Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Portugal - “Saudade” foi a palavra do ano para a Porto Editora

“Saudade” foi eleita a “Palavra do Ano” de 2020, escolhida por pouco mais de 25% “dos cerca de 40 mil internautas” que participaram na votação ‘online’, anunciou esta segunda-feira a Porto Editora, promotora da iniciativa desde 2009

“Dos cerca de 40 mil internautas que participaram nesta votação, 26,8% escolheram [Saudade], vocábulo tantas vezes associado à alma dos portugueses”.

A votação em “Saudade” superou as de “covid-19” e “pandemia”, colocadas em segundo e terceiro lugar, respetivamente, segundo comunicado do grupo editorial, enviado à agência Lusa.

“Covid-19” ficou em segundo lugar, não muito distante, com 24,4%, seguida de “pandemia”, com 17,03%, segundo a editora.

Fora do pódio ficaram “confinamento”, que conquistou 16,23% dos votos ‘online’, seguida de “zaragatoa” (7%), “telescola” (2,58%), “discriminação” (1,85%), “infodemia” (1,59%), “digitalização” (1,33 %) e, em último lugar, “sem-abrigo” (1,16 %).

Esta foi a 12.ª edição da iniciativa “Palavra do Ano”, e a votação ‘online’ decorreu de 01 a 31 de dezembro do ano passado.

A lista de palavras sujeitas a votação foi construída com base “nas pesquisas efetuadas no Dicionário da Língua Portuguesa, em www.infopedia.pt, no trabalho permanente de observação e acompanhamento da realidade da língua portuguesa, levado a cabo pela Porto Editora”, e nas sugestões feitas através do ‘site’ www.palavradoano.pt, explica o grupo editorial.

Nesta edição, segundo a Porto Editora, houve mais 10.000 votantes do que no ano passado.

A votação em Portugal decorreu em simultâneo com as de Angola e Moçambique, promovidas pela Plural Editores, do Grupo Porto Editora, que divulgará mais tarde os respetivos resultados.

“Saudade”, escolhida em 2020, sucede a “violência [doméstica]” (2019) a “enfermeiro” (2018), “incêndios” (2017), “geringonça” (2016), “refugiado” (2015), “corrupção” (2014), “bombeiro” (2013), “entroikado” (2012), “austeridade” (2011), “vuvuzela” (2010) e “esmiuçar” (2009). In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sábado, 2 de janeiro de 2021

Angola - Plágio leva júri do Prémio António Jacinto 2020 a anular galardão

O júri do Prémio Literário António Jacinto 2020 anulou a atribuição do prémio a Lourenço Mussango por verificar na obra do laureado "confluências morfossintáticas, estruturais e de conteúdo que configuram plágio" de um conto da autoria do escritor brasileiro Paulo Cantarelli, apurou o Novo Jornal



A decisão, que vem explicada numa acta datada de 21 de Dezembro de 2020, é baseada no ponto dois do artigo 3.º do regulamento do referido prémio literário, que determina, entre outros aspectos, que as obras a concurso sejam "inéditas".

O escândalo de plágio «rebentou» em meados de Dezembro do ano passado, quando o brasileiro Paulo Cantarelli, em texto publicado no Facebook, acusou o angolano Lourenço Mussango de lhe ter "roubado" parte do conto «Serena» para compor o «Mulher Infinita», um conto do livro com o mesmo título e com o qual o autor nacional se sagrou vencedor do Prémio Literário António Jacinto.

Contudo, apesar da denúncia pública, o Instituto Nacional das Indústrias Culturais e Criativas, órgão do Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente (MCTA), entidade promotora do prémio, ainda não se pronunciou publicamente sobre o assunto.

E como o regulamento do prémio é omisso quanto ao procedimento a tomar em caso de anulação motivada por plágio, o dossier pode «subir» para os tribunais, até porque, além de o autor brasileiro ter prometido levar o processo às últimas consequências, o MCTA já entregou a Lourenço Mussango o cheque em kwanza equivalente a cinco mil dólares e publicou mil exemplares da obra laureada.

Ao ser declarado vencedor da edição de 2020 do Prémio Literário António Jacinto, cujo júri foi integrado, entre outros membros, por Joaquim Martinho (presidente) e Domingas Monte (secretária), Lourenço Mussango fora elogiado por apresentar um texto "cujo pendor imaginativo e processo criativo e 1993recria, com subtileza, temas e cenários do quotidiano com laivos intertextuais, tendo a mulher como o cerne da narrativa".

O Prémio Literário António Jacinto existe desde 1993 e é destinado a jovens angolanos sem obra. In “Novo Jornal” – Angola

Sobre a atribuição do Prémio Literário António Jacinto 2020 aceda aqui.


sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Literatura brasileira ganha um novo romancista


                                                                 I

Depois de incursionar por outras áreas do pensamento, como poesia, crônicas,  estudos biográficos, História e obras jurídicas, o professor e advogado David de Medeiros Leite (1966), mestre e doutor em Direito pela Universidade de Salamanca, na Espanha, começa agora promissora carreira como ficcionista, com o lançamento de 2020, romance escrito na primeira pessoa, que procura resgatar a vida de um personagem que viveu num convento entre 1963 e 1968.

Esse personagem, José Silvestre de Araújo, nascido e criado em Pedras de Fogo, município da região metropolitana de João Pessoa, capital do Estado da Paraíba, seria levado já moço por um tio para Recife, onde ingressaria numa ordem carmelita, o Convento do Carmo, tradicional estabelecimento religioso de Pernambuco. Lá, teria a oportunidade de tentar concretizar um sonho da infância, surgido depois de ouvir muitas lendas contadas por parentes e conhecidos: encontrar uma botija que estaria enterrada em determinado lugar, escondida por um frade da ordem carmelita.

Escrito em linguagem madura que faz esperar outras incursões do autor na área da ficção, 2020 presta também uma homenagem ao historiador e antropólogo Câmara Cascudo (1898-1986), a quem frei José de Santo Elias, nome religioso do protagonista, recorreria na tentativa de encontrar pistas para localizar a tal botija, que, afinal, nunca seria achada.

Aliás, as ligações do autor com Câmara Cascudo já são antigas, pois, aproveitando o tempo que passou em Salamanca fazendo mestrado e doutorado em Direito, ele conseguiu localizar na Casa-Museu de Miguel de Unamuno (1864-1936) uma carta em  que o historiador potiguar se solidarizava com o pensador espanhol em razão do “banimento” sofrido este por sua oposição à ditadura do general Primo de Rivera (1870-1930), que durou de 1923 a 1930.

No romance também aparece a figura de Dom Hélder Câmara (1909-1999), bispo católico, arcebispo emérito de Olinda e Recife, um dos fundadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e grande defensor dos direitos humanos durante a ditadura militar (1964-1985).

                                                                II

Misturando história e ficção, 2020 recupera também fatos ocorridos em 1968, ano em que houve um endurecimento por parte do regime militar, com perseguições a líderes políticos e homens de pensamento. Mas, a rigor, o romance gira em torno do Convento do Recife, como é mais conhecida aquela instituição, e sobre a presença de carmelitas em Mossoró, município localizado na região Oeste do Rio Grande do Norte, sem deixar de recuperar um fato que até hoje desafia a memória dos mossoroenses mais antigos, ou seja, um crime ocorrido naquele ano de 1968 no Grande Hotel, até hoje nunca esclarecido.

Depois da vida religiosa, Silvestre de Araújo assumiria a profissão de carteiro, viajando, certo dia, a Mossoró para visitar as ruínas da Casa do Carmo, que seria o local onde estaria escondida a botija. Em suas rememorações já como carteiro aposentado, o protagonista não deixaria de recordar as perseguições sofridas pelo acosso do desejo sexual, depois de conhecer Marília, recepcionista de um hotel em Mossoró, diante da promessa que fizera de não romper o celibato.

Em resumo: escrito em estilo leve, que atrai a atenção do leitor deste a primeira linha, 2020 é romance que veio para ficar não só na história da ficção do Rio Grande do Norte, mas da Literatura de expressão portuguesa. E que já foi saudado pelo poeta peruano Alfredo Pérez Alencart, radicado como professor universitário em Salamanca desde 1987, que, inclusive já traduziu para o espanhol um livro de David de Medeiros Leite sobre aquela mítica cidade espanhola.

Do romance do advogado potiguar, “escritor que vai abrindo sua própria senda nos diferentes deltas da literatura”, Pérez Alencart diz que se trata de uma história bem trabalhada, com diálogos bem construídos, com ritmo cadencioso que permite leitura fluída. “Há reflexões que configuram a condição humana em todos os tempos e lugares, como, por exemplo, quando o protagonista comenta: “Ah, a inveja! Quão subjetiva e, por vezes, imperceptível! Depois de um comentário sobre a brilhante homília proferida por nosso Provincial, percebi, na reação de alguns frades, esboços de inveja. O elogio mesclado com ironia deduz inveja, com certeza” (pág. 74).

                                                              III

Nascido em Mossoró, David de Medeiros Leite, graduado em 1999 pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), é também gestor com atuação em diversos cargos na administração pública e professor da UERN desde 2004, onde desenvolve pesquisas, especialmente na área de Direito Público.

Foi pró-reitor de Gestão de Pessoas na UERN e é assessor jurídico da presidência do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte. Foi ainda diretor-científico da Fundação de Apoio à Pesquisa no Estado do Rio Grande do Norte (Fapern). Em 2005, em parceria com o escritor Clauder Arcanjo, criou a editora Sarau das Letras. Além de livros de poemas, tem publicado biografias e livros de crônicas e de História com temas ligados ao Nordeste, em especial à cidade de Mossoró.

É autor de Companheiro Góis – dez anos de saudade, biografia (Coleção Mossoroense, 2001), Os carmelitas em Mossoró, em coautoria com Gildson Souza Bezerra e José Lima Dias Júnior (Coleção Mossoroense, 2002), Ombudsman mossoroense (Sebo Vermelho, 2003), Duarte Filho: exemplo de dignidade na vida e na política, biografia, em coautoria com Lupércio Luiz de, Azevedo (Sarau das Letras, 2005), Incerto caminhar (Sarau das Letras, 2009), Cartas de Salamanca (Sarau das Letras, 2011), Casa das lâmpadas (Sarau das Letras, 2013), Mossoró e Tibau em versos – antologia poética, em coautoria com Edilson Segundo (Sarau das Letras, 2014), Mi Salamanca: guía de un poeta nordestino, com tradução e prólogo de Alfredo Pérez Alencart (2018), Aldemar Duarte Leite: centenário de nascimento, biografia (2018), e História da Liga Operária de Mossoró, em coautoria com José Edílson Segundo e Olivá Leite da Silva Júnior (2018).

Em 2015, lançou Ruminar (Rumiar), livro de poemas em edição bilingue, pela Editora Sarau das Letras, de Mossoró, e Trilce Editores, de Salamanca. Em 2017, publicou ainda Rio de Fogo, coleção de vinte poemas, com 40 fotografias do magistrado Bruno Lacerda que mostram aspectos da cidade de Rio de Fogo, localizada na região Norte do Rio Grande do Norte.

Na área de Direito, é autor ainda de Presupuesto participativo en municipios brasileños: aspectos jurídicos y administrativos (Editorial Académica Española, 2012) e Participação política e cidadania – Amicus Curiae, audiências públicas parlamentares e orçamento participativo, em coautoria com José Armando Pontes Dias Júnior e Aurélia Carta Queiroga da Silva (2018). Adelto Gonçalves - Brasil


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2020, de David de Medeiros Leite., com apresentação de Humberto Hermenegildo, membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras e sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte. Mossoró: Sarau das Letras, 234 páginas, 2020. E-mails: clauderarcanjo@gmail.com davidmleite@hotmail.com

 

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Adelto Gonçalves é doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela USP e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; Publisher Brasil, 2002), Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003), Tomás Antônio Gonzaga (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (Imesp)/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os Vira-latas da Madrugada (José Olympio Editora, 1981; Letra Selvagem, 2015) e O Reino, a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br



terça-feira, 27 de outubro de 2020

Lusofonia - Vítor Aguiar e Silva é o vencedor do Prémio Camões 2020

O professor e ensaísta sucede assim a Chico Buarque como vencedor do Prémio Camões de literatura em língua portuguesa



O professor e ensaísta Vítor Manuel de Aguiar e Silva é o vencedor do Prémio Camões 2020, anunciado hoje pela ministra da Cultura, após reunião do júri.

Aos 81 anos, Vítor Manuel de Aguiar e Silva foi escolhido pelo júri em reconhecimento pela “importância transversal da sua obra ensaística, e o seu papel activo relativamente às questões da política da língua portuguesa e ao cânone das literaturas de língua portuguesa”, lê-se no comunicado divulgado no seguimento da reunião do júri da 32.ª edição do Prémio Camões, que decorreu hoje em Lisboa.

“No âmbito da teoria literária, a sua obra reconfigurou a fisionomia dos estudos literários em todos os países de língua portuguesa. Objecto de sucessivas reformulações, a Teoria da Literatura constitui-se como exemplo emblemático de um pensamento sistematizador que continuamente se revisita. Releve-se igualmente o importante contributo dos seus estudos sobre Camões”, acrescentou o júri sobre a vasta bibliografia do autor da qual se destacam as publicações A Estrutura do Romance (1974), Teoria e Metodologia Literárias (1990) ou Camões: Labirintos e Fascínios (1994).

A ministra da Cultura destaca, por sua vez, as “qualidades intelectuais e académicas, mas também pelo perfil humanista com que marcou de um modo decisivo gerações de alunos, um pouco por todos os lugares onde ensinou, bem como leitores”.

"A sua obra revela o seu apurado sentido crítico e o sempre renovado olhar de leitor", acrescentou Graça Fonseca.

Vítor Manuel de Aguiar e Silva, ensaísta e professor universitário, nasceu em Penalva do Castelo, em 1939. In “MadreMedia / Lusa” - Portugal

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Macau – Festival da Lusofonia tem luz verde

 


O 23.º Festival da Lusofonia, um dos eventos da cultura lusófona em Macau, vai decorrer entre 16 e 18 de outubro, com o programa musical a destacar os grupos artísticos locais

O festival, que se realiza anualmente desde junho de 1998, vai decorrer na zona das Casas da Taipa, onde “grupos artísticos lusófonos de Macau irão proporcionar ao público diferentes géneros de música e dança no palco principal da Festa da Lusofonia e ainda música ligeira no palco instalado no Largo da Igreja do Carmo”, indicou o Instituto Cultural de Macau, entidade organizadora.

“As dez comunidades lusófonas residentes em Macau, nomeadamente de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Goa, Damão e Diu, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e comunidade macaense” vão marcar presença com expositores na zona, nos quais vão apresentar, entre outros, danças, artesanato, petiscos e bebidas típicas dos países e regiões, acrescentou, em comunicado.

O território continua a manter várias restrições devido à pandemia de covid-19, incluindo a proibição da entrada de estrangeiros na região administrativa especial chinesa.

Macau registou 46 infeções causadas pelo novo coronavírus desde o início da pandemia, mas nunca detetou qualquer surto comunitário, não existindo atualmente nenhum caso ativo.

No ano passado, o Festival da Lusofonia contou com a banda portuguesa Anaquim, concertos de Zé Manel, Karyna Gomes, Eric Daro e Miss Bity (Guiné-Bissau), Voz do Crocodilo (Timor-Leste), Grupo RM (Moçambique), Djodje e Banda (Cabo Verde), Puto Português (Angola), Black in White (Goa, Damão e Diu), Banda Leguelá (São Tomé e Príncipe) e DJ Dolores (Brasil).

Devido ao impacto da pandemia, o Instituto Cultural anunciou, na terça-feira, o cancelamento do Desfile Internacional de Macau, previsto para dezembro próximo, evento anual no qual participam habitualmente vários grupos internacionais, incluindo portugueses. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Portugal - Prof. Elvira Fortunato vence prémio europeu Horizon Impact Award 2020

Projeto era o único português entre 10 finalistas



Elvira Fortunato é a vencedora do prémio europeu "Horizon Impact Award 2020". “INVISIBLE”, o único projeto português a chegar aos dez finalistas, foi hoje anunciado como o premiado durante o “European Research and Innovation Days”.

Elvira Fortunato é a vencedora do prémio europeu "Horizon Impact Award 2020". “INVISIBLE”, o único projeto português a chegar aos dez finalistas, foi hoje anunciado como o premiado durante o “European Research and Innovation Days”.

O projeto da cientista e Vice-reitora da Universidade NOVA de Lisboa permitiu desenvolver o primeiro écran produzido com materiais sustentáveis, já comercializado por diversas empresas. Trata-se de uma nova área tecnológica ao serviço de diferentes indústrias, como a impressão a jato de tinta ou os diagnósticos médicos inteligentes. “INVISIBLE” foi desenvolvido no Centro de Investigação de Materiais (CENIMAT), da Faculdade de Ciências e Tecnologia da NOVA, em parceria com a SAMSUNG.

"Horizon Impact Award 2020" distingue os projetos financiados pela União Europeia, no âmbito do programa Horizonte 2020, cujos resultados criaram impacto social na Europa e no mundo. Universidade Nova de Lisboa – Portugal

Veja o destaque da Comissão Europeia:

terça-feira, 22 de setembro de 2020

Macau - Festival Literário Rota das Letras 2020

Numa versão altamente marcada pela pandemia, o festival literário vira-se para dentro e aposta nos autores de Macau. Além da homenagem a Henrique de Senna Fernandes, será celebrado o centenário da publicação de “Clepsydra” de Camilo Pessanha e discutido o impacto do confinamento nos autores locais



A homenagem ao escritor macaense Henrique de Senna Fernandes vai ser um dos pontos altos da edição deste ano do Festival Literário Rota das Letras, que decorre entre 2 e 4 de Outubro. O programa, que inclui também a celebração dos 100 anos da publicação de “Clepsydra”, de Camilo Pessanha, foi apresentado ontem e vai ter uma sessão dedicada à pandemia da covid-19 e aos efeitos do confinamento na criação literária.

A cerimónia que vai celebrar o escritor macaense está agendada para 4 de Outubro, o mesmo dia em que morreu em 2010. Para assinalar a memória de Henrique de Senna Fernandes serão apresentadas as primeiras traduções em chinês e inglês do livro de estreia do autor macaense, “Nam Van – Contos de Macau”. A obra foi publicada pela primeira vez em 1978, em português.

“Uma das principais razões de ser do Festival Literário é a aproximação, através da literatura, das diferentes comunidades de Macau”, justificou Ricardo Pinto, director-geral do Rota das Letras, sobre a escolha.

“Fazemo-lo desta vez dando pela primeira vez a conhecer aos públicos de língua chinesa e inglesa, a obra que revelou Henrique de Senna Fernandes como um exímio contador de histórias”, realçou.

A sessão agendada para as 17h nas Oficinas Navais conta com a participação do filho do escritor, Miguel de Senna Fernandes, que vai publicar o seu primeiro livro de contos.

Ao contrário das edições anteriores do festival, que se prolongavam por mais de uma semana, a pandemia levou a que a organização optasse por uma edição em moldes diferentes. Também o facto de as fronteiras de Macau estarem encerradas a pessoas com nacionalidade estrangeira levou a organização a focar mais a atenção nos autores locais.

“A crise devastadora que se abateu sobre o mundo obrigou-nos a repensar a edição deste ano do Festival, numa perspectiva realista de contenção de custos e de aposta nos talentos locais”, explicou Ricardo Pinto.

“Esta mesma crise, enquanto tema de reflexão para todos nós, não podia obviamente estar ausente da programação do Festival”, acrescentou.

Reflexões sobre a pandemia

Com a aposta a passar pela “prata da casa”, Eric Chau, Wang Feng, Jenny Lao-Phillips e Konstantin Bessmertny são os autores presentes na sessão de abertura, marcada para as 14h30 de 2 de Outubro, na Oficinas Navais. Os autores vão reflectir sobre os efeitos da pandemia para a sociedade, para o futuro e o impacto para as suas futuras obras. “Numa época de crise em que o mundo está dividido em diferentes zonas de bloqueio, a ideologia de ‘Think Global Act Local’ parece ser especialmente relevante”, comentou Alice Kok, directora executiva do Rota das Letras. “Agora é tempo de reforçar a nossa energia criativa e trazê-la para a boca de cena”, considerou.

Depois da sessão de abertura do festival, serão anunciados os vencedores do Concurso de Contos, além do lançamento do livro de poemas “Sétimo Céu”, que conta com a participação de escritores como Jidi Majia, José Luís Peixoto, Gisela Casimiro e Hirondina Joshua.

Na manhã do primeiro dia do evento decorre também a abertura da Exposição de Fotografia ‘Macau, 2020: Tempo de Introspecção’ e o lançamento da revista Zine Photo, da autoria de João Miguel Barros.

A agenda de um primeiro dia muito preenchido termina com uma peça de teatro intitulada “O Momento”, a cargo da Associação de Teatro de Macau Comuna de Pedra, inspirada no romance 1984, de George Orwell.

Sábado foi o dia escolhido para celebrar os 100 anos da publicação de “Clepsydra”, livro que agrega os poemas dispersos do autor que passou a maior parte da sua vida em Macau, onde está sepultado. Os poemas de Pessanha vão ser ditos e cantados num recital dirigido pelo maestro Simão Barreto, numa sessão agendada para as 18h30 nas Oficinas Navais. João Filipe – Macau in “Hoje Macau”

domingo, 14 de junho de 2020

Europa - Madeirense José Tolentino vence Prémio Europeu Helena Vaz da Silva 2020

O cardeal José Tolentino Mendonça venceu a edição deste ano do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Patrimônio Cultural, pelo seu contributo “excecional” enquanto divulgador da cultura e dos valores europeus.

Na atribuição do prêmio, os membros do júri declararam ter ficado “impressionados com a capacidade que Tolentino Mendonça demonstra ao divulgar a Beleza e a Poesia como parte do patrimônio cultural intangível da Europa e do mundo”.

“Queremos homenagear a sua arte de comunicar não apenas através da sua notável poesia, mas também dos seus artigos de opinião publicados na imprensa portuguesa e italiana. Também destacamos a sua forte convicção de que a Igreja não é apenas uma guardiã de seu longo passado, mas que deve estabelecer um diálogo aberto e construir pontes com o mundo da cultura, da arte e do pensamento contemporâneos”, afirmaram.

Reportando-se à atualidade, o júri assinalou que, numa altura em que “a Europa e o mundo se confrontam com uma crise sem precedentes”, é preciso “ouvir as vozes desafiadoras dos principais intelectuais e artistas europeus, como Tolentino Mendonça”, que “devem orientar e inspirar os esforços coletivos para construir uma sociedade mais justa e mais inclusiva, para a Europa e para todo o planeta”.

Reagindo à notícia de que tinha sido o galardoado, José Tolentino Mendonça manifestou-se “muito honrado por esta atribuição”, que ainda mais o “responsabiliza” e que, acredita, “será vivida com alegria pela Biblioteca e o Arquivo Apostólicos do Vaticano”, onde trabalha, “e que constituem um extraordinário exemplo do patrimônio cultural que a Europa construiu e constrói”.

Tolentino Mendonça lembrou que a cidadania europeia é também uma cidadania cultural, e que esta se liga “ao tesouro da memória, à pluralidade das tradições e raízes que, através das gerações, alicerçaram uma identidade e um quadro de valores onde nos reconhecemos”.

“E desafia-nos a não fechar o patrimônio cultural no passado. O patrimônio cultural é um motor indiscutível do presente e só com ele podemos pensar que há futuro”, acrescentou, destacando ainda o facto de o prêmio “ter o nome de uma grande portuguesa e europeia”, Helena Vaz da Silva, o que constitui “como que um suplemento de alegria e de responsabilidade, pois o seu legado representa uma preciosa inspiração para todos”.

Tolentino Mendonça presidiu este ano as comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Na sua intervenção alertou para a situação mais vulnerável dos mais velhos, mais expostos à pandemia, dos mais novos, sujeitos a diferentes crises, pondo em causa os seus projetos de “autonomia social”, dos migrantes e de todos os que constituem as periferias e que não podem ser esquecidos.

“O desafio da integração é imenso, porque se trata de ajudar a construir raízes. E essas não se improvisam: são lentas, requerem tempo, políticas apropriadas e uma participação do conjunto da sociedade”, disse Tolentino Mendonça, citando o filme de Pedro Costa ‘Vitalina Varela’, no momento em que a protagonista chega a Lisboa: “Chegaste atrasada, aqui em Portugal não há nada para ti”.

“Sem compaixão e fraternidade fortalecem-se apenas os muros e aliena-se a possibilidade de lançar raízes. A comunidade não se reforça esquecendo as periferias, mas fazendo dela um motor da sua própria coesão”, disse o cardeal, na intervenção a que deu o título “O que é amar um País”.

“Cada português é uma expressão de Portugal e é chamado a sentir-se responsável por ele”, prosseguiu. “Portugal é uma viagem que fazemos juntos há quase nove séculos”, com o objetivo de criar “uma comunidade aberta e justa”.

A cerimônia de atribuição do Prêmio Europeu Helena Vaz da Silva terá lugar no outono, em data a anunciar, na Fundação Calouste Gulbenkian.

O Prêmio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Patrimônio Cultural foi instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC) em cooperação com a Europa Nostra, a principal organização europeia de defesa do patrimônio representada em Portugal pelo CNC, e com o Clube Português de Imprensa.

O Júri do Prêmio, presidido por Maria Calado, presidente do Centro Nacional de Cultura, é composto por especialistas independentes nos campos da Cultura, do Património e da Comunicação de vários países europeus: Francisco Pinto Balsemão, presidente do Conselho de Administração do Grupo Impresa (Portugal), Guilherme d’Oliveira Martins, administrador da Fundação Calouste Gulbenkian (Portugal), Irina Subotic, vice-presidente da Europa Nostra (Sérvia), João David Nunes, membro da Direção do Clube Português de Imprensa (Portugal), Marianne Roald Ytterdal, membro do júri dos Prémios Europa Nostra, categoria Serviço Dedicado (Noruega), e Piet Jaspaert, vice-presidente da Europa Nostra (Bélgica).

Nascido em 1965 na ilha da Madeira, Tolentino Mendonça, poeta, teólogo, sacerdote e professor universitário, é considerado uma das vozes mais originais da literatura portuguesa contemporânea e reconhecido como um eminente intelectual católico.

A sua vasta obra inclui poesia, ensaios e peças de teatro e tem também colaborado como tradutor e organizador em muitos outros livros. Destacam-se também as suas publicações e intervenções nos meios de comunicação social (escreve regularmente no jornal português Expresso).

Os seus livros têm sido distinguidos com vários prêmios e são cada vez mais traduzidos e publicados no estrangeiro.

Enquanto sacerdote, exerceu funções na Paróquia de Nossa Senhora do Livramento no Funchal, entre 1992 e 1995, em Lisboa foi capelão durante cinco anos na Universidade Católica Portuguesa, esteve na paróquia de Santa Isabel e, entre 2010 e 2018, foi reitor da Capela do Rato.

Entre 2004 e 2014, Tolentino Mendonça foi o primeiro diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, então criado pela Conferência Episcopal Portuguesa, para promover o diálogo entre a Igreja e o meio cultural nacional.

A 26 de junho de 2018, Tolentino Mendonça foi nomeado bibliotecário e arquivista da Biblioteca e Arquivo Apostólicos da Santa Sé pelo papa Francisco.

Após ter sido ordenado Cardeal, em 5 de outubro de 2019, voltou a fazer parte do Conselho Pontifício da Cultura, de que tinha sido consultor até à sua nomeação como arquivista e Bibliotecário da Santa Sé.

Na sua carreira acadêmica, foi reitor, professor ou investigador em universidades de vários países como Portugal, Brasil, Itália e Estados Unidos da América.

O Prêmio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Patrimônio Cultural recorda a jornalista portuguesa, escritora, ativista cultural e política (1939-2002), e a sua contribuição para a divulgação do patrimônio cultural e dos ideais europeus.

É atribuído anualmente a um cidadão europeu cuja carreira se tenha distinguido pela difusão, defesa e promoção do patrimônio cultural da Europa, quer através de obras literárias e musicais, quer através de reportagens, artigos, crônicas, fotografias, ‘cartoons’, documentários, filmes de ficção e programas de rádio ou televisão.

O escritor italiano Claudio Magris foi o primeiro laureado do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva em 2013, seguindo-se o escritor turco e Prémio Nobel da Literatura Orhan Pamuk (2014), o músico catalão Jordi Savall (2015), o cartoonista francês Jean Plantureux (Plantu) e o ensaísta português Eduardo Lourenço (ex-aequo em 2016), o cineasta alemão Wim Wenders (2017), a historiadora inglesa Bettany Hughes (2018) e a cientista italiana Fabiola Gianotti (2019), especializada em Física de partículas, a primeira mulher diretora-geral do Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN).

O Prêmio conta com os apoios do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

terça-feira, 2 de junho de 2020

Angola - Cancelada a Edição de 2020 da Expo-Huíla devido à pandemia



A edição de 2020 da Expo-Huíla, feira internacional que se realiza anualmente na cidade de Lubango, foi cancelada devido à pandemia de Covid-19, disse o presidente da Associação Agro-pecuária, Industrial e Comercial da Huíla (AAPCIL).

Paulo Gaspar disse ao Jornal de Angola que, pela primeira vez nos últimos 29 anos, é cancelado o evento, que é realizado no mês de Agosto, por altura das festas da Nossa Senhora do Monte, a santa padroeira da cidade.

“Infelizmente, este ano, por causa da pandemia, não vamos realizar a Expo-Huíla, o que vai causar muitos prejuízos, quer para a AAPCIL, quer para a própria classe empresarial, que tem o evento como a maior montra de negócios e oportunidades de negócios da província da Huíla e da região sul”, lamentou.

Paulo Gaspar disse ainda que a AAPCIL é uma associação que vive “muito” daquilo que é a realização da Expo-Huíla, uma vez que a verba arrecadada com o aluguer dos pavilhões mantém a associação funcional durante os 12 meses do ano.

Esclareceu que a Associação Agro-pecuária, Comercial e Industrial da Huíla tem encargos com 14 trabalhadores efectivos e as despesas correntes para poder manter o escritório aberto e defender com dignidade os seus membros.

A Associação Agro-pecuária Comercial e Industrial da Huíla, que organiza o evento, foi fundada em 1991 e tem mais de dois mil filiados. In “O Século de Joanesburgo” – África do Sul

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Macau - Economia caiu 48,7% no primeiro trimestre de 2020

A economia de Macau caiu 48,7% no primeiro trimestre, reflectindo uma quebra que não surpreendeu os economistas ouvidos pelo Jornal Tribuna de Macau, devido à actual conjuntura no sector do jogo. Porém, apesar de Macau ter uma grande reserva financeira, alertam que esta situação poderá tornar-se incomportável e defendem a abertura das fronteiras como solução

O Produto Interno Bruto (PIB) sofreu uma descida anual de 48,7%, em termos reais, durante os primeiros três meses deste ano. Segundo salientou a Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC), “embora não tenha ocorrido qualquer contágio a nível comunitário em Macau, a economia do território, em que predominam as exportações de serviços, sofreu um grave impacto da queda drástica da procura global”.

Economistas contactados pela Tribuna de Macau consideraram que a queda era “expectável” tendo em conta a correlação com as receitas do sector do jogo, que também estão em queda devido ao encerramento das fronteiras, para conter a disseminação do novo coronavírus.

“Podemos notar que a resposta do PIB é muito próxima do que aconteceu com a quebra das receitas do jogo”, que como é natural, “nesta altura é muito acentuada”, indicou Albano Martins. Por isso, o economista sublinha que a recuperação económica depende das regras impostas nas fronteiras.

“Não há outra hipótese de recuperação a não ser pela via da abertura das fronteiras de Macau a jogadores chineses e de Hong Kong, claro neste momento mais da própria China Continental”, defendeu.

No que diz respeito à procura interna, segundo os dados oficiais, as exportações de serviços desceram 60%, em termos anuais, com destaque para as quedas de 61,5% nas exportações de serviços do jogo e de 63,9% nas exportações de outros serviços turísticos. As exportações de bens diminuíram 23,5%.

Albano Martins esclareceu que “Macau não exporta bens, só exporta serviços, o que é o termo técnico económico para dizer que nós vendemos produtos, que são serviços no território de Macau, a não residentes. Chamamos exportação de serviços, mas não há exportação nenhuma”.

Neste contexto, Albano Martins considera que as actuais restrições de entrada são desproporcionais à dimensão do problema da pandemia. “Quem entender que pode melhorar a economia de Macau estando apenas preocupado com a saúde pública está enganado. Isto é um binómio, as duas coisas dependem uma da outra, mas é preciso a determinada altura haver um grau de risco”.

“Quando há mais de 50 dias que não temos contaminação nenhuma, nós estamos a dar um tiro nos próprios pés”, disse, alentando que este “tiro nos próprios pés” custa muito dinheiro ao Governo. “Não estou preocupado com as receitas do jogo em si. Estou preocupado com as receitas do jogo do Governo que são substancialmente elevadas para serem perdidas apenas porque quem decide as questões económicas, mistura as questões económicas com as questões de saúde publicas”.

Por sua vez, José Sales Marques diz que a recuperação económica será “certamente só depois do Verão”.

“Apesar do consumo interno estar a recuperar, até pela injecção dos cartões de consumo electrónico o consumo representa uma parte não tão significativa, [do PIB] sobretudo, o consumo interno dos residentes. Portanto, enquanto não recuperarmos o número de visitantes, quer em termos gerais, quer particularmente, visitantes que venham cá jogar, vamos continuar a ter valores muito baixos em termos do PIB”, explicou.

Quanto ao Governo “já chegou ao limite daquilo que vai fazer do ponto de vista de injecção na economia, aquilo que podemos chamar de estímulos fiscais”. “O que vamos ter a partir de agora é o regresso do funcionamento normal da economia de Macau”, indicou referindo-se às duas rondas de apoios que totalizaram uma injecção de 13,6 mil milhões de patacas na economia local.

Sales Marques destacou ainda que o Executivo já assumiu um orçamento deficitário para o corrente ano e que os valores referentes ao primeiro trimestre correspondem às expectativas traçadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). “Aquilo que está previsto pelo FMI é uma queda de 29% para este ano e, por enquanto, acho que essa previsão está mais ou menos dentro daquilo que poderá acontecer”.

Um “amortecedor” parcial

Por outro lado, José Isaac Duarte, observa que as “previsões dependem de um conjunto de pressupostos, que nesta altura são muito difíceis de definir”.

“Abril foi 5% das contas do ano passado. No primeiro semestre foi um período de adaptação onde as pessoas foram postas em ‘lay-off’ ou despedidas, ainda têm algumas poupanças e por isso não têm padrões de consumo, mas a cada mês que passa essa situação se irá agravar mais”, alertou o economista. “Já estamos a metade do ano, não podemos ficar assim o ano todo”, indicou, acrescentando que as iniciativas do Governo serão insuficientes dada a dependência económica do sector do jogo e das receitas das despesas dos visitantes.

Os economistas afirmaram ainda que a reserva financeira tem capacidade para suportar esta situação durante bastante tempo, mas Isaac Duarte nota que “as reservas também precisam ser reabastecidas”.

“Existe um amortecedor, mas que servirá apenas parcialmente. Nunca será um amortecedor que substitui o resto da economia. As despesas totais do Governo representam cerca de 25% do PIB, por isso o Governo tem de cobrar esses impostos, uma vez que não vende serviços”, afirmou Isaac Duarte.

Por outro lado, no que diz respeito ao sector privado, “precisa de manter os padrões de vida, e em alguns casos padrões de vida mínimos porque começará a haver pessoas com carências para satisfazer as necessidades básicas”.

O comunicado da DSEC referente ao primeiro trimestre indica ainda que a procura interna “arrastada principalmente pelas diminuições do investimento em activos fixos e da despesa de consumo privado, não obstante o aumento de cinco por cento da despesa de consumo final do Governo”, teve uma queda de 17,5%. A despesa do consumo privado sofreu uma descida de 15,2%, justificada pela redução no consumo fora de casa e nas viagens.

No campo das despesas, o Governo adquiriu mais equipamentos de protecção e materiais médicos, lançou medidas de apoio financeiro e reservou hotéis para quarentenas, “incrementando assim a amplitude ascendente da despesa de consumo final do Governo, passando de 1,9% no trimestre anterior para cinco por cento”.

A amplitude descendente do investimento em activos fixos foi agravada com um decréscimo anual de 37,2%. Por outro lado, investimento em obras públicas registou uma subida anual de 47,8%.

Em termos anuais, as importações de bens caíram 30,8% dadas as diminuições na despesa de consumo privado, no investimento e nas despesas dos visitantes. Sofia Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

sexta-feira, 29 de maio de 2020

UCCLA - Mercado da Língua Portuguesa 2020



Homenagear a língua portuguesa e a união das várias culturas pelo mundo, divulgar o artesanato, a dança, a literatura, a música e os sabores de todos os continentes, é o objetivo principal do Mercado da Língua Portuguesa. Porque estamos confinados – reflexo da pandemia da Covid-19 – e porque não queremos deixar de homenagear a língua portuguesa e de apoiar quem se associou à UCCLA, nesta segunda edição fazemos um Mercado da Língua Portuguesa versão online.

Todos os detalhes foram tidos em conta e queremos privilegiar todos os que connosco estão neste espaço. Vamos percorrer o Mercado, sentindo os sabores das várias gastronomias, olhando para os diversos artesanatos, dos diferentes países, não descurando dar a conhecer um pouco mais de cada um.

Toda a informação sobre o Mercado da Língua Portuguesa versão online está disponível aqui.


domingo, 10 de maio de 2020

Angola - Realização da 36.ª edição da FILDA adiada para outubro

A 36.ª edição da Feira Internacional de Luanda (FILDA), habitualmente realizada em julho, vai realizar-se entre 6 e 10 de outubro, na Zona Económica Especial (ZEE), devido à covid-19, divulgou a organização da exposição



Numa nota enviada aos expositores, a que a Lusa teve acesso, os organizadores da FILDA, a maior exposição para empresas do setor económico angolanas e estrangeiras, referem que o adiamento visa garantir “a segurança dos expositores, parceiros, visitantes e demais envolvidos e com o objetivo de possibilitar a participação internacional”.

A FILDA, feira internacional organizada desde a década de 1960, continuará a ser “o maior evento económico do país”, apesar dos avanços e recuos que enfrenta, referiu a organização do evento.

“Mais do que um marco histórico, a FILDA é um reflexo direto da evolução e desenvolvimento empresarial e socioeconómico de Angola, é indissociável falar de crescimento económico e evolução empresarial, sem mencionar o contributo que desde a década de 60 a FILDA tem dado a Angola, com a sua dinâmica e participação de todos os agentes ativos da sociedade”, acrescenta-se na nota.

Portugal liderou sempre a participação estrangeira na FILDA, chegando a ter um pavilhão para as empresas exporem os seus produtos.

A última edição da FILDA, anteriormente realizada em instalações nos arredores de Luanda, na qual chegaram a estar presentes 1000 empresas, contou com a participação de 22 países e cerca de 700 expositores.

O agravamento, em 2016, da crise económica, que Angola enfrenta desde finais de 2014, levou ao adiamento sucessivo da 33.ª edição da feira, devido à reduzida inscrição de expositores. In “Angola 24 Horas” – Angola com “Lusa”

segunda-feira, 2 de março de 2020

Portugal - Prémio de Literatura Infantil

Não deixe o seu talento na gaveta! Candidate-se com a sua história e habilite-se ao prémio. Candidaturas até 2 de Abril



O Prémio de Literatura Infantil Pingo Doce, no valor de 50 000 euros, nasceu em 2014, com o intuito de incentivar a criatividade literária e artística, premiando obras originais que ajudem a promover o gosto dos mais novos pela leitura. O Prémio de Literatura Infantil assinala, este ano, a sua 7ª edição. Traga o seu talento e entre nesta história. Participe no maior prémio de literatura infantil do país. Esta iniciativa inscreve-se no pilar da promoção da literacia infanto-juvenil, com o objetivo de democratizar o acesso aos livros e estimular hábitos de leitura em família, desde cedo.

Para mais informações aceda aqui. Pingo Doce - Portugal

domingo, 1 de março de 2020

Associação das Universidades de Língua Portuguesa - Prémio Fernão Mendes Pinto



A Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP) anuncia a abertura de candidaturas ao Prémio Fernão Mendes Pinto 2020.

Este prémio, atribuído anualmente pela AULP, tem como objetivo galardoar uma dissertação de mestrado ou de doutoramento que contribua para a aproximação das Comunidades de Língua Portuguesa, explicitando relações entre comunidades de, pelo menos, dois países.

O valor do Prémio Fernão Mendes Pinto é de 8000€ (oito mil euros) a atribuir numa parceria conjunta entre a AULP e a CPLP ao autor premiado e cuja publicação será da responsabilidade do Instituto Camões.

NOTAS

Os trabalhos serão agrupados nas seguintes secções:

  Letras e Artes;

– Ciências Exatas;

– Ciências da Saúde e da Vida;

– Ciências Sociais e Humanas.

Só se poderão candidatar ao PFMP 2020 as instituições membros da AULP que tenham as quotas em dia. Associação das Universidades de Língua Portuguesa