenas de populares em diferentes ruas do centro de Maputo, em resposta ao apelo do ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, terminando ao fim de 15 minutos, sem incidentes. Entre a avenida Guerra Popular e a baixa da cidade, vários grupos juntaram-se, à hora prevista – 13:00 locais e, de mãos dadas, com bandeiras, vuvuzelas e apitos, cantaram o hino, pacificamente, perante um trânsito bloqueado, durante 15 minutos, uma forma de contestação que marcou os protestos pós-eleitorais sobretudo em Dezembro. “Venâncio Mondlane indicou-nos para cantar o hino nacional todas as sextas-feiras”, explicou, enquanto Filipe Alberto, que repetidamente cantou o hino durante os 15 minutos, acrescentava: “É sobre o país, está muito mal (…) roubaram os votos”. E enquanto os restantes alternavam o hino com buzinadelas e tudo o mais que fizesse barulho, Filipe Alberto acrescentava: “Se não entregarem, isto aqui nunca vai parar”. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com Nádia Issufo “Agência Deutshe Welle”


domingo, 22 de dezembro de 2024

Portugal - Voos Lisboa-Maputo da TAP com escala obrigatória em Joanesburgo

A TAP mantém a operação programada para Maputo, de três voos por semana, mas as tripulações passam a dormir na África do Sul e os aviões serão reabastecidos neste país, mudanças por tempo indeterminado

Em resposta por escrito a questões colocadas pela Lusa, a TAP confirma que “os voos entre Lisboa e Maputo passam a fazer uma escala técnica em Joanesburgo, para reabastecimento e troca da tripulação”.

Assim, exemplificou a mesma fonte, as tripulações que fazem o voo de Lisboa para Maputo ficam em Joanesburgo, o avião reabastece naquela cidade da África do Sul e continua depois para Maputo, mas com uma nova tripulação, a do voo anterior, que já tinha feito o período de descanso naquela cidade e que fará o voo de regresso para Lisboa nesse dia, sem sair do aeroporto em Moçambique.

Questionada pela Lusa sobre se estas alterações seriam temporárias ou eram para continuar, face à possibilidade de novos protestos a partir de dia 23 quando se prevê que o Conselho Constitucional anuncie os resultados oficiais das eleições gerais de 09 de outubro, a mesma fonte limitou-se a afirmar que “a operação vai manter-se nestes moldes até novas informações”.

O jornal Observador citou na quinta-feira uma comunicação interna da TAP, assinada pelo diretor de operações dos voos da empresa, Mário Bento, em que se refere que a companhia aérea tem “acompanhado de perto a evolução da situação em Moçambique, com especial foco nos acontecimentos na cidade de Maputo, tendo por base informações confidenciais, fontes abertas, canais diplomáticos e contactos locais”.

O responsável recorda na mesma nota o que se passou após 27 de novembro, quando a empresa decidiu “repatriar para Lisboa todos os tripulantes presentes em Maputo e suspender temporariamente as operações para esse destino”. A transportadora aérea portuguesa “implementou então medidas para garantir a segurança dos tripulantes”, que muitas vezes não se conseguiam deslocar dos hotéis para o aeroporto face às barricadas erguidas pelos manifestantes.

Face à “aproximação da data de proclamação dos resultados eleitorais pelo Conselho Constitucional de Moçambique e a possibilidade de intensificação dos protestos, a TAP, correspondendo às preocupações expressas pelas associações e sindicatos do Pessoal Navegante, acordou, como medida provisória, alterar o alojamento das tripulações”, justifica o diretor de operações de voos.

O Conselho Constitucional de Moçambique deverá proclamar até segunda-feira, 23 de dezembro, os resultados das eleições gerais, que incluíram presidenciais, legislativas e provinciais.

Os resultados anunciados em 24 de outubro deste ano pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) deram a vitória, com 70,67% dos votos, a Daniel Chapo, apoiado pela Frelimo, mas precisam ainda de ser validados pelo Conselho Constitucional, última instância de recurso em contenciosos eleitorais.

O candidato Venâncio Mondlane, um dos quatro que concorreu à eleição presidencial, segundo a CNE, ficou em segundo lugar, com pouco mais de 20% dos votos, e desde então tem convocado em todo o país paralisações e manifestações, que culminam em violência e confrontos com a polícia.

Pelo menos 130 pessoas morreram nas manifestações pós-eleitorais em Moçambique desde 21 de outubro, segundo balanço feito anteriormente pela Plataforma Eleitoral Decide, que monitoriza os processos eleitorais em Moçambique, que aponta ainda 385 pessoas baleadas.

De acordo com o balanço daquela Organização Não-Governamental, com dados até 15 de dezembro, há registo de 3636 detidos, cinco pessoas desaparecidas e mais de 2000 feridos nestas manifestações. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”


segunda-feira, 21 de outubro de 2024

África do Sul - Organismos vivos descobertos numa rocha com 2 mil milhões de anos

Estes micróbios poderão fornecer novas informações sobre a evolução inicial da vida na Terra e ajudar na busca de vida em Marte


Cientistas encontraram micróbios vivos numa rocha com 2 mil milhões de anos na África do Sul que poderão informações sobre o início da vida na Terra e ajudar na busca por vida extraterrestre em amostras de Marte, com idades semelhantes.

Os investigadores descobriram estes micróbios em bolsas no interior de uma fratura selada de uma rocha no Complexo Ígneo de Bushveld, na África do Sul, uma área rica em depósitos minerais. Este é o exemplo mais antigo de micróbios vivos encontrados em rochas antigas até à data.

Para confirmar que os micróbios eram de facto nativos da rocha e que não resultado de contaminação durante o processo de recuperação e estudo, a equipa de investigação refinou uma técnica desenvolvida anteriormente envolvendo três tipos de imagem – espectroscopia de infravermelhos, microscopia eletrónica e microscopia fluorescente.

Os micróbios mais antigos da Terra

Nas profundezas da Terra, colónias de micróbios vivem em rochas muito abaixo da superfície, sobrevivendo durante milhares, ou até milhões de anos.

“Não sabíamos se rochas com 2 mil milhões de anos podiam ser habitáveis. Até agora, o registo mais antigo de microrganismos vivos era um depósito com 100 milhões de anos no fundo do oceano. Esta descoberta é muito emocionante. Estudar o ADN e os genomas destes micróbios poderá ajudar-nos a compreender a evolução da vida nos seus primórdios na Terra”, disse Yohey Suzuki, autor principal do estudo e professor na Universidade de Tóquio.

A rocha foi retirada do Complexo Ígneo de Bushveld (BIC), uma vasta formação rochosa no nordeste da África do Sul, formada pela lenta solidificação de magma subterrâneo. O BIC cobre uma área de aproximadamente 66.000 km² (cerca do tamanho da Irlanda) e atinge até 9 km de espessura, contendo alguns dos mais ricos depósitos de minério do planeta, incluindo 70% da platina mundial.

Devido à sua estabilidade geológica ao longo de milénios, acredita-se que o BIC tenha proporcionado um habitat contínuo para vida microbiana desde a sua formação.

Técnicas e implicações para a Astrobiologia

Com o apoio do Programa Internacional de Perfuração Científica Continental, uma organização sem fins lucrativos que financia a exploração de sítios geológicos, a equipa obteve uma amostra de um núcleo rochoso com 30 centímetros de comprimento, a cerca de 15 metros abaixo do solo.

Ao cortá-lo em fatias finas e analisá-lo, descobriram células microbianas densamente compactadas nas fissuras da rocha, seladas por argila, o que impediu a contaminação externa.

A técnica desenvolvida pela equipa envolveu o uso de corantes de ADN nas células microbianas, combinada com espectroscopia de infravermelhos para analisar proteínas nos micróbios e na argila circundante. Este método permitiu confirmar que os organismos eram autóctones e não contaminantes.

“Estou muito interessado na existência de micróbios subterrâneos não só na Terra, mas também no potencial de os encontrar noutros planetas”, disse Suzuki.

"Encontrar vida microbiana em amostras da Terra de há 2 mil milhões de anos e ser capaz de confirmar com precisão a sua autenticidade deixa-me entusiasmado com o que poderemos encontrar agora em amostras de Marte.” – Catarina Almeida – Portugal in “SIC Notícias”


quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Nações Unidas - Relatora da ONU insta Portugal a juntar-se a processo contra Israel

A relatora especial da ONU para os territórios palestinianos ocupados defendeu que Portugal deveria “juntar-se à África do Sul” no processo contra Israel, que acusa o executivo de Telavive de genocídio na Faixa de Gaza

No encerramento de uma audição pública na Assembleia da República, Francesca Albanese defendeu que Portugal, “devido ao seu passado colonial”, deve juntar-se à África do Sul para fazer avançar o processo apresentado, no final do ano passado, no Tribunal Internacional de Justiça contra Israel por violação da Convenção Sobre Genocídio.

Albanese pediu que não se aproveite a integração de Portugal na União Europeia para evitar tomar posições sobre as ações movidas contra Israel, no contexto do conflito no Médio Oriente.

“Não deixemos que os burocratas tenham a oportunidade de utilizar o direito europeu e as instituições europeias para não assumirem responsabilidades. O direito internacional sobrepõe-se ao direito europeu. Não utilizem o consenso europeu para não assumirem responsabilidades. Isso é cobardia”, defendeu.

Albanese pediu também que fosse feita, pelo Governo português, uma auditoria de todas as relações com Israel a nível diplomático, político, económico, militar e estratégico, de modo que os portugueses “saibam qual é o compromisso que o país tem com um Estado que é um ocupante ilegal”.

Referindo-se ao atentado perpetrado pelo Hamas a 07 de outubro de 2023, a relatora da ONU defendeu que este deve ser “investigado e processado”, mas ressalvou que “um ato ilegal de resistência” não retira legitimidade à causa palestiniana.

A relatora da ONU sugeriu, tal como tem feito noutros países, que os deputados portugueses tentem visitar a Palestina, de modo a sublinhar a necessidade de “forçar os portões desse gueto e prisão a céu aberto”.

Francesca Albanese disse sentir-se na audição no parlamento português – no qual só estiveram presentes partidos de esquerda – “entre amigos”, o que, acrescentou, “não é um sentimento comum quando conhece instituições”.

A relatora pediu ainda que fosse mudado o “enquadramento” com que os países ocidentais se referem à questão israelo-palestiniana, afirmando que não deve ser referido como um conflito por dar “a sensação de uma falsa equivalência”.

“Os palestinianos são sobreviventes da Nakba e devem ser reconhecidos como tal, e não há equivalência entre um ocupante ilegal e o ocupado, um colonizador e o colonizado”, explicou.

Francesca Albanese reconheceu ainda que, na Europa, pode haver alguma dificuldade em reconhecer o que é um genocídio, mas que as “pessoas que vêm de um passado colonial sabem o que é” e por isso devem ser ouvidos nesta matéria.

“Uma questão de compreender o que é o genocídio, a destruição de um povo enquanto tal, como aconteceu com os povos coloniais ao longo de 500 anos de colonialismo. Portanto, o que estou a tentar dizer aqui é que temos uma oportunidade de fazer melhor, enquanto filhos e filhas, precisamos de corrigir o legado do passado”, concluiu. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 4 de setembro de 2024

Moçambique - Inicia contactos para garantir vacinas contra Mpox

O país está a contactar parceiros internacionais para ter acesso a vacinas contra a varíola dos macacos, apesar de ainda não existirem casos positivos. Moçambique vai reforçar a vigilância nas fronteiras para evitar a entrada de pessoas contaminadas, principalmente da vizinha África do Sul, país com casos confirmados.

A propagação da varíola dos macacos tem sido muito rápida pelo continente africano, tendo a vizinha África do Sul, casos confirmados. 

Apesar de não ter casos positivos, o país tem se antecipado na busca de vacinas pelo mundo, para responder ao surto, caso necessário.

“Através dos seus parceiros regionais e globais, Moçambique tem estado a fazer diligências para que tenha, quando disponível o estoque, para poder aplicar, em caso de declaração de surto no país. Neste momento, o país continua livre da doença, por isso, é elegível, mas estamos precavidos” disse Eduardo Samo Gudo, director-geral do Instituto Nacional de Saúde.

O Instituto Nacional de Saúde afirma que está a ser reforçada a vigilância nas fronteiras para evitar a importação de casos. “O que estamos a fazer é reforçar a segurança nas fronteiras, com foco para aqueles países que têm casos confirmados. A Organização Mundial da Saúde não recomenda a restrição de viagens para nenhum país, e nós estamos a cumprir com essa recomendação”, acrescentou Samo Gudo.

O Centro Africano de Controle de Doenças (CDC África), alerta que ainda há falta de vacinas no mundo para combater a Mpox. Enquanto isso, procuram-se soluções.

“As capacidades são muito limitadas, especialmente em termos de diagnóstico. E como sabem, só a Nigéria, na África, recebeu 10 mil doses de vacina, e estamos a trabalhar com os parceiros internacionais para receber mais vacinas para o continente. Não há tratamento, por enquanto, para a MPOX, mas também estamos a trabalhar para acelerar os treinamentos clínicos para obter uma dose segura”, explicou Benjamin Djoudalbaye, chefe de Política, Diplomacia de Saúde e Comunicação no CDC África.

O Conselho Consultivo Técnico do CDC África está reunido em Maputo para, entre outros, traçar estratégias conjuntas do continente, para o combate à doença.

“Esta reunião vai, igualmente, avaliar a  situação epidemiológica da Mpox no nosso continente e emitir as respectivas recomendações. Estamos convictos de que as deliberações que aqui sairão, vão fortalecer a capacidade nacional, regional e continental para uma resposta colectiva à Mpox e futuras emergências de saúde e segurança continental”, concluiu o ministro da Saúde, Armindo Tiago.

O encontro, de dois dias, vai igualmente discutir o quadro para a declaração de emergência de saúde pública de segurança continental. In “O País” - Moçambique


terça-feira, 27 de agosto de 2024

Angola – Português Ricardo Ferreira é o novo CEO do Access Bank Angola

Ricardo Ferreira sai do gigante sul-africano (Standard Bank) para liderar o team que vai operacionalizar as actividades do gigante nigeriano (Access bank) em Angola, enquanto Rui Pereira, que já vinha da antiga gestão do ex-Finibanco, está de malas feitas e tem apenas uma semana para deixar o "Edifício Amarelo" da rua Major Kanhangulo, na Mutamba

O Access Bank Angola (Access) já está a organizar o seu novo "board", a começar pela Comissão Executiva. Ricardo Ferreira, até então administrador Executivo do Standard Bank Angola, passa a ser o novo CEO do Access, em substituição Rui Pereira que apresentou a sua carta de demissão, apurou o Expansão junto de fontes do banco.

O Banco Nacional de Angola (BNA) já deu "luz verde" para Ricardo Ferreira iniciar as novas funções, ao lado de António Ribeiro, que já faz parte da equipa do Access Bank, que também entra para o bord como administrador Executivo.

Rui Pereira, que vem da liderança do ex-Finibanco, está de malas feitas, tendo já apresentado a sua carta de demissão no início do mês de Agosto. Segundo garantiu a fonte do Expansão, o mesmo tem apenas uma semana para deixar o "Edifício Amarelo" da rua Major Kanhangulo, na Mutamba. Assim, Ricardo Ferreira deve começar as suas funções já no dia 02 de Setembro.

O Access, novo dono do Finibanco Angola, alterou oficialmente o nome da instituição em Fevereiro para Access Bank Angola. O banco não só fez o rebranding da marca, como também já anunciou a nova sede localizada na Torre Victória Premium, na Avenida Gamal Abdel Nasser, nas Ingombotas.

Tal como noticiou o Expansão na Edição 768, a inauguração da sede está prevista para o segundo semestre do ano, quando o banco terminar o processo de fusão com o Standard Chartered Bank Angola e eleger um novo conselho de administração. O Access adquiriu as actividades do britânico Standard Chartered em Angola na segunda metade do ano passado, ficando com 60% do capital social da instituição bancária, enquanto os restantes 40% pertencem à ENSA.

Afinal quem é Ricardo Ferreira?

Ricardo Matias Ferreira Petinga, conhecido simplesmente por Ricardo Ferreira, de nacionalidade portuguesa, é licenciado em Comércio pela Universidade de Wits da África Sul, é também quadro de honra em Ciências de Contabilidade pela University of South Africa (UNISA).

Ricardo Ferreira tem passagem pela PwC, onde foi Senior Manager Advisory Services, em Lisboa, entre 2001 e 2006. Passou também pela Nedbank, um grupo de serviços financeiros sul-africano, onde foi Director Executivo Regional Lusófono da SADC e responsável pelas operações em Angola, até chegar ao sul-africano Standard Bank Angola, onde a última função que desempenhou foi de Administrador Executivo. Henrique Kaniaki – Angola in “Expansão”


quarta-feira, 14 de agosto de 2024

Suíça – Festival de Locarno, desmatamento e cura divina na Amazônia

Transamazônia tem tudo de um filme brasileiro, mas é uma coprodução de diversos países com direção de Pia Marais, nascida na África do Sul e vivendo na Alemanha. A história levou alguns anos para ser escrita, mas, como conta Pia Marais, a inspiração veio ao ler um livro no qual se contava a história de uma senhora sobrevivente da queda de um avião na floresta amazônica, onde se aproximou dos indígenas e com eles encontrou o prazer e a vontade de viver.


Para completar o cenário e criar condições para a filmagem, Pia Marais precisou viver um tempo no Estado do Pará, numa pequena cidade fronteiriça com uma reserva indígena. Para fazer o filme, contou com atores profissionais, atores brasileiros e indígenas locais. As filmagens eram muito difíceis porque a reserva é praticamente cortada pelo meio por uma estrada, utilizada pelos madeireiros para o transporte dos troncos das árvores por eles derrubadas, além do calor reinante com o qual ela e os atores tiveram de aprender a conviver.

Com relação ao desmatamento, Pia Marais observou haver, além dos madeireiros, uma prática cotidiana da população, cujos habitantes entram diariamente na floresta com bicicletas e motos a fim de buscar madeira para suas necessidades familiares.

Naquela região, Pia Marais constatou a existência de uns 30 grupos religiosos, a maioria missões norte-americanas também interessadas na conversão dos indígenas. Esses grupos não são registrados e funcionam de uma forma que se poderia considerar ilegal. Como é originária da África do Sul, Pia Marais se lembrou das missões religiosas no seu país agindo da mesma maneira. Embora os religiosos pareçam defender as florestas, existe uma contradição: a conversão dos indígenas para o cristianismo, deixando seu xamanismo natural, faz com que se civilizem e deixem o meio natural onde vivem, deixando de ser seus protetores.

A figura central do filme é Rebeca, uma jovem loura, que escapara de um acidente de avião na floresta, salva por um indígena é considerada filha do pastor americano da missão evangélica local. Considerada como milagre divino, Rebeca tem o dom de curar os doentes e isso, utilizado pelo pastor como cura divina, traz dinheiro e garante o crescimento da igreja criada pela missão.

O filme documenta a derrubada de árvores enormes e centenárias, mostrando como se processa o desflorestamento da Amazônia, com choques frequentes entre os madeireiros com os indígenas protetores das florestas onde vivem. As barragens criadas pelos indígenas na estrada e os atos de sabotagem incendiando tratores e motosserras são reprimidos à bala pelos madeireiros invasores e destruidores das florestas, num combate desigual. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins, convidado pelo Festival de Locarno


terça-feira, 30 de julho de 2024

África do Sul - UNESCO inclui locais relacionados a Mandela à lista de Património Mundial

Este fim-de-semana, a UNESCO acrescentou à sua lista de Património Mundial o local onde ocorreu um massacre do apartheid e um povoado onde Nelson Mandela cresceu, além de outros pontos sul-africanos fundamentais na luta que pôs fim ao domínio da minoria branca.


Nelson Mandela, que morreu em 2013 com 95 anos, foi o primeiro presidente negro da África do Sul, quatro anos após a sua libertação. O líder ficou preso por 27 anos, especialmente em Robben Island, em frente à Cidade do Cabo.

Um dos lugares agora incluídos na lista fica em Sharpeville, na província de Transvaal, onde em 1960 a polícia matou 69 manifestantes negros, incluindo crianças, um acontecimento que levou o governo do apartheid a proibir o Congresso Nacional Africano, actualmente no poder.

A aldeia isolada de Mqhekezweni, onde Mandela passou grande parte de sua infância e juventude, na província do Cabo Oriental, também entrou na lista do Património da Humanidade da organização das Nações Unidas. Na sua autobiografia “A Long Walk to Freedom”, o presidente popularmente conhecido como Madiba explica que ali nasceu o seu activismo político.

Os 14 lugares foram reagrupados sob o título “Direitos Humanos, Libertação e Reconciliação: locais de memória de Nelson Mandela”. Na lista, também está incluída a Universidade de Fort Hare (Cabo Oriental), onde Mandela estudou, e os Edifícios da União, situados em Pretória, capital do país, onde tomou posse como o primeiro presidente eleito pelo sufrágio universal, em 1994.

“Felicito a África do Sul pela inscrição destes locais de memória que testemunharam não só a luta contra o apartheid, mas também a contribuição de Nelson Mandela para a liberdade, os direitos e a paz”, declarou a directora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay.

“Vinte e cinco anos após a inscrição de Robben Island na Lista como Património Mundial da UNESCO, esta nova inclusão garante que a herança da libertação da África do Sul e os valores que ela incorpora serão transmitidos às gerações futuras”, acrescentou Azoulay.

A inclusão destes lugares foi decidida durante a reunião que a UNESCO realizou em Nova Delhi, onde também foi aprovada a inclusão de três locais sul-africanos importantes para a compreensão das origens da humanidade. Situados nas províncias de Cabo Ocidental e KwaZulu-Natal, estes lugares “abrigam registos mais variados e mais bem conservados sobre o desenvolvimento do comportamento humano moderno, que remontam a 162 mil anos”, segundo a UNESCO. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências Internacionais”


sábado, 6 de julho de 2024

Angola - Aeroporto 4 de Fevereiro é "porta" de entrada de droga

O Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, em Luanda, continua a ser a rota escolhida pelos narcotraficantes para entrada de cocaína em Angola, e países como Brasil e África do Sul são os que mais têm recrutado as mulas para trazerem as drogas para Luanda, soube o Novo Jornal junto do Serviço de Investigação Criminal (SIC), que diz estar no encalço dos barões da droga em Luanda.


Segundo o SIC, as cidades de Joanesburgo, na África do Sul, e de Guarulho, região metropolitana de São Paulo, no Brasil, são as fontes da cocaína que dá entrada em Angola.

Conforme o SIC, o Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro é apenas a rota de passagem dos narcotraficantes de drogas, onde muitas mulas são detidos.

As mulas são as pessoas usada por traficantes para transportar a droga ilegalmente, mediante pagamento ou coação, e usam diversos artifícios para o transporte, às vezes o próprio corpo.

O Novo Jornal soube que quase todas as semanas são detidos no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro transportadores de drogas, uns com maior quantidade, outros com menor.

Entretanto, o Serviço de Investigação Criminal assegurou ao Novo Jornal que tem sido incansável no combate às drogas no Aeroporto Internacional de Luanda e que a situação do tráfico está controlada em Angola.

Esta quinta-feira,4, informou que, em coordenação operativa com outras forças do sistema de segurança, deteve, de Fevereiro a Junho deste ano, 17 cidadãos angolanos e estrangeiros implicados no tráfico de drogas.

Entre os detidos, três são de nacionalidade angolana, incluindo uma mulher, três sul-africanos, uma brasileira e outra namibiana, "por factos que configuram os crimes de tráfico de droga do tipo cocaína, dissimulada em cápsulas no estômago, em malas e caneleiras".

Dos implicados, oito foram detidos no momento do desembarque de passageiros de um vôo da TAAG proveniente da cidade de Guarulhos, Estado de São Paulo, no Brasil.

Todos os anos as autoridades policiais apresentam à imprensa vários cidadãos nacionais e estrangeiros detidos no aeroporto de Luanda por tentarem entrar com drogas de forma de dissimulada.

Uns vão a julgamento e outros são apenas caucionados, mas a situação parece que não tem inibido os traficantes.

Em Janeiro de 2023, dois nacionais, de 40 e 46 anos, foram detidos em posse de 12,102 kg de droga (cocaína) provenientes do Brasil.

Cinco meses depois, isto em Maio de 2023, um total de nove quilogramas de cocaína que se encontravam dissimulados em quatro malas de viagem provenientes também do Brasil foi apreendido pelo SIC no Aeroporto 4 de Fevereiro.

No mês passado, o ministro do Interior Eugénio Laborinho considerou que a situação do tráfico de drogas está controlada em Angola, apesar de reconhecer que os traficantes continuam a modernizar o seu "modus operandi", para driblarem as autoridades do Estado.

"Considerando que os indivíduos envolvidos nestas práticas estão sempre a modernizar os seus modus operandi, o Ministério do Interior continua a aperfeiçoar as medidas técnicas, tácticas e operativas de actuação, de modo a elevar os níveis de controlo dos portos, aeroportos e zonas limítrofes", disse o ministro em declarações à Angop.

Ainda no ano passado, o director Nacional de Ordem Pública da Polícia Nacional, comissário Orlando Bernardo, disse no Parlamento, aquando das acusações proferidas pelo cidadão "Man Genas", que acusou vários altos funcionários da PN e das FAA, de serem os grandes barões de drogas no País, disse, aos jornalistas, que as informações feitas por "Man Genas" eram falsas.

"Não há envolvimento de efectivos das estruturas do Ministério do Interior no tráfico de drogas", assegurou Orlando Bernardo.

Em declarações ao Novo Jornal, esta sexta-feira, 5, o porta-voz do SIC-geral superintendente-chefe Manuel Halaiwa disse que as autoridades vão continuar a deter as mulas para tentar chegar aos barões.

Segundo Manuel Halaiwa, o SIC está empenhado em capturar os barões do narcotráfico que têm liderado, tanto em Luanda como em Joanesburgo e Guarulho, as mulas que entram no País.

Conforme o SIC, há trabalhos de investigações a decorrer minuciosamente para as capturas dos mandantes, que muitas vezes pagam a grandes advogados para em sede das detenções defenderem os cidadãos apanhados com drogas no aeroporto. Fernando Calueto – Angola in “Novo Jornal”

 


segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Moçambique e África do Sul preocupados com imigrantes indocumentados

A Embaixada de Moçambique na África do Sul reitera que a questão dos imigrantes moçambicanos indocumentados continua na lista de prioridades da agenda dos governos dos dois países.


O assunto dos moçambicanos indocumentados voltou a ser levantado, no fim-de-semana, num encontro entre a representação diplomática moçambicana, na terra do rand, e os moçambicanos baseados em Soshanguve, nos arredores de Pretória.

A conselheira da Embaixada de Moçambique, em Pretória, Helena Gune, reconhece que o assunto não é de fácil resolução, mas garante que está a ser tratado a nível dos dois governos.

Recordou que para minimizar o problema, o Governo lançou, no fim do ano passado, a campanha de registo de moçambicanos na África do Sul.

Enquanto a solução não chega, Helena Gune exorta os moçambicanos a aderirem aos processos de mapeamento e inscrição consular.

No entanto, alerta para a existência de pessoas de má-fé, que fazem cobranças ilícitas no processo de inscrição consular, que é gratuito.

Neste momento, as missões diplomáticas de Moçambique, na África do Sul, já estão a trabalhar na sensibilização das comunidades para o processo de recenseamento eleitoral, que arranca a 30 de Março próximo. In “O País” - Moçambique


domingo, 10 de dezembro de 2023

África do Sul - Esperança pela igualdade perdeu-se pós Mandela

A exposição “Mandela is Dead” marca os 10 anos da morte do líder histórico, questionando o que faria hoje o ex-Presidente para salvar o povo que libertou do atual colapso social e económico da África do Sul


“O que diria Mandela se estivesse aqui hoje? O que faria? As coisas seriam assim se Nelson Mandela ainda estivesse aqui”, questiona o curador Kneo Mokgopa, no Centro de Memória Nelson Mandela, no bairro judeu de Houghton, em Joanesburgo, para quem as perguntas “são tristezas não realizadas”.

“Na realidade, queremos que Nelson Mandela volte. Queremos que ele nos salve novamente”, sublinhou a Fundação Mandela na apresentação da exposição, na passada quinta-feira (30), frisando que pretende destacar a “urgência do contexto” em que os sul-africanos atualmente vivem, e “reconhecer que ninguém vem nos salvar”.

Nelson Mandela, que morreu a 5 de dezembro de 2013, com 95 anos, foi eleito primeiro chefe de Estado negro nas primeiras eleições multirraciais e multipartidárias em 1994.

Trinta anos depois, o país tornou-se uma democracia e o ANC enfrenta a sua quase “liquidação política”, segundo analistas, após se afastar radicalmente da ética do antigo fundador do movimento de libertação, abandonando também o projeto social inter-racial construído pelo líder histórico sul-africano. Uma década após a sua morte, a igualdade por que Nelson Mandela lutou está esquecida pelo partido no poder, sendo hoje mais sentida “com saudade” por lusodescendentes do que pela maioria negra que o líder histórico queria unir numa “Nação do Arco íris”, considerou o conselheiro português Vasco Pinto de Abreu, à Lusa. “Infelizmente o seu pensamento não frutificou, e é uma pena porque um homem que lutou toda a sua vida pela emancipação e pela união do povo sul-africano, hoje em dia está esquecido”, referiu.

“Comemoram-se certas datas, mas já se esqueceu todos os seus ensinamentos e a comunidade portuguesa sente falta disso, ainda relembra com saudade o seu nome porque hoje vemos os nossos filhos e os nossos netos a serem discriminados”, adiantou. Na ótica de Vasco Pinto de Abreu, natural de Moçambique - país vizinho de onde saiu em 1975 -, hoje na atual África do Sul democrática “quem é discriminado é o branco”.

“Quem são discriminados são os nossos filhos e os nossos netos, quando nós não tivemos participação ativa no sistema do ‘apartheid’, e a África do Sul só teria a ganhar com a colaboração de todos e o trabalho de todos”, sublinhou.

Em contraste com a exposição da Fundação Mandela, que procura instar também os sul-africanos a encerrarem “este luto”, o conselheiro português considerou que Mandela representa a “esperança” que os jovens lusodescendentes têm de ficar no país, a economia mais desenvolvida de África, “porque é a sua terra”, mas avisa: “Se a África do Sul não mudar de rumo, os nossos jovens não têm grandes oportunidades na África do Sul”.

“Porque chega a um ponto em que metem o seu canudo ou o seu dinheiro debaixo do braço e vão para outros países, e procuram outros pastos onde a erva seja maior, e estou a falar de países, por exemplo, como os Países Baixos ou o Reino Unido [...], os mais qualificados têm procura e vão, aliás, como nós fizemos, muitos de nós saíram de Portugal porque não havia oportunidades, porque Portugal estava em constante crise económica, havia grande desemprego e aqui está-se a passar o mesmo”, frisou. In “Milénio Stadium” – Canadá com “Lusa”


domingo, 3 de dezembro de 2023

África do Sul - Redescoberta espécie de toupeira-dourada que se pensava extinta

Desde 1936 que a toupeira da espécie Cryptochloris wintoni, conhecida pelo seu pêlo que emite um brilho áureo, por ser totalmente cega e por parecer ‘nadar’ pelas dunas arenosas, não era avistada.


Contudo, uma investigação de conservacionistas e geneticistas da organização não-governamental Endangered Wildlife Trust (EWT) e da Universidade de Pretória voltaram a descobrir, na África do Sul, esta espécie classificada como ‘Criticamente em Perigo’ pela União Internacional para Conservação da Natureza (UICN).

Num artigo publicado na revista ‘Biodiversity and Conservation’, é revelado que a presença desta espécie e de alguns indivíduos foram detetados graças à utilização de técnicas de análise de ADN ambiental recolhido do solo e de um cão Border Collie que ajudou os investigadores a seguirem as pistas odoríferas deixadas por este animal críptico.

De acordo com os cientistas, esta toupeira, também vulgarmente conhecida como toupeira-dourada de De Winton, foi vista pela última vez, há mais de 80 anos, na localidade costeira sul-africana de Port Nolloth, uma região que tem sido alvo de uma “transformação radical dos habitats” devido à exploração de diamantes, algo que “representa uma ameaça significativa” para esta espécie.

É um animal que não é facilmente observado. Além de viver em tocas subterrâneas, tem uma audição extremamente apurada e é capaz de detetar vibrações produzidas por movimento à superfície, que os investigadores dizem ajudar essas toupeiras a manterem-se escondidas de potenciais predadores.

“Além disso, também raramente deixam para trás túneis que sejam visíveis desde a superfície à medida que se movem pela areia”, explicam em comunicado.

Através da recolha de mais de 100 amostras de solo em junho de 2021, em praias e dunas na costa noroeste de África do Sul, incluindo Port Nolloth, e da sua análise genética, a equipa confirmou a presença da espécie que estaria extinta, bem como de outras espécies de toupeiras-douradas, como a Chrysochloris asiatica, a Eremitalpa granti e a Cryptochloris zyli, sendo essa última também ameaçada de extinção.

“Embora muitos duvidassem que a toupeira-dourada de De Winton ainda andasse por aí, eu acreditava que a espécie ainda não se tinha extinguido”, admite Cobus Theron, gestor de conservação da EWT e um dos autores do artigo.

Para o especialista, era uma questão de tempo e de usar o método de deteção certo até que se voltasse a registar a presença desse animal esquivo, e o ADN ambienta provou ser a melhor abordagem, uma vez que é amplamente usada para descobrir vestígios de espécies que normalmente são difíceis de observar em contexto selvagem.

Embora a toupeira-dourada de De Winton tenha uma área de distribuição mais ampla do que se pensava, os cientistas dizem que não é uma espécie que se possa considerar ser abundante. Como tal, esperam que os resultados do trabalho possam evidenciar a necessidade e até urgência de criar e implementar medidas que ajudem a proteger esta espécie, uma vez que parece apenas ocorrer numa região fortemente pressionada pelas atividades humanas, para que não desapareça de vez. Filipe Rações – Portugal in “Green Savers”