Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Cidade de São Paulo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cidade de São Paulo. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Livro de acordar o leitor: “A vizinha das sete cordas”

Todos os textos de Hugo Almeida, uns mais outros menos, são tributos a escritores, à literatura em geral

O recente livro de Hugo Almeida, A vizinha das sete cordas (São Paulo: Sinete, 2026), é composto de 15 contos, distribuídos em três partes: Dentro de Casa, Fora de Casa e Além – Tributo a três eternos. Nessa última parte, o tributo é dedicado a três grandes escritores brasileiros: Osman Lins, Clarice Lispector e Manuel Bandeira.

Em verdade, todos os textos de Hugo, uns mais outros menos, são tributos a escritores, à literatura em geral. Há uma rede de epígrafes, começando com Lima Barreto, Lord Bulwer Lytton e Ivan Lins, abordando crimes, erros, desgraça e perdão, e se espalham praticamente em cada conto, ocorrendo, inclusive, uma epígrafe (ou hipógrafe?) no final do texto “Ponto cego”, com versos de Jorge de Lima: “surdo-mudo/ cegara. / Agora vê”.

Creio que esses versos e o título do conto indicam bem a sensação que uma primeira leitura vai despertar nos leitores dessa coletânea (que conta com o lúcido prefácio de Eltânia André). A obra é repleta de pontos cegos, assim como se o autor valesse de um palimpsexto sentido para captar movimentos, sensações, lugares, crueldades e afetos disseminados ao longo das narrativas.

Em termos de afeto, sinto-me honradamente contemplado, pois, em meio a tantas dedicatórias, Hugo Almeida lembra-se de meu humilde nome no final de “Assim de touca e máscara?”, conto que recebe epígrafe de belo verso do poema “Maçã”, de Manuel Bandeira e sua intricada trama joga com antiguidade romana, reminiscências bíblicas, Chopin, Mallarmé, Dalí, Lorca, Tasso e taça de vinho, sem omitir um pintor de origem espanhola, seria Carlos Alonso? O que gosto desse e de demais textos é a força poética que insufla as narrativas, pois o autor põe a poesia em bom lugar, daí “verso, poema, pedra preciosa” são elementos estruturantes, irrigando de lirismo, mas sem evitar os impactos desumanizantes que são denunciados. No conto alusivo a Manuel Bandeira, “O poeta e a estrela da manhã”, lê-se que, na esteira de Mallarmé, “escrever poesia é fazer música com a dor” (p.144).

O leitor não pode dormir de touca: há muitos toques intertextuais, paratextuais e outros que tais. Por exemplo, em “O casal do farol”, Hugo toca em tema que sempre me atraiu, desde que li “Os faroleiros”, conto de Urupês, de Monteiro Lobato. E não costumo perder filmes ambientados em faróis. No conto de Hugo, com epígrafe do recorrente Osman Lins, que empresta nomes de suas personagens para os protagonistas são designados por dois nomes: Alex (fora da lei) e Sóstrato (que remete ao arquiteto e engenheiro que projetou o Farol de Alexandria, uma das sete maravilhas do Mundo Antigo). O casal é formado por ele e por Nancy, que também é chamada de Bárbara. Nomes tirados de textos de Osman, o mentor de Hugo. Nesse conto, em que o homem é ilha e mulher é arquipélago, dramatizam-se amor, isolamento, desencontro.

O número sete assinala a trama do conto que dá título ao livro, curiosa história das vizinhas Elvira e Mira, nomes que remetem ao olhar e ao comportamento humano, em sua ordem e desordem. A epígrafe de Fernando Pessoa/Álvaro de Campos dá o tom irônico que pontuará o texto: “Sim, está tudo certo. / Está tudo perfeitamente certo”.

Uso de uma expressão de José Miguel Wisnik para afirmar que Hugo Almeida é dos escritores que dão “pérolas aos poucos”, uma vez que sua erudição e prodigalidade em saltos de longa distância de um texto para outros não dão vida fácil para leitores muito acomodados. E o leitor tem todo o direito de gostar mais de um conto do que de outro. Por exemplo, além dos já citados, entre os quinze contos impressionou-me “Nas nuvens”, primor de minimalismo, pegada para uma narrativa fantástica, simbologia bíblica com a Estrela de Belém, os nove meses da gravidez de Maria (as datas 22 de março e o Natal), o casal que sai da casa para um apartamento e é atraído pela maquete.

Em tempos de Copa do Mundo, é de se ler e de se rir de “Influxologia alemã”, neologismo criado para referir-se ao absurdo de um juiz que decide invalidar os impiedosos 7 x 1 que os alemães aplicaram no selecionado nacional, no Mineirão, em 2014. O humor também pontua “Dona Justina”, em que aparece pela segunda vez um personagem chamado Túlio, não sei se Hugo pensou num personagem de Avalovara, de Osman, ou se viu no seu significado de “o que cria ou dá origem às coisas”. Como sou chegado a um trocadilho, prefiro brincar com “entulho”, levando para uma metáfora dos fragmentos que povoam nossa memória, nosso inconsciente, que abruptamente surgem na criação ou na fruição da ficção.


Vale a pena acordar para os textos desse admirável escritor mineiro, nascido em Nanuque (nome de morador da serra) em 1952, mas saiu de lá ainda bebê, viveu nove anos na Bahia e 22 em Belo Horizonte. Mora em São Paulo desde 1984. A vizinha das sete cordas é o seu 17º livro e 5º de contos. Hugo Almeida é autor dos romances Mil corações solitários (5ª edição) e Vale das ameixas (2ª), e do ensaio livre A voz dos sinoso sagrado, a mulher e o amor na obra de Osman Lins, todos também publicados pela Editora Sinete.  Caio J. Maciel – Brasil

______________________

A vizinha das sete cordas (contos), de Hugo Almeida, Editora Sinete, 152 páginas, R$ 60,00. Disponível nos sites da editora e na Amazon.

https://link.amazon/B0gvagtCi

e www.editorasinete.com.br

E-mail: editorasinete@gmal.com. Site do autor: https://hugoalmeidaescritor.com.br

_________________________

Caio Junqueira Maciel, professor e escritor, é mestre em Literatura pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), autor, entre outros, dos ensaios A escritura do tempo na poesia de Dantas Mota e O sangue que rejuvenesce o Conde Drácula, dos poemas Pele de jabuticaba e do romance Um estranho no Minho, sobre o período em que viveu em Portugal.




quinta-feira, 19 de março de 2026

Do massacre de árvores ao Armagedon

Numa nova visita a São Paulo para matar saudades, não pude deixar de dar meu passeio verde pela Cidade Matarazzo, uma área arborizada junto da avenida Paulista, onde se pode imaginar estar numa floresta. Ou que sentir o verde ou viver no verde é luxo e privilégio de uma elite. Mas é preciso se reconhecer: uma elite ambientalista.

Diante de tanto respeito pela natureza com árvores das diversas regiões brasileiras, é quase impossível não se lembrar e não se fazer um paralelo com outro tipo de empreendimento imobiliário, no Alto da Lapa, onde a construtora Tegra fez justamente o contrário: destruiu o Bosque dos Salesianos com autorização do prefeito Ricardo Nunes. O mesmo Nunes já havia autorizado o corte de 384 árvores no Butantã.

De um lado, um empreendimento investe no respeito da natureza, vai buscar longe vegetação e árvores para valorizar uma região. Do outro, não existe nenhuma avaliação da riqueza natural representada pelas árvores centenárias, nem respeito pelo clamor da população das vizinhanças do Bosque dos Salesianos.

Deixando a Cidade Matarazzo e sua floresta protegida, cheguei logo à avenida Paulista e a tentação de visitar mais uma vez o MASP, com suas exposições atuais e seu acervo. Esse acervo conheço desde minha época de estudante, quando ia ao antigo museu ainda na rua 7 de Abril.

Mas, no caminho, um pequeno grupo me lembra haver a guerra dos EUA e Israel contra o Irão, com um cartaz perguntando "Haverá paz no mundo? Fazem parte das chamadas Testemunhas de Jeová. Um ramo original derivado dos evangélicos norte-americanos, criado em 1872, cujos missionários vieram ao Brasil em 1920 e hoje são um milhão e quatrocentos mil.

A mensagem dos Testemunhas é centrada na chamada Batalha do Armagedom, profetizada pelo apóstolo João, quando na ilha de Patmos no mar Egeu. Armagedom seria a última guerra, pois significaria a intervenção de Deus numa guerra mundial. Essa crença é também partilhada pelos cristãos, embora sem a mesma ênfase do Testemunhas. Entretanto, o clima de guerra atual parece estar excitando os próprios evangélicos, esperançosos de ser chegada a época do retorno de Cristo.

Essa situação, segundo denúncia do Daily Mail publicada pelo Brasil 247, estaria ocorrendo junto dos soldados e militares norte-americanos participando da guerra contra o Irão. Sabendo-se da influência dos evangélicos junto aos trumpistas, "comandantes militares associados ao governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foram acusados de transmitir mensagens religiosas a tropas americanas em meio ao conflito com o Irão, afirmando que a guerra faria parte de um plano divino ligado ao “Armagedom”.

A imprensa francesa também repercute essa utilização das profecias do Apocalipse pelos comandantes trumpistas para que os soldados entrem em combate julgando participar de uma guerra divina do Bem contra o Mal. Do lado do Irão, os combatentes iranianos acreditam que se tornarão mártires se morrerem na luta contra os EUA e Israel. Rui Martins – Suíça

__________

Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Brasil - Museu da Língua Portuguesa seleciona interessados em pesquisar a língua portuguesa falada na América, África, Europa e Ásia

As pessoas escolhidas vão receber bolsas para participar de encontros e desenvolver pesquisas em cima do conteúdo da experiência da exposição principal Nós da Língua


O Museu da Língua Portuguesa abriu um edital para selecionar interessados em pesquisar a língua portuguesa e suas interdependências nos territórios da América, África, Europa e Ásia. A ideia é focar no conteúdo apresentado na experiência da exposição principal Nós da Língua, que explora a língua portuguesa falada nas nações da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) e em outros territórios, como Macau, na China, e Goa, na Índia. Localizado na Estação da Luz, em São Paulo, o Museu é uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo de São Paulo.

Iniciativa do Centro de Referência do Museu, o edital Língua Portuguesa no Mundo vai selecionar duas pessoas que já concluíram a graduação ou algum curso de pós-graduação (especialização, mestrado ou doutorado) em áreas como linguística, história, ciências sociais ou museologia. Cada uma delas receberá uma bolsa de R$ 3100 mensais por 6 meses, com possibilidade de renovação.

As pessoas selecionadas deverão produzir um levantamento do conteúdo da experiência Nós da Língua, elaborar artigos sobre a pesquisa realizada a serem publicados no sítio do Museu da Língua Portuguesa e desenvolver e ministrar palestras e oficinas sobre o que tem sido estudado. Ao longo do período de pesquisa, as pessoas serão acompanhadas pela área de Pesquisa e Documentação do Centro de Referência, que realizará encontros periódicos para supervisionar o andamento das pesquisas. 

Interativa, a experiência Nós da Língua permite que o visitante do Museu tenha acesso a dados a respeito de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe, entre outros territórios em que o português é falado. Além de curiosidades sobre a língua portuguesa falada nesses locais, há fotos, mapas e vídeos que apresentam informações sobre a história, conflitos e tradições culturais desses locais.

As inscrições podem ser feitas até o dia 19 de fevereiro por meio desta ligação. Por lá, há todas as informações sobre o edital e os documentos exigidos. In “Mundo Lusíada” - Brasil  


sábado, 8 de novembro de 2025

Angola – Cidade de Lubango integra lista da UNESCO

A cidade do Lubango, com o seu artesanato e arte popular, e a brasileira de São Paulo, devido à afirmação no cinema e audiovisual, integram, agora, a Rede de Cidades Criativas da UNESCO (UCCN)


As duas cidades, juntamente com Matosinhos, em Portugal, compõem a presença lusófona numa lista de 58 novas cidades que obtiveram a classificação.

O anúncio foi feito a 31 de Outubro, Dia Mundial das Cidades, pela directora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay.

No caso do Lubango, cidade capital da província da Huíla, foi classificada na categoria de Artesanato e Artes Populares.

As cestas e balaios do Lubango são apenas algumas das peças artesanais mais conhecidas produzidas na capital da Huíla. A cidade de São Paulo foi classificada na categoria de Cinema.

De acordo com a UNESCO, estas cidades são reconhecidas pelo seu compromisso, em defender a criatividade como motor do desenvolvimento urbano sustentável e trazem, para a Rede, “a sua comprovada experiência na construção de comunidades resilientes e vibrantes”.

Neste ano, a UNESCO integrou, pela primeira vez o tema Arquitectura na Rede de Cidades Criativas, juntando-se aos sete domínios já existentes, nomeadamente Artesanato e Artes Populares, Artes Digitais, Design, Cinema, Gastronomia, Literatura e Música. In “Jornal de Angola” - Angola


quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Brasil - De onde veio a bandeira dos EUA?

De onde veio aquele bandeirão "gringo", ali em São Paulo, na avenida Paulista?

Li e ouvi tudo ou quase tudo sobre a presença da enorme bandeira dos Estados Unidos aberta e carregada por uns 300 "patriotas" na avenida Paulista, justamente no 7 de Setembro, data da nossa independência. A quase totalidade dos comentários se atém ao fato de ter sido um desrespeito à soberania brasileira ou uma provocação de "traidores da pátria" para os quais os Estados Unidos seriam a pátria maior dos nascidos nas Américas.

O boné Maga (Make America Greater Again), já usado, numa manifestação anterior na avenida Paulista pelo governador Tarcísio de São Paulo, favoreceu essa confusão pois coloca América no lugar dos EUA. Muitas escolas tinham e talvez ainda tenham entre seus cantos patrióticos a composição cívico-religiosa do norte-americano Irving Berlin, Deus Salve a América, na qual o uso do singular favorece a América do Norte. Porém, um aspecto dessa questão não foi devidamente tratado e merece um destaque especial.

Essa bandeira "gringa", maior que as bandeiras brasileiras na avenida Paulista, não saiu do nada. Ela foi copiada, recortada e impressa sobre o tecido num trabalho de precisão e grande paciência, cuja duração se estendeu, pelo menos, por dois séculos. Porque o trabalho de colonização mais efetivo, que não provoca reações ao contrário de uma invasão militar, é feito pela religião.

Foi assim logo depois da descoberta do Brasil, onde diante dos indígenas curiosos, se rezou a primeira missa. Depois veio a catequização, enquanto os colonizadores limpavam o terreno, os padres iam substituindo os deuses indígenas, na maioria representações da natureza, pelos santos cristãos. E deu certo.

Ora, na segunda metade do século XIX, outros cristãos divergentes dos católicos começaram a desembarcar no Brasil. Eram os missionários norte americanos, os ponta de lanças do país amigo com o objetivo de ir implantando uma outra cultura religiosa no Brasil, já que existia uma leitura diferente da Bíblia pelos protestantes vindos da Reforma.

Os missionários deram sua vida na pregação do Evangelho, nunca teriam imaginado que seus ideais seriam utilizados mais tarde com objetivos políticos e econômicos. No Brasil, os primeiros foram Robert Kalley, escocês, e Ashbel Green Simonton, estadunidense da Pensilvânia. Suas áreas foram Rio, São Paulo e Rio de Janeiro.

O crescimento desse protestantismo no formato europeu era lento. Haveria um melhor acolhimento no Brasil, com a criação das chamadas Assembleias de Deus, em 1911, em Belém do Pará, e em 1918, em Manaus.

Mas, o crescimento dos evangélicos só se tornou realmente visível depois do Golpe de 1964. O clima se tornou favorável com a oposição dos Papas Bento XVI e João Paulo II à Teologia da Libertação, tirando os católicos do combate por reformas sociais, e da ausência da esquerda nas periferias e favelas, por perseguição dos militares.

Pregando um evangelho conservador e fundamentalista, sem combate social, mas fé e submissão ou crença no empreendedorismo com a Teologia da Prosperidade e mais recentemente com a Teologia do Domínio, ou a propagação da fé pelo domínio político, os evangélicos se tornaram a base do bolsonarismo, enquanto são a base do trumpismo nos Estados Unidos. E os Estados Unidos, considerado o melhor país do mundo, são para a maioria dos evangélicos uma espécie de antevisão do céu.

O apoio no Brasil dos evangélicos a Bolsonaro criou a fusão da extrema direita com a religião popular, que nega a tentativa de golpe de Estado, prega a anistia aos golpistas, apoia Eduardo Bolsonaro, Trump no tarifaço e aplaude uma bandeira gigante dos EUA aberta na manifestação bolsonarista pela anistia, justamente no Dia da Independência do Brasil! Rui Martins - Suíça

__________

Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu “Dinheiro Sujo da Corrupção”, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, “A Rebelião Romântica da Jovem Guarda”, em 1966. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.


 

sábado, 3 de maio de 2025

Brasil – Escritor angolano Ismael Farinha declama poemas na cidade de São Paulo

O poeta angolano Ismael Farinha, autor do livro “Prelúdio: Dito Interdito”, participou, hoje, do Sarau denominado “Do Caiás”, que aconteceu no Casarão Multicultural, na cidade de São Paulo



Em declarações ao Jornal de Angola, Ismael Farinha disse que é para si uma honra receber o convite para declamar os poemas autorais fora de Angola, o que mostra que tem sido observado.

A actividade, explicou, é uma parceria com a Universidade Zumbi dos Palmares, que fez o convite, e terá participação de poetas e poetisas brasileiros, e durante o evento vai declamar poemas autorais, com realce para “África”, “Muxima wua mi” e “Relógio do tempo”.

“Estes dois últimos poemas fazem parte do meu livro de poesia lançado no dia 27 de Fevereiro do ano passado”, informou.

Ismael Farinha referiu que se sente expectante, porque o convite mostra que tem sido observado, tanto é que estes reconhecimentos, convites ou parcerias que os artistas, em geral, vivem, acrescenta algum valor na carreira artística.

“Sinto-me lisonjeado e bastante feliz, porque é um ganho para mim, é o reconhecimento da minha carreira como poeta. Isso demonstra, também, a ponte que se tem criado entre Angola e o Brasil, em vários domínios das artes”, admitiu.

Ismael Farinha sublinhou que o convite que recebeu para participar do recital no Brasil traz para si um sentimento de dever cumprido pelo trabalho que vem desenvolvendo ao longo dos anos.

O poeta ressaltou que é fundamental que os artistas que se empenham sejam reconhecidos pelo trabalho que fazem.

O país, reforçou, vai celebrar o seu cinquentenário como uma nação independente e o Brasil foi o primeiro Estado do mundo a reconhecer a Independência de Angola. Com o convite, explicou, é o início da internacionalização da carreira enquanto poeta.

“Tenho trabalhado ao longo de dez anos com o escritor e jornalista brasileiro Roberto Leal, tenho participado com contos, crónicas e poesias na Revista Romira, no sentido de internacionalizar a minha carreira”, ressaltou o poeta. Armindo Canda – Angola in “Jornal de Angola”  


domingo, 27 de abril de 2025

Brasil – Moçambicano Álvaro Taruma leva a sua voz ao Museu da Língua Portuguesa no Dia Mundial da Língua Portuguesa 2025

O poeta moçambicano Álvaro Fausto Taruma é um dos convidados especiais da programação do Dia Mundial da Língua Portuguesa, que será celebrado no próximo dia 5 de Maio, no emblemático Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, Brasil.

Taruma participa com uma intervenção sonora inédita na realização - instalação Rádio Cósmica Mêike Rás Fân, concebida pelo artista brasileiro José Paes de Lira, conhecido como Lirinha. Este projecto convida o público a uma escuta expandida da diversidade cultural e linguística da chamada galáxia lusófona, reunindo vozes, sotaques, poemas e paisagens sonoras de diferentes países que falam a língua portuguesa. A provocação que guia a apresentação — “Nós falamos a mesma língua?” — ganha resposta poética através da presença de Taruma.

Com uma abordagem singular, Taruma oferece à Rádio Cósmica a sua voz, a sua escuta e a sua língua – uma composição rica em camadas, que entrelaça o ronga, o português e as memórias aquáticas do Oceano Índico. O poeta contribui ainda com a leitura de um poema de sua autoria, bem como a sugestão de uma música que dialoga profundamente com a sua obra e com o seu universo poético.

O evento integra a programação anual do Museu da Língua Portuguesa, um dos mais importantes espaços de celebração e reflexão sobre a língua portuguesa no mundo. A curadoria está a cargo de Luiza Romão, Ana Frango Elétrico e da Cinemateca Brasileira.

Ao lado de uma constelação de artistas de diversas origens, Álvaro Taruma celebra a língua portuguesa como um organismo vivo, em constante mutação e profundamente plural — uma língua de encontros, memórias e transformações. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

O clamor dos deserdados da terra

Em novo livro, Whisner Fraga reúne 55 minicontos que reproduzem o drama dos excluídos que vivem nas ruas de São Paulo. E o faz sem perder a ternura

                I

Histórias dos deserdados da terra que habitam as ruas de São Paulo compõem As fomes inaugurais (Editora Sinete, 2024), o mais recente livro de Whisner Fraga, autor de mais de uma dezena de obras nos gêneros romance e contos, algumas premiadas. Desta vez, são 55 minicontos sobre personagens que se acostumaram a viver à margem de uma sociedade que não só não tem interesse em acolhê-los como faz questão de enxotá-los de suas calçadas. 

Para tanto, o autor, já experimentado no ofício, vale-se de vários recursos de estilo, como o realismo mágico, o fluxo de consciência e as narrativas em terceira e primeira pessoas, sem deixar de recorrer, às vezes, à linguagem do teatro, em textos sempre entremeados por prosa poética. 

No miniconto “brasões, flâmulas, insígnias”, o autor observa que “mendigo é diferente de morador de rua e pessoa em situação de rua é pior, morador de rua escolhe morar na rua, e pessoa em situação de rua pousa no abrigo, sem o cachorro, pois não recebem bichos lá”. E acrescenta que os burgueses “estão se lixando se dormem na rua ou no asilo ou o modo que são denominados, dependendo do lugar em que pernoitam”. 

Se se pode acrescentar alguma coisa a esse miniconto, é para lembrar que, segundo depoimento ouvido recentemente de um sem teto, muitas vezes, é melhor dormir na rua, de preferência debaixo de uma marquise, do que pernoitar num asilo público, correndo o risco de ser roubado por aqueles que lá também pernoitam e precisam de seu parco dinheirinho para alimentar o vício das drogas. Eita, que mundo cão!     

                        II

Em alguns minicontos, aparecem o dono de um bar, conhecido como Seu Manuel, e Helena, sempre dialogando com o narrador. Em outros, mulheres em situação de rua buscam dinheiro em lives eróticas e uma família que mora em um carro abandonado e começa a adaptá-lo para transformá-lo em uma casa. No miniconto “usualmente a heresia”, há um flagrante da vida de um casal de excluídos: “a aguardente brilha debaixo do holofote mirrado do poste, a mulher espera que ele desembuche e deposite o litro em seu colo: não é capaz de despertar sem uma talagada (...)”.

Já no miniconto “seiva”, o leitor vai se deparar com o drama de uma excluída, procedente de Manari, município de Pernambuco que, no início deste século, foi considerado o mais pobre do Brasil. Ela está grávida e procura assistência médica em unidades públicas: “quatro meses?, não acompanha, estava aflita porque não descia, decide ir ao postinho, sorte que uma enfermeira de plantão a examina, recomenda pré-natal, chispa, se ela pede endereço, diz o quê?, não, não retorna, prefere o relento de são paulo à laje de manari, não adianta teimar: não avisa a mãe, o que fará daquela lonjura, na escassez irrepreensível?, vive, com a soberania dos brutalizados, a altivez dos autodenominados puros? quer distância de santos, essas beatas que adoram operar o chicote, terá o filho, amará o filho (...), afaga o ventre e admira os edifícios com suas fachadas brutais, deglutindo famílias, acobertando tanto egoísmo e desigualdade: o que oferecerá ao filho?, a cidade enlaça suas quimeras, como um parasita atocaiando a presa”. 

Por aqui, como ressalta o escritor Hugo Almeida, no posfácio que leva o título “Cântico aos excluídos”, vê-se que o leitor irá se deparar nesses contos com “um filme atual da exclusão dos desassistidos, párias de uma sociedade egoísta e cruel”. Mas, acrescente-se, o que torna esta obra singular é exatamente a intenção do autor de não romantizar seus personagens, sem deixar de imprimir em tudo “um toque de poesia, ainda que dolorosa”, como observa Almeida, igualmente romancista, contista e ensaísta, autor de Vale das ameixas (romance) e A voz dos sinos (ensaio), ambos também publicados pela Editora Sinete. 

Para Almeida, Whisner Fraga é, hoje, “um dos mais vigorosos e criativos escritores brasileiros em atividade”, sempre preocupado em “denunciar a desigualdade socioeconômica, sem, contudo, dispensar o apuro estético”, cumprindo o papel de todo verdadeiro escritor, que é o de denunciar as mazelas do mundo. É o que o autor faz, pois, os seus contos, na maioria, trazem um fecho que “é um susto, o soco de nocaute da receita cortaziana”, como define Almeida, citando a técnica de escrita do autor argentino Julio Cortázar (1914-1984).  

               III

Nascido em Ituiutaba, Minas Gerais, em 1971, Whisner Fraga é formado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Uberlândia. Em Engenharia Mecânica, fez também mestrado na mesma universidade e doutorado na Universidade de São Paulo (USP). Mas, atraído pelas Letras, curso que iniciou, mas não concluiu, ainda durante o mestrado, publicou o livro de contos Seres e sombras (edição de autor, 1997). É formado também em Pedagogia e Marketing Digital.

Durante o doutoramento, publicou o seu segundo livro de contos, Coreografia dos danados (Edições Galo Branco, 2002), título inspirado em verso de Augusto dos Anjos (1884-1914). Concluiu o doutoramento em 2003 e, desde então, prestou concurso para a docência e vem lecionando para jovens e adultos. Ao mesmo tempo, atua como crítico literário em jornais impressos e sites dedicados à literatura. Também resenha obras de literatura contemporânea no canal Acontece nos Livros, no YouTube, e é editor na Sinete.

Nos últimos tempos, publicou Usufruto de demônios, contos (Ofícios Terrestres Edições, 2022) e O que devíamos ter feito, contos (Editora Patuá, 2020). É autor ainda de A cidade devolvida, contos (Editora 7 Letras, 2005); As espirais de outubro, romance (Nankin, 2007), prêmio ProAC do Governo do Estado de São Paulo; Abismo poente, romance (Ficções Editora, 2009), prêmio ProAC do Governo do Estado de São Paulo; O livro da carne, poemas (Editora 7 Letras, 2010); Sol entre noites, romance (Ficções Editora, 2011), prêmio ProAC do Governo do Estado de São Paulo; Lúcifer e outros subprodutos do medo, contos (Editora Penalux, 2015), prêmio ProAC do Governo do Estado de São Paulo; A verdade é apenas uma versão dos fatos (Editora Penalux, 2017); e  O privilégio dos mortos, romance (Editora Patuá, 2019). 

Participou de antologias como Os cem menores contos brasileiros do século (Editora Ateliê, 2018), organizada por Marcelino Freire; e Geração zero zero: fricções em rede (Editora Língua Geral, 2011), organizada por Nelson de Oliveira. Alguns de seus contos foram traduzido para o inglês, alemão e árabe e publicados em antologias. Adelto Gonçalves - Brasil 

_______________________

As fomes inaugurais, de Whisner Fraga, com posfácio de Hugo Almeida. São Paulo-SP, Editora Sinete 88 páginas, R$ 55,00., 2024. Site: www.editorasinete.com.br E-mail: editorasinete@gmail.com 

__________________________

Adelto Gonçalves, jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; Publisher Brasil, 2002), Bocage – o perfil perdido (Lisboa, Editorial Caminho, 2003; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em terras d´el-rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os vira-latas da madrugada (José Olympio Editora, 1981; Letra Selvagem, 2015) e O reino, a colônia e o poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br


quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Brasil - Consulado Geral de Portugal em São Paulo convida para a peça teatral “Heróis do Impossível”

O Consulado Geral de Portugal em São Paulo convida para a peça teatral “Heróis do Impossível”, uma realização da Companhia João Garcia Miguel, que terá lugar nos dias 6 e 7 de novembro no Centro Cultural e Biblioteca Serraria, sito à Rua Guarani, 790, em Diadema.

“Heróis do Impossível” é uma peça de teatro que acompanha a vida de um casal nos pós-revolução e que revela a força dos opostos na sua máxima tensão. O texto baseia-se nas histórias do diário que Natália Correia começou a escrever no dia 25 de Abril de 1974 e no testemunho de um dos capitães de Abril, pai do autor, João Garcia Miguel, em comemoração dos 50 anos do 25 de abril, que propõe uma viagem ao lado mais íntimo da Revolução dos Cravos: a transformação ocorrida no seio das relações familiares.

A entrada é gratuita. In “Mundo Lusíada” - Brasil




quinta-feira, 10 de outubro de 2024

Brasil - Concertos 500 anos de Camões acontece em Jundiaí e São Paulo

A Orquestra Sinfônica Municipal de Jundiaí (OSMJ) apresenta o Concerto 500 anos de Camões nos dias 12 e 17 de outubro de 2024.


Através da expressão musical, a OSMJ homenageia os 500 anos de nascimento de Luís Vaz de Camões, celebrando a cultura em língua portuguesa que esse grande poeta fundador representa. O evento é uma parceria entre o Consulado Geral de Portugal em São Paulo, o Camões, o Instituto da Cooperação e da Língua e a Prefeitura Municipal de Jundiaí.

O programa da comemoração aos 500 anos de nascimento de Luís de Camões, abre com a Série Brasileira de Alberto Nepomuceno, compositor nacionalista que defendia a língua portuguesa na música clássica. Nepomuceno afirmava que “não tem pátria um povo que não canta em sua língua”. A OSMJ (Orquestra Sinfônica Municipal de Jundiaí) faz aqui também uma homenagem a esse grande compositor brasileiro com sua técnica composicional de grande maestria em seus 160 anos de nascimento.

Especialmente encomendada pela OSMJ para esse concerto, a Orquestra faz a primeira audição da obra “Camoniana 500” de André Mehmari. Com seu transbordar de técnica e talento, Mehmari mostra a atemporalidade dos textos de Camões, com muita paixão e diversidade de sentimentos. O solista será o tenor Jabez Lima, integrante do Coro da OSESP, que tem se apresentado nos principais palcos do Brasil.

Encerrando o Concerto, a OSMJ faz mais uma homenagem apresentando a Suite do Ballet Alfama do compositor português Joly Braga Santos em seus 100 anos de nascimento. A Suite apresentada mostra a primeira fase do compositor com traços nacionalistas e temas que remetem ao folclore português. In “Mundo Lusíada” - Brasil

Serviço:

Concerto Camões 500 anos

Orquestra Sinfônica Municipal de Jundiaí

12 de outubro, 20h – Teatro Polytheama (Jundiaí)_ Rua Barão de Jundiaí, 176

17 de outubro, 20h -Teatro Sérgio Cardoso (São Paulo) Rua Rui Barbosa, 153

Entrada gratuita


quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Brasil - São Paulo e Salvador recebem degustação livre de 15 vinícolas portuguesas de Vinhos Verdes

Agora é a vez das cidades de São Paulo e Salvador sediarem os eventos promovidos pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) no mercado brasileiro para formação e informação do on e do off trade.

Após os eventos de junho nas cidades do Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Florianópolis, a CVRVV continua com sua programação no Brasil reunindo profissionais da área, críticos de vinhos e imprensa. O objetivo é fomentar cada vez mais o conhecimento da região demarcada dos Vinhos Verdes por meio de um programa educacional apresentando os diferentes tipos de vinhos e as formas de produção da região e, principalmente, a revolução e inovação que esta tem vindo a sofrer nos últimos anos.

O Brasil é o terceiro maior mercado em consumo e importação de Vinhos Verdes do mundo. “O motivo do grande sucesso talvez seja pelo facto de que o Vinho Verde combine com o clima tropical e por ser bem mais que um vinho, mas sim uma mix de gastronomia, enoturismo, cultura e arte. Assim sendo, anualmente a Região Demarcada dos Vinhos Verdes leva um extenso programa de atividades presenciais a diferentes cidades brasileiras” destaca a CVRVV.

“Em junho realizámos um programa educativo por Belo Horizonte, Florianópolis e Rio de Janeiro. Já em setembro iremos realizar uma degustação livre com a presença de mais de uma dezena de vinícolas de Vinho Verde em Salvador, na Bahia. Depois seguimos para São Paulo para uma masterclass premium dirigida a sommeliers e jornalistas convidados no Consulado Geral de Portugal e para participar na ProWine São Paulo”, diz Dora Simões, Presidente da CVRVV.

“Este programa tem por objetivo mostrar aos profissionais brasileiros todo o potencial produtivo da Região Demarcada dos Vinhos Verdes. Localizada no noroeste de Portugal, e demarcada há 116 anos, a Região dos Vinhos Verdes produz diferentes estilos de vinhos. Desde as nove sub-regiões que constituem a Região Demarcada, às várias castas autóctones e terroirs distintos, tudo se reúne e conjuga de forma perfeita para a produção de diferentes vinhos brancos, tintos, rosados, espumantes e até aguardentes, de um estilo mais jovem e vibrante a vinhos mais estruturados e estagiados. É extenso o universo de possibilidades apresentadas pela Região Demarcada dos Vinhos Verdes”, enfatiza Dora Simões.

A região demarcada

A Região Demarcada dos Vinhos Verdes foi oficialmente demarcada no ano de 1908 e que, desde então, prova ao mundo que tem capacidade de produzir Vinhos Verdes para todos os momentos: desde Vinhos Verdes monovarietais, como as castas Alvarinho, Loureiro ou Avesso, a Vinhos Verdes de diferentes parcelas ou terroirs, passando por vinhas velhas, com carvalho ou de safras mais antigas e até mesmo as castas tintas, como Vinhão, Alvarelhão e a Borraçal. Assim como há Vinhos Verdes para acompanhar todos os estilos gastronômicos. Da comida tradicional até a cozinha de autor. Tudo isso complementado com a beleza da Rota dos Vinhos Verdes.

Viajar por ela é descobrir as origens e os sabores da antiga cultura do vinho cultura do vinho e mergulhar profundamente na história de Portugal. Andar pelos vinhedos, visitar as vinícolas, passear pelos jardins, trilhas e florestas, saborear a comida regional e deliciar-se com a beleza natural e o patrimônio cultural circundante.

A Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes é uma associação regional de carácter interprofissional, coletiva de direito privado, que tem por objeto assegurar a gestão estratégica e a proteção jurídica da Denominação de Origem (DO) “Vinho Verde” e da Indicação Geográfica (IG) “Minho”, em representação dos respectivos interesses profissionais da produção e do comércio e de garantir o controlo oficial associado à certificação das referidas DO e IG. In “Mundo Lusíada” – Brasil

Agenda

Grande degustação de vinhos verdes

26 Setembro, quinta-feira, 14h – 19h

Salvador da Bahia | Fera Palace Hotel

Cadastro online (só para profissionais, formandos e mídia e com lotação limitada): https://bit.ly/vinhoverde2024

Masterclasse de vinhos verdes exclusivos

30 Setembro, segunda-feira, 11h – 15h00

São Paulo | Consulado Geral de Portugal em São Paulo


sábado, 6 de julho de 2024

Angola - Aeroporto 4 de Fevereiro é "porta" de entrada de droga

O Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, em Luanda, continua a ser a rota escolhida pelos narcotraficantes para entrada de cocaína em Angola, e países como Brasil e África do Sul são os que mais têm recrutado as mulas para trazerem as drogas para Luanda, soube o Novo Jornal junto do Serviço de Investigação Criminal (SIC), que diz estar no encalço dos barões da droga em Luanda.


Segundo o SIC, as cidades de Joanesburgo, na África do Sul, e de Guarulho, região metropolitana de São Paulo, no Brasil, são as fontes da cocaína que dá entrada em Angola.

Conforme o SIC, o Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro é apenas a rota de passagem dos narcotraficantes de drogas, onde muitas mulas são detidos.

As mulas são as pessoas usada por traficantes para transportar a droga ilegalmente, mediante pagamento ou coação, e usam diversos artifícios para o transporte, às vezes o próprio corpo.

O Novo Jornal soube que quase todas as semanas são detidos no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro transportadores de drogas, uns com maior quantidade, outros com menor.

Entretanto, o Serviço de Investigação Criminal assegurou ao Novo Jornal que tem sido incansável no combate às drogas no Aeroporto Internacional de Luanda e que a situação do tráfico está controlada em Angola.

Esta quinta-feira,4, informou que, em coordenação operativa com outras forças do sistema de segurança, deteve, de Fevereiro a Junho deste ano, 17 cidadãos angolanos e estrangeiros implicados no tráfico de drogas.

Entre os detidos, três são de nacionalidade angolana, incluindo uma mulher, três sul-africanos, uma brasileira e outra namibiana, "por factos que configuram os crimes de tráfico de droga do tipo cocaína, dissimulada em cápsulas no estômago, em malas e caneleiras".

Dos implicados, oito foram detidos no momento do desembarque de passageiros de um vôo da TAAG proveniente da cidade de Guarulhos, Estado de São Paulo, no Brasil.

Todos os anos as autoridades policiais apresentam à imprensa vários cidadãos nacionais e estrangeiros detidos no aeroporto de Luanda por tentarem entrar com drogas de forma de dissimulada.

Uns vão a julgamento e outros são apenas caucionados, mas a situação parece que não tem inibido os traficantes.

Em Janeiro de 2023, dois nacionais, de 40 e 46 anos, foram detidos em posse de 12,102 kg de droga (cocaína) provenientes do Brasil.

Cinco meses depois, isto em Maio de 2023, um total de nove quilogramas de cocaína que se encontravam dissimulados em quatro malas de viagem provenientes também do Brasil foi apreendido pelo SIC no Aeroporto 4 de Fevereiro.

No mês passado, o ministro do Interior Eugénio Laborinho considerou que a situação do tráfico de drogas está controlada em Angola, apesar de reconhecer que os traficantes continuam a modernizar o seu "modus operandi", para driblarem as autoridades do Estado.

"Considerando que os indivíduos envolvidos nestas práticas estão sempre a modernizar os seus modus operandi, o Ministério do Interior continua a aperfeiçoar as medidas técnicas, tácticas e operativas de actuação, de modo a elevar os níveis de controlo dos portos, aeroportos e zonas limítrofes", disse o ministro em declarações à Angop.

Ainda no ano passado, o director Nacional de Ordem Pública da Polícia Nacional, comissário Orlando Bernardo, disse no Parlamento, aquando das acusações proferidas pelo cidadão "Man Genas", que acusou vários altos funcionários da PN e das FAA, de serem os grandes barões de drogas no País, disse, aos jornalistas, que as informações feitas por "Man Genas" eram falsas.

"Não há envolvimento de efectivos das estruturas do Ministério do Interior no tráfico de drogas", assegurou Orlando Bernardo.

Em declarações ao Novo Jornal, esta sexta-feira, 5, o porta-voz do SIC-geral superintendente-chefe Manuel Halaiwa disse que as autoridades vão continuar a deter as mulas para tentar chegar aos barões.

Segundo Manuel Halaiwa, o SIC está empenhado em capturar os barões do narcotráfico que têm liderado, tanto em Luanda como em Joanesburgo e Guarulho, as mulas que entram no País.

Conforme o SIC, há trabalhos de investigações a decorrer minuciosamente para as capturas dos mandantes, que muitas vezes pagam a grandes advogados para em sede das detenções defenderem os cidadãos apanhados com drogas no aeroporto. Fernando Calueto – Angola in “Novo Jornal”

 


quinta-feira, 27 de junho de 2024

Brasil - Youtuber texano filma Polícia Militar paulista em ação e vídeo viraliza

A frase é antológica "bandido bom é bandido morto", mas quem é pobre ou negro numa favela se torna automaticamente suspeito, podendo ser agredido, ameaçado e exposto à humilhação pública até no Youtube, mesmo sendo inocente.

Será esse o credo e o modo de funcionamento da PM de São Paulo, autorizados pelo secretário da segurança Guilherme Derrite, que vem ganhando ao mesmo tempo popularidade e rejeição, com a banalização da violência e morte no combate ao banditismo, desde os massacres nas favelas do Guarujá?

É com esse estilo de repressão policial que o governador Tarcísio de Freitas pretende ganhar apoio e popularidade para disputar a presidência em 2026?

Essas perguntas afloram diante do vídeo gravado por um youtuber norte-americano, o texano Gen Kimura, dentro de uma viatura da Polícia Militar e nas favelas paulistanas, mostrando os policiais em ação. Não se tratava de um jornalista norte-americano em reportagem.

É um absurdo terem sido dados ao youtuber um colete à prova de balas e até um revólver para documentar, como um visitante curioso, o combate "mesmo num domingo sangrento" dos valentes policiais.

O vídeo de uns 40 minutos já foi visto por mais de 1,7 milhão nos EUA, no canal de Gen Kimura com 385 mil inscritos. O vídeo foi filmado durante ações da PM em três favelas e o youtuber Gen Kimura teve acesso ao depósito de armamentos da PM, chegando a ser filmado com um revólver na mão. No Brasil, trechos do vídeo viralizaram nos noticiários e nas redes sociais.

Outro aspecto escandaloso da filmagem permitida e protegida por policiais foi o de colocar pessoas pobres inocentes ou suspeitas numa espécie de pelourinho num parque de diversões, mesmo porque para o youtuber Gen Kimura, sempre sorrindo, tudo parecia muito divertido. Um dos policiais contou a Kimura que "as mortes dos bandidos são comemoradas com charutos e cerveja".

Entretanto, embora a Secretaria de Segurança afirme não permitir esse tipo de filmagem ainda mais com estrangeiro, devendo punir os responsáveis, o vídeo tem um aspecto positivo: documenta e deixa evidente ser o método violento o cotidiano na PM.

O comentarista Reinaldo Azevedo do Uol, depois de mostrar revoltado um trecho do vídeo, vai mais longe: para ele os responsáveis pela filmagem e exposição da banalização da violência da polícia paulista, num Canal do Youtube destinado a visualizações nos EUA, acreditavam agradar ao chefe capitão Guilherme Derrite e ao governador Tarcísio, já conhecido por um "dane-se" e por dizer "pode ir na ONU, no raio que o parta, não tô nem aí" sobre denúncias de abuso da PM no litoral.

A Rádio Jovem Pan, que se tornou a rádio de referência para os seguidores do ex-presidente, é bem informada sobre os líderes da extrema-direita, e, agora menos bolsonarista e aparentemente sem fake-news, tem uma resposta para o populismo da violência próprio do Secretário da Segurança (Derrite, linha dura, até se licenciou do cargo no governo Tarcísio para ir votar na Câmara Federal contra as "saidinhas") - quando Tarcísio deixar o cargo para se candidatar à sucessão de Lula, será Guilherme Derrite o candidato à sua sucessão.

Para o veterano da Jovem Pan, José Maria Trindade, fiel aos anos bolsonaristas, "ações como essa (mostrada no vídeo) aproximam os policiais da população e mostram como a polícia trabalha no dia a dia, e é importante fazer esse tipo de aproximação".

Para completar o quadro da violência e truculência, o programa É da Coisa, da Band, mostrou um vídeo da polícia de Goiás, no qual numa ordem unida da polícia militar os soldados repetem comandos de morte inclusive do assassinato da testemunha do crime. A polícia de Goiás era chefiada pelo tenente-coronel Edson de Melo, atualmente segurança do coach Pablo Marçal, pré-candidato à prefeitura de São Paulo. Rui Martins – Suíça

______________

Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.



 

quinta-feira, 11 de abril de 2024

Brasil - Encontro literário em São Paulo celebra os 500 anos de Camões

Realizado pela Fundação Maria Luisa e Oscar Americano, o evento contará com a presença das escritoras Natalia Timerman e Morgana Kretzmann e dos professores Jorge Fernandes da Silveira (UFRJ) e Adma Fadul Muhana (USP)


No dia 13 de abril (sábado), a partir das 10h30, a Fundação Maria Luisa e Oscar Americano vai celebrar os 500 anos daquele que é considerado o maior poeta da língua portuguesa: Luís Vaz de Camões. Realizado na própria Fundação, localizada no bairro do Morumbi, na capital paulista, o encontro literário vai reunir ícones da literatura para discutir a obra de Camões a partir de diferentes perspectivas. Na ocasião, será inaugurada uma exposição sobre o poeta, que estará disponível para visitação até final de maio.

Esse será o primeiro evento da Série Literária 2024, que busca conectar o público com a sensibilidade das palavras de grandes nomes da literatura mundial. “Para este encontro, tentamos montar a programação de modo a aproximar o público contemporâneo de um autor que muita gente só lê na escola, quando lê, mas que todo mundo já ouviu falar”, afirma o escritor Rodrigo Lacerda, que, junto ao poeta Felipe Franco Munhoz, é responsável pela curadoria da série.

A abertura do evento será conduzida pelo professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Jorge Fernandes da Silveira, que vai realizar uma apresentação geral da vida e da obra de Camões, no painel “Camões, por uns versos seus tão concertados”. O curador Rodrigo Lacerda explica que a ideia é permitir que a plateia comece o dia tendo um arco biográfico básico na cabeça e possa, então, acompanhar melhor as referências às obras.

Após o almoço, a partir das 14h, a professora da área de Literatura Portuguesa da Universidade de São Paulo (USP) Adma Fadul Muhana vai aprofundar um importante aspecto do gênero épico, “o conflito interno entre o elogio da conquista e o reconhecimento das tragédias que causa”, na palestra “Entre a vitória e a derrota, o poeta”.

Em seguida, as escritoras Natalia Timerman e Morgana Kretzmann conduzem, às 15h30, a terceira parte do encontro, na qual haverá leituras de trechos de Camões. Dentro da proposta “Camões na rua”, que dá nome à parte final do evento, a dupla de ficcionistas traça uma investigação sobre a receptividade da obra do poeta clássico em relação aos leitores de hoje.

Por mares nunca dantes navegados

Nascido em Lisboa, no ano de 1524, Luís Vaz de Camões foi um poeta e dramaturgo que se tornou referência basilar do cânone literário mundial. Sua obra atravessou os séculos e permanece viva, consolidando-se tanto na lírica, a exemplo de seus famosos sonetos, como na épica, cuja obra-prima é “Os Lusíadas”, de 1572.

“Camões é para a língua portuguesa o que Dante é para a italiana, Shakespeare para a inglesa, ou Goethe para a alemã; um autor-base, criador e consolidador de usos linguísticos que estão por aí até hoje”, diz Rodrigo Lacerda. “Além disso, é o autor da maior epopeia escrita na nossa língua”, acrescenta.

Série Literária “Vamos Falar De…”

Chegando ao seu terceiro ano, a série literária traz uma novidade: para além de discutir a obra de grandes autores, como nos encontros sobre os 500 anos de Luís de Camões e 80 anos de Paulo Leminski, os eventos vão abordar as literaturas de países e continente – a irlandesa, a russa e a africana.

“Vamos falar da literatura produzida nesses locais por meio de alguns autores referenciais, como James Joyce, no caso da literatura irlandesa”, explica o pesquisador Érico Vital Brazil, responsável pela elaboração e produção executiva das séries culturais da Fundação Maria Luisa e Oscar Americano. “Assim como nos últimos anos, vamos trazer para as reflexões especialistas renomados nos temas de cada encontro”, afirma Érico.

Fundação Maria Luisa e Oscar Americano – Criada em 1974, dois anos após o falecimento de Maria Luisa, a instituição é uma contribuição de Oscar Americano à capital do estado. Além da casa em que viveram com os filhos durante 20 anos, a coleção de obras de arte e o extenso parque também foram disponibilizados para a cultura e o lazer dos moradores da cidade de São Paulo. Hoje, essa fundação artístico-cultural oferece ao público visitas guiadas, concertos, exposições e várias atividades culturais, focadas na história do país e nas diversas fases que constituem o Brasil – o objetivo cultural e socioeducativo da Fundação Maria Luisa e Oscar Americano é o seu legado. In “Mundo Lusíada” - Brasil