Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Portugal - Universidade de Coimbra dinamiza seminário sobre o Espaço

O Centro de Investigação da Terra e do Espaço da Universidade de Coimbra (CITEUC) vai dinamizar esta quarta-feira, dia 11 de dezembro, o seminário “Geopolítica do Espaço Sideral”. A sessão terá lugar no Observatório Geofísico e Astronómico (OGA) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC), pelas 16h30.


 

«O Espaço Sideral, Espaço Exterior ou, simplesmente, Espaço, refere-se ao domínio 100km acima do nível médio das águas, embora não haja uma fronteira definida internacionalmente. Atualmente, é reconhecido como domínio operacional por muitos Estados e Organizações, como a NATO, por exemplo», explica Pedro Costa, chefe do Centro de Operações Espaciais da Força Aérea Portuguesa (FAP) e palestrante do evento.

De acordo com Pedro Costa, «o Espaço Sideral assume uma importância estratégica crescente para os Estados, do ponto de vista das suas economias, mas também no que concerne à capacidade de influenciar na cena internacional. O Espaço representa Poder, o que motiva a edificação de teorias que procuram explicar as ações acometidas pelo Homem neste que é o novo domínio operacional para a Segurança e Defesa».  

Assim, esta sessão tem como objetivo dar a conhecer mais sobre o Espaço Sideral e a sua importância para a sociedade em geral e, em particular, para o domínio da Segurança e Defesa. Pretende-se ainda que esta sessão seja um momento de aproximação entre instituições, permitindo mostrar os recentes desenvolvimentos na Força Aérea Portuguesa em matéria de integração do Espaço na atividade operacional. 

«O seminário “Geopolítica do Espaço Sideral” realçará a importância da ligação entre a Academia e as Forças Armadas em áreas estratégicas, como Aeronáutica, Espaço e Defesa, envolvendo possíveis colaborações a nível de projetos e teses», termina Teresa Seixas, docente na Universidade do Porto e investigadora do CITEUC. Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 31 de maio de 2023

Portugal - Estudo liderado pela Universidade de Coimbra obtém modelo que possibilita análise da evolução paleoclimática de Marte

Um estudo, realizado por investigadores do Departamento de Ciências da Terra (DCT) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), permitiu obter com precisão um modelo que pode possibilitar a análise da evolução paleoclimática de Marte.


Esta investigação, liderada por David Vaz, cientista do Centro de Investigação da Terra e do Espaço da Universidade de Coimbra (CITEUC), pretendia identificar quais os mecanismos responsáveis pela formação de ripples eólicos em Marte, cartografando a uma escala global estas estruturas sedimentares e medindo o seu tamanho, de maneira a testar várias teorias de formação avançadas anteriormente.

«Os ripples são ondulações que se formam em sedimentos por ação de um fluido em movimento. No caso dos ripples eólicos, a ação do vento leva ao transporte de areia o que origina pequenas ondulações na superfície das dunas, algo que todos já viram por exemplo na areia da praia», começa por explicar David Vaz. No caso do planeta Terra, continua, «os ripples são de pequenas dimensões, com espaçamento de cerca de 10 cm. Em Marte, devido às diferentes condições que existem na superfície do planeta, os ripples são muito maiores, com espaçamentos de 2 a 5 metros».

De acordo com o investigador do DCT, com este estudo foi possível concluir que existe uma relação entre o tamanho dos ripples e a pressão atmosférica na superfície do planeta vermelho, tal como previsto por um dos modelos estudados. «Compreender de que forma é que os processos eólicos moldam a superfície de Marte hoje em dia, e em particular, como estes processos variam com a pressão atmosférica permite interpretar e inferir as condições atmosféricas no passado», revela David Vaz.


«Graças aos métodos inovadores desenvolvidos neste trabalho, foi possível analisar com grande precisão uma extensão da superfície de Marte muito superior à de trabalhos anteriores. Estes novos dados permitem resolver algumas das contradições que existiam, possibilitando testar as duas principais hipóteses que procuram explicar a existência de ripples de grandes dimensões nas dunas marcianas», assegura.

Segundo o autor do estudo, os dados e modelos apresentados nesta investigação permitem ainda interpretar o registo sedimentar, podendo vir a ser utilizados para saber quando e como Marte perdeu uma parte significativa da sua atmosfera. «Tal mudança climática fez com que Marte tenha passado de um planeta com água na superfície para um planeta seco, frio e árido», conclui.

O artigo científico “Constraining the mechanisms of aeolian bedform formation on Mars through a global morphometric survey” pode ser consultado aqui. Universidade de Coimbra – Portugal







segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Portugal - Cientistas da Universidade de Coimbra estudam o impacto das tempestades solares na rede elétrica


As correntes elétricas geradas pelas tempestades geomagnéticas (variações bruscas do campo magnético da terra com origem em tempestades solares) podem causar perturbações na rede elétrica de Portugal? Para responder a esta questão, primeiro é necessário medir essas correntes, as designadas GICs (do inglês Geomagnetic Induced Currents).

Calcular, medir e monitorizar a amplitude destas correntes geomagnéticas induzidas em Portugal é o objetivo principal do projeto “MAG-GIC: correntes induzidas pelo campo geomagnético no território português”. Trata-se do primeiro estudo do género no país, que junta uma dezena de investigadores de dois centros de investigação da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), nomeadamente o Centro de Investigação da Terra e do Espaço (CITEUC) e o Laboratório de Instrumentação, Engenharia Biomédica e Física da Radiação (LIBPhys-UC). Conta ainda com a importante colaboração de investigadores do Instituto Dom Luiz, em Lisboa, e de engenheiros da REN – Redes Energéticas Nacionais.

Durante dois anos, a equipa liderada por Alexandra Pais, docente do Departamento de Física da FCTUC e investigadora do CITEUC, trabalhou no cálculo numérico das GICs. Para isso, houve necessidade de recolher informação sobre as caraterísticas da rede de transporte de energia e fazer medições geofísicas que permitiram calcular a condutividade da litosfera na região de Portugal continental. Depois, para testar os valores de GICs calculados, procurou-se compará-los com observações. Para conseguir efetuar medições de GICs, a equipa contou com investigadores do LIBPhys-UC, onde se desenvolveu um sistema de aquisição, análise e registo dos dados, com acesso remoto.

«O sistema agora instalado na subestação de Paraimo (Aveiro), com a ajuda dos engenheiros e técnicos da REN, mede continuamente as correntes induzidas pelas flutuações de campo magnético terrestre nas linhas de muito alta tensão, permitindo a sua monitorização em tempo real e de forma remota, e procura compreender qual o efeito das perturbações do campo magnético terrestre, causadas por tempestades solares, na rede elétrica gerida pela REN», explica Alexandra Pais.

As tempestades geomagnéticas são originadas pela atividade do Sol.  De tempos a tempos são emitidas para o espaço interplanetário nuvens de plasma que, chegando próximo da Terra, interagem com o seu campo magnético. Durante estas tempestades, «ocorrem variações rápidas do campo magnético da Terra, provocadas por correntes elétricas de intensidade da ordem de milhões de amperes. Estas correntes circulam muito acima da superfície da Terra, numa região designada por magnetosfera. Os seus efeitos são, porém, mensuráveis à superfície, concretamente no observatório magnético de Coimbra», esclarece a docente do Departamento de Física da FCTUC.

Ao longo do projeto MAG-GIC, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e a decorrer de 2018 a 2022, «calculámos a distribuição de GICs nas subestações da rede elétrica da REN, ao mesmo tempo que identificámos os fatores a que os valores estimados são especialmente sensíveis», acrescenta. As medições que estão agora a ser realizadas no âmbito do projeto são essenciais para confirmar quais são os efeitos da meteorologia espacial (Space Weather) na rede nacional de transporte de energia. Por isso, adianta Alexandra Pais, o passo seguinte da investigação será «perceber como é que estas correntes afetam individualmente os diferentes elementos do circuito elétrico, em particular os transformadores das subestações da REN».

«Esperamos no futuro poder dar continuidade ao trabalho desenvolvido, instalando mais sensores, como o de Paraimo, noutras subestações da REN», conclui.

Mais informação sobre o projeto MAG-GIC está disponível aqui. Universidade de Coimbra - Portugal


 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Internacional - Estudo conclui que nem todos os deltas identificados em Marte são verdadeiros



Um estudo liderado por David Vaz, da Universidade de Coimbra (UC), e Gaetano Di Achille, do Instituto Nacional de Astrofísica de Itália (INAF), apresenta novos dados para o debate sobre as implicações climáticas, hidrogeológicas e astrobiológicas dos depósitos sedimentares deltaicos em Marte.

Nas duas últimas décadas, dezenas de possíveis depósitos sedimentares deltaicos foram identificados na superfície de Marte, tendo a sua formação sido atribuída à existência de antigos lagos e rios marcianos. Esse tipo de depósito sedimentar é considerado uma das principais evidências para sustentar a ideia de que, no passado, Marte apresentava condições climáticas mais favoráveis que permitiram a presença de água líquida no planeta.

No entanto, o estudo agora publicado na revista científica Earth and Planetary Science Letters conclui que não é bem assim, ou seja, uma grande parte dos depósitos anteriormente identificados no planeta vermelho não é de origem deltaica (os deltas formam-se pela acumulação de sedimentos transportados pelos rios), ao contrário do que a comunidade científica defendia. 

A partir de topografia de alta resolução fornecida por imagens de missões espaciais europeias e americanas, os investigadores analisaram 60 depósitos sedimentares de diferentes zonas de Marte e, com surpresa, verificaram que apenas «30 por cento são realmente deltas, ou seja, depósitos associados a ambientes subaquáticos e que consequentemente indicam de facto a existência de lagos e de uma maior quantidade de água. A maioria deles terá uma origem diferente, tendo-se depositado em ambientes principalmente subaéreos, ou seja, existiram menos lagos do que se pensava em Marte», afirma David Vaz, investigador do Centro de Investigação da Terra e do Espaço (CITEUC) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).



Estes depósitos sedimentares que não têm origem deltaica «podem ser produto de atividade hidrológica efémera e transitória gerada por mecanismos locais, ligados, por exemplo, a atividade vulcânica, tectónica, impacto de meteoritos ou cometas, que poderiam ter derretido o gelo subterrâneo, gerando fluxos de água», esclarece.

Segundo o investigador do CITEUC, as conclusões deste trabalho são um contributo importante para futuras missões espaciais, pois «são indicadores geomorfológicos importantes para a escolha de locais ideais para missões com objetivos astrobiológicos, sugerindo que muitos dos possíveis lagos anteriormente identificados como tal deveriam ser cuidadosamente reanalisados para excluir a ocorrência de mecanismos locais que geraram atividade hidrogeológica efémera, não necessariamente associada a um clima global favorável à presença estável de água líquida durante longos períodos de tempo».



Por outro lado, sublinha David Vaz, os resultados deste estudo trazem novos elementos para a discussão sobre a evolução climática em Marte, sugerindo que «a formação dos verdadeiros deltas poderá ter sido mais limitada no espaço e no tempo». 

Para caracterizarem os depósitos sedimentares, os investigadores efetuaram um balanço volumétrico entre os sedimentos erodidos (estimando o volume dos vales formados pela ação dos rios no passado) e os volumes depositados nos possíveis deltas. «Esse balanço foi utilizado como indicador para decifrar os mecanismos sedimentares predominantes durante a formação dos depósitos», remata David Vaz. O artigo pode ser consultado aqui. Universidade de Coimbra - Portugal