Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Infraestruturas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Infraestruturas. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Moçambique – Pretende empresários chineses a investirem na industrialização

O Presidente moçambicano convidou, na China, os empresários daquele país asiático a investirem em Moçambique para ajudar no desenvolvimento e industrialização através da transformação local das matérias-primas, afirmando que é preciso investir agora porque “o comboio não espera”


“Quero convidar os meus irmãos a investir em Moçambique, porque quanto mais cedo possível melhor, porque o comboio já está a andar e geralmente o comboio não espera, pode passar e chegar tarde, enquanto os outros já apanharam o comboio”, disse o chefe do Estado moçambicano, Daniel Chapo.

O Presidente moçambicano falava na província de Hunan, na China, durante um encontro com cerca de 350 empresários no quadro da visita de Estado que efetua àquele país asiático, em que lembrou que Moçambique está agora a atravessar uma fase de desenvolvimento de vários projetos, sobretudo os ligados à exploração de gás, indicando que é preciso aproveitar o momento para investir.

Além do sector de gás, Chapo quer os empresários chineses a investirem em tecnologia, agricultura, indústria, infraestruturas, inovação, corredores logísticos que causam maior impacto económico e social.

Perante os empresários, o Presidente de Moçambique esclareceu que o país está a construir as bases para a sua independência económica “com foco, resiliência e determinação”, através de uma transformação estrutural da economia que pretende alcançar a industrialização e o desenvolvimento da cadeia de valor, pedindo investimentos dos empresários de Hunan, província considerada “capital das máquinas agrícolas, máquinas industriais, camiões, máquinas para a indústria mineira”. “Queremos convidar aos empresários do Hunan para juntos aos empresários virem investir em Moçambique na industrialização (…) A nossa visão como Governo é que os nossos recursos minerais sejam transformados em Moçambique e já começamos esse trabalho (…) essa é a nossa visão, gerar rendimento em Moçambique, pagar-se impostos e desenvolvermos o nosso país”, disse Chapo.

Ao apresentar as potencialidades de Moçambique, Chapo referiu-se aos projetos de desenvolvimento dos corredores logísticos e dos portos, incluindo a construção de fronteiras de paragem única juntos dos países vizinhos, indicando que estas decisões colocam o país numa posição estratégica para receber investidores.

Neste sentido, o chefe do Estado moçambicano mostrou também abertura do país para concessões de diversas infraestruturas como estradas, em períodos de 20 a 30 anos, indicando que é para as empresas chinesas recuperarem os investimentos que eventualmente poderão fazer. “Estamos dispostos a receber irmãos empresários da China da província de Hunan e de outras províncias para podermos desenvolver juntos Moçambique”, disse Chapo.

O Presidente moçambicano pediu ainda a estes empresários aposta na formação do capital humano, indicando que a China é um parceiro estratégico de “primeira linha” não apenas para financiamento, mas para a troca de conhecimentos. “Queremos evoluir de uma parceria baseada no volume, para uma baseada no valor acrescentado, transferência de tecnologia, criação de emprego qualificado e desenvolvimento de cadeias produtivas. A nossa localização geográfica confere-nos uma vantagem estratégica única”, explicou Chapo, referindo-se aos acessos ao mar com ligações através dos corredores desenvolvidos e também às potencialidades agrícolas.

Chapo quer também estes empresários a investirem no setor de energia para exportar para os países da região austral de África que “enfrentam desafios”, indicando que o país também tem agora potencial para a construção de centrais elétricas, além das potencialidades que surgem com a exploração do gás.

Chapo chegou a Pequim na quinta-feira para uma visita de Estado que decorre até esta semana, num contexto em que os dois países assinalam meio século de relações diplomáticas e procuram aprofundar a parceria estratégica. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 27 de agosto de 2025

São Tomé e Príncipe deve potenciar infraestruturas resilientes e planos de adaptação ao clima

Estudo divulgado pelo Fundo Monetário Internacional incentiva mais investimento público nessas áreas, medida garantiria uso mais eficiente de recursos limitados do país lusófono que faz parte dos Estados insulares em desenvolvimento


Infraestrutura precária, proteção insuficiente contra inundações e falta de recursos financeiros são desafios que São Tomé e Príncipe enfrenta, revela o Fundo Monetário Internacional.

O estudo “Opções de Políticas para Fortalecer a Resiliência de São Tomé e Príncipe a Desastres Naturais” destaca que a alta vulnerabilidade a estes episódios torna vital reforçar a resiliência.

Investimento público

A análise feita ao pequeno Estado insular em desenvolvimento, publicada neste agosto, defende que o investimento público resiliente ao clima alavancaria a capacidade de São Tomé e Príncipe para resistir aos desastres naturais.

O método Dívida, Investimento, Crescimento e Desastres Naturais, Dignad, avaliou o impacto do investimento em capital resiliente ao clima no crescimento económico e na sustentabilidade da dívida em vários cenários.

Com mais infraestrutura resiliente ao clima e fortalecimento da eficiência do investimento público no crescimento econômico e na dívida os resultados foram promissores comparados à gestão de desastres e aos fundos de contingência financeira.

Programa de Gestão das Áreas Costeiras

Um dos exemplos citados é o apoio à área costeira, adaptação e resiliência a inundações no arquipélago pelo Programa de Gestão das Áreas Costeiras da África Ocidental.

O investimento envolve US$ 15 milhões ao longo de cinco anos, que devem ser alocados principalmente para investimentos físicos, incluindo a transferência de pessoas para zonas de expansão seguras.

Nesse modelo, as diversas instituições apoiam o fortalecimento de seu sistema de alerta precoce, que monitoriza o clima e os perigos, prepara previsões e dissemina informações.

O Dignad conclui que países estão mais bem preparados para lidar com desastres naturais quando investem em infraestrutura resiliente, instalam e utilizam sistemas de alerta precoce e investem em proteção climática e ambiental.

Para esse propósito é importante garantir subsídios e financiamento em condições concessionais para infraestruturas resilientes e planos de adaptação. O reforço da gestão do investimento público também ajudará a garantir um uso mais eficiente de recursos limitados, maximizando seu impacto. ONU News – Nações Unidas


domingo, 20 de julho de 2025

Guiné-Bissau - Português foi de férias e acabou por mudar vidas no país

Um pedido da população de Cacheu a um grupo de turistas portugueses fez José Pereira mudar de vida e encontrar na cidade do norte da Guiné-Bissau um novo lar e uma empreitada de voluntariado


Natural da zona de Viana de Castelo, em Portugal, José Pereira nunca tinha estado em África e, na primeira visita que fez, ficou, tornando-se no elo com Cacheu da Associação de Cooperação com a Guiné-Bissau, uma Organização Não Governamental para o Desenvolvimento (ONGD).

Em pouco mais de uma década, construíram a maternidade pedida pela comunidade, a casa das mães, uma casa para pessoas com deficiência, um infantário, um espaço multiusos e uma cantina.

Mais de um milhão de euros em obras, sem contar com o apoio de empresas e o trabalho voluntário que José Pereira continua a fazer em Cacheu, de onde não espera sair tão depressa, confessou à Lusa.

O empreiteiro minhoto foi de férias a Cacheu, em 2007, com um grupo de ex-combatentes portugueses na guerra colonial.

Nessa altura, contou, a população pediu-lhes uma maternidade e, a partir daí, começaram a trabalhar no projeto.

Ao fim de três anos, tinham dinheiro para começar a obra, construída em aproximadamente um ano.

Em 2011, entregaram a maternidade à comunidade e José Pereira ficou em Cacheu.

“Gostei do clima, sobretudo, e comecei a passar os meus invernos cá. Comecei a gostar disto, acabei por construir a minha casa e vivo cá mais tempo agora do que vivo lá [em Portugal]”, partilhou.

Os projetos continuaram e, depois da maternidade, no mesmo local, construíram a casa para as pessoas com deficiência e a casa das mães.

Já este ano, inauguraram, com a presença do primeiro-ministro da Guiné-Bissau, a maior de todas as obras, três blocos com infantário, um multiusos e cantina/restaurante.

“Já gastámos para cima de um milhão de euros, no total do que fizemos até hoje. Não estão contabilizadas as ofertas de muitas empresas e o trabalho”, afirmou.

No trabalho está incluída mão-de-obra, nomeadamente do próprio que participou na construção, algumas vezes sozinho.

Todo o trabalho é voluntário, salientou, apontando que, mesmo entre os membros da associação, “cada um paga as suas despesas” quando se desloca a Cacheu.

José Pereira tem ajudas de custos pela função que desempenha com um novo projeto em curso, a ampliação do centro de recurso de Cacheu, com ludoteca, biblioteca, internet e outros meios de que a população não dispõe.

A “grande recompensa” que diz ter por este trabalho é, em primeiro lugar, o impacto em indicadores que preocupam na Guiné-Bissau como a mortalidade materno-infantil.

“É quase nula, não é cem por cento, mas é quase”, garantiu, indicando que as mulheres passaram a ter condições para o parto, que não tinham, com enfermeiras e parteiras disponíveis 24 horas por dia.

“Sobretudo as mulheres que vinham das tabancas, que tinham [de andar] meio dia ou um dia para chegarem aqui a pé, não chegavam à maternidade sequer e agora chegam, tudo por causa da Casa das Mães. Já vêm atempadamente, com uma semana, duas semanas antes de parirem”, concretizou.

“E isso é uma nossa recompensa grande”, reiterou, referindo-se também às crianças guineenses que “são agradáveis, são sorridentes”.

Fazer o que for possível para ajudar esta comunidade é o propósito de José Pereira e da Associação, num país que “carece de tudo”, disse.

“Com o tempo, Cacheu já está a ficar mais ou menos apetrechado de certas coisitas e eles estão a tirar muito bom partido disso e parabéns a eles”, afirmou.

Enquanto tiver saúde e condições físicas, José Pereira promete que vai continuar com a associação, por Cacheu. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”


quarta-feira, 18 de junho de 2025

China - Vai aumentar apoio a Moçambique na saúde e infraestruturas

A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique disse que o Governo chinês vai aumentar o apoio ao país, sobretudo em projectos nas áreas da saúde e das infraestruturas


Maria Lucas, que falava à margem de um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China, Wen He, disse que a reunião superou as suas expectativas, sobretudo com o anúncio de um reforço do apoio chinês a Moçambique em diversas áreas-chave.

“[Wen He] referiu-se ao aumento do apoio que eles vão fazer a Moçambique em várias áreas, mas, sobretudo, para galvanizar a implementação do projeto sobre a construção do centro cirúrgico do Hospital Central de Maputo [a maior unidade do país]”, declarou a ministra, que se encontra de visita à China.

De acordo com Maria Lucas, o ministro chinês destacou ainda a construção de um centro de formação em saúde em Sofala, província do centro do país. “Também referiu-se aos dois projetos que já submetemos ao Governo da China, um deles em relação à N1 [Estrada Nacional 1], só aos troços da província de Maputo a Gaza, e também referiu-se ao projecto de interconectividade na área digital (…) que também já tínhamos submetido. Disse que também vão trabalhar nesses projectos e brevemente darão as respostas”, declarou.

A ministra realçou que a parceria histórica entre Moçambique e a China vai além das últimas cinco décadas, estendendo-se também ao período da luta de libertação nacional moçambicana. “Foi um encontro muito bom. É sempre bom termos um aliado como a China”, concluiu.

A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique apelou, na quarta-feira, à flexibilização dos mecanismos de preparação e apresentação de projetos de negócios e ao desembolso de fundos chineses em África.

Maria Lucas, que falava durante a conferência ministerial de coordenação para a implementação dos resultados do IV Fórum de Cooperação China-África (FOCAC), na cidade chinesa de Changsha, saudou e elogiou a iniciativa “promissora”, mas avançou alguns desafios a serem ultrapassados para a sua implementação efetiva nos países africanos. “Para que [a iniciativa] seja viável e bem-sucedida nos nossos países, e em Moçambique, em particular, há desafios que devem ser devidamente abordados, incluindo a flexibilidade dos mecanismos de preparação e apresentação de projetos, bem como de desembolso de fundos”, disse.

Segundo a ministra, a parceria com a China produziu para África e Moçambique, particularmente, “resultados significativos”, incluindo a afirmação do Fórum África-China e o avanço da iniciativa de cooperação “Cinturão e Rota”, bem como o Fórum de Macau.

Maria Lucas garantiu que Moçambique está preparado para receber os investimentos chineses e levar as trocas comerciais entre os dois países para níveis mais elevados.

A China é o maior parceiro comercial do continente africano, com o comércio bilateral a atingir 167,8 mil milhões de dólares na primeira metade do ano, de acordo com a imprensa oficial chinesa. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Guiné-Bissau – Presidente da República novamente de visita a Moscovo

Líderes africanos são hóspedes frequentes no Kremlin, em Moscovo. No entanto, o presidente da Guiné-Bissau, Sissoco Embalo, pode ser considerado um verdadeiro recordista. Ultimamente tem vindo todos os anos à Rússia



O Presidente Umaro Sissoco Embalo está por estes dias em Moscovo na procura de apoio para o desenvolvimento da Guiné-Bissau, um dos países mais pobres do mundo, enquanto marca uma posição contra o isolamento ocidental da Federação Russa.

Com esta deslocação à capital da Rússia, Sissoco Embalo, que foi recebido por Vladimir Putin no Kremlin, deixa perceber que o seu país não teme desafiar a norma ocidental de isolamento a que o país está a ser sujeito devido à guerra com a Ucrânia nem teme desafiar opções opostas de parceiros da CPLP, como Portugal.

Além disso, Bissau parece claramente apostada em seguir um caminho com semelhanças ao que está a ser feito pelos vizinhos da África Ocidental, Burquina Faso, Mali e Níger, e, de alguma forma, a Guiné-Conacri, de uma aproximação estratégica à Rússia.

Com um subdesenvolvimento crónico, a Guiné-Bissau, segundo fontes do Novo Jornal na capital guineense, está consciente de que a sua proximidade aos países ocidentais, nomeadamente Portugal, antiga potência colonial, e à União Europeia não resolve os seus problemas estruturais.

O país precisa urgentemente de investimento externo e os europeus não se têm mostrado abertos a fazê-lo, estando agora Sissoco Embalo a enveredar por uma alternativa, virando-se para a Rússia e a China, que já é um parceiro da linha da frente.

No encontro com Putin no Kremlin, o Chefe de Estado guineense, segundo a TASS, apresentou como áreas estratégicas para o investimento russo os recursos minerais, a agricultura, energia, pescas e infra-estruturas.

A Guiné-Bissau tem uma posição estratégica na costa da África Ocidental com uma larga abertura para o Atlântico, que permite a exploração de gigantescas áreas de pesca e que conta com indícios fortes da presença de reservas consideráveis de hidrocarbonetos.

Mas é na área da geopolítica que Bissau tem mais para oferecer a Moscovo, que já tem na região aliados de peso, somando-se ainda a melhoria das relações, além do Burquina, Mali e Níger, com Conacri e com o Senegal...

Além disso, existe um antigo desejo de ligar o Mali, e, por inerência de alianças regionais, o Burquina e o Níger, ao mar, por estrada e ferrovia, com um eventual desenvolvimento do porto de águas profundas de Buba.

E Umaro Sissoco Embalo não tem escondido que esse projecto está entre as suas prioridades de longo prazo desde que tenha condições para o executar, sendo esta a oportunidade, aproveitando as alianças estratégicas na região com a Rússia.

Devido à sua localização geográfica, esta infra-estrutura, que é um projecto com décadas, vindo mesmo do tempo colonial, devido às condições naturais da área de futura criação do porto de águas profundas, exigira sempre acordos de natureza sub-regional, porque entre o Mali e a Guiné-Bissau estão os territórios do Senegal ou da Guiné-Conacri.

No decurso do encontro no Kremlin entre os dois Presidentes, o russo lembrou que em 2024, as trocas comerciais entre a Rússia e o continente africano cresceram 10%, o que deixa perceber que existe um empenho dos dois lados para que tal aconteça.

Mas Putin disse ainda, segundo a agência de notícias, que "as relações comerciais entre os dois países requerem seguramente uma atenção cuidada de ambas as partes", mostrando, todavia, abertura para que estas tenham em breve um forte incremento.

"Existem bons alicerces e boas oportunidades para esse momento, e muitas das empresas estão viradas para aproveitar as oportunidades que se lhes apresentarem nos mercados africanos e na Guiné-Bissau seguramente", avançou o chefe do Kremlin.

Sissoco Embalo não foi parco em garantias de interesse no aprofundamento das relações entre os dois países: "Estou aqui para reafirmar a solidez das nossas relações de amizade, porque esta é uma ligação de fraternidade que sempre existiu".

Quando Putin diz que este reforço da parceria tem de ser cuidadosamente analisado, provavelmente tem em consideração que a situação política interna na Guiné-Bissau é, como há décadas, tensa, e desta feita, muito por causa da urgência da realização de eleições como fim do mandato do actual Presidente.

A oposição diz que o mandato terminou esta semana e a Presidência, com o apoio do Tribunal Supremo aponta essa data para o início de Setembro.

Várias personalidades em Bissau acusam o Presidente de tentar encontrar em Moscovo algum tipo de apoio para o prolongamento ilegal do seu mandato, o que será difícil de conseguir, visto que Putin tem actualmente uma situação com algumas semelhanças na Ucrânia, país com quem a Rússia está em guerra e cujo Presidente, Volodymyr Zelensky, o Kremlin acusa de sofrer de legitimidade democrática porque as eleições deveriam ter tido lugar em Maio de 2024, tendo estas sido proteladas no âmbito da Lei Marcial em vigor no país. Ricardo Bordalo – Angola in “Novo Jornal” com “MK”


sábado, 4 de janeiro de 2025

Angola - Corredor do Lobito é de importância crucial para o desenvolvimento nacional

O administrador municipal da Catumbela, José Ferreira, destacou, sexta-feira, durante uma entrevista concedida ao Jornal de Angola, as vantagens estratégicas do Corredor do Lobito, considerando a infra-estrutura de importância crucial para o desenvolvimento económico e geopolítico de Angola



Segundo o administrador José Ferreira, o corredor, em articulação com o Aeroporto Internacional da Catumbela, já certificado, consolida-se como um activo essencial não apenas para o município e a província de Benguela, mas também para o país e para a África.

O Corredor do Lobito conecta o Porto do Lobito ao interior do continente africano, oferecendo uma via eficiente para o transporte de mercadorias, especialmente minérios provenientes de países como a República Democrática do Congo e a Zâmbia. Essa rota estratégica, sustentou, reduz custos logísticos e promove o comércio internacional, consolidando Angola como um importante hub de exportação na região.

José Ferreira destacou que esse empreendimento demanda maior responsabilidade no sentido de promover e divulgar a sua relevância geoestratégica.

“É nossa responsabilidade trabalhar cada vez mais para difundir a importância que o Corredor do Lobito representa, não apenas para o município, mas para a província e o país”, disse, salientando, esses activos fortalecem a posição de Angola na região geoestratégica da África Ocidental”, destacou.

Potencial turístico da Catumbela

José Ferreira também enalteceu as potencialidades turísticas da Catumbela, que descreveu como “uma fonte virgem”. Mesmo sem grandes intervenções humanas, a região possui um apelo natural que atrai visitantes.

“O município é um referencial para o turismo. A Catumbela, mesmo sem o exercício da força humana, por si só, atrai turistas. Estamos a trabalhar continuamente para melhorar e elevar o turismo na região, valorizando as belezas naturais, cultura, e gastronomia”, afirmou.

O administrador reconheceu ainda que o Aeroporto Internacional da Catumbela é uma porta de entrada estratégica para turistas que visitam Benguela e outras localidades do país, reforçando que a administração municipal está empenhada em facilitar actos administrativos para investidores interessados em explorar o potencial turístico da região. Juceila Dias – Angola in “Jornal de Angola”


sexta-feira, 21 de junho de 2024

Angola - Utiliza Macau como “ponte” para acordos com empresas chinesas

O Ministro da Energia e Águas de Angola assinou em Macau dois importantes acordos de entendimento com empresas chinesas estatais do sector da energia, concretamente a “Power China” e “State Grid”, na sequência da sua deslocação ao território para participar no Fórum Internacional sobre o Investimento e Construção de Infra-estruturas. Em entrevista ao Jornal Tribuna de Macau, João Baptista Borges destacou o papel da RAEM como ponte para a concretização de vários projectos de desenvolvimento em Angola apoiados pela China


Utilizar Macau como “ponte” para a concretização de acordos com empresas chinesas, tendo em vista o apoio a projectos de desenvolvimento em Angola, concretamente na área da energia, é para o Ministro da Energia e Águas do país africano de expressão portuguesa uma vantagem que se deve aproveitar.

“Nós, os que falamos português, que temos este património que é a língua, digamos que o facto de Macau falar também o português pode ajudar, e muito, a conhecermos particularidades da cultura, dos hábitos, do modo de ser da China e do povo chinês, que tem, como se sabe, uma cultura muito distante da nossa”, frisou. Essa aproximação “implica também conhecermos um pouco essa forma de ser e de estar e Macau pode ajudar-nos muito nisso, até porque aqui estão instaladas muitas das grandes empresas chinesas”, referiu João Baptista Borges ao Jornal Tribuna de Macau.

O governante angolano deslocou-se ao território para participar no Fórum Internacional sobre o Investimento e Construção de Infra-estruturas (IIICF), onde assinou alguns acordos com companhias chinesas, entre as quais a “Power Construction Corporation of China” (“Power China”), empresa totalmente estatal dedicada à indústria de construção civil e engenharia pesada, e a “China State Grid”, que é a Companhia Nacional da Rede Eléctrica da RPC, responsável pela maior parte da operação do sector no Continente.

Os protocolos de entendimento “têm para já um efeito ‘umbrella’”, como diz o Ministro, ou seja, uma protecção e segurança que representam a natureza empresarial e comercial de um acordo. “É um conjunto de acordos ou de contratos para a futura construção de sistemas de transporte de electricidade”, explicou.

João Baptista Borges reconhece que a grande prioridade em Angola é expandir os sistemas eléctricos, quer para sul, quer para os países da região. “A perspectiva é vermos as trocas de energia serem uma realidade de elevada importância na nossa região, até porque vivemos uma época, uma realidade, em que os efeitos das alterações climáticas estão cada vez mais presentes”, comenta, acrescentando que Angola tem “períodos de estiagens e de grandes cheias”. Nesse sentido, “sem dúvida, que a segurança energética, a segurança hídrica, são importantes”.

Os acordos assinados ontem têm por finalidade “promover também essas trocas com a construção de infra-estruturas que permitam, então, que tenhamos economias mais resilientes e trocas comerciais por via da energia eléctrica mais efectivas”, acentuou.

Por outro lado, João Baptista Borges referiu que o Governo de Angola, liderado por João Lourenço, pretende reforçar a expansão do acesso à electricidade por parte da população. “Na África subsaariana, como se sabe, as taxas de acesso à electricidade estão abaixo dos 50%, particularmente em Angola temos 43%, e nós almejamos fazê-la subir rapidamente e atingir 50% até ao final de 2027, ou seja, queremos que aproximadamente 16 milhões de habitantes tenham acesso à electricidade”, afirmou.

Para isso, acrescentou, “é preciso primeiro produzirmos uma energia cada vez mais barata e mais verde, utilizando, no fundo, abundantes recursos hídricos que o nosso país dispõe, mas também recursos solares, empregando tecnologias baratas, e, como sabemos, a China é pioneira no desenvolvimento da tecnologia solar e outras tecnologias de baixo custo”.

Investimentos na energia atingem 20 mil milhões USD

Angola tem feito grandes investimentos no sector da energia nos últimos anos, com recurso à linha de crédito da China. “Em Angola, seguramente, já foram investidos mais de 20 mil milhões de dólares com o apoio chinês”, afirmou o governante.

Só num projecto, a construção da central hidroeléctrica de Caculo Cabaça, no norte do país, naquela que é a maior hidroeléctrica que Angola está a desenvolver, e uma das maiores da África, com 2170 megawatts, o valor global do investimento ascende a cerca de 4,5 mil milhões de dólares. “É, provavelmente, o maior financiamento chinês para um só projecto no nosso país e na região, o que atesta aquilo que tem sido o nível de cooperação e o suporte que a China tem dado na construção de infra-estruturas”, salientou.

Relativamente à presença de Angola neste Fórum em Macau, João Baptista Borges indicou ser a “expressão do nosso interesse em ver reforçados os laços com a República Popular da China”. Lembrando que Angola celebrou recentemente 40 anos de estabelecimento de relações diplomáticas com a RPC e que em Março o Presidente angolano, João Lourenço, se deslocou a Pequim, “onde se celebraram importantes acordos”, o governante sustentou que essas acções “traduzem o interesse que existe em ver cada vez mais investimento privado em Angola, sobretudo em infra-estruturas”.

Representando o sector da energia e da água, o Ministro frisou que se trata de “duas infra-estruturas básicas, nas quais assenta o desenvolvimento económico do país e também social”. Por isso, “a nossa participação no Fórum visa, sobretudo, não só conhecer melhor as potencialidades da indústria e a tecnologia chinesas, como também conhecer melhor as empresas chinesas que actuam nestas áreas”, avançou.

De Macau, onde está pela primeira vez, João Baptista Borges levará a imagem “de uma cidade com uma velocidade de construção de edifícios surpreendente e uma cidade de beleza arquitectónica notável”.

O programa da 15ª edição do Fórum IIICF incluiu um seminário destinado à Cooperação em Infra-estruturas entre a China e os PLP, organizado pelo Secretariado Permanente do Fórum de Macau. Destaque para as palavras do presidente da Associação dos Construtores Civis Internacionais da China, que considerou que “as infra-estruturas têm sido uma área chave de cooperação” e que, ao longo dos anos, a China e os países lusófonos têm cooperado nos domínios dos transportes, comunicações, conservação da água, electricidade, entre outros, “promovendo a conectividade das infra-estruturas, das regras e normas e da amizade com os povos dos PLP”.

O Fórum, que hoje termina, é subordinado ao tema “Inovação Ecológica, Conectividade Digital” e junta 3000 convidados provenientes de 69 países e regiões, incluindo ministros ou quadros superiores das instituições financeiras. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


segunda-feira, 8 de abril de 2024

Timor-Leste – Afirma que a China está disponível para ajudar na agricultura e indústria

O chefe da diplomacia de Timor-Leste disse que a China “assumiu o compromisso” de apoiar o desenvolvimento económico em Timor-Leste, nomeadamente nos setores das infraestruturas, agricultura e indústria.

O reforço da cooperação entre os dois países foi discutido num encontro entre o chefe da diplomacia timorense, Bendito Freitas, que se encontra em visita oficial à China, e o seu homólogo chinês, Wang Yi. “Durante o encontro, o Governo chinês assumiu o compromisso de apoiar o desenvolvimento económico de Timor-Leste, com especial ênfase nos setores das infraestruturas, agricultura e indústria. Destacou-se também o reforço da capacidade dos recursos humanos timorenses através de bolsas de estudo e formação”, refere o executivo timorense.

Segundo o Governo, os dois ministros manifestaram também a “intenção de reforçar ainda mais as relações diplomáticas e a cooperação bilateral, em prol dos interesses comuns”.

A China e Timor-Leste elevaram em setembro de 2023 as relações bilaterais para uma “parceria estratégica abrangente”, o segundo nível mais alto no protocolo da diplomacia chinesa, em linha com a “Faixa e Rota”.

A “Faixa e Rota” é uma iniciativa lançada pela China em 2013, inspirada na antiga Rota da Seda, que se tornou no principal programa de política externa do Governo chinês, liderado pelo Presidente Xi Jinping, e à qual já aderiram 150 países.

O acordo foi assinado entre o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, e o Presidente chinês, Xi Jinping, à margem da cerimónia de abertura dos Jogos Asiáticos, evento multidesportivo que se realiza a cada quatro anos.

Durante o encontro, foi também proposta a criação de um grupo de trabalho para a “cooperação na área da agricultura e para o desenvolvimento de infraestruturas de Timor-Leste, bem como o aumento do intercâmbio de recursos humanos e o fortalecimento da cooperação cultural, educacional e profissional”. “A China reiterou o seu apoio à adesão plena de Timor-Leste à Associação das Nações do Sudeste Asiático e ofereceu-se também para fornecer assistência através da Iniciativa de Desenvolvimento Global”, acrescentou o Governo. In “Ponto Final” - Macau


terça-feira, 2 de abril de 2024

Moçambique - Mau tempo volta a deixar autoridades em alerta

As autoridades do setor de Meteorologia monitorizam possível impacto de um sistema de baixa pressão formado em Madagáscar conhecido como Gamane. A comunidade humanitária aponta falta de meios de auxílio de entidades atuando no sul e centro


As autoridades de Moçambique dizem acompanhar o sistema de baixa pressão Gamane pelo potencial de ter impacto no Canal de Moçambique e no continente. A comunidade humanitária fala de necessidades críticas para a prestação de auxílio.

Nas próximas semanas, a expectativa é que chuvas significativas caiam na região norte que compreende as províncias de Cabo Delgado, Niassa  e Zambézia.

Crise climática no sul e centro

A mais recente atualização do Escritório da ONU para Assistência Humanitária, Ocha, alerta que a crise climática no sul e centro do país gerou necessidades muito acima da capacidade das organizações humanitárias no terreno. Os suprimentos e capacidades são limitados e uma expansão requer recursos adicionais.

O Gamane tem potencial para evoluir para uma tempestade tropical moderada, mas ainda “não representa perigo para a costa moçambicana após ter sido formado em Madagáscar, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia.

As agências humanitárias apontam grandes necessidades cobrindo setores como agricultura, educação, abrigo, artigos não alimentares e de água, saneamento e higiene. Foram também identificadas necessidades de reconstrução e reabilitação de infraestruturas.

Desde o início da época chuvosa e ciclónica 2023/2024, Moçambique teve um total de 131 915 afetados, incluindo 135 mortos e 195 feridos.

Danos às infraestruturas

A cidade e província de Maputo foram atingidas por fortes chuvas que afetaram um total de 93 240 pessoas provocando cinco mortos e três feridos entre 23 e 24 de março.

Os danos atingiram infraestruturas públicas e privadas e afetaram o acesso rodoviário às províncias da Matola e Maputo. Cerca de 174 casas foram parcialmente danificadas, 99 totalmente perdidas e 11 133 inundadas.

Nesta semana retomam aulas após terem sido paralisadas devido ao mau tempo que afetou pelo menos 19 escolas. Cerca de 932 hectares de culturas também foram perdidos, bem como 275 km de estradas danificadas.

Dias antes, a tempestade tropical Filipo provocou a morte de duas pessoas e dezenas de feridos nas províncias de Gaza, Inhambane, Maputo e Sofala.

O mau tempo causou danos às infraestruturas que incluem 1674 casas de forma parcial e outras 456 totalmente destruídas. ONU News – Nações Unidas

quinta-feira, 27 de abril de 2023

Timor-Leste - Empresas indonésias com contrato de 79 milhões de dólares para obras no Aeroporto de Díli

O Governo timorense aprovou contratos no valor de quase 79 milhões de dólares com empresas indonésias para a conceção e construção da pista, ‘taxyway’, torre de controlo e parqueamento de aeronaves no Aeroporto de Díli, foi anunciado


Os dois contratos de aprovisionamento, um no valor de 72,5 milhões de dólares (65,6 milhões de euros) e outro no valor de 6,25 milhões de dólares (5,65 milhões de euros) foram aprovados numa deliberação do Conselho de Ministros, a que a Lusa teve acesso.

A deliberação adjudica o maior contrato, de conceção e construção da pista, ‘taxyway’, torre de controlo e zona de parqueamento de aeronaves do Aeroporto Internacional Presidente Nicolau Lobato (AIPNL) à empresa indonésia PT. Waskita Karya (Persero) Tbk.

O serviço de gestão do projecto de desenvolvimento do aeroporto foi adjudicado, por seu lado, a um consórcio das empresas indonésias PT. Amythas e PT Meinhardt EPCM Indonesia.

Na deliberação explica-se que a concessão dos contratos surgiu depois de concursos públicos internacionais, com três propostas apresentadas para o maior projeto e cinco para o segundo.

O projecto de ampliação e construção no AIPNL seguirá “um modelo híbrido de PPP [parceria público-privada], dada a natureza do mecanismo de financiamento que envolve múltiplas fontes de financiamento, como empréstimos, subvenções e o Orçamento do Estado”. “A complexidade deste mecanismo de financiamento exige uma melhor coordenação entre os doadores, a fim de evitar o desperdício de recursos e a duplicação de trabalho”, destacou o ministro das Finanças, Rui Gomes.

Para a primeira fase do projeto, Timor-Leste assinou um empréstimo de 135 milhões de dólares (126 milhões de euros) do Banco Asiático de Desenvolvimento. O Governo australiano, por seu lado, assinou um acordo de financiamento no valor global de 73,4 milhões de dólares norte-americanos (69,6 milhões de euros) para obras no Aeroporto de Díli.

Esse acordo com Camberra engloba uma contribuição financeira da Austrália a Timor-Leste, no valor de 28,3 milhões de dólares (26,8 milhões de euros), e a contratação de um empréstimo no valor de 45 milhões de dólares (42,7 milhões de euros), com um período de maturidade de 25 anos.

O apoio australiano destina-se, especialmente, ao desenho técnico, ao aprovisionamento e à construção de várias estruturas necessárias para as operações aeroportuárias, bem como assistência técnica para a aplicação do projeto.

Para o projecto foi ainda concretizado um apoio de cerca de 40 milhões de dólares (37 milhões de euros) da agência de cooperação japonesa JICA, para a construção do novo terminal aeroportuário.

O Governo de Timor-Leste injetará 17,5 milhões de dólares (16 milhões de euros) para cofinanciar algumas atividades, incluindo compensações às famílias afetadas pelo projeto, serviços de consultoria e obras de demolição, entre outras.

Rui Gomes considerou que este é um “projecto de elevado impacto que irá tocar diretamente e mudar muitas vidas deste pequeno estado insular e construir as suas capacidades para poder alcançar o sonho a longo prazo de se tornar um país moderno e próspero”.

Antes da pandemia, o aeroporto de Díli recebia anualmente 200 mil passageiros, número que o Governo espera ver aumentar para um milhão por ano, até 2050, indicou. As obras de melhoria vão permitir a Díli receber aviões maiores, com mais capacidade de carga e de passageiros, “incluindo para bens de alto valor, bem como para armazenamento em cadeia fria”, além de “instalações modernas de quarentena para permitir a Timor-Leste enfrentar ameaças emergentes de biossegurança para a região”. In “Ponto Final” - Macau com “Lusa”


quinta-feira, 29 de setembro de 2022

China - Brasil, Angola e Portugal são os países lusófonos mais cotados no índice chinês de infraestruturas

Brasil, Angola e Portugal são, por esta ordem, os países lusófonos mais cotados no índice chinês para a construção de infraestruturas a nível mundial, de acordo com um relatório divulgado

Em termos gerais, todos os oito países de língua portuguesa subiram no ‘ranking’ de 2022 do Índice de Desenvolvimento de Infraestruturas ‘Uma Faixa, Uma Rota’, a iniciativa anunciada pelo Presidente chinês, Xi Jinping, em 2013 e que envolve 71 países no plano estratégico internacional de Pequim de desenvolver ligações marítimas, rodoviárias e ferroviárias, mas também investimento em recursos energéticos.

No ‘ranking’ liderado pela Indonésia, Filipinas e Malásia, o Brasil (12.º) é o país lusófono melhor colocado. Segue-se, entre os países de língua portuguesa, Angola (22.º), Portugal (28.º), Cabo Verde (53.º), Moçambique (54.º), Timor-Leste (63.º), São Tomé e Príncipe (69.º) e Guiné-Bissau (70.º).

O índice avalia o ambiente, a procura, a recetividade e custos para o desenvolvimento de infraestruturas nestes 71 países. Quanto mais alta for a pontuação, melhor será a perspectiva da indústria de infraestruturas de um país, e maior será o grau de atratividade para as empresas se empenharem no investimento, construção e operações nesta área naqueles territórios.

Portugal é entre os países lusófonos, na perspectiva do relatório chinês, aquele que aparece com a melhor pontuação no sub-índice de desenvolvimento associado ao ambiente, que agrega factores políticos, económicos, soberania, fatores de impacto no mercado, bem como os cenários empresariais e industriais. Portugal está também melhor colocado entre os países de língua portuguesa no sub-índice relacionado com os custos, operacionais e de financiamento.

Angola é o que mais se destaca no sub-índice da procura, que junta factores como procura e mercado potencial. Já o Brasil lidera entre os lusófonos no sub-índice dedicado à recetividade local e entusiasmo de curto prazo no investimento de infraestruturas, calculado, por exemplo, com base no valor dos novos contratos.

Em termos globais, no relatório, assinala-se que há a registar uma “recuperação ligeira” no índice, “graças à maior procura e entusiasmo/recetividade pela construção de infraestruturas nos 71 países

Ainda assim, “as oscilações nas relações de grande poder, os reveses na recuperação económica global e a lenta saída da pandemia de covid-19 desde o início do ano lançaram uma nuvem sobre o futuro das infraestruturas”, apontou.

“Uma estratégia para as partes interessadas em infraestruturas internacionais é agarrar as oportunidades trazidas pela nova ronda de revolução tecnológica e transição energética, adaptar-se ao ‘novo normal’ da prevenção e controlo de epidemias, e procurar um progresso de alto nível, sustentável e centrado nas pessoas”, conclui o relatório.

No relatório assinala-se igualmente que a iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’ está a enfrentar “desafios como a escassez de fundos, o aumento dos custos, os riscos de segurança e a degradação ambiental” e que “a curto prazo, os efeitos colaterais do conflito Rússia-Ucrânia e os recorrentes surtos de covid-19 irão perturbar a cooperação internacional na área das infraestruturas e retardar a recuperação e o seu desenvolvimento”.

Os autores do documento alertaram para o facto de que a “subida dos preços das principais mercadorias, bens intermédios e transporte marítimo internacional irá aumentar ainda mais os custos de construção de infraestruturas” e que “o ambiente global para o financiamento de infraestruturas poderá continuar a deteriorar-se, uma vez que as políticas económicas de alguns países desenvolvidos tornarão a vida mais difícil para o mundo em desenvolvimento”.

E, “a longo prazo, os jogos das grandes potências, as alterações climáticas e o desequilíbrio económico global irão acrescentar incerteza ao desenvolvimento de infraestruturas regionais e internacionais”. Perante este cenário, “para as infraestruturas associadas à ‘Uma Faixa, Uma Rota’, o desenvolvimento de alta qualidade continua a ser um futuro distante”, avisa-se no relatório.

O documento foi apresentado no Fórum Internacional sobre o Investimento e Construção de Infraestruturas. Na inauguração do evento, o adjunto do Ministro do Comércio da China, Li Fei, informou que o país investiu este ano no estrangeiro 178,8 mil milhões de dólares. In “Ponto Final” - Macau


quinta-feira, 14 de julho de 2022

Timor-Leste - Assina na próxima semana maior acordo de apoio de sempre com EUA

O Governo timorense assina na próxima semana o maior acordo de apoio de sempre com os Estados Unidos, no valor de 420 milhões de dólares, que, entre outras iniciativas, melhorará as infraestruturas em Díli

Em comunicado o Governo explica que o acordo com a Millennium Challenge Corporation (MCC), a ser executado ao longo de cinco anos, insere-se num programa com um valor total de 484 milhões de dólares e direccionado a “reduzir a pobreza através do crescimento económico”. O investimento incidirá em dois projectos principais, um para a melhoria do sistema de água, saneamento e drenagem e o outro na área da educação e formação.

O primeiro abrange o tratamento de águas, esgotos, sistemas de drenagem, o reforço das instituições e entidades reguladoras, e a criação de um abastecimento sólido de água e esgoto para uso doméstico.

O segundo prevê a abertura de um Novo Centro de Excelência “para a formação de novos professores que garantirá padrões de qualidade e liderança”.

Do total estimado de 484 milhões de dólares, 420 milhões serão disponibilizados pela MCC e o restante pelo Governo de Timor-Leste. “O valor a ser disponibilizado por Timor-Leste será alocado apenas para o projeto de tratamento de águas, esgotos e drenagens, dos quais 34 milhões serão usados para a conexão aos domicílios e para a desativação das fossas sépticas existentes”, explica o Governo. “Os restantes 30 milhões serão utilizados para apoiar a instalação do sistema convencional e para a instalação de bombas de água”, nota ainda.

O programa de apoio dos EUA começou a ser negociado em Dezembro de 2017 quando o Conselho de Administração da MCC seleccionou Timor-Leste como “elegível para a implementação de um programa de promoção do crescimento económico, alinhado com as prioridades de desenvolvimento nacionais”.

Em Julho de 2018 as duas partes assinaram um acordo de financiamento inicial, no valor de 750 mil dólares para a criação de uma equipa, integrada no programa Millennium Challenge Compact, com a missão de identificar os setores económicos a serem desenvolvidos durante a implementação do programa.

Em Abril, o ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Fidelis Magalhães, liderou uma delegação de alto nível, composta por 14 representantes de várias entidades governamentais, que viajou para Washington para as negociações do acordo final. O documento vai ser assinado em Díli por Fidelis Magalhães e pelo vice-presidente da MCC, Cameron Alford.

Em Abril, Fidelis Magalhães explicou à Lusa que um dos aspetos mais demorados da negociação foi fechar os detalhes sobre o centro de tratamento de resíduos líquidos em Díli e a unidade que fabricará material para tratamento de água potável. “O objectivo depois é providenciar o produto para todos os municípios de Timor, de forma acessível, para poder garantir que a água é tratada localmente antes do consumo”, referiu.

No que toca ao centro de excelência, Magalhães disse que o foco será na formação de professores e gestores escolares, com um componente de formação nas duas línguas oficiais: tétum e português. “Os Estados Unidos apoiam as políticas e prioridades nacionais de Timor-Leste e estamos a ver outras oportunidades de trabalhar em conjunto com outros parceiros de desenvolvimento. Este é o início de um novo paradigma”, explicou.

Para gerir o programa, vai ser criado um novo instituto público timorense, acompanhado ao mesmo tempo pelo MCC e pelo Governo timorense, com um sistema de padrões internacionais que “facilite a eficácia, celeridade e transparência”. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”

 

sábado, 4 de junho de 2022

Moçambique - Alunos da terceira classe ainda sem livro de distribuição gratuita

As aulas do segundo trimestre iniciaram-se há dias, mas, na Cidade de Maputo, os alunos da terceira classe, no ensino público, continuam a estudar sem livros. Isto acontece depois de o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano ter prometido que os livros de distribuição gratuita chegariam na primeira quinzena de Fevereiro.

A primeira promessa do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano (MINEDH) foi a de que os livros de distribuição gratuita chegariam ao país na segunda quinzena de Fevereiro, o que não aconteceu. Alguns dias depois, o MINEDH remarcou para o fim do mês, contudo os manuais só começaram a ser distribuídos nas escolas há três semanas e, para piorar, com incongruências de vária ordem.

Já no segundo trimestre deste ano lectivo, alguns alunos continuam a estudar sem o livro escolar. Na terceira classe do ensino público, a situação é ainda mais preocupante, as crianças não têm acesso a nenhum livro sequer.

Sobre o atraso, o sector atira a culpa ao fornecedor e diz que a situação será resolvida a partir da próxima semana.

“O total de livros que já recebemos corresponde a cerca de 90%. O que aconteceu é que, dos títulos que estavam em falta da terceira à sétima classe, o fornecedor ainda não nos entregou todos os manuais. Temos alguns da sexta e de outras classes, a única para a qual não temos livros é a terceira. Estamos a entrar em contacto com o fornecedor e acreditamos que, dentro da próxima semana, vamos receber os livros”, justificou Samuel Menezes, porta-voz dos Serviços Sociais no MINEDH.

Enquanto isso, na Cidade de Maputo, estão previstas mais 38 salas de aula para o próximo ano. Menezes explica que o projecto das novas construções foi concebido ano passado, com previsão de um universo de 45 salas, o que foi mais uma promessa falhada.

“Só iniciamos com 38 salas e são essas que serão construídas este ano, para que entrem em funcionamento a partir de 2023. As novas construções consistem na requalificação das escolas. Não estamos a contruí-las em espaços novos”, explicou.

No país, uma sala de aula alberga até mais de 70 alunos, o que, de acordo com especialistas, compromete a qualidade do processo de ensino-aprendizagem. As novas salas de aula vão ajudar a reduzir a pressão a que os professores estão sujeitos.

As obras estão orçadas em mais de 149 milhões de Meticais, desembolsados pelo Governo e seus parceiros, nos distritos de KaMubukwana, KaMavota e KaTembe.

“Estamos a construir 10 salas no Distrito Municipal KaTembe, nas escolas primárias 10 de Julho e Mutseco; Em KaMubukwa, estamos a construir 15 salas de aula – 10 são de uma escola secundária que já está a funcionar desde 2020, que é a Escola Secundária Mártires de Mbuzine, e esta construção é em altura (vertical), sendo que a previsão é de que termine este ano; mais 10 salas de aula estão a ser erguidas na Escola Secundária de Albazine, uma escola técnica transformada em escola secundária; e três na Escola Primária Completa de Chiango”, detalhou o porta-voz.

A informação foi avançada durante uma reunião de balanço do ano lectivo 2021 e planificação do próximo ano, na qual participaram directores de todas as escolas a nível da Cidade. Um dos assuntos debatidos foi a implementação da sétima classe no Ensino Secundário Geral, no âmbito da nova Lei do Sistema Nacional de Ensino. Julieta Zucula – Moçambique in “O País”

 

segunda-feira, 9 de maio de 2022

Brasil - Cem anos de projetos inúteis

São Paulo – Além da privatização da Santos Port Authority (SPA), sucessora da antiga Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), o governo federal, por intermédio do Ministério da Infraestrutura (Minfra), espera tirar dos computadores ainda neste ano de 2022 o projeto que prevê a ampliação do sistema ferroviário de acesso ao porto, com a  concessão da Ferrovia Interna do Porto de Santos (FIPS) a empresas privadas, que podem ser a Rumo, a VLI e a MRS, que já manifestaram interesse em participar do leilão. O contrato prevê um investimento de R$ 891 milhões, com a ampliação da capacidade de movimentação do porto para 115 milhões de toneladas por ano, em um prazo de cinco a dez anos.

Atualmente, a gestão das ferrovias é feita por uma concessão à Portofer, empresa controlada pela Rumo. O contrato com a Portofer vencerá em 2025, mas, de acordo com a proposta, deverá ser encerrado antecipadamente para que seja feita uma nova concessão, desta vez com modelo associativo, ou seja, com a participação de todos os operadores de ferrovias que acessam o porto e que deverão fazer uma gestão compartilhada.

Hoje, diante da capacidade do porto estimada em 50 milhões de toneladas por ano, as operações de suas ferrovias internas estão próximas de um colapso. Até porque, no interior do País, vêm sendo realizados investimentos na ampliação de malhas ferroviárias, que consequentemente passarão a ter maior capacidade para transportar cargas para o porto de Santos e vice-versa.  

Sem contar que, em 2021, a movimentação no porto chegou a 47,3 milhões de toneladas e que só não ocorreu um colapso nas operações portuárias porque, no começo de 2020, com a eclosão da epidemia de coronavírus (covid-19) e suas consequências, houve no ano passado quebra na safra de milho. E que, para este ano, com a guerra entre Rússia e Ucrânia, com sanções dos bancos ao governo russo, prevê-se uma redução no fornecimento de fertilizantes russos (cloreto de potássio e outros) usados em campos de soja e milho, o que deverá impactar negativamente as safras. Afinal, cerca de 25% das importações brasileiras de fertilizantes vêm daquele país.  

O que se espera é que, independentemente do governo que sairá das urnas em outubro, os planos para a revitalização do sistema ferroviário de acesso ao porto de Santos não sejam postergados nem atirados para as calendas gregas, como foram tantos outros projetos ao longo de quase um século.  

Como se sabe, o primeiro projeto de uma ligação seca entre Santos e Guarujá, um túnel escavado para a passagem de bonde elétrico, data de 1927. Desde então, foram preparados mais quatro projetos: em 1948, houve a proposta da construção de uma ponte levadiça que permitiria a passagem dos navios, tal como aquela sobre o rio Neva, em São Petersburgo, na Rússia, construída em 1916, enquanto, em 1970, surgiu um projeto que previa uma ponte com acesso helicoidal. Depois, em 2011, foi apresentado outro projeto que previa a construção de um túnel submerso, abandonado no começo de 2015. E, agora, estão sendo feitos estudos para a construção de um túnel imerso entre Santos e Guarujá, no âmbito do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), obra que faz parte do plano da desestatização do porto. Trata-se do quinto projeto. Haja esperança.

Não se pode esquecer também que, em 1967, foi apresentado um projeto para a construção de um aeroporto metropolitano em Guarujá, a partir da Base Aérea de Santos, e que, em 2000, um grupo de trabalho estudou a viabilidade da construção de um aeroporto metropolitano em Praia Grande, sem que os estudos tenham saído do papel. Quer dizer, para a realização de todos esses projetos foram empregados muitos recursos públicos. Hoje, seria impossível calcular quanto dinheiro, neste quase um século de discussões e projetos inúteis, foram desperdiçados pela incúria de gestores públicos. Seja como for, espera-se que, desta vez, o projeto de revitalização do sistema ferroviário do porto de Santos dê certo. Já seria alguma coisa. Liana Martinelli - Brasil

___________________________________

Liana Lourenço Martinelli, advogada, pós-graduada em Gestão de Negócios e Comércio Internacional, é gerente de Governança Ambiental, Social e Corporativa (ESG) do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional. E-mail: lianalourenco@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br