Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 4 de junho de 2026

Brasil - Jornalista da Folha de São Paulo em reportagem especial durante doze dias no Irão

A Folha de São Paulo tem um pioneirismo: foi o primeiro grande jornal brasileiro a enviar uma correspondente ao Irão, logo depois dos ataques dos Estados Unidos e Israel. Trata-se da colega Patrícia Campos Mello, repórter especial, que ficou 12 dias no Irão.

Essa reportagem foi importante por levar aos leitores da Folha uma visão neutra, jornalística, de um país sobre o qual se criaram mitos, existindo muita curiosidade sobre a real situação das mulheres e sobre a estrutura política de governança no país. A atual guerra dos EUA e Israel contra o Irão tem dificultado uma fria avaliação do país entre os progressistas brasileiros, mesmo porque o Irão faz parte do Brics e se inclui entre os países antiimperialistas ou antiocidentais, embora muito diferenciados, do Sul Global.

Nem todos puderam ler a série de reportagens publicada pela Folha, mas o  Uol ao convidar Patrícia para uma entrevista, um tanto curta, permitiu se fazer uma ideia resumida do Irão e sua estrutura político-religiosa. E, ao mesmo tempo, com base nos comentários e críticas publicados online, pode-se ter uma ideia de como o público ia reagindo no decorrer da entrevista.

Até agora, certos canais e redes sociais vinham favorecendo a ideia de uma república iraniana com eleições e minimizando a questão da situação das mulheres em termos de direitos humanos, realçando ser um país onde as mulheres são bem escolarizadas e ocupam posições importantes nas estruturas do país. A ideia de ser uma teocracia, para não dizer ditadura religiosa, e de ter um ditador com amplos poderes é sempre descartada mesmo nos canais de esquerda.

Uma exceção foi a entrevista, no canal Opera Mundi, de Breno Altman com a historiadora e escritora Arlene Clemesha, na qual se fica sabendo que, o 12. imã xiita iraniano, infalível e escolhido por Deus, foi substituído pelo aiatolá Líder Supremo, numa teocracia fundamentalista patriarcal, na qual as mulheres são secundárias e não chegam aos postos de comando.

Nem todos os comentários elogiaram ou aprenderam com as informações trazidas do Irão por Patrícia, principalmente quando ela acentuou ser "um governo que oprime as mulheres" ou quando lembrou ter havido, em 2022, uma revolta principalmente feminina depois da morte da jovem curda iraniana Mhasa Amini, por não usar o hijab ou o véu cobrindo os cabelos. "Não é super-tranquilo ser mulher no Irão, existem muitas leis, como no divórcio, que são repressivas".

O lado positivo de ser mulher, para Patrícia durante sua reportagem, foi uma maior facilidade para ter acesso às mulheres e famílias locais, nem sempre usando o véu nos cabelos. "Havia muitas restrições para fazer a reportagem, lá não existe liberdade de imprensa. Há mesmo um jornalista japonês preso, desde janeiro, por estar cobrindo os protestos contra o governo". Sabendo haver jornalistas presos, ela tomou a decisão com a redação da Folha, de só serem publicados os textos mais sensíveis da reportagem - sobre Internet, censura ao governo, condição das mulheres - quando já estivesse de volta no Brasil.

"Enquanto eu estava lá, fui alertada por alguns recados recebidos, que me deixaram preocupada, pois não estava acostumada com isso, quando publiquei sobre a inflação e a vida difícil das pessoas. Diante disso é que decidimos segurar os textos mais sensíveis. Eu fiquei com medo, é um país em guerra e não é um país democrático".

Josias de Souza quis saber se a guerra reforçou o nacionalismo iraniano. Patrícia acha que sim, "a tentativa de mudança de regime pelo regime Trump saiu pela culatra. Não há uma pesquisa de opinião, mas na parcela que apoia o governo, que é grande, toda noite existem manifestações, principalmente das camadas religiosas. Essas pessoas estão muito mobilizadas, a guerra incentivou o patriotismo e o nacionalismo.

Existe uma parcela que se opõe ao governo, difícil de calcular o tamanho, mas eles estão com medo. Ainda que essas pessoas sejam contra o governo não irão apoiar os EUA e pedir para que venham ajudar".

Continua no Irão a interrupção do acesso à Internet. É o mais longo bloqueio à Internet, 80 dias, já registrado num país. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins, jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

 

sábado, 27 de dezembro de 2025

Internacional - Relatório aponta para queda histórica da liberdade de expressão no mundo

Dados alarmantes incluem crescimento de 63% da autocensura entre jornalistas e diminuição de 37% na liberdade académica e artística. A Unesco alerta para a impunidade em assassinatos de profissionais da imprensa, havendo tendências positivas que abrangem a ampliação do acesso a redes sociais e fortalecimento do jornalismo de investigação

A liberdade de expressão chegou ao nível mais baixo em décadas, após uma queda de 10% em comparação a 2012. Os dados são da Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura, Unesco.

O declínio é comparável apenas ao observado na Primeira Guerra Mundial, no período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial e ao final da década de 1970, durante a Guerra Fria.


Maior controlo sobre os meios de comunicação

O relatório sobre as tendências globais da liberdade de expressão e do desenvolvimento dos meios de comunicação abrange o período de 2022 a 2025. O estudo alerta para um aumento alarmante da autocensura entre jornalistas, com crescimento de 63%, a uma média de cerca de 5% ao ano.

Esta tendência é um reflexo do crescimento de 48% no controlo de meios de comunicação por governos e grupos poderosos e de uma maior incidência de vigilância digital e leis restritivas, que tornam a reportagem independente cada vez mais difícil.

Também foi observada uma queda de 37% na liberdade académica e artística, mostrando que o problema vai além do jornalismo.

Aumento de ataques contra jornalistas

Os profissionais da comunicação sofrem risco significativo de morte no exercício da profissão. Entre janeiro de 2022 e setembro de 2025, 310 jornalistas foram mortos, sendo 162 deles em zonas de conflito.

Embora tenham ocorrido avanços modestos, com a taxa de impunidade caindo de 95% em 2012 para 85% em 2024, a maioria dos responsáveis por estes assassinatos segue sem punição.

Os ataques a jornalistas incluem violência física, ameaças digitais e perseguição judicial. Muitos são forçados a deixar os seus países. Desde 2018, mais de 900 profissionais do setor na América Latina e no Caribe foram obrigados a exilar-se.

Repórteres do meio ambiente estão entre os mais expostos. Cerca de 70% deles relatam ter sido atacados por causa do seu trabalho. Foram 749 ataques entre 2009 e 2023, com aumento acentuado nos últimos anos.

O assédio online também cresceu globalmente, afetando de forma desproporcional as mulheres. Um novo estudo do Centro Internacional para Jornalistas revelou que 75% das jornalistas e trabalhadoras da mídia sofreram violência online relacionada com o trabalho em 2025, em comparação com 73% em 2020.

Tendências positivas

Apesar do grave retrocesso global na liberdade de expressão, o relatório identifica avanços importantes. Entre 2020 e 2025, mais 1,5 mil milhão de pessoas passaram a ter acesso a redes sociais e plataformas de mensagens, ampliando as possibilidades de participação cívica em todo o mundo.

O jornalismo de investigação colaborativo também ganhou força no período, resultando num aumento de grandes reportagens transfronteiriças. Equipas dedicadas à verificação de factos fortaleceram-se em diversos veículos de imprensa.

Além disso, leis que reconhecem os meios de comunicação comunitários vêm se multiplicando globalmente, ajudando a preservar uma fonte vital de informação local.

A Unesco pede aos países que protejam e invistam no jornalismo para promover sociedades pacíficas. Para a agência, a defesa do jornalismo livre e independente deve ser reconhecida como uma prioridade. ONU News – Nações Unidas


quinta-feira, 19 de junho de 2025

Jornal suíço deixa papel para ser só digital

Não é novidade, é uma tendência englobando toda imprensa escrita, mas a notícia tem espaço garantido nos jornais suíços, porque se trata de uma primeira transição importante do papel ao online no mundo do jornalismo suíço.

Assim, o jornal Le Temps, editado em Genebra, dá grande destaque na página de Economia e Finanças à decisão da empresa proprietária do jornal "20 Minutes" de renunciar à sua edição diária em papel, mantendo a partir de setembro só a edição online.

Embora se trate de um jornal de grandes tiragens e trilíngues, tem a particularidade de ser gratuito e ter o formato de um tabloide, colocado à disposição do público nas galerias, supermercados e nos pontos centrais de transporte coletivo. Pode também ser lido gratuitamente no celular ou no computador.

A quase totalidade dos jornais já podem ser lidos também online, com a vantagem de alguns permitirem aos seus assinantes o acesso à atualização dos textos já publicados e o acesso aos noticiários preparados para a próxima publicação em papel, porém já se constatou por pesquisas juntos aos leitores haver um grande número de analfabetos numéricos.

Cerca de 25% das pessoas confessam ter dificuldade para acessar no celular ou no computador os noticiários do dia. Esse percentual é bem maior, por volta de 45% ou quase o dobro, entre as pessoas com mais de 75 anos, acostumadas ao contato do papel e incapazes ou simplesmente desinteressadas em procurar numa tela online as informações diárias. Nisso a Suíça está em atraso com relação aos países nórdicos.



O jornal "20 minutes", cujo título sintetiza o tempo necessário para ser lido, mostrava a vontade dos editores, o grupo TX, de propor, em 1999, um jornal de leitura rápida e acessível, para ser lido no trajeto de casa ao trabalho ou numa pausa. Editado nos três idiomas suíços, alemão, francês e italiano, tem até setembro, quando deixará de ser impresso, uma tiragem total de 500 mil exemplares. Paralelamente, o número de seus leitores online é calculado em 3 milhões.

A queda das rendas proporcionadas pelos anúncios publicitários vinha se acentuando nos últimos três anos, comprometendo o custo do papel, impressão e pessoal gráfico. Com a supressão dessas despesas haverá também a centralização de três redações com uma centena de demissões, incluindo-se jornalistas a tempo integral e colaboradores. 

Num futuro próximo, essa opção pela versão online para esse tabloide suíço acabará sendo adotada por muitos jornais, com o envelhecimento de seus leitores tradicionais, mesmo porque a tendência dos jovens leitores será a de utilizar a versão digital, além de ser a mais ecológica, respeitadora do meio ambiente: sem o uso do papel muitas árvores deixarão de ser sacrificadas.

O pesquisador Linards Udris, da Universidade de Zurique, afirma não ser grave o fim do 20 Minutes em papel. "Depois de uma pesquisa na Suíça alemã entre leitores do jornal, apenas 11% declararam ler 20 Minutes em papel. Os demais já se habituaram a ler online".

De acordo com o pesquisador, 20 Minutes é um jornal popular sobre as atualidades, lido por um público apressado e não exigente, numa média diária de 3 milhões de leitores, na sua versão digital. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu “Dinheiro Sujo da Corrupção”, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, “A Rebelião Romântica da Jovem Guarda”, em 1966. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

sábado, 6 de abril de 2024

Cabo Verde - Segunda edição do livro “A Imprensa Cabo-Verdiana: 1820 – 1975” foi dada à estampa na Cidade da Praia

Cidade da Praia - O livro “A Imprensa Cabo-Verdiana: 1820 – 1975”, do historiador João Nobre de Oliveira, foi apresentado no Palácio da Presidência da República pelo escritor e antropólogo Brito Semedo, como “um trabalho enorme de pesquisa, recolha e organização”.


O documento, cujo trabalho foi organizado pela Ilhéu Editora, de Germano Almeida, foi reeditado na sua segunda edição, “revista e ampliada pelo autor” já que a primeira dada à estampa em 1998 estava esgotada no mercado.

Foi actualizado pelo seu feitor, que deixou a obra pronta para ser publicada quando faleceu, "dada a dificuldade encontrada para colocá-la na gráfica".

De formato ligeiramente superior a A5, com 937 páginas e publicada pela Imprensa de Cabo Verde, com o patrocínio da Presidência da República, o livro foi referenciado pelo seu apresentador como uma “obra extraordinária, do único historiador que trabalha sobre a história da imprensa cabo-verdiana”.

Brito Semedo enalteceu a importância e a relevância deste livro para qualquer pessoa que queira estudar, na perspectiva da história, da política, da imprensa no campo jornalístico, no da literatura e dos autores, ressalvando que o livro traz todos os periódicos publicados nesse período e organizado para permanentemente se consultar.

“É um livro que não é para se ler de seguida. É um livro para se ir vendo, para se consultar e para se pesquisar. Eu tenho um que havia sido público antes, capa dura e capa mole, que eu consulto com regularidade e agora vai-me acrescentar as informações que terão faltado na edição anterior. Vale a pena ter esta edição”, explicou.

Enquanto isto, Germano Almeida, prefaciador desta segunda edição, (a primeira edição teve o prefácio do presidente António Mascarenhas Monteiro), referiu que se trata de um documento “extremamente importante para Cabo Verde”, assegurando que retrata o resumo da imprensa cabo-verdiana e dá a conhecer a imensidade da história de Cabo Verde.

“É um grande prazer para nós editora e uma grande utilidade para nós os cabo-verdianos, porque nós precisamos conhecer a nossa história e este livro é extremamente útil neste aspecto”, realçou Almeida, que apresentou João Nobre de Oliveira como um funcionário que foi discreto e trabalhava em casa nas horas vagas.

O autor de “A Imprensa Cabo-Verdiana: 1820 – 1975”, segundo Germano Almeida, “Prémio Camões em 2018”, trabalhou em Macau, escreveu o seu primeiro livro sobre a “Genologia das Famílias Cabo-verdianas” era um estudioso da sociedade cabo-verdiana e um dos valores da história cabo-verdiana que merece uma homenagem mesmo que a título póstumo. In “Inforpress” – Cabo Verde

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Guiné-Bissau - Atribuição da carteira profissional é única solução para combater o fenómeno “jornalismo político”, diz António Nhaga

Bissau - O Bastonário de Ordem dos Jornalistas da Guiné-Bissau (OJGB) disse que, a única solução para combater o fenómeno “jornalismo político” é começar a classificar a classe jornalística através de atribuição da carteira profissional de jornalismo.

António Nhaga falava numa entrevista à ANG sobre o fenómeno “jornalismo político” que está a ganhar espaço dentro da classe jornalística guineense, no qual lamentou e condenou adesão progressiva e cada vez mais dos profissionais aos partidos políticos, num país onde as pessoas já têm ideia do é jornalismo.

Disse que, como se não basta, o subsídio da cobertura jornalística nos trabalhos do jornalismo constitui o maior problema do fenómenoʺ jornalismo partidário”.

Sublinhou que neste momento nem a Ordem, nem o Sindicados dos Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social têm poder de resolver esta questão, a não ser por meio de atribuição da carteira profissional e em caso da violação das condutas deontológicas que lhe seja retirada a carteira.

“Como ainda não há carteira profissional e a nossa profissão é aberta e onde qualquer pessoa no nosso país é jornalista, neste momento a Ordem dos Jornalistas está um pouco fragilizada no sentido em que por mais que falamos ninguém nos dá ouvidos”, explicou

Pediu ao Presidente da República para promulgar a lei de atribuição da carteira profissional e consequentemente a sua publicação no Boletim oficial e entrar em vigor.

O Bastonário acrescentou que, se o referido documento entrar em vigor vai permitir classificar os jornalistas com emissão de carteiras profissionais, adiantou que, esta é a solução imediata, fácil e consistente para resolução do problema.

Para aquele responsável, enquanto não existir a forma de como sancionar jornalistas, não se pode travar essas práticas de ser assessor de imprensa ao mesmo tempo jornalista e militante dos partidos políticos.

António Nhaga salienta que, estas situações não dignifica a classe e que os jornalistas guineenses estão a abrir portas para que a Federação Internacional dos Jornalistas e as pessoas que estão fora do país a ouvir que um jornalista foi espancado não vão acreditar, porque vão dizer que jornalistas na Guiné-Bissau fazem política.

Realçou que, os jornalistas têm de ser independentes e na sociedade democrática como esta que querem na Guiné-Bissau, o jornalista deve ser uma pessoa do bem e fala a verdade.

ʺUm jornalista não pode dizer que é uma pessoa de bem e estar no partido político e nem pode dizer que está a falar a verdade, porque quando entra num partido tem que alinhar com estatuto do mesmo onde não vai pôr nada contra esse partido.” Disse

Nhaga disse que, não há explicação para um jornalista inscrever-se no partido político, sabendo que esta profissão é nobre e não quer misturas, sustentando que o jornalista é como professor na sociedade que deve ter uma conduta exemplar.

Afirmou por outro lado que, o maior perigo deste fenómeno é a desacreditação da classe jornalística de uma vez por todas, onde ninguém mais vai acreditar no jornalismo guineense.

Considerou que, a solução viável e imediata para resolução este problema, para além da emissão da carteira profissional era bom que a Direção dos Órgãos de Comunicação Social tenha capacidade de poder identificar e se for necessário convocar uma reunião para advertir todos os jornalistas de que quem for apanhado com cartão de militância do partido vai ser expulso por justa causa, uma vez que partido e jornalismo são incompatíveis. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau

 

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Macau - Bicentenário do jornal “Abelha da China”

Em Lisboa:

Os 200 anos da criação do primeiro jornal de língua portuguesa em Macau serão celebrados na próxima segunda-feira no Centro Científico e Cultural de Macau com uma conferência que contará com uma série de investigadores e historiadores ligados à RAEM, como é o caso de Tereza Sena, Jorge Arrimar ou Cátia Miriam Costa, entre outros. Será ainda lançado o livro “A Abelha da China nos seus 200 Anos: Casos, Personagens e Confrontos na Experiência Liberal de Macau”


O primeiro jornal em língua portuguesa de Macau foi criado há 200 anos e chamava-se “A Abelha da China”. Para celebrar a efeméride, que marca o início da presença da imprensa em português no território, algo que perdura até aos dias de hoje, o Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) acolhe, na próxima segunda-feira, uma palestra que conta com vários investigadores e historiadores ligados ao território que vão apresentar as diversas perspectivas históricas e políticas de um jornal ligado aos ideais liberais de 1820.

Ao HM, o académico Duarte Drumond Braga, um dos coordenadores do projecto, explicou a importância de celebrar esta data. “É o primeiro jornal de Macau e o primeiro de uma longa linhagem que continua até hoje. Ele está ligado ao movimento Liberal e a alguns partidários desse movimento em Macau, além de que era um jornal com uma orientação política bastante marcada nesse sentido. Penso que vale a pena ser celebrado.”

O painel de oradores conta com intervenções de Tereza Sena, historiadora e ex-residente de Macau, que apresenta o painel “Ascensão social e política de um natural de Macau durante o Liberalismo: António dos Remédios (ca.1770.-1841) – o primeiro passo”. Destaque ainda para a presença de Jorge Arrimar, poeta ligado a Macau que vai falar sobre a ligação do Ouvidor Arriaga, importante figura política do território à época e “um dos grandes inimigos” d’A Abelha da China, recordou Duarte Drumond Braga. “Ele era a figura mais poderosa de Macau nessa altura e partidário de um grupo rival às pessoas que estavam ligadas ao jornal.”

O programa inclui também a participação de Jin Guoping, do Instituto de Macauologia da Universidade de Jinan, em Cantão, e também ligado ao Centro de Estudos de Macau da Universidade de Macau, que abordará o tema “A Abelha da China estudada na Macauologia”.

Duarte Drumond Braga entende ser muito provável que o jornal fosse lido “por uma elite” da sociedade. A Abelha da China tinha artigos de opinião mas funcionava também como uma espécie de Boletim Oficial, que só seria criado muito depois. “Eram publicados resumos das sessões do Leal Senado, mas era um jornal que também tinha uma parte literária. Tinha uma posição política forte, porque o grupo liberal [ligado ao jornal] conseguiu chegar ao poder, embora sejam expulsos depois. O jornal também deu depois muitas informações sobre esse processo.”

O coordenador desta iniciativa entende que faltam ainda estudos académicos sobre o jornal. “Há um trabalho muito bom, feito pelo Daniel Pires, que é o ‘Dicionário Cronológico da Imprensa de Macau no Século XIX’, mas que não esgota estes materiais. Não só a Abelha da China como os jornais que começam a aparecer na altura estão ainda por estudar. Agnes Lam [docente na Universidade de Macau], por exemplo, deu um bom contributo, mas faltam ainda alguns estudos.”

Livro lançado

Acima de tudo o programa destaca a criação do primeiro jornal de língua não chinesa “no contexto da Revolução Liberal de 1820 e da primeira formulação do constitucionalismo português”, aponta o texto de apresentação do evento. Marcado, portanto, pelas doutrinas liberais da época, a Abelha da China “foi uma breve mas intensa publicação periódica (1822-23) que veio dar corpo à ideia de que não há verdadeira liberdade sem imprensa e sem a liberdade desta”.

“Plenamente alinhada com os debates do seu tempo, o seu projecto seria tomado por outros agentes políticos. Todavia, o seu legado de insubmissão acabaria por vingar”, aponta a mesma apresentação, que destaca ainda o facto de o periódico defender “uma ideia de autonomia sempre ligada à oligarquia local”.

“Nesse sentido, o jornal mostra também as alianças e os contactos múltiplos que o atravessam: com a China, onde sempre se enraizou, a Metrópole [Lisboa], o Brasil e Goa”.

“Por entre as suas páginas circulam figuras e influências de todas as proveniências, mostrando como Macau se integrava plenamente nos movimentos políticos e culturais do seu tempo, e onde a comunidade chinesa se encontrava ativa face a eles. E daí os casos, as figuras e os confrontos que gravitam em seu torno, e que os ensaios de historiadores e críticos da cultura e do jornalismo dissecam nesta obra”, lê-se ainda.

A sessão de segunda-feira, 12, conta ainda com a apresentação do livro “A Abelha da China nos seus 200 Anos: Casos, Personagens e Confrontos na Experiência Liberal de Macau”, que reúne artigos da autoria dos investigadores Cátia Miriam Costa, Jin Guoping, Jorge de Abreu Arrimar, Pablo Magalhães e Tereza Sena. A obra “tem por foco o primeiro jornal de Macau em língua portuguesa analisado a partir de diversas áreas das humanidades” e inaugura “a nova coleção de livros de História com chancela do CCCM, sendo feita em parceria com a Universidade de Macau”.

Acima de tudo, o livro pretende mostrar “um renovado interesse na história de Macau, na história do jornalismo na China e em língua portuguesa, e também na história sóciopolítica e cultural do território”. Andreia Silva – Portugal in “Hoje Macau”

Em Macau:

A Fundação Rui Cunha e a Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau (AIPIM) vão realizar na próxima segunda-feira, pelas 18:30, uma palestra que visa comemorar os 200 anos da publicação do primeiro número do jornal “A Abelha da China”, que teve lugar no dia 12 de Setembro de 1822.

A palestra decorrerá na Fundação Rui Cunha, tendo como oradores João Guedes, jornalista e autor, e Daniel Pires, professor universitário. A moderação estará a cargo de José Miguel Encarnação, jornalista e presidente da AIPIM.

O lançamento do jornal “A Abelha da China” marcou “o início da imprensa escrita em Macau, tendo posteriormente surgido largas centenas de títulos em Português, Chinês e, mais recentemente, em Inglês”, recorda a Fundação Rui Cunha.

Os promotores da palestra prometem “uma enriquecedora sessão sobre a história de Macau” e o “precioso contributo” do jornal “A Abelha da China”, na “história de todo o jornalismo em língua portuguesa na China, assim como na história sociopolítica e cultural do território”. A sessão será integralmente realizada em língua portuguesa sem interpretação simultânea. A entrada é livre. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau




quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Portugal - Estudantes de jornalismo com motivações altas e expectativas baixas sobre o seu futuro profissional

Uma grande percentagem dos alunos que frequentam os cursos de jornalismo e comunicação em Portugal não acredita na possibilidade de encontrar o primeiro emprego na sua área de formação. Mesmo assim, a motivação para o curso é elevada. A conclusão é de um estudo efetuado por dois investigadores da Universidade de Coimbra (UC).

Um inquérito realizado a 1091 estudantes que frequentaram 38 cursos de licenciatura ou mestrado em jornalismo e comunicação social, em instituições de ensino superior nacionais públicas e privadas, no ano letivo 2020-2021, revela que 65,1% dos alunos consideram totalmente improvável, muito improvável ou improvável encontrar um primeiro emprego no jornalismo. Também 66,6% admitem idêntico tipo de improbabilidade no que se refere a conseguir um contrato laboral estável na profissão e 69,2% consideram o mesmo no que toca à probabilidade de ter um salário condizente com o estatuto e o tipo de tarefas a desempenhar.

Apesar de todas as dificuldades, o estudo, realizado por João Miranda e Carlos Camponez, do Centro de Estudos Interdisciplinares da Universidade de Coimbra, indica que apenas 2,9% dos alunos admitiam a possibilidade de abandonarem o curso para ingressar numa outra área de formação. Estes dados «podem ser tanto mais relevantes quanto apenas 9,9% dos alunos que responderam ao inquérito disseram que não pretendiam trabalhar em jornalismo», afirmam os investigadores.

«Existe um paradoxo entre os alunos que frequentam os cursos de jornalismo e comunicação em Portugal.  Se, por um lado, os alunos demonstram altos índices motivacionais na escolha dos seus cursos, por outro lado, constata-se que as expectativas quanto à sua realização como jornalistas são baixas», notam.

O estudo, que visou caracterizar os jovens que escolhem o jornalismo e compreender as suas motivações, expectativas e perspetivas sobre a profissão, conclui também que, «entre as motivações que levaram os alunos a ingressar nos cursos, se destacam razões como o desejo de desenvolvimento pessoal e profissional, a existência de currículos formativos interessantes ou a vontade de fazerem uma carreira na área da comunicação social».

O inquérito revela ainda que mais de 90% dos inquiridos concordam, concordam bastante ou concordam totalmente com a ideia de que o jornalismo assume as funções de “serviço público”, de “meio de educação” ou de “fórum de discussão pública”. Já no que se refere ao papel dos jornalistas, os inquiridos privilegiam funções como “comunicar informações emitidas pelas autoridades públicas”, “informar sobre os eventos políticos e as suas consequências” ou “informar os consumidores”.

João Miranda e Carlos Camponez consideram que os resultados deste estudo contribuem para «compreender uma realidade multidimensional, que envolve, a título de exemplo, as transformações contemporâneas do jornalismo induzidas pelas tecnologias da comunicação e da informação; os impactes dessas mudanças na função social de mediação do jornalismo; os problemas económicos e socioprofissionais em que está envolvido; enfim, os contextos e os desafios da própria formação em jornalismo».

Dos 1091 inquiridos, 804 respondentes são do sexo feminino. A maioria dos indivíduos que constituem a amostra tem idades compreendidas entre os 18 e os 23 anos.

Os resultados deste estudo estão apresentados no livro “Estudantes de Comunicação Social em Portugal – Expectativas e perspetivas sobre jornalismo”, disponível em formato online. Trata-se de um segundo estudo editado pela Sopcom - Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação. O primeiro foi realizado, no ano passado, pela Rede Interuniversitária de Estudos sobre Jornalistas (RIEJ), sobre o impacto da Covid-19 no jornalismo.

O estudo procurou igualmente identificar os hábitos de consumo de informação jornalística destes estudantes. As respostas revelam «preocupações dos alunos com o acompanhamento regular da atualidade noticiosa, ao mesmo tempo que evidenciam uma forte presença das redes sociais como as suas fontes principais de informação. Apenas 0,9% das respostas não demonstram qualquer tipo de concordância com a ideia de ser fundamental acompanhar as notícias e só 5,4% consideram que os estudantes das áreas de jornalismo e de comunicação social não têm uma obrigação particular de acompanhar a atualidade noticiosa», apontam João Miranda e Carlos Camponez.

No que respeita aos meios a que estes alunos mais recorrem para se manterem a par das notícias, surgem os canais online dos órgãos de comunicação social e os noticiários televisivos: 97,9% e 96,4%, respetivamente, dos alunos inquiridos referem informar-se nestes meios, pelo menos uma vez por semana. Seguem-se depois a rede social “Instagram” e a plataforma “YouTube” – 90,0% e 88,9%, respetivamente, dos inquiridos indicam que consultam estes meios, pelo menos uma vez por semana, como forma de acompanhar a atualidade noticiosa. Apenas 38,5% dos estudantes admitem pagar regularmente por informação jornalística. Universidade de Coimbra - Portugal


terça-feira, 20 de outubro de 2020

Timor-Leste - Jornalista Isaura Lemos vence Prémio Adelino Gomes com reportagem “Rostos da Pobreza”

 


Díli - A reportagem “Rostos da Pobreza em Timor-Leste” de Isaura Lemos de Deus, jornalista do jornal diário Timor Post, venceu o Prémio Adelino Gomes de 2020, um concurso levado a cabo pelo Conselho de Imprensa (CI) de Timor-Leste.

Isaura Lemos foi a primeira vencedora do prémio da categoria de melhor trabalho jornalístico em Língua Portuguesa. A premiada recebeu um troféu, um certificado e 1500 dólares americanos, atribuídos no 45.º aniversário da tragédia dos cinco jornalistas australianos assassinados por tropas indonésias em Bobonaro, conhecida como Balibo Five.

“Estou muito feliz. Não esperava ganhar este prémio”, contou a jornalista, visivelmente satisfeita, à Tatoli.

A reportagem apresenta três “rostos da pobreza” timorense – um catador na lixeira de Tíbar, onde diariamente centenas de pessoas se juntam à procura de algo que possam vender, um idoso que percorre a pé dezenas de quilómetros até Díli carregado de lenha, e uma criança de Oé-Cusse que se vê obrigada a vir para a capital vender ovos para sustentar a família.

Para chegar a esta reportagem que dá voz aos mais carenciados, “àqueles que vemos todos os dias e ignoramos, aos esquecidos”, a jornalista de 34 anos teve de sair de Díli por meios próprios, entrevistar várias fontes, nem sempre disponíveis, e consultar os dados sobre a pobreza ou insegurança alimentar em Timor-Leste.

“Esta reportagem levou duas semanas a construir. Deparei-me com várias dificuldades, nomeadamente as fontes. Saí da cidade para conseguir entrevistar algumas”, contou.

Outra dificuldade foi passar tudo o que viu, ouviu e sentiu para uma língua que não dominava tão bem como o tétum.

“Não é fácil escrever em português e, por isso, tive de ler, ler, ler, não só para alargar horizontes mas também para adquirir mais vocabulário que me permitisse passar tudo para o papel”, afirmou, lembrando a importância da abertura para a aprendizagem e do querer fazer cada vez melhor para se atingir os sonhos.

A jornalista lembra ainda o apoio do Timor Post e do projeto Consultório da Língua para Jornalistas (CLJ), que resulta da cooperação entre o Camões I.P e a Secretaria de Estado para a Comunicação Social. “Não esqueço a ajuda e orientações dos dois formadores do projeto”, acrescentou.

Isaura Lemos encoraja ainda os jornalistas timorenses a tentarem escrever sobre temas que interessem aos leitores e que “deem voz a quem não a tem”, mas também a trabalharem e lerem muito, porque “uma das chaves do sucesso para um jornalista é a leitura”, que lhes permite olhar para um tema através de várias perspetivas.

Recorde-se que o jornalista português Adelino Gomes foi enviado para Timor-Leste com uma equipa da RTP, em 1975, no período após a guerra civil e início da invasão indonésia do país.

O Presidente do CI, Virgílio Guterres, recordou, na cerimónia que assinalou o homicídio dos cinco jornalistas australianos, que são entregues, desde 2017, prémios em várias categorias – os prémios Greg Shackleton, Adelino Gomes, Borja da Costa, Bernardino Guterres e um novo, o Prémio Maria Goretti, que resulta da cooperação entre o Centro Nacional Chega e o CI.

Virgílio Guterres explicou ainda que a avaliação dos trabalhos é efetuada por um júri constituído por sete elementos de associações de jornalistas e académicos, que analisam diversos aspetos.

“O Conselho de Imprensa sente-se um pouco insatisfeito, porque não encontrou nenhum vencedor para o Prémio Borja da Costa, Bernardino e Greg Shackleton. Esperávamos também ter vencedores nestas categorias do Balibo Five, mas não podemos intervir na decisão do júri”, referiu.

Segundo o presidente, a atribuição dos prémios permite valorizar as obras dos jornalistas, incentivando-os e motivando-os, mas também valorizar aqueles que perderam a vida em Timor-Leste.

“Quanto ao Prémio Adelino Gomes, visa promover e desenvolver a qualidade jornalística e a Língua Portuguesa”, afirmou.

O Conselho de Imprensa premiou também o jornal Independente como o melhor órgão de comunicação social e Francisco José de Almeida do jornal eletrónico Neon Metin com o Prémio Maria Goretti, na categoria de jornalismo da paz. Maria Auxiliadora - Antónia Gusmão – Timor-Leste in “Tatoli”

 

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Timor-Leste - Três jornalistas recebem prémio do concurso “Jornalismo em Português”



Díli – Os jornalistas Natalino dos Santos, Aquilina Moniz e Anabela Cortereal receberam hoje prémios do concurso “Jornalismo em Português”.

O objetivo do concurso, que decorreu durante seis semanas, foi promover hábitos de autoaprendizagem, pesquisa e rigor entre os profissionais de comunicação social timorenses.

Em cada semana, cada concorrente, formando do projeto, teve duas tarefas – a primeira incidiu na resolução de exercícios interativos sobre gramática ou léxico e a segunda na resposta a um questionário, que incluía a compreensão oral e da leitura, a escrita e uma pesquisa de dados em português.

O vencedor do concurso, Natalino dos Santos, agradeceu aos professores do Consultório da Língua para Jornalistas a sua disponibilidade e dedicação nos cursos de formação destinados a todos os jornalistas timorenses em Timor-Leste.

“Agradeço aos formadores portugueses o seu empenho na lecionação dos cursos de língua portuguesa em Timor-Leste, que nos ajudaram e motivaram a melhorar os nossos conhecimentos, através do aperfeiçoamento da escrita jornalística em português”, disse o Diretor da Rádio Comunitária de Comoro, Natalino dos Santos.

Também o Secretário de Estado para a Comunicação Social (SECOMS), Merício Akara, endereçou os parabéns aos vencedores. Domingos Freitas – Timor-Leste in “Tatoli”

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Timor-Leste - Associação dos Jornalistas de Timor-Leste e UNESCO realizam formação para jornalistas sobre alterações climáticas



DÍLI – A Associação dos Jornalistas de Timor-Leste (AJTL), em parceria com  a Organização das Nações Unidades para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) realizam uma ação formação destinada a 20 pessoas, entre as quais fazem parte jornalistas, estudantes de comunicação social e elementos de Organizações Não Governamentais, com vista à aquisição de novos conhecimentos relativos à cobertura sobre assuntos associados às alterações climáticas.

A questão associada às alterações climáticas constitui, nesta era da globalização, uma preocupação de todas as pessoas por ameaçar a vida humana e animal, pelo que se exige o envolvimento de todos os intervenientes, principalmente do Estado e Governo no sentido de garantir a preservação da biodiversidade do planeta.

“Nós pedimos aos jornalistas para que deem enfoque ao problema das alterações climáticas que atinge atualmente a planeta. Por isso, desejamos que efetuem coberturas sobre o tema do ambiente para que possam divulgar informações e sensibilizar a população sobre o impacto das alterações climáticas,” disse o Presidente do Conselho de Imprensa de Timor-Leste, Virgílio Guterres, no âmbito da abertura da ação de formação subordinada ao tema Media e Climate Change, que decorreu no Salão de  Associação HAK, no Farol, Díli, nesta quarta-feira.

O presidente do CI destacou a importância desta formação, pois permitirá que os jornalistas possam adquirir novas competências no que diz respeito à cobertura de assuntos relativos às mudanças climáticas que têm afetado a vida das pessoas, em especial nos setores da agricultura e da saúde.

Segundo Virgílio Guterres, as várias instituições que integram os diferentes órgãos de comunicação social reportam, na maioria das vezes, assuntos políticos, em detrimento de temas ligados às alterações climáticas que atinge também Timor-Leste.

Também o Presidente da AJTL, David Hugo, agradeceu, na ocasião, à UNESCO o apoio na realização desta ação de formação.

“Peço a todos os jornalistas que aproveitem esta formação para melhorarem os seus conhecimentos, nomeadamente sobre a forma como fazer coberturas relacionados com a questão das alterações climáticas e os seus efeitos para o ser humano”, disse o presidente.

David Hugo manifestou também o seu desejo de que, após a conclusão desta formação, os participantes possam, por um lado, efetuar coberturas sobre as causas e os efeitos das alterações climáticas e, por outro, sensibilizar a população para a importância de preservar o meio ambiente.

O responsável da AJTL lembrou ainda que os órgãos de comunicação social publicam maioritariamente notícias referentes à política, pelo que entende que esta formação vem na melhor altura, sublinhando a importância da cobertura de assuntos ligados às mudanças climáticas.

Já o assessor da UNESCO para os Assuntos de Comunicação e Informação, Lim Ming Kuok, disse que a organização das Nações Unidas pretende apoiar a AJTL no reforço da capacitação dos jornalistas em relação ao tema em causa.

“Queremos dar esta formação aos jornalistas para que façam também coberturas sobre o tema do ambiente, em particular sobre as mudanças climáticas,” disse.

Todo o material disponibilizado durante a ação de formação, que decorre entre os dias 13 e 16 de novembro, incide sobre tópicos alusivos à questão da preservação da biodiversidade, com destaque para a previsão do tempo, climas e a contribuição do Homem para fazer face às alterações climáticas e seus efeitos.

Os 20 formandos que participam nesta ação de formação são provenientes de instituições de diversos órgãos de comunicação social e jovens universitários. Florêncio Ximenes – Timor-Leste in “Tatoli”

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Timor-Leste - Jornalistas timorenses completam ateliê de jornalismo de imprensa em língua portuguesa

Díli - Quinze jornalistas timorenses receberam certificados de formação do primeiro ateliê de jornalismo de imprensa, no âmbito de um projeto financiado pela União Europeia e implementado pelo Camões para melhorar o escrutínio das finanças públicas.

Na cerimónia de encerramento do ateliê, o secretário de Estado da Comunicação Social timorense, Merício dos Reis Akara, destacou a importância dos 'media' para a "consolidação de uma democracia sólida".

"Este é um caminho que os nossos jornalistas timorenses e outros profissionais da área da comunicação social têm de trilhar para contribuir para a promoção do pluralismo de opiniões de forma consistente e objetiva", afirmou Akara.

"Esta formação, em especial, contribuiu para a capacitação dos jornalistas em matéria de jornalismo de imprensa no âmbito das finanças públicas, cuja formação é fundamental para o crescimento profissional dos nossos jornalistas", disse ainda na cerimónia que decorreu no Centro Cultural da Embaixada de Portugal em Dílí.

O primeiro ateliê de jornalismo de imprensa insere-se nas ações promovidas pela "Parceria para a melhoria da prestação de serviços através do reforço da Gestão e Supervisão das Finanças Públicas em Timor-Leste" (PFMO), projeto cofinanciado pela União Europeia e pelo Camões - Instituto da Cooperação e da Língua (a agência de implementação).

O embaixador de Portugal em Díli, José Pedro Machado Vieira, sublinhou que a formação quer ajudar "a desenvolver a capacidade técnica e operacional dos jornalistas timorenses, especialmente em termos de finanças públicas" e fortalecer a capacidade de cobertura de temas económicos e financeiros.

"Portugal continua empenhado em contribuir para a formação de jornalistas timorenses. Profissionais da comunicação social mais capacitados estarão mais preparados para aceder a fontes de informação, para informar o público sobre os assuntos económicos e financeiros, aumentando o escrutínio do uso dos fundos públicos", disse.

Machado Vieira recordou que a política de cooperação de Portugal com Timor-Leste na área de Comunicação Social tem já mais de 15 anos, com "complementaridade e sinergias" entre as ações bilaterais e as multilaterais, especialmente no caso da União Europeia.

O responsável da cooperação da União Europeia, Simon Le Grand, disse que estas ações de formação são "muito importantes porque o país precisa de jornalistas que saibam escrever e fazer reportagem com boa qualidade".

O presidente do Conselho de Imprensa, Virgílio Guterres, também destacou a importância da capacitação técnica, profissional e intelectual dos jornalistas timorenses, pedindo aos formandos mais empenho.

"É preciso o compromisso pessoal, a vontade pessoal, a vocação pessoal. A excelência da obra depende de uma composição de trabalho excelente, mas também do engajamento dos jornalistas e profissionais, que devem ter uma sensibilidade maior", considerou.

As 60 horas ministradas em língua portuguesa dividiram-se em cinco módulos que incluíram a formação do código deontológico, passando pela escrita, formatos e técnicas da notícia, culminando na criação de uma reportagem jornalística.

A formação foi dada pela jornalista portuguesa Isabel Nery, formadora do Cenjor, e insere-se nas parcerias entre este centro e o PFMO para o fortalecimento dos profissionais de comunicação social em Timor-Leste.

O PFMO é um projeto cofinanciado pela União Europeia, no valor de 12 milhões de euros e pelo Camões IP -- Instituto da Cooperação e da Língua Portuguesa, no valor de 600 mil euros, com o objetivo reforçar o planeamento, a gestão, a auditoria, a monitorização, a responsabilização e a supervisão do uso das finanças públicas em Timor Leste, para uma melhor prestação de serviços públicos.

O PFMO inclui duas componentes, sendo a Componente 2 dirigida ao apoio e reforço ao sistema de pesos e contrapesos dos atores estatais e não-estatais, para o fortalecimento da participação das entidades nacionais no processo de tomada de decisão e supervisão das finanças públicas. In “Sapo Timor-Leste” com “Lusa”

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Federação dos Jornalistas de Língua Portuguesa - Pede libertação de jornalista são-tomense

A Federação dos Jornalistas de Língua Portuguesa (FJLP) defendeu, em carta aberta, o jornalista são-tomense Óscar Medeiros, alvo de uma ação judicial, repudiando "a instauração e o desenvolvimento do processo" e apelou à libertação do réu

"A Federação dos Jornalistas de Língua Portuguesa -- FJLP solidariza-se com o colega Óscar Medeiros, repudia a instauração e o desenvolvimento do processo judicial e roga às autoridades, em especial às judiciárias em São Tomé e Príncipe para que seja encerrado e declarado inocente o jornalista, como medida de JUSTIÇA!" lê-se na nota enviada à Lusa e assinada pelo presidente da direção executiva da organização, Alcimir Antonio do Carmo.

Para a FJLP, a aplicação de processos a jornalistas é "uma clara tentativa de impor censura, de amedrontar os profissionais da imprensa, de querer expor e denegrir a imagem daqueles que têm o dever de fiscalizar, sobretudo autoridades, em defesa do interesse público e da democracia".

Alcimir Antonio do Carmo justificou a missiva com a finalidade de "dar conhecimento público internacional" sobre o processo contra Óscar Medeiros.

Sediada em São José do Rio Preto, estado brasileiro de São Paulo, a FJLP assume-se como uma entidade internacional que defende a liberdade de profissão e de expressão dos jornalistas, reclamando membros filiados em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, assim como em Macau e Goa.

Óscar Medeiros é alvo de uma ação judicial por, em 2012, enquanto diretor da TVS - televisão pública -, ter divulgado uma reportagem com base num relatório de uma auditoria do Tribunal de Contas feita à gestão das contas dos tribunais que apontava inúmeras irregularidades, alegadamente cometidas por quatro magistrados, incluindo o presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), Silva Gomes Cravid.

No trabalho jornalístico, Óscar Medeiros identificou todos os juízes e funcionários dos tribunais, Supremo e de primeira instância, visados pelo relatório como tendo sido os responsáveis por essas irregularidades. Os juízes decidiram processar criminalmente os auditores do Tribunal de Contas e o jornalista, mas depois retiraram a queixa contra os autores do documento

O julgamento foi suspenso pouco mais de uma hora depois de iniciar, tendo sido adiado para dia 15, devido à ausência de testemunhas de defesa.

O advogado de Óscar Medeiros, Adelino Isidro, acredita que a sessão do próximo dia 15 "vai correr muito bem", argumentando que "não há matéria de facto que possa conduzir a uma condenação".

"O meu constituinte limitou-se a escrever uma matéria que já era pública, que é o relatório do Tribunal de Contas, sem qualquer intenção, sem qualquer vontade de manchar ou denegrir os magistrados", sustentou Adelino Isidro.

O Sindicato dos Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social (SJS) e a Associação dos Jornalistas São-tomenses (AJS) apelaram esta quarta-feira aos magistrados e funcionários judiciais do país para desistirem da ação judicial contra o jornalista.

Num comunicado divulgado na quarta-feira, as duas organizações de jornalistas manifestaram "total incompreensão e perplexidade" pelo facto de Óscar Medeiros "continuar a ser alvo de processo judicial", por ter divulgado o conteúdo de um relatório do Tribunal de Contas que expunha várias irregularidades na gestão dos fundos dos tribunais.

A situação provocou uma troca de acusações entre os sindicatos das duas instituições e a interferência do poder político levou os magistrados e funcionários judiciais a retirarem o processo contra os auditores, mas mantiveram-no contra Óscar Medeiros.

O sindicato e a Associação dos Jornalistas São-tomenses "entendem que tendo o cerne da questão radicado no relatório e tendo sido retirada a queixa contra os auditores, perde sentido que os juízes e funcionários judiciais prossigam com a ação cível de indemnização contra o jornalista e contra o Estado são-tomense", indica o comunicado.

No documento de três parágrafos, as duas organizações socioprofissionais apelam ainda à "coerência e ao bom senso" dos magistrados e funcionários judiciais, e "reafirmam a firme defesa dos princípios que norteiam a liberdade de imprensa, os direitos dos jornalistas de informar e o direito do público de ser informado".

A SJS e AJS "denuncia toda e qualquer atitude percetível como intimidação, coação e perseguição dos jornalistas no exercício das suas funções".

Fonte judicial disse à Lusa que o jornalista é acusado do crime de abuso de liberdade de imprensa, injúria e difamação, punível com penas de prisão até seis meses ou indemnização.

Óscar Medeiros é correspondente da portuguesa RDP-África e da Rádio Voz da América. In “RTP” – Portugal com “Lusa”