Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 14 de julho de 2026

CPLP – Após 30 anos a Organização continua sem se afirmar junto da China, diz especialista

O especialista em relações internacionais Luís Bernardino considera que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) chega ao 30.º aniversário sem ter conseguido afirmar-se junto da China, onde continua pouco conhecida

“A China não conhece a CPLP”, resumiu Luís Bernardino, professor da Universidade Autónoma de Lisboa e coronel de infantaria na reserva do Exército Português, que recentemente participou em duas conferências em Pequim, na Universidade de Estudos Internacionais de Pequim e na Embaixada de Portugal, sobre os 30 anos da organização, que se assinalam em 17 de julho. “Uma coisa que não se conhece também não se sabe como pode tirar vantagem dessa relação”, acrescentou.

Para Luís Bernardino, a organização “nunca se soube posicionar em relação ao Oriente” e continua afastada dos principais mecanismos criados por Pequim para aprofundar a cooperação com os países de língua portuguesa. “O Fórum de Macau não é a CPLP. É um instrumento da China para facilitar a cooperação com os países lusófonos e vai continuar a crescer. A CPLP está fora desta jogada, por enquanto”, considerou.

Criado em 2003, o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa reúne a China e os países lusófonos, mas funciona à margem da estrutura institucional da CPLP, embora utilize Macau como plataforma de ligação.

Para Bernardino, essa realidade traduz a forma como Pequim privilegia uma abordagem simultaneamente bilateral e multilateral, estratégia que descreve como “cooperação ‘bimultilateral’”. “A China relaciona-se bilateralmente com cada país, mas cria também fóruns multilaterais que reforçam essa cooperação. É uma abordagem pragmática que mais nenhuma grande potência desenvolveu em África”, defendeu.

O especialista em Segurança e Defesa em África sublinhou que a relação da China com os países lusófonos está longe de ser uniforme.

Enquanto com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) Pequim privilegia o financiamento de infraestruturas, o comércio, o desenvolvimento e, cada vez mais, a cooperação na área da defesa, com o Brasil a relação assume uma dimensão geopolítica distinta, impulsionada pelo bloco de economias emergentes BRICS e pela cooperação entre países do chamado Sul Global. “A China adapta a sua estratégia aos interesses que tem em cada região. Não existe uma abordagem única para todos os países da CPLP”, explicou.

No caso de Timor-Leste, Luís Bernardino considerou que a crescente importância estratégica do país no Indo-Pacífico deverá reforçar o interesse chinês, tanto pela posição geográfica como pela futura integração plena na Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). “A China olha para Timor-Leste como um parceiro estratégico no Indo-Pacífico, pela sua posição nas rotas marítimas e pela crescente relevância regional”, afirmou.

O investigador considerou ainda que a rivalidade estratégica entre a China e o Ocidente levou Pequim a reforçar a presença junto dos países lusófonos, sobretudo em África, onde a cooperação se expandiu para áreas como a segurança, a tecnologia e a defesa. “A cooperação deixou de ser apenas económica. A defesa tornou-se um dos pilares centrais da relação da China com praticamente todos os PALOP”, sustentou.

Essa evolução acompanha a transformação da presença chinesa em África, inicialmente centrada no apoio político aos movimentos de independência e, mais tarde, no financiamento de infraestruturas e acesso a matérias-primas.

Hoje, segundo Luís Bernardino, a estratégia inclui também formação militar, venda de equipamento, construção e modernização de portos e uma presença naval cada vez mais frequente no continente africano. “A China faz aquilo que uma potência global tem de fazer. É uma potência económica, mas sabe que também precisa de afirmar uma dimensão militar”, afirmou.

Apesar da crescente influência chinesa, Bernardino considerou que os países lusófonos, em particular os africanos, ainda não conseguiram retirar todo o partido dessa relação. “Há uma dependência crescente, sobretudo financeira. Os países têm de aprender a negociar melhor com a China e transformar esta cooperação numa verdadeira parceria estratégica, sem criar dependências excessivas”, defendeu.

O especialista considerou, por isso, que o maior desafio da CPLP, três décadas após a sua criação, passa por aumentar a sua visibilidade internacional e afirmar-se como interlocutor relevante junto de parceiros estratégicos como a China. “A CPLP é aquilo que os Estados-membros querem que ela seja. Se os próprios países não a valorizarem nos fóruns internacionais em que participam, dificilmente outros atores globais o farão”, disse.

Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau (actualmente suspensa devido ao golpe de Estado), Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


segunda-feira, 13 de abril de 2026

Moçambique – Presidência garante que nenhuma vila de Cabo Delgado está ocupada por terroristas

O Presidente da Frelimo, Daniel Chapo, garantiu que actualmente não existe nenhuma vila conquistada por grupos terroristas na província de Cabo Delgado, destacando avanços significativos no combate à insurgência. A declaração foi feita durante a abertura da 2.ª Sessão Ordinária do Conselho Nacional da Organização da Juventude Moçambicana (OJM), onde o dirigente sublinhou o papel das Forças de Defesa e Segurança, com o apoio de parceiros regionais e internacionais, na recuperação de áreas anteriormente afectadas.

“Hoje, nenhuma vila de Cabo Delgado está ocupada por estes inimigos do povo moçambicano”, afirmou.

Segundo Chapo, os grupos terroristas encontram-se em constante fuga devido à pressão militar, embora ainda realizem ataques esporádicos que continuam a gerar insegurança nas comunidades.

Chapo acrescentou que, apesar do terrorismo ainda não ter sido totalmente eliminado, os progressos registados já permitem o regresso gradual dos deslocados às suas zonas de origem.

As melhorias no cenário de segurança também estão a contribuir para a retoma das actividades económicas na região, incluindo grandes projectos, contribuindo para a criação de empregos e dinamização da economia local. In “O País” - Moçambique

 

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Burkina Faso - Ibrahim Traoré diz que democracia “mata” e que eleições não resolvem problemas

O líder da junta militar do Burkina Faso diz que a democracia “mata” e que, neste momento, é inadequada para a realidade do seu país. Ibrahim Traoré afirma que a prioridade deve ser o restabelecimento da segurança e da soberania nacional, antes de qualquer processo eleitoral.

As declarações foram feitas recentemente, num discurso dirigido à nação, num contexto de agravamento da crise de segurança no país, marcada por ataques persistentes de grupos armados em várias regiões. Traoré sustenta que a realização de eleições, nas actuais circunstâncias, não resolveria os problemas estruturais e poderia, inclusive, agravar a instabilidade.

No mesmo posicionamento, o líder militar defendeu que o modelo democrático liberal não responde às especificidades do Burkina Faso e de outros países africanos, argumentando que, em certos contextos, a sua aplicação tem contribuído para o enfraquecimento do Estado e para o aumento da insegurança. Como exemplo, apontou situações de instabilidade vividas noutros países, associadas a processos políticos considerados frágeis.

Ibrahim Traoré chegou ao poder em Setembro de 2022, através de um golpe de Estado que derrubou o então líder da transição, num cenário já marcado por forte contestação popular e deterioração das condições de segurança. Na altura, a junta militar assumiu o compromisso de conduzir uma transição com vista ao regresso à ordem constitucional.

Entre as promessas iniciais estava a realização de eleições e a transferência do poder para um governo civil, assim que estivessem reunidas condições mínimas de estabilidade. No entanto, desenvolvimentos recentes indicam um afastamento desse calendário, com o prolongamento da transição e a adopção de medidas que reforçam o controlo do poder pela junta.

O Burkina Faso insere-se num contexto regional mais amplo, marcado por uma vaga de regimes militares no Sahel, onde a luta contra o terrorismo e a contestação à influência externa têm servido de base para redefinir modelos de governação. In “O País” - Moçambique


sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Portugal – Cidade de Lisboa debate clima e segurança no Atlântico antes da COP30 no Brasil

Especialistas de todo o mundo reuniram-se em Lisboa nas vésperas da COP30, para debater forma como as alterações climáticas estão a transformar a segurança no espaço atlântico. O clima deixou de ser apenas um desafio ambiental, é uma questão estratégica de segurança e estabilidade global


Especialistas de todo o mundo reuniram-se em Lisboa este dia 30 de outubro para discutir a ligação entre segurança, defesa e alterações climáticas.

Nas vésperas da COP30, que decorrerá em novembro em Belém do Pará, no Brasil, o Atlantic Centre promoveu um seminário internacional, reforçando a ideia de que a crise climática deve ser tratada não apenas como uma urgência ambiental, mas como uma prioridade estratégica para garantir um Atlântico mais seguro, estável e próspero.

O Atlantic Centre é uma iniciativa portuguesa que promove a cooperação entre países do Atlântico nas áreas da segurança, defesa, governação marítima e desenvolvimento sustentável. Atualmente tem 27 Estados signatários, funcionando como plataforma de diálogo e formação sob a tutela do Ministério da Defesa Nacional.

Clima como nova fronteira da segurança

O coordenador do Atlantic Centre, o contra-almirante Nuno Noronha de Bragança, sublinha que as alterações climáticas tornaram-se parte central dos desafios comuns que atravessam o Atlântico.

Entre os principais fatores de risco, o responsável destaca a desertificação no Sahel, o impacto crescente dos eventos meteorológicos extremos, a migração irregular e as tensões sobre os recursos naturais.

Em entrevista à ONU News a partir de Lisboa, Noronha de Bragança dá alguns exemplos. “Olhamos para as alterações climáticas, naquilo que é o impacto nas megacidades do continente africano que, fruto daquilo que são as alterações climáticas, transportam as pessoas e os jovens para as cidades superpovoadas”.

Infraestruturas vulneráveis e impacto humano

A vulnerabilidade das infraestruturas marítimas e costeiras é um dos pontos de maior preocupação. “Sessenta por cento do produto interno bruto depende de infraestruturas que sofrem com as alterações climáticas”, referiu Noronha de Bragança, recordando episódios de cheias e tempestades recentes na Europa e nas Américas.

O impacto chega também às comunidades dependentes do mar, sobretudo na África Ocidental e nas Caraíbas, onde as alterações nos ecossistemas marinhos afetam a pesca e o sustento das populações, obrigando a uma migração forçada. “Em 2040 teremos 12 milhões de jovens a entrar no mercado de trabalho africano e o impacto da migração irregular numa das rotas mais mortíferas para a Europa que é a rota das Canárias”, referiu.

Cooperação e resposta integrada

O seminário pretendeu destacar a necessidade de respostas coordenadas entre governos, forças armadas, proteção civil, ciência e sociedade civil. Para o contra-almirante, a segurança climática exige uma “abordagem de toda a sociedade”, capaz de responder de forma rápida a catástrofes e construir resiliência coletiva.

“Não há país isolado, não há agência isolada que consiga fazer face a estes desafios comuns. Exige de todos, e desta comunidade atlântica,”, defendeu.

Ciência, governação e tecnologia

Para o Atlantic Centre, o combate às alterações climáticas no Atlântico deve assentar em três pilares fundamentais: ciência, boa governação e tecnologia. “Escutar a ciência, escutar aquilo que é a perspetiva nacional. E, de facto, a perspetiva de segurança e defesa entra nisto”.

Entre os exemplos de cooperação nacional e internacional, destacou o Centro de Dados Oceanográficos Nacional, que reúne informação recolhida por várias instituições portuguesas e internacionais para apoiar políticas públicas e decisões estratégicas.

“É mais fácil inovar na tecnologia do que inovar nas pessoas. Falamos muito, mas é preciso agir”, alertou, sublinhando que a tecnologia, incluindo inteligência artificial e computação quântica, pode ser uma aliada fundamental para antecipar riscos e planear respostas.

Propostas para a COP30

Embora o Atlantic Centre não vá participar diretamente na COP30, há ideias e recomendações que a instituição gostaria de ver debatidas em Belém. Entre elas está a revisão do direito internacional para lidar com a perda de território provocada pela subida do nível do mar, um fenómeno que ameaça a soberania de vários pequenos Estados insulares.

Outra proposta é reforçar o diálogo entre ciência, governação e tecnologia e garantir que o debate global sobre o clima inclua a dimensão de segurança. “Não há país nem agência isolada que consiga responder a estes desafios. É preciso cooperação, diálogo e, sobretudo, ação”, afirmou.

Parceria com as Nações Unidas

O Atlantic Centre tem vindo a reforçar a cooperação com as Nações Unidas e várias das suas agências, num esforço de convergência entre agendas de defesa, clima e segurança. “Temos trabalhado com inúmeras agências externas das Nações Unidas. É fundamental ter sempre presente o princípio da complementaridade”, referiu Noronha de Bragança.

O responsável destacou o papel central das Nações Unidas neste domínio e defendeu uma articulação constante. “A ONU tem um papel importantíssimo e continuará a tê-lo. O Atlantic Centre é mais uma iniciativa que trabalha em consonância com esses mesmos objetivos comuns, apoiando as convenções e tratados internacionais relacionados com o clima e o mar.”

Entre os temas ainda em aberto, Noronha de Bragança lembrou a necessidade de fortalecer a agenda clima-segurança no quadro das Nações Unidas e de integrar esta dimensão em convenções internacionais como a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar ou a nova Convenção para a Proteção do Alto Mar. ONU News – Nações Unidas



terça-feira, 28 de outubro de 2025

CPLP - Debate reforço da cooperação em defesa

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) iniciou, nesta terça-feira, na Vila Ponta do Ouro, em Maputo, a XXII Reunião de Directores da Política de Defesa ou Equiparados, com o objectivo de reforçar a cooperação estratégica no domínio da defesa e preparar propostas a submeter à próxima reunião dos Ministros da Defesa da organização.


O encontro, que decorre até amanhã, junta representantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, bem como o Secretariado Permanente para os Assuntos de Defesa e o Centro de Análise Estratégica da CPLP.

A delegação moçambicana é chefiada pelo Brigadeiro Anastácio Zaqueu Barassa, Director Nacional de Política de Defesa, acompanhado pelo Coronel Assane Cachimo, Oficial de Cooperação do Estado-Maior General, e pela Major Marta António Jorge Muando Licussa, Chefe do Departamento de Relações Multilaterais.

Na sua intervenção, o Brigadeiro Barassa referiu que o encontro decorre num contexto internacional desafiante, marcado pela instabilidade geopolítica, pelo terrorismo e pelas alterações climáticas. Estes factores, segundo afirmou, exigem maior coordenação estratégica entre os países da CPLP, tendo realçado a importância do reforço da cooperação multilateral para a consolidação da segurança colectiva e promoção da paz e do desenvolvimento sustentável.

A agenda de trabalhos inclui a análise do ponto de situação da 3.ª Reunião dos Serviços de Informações Militares, da implementação do Plano de Acção 1325 sobre a Agenda “Mulheres, Paz e Segurança”, do balanço das formações realizadas no Colégio de Defesa e no Curso CIMIC, bem como a apreciação da proposta de revisão dos estatutos e do regimento do Centro de Análise Estratégica da CPLP.

Consta igualmente da agenda a calendarização das actividades conjuntas para 2026, com destaque para o Exercício FELINO, considerado um dos principais marcos da cooperação multilateral entre as Forças Armadas dos países de língua portuguesa. In “O País” - Moçambique


terça-feira, 3 de junho de 2025

Portugal - Estudante da Universidade de Coimbra distinguido pela multinacional ABB

Eduardo José Santos Borges, estudante do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (DEEC) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), vai receber esta quinta-feira, dia 5 de junho, pelas 15h30, o “Prémio ABB”, referente ao ano letivo 2023/2024, atribuído pela multinacional Asea Brown Boveri (ABB).

A cerimónia de entrega do prémio terá lugar na Sala do Conselho da Unidade Central da FCTUC, no Polo II da Universidade de Coimbra. O vencedor receberá um prémio no valor de mil euros e, além disso, terá a possibilidade de realizar um estágio remunerado na ABB.

Esta distinção visa reconhecer o trabalho desenvolvido pelo estudante na sua dissertação “DL-Based Multimodal Object Detection and Tracking Targeting Industrial AMRs”, realizada no âmbito do mestrado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores.

Neste trabalho, Eduardo Borges desenvolveu um método multimodal inovador para a deteção e identificação de elementos dinâmicos de interesse, como pessoas e robôs. Este método tem como objetivo aprimorar a navegação autónoma de robôs móveis em ambientes industriais, aumentando a segurança e prevenindo colisões.

O sistema desenvolvido combina uma câmara e um sensor laser para identificar os elementos de interesse, estimando a sua posição e orientação com o auxílio de modelos de inteligência artificial. Adicionalmente, possibilita a reidentificação de elementos previamente detetados, memorizando as suas características distintivas. Esta funcionalidade permite acompanhar as trajetórias dos elementos de interesse, fornecendo informações essenciais para decisões de navegação seguras e para a prevenção de colisões.

A avaliação do método multimodal foi realizada num ambiente ao ar livre, utilizando o dataset KITTI, bem como em ambientes industriais, com a deteção e o seguimento de pessoas e empilhadoras, alcançando resultados bastante promissores. Os dados do ambiente industrial foram adquiridos e anotados ao longo deste trabalho, resultando num dataset importante, considerando o número bastante limitado de datasets disponíveis para tarefas de deteção e seguimento em ambientes industriais.

Este trabalho insere-se na iniciativa “Green Auto – Green Innovation for the Automotive Industry” (PPS18), um projeto estratégico liderado pela Peugeot Citroën Automóveis Portugal, SA, que visa desenvolver e implementar soluções tecnológicas inovadoras para maior eficiência e sustentabilidade na indústria automóvel.

Para Mário do Ó, líder da área de negócio Motion e Membro do Board na ABB Portugal, «a parceria entre a ABB e a FCTUC, que se iniciou no ano letivo 2014/2015, tem sido fundamental para troca de conhecimentos nas áreas de automação, motores e variadores de velocidade. Esta colaboração reflete o nosso compromisso em preparar a próxima geração de engenheiros para os desafios da indústria do futuro e esperamos que continue a trazer bons resultados».

O “Prémio ABB” distingue, anualmente, o estudante do mestrado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da FCTUC que tenha obtido a classificação mais elevada numa dissertação de mestrado desenvolvida nas áreas de Automação Industrial, Controlo Automático, Robótica, Domótica e Acionamentos/Variação de velocidade.

A atribuição deste prémio reforça a colaboração de quase uma década entre a ABB e a FCTUC, que tem promovido a partilha de conhecimento e a possibilidade dos estudantes terem contacto com a realidade da indústria, através de iniciativas como a doação de equipamentos de última geração, nomeadamente variadores e motores SynRM, visitas às instalações da multinacional e colaboração com o DEEC para a realização de auditorias técnicas, quando os clientes da ABB pedem uma avaliação externa qualificada e independente a sistemas de acionamentos de velocidade variável. Universidade de Coimbra - Portugal

 

São Tomé e Príncipe e Cabo Verde relançam cooperação nas áreas da defesa, transporte e educação

São Tomé – São Tomé e Príncipe e Cabo Verde querem relançar a cooperação bilateral, sobretudo, nos domínios da defesa, segurança, transporte e educação, disse a ministra da defesa cabo-verdiana, Janine Lélis, no final de audiência com o primeiro-ministro, Américo Ramos.


“Nós também falámos que no domínio da defesa é sempre possível fazer mais, trazendo as nossas experiências, as nossas vivências para que elas possam ser moldadas e ajustar aquilo que é a realidade de São Tomé”, – sublinhou a ministra cabo-verdiana.

Janine Lélis acrescentou “dois países irmãos que têm uma longa história, têm de certa forma um percurso comum, uma identidade muito forte pela realidade dos cabo-verdianos que vivem aqui [em São Tomé], dos nossos descendentes e que vivem em Cabo Verde, então o nosso pensar e o nosso entendimento é que trabalhar para o processo de desenvolvimento de São Tomé e de Cabo Verde”.

Quanto a ligação entre os dois países, esta governante disse “eu acho que os esforços diplomáticos estão a ser feitos e os contactos têm sido permanentes, isto porque os dois países têm presente a importância dessa ligação direta e do quanto isso pode facilitar”.

Acrescentou que “de qualquer das formas é sempre importante ter presente que as garantias das linhas precisam de tráfego e precisa daquilo que no fundo o alimenta”.

Sobre educação Janine Lélis disse que “existe uma cooperação muito boa entre São Tomé e Cabo Verde. Neste momento, Cabo Verde disponibiliza para São Tomé bolsas de estudos para jovens que vão se capacitar e formar no nosso país, e isto é um comprometimento nosso em relação a São Tomé, no sentido de ajudar e capacitar os quadros para o processo de desenvolvimento”. Ricardo Neto – São Tomé e Príncipe in “STP Press”


quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

China - Apoia Cabo Verde com 26,3 milhões para financiar projectos em várias áreas

A China assinou um acordo com Cabo Verde para apoiar o arquipélago com 26,3 milhões de euros destinados a projetos de segurança, energias renováveis, economia digital, turismo e infraestrutura, reforçando a cooperação bilateral entre os dois países



“Nós disponibilizamos esse apoio a Cabo Verde”, para financiar projetos nos “domínios de energias renováveis, economia azul, digital, turismo e para ajudar” o país a “alcançar os seus objectivos nas áreas prioritárias”, afirmou o encarregado de negócios da Embaixada da China em Cabo Verde, Shi Leike, na cerimónia de assinatura do acordo, na cidade da Praia.

O acordo foi assinado pelo encarregado de negócios e pela secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde, Myrian Vieira. Shi Leike considerou que Cabo Verde é “mundialmente reconhecido como um país de boa governação” e relembrou a amizade de longa data com a China. “No ano passado, as relações bilaterais entre a China e Cabo Verde foram elevadas a uma parceria estratégica durante a visita do primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, à China”, disse.

A secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros considerou que este acordo traduz a “excelência das relações bilaterais entre os dois países”. “Trata-se também da implementação dos compromissos acordados em setembro último, no fórum de cooperação África-China”, onde foi anunciado o apoio de 26,3 milhões de euros a Cabo Verde, disse.

Myrian Vieira afirmou que o montante vai apoiar a continuidade da terceira fase do projecto “cidade segura”, que é prioritário para Cabo Verde, pois visa reforçar a segurança interna do país, com a atualização e expansão do sistema de videovigilância em sete cidades: Praia, Mindelo, Sal Rei, Santa Maria, Tarrafal, Assomada e Porto Novo.

O projecto também reforçará a formação de técnicos para a operacionalização desses equipamentos e manutenção dos centros de comando de vigilância.

Além disso, serão discutidos com a parte chinesa outros projetos no domínio da educação, saúde e outras infraestruturas de importância vital para o desenvolvimento de Cabo Verde. “A China tem contribuído para o desenvolvimento de Cabo Verde ao longo destes 49 anos de cooperação bilateral, sendo um parceiro estratégico importante nos domínios da educação, saúde, agricultura, novas tecnologias de informação e comunicação e energias renováveis. Queremos, de facto, levar essas relações a níveis cada vez mais elevados de excelência”, concluiu.

Em Maio do ano passado, os dois países celebraram um protocolo por seis anos (2024-2029) na área da saúde que dá continuidade à cooperação e apoio ao setor com deslocação de equipas médicas ao arquipélago.

A China é o maior parceiro comercial do continente africano, com o comércio bilateral a atingir 167,8 mil milhões de dólares (151,8 mil milhões de euros) na primeira metade de 2024, de acordo com a imprensa oficial chinesa. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Timor-Leste - Parlamento pede investigação a bala que atingiu residência de ex-presidente

O parlamento timorense pediu ontem ao Governo para investigar o incidente com uma bala perdida, que atingiu no último dia de 2024 a residência do ex-presidente Francisco Guterres Lú Olo.

“O Governo tem toda a responsabilidade, principalmente o Serviço Nacional de Inteligência, de fazer uma investigação profunda ao caso”, disse a deputada do Partido de Libertação Popular (PLP), Maria Angelina Sarmento.

Em 31 de Dezembro, o ex-chefe de Estado e presidente da Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (Fretilin) denunciou uma “aparente intenção de o assassinar”, depois de uma bala ter atingido uma mesa na sua residência.

A Polícia Nacional de Timor-Leste esclareceu que o projéctil de nove milímetros foi disparado para o ar por uma arma ainda por identificar. A polícia disse também que o caso foi entregue ao Ministério Público e pediu às pessoas para informarem as autoridades caso tenham alguma informação.

A deputada Maria Angelina Sarmento salientou também que aquele tipo de acidente pode “criar pânico na sociedade” em relação à segurança do país.

“Embora tenha sido apenas um incidente, ainda não sabemos a verdade dos factos. Para não criar pânico na sociedade, o Governo, juntamente com as entidades relevantes tem toda a responsabilidade de investigar e divulgar o resultado da investigação”, disse a deputada do PLP.

Para o deputado e secretário-geral do Partido Democrático (PD), é preciso esclarecer de onde veio a “ameaça”, sem fazer mais comentários.

A Fretilin, através do deputado Joaquim dos Santos Boraluli, lembrou que apenas duas instituições, nomeadamente as forças armadas e de segurança, podem utilizar armas e que a polícia deve vigiar o seu uso no território nacional.

“Penso que há algumas deficiências no trabalho de segurança. O Governo tem de rever as regras de licença de uso e porte de armas”, disse o deputado, salientando que o disparo pode ter sido “descuido”, mas também “intencional”. In “Hoje Macau” - Macau


segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Portugal - Universidade de Coimbra dinamiza seminário sobre o Espaço

O Centro de Investigação da Terra e do Espaço da Universidade de Coimbra (CITEUC) vai dinamizar esta quarta-feira, dia 11 de dezembro, o seminário “Geopolítica do Espaço Sideral”. A sessão terá lugar no Observatório Geofísico e Astronómico (OGA) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC), pelas 16h30.


 

«O Espaço Sideral, Espaço Exterior ou, simplesmente, Espaço, refere-se ao domínio 100km acima do nível médio das águas, embora não haja uma fronteira definida internacionalmente. Atualmente, é reconhecido como domínio operacional por muitos Estados e Organizações, como a NATO, por exemplo», explica Pedro Costa, chefe do Centro de Operações Espaciais da Força Aérea Portuguesa (FAP) e palestrante do evento.

De acordo com Pedro Costa, «o Espaço Sideral assume uma importância estratégica crescente para os Estados, do ponto de vista das suas economias, mas também no que concerne à capacidade de influenciar na cena internacional. O Espaço representa Poder, o que motiva a edificação de teorias que procuram explicar as ações acometidas pelo Homem neste que é o novo domínio operacional para a Segurança e Defesa».  

Assim, esta sessão tem como objetivo dar a conhecer mais sobre o Espaço Sideral e a sua importância para a sociedade em geral e, em particular, para o domínio da Segurança e Defesa. Pretende-se ainda que esta sessão seja um momento de aproximação entre instituições, permitindo mostrar os recentes desenvolvimentos na Força Aérea Portuguesa em matéria de integração do Espaço na atividade operacional. 

«O seminário “Geopolítica do Espaço Sideral” realçará a importância da ligação entre a Academia e as Forças Armadas em áreas estratégicas, como Aeronáutica, Espaço e Defesa, envolvendo possíveis colaborações a nível de projetos e teses», termina Teresa Seixas, docente na Universidade do Porto e investigadora do CITEUC. Universidade de Coimbra - Portugal


quinta-feira, 27 de junho de 2024

Brasil - Youtuber texano filma Polícia Militar paulista em ação e vídeo viraliza

A frase é antológica "bandido bom é bandido morto", mas quem é pobre ou negro numa favela se torna automaticamente suspeito, podendo ser agredido, ameaçado e exposto à humilhação pública até no Youtube, mesmo sendo inocente.

Será esse o credo e o modo de funcionamento da PM de São Paulo, autorizados pelo secretário da segurança Guilherme Derrite, que vem ganhando ao mesmo tempo popularidade e rejeição, com a banalização da violência e morte no combate ao banditismo, desde os massacres nas favelas do Guarujá?

É com esse estilo de repressão policial que o governador Tarcísio de Freitas pretende ganhar apoio e popularidade para disputar a presidência em 2026?

Essas perguntas afloram diante do vídeo gravado por um youtuber norte-americano, o texano Gen Kimura, dentro de uma viatura da Polícia Militar e nas favelas paulistanas, mostrando os policiais em ação. Não se tratava de um jornalista norte-americano em reportagem.

É um absurdo terem sido dados ao youtuber um colete à prova de balas e até um revólver para documentar, como um visitante curioso, o combate "mesmo num domingo sangrento" dos valentes policiais.

O vídeo de uns 40 minutos já foi visto por mais de 1,7 milhão nos EUA, no canal de Gen Kimura com 385 mil inscritos. O vídeo foi filmado durante ações da PM em três favelas e o youtuber Gen Kimura teve acesso ao depósito de armamentos da PM, chegando a ser filmado com um revólver na mão. No Brasil, trechos do vídeo viralizaram nos noticiários e nas redes sociais.

Outro aspecto escandaloso da filmagem permitida e protegida por policiais foi o de colocar pessoas pobres inocentes ou suspeitas numa espécie de pelourinho num parque de diversões, mesmo porque para o youtuber Gen Kimura, sempre sorrindo, tudo parecia muito divertido. Um dos policiais contou a Kimura que "as mortes dos bandidos são comemoradas com charutos e cerveja".

Entretanto, embora a Secretaria de Segurança afirme não permitir esse tipo de filmagem ainda mais com estrangeiro, devendo punir os responsáveis, o vídeo tem um aspecto positivo: documenta e deixa evidente ser o método violento o cotidiano na PM.

O comentarista Reinaldo Azevedo do Uol, depois de mostrar revoltado um trecho do vídeo, vai mais longe: para ele os responsáveis pela filmagem e exposição da banalização da violência da polícia paulista, num Canal do Youtube destinado a visualizações nos EUA, acreditavam agradar ao chefe capitão Guilherme Derrite e ao governador Tarcísio, já conhecido por um "dane-se" e por dizer "pode ir na ONU, no raio que o parta, não tô nem aí" sobre denúncias de abuso da PM no litoral.

A Rádio Jovem Pan, que se tornou a rádio de referência para os seguidores do ex-presidente, é bem informada sobre os líderes da extrema-direita, e, agora menos bolsonarista e aparentemente sem fake-news, tem uma resposta para o populismo da violência próprio do Secretário da Segurança (Derrite, linha dura, até se licenciou do cargo no governo Tarcísio para ir votar na Câmara Federal contra as "saidinhas") - quando Tarcísio deixar o cargo para se candidatar à sucessão de Lula, será Guilherme Derrite o candidato à sua sucessão.

Para o veterano da Jovem Pan, José Maria Trindade, fiel aos anos bolsonaristas, "ações como essa (mostrada no vídeo) aproximam os policiais da população e mostram como a polícia trabalha no dia a dia, e é importante fazer esse tipo de aproximação".

Para completar o quadro da violência e truculência, o programa É da Coisa, da Band, mostrou um vídeo da polícia de Goiás, no qual numa ordem unida da polícia militar os soldados repetem comandos de morte inclusive do assassinato da testemunha do crime. A polícia de Goiás era chefiada pelo tenente-coronel Edson de Melo, atualmente segurança do coach Pablo Marçal, pré-candidato à prefeitura de São Paulo. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.



 

terça-feira, 30 de janeiro de 2024

Austrália anuncia reforço da cooperação na segurança e apoio social com Timor-Leste

O ministro da Indústria de Defesa e do Desenvolvimento Internacional e do Pacífico australiano, Pat Conroy, anunciou ontem o reforço da cooperação entre a Austrália e Timor-Leste nos sectores da segurança e apoio social. “Hoje anunciamos 35 milhões de dólares australianos [cerca de 21 milhões de euros] ao longo de cinco anos para cooperação policial, 1,6 milhões [cerca de 970 mil euros] para ajudar com o El Niño e alívio da seca nas áreas rurais e quatro milhões [2,4 milhões de euros] para formação de trabalhadores que estão a ir para a Austrália e apoiar as suas famílias”, afirmou Pat Conroy.

O ministro australiano falava aos jornalistas após um encontro com o primeiro-ministro Xanana Gusmão, no Palácio do Governo, em Díli. “A mensagem do governo australiano é a de que estamos aqui para agir de acordo com as prioridades de Timor-Leste, respeitar a sua soberania e agir no espírito de amizade entre os nossos dois países”, disse Pat Conroy.

O ministro da Indústria de Defesa e do Desenvolvimento Internacional e do Pacífico australiano referiu também a importância de Timor-Leste para a Austrália, salientando que desde que o Governo australiano tomou posse já três ministros visitaram Díli. “Portanto, isso é um sinal do carinho e respeito que temos pelo povo de Timor-Leste”, disse Pat Conroy.

O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, destacou que a Austrália vai apoiar o país em áreas que Timor-Leste precisa e para “fortalecer o Estado”. “Precisamos mesmo de desenvolver o país e fortalecer o Estado nas áreas sociais, como saúde e educação, criação de emprego e segurança”, afirmou o primeiro-ministro.

Xanana Gusmão disse também que durante o encontro com Pat Conroy falaram sobre o oceano, a economia azul e a ilha de Ataúro, centro de biodiversidade. “Vamos continuar a conversar e a explorar sobre o que precisamos. Vão ajudar-nos. O único princípio é que nos ajudem naquilo que precisamos. É o único princípio que vai reforçar a nossa relação e amizade”, salientou o chefe do Governo timorense.

Durante a sua estada em Díli, o ministro australiano terá encontros com vários membros do Governo para “reforçar o compromisso da Austrália com o desenvolvimento económico e humano” do país, salienta, em comunicado, a embaixada da Austrália. In “Ponto Final” - Macau

 

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

CPLP pode ser “produtor de segurança” regional em África, mas precisa de estratégia

O autor do livro “25 anos de Cooperação de Defesa na CPLP”, que foi apresentado em Lisboa, defende que aquela organização pode ser um “grande produtor de segurança” para África, mas precisa antes de uma estratégia de Defesa



Para o militar e professor universitário Luís Bernardino, a cooperação na Defesa na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) passou, ao longo de 25 anos, por “uma fase inicial, dinâmica, de construção e de consolidação”, mas, nos próximos 25, tem de avançar para “novos desafios”, entre os quais garante que ainda não constam a criação de umas Forças Armadas ou a ambição de intervir diretamente em conflitos armados.

“Temos de garantir uma visão diferente para a economia de Defesa no quadro da CPLP, temos que apostar na segurança marítima, e temos que apostar que a CPLP pode efetivamente ser um grande produtor de segurança regional em África, através da sua participação em exercícios e missões que possam ter um contributo direto para a segurança regional, nomeadamente no Golfo da Guiné, onde temos cinco estados-membros da CPLP”, frisou.

A CPLP precisa de “ter uma estratégia de Defesa”, defendeu, o que “implica (…) uma maior congregação de vontades políticas, ou seja, um maior interesse dos Estados em reforçar e tornar esta cooperação como algo mais significativo dentro da estratégia de cada um dos Estados”.

Na prática, pretende-se “um compromisso mais sólido” com a cooperação na Defesa, o que pode tornar “a CPLP num instrumento mais potente de produção de segurança em termos regionais e globais”, concluiu.

O militar recordou que a cooperação bilateral na área da Defesa está na origem da multilateral que hoje existe, pois, a partir do momento em que a arquitetura de Defesa da CPLP existiu, ou seja, o conjunto dos instrumentos que constam do protocolo de Defesa assinado em 2006, esta passou “a dominar inteiramente, com reuniões e exercícios que envolvem todos os países da CPLP”.

Existe um outro mecanismo “muito mais importante e com um reforço de capacidades, que é a CPLP”, frisou. Este é hoje “um mecanismo de troca de experiências, contributos para a operacionalização das Forças Armadas dos países da CPLP, de apoio à construção da identidade da Defesa dentro destes países, que procura uma estratégia de Defesa para os oceanos, dar resposta a catástrofes e ter uma maior visibilidade dentro daquilo que é o domínio dos próprios Estados”, e promotor de uma cooperação que, no seu entender, é “proativa”, através de missões de observação eleitoral, de missões de bons ofícios, de participação nas Nações Unidas, onde é observador.

Para Luís Bernardino, o desafio maior da CPLP para os próximos 25 anos, tema do terceiro capítulo do seu livro, é o de criar “uma estratégia de Defesa”.

Quanto a Portugal, o autor do livro considera que o país contribuiu “decisivamente para a construção da CPLP, na área da Defesa”. “Portugal teve um papel inicial fundamental na criação das condições para a construção da CPLP como mecanismo de cooperação multilateral. A primeira reunião de ministros da Defesa com os PALOP [Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa], que aconteceu em 1998 no país, foi sobre as várias relações bilaterais, na qual o Brasil também participou como observador, e nela foi criado o Fórum multilateral que é a Cooperação de Defesa na CPLP”, recordou. Mas, na sua opinião, Portugal também falhou ao longo destes 25 anos. “Poderia (…) ter articulado melhor as suas estratégias gerais do Estado com esta específica de cooperação na área da Defesa”, considerou Luís Bernardino. “Não há uma estratégia nacional que possa congregar a economia, com defesa, soberania, diplomacia. E isso é algo que temos que melhorar bastante, ou seja, nós temos que nos posicionar nestes mecanismos de cooperação bi-multilateral, ou seja, actuar na cooperação bilateral, na multilateral, junto das organizações e tentar também fazer convergir estas duas formas de cooperação, para termos (…) aquilo que queremos, que é uma cooperação estratégica, com uma visão estratégica para o desenvolvimento de Portugal”, declarou. Esta foi, para o autor do livro, a maior “lacuna” de Portugal nestes 25 anos.

A apresentação em Portugal do livro “25 anos de Cooperação de Defesa da CPLP” realizou-se no auditório 1 da Universidade Autónoma de Lisboa. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”



quarta-feira, 29 de novembro de 2023

Moçambique - Reitera compromisso de manutenção da Paz e Segurança na CPLP

Moçambique reitera o compromisso de continuar a contribuir nas acções tendentes a manutenção da Paz e Segurança na Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa

Esse comprometimento foi assumido, na terça-feira, em Maputo, pelo Inspector do Ministério da Defesa Nacional, Casimiro Mueio, no âmbito de comemoração do vigésimo aniversário do Centro de Análises Estratégicas da CPLP.

Segundo a imprensa local, o Inspector do Ministério da Defesa Nacional exortou na ocasião aos membros deste Órgão de Defesa a darem o contributo para ultrapassar alguns desafios.

O Centro de Análises Estratégicas da CPLP é uma plataforma criada, de entre vários objectivos, a concertação político-diplomática, bem como a cooperação em áreas com destaque para a de Defesa e Económica. In “Jornal de Angola” - Angola


terça-feira, 28 de novembro de 2023

Japão - Pede “mais esforços” para melhorar segurança na província de Cabo Delgado em Moçambique

A ministra dos Negócios Estrangeiros do Japão, Yoko Kamikawa, pediu “mais esforços” a Moçambique para melhorar e manter a situação de segurança em Cabo Delgado, onde as empresas japonesas têm interesse nos projectos de gás natural, lê-se numa nota divulgada hoje pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros japonês, sobre o encontro da governante, em Tóquio, com a homóloga moçambicana Verónica Macamo, que se encontra em visita ao país.

“As duas ministras afirmaram também a importância de trabalhar em conjunto no desenvolvimento multifacetado que levará à estabilização da província de Cabo Delgado e ao crescimento da região norte como um todo”, refere a declaração final, acrescentando a disponibilidade do Governo do Japão para apoiar uma agenda comum para esse efeito.

As empresas japonesas estão envolvidas no projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, estimado em 20 mil milhões de dólares, mas que foi suspenso devido aos ataques terroristas em Cabo Delgado, com a multinacional francesa a admitir, entretanto, a retoma no início do próximo ano. In “O País” - Moçambique

 

quinta-feira, 23 de março de 2023

Portugal - Universidade de Coimbra promove curso sobre segurança em incêndios florestais

 


O Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais (CEIF) da Associação para do Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (ADAI) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) vai realizar um curso sobre segurança em incêndios florestais. A formação decorre a 28 de abril, no Auditório Laginha Serafim, do Departamento de Engenharia Mecânica, entre as 9h e as 17h.

Ao longo dos últimos anos, os aspetos ligados ao comportamento do fogo e à segurança das pessoas têm sido o principal objeto de estudo do CEIF-ADAI. Assim, neste curso, este centro da FCTUC procura incorporar alguns dos ensinamentos essenciais obtidos a partir da análise dos principais incêndios da última década, bem como do seu longo programa de investigação continuada nesta temática.

No âmbito deste curso serão abordados temas como “O panorama dos incêndios florestais em Portugal”; “Incêndios florestais e a meteorologia”; “Preparação física no combate a incêndios”; “Princípios fundamentais de segurança”; “Comportamento extremo do fogo”; e ainda, “Estudo de acidentes passados e respetivas lições aprendidas”. As intervenções ficam a cargo da equipa da ADAI, com a coordenação do Professor Domingos Xavier Viegas.

Este curso é aberto a todos os interessados na temática segurança em incêndios florestais, mas destina-se especialmente a bombeiros, técnicos de proteção civil, técnicos autárquicos, técnicos florestais, produtores florestais, sapadores, GNR e cientistas.

As inscrições, a decorrer até ao dia 25 de abril, são limitadas à capacidade da sala e o seu custo tem o valor de 70€ (inclui documentação, café e almoço). Será emitido um certificado de presença com a carga horária discriminada.

As horas de formação serão registadas pela Escola Nacional dos Bombeiros (ENB), entidade com a qual o CEIF tem um protocolo de colaboração ativo, no Recenseamento Nacional dos Bombeiros Portugueses, na ficha individual de cada bombeiro.

Saiba mais sobre o curso através desta ligação. Universidade de Coimbra - Portugal


quinta-feira, 2 de março de 2023

Moçambique - Assume presidência do Conselho de Segurança das Nações Unidas

Mulher, paz, segurança e antiterrorismo terão enfoque maior no período. O chefe da diplomacia moçambicana quer promover maior concertação com o Brasil. O mandato do país prioriza reforço do multilateralismo e emergência climática

Moçambique assume este 1º de março a liderança do Conselho de Segurança. No período de presidência rotativa do órgão, o país organizará um evento especial sobre mulher, paz e segurança para marcar os 25 anos da resolução 1325 sobre o tema.

A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Verónica Macamo, disse à ONU News que as mulheres terão um lugar à mesa para falar sobre solução de conflitos. Mas defende que também é essencial ouvir os jovens na busca pela paz.

Mulher, paz e segurança

“Nós estamos, de facto, preparados para esta direção. Como sabe, na maior parte do tempo isso vai ser feito pelo representante permanente aqui (em Nova Iorque). É uma pessoa que tem experiência. Haverá, portanto, duas sessões de alto nível. Escolhemos dirigir o debate sobre a mulher. Portanto, o tema da mulher, paz e segurança. Aqui chamamos a atenção para a criança. Quando olhamos para a criança e a juventude, sobretudo para criança e para mulher, vemos grupos sensíveis quando há situação de conflitos. Quanto à mulher e juventude estamos a olhar para interlocutores que devem ser válidos.”

O mês da presidência moçambicana culminará com um debate aberto em nível ministerial sobre o terrorismo e a prevenção do extremismo violento e reforço da cooperação em torno do tema. O embaixador Pedro Comissário falou da meta de dar visibilidade aos temas com relevância atualmente.

“O Conselho de Segurança será presidido, em pessoa, por sua excelência o presidente da República no dia 28 de março de 2023. A sessão a ser conduzida pelo presidente subordinar-se-á ao tema Combate ao terrorismo e extremismo violento.  O grande tema do dia 7 de março, na sessão do Conselho a ser presidida pela ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, é Mulher, Paz e segurança.”

Diferentes maneiras de ver o mundo

Recentemente, o órgão recebeu estudos sobre violência de grupos ligados ao Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil, ou Daesh, que citam o país. Moçambique também é alvo de “situações preocupantes” de violência armada, ao lado da Etiópia e da Ucrânia.

A ministra Verónica Macamo diz que o seu país também se fará valer da experiência de 30 anos de estabilização, após a guerra civil, encerrada em 1992.

“O problema é como ultrapassarmos as descontinuidades ou as diferentes maneiras de ver o mundo, ou o país, que nos surgem. Para encontrarmos sempre soluções para não termos que recorrer à guerra. Porque todos nós sabemos que a guerra mata e destrói. Mata e destrói. Conduz-nos ao retrocesso. E é imperdoável que nós tenhamos retrocessos. O mundo agora deveria estar a debater como se ajudar, se desenvolver e sobretudo agora que estamos num mundo global.”

Em dezembro, o Brasil conclui o mandato como membro não-permanente do Conselho de Segurança. Para Moçambique, haverá oportunidade para acertar posições e conjugar esforços pela paz global.

Debate sobre o multilateralismo

“Nós temos tido boas relações com o Brasil. Sempre tivemos. Esperamos que estas sejam incrementadas? Sem dúvidas. Quando estivemos cá até nos encontramos com o representante do Brasil. Ainda no âmbito da campanha, nós conversamos. Depois de termos ganhado as eleições também conversamos no sentido de vermos como agir. Vamos concertar a estratégia e os pontos de vista, para vermos efetivamente aquilo que é comum. Nesses casos, quando a estratégia é comum e quando temos que pensar de uma mesma matéria, é fácil conjugar esforços para também nos defendermos. Mas, mesmo quando não o conseguimos, podemos sentar-nos para ver se há uma plataforma de nos entendermos para defender as nossas posições e interesses da melhor maneira.”

Foi concorrendo no grupo da África que Moçambique foi eleito para o Conselho de Segurança com o total de 192 votos válidos dos 193 Estados-membros da Assembleia Geral.

O país teve o maior número do que os outros quatro novos ocupantes de assentos não permanentes: Equador, Suíça, Malta e Japão.

Na altura, a nação lusófona também apontou como prioridade debater o multilateralismo e a ameaça representada pela alteração climática. ONU News – Nações Unidas


segunda-feira, 25 de julho de 2022

UCCLA - Lançamento do livro “O Tráfico de Armas Ligeiras” de José Luís Higino de Sousa


Terá lugar no dia 29 de julho, às 18 horas, o lançamento do livro “O Tráfico de Armas Ligeiras. Implicações para a Paz e a Segurança na Região dos Grandes Lagos” da autoria de José Luís Caetano Higino de Sousa, General “Zé Grande”, no auditório da UCCLA.

A sessão contará com as intervenções do Secretário-geral da UCCLA, Vitor Ramalho, e do Reitor da Academia de Ciências Sociais e Tecnologias-ACITE, Pedro Dengue. O livro será apresentado pelo Embaixador e Professor Catedrático Convidado da ACITE, Miguel Bembe, e pelo Professor Doutor da Universidade de Lisboa, Luís Brás Bernardino.

Programa do evento

No prefácio do livro:

“(…) O autor, com uma larga experiência ao serviço do Ministério da Defesa Nacional e dos Órgãos de Inteligência e de Segurança de Estado (OISE), da República de Angola, traz-nos um amplo estudo científico que contribui para um melhor e mais profundo conhecimento sobre o comércio ilícito e a disseminação de armas ligeiras e de pequeno calibre (ALPC), as implicações destas armas na agudização dos conflitos violentos, das ações terroristas, e do tráfico de drogas e seres humanos na Região dos Grandes Lagos. (…)”

Miguel César Domingos Bembe

“(…) Neste quadro, a presente obra transporta-nos para uma realidade global que tem impacto em África e, mais concretamente, na Região dos Grandes Lagos, evidenciando que o tráfico de armas ligeiras e de pequeno calibre e o comércio ilegal de armas e munições é uma matéria relevante, atual, pouco estudada com profundidade e uma temática que tem implicações nos Estados e nas Organizações Regionais africanas, e com repercussões diretas na sociedade, nomeadamente ao nível da segurança humana e do desenvolvimento sustentado na região. (…)”

Luís Brás Bernardino

Na nota de abertura:

“(…) um livro que foca, tão intensa e sistematicamente, as principais dinâmicas da segurança na Região dos Grandes Lagos, é um poderoso instrumento que nos impele a refletir sobre o que podemos fazer para termos uma sociedade mais segura e, por consequência, mais próspera.

Esse é o desafio premente e permanente em África, esse é também o desafio de todos os dias em Angola… providenciar segurança e desenvolvimento para todos, combatendo o tráfico de armas ligeiras e de pequeno calibre, pois temos a noção plena que sem armas a prevenção e gestão de conflitos se tornaria mais fácil e muito mais eficaz. (…)”

João Manuel Gonçalves Lourenço

Presidente da República de Angola

Presidente da CIRGL

Biografia do autor:

José Luís Caetano Higino de Sousa (Zé Grande) é Professor Doutor em Ciência Política, pelo Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL) e General das Forças Armadas Angolanas (FAA). Ocupa, desde abril de 2018, o cargo de Diretor-Geral do Serviço de Inteligência Externa (SIE) e o de Presidente do Comité Regional de Coordenação (CRC) da CIRGL, desde 2021. Entre 2019 e 2021, desempenhou também o cargo de Presidente do Comité de Inteligência dos Serviços de Segurança de África (CISSA) para a Região da África Austral.

O seu percurso académico inclui um doutoramento em Ciência Política, um mestrado em Relações Internacionais e Estudos Europeus, uma pós-graduação em Intelligence e Estudos de Segurança e outra em Direito e Segurança, uma licenciatura em Relações Internacionais e outra em Ciências do Comportamento. Para além disso, conta ainda com uma formação profissional transversal nas áreas de Ciência Política e Relações Internacionais, Inteligência e Segurança, Ciência e Arte Militar e Liderança, realizadas em Angola, Portugal, Brasil, URSS, Israel e EUA. Atualmente, é pós-doutorando em Estratégia, pelo ISCSP (Universidade de Lisboa).

Ao longo do seu percurso militar, começou por desempenhar diversas funções, entre a de Comandante da Companhia Independente de Reconhecimento e Informações da 5.ª Região Militar, em 1980, até ao cargo de Chefe do Estado-Maior General Adjunto das FAA, para a Área Operacional e de Desenvolvimento, em 2014.

É Professor Associado Convidado da Academia de Ciências Sociais e Tecnologias - ACITE. Foi, igualmente, Professor Auxiliar pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Relações Internacionais (CIS) e Professor Assistente no Instituto Superior de Ensino Militar (ISEM), atual Escola Superior de Guerra, em Luanda.