Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Alemanha - Novo projeto do Camões Berlim dá palco a músicos portugueses

O Camões Berlim vai lançar, este ano, um novo projeto dedicado à música portuguesa, dando continuidade à sua missão de descobrir, apoiar e projetar novos talentos portugueses residentes em Berlim e noutras cidades da Alemanha.

Intitulado “Let’s get loud”, o projeto pretende criar um espaço de visibilidade para vozes emergentes e percursos artísticos em afirmação, celebrando a diversidade e a vitalidade da música portuguesa contemporânea. A iniciativa prevê a realização de três concertos por ano, oferecendo ao público uma experiência artística plural, dinâmica e em constante renovação.

Cada edição contará com a curadoria de um músico diferente, permitindo explorar distintas linguagens musicais, estilos e perspetivas criativas, num percurso que reflete a riqueza e a multiplicidade da criação musical portuguesa.

A primeira edição desta iniciativa estará a cargo do músico Pedro Matos, com o concerto inaugural agendado para o mês de março, em data a anunciar. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 2 de abril de 2025

Portugal - Apresenta primeiro avião civil-militar LUS-222

O LUS-222 é um bimotor de asa alta com porta de carga traseira projetado pelo Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto (CEiiA), a Força Aérea Portuguesa e a empresa Geosat, primeira aeronave projetada e fabricada em Portugal, que deverá realizar o primeiro voo em 2028



Representantes da CTI Aeroespacial, incluindo militares da Força Aérea Portuguesa e da empresa Aircraft and Maintenance, apresentaram esta quarta-feira a aeronave LUS-222, no Brasil, durante a feira LAAD Defense & Security, realizada no Rio de Janeiro.

O LUS-222 é um bimotor de asa alta com porta de carga traseira projetado pelo Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto (CEiiA), a Força Aérea Portuguesa e a empresa Geosat, primeira aeronave projetada e fabricada em Portugal, que deverá realizar o primeiro voo em 2028.

Os desenvolvedores do projeto preveem que o avião terá a capacidade de transportar 19 passageiros ou até duas toneladas de carga, podendo atuar em missões militares, missões de busca e salvamento e também na aviação comercial regional. A aeronave terá um alcance de até 2100 quilómetros e poderá atingir velocidade de até 370 quilómetros por hora.

João Cartaxo Alves, chefe do Estado-Maior da Força Aérea Portuguesa, disse à Lusa que a aeronave foi projetada inicialmente para transporte civil regional, mas com a adesão da Força Aérea houve o desenvolvimento de capacidades e perspetivas para missões militares.

"A Força Aérea juntou-se ao projeto por ver as necessidades e também por poder adaptar a aeronave para cumprir determinadas missões fundamentais, nomeadamente, desde logo, o apoio à preservação da vida em evacuações aeromédicas, em busca e salvamento, em transporte e carga, lançamento de carga para sítios em que haja necessidade e que haja impossibilidade de aterrar", explicou Cartaxo Alves.

"É para isso que a Força Aérea se juntou a este projeto para desenvolver esta característica do 'dual-use' civil e militar e é nisso que estamos a desenvolver este projeto", acrescentou.

O projeto do LUS-222 conta com investimentos de 220 milhões de euros, que incluem a construção de uma fábrica em Ponte de Sor, capaz de produzir 12 aviões por ano num turno e 20 aviões por ano em dois turnos.

O projeto é financiado por fundos públicos nacionais e europeus, através do apoio do Governo português, por capitais próprios dos acionistas da empresa e fundos de investimento privados.

"Porquê o Brasil? Por duas razões principais"

Miguel Braga, administrador da Aircraft and Maintenance, empresa que está a desenvolver e que vai construir, industrializar e comercializar o avião, apontou que a aeronave portuguesa tem um trem de poiso fixo e pode aterrar em pistas não preparadas, não pavimentadas e muito curtas e, portanto, o Brasil é um bom mercado para sua comercialização.

"Porquê o Brasil? Por duas razões principais. Uma, é público que a Força Aérea Brasileira quer substituir a aeronave Bandeirantes, que continua a operar, mas que já não se fabrica e o Brasil tem mais de 60 aviões Bandeirantes esta quarta-feira em operação que vão terminar o seu tempo de vida", afirmou Braga.

"Portanto, o Luz 222 apresenta-se como uma das soluções para a Força Aérea Brasileira substituir a sua frota de aviões do mesmo segmento que já vão deixar de voar", acrescentou.

Falando sobre a parceria entre Brasil e Portugal no segmento de Defesa e Aviação, que vai além da aeronave apresentada na maior feira de Defesa da América Latina no Rio de Janeiro, Cartaxo Alves classificou a relação entre os países de "virtuosa e fundamental".

"Nessas parcerias ao nível da aeronáutica aeroespacial, desde logo, vemos o caso do KC-390 da Embraer. A Força Aérea Portuguesa, depois a seguir, veio ajudar também no desenvolvimento de algumas capacidades do Supertucano", lembrou o chefe do Estado-Maior da Força Aérea Portuguesa.”

"E, agora, vemos aqui também uma parceria muito interessante entre capacidades de Portugal e do Brasil, nomeadamente a conceção, o pensamento e o desenvolvimento de uma aeronave totalmente portuguesa, mas também com a Akaer, uma empresa brasileira, que vai desenhar estruturas das aeronaves, as asas, a fuselagem, e, portanto, há uma parceria virtuosa", concluiu. In “SIC Notícias” – Portugal com “Lusa”


segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Açores - Investigadores da Universidade de Coimbra estudam a diversidade de larvas de peixes nas Reservas da Biosfera da Região

Partindo de um projeto focado nas reservas da Biosfera de Portugal, uma equipa de investigadores do Departamento de Ciências da Vida (DCV) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) dedicou-se a explorar a diversidade de larvas de peixe costeiras na região dos Açores.


Até então, existia uma ausência significativa de conhecimento sobre estas larvas, levando à necessidade de um aprofundamento do tema. O projeto “Fish larvae in the Azores islands - structure, dynamics and biodiversity in Northeast Atlantic UNESCO biosphere reserves”, financiado pela Fundação PADI (EUA), centrou-se especificamente nas quatro ilhas dos Açores classificadas como Reservas da Biosfera: Corvo, Flores, Graciosa e São Jorge.

Com o objetivo de obter um conhecimento mais profundo sobre as comunidades de larvas de peixe existentes junto à costa destas ilhas, os investigadores da FCTUC realizaram dois anos de investigação intensiva. «Identificámos 38 espécies diferentes, pertencentes a 27 famílias distintas e notamos uma maior abundância de espécies nas ilhas do Corvo e das Flores, embora as variações observadas possam ter sido influenciadas pelos diferentes anos de amostragem», revela Filipe Martinho, investigador do Centro de Ecologia Funcional (CFE) e coordenador do projeto.

«Foi um grande desafio, uma vez que muitas das espécies identificadas eram desconhecidas e, portanto, o projeto integrou análises de ADN para ajudar na determinação das espécies», refere a bióloga Milene Guerreiro, acrescentando que as condições meteorológicas também se mostraram desafiadoras.

De acordo com a equipa de investigadores, algumas destas larvas, com tamanhos reduzidos de apenas 3 milímetros, foram muito difíceis de identificar devido à escassez de guias de investigação. «Estes organismos foram recolhidos através de uma rede puxada por uma embarcação, concentrando as amostras de água do mar. A identificação é feita tanto visualmente, com ajuda de uma lupa, como através de análises de ADN, o que permitiu registar a presença de larvas de peixes que não estavam ainda referenciadas naquelas ilhas», explica Ana Lígia Primo. Entre as espécies analisadas encontram-se o Carapau-Negrão, o Sarrajão, Peixe Galo e o Mero.

«Este projeto não só contribuiu para o conhecimento da biodiversidade marinha, como também vem ajudar a complementar os guias sobre as larvas de peixe, dando a conhecer uma parte da vida marinha que passa despercebida para a maioria das pessoas. A investigação representa um avanço significativo no conhecimento das larvas de peixe, mas também na proteção das Reservas da Biosfera nos Açores», finalizam.

Para além de Filipe Martinho, Ana Lígia Primo e Milene Guerreiro, participaram nesta investigação Miguel Pardal, Filipe Costa, Manuel Rodrigues, investigadores do DCV, e ainda Ana Veríssimo, investigadora do CIBIO & BIOPOLIS. Universidade de Coimbra - Portugal


quinta-feira, 22 de agosto de 2024

Portugal - Eco Wave Power lança primeiro projeto de energia das ondas à escala de MW

A Eco Wave Power Global AB, uma empresa especializada em tecnologia de energia das ondas onshore, iniciou oficialmente o seu primeiro projeto de energia das ondas à escala de megawatts (MW) no Porto, Portugal


Especializada em tecnologia de energia das ondas onshore, a Eco Wave Power Global anunciou o início oficial do seu primeiro projeto de energia das ondas à escala de MW, em Portugal.

Integrado num Contrato de Concessão mais alargado de 20 MW com a Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL), este projeto incluirá um museu subaquático educativo sobre a energia das ondas.

O começo do projeto foi marcado por uma reunião entre o diretor-executivo da Eco Wave Power, Inna Braverman, e a equipa de engenharia da empresa com a APDL e outros stakeholders.

Após a reunião, a equipa de engenharia visitou o local do quebra-mar e a zona por baixo do mesmo, conhecida como "A Galeria". É ali que os equipamentos de conversão de energia serão instalados.

“Acreditamos que este será o primeiro projeto de energia das ondas no mundo a mostrar uma produção significativa de energia a partir da força das ondas.

Acredito sinceramente que este projeto revolucionário posicionará a Eco Wave Power como líder no desenvolvimento de energia das ondas e servirá como um marco significativo para a comercialização da nossa tecnologia de energia das ondas a nível global.”

Disse Inna Braverman, agradecendo o apoio do Município do Porto e da APDL, e destacando o potencial do projeto para reduzir a pegada de carbono do porto e criar novos postos de trabalho.

Este projeto vai ao encontro dos objetivos de Portugal em matéria de energias renováveis, que incluem a produção de 85% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis até 2030.

A primeira fase deste projeto surge na sequência da aprovação recebida em março de 2024 da APDL para a construção, apoiada por uma garantia de desempenho emitida pela Eco Wave Power para assegurar a conclusão do projeto no prazo de dois anos. In “Pplware” - Portugal


sábado, 15 de junho de 2024

CPLP - DGArtes e Funarte promovem “Viagens pela Música de Língua Portuguesa”, através do Ibermúsicas

Foi criado no âmbito do Ibermúsicas o projeto especial “Viagens pela Música de Língua Portuguesa”, por iniciativa dos representantes nacionais do Brasil e de Portugal naquele Programa de Cooperação Ibero-Americana, visando exclusivamente dar apoio à circulação dos músicos, agrupamentos e investigadores da área da música residentes em África (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe) e em Timor-Leste.


Esta linha de apoio surge pela primeira vez no quadro dos PIPA (Programas, Iniciativas e Projetos Adstritos de Cooperação Ibero-Americana) da SEGIB, e resulta de um protocolo multilateral entre o Ibermúsicas, a DGArtes, a Funarte e a CPLP, assinado em Lisboa no passado dia 21 de maio.

Com um orçamento disponível de $50 000 para esta primeira edição, financiada pela DGArtes e pela Funarte, pretende-se com este projeto valorizar os laços que surgem da diversidade musical dos países de língua oficial portuguesa e com o propósito de construir pontes de cultura e cooperação entre América Latina, Europa, África e o Sudeste Asiático.

O período de candidaturas decorre de 15 de junho a 1 de outubro de 2024 e o aviso de abertura pode ser consultado aqui.

“Viagens pela Música de Língua Portuguesa” constitui, assim, um canal que visa reforçar o compromisso dos Países-Membros da CPLP no que toca à dinamização da música desenvolvida no espaço da língua portuguesa, robustecendo as relações culturais com o espaço Ibero-Americano. In “Direção-Geral das Artes” - Portugal


quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Brasil - Portugueses do programa Escolas que se Abraçam fazem agenda cultural

Escritores que atuam no Escolas que se Abraçam em Portugal estiveram no Brasil nas últimas duas semanas para participarem de atividades do programa em São Paulo (SP) e em Conceição do Mato Dentro (MG).


O intercâmbio entre os profissionais é fundamental para o fortalecimento das relações e das ações realizadas pelo programa. Desta vez, estiveram no Brasil, Alexandre de Sousa, coordenador do programa em Portugal e curador do festival FOLIO. E Luisa Paolinelli, escritora e docente da Universidade da Madeira. Eles foram recebidos pelos coordenadores brasileiros, José Santos, Selma Maria, Paloma Comparato e por Juliana Rajão, secretária de Educação do município de Conceição do Mato Dentro.

A primeira parada foi no Fli Sampa, a primeira edição do festival de educação e literatura realizado pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, ocorrido entre 1º e 5 de agosto no Centro Cultural São Paulo, na rua Vergueiro. O evento contou com a participação em mesas e apresentação das experiências do Escolas que se Abraçam, como a publicação de livros escritos pelos estudantes que integram o programa.

De São Paulo, os convidados portugueses partiram para uma semana de agenda na mineira Conceição do Mato Dentro. Puderam visitar escolas e ver de perto os resultados alcançados pelo programa na cidade desde seu início em 2019.

“O projeto Escolas que se Abraçam já é um programa educativo de sucesso, permitindo às crianças das escolas de vários países lusófonos estabelecerem uma verdadeira rede de cultura, conhecimento e genuínos afetos. As sementes lançadas no chão de Conceição do Mato Dentro rapidamente germinaram e vão florindo pela América do Sul, pela África e pela Europa. Como uma árvore que vai crescendo, estendendo ramos, cada vez mais robusta, cada vez mais imponente. A língua portuguesa vai assim respirando profundamente, segura do seu futuro e da sua importância no mundo.” É com essas palavras que Alexandre descreve o programa.

Sobre o Escolas que se Abraçam

O programa internacional Escolas que se Abraçam tem como objetivo incentivar a leitura e a escrita poética para estudantes de escolas públicas em países da comunidade de língua portuguesa. Sua primeira edição foi em 2019, quando iniciou-se uma parceria entre a Secretaria Municipal de Educação de Conceição do Mato Dentro (MG) e os escritores José Santos, Selma Maria e Alexandre de Sousa.

Naquele ano, realizou-se uma troca de cartas entre estudantes de Conceição do Mato Dentro, Minas Gerais, e de Óbidos, Portugal. O resultado dessa atividade gerou o livro “Cartas de Lá e de Cá”.

Durante a pandemia o projeto cresceu, adaptou-se à nova realidade, englobou novas cidades portuguesas e lançou o livro “Escolas que se Abraçam”.

Em 2022, foi a vez do livro “Diálogos entre Oceanos”, agora com escolas de Angola e Moçambique. A publicação traz conteúdos desenvolvidos por estudantes de Conceição do Mato Dentro, no Brasil, de Cacuaco, Luanda e Moçâmedes, em Angola, e de Maputo e Homoíne, em Moçambique. A partir de pequenos textos e imagens, é possível conhecer mais sobre a cultura escolar e a vida cotidiana nesses lugares.

O Escolas que se Abraçam está presente nas cidades brasileiras de Conceição do Mato Dentro (MG), Dom Joaquim (MG), Santos (SP) e Óbidos (PA). Atualmente, a parceria com a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo também segue em vias de concretização. No exterior, conta com atividades em Portugal, Angola, Moçambique e Guiné-Bissau.

O programa é idealizado, desenvolvido e financiado pela Prefeitura Municipal e Secretaria Municipal de Educação de Conceição do Mato Dentro e conta com a parceria de instituições das cidades e países participantes, como Ministérios de Educação, Prefeituras e Secretarias Municipais.

O Escolas que se Abraçam tem, ainda, chancela da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). In “Mundo Lusíada” - Brasil


segunda-feira, 31 de julho de 2023

Portugal - Faculdade de Ciências da Universidade do Porto em projeto inovador para transformar o sistema agroalimentar português

Da maionese e dos fiambres veganos aos sumos com mais fibra e ao chocolate com mais nutrientes. Entre o doce e o salgado, uma coisa é certa: é imperativo que sejam mais saudáveis, sem perderem o sabor que conquista o palato dos consumidores. São desafios que levam a indústria a procurar o know-how de instituições de Investigação e Desenvolvimento, como a Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP). É, nesse contexto, que a FCUP integra o consórcio do projeto VIIAFOOD (Plataforma de valorização, industrialização e inovação comercial para o setor agroalimentar).


Com um orçamento que se aproxima dos dois milhões de euros, a equipa do Foodphenolab, liderada pelo docente e investigador Victor Freitas, já está a avançar neste projeto. “Fomos convidados por várias empresas com as quais já trabalhamos para integrar este consórcio”, descreve.

Liderado pela SONAE MC, o VIIAFOOD integra cerca de 50 entidades, entre empresas, instituições de ensino e investigação, laboratórios e associações do setor. O objetivo é chegar a mais de 130 novos produtos saudáveis e sustentáveis e, para isso, há uma série de subprojetos a decorrer em simultâneo até 2025.

Victor Freitas salienta que há, neste tipo de consórcios, um grande trabalho de equipa, com reuniões a acontecerem todas as semanas. “As empresas disponibilizam as receitas e arranjam-nos ingredientes alternativos. O que fazemos é ver como é que eles se podem conjugar com a receita padrão daquele alimento”, detalha. O objetivo é mudar o menos possível o processo de produção, melhorando a qualidade.

“Não podemos dizer que fomos responsáveis por um produto, mas contribuímos para diversos já no mercado”, continua. Um exemplo são os fiambres vegetarianos. Agora, os fiambres veganos, sem nenhum produto de origem animal, são o próximo desafio da Primor e um dos alimentos a desenvolver.

E é aqui que há um cruzamento entre projetos, empresas e investigação. “A Proenol produz leveduras para a fermentação alcoólica e desenvolveram, em conjunto com a nossa equipa, uma tecnologia de purificação de proteínas de levedura, uma fonte alternativa à proteína”, descreve. Esta poderá ser uma solução a integrar neste novo produto 100% vegetal.

Outro desafio que se irá apresentar nos próximos anos é a redução do sal, do açúcar e gordura nos molhos da Mendes Gonçalves e caberá também ao consórcio responder a esse repto.

Neste projeto, coordenado pela PortugalFoods, estão também empresas do setor das bebidas, como a Sumol + Compal. A equipa do Foodphenolab irá participar num subprojeto relacionado com o “pulpómetro” que vemos nos rótulos dos sumos da Compal. “O objetivo é aumentar a densidade da polpa com enriquecimento de fibras e temos de ver se, em termos nutricionais, a qualidade do sumo está ou não a aumentar”, conta Victor Freitas. E, por falar em qualidade, trabalharão também no enriquecimento de chocolates em minerais e vitaminas, com a Imperial.

Mais um exemplo de um dos muitos contributos da FCUP para o VIAAFOOD será o apoio à SONAE MC, com a expertise do Foodphenolab na substituição de corantes artificiais por corantes naturais.

E será que todos estes produtos serão do agrado do consumidor? Para dar resposta a esta questão participa no projeto a empresa SenseTest, especialista na Análise Sensorial e do Consumidor, que nasceu na FCUP, e que fará uma primeira análise sensorial aos protótipos laboratoriais mais promissores.

Em paralelo, a equipa da FCUP irá também dedicar-se à procura de novos ingredientes e novos produtos, uma característica do trabalho em Investigação e Desenvolvimento.

Sobre o VIIAFOOD

Integram o consórcio 29 empresas, de diferentes áreas de atividade do sector alimentar, e 20 entidades do sistema científico nacional, associações do sector e laboratórios colaborativos com competências nas áreas de I&D aplicadas à área alimentar.

O VIIAFOOD, coordenado pela Portugalfoods, representa um investimento global de cerca de 110 milhões de euros, sendo cerca de 50% financiado no âmbito das Agendas Mobilizadoras para a Inovação Empresarial do PRR e os restantes 50% pelas empresas envolvidas. O projeto foi oficialmente divulgado em agosto de 2022, altura em que viu o seu financiamento ser aprovado.

Através da investigação e desenvolvimento de novos produtos e da melhoria de processos produtivos por via de novas tecnologias, os desenvolvimentos obtidos contribuirão para a promoção de uma alimentação mais saudável e sustentável, em linha com tendências de nutrição e sustentabilidade globais, bem como para a capacitação deste setor da economia portuguesa, aumentando a sua competitividade internacional. Universidade do Porto - Portugal


sábado, 27 de maio de 2023

Cabo Verde – A cantora Sandra Horta apresenta o vídeo-single “Majumpintor”

Cidade da Praia – A cantora Sandra Horta anunciou que já tem disponível nas plataformas digitais o primeiro vídeo-single “Majumpintor”, do projecto “Shintim Praia”, que é a segunda fase de um projecto maior denominado “Shintim Cabo Verde”.


Em declarações à Inforpress, Sandra Horta, mentora do projecto “Shintim Cabo Verde”, disse que o objectivo é apoiar na promoção turística e cultural de Cabo Verde, através de concertos filmados ao vivo em cidades ou localidades do País, intercalados com imagens em locais de interesse histórico, cultural ou turístico, com artistas convidados locais.

A cantora recordou que o projecto piloto foi “Shintim Tarrafal”, lançado em Março deste ano, no qual por questões de orçamento e logística foi feito um concerto único, mas com maior dimensão, e na Praia por ser uma cidade maior com menos desafios orçamentais será produzido videoclipes em diferentes zonas.

“Majumpintor” (mais um pintor em português) é o primeiro dos três episódios do “Shintim Praia”, gravado no bairro Achada Grande frente com a artista pintora Juseila Tavares que durante a actuação pintava, aliando assim as duas artes.

“A ideia é ir mostrando estes cantinhos da Praia e vai ter três episódios, já começámos com esta, e o desafio é conseguir passar nestes vídeos a beleza da diversidade de pessoas de culturas vibrantes que a Cidade da Praia tem”, enfatizou.

Segundo Sandra Horta, o projecto “Shintim Cabo Verde” tem tido um feedback positivo que ultrapassou as expectativas tendo surgido mais convites para estender este conceito a outras regiões do arquipélago.

“Os projectos de Shintim Cabo Verde precisam de uma preparação prévia desde as condições climatéricas no dia de ensaio logístico, portanto todo o orçamento varia de acordo com o local escolhido, então ainda não sabemos qual será a próxima cidade”, mencionou.

Entretanto, a cantora adiantou que o objectivo é chegar a todos os concelhos do País, pois para ela este projecto é como uma viagem a Cabo Verde através da música.

O projecto “Shintim Praia” conta com o apoio da Câmara Municipal da Praia, através do Edital de apoio à cultura, estando previstos lançamentos de outros vídeos nos próximos meses.

Sandra Horta iniciou o seu percurso musical ainda na infância e foi-se desenvolvendo através da participação em vários projectos e em concertos de conceituados artistas em vários países.

Nos últimos anos, lançou três singles – Seca, Talvez e Wake Up Now e em 2022 lançou o EP Primavera, com os temas Amor Amor Amor, Dispidida e Carta di Contratado. In “Inforpress” – Cabo Verde


segunda-feira, 15 de maio de 2023

Portugal – Projeto do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde sobre dispositivos cardíacos vence Medalha L’Oréal

A investigadora Andreia Pereira foi uma das quatro distinguidas com as Medalhas de Honra L’Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência 2022


Será que o nosso corpo pode gerar energia para alimentar e monitorizar dispositivos cardíacos implantados? Foi com esta questão que o projeto apresentado pela investigadora Andreia Pereira, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), conquistou uma das quatro Medalhas de Honra L’Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência, atribuídas este ano. A cientista vai receber 15 mil euros para desenvolver próteses vasculares inteligentes capazes de se automonitorizarem e de enviarem sinais de alerta ao médico que acompanha o doente utilizando uma fonte de energia inesgotável.

O projeto de Andreia Pereira, intitulado «BloodStream2Power», tem como objetivo encontrar soluções para dois dos problemas centrais que afetam as pessoas com doenças cardiovasculares: as arriscadas cirurgias para substituição de baterias nos dispositivos eletrónicos implantáveis e as falhas nas próteses vasculares, que podem originar a morte do paciente.

Os atuais números da Organização Mundial de Saúde (OMS) relativos ao impacto das doenças cardiovasculares – 17,9 milhões de mortes/ano – motivaram a investigadora do i3S a seguir este caminho na sua carreira científica.

Para evitar as cirurgias de substituição de baterias, Andreia Pereira pretende converter energia mecânica produzida pelo organismo humano (uma fonte inesgotável) em energia elétrica para alimentar os dispositivos cardíacos eletrónicos implantáveis, como os pacemakers por exemplo.

Para conseguir esta conversão, explica, “vamos recorrer aos chamados nanogeradores triboelétricos biocompatíveis, que utilizam uma tecnologia de dimensão inferior à que o olhar humano consegue captar, são feitos de materiais compatíveis com o organismo humano e usam a fricção para produzir a eletricidade que alimentará os dispositivos cardíacos”.

Este tipo de nanogeradores, garante Andreia Pereira, permite também monitorizar os dispositivos em tempo real e 24 sobre 24 horas e enviar sinais de alerta ao médico que acompanha o doente, caso haja alteração ao seu normal funcionamento. “É uma forma de prevenir falhas que podem levar a problemas maiores. Por exemplo, no caso das próteses vasculares podem indicar um enfarte do miocárdio, que pode culminar na morte do paciente», sustenta.

O conhecimento gerado com esta investigação, sublinha Andreia Pereira, “é suscetível de extrapolar para outros sistemas implantáveis que necessitem de baterias para ser alimentados ou que possam ser monitorizados, desde os neuroestimuladores às fístulas de hemodiálise e cateteres”.

As outras medalhadas

Para além de Andreia Pereira, esta 19.ª edição das Medalhas de Honra L’Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência distinguiu também as investigadoras Joana Sacramento (Nova Medical School – Universidade Nova de Lisboa), Raquel Boia (iCBR – Universidade de Coimbra) e Sara Peixoto (Universidade de Aveiro).

As quatro investigadoras, já doutoradas e com idades entre os 31 e os 35 anos, foram selecionadas por um júri científico, presidido por Alexandre Quintanilha.

Cada vencedora é reconhecida com um prémio individual de 15 mil euros, que vai apoiá-la na sua pesquisa, motivá-la a prosseguir e contribuir para uma ciência e uma sociedade mais inclusivas e equitativas.

A cerimónia de entrega das medalhas decorreu esta quarta-feira, 10 de maio, no Pavilhão do Conhecimento.

Sobre Andreia Pereira

Mestre em Bioquímica pela Universidade do Porto, Andreia Trindade Pereira concluiu em 2020 o prestigiado Programa GABBA (Graduate Program in Areas of Basic and Applied Biology) da U.Porto.

Ligada há vários anos ao i3S, dedicou o seu post-doc ao desenvolvimento de “biomateriais como nanogeradores triboelétricos para aplicações cardiovasculares”, como investigadora no grupo “Advanced Graphene Biomaterials”, liderado por Inês Gonçalves.

Andreia Pereira já conquistou um Prémio Maria de Sousa e teve um projeto financiado pelo Concurso CaixaResearch Validate. Integra ainda a equipa portuguesa que lidera um consórcio europeu recentemente financiado com quase três milhões de euros pelo Conselho Europeu de Inovação (EIC) Pathfinder Challenge, no âmbito do programa Horizonte Europa.

Sobre as Medalha de Honra L’Oréal

O apoio da L´Oréal às mulheres da ciência começou formalmente em 1998, com uma parceria com a UNESCO que deu origem ao programa L’Oréal-UNESCO For Women em Science, que premeia anualmente cinco cientistas consagradas, uma de cada região do mundo. 125 grandes mulheres cientistas foram já premiadas, cinco das quais ganharam posteriormente um prémio Nobel.

Com inspiração neste programa internacional, em 2004, Portugal promoveu a primeira edição das Medalhas de Honra L’Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência, iniciativa destinada a motivar jovens com menos de 35 anos, já doutoradas, e com projetos promissores.

Desde a sua origem, este programa junta a L’Oréal Portugal, a Comissão Nacional da UNESCO e a Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Outros países implementaram iniciativas similares, ampliando o apoio às mulheres que fazem avançar a ciência através de 52 programas de âmbito nacional ou regional que já apoiaram centenas de investigadoras.

Desde 2014 já foram reconhecidas 65 jovens investigadoras em Portugal, incluindo nove da Universidade do Porto: Sandra Sousa (IBMC, 2005), Maria José Oliveira (INEB, 2009), Joana Marques (FMUP, 2010), Inês Gonçalves (INEB, 2014), Joana Tavares (IBMC, 2014), Sónia Melo (Ipatimup, 2015), Maria Inês Almeida (i3S, 2017), Joana Caldeira (i3S, 2019) e Sandra Tavares (i3S, 2021). Universidade do Porto - Portugal


Portugal - Projeto da Universidade de Coimbra aposta na criação de iniciador pirotécnico mais seguro e amigo do ambiente

O projeto FreePyro Igniter, em que participa o Departamento de Engenharia Mecânica (DEM) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), está a desenvolver um iniciador mais seguro e amigo do ambiente para ser utilizado na iniciação de artigos de pirotecnia. 

Os resultados deste projeto são bastante promissores, tendo já sido desenvolvido e testado com sucesso um protótipo, que funciona com o sistema de disparo também criado pela equipa de investigadores do DEM. Este novo produto pode ser utilizado para iniciar diferentes tipos de componentes pirotécnicos.


De acordo com Ricardo Mendes, o responsável pelo projeto na FCTUC, a ideia é «desenvolver um iniciador mais sustentável e mais seguro, que não contenha substâncias consideradas explosivas, nem substâncias nocivas e que possa ser manipulado com toda a segurança. Na sua maioria, os iniciadores tradicionais são baseados em composições que contém chumbo ou mercúrio, matérias que têm um impacto negativo no meio ambiente e são também classificadas como perigosas, devido ao elevado risco na sua manipulação e utilização», explica o professor do DEM.

A grande diferença na composição deste novo produto, continua o investigador, «é que mesmo com uma iniciação em massa não produz explosão, porque não produz gases. Portanto, num incêndio, nunca haverá uma explosão. Por oposição, os iniciadores tradicionais, que são compostos por outro tipo de substâncias que geram temperaturas altas, mas também gases, podem originar explosões suscetíveis de causarem danos significativos», ressalva.

Apesar do objetivo estar cumprido e o conceito provado, «há necessidade de dar continuidade ao projeto, que termina ainda este ano, até porque este novo iniciador vai exigir que os sistemas utilizados para a iniciação desses artefactos tenham mais energia, ou seja, terá de ser desenvolvido também um sistema de disparo compatível com este iniciador», afirma Joana Quaresma, investigadora da Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (ADAI) da FCTUC.

Segundo a equipa de investigadores, este novo produto terá vantagens a nível ambiental, de segurança e económico, uma vez que «contém substâncias com menor impacto no meio ambiente, tem a potencialidade de ser reutilizável, o transporte, o armazenamento e a utilização serão mais seguros e ainda, poderá evitar, no futuro, a importação deste tipo de produtos», conclui.

No projeto, financiado pelo programa Portugal 2020, participam cinco investigadores do DEM, ligados à ADAI e ao Laboratório de Energética e Detónica (LEDAP), nomeadamente Ricardo Mendes, Joana Quaresma, José Carlos Góis, Bianca Sterbling e João Pimenta. Universidade de Coimbra - Portugal


 

terça-feira, 14 de março de 2023

Timor-Leste e Portugal assinam protocolo para continuidade do projeto CAFE

Díli – Os governos de Timor-Leste e Portugal assinaram um novo protocolo para a continuidade do projeto Centros de Aprendizagem e Formação Escolar (CAFE). O novo protocolo, além de definir regras de funcionamento, contempla a expansão do projeto para novas localidades, com novas escolas e com a expansão de algumas já existentes. O valor do projeto na promoção da língua portuguesa, bem como na formação dos agentes educativos timorenses, foi reafirmado pelos representantes dos dois governos.


O documento foi assinado em Díli pelo Ministro da Educação, Juventude e Desporto (MEJD) timorense, Armindo Maia, e pelo Secretário da Educação português, António de Oliveira Leite.

Armindo Maia, na sua intervenção, afirmou que o novo protocolo é um compromisso que se traduz numa renovação do investimento do Executivo timorense nas escolas CAFE e que, a seu ver, está ajustado às necessidades, bem como às exigências atuais e futuras do projeto.

O governante reconheceu que o grande desafio do projeto plasmado neste protocolo é “a sua expansão faseada para os postos administrativos de Timor-Leste” para cumprir objetivos da Lei das Grandes Opções do Plano para 2023.

“A expansão das escolas CAFE é um sonho nosso, apesar de estarmos em ano de eleições fazemos todos os possíveis para realizar a primeira fase de construção de escolas novas não só no novo município de Ataúro, como também expandi-las gradualmente para outros postos administrativos, como, por exemplo, Metinaro e Tibar”, explicou.

Armindo Maia agradeceu ao Governo português pelo empenho, trabalho colaborativo, respeito e especial carinho em relação a este projeto e acrescentou que estas atitudes são fundamentais para que possam concretizar os objetivos deste protocolo, quer a nível de novas construções no terreno, quer em prol da qualidade, do ensino e da formação de professores em língua portuguesa.

O governante desejou a continuidade daquilo que designou de timorização, isto é, um processo pela qual as escolas CAFE se tornam mais autónomas do ponto de vista da gestão e da lecionação por parte dos professores timorenses, que o governante entende como relevante para a sustentabilidade do projeto, designadamente através do aumento do número de professores timorenses nas 13 escolas CAFE.

“A principal missão dos docentes portugueses neste projeto é trabalhar em parceria com os timorenses, através da partilha de metodologias, pedagogias, experiências e vivências, e, desta forma, torná-los autónomos, criativos e responsáveis pela educação e pela formação de recursos humanos de qualidade em Timor-Leste”, afirmou.

O Secretário de Estado da Educação português, António Leite, por seu turno, considera a existência das escolas CAFE como um projeto dotado de alguma singularidade para Portugal, uma vez que nenhum outro país da CPLP atingiu, historicamente, uma relação tão próxima, especialmente no domínio da educação.

No que toca à expansão da rede de ensino das escolas CAFE, António Leite sublinhou que o seu governo está empenhado em apoiar a vontade do governo timorense para fazer crescer o projeto. “Temos vontade de acompanhar o Governo de Timor-Leste por que se trata de um projeto que se destina ao povo timorense e deve também ser cada vez mais baseado nos próprios professores timorenses”, disse.

António Leite acredita que o projeto CAFE tem condições para multiplicar o número de timorenses que aprendem, se expressam e se sentem confortáveis em falar em língua portuguesa. O governante acrescentou que o Executivo português está disponível, dentro da sua capacidade, para apoiar o plano de expansão da escola CAFE em Ataúro.

“Percebemos a relevância de envolver cada vez mais os professores timorenses (na gestão e lecionação das escolas CAFE) para que este (projeto) não seja, de facto, um projeto de dois governos, mas sim um projeto de dois povos”, concluiu.

Este ano as escolas CAFE abrangem um total de 11 mil alunos em todos os níveis de ensino, nomeadamente 1676 no ensino pré-escolar, 7332 no ensino básico e 1890 no ensino secundário-geral. As escolas contam este ano com 130 professores portugueses e 217 timorenses. De lembrar que já estão em processo de construção de escolas CAFE em Ainaro, Liquiçá e Covalima. Afonso do Rosário – Timor-Leste In “Tatoli”


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

Internacional - Projeto da Universidade de Coimbra com financiamento para aumentar resiliência da apicultura

A Universidade de Coimbra (UC) integra projeto internacional que pretende aumentar a resiliência da apicultura a fatores de stress abióticos, como mudanças climáticas, perda de habitat e compostos químicos, nomeadamente pesticidas. José Paulo Sousa, investigador do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC), é o coordenador do projeto “Better-B” na UC, agora contemplado com cerca de 6 milhões de euros.


«As colónias de abelhas melíferas estão muitas vezes mal-adaptadas para lidar com estes fatores de stress, em grande parte devido às práticas modernas de apicultura», afirma o investigador, revelando que «a chave para uma apicultura resiliente é aproveitar o “poder da natureza” para restaurar a harmonia e o equilíbrio dentro das colónias e entre as colónias e o meio ambiente, ambos perturbados pelas atividades humanas».

De acordo com o José Paulo Sousa, a solução passa por «compreender os processos e mecanismos que se aplicam na natureza e adaptar as práticas apícolas modernas e a tomada de decisões em conformidade, e quando adequado, utilizando os benefícios das tecnologias avançadas». Assim, nos próximos quatro anos, os investigadores irão abordar diferentes tipos de fatores de stress através de monitorização, experimentação e modelação ecológica.

No âmbito do projeto “Better-B”, será realizada uma «avaliação da qualidade dos recursos florais em diferentes habitats e ainda as interações entre planta-polinizador, de forma a compreender melhor os fenómenos de competição entre as abelhas melíferas e espécies de polinizadores selvagens em situações de abundância e escassez de recursos, recorrendo a monitorização e experimentação», explica o também docente da FCTUC.

Segundo o consórcio, os dados recolhidos servirão para alimentar modelos para avaliar a “capacidade de carga” de diferentes tipos de habitats e, ainda, para desenvolver ferramentas de tomada de decisão sobre como melhorar a estrutura do habitat em termos de recursos alimentares e balancear a atividade apícola e conservação/aumento da biodiversidade de polinizadores.

A equipa do “Better-B” irá também avaliar o impacto da «complexidade da paisagem e da contaminação por pesticidas no desempenho das colónias», utilizando métodos de avaliação desenvolvidos e testados no âmbito do projeto “B-Good”, do qual a FCTUC faz parte e que tem como objetivo geral fornecer orientação aos apicultores e ajudá-los a tomar decisões melhores e mais informadas. «Serão avaliados os efeitos de determinados fatores abióticos na sensibilidade a pesticidas, realizando ensaios ecotoxicológicos com abelhas melíferas para avaliação de efeitos letais e sub-letais. A UC é a única instituição de ensino superior em Portugal a realizar este tipo de ensaios», ressalva o docente da FCTUC.

Neste projeto será igualmente avaliado o impacto da Vespa velutina nigrithorax, também conhecida como vespa asiática, nas colónias de abelhas. «Aqui, utilizaremos métodos de monitorização e será uma extensão de dois projetos da UC em parceria com as comunidades intermunicipais das regiões de Coimbra e Viseu-Dão-Lafões», conclui José Paulo Sousa.

O “Better-B” é um projeto financiado pela Horizonte Europa e junta 17 instituições de países como Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Espanha, França, Itália, Noruega, Países Baixos, Polónia, Portugal, Reino Unido, Roménia e Suécia. Universidade de Coimbra - Portugal





segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Timor-Leste - Portugal vai apoiar o país em equipamento de apoio a portadores de deficiência

"Portugal vai dar apoio técnico e espera contribuir na formação em Timor-Leste e em Portugal dos recursos humanos necessários" na área das pessoas com deficiência


Portugal vai dar apoio técnico e financeiro a Timor-Leste na criação de um novo equipamento de apoio a portadores de deficiência a construir na região de Ainaro, a sul da capital, disse esta sexta-feira um responsável português.

O diretor-geral do Gabinete Estratégico de Planeamento (GEP), José Luís Albuquerque, que coordena a cooperação do Ministério do Trabalho e Segurança Social português com Timor-Leste, explicou que o projeto vai ser implementado de forma faseada.

“Portugal vai dar apoio técnico e esperamos contribuir, quer com o apoio do Estado, quer com o apoio de entidades, na formação em Timor-Leste e em Portugal dos recursos humanos necessários, além de algum apoio financeiro para o apetrechamento do equipamento”, disse à Lusa, em Díli.

“Até final de março, vamos desenhar um calendário de implementação. Queremos que os recursos humanos sejam formados antes dos primeiros módulos estarem concluídos e esse é um trabalho que vamos fazer no próximo mês e meio. Esperamos, em março, saber quando esperamos ter o primeiro módulo e com que recursos humanos”, referiu.

Albuquerque falava na reta final da visita de uma equipa técnica que veio avaliar o projeto, da qual fizeram parte duas diretoras da Casa Pia de Lisboa e a vice-presidente do Instituto de Segurança Social, Catarina Marcelino.

“O trabalho da equipa técnica de Portugal também passará por identificar recursos humanos que consideramos importantes ter nesse equipamento”, sublinhou.

O objetivo é que a primeira pedra do projeto possa ser lançada no final de março quando está prevista a visita a Timor-Leste da ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho.

O projeto surgiu na sequência da visita efetuada no ano passado a Portugal pela ministra da Solidariedade Social e Inclusão e vice-primeira-ministra timorense, Armanda Berta dos Santos.

Durante a visita, a governante timorense conheceu vários equipamentos, incluindo a Casa Pita, a CERCICA (Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados de Cascais), e casas de abrigo para vítimas de violência doméstica.

“Gostou muito do tipo de intervenção, quer da Casa Pia, quer das instituições de solidariedade social, e propôs-nos uma missão para conhecer o terreno, considerando que seria importante ter em Ainaro um equipamento desse tipo, direcionado para a área da deficiência”, indicou o responsável do GEP.

Em Timor-Leste, a delegação portuguesa conheceu o espaço previsto para o novo equipamento, no município de Ainaro, contactou com a comunidade e responsáveis locais e visitou ainda outros equipamentos no país, quer de intervenção na área da deficiência, como no apoio a crianças vulneráveis, e a vítimas de violência.

Equipamentos totalmente públicos, com o Centro Nacional de Reabilitação ou geridos por entidades de solidariedade social, adiantou.

“Temos em Portugal várias experiências de gestão dos equipamentos, completamente público, completamente da sociedade civil, com apoio o Estado ou equipamentos públicos que são geridos pela sociedade civil a quem o Estado entrega essa gestão”, referiu.

“O Governo timorense ainda não decidiu como vai ser feita essa gestão, neste caso. A nossa preocupação é que valências devem ser possíveis no curto, médio e longo prazo”, notou.

“É impossível fazer tudo de imediato, mas essa ambição que Timor-Leste tem de ir construindo módulos e ajustando ao longo do tempo é também defendido por nós. A Casa Pia tem quase 250 anos e quando se iniciou não tinha as respostas brilhantes que hoje tem e que contribuem para o empoderamento daquelas crianças e jovens e para a sua inserção na sociedade, inserção também profissional”, referiu.

Entre 2002 e 2021, a cooperação do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social português canalizou para Timor-Leste mais de 18 milhões de euros para mais de 30 projetos e iniciativas em todo o país.

Centradas no combate à pobreza, as iniciativas incluíram apoio a duas dezenas de equipamentos, beneficiando no total quase 30 mil pessoas anualmente.

Entre as extensas áreas abrangidas contam-se apoio socioeducativo de crianças e jovens, apoio alimentar, formação, apoio social à educação, saúde, apoio domiciliário, língua e bibliotecas, internatos, alfabetização de adultos e animação comunitária e apoio a populações vulneráveis, incluindo doentes com tuberculose e HIV.

Progressivamente e ao longo dos anos, as autoridades timorenses têm vindo a assumir uma cada vez maior percentagem das despesas com os projetos.

Muitos dos projetos funcionam em locais onde a presença do próprio Estado é ainda escassa, em regiões isoladas ou em zonas onde há carências significativas, quer de equipamentos, quer de soluções de apoio às comunidades. Vários projetos são considerados pioneiros e referências nesta área. In Observador” – Portugal com “Lusa”


Internacional - Cientistas recorrem a metamateriais para criar aplicações inovadoras que mitiguem o impacto negativo do ruído e das vibrações

Desenvolver aplicações acústicas e mitigar os problemas de ruído e de vibrações na indústria, edifícios ou meios de transporte, através da utilização dos metamateriais é o objetivo do METAVISION, um projeto internacional em que participa o Departamento de Engenharia Civil (DEC) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

Afinal, o que são metamateriais? «São materiais cujas propriedades vão para além do que se pode encontrar na natureza», começa por explicar Luís Godinho, coordenador do projeto na FCTUC, esclarecendo que, «na verdade, são materiais artificiais, modificados ou criados de forma a apresentar certas propriedades específicas, desejadas para uma determinada aplicação. No caso da acústica e vibrações, procuramos tirar partido de conceitos como o de ressoador acústico ou mecânico, ou de elemento absorsor de energia para criar estruturas cujo comportamento como um todo apresenta desempenhos de proteção muito além dos esperados ou observados num material isolado».


O METAVISION é um projeto que se dedica à formação de novos doutorados na área específica dos metamateriais para aplicações acústicas e mitigação de vibrações. Segundo o também docente do DEC, pretende-se formar uma nova geração com competências específicas neste tipo de soluções inovadoras, permitindo que, durante o decorrer destes doutoramentos, sejam desenvolvidos novos métodos de design e análise para ampliar o desempenho e a aplicabilidade dos metamateriais.

Assim, esta investigação «procura conciliar duas tendências conflituantes. Por um lado, sabemos que a população se tem tornado cada vez mais consciente do impacto negativo da exposição excessiva ao ruído e às vibrações na saúde. Sabemos, também, que as soluções atuais de mitigação deste problema ainda exigem elementos muito pesados ou com grande volume de material para serem viáveis e eficientes em aplicações práticas, principalmente para frequências mais baixas» afirma o investigador.

No entanto, acrescenta, «cada quilo de massa retirado da cadeia logística tem de facto um benefício económico e ecológico direto, pelo que há todo o interesse em minimizar a massa/volume de material a usar em soluções práticas de engenharia de controlo de ruído e vibrações. Há, por isso, uma forte necessidade de soluções de materiais compactos e de baixa massa com excelentes características face ao ruído e vibrações, para as quais surgiram recentemente os chamados metamateriais e que têm demonstrado imenso potencial».

De acordo com Luís Godinho, este projeto reúne universidades, institutos de investigação e indústrias de pequena e grande dimensão dos setores da produção industrial, construção, transportes e equipamentos, com experiência relevante para criar o ambiente colaborativo de investigação e inovação necessário para levar os metamateriais de conceitos puramente académicos para a sua manufatura em larga escala. Portanto, a preocupação central do METAVISION é a aplicabilidade industrial das novas soluções de controlo de ruído e vibrações, abrindo caminho para uma Europa mais silenciosa e mais verde.

No âmbito deste estudo serão desenvolvidas 11 linhas de investigação específicas, culminando em projetos demonstradores industriais onde se implementarão muitos dos conceitos explorados. No caso da FCTUC, a equipa, da qual fazem ainda parte Andreia Pereira e Paulo Amado Mendes, também docentes do DEC, estará ligada a três das linhas de investigação definidas neste projeto, coordenando duas delas e participando na terceira.

«Nestas duas linhas que coordena, a equipa pretende desenvolver novos conceitos de soluções modulares de mitigação de ruído através de estruturas periódicas à base de betão leve, com especial interesse na criação de uma solução modular, inovadora e industrializável, e um conceito para melhoria do isolamento sonoro em edifícios baseado em micro ressoadores acoplados a painéis leves, que pode permitir uma melhoria significativa do desempenho acústico de muitas soluções técnicas de paredes leves. Já na terceira linha, apoiará o desenvolvimento de um novo conceito de ventilação para edifícios com elevada atenuação sonora, ajudando a mitigar um problema muito relevante nos nossos edifícios», finaliza o professor do DEC.

Este projeto, financiado pela Comissão Europeia, da tipologia Marie Skłodowska-Curie Actions (MSCA) – Doctoral Network, é liderado pela Universidade Católica de Leuven (Bélgica). Além da UC, envolve o Centre National de la Recherche Scientifique (França) e diversas empresas, designadamente, a Siemens Industry Software NV, a Materialise NV, a Metacoustic e a Phononic Vibes SRL. Conta ainda com um conjunto de empresas e entidades parceiras que apoiam e dão suporte ao projeto, entre as quais a Mota Engil Engenharia e Construção. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Portugal - Cientistas estudam novos planos de emergência para proteção das populações em risco em caso de incêndio


Em caso de incêndio florestal, é altamente complexa a missão de decidir quando e como retirar as pessoas em risco, pois implica múltiplos fatores. Para ajudar as entidades competentes, uma equipa da Universidade de Coimbra (UC), em colaboração com a Escola Nacional de Bombeiros (ENB) e o Centro de Inovação e Competências da Floresta (SERQ), está a estudar novos planos de emergência para as comunidades, considerando os mais diversos cenários.

Trata-se do projeto “EVACUAR FLORESTA - Decisões e Planos de Evacuação em Cenários de Incêndio Florestal”, que tem como objetivo principal criar um sistema de apoio à tomada de decisão, «para a proteção da comunidade em risco em caso de incêndio rural e ainda mitigar problemas no contexto de uma evacuação. Para os incêndios urbanos já existem planos de evacuação desenvolvidos, mas o mesmo não acontece nos incêndios florestais», diz Aldina Santiago, coordenadora do estudo e docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

Atualmente, fundamenta, o que existe para o suporte à tomada de decisão «é muito reduzido em termos técnicos e científicos e depende em muito da sensibilidade do comandante no teatro das operações. Muitas das vezes, esta escolha é criticada, ou porque é feita de forma muito antecipada ou porque é feita de forma tardia». Assim, o resultado final do projeto, que conta com 270 mil euros de financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), é apoiar as entidades governamentais e locais «na proteção das pessoas envolvidas, criando indicações específicas sobre a forma e mecanismos a utilizar para proteger e tornar mais resiliente cada uma das comunidades, face às suas particularidades e desenvolvimento do incêndio. A proteção das pessoas de uma determinada comunidade tem de ser pensada e discutida muito antes dos incêndios; as possíveis soluções têm de estar acauteladas através de planos de emergência e evacuação; a evacuação parcial ou, em casos extremos, total é uma dessas soluções, mas não é a única».

Numa primeira fase do projeto, iniciado há um ano e que se estende até 2023, os cientistas focaram-se na caracterização e estudo do que já existe no que respeita a estratégias associadas à proteção das pessoas em cenário de incêndio rural, não só em Portugal, mas também em outros países que são fustigados pelos fogos florestais, como, por exemplo, Espanha, Itália, Grécia, Austrália e EUA (Califórnia). 


Nesses estudos, os cientistas observaram que «se antigamente a política era “ficar em casa e esperar”, atualmente começa a optar-se por evacuações preventivas. Portugal começa também a seguir esta estratégia, ou seja, nos últimos anos, a estratégia de proteção tem vindo a alterar, em resultado do paradigma dos incêndios atuais (incêndios de grandes proporções e que facilmente se propagam à interface urbano-floresta)», indica Aldina Santiago.

A equipa tem, também, efetuado trabalho de campo junto das comunidades escolhidas para casos de estudo, nos concelhos da Lousã e Sertã. No caso do município da Lousã, foram escolhidas as localidades de Cerdeira e Cabanões. Segundo a coordenadora do projeto, estas escolhas não foram «aleatórias, foram consideradas as suas especificidades. Cabanões é uma localidade isolada, de difícil acesso, com uma população reduzida (menos de 25 pessoas), envelhecida e com algumas limitações de mobilidade; já a Cerdeira, é uma localidade com componente turística significativa, com uma população muito variável, tanto ao longo da semana, como ao longo do ano. É difícil saber quantas e onde as pessoas estão nesta localidade e na sua envolvente; esta incerteza é sem dúvida um dos fatores que dificulta a proteção destas pessoas em caso de incêndio».

Em paralelo, com recurso a métodos numéricos avançados, a equipa está a trabalhar em modelos que permitem simular a propagação do incêndio e a evacuação das pessoas. «Estas simulações estão a ser calibradas com dados de incêndios reportados na literatura, mas esperamos vir brevemente a simular os incêndios ocorridos nas últimas semanas em Portugal. Cruzando resultados, conseguimos estudar o impacto de possíveis soluções, possíveis alternativas para proteção», esclarece Aldina Santiago.

Os sistemas de modelação e simulação de evacuação «são ferramentas essenciais para planeamento e tomada de decisão. Durante a evacuação e o incêndio, o comportamento das pessoas também é um fator determinante; o que as pessoas fazem, e quando o fazem, depende muito da distribuição no espácio-temporal dos eventos num cenário de catástrofe, sendo a educação da população para esta temática igualmente determinante para o sucesso deste processo», conclui. Universidade de Coimbra - Portugal