Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 22 de abril de 2026

Brasil - Calor extremo ameaça agricultura e segurança alimentar

O aumento do calor extremo está a redefinir a agricultura no Brasil, com impactos crescentes na produção e na segurança alimentar, segundo um relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO)


No documento, elaborado em conjunto com a Organização Meteorológica Mundial, afirma-se que "o calor extremo está a tornar-se uma das ameaças mais graves para a agricultura a nível global", afetando culturas, pecuária, pescas e florestas de forma simultânea.

No caso brasileiro, o relatório inclui um estudo específico sobre a onda de calor de 2024 e 2025, destacando efeitos combinados de temperaturas elevadas e seca sobre vastas áreas agrícolas.

Segundo o relatório, estes fenómenos estão ligados às alterações climáticas - ampliadas por um forte El Niño - e tendem a tornar-se mais frequentes e intensos nas próximas décadas.

A FAO sublinha que o calor extremo "atua como um multiplicador de risco", agravando impactos já existentes sobre a produção alimentar, com quebras de colheitas e redução da produção nacional, inclusive na pecuária, o que pressiona a inflação de alimentos.

Em relação à soja, alimento que o Brasil mais exporta, a FAO observou que a produção foi duramente atingida, pois as temperaturas "excederam o limite crítico de 30°C" em mais de 60% dos dias durante a sua estação de crescimento.

Devido ao "stresse térmico implacável", a estimativa oficial para a colheita brasileira de soja foi reduzida em quase 10%, resultando em milhões de toneladas de alimentos perdidos.

O calor extremo também favoreceu a proliferação de pragas, como a "mosca-branca e fungos", que atacaram plantações de batata, feijão e cana-de-açúcar em várias áreas produtoras no estado de São Paulo.

A pecuária também foi amplamente afetada, com efeitos registados em praticamente todo o território brasileiro.

A pecuária leiteira também sofreu um "impacto significativo na saúde e produtividade" das vacas, especialmente no Sudeste brasileiro, segundo o documento.

Vacas sob forte stresse por calor, acrescenta-se no relatório, produzem menos leite e podem gerar descendentes com "desempenho reduzido", o que representa uma perda económica irreversível para o produtor rural.

Segundo a mesma fonte, em 2024 registou-se o "maior número de focos de incêndio e de área queimada" desde 2010, sendo que os picos mais evidentes foram no Centro-Oeste do Brasil atingindo os biomas da Amazónia, Pantanal e Cerrado.

"Os incêndios florestais devastaram uma área equivalente ao tamanho de Itália e causaram grave poluição atmosférica por micropartículas", sublinhou.

Sem a alteração climática induzida pela atividade humana, destaca-se no estudo, fenómenos devastadores como os incêndios no Pantanal em 2024 teriam sido "10.000 por cento menos frequentes" no território brasileiro.

Sobre a Amazónia, a FAO alerta que a combinação de calor extremo, seca e degradação ambiental pode reduzir a resiliência da floresta, aumentar o risco de incêndios e afetar o papel da floresta na regulação do clima global.

No relatório estima-se que cerca de 7% da floresta seja destruída para cada grau de aumento na temperatura global acima do limite de 1,5 °C.

Se o crescimento da floresta tornar-se negativo, aponta-se no estudo, a região corre o risco crítico de transitar para uma fonte líquida de emissões, acelerando o aquecimento global.

No relatório, chama-se a atenção para o mecanismo de retroalimentação, gerado pela perda de cobertura florestal e pela exposição do solo, o que provoca aquecimento da região.

Segundo a FAO, "em áreas da Amazónia, este ciclo de retroalimentação com solos expostos pode aumentar os efeitos locais do aquecimento em mais de 300%", agravando o impacto climático. In “Expresso das Ilhas” – Cabo Verde com “Lusa”


quarta-feira, 4 de março de 2026

Internacional - As alterações climáticas são uma má notícia para as baterias de veículos elétricos

Temperaturas mais elevadas aceleram a degradação das baterias em veículos elétricos, representando um fator decisivo para quem está a considerar a transição


As alterações climáticas criaram um dilema para a transição para veículos elétricos (VE), mas os avanços na tecnologia de baterias podem superar o aumento das temperaturas.

Nos últimos anos, as preocupações ambientais têm motivado muitas pessoas a optarem por veículos elétricos. De acordo com dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA), as vendas de carros totalmente elétricos ultrapassaram as de veículos movidos exclusivamente a gasolina na União Europeia pela primeira vez em dezembro de 2025.

Apesar da UE ter suavizado a sua proibição de emissões de automóveis para 2035, o bloco também registou mais carros híbridos elétricos no ano passado, sinalizando uma mudança substancial. No final de 2025, os registos de carros a gasolina caíram 18,7%, com declínios em todos os principais mercados.

No entanto, um dos principais fatores decisivos que impedem as pessoas de optarem por um veículo elétrico é a sua capacidade de lidar com condições climáticas extremas.

O aquecimento global está a prejudicar as vendas de veículos elétricos?

2025 foi o terceiro ano mais quente em todo o mundo e na Europa, com temperaturas médias globais atingindo 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

Segundo o serviço de monitorização meteorológico Copernicus, o pico foi atribuído ao acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera e ao aumento da temperatura da superfície do mar – ambos fatores amplificados pela atividade humana.

Um estudo de 2025 da revista What Car? revelou que os veículos elétricos podem perder até 44% da sua autonomia declarada quando expostos a temperaturas entre 32 e 44°C.

A Polestar, fabricante de carros elétricos de alto desempenho, afirma que a temperatura tem um "grande impacto" na degradação da bateria, pois afeta as reações químicas no seu interior.

“Assim como as baixas temperaturas desaceleram tudo, as altas temperaturas podem criar reações mais rápidas, o que pode levar a reações indesejadas que fazem com que a sua bateria se degrade mais rapidamente”, acrescenta a empresa.

No entanto, um estudo da Universidade de Michigan descobriu que as recentes melhorias na tecnologia de baterias de veículos elétricos já podem estar a superar a degradação causada pelas alterações climáticas.

Investigadores analisaram a durabilidade de baterias antigas de veículos elétricos, fabricadas entre 2010 e 2018, em comparação com baterias novas, fabricadas entre 2019 e 2023.

Num cenário em que o planeta aquecesse em média 2°C, os veículos elétricos com baterias fabricadas entre 2010 e 2018 teriam a sua vida útil reduzida em até 30%.

Mas, para baterias novas, os investigadores descobriram que a queda média na vida útil é de apenas três por cento, com uma queda máxima de 10 por cento.

'Mais confiança' em veículos elétricos, mas apenas nalguns países

“Graças aos avanços tecnológicos, os consumidores devem ter mais confiança nas baterias dos seus veículos elétricos, mesmo num futuro mais quente”, afirma Haochi Wu, autor principal do estudo, publicado na revista Nature.

O autor principal, Michael Craig, destaca que o estudo tem uma ressalva importante: a equipa utilizou apenas dois veículos elétricos representativos no seu trabalho. Esses veículos foram o Tesla Model 3 e o Volkswagen ID.3.

“Em regiões como a Europa e os EUA, acreditamos ter um bom domínio da tecnologia de baterias disponível nessas regiões”, diz Craig.

“Mas quando analisamos cidades na Índia ou na África subsaariana, por exemplo, elas podem ter frotas de veículos muito diferentes – e quase certamente têm. Portanto, os nossos resultados podem ser otimistas para essas regiões.”

Muitas dessas regiões sentirão os efeitos mais severos das alterações climáticas, o que, segundo os investigadores, demonstra como as desigualdades são agravadas pelo aquecimento global. Euronews


terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Moçambique - Insegurança e choques climáticos agravam situação alimentar no país

Cerca 3,5 milhões de pessoas enfrentam níveis elevados de insegurança alimentar aguda, deste número 277 mil necessitam de intervenção urgente para minimizar a situação


As regiões moçambicanas do norte e centro são as mais afetadas pela insegurança alimentar e por choques climáticos. São as províncias de Cabo Delgado e Nampula, no Norte, Zambézia, Tete e Sofala no Centro.

O deslocamento relacionado com o conflito, os impactos de ciclones e choques climáticos recorrentes têm degradado significativamente os meios de subsistência e a capacidade de resposta das populações.

Intervenção urgente

O líder da equipa de Análise de Vulnerabilidade e Mapeamento do WFP Moçambique, Domingos Reane, diz que os grupos mais afetados incluem agregados familiares rurais e populações em distritos afetados pelos ciclones.

“Deste número de 3,5 milhões temos cerca de 277 mil pessoas que estão na fase 4. A Fase 4 quer dizer que são pessoas que têm grande défice alimentar e por vezes com desnutrição aguda já elevada. São pessoas que necessitam de intervenção urgente para minimizar estes problemas de segurança alimentar”

Dos 108 distritos avaliados, o resultado é de 3,5 milhões de pessoas em insegurança alimentar aguda. É a combinação das duas avaliações que foram feitas em 2025. A avaliação pós-choque efetuada em abril de 2025 e avaliação pois colheita em setembro de 2025.

O especialista do WFP detalha a análise afirmando que todos os grupos enfrentam problemas de segurança alimentar. Ele cita os fatores que determinaram o elevado índice de insegurança alimentar no país.

Causas do elevado índice de Insegurança alimentar

“A irregularidade das chuvas e o período prolongado de seca, os efeitos cumulativos dos sucessivos ciclones, a insegurança persistente e o deslocamento que têm ocorrido na zona norte devido aos conflitos, continuam a perturbar os meios de subsistência e continuam a restringir acesso ao alimento, ao mercado e aos serviços básicos e por ultimo, os preços elevados dos alimentos e a redução do poder de compra continuam a limitar o acesso a alimentação de muitos familiares pobres.”

Embora algumas áreas produtivas tenham registado melhorias após a colheita de 2024/2025, especialistas afirmam que há uma necessidade de assistência humanitária sustentada para salvar vidas, bem como de proteção dos meios de subsistência.

Projeção

A projeção sobre a insegurança alimentar aguda no período de abril a setembro de 2026, indica que o número de necessitados de assistência urgente poderá reduzir de 1,2 milhão para cerca de 529 mil pessoas.

A insegurança alimentar aguda continua a ser um desafio para o governo e parceiros influenciados pela alta vulnerabilidade choques climáticos.

A questão é agravada pela localização ao longo da costa do Oceano Índico e pela instabilidade persistente no norte de Moçambique. Ouri Pota – Moçambique ONU News


quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Grécia - Anuncia plano para combater a seca e garantir o abastecimento de água

As alterações climáticas e a seca "ameaçam" Atenas com escassez de água pela primeira vez em 30 anos. O plano de emergência visa evitar essa situação


A Grécia acaba de lançar projetos no valor de 2,5 mil milhões de euros para implementar o seu plano de gestão hídrica e enfrentar a crescente ameaça de escassez de água.

O Ministro do Meio Ambiente e Energia, Stavros Papastavrou, anunciou o investimento juntamente com o Primeiro-Ministro Kyriakos Mitsotakis no evento de comemoração do centenário da Companhia de Abastecimento de Água e Esgoto de Atenas (EYDAP). Eles enfatizaram que a água continuará sendo um bem público e manterá o seu status como uma das de mais alta qualidade na Europa.

O ponto central do plano é um projeto para desviar parcialmente o fluxo dos rios Krikeliotis e Karpenisiotis para o reservatório de Evinos, que abastece a capital grega. O objetivo é garantir o abastecimento de água da Ática pelas próximas três décadas.

Papastavrou alertou que as alterações climáticas estão s agravar a escassez de água num momento em que a disponibilidade hídrica na Grécia está próxima de mínimos históricos. As novas medidas visam garantir água potável para mais da metade da população do país e promover maior coordenação na gestão dos recursos hídricos em âmbito nacional.

O principal projeto de desvio do rio

A peça central do plano é o desvio parcial dos rios Krikeliotis e Karpenisiotis para o reservatório de Evinos. A conclusão do projeto está prevista para o primeiro semestre de 2029 – um século depois da conclusão da Barragem de Maratona.

Entretanto, a EYDAP está a implementar medidas a curto prazo para reforçar imediatamente o abastecimento de água da Ática. Estas incluem a exploração de novos poços em Mavrosouvala, Ymittos e nos Montes Cifisos da Beócia, que, em conjunto, poderão fornecer cerca de 150 milhões de metros cúbicos de água anualmente, assim que estiverem operacionais.

Papastavrou afirmou que dois importantes projetos de médio prazo também estão em andamento, caso sejam necessários. O primeiro envolve um aqueduto para ligar o Sistema Externo de Abastecimento de Água às instalações de dessalinização. O segundo é uma nova central de dessalinização em terra com capacidade de até 87,5 milhões de metros cúbicos por ano.

O governo também planeia expandir a abrangência geográfica da EYDAP e da EYATH para incluir a irrigação nas suas áreas de atuação, ao mesmo tempo em que procura simplificar o cenário fragmentado da gestão de recursos hídricos na Grécia, consolidando 750 fornecedores.

Mitsotakis: Crise hídrica dos anos 1990 'não se deve repetir'

Em discurso no evento do centenário da EYDAP, no Museu de História Natural Goulandris, o primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis alertou para o perigo muito real da escassez de água que a região da Ática enfrenta.

"A Ática enfrenta um problema muito sério em termos de abastecimento de água se medidas drásticas não forem tomadas. Esperança não é estratégia e temos de estar preparados para o pior cenário."

Ele acrescentou que o desvio parcial dos rios Krikeliotis e Karpenisiotis poderia transferir mais de 200 milhões de metros cúbicos de água por fluxo natural, sem estações de bombeamento.

"Este projeto garantirá que, pelos próximos trinta anos, a Ática não enfrentará problemas de abastecimento de água", enfatizou o primeiro-ministro grego, lembrando "a crise de abastecimento de água da década de 1990, que jamais se deve repetir". Euronews.green


quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Islândia – Pela primeira vez foram encontrados mosquitos, após temperaturas recordes

Depois que a espécie foi identificada perto da capital da Islândia, a Antártida continua a ser o único refúgio livre de mosquitos do mundo


Pela primeira vez na história, mosquitos foram detectados em solo islandês.

Até este mês, a Islândia era um dos únicos lugares do planeta que não tinha população de mosquitos, graças ao seu clima inóspito e à ausência de água parada. O único outro paraíso livre de mosquitos agora é a Antártida.

Agora, as alterações climáticas estão a aquecer o país quatro vezes mais rápido que o resto do hemisfério norte, resultando no derretimento de glaciares sem precedentes e ondas de calor frequentes.

Em maio deste ano, a Islândia registou o seu dia mais quente, com temperaturas a chegar a impressionantes 26,6°C, enquanto regiões do país registaram temperaturas mais de 10°C acima da média durante a primavera.

Teme-se que este aquecimento rápido permita que o infame inseto sobreviva no país e se estabeleça nos pântanos e lagoas da Islândia.

Mosquitos

Acredita-se que o entusiasta de insetos Bjorn Hjatason tenha encontrado três mosquitos no vale glacial de Kjós, perto de Reykjavik, enquanto usava cordas embebidas em vinho, normalmente usadas para observar mariposas.

Na quinta-feira, 16 de outubro, ele compartilhou a sua descoberta numa página local do Facebook, descrevendo o primeiro inseto que capturou como uma “mosca estranha”.

“Percebi imediatamente que aquilo era algo que eu nunca tinha visto antes”, escreveu ele.

Hjatason enviou os três mosquitos para o Instituto de Ciências Naturais da Islândia, onde o entomologista Matthías Alfreðsson os identificou como duas fêmeas e um macho Culiseta annulata.

Estes tipos de mosquitos são mais resistentes ao frio do que outros e podem ser encontrados em climas rigorosos, como a Sibéria.

Alfreðsson afirma que as espécies geralmente procuram abrigo em áreas internas, como celeiros, para resistir às condições rigorosas do inverno.

As alterações climáticas estão a atrair mosquitos?

O entomologista não tem a certeza se as alterações climáticas pode ser a única culpada pela chegada dos mosquitos, mas alerta: “O aumento das temperaturas provavelmente aumentará o potencial de outras espécies de mosquitos se estabelecerem na Islândia, caso cheguem”.

Também é possível que os insetos tenham chegado de outros países por meio de navios ou contentores.

Há vários anos, um mosquito de uma espécie diferente foi descoberto num avião no Aeroporto Internacional de Keflavík. No entanto, o inseto nunca havia sido avistado na natureza até este mês.

Agora, será necessária uma monitorização mais aprofundada para confirmar se a espécie de mosquito tornou-se “verdadeiramente estabelecida” na Islândia. Euronews.green


sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Portugal - Cientistas descobrem que algas marinhas são um poderoso reservatório de carbono nas florestas marinhas

Cientistas alertam que as alterações climáticas estão a ameaçar a capacidade das algas de armazenar carbono e sustentar a biodiversidade


Cientistas descobriram que florestas marinhas na costa norte de Portugal desempenham um papel importante na captura e armazenamento de carbono.

A pesquisa pioneira vem do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) e do Centro de Ciências Marinhas e Ambientais (MARE) de Portugal.

Pela primeira vez, investigadores mediram a quantidade de carbono sequestrado por algas marinhas nesses ecossistemas subaquáticos.

Mas eles alertam que as alterações climáticas estão a ameaçar a sua capacidade de armazenar carbono e sustentar a biodiversidade.

As florestas de algas marinhas de Portugal demonstram uma notável capacidade de armazenamento de carbono

O estudo, publicado na revista Scientific Reports, concentra-se nas duas espécies de algas predominantes ao longo da costa norte de Portugal: Laminaria hyperborea e Saccorhiza polyschides.

As florestas de algas marinhas são fundamentais para sustentar a biodiversidade marinha e a produtividade dos ecossistemas na área.

"Esses habitats são comuns na costa norte de Portugal, onde existem condições únicas para o seu desenvolvimento, e representam a fronteira mais meridional para algumas das espécies aqui encontradas", explica Francisco Arenas, do CIIMAR, que coliderou o estudo.

A pesquisa marcou a primeira análise quantitativa das reservas de carbono nos habitats de algas do norte de Portugal por meio de pesquisa de campo abrangente, medindo distribuição, densidade de biomassa, padrões de crescimento e composição de carbono.

"Foi a primeira avaliação do valor do carbono azul associado às florestas de algas em Portugal", diz Arenas.

As descobertas revelam que esses ecossistemas armazenam aproximadamente 16,48 gigagramas (Gg) de carbono em 5189 hectares — uma área equivalente a mais de 5000 campos de futebol.

Apesar de ocuparem um território relativamente modesto em escala global, essas florestas de algas marinhas podem capturar carbono numa escala semelhante ou maior do que ecossistemas mais extensos.

A quantidade de carbono armazenada por esses habitats de algas representa 14% do inventário de carbono azul documentado de Portugal, anteriormente limitado a pântanos salgados e pradarias de ervas marinhas.

As florestas marinhas de Portugal estão em risco devido às alterações climáticas

Estima-se que essas florestas de algas marinhas capturem um terço de todo o carbono sequestrado anualmente pelos habitats de plantas marinhas de Portugal.

Apesar disso, os cientistas por trás do estudo dizem que a contribuição das florestas marinhas para os esforços de mitigação climática tem sido historicamente negligenciada.

Eles são "frequentemente desconhecidos e subvalorizados, apesar do seu valor ecológico e económico extremamente importante na costa norte de Portugal", diz Arenas.

Além disso, essas florestas marinhas estão sendo ameaçadas pelas alterações climáticas.

“Já foi detetado um processo de tropicalização nas águas portuguesas , que coloca em risco a biodiversidade associada, bem como os serviços ecológicos que estas florestas prestam, incluindo a capacidade de capturar e armazenar carbono, conhecido como carbono azul, contribuindo para a mitigação das alterações climáticas”, acrescenta Arenas.

A tropicalização é um fenômeno ecológico global em que o aquecimento das temperaturas do mar está permitindo que espécies tropicais e subtropicais expandam seu alcance em direção aos polos.

A pesquisa propõe políticas direcionadas para vigilância, proteção e potencial restauração dessas zonas, enfatizando sua dupla importância como repositórios de carbono e habitats marinhos críticos.

Dada a emergência climática atual, os investigadores defendem a incorporação de florestas de algas marinhas em estruturas de proteção marinha e carbono azul como prioridades nacionais e internacionais.

"Com a Lei de Restauração da Natureza da União Europeia nos seus estágios iniciais de implementação, é urgente desenvolver e implementar técnicas eficazes de restauração ecológica, particularmente em habitats que são altamente vulneráveis, mas também têm alto potencial para fornecer serviços ecossistémicos, como florestas marinhas", diz Arenas. Euronews.green


quarta-feira, 10 de setembro de 2025

Japão - Aumento das temperaturas afeta duramente a agricultura

Nos últimos anos, o Japão registou temperaturas recordes, o que teve um grande impacto na agricultura. O aumento das temperaturas e as condições climáticas adversas afetam diretamente a qualidade e o rendimento do arroz, dos vegetais e das frutas que consumimos


Alterações causadas pelo aumento das temperaturas

O arquipélago japonês estende-sr de norte a sul e é uma ilha longa e estreita com uma ampla variedade de climas, desde Hokkaido, onde os invernos são frios e há muita neve acumulada, até Kyushu e Okinawa, no sul, onde o clima é subtropical.

No Japão, espera-se que as temperaturas aumentem drasticamente nos próximos anos.

As temperaturas do verão, em particular, aumentam a cada ano, com um número crescente de dias extremamente quentes com temperaturas máximas de 35°C ou mais. Uma das razões para isso é o fortalecimento do sistema de alta pressão do Pacífico no verão. Quando as temperaturas da superfície do mar aumentam, especialmente ao redor das Filipinas, no Pacífico Ocidental, o sistema de alta pressão ao redor do Japão fortalece-se, facilitando a continuidade do tempo ensolarado. Como resultado, as altas temperaturas persistem não apenas no verão, mas também no outono, e, embora haja breves períodos de frio no inverno, as temperaturas tendem a subir.

Além disso, o aumento das temperaturas aumenta a quantidade de vapor d'água na atmosfera, resultando em chuvas mais intensas num curto período. Isso levou a um aumento nos danos causados ​​por inundações, enquanto o risco de seca também está a aumentar devido à redução do número de dias chuvosos. Noutras palavras, o clima do Japão está alterando na direção de "calor e chuva extremos", criando um ambiente extremamente hostil para a agricultura.

A qualidade e os rendimentos do arroz, trigo e soja de marcas premium diminuíram

O arroz, alimento básico do Japão, sofre com a queda de qualidade devido às altas temperaturas. Se a temperatura média ultrapassar 26-27 °C nos 20 dias após a floração, o número de grãos brancos e imaturos aumenta, reduzindo o seu valor de mercado. Em 2023, isso afetou severamente as variedades de arroz de marcas de luxo do Japão, como o "Koshihikari" de Niigata e o "Tsuyahime" de Yamagata. Além disso, se o calor extremo de 35 °C ou mais persistir durante o período de floração, a polinização não ocorrerá de forma suave, resultando num fenómeno conhecido como "esterilidade por alta temperatura", no qual os grãos de arroz não produzirão grãos. Esse fenómeno generalizou em Kyushu e outras áreas em 2024.

A soja também está a ser afetada pelas alterações climáticas em áreas ao sul de Honshu, com exceção de Hokkaido. Em particular, no norte de Kyushu, onde a soja era originalmente produzida em grandes quantidades, as colheitas diminuíram nos últimos anos a ponto de se dizer que não haverá colheitas abundantes e, na melhor das hipóteses, haverá colheitas medianas.

Enquanto isso, em Hokkaido, onde os verões têm sido relativamente frescos, o aumento das temperaturas tem tido um efeito positivo na qualidade do arroz até agora. No entanto, em 2011, as altas temperaturas causaram uma queda na qualidade do arroz da marca "Yumepirika". Hokkaido produz não apenas arroz, mas também trigo, batata e beterraba (uma fonte de açúcar) em grandes quantidades. Altas temperaturas e chuvas prolongadas também podem reduzir o rendimento dessas culturas, afetando a sua qualidade.

Vegetais e frutas podem sofrer queimaduras solares, o que resulta na coloração ruim e afeta o seu sabor

Atualmente, muitas frutas e vegetais cultivados no Japão são vulneráveis ​​a altas temperaturas, e os danos foram generalizados por todo o país em 2023 e 2024. Frutas e vegetais, como tomates e beringelas, estão a enfrentar problemas como queimaduras devido à forte luz solar e altas temperaturas, além de polinização deficiente, que impede a frutificação.

Altas temperaturas do inverno à primavera podem acelerar o crescimento de hortaliças folhosas e raízes, causando avanços na colheita. No verão, as temperaturas podem ser muito altas e interromper o crescimento, resultando em produtividade reduzida. Isso torna o fornecimento de hortaliças instável e os preços mais propensos a flutuar.

No caso dos morangos, as altas temperaturas continuaram durante o período de formação dos botões florais, o que fez com que as remessas não pudessem ser feitas a tempo para a temporada de Natal.

Queimaduras solares e coloração ruim eram comuns em maçãs, uvas e tangerinas. Em particular, estima-se que cerca de 30% das maçãs em todo o país foram afetadas por coloração ruim em 2011. Além disso, com o aumento da temperatura, o teor de açúcar da fruta aumenta, mas a acidez diminui, alterando o equilíbrio do sabor.

Gado vulnerável a altas temperaturas, acelerando danos causados ​​por aves e animais

As alterações climáticas estão a ter um impacto multifacetado na indústria pecuária do Japão. Temperaturas mais altas tornam os animais como vacas, porcos e galinhas mais suscetíveis ao estresse térmico, resultando em redução na produção de leite, crescimento e capacidade reprodutiva. Enquanto isso, enquanto as altas temperaturas estão a causar mudanças nas espécies de pastagens para forragem e acelerando o crescimento de milho e pastagens, potencialmente aumentando a produtividade, novos desafios estão a surgir, como um declínio na qualidade e aumento dos danos causados ​​por pragas, doenças e animais selvagens. O aumento dos danos causados ​​por pragas, doenças e animais selvagens é comum a todas as culturas. Os impactos de temperaturas mais altas e menos neve devido ao aquecimento global também estão a mudar os habitats e as áreas de distribuição da vida selvagem. em parte, às pastagens e às culturas forrageiras por veados, javalis e ursos são particularmente graves, devido em parte à necessidade de manejar áreas maiores de terras agrícolas de forma mais extensiva do que para outras culturas.

Fortalecimento de medidas para evitar danos

Em resposta às alterações climáticas, diversas medidas estão a ser implementadas na agricultura japonesa. No cultivo de arroz, medidas estão a ser tomadas para reduzir o impacto das altas temperaturas, alterando a data de plantio, aprimorando os métodos de cultivo e gerenciando a água e os fertilizantes. Em particular, os verões dos últimos anos têm sido ensolarados e com altos níveis de luz solar, portanto, uma técnica de cultivo notável é evitar a queda na qualidade aplicando mais fertilizante antes que as espigas de arroz emerjam nessas condições. Além disso, houve progresso no desenvolvimento de variedades de arroz que podem suportar altas temperaturas, e um número considerável de variedades tolerantes ao calor está agora disponível, e a sua popularidade está a aumentar.

Para culturas de campo, como soja e trigo, a principal resposta até agora tem sido por meio de mudanças nos métodos de cultivo. Na região de Okhotsk, no norte de Hokkaido, onde a soja não era muito cultivada anteriormente, o cultivo está-se a expandir e, como resultado, isso está a contribuir para compensar o declínio da produtividade em áreas ao sul de Honshu.

Há muitas variedades de vegetais e frutas para escolher, por isso é relativamente flexível mudar para variedades que se adaptam ao clima. Em Hokkaido, culturas adequadas para climas quentes, como batata-doce e amendoim, estão a ser introduzidas. No cultivo em estufas, melhorias na estrutura das estufas e no ambiente de cultivo e trabalho permitiram o controlo de altas temperaturas, e esforços estão a ser feitos para aumentar o lucro.

Árvores frutíferas são culturas cultivadas ao longo de muitos anos, o que as torna suscetíveis aos efeitos das alterações climáticas. No entanto, como a qualidade é tão importante, pode ser difícil responder a essas mudanças. Excelentes fruticultores cultivam diversas variedades para diversificar os riscos e ajustar os períodos de colheita para evitar os efeitos das altas temperaturas.

Movimentos para criar novas áreas de produção

A introdução de novas árvores frutíferas também pode levar à criação de novas áreas de produção. Na província de Akita, os produtores de maçãs começaram a cultivar pêssegos, e a província está a atrair a atenção como a "área de produção mais ao norte", no sentido de que a temporada de colheita de pêssegos é a mais tardia do país.

No oeste do Japão, algumas regiões estão a migrar de tangerinas Satsuma para variedades cítricas tardias e começando a introduzir árvores frutíferas tropicais e subtropicais. No que diz respeito às uvas para vinho, há uma forte procura por um equilíbrio entre o teor de açúcar e a acidez para garantir vinhos de alta qualidade. Por esse motivo, a produção de uvas está cada vez mais a migrar para regiões mais frias e de altitude, como Hokkaido, onde variedades adaptadas ao clima estão a ser cultivadas. Além disso, há exemplos de vinícolas da Borgonha, uma prestigiosa região vinícola francesa, pioneiras em novos vinhedos e que concluíram a construção de vinícolas em Hokkaido. Isso também pode ser visto como um movimento internacional em direção a locais mais adequados devido aos efeitos das alterações climáticas.

As estratégias de vendas e distribuição também são fundamentais

Responder às alterações climáticas não se resume apenas à forma como as culturas são cultivadas; estratégias de vendas e distribuição, como "onde, o quê e como vender", também são importantes. Mesmo ao alterar as culturas cultivadas em resposta a mudanças de temperatura, é necessário considerar as necessidades de mercado dessas culturas. As culturas não são apenas produtos agrícolas, mas também commodities económicas. É por isso que os agricultores escolhem variedades com base não apenas na "facilidade de cultivo", mas também na "facilidade de venda". Mesmo que a produtividade seja alta, de nada adianta se a cultura não puder ser vendida. Ao selecionar variedades, é essencial considerar o lucro e as necessidades de mercado.

Quando se trata de frutas, a qualidade exigida varia dependendo do método de venda. No envio ao mercado, a beleza da aparência é enfatizada. As maçãs demoram a mudar de cor em anos quentes, então os agricultores usam folhas refletivas e retiram as folhas para melhorar a sua aparência. Por outro lado, ao vender diretamente aos consumidores pela internet ou em lojas de produtos agrícolas, o sabor é mais importante do que a aparência. Nesse caso, é importante atrasar a colheita e entregar a fruta totalmente madura. Ao contrário do envio ao mercado, esse tipo de venda direta pode, às vezes, ser uma oportunidade para agricultores individuais superarem as alterações climáticas por meio da sua engenhosidade única. Como tal, pode ser uma fonte estável de renda para pequenos agricultores e para aqueles que estão a começar na agricultura.

Se a pecuária leiteira pudesse engajar-se na sexta transformação industrial, processando leite em sorvetes e outros produtos para venda, poderia capitalizar o aumento da procura durante os períodos de calor como uma oportunidade de lucro. Esse lucro permitiria, então, investimentos de capital em medidas de combate ao calor. A pecuária sustentável em resposta às mudanças climáticas e à agricultura em áreas montanhosas exigirá estratégias integradas, desde a produção até a venda, bem como medidas comunitárias focadas na coexistência com o meio ambiente e a vida selvagem.

Rumo a um futuro sustentável para a gastronomia

O aquecimento global está a causar um grande impacto nas nossas dietas. A agricultura japonesa está atualmente a realizar diversos esforços para se adaptar às rápidas alterações climáticas, incluindo o aprimoramento de variedades, métodos de cultivo e a mudança de áreas de produção. Esses esforços compartilham muitos desafios comuns com a agricultura em todo o mundo e podem oferecer percepções importantes para a construção de um futuro alimentar sustentável. Tomoyoshi Hirota – Japão in “Nippon”


quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Brasil - Amazônia: cactus em lugar de árvores?

A primeira página do jornal suíço Le Temps, sobre uma foto mostrando fumaça e chamas queimando árvores, pergunta: Na Amazônia, os cactus suplantarão as árvores?

Essa pergunta decorre de um estudo publicado esta semana, na revista Nature Communications, revelando as desastrosas consequências climáticas da desflorestação da região, acompanhadas de uma diminuição constante das chuvas e da umidade. A consequência será uma gradativa passagem para o clima semi-árido do Nordeste, com a substituição das árvores frondosas por moitas de cactus, areia e poeira.

O desmatamento tinha mostrado uma ligeira diminuição na região amazônica, logo depois da eleição de Lula, mas voltou a crescer desde a metade do ano passado, com o retorno de queimadas criminosas com o objetivo de conquistar e preparar o terreno para imensas pastagens para gado. A alimentação desse gado exige também vastas áreas de plantio de soja, uma parte destinada à exportação.

Um outro estudo já havia sido divulgado, no ano passado, no qual se previa o risco de um ponto de não retorno, por volta de 2050, em grande áreas da região amazônica, com desequilíbrio do ecossistema e mudança climática. Assim, a região amazônica deixará de ser uma importante reguladora climática e perderá sua condição atual de preservadora da reserva da biodiversidade.

Faltando dois meses para a COP 30, a Conferência internacional de Belém, organizada pela ONU, sobre as mudanças climáticas, essas notícias preocupam, pois o desmatamento coincide com outros sinais preocupantes: o visível derretimento das geleiras no alto das montanhas em todo mundo, seguido por deslizamentos de encostas de montanhas, provocado por tempestades com chuvas em excesso, mais a tendência de aumento do nível dos mares com borrascas e temporais nas orlas marítimas.

De acordo com RTBF (televisão belga) a Floresta Amazônica não é mais o pulmão do mundo do mundo há dez anos, pois ela emite mais carbono do que absorvia, tendo perdido mais de 11 mil km2 de sua superfície arborizada nos últimos três anos, cerca de 17% da área nativa. À medida que avança o desmatamento, a área vai sendo ocupada por savanas e aumenta a temperatura por falta da umidade antes gerada pelas chuvas nas florestas. Assim, a previsão é a de que até 2035, haverá um aumento de 2,6 graus na temperatura da região, gerando seca e uma vegetação de cactus e caatinga, parecida com a do Nordeste.

Essa situação de seca se estenderá também às regiões vizinhas, diminuindo o volume de água nos rios, podendo afetar o fornecimento de água potável nas cidades próximas. O centro e o sul do Brasil também serão afetados com temperaturas mais elevadas. Já existem cidades paulistas onde os criadores de gado têm problemas com a água necessária para seus rebanhos. Para impedir o agravamento dessa situação só há uma solução: parar com o desflorestamento na Amazônia. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu “Dinheiro Sujo da Corrupção”, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, “A Rebelião Romântica da Jovem Guarda”, em 1966. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

Brasil - A desflorestação é responsável por quase 75% da redução das chuvas na Amazónia

 

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Brasil - A desflorestação é responsável por quase 75% da redução das chuvas na Amazónia

A desflorestação é responsável por quase 75% da redução das chuvas na estação seca na Floresta Amazónia, em comparação com 1985, de acordo com um artigo publicado na revista Nature Communications.


“Nos últimos 35 anos, a desflorestação foi responsável por aproximadamente 74% do declínio de 21 milímetros na estação seca e por 16,5% do aumento de 2°graus celsius (ºC) na temperatura máxima do ar à superfície”, indica o artigo referente ao estudo baseado em dados de satélite de grande escala.

A análise revela que a desflorestação associa-se à quantidade de chuva que diminuiu e a destruição da floresta da Amazónia, na América do Sul, é também responsável por 16,5% do aumento médio de 2ºC da temperatura registada na região (os restantes 83,5% do aumento são atribuídos às alterações climáticas).

O estudo mostra ainda que o clima da Amazónia não responde de forma linear à desflorestação e que as alterações mais acentuadas ocorrem no início do processo de destruição da floresta, entre os primeiros 10 e 40% da perda de cobertura florestal.

Os investigadores utilizaram dados de satélite que abrangem aproximadamente 2,6 milhões de quilómetros quadrados da Floresta Amazónia, entre 1985 e 2020, destacando que os efeitos da desflorestação e das alterações climáticas globais no clima da região também foram quantificados.

“Analisámos dados de longo prazo sobre as alterações atmosféricas e de cobertura do solo em 29 áreas da Amazónia Legal brasileira de 1985 a 2020, utilizando modelos estatísticos paramétricos para desvendar os efeitos da perda florestal e das alterações na temperatura, precipitação e taxas de mistura de gases com efeito de estufa”, indica o estudo.

Com os dados, tendo em conta a desflorestação atual, os autores preveem que em 2035 a região amazónica experimente um aumento médio da temperatura de 2,64ºC e uma redução da precipitação de 28,3 milímetros por estação seca, em comparação com os dados de 1985.

O estudo mostra como a destruição da Amazónia (considerada o “pulmão do planeta”), juntamente com o aumento das emissões globais, levou a uma transformação radical da floresta tropical.

A Amazónia é a maior floresta tropical da Terra e desempenha um papel fundamental na manutenção da estabilidade climática regional e global. In “Sustentix” – Portugal com “Lusa”


quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Internacional - A rápida intensificação do furacão Erin e o que isso significa para o clima da Europa

A rápida intensificação da tempestade está associada a águas oceânicas excepcionalmente quentes, o que se torna mais provável devido às alterações climáticas


O furacão Erin tornou-se o primeiro furacão do Atlântico da temporada de 2025 na sexta-feira, 15 de agosto.

A sua intensidade explodiu de uma tempestade de categoria 1 para categoria 5 em pouco mais de 24 horas. Após enfraquecer e se fortalecer novamente, ainda está entre as explosões de intensificação rápida mais rápidas já registadas no Atlântico e tem oscilado em intensidade.

Cientistas associaram a rápida intensificação dos furacões no Atlântico às alterações climáticas. O aquecimento global faz com que a atmosfera retenha humidade e a temperatura dos oceanos aumente, ingredientes essenciais para que uma tempestade ganhe força. Águas mais quentes fornecem mais combustível para que os furacões libertem mais chuva e se fortaleçam mais rapidamente.

Uma análise preliminar feita pela organização de pesquisa sem fins lucrativos Climate Central afirma que a rápida intensificação do furacão Erin no sábado ocorreu quando ele se moveu sobre "águas oceânicas excepcionalmente quentes", o que se tornou até 100 vezes mais provável devido às alterações climáticas.

Os meteorologistas dizem que o Erin é "excepcionalmente grande" e deve aumentar de tamanho, oscilando entre velocidades de vento de categoria 2 e 3, à medida que se move para o norte em direção ao Oceano Atlântico ocidental.

Não há previsão de que ele chegue à costa, mas espera-se que traga correntes, ondas e inundações fatais para as Bahamas, Bermudas, Costa Leste dos EUA e Costa Atlântica do Canadá nos próximos dias. 

A Europa sentirá os efeitos do furacão Erin?

À medida que o Erin avança para as águas mais frias do Atlântico, não terá mais a energia necessária para se sustentar como furacão. Ele transformar-se-á num sistema extratropical ou pós-tropical de baixa pressão.

Isso ainda significa que será uma tempestade, mas não um furacão. Um furacão que obtém a sua energia do choque entre massas de ar frio e quente, em vez da água morna do oceano.

As previsões mostram que os remanescentes do Erin têm maior probabilidade de impactar partes da Europa Ocidental, incluindo o Reino Unido e a Irlanda.

O Met Office do Reino Unido afirma que há potencial para que o clima fique mais instável no final deste fim de semana, enquanto eles monitorizam atentamente a trajetória do furacão.

“Estamos a observar atentamente a trajetória de Erin, com a possibilidade de o Reino Unido sentir os efeitos do que seria o antigo furacão Erin em algum momento da semana que vem, trazendo uma área de baixa pressão para o Reino Unido e condições mais instáveis”, explica o vice-meteorologista-chefe Stephen Kocher.  

“Ainda falta uma semana, então há muita incerteza na previsão, mas é possível que vejamos algum tempo chuvoso e ventoso na última semana de agosto.

“Estaremos a monitorizar de perto os movimentos do furacão Erin nos próximos dias e atualizando as nossas previsões de acordo com a evolução.” Euronews.green  


quinta-feira, 24 de julho de 2025

Japão – Alunos de uma escola de Osaka juntam-se a Portugal para proteger os oceanos

Dezenas de crianças japonesas juntaram-se na Expo2025, em Osaka, a um apelo para proteger os mares, que o Oceanário de Lisboa quer levar à cimeira da ONU sobre alterações climáticas, em Novembro, no Brasil


“Querem ser embaixadores dos oceanos aqui no Japão?”, perguntou, no Pavilhão de Portugal, a bióloga marinha Natacha Moreira, da Fundação Oceano Azul, aos alunos de duas turmas de uma escola de Osaka.

A resposta positiva veio num coro uníssono de 40 vozes, os primeiros jovens japoneses a assinar a Mini 30X30, “uma onda” lançada pela Oceano Azul e pelo Oceanário, em apoio da meta mundial de proteger 30% do oceano até 2030.

O director de Educação do Oceanário, Diogo Geraldes, disse à Lusa que uma primeira carta foi entregue durante a terceira Conferência do Oceano da ONU, que decorreu em Nice, França, em Junho.

Uma nova versão do documento será entregue na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP30), que decorre em Novembro em Belém, capital do estado do Pará, no norte do Brasil.

O apelo já reuniu o apoio de 9500 jovens de 27 países, mas na Ásia ainda só tinha contribuições de escolas da Malásia e de Timor-Leste.

O Oceanário preparou materiais sobre o Mini 30X30 em japonês especialmente para a Expo, que já existiam em português, espanhol, francês e inglês.

Antes de votarem unanimemente a favor do apelo, os jovens japoneses testaram as experiências interactivas do Oceanário numa das duas salas multiusos do Pavilhão de Portugal, cujo tema é “Oceano: Diálogo Azul”.

“O Oceanário de Lisboa é, em Portugal, a instituição com mais pergaminhos e experiência em literacia azul. Há mais de 25 anos que ensina professores e alunos a ter uma relação mais sustentável com o mar”, disse à Lusa o administrador executivo da Oceano Azul, Tiago Pitta e Cunha.

Uma experiência que levou o Oceanário e a Oceano Azul, com o apoio da Direcção-Geral da Educação, a desenvolver o programa Educar para uma Geração Azul, que promove a literacia do oceano entre os alunos dos 6 aos 10 anos.

Diogo Geraldes explicou que começaram pelo primeiro ciclo porque “é mais fácil dar formação aos professores, que muitas vezes são os mesmos do primeiro ao quarto ano”.

Durante cinco anos, o projecto deu formação a 1300 professores numa fase-piloto que decorreu nos municípios de Albufeira, Cascais, Mafra, Moura, Nazaré, Peniche, Silves, Sintra e na região autónoma dos Açores.

Após o fim desta fase, em Maio de 2024, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação decidiu alargar o programa a todas as escolas primárias do país e de incluir o oceano no currículo.

Tiago Pitta e Cunha disse que o objectivo é “educar a geração mais consciente de toda a União Europeia no que toca à ligação dos humanos com o oceano”. “Conseguiríamos, no fundo, ser um pouco, como os nórdicos foram para o ambiente [terrestre] a partir dos anos 70, os cidadãos portugueses seriam para o azul”, explicou o especialista.

Criada em 2017 pela Sociedade Francisco Manuel dos Santos, que inclui no seu património o Oceanário de Lisboa, a Oceano Azul é uma entidade sem fins lucrativos, que tem por objecto contribuir para a conservação e utilização sustentável dos oceanos. Vítor Quintã – Agência Lusa in “Jornal Tribuna de Macau” com “Fundação Oceano Azul”


Tuvalu - Um país que pode perder 80% da população nos próximos anos

Mais de 80% dos residentes de Tuvalu, um arquipélago do Pacífico ameaçado pela subida do nível do mar, procuram vistos para a Austrália ao abrigo de um tratado assinado em 2024, de acordo com dados oficiais


No total, 8750 tuvaluanos solicitaram o primeiro lote de vistos, informou o Alto Comissariado Australiano, representando 82% dos 10.643 residentes do arquipélago.

A Austrália está a oferecer vistos a cidadãos tuvaluanos, no âmbito de um acordo de migração climática que Camberra classificou como “o primeiro acordo deste tipo no mundo”.

“Recebemos níveis de interesse extremamente elevados”, com 8750 registos, afirmou a missão diplomática australiana em Tuvalu em comunicado.

Em junho, o primeiro-ministro de Tuvalu, um pequeno estado insular do Pacífico, alertou que, devido à subida do mar, mais de metade do território poderá estar submerso em 2050 e pediu financiamento para o programa de adaptação costeira.

Feleti Teo falava em Nice, França, no âmbito da Conferência das Nações Unidos sobre o Oceano (UNOC3), tendo afirmado que “o aumento do nível da água do mar é a grande ameaça para Tuvalu”.

“Em 2050, 60% de Tuvalu estará coberto pelo mar, será um grande desastre. Ponham-se na minha situação”, alertou.

“O nosso território está comprometido, não temos opção, não há montanhas para onde nos possamos mover”, afirmou, referindo que o país está a sentir o efeito das alterações climáticas que provocam a subida do nível da água do mar.

Ao abrigo de um tratado com Camberra para fazer face ao problema, os primeiros tuvaluanos (cerca de 300) vão poder candidatar-se a viver na Austrália, recordou.

O pequeno país é constituído por nove ilhas de coral e tem 11.000 habitantes. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 6 de julho de 2025

Timor-Leste - Fundação Carbon Offset Timor – Plantar um futuro mais verde no país

Com mais de 219 mil hectares de terras agrícolas, Timor-Leste pode ser um exemplo na economia verde. No entanto, os agricultores — que representam a maioria da população rural — continuam a integrar o estrato social mais vulnerável do país


Segundo o relatório do Censo Agrícola de 2019, Timor-Leste dispõe de mais de 219 mil hectares de áreas agrícolas. A maioria da população rural dedica-se à agricultura, dependendo fortemente das plantações para garantir o sustento diário.

O Global Forest Watch indica que 67% do terreno timorense é coberto por floresta natural, contando com 1,01 milhão de hectares de áreas florestais em 2020. No entanto, tem havido uma tendência para a perda de “cobertura arbórea”, como mostram os dados de 2024, em que se registou uma perda de 1,36 mil hectares de floresta natural, o que equivale a 520 mil toneladas de emissões de CO.

A Fundação Carbon Offset Timor (FCOTI) é uma ONG local, instituída legalmente em outubro de 2018, mas que tem trabalhado na plantação comunitária de árvores desde 2009. A iniciativa já beneficiou mais de 225 famílias e mais de 2000 agricultores individuais em zonas rurais, contribuindo simultaneamente para a mitigação das alterações climáticas globais, através de créditos de remoção de carbono baseados no reflorestamento comunitário.

O Diligente entrevistou o diretor-executivo da FCOTI, Alexandre Sarmento, para falar sobre os projetos desenvolvidos ao longo da existência da fundação. Com apoio suficiente, o objetivo da FCOTI passa por alargar os serviços e beneficiar mais pessoas.

“Dependendo dos recursos, queremos expandir-nos para outros municípios em Timor-Leste e, eventualmente, para outros países vizinhos na região, especialmente a Indonésia Oriental e os Estados insulares do Pacífico”.

Atualmente, quais são as principais atividades desenvolvidas pela fundação?

Desenvolvemos ações de reflorestamento comunitário e agroflorestal, concedemos bolsas de estudo a estudantes do ensino secundário em Laclubar — em parceria com a GTNT-Darwin Austrália — e disponibilizamos microcrédito a agricultores que gerem os seus pequenos negócios. Também formamos mulheres da comunidade na confeção de marmelada, utilizando produtos locais, e reabilitamos pequenas infraestruturas, como salas de aula e casas de banho escolares em zonas rurais, em parceria com o Rotary Club.

A FCOTI também tem estabelecido contratos com o PNUD (UNDP em inglês) e com um projeto chamado EARTH (Enhanced Agroforestry for Resilient Timorese Households), em parceria com a World Vision. O EARTH é financiado pela União Europeia e pela World Vision.

Em que consistem os projetos Carbon Offset e Halo Verde?

O nome completo do nosso principal projeto de carbono é Halo Verde Timor Community Forest Carbon. Numa forma mais curta, chamamos de Projeto Halo Verde. Consiste em atividades agroflorestais e de reflorestamento, com agricultores dos municípios de Manatuto, Manufahi e Viqueque.

As atividades são pensadas e executadas segundo os princípios de não emissão de dióxido de carbono.

Quem são os principais parceiros da fundação?

GTNT-Darwin Australia, Rotary Club NSW, Australia, UNDP, JICA, World Vision & EU, The Plan Vivo Foundation no Reino Unido, vários compradores de créditos de carbono da Austrália, Europa (Dinamarca, Reino Unido, Portugal, Alemanha) e Estados Unidos da América.

Quais são as principais conclusões das pesquisas realizadas pela FCOTI sobre agricultura e alterações climáticas em Timor-Leste?

Normalmente, realizamos pesquisas regulares junto das famílias, para determinar as suas opiniões e perceções, e avaliar o impacto económico a nível familiar e ambiental. A última pesquisa foi realizada em 2021. Há uma pesquisa em curso (em 2025).

O que significa “Carbon Credit Sell” e como funciona?

Um crédito de carbono, também conhecido como compensação de carbono (carbon offset), é uma licença negociável que representa uma tonelada métrica de dióxido de carbono (ou seu equivalente em outros gases de efeito estufa) que foi reduzida, evitada ou removida da atmosfera. Esses créditos são gerados por projetos que mitigam ativamente as mudanças climáticas, como o desenvolvimento de energia renovável, o reflorestamento ou tecnologias de captura de carbono. Essencialmente, permitem que empresas ou indivíduos compensem as suas próprias emissões, apoiando projetos que reduzem as emissões noutros lugares.

Por exemplo, se um agricultor planta um hectare de árvores, esse hectare absorve 100 toneladas de CO2, então esse agricultor tem 100 créditos (uma tonelada métrica de dióxido de carbono é cotada em um crédito). Se um crédito custa 20 dólares, o agricultor ganha 2000 dólares.

Pode explicar o que é o Acordo de Pagamento de Serviços Ecossistémicos (PES Agreement)?

O acordo PES é um acordo entre o agricultor e a fundação. Define as tarefas e responsabilidades de cada parte. O pagamento aos agricultores varia, dependendo da sobrevivência da árvore e da venda do crédito de carbono no mercado, com base no preço esperado. Se essas duas condições não forem cumpridas, o pagamento aos agricultores será retido.

Porque é que os agricultores recebem pagamentos de 10 anos, se o acordo tem a duração de 30?

Uma vez plantada, uma árvore deve permanecer no solo por mais de 30 anos. Idealmente, nenhuma árvore deve ser cortada.

O nosso acordo inicial com os agricultores é de 10 anos. Terminado esse período, são oferecidos pequenos incentivos aos agricultores para que continuem a manter as árvores nos 20 anos seguintes. É importante observar que a maioria das nossas áreas são agroflorestais. A floresta é mais rentável para os agricultores que os créditos de carbono, cujo mecanismo gera apenas um dinheiro extra para os agricultores. Os créditos de carbono não devem ser tratados como o principal produto da floresta ou agrofloresta.

Quais foram os principais resultados alcançados até hoje?

Até hoje, mais de 250 mil árvores foram distribuídas e plantadas pelas comunidades. Temos mais de 150 hectares sob o programa de carbono e mais de 91 mil dólares pagos aos agricultores até 2024. Mais de 35 créditos de carbono vendidos em mercados internacionais, 226 acordos de PES assinados com as comunidades e mais de 600 bolsas de estudo concedidas desde 2011.

Quais os maiores desafios enfrentados pela fundação ao longo do tempo?

Somos uma pequena fundação local, timorense, com recursos limitados. Precisamos de aumentar a nossa capacidade em termos de administração, mas também em termos de estrutura, para que nos possamos expandir para outras áreas. Sem recursos suficientes, os nossos planos futuros ficam apenas no papel. Ainda temos vários desafios pela frente.

Os maiores desafios que enfrentamos na comunidade incluem o pasto de animais, a queima de florestas e a falta de registos de propriedade dos terrenos.

Que recomendações deixaria à sociedade civil, às instituições e ao Governo?

Todos nós precisamos de fazer a nossa parte e dar o nosso contributo para a Mãe Natureza. O que fazemos pode ser uma pequena gota no oceano. No entanto, se agirmos em conjunto, podemos ter um impacto maior.

Como podem os cidadãos ajudar ou envolver-se com a Fundação?

Qualquer agricultor pode participar no programa desde que cumpra com os critérios mínimos mencionados anteriormente.

Quais são os critérios utilizados para selecionar os agricultores participantes?

Por se tratar de um compromisso de longo prazo – 30 anos –, temos dois níveis de critérios.

O primeiro nível é para as terras elegíveis: a terra não deve estar sob disputa, não deve ser usada para desenvolvimento futuro de infraestruturas, como o alargamento de estradas, a construção de escolas e clínicas e, portanto, o local deve estar longe de áreas residenciais. A terra deve ser desmatada. É estritamente proibido, de acordo com o nosso guia, cortar árvores para plantar árvores.

No segundo nível, avaliamos os agricultores: devem ser timorenses, residir em áreas rurais, estar saudáveis ​​para plantar árvores, devem garantir a propriedade da terra e devem assinar um acordo connosco para cuidar das árvores sem as cortar ao longo desses 30 anos.

Existem planos para envolver jovens ou escolas em atividades de sensibilização ambiental?

Tentamos sempre envolver jovens e estudantes do ensino secundário em Laclubar, Lacluta e Lospalos, em ações de treino agroflorestal, como uma atividade extracurricular. Em Laclubar, além de oferecer bolsas de estudo, também oferecemos formação e treino em biodiversidade.

A fundação também ofereceu bolsas de estudo a 13 estudantes universitários. No entanto, devido à falta de financiamento, o programa foi descontinuado. Um dos nossos bolseiros universitários está agora a trabalhar com a fundação.

A FCOTI recebe financiamento do Estado timorense ou apenas de parceiros externos?

Durante a pandemia da COVID-19, o Governo de Timor-Leste concedeu um pequeno subsídio à FCOTI para cobrir os custos operacionais do escritório e manter o pessoal essencial. O Governo também concedeu um subsídio adicional em 2021, para a realização de atividades de campo, mas 93% do financiamento da fundação vem de parceiros internacionais, especialmente compradores de créditos de carbono.

Como é feita a monitorização dos resultados ambientais obtidos?

A monitorização anual é muito rigorosa e envolve o proprietário da fazenda e a equipa de campo: medem e reportam o crescimento das árvores, as taxas de sobrevivência, o diâmetro à altura do peito, a altura das árvores, etc. Os dados devem ser reportados ao Plan Vivo, que concede a certificação internacional ao nosso projeto. O relatório também é publicado no site. Reportamos regularmente às autoridades locais e mantemos uma boa relação com elas. Antónia Martins – Timor-Leste in Diligente