Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Macau - Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia concedeu 37 milhões de patacas para investigações científicas lusófonas

Na última meia década, o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia recebeu 69 pedidos de apoio para projectos de investigação científica relacionados com países lusófonos, tendo financiado 21, incluindo nove ligados a Portugal. O montante atribuído foi superior a 37,49 milhões de patacas, segundo revelou ao Jornal Tribuna de Macau. O Fundo acredita que a cooperação entre a RAEM e os países lusófonos continuará a crescer na área da ciência e tecnologia


Nos últimos cinco anos, o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia (FDCT) “tem atribuído grande importância e impulsionado activamente a cooperação entre Macau e os Países de Língua Portuguesa (PLP) no domínio da ciência e tecnologia”, tendo financiado 21 projectos de investigação científica, envolvendo um montante total de financiamento de 37,498 milhões de patacas, segundo revelou ao Jornal Tribuna de Macau. Nove desses projectos estão relacionados com Portugal e 12 com o Brasil.

No mesmo intervalo temporal, o FDCT recebeu 69 pedidos envolvendo países lusófonos. Especificamente, 11 pedidos correspondem ao co-financiamento do FDCT, em conjunto com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia de Portugal (FCT), no âmbito do “Programa de Apoio Financeiro para Cooperação em Ciência e Tecnologia com o Exterior”.

Abrangida no mesmo programa, a categoria de co-financiamento entre o FDCT e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo despertou 24 pedidos. Já na categoria de investigação internacional em colaboração, foram apresentados 34 pedidos de apoio relacionados com países lusófonos.

Em relação a Portugal, o FDCT concedeu, juntamente com a FCT, apoios no total de 2,821 milhões de patacas a três projectos de investigação no domínio do mar, na última meia década.

Questionado sobre a nova ronda de financiamento conjunto com a FCT, o Fundo presidido por U U Sang salientou que “presta estreita atenção ao andamento da reestruturação da FCT e irá continuar a comunicar e negociar activamente com a parte portuguesa, promovendo a celebração de acordos de cooperação, no sentido de materializar a nova ronda de plano de co-financiamento”.

Sobre os principais resultados alcançados, indicou que, no projecto “Plastish”, virado para a detecção e avaliação de risco de microplásticos na produção pesqueira, a Universidade de São José (USJ) e a Universidade do Algarve conseguiram revelar a citotoxicidade dos microplásticos, através de experiências celulares e em animais, tendo estabelecido com sucesso um modelo de avaliação de risco “in vitro” para “in vivo”.

Já no projecto “FISHMUC”, a USJ e Universidade Católica Portuguesa têm estudado as características de bioactividade do muco externo de peixes. Conseguiram identificar vários princípios activos e confirmar, através de experiências, as actividades biológicas como efeitos antimicrobianos e antitumorais, resultados que fornecem um valor significativo para o desenvolvimento de medicamentos de origem marinha.

Por seu turno, o “SeaSenseX”, microssensor de nova geração para a mutagénese marinha e a detecção de substâncias cancerígenas, sobre o qual têm trabalhado a Universidade de Macau (UM), em cooperação com a NOVA.id.FCT, de Portugal, combina microelectrónica avançada com tecnologia de biossensores, visando fornecer uma solução de monitorização da qualidade de água em tempo real e de alta sensibilidade.

Cooperação científica “irá continuar a crescer”

Numa perspectiva geral, o FDCT realça que muitos projectos financiados se estenderam para instituições portuguesas, brasileiras, entre outros países, tendo-se envolvido no estabelecimento de laboratórios conjuntos, promoção da formação de quadros qualificados e articulação tecnológica.

Na observação do Fundo, a função da RAEM enquanto plataforma de intercâmbio científico e tecnológico entre a China e os PLP “reforçou-se gradualmente” nos últimos anos.

Além disso, o programa de co-financiamento relacionado com o Brasil recebeu 24 pedidos no primeiro ano, 2025. Neste aspecto, destacou que, à medida que os mecanismos de co-financiamento com os PLP, “promovidos activamente” pelo Fundo nos últimos anos, amadurecem gradualmente, “prevê-se que [estes] impulsionem, no futuro, o lançamento de ainda mais projectos de investigação científica em cooperação com os PLP”.

Tendo em vista o lançamento do programa de co-financiamento com o Brasil, a criação sucessiva de laboratórios entre instituições de ensino superior de Macau e de países lusófonos, assim como a celebração de documentos de cooperação entre instituições de ensino superior da RAEM e portuguesas, testemunhada pelo Chefe do Executivo, durante a visita a Portugal em Abril, o FDCT prevê que “a cooperação entre Macau e os PLP na área da ciência e tecnologia irá continuar a crescer”.

Sobre os frutos de cooperação já obtidos entre a RAEM e os PLP, conclui que, nos últimos anos, o apoio do Fundo assenta no financeiro e na criação de plataformas, para ajudar instituições de ensino superior e empresas locais a estabelecer parcerias com instituições académicas e industriais portuguesas e de outros países. Além disso, realiza actividades de intercâmbio viradas para os PLP e com temas relacionados com os países lusófonos.

O Fundo mencionou resultados em três aspectos: apoiar o estabelecimento de plataformas de cooperação científica e tecnológica e impulsionar a transformação e aplicação dos frutos no estrangeiro; promover o estabelecimento conjunto de laboratórios, que fazem parte da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, juntamente com os países lusófonos; e apoiar instituições de ensino superior de Macau na realização de conferências sobre optoelectrónica, ciências da linguagem, ciências marinhas, entre outras áreas de ponta, em cooperação com Portugal, por forma a aprofundar o intercâmbio e a cooperação.

Relativamente ao “estabelecimento de plataformas de cooperação”, o Fundo apontou para o apoio concedido à criação, por parte da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (UCTM), do Laboratório Conjunto Sino-Português em Optoelectrónica, em cooperação com a Universidade Nova de Lisboa. Além disso, destacou o apoio dirigido à UM no estabelecimento do Laboratório Conjunto de Nanomedicina de Precisão (com a Universidade do Porto), Laboratório Conjunto sobre Envelhecimento Cognitivo (com a Universidade de Coimbra), Centro de Investigação Oceânica entre a China e os PLP (com a ULisboa e outras instituições) e um centro conjunto sobre direito e inteligência artificial (com a Universidade de Coimbra), inaugurado este ano.

Além disso, destacou o apoio para a introdução de um “Robô de Medicina Tradicional Chinesa com Inteligência Artificial” em Lisboa, com capacidade de realizar diagnósticos básicos e preparar fórmulas de fitoterapia, o que contribui para a divulgação dos conceitos da medicina chinesa.

Em relação a 2026, o FDCT atribuiu um apoio no valor de 712,8 mil patacas à UCTM para a construção de um modelo de avaliação dinâmica de risco para a importação transfronteiriça de dengue e chikungunya de países lusófonos para a Grande Baía, integrando dados de múltiplas fontes e inteligência artificial, bem como a sua aplicação na previsão e alerta precoce, de acordo com as informações divulgadas pelo Fundo.

Apoiados dois projectos sobre língua portuguesa

O FDCT revelou ainda a atribuição de apoio financeiro a dois projectos sobre o tema de língua portuguesa, nos últimos cinco anos, envolvendo quase 2,696 milhões de patacas. Sublinhando adoptar um mecanismo de apreciação rigorosa, o Fundo esclareceu que cabe à Comissão de Consultadoria de Projectos apreciar os pedidos, com base em critérios como o valor científico, a inovação e o potencial de aplicação, podendo ainda organizar uma sessão de defesa, caso necessário.

Segundo a colecção dos resultados de investigação científica de 2024 (a mais recente), o Fundo aprovou em 2018 e financiou uma “plataforma de turismo inteligente para Macau e países lusófonos com reconhecimento de voz”, desenvolvida pela Universidade Politécnica. No âmbito deste projecto, foi desenvolvida uma aplicação móvel de turismo inteligente que integra um sistema de reconhecimento de voz em português.

Para a UM, aprovou em 2019 e apoiou financeiramente um projecto de “orientação da tradução automática neutral baseada na autoatenção com conhecimento linguístico prévio”, que contribuiu para melhorar o sistema de tradução automática online chinês-português. À mesma instituição, o FDCT aprovou em 2017 e financiou um projecto de “investigação sobre tradução automática chinês-português baseada em aprendizagem profunda”, no âmbito do qual foi estabelecido e aberto ao público um sistema de tradução automática chinês-português online.

Segundo notou, ao tratar de assuntos envolvendo tradução profissional, conferências e emparelhamento de projectos, o Fundo costuma convidar tradutores locais ou pessoal de instituições de ensino superior para dar apoio. Nessa vertente, vincou que encara tanto os quadros multidisciplinares locais com formação em ciência e tecnologia e proficiência em língua portuguesa, como os tradutores e os docentes de ensino superior como “recursos humanos importantes para o desenvolvimento da indústria de ciência e tecnologia”. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


quinta-feira, 2 de julho de 2026

Portugal - Universidade de Coimbra conquista financiamento europeu para revolucionar reabilitação física com tecnologia inovadora

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) foi distinguida com uma bolsa Proof of Concept (PoC) do Conselho Europeu de Investigação (ERC), no valor de 150 mil euros. Destinado a apoiar a transformação de resultados de investigação de excelência em soluções com potencial de aplicação prática e impacto no mercado, este financiamento permitirá desenvolver o projeto KineSense, que visa criar tecnologias vestíveis (wearables) inovadoras, capazes de monitorizar, de forma contínua e objetiva, a atividade muscular e os movimentos articulares ao longo dos processos de reabilitação.

Liderado por Mahmoud Tavakoli, investigador do Instituto de Sistemas e Robótica da FCTUC, o projeto pretende transformar estas tecnologias em ferramentas clinicamente validadas e facilmente integráveis na prática de reabilitação, incluindo o uso de análise de dados avançada para apoiar a interpretação dos resultados e a tomada de decisão terapêutica.

O KineSense combina dois sistemas complementares: adesivos ultrafinos aplicados diretamente sobre a pele para monitorização da atividade muscular e uma plataforma baseada em têxteis inteligentes para acompanhar os movimentos articulares de forma confortável e não invasiva, tanto em contexto clínico como nas atividades quotidianas dos utilizadores.

Doenças neurológicas e musculoesqueléticas, como o acidente vascular cerebral, a doença de Parkinson, a osteoartrose ou as lesões desportivas, afetam milhões de pessoas em todo o mundo e estão entre as principais causas de incapacidade. Embora a reabilitação desempenhe um papel fundamental na recuperação dos doentes, a avaliação da sua evolução contínua depende ainda, muitas vezes, da observação clínica e do relato subjetivo dos pacientes.

Através da recolha contínua de dados sobre a função muscular e a qualidade do movimento, o KineSense pretende fornecer a médicos, fisioterapeutas e pacientes informação objetiva que permita acompanhar a recuperação de forma mais precisa e personalizada.

Para além da saúde, estas tecnologias poderão encontrar aplicações em áreas como o desporto e a monitorização do desempenho humano, contribuindo para a prevenção de lesões, a otimização do treino e o acompanhamento da recuperação de atletas profissionais e amadores.

“Este projeto representa um passo importante na transformação de descobertas científicas fundamentais em tecnologias capazes de beneficiar diretamente a sociedade. A nossa visão é tornar a análise quantitativa do movimento tão acessível como a medição da frequência cardíaca é hoje”, afirma Mahmoud Tavakoli.

O KineSense assenta num sólido portefólio de propriedade intelectual desenvolvido na FCTUC ao longo da última década, incluindo várias famílias de patentes internacionais. As atividades de valorização e transferência de tecnologia serão apoiadas pela UC Business, o gabinete de transferência de tecnologia da Universidade de Coimbra, contribuindo para acelerar a chegada destas soluções ao mercado.

O projeto será desenvolvido na FCTUC em colaboração com parceiros internacionais, entre os quais o University Medical Center Groningen, nos Países Baixos, reforçando o posicionamento da instituição como uma referência europeia nas áreas da saúde digital, tecnologias vestíveis e sistemas avançados de reabilitação. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 29 de junho de 2026

Macau - Banco dos BRICS emitiu dívida pela primeira vez na Região

O banco do bloco BRICS anunciou a primeira emissão de dívida na RAEM, no valor de 50 milhões de dólares americanos. Numa nota divulgada na sexta-feira, o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) disse que a operação representa “um marco importante” nos esforços da instituição para diversificar as fontes de financiamento e expandir a presença em outros mercados.


O banco explicou que concluiu com sucesso, na quarta-feira, a emissão de dívida, com maturidade de três anos, denominada em euros e à taxa de juro diária do dólar (SOFR, na sigla em inglês) mais 0,3 pontos percentuais. A emissão foi organizada pela sucursal de Macau do Banco Industrial e Comercial da China, uma instituição estatal, e feita na Central de Depósito e Liquidação de Valores Mobiliários do território, que é detida pela Autoridade Monetária de Macau e foi inaugurada em Dezembro de 2021.

O NDB – fundado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – tem sede em Xangai e é liderado pela brasileira Dilma Rousseff. O nome da antiga Presidente do Brasil (2011-2016) foi proposto pela Rússia, tendo Rousseff sido reeleita em Março de 2025 para um mandato de cinco anos à frente do banco.

O NDB foi criado em 2014 e começou a funcionar um ano depois, com o objectivo de oferecer uma alternativa de financiamento aos países em desenvolvimento. Desde 2021 que tem alargado o número de membros, com a incorporação do Egipto, Irão, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e, por último, a Indonésia, que formalizou a sua entrada em Março de 2025, após uma visita de Rousseff a Jacarta.

A expansão do banco ocorre numa altura em que o grupo BRICS desempenha um papel mais proeminente nos fóruns multilaterais, no meio de debates sobre a reconfiguração da ordem económica mundial.

Macau tem apostado nos serviços financeiros para diversificar a economia da cidade, altamente dependente dos casinos e do turismo. Em Novembro, o líder do Governo, Sam Hou Fai, sublinhou que o valor dos títulos de dívida emitidos na região, sobretudo pelas autoridades centrais ou locais chinesas, tinha ultrapassado 100 mil milhões de patacas.

Em Janeiro, o Banco de Desenvolvimento da China tornou-se o primeiro banco estatal chinês a emitir dívida em Macau, no valor de 5,5 mil milhões de yuan, para financiar projectos nos países de língua portuguesa. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 3 de junho de 2026

Namíbia - Financia linha eléctrica em Angola e abre porta à exportação de 500 MW

A ligação eléctrica entre Angola e a Namíbia avança com um modelo atípico: é o comprador que financia a infraestrutura em território angolano, garantindo desde logo a compra de energia. O projecto posiciona Angola como potencial exportador. Terá um tempo de construção entre 4 e 5 anos.


No plano técnico, a ligação será assegurada através de um interconector de 400 kV entre Angola e a Namíbia, com extensão estimada em cerca de 160 quilómetros em território angolano, incluindo a construção da linha de transporte de alta tensão, o reforço e ampliação da subestação de Cahama, na província do Cunene, bem como a instalação de infraestruturas complementares essenciais ao funcionamento do sistema, como sistemas de protecção, controlo e telecomando da rede. Trata-se de uma infraestrutura de alta tensão, desenhada para permitir fluxos significativos de energia e garantir a integração com a rede regional.

A arquitectura do projecto revela, no entanto, uma particularidade relevante: o financiamento da componente angolana será assegurado pela parte namibiana, através da empresa pública NAMPOWER, que ficará responsável não apenas pelo esforço financeiro, mas também pela materialização destas infra-estruturas em território angolano até à fronteira - ou seja, pela construção da linha de transporte de 400 kV no troço angolano, pela expansão da subestação de Cahama e pelas infraestruturas eléctricas associadas necessárias à evacuação e entrega da energia ao sistema namibiano.

Esta solução permite a Angola evitar pressão adicional sobre a dívida pública, ao mesmo tempo que transfere para o parceiro comprador o risco financeiro inicial. Em contrapartida, o investimento será recuperado via contratos de fornecimento de energia (PPA), através da tarifa acordada para a venda de electricidade, com mecanismos de actualização previamente definidos. O modelo económico assenta, assim, numa lógica de "infraestrutura financiada pelo comprador", em que a garantia de compra de energia assegura a banca do projecto.

A RNT-EP, enquanto operador da Rede Nacional de Transporte, assume a responsabilidade pela integração, operação e gestão das infra-estruturas em território angolano, enquanto a NAMPOWER financia, constrói e garante a absorção da energia exportada. Ao nível institucional, os governos dos dois países enquadram o projecto, cabendo ao Ministério da Energia e Águas a coordenação, supervisão e validação de todas as fases do processo.

Potência de 500 MW

Em termos de capacidade, o projecto prevê uma potência mínima global de 500 MW, distribuída em três componentes distintas: 300 MW destinados ao fornecimento directo à Namíbia sob regime "take or pay", garantindo receitas previsíveis; 100 MW para comercialização nos mercados regionais da SAPP (Southern African Power Pool) e da PEAC (Power Exchange of Africa Central), com trânsito via rede namibiana; outros 100 MW adicionais, de natureza flexível, dependentes da disponibilidade do sistema angolano .

Este desenho permite não apenas assegurar um cliente âncora, mas também abrir espaço à participação nos mercados regionais de electricidade, onde os preços tendem a ser mais competitivos.

Não existe, para já, no diploma, uma tabela tarifária explícita ou um preço fechado para a electricidade a transaccionar entre Angola e a Namíbia. O que fica definido é o modelo: a remuneração será estabelecida no âmbito de um contrato de compra e venda de energia (PPA), com base numa estrutura de preço acordada entre a RNT-EP e a NAMPOWER, incluindo mecanismos de actualização periódica. Na prática, isto significa que o preço tenderá a seguir uma lógica de "cost recovery", incorporando o investimento feito pela parte namibiana na infra--estrutura (CAPEX), os custos de operação e manutenção (OPEX), eventuais encargos financeiros e uma margem acor dada, diluídos ao longo do período contratual e indexados à energia efectivamente fornecida (kWh ou MWh).

Do ponto de vista operacional, este tipo de contratos costuma assentar em duas componentes: uma tarifa fixa, associada à disponibilidade da capacidade (capacity charge), que garante a recuperação do investimento independentemente do volume consumido - especialmente relevante nos 300 MW sob regime "take or pay" - e uma tarifa variável, ligada à energia efetivamente entregue (energy charge), que cobre os custos operacionais e pode ser indexada a variáveis como inflação, taxa de câmbio ou até custos de produção eléctrica.

Para os volumes destinados aos mercados regionais (SAPP e PEAC), os preços poderão seguir uma lógica mais concorrencial, sendo determinados pelos mercados grossistas de electricidade. Hermenegildo Ferreira – Angola in “Expansão”


sexta-feira, 22 de maio de 2026

São Tomé e Príncipe - Património único em processo de recuperação

Localizado no ilhéu das Rolas, o Marco do Equador constitui um património histórico, cultural e turístico singular, assinalando o ponto exato de passagem da linha do equador em território santomense.


“O Marco oferece aos nossos visitantes uma experiência verdadeiramente única: a possibilidade simbólica de estarem simultaneamente nos dois hemisférios do planeta”, destacou Nilda da Mata, Ministra do Ambiente, Juventude e Turismo Sustentável.

Atualmente, tanto o monumento como a área envolvente encontram-se em estado de degradação avançado, comprometendo a sua integridade estrutural e o seu potencial como elemento de atração turística e cultural.

Com financiamento do Banco Mundial, através do projeto WACA+, o Marco do Equador será alvo de recuperação. O projeto preliminar foi apresentado pelo consórcio Mundi Consulting.

“É uma grande responsabilidade, porque se trata da recuperação de um dos maiores monumentos históricos do país”, afirmou Beatriz Ramos, em representação do consórcio.

Para a titular da pasta do Turismo, a reabilitação do Marco do Equador representa uma oportunidade estratégica para “preservar um testemunho histórico único da nossa nação, reforçar a identidade nacional, dinamizar o turismo sustentável, promover a inclusão comunitária e contribuir diretamente para a melhoria das condições de vida das famílias da comunidade local.”

Se o calendário previsto for cumprido, as obras deverão arrancar ainda este ano. José Bouças – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”


segunda-feira, 27 de abril de 2026

Portugal - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde vai ter primeiro Centro de Excelência em Medicina Genómica do país

O i3S-Health é o único projeto da região Norte - e o único na área da Saúde - distinguido com financiamento do programa europeu Teaming, no valor de 36 milhões de euros


O Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) vai criar o primeiro Centro de Excelência em Medicina Genómica de Portugal, na sequência do financiamento atribuído ao projeto i3S-Health pelo programa Horizon Europe Teaming for Excellence, uma das iniciativas mais competitivas da Comissão Europeia. Este é um dos seis projetos portugueses distinguidos neste concurso, sendo o único na Região Norte e o único na área da Saúde.

O financiamento total ascende a 36 milhões de euros – 15 milhões da Comissão Europeia, 15 milhões do Governo português e 6 milhões de investimento privado — e permitirá estabelecer uma infraestrutura europeia de referência em inovação e excelência na investigação em saúde genómica, com impacto duradouro na ciência e na área da saúde sustentável.

O i3S-Health dará origem a um Centro de Medicina Genómica de última geração, integrando sequenciação de DNA de nova geração, biologia computacional, bioinformática orientada por inteligência artificial e genómica funcional de alto débito. O objetivo, explica Claudio Sunkel, diretor do i3S, “é acelerar a descoberta de novas variantes genéticas patogénicas, com impacto nos cuidados de saúde, por meio de diagnósticos mais precisos e personalizados”.

“Esta será a primeira plataforma multidisciplinar em Portugal a ligar investigação genómica avançada à prática clínica, aproximando investigação e diagnóstico de forma estruturada”, acrescenta.

Na vanguarda da medicina genómica

A medicina genómica está a transformar os sistemas de saúde ao permitir abordagens mais precisas e personalizadas. No entanto, Portugal enfrenta ainda desafios relevantes, como capacidade limitada de sequenciação, aplicações clínicas fragmentadas e escassez de recursos humanos altamente especializados.

O i3S-Health pretende responder a estes desafios, modernizando o i3S e posicionando-o como um Centro de Excelência em Medicina Genómica à escala europeia.

O projeto será desenvolvido sob a orientação do European Molecular Biology Laboratory (EMBL), com colaboração estreita com o seu Instituto Europeu de Bioinformática (EMBL-EBI), uma infraestrutura central no ecossistema de dados da Genomics England, no Reino Unido.

Integram também este consórcio parceiros nacionais, como o Ipatimup Diagnósticos e o CGPP-IBMC, reforçando a ligação entre a investigação e o diagnóstico clínico. O projeto prevê ainda uma forte articulação com o sistema de saúde, contando com o apoio de várias Unidades Locais de Saúde (ULS) de referência da região Norte.

Esta colaboração com as ULS integra a estratégia que o i3S tem vindo a desenvolver para tornar a medicina genómica uma realidade em Portugal e “esteve, aliás, na base de um financiamento recente atribuído pela CCDR-N para implementar um Centro de Medicina de Precisão do Norte no i3S que, é, no fundo, o embrião deste novo Centro de Excelência de Genómica”, explica Claudio Sunkel.

“Trata-se de uma abordagem que assenta num princípio fundamental: garantir que as tecnologias de genómica médica sejam utilizadas de forma ampla e que o acesso seja equitativo, independentemente do local onde o doente é acompanhado”, sublinha o diretor do i3S.

Entre os principais resultados esperados do projeto i3S-HEALTH estão o aumento da capacidade e da precisão do diagnóstico, a formação de novos especialistas, o desenvolvimento de algoritmos preditivos para doenças genéticas complexas e a identificação de biomarcadores multi-ómicos com aplicação clínica.

O projeto prevê ainda uma forte articulação com a indústria, através de parcerias público-privadas para o codesenvolvimento de novos diagnósticos e terapêuticas. A sustentabilidade da iniciativa será assegurada pelo crescimento dos serviços de diagnóstico avançado, parcerias estratégicas, novos projetos, desenvolvimento de propriedade intelectual e criação de spin-offs na área da genómica.

Seis projetos portugueses financiados

Nesta edição do concurso Teaming for Excellence, para além do projeto do i3S, foram aprovadas para financiamento mais cinco candidaturas portuguesas, o que corresponde a um financiamento total de 81 milhões de euros para criar ou modernizar centros de investigação de excelência.

Dos seis projetos selecionados, dois estão integrados na região de Lisboa e Vale do Tejo, um no Norte, um no Centro, um no Alentejo e um no Algarve. Os seis novos centros de excelência irão atuar em áreas estratégicas: “Teaming to Drive the Future of Genomic Medicine” (i3S, da U. Porto), na área da medicina genómica; “Institute for Integrated Social and Biological Assessment” (U. Coimbra), combinando ciências sociais e biomédicas; “NOVA Institute for a Sustainable Future” (U. NOVA Lisboa), nas áreas de saúde humana e ambiental; “Excellence in Mediterranean Soil Regeneration” (U. Évora), em regeneração e monitorização de solos mediterrânicos; “Sustainable Artificial Intelligence Laboratory” (INESC-ID), em sistemas de inteligência artificial sustentável; e “UAlgTec Heritage Center of Excellence” (U. Algarve), nas áreas de arqueologia e património cultural.

As instituições irão agora iniciar a preparação do acordo de subvenção com a Comissão Europeia e os projetos deverão decorrer entre 2027 e 2032.

Os vários Estados-Membros e países associados submeteram um total de 64 propostas para um envelope financeiro indicativo disponível de 270 milhões de euros. As seis candidaturas nacionais representam 30% do financiamento total, um resultado de grande impacto para o Sistema Nacional de Ciência Tecnologia e Inovação.

O Teaming for Excellence é um concurso de referência do Horizonte Europa, que visa a criação ou a modernização de centros de excelência. Para maximizar o impacto destes projetos, estes concursos exigem que o financiamento por via do Horizonte Europa seja complementado por financiamento nacional (através da FCT e das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional – CCDR), de montante equivalente ao financiamento europeu, promovendo sinergias de fontes de financiamento e conjugando investimento estratégico nacional e europeu. Universidade do Porto - Portugal


domingo, 26 de abril de 2026

Cabo Verde - Redução do financiamento internacional pode comprometer combate à malária

Cidade da Praia — A investigadora e docente Lara Goméz alertou que a redução do financiamento internacional poderá comprometer o combate à malária, sobretudo em países africanos com menor capacidade financeira.


O alerta foi feito na sessão de abertura da quarta conferência internacional “Malária nos PALOP”, promovida pela Universidade Jean Piaget de Cabo Verde.

Segundo a investigadora, a diminuição dos apoios à saúde em África, incluindo através do Fundo Global, estará associada a mudanças políticas nos Estados Unidos, embora tenha ressalvado não dispor de dados totalmente confirmados.

Lara Goméz defendeu uma abordagem integrada no combate à doença, sublinhando a necessidade de articulação entre saúde humana, sanidade animal e ambiente, bem como o reforço da vigilância e da consciencialização das populações.

A docente considerou ainda que uma eventual redução da ajuda internacional poderá afectar países com fraca capacidade económica, ao limitar os recursos disponíveis para programas de combate à malária, incluindo em Cabo Verde.

Recordou que, após a pandemia da COVID-19, se registou um retrocesso nos indicadores da doença, com aumento da mortalidade, que ultrapassou as 600 mil mortes de crianças, maioritariamente em África, devido ao redireccionamento de recursos para o combate à pandemia.

Relativamente a Cabo Verde, indicou que o país já eliminou a malária por três vezes, mas enfrentou reintroduções associadas a casos importados.

Alertou que a presença de mosquitos e o aumento da sua densidade podem favorecer novos surtos, acrescentando que, entre o final de 2024 e 2025, foram registados casos de transmissão autóctone na zona de Fonton, entretanto controlados pelas autoridades sanitárias.

A conferência realiza-se pelo quarto ano consecutivo, no âmbito do Dia Mundial da Malária, com o objectivo de divulgar conhecimento científico e reforçar competências técnicas. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”


sexta-feira, 24 de abril de 2026

Portugal – Procura diversificar parcerias para financiar desenvolvimento global

Na ONU, durante a primeira avaliação desde a Conferência de Sevilha sobre o tema, o país promete investir em projetos com impacto e em iniciativas com o setor privado. A língua portuguesa abre portas para ações de sustentabilidade e outras áreas, em nações lusófonas


Portugal está empenhado em diversificar parcerias para financiar o desenvolvimento como parte do Compromisso de Sevilha, que resultou do Quarto Encontro de Cúpula Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento, realizado na cidade espanhola, no ano passado.

Ali, os líderes internacionais prometeram ampliar o financiamento para acelerar a implementação da Agenda 2030, de desenvolvimento sustentável. Para chegar lá, no entanto, o mundo precisa preencher uma lacuna de pelo menos US$ 4 trilhões, anualmente.

Brasil e Moçambique

Durante o Fórum sobre o tema, realizado pelo Conselho Económico e Social da ONU, em Nova Iorque, a embaixadora de Portugal e presidente do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, IP, Florbela Paraíba, informou que o seu país defende um Apelo à Ação sobre dados, evidências e visibilidade da cooperação triangular.

Nesta entrevista à ONU News, ela falou de exemplos práticos destas parcerias em países como o Brasil e Moçambique, que visam impacto e transformação.

“Temos exemplos como o que fazemos com o Brasil nas culturas do café e na defesa da sustentabilidade em dois parques naturais na Gorongosa e em Chimanimani, em Moçambique. É um exemplo de como é que as comunidades locais, os agricultores locais beneficiam do apoio de agências neste caso portuguesa e espanhola. E são coisas que, no local, nós percebemos a diferença e o fator de transformação que eles introduzem nas comunidades. Em termos de sustentabilidade ambiental, em termos de educação, em termos de sensibilização, portanto, toda a comunidade é envolvida.”

Alguns dos desafios atuais para financiar o desenvolvimento são as tensões geopolíticas, crise climática, conflitos e guerras que drenam recursos aumentando a pressão sobre os países mais vulneráveis.

Dívida e pandemia

A embaixadora Florbela Paraíba contou que além dos países de língua portuguesa, em quatro continentes, Portugal mantém parcerias com nações como Costa Rica, México, Colômbia, Argentina e plataformas de aproximação do Sul Global que inclui a África.

Este mês, Portugal lançou a terceira edição de uma iniciativa com bolsas de estudo que focam em pesquisas sobre oceanos, entre outras áreas de interesse, como explicou a embaixadora Florbela Paraíba.

Oceanos e espaço digital

“Portugal tem créditos muito estabelecidos na defesa dos oceanos. No ODS dos oceanos. Um papel tradicional em chamar a atenção para a questão dos oceanos, tanto do ponto de vista económico, mas também do ponto de vista de regulação internacional e do ponto de vista do ambiente, naturalmente. O digital que também é muito importante para os LDC (Países Menos Desenvolvidos), nomeadamente, e também a parte do espaço.”

Segundo a ONU, a Ajuda Oficial ao Desenvolvimento, ODA, caiu drasticamente, o investimento estrangeiro continua a diminuir e muitos países têm dificuldades em angariar receitas fiscais suficientes para financiar os serviços básicos.

Cerca de 3,4 mil milhões de pessoas vivem em países que gastam mais em pagamentos de juros do que em saúde ou educação.

O Relatório sobre o Financiamento para o Desenvolvimento Sustentável 2026, divulgado pela ONU, no evento em Nova Iorque, revela que apesar de perspectivas sombrias, o crescimento económico global superou as expectativas no ano passado. O comércio entre países em desenvolvimento subiu nas últimas duas décadas e o investimento em energia renovável atingiu um recorde de US$ 2,2 trilhões em 2024, representando o dobro do nível investido em combustíveis fósseis. Monica Grayley – Brasil ONU News


terça-feira, 21 de abril de 2026

França - Fabricante de cimento Lafarge é condenada por financiar terrorismo na Síria

A Justiça francesa condenou a Lafarge por pagar a grupos jihadistas, incluindo o Estado Islâmico, para manter uma fábrica a operar durante a guerra na Síria

A fabricante francesa de cimento Lafarge e oito ex-executivos foram considerados culpados nesta segunda-feira por financiar o terrorismo em 2013 e 2014, ao pagarem a grupos jihadistas para manter uma fábrica em funcionamento em meio à guerra na Síria.

A empresa, que desde então se fundiu com o grupo suíço Holcim, realizou pagamentos a três organizações jihadistas, incluindo o Estado Islâmico, que somaram quase €5,6 milhões, segundo a decisão do Tribunal Criminal de Paris. A corte destacou que os pagamentos permitiram aos jihadistas “preparar atentados terroristas”, em especial os de janeiro de 2015 na França.

“Esse método de financiamento de organizações terroristas, e principalmente do Estado Islâmico, foi essencial para o controlo da organização sobre os recursos naturais da Síria, permitindo financiar atos terroristas na região e planeados no exterior, particularmente na Europa”, afirmou a presidente do tribunal, Isabelle Prévost-Desprez. In “Swissinfo” - Suíça


segunda-feira, 16 de março de 2026

Moçambique – Filósofo Severino Ngoenha defende uso do Fundo Soberano para financiar a Educação

Severino Ngoenha volta a insistir que o país precisa usar parte do Fundo Soberano para financiar a Educação, pois, sob seu ponto de vista, só assim é que o país pode reduzir a dependência externa. O académico critica a qualidade de ensino e entende que uma educação que não resolve os problemas do país é prova de que não é de qualidade.


Severino Ngoenha volta a lançar um olhar crítico ao sector da Educação em Moçambique e alerta para o risco que pode advir da falta de um investimento sério no sector.

Na sua óptica, a falta de uma resposta acertada para esses problemas é um dos barómetros que ajudam a medir a qualidade do ensino.

Segundo Ngoenha, a Educação não se deve fazer polémicas, mas trazer soluções.

Se no passado, o analfabetismo facilitou a escravatura em África, o filósofo vê um futuro sombrio, caso o Governo não assuma priorizar a Educação como factor de transformação sócio-científico. In “O País” - Moçambique

sábado, 7 de março de 2026

Angola – A Zâmbia só entra na refinaria do Lobito se investir no projecto

Interesse em garantir participação de 15%

A entrada da Zâmbia na Refinaria de Lobito está dependente da participação financeira deste País no projecto, o que até agora não aconteceu, apesar da manifestação pública de interesse das autoridades zambianas. A posição foi manifestada esta semana pela Sonangol, que garante que a estrutura da sociedade da refinaria ainda não está fechada, mas é preciso que os interessados se cheguem à frente


"A estrutura da sociedade não está fechada. Estamos abertos, há muita manifestação de interesse. Agora, se a Zâmbia está interessada, tem de provar. Há instrumentos jurídicos, e alguns foram assinados, mas há que mostrar o interesse", disse o administrador executivo da Sonangol, Belarmino Chitangueleca, durante a conferência de imprensa que marcou os 50 anos da petrolífera angolana.

A Zâmbia terá manifestado interesse em adquirir 15% do capital da refinaria, mas nada está concretizado. Enquanto os zambianos não chegam, a construção desta infraestrutura prossegue com a financiamento da Sonangol, que já aplicou pelo menos 1,4 mil milhões USD no projecto, segundo a petrolífera nacional. O foco agora está na procura de novos financiadores e a China tem sido o alvo das atenções da Sonangol, segundo o presidente do conselho de administração.

"Sendo um projecto global avaliado em 6,2 mil milhões USD, a fase seguinte estaria estimada em 4,2 mil milhões e estamos a contactar entidades chinesas, com apoio do empreiteiro, que também é chinês, no sentido de obtermos este financiamento", explicou o PCA da Sonangol, Sebastião Gaspar Martins.

Segundo o responsável, os contactos com potenciais investidores chineses estão avançados, estando prevista a ida à China, em Abril, de uma equipa técnica da petrolífera para negociar com entidades financeiras.

"Temos contactos muito avançados. Temos equipas na China constantemente e ainda temos previsto mais uma missão, provavelmente para Abril, para continuar a contactar as entidades financeiras. Uma vez que o empreiteiro é de origem chinesa, uma boa parte do equipamento é chinês, também há na parte das entidades chinesas uma obrigação de contribuir, o que é normal", disse.

Enquanto o financiamento chinês não chega, a construção da refinaria prossegue, garante a Sonangol, na esperança de que o financiamento seja colocado à sua disposição.

A refinaria do Lobito, com previsão de processar 200 mil barris de petróleo por dia, está a ser construída pela empresa chinesa National Chemical Engineering Group Corporation Ltd (CNCEC). A refinaria do Lobito foi apresentada em 2002 e passou por várias fases. Apenas em 2023 foi assinado o contrato com a CNCEC. Faustino Diogo – Angola in “Expansão”


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Angola - Linha de financiamento de Portugal é “das mais flexíveis” para o país

A ministra das Finanças de Angola destacou que a linha de financiamento de Portugal é “das mais flexíveis” e o Estado conseguiu que 195 mil milhões de kwanzas (1,7 mil milhões de patacas) sejam para o sector da educação.

Vera Daves de Sousa foi a convidada da V edição do programa “Conversas Economia 100 Makas”, do jornalista angolano Carlos Rosado de Carvalho, que abordou o tema “OGE 2026, as Empresas e as Famílias”, em que o sector da educação foi dos mais destacados nas preocupações quanto à fatia disponibilizada no Orçamento Geral do Estado 2026, cerca de 7% das despesas públicas.

A titular da pasta das Finanças de Angola referiu, a propósito, que na linha de financiamento de Portugal, além da reabilitação de infra-estruturas da urbanização Nova Vida, em Luanda, o Estado conseguiu também encaixar a construção de escolas. A governante angolana disse que estão a ser construídas infra-estruturas escolares, mas o Estado não consegue acompanhar a taxa de crescimento populacional.

“Não estamos a conseguir acompanhar a velocidade com que mais crianças se tornam elegíveis para fazer parte do sistema de ensino, por isso que para 2025 foi criado um programa específico “Minha Escola, Meu Futuro”, em que estamos a buscar um financiamento específico só para construir escolas”, referiu. Segundo a ministra, este é um sinal de que o Executivo reconhece que está “a andar devagar nesse domínio de construção de infra-estruturas escolares”.

Vera Daves de Sousa admitiu que tem sido dada “pouca atenção à educação comparativamente a outros sectores”, um assunto que preocupa o Presidente angolano, João Lourenço.

“Temos sido continuamente desafiados pelo Titular do Poder Executivo a fazê-lo [dar mais atenção à educação], desafia-nos continuamente”, destacou a ministra.

“Chama-nos frequentemente para saber como é que está o progresso relativamente a alguns projectos do ensino superior que têm fontes de financiamento identificadas e estão a demorar para ser activadas, não são poucas as vezes que o Titular do Poder Executivo nos chama e nos cobra que se feche o quanto antes”, acrescentou.

De acordo com a ministra, desde meados de 2025 que o Presidente tem exigido a identificação de uma fonte de financiamento estável para construir mais escolas, para não depender exclusivamente de recursos ordinários do tesouro.

“Na sua última deslocação a Portugal, ele próprio solicitou isso às autoridades portuguesas e por isso conseguimos encaixar na linha de Portugal”, sublinhou.

O facto de ter sido iniciativa própria do Presidente angolano, afirmou, “demonstra a preocupação ao mais alto nível com o tema e com a necessidade de dar outra velocidade”. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

São Tomé e Príncipe - Centro de psiquiatria vai ser requalificado e apetrechado pelo Japão

O donativo financeiro do governo japonês de mais de 75 mil euros, atende a uma das principais exigências do sistema de saúde de São Tomé e Príncipe, na actualidade, pois o número de doentes mentais não pára de aumentar no país.


Os dados mais recentes e divulgados pelo centro de psiquiatria no ano 2024 indicam que os casos de doentes mentais atingiram mais de 2000 pessoas atendidas no centro de psiquiatria. 

O ministro da solidariedade Jouceril Tiny dos Ramos em substituição do ministro da saúde, alertou para a importância estratégica da ajuda do governo do Japão, no quadro do sistema nacional de saúde. Segundo o ministro, para além dos doentes internados no centro, o donativo do Japão vai apetrechar a unidade psiquiátrica com meios que permitam recolher outros doentes que deambulam pelas cidades e vilas do país.

«O projecto que hoje assinamos no valor de 75.076 euros ilustra a vontade do Japão de acompanhar São Tomé e Príncipe nos seus esforços para fortalecer o sistema de saúde, incluindo num domínio muitas vezes pouco reconhecido, mas fundamental, a saúde mental», afirmou o embaixador do Japão.

O embaixador Ando Yoshio fez a doação do financiamento para requalificar o único centro de psiquiatria do país, na mesma semana em que entregou as cartas credenciais ao Presidente da República Carlos Vila Nova.

O novo embaixador com residência no vizinho Gabão garantiu que a unidade psiquiátrica vai ser apetrechada com equipamentos modernos. «A reabilitação do serviço e o fornecimento de equipamentos modernos, tais como camas hospitalares e aparelhos de ar condicionado, com o objectivo de proporcionar um ambiente mais seguro, mais limpo e mais humano, portador de esperança, solidariedade e respeito por cada vida humana», reforçou Ando Yoshio.

O diplomata nipónico recordou que o seu país mobilizou 1 milhão de euros para o reforço do sector da saúde de São Tomé e Príncipe. Valor que permitiu o fornecimento ao sistema de saúde do país de equipamentos médicos essenciais como laringoscópios, reguladores de oxigénio etc.

«A este esforço acresce a aquisição iminente de duas ambulâncias adicionais contribuindo assim para o reforço da capacidade de resposta e de atendimento às urgências sanitárias», pontuou.

O programa de doações para micro-projectos locais lançado pelo Governo do Japão está aberto a todas as organizações sem fins lucrativos cujos projectos visam responder às necessidades essenciais da população são-tomense. Abel Veiga – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”


sábado, 7 de fevereiro de 2026

Japão - Financia a reabilitação da Escola da Cruz Vermelha para Surdos na Guiné Equatorial

A Cruz Vermelha e a Embaixada do Japão assinam um acordo de doação para fortalecer a educação inclusiva para crianças com deficiência auditiva


A Cruz Vermelha da Guiné Equatorial e a Embaixada do Japão acreditada no país assinaram um acordo de doação em Malabo no valor de 68.639 euros, destinado à reabilitação e ampliação da Escola para Surdos da instituição humanitária, com o objetivo de melhorar a educação inclusiva para crianças com deficiência auditiva.

O acordo, assinado nesta quinta-feira, permitirá a renovação e ampliação das instalações existentes, bem como a construção de novos serviços sanitários, a fim de oferecer melhores condições de aprendizagem e cuidados aos alunos do centro.

A missão diplomática japonesa, sediada no Gabão, foi chefiada pelo encarregado de negócios, Yoshikawa Toru, que explicou que o projeto faz parte do programa de cooperação económica japonês chamado Doações para Microprojetos Locais que Contribuem para a Segurança Humana, destinado a apoiar iniciativas sociais com impacto direto nas comunidades.

Atualmente, a Escola da Cruz Vermelha para Surdos, fundada em 1992 e localizada em Malabo, atende 27 crianças. O projeto visa aumentar a capacidade do centro, facilitando o acesso à educação adaptada e segura para um número maior de crianças com deficiência auditiva.

Durante o evento, a delegação japonesa reafirmou o compromisso do seu país com o desenvolvimento social e educacional da Guiné Equatorial, em consonância com os objetivos nacionais de redução das desigualdades e fortalecimento do sistema educacional.

Desde o lançamento deste programa no país em 2019, o Japão financiou cinco microprojetos, três deles relacionados aos setores social e educacional.

Por sua vez, a Cruz Vermelha da Guiné Equatorial agradeceu ao governo japonês pelo apoio e destacou que a iniciativa irá melhorar o atendimento e a capacitação de um dos grupos mais vulneráveis ​​do país.

A cerimónia de assinatura ocorreu na sede da Escola para Surdos em Malabo e contou com a presença de representantes do PNUD, bem como dos Ministérios do Interior, da Educação e da Saúde, entre outras autoridades. Marisa Okomo – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Portugal - Investigação do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde recebe financiamento da Fundação «la Caixa»

Projetos nas áreas dos danos cerebrais, cancro e autismo estão entre os 34 distinguidos no âmbito do Concurso de Investigação em Saúde 2025


Desenvolver novas terapias para doenças neurológicas como o AVC, a epilepsia e a esclerose lateral amiotrófica, criar um dispositivo implantável para tratar o glioblastoma e melhorar a avaliação do risco de desenvolver autismo são os principais objetivos dos três projetos liderados por investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), que acabam de ser distinguidos no âmbito do concurso de Investigação em Saúde da Fundação ”la Caixa”. O financiamento total ascende a quase três milhões de euros.

As três propostas do i3S estão entre um total de 34 projetos (portugueses e espanhóis) de investigação biomédica de excelência, que vão receber mais de 26 milhões de euros. Nesta oitava edição, foram apresentadas 714 propostas de investigação básica, clínica e translacional, tendo sido selecionadas nove portuguesas e 25 espanholas.

No âmbito deste concurso, a Fundação “la Caixa” concede até 500 mil euros a projetos com uma única instituição de investigação envolvida e até um milhão de euros a consórcios de investigação formados por várias instituições, como acontece com os projetos liderados por investigadores do i3S.

Uma nova forma de combater os danos cerebrais a partir do interior

Liderado por Ana Paula Pêgo, líder do grupo «NanoBiomaterials for Targeted Therapies» do i3S, o projeto «MIND» foi financiado pela Fundação “la Caixa” e pela FCT com um milhão de euros e vai focar-se nas doenças neurológicas, como o acidente vascular cerebral (AVC), a epilepsia e a esclerose lateral amiotrófica (ELA), que afetam milhões de pessoas em todo o mundo, provocando frequentemente incapacidades a longo prazo ou mesmo a morte.

Uma das principais causas do dano cerebral associado a estas doenças, explica a investigadora do i3S, “é a acumulação no cérebro de uma substância química que, em excesso, leva à morte neuronal. Apesar de décadas de investigação, nenhum tratamento conseguiu até agora proteger eficazmente o cérebro deste processo”. Embora a maioria dos estudos se tenha centrado em formas de neuroproteção focando-se nos neurónios, Ana Paula Pêgo considera que a chave poderá residir noutro tipo de célula cerebral: os astrócitos.

Este projeto propõe uma nova estratégia de proteção cerebral, que consiste em aumentar a eficiência dos astrócitos. Conforme explica Ana Paula Pêgo, “os astrócitos eliminam o excesso da substância química nociva, mas durante um AVC ou outro evento neurológico agudo, não conseguem manter o equilíbrio, o que leva à acumulação de danos”.

Como tal, a equipa propõe uma solução inovadora: “Introduzir diretamente nos astrócitos instruções úteis através de ARN mensageiro (mRNA) que dão indicações às células para produzir mais quantidade de uma proteína essencial para eliminar a substância química tóxica”. Para garantir a segurança e eficácia do tratamento, os investigadores estão a desenvolver pequenas partículas inteligentes capazes de libertar a sua carga apenas nas áreas danificadas do cérebro.

O projeto, que será desenvolvido em consórcio com os investigadores Francisco Campos, do Instituto de Investigación Sanitaria de Santiago de Compostela (IDIS) (Espanha), e Ben Maoz, da Universidade de Telavive (Israel), inclui ainda o desenvolvimento de um modelo tridimensional (3D) relevante para mimetizar o cérebro humano, que «permitirá testar a terapia em condições fisiológicas realistas, bem como a utilização de ferramentas de imagem avançadas para monitorizar os efeitos do tratamento, que será testado no contexto do AVC», sublinha Ana Paula Pêgo.

Se alcançar os objetivos propostos, garante a cientista, «esta abordagem poderá abrir caminho a novas terapias, não só para o AVC, mas também para outras doenças cerebrais com mecanismos semelhantes de dano neuronal».

Dispositivo implantável para administração de fármacos contra o glioblastoma

Financiado com 990 mil euros, o projeto liderado por Bruno Sarmento, em consórcio com os investigadores Bruno Costa, da Universidade do Minho, e Álvaro Mata, da Universidade de Nottingham (Reino Unido), vai centrar-se no tratamento do glioblastoma, o tipo de cancro cerebral mais letal em adultos. Os tratamentos atuais, que incluem cirurgia, radioterapia e quimioterapia e pouco têm evoluído nas últimas duas décadas, apresentam resultados limitados devido à resistência do tumor e à dificuldade em dirigir fármacos diretamente ao cérebro.

A equipa pretende revolucionar o tratamento do glioblastoma através do desenvolvimento de um sistema terapêutico implantável capaz de libertar moléculas anticancerígenos diretamente no cérebro após a cirurgia de remoção do tumor. O sistema, explica Bruno Sarmento, “foi concebido para libertar, de forma controlada e gradual, uma combinação de fármacos que combatem o cancro de forma mais eficaz e reduzem a necessidade de quimioterapia diária”.

O projeto, adianta, “envolve o desenho de um novo tipo de implante, capaz de libertar fármacos quimioterápicos, inibidores da resistência ao tratamento e sequências de ARN dirigidos especificamente às células cancerígenas”.  O objetivo, sublinha Bruno Sarmento, é que “esta estratégia inovadora melhore a efetividade dos fármacos, reduza os efeitos secundários e aumente a sobrevivência e a qualidade de vida dos doentes”.

Para já, os dados preliminares são promissores: “O novo sistema demonstrou reduzir significativamente o crescimento tumoral em modelos laboratoriais. Os resultados esperados incluem maiores taxas de sobrevivência, menores efeitos adversos e um novo padrão de cuidados para doentes com glioblastoma”, garante o líder do grupo «Nanomedicines & Translational Drug Delivery» do i3S. Estes avanços, adianta Bruno Sarmento, “poderão ainda abrir caminho ao desenvolvimento de tratamentos semelhantes para outros tipos de tumores cerebrais, com impacto significativo na saúde pública e nos custos dos sistemas de saúde”.

Como pequenas alterações no ADN moldam o cérebro em desenvolvimento

Sabe-se que o transtorno do espectro autista (TEA), que afeta aproximadamente uma em cada 44 crianças, tem uma forte base genética. No entanto, a maioria das alterações genéticas associadas ao TEA não se encontra propriamente nos genes, mas nas regiões não codificantes do ADN que controlam a ativação e inativação dos genes. A equipa liderada pelo investigador do i3S Diogo Castro quer compreender como essas alterações influenciam o desenvolvimento cerebral com o objetivo de “explicar a origem do TEA e melhorar os métodos de avaliação do risco de desenvolver este transtorno”.

Este projeto, financiado pela Fundação “la Caixa” em colaboração com a FCT com mais de 730 mil euros, visa descobrir o efeito dessas alterações genéticas não codificantes no desenvolvimento do cérebro, especialmente nas primeiras etapas, durante a formação da estrutura cerebral.

As equipas do consórcio, que inclui os investigadores Gaia Novarino, do Institute of Science and Technology Austria (ISTA) (Áustria), e Justin O’Sullivan, do The Liggins Institute, University of Auckland (Nova Zelândia), vão utilizar ferramentas avançadas para analisar milhares de variantes genéticas e observar como elas influenciam a atividade genética de células cerebrais humanas cultivadas em laboratório.

Além disso, explica Diogo Castro, “vamos utilizar ferramentas de inteligência artificial para identificar quais das alterações genéticas associadas com o TEA têm um maior valor de prognóstico. Isto levará à criação de um modelo que poderá ajudar a prever quais as crianças que estão em risco de desenvolver TEA, permitindo assim um diagnóstico e intervenção precoces”.

Para compreender como essas alterações afetam o desenvolvimento cerebral, os investigadores do projeto, “vão editar variantes genéticas específicas em células estaminais e cultivá-las em minicérebros ou organoides. Isso permitirá observar o efeito das alterações na formação e no funcionamento do tecido cerebral”. O projeto conta com a participação de especialistas em desenvolvimento cerebral, genética e ciência de dados, estando como tal bem posicionado para enfrentar um desafio complexo.

Sobre o concurso de Investigação em Saúde da Fundação ”la Caixa” de 2025

A cerimónia de entrega dos prémios decorreu no dia 20 de novembro no Museu de Ciência CosmoCaixa. Segundo Àngel Font, subdiretor-geral de Investigação e Bolsas da Fundação ”la Caixa”, «a investigação biomédica é uma das formas mais poderosas de melhorar a vida das pessoas. Os 34 projetos premiados abordam desafios muito diversos a partir de diferentes perspetivas, mas todos partilham três eixos fundamentais para avançar rumo a um futuro mais promissor para os doentes e as suas famílias: colaboração, talento e inovação”. De acordo com a Fundação la Caixa, os projetos portugueses deste ano sobressaem pelo seu carácter inovador e elevado impacto social.

Este ano, A Fundação la Caixa desenvolveu acordos com a Fundação Breakthrough T1D e com a Fundação Luzón, o que permitiu dar maior destaque ao financiamento de iniciativas centradas na diabetes tipo 1, com dois projetos financiados, e na esclerose lateral amiotrófica (ELA), com um projeto financiado. O concurso conta ainda com a colaboração da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), que destinou 1,8 milhões de euros para financiar três dos nove projetos portugueses premiados nesta edição.

Desde o início do programa em 2018, o montante total do concurso de Investigação em Saúde da Fundação ”la Caixa” ascende a 172,3 milhões de euros para 234 projetos, dos quais 162 são liderados por equipas espanholas e 72 por grupos de investigação portugueses. Universidade do Porto - Portugal