Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 25 de junho de 2026

França - A menina Lyhanna, vítima de um pedófilo

O assassinato de uma menina de 11 anos, depois de violentada por um homem de 41 anos, pai de duas crianças que frequentavam a mesma escola da vítima, traumatizou toda França.

O crime poderia ter sido evitado, pois o pedófilo já havia traumatizado outra criança em outra cidade, cuja mãe dera queixa à polícia, sem ter havido sequer convocação do acusado e muito menos abertura de um processo. A denúncia tinha se perdido no meio da papelada na delegacia da cidade de Gers.

Diante da alegação da falta de recursos da Justiça para tratar de tantas denúncias, o governo francês afirmou não estar havendo priorização pela polícia e Justiça para os crimes de violência sexual contra menores.

O crime contra a menina Lyhanna revelou a situação de vulnerabilidade vivida pelas meninas diante de seus predadores, não só na França mas em todo o mundo.

A UNICEF, Fundos Internacionais das Nações Unidas para a Infância, denuncia haver milhões de mulheres, em todo mundo, que já foram forçadas a atos sexuais antes dos 18 anos.

A mesma UNICEF denuncia a ocorrência no mundo de casamentos de adultos com menores que, apesar de uma aparente legalidade, constituem, na verdade, uma violação dos direitos humanos por privar as meninas de sua infância, de sua escolaridade, serem mais facilmente alvos de violência doméstica e as exporem a riscos de saúde.

Isso não tem impedido certas religiões de permitirem tais casamentos.

Uma proteção aos menores e principalmente às meninas é a inclusão nos currículos escolares de aulas de educação sexual. Além de lhes permitirem conhecer melhor seu sexo e suas particularidades, essas aulas lhes informam como melhor se proteger.

Entretanto, nem todos os governos são favoráveis à educação sexual nas escolas. É o caso de Gorgia Melloni, primeira-ministra italiana, com seu projeto de deixar aos pais a decisão de permitir que seus filhos frequentem ou não as aulas de educação sexual. 

Na Bélgica, os cursos de educação sexual provocaram muitos debates e rejeição por parte de grupos de pais de religião islâmica. Esses cursos são obrigatórios para alunos de 11 e 12 anos e visam principalmente orientar as crianças no que se refere ao consentimento, prevenção e respeito. Os pais não podem impedir essas aulas aos seus filhos a pretexto de religião ou ingerência na educação familiar. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

quinta-feira, 27 de junho de 2024

Brasil - Youtuber texano filma Polícia Militar paulista em ação e vídeo viraliza

A frase é antológica "bandido bom é bandido morto", mas quem é pobre ou negro numa favela se torna automaticamente suspeito, podendo ser agredido, ameaçado e exposto à humilhação pública até no Youtube, mesmo sendo inocente.

Será esse o credo e o modo de funcionamento da PM de São Paulo, autorizados pelo secretário da segurança Guilherme Derrite, que vem ganhando ao mesmo tempo popularidade e rejeição, com a banalização da violência e morte no combate ao banditismo, desde os massacres nas favelas do Guarujá?

É com esse estilo de repressão policial que o governador Tarcísio de Freitas pretende ganhar apoio e popularidade para disputar a presidência em 2026?

Essas perguntas afloram diante do vídeo gravado por um youtuber norte-americano, o texano Gen Kimura, dentro de uma viatura da Polícia Militar e nas favelas paulistanas, mostrando os policiais em ação. Não se tratava de um jornalista norte-americano em reportagem.

É um absurdo terem sido dados ao youtuber um colete à prova de balas e até um revólver para documentar, como um visitante curioso, o combate "mesmo num domingo sangrento" dos valentes policiais.

O vídeo de uns 40 minutos já foi visto por mais de 1,7 milhão nos EUA, no canal de Gen Kimura com 385 mil inscritos. O vídeo foi filmado durante ações da PM em três favelas e o youtuber Gen Kimura teve acesso ao depósito de armamentos da PM, chegando a ser filmado com um revólver na mão. No Brasil, trechos do vídeo viralizaram nos noticiários e nas redes sociais.

Outro aspecto escandaloso da filmagem permitida e protegida por policiais foi o de colocar pessoas pobres inocentes ou suspeitas numa espécie de pelourinho num parque de diversões, mesmo porque para o youtuber Gen Kimura, sempre sorrindo, tudo parecia muito divertido. Um dos policiais contou a Kimura que "as mortes dos bandidos são comemoradas com charutos e cerveja".

Entretanto, embora a Secretaria de Segurança afirme não permitir esse tipo de filmagem ainda mais com estrangeiro, devendo punir os responsáveis, o vídeo tem um aspecto positivo: documenta e deixa evidente ser o método violento o cotidiano na PM.

O comentarista Reinaldo Azevedo do Uol, depois de mostrar revoltado um trecho do vídeo, vai mais longe: para ele os responsáveis pela filmagem e exposição da banalização da violência da polícia paulista, num Canal do Youtube destinado a visualizações nos EUA, acreditavam agradar ao chefe capitão Guilherme Derrite e ao governador Tarcísio, já conhecido por um "dane-se" e por dizer "pode ir na ONU, no raio que o parta, não tô nem aí" sobre denúncias de abuso da PM no litoral.

A Rádio Jovem Pan, que se tornou a rádio de referência para os seguidores do ex-presidente, é bem informada sobre os líderes da extrema-direita, e, agora menos bolsonarista e aparentemente sem fake-news, tem uma resposta para o populismo da violência próprio do Secretário da Segurança (Derrite, linha dura, até se licenciou do cargo no governo Tarcísio para ir votar na Câmara Federal contra as "saidinhas") - quando Tarcísio deixar o cargo para se candidatar à sucessão de Lula, será Guilherme Derrite o candidato à sua sucessão.

Para o veterano da Jovem Pan, José Maria Trindade, fiel aos anos bolsonaristas, "ações como essa (mostrada no vídeo) aproximam os policiais da população e mostram como a polícia trabalha no dia a dia, e é importante fazer esse tipo de aproximação".

Para completar o quadro da violência e truculência, o programa É da Coisa, da Band, mostrou um vídeo da polícia de Goiás, no qual numa ordem unida da polícia militar os soldados repetem comandos de morte inclusive do assassinato da testemunha do crime. A polícia de Goiás era chefiada pelo tenente-coronel Edson de Melo, atualmente segurança do coach Pablo Marçal, pré-candidato à prefeitura de São Paulo. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.



 

quarta-feira, 5 de abril de 2023

ONU - Aponta expansão de nova modalidade de tráfico em países de língua portuguesa

Uma grande operação envolvendo polícia, autoridades de alfândega e agências de 58 países resultou na apreensão de 98 toneladas de cocaína. Portugal e Brasil integram a lista de nações envolvidas. Ao todo, foram 158 apreensões de substâncias ilícitas e 43 prisões entre novembro e dezembro de 2022.

De acordo com o Escritório da ONU sobre Drogas e Crime, Unodc, que participou da operação, os grupos criminosos estão a ocultar a cocaína e outras substâncias dentro de contentores que transportam substâncias lícitas.


Cadeia de transporte

Para montar o esquema, traficantes ameaçam e exploram funcionários da cadeia de transporte de mercadorias para se valerem de uma carga legítima e usá-la de ponta a ponta.

Este modus operandi foi observado em 107 dos casos envolvendo contentores durante a operação. Ao desvelar este método de ocultamento, os agentes da lei apreenderam 62 toneladas de cocaína.

Segundo o Unodc, o sucesso da operação pode ser atribuído à colaboração com a indústria naval e ao uso de novas ferramentas de visualização de dados e tecnologias de inspeção.

Antes da divulgação do resultado da operação, a chefe da Seção de Pesquisa sobre Drogas do Unodc, Chloe Carpentier, conversou com a ONU News, de Viena, sobre o contexto de forte aumento da oferta de cocaína no mundo.

No relatório global sobre a droga, lançado pelo órgão em março, foi registado um aumento de 35% na produção, o maior desde 2016.

Tendências em Cabo Verde e Guiné-Bissau

De acordo com a especialista, o cultivo é concentrado em apenas três países sul-americanos: Colômbia, Bolívia e Peru. Todos eles têm fronteira com o Brasil, fazendo com que o país tenha um papel chave no transporte da droga.

Os produtores visam especialmente o mercado europeu, o segundo maior do mundo. Carpentier afirma que os grupos que traficam a cocaína usam rotas na África para chegar à Europa.

Ela avalia que, desde 2019, o fluxo da droga que passa pelo continente africano tem aumentado consistentemente em comparação com anos anteriores. A pesquisadora destacou como os países lusófonos na costa ocidental da África integram esta rota.

“Houve um aumento, saindo do Brasil, da zona de Recife e Natal, deste tipo de embarcação, que tem cocaína a bordo e trafica para a Europa através da África do oeste, em particular de Cabo Verde. Na Guiné-Bissau também. O país tinha um papel enorme nos anos 2005, 2007, depois baixou, mas agora temos também apreensões muito elevadas.”

A pesquisadora do Unodc indicou que as quantidades de cocaína apreendidas nos dois países nos últimos anos ultrapassam 10 toneladas.

Moçambique e Angola na rota que sai do Brasil

Segundo ela, Moçambique e Angola também integram a rota da droga que parte do Brasil. O uso das vias marítimas está em expansão.  Para Carpentier, o transporte via contentores é parte da estratégia dos grupos criminosos que atuam nos países de língua portuguesa.

“Em Moçambique o tráfico de cocaína e a ligação com o Brasil não é recente. Desde o início dos anos 2000 já se registava, principalmente pelo ar, mas vimos que agora está a expandir-se pela via marítima com uso muito grande de cargas. Em Angola, o tráfico está a aumentar pela via marítima, em embarcações que tem contentores, pois nelas se pode traficar grandes quantidades. É um tráfico de trânsito rumo a mercados lucrativos e em expansão da Europa ocidental, mas uma parte fica no país de trânsito.”

O Unodc possui um Programa de Controlo de Contentores, CCP, que atua na luta contra o comércio de substância ilícitas contidas em cargas transportadas via contentores.

Com base na operação bem-sucedida, as agências alfandegárias envolvidas estão a atualizar os seus critérios de seleção de cargas e a preparar-se para lidar com as novas tendências de tráfico identificadas. ONU News – Nações Unidas  


quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Brasil - PIX, amigo ou inimigo da população?

Criminosos precisam dos seus dados pessoais para realizarem ataques ou golpes conhecidos como: “rei do pix”, “robô do pix”, phishing, entre outros


Desde os últimos anos, a internet tem transformado a vida de muitas pessoas e organizações. Com as novas tecnologias da informação, as empresas não só melhoraram sua eficiência, como também começaram a oferecer diversos produtos e serviços através dos meios e plataformas digitais.

Segundo Azevedo (1998) “a internet tanto ao nível científico, como de divulgação ou recriação, é sem dúvida o espaço planetário mais importante pelo volume de informação disponível e pela facilidade de acesso”.

Por meio das plataformas digitais, é possível acessar informações sobre diversos assuntos, comunicar com pessoas, independente do lugar, seja por mensagens ou vídeo chamadas, dar palestras, ver filmes, ouvir músicas, acessar biblioteca online, artigos, projetos de pesquisas, além das inúmeras ferramentas para reuniões, elaboração de documentos, questionários, para qualquer área: jurídica, tecnológica, comercial, financeira e muitas outras.

As tecnologias foram um grande fator de desenvolvimento e crescimento para as instituições financeiras, pois facilitaram a sua gestão permitindo que tarefas do dia a dia fossem executadas de modo mais rápido e simples. Todo esse avanço facilitou muito a vida do ser humano que não precisa mais se deslocar até uma instituição financeira para realizar transferências, pagamentos, podendo acessar o sistema remotamente, seja pelo próprio navegador ou aplicativo, independente do dia ou da hora, a fim de passar mais segurança e acessibilidade.

Por esse motivo, no dia 05 de outubro de 2020 foi lançado oficialmente o PIX, funcionando apenas no dia 16 de novembro do mesmo ano.

Pix é o meio de pagamento eletrônico, instantâneo, gratuito, criado pelo Banco Central – BC, com o objetivo de facilitar as transações financeiras, podendo ser realizado entre contas em poucos segundos, aumentando assim, a velocidade dos pagamentos, baixando o custo e gerando facilidade de acesso à toda população. Porém, o PIX seria um amigo ou inimigo da população????

Diariamente, pode-se ver ou ouvir casos de golpes sendo aplicados no Brasil. Alguns já até antigos, como por exemplo, a famosa ligação “você ganhou um prêmio, preciso dos seus dados para enviar”, ou “você ganhou um sorteio”, trotes ou os cartões, números de telefones clonados. Porém, muitos utilizam as próprias instituições financeiras para a aplicação de golpes.

Os criminosos têm usado bastante a internet para inovar na tentativa desses golpes, uma técnica conhecida é o phishing, que utiliza mensagens ou e-mails falsos criados com algum link, e que a pessoa clicando, conseguem coletar os dados e invadirem contas.

De acordo com a Receita Federal, foram bloqueados 2,7 milhões de tentativas de golpes. A maioria utilizando pix por meio de ferramentas de engenharia social, que são técnicas empregadas pelos criminosos para enganarem os usuários fazendo com que cedem informações pessoais, através de mensagens ou cadastros.

Uma pesquisa realizada pelo Banco Central, informou que desde novembro de 2020 até junho de 2021, o pix já tinha movimentado cerca de 1,6 trilhões. Porém entre janeiro e julho de 2021, foram registrados 206 boletins de ocorrências de sequestro relâmpago no estado de São Paulo. E segundo o BC, a cada mil transações usando o pix, uma tem suspeita de fraude.

Para conter esses golpes, foram divulgadas algumas regras de segurança para o sistema. Uma das regras seria o limite de horário para transações acima de mil reais, ficando bloqueadas todas as transações realizadas dentro das 20h às 6h. Para as transferências que ultrapassarem tal limite, o cliente precisará de autorização prévia do Banco no período de 24 horas. As novas regras se aplicarão também as outras modalidades de transferência bancária, como o TED – Transferência eletrônica disponível.

Ainda assim, com todas as medidas de segurança fornecidas, o número de golpes não diminui e a população continua caindo, muitas vezes, por descuido ou falta de orientação e/ou conhecimento, clicando em links suspeitos na internet e fornecendo informações pessoais em cadastros de sites e fontes não seguras.

Um assunto que fora muito repercutido nas plataformas digitais – youtube, twitter e instagram, foi sobre um suposto golpe “robô do pix”.

O robô do pix foi amplamente divulgado por influenciadores digitais, em grupos de redes sociais, garantindo uma nova forma de ganhar prêmios e sorteios. O robô do pix, segundo os influenciadores, facilitaria a participação automatizada em sorteios do instagram. Acontece, que para isso, a pessoa precisaria realizar um cadastro em site totalmente não seguro, deixando os dados pessoais mais vulneráveis a ataques e golpes digitais.

Com o avanço tecnológico, é impossível não notar a grande mudança no mundo. Diversas ferramentas que ajudam, facilitam, melhoram o dia a dia da população, como por exemplo, a criação do PIX nas instituições financeiras. Porém, vemos a necessidade de ter muito cuidado, pois os golpes vêm sendo aplicados através dessa forma instantânea de pagamento.

Portanto, a atenção ao fornecer os dados pessoais deve ser dobrada, triplicada, principalmente se forem sites não confiáveis ou fontes não seguras. Alguns cuidados como a troca de senhas regularmente, não sair clicando em links suspeitos e não fornecer excessivas informações pessoais, pois segundo Clive Humby “dados são o novo petróleo”, e é exatamente através dos nossos dados que os criminosos, hackers conseguem invadir nossas contas bancárias. Caroline Silva – Brasil in “Jusbrasil”



quarta-feira, 14 de julho de 2021

Namíbia – “Acordo de genocídio com a Alemanha reflete negação do crime”

A Autoridade Tradicional Ovaherero (OTA) e a Associação de Líderes Tradicionais Nama (NTLA) dizem que a declaração de genocídio de 1904 a 1908 recentemente concluída entre a Namíbia e a Alemanha reflete a negação do último país de que o genocídio foi um crime


Isso ocorre depois que as duas autoridades tradicionais escreveram ao Comité das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação Racial, solicitando a sua intervenção na declaração conjunta recentemente concluída entre os dois governos.

O acordo afirmava que a Alemanha reconheceria o genocídio, se comprometeria a que seu presidente federal, Frank Walter Steinmeier, apresentasse um pedido de desculpas às comunidades afetadas e à Namíbia em geral, e pagaria à Namíbia mais de N $ 18 mil milhões para a reconciliação e o desenvolvimento.

O genocídio Nama-Herero matou cerca de 65000 Ovaherero e 10000 Nama por soldados alemães.

Além disso, os que sobreviveram foram colocados em campos de concentração, onde alguns morreram de fome, enquanto outros fugiram para países vizinhos e para o exterior.

No seu pedido ao comité, as duas autoridades tradicionais, representadas pelos seus secretários gerais Mutjinde Katjiua (OTA) e Deodat Dirkse (NTLA), disseram que por a Alemanha ter declarado reconhecer o genocídio na "perspectiva de hoje", isso significa que eles não reconhecem qualquer obrigação para fazer reparações no acordo de reconciliação atual.

“Em vez disso, apresenta os serviços à Namíbia como uma ação de ajuda voluntária, para apoiar financeiramente projetos sociais nas regiões afetadas pelo genocídio. Nesse sentido, o reconhecimento reflete uma negação de que foi um crime em 1904 e 1905, quando foi comissionado e executado contra os povos Ovaherero e Nama, respectivamente”, dizia o pedido.

As duas autoridades afirmam que a intervenção é necessária porque foi adotada sem a autorrepresentação e participação ativa das duas comunidades indígenas.

Além disso, afirmam que não houve nenhuma tentativa de mapear os descendentes das vítimas do crime, nem qualquer esforço de engajamento direto com as duas comunidades.

“O escopo do acordo é mais um plano de desenvolvimento para a República da Namíbia do que uma reparação para as comunidades das vítimas”, afirma o pedido.

Acrescentaram que um acordo de reparação estruturado pela comunidade provavelmente será materialmente diferente daquele proposto pelo governo da Namíbia.

As duas autoridades e os seus parceiros, o Centro Europeu de Direitos Constitucionais e Humanos e o Grupo de Direitos das Minorias, instaram o comité a agir de acordo com as suas medidas de alerta precoce e procedimento de ação urgente no contexto do acordo.

Alega-se que o acordo deverá ser ratificado e assinado pelos dois governos em setembro.

A declaração conjunta está programada para ser ratificada como um acordo final.

“Instamos o comité a tratar desse assunto com urgência”, dizia o documento.

Jürgen Zimmerer, historiador de ascendência alemã, disse na semana passada que a Alemanha deveria considerar atrasar as discussões finais sobre o acordo se levar a sério a reconciliação e a expiação pelo genocídio.

Afirmou que isso é resultado da pandemia Covid-19, que causou pouco mais de 2000 mortes, incluindo o enviado especial do genocídio Zed Ngavirue e o maior crítico das negociações sobre o genocídio, o chefe supremo de Ovaherero, Vekuii Rukoro.

Zimmerer disse que se a Alemanha quiser levar a reconciliação a sério, deve proteger os namibianos contra a pandemia, disponibilizando vacinas. Charmaine NgatjiheueNamíbia in “The Namibian”


sábado, 6 de fevereiro de 2021

Portugal – Disponibiliza apoio a Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime em Moçambique


O Governo português disponibilizou hoje 90 mil euros para apoiar as atividades do Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC) em Moçambique, com enfoque para o crime organizado transnacional.

A contribuição extraordinária de Portugal à UNODC em Moçambique vai, entre outros, apoiar a implementação do Roteiro de Maputo, uma iniciativa que visa o combate ao narcotráfico, branqueamento de capitais e criminalidade organizada transnacional.

“O facto de Portugal ter alocado a esta iniciativa uma parte consubstancial da contribuição financeira destinada à UNODC, ilustra o mérito que lhe reconhecemos e a expectativa com que a encaramos”, declarou a embaixadora de Portugal em Moçambique, Maria Amélia Paiva.

A diplomata considerou que o apoio é “mais um sinal” do compromisso do país com o multilateralismo e “mais uma prova” do seu empenho em reforçar os laços que o unem a Moçambique.

Para a UNODC, o apoio português é “oportuno” e chega numa “boa hora” para a sua consolidação, além de beneficiar as instituições moçambicanas que combatem o crime organizado.

“O acordo representa um importante marco para a presença da UNODC em Moçambique, não apenas pela generosidade, mas também porque o apoio do Governo de Portugal fornece meios e ferramentas imprescindíveis para o desempenho mais apurado de nossa missão institucional”, disse o representante da UNODC em Moçambique, César Guedes.

“Este apoio vai servir especialmente para o treinamento de autoridades moçambicanas em áreas de prevenção de crime organizado transnacional, desde o tráfico de drogas, de pessoas, fauna bravia, além do combate à corrupção, entre outros”, acrescentou.

Além do Roteiro de Maputo, o valor disponibilizado vai ser alocado para o escritório do UNODC e para o Programa Global de Crime Marítimo.

“Estamos convencidos que o esforço prestado por Portugal irá incrementar a nossa capacidade de intervenção na prevenção e combate à criminalidade, o que passa necessariamente pelo fortalecimento das instituições pertinentes”, concluiu Filimão Suaze, vice-ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos de Moçambique.

Moçambique é apontado por várias organizações internacionais como um corredor para o tráfico internacional de estupefacientes.

De acordo com a UNODC, as autoridades do Quénia e da Tanzânia, países a norte de Moçambique, aumentaram a vigilância nos últimos anos, empurrando os traficantes para sul, em direção à costa moçambicana, “em busca de novas rotas e novos mercados”.

Ainda segundo dados divulgados pela ONU, as autoridades moçambicanas identificaram, em dois anos, cerca de meia centena de vítimas de tráfico de pessoas, a maioria para trabalhos forçados. In “Mundo Português” - Portugal



 

domingo, 24 de janeiro de 2021

Brasil - Advogado francês apresentou queixa no Tribunal Penal Internacional em nome dos indígenas brasileiros contra Jair Bolsonaro


O cacique indígena brasileiro Raoni Matuktire pediu ao Tribunal Penal Internacional (TPI) que investigue por “crimes contra a humanidade” o Presidente brasileiro, acusado de “perseguir” povos indígenas ao destruir o seu habitat e violar os seus direitos fundamentais.

“Desde a sua posse [do Presidente Jair Bolsonaro, em janeiro de 2019], a destruição da floresta amazónica acelerou sem medida, ocorrendo ainda um aumento do desmatamento em 34,5% num ano, o maior índice de assassínio de lideranças indígenas em nestes últimos onze anos, e o colapso e ameaças de órgãos ambientais”, referiu a denúncia feita ao TPI pelo líder do povo Kayapó e pelo cacique Almi Surui, revelada ontem pelo jornal Le Monde.

“Esta situação, a mais dramática dos últimos dez anos, decorre diretamente da política de Estado desenvolvida pelo Governo de Jair Bolsonaro”, que visa “remover todos os obstáculos para saquear as riquezas da Amazónia”, de acordo com a denúncia, que também visa vários Ministros.

Esta denúncia feita ao TPI, com cinquenta páginas e escrita pelo advogado francês William Bourdon, reúne as acusações feitas por dezenas de organizações não-governamentais (ONG) locais e internacionais, instituições internacionais e cientistas do clima.

Entre as denúncias estão a suspensão da demarcação de territórios indígenas, um projeto de lei para abrir áreas protegidas para mineração e agricultura, um orçamento limitado para agências ambientais assumidas pelos militares, assassínios impunes de sete líderes indígenas em 2019.

“A destruição da floresta amazónica”, essencial para a regulação do clima e atingida por incêndios recordes em 2020, “constituiria um perigo direto não só para os brasileiros, mas também para toda a humanidade”, referiu o documento.

Os queixosos consideram que esta política estatal conduz a “homicídios”, “transferências forçadas de população” e “perseguições”, constituindo “crimes contra a humanidade” conforme está definido pelo Estatuto de Roma do TPI.

Em julho de 2020, profissionais de saúde no Brasil também solicitaram uma investigação do TPI por um “crime contra a humanidade” contra Bolsonaro, desta vez pela forma como está a lidar com a pandemia da Covid-19.

Há um mês, em entrevista à agência de notícias AFP, o cacique Raoni acusou o Presidente brasileiro de querer “aproveitar” a pandemia para eliminar o seu povo.

O TPI, criado em 2002 para julgar as piores atrocidades cometidas no mundo e com sede em Haia (Países Baixos), não é obrigado a acompanhar os milhares de pedidos feitos ao seu procurador, que decide os casos de forma independente para ser submetido aos juízes. In “LusoJornal” - França


 

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Lusofonia - Arranca primeira pós-graduação sobre Prevenção e Luta Contra a Corrupção

Díli – Teve lugar a sessão de abertura do primeiro curso de Pós-Graduação, realizado em linha, sobre o Regime Jurídico da Prevenção e da Luta Contra a Corrupção, o Branqueamento de Capitais e o Crime Organizado.

O evento realizou-se na Faculdade de Direito da Universidade José Eduardo dos Santos, no Huambo, e contou, entre outras personalidades, com a intervenção do Ministro da Justiça e dos Direitos Humanos da República de Angola, Francisco Queiroz.

A iniciativa, inserida no âmbito do Projeto de Apoio à Consolidação do Estado de Direito nos PALOP e em Timor-Leste (PACED), financiada pela União Europeia e cofinanciada e gerida pelo Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, decorrerá entre os meses de setembro e novembro de 2020.

Segundo o comunicado a que a Tatoli teve acesso, o I Curso de Pós-graduação em linha destina-se a 90 participantes, desde magistrados judiciais a magistrados do Ministério Público, passando por polícias de investigação criminal, técnicos dos Bancos Centrais e das Unidades de Informação Financeira.

Como refere ainda o documento, dos 90 inscritos, 30 são provenientes de instituições parceiras do PACED em Angola. Já os restantes 60 são oriundos de países parceiros do projeto.

Segundo o mesmo comunicado, o curso “tem um modelo misto, sendo lecionado presencialmente aos participantes do Huambo e por videoconferência aos restantes”.

O curso de pós-graduação vem responder à necessidade de formação especializada, por forma a “melhorar as capacidades dos profissionais que, nas diferentes instituições, têm responsabilidades na prevenção e combate aos crimes de corrupção, branqueamento de capitais e criminalidade organizada”.

Ainda segundo o comunicado, o envolvimento de magistrados, polícias de investigação criminal, bancos centrais e UIF no curso vai permitir “uma abordagem multidisciplinar mais eficaz na luta contra os crimes económico-financeiros, contribuindo para sociedades mais transparentes e justas”.

A coordenação científica está a cargo do Decano da Faculdade de Direito da Universidade José Eduardo dos Santos, Professor Doutor João Valeriano, e do Presidente do Instituto de Cooperação Jurídica da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, Professor Doutor Fernando Loureiro Bastos.

O PACED tem como objetivos a afirmação e consolidação do Estado de Direito nos PALOP e Timor-Leste assim como a prevenção e luta contra a corrupção, o branqueamento de capitais e a criminalidade organizada, em particular, o tráfico de estupefacientes.

O curso terá um financiamento de 8,4 milhões de euros, sendo que 7 milhões são financiados pela União Europeia ao abrigo do 10.º FED e 1,4 milhões pelo Camões, I.P. Domingos Freitas – Timor-Leste in “Tatoli”

sábado, 14 de setembro de 2019

Lusofonia - Polícias dos PALOP e Timor-Leste assinam memorando para combater crime organizado

As Polícias de Investigação Criminal dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e Timor-Leste assinaram ontem um memorando para combate ao crime organizado, em especial de estupefacientes



A assinatura do documento é o culminar dos trabalhos do 3.º fórum de reflexão, partilha e criação de redes colaborativas entre polícias de investigação criminal, que durante três dias reuniu representantes dos PALOP e Timor-Leste.

Na última sessão juntaram-se a estes profissionais representantes do Centro de Análises e Operações Marítimas-Narcóticos (MAOC-N) de França, Irlanda, Itália, Holanda, Reino Unido, Espanha e Estados Unidos da América.

No Memorando de Entendimento as policias de investigação criminal comprometem-se a cooperar na luta contra todo o tipo de criminalidade organizada e outras formas de crimes graves, em especial contra o tráfico de estupefacientes e a criar pontos de contacto assim como acordam ser importante o intercambio rápido e eficaz de informações para fins de investigação e auxílio judiciário mutuo, bem como no âmbito do apoio às operações e às investigações.

O documento é composto por 11 princípios e realça a necessidade de encarar a investigação criminal “de uma forma frontal, séria e adequada aos movimentos de transformação a que se tem assistido no fenómeno do tráfico de estupefacientes e às áreas onde o mesmo é mais problemático, nomeadamente a atividade marítima”.

Por outro lado, defendem que é oportuno que seja averiguada a possibilidade de serem criadas equipas pluridisciplinares integradas a nível nacional e sublinham a eficácia de técnicas como a vigilância eletrónica e as operações encobertas e as entregas controladas.

“É nossa intenção facilitar a cooperação internacional nestes domínios, tendo plenamente em conta as exigências impostas pelo direito, liberdades e garantias fundamentais e pelo Direito Internacional dos Direitos Humanos”, referem.

Para permitir rapidez e eficácia na execução de cartas rogatórias e outros pedidos judiciais, as polícias referem estar empenhadas em desenvolver boas práticas no que respeita ao auxílio judiciário mútuo em matéria penal.

Alguns países dos PALOP enfrentam atualmente um aumento do trafico de substâncias ilícitas.

Na quarta-feira, o Gabinete das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC) alertou que Moçambique se tornou num corredor de grandes volumes de substâncias ilícitas, principalmente, heroína, defendendo uma maior cooperação internacional para a prevenção desse mal.

"Após melhoria das capacidades de aplicação da lei marítima pela vizinha Tanzânia e no Quénia, apreensões recentes sugerem que um grande volume de produtos ilícitos está a ser agora traficado por Moçambique", declarou César Guedes, representante do UNODC em Moçambique.

Segundo César Guedes, representante do UNODC em Moçambique, a costa moçambicana é cada vez mais usada como um corredor importante para a heroína proveniente do Afeganistão e em trânsito para outras regiões do mundo defendendo a necessidade de apostar na intensificação da cooperação regional e internacional para estancar a utilização do território como corredor de produtos ilícitos.

Na Guiné-Bissau foi feita recentemente a maior apreensão de cocaína da história do país, quando a Polícia Judiciária (PJ) guineense apreendeu quase duas toneladas desta droga no norte do país – Canchungo e Caio.

Em março, a mesma força de segurança apreendera 800 quilos de droga.

Ontem o ministro da Defesa Nacional português, João Gomes Cravinho, afirmou que aguarda a estabilização da Guiné-Bissau para apoiar as Forças Armadas do país nas funções de soberania e impedir que o território seja utilizado para o narcotráfico.

O 3.º Fórum de reflexão, partilha e criação de redes colaborativas entre polícias de investigação criminal, que hoje terminou , realizou-se no âmbito do Projeto de Apoio à Consolidação do Estado de Direito nos PALOP e Timor-Leste (PACED), em parceria com o Instituto de Ciências Jurídico-Políticas (ICPJ) da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e o MAOC-N, e tem por temática central o enquadramento jurídico-internacional do combate ao tráfico ilícito de estupefacientes por mar e a operacionalização do artigo 17º da Convenção das Nações Unidas sobre o Tráfico Ilícito de Drogas Narcóticas e Substâncias Psicotrópicas.

O PACED nasce da parceria da União Europeia com os PALOP e Timor-Leste e tem como objetivos a afirmação e consolidação do Estado de Direito nestes países, assim como a prevenção e a luta contra a corrupção, o branqueamento de capitais e a criminalidade organizada, em particular, o tráfico de estupefacientes. In “Sapo Timor-Leste” com “Lusa”

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Espanha - Lince ibérico encontrado morto com chumbos de caçadeira

Marvel, como era chamado, foi encontrado em Espanha, atingidos por disparos à queima-roupa



Era um lince ibérico macho, tinha apenas três anos e dava pelo nome de Marvel. De acordo com o El País, foi encontrado morto em Córdoba, Espanha, esta sexta-feira, que se viria a descobrir dever-se a tiros à queima-roupa disparados por um caçador. A denúncia terá sido feita pelo biólogo Miguel Ángel Simón, diretor do programa Life Iberlince, para a recuperação da distribuição histórica do Lince ibérico, celebrado entre Portugal e Espanha.

O especialista confirmou que o corpo do animal pertencia à população de linces monitorizados por este programa e foi encontrado devido ao colar de localização que transportava ao pescoço. Cerca de 20% dos linces em liberdade carregam este dispositivo.

O animal foi, entretanto, transferido para o centro de Málaga, onde o submeteram a um raio-x que revelou a causa da morte: no corpo, tinha cravados mais de 300 chumbos de caçadeira. O representante da Life Iberlince partilhou na sua conta de Twitter uma imagem deste exame.



Perante a crueldade do ato, Simón acredita que o caçador tinha planeado exatamente o que acabaria por fazer. "Acontecimentos como este são dramáticos para o esforço de dois países (Portugal e Espanha) e 22 parceiros", incluindo administrações e entidades privadas. E sublinha que é necessária uma "maior educação e consciencialização ambiental".

Apesar de a caça furtiva se ter tornado "escassa", em 2018, pelo menos 27 linces ibéricos morreram, representando, de acordo com as declarações do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) à Europa Press, há uns dias, o "segundo ano com maior número da história".

Ainda assim, as estatísticas mostram-se mais positivas do que as registadas em 2017, com 58 óbitos de linces, a maioria por disparos de caçadores furtivos. Além disso, segundo dados provisórios fornecidos pelo Ministério da Transição Ecológica, nasceram cerca de 125 crias e o censo total de linces na Espanha em 2018 revela-se maior do que em 2017 - conta-se um total de 650 linces. Catarina Reis – Portugal in “Diário de Notícias”

sexta-feira, 18 de março de 2016

Angola – Proibição de venda de marfim

A Comissão Multissectorial contra crimes ambientais e relacionados à Fauna e Flora Selvagem apresenta hoje, 18 de Março de 2016, um Decreto Executivo que proíbe a venda de marfim e seus derivados no país.

O documento será apreciado na III sessão ordinária da Comissão, marcada pela apresentação do projecto de Lei dos Crimes e Transgressões Ambientais.

Sobre a mesa está, por exemplo, a discussão da estratégia para o encerramento das bancadas de comercialização de marfim, que têm no mercado de artesanato do Benfica uma das principais montras.

De tal forma que, em 2014, a organização não governamental "Save The Elephants" elevou a capital angolana – a par da cidade nigeriana Lagos – a principal centro mundial de comércio ilegal de marfim.

“Em Lagos há mais peças de marfim à venda, mas o comércio é mais dissimulado, com os vendedores mais conscientes das regras e mais receosos, enquanto os vendedores em Luanda têm muito pouca preocupação sobre a possibilidade de serem apanhados a vender marfim ilegal”, apontou a ONG.

Com esta realidade presente, a Comissão Multissectorial contra crimes ambientais e relacionados à Fauna e Flora Selvagem, presidida pela ministra do Ambiente, Fátima Jardim, deverá discutir também a instalação piquetes da Unidade de Crimes em zonas fulcrais: no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, troço Maria Teresa (Kwanza-Norte) e no Bengo.

A agenda de trabalhos inclui ainda a apresentação de um inventário do marfim e do modelo de farda a ser exibida pelos efectivos envolvidos nesta iniciativa.

A iniciativa dá resposta às prioridades identificadas por Fátima Jardim, que em finais de 2015 alertou para a urgência de o país combater a caça ilegal, sobretudo contra elefantes e rinocerontes. Na altura, a ministra do Ambiente comprometeu-se a acabar com a comercialização de artefactos de marfim. In “Novo Jornal” - Angola

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Crime!

Angola: Autoridades Implicadas em Assassinato de Organizadores de Protesto

«A terrível verdade sobre o que aconteceu a duas pessoas que organizaram uma manifestação em Angola contra o atraso no pagamento de salários e pensões está finalmente a vir ao de cima. A investigação sobre o brutal assassinato de Kamulingue e Cassule só fará sentido se o governo assumir com firmeza o compromisso de levar a julgamento todos os responsáveis, independentemente do seu estatuto ou cargo.»
Leslie Lefkow, diretora-adjunta de África da Human Rights Watch

As autoridades angolanas devem mover uma ação judicial contra todos os oficiais de segurança responsáveis pelo assassinato de dois organizadores de uma manifestação que estavam desaparecidos desde Maio de 2012, anunciou hoje a Human Rights Watch.Um relatório confidencial do Ministério do Interior que chegou às mãos da comunicação social angolana no dia 9 de Novembro de 2013, e que a Human Rights Watch julga ser autêntico, descreve o papel da polícia e do serviço de inteligência, o SINSE, no rapto, tortura e assassinato de António Alves Kamulingue e Isaías Cassule.

A Procuradoria-geral de Angola anunciou a abertura de uma investigação e disse que quatro oficiais não-identificados haviam sido detidos. Em 14 de Novembro de 2013, o presidente José Eduardo dos Santos demitiu o diretor dos serviços de inteligência, Sebastião Martins.

«A terrível verdade sobre o que aconteceu a duas pessoas que organizaram uma manifestação em Angola contra o atraso no pagamento de salários e pensões está finalmente a vir ao de cima,» disse Leslie Lefkow, diretora-adjunta de África da Human Rights Watch. «A investigação sobre o brutal assassinato de Kamulingue e Cassule só fará sentido se o governo assumir com firmeza o compromisso de levar a julgamento todos os responsáveis, independentemente do seu estatuto ou cargo.»

Kamulingue e Cassule, membros do Movimento Patriótico Unido (MPU) ad hoc, foram raptados em diferentes alturas por agressores não-identificados, após terem organizado uma manifestação de guardas presidenciais e veteranos de guerra pelo pagamento de salários e pensões em atraso, que teve lugar no dia 27 de Maio de 2012, em Luanda.

O sítio angolano de notícias Club-K.net, baseando-se no relatório a que a comunicação social teve acesso, divulgou que Kamulingue foi detido por membros da guarda presidencial em 27 de Maio e levado para uma esquadra da polícia no centro de Luanda, onde foi torturado e eventualmente morto por um tiro na cabeça.O corpo foi abandonado num local ermo fora da cidade.

Uma investigação da Human Rights Watch de 2012 descobriu que Cassule fora raptado em 29 de Maio quando andava à procura de informação sobre o desaparecimento de Kamulingue. Alberto Santos, que estava com Cassule, contou à Human Rights Watch que viu Cassule ser arrastado para dentro de um carro por seis homens. Santos conseguiu escapar e procurou manter-se escondido, mas acabou por ser detido em Março de 2013 e libertado seis meses depois sem qualquer acusação. O Club-K.net denunciou que Cassule foi violentamente espancado durante dois dias e assassinado, tendo o corpo sido atirado a um rio.

As revelações sobre os homicídios provocaram um alarido político fora do comum em Angola.O principal partido da oposição, a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), convocou uma manifestação pública para dia 23 de Novembro para exigir a demissão do presidente José Eduardo dos Santos, devido à sua alegada responsabilidade nos assassinatos.O partido no poder, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), condenou os assassinatos numa declaração, mas alertou para o facto de a UNITA estar a tentar «criar caos» e a «preparar um novo conflito».

Desde 2011, um pequeno movimento pacífico de grupos ativistas angolanos, inspirado pelos levantamentos populares no Médio Oriente, tem procurado manifestar-se contra a corrupção, as restrições impostas à liberdade de expressão e a outros direitos, e ao aumento das desigualdades no país rico em petróleo.

Nos últimos dois anos, agentes da polícia e das forças de segurança angolanas têm usado repetidamente de intimidação, assédio e força excessiva para reprimir protestos pacíficos, levantando receios de que a próxima manifestação também venha a enfrentar uma repressão igualmente violenta, alertou a Human Rights Watch. 

Os meios de comunicação do estado têm vindo a chamar às campanhas que apelam a manifestações contra o governo uma tentativa de «declarar guerra», uma alegação infeliz num país cuja longa guerra civil só terminou há uma década, disse a Human Rights Watch. Jornalistas e outros observadores que procuraram documentar as manifestações e as respetivas respostas do governo têm sido regularmente assediados, detidos e, por vezes, vítimas de maus-tratos.

«O governo angolano deve reconhecer que há muitas pessoas indignadas e frustradas, com razão, com estes assassinatos e com o longo historial de crimes cometidos pelas forças de segurança que têm ficado impunes», defendeu Lefkow. «É necessário que estas preocupações sejam abordadas de forma aberta e dentro da lei, e não através de uma nova repressão de protestos à base de intimidação e violência.» Human Rights Watch – África do Sul