Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Brasil - Comércio com a China cresce para valor recorde em 2025

As trocas comerciais entre Brasil e China cresceram 8,2% em termos homólogos, em 2025, para o valor recorde de 171 mil milhões de dólares, segundo dados divulgados pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). A China manteve-se como o principal parceiro comercial do Brasil, superando com larga vantagem os Estados Unidos, com quem o comércio bilateral somou 83 mil milhões de dólares no mesmo período. De acordo com o CEBC, o excedente comercial brasileiro com a China foi de 29,1 mil milhões de dólares, o equivalente a 43% de todo o saldo positivo do país com o mundo.


O crescimento das exportações brasileiras foi impulsionado principalmente pelo setor agropecuário e extrativo. Só a venda de petróleo bruto para a China atingiu o valor de 20 mil milhões de dólares, com um volume recorde de 44 milhões de toneladas – representando 45% de todo o petróleo exportado pelo Brasil.

As exportações de soja somaram 34,5 mil milhões de dólares, enquanto as de carne bovina cresceram quase 48%, chegando a 8,8 mil milhões de dólares, também um recorde. Em contraste, as vendas de carne de frango e suína caíram 53% e 36%, respectivamente.

Do lado das importações, destacou-se a aquisição de uma plataforma para a exploração de petróleo no valor de 2,66 mil milhões de dólares. As compras de automóveis híbridos também aumentaram 25%, totalizando 1,87 mil milhões de dólares. Por outro lado, os veículos 100% elétricos sofreram uma queda de 37% nas importações.

A China foi ainda o principal fornecedor de bens da indústria de transformação para o Brasil, com destaque para fertilizantes, produtos químicos e farmacêuticos, estes últimos com um crescimento de 39% nas compras, impulsionadas especialmente por medicamentos à base de insulina.

Entre os estados brasileiros, o Rio de Janeiro liderou as exportações para a China pelo terceiro ano consecutivo, com 18,1 mil milhões de dólares, 94% dos quais oriundos da venda de petróleo.

Com os novos dados, a corrente de comércio Brasil – China representou 27,2% de todo o comércio exterior brasileiro em 2025, consolidando a importância da China na balança comercial do país sul-americano. In “Ponto Final” - Macau


sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Brasil – Importações da China sustentam 5,2 milhões de empregos

As importações oriundas da China sustentaram 5,2 milhões de empregos no Brasil em 2024, mais do dobro dos postos ligados às exportações para o país asiático, segundo um estudo divulgado pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC)


O relatório, feito com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil, mostra como o comércio bilateral cresceu quase cinco vezes em duas décadas, afetando não só os fluxos comerciais, mas também emprego, salários e dinâmicas sociais.

Embora os empregos ligados às exportações paguem salários mais altos, o impacto das importações é mais disseminado entre empresas e comunidades brasileiras, aponta o estudo.

Em 2024, a China foi destino de 28% das exportações brasileiras e origem de 24% das importações. Ao longo da última década, o Brasil acumulou um excedente de 276 mil milhões de dólares (235 mil milhões de euros) nas trocas com Pequim – 51% do seu ‘superavit’ comercial global. Em contraste, as trocas com Estados Unidos e União Europeia geraram um défice conjunto de 224 mil milhões de dólares (191 mil milhões de euros).

Esse ‘superavit’, no entanto, está concentrado em poucos setores e empresas: 80% das exportações em 2024 foram soja, minério de ferro e petróleo, e menos de 3000 empresas responderam por essas vendas. “Não importa se são soja ou máquinas. O problema é depender de poucos produtos e poucos mercados”, alertou Túlio Cariello, diretor de pesquisa do CEBC e coautor do estudo, no relatório.

Cariello rejeitou a ideia de que o setor de matérias-primas seja sinal de atraso, sublinhando décadas de inovação na agricultura tropical, extração de petróleo em águas profundas e na refinação de minério.

Enquanto as exportações permanecem concentradas, as importações mostram maior diversidade: mais de 40 mil empresas brasileiras compraram produtos da China em 2024 – quase 15 vezes mais do que aquelas que importaram de outros países sul-americanos.

As importações incluem eletrónica, máquinas, fertilizantes e químicos industriais – bens essenciais para setores como o agronegócio.

Camila Amigo, analista do CEBC, afirmou que o aumento do emprego ligado às importações não reflete uma mudança estratégica, mas sim a dependência de componentes estrangeiros. O desafio é transformar esses empregos em apoio à indústria nacional, disse.

Segundo Amigo, o Brasil pode beneficiar da reorganização das cadeias globais, à medida que fabricantes chineses investem no exterior, posicionando-se como polo industrial regional.

O estudo mostra que o Brasil exporta para a China com uma base empresarial muito mais estreita do que para outros mercados: menos de 3000 empresas venderam para o país asiático em 2024, contra quase 10.000 para os EUA e mais de 11.000 para o Mercosul.

Apesar de o número de categorias exportadas ter aumentado de 673 em 1997 para 2589 em 2024, a pauta continua dominada por produtos primários. Carnes, celulose, café e alguns produtos transformados começaram a ganhar espaço.

Nas importações, o Brasil comprou 6914 categorias de produtos da China em 2024, quase todas industriais: eletrónica, veículos, têxteis, farmacêuticos e componentes dominam a lista.

O emprego também reflecte esse desequilíbrio: entre 2008 e 2022, os postos ligados às importações cresceram 55%, enquanto os ligados às exportações aumentaram 62%, mas a partir de uma base menor.

Para reduzir a dependência, Cariello defendeu a reindustrialização com investimento estrangeiro direto. Amigo destacou, por outro lado, oportunidades ligadas à transição energética, como lítio, cobre e manganês, além de milho e frutas, que começaram a aceder ao mercado chinês.

Os dados de 2024 confirmam o peso da China: 73% da soja, 67% do minério de ferro e 44% do petróleo exportado pelo Brasil tiveram como destino o país asiático, que também comprou metade da carne bovina e do algodão brasileiros.

A crescente presença chinesa também gerou pressão sobre a indústria brasileira: algumas empresas, como siderúrgicas, acabaram vendidas a grupos chineses – um sinal de como comércio e investimento se interligam. “A questão é entender que partes dessas cadeias produtivas fazem sentido para o Brasil e como usá-las para apoiar a reindustrialização”, concluiu Amigo. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


terça-feira, 22 de julho de 2025

Brasil - Porto de Santos registra recorde de movimentação de contêineres no 1° semestre de 2025

Movimentação de desembarque registra aumento; resultado geral apresenta leve queda


O 1º semestre de 2025 no Porto de Santos foi marcado pela manutenção do recorde de movimentação de contêineres.

Sendo assim, o aumento em relação a 2024 é de 7,8% com a passagem de 2,8 milhões de TEU (twenty foot equivalent unit, medida padrão internacional), contra 2,6 milhões na primeira metade de 2024.

“O resultado aponta para a capacidade do Porto de Santos de atender às demandas de seus clientes; no médio e longo prazo, com as iniciativas já em andamento, como a expansão da Poligonal, o aprofundamento do canal de navegação para 16 metros e o leilão do terminal Tecon 10, Santos irá se manter como o principal equipamento logístico do País”, afirma Anderson Pomini, presidente de Autoridade Portuária de Santos.

Outro destaque no semestre foi o movimento de desembarque (importação e cabotagem), com aumento de 1,2% em relação ao ano anterior. Foram 22,84 milhões de toneladas este ano contra 22,57 milhões em 2024. Já as operações de embarque registraram queda de 1,7%, reflexo do recuo nas cargas de granel vegetal sólido. Foram 65,49 milhões em 2025 ante 66,60 milhões no ano anterior. No total, o resultado se mostra estável, com queda inferior a 1% (88,30 milhões de toneladas contra 89,18 milhões em 2024). É o segundo melhor resultado histórico para o Porto.

Movimento mensal

Assim como no semestre, o mês de junho de 2025 também obteve recorde na movimentação de contêineres e recuo no resultado geral. Foram 511,2 mil TEU contra 439,6 mil no primeiro semestre de 2024, um aumento expressivo de 16,3%.

Como no total do semestre, o mês também marcou aumento na corrente de desembarque e queda nos embarques. No fluxo de entrada, foram 4,19 milhões de toneladas contra 4,07 milhões em junho de 2024, aumento de 3%. As saídas, por sua vez, registraram 11,84 milhões, enquanto em junho de 2024 foram 12,26 milhões (recuo de 3,45). No total, 16,04 milhões de toneladas, o segundo melhor resultado para o mês, apesar da queda de 1,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Em junho, o Porto de Santos aumentou para 29,9% sua participação na corrente comercial brasileira, o maior percentual dos últimos quatro anos. O segundo colocado é o Porto de Paranaguá, com 7,7%. E o terceiro o Porto de Itaguai, com 5%, além do Aeroporto de Guarulhos, com participação semelhante.

Outros destaques

A soja (grãos e farelo) continua como a carga de maior volume no total do Porto de Santos, com 29,61 milhões de toneladas no semestre (aumento de 2,6% em relação a 2024). Em segundo o açúcar (8,83 milhões, queda de 26,8%), e em terceiro a celulose – carga que vem ganhando espaço no Porto -, com 4,71 milhões (aumento de 21,4%). In “Boqnews” - Brasil


segunda-feira, 14 de julho de 2025

Sacanagem e chantagem de Trump contra o Brasil

Você já leu, ouviu ou viu na tv, Trump criou um imposto de 50% para os produtos brasileiros exportados para os americanos, ou seja, o preço desses produtos nos EUA vai custar ainda mais da metade do que custava, isto é, o que custava 10 dólares vai custar 15, o que custava 20 custará 30 e daí por diante

Nos EUA, isso vai atingir em cheio, principalmente o café da manhã, o suco de laranja, a carne e os produtos agrícolas. Mas existem as exportações de petróleo, de ferro, celulose, aço e mesmo de aviões. Para o agronegócio brasileiro vai ser um choque a partir de agosto e essa imposição absurda, antes era da ordem de 10% vai provocar desemprego nessas áreas e perdas entre os empresários nacionais.

Ou seja, muitos imigrantes brasileiros expulsos pela polícia de Trump, não encontrarão emprego nem no Brasil, exceto se os exportadores encontrarem rapidamente países compradores dos produtos brasileiros. Resumindo, vai haver uma crise.

Até agora não existia nenhum problema com os EUA e os Estados Unidos ganham ao comerciar com o Brasil, pois vendem mais do que compram.

Então porque Trump decidiu tratar o Brasil como um inimigo? Por que essa sacanagem? Porque o babaca do filho do Bolsonaro, Eduardo, faz nos EUA, junto com mais três bandidos – o Alan dos Santos, Paulo Figueiredo neto do antigo ditador, e Rodrigo Constantino, uma campanha contra o Brasil, com a finalidade de evitar o processo e a prisão de Bolsonaro com sua anistia.

E acabaram convencendo o Trump de que existe no Brasil uma ditadura perseguindo o coitado do Bolsonaro.

Trump enviou uma carta desrespeitosa a Lula, praticamente exigindo com o tarifaço, a anulação do processo contra Bolsonaro.

E você, o que acha?

Os chamados patriotas estão comemorando essa intromissão do gringo Trump na Justiça brasileira, os líderes bolsonaristas na Câmara e Senado babam de alegria, mais um pouco baixando mastro nossa bandeira verde amarela, que usam como trapo para enrolar no corpo, e hasteiam a bandeira norte-americana.

Até o governador de São Paulo, Estado que mais vai sofrer com o tarifaço, evita criticar Trump mas coloca a culpa em Lula. Uma atitude tão rasteira que o crítico do Uol qualificou de preferir ser vassalo do Trump. Tarcísio que será candidato a presidente, já deu a nota – se fosse eleito, vai ser vassalo obediente ao Trump.

O que você acha disso?

Essa gente que vive de verde e amarelo agora aplaude uma espécie de invasão, uma ameaça às nossas instituições judiciárias, um ataque à nossa economia com o tarifaço? Um ataque à nossa soberania?  Não acha que nos envergonham, que são uns traidores e entreguistas? Uns canalhas que não querem taxar os ricos e apoiam a taxação do Brasil pelos EUA que irá repercutir na vida da população trabalhadora brasileira!

O que acha do Tarcísio e desses evangélicos que continuam achando ser Trump o enviado de Deus! Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu “Dinheiro Sujo da Corrupção”, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, “A Rebelião Romântica da Jovem Guarda”, em 1966. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Brasil - “Tomou nota” da investigação na China sobre importações de carne bovina

O Governo brasileiro disse que “tomou nota” da comunicação, pelo Ministério do Comércio da China, da abertura de uma investigação para eventuais medidas de salvaguarda sobre as importações de carne bovina, reafirmando a defesa dos “interesses do agronegócio brasileiro”.



Num comunicado emitido pelo Ministério da Agricultura, o Governo brasileiro recordou que a investigação, aberta agora na China, abrange todos os países exportadores de carne bovina para o país asiático e deverá analisar o período que compreende o ano de 2019 até o primeiro semestre de 2024.

Entre os países que podem ser afetados por esta investigação estão o Brasil, Nova Zelândia, os Estados Unidos, Argentina e Uruguai, que lideram as exportações de carne bovina para o país asiático. “Não há, em princípio, a adoção de qualquer medida preliminar, permanecendo vigente a tarifa de 12% ‘ad valorem’ [tributo sobre o valor de mercadorias] que a China aplica sobre as importações de carne bovina”, realçou o Governo brasileiro.

A investigação, solicitada pela Associação Pecuária da China e por associações de nove províncias, vai avaliar o crescimento das importações entre 2019 e 2024 e o seu impacto no mercado interno.

De acordo com dados oficiais fornecidos pelo Ministério do Comércio da China, as importações cresceram 64,93%, entre 2019 e 2023, enquanto no primeiro semestre de 2024 o aumento foi de 106,28%, em comparação com o mesmo período de 2019.

Este aumento elevou a quota de mercado da carne importada de 20,55%, em 2019, para 30,90%, no primeiro semestre de 2024.

A China é o principal destino das exportações brasileiras de carne bovina, consolidando-se nos últimos anos como o maior parceiro comercial do Brasil em proteínas animais.

Em 2024, as exportações brasileiras de carne bovina para o país asiático somaram mais de um milhão de toneladas, representando um aumento de 12,7% face o mesmo período de 2023.

Durante os próximos meses, e seguindo o curso e os prazos legais da investigação, o Governo brasileiro frisou que atuará “em conjunto com o setor exportador” e procurará “demonstrar que a carne bovina brasileira exportada [para a] China não causa qualquer tipo de prejuízo à indústria chinesa”.

O Brasil reafirmou, no comunicado, o “seu compromisso em defender os interesses do agronegócio brasileiro, respeitando as decisões soberanas do [seu] principal parceiro comercial, sempre procurando o diálogo construtivo em busca de soluções mutuamente benéficas”. In “Ponto Final” - Macau


sexta-feira, 16 de agosto de 2024

China e Brasil são países que pensam da “mesma maneira”, afirma Presidente chinês

O Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou ontem que China e Brasil são “bons amigos que pensam da mesma maneira”, numa mensagem enviada ao homólogo brasileiro, Lula da Silva, por ocasião do 50.º aniversário das relações diplomáticas.


Citado pela agência noticiosa oficial Xinhua, Xi disse que China e Brasil são “ambos importantes países em desenvolvimento e mercados emergentes fundamentais”, bem como “bons amigos que pensam da mesma maneira” e devem tomar o aniversário “como um novo ponto de partida” para reforçar os laços.

Na sua mensagem de felicitações, Lula referiu que as relações entre Brasil e China “são cada vez mais importantes para a construção de uma ordem multipolar, bem como uma governação global mais justa e eficaz”. “As relações entre Brasil e China desempenham um papel importante no apoio à estabilidade e à previsibilidade dos dois países e do mundo”, afirmou Lula, também citado pela agência noticiosa Xinhua.

De acordo com dados oficiais, a China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2008, e os dois países têm mantido relações estreitas impulsionadas pelo bloco de economias emergentes BRICS – fundado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – que desde 2009 defende uma maior representação dos países em desenvolvimento nas organizações internacionais.

O mercado chinês foi o destino de 30 por cento das exportações brasileiras em 2023, quando as vendas para o país asiático totalizaram 104 mil milhões de dólares, constituídas maioritariamente por produtos alimentares e matérias-primas. A China mantém investimentos no Brasil de cerca de 40 mil milhões de dólares. In “Hoje Macau” – Macau com “Xinhua”


segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

Brasil - Exportações para a China são as mais altas de todos os tempos, ultrapassando US$ 100 mil milhões

As exportações brasileiras para a China ultrapassaram pela primeira vez os 100 mil milhões de dólares em 2023, enquanto o excedente comercial do Brasil atingiu um recorde de 51,1 mil milhões de dólares.


O valor equivalia a mais da metade do superavit comercial total brasileiro em 2023, que também atingiu a marca histórica de US$ 98,8 mil milhões, segundo estatísticas oficiais da Secretaria de Comércio Exterior do Brasil (Secex/Mdic).

O excedente comercial China-Brasil no ano passado excedeu em muito o saldo de 28,68 mil milhões de dólares em 2022. Em 2024, a China deverá continuar a ser o principal parceiro comercial do Brasil, apontam os especialistas.

O crescimento do superavit com os chineses resultou do aumento das exportações para o país asiático, mas também da queda das importações brasileiras.

As remessas para a China cresceram 16,6% em 2023 face ao ano anterior e totalizaram 104,31 mil milhões de dólares, segundo dados da Secex/Mdic.

O desempenho ficou bem acima da alta de 1,7% do total das vendas externas brasileiras. Com isso, a participação da China nas exportações do país sul-americano aumentou de 26,8% em 2022 para 30,7% no ano passado. In “China-Lusophone Brief” - Macau


sábado, 23 de dezembro de 2023

Brasil - Funcex Europa “disponível” para auxiliar lusodescendentes a investirem em Portugal e na CPLP

A cidade de Viana do Castelo, na região do Minho, em Portugal, foi palco, entre os dias 14 e 16 de dezembro, de mais uma edição dos encontros do Programa Nacional de Apoio ao Investidor da Diáspora. A edição de 2023 foi organizada pelo município de Viana do Castelo em parceria com a Comunidade Intermunicipal do Alto Minho e com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte.


O evento, que juntou cerca de 600 participantes no Centro Cultural de Viana do Castelo, foi uma “vitrine privilegiada para o networking com vista a estabelecer parcerias e lançar as bases de futuros negócios, com toda a rede de organismos públicos envolvidos no processo de criação de empresas a marcar presença no recinto, do IAPMEI à AICEP, passando pelo Instituto dos Registos e Notariado”. 15% dos participantes vieram do estrangeiro de 34 países diferentes, em especial da França e Brasil. Foram uns ENCONTROS essencialmente empresariais sendo que mais de 60% dos participantes eram empresas, empreendedores e investidores. Houve 104 intervenientes ativos, 67 oradores, 37 pitch e 56 expositores.

Um evento que contou com a presença de vários nomes da comunidade luso-brasileira, como Flávio Martins, presidente do Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Portuguesas (CP-CCP), Ângelo Horto, antigo conselheiro eleito pelo Rio de Janeiro, António Fiúza, presidente da Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria do Rio de Janeiro, além de Bruno Gutman, advogado luso-brasileiro e diretor Norte do escritório europeu da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex Europa).

No âmbito desta iniciativa, coordenada pelo Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas e pela Secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, a nossa reportagem conversou com Bruno Gutman para entender o papel da Funcex Europa na aproximação entre o mercado empresarial brasileiro e o cenário lusófono.

O que a Funcex tem realizado nos últimos tempos, tendo em vista que a entidade está em solo português há pouco mais de um ano?

A Funcex foi a primeira fundação brasileira a internacionalizar-se e a ter a autorização do Ministério Público brasileiro para sair do Brasil, até porque é uma fundação que trata do comércio exterior, então, nada mais óbvio e justo do que ela mesmo se internacionalizar para ajudar ainda mais o Brasil, as suas empresas e o Governo a se promoverem no exterior. E, com isso, surgiu Portugal, por motivos muito claros, como termos a mesma língua, a proximidade cultural e por ser a porta de entrada para a Europa e também para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que é muito importante hoje para o Brasil. O Brasil está vendo com muito bons olhos esse grupo, que era um grupo histórico, cultural e agora passa a ser também um grupo econômico. Então, a fundação estabeleceu-se aqui em Portugal com os seus escritórios em Lisboa, Cascais e Braga. Estamos atuando não só em solo português, mas já com atuação em outros países da União Europeia e na CPLP. Assumimos a vice-presidência da Confederação Empresarial da CPLP, que é o ambiente da CPLP onde os empresários e as empresas privadas estão presentes para fazer negócios. A Funcex, enquanto promotora do comércio exterior brasileiro, está inserida nesse âmbito para a ajudar cada vez mais as empresas brasileiras e até as europeias, mesmo as portuguesas e esse interesse intercambio empresarial. Queremos fomentar cada vez mais o comércio exterior da própria CPLP. Brasil e Portugal precisam intensificar o comércio exterior, e existem condições para isso. E é através desse potencial que nós devemos integrar os mercados da CPLP. A Fundação tem essa intenção de colaborar e ajudar para que o comércio dentro da própria CPLP seja cada vez maior, fortalecendo esse bloco econômico.

Recentemente, foi assinado no Rio de Janeiro um acordo da CPLP com o Mercosul, naquilo que algumas linhas estão defendendo que poderia ser uma alternativa ao Acordo União Europeia-Mercosul. Como a Funcex pode auxiliar nesse acordo e qual é o papel do Brasil nessa questão?

O Brasil tem um papel muito importante, primeiro, porque é o maior país dos nove integrantes da CPLP, tanto em termos econômicos como em termos populacionais, o que é muito forte para o bloco. A língua portuguesa hoje é falada aproximadamente por quase 300 milhões de pessoas, 200 milhões são do Brasil, então, só isso demonstra a dimensão brutal, então, o peso do Brasil é grande no cenário global como potência econômica, está de volta ao G20, está na presidência rotatória do Mercosul. O Brasil é um catalisador de estudo e, junto com Portugal, que é o pai da lusofonia, podem dar as mãos e atuarem juntos. E o acordo não chega a ser um substituto do Acordo União Europeia com o Mercosul, até porque em relação à União Europeia, a França tem colocado entraves nesse acordo. Atualmente, a Espanha está na presidência da União Europeia. A próxima presidência será da Bélgica e isso pode dificultar um pouco esse acordo que seria de extrema importância tanto para o Mercosul como para a União Europeia. Portanto, enquanto não há um acordo entre esses dois importantes blocos, existe esse acordo com a CPLP. E é muito óbvio, porque se nós pensarmos em português e espanhol, já existe a Comunidade Ibero-americana, que é a Península Ibérica, Portugal e Espanha, com os países da América Latina, algo que já existe. E se juntarmos todo esse cenário à CPLP, teremos mais força.

Para a Funcex, que é uma entidade sólida no Brasil e que tem o seu nome reconhecido na área de comércio exterior e na produção do banco de dados de comércio exterior, utilizado pelo Governo brasileiro, como está sendo essa experiência, nesse braço de internacionalização da Funcex e o que projetam para o futuro?

No Brasil, a Fundação já existe há 47 anos. Em Portugal, estamos caminhando para o segundo ano e, apesar de estarmos teoricamente pouco tempo em Portugal, já desenvolvemos muitas atividades no âmbito Brasil-Portugal e Brasil-CPLP e Portugal-CPLP, inclusive, já avançamos até para eventos em Espanha, o que é muito importante. Apesar de termos escritórios em Portugal, estamos neste continente para trabalhar a Europa numa atuação mais dinâmica. Também estamos viabilizando a entrada de negócios e projetos em França e teremos a Itália já num futuro próximo.

Como está sendo a movimentação da Fundação na Espanha?

Recentemente, colaboramos com a Abert – Associação Brasileira de Rádio e Televisão, na realização de um evento muito similar ao que nós fizemos aqui em Portugal no início deste ano. Reunimos todas as emissoras de rádio e televisão de Portugal e do Brasil para fazer esse intercâmbio na área da comunicação, porque quando a gente fala do comércio exterior, a gente tem que pensar em todos os setores, então, a comunicação é um setor importante. Além disso, recentemente participamos no Web Summit em Portugal e a Funcex ficou responsável por recepcionar parte da missão empresarial brasileira que veio com a Apex. Promovemos o matchmaking, quer dizer, a reunião, o encontro de startups brasileiras que vieram em busca de reuniões com empresas portuguesas tanto para serem as suas clientes ou parceiros e nós fizemos um evento em que colocamos essas startups brasileiras com empresas e representantes dos diversos setores da economia de Portugal, então, estiveram presentes, por exemplo, a Secretaria de Educação, porque havia empresas que queriam falar com escolas, a Secretaria de Saúde também para falar com os hospitais e diversas outras empresas e entidades, promovendo um intercâmbio em que as startups brasileiras puderam, de facto, conhecer a dinâmica do mercado português e europeu e conhecerem quem são os agentes deste mercado.

Estamos no Encontros PNAID, um evento voltado para as comunidades portuguesas, que recebe, sobretudo, um público empresarial. Como a Funcex Europa está associada a este evento?

Acho muito importante, até porque há uma diáspora portuguesa no Brasil que é a maior do mundo, provavelmente temos mais cidadãos portugueses no  Brasil do que qualquer outra parte do mundo e é importante a Funcex ter um papel relevante nesse sentido de ajudar, mas também de colaborar com empresários, investidores brasileiros que queiram vir para Europa ou que queiram ir para os países de língua portuguesa. Por isso, estamos jutos ao PNAID para que possamos atrair esses lusodescendentes no Brasil para que venham investir em Portugal e, a partir daqui, para todo o resto da Europa. Ígor Lopes – Brasil in “Mundo Lusíada”


sábado, 16 de setembro de 2023

Assinado contrato que viabiliza banco de dados de comércio exterior da CPLP


A Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (FUNCEX) e a Confederação Empresarial da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CE-CPLP) deram o pontapé de saída para viabilizar o projeto ‘COMEX Data CPLP’ que será o “maior banco de dados de comércio exterior alguma vez já produzido”. Este novo projeto prevê a realização de estudos e levantamentos que cruzarão os dados comerciais dos nove países aderentes à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O objetivo central é fomentar o comércio dos Estados-membro da CPLP entre si e com outros países e demais blocos económicos no mundo.

O contrato para o desenvolvimento dessa base de dados foi assinado no último dia 4 de setembro durante a conferência “O Atlântico – A Nova Carta do Humanismo”, em Lisboa, no âmbito das celebrações do 27.º aniversário da CPLP. Em Portugal, Higor Ferro Esteves, diretor geral da FUNCEX Europa, será o gestor do projeto. O protocolo que viabiliza esta iniciativa entre a FUNCEX e a CE-CPLP havia sido assinado no dia 24 de abril, em Lisboa.

Na opinião de António Pinheiro, presidente da FUNCEX, este projeto beneficia as relações comerciais entre os países falantes de português.

“Hoje, mais um marco nas nossas relações ganhará notoriedade. Assinaremos um contrato com a Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa no domínio das relações internacionais. (…) Será possível identificar oportunidades, promover encontros de negócios e viabilizar o acesso ao empresariado das nações da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e também na Ásia”, comentou António Pinheiro durante o seu discurso.

Por sua vez, Higor Ferro Esteves defende que é necessário reforçar o papel da CPLP na conexão comercial entre os seus estados-membros e que o Brasil “reúne todas as condições para liderar este processo através da FUNCEX”, que conta com “experiência no desenvolvimento de bases de dados para o comércio exterior e na identificação de oportunidades”.

O evento na capital portuguesa contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, do filósofo e sociólogo francês, Edgar Morin, que tem hoje 102 anos de idade, além de outras autoridades. Ígor Lopes – Brasil in “Mundo Lusíada”


 

terça-feira, 29 de agosto de 2023

Brasil - Novo estudo da Apex aponta Portugal como “maior destino das exportações” brasileiras no cenário da CPLP

Os países da CPLP apresentam mais de 1400 oportunidades para as exportações brasileiras, segundo estudo


A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) lançou o Perfil CPLP, um estudo que traz análises e informações sobre comércio, questões de acesso a mercado e investimentos entre os países que fazem parte desta Comunidade. O anúncio foi feito durante a XIV Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que teve lugar no último dia 27 de agosto, em São Tomé e Príncipe.

A seguir a publicação dos perfis bloco Mercosul, União Europeia e BRICS, a Inteligência da ApexBrasil lançou esta semana o Perfil CPLP, com informações sobre o cenário do comércio internacional da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e os seus nove países-membros.

Comércio exterior

O estudo aponta que entre os desafios a serem superados na relação comercial entre os países da CPLP está a questão da logística para possibilitar “maior circulação de produtos e pessoas”. Outro desafio identificado é a “promoção de uma maior integração de negócios entre os diversos países e ainda a possibilidade da criação de um banco de fomento”.

Hoje, a CPLP é o 14° principal destino das exportações brasileiras, e os dados mostram que “há espaço para crescimento”. O Mapa de Oportunidades da ApexBrasil identificou 1451 oportunidades comerciais para empresas brasileiras nos países-membros da Comunidade, com destaque para óleos brutos de petróleo, tubos de ferro ou aço, produtos laminados, produtos alimentícios e máquinas e equipamentos de transporte.

Exportações brasileiras

As exportações do Brasil para a CPLP ainda concentram-se em bens de menor valor agregado. Óleos brutos de petróleo, soja e milho não moído representam 62% das exportações. Outros produtos com destaque são laminados de ferro ou aço, açúcares, carnes de aves e preparações de carne, que contam com exportações acima de US 100 milhões.

Entre os parceiros comerciais do Brasil na CPLP, Portugal aparece destacadamente como o maior destino das exportações, com participação de 84,3% em 2022, expressivamente maior que o segundo destino, Angola, com 12,6%.

Segundo o Perfil, o comércio brasileiro com a CPLP mostra tendência de crescimento. Entre 2018 e 2022, as exportações brasileiras para os países da Comunidade apresentaram um crescimento médio anual de 26,6%. Para o biénio 2022-2024, é esperado crescimento médio anual de 3,6%.

Importações de países da CPLP

As importações brasileiras provenientes da CPLP também são relativamente concentradas: os cinco principais grupos de produtos representam cerca de 75% da pauta, com destaque para Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos crus (28,8%), Gorduras e óleos vegetais, “soft”, bruto, refinado ou fracionado (17,8%), no segmento de commodities, e no segmento de produtos com maior valor agregado: aeronaves e outros equipamentos, incluindo as suas partes (7,1%), e Bebidas alcoólicas (3,7%).

Em 2022, Portugal foi também a maior origem das importações brasileiras, com participação de 56,3%. Entre os principais produtos estão azeite de oliva e partes e peças de aeronaves, sendo estes últimos devido à operação de subsidiária da Embraer naquele país. Após Portugal, Angola segue como a segunda maior origem de importações, com 43,6%, com, basicamente, Óleos brutos de petróleo.

Entre os principais fornecedores para o mercado brasileiro, os Estados Unidos concorrem com os países da CPLP em Óleos brutos e Óleos combustíveis de petróleo.

Acesso a mercados

Segundo informações de entidades ligadas ao governo do Brasil, “não existe acordo de comércio entre todos os membros da CPLP. Da mesma forma, nenhum dos países da CPLP possui acordo comercial com o Brasil. No entanto, Mercosul e União Europeia concluíram, em 2020, as negociações para a criação de uma área de livre comércio. Atualmente, os textos do acordo estão em fase de revisão jurídica para posterior assinatura e processo de internalização”.

Entre os grupos de produtos mais protegidos, destacam-se alíquotas incidentes nos grupos “bebidas e tabaco” com tarifas variando entre 15,8% e 56,6%, considerando cinco dos noves países analisados. O grupo “vestuário” aparece como um dos mais protegidos em quatro dos nove países analisados, com variação tarifária entre 20% e 35%. Dentre os países da CPLP, Timor-Leste é o que possui menor tarifa simples NMF, média de 2,5%.

Em termos comparativos, a CPLP, como um conjunto, ocuparia a 18ª posição no ranking de stock de investimento estrangeiro direto (IED) no Brasil em 2021.Entre 2012 e 2015, o stock de IED da CPLP no Brasil teve uma redução, voltando a crescer a partir de 2016. Em 2021, alcançou US 11,9 mil milhões, impulsionado pelo crescimento do stock de IED português no país.

Pela ótica do número de empresas que operam no Brasil, houve um aumento significativo da quantidade de empresas portuguesas entre 2010 e 2020, com redução do número de empresas angolanas. Além destes, entre os membros da CPLP, apenas Cabo Verde tem empresa operando no Brasil. No total, o número de empresas de países da CPLP que atuavam no país em 2020 era de 796.

Na perspectiva dos investimentos greenfield anunciados, destacam-se os vários investimentos da EDP (Portugal) no Brasil entre os quais a fábrica de hidrogênio verde em São Gonçalo do Amarante-CE (2022), e a abertura do Data Center da Angola Cables em Fortaleza-CE, em 2023.

Quanto aos investimentos do Brasil em países da CPLP, o stock de IED brasileiro cresceu 38% entre 2020 e 2021, registando US 6,97 mil milhões em 2021, distribuídos entre Portugal (US 5,6 mil milhões), Angola (US 1,2 mil milhões), Moçambique (US 68,4 milhões) e Guiné Equatorial (US 39,5 milhões).

Em termos comparativos, o conjunto dos países da CPLP ficaria na 13ª posição no ranking de destino do stock de IED brasileiro em 2021. Essa posição já chegou a ser a décima entre 2012 e 2013.

Na perspectiva dos investimentos greenfield anunciados, destacam-se o anúncio da fábrica de motores elétricos da WEG em Santo Tirso, Portugal, estimada em US 27 milhões em 2022; a abertura da sede regional da TV Miramar (Record) em Maputo, Moçambique em 2023, estimada em US 65 milhões, e a sede regional da Transdata em Luanda, Angola em 2023, estimada em US 27 milhões.

“Os estudos Perfil País oferecem visão panorâmica e análises sucintas sobre os principais mercados mundiais, permitindo às empresas brasileiras rápido acesso aos aspetos mais relevantes para comércio e investimentos. Estão disponíveis informações como oportunidades para negócios brasileiros no país, macroeconomia, balança comercial, principais concorrentes e fornecedores, governança, investimentos e acordos em comércio internacional, entre outras”, informou a ApexBrasil.

Aposta da FUNCEX Europa

Em maio deste ano, a nossa reportagem revelou que o espaço económico da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) vai contar com o maior banco de dados de comércio exterior alguma vez já produzido. Foi o que assegurou, na altura, Higor Ferro Esteves, diretor geral da FUNCEX Europa, entidade localizada em Portugal, e que serve de base de atuação, no velho continente e na África, da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior – FUNCEX, com sede no Brasil. Nelma Fernandes, presidente da Confederação Empresarial da CPLP (CE-CPLP), é uma das impulsionadoras desta solução que promete dar “maior qualidade” às conexões comerciais das nações lusófonas.

O projeto foi anunciado no último dia 24 de abril em Lisboa, durante um evento que discutiu as “Relações Comerciais – Brasil – CPLP” e que foi organizado pela FUNCEX, em parceria com a CE-CPLP e o banco português Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Torres Vedras. Esta iniciativa decorreu no âmbito da Cimeira Luso-Brasileira e teve como intuito “fortalecer as relações comerciais e de cooperação entre o Brasil e a CPLP”.

Segundo apurámos, o banco de dados vai surgir fruto de um protocolo assinado entre a FUNCEX e a CPLP e vai possibilitar cruzar os dados comerciais dos nove países aderentes à CPLP. A ideia é fomentar o comércio dos Estados-membro da CPLP entre si e com outros países.

António Pinheiro, presidente da FUNCEX, disse que a parceria com a Confederação Empresarial da Comunidade de Países de Língua Portuguesa é “fundamental” no processo de internacionalização da Fundação que preside e que um dos objetivos da entidade é “estabelecer conexões ainda mais profundas com a CPLP, tendo como parceira fundamental a CE-CPLP, uma organização fundada em Lisboa em 2004 e que visa incentivar a cooperação económica entre os Estados-membros com foco nos seis espaços económicos onde estão inseridos”.

Entenda a CPLP

A CPLP destaca-se por ser um foro multilateral de cooperação entre os países de língua portuguesa, integrado por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Portugal e Timor-Leste. Criado em 1996, o grupo procura “fomentar a concertação política entre os seus membros, a cooperação em todos os domínios e a difusão da língua portuguesa”.

O ponto de partida para a formação da CPLP foi a língua portuguesa e o seu significado como herança cultural partilhada. A partir destes laços culturais, os países membros articularam crescente cooperação multitemática, na qual as questões económicas ganham crescente importância. In “Mundo Lusíada” - Brasil


quarta-feira, 3 de maio de 2023

Lusofonia - Países lusófonos terão banco de dados comum inédito no âmbito do comércio exterior


O espaço econômico da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) vai contar em breve com o maior banco de dados de comércio exterior alguma vez já produzido. É o que assegura Higor Ferro Esteves, diretor geral da FUNCEX Europa, entidade localizada em Portugal, e que serve de base de atuação, no velho continente e na África, da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior – FUNCEX, com sede no Brasil. Nelma Fernandes, presidente da Confederação Empresarial da CPLP (CE-CPLP), é uma das impulsionadoras desta solução que promete dar maior qualidade às conexões comerciais das nações lusófonas.

O projeto foi anunciado no último dia 24 de abril em Lisboa, durante um evento que discutiu as “Relações Comerciais – Brasil – CPLP” e que foi organizado pela FUNCEX, em parceria com a CE-CPLP e o banco português Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Torres Vedras. Esta iniciativa decorreu no âmbito da Cimeira Luso-Brasileira e teve como intuito “fortalecer as relações comerciais e de cooperação entre o Brasil e a CPLP”.

Segundo apurámos, o banco de dados vai surgir fruto de um protocolo assinado entre a FUNCEX e a Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e vai possibilitar cruzar os dados comerciais dos nove países aderentes à CPLP. A ideia é fomentar o comércio dos Estados-membro da CPLP entre si e com outros países.

“O evento foi muito positivo. Tivemos a presença de empresários e instituições do Brasil, de Portugal e dos demais países lusófonos. O protocolo assinado foi de fundamental importância, pois será possível identificar os produtos que poderão ser comercializados com maior potencial de sucesso econômico. Pretendemos fomentar a comercialização de bens e serviços através de uma importante ferramenta de análise de oportunidades de negócios, que será conhecida como ‘COMEX Data CPLP’”, avançou Higor Ferro Esteves.

Novas ações

Este responsável sublinhou ainda que a iniciativa, que decorreu em Lisboa e que serviu também para ressaltar a relevância do papel do Brasil nessa comunidade, contou com a presença de especialistas e autoridades, como Nelma Fernandes, presidente da Confederação Empresarial da CPLP; Manuel Guerreiro, presidente da Câmara de Crédito Agrícola Mútuo de Torres Vedras e administrador da Agrimútuo; Walter Baère, diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social do Brasil; além de Flávio Lara Rezende, presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), Daniel Coêlho, presidente da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (FENACON), Ana Correia, presidente da Câmara de Comércio da Região das Beiras, e Augusto Senna, Chief Commercial Officer (CCO) na BMV Global | ESG, entre outros nomes.

“A FUNCEX Europa conseguiu, com este evento, dar mais um passo na sua finalidade de desenvolver relações com a CPLP”, afirmou Higor Ferro Esteves.

Por sua vez, António Pinheiro, presidente da FUNCEX, disse que a parceria com a Confederação Empresarial da Comunidade de Países de Língua Portuguesa é “fundamental” no processo de internacionalização da Fundação que preside e que um dos objetivos da entidade é “estabelecer conexões ainda mais profundas com a CPLP, tendo como parceira fundamental a CE-CPLP, uma organização fundada em Lisboa em 2004 e que visa incentivar a cooperação econômica entre os Estados-membros com foco nos seis espaços econômicos onde estão inseridos”.

“E se é na língua portuguesa, e na cultura comum, que temos o nosso principal ativo, enquanto membros da CPLP, é importante também avançarmos, a exemplo do que já tem sido feito, no sentido de estabelecermos condições sociais, econômicas e comerciais que tornem este grupo ainda mais forte, mais integrado, mas representativo e capaz de promover uma nova dinâmica não só entre os seus pares, mas também com outras nações”, finalizou António Pinheiro. Ígor Lopes - Brasil In “Mundo Lusíada”


 

quinta-feira, 30 de março de 2023

CPLP – Comércio externo dos países membros e da Região Administrativa Especial de Macau e respectivos comércios bilaterais com Portugal

O blogue “Ecopor - Economia Portuguesa”, que se encontra em evidência na lateral da página do “Baía da Lusofonia, da responsabilidade do Eng. Walter Marques, apresentou nas últimas semanas um conjunto de trabalhos correspondentes ao comércio exterior nos últimos cinco anos dos países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da Região Administrativa Especial de Macau que através do Fórum de Macau coordena as relações comerciais com os Países de Língua Portuguesa. Em cada um dos países da CPLP e do território da RAEM poderá encontrar o respectivo comércio bilateral com Portugal. Aceda em baixo aos conteúdos. Baía da Lusofonia  

 

segunda-feira, 23 de maio de 2022

Brasil - Comércio exterior: nova política em 2023

São Paulo – Pesquisa desenvolvida em abril pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 72% de 163 empresas consultadas confirmaram que tiveram sua produção afetada pela continuidade da paralisação de auditores fiscais da Receita Federal, que teve início ao final de 2021. O principal problema apontado foi a lentidão no desembaraço das mercadorias, tanto na importação como na exportação.

Segundo dados da CNI, entre as importadoras, 21,2% tiveram a produção interrompida, quase três vezes mais do que os 7,8% registrados em consulta realizada em janeiro.  E 23,9% relataram atraso na entrega de mercadorias, índice acima dos 7% registrados em janeiro. Entre as exportadoras, o atraso na exportação das mercadorias aumentou de 23,4% para 40,2% de janeiro até abril. Já o cancelamento de contratos subiu de 1,8% para 7,6% no mesmo período.

Como já não são poucos os obstáculos estruturais que prejudicam a competitividade dos produtos nacionais, o prolongamento da operação-padrão dos auditores fiscais agravou sobremaneira a situação das empresas brasileiras. Entre aqueles obstáculos, estão as consequências da pandemia de coronavírus (covid-19), iniciada em janeiro de 2020, o congestionamento nos portos, a falta de contêineres e valores dos fretes sempre em ascensão.

A esses problemas é preciso acrescentar outros bastante conhecidos, como a demora nas inspeções das cargas, os custos adicionais associados à armazenagem, logística e movimentação das cargas, a maior rigidez nas inspeções das cargas e no uso dos canais de verificação, bem como a lentidão na concessão das Declarações de Trânsito Aduaneiro, a exigência de mais documentos, a suspensão da operação de embarque e a depreciação das cargas.

Sem contar que o movimento de greve também tem prejudicado o avanço da agenda de facilitação e modernização do comércio exterior, comprometendo o desenvolvimento de programas estruturantes e prioritários para a indústria, como o Operador Econômico Autorizado (OEA) e o Portal Único de Comércio Exterior, ambos em processo de implementação.

Por tudo isso, o que se espera é que o governo que sair das urnas em outubro já assuma com uma política de comércio exterior mais definida, que possa atuar como instrumento de produtividade e de atualização tecnológica dentro de uma estratégia maior que favoreça a ampliação da presença dos produtos industrializados brasileiros no mercado externo. Para tanto, é necessário que essa política vá além de mero instrumento de defesa de subsídios para compensar a ineficiência do sistema produtivo.

Isto posto, é fundamental que a política de comércio exterior do novo governo seja firme em defesa dos interesses nacionais, sem se deixar levar por pruridos ideológicos de direita, que podem fazer tanto mal ao País quanto os de esquerda, que, por exemplo, em 2005, impediram a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), proposta em 1994 pelo presidente norte-americano Bill Clinton com o objetivo de eliminar as barreiras alfandegárias entre os 34 países do Continente americano, formando assim uma área de livre-comércio, que, englobada ao Tratado Norte-Americano de Livre-Comércio (Nafta), seria o maior bloco econômico do mundo.

Parece claro que se a Alca tivesse saído em 2005, o Mercosul teria tido maior poder de fogo nas negociações com a União Europeia (UE) para a assinatura de um acordo comercial e arrancado dos europeus maior número de concessões. Hoje, esse acordo ainda depende essencialmente de uma revisão profunda da atual política do governo brasileiro de desleixo em relação ao desmatamento, pois está em andamento na UE uma proposta que proíbe a importação por empresas daquele bloco de produtos que fomentam a devastação ambiental, o que imporia também controles às importações de carne bovina, óleo de palma, cacau e café, entre outros.

Em outras palavras: o que se espera é uma política de comércio exterior séria e pragmática que estimule o crescimento da economia brasileira. Liana Martinelli - Brasil 

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Liana Lourenço Martinelli, advogada, pós-graduada em Gestão de Negócios e Comércio Internacional, é gerente de Governança Ambiental, Social e Corporativa (ESG) do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional. E-mail: lianalourenco@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

 

segunda-feira, 16 de maio de 2022

Brasil - O que se espera da Agência Nacional de Transporte Aquaviário

São Paulo – Depois de quase três meses de escaramuças entre Rússia e Ucrânia, sem perspectivas de abertura de um diálogo de paz, o que se vê no mundo é o resultado de um conflito que pode vir a ser a Terceira Guerra Mundial, com sérias consequências sociais, políticas e econômicas.  Uma delas já se sente no setor portuário, em razão de paralisação em indústrias em todo o planeta e por questões logísticas também provocadas pelos desdobramentos da pandemia de coronavírus (covid-19), que, depois de dois anos e meio, só agora começa a apresentar sinais de regressão.

Uma das consequências dessa situação global é o impacto que já se constata nos portos brasileiros, embora o País esteja, aparentemente, neutro diante daquele conflito e seja responsável por apenas 1% da movimentação de contêineres no mercado internacional. É que, diante dos problemas provocados pela guerra no Leste Europeu, muitos armadores não vêm cumprindo o calendário previamente definido e muitas embarcações deixam de atracar num porto para parar em outro, a fim de cumprir um prazo de entrega, provavelmente, mais atraente sob o ponto de vista econômico. E o fazem sem comunicar a alteração com a antecedência necessária, o que acaba por causar muitos prejuízos aos usuários dos portos.

Com os constantes atrasos nos embarques e desembarques, muitos contêineres cheios acabam permanecendo no porto além do tempo previsto, causando prejuízos como despesas de estadia e tumulto no planejamento da logística de distribuição. Dessa maneira, muitos importadores são punidos com atrasos na entrega de produtos, alta de preço do frete e cobranças pelo tempo de permanência da carga, o que acaba por tumultuar a produção de fábricas, em razão da falta de insumos, ou a distribuição dos produtos importados.

Os produtores brasileiros de insumos destinados ao mercado internacional também têm sido afetados pelas mudanças intempestivas nas rotas, especialmente aqueles ligados ao agronegócio, ou seja, produtores de madeira, café, algodão, carnes e frangos congelados, à indústria química e à indústria mineradora. Por outro lado, os terminais portuários igualmente sofrem com a perda de produtividade em seus pátios lotados.

A Agência Nacional de Transporte Aquaviário (Antaq) já constatou o problema e pretende responsabilizar os armadores por esses atrasos, que têm provocado uma escassez de contêineres nos portos nacionais. Segundo a Antaq, os armadores têm privilegiado portos com terminais verticalizados, ou seja, aqueles nos quais têm participação societária, em prejuízo daqueles considerados de “bandeira branca”.

Mas, a rigor, não se sabe até que ponto a Antaq pode agir contra armadores internacionais, até porque a preferência de armadores pela escala em alguns portos, em detrimento de outros, está relacionada à capacidade de operação de cada um. Sem contar a preferência pelo porto que oferece mais carga.

Obviamente, os prejuízos acabam caindo com mais intensidade sobre as empresas responsáveis por cargas perecíveis, que têm prazo de entrega que não pode ser dilatado, sob o risco de perda total. Além disso, há o aumento nos custos dos exportadores com aluguéis de contêineres e armazenamento nos portos, congestionamentos nos terminais, atrasos na entrega de mercadorias já vendidas e a imprevisibilidade na efetiva entrega das cargas.

Internamente, a Antaq pode pelo menos chegar a um acordo com os terminais para que não cobrem dos usuários em casos de omissões de escala, além de monitorar a situação e propor medidas regulatórias contra os efeitos da escassez de contêineres. Mesmo porque a Antaq tem por obrigação criar normas e fiscalizar a prestação de serviços nos portos, além de regular o serviço de transporte aquaviário de cargas e passageiros em todo o País. Tudo isso é de suma importância não só para aqueles que dependem de cargas importadas como para os produtores nacionais que precisam honrar seus compromissos com clientes de todo o mundo. Liana Martinelli - Brasil

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Liana Lourenço Martinelli, advogada, pós-graduada em Gestão de Negócios e Comércio Internacional, é gerente de Governança Ambiental, Social e Corporativa (ESG) do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional. E-mail: lianalourenco@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br