Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 28 de outubro de 2025

CPLP - Debate reforço da cooperação em defesa

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) iniciou, nesta terça-feira, na Vila Ponta do Ouro, em Maputo, a XXII Reunião de Directores da Política de Defesa ou Equiparados, com o objectivo de reforçar a cooperação estratégica no domínio da defesa e preparar propostas a submeter à próxima reunião dos Ministros da Defesa da organização.


O encontro, que decorre até amanhã, junta representantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, bem como o Secretariado Permanente para os Assuntos de Defesa e o Centro de Análise Estratégica da CPLP.

A delegação moçambicana é chefiada pelo Brigadeiro Anastácio Zaqueu Barassa, Director Nacional de Política de Defesa, acompanhado pelo Coronel Assane Cachimo, Oficial de Cooperação do Estado-Maior General, e pela Major Marta António Jorge Muando Licussa, Chefe do Departamento de Relações Multilaterais.

Na sua intervenção, o Brigadeiro Barassa referiu que o encontro decorre num contexto internacional desafiante, marcado pela instabilidade geopolítica, pelo terrorismo e pelas alterações climáticas. Estes factores, segundo afirmou, exigem maior coordenação estratégica entre os países da CPLP, tendo realçado a importância do reforço da cooperação multilateral para a consolidação da segurança colectiva e promoção da paz e do desenvolvimento sustentável.

A agenda de trabalhos inclui a análise do ponto de situação da 3.ª Reunião dos Serviços de Informações Militares, da implementação do Plano de Acção 1325 sobre a Agenda “Mulheres, Paz e Segurança”, do balanço das formações realizadas no Colégio de Defesa e no Curso CIMIC, bem como a apreciação da proposta de revisão dos estatutos e do regimento do Centro de Análise Estratégica da CPLP.

Consta igualmente da agenda a calendarização das actividades conjuntas para 2026, com destaque para o Exercício FELINO, considerado um dos principais marcos da cooperação multilateral entre as Forças Armadas dos países de língua portuguesa. In “O País” - Moçambique


segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Ucrânia - Por que os soldados ucranianos estão a fugir da frente

Centenas de milhares de soldados estão a abandonar os seus postos. Exaustão, corrupção e mobilização forçada estão a levar o exército ucraniano ao limite


Desde o início da guerra, aproximadamente 290.000 processos criminais foram instaurados na Ucrânia contra militares que desertaram dos seus postos. Um número aproximadamente equivalente a toda a força da Bundeswehr alemã. No entanto, poucos acreditam que esse número reflita a extensão total. Muitos comandantes aparentemente evitam relatar deserções por medo de que cada soldado desaparecido possa ser considerado uma falha pessoal de liderança.

Dos casos conhecidos, quase 60.000 envolvem deserção no sentido estrito, enquanto os demais são classificados como ausência não autorizada da unidade, ou AWOL, para abreviar. A linha entre as duas categorias é ténue e frequentemente depende da intenção: se um soldado deixa a sua unidade sem intenção de retornar, é considerado deserção; se ele desaparece por alguns dias para ver a sua família e retorna, é "apenas" AWOL.

Deserção: Cenoura e Castigo

No final do ano passado, tornou-se evidente que o número de ausências não autorizadas estava a aumentar de forma alarmante. Em resposta, o governo Zelensky introduziu um procedimento simplificado de retorno, uma espécie de amnistia para incentivar o retorno dos soldados. Muitos dos que aproveitaram essa oferta eram homens que esperavam ser transferidos para unidades mais atraentes — unidades nas quais teriam poucas possibilidades de entrar em circunstâncias normais.

Mas essa estratégia de "cenoura" não correspondeu às expectativas. Apenas 29.000 soldados retornaram ao serviço. Portanto, o governo está a recorrer à abordagem "do bastão" e a trabalhar num sistema de punições mais severo para casos de abandono sem licença. Muitos comandantes alertam, no entanto, que isso por si só não resolverá os problemas. As causas são mais profundas: exaustão, treino inadequado, horários de serviço pouco claros, desilusão, escassez, baixos salários, corrupção, liderança militar fraca e uma grave perda de confiança nos superiores, cujas ordens arriscadas frequentemente levam a pesadas perdas.

A mobilização forçada também é uma tábua de salvação para o exército ucraniano. Mês após mês, dezenas de milhares de homens — muitos deles relutantes, destreinados e despreparados para a guerra — são forçados a vestir uniformes. O que antes era um chamado para defender a pátria tornou-se, para muitos, uma ordem da qual não há como escapar.

Segundo a Ombudsman Militar Olha Reschetylova, muitos dos soldados recém-recrutados fogem assim que têm a oportunidade. Eles desaparecem dos campos de treino, escondem-se a caminho das suas unidades ou desaparecem repentinamente assim que descobrem que serão enviados para a frente. A fuga dos soldados não é apenas um ato de medo, mas também um protesto silencioso contra a sua exaustão extrema.

A exaustão do serviço é, aliás, um dos motivos mais comuns para deixar o exército. Muitos combatentes voluntários agora comparam-se a escravos, presos num serviço militar por tempo indeterminado sob lei marcial. Essa incerteza não só mina o moral, como também alimenta um sentimento de injustiça. Ao mesmo tempo, milhões de homens continuam a viver as suas vidas normalmente, fugindo do serviço militar por meio de um sistema generalizado de corrupção no processo de mobilização.

Mobilização na Ucrânia: Protestos contra Zelensky crescem

A crescente tensão social em torno desta questão gerou um movimento: "Clear Service Times". Este grupo de indivíduos afetados une esposas e mães de soldados que exigem que os seus maridos finalmente possam voltar para casa — e que o fardo da guerra seja compartilhado de forma justa entre todos aqueles que servem ao país.

A extensão da deserção no exército ucraniano – combinada com a evasão em massa da mobilização – lança uma longa sombra sobre a afirmação do presidente Zelensky de que a Ucrânia não precisa de soldados da OTAN, apenas de armas. Enquanto a liderança política não controlar a pressão militar, mesmo o maior arsenal de armas não mudará nada. O Ocidente pode continuar a fornecê-las – mas em breve poderá não haver mais ninguém para operá-las. Marta Havryshko – Ucrânia in Berliner Zeitung


terça-feira, 8 de julho de 2025

Cabo Verde – União Europeia apoia reforço militar

A União Europeia aprovou, esta terça-feira, uma medida de assistência às Forças Armadas de Cabo Verde, no valor de 12 milhões de euros


Trata-se de um acordo com duração de dois anos, destinada a fortalecer a capacidade militar do país.

De acordo com a Lusa, que cita um comunicado do Conselho da UE, a iniciativa ao abrigo do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz, inclui o fornecimento de equipamento e serviços para patrulhamento e vigilância marítima, formação especializada e a entrega de um navio de patrulha oceânica.

O objectivo principal é de proteger a soberania marítima do arquipélago e reforçar a segurança regional.

Segundo a mesma fonte, a assistência insere-se na Parceria Especial UE–Cabo Verde e deve também potenciar a cooperação do país com as marinhas dos Estados-Membros da UE, particularmente através da iniciativa de Presença Marítima Coordenada.

Criado em 2021, o Mecanismo Europeu de Apoio à Paz busca financiar acções da política externa europeia, promover a prevenção de conflitos, a preservação da paz e a estabilidade internacional, refere o documento. In “Jornal de Angola” – Angola com “Lusa”


segunda-feira, 9 de junho de 2025

Ucrânia – Números alarmantes de desertores das forças armadas

Novas estatísticas indicam a escala de desertores no exército ucraniano.


Nos cinco meses de 2025 foram registados 90.590 processos penais por deserção das forças armadas ucranianas.

Foi em Maio que se registou o maior número de deserções neste ano de 2025, 19.956, depois de 18.145 em Janeiro, 17.809 em Fevereiro, 16.349 no mês de Março e 18.831 em Abril.

E, no total, desde o início da operação militar especial na Ucrânia registaram-se 213.722 casos de desertores.

Gostaria de salientar que as estatísticas referem-se apenas a casos de deserção, que iniciaram processos criminais com base em matérias de investigação oficiais enviados pelos comandantes de unidades militares para o DBR ou para os gabinetes de promotores de defesa especializados. A imagem real é muito pior, porque até outubro de 2024 o DBR recusou-se sistematicamente a fornecer informações ao ERDR sobre os factos de abandono arbitrário de partes ou local de serviço e os comandantes de unidades militares tiveram mesmo de recorrer em tribunal da inação dos investigadores da DBR.

Ao mesmo tempo, ninguém procura desertores e eles, apesar da declaração da liderança da DBR, não retornam ao serviço. Sim, nos primeiros cinco meses de 2025, apenas 2732 casos foram relatados (3% do número de processos penais registados durante esse período). Durante o mesmo tempo, apenas 1375 desertores (1,5%) retornaram ao serviço militar - é exatamente o quanto as preocupações com a demissão criminal foram enviadas ao tribunal.

A falta de lei e ordem nas Forças Armadas e outras formações militares foi causada pela eliminação do Ministério Público Militar em 2019, um primeiro exemplo da ausência no exército de Direito é a chamada "busificação", que consiste na captura à força de pessoas que circulam na via pública e não só. Volodymyr Boyki - Ucrânia



sábado, 17 de fevereiro de 2024

Portugal quer continuar a formar militares moçambicanos

O Chefe da Diplomacia Portuguesa, João Gomes Cravinho, disse que Portugal vai propor à União Europeia a renovação da missão de formação militar das forças armadas moçambicanas, que termina em Setembro deste ano.


Numa entrevista à Lusa, à margem da 44.ª sessão ordinária do Conselho Executivo da União Africana, o ministro português dos Negócios Estrangeiros de Portugal João explicou que “Portugal tem se empenhado bastante no reforço da capacitação das Forças Armadas de Defesa de Moçambique”.

A continuidade da Missão de Treino da União Europeia em Moçambique já tinha sido defendida pelo Ministério da Defesa de Portugal. Numa visita realizada em Dezembro último ao país, Helena Carreiras considerou fundamentais as relações de trabalho já realizadas nos mesmos “moldes ou em moldes revistos”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, citado pela DW, afirmou que a missão vai terminar o seu mandato em Setembro e que, actualmente, está a ser planeado o que vai acontecer a seguir, sendo que Portugal defende que ‘tem de ter três componentes”.

Em primeiro lugar trata-se da continuidade do treino militar que tem sido assegurado e que já foi comprovado na formação de 11 companhias. Em segundo lugar, e porque “tem de haver uma melhor ligação entre a formação e a realidade no terreno”, importa subir o nível da formação dos militares moçambicanos, explicou a fonte.

“E em terceiro lugar, acreditamos que é fundamental também apoiar as necessidades de equipamento  das forças armadas moçambicanas, porque as forças armadas precisam de equipamento”, adiantou.

O ministro disse esperar que nas “próximas semanas” a proposta de Portugal seja bem-sucedida.

A formação actual é fornecida por um contingente de 117 pessoas, 65 das quais de Portugal, país que também herdou o comando da EUTM-MOZ. In “O País” – Moçambique com “Lusa”


domingo, 15 de outubro de 2023

Guiné-Bissau ensina português aos seus militares

Os militares da Guiné-Bissau estão a aprender português em aulas dentro dos quartéis, num projeto inédito que arrancou com 60 formandos na capital guineense e vai ser alargado a outras unidades do país, a partir de janeiro


A iniciativa resulta de um pedido feito pelas autoridades guineenses ao Instituto Camões, de Portugal, e visa ajudar os militares a falar e escrever na língua que é a oficial da Guiné-Bissau, mas que poucos guineenses dominam.

Foi esta constatação que levou as Forças Armadas a pedir apoio para “qualificar oficiais, sargentos e soldados, em língua portuguesa”, como explicou à Lusa o coronel Suaibo Camará.

A chefia militar salientou a importância e utilidade do curso que arrancou na sexta-feira, em Bissau, com 60 alunos, para dar resposta à necessidade de as Forças Armadas terem pessoas “com maior eficiência” no domínio e na escrita, assim como na administração da língua portuguesa.

“A dificuldade é global, começa no próprio ensino, nós não temos pessoas com níveis de licenciado na língua portuguesa e, nesse âmbito, as pessoas saem mal dos ensinos primários, secundários e liceais, então, têm dificuldades em trabalhar com a língua portuguesa, como língua oficial nossa”, indicou.

No país domina o crioulo e, apesar de a língua oficial ser a portuguesa, “é difícil ter uma pessoa que possa fazer uma ata, um relatório síntese, um relatório descritivo, por escrito” em português, como constatou.

Um dos alunos do curso, o soldado Rúmana Biagué, corrobora que “as pessoas já saem mal do ensino” em relação à aprendizagem da língua portuguesa e observa que “até na universidade se encontram pessoas com dificuldades na oral e escrita”.

“Se a base não foi boa, o topo será a mesma coisa, e é isso que nos leva a ter dificuldades”, diz à Lusa, considerando que este curso nos quartéis é “muito benéfico e importantíssimo” para capacitar os militares.

Para este soldado, “saber falar bem português é indispensável, para um militar”, que tanto pode estar em missão na Guiné-Bissau, como noutro país de expressão portuguesa.

As Forças Armadas da Guiné-Bissau querem ter militares capacitados e esperam “ter mais oito turmas” em várias zonas do país, “já em janeiro”.

Esta iniciativa “no domínio da cooperação militar, do ensino da língua portuguesa, é para Portugal essencial para aproximar ambos os países”, segundo André Costa Monteiro, chefe de missão adjunto da Embaixada de Portugal em Bissau.

“Vemos esta iniciativa como um pontapé de saída no domínio do ensino da língua portuguesa e espero que se desenvolva no futuro. Isto é essencial para aproximar os militares portugueses dos guineenses, dando-lhes uma ferramenta de trabalho”, considerou.

Segundo o diplomata, “é do interesse português que esta iniciativa seja iniciada e desenvolvida no futuro, se for do interesse das autoridades guineenses que continue e que seja aprofundada”.

Destacou ainda o trabalho desenvolvido antes do início deste curso, dando como exemplo concreto os manuais desenvolvidos pelo instituto Camões, com o apoio da Direção-geral de Política de Defesa Nacional (DGPDM) portuguesa e dos três ramos das Forças Armadas de Portugal.

Este manual, como disse, “vai permitir formar muitos alunos”, não só na Guiné-Bissau, mas também noutros Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) que tenham interesse.

O professor Miguel Gama, responsável por uma das turmas em Bissau, atestou que o manual “responde às quatro competências da oralidade e da escrita, da leitura, e ajuda a ultrapassar as dificuldades que os alunos apresentam”.

Considerou, contudo, que este “curso só em si não resolve o problema, porque a língua tem a questão da prática”.

“O curso dá bases, dá ferramentas, mas eles (alunos) têm que continuar a usar a língua na comunicação do dia-a-dia”, alertou.

Este projeto é, para o professor, “diferente de uma sala de aula normal”, desde logo porque decorre no meio militar com formandos que têm que se dividir “entre as aulas e as tarefas militares”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Moçambique - Teresa Taimo lança o livro “Mulher na Defesa da Pátria”


Foi lançado, em Maputo, o livro da escritora e oficial do exército, Teresa Taimo, intitulado “A Mulher na Defesa da Pátria”. A obra literária narra histórias das mulheres que defendem a pátria através do seu ofício.

A escritora Teresa Taimo, que também é oficial do exército, lançou, esta segunda-feira, o livro intitulado “Mulher na Defesa da Pátria”, que, segundo explica, visa moldar a sociedade.

“A inspiração veio de nós mesmas, daquela necessidade de querer entender quem é a mulher na defesa da pátria, qual é o perfil da mulher na defesa da pátria, qual é o papel da mulher na defesa da pátria, que formação tem a mulher na defesa da pátria e qual é a carreira e nível de progressão”, revelou Teresa Taimo.

De acordo com a apresentadora da obra literária, Quitéria Guirengane, o livro vai ajudar a moldar o pensamento da mulher moçambicana.

“Mostra como é [a mulher] em diferentes prismas; não apenas na vertente das Forças de Defesa e Segurança – da qual a autora faz parte –, mas também noutras partes, incluindo o activismo. As mulheres podem defender a nossa pátria. [A obra] levanta, igualmente, uma série de questionamentos, inclusive sobre como a génese da construção do Estado moçambicano – a participação da mulher nas forças armadas – foi sempre questionada”, descreveu Quitéria Guirengane.

A obra, com 133 páginas, é a terceira de Teresa Taimo. A primeira foi “O Regresso do Descontente” e a segunda intitula-se “A Refugiada”.

O livro traz questões como a percepção que a comunidade tem num contexto de violência, em que as mulheres sofrem violação no teatro operacional, no âmbito dos raptos e do terrorismo.

O evento contou com a presença de académicos, membros das forças armadas e estudantes. In “O País” - Moçambique


 

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

Moçambique - Missão da UE faz história com liderança portuguesa, diz Maputo

O ministro da Defesa de Moçambique, Jaime Neto, disse ontem que se fez história com o arranque da primeira missão de formação militar da União Europeia (UE) no país, para preparar tropas para Cabo Delgado.

“Estamos a fazer história”, referiu durante o lançamento da Missão de Formação da União Europeia (EUTM, sigla inglesa) na parada da Companhia de Fuzileiros Independente da Katembe, Maputo.

A missão é o “caminho certo” para a especialização, profissionalização e modernização das Forças Armadas e de Defesa de Moçambique (FADM), sublinhou o governante, que quer tropas com autonomia para enfrentar qualquer ameaça, como a insurgência no Norte do país.

Para a UE, depois do Mali, República Centro Africana e Somália, esta é a quarta missão do género em que 140 militares de 10 países europeus, sobretudo de Portugal, vão formar cerca de 1100 oficiais, sargentos e soldados moçambicanos ao longo de dois anos – seis companhias de comandos e cinco de fuzileiros. À medida que forem sendo formados, vão para o terreno, combater as forças insurgentes e “proteger a população”, disse o chefe do Estado-Maior General das FADM, Joaquim Mangrasse.

As duas primeiras companhias formadas pela EUTM estarão prontas daqui a quatro meses, uma no Chimoio, centro do país, onde serão formados os comandos, outra de fuzileiros em Maputo. “Estamos juntos” é uma expressão tipicamente moçambicana e que o brigadeiro-general Nuno Lemos Pires do exército português, comandante da missão no terreno, adoptou como ideia chave da missão.

Na prática, a formação consiste em praticar operações de combate, mas não só: haverá uma forte componente dedicada à protecção da população, em especial de mulheres e crianças – sendo que em Cabo Delgado tem havido vários relatos de violação de direitos humanos, de um lado e doutro da barricada.

Na óptica de Nuno Lemos Pires, “a melhor coisa que pode acontecer” às tropas moçambicanas é serem aclamados como “protectores” quando chegarem às aldeias e vilas, razão pela qual vão ser formadas “tanto a combater, como a proteger os direitos humanos, mulheres e, muito importante, proteger as crianças, que são o futuro de Moçambique”, sublinhou.

As autoridades moçambicanas, portuguesas e da UE apertaram mãos, satisfeitas perante o desfile militar que marcou o arranque de uma missão preparada por consenso dos estados-membros e “em tempo recorde” após o pedido de ajuda do Governo de Moçambique, feito há um ano. Isso mesmo referiu António Gaspar, embaixador da UE em Maputo, realçando que esta é apenas uma componente da forte ajuda que a Europa vai dirigir para Cabo Delgado no novo quadro de apoio financeiro que este ano arranca.

A EUTM segue as pisadas da cooperação militar portuguesa em Moçambique, com décadas e no âmbito da qual mais recentemente foram formados fuzileiros, caçadores especiais e controladores aerotáticos das FADM, levando 200 homens capacitados para Cabo Delgado. Agora, a iniciativa europeia permite “alargar” e “estender” esta formação, realçou o ministro da Defesa português, João Gomes Cravinho, no evento de ontem.

Os custos comuns para a EUTM Moçambique, a serem cobertos através do novo Mecanismo Europeu de Apoio à Paz (MEAP), estão avaliados em 15 milhões de euros para o período de dois anos, incluindo equipamento não-letal. Uma tranche urgente de quatro milhões foi desbloqueada em julho para fornecer o material necessário para a formação das duas primeiras companhias, ação que agora arranca, para durar quatro meses.

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico. Desde Julho, uma ofensiva das tropas governamentais com o apoio do Ruanda a que se juntou depois a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) permitiu aumentar a segurança, recuperando várias zonas onde havia presença de rebeldes, nomeadamente a vila de Mocímboa da Praia, que estava ocupada desde Agosto de 2020. In “Ponto Final” - Macau

 

domingo, 10 de outubro de 2021

Guiné-Bissau - Militares receberam certificados do curso de língua portuguesa

Bissau – Oitenta e oito militares, dos três ramos das Forcas Armadas(Marinha de Guerra Nacional, Exército e Força Aérea) receberam os seus certificados de seis meses do curso para melhoria da proficiência em língua portuguesa.

No acto de encerramento do curso, o Chefe do Estado-maior General das Forças Armadas (CEMGFA), Biagué Na N’Tan felicitou a embaixada de Portugal e o Instituto Camões pelo esforço feito na implementação da melhoria de proficiência da língua portuguesa nas Forças Armadas da Guiné-Bissau.

O CEMGFA garantiu que vão anotar as falhas ocorridas nesta primeira fase, por ser a mais difícil, e que vai exigir à todos os comandantes dos ramos para respeitarem as regras de formação, tendo em conta a importância da Língua Portuguesa para o país e particularmente para as forças armadas.

Para o embaixador de Portugal no país, José Rui Carroço os resultados são bastante positivos.

O diplomata luso garantiu que o curso será alargado aos que não puderam estar presentes agora, e revela que se encontram em Portugal quatro militares num curso de formadores, que mais tarde irão assegurar a escola de línguas do exército.

Disse que o empenho da embaixada do Portugal através da cooperação técnico militar, representada pelo Instituto Camões, vão continuar a trabalhar juntos, “porque a importância da língua portuguesa como utensílio e ferramenta indispensável, deve ser, cada vez mais incorporada e trabalhada, pelas Forças Armadas da Guiné-Bissau”.      

Segundo o Adido de Defesa da Embaixada de Portugal, Nuno Vitória Duarte, os formandos tiveram um aproveitamento de quase 60 por cento porque dos 88 que receberam os certificados 72 conseguiram passar de nível.

Disse que valeu a pena e que é importante continuar com as formações se houver condições e interesses porque a língua é um factor estratégico.

ʺCom certeza que hoje aprendemos uma coisa, o que é que correu menos bem, então vamos rectificar na próxima vez e com certeza, naturalmente, vai ser muito melhor e é provável que, daqui a sete meses, um aproveitamento de 80 ou 90 por cento será o ideal e haverá mais gente qualificada com competência para falar o português”, referiu.

Vitória Duarte realçou o esforço empreendido pelos professores e alunos que se dedicaram e nunca faltaram ao curso e que melhoraram significativamente em termos de redigir os textos. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau

 

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Moçambique - Forte contingente para combater o terrorismo enviado pela África do sul para Cabo Delgado

A África do Sul começou a mostrar o seu músculo militar no norte de Moçambique com o primeiro contingente fortemente equipado, em número de homens e armamento, no quadro das decisões tomadas pela Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) para combater o terrorismo protagonizado pelos radicais islâmicos do al-shabbab que há anos mantêm a província de Cabo Delgado a ferro e fogo

A chegada das Força de Defesa Nacional da África do Sul (SANDF, na sigla em inglês), por terra, mar e ar, com perto de 1500 elementos no terreno, é uma resposta clara aos radicais islâmicos do al-shabbab, mas não só; é também uma clara demonstração de posição e demarcação de território face à presença, desde o início de Julho, de um igualmente forte contingente militar, que inclui forças de polícia, enviadas pelo Presidente Paul Kagame, do Ruanda e que provocou óbvio mal estar entre os países-membros da SADC.

O Ruanda, com cerca de mil homens, foi o primeiro país a colocar forças militares significativas em Cabo Delgado, a província do norte de Moçambique sujeita a uma tempestade de terror soprada pelo radicalismo islâmico nos últimos anos, e a evidente irritação na SADC decorre da demonstração de capacidade de mobilidade das forças ruandesas e da sua notória versatilidade de actuação no continente africano - já tem forte presença na República Centro-Africana (RCA) - face à até aqui inércia no interior da comunidade austral que detém dois dos mais robustos Exércitos africanos - África do Sul e Angola - e por se tratar de um país geograficamente fora do círculo político austral.

Após a antecipação de Kigali no envio de apoio a Maputo para combater os radicais islâmicos, dentro da SADC, ao mesmo tempo que se faziam ouvir vozes críticas da acção estratégica de Paul Kagame, aqui e ali deixando no ar a ideia de que o Ruanda correu para Cabo Delgado "a mando" da França que tem ali um investimento de biliões na exploração de gás natural pela Total, a petrolífera de referência gaulesa, os países da SADC mais capacitados operacionalmente, como Angola, apressaram-se a mostrar presença no local, embora a um nível mais ligeiro, o de conselheiros militares e ou na formação das forças moçambicanas.

Mas foi a África do Sul, que já ali manteve centenas de elementos da segurança de empresas civis (mercenários) e cidadãos a trabalhar - pelo menos dois foram mortos nos ataques à localidade de Palma, em Março deste ano, que deu o passo mais relevante, agora, com a colocação, como se pode ler numa fundamentada notícia do jornal sul-africano Mail & Guardian, de uma força militar que envolve meios aéreos, navais e terrestres, incluindo o navio de guerra SAS Makhanda, parte estrutural das suas forças especiais no terreno e que vai integrar as forças navais previstas pela SADC (SAMIM, na sigla em inglês) na costa norte de Moçambique.

Esta força sul-africana é maioritariamente constituída por elementos humanos e equipamento, incluindo dezenas de veículos blindados de combate e de transporte de tropas da 43ª Brigada, com sede a norte de Pretória, que foram escoltados por forças moçambicanas entre a fronteira com Moçambique e Cabo Delgado, para onde foram igualmente meios aéreos, incluindo dois C-130, avões multifacetados que podem ser utilizados em combate próximo do solo, no transporte de homens e ainda na deslocação rápida de material militar de vários tipos, e um aparelho especialmente equipado para vigilância aérea das movimentações dos grupos armados da al-shabbab no solo.

O Mail & Guardian revela que os dois C-130 têm estado, nas últimas semanas, a realizar voos permanentes entre Pretória e Pemba, a capital da província de Cabo Delgado, transportando equipamento militar, contendo toneladas de munições, o que revela que se trata de forças objectivamente preparadas para combater, transmissões, e um número indeterminado de membros das Forças Especiais da SANDF.

A par da África do Sul, também o Zimbabué (analistas admitem que possam ser três centenas de tropas enviadas por Harare) e o Botsuana (300 militares confirmados) - de fora do continente, Portugal e EUA enviaram grupos de conselheiros e formadores com o objectivo de treinar as forças moçambicanas em técnicas de anti-terrorismo - embora com menor peso, destacaram forças militares de relevo para Cabo Delgado nos últimos dias, tendo estes países optado, todavia, por não detalhar os objectivos das respectivas missões no contexto de combate aos grupos armados que operam nesta região moçambicana que faz fronteira com a Tanzânia.

Cabo Delgado, recorde-se, começou a ser fustigada por ataques de grupos armados denominados al-shabbab, que quer dizer em árabe "a juventude", com maior intensidade, a partir de 2017, coincidindo com o arranque do projecto de exploração de gás natural do Rovuma, envolvendo a francesa Total e a norte-americana Anadarko, que, entretanto, perdeu interesse no investimento antes da suspensão decidida pela Total.

Nos últimos anos, marcados claramente em densidade violenta pelos ataques de Março e Abril deste ano, em Palma, uma localidade de 40 mil habitantes, mais de 2 mil pessoas perderam a vida e dezenas de milhares deixaram as suas casas, muitas dela destruídas pelo fogo durante ataques a aldeias do al-shabbab.

A maior parte dos deslocados estão ainda hoje, apesar de muitos terem regressado às suas aldeias, em campos de acolhimento erguidos à pressa, nas proximidades de Pemba, capital provincial de Cabo Delgado.

Esta forte movimentação militar de países da SADC - Angola ainda só deslocou oficialmente conselheiros militares para Pemba mas estima-se que a presença angolana possa ser já ou vir a ser substancialmente mais alargada - visa, no capítulo político, criar condições para a normalização da vida comunitária em Cabo Delgado, expulsando os radicais da província.

A par deste objectivo, de rápida normalização da vida no norte de Moçambique, surge uma clara procura de enviar uma mensagem robusta de que o continente começa a criar mecanismos de resposta para as investidas dos grupos de radicais islâmicos, depois de anos a fio a chegar tarde às regiões onde isso foi evidente, como é o caso do Sahel, especialmente em países como o Mali e o Burkina Faso, onde estes grupos aparentam ser agora donos e senhores de vastos territórios.

E uma das mensagens pode mesmo ser para os movimentos islâmicos que operam no leste da RDC, país com fronteira extensa com Angola, como ficou, de resto, espelhado nos receios manifestados pelos bispos católicos do Congo numa recente reunião da Conferência Episcopal Nacional do Congo (CENCO). In “Novo Jornal” - Angola

 


sábado, 26 de junho de 2021

Cabo Verde – Forças Armadas recebem meios de transporte e comunicação doados pela China

Cidade da Praia – A Embaixada da República Popular da China entregou, na Cidade da Praia, às Forças Armadas (FA) um donativo em equipamentos de comunicação e meios de transporte, no valor de 431 mil contos. 

A doação, que inclui dez autocarros, dez camiões, quatro viaturas todo terreno e 50 computadores, foi entregue pelo embaixador chinês Du Xiaocong, na presença da ministra de Estado e da Defesa, Janine Lélis, no Comando da 3ª Região Militar, em Achada Limpo. 

Na ocasião, a ministra agradeceu o esforço empreendido pela Cooperação Chinesa, que, realçou, em pleno período de pandemia fez com estes materiais, de comunicação e equipamentos de transportes diversos, pudessem chegar a Cabo Verde. 

Segundo Janine Lélis, isto traduz uma “enorme satisfação”, uma vez que a entrega desses equipamentos representa os frutos de uma “forte cooperação” no domínio da defesa entre os dois países. 

“Estamos a falar de um grande volume de equipamentos de comunicação e transporte que vão permitir um reforço significativo de meios e fazer com que as Forças Armadas melhorem a sua capacidade funcional e operacional, tendo em conta o cumprimento da sua missão constitucional”, sublinhou a governante. 

Reiterou as “excelentes relações de cooperação” entre a República de Cabo Verde e a República Popular da China, assistida, a seu ver, em todo o momento vivenciado pelo arquipélago, sobretudo agora com a pandemia através da doação de vacinas para o combate à covid-19. 

Esses materiais, di-lo Janine Lélis, colocam as Forças Armadas ao nível e num patamar de resposta que não tinham ainda conseguido, em especial em matéria de comunicação, “tão fundamental e essencial” para aquilo que é a sua missão.  

Por sua vez, o embaixador chinês explicou que os donativos hoje entregues foram anunciados pelo Presidente da China, Xi Jinping, no encontro com o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, que decorreu em 2018, durante a Cimeira de Beijing do Fórum da Cooperação China-África.

Desde então, ajuntou, foi implementado um conjunto de trabalho no que se refere ao seguimento da doação militar pelas autoridades competentes dos respectivos países e que lhes permitiu realizar hoje a cerimónia oficial de entrega.  

Disse acreditar que os materiais e equipamentos vão permitir às Forças Armadas de Cabo Verde aumentar a sua capacidade no cumprimento da sua missão, e augurou que as relações de amizade e cooperação que unem os dois países e os dois exércitos “prossigam e se intensifiquem”.

A cooperação entre os dois países no âmbito da Defesa iniciou-se em 1982, versando a formação, a doação de material militar e visitas das entidades aos países, como mecanismo e forma de reforçar esta amizade. 

Em 2012, Cabo Verde e a China assinaram um protocolo que permitiu a doação ao arquipélago de dois navios patrulha para a Guarda Costeira, uma unidade de produção de fardamento, bem como materiais informáticos e de comunicação. 

A assinatura, em Dezembro de 2018, do novo acordo de concessão de materiais, segundo Janine Lélis, permite às Forças Armadas ter uma disponibilidade em equipamentos correspondente a um montante de 30 milhões de yuans (431 mil contos) para os cinco anos, traduzindo-se em 20 contentores com os materiais de ponta hoje entregues oficialmente. In “Inforpress” – Cabo Verde

 

sábado, 5 de junho de 2021

CPLP - Vai ter um mecanismo de resposta das Forças Armadas em catástrofes


A CPLP vai ter um mecanismo de resposta das Forças Armadas em catástrofes, como o conflito em Cabo Delgado, considerado prioritário para a presidência cabo-verdiana do grupo ministerial da Defesa da organização, informou a ministra de Cabo Verde.

“Naturalmente. Temos que dar continuidade e temos uma responsabilidade maior quando nós assumirmos a presidência, porque o impulso, a dinamização e a concretização das deliberações também estará dependente da energia que a gente dedica para a causa da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa]”, afirmou nesta terça-feira à Lusa a ministra da Defesa de Cabo Verde, Janine Lélis.

Em declarações aos jornalistas na cidade da Praia, à margem da XX reunião de ministros da Defesa Nacional ou equiparados da CPLP, realizada por videoconferência e presidida pelo Brasil, a governante explicou que na agenda deste encontro, entre outros assuntos, está a deliberação da criação do mecanismo de resposta das Forças Armadas ao nível da comunidade para as situações de catástrofe.

“Significa que está a ser criada uma capacidade de resposta ao nível da comunidade para que, em jeito de solidariedade e sempre que se mostrar necessário, haja essa conjugação de esforços para ajudar”, referiu a ministra cabo-verdiana, que em 2022 assumirá a presidência rotativa do grupo ministerial de Defesa da CPLP.

Explicou que o mecanismo que está agora a ser preparado “não é perspectivado como uma força permanente”, mas sim “uma força de resposta em situações de catástrofe”, até tendo em conta que estão previstos “procedimentos de solicitação e de resposta”.

“Não há de existir como uma realidade permanente, mas sim pontual, para satisfazer necessidades”, afirmou a ministra da Defesa de Cabo Verde, que hoje se estreou publicamente nessas funções, que assumiu em maio, depois de no anterior Governo ter sido ministra da Justiça e do Trabalho.

Janine Lélis explicou que o conflito armado que se vive em Cabo Delgado, norte de Moçambique, ou as dificuldades do último ano provocadas pela pandemia de covid-19 ajudam a explicar a necessidade de implementar este mecanismo da resposta ao nível dos países da CPLP.

“Por causa disso é que se torna premente a criação destes instrumentos. A comunidade, para além de mostrar solidariedade, colocou sobre a mesa este mecanismo, exatamente porque situações desta natureza acontecem, para que a gente possa estar em condições de nos organizarmos para uma resposta”, disse ainda a ministra, referindo-se ao conflito em Cabo Delgado.

A aprovação de uma deliberação sobre a criação deste mecanismo, ao nível dos ministros da Defesa da CPLP, é um dos pontos relevantes da agenda da reunião.

Entre outros assuntos, os ministros ainda deliberam sobre a Estratégia de Defesa da CPLP, “como é que ela deverá responder, em especial, para as operações de paz e de assistência humanitária das Nações Unidas”, explicou a governante cabo-verdiana.

Também é apreciada uma resolução das Nações Unidas sobre o papel das mulheres na promoção dos Direitos Humanos das crianças e das pessoas vítimas de violência nos conflitos armados, acrescentou.


Brasil

O Ministro da Defesa do Brasil e presidente do Fórum de Ministros da CPLP, Walter Souza Braga Netto, abriu reunião saudando os demais Ministros e convidados. Ele ressaltou que o evento é o espaço propício para a interação e o estabelecimento da confiança entre os países.

O Ministro Braga Netto pontuou questões como o combate à Covid-19 e a importância do Atlântico Sul, especificamente, as preocupações com a segurança marítima no Golfo da Guiné. No que se refere ao combate à pandemia, o Ministro destacou a ativação do Centro de Operações Conjuntas, que atua na coordenação e no planejamento do emprego das Forças Armadas em ações de enfrentamento promovidas pelo Ministério da Defesa.

O Ministro brasileiro disse, ainda, que outro tema vital ao Brasil é o Atlântico Sul e a situação crítica vivenciada no Golfo da Guiné. Ele chamou a atenção para a importância que esse oceano vem adquirindo ao longo das últimas décadas. “As nações atlânticas enfrentam grande número de desafios marítimos. Tais episódios têm acarretado óbices significativos ao comércio marítimo em geral”, concluiu o Ministro Braga Netto.

Em seguida, os demais Ministros apresentaram análises conjunturais de seus países, referenciando as atividades socioeconômicas internas, sob a luz dos acontecimentos internacionais e da pandemia provocada pelo novo coronavírus.

Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste são os Estados-membros da CPLP. In “Mundo Lusíada” - Brasil




 

sábado, 3 de abril de 2021

São Tomé e Príncipe - Entregue material médico sanitário por Portugal às Forças Armadas São-tomense


São Tomé – O Embaixador de Portugal em São Tomé e Príncipe Rui Carmo, acompanhado pelo Coronel José Costa Reis, Adido de Defesa junto à Embaixada de Portugal, procederam à entrega de um lote de materiais médicos sanitários incluindo testes rápidos contra Covid-19, às Forças Armadas são-tomense, em cerimónia, presidida esta quarta-feira pelo Ministro da Defesa e Ordem Interna, Coronel Óscar Sousa.

Dos materiais, constam nomeadamente 300 testes rápidos à Covid-19 ofertados pelo Estado-Maior-General das Forças Armadas, através do Hospital das Forças Armadas, e medicamentos oferecidos pelo Exército Português, através do seu Laboratório Militar.

A cerimónia realizou-se no Centro de Saúde Militar das Forças Armadas santomenses, tendo ainda contado, entre outras, com a presença do Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas (CEMFA), Brigadeiro-General Idalécio Pachire, o Vice-Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, o Comandante do Exército, o representante do Comandante da Guarda Costeira, o Oficial de Ligação ao MAI, o Chefe da Missão de Assessoria Naval do Brasil e os militares da Cooperação no Domínio da Defesa e do NRP Zaire.

Além do acto de entrega, a parte portuguesa visitou ainda as obras de reabilitação do Centro de Saúde Militar que decorrem de um pedido expresso pelo Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas santomenses, Brigadeiro Idalécio Pachire ao seu homólogo português, aquando da visita do Ministro da Defesa Nacional português João Gomes Cravinho, tendo o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas de Portugal, Almirante Silva Ribeiro, decidido apoiar a presente obra de reabilitação, dada a relevância deste centro de saúde para os militares e suas famílias, bem como no apoio que vem sendo prestado à população em geral, nomeadamente na recolha de amostras para testes PCR e na inoculação da vacina contra a Covid-19.

As referidas obras iniciaram-se em 15 de março de 2021, e estão sendo realizadas pela Companhia de Engenharia do Exército santomense, estando a coordenação da mesma a cargo do Gabinete do Adido de Defesa, contando ainda com o apoio técnico do Assessor Técnico do Projeto 3 da Cooperação no Domínio da Defesa, Primeiro-Sargento Cláudio Barros do Exército Português. Ricardo Neto – São Tomé e Príncipe in “STP-Press”


 

quarta-feira, 31 de março de 2021

Moçambique - Acordo para treino de tropas especiais assinado no fim de Abril em Lisboa

Lisboa – Os ministros da Defesa português e moçambicano assinam no final de Abril, em Lisboa, o acordo-quadro para formação das forças especiais de Moçambique até 2025, anunciou Gomes Cravinho, que defende uma “resposta multifacetada” à situação naquele país.

Hoje, chegou a Maputo o brigadeiro-general Francisco Duarte, que irá comandar a missão de formação de tropas especiais, prevendo-se o envio de duas equipas avançadas de formadores portugueses em meados de Abril, adiantou o ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, em declarações à Lusa.

O governante disse que a assinatura do acordo-quadro de cooperação bilateral para o período de 2021-2025, para a formação e treino de forças especiais, fuzileiros e comandos, terá lugar em Lisboa no final de Abril, durante uma visita oficial do seu homólogo moçambicano, Jaime Neto.

Além da formação de forças militares especiais, disse, o acordo inclui outras linhas de cooperação militar no âmbito da formação, nomeadamente as “componentes terra-ar” e informações.

“E acredito também que há muito a ganhar em trabalharmos com drones, que oferecem uma capacidade de recolha de informação que pode ser preciosa. E a nível de informações é outro domínio que vai ser trabalhado”, acrescentou.

O ministro da Defesa sublinhou que a missão em preparação não é uma Força Nacional Destacada mas sim uma cooperação entre dois países soberanos que mantém relações próximas e fraternas.

Quanto à actual situação naquele país, Gomes Cravinho defendeu que a resposta ao que se passa em Cabo Delgado “tem de ser securitária, com recurso à força armada, tem de ser desenvolvimentista, com apoio de cooperação para o desenvolvimento internacional e tem de ser humanitárias socorrendo os 700 mil deslocados”.

“Eu acredito que Moçambique não vai tornar-se um Mali, acredito que o governo e as autoridades moçambicanas possam voltar a administrar rapidamente todo o território, a ser plenamente soberanos em toda a extensão do país”, afirmou.

A resposta ao que se passa na província de Cabo Delgado “requer uma abordagem multifacetada e não se resolve de um dia para o outro mas no horizonte de um par de anos começando pela situação securitária porque esta é a base para qualquer desenvolvimento, e prestar socorro humanitário às populações afectadas”, defendeu.

A contribuição de Portugal para a formação e capacitação das forças moçambicanas prevê o treino de “sucessivas companhias” das forças armadas, em três a quatro meses, durante três anos, o que representa um “triplicar” do investimento português em projectos de cooperação com aquele país, que existe desde 1988.

Quanto aos locais de trabalho, está previsto que os militares portugueses estarão no sul do país, em Catembe, perto de Maputo, (fuzileiros) e no centro (comandos), disse Cravinho. Em meados de Abril seguirão para Moçambique duas equipas-avançadas para dar início, no terreno, às acções formativas.

A província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, é desde há cerca de três anos alvo de ataques terroristas e o último aconteceu no dia 24, em Palma, em que dezenas de civis foram mortos, segundo o Ministério da Defesa moçambicano.

A violência está a provocar uma crise humanitária com quase 700 mil deslocados, segundo agências da Organização das Nações Unidas, e mais de duas mil mortes, segundo uma contabilidade feita pela Lusa.

O movimento terrorista Estado Islâmico reivindicou na segunda-feira o controlo da vila de Palma, junto à fronteira com a Tanzânia.

Vários países têm oferecido apoio militar no terreno a Maputo para combater estes insurgentes, mas, até ao momento, ainda não existiu abertura para isso, embora haja relatos e testemunhos que apontam para a existência de empresas de segurança e de mercenários na zona. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”

 

quarta-feira, 17 de março de 2021

Guiné-Bissau - Estado-maior General das Forças Armadas capacita militares no domínio da língua portuguesa


Bissau – O Estado-maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau promove uma acção de formação no domínio da língua portuguesa para 126 militares nacionais de diferentes especialidades.

O curso em língua portuguesa inicia-se na próxima segunda-feira, dia 22 de março e vai ser ministrado nas instalações da Escola de Língua das Forças Armadas no país com a duração de seis meses.

A cerimónia de abertura do curso foi esta terça-feira antecedida com a entrega de 100 dicionários de português e de 50 prontuários da mesma língua, oferecidos pelo Ministério da Defesa Nacional de Portugal e um manual, bem como um conjunto de apoio escolar para cada aluno, doado pelo Camões - Instituto da Cooperação e da Língua.

Na cerimónia, o Embaixador de Portugal na Guiné-Bissau, José Rui Caroço disse ser uma ocasião feliz, porque espelha a cooperação de Portugal com a Guiné-Bissau no domínio da defesa, e que vem de longa data e que se manifesta através de diversas parcerias e projectos.

José Caroço salientou que a língua portuguesa é um idioma universal, mas também uma língua oficial da Guiné-Bissau e em franco crescimento, cuja aprendizagem e o melhor domínio só traz utilidade para aqueles que possam falar hoje em dia em todos os cantos do mundo.


“Portugal está presente ao nível da educação e da formação desde as idades mais jovens e em todo o percurso escolar até ao ensino superior na Guiné-Bissau e agora pretende-se também, no caso específico, nas Forças Armadas”, explicou.

Para o diplomata português trata-se de um momento feliz para evidenciar os esforços para o avanço e promoção da formação da língua nas Forças Armadas.

José Rui Caroço qualificou esta acção de formação dos militares guineense no domínio da língua portuguesa como um exemplo feliz do relacionamento de forma geral entre Portugal e a Guiné-Bissau.

O Chefe do Estado-maior General das Forças Armadas, Biaguê Na N´tan agradeceu ao embaixador de Portugal e ao Camões - Instituto da Cooperação e da Língua pela promoção da acção de formação aos militares dos diferentes ramos no domínio da língua portuguesa.

Disse que há muito tempo que deseja que os militares tenham o domínio da língua portuguesa.

Biaguê Na N´tan defendeu que é preciso que as Forças Armadas tenham formadores de língua portuguesa para que possam igualmente capacitar outros militares no domínio da língua. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau




 

domingo, 31 de janeiro de 2021

Moçambique – Novo programa de cooperação militar está a ser preparado com Portugal

Combate aos grupos em Cabo Delgado será prioridade de novo acordo de cooperação militar que sucederá ao de 2018. Este último termina em fevereiro de 2020, mas deverá ser prontamente sucedido por um novo pacto

Foto: AFP

Portugal e Moçambique estão a estudar ações de formação que possam beneficiar as forças moçambicanas no novo programa de cooperação militar entre os dois países, disse, esta quinta feira, (28.01), o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA) português, almirante António Silva Ribeiro.

“Estamos a trabalhar com as autoridades moçambicanas para desenvolver novas ações de formação” que promovam “desempenhos operacionais acrescidos em termos das necessidades de Moçambique”, referiu Ribeiro, no final de uma deslocação de dois dias a Moçambique.

A visita a Maputo serviu para analisar “do ponto de vista técnico essas possibilidades de reforço da cooperação militar portuguesa em Moçambique”. A deslocação sucede à do ministro português da Defesa, João Gomes Cravinho, em dezembro, para preparar o próximo programa quadro de cooperação militar.

Moçambique e Portugal têm um acordo de cooperação na área da defesa desde 1988. Nesse âmbito, o programa em vigor arrancou em 2018 e termina em fevereiro, pelo que um novo acordo vai ser assinado “a breve prazo”, referiu o CEMGFA.

Capacitação de militares

Uma equipa técnica vai permanecer em Maputo para preparação do programa que Gomes Cravinho sinalizou em dezembro, após encontros com as autoridades moçambicanas, que Portugal vai apoiar Moçambique na organização logística e capacitação de militares para fazer face a grupos rebeldes que têm protagonizado ataques armados na província de Cabo Delgado.

Segundo o governante português, a formação, a ser feita em Moçambique, vai abranger as forças de intervenção rápida, forças especiais, fuzileiros e militares da área do controlo aéreo tático, tendo sido definidas como “áreas de interesse específico” a ciberdefesa, a cartografia, a hidrografia e a cooperação industrial de defesa.

“Nós estamos a falar de uma missão não executiva. O que nós vamos fazer é dar apoio às autoridades moçambicanas para que elas possam exercer a sua soberania”, frisou na altura João Gomes Cravinho. In “Portal de Angola” - Angola