Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

África - Fundação Tony Elumelu abre candidaturas para Programa de Empreendedorismo 2026

A Fundação Tony Elumelu (TEF) anunciou a abertura oficial das candidaturas para o Programa de Empreendedorismo 2026, uma das mais abrangentes iniciativas privadas de apoio ao empreendedorismo em África, destinada a jovens empreendedores dos 54 países do continente.


O programa volta a apostar no financiamento directo, formação empresarial e mentoria especializada como instrumentos para impulsionar o crescimento económico inclusivo e sustentável.

As candidaturas decorrem de 1 de Janeiro a 1 de Março de 2026 e estão abertas a empreendedores com ideias de negócio inovadoras ou empresas em fase inicial. O processo de submissão é feito através da plataforma digital TEFConnect. Os candidatos seleccionados terão acesso a cinco mil dólares norte-americanos em capital semente não reembolsável, formação empresarial intensiva, mentoria personalizada e integração na maior rede pan-africana de empreendedores.

Desde a sua criação, em 2015, o Programa de Empreendedorismo da Fundação Tony Elumelu tem registado um impacto expressivo no desenvolvimento económico e social do continente. Ao longo de mais de uma década, a Fundação já financiou mais de 24 mil empreendedores africanos, capacitou cerca de 2,5 milhões de cidadãos, contribuiu para a criação de mais de 1,5 milhões de postos de trabalho e impulsionou a geração de aproximadamente 4,2 mil milhões de dólares em receitas.

Intervindo no lançamento da edição de 2026, o fundador da Fundação Tony Elumelu e presidente do Grupo Heirs Holdings, Tony O. Elumelu, reiterou a sua convicção de que o futuro de África depende do investimento estruturado no seu capital humano. “Os empreendedores são o futuro de África”, afirmou, defendendo uma mudança de paradigma na abordagem ao desenvolvimento do continente.

Segundo Tony Elumelu, África não carece de ajuda externa, mas de investimento estratégico nos seus próprios talentos, sobretudo na juventude. “Quando capacitamos os empreendedores, criamos emprego, estimulamos o crescimento económico e transformamos positivamente as comunidades onde estes negócios operam”, sublinhou.

Para além do impacto económico, o programa distingue-se pelo seu forte compromisso com a inclusão e a igualdade de género. Actualmente, 46 por cento dos empreendedores apoiados pela Fundação são mulheres, representando uma das mais elevadas taxas de participação feminina em programas de empreendedorismo à escala continental.

A Fundação Tony Elumelu tem ainda consolidado a sua presença através de parcerias estratégicas com instituições internacionais de relevo, como a União Europeia, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Banco Africano de Desenvolvimento, a Google e o UNICEF Generation Unlimited, entre outras, permitindo alargar o alcance do programa a diferentes sectores e geografias.

Com o lançamento do Programa de Empreendedorismo 2026, a Fundação reafirma o seu compromisso com a erradicação da pobreza, a criação de emprego e a promoção de um crescimento económico inclusivo em África, apostando no talento, na inovação e no espírito empreendedor da juventude africana. In “O País” - Moçambique


quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Brasil – População acredita que economia verde trará novos empregos

Pesquisa da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial e Nexus aponta poio da população à economia verde


A tão debatida transição para uma economia sustentável – ou verde – tem amplo apoio da população brasileira, que confia nesta mudança e crê que haverá geração de novos postos de trabalho. Para 75% – ou 3 em cada 4 pessoas –, esta transformação vai gerar novos empregos. Para a maioria desses entrevistados (54%), haverá o surgimento de “muitos empregos”, sendo que 21% esperam “poucos novos empregos”.

A pesquisa feita pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e pela Nexus também mostra quem não acredita que a transição para a economia sustentável promoverá novas oportunidades de trabalho. Para apenas 16%, a mudança pode piorar a oferta de empregos. Desses, 9% disseram que a geração de trabalho vai diminuir, 5% acreditam que “diminuirá muito” e, para 2%, vai acabar.

O estudo mostra ainda que a crença na ampliação da oferta de empregos aumenta quando a renda do entrevistado é maior. Nessa categoria estão 78% dos entrevistados que ganham acima de cinco salários mínimos. Também se encaixam aí 78% daqueles que recebem entre 2 e 5 salários mínimos. Aliás, o mesmo vale para 76% dos que recebem entre 1 e 2 salários mínimos. Já entre quem ganha até 1 salário mínimo, 67% apostam no aumento da oferta de empregos a partir de uma economia sustentável.

Assim, a pesquisa exibe ainda dados ligados à escolaridade dos entrevistados em relação à transição econômica. Entre aqueles que têm ensino superior completo, 79% pensam que uma economia sustentável será benéfica para a criação de empregos. Já entre quem tem ensino médio, 78% tem a mesma opinião. Para as pessoas pesquisadas com ensino fundamental completo, 68% pensam que haverá melhorias com a chegada da economia verde.

Para Ricardo Cappelli, presidente da ABDI, numa economia sustentável haverá a necessidade de profissionais mais qualificados e, portanto, com salários maiores.

“Assim, é natural que quem tem mais estudo e renda percebe melhor as oportunidades que essa mudança pode trazer”, disse em comunicado oficial.

A pesquisa apresenta ainda dados complementares, por sexo, idade e regiões do país. Homens acreditam mais (59%) no surgimento de novos postos de trabalho do que as mulheres (49%). Além disso, a confiança na transformação cresce entre os mais jovens, com 62% entre quem tem de 16 a 24 anos e 59% entre os de 25 a 40 anos. Na faixa de 41 a 59 anos, a crença vai para 49%. A percentagem cai para 46% entre os maiores de 60 anos.

Contudo, os números de quem aposta na economia verde produzindo empregos são altos nas diferentes regiões brasileiras. No Sudeste e no Sul, são 78% de quem acredita na tendência. Já no Norte e Centro Oestes, são 73%. No Nordeste, o número chega a 67%.

Portanto, para a elaboração desta pesquisa, a Nexus afirma ter feito 2021 entrevistas face a face com pessoas maiores de 18 anos em 27 estados do país. O trabalho foi realizado entre os dias 14 e 21 de julho deste ano. In “Boqnews” – Brasil com “Agência Brasil”


domingo, 4 de dezembro de 2022

Macau - Futuro incerto para portugueses

O deputado do parlamento de Macau José Pereira Coutinho disse, em entrevista à Lusa, que tem dúvidas sobre se vão continuar a existir oportunidades de emprego no território para os portugueses, tal como acontecia no passado

“Nada foi alterado quanto à política dos portugueses virem para cá trabalhar”, sublinhou. Mas, “será que existirão empregos para os portugueses virem para Macau?”, perguntou, para concluir: “Essa é que é a grande dúvida”.

Em causa está a crise económica, desencadeada pelas restrições pandémicas num território que segue a política de casos zero de Pequim, mas também a saída de quadros qualificados portugueses, que não são substituídos por outros vindos de Portugal, mas por quadros locais ou do interior da China, salientou.

“Preocupa-me (…) a vinda de, por exemplo, mais médicos especialistas, mais juristas, mais delegados do MP [Ministério Público], mais juízes para Macau”, explicou.

“Quando verifico no Boletim Oficial a saída de um ou outro desses senhores que estão a contribuir com a sua área pessoal de especialidade nessas vertentes, e não são substituídos, aí dói-me, porque, de facto, é menos um, mais uma perda”, lamentou.

Ainda assim, ex-conselheiro das comunidades portuguesas e único deputado português da Assembleia Legislativa destacou o “excelente trabalho” do “Governo de Portugal, nomeadamente do cônsul-geral” nesta área, “a dizer que Portugal tem quadros qualificados para dar esses contributos”.

Vê com bons olhos os protocolos de cooperação firmados entre Portugal e Macau ao nível da educação, sobretudo ao nível do ensino superior, mas permanece a “preocupação quando nos departamentos de estudos portugueses não são preenchidas as vagas com professores portugueses” no território, que tem registado uma subida da taxa de desemprego, com muitos deputados, associações e as autoridades a defenderem uma política prioritária de contratação local.

Pereira Coutinho sustentou que, por esta razão, “é preciso fazer algum trabalho de bastidores” e que “esse trabalho compete às autoridades (…) de Portugal, delegados, cônsul-geral, e também os conselheiros da comunidade portuguesa, que estão a fazer um excelente trabalho”.

O deputado disse estar convencido de que as regras pandémicas não vão durar eternamente e que esse não será, por isso, o facto que vai determinar o abandono do território no futuro. “[Mas] Vejo de uma outra perspetiva: é se as oportunidades de emprego continuarão a existir como no passado. Aí sim, preocupa-me bastante, quando não substituem as pessoas nas áreas que acabei de referir”, enfatizou.

“Quando sai um português é evidente que não têm aquele cuidado de substituir por um outro português, para marcar a diferença”, uma realidade que tem o risco de tornar Macau como mais uma cidade do interior da China, alertou, sem que se acautele o estatuto diferenciador da multiculturalidade.

“Esse património humano tem de ser mantido e aí estamos de facto a ficar de alguma forma preocupados porque não sei se é desleixo ou também porque há grande procura para preencher as vagas na função pública. Em Macau toda a gente quer trabalhar na função publica. E agora ainda muito mais, porque as receitas dos casinos estão a diminuir”, argumentou.

Apesar de estar convicto numa mudança a breve prazo das restrições pandémicas e numa eliminação das quarentenas obrigatórias nos hotéis, que tem defendido no parlamento, o deputado admitiu que a política de prevenção tem contribuído para algum mal-estar na comunidade.

“Existem tantos portugueses que não estão a ver os pais há anos. Três anos e tal. Têm pais idosos. [Com] 80, 90 anos de idade. Têm filhos nas universidades europeias com os quais não têm contactos pessoais”, realçou.

“Tudo isto somado, faz com que algumas pessoas sintam efeitos psicológicos, sobretudo aquelas que olham para a televisão e veem o mundo inteiro a voltar à normalidade”, resumiu, para de seguida expressar um lamento: “É pena que esta pandemia não tenha facilitado a saída das nossas autoridades competentes nas diversas áreas. Não têm ido para o estrangeiro, espero que saiam, vejam o mundial [de futebol]. Ninguém com máscara e nós andamos ainda com máscaras na rua”.

Desde o início da pandemia de covid-19, Macau registou seis mortos e pouco mais de 2800 casos, a grande maioria assintomáticos.

À semelhança do que acontece na China continental, as autoridades apostam numa política de zero casos, baseada na imposição de quarentenas à chegada ao território, na testagem massiva da população e em confinamentos. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Portugal - Estudantes de jornalismo com motivações altas e expectativas baixas sobre o seu futuro profissional

Uma grande percentagem dos alunos que frequentam os cursos de jornalismo e comunicação em Portugal não acredita na possibilidade de encontrar o primeiro emprego na sua área de formação. Mesmo assim, a motivação para o curso é elevada. A conclusão é de um estudo efetuado por dois investigadores da Universidade de Coimbra (UC).

Um inquérito realizado a 1091 estudantes que frequentaram 38 cursos de licenciatura ou mestrado em jornalismo e comunicação social, em instituições de ensino superior nacionais públicas e privadas, no ano letivo 2020-2021, revela que 65,1% dos alunos consideram totalmente improvável, muito improvável ou improvável encontrar um primeiro emprego no jornalismo. Também 66,6% admitem idêntico tipo de improbabilidade no que se refere a conseguir um contrato laboral estável na profissão e 69,2% consideram o mesmo no que toca à probabilidade de ter um salário condizente com o estatuto e o tipo de tarefas a desempenhar.

Apesar de todas as dificuldades, o estudo, realizado por João Miranda e Carlos Camponez, do Centro de Estudos Interdisciplinares da Universidade de Coimbra, indica que apenas 2,9% dos alunos admitiam a possibilidade de abandonarem o curso para ingressar numa outra área de formação. Estes dados «podem ser tanto mais relevantes quanto apenas 9,9% dos alunos que responderam ao inquérito disseram que não pretendiam trabalhar em jornalismo», afirmam os investigadores.

«Existe um paradoxo entre os alunos que frequentam os cursos de jornalismo e comunicação em Portugal.  Se, por um lado, os alunos demonstram altos índices motivacionais na escolha dos seus cursos, por outro lado, constata-se que as expectativas quanto à sua realização como jornalistas são baixas», notam.

O estudo, que visou caracterizar os jovens que escolhem o jornalismo e compreender as suas motivações, expectativas e perspetivas sobre a profissão, conclui também que, «entre as motivações que levaram os alunos a ingressar nos cursos, se destacam razões como o desejo de desenvolvimento pessoal e profissional, a existência de currículos formativos interessantes ou a vontade de fazerem uma carreira na área da comunicação social».

O inquérito revela ainda que mais de 90% dos inquiridos concordam, concordam bastante ou concordam totalmente com a ideia de que o jornalismo assume as funções de “serviço público”, de “meio de educação” ou de “fórum de discussão pública”. Já no que se refere ao papel dos jornalistas, os inquiridos privilegiam funções como “comunicar informações emitidas pelas autoridades públicas”, “informar sobre os eventos políticos e as suas consequências” ou “informar os consumidores”.

João Miranda e Carlos Camponez consideram que os resultados deste estudo contribuem para «compreender uma realidade multidimensional, que envolve, a título de exemplo, as transformações contemporâneas do jornalismo induzidas pelas tecnologias da comunicação e da informação; os impactes dessas mudanças na função social de mediação do jornalismo; os problemas económicos e socioprofissionais em que está envolvido; enfim, os contextos e os desafios da própria formação em jornalismo».

Dos 1091 inquiridos, 804 respondentes são do sexo feminino. A maioria dos indivíduos que constituem a amostra tem idades compreendidas entre os 18 e os 23 anos.

Os resultados deste estudo estão apresentados no livro “Estudantes de Comunicação Social em Portugal – Expectativas e perspetivas sobre jornalismo”, disponível em formato online. Trata-se de um segundo estudo editado pela Sopcom - Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação. O primeiro foi realizado, no ano passado, pela Rede Interuniversitária de Estudos sobre Jornalistas (RIEJ), sobre o impacto da Covid-19 no jornalismo.

O estudo procurou igualmente identificar os hábitos de consumo de informação jornalística destes estudantes. As respostas revelam «preocupações dos alunos com o acompanhamento regular da atualidade noticiosa, ao mesmo tempo que evidenciam uma forte presença das redes sociais como as suas fontes principais de informação. Apenas 0,9% das respostas não demonstram qualquer tipo de concordância com a ideia de ser fundamental acompanhar as notícias e só 5,4% consideram que os estudantes das áreas de jornalismo e de comunicação social não têm uma obrigação particular de acompanhar a atualidade noticiosa», apontam João Miranda e Carlos Camponez.

No que respeita aos meios a que estes alunos mais recorrem para se manterem a par das notícias, surgem os canais online dos órgãos de comunicação social e os noticiários televisivos: 97,9% e 96,4%, respetivamente, dos alunos inquiridos referem informar-se nestes meios, pelo menos uma vez por semana. Seguem-se depois a rede social “Instagram” e a plataforma “YouTube” – 90,0% e 88,9%, respetivamente, dos inquiridos indicam que consultam estes meios, pelo menos uma vez por semana, como forma de acompanhar a atualidade noticiosa. Apenas 38,5% dos estudantes admitem pagar regularmente por informação jornalística. Universidade de Coimbra - Portugal


sábado, 25 de setembro de 2021

Portugal - Multinacional oferece emprego qualificado em Mirandela, mas não tem candidatos

Empresa internacional Enline está à procura de trabalhadores qualificados, não não surgem candidatos. “Estamos a ter imensa dificuldade em encontrar profissionais", desabafa o fundador



Um engenheiro de Mirandela regressou à terra para instalar na cidade transmontana o polo principal de uma nova multinacional na área da energia, que está a recrutar, mas não consegue candidatos para emprego qualificado.

Manuel Lemos é um dos fundadores da Enline, que escolheu Mirandela para sede em Portugal da empresa, que tem 25 clientes nos cinco continentes, entre eles as elétricas nacionais de vários países que usam o software desenvolvido para monitorizar remotamente linhas e equipamentos de energia.

Portugal foi onde tentaram experimentar o produto sem sucesso e ainda hoje não têm clientes no país, onde agora se confrontam com a dificuldade de encontrar interessados para preencher as vagas de emprego que estão a oferecer.

“Estamos a ter imensa dificuldade em encontrar profissionais principalmente para desenvolvimento de negócio, pessoas com experiência em mercados internacionais, capacidade de falar e escrever inglês, entre outras línguas”, concretizou à Lusa.

A empresa já abriu concursos e continua com “sete ou oito vagas”, que incluem também profissionais com experiência no setor elétrico ou softwares e das especialidades de Tecnologias da Informação e de Marketing.

“Acho que é muito importante tornar público que existe uma empresa de software internacional, que atualmente exporta 100% do que faz para o mundo, que está por decisão dos acionistas em Trás-os-Montes, mas que precisamos de profissionais que queiram vir para o interior”, salientou.

A empresa recebeu apoio do programa para contratação de quadros qualificados, o COESO, e tem como parceiro estratégico o Instituto Politécnico de Bragança (IPB) que “já ajudou a contratar uma pessoa” e em conjunto estão a entrevistar outras.

Manuel Lemos tem 37 anos e é natural de Mirandela, no distrito de Bragança, estudou engenharia no Porto e emigrou para o Peru, na crise de 2008. Foi trabalhar para uma empresa alemã da área da energia, papel e mobilidade e foi lá que conheceu outros dois engenheiros estrangeiros com quem decidiu arriscar.

Esta aventura começou em 2018 com o desenvolvimento de um software para monitorização de equipamentos e linhas de energia que se distinguem do que existe no mercado por não necessitar de equipamento ou idas ao terreno.

Conseguiram apoio de uma incubadora de empresas da União Europeia e um investidor português e, mais recentemente, da incubadora do Parque Natural Regional do Vale do Tua.

“Esse processo foi complicado, nós iniciamos em Portugal, onde infelizmente não tivemos sucesso”, recordou.

Foram bater a portas distintas europeias e a primeira que se abriu foi a da rede elétrica espanhola, seguindo-se a Áustria, Alemanha, e, atualmente, têm clientes “na Austrália, índia, Canadá, Estados Unidos, muitos países da América Latina, desde Brasil, Peru, Colômbia, Chile, Argentina e Uruguai”.

A empresa tem escritórios no Brasil, Peru, Alemanha e agentes e revendedores em diferentes países. “Em Portugal, estamos a tentar convencer distintos clientes como a REN, EDP, entre outros, a aplicar as nossas tecnologias, mas infelizmente ainda não está nada contratualizado, mas temos muito otimismo que possa ainda ocorrer este ano”, contou.

De acordo com o sócio, a tecnologia que desenvolveram permite antecipar, prevenir e corrigir os problemas que afetam a distribuição de energia, nomeadamente os mais conhecidos do público em geral, como os cortes no fornecimento ou incêndios causados por linhas de alta tensão.

A empresa tem tecnologia que cria um chamado “gémeo digital” da rede ou equipamento, através do qual é possível fazer uma leitura real do que está a ocorrer e “diagnosticar e informar o cliente sobre potenciais falhas ou eventos e como corrigir antes que estas ocorram ou no momento em que estejam a ocorrer”.

A tecnologia destina-se também a melhorar a potência, redução de perdas até 25% ou controlo da vegetação ao longo das linhas, assim como de incêndios provocados por linhas de transmissões, através das faíscas geradas por descargas elétricas ou curto-circuitos.

A tecnologia está a ser aplicada em “aproximadamente dois mil quilómetros de linhas em todo o mundo, sendo que as vendas oficiais começaram há pouco mais de um ano”. A perspetiva é “até ao final do ano duplicar este valor e no próximo ano atingir entre dez a 15 mil quilómetros e ir crescendo”.

Manuel Lemos acredita neste crescimento com base nos números de um mercado mundial de “aproximadamente 100 milhões de quilómetros de linhas de transmissão”.

O volume de negócios da Enline “ainda é pequeno” por ainda se encontrar “numa etapa de desenvolvimento de projeto-piloto com clientes estratégicos”.

Manuel Lemos prevê que chegarão ao final do ano “com aproximadamente meio milhão de euros de negócios” e espera “ultrapassar um milhão” no próximo ano, com o objetivo de “chegar a cinco milhões de euros entre 2023 e 2024”. In “ECO” – Portugal com “Lusa”


segunda-feira, 21 de junho de 2021

Brasil - Crescer é abrir empregos

São Paulo – Dados levantados pela AT&M, que trabalha com processo de averbação eletrônica para seguros e empresas transportadoras, mostram que a pandemia de coronavírus (covid-19) não prejudicou o transporte de cargas e, inclusive, estimulou o crescimento do e-commerce, em razão do novo comportamento adotado pelo consumidor. Segundo esse relatório, no primeiro quadrimestre de 2021, foram registrados R$ 2,9 trilhões em movimentação de cargas no País.

O estudo da AT&M envolveu mais de 25 mil empresas, entre transportadoras, operadores logísticos e embarcadores, com a análise de 327 milhões de documentos averbados no período entre janeiro e abril.  Para se ter uma ideia do crescimento no segmento, é de se lembrar que, no primeiro quadrimestre de 2020, foram analisados 185 milhões de documentos averbados. O relatório ainda apontou que, no ano passado, foram registrados R$ 7,5 trilhões em movimentação de cargas, ao passo que, em 2019, haviam sido contabilizados R$ 6,8 trilhões, o que representou um aumento de 10%.

Isso mostra que a economia interna está em recuperação, o que reforça a previsão do governo segundo a qual o Produto Interno Bruto (PIB) pode crescer cerca de 5% neste ano. Essa previsão é baseada no Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que apontou uma recuperação econômica de 2,3% no primeiro trimestre deste ano. Março foi o 11º mês consecutivo de crescimento econômico, depois de quedas em março e abril do ano passado, em razão das medidas de isolamento social necessárias para o enfrentamento da pandemia.

Obviamente, esse crescimento dá-se em função da recuperação da economia mundial, especialmente da China, que espera crescer neste ano 8,5%, dos Estados Unidos, que aguardam um crescimento de 6% e da União Europeia, que mantém uma expectativa de evolução em torno de 4%. Desse crescimento, naturalmente, o agronegócio e o segmento de minério de ferro do Brasil, com certeza, serão grandemente beneficiados. Mas, como se sabe, esses commodities poucos empregos abrem, ao contrário do que ocorre com o segmento de produtos industrializados.

A grande questão, portanto, é saber se esse possível crescimento irá beneficiar a população brasileira ou, como sempre acontece, ficará restrito às camadas mais ricas da sociedade. Até porque crescimento que não abre vagas no mercado de trabalho não é crescimento, mas apenas recuperação econômica, já que a comparação com os dados de 2020 não serve muito como análise, pois em pelo menos três meses do ano passado a produção ficou interrompida, causando muito desemprego. Ou seja, comparar o movimento deste ano com a inatividade do ano passado só pode resultar em alta. Portanto, não passa de estultice (ou de enganação) comemorar índices de crescimento neste ano.

É de se lembrar ainda que houve o auxílio emergencial que favoreceu o consumo de quase 46 milhões de brasileiros, estimulando o mercado. E que a nova rodada de auxílio emergencial deve injetar nos próximos dias cerca de R$ 43 bilhões, estimulando mais uma vez a economia com a entrada no mercado daquelas famílias que, praticamente, vivem das sobras da sociedade de consumo. Mas esse procedimento constitui uma exceção, que deverá terminar por aqui, se não ocorrer um agravamento da pandemia.

Em termos reais, o que se tem é que o desemprego atingiu um patamar recorde, com cerca de 15 milhões de desempregados, número que poderá crescer, já que muitas empresas descobriram que podem poupar mão de obra e custos com energia elétrica e com o ativo imobilizado, estimulando o trabalho home office. Adelto Gonçalves - Brasil

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Adelto Gonçalves, jornalista, é assessor de imprensa do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional (trading company). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

 

sexta-feira, 21 de maio de 2021

Portugal - Programa pioneiro quer formar autistas em tecnologias de informação

Um programa pioneiro em Portugal, desenvolvido pela Critical Software, quer formar e dar emprego em tecnologias de informação a pessoas com autismo ou síndrome de Asperger, disse à agência Lusa o diretor executivo da empresa sediada em Coimbra


O programa de talentos Neurodiversidade aceita, até 9 de julho, candidaturas de portugueses maiores de 18 anos com diagnóstico de autismo/Asperger e procura candidatos com motivação para a área das tecnologias de informação (TI) e conhecimentos de inglês de nível médio.

“É um programa de empregabilidade, dirigido a pessoas que estão no espetro do autismo ou de Asperger. E a motivação é muito simples: a Critical é uma empresa de pessoas, dependemos muitíssimo do talento. Para nós, a criatividade, a inovação e construir conhecimento são a chave para o nosso sucesso e esta é uma oportunidade para ter pessoas com características especiais envolvidas nesse processo de criação de inovação”, afirmou João Carreira, cofundador e diretor executivo (CEO) da Critical Software.

“Acredito que em todas as áreas, mas especialmente na nossa, em TI, a inovação, as ideias diferentes, vêm das zonas de fronteira, não vêm do ‘mainstream’ [do convencional]. Se as pessoas pensam todas da mesma maneira, eventualmente não vai haver muita inovação. E, portanto, pessoas neurodiversas vão trazer essa riqueza para dentro de empresa”, acrescentou João Carreira.

O CEO da Critical insistiu que a “grande motivação” é levar talento à empresa de sistemas de informação e recusou que se trate de caridade para com as pessoas no espetro do autismo.

“Não é uma caridade que estamos a fazer, não queremos este programa com essa mentalidade, mas sim para integrar as pessoas por aquilo que elas são. São pessoas com competências por vezes extraordinárias, que são incompreendidas e dificilmente aceites, e nós estamos a fazer este esforço para identificar e enquadrar essas pessoas”, argumentou João Carreira.

O programa da Critical Software é feito em parceria com a fundação dinamarquesa Specialisterne (que se traduz, em português, como ‘os especialistas’), uma entidade que está atualmente em 13 países e que tem como objetivo criar um milhão de empregos para pessoas com autismo.

“Eles estão a fazer um trabalho muito interessante já há bastantes anos, também na área de TI. E, entretanto, também nos apercebemos que em Portugal há outros programas de empregabilidade para pessoas com autismo ou pessoas neurodiversas, mas este programa da Critical é o primeiro dirigido essencialmente a esta área específica”, explicou.

“Neste domínio [das tecnologias de informação] não há [em Portugal] nenhum programa específico com este foco”, enfatizou João Carreira.

A seleção e avaliação dos candidatos ao programa Neurodiversidade vai ser realizada com o apoio da Specialisterne. A formação decorrerá, depois, durante cinco semanas, em áreas “relevantes para a empresa”, como o teste e desenvolvimento de software, cibersegurança e consultoria operacional de tecnologia de informação.

Neste primeiro projeto, João Carreira revelou que serão selecionadas nove pessoas, para serem integrados, após a formação e a partir de outubro, na Critical Software em Lisboa, Porto e Coimbra: “É a primeira vez, estamos a ver como funciona, mas, claramente, é um programa que, correndo bem, é para continuar”, garantiu.

Em paralelo à formação dos candidatos ao programa, a Critical Software vai também formar alguns dos seus quadros, especialmente os gestores de projeto, para saberem como lidar com o autismo.

“Vão saber como estar atentos a sinais de pessoas que são neurodiversas, como perceber a diferença e como tirar partido dessa diferença. Como perceber que essa diferença não é um problema, mas pode ser uma grande vantagem para os projetos em que eles estão envolvidos”, explicou João Carreira, definindo a formação dos colaboradores como “um efeito colateral muito interessante”.

“Os nossos gestores vão estar expostos a esta questão, que será uma nova realidade. Esta capacidade de olhar para o outro, olhar para a diferença, que num autista, muitas vezes, é muito evidente, pelas dificuldades que tem em termos interpessoais, ver para além disso e conseguir integrar as pessoas na equipa, é um desafio extraordinário, mas também enriquecedor e fonte de crescimento pessoal para as pessoas. E vai ajudá-las a tornarem-se melhores gestores e melhores líderes”, observou. In “Milénio Stadium” – Canadá com “Lusa”


quinta-feira, 25 de março de 2021

Macau - Perda de quadros bilingues preocupa empresários lusófonos

A Associação Comercial Internacional de Empresários Lusófonos alertou para a perda de quadros bilingues, em Português e Chinês, em Macau. Considerando que a situação é preocupante, a associação pediu mais apoios no emprego para profissionais que dominam as duas línguas oficiais da RAEM. Recorde-se que o grupo de avaliação da Academia Chinesa de Ciências Sociais que elaborou o Relatório de Avaliação Externa por ocasião do 15º aniversário do Fórum Macau defendeu que só com quadros bilingues poderá “haver grandes mudanças” na Plataforma China-Países de Língua Portuguesa


Devido à redução no número de ofertas de emprego para os quadros bilingues, em Português e Chinês, a Associação Comercial Internacional de Empresários Lusófonos mostrou-se preocupada com a nova “fuga” desses profissionais no território.

Latonya Leong, vice-presidente da associação, sublinhou que o desenvolvimento do papel de Macau como plataforma de cooperação comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa depende de quadros chineses e lusófonos. Ao Jornal Tribuna de Macau, a responsável lamentou que, “embora o Fórum Macau tenha sido criado há 17 anos, o problema dos recursos humanos ainda está por resolver”.

Na sua observação, “os graduados do curso de Português não conseguem encontrar emprego que corresponda àquilo que estudaram na escola em Macau, razão pela qual a perda de quadros bilingues é acentuada no território”. Em concreto, Latonya Leong exemplificou com a situação ocorrida no contexto da pandemia: o número de postos de trabalho diminuiu, afectando a carreira dos estudantes que tiraram os cursos de Tradução de Chinês-Português, Educação e Gestão.

Com o objectivo de melhor aproveitar as vantagens dos quadros bilingues no desenvolvimento da Grande Baía, a associação solicita, assim, “uma maior cooperação entre as universidades locais e as associações ligadas aos países lusófonos”. Nesse sentido, Latonya Leong espera que sejam realizadas sessões de esclarecimento para que as empresas lusófonas expliquem presencialmente quais os tipos de quadros procurados, reforcem as operações comerciais bilingues e que organizem feiras de emprego para que melhor se perceba as necessidades sentidas dos dois lados. Desta forma, acredita que será possível atrair mais quadros bilingues.

Por outro lado, a associação valoriza muito a mobilidade dos quadros. Isto é, os talentos bilingues devem ter uma maior mobilidade entre as cidades na Grande Baía. Para concretizar esta ideia, a associação sugere que o Governo atribua subsídios às empresas da Grande Baía para que tomem a iniciativa de contratar profissionais bilingues.

Ademais, segundo Latonya Leong, “os serviços competentes devem aperfeiçoar a gestão dos recursos humanos dos bilingues, com o objectivo de que sejam recomendados às empresas”. Em relação aos trabalhadores que estão a tirar licença sem vencimento, entende que o Governo de Macau deve ponderar organizar cursos de Português, visando a promoção da Língua Portuguesa na RAEM.

Apoio às instituições de ensino superior

O grupo de avaliação da Academia Chinesa de Ciências Sociais que elaborou o Relatório de Avaliação Externa por ocasião do 15º aniversário do Fórum Macau sugeriu, tal como noticiou este jornal, que a RAEM “aumente as reservas de talentos bilingues”, já que os quadros “são a chave” para a construção do Fórum, assim como para a Plataforma China-Países de Língua Portuguesa (PLP).

Sublinhando que o Governo da RAEM “negligenciou anteriormente a formação de talentos” na área do Português, os membros do grupo de avaliação afirmam que é algo imprescindível. “Somente intensificando a formação de talentos num período próximo poderá haver grandes mudanças na Plataforma China-PLP”, refere o documento.

Entre as sugestões dadas ao Executivo da RAEM para reforçar a formação de quadros bilingues em Chinês e Português estavam o aumento do número de bolsas de estudo, “permitindo aos estudantes de Macau ingressar em cursos de Português ou estudar nos PLP, e prestar atenção à comunicação com os bolsistas”, bem como “financiar a aprendizagem do Português por parte de residentes de Macau, assim como incentivar instituições privadas a oferecer cursos de Português”.

Por outro lado, deve “apoiar as instituições de ensino superior locais a abrir mais vagas e cursos de formação relacionados” e “aperfeiçoar a política de inserção de talentos, introduzindo talentos versados em Chinês e Português”.

No mesmo documento era ainda descrito que a RAEM deve esforçar-se para atrair e formar talentos, a fim de fornecer recursos humanos para o intercâmbio entre a China e os PLP. Considerando que as “instalações educativas da RAEM são relativamente desenvolvidas” e que “as instituições de ensino superior locais têm a capacidade de formação de talentos qualificados para a construção da Grande Baía”, o grupo defendia que “o Governo Central deve encorajar as instituições de ensino superior de Macau a admitir mais estudantes do Interior da China, especialmente da Área da Grande Baía, no sentido de desempenhar o papel de base educacional”.

“Ao mesmo tempo, o Governo da RAEM deve empenhar-se em proporcionar um ambiente mais flexível para a inovação e para o empreendedorismo em Macau, por exemplo, atraindo talentos técnicos de alto nível, tomando medidas de redução e isenção de impostos individuais ou fornecendo um ambiente de vida mais favorável e uma base de investigação e desenvolvimento, entre outras”, sugeriram os membros.

106 candidataram-se a programa de quadros qualificados

Até 31 de Janeiro deste ano, 106 pessoas candidataram-se ao Programa de Estímulo à Formação e aos Exames de Credenciação dos Quadros Qualificados. Segundo a Comissão de Desenvolvimento de Talentos, nove foram premiados nos Exames de Credenciação Sectoriais, todos de credenciação de electricista de manutenção, e três no Programa de Estímulo à Certificação Profissional de Talentos da Área das Tecnologias de Informação. Segundo o organismo, a maioria dos pedidos aos prémios do Programa de 2021 foram rejeitados por não ter sido apresentado o documento de acreditação emitido no corrente ano ou por este não estar em conformidade com o catálogo. Viviana Chan e Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


segunda-feira, 13 de julho de 2020

O Brasil e a epidemia de coronavírus

O comércio exterior brasileiro vem patinando nos últimos anos, acompanhando o pífio crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que é o resultado da soma dos bens e dos serviços produzidos no País. Esse quadro, claro está, é reflexo dos baixos  índices de crescimento  dos últimos anos, 1,1% em 2019, 2018 e 2017, depois de retração de -3,3% em 2016  e -3,5% em 2015, consequência de uma situação de escancarada corrupção e desperdícios que corroeu a economia do País, provocada por uma política econômica inconsequente promovida pelo partido que esteve no poder por 13 anos e meio (2003-2016).

Afinal, tomados por uma megalomania e soberba sem limites, os líderes do Partido dos Trabalhadores (PT) agiram como se fossem donos do Brasil, cometendo, para manter-se no poder, as maiores barbaridades e descalabros, gastando e desviando de forma perdulária e irresponsável as economias do País, inclusive emprestando recursos, a fundo perdido, a países sem a mínima  condição de honrar seus compromissos, como Cuba, Venezuela, Uruguai e Guiné Equatorial, entre outros. Para esses países foram perdoadas dívidas, como se o Brasil pudesse se dar ao luxo de tamanha farra com os dólares de suas reservas.

Como consequência, o País foi jogado em uma brutal recessão cujas consequências a população vem pagando caro nos últimos anos, com salários aviltados, falta de emprego e escassez de dinheiro para as necessidades básicas, inclusive alimentação. A quantidade de desempregados é brutal, 11,7 milhões, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), enquanto milhares de jovens chegam ao mercado sem a mínima perspectiva de bons empregos e sequer de qualquer ocupação.

Na Baixada Santista, a exemplo do resto do País, a situação é grave. Até porque uma parte relevante dos trabalhadores santistas depende das atividades relacionadas ao porto, que estão diretamente ligadas à evolução da economia. Entre esses trabalhadores, estão estivadores, doqueiros, consertadores, vigias, conferentes, os denominados "trabalhadores avulsos", como também aqueles que executam as atividades burocráticas das importações e exportações, como os despachantes aduaneiros e seus ajudantes, agentes de cargas, técnicos certificantes, inspetores e outros.

Dentro desse panorama, havia uma esperança por parte do empresariado e daqueles que se utilizam do porto de que ocorreria uma retomada do crescimento ao redor de 2,2% em 2020 e de 2,3% em 2021, segundo projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI), que previu também uma alta de 3,3% da economia global em 2020. Mas essas previsões já não se sustentam porque os índices de 2019 foram desanimadores.

Para piorar, surgiu a epidemia de coronavírus, que está conturbando severamente a produção dos países afetados. As exportações da China, por exemplo, despencaram 17,1% nos primeiros meses de 2020. Também as importações chinesas caíram 4%. Obviamente, esse quadro registrado no principal parceiro comercial do Brasil acabará por influenciar negativamente a economia nacional.

Com isso, os números previstos para 2020, que se apresentavam como promissores, passam por uma reversão brutal cujas consequências ainda não se pode calcular. Tudo vai depender em grande parte do êxito ou do fracasso no controle dessa epidemia, mas, levando-se em consideração que a taxa do dólar em relação ao real já chegou a R$ 5,32, no horizonte da economia brasileira por enquanto só se vê nuvens carregadas.

Mas nem por isso se deve continuar a acreditar, como o fazem há mais de 50 anos os nossos líderes políticos, que a fonte principal de todos os males do Brasil é externa. Não é. Ou seja: para sairmos do buraco, vamos depender (e muito) também da competência do ministro da Economia e de seus assessores. Esperemos. Milton Lourenço – Brasil


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Milton Lourenço é presidente do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Exterior (trading company), todas com matriz em São Paulo e filiais em vários Estados brasileiros. E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Macau - Trabalhadores não residentes (TNR) devem ser os primeiros a ficar sem trabalho caso as empresas enfrentem dificuldades


A mensagem de Wong Chi Hong, director dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), é clara: os trabalhadores não residentes (TNR) devem ser os primeiros a ficar sem trabalho caso as empresas enfrentem dificuldades. “Caso as empresas necessitem de cessar a relação de trabalho com os trabalhadores face à situação real de exploração, devem proceder de forma a que os TNR do mesmo tipo de trabalho sejam os primeiros a sair, a fim de garantir a prioridade no acesso ao emprego e de forma contínua dos trabalhadores locais”, respondeu a uma interpelação escrita de Leong Sun Iok.

O organismo explica que há uma ponderação mais prudente dos pedidos de TNR, dependendo dos sectores, empresas e situação da contratação de mão-de-obra local. De acordo com os dados apresentados, entre Janeiro e Março foram indeferidos 517 pedidos de renovação de autorização e contratação de TNR. E justifica os casos em que a resposta foi positiva. “As 8871 autorizações de contratação concedidas no mesmo período, são principalmente de postos de trabalhadores da construção, empregados de lojas, guardas de segurança e empregados de limpeza”, nota a DSAL.

Para além disso, a DSAL indica que 119 empresas apresentaram por iniciativa própria o pedido de cancelamento das autorizações de contratação, com um número total de 676 cancelamentos. Até ao final de Março de 2020, existiam 189 518 TNR, representando cerca de menos sete mil do que no final do ano passado, e a DSAL observa que “o número de TNR efetivamente contratados pelas empresas no mercado de trabalho está a diminuir continuamente”.

Resultados da formação

Wong Chi Hong explicou que 44 cursos de formação subsidiados pelo Governo arrancaram em meados de Maio, dos quais 18 na área de construção. Dos 352 formandos, 322 concluíram o curso. A DSAL prevê ainda que vários cursos tenham início ao longo dos próximos dois meses.

Entre 1 de Janeiro e 15 de Maio, mais de mil candidatos a emprego foram contratados por encaminhamento da DSAL – numa forma de apoio que envolveu os sectores de construção, segurança e limpeza, restauração, vendas a retalho e transportes.

“A DSAL continua a pesquisar profissões com potencial para o desenvolvimento das empresas de grande dimensão (tal como cozinheiro do sector da restauração) para, através dos devidos cursos de formação e encaminhamento profissional para os residentes de Macau, promover o emprego destes e, gradualmente, proceder ao controlo do número dos TNR que desempenham cargos relevantes”, diz a resposta. Salomé Fernandes – Macau in “Hoje Macau”

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Cabo Verde - Criação de emprego em 2020 com a ajuda das Nações Unidas

As Nações Unidas vão ajudar a criar pelo menos 600 empregos dignos este ano em Cabo Verde. As áreas de destaque da cooperação com o governo e outros parceiros incluem ação climática, educação e saúde.

As declarações foram feitas após o Diálogo de Cooperação e Desenvolvimento, onde a organização apresentou os resultados da sua atuação. A representante das Nações Unidas no país, Ana Patrícia Graça, mencionou as metas para o ano.

Mudanças

“As Nações estão também com o governo e seus parceiros a fazer tudo para que em Cabo Verde haja mais crescimento económico inclusivo, mais e melhor proteção do ambiente. Podemos partilhar com o primeiro-ministro e com os nossos parceiros alguns resultados nestes grandes objetivos que tivemos durante o ano passado. As Nações Unidas vão continuar a contribuir para a criação de mais de 600 empregos justos e dignos, apenas num ano, tivemos ações de mobilização de água e reflorestação importantíssimos na ajuda ao combate às alterações climáticas, a nível de governação, ao nível da saúde, ao nível de educação.”

Após o encontro com o governo e parceiros na passada sexta-feira, na cidade da Praia, a coordenadora anunciou que o quadro de cooperação das Nações Unidas com Cabo Verde até 2022 é de US$ 96 milhões para avançar com as metas globais.

No evento, o país foi elogiado como “um exemplo de transparência e forte cooperação para o desenvolvimento sustentável”.

Impacto

“Esta reunião foi uma oportunidade de falarmos sobre a reforma do sistema de desenvolvimento das Nações Unidas, o impacto das mudanças que essa reforma está a ter em Cabo Verde, bem como a importância que o ano 2020 está a ter em Cabo Verde, mas também para o mundo sendo que iniciamos a década para a Ação, os 10 anos que temos para juntos podermos transformar o mundo para melhor, o mundo que queremos para as gerações futuras.”

Ana Patrícia Graça revelou que em 2019, a ONU tinha previsto um orçamento de US$ 20 milhões para atuar em Cabo Verde. Desse valor que inclui fundos próprios e de parceiros, o escritório no país conseguiu 75%, ou cerca de 15 milhões. O plano teve uma execução de 80%.

No Diálogo de Cooperação e Desenvolvimento, o primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, disse que a ONU é uma “instituição que consegue congregar e coordenar as diversas intervenções dos parceiros para o desenvolvimento”.



Projetos

O chefe do governo cabo-verdiano destacou ainda que o foco de todos para o desenvolvimento sustentável é importante para atribuir recursos e implementar projetos que estejam em linha com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS.

Na reunião de prestação de contas da ONU ao Governo e aos parceiros, as Nações Unidas lançaram a página na internet no país - www.caboverde.un.org - com informações sobre a cooperação entre as duas partes. ONU News – Nações Unidas

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Brasil - Criadas 644 mil novas vagas de trabalho em 2019



O Brasil registrou a criação de 644 mil vagas de emprego formal no ano passado, 21,63% a mais que o registrado em 2018. De acordo com o Ministério da Economia, é o maior saldo de emprego com carteira assinada em números absolutos desde 2013.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados no dia 24, mostram que o estoque de empregos formais chegou a 39 milhões de vínculos. Em 2018, esse número tinha ficado em 38,4 milhões.

Todos os oitos setores da economia registraram saldo positivo no último ano. O destaque ficou com o setor de serviços, responsável pela geração de 382,5 mil postos. No comércio, foram 145,4 mil novas vagas e na construção civil, 71,1 mil. O menor desempenho foi o da administração pública, com 822 novas vagas.

No recorte geográfico, as cinco regiões fecharam o ano com saldo positivo. O melhor resultado absoluto foi o da Região Sudeste, com a criação de 318,2 mil vagas. Na Região Sul, houve abertura de 143,2 mil postos; no Nordeste, 76,5 mil; no Centro-Oeste, 73,4 mil; e no Norte, 32,5 mil. Considerando a variação relativa do estoque de empregos, as regiões com melhores desempenhos foram Centro-Oeste, que cresceu 2,30%; Sul (2,01%); Norte (1,82%); Sudeste (1,59%) e Nordeste (1,21%).

Em 2019, o saldo foi positivo para todas as unidades da federação, com destaque para São Paulo, com a geração de 184,1 mil novos postos, Minas Gerais, com 97,7 mil, e Santa Catarina, com 71,4 mil.

De acordo com o Caged, também houve aumento real nos salários. No ano, o salário médio de admissão foi de R$ 1626,06 e o salário médio de desligamento, de R$ 1791,97. Em termos reais (considerado o deflacionamento pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor, o INPC), registrou-se crescimento de 0,63% para o salário médio de admissão e de 0,7% para o salário de desligamento, na comparação com novembro do ano passado.

Novas regras

Segundo os dados divulgados, em 2019 houve 220,5 mil desligamentos mediante acordo entre empregador e empregado. Os desligamentos ocorreram principalmente em serviços (108,8 mil), comércio (53,3 mil) e indústria de transformação (35 mil).

Na modalidade de trabalho intermitente, o saldo ficou positivo em 85,7 mil empregos. O melhor desempenho foi do setor de serviços, que fechou 2019 com 39,7 mil novas vagas. No comércio, o saldo ficou em 24,3 mil postos; na indústria da transformação, 10,4 mil; e na construção civil 10 mil. As principais ocupações nessa modalidade foram a de assistente de vendas, repositor de mercadorias e vigilante.

Já no regime de tempo parcial, o saldo de 2019 chegou a 20,3 mil empregos. Os setores que mais contrataram nessa modalidade foram serviços, 10,6 mil; comércio, 7,7 mil; e indústria de transformação, 1,2 mil. As principais ocupações foram a de repositor de mercadorias, operador de caixa e faxineiro.

Dados de dezembro

Já no mês de dezembro, o saldo de novos empregos foi negativo. Segundo o Ministério da Economia, o resultado ocorre todos os anos. “Trata-se de uma característica do mês, devido aos desligamentos dos trabalhadores temporários contratados durante o fim de ano, além da sazonalidade naturalmente observada nos setores de serviços, indústria e construção civil”, informou a pasta.

No último mês de 2019, o saldo ficou negativo em 307,3 mil vagas. Em 2018, o saldo de dezembro havia sido de 334,4 mil vagas fechadas. Os maiores desligamentos foram no setor de serviços, com menos 113,8 mil vagas, e na indústria de transformação, com redução de 104,6 mil postos de trabalho. O comércio foi o único a apresentar saldo positivo, com 19,1 mil vagas criadas.

Na modalidade de trabalho intermitente, o saldo também foi positivo: 8,8 mil novas vagas em dezembro. Comércio e serviços dominaram as contratações com saldos de 3,7 mil e 3,1 mil novos postos, respectivamente. Já o trabalho parcial teve déficit de 2,2 mil vagas no mês passado. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “EBC”

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Lusofonia – Instituto Marquês de Valle Flôr e Ministério do Trabalho de São Tomé e Príncipe assinam Memorando de Entendimento na área do emprego e formação profissional



No dia 11 de junho, teve lugar na sede do IMVF, em Lisboa, a assinatura de um Memorando de Entendimento entre o Ministério do Trabalho, Solidariedade, Família e Formação Profissional (MTSFFP) de São Tomé e Príncipe e o IMVF.

O Memorando tem por objetivo o apoio à operacionalização da Política Nacional de Emprego (PNE) de São Tomé e Príncipe e a promoção do Plano de Acão Nacional para o Emprego e a Formação (PANEF), junto dos doadores bilaterais e multilaterais, assim como o apoio à sua implementação e monitorização.

O PANEF constitui uma abordagem inovadora e que deverá permitir passar de um quadro de múltiplos eixos dispersos para a promoção coordenada de um conjunto de programas operacionais, que resultem na criação e na promoção do emprego e autoemprego. Os objetivos do PANEF requerem uma intervenção complementar, nomeadamente, a realização de estudos de mercado que permitam uma previsão e antecipação de necessidades de formação associadas a novos investimentos na economia nacional e das PME.

Presentes na cerimónia estiveram o Ministro do Trabalho, Solidariedade, Família e Formação Profissional de São Tomé e Príncipe, Adlander Costa de Matos, o Encarregado de Negócios de STP em Portugal, Nilson Reis Lima, o Diretor de Gabinete do MTSFFP, Darnin Correia, o Diretor-Geral do Gabinete de Estratégia e Planeamento (GEP) do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social de Portugal (MTSSS), José Luís Albuquerque, o Consultor Internacional, Paulo Bárcia, o Presidente do Conselho de Administração do IMVF, Paulo Freitas, e os Administradores Executivos do IMVF, Ahmed Zaky e Carolina Quina. Instituto Marquês de Valle Flôr - Portugal