Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Canadá - Tecnologia portuguesa usada para detetar incêndios

A empresa portuguesa Tekever está a apoiar uma missão de deteção e monitorização de incêndios florestais na província canadiana de Alberta, reforçando a resposta das autoridades locais através de tecnologia desenvolvida em Portugal


Segundo informação divulgada pela AICEP, a operação é realizada em parceria com a Phoenix Heli-Flight e recorre ao sistema aéreo autónomo AR3 VTOL, equipado com sensores avançados e integrado na plataforma Nova Maps.

A tecnologia permite realizar vigilância aérea contínua e disponibilizar informação em tempo real às equipas de emergência, contribuindo para uma tomada de decisão mais rápida e informada durante o combate aos incêndios florestais.

De acordo com a AICEP, esta missão evidencia o papel da inteligência artificial e dos sistemas autónomos na proteção de comunidades, infraestruturas críticas e ambientes naturais.

Com operações na UPTEC, no Porto, a Tekever continua, segundo a agência, a afirmar a inovação desenvolvida em Portugal na resposta a desafios globais, levando tecnologia portuguesa a apoiar operações internacionais de proteção civil. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

 


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Argentina - 'Os nossos corpos arcam com o custo': Bombeiros da Patagónia combatem incêndios e austeridade em floresta ancestral

Os incêndios florestais continuam devastando a região da Patagónia, atingida pela seca, e arrasando as suas florestas antes intocadas


Atualmente, as majestosas encostas da floresta da Patagónia argentina parecem uma zona de guerra.

Nuvens de fumo em forma de cogumelo elevam-se como se fossem resultado de ataques de mísseis. Grandes chamas iluminam o céu noturno, tingindo a lua de um tom laranja-manga e transformando as vistas gloriosas que gerações de escritores e aventureiros gravaram na psique global em algo assombroso.

Vastas áreas do Parque Nacional Los Alerces, Património Mundial da UNESCO e lar de árvores com 2600 anos de idade, estão agora em chamas.

Incêndios florestais devastadores na Patagónia

Os incêndios florestais, entre os piores a atingir a região da Patagónia, assolada pela seca, em décadas, devastaram mais de 45 mil hectares de florestas argentinas no último mês e meio, forçando a evacuação de milhares de moradores e turistas. Na segunda-feira (2 de fevereiro), o incêndio ainda estava a alastrar.

A crise, com a maior parte da temporada de incêndios na Argentina ainda pela frente, reacendeu a raiva contra o presidente libertário radical do país, Javier Milei, cuja política dura de austeridade nos últimos dois anos reduziu drasticamente os gastos com programas e agências que não só trabalham para combater incêndios, mas também para proteger parques e prevenir que as chamas comecem e se espalhem.

“Houve uma decisão política de desmantelar as instituições de combate a incêndios”, diz Luis Schinelli, um dos 16 guardas-florestais responsáveis ​​pelos 259.000 hectares do Parque Nacional Los Alerces. “As equipas estão sobrecarregadas.”

Após assumir o cargo com a promessa de resgatar a economia argentina de décadas de dívidas exorbitantes, Milei cortou em 80% os gastos com o Serviço Nacional de Gestão de Incêndios em 2024 em comparação com o ano anterior, desmantelando o órgão responsável pelo envio de brigadas, manutenção de aviões-tanque, compra de equipamentos extras e monitorização de riscos.

O serviço enfrenta um novo corte de 71% nos recursos este ano, segundo uma análise do orçamento de 2026 feita pela Fundação Meio Ambiente e Recursos Naturais (FARN), um grupo argentino de investigação e defesa ambiental.

Será que a culpa é das alterações climáticas?

O recuo ocorre num momento em que as alterações climáticas estão a tornar os eventos meteorológicos extremos mais frequentes e severos, aumentando o risco de incêndios florestais.

“As alterações climáticas são inegáveis. Estamos vivendo isso”, diz o bombeiro Hernán Mondino, com o rosto sujo de suor e fuligem após um dia exaustivo combatendo incêndios no Parque Nacional Los Alerces. “Mas não vemos nenhum sinal de que o governo esteja preocupado com a nossa situação.”

O Ministério da Segurança, que assumiu a supervisão dos esforços de combate a incêndios depois que Milei rebaixou o Ministério do Meio Ambiente, não respondeu aos pedidos de comentários.

Incêndios como esses também contribuem para um ciclo de retroalimentação preocupante, pois libertam emissões de gases de efeito de estufa que agravam as condições quentes e secas, ao mesmo tempo que degradam o solo e eliminam árvores essenciais para a captura de carbono e o resfriamento.

Uma 'motosserra' para o estado

Os profundos cortes de gastos de Milei estabilizaram a economia argentina, que estava em crise, e reduziram a inflação anual de 117% em 2024 para 31% no ano passado – a menor taxa em oito anos.

As suas batalhas contra a “gordura” do governo e a cultura "woke" ajudaram-no a aproximar-se do presidente dos EUA, Donald Trump, cuja própria guerra contra a burocracia federal teve repercussões semelhantes na investigação científica e nos programas de resposta a desastres.

Após Trump anunciar, no ano passado, que os EUA deixariam o Acordo de Paris sobre o clima, Milei ameaçou fazer o mesmo. Ele boicotou as cúpulas climáticas da ONU e referiu-se às alterações climáticas causadas pelo homem como uma “mentira socialista”, enfurecendo os argentinos que entendem que o calor e a seca recordes, sintomas de um planeta em aquecimento, estão a alimentar os incêndios na Patagónia.

“Há muita raiva acumulada. As pessoas aqui estão muito incomodadas com a política do nosso país”, diz Lucas Panak, de 41 anos, que entrou numa viatura com os seus amigos na última quinta-feira para combater os incêndios que consumiam a pequena cidade de Cholila, depois que os bombeiros municipais foram enviados para outro local.

Gestão de desastres em meio à austeridade na Argentina

Quando um raio provocou um pequeno incêndio junto a um lago nos arredores do norte de Los Alerces, no início de dezembro, os bombeiros tiveram dificuldades para responder, devido à localização remota e à falta de aeronaves disponíveis para transportar as equipas e combater as chamas nas encostas.

O atraso inicial forçou a renúncia da administração do parque e levou os moradores a acusá-la de negligência numa queixa-crime, quando os ventos aumentaram e espalharam o fogo pela floresta nativa.

Mas alguns especialistas argumentam que o problema não foi a inação após o início do incêndio, mas sim muito antes.

“Incêndios não são algo que se combate apenas depois que eles acontecem. É preciso combatê-los antecipadamente por meio de planeamento, infraestrutura e previsão”, afirma Andrés Nápoli, diretor da FARN. “Todo o trabalho de prevenção, tão importante para ser feito o ano todo, foi praticamente abandonado.”

Além de cortar o orçamento do Serviço Nacional de Gestão de Incêndios, o governo de Milei retirou dezenas de milhões de dólares da Administração de Parques Nacionais no ano passado, o que levou à demissão ou renúncia de centenas de guardas-florestais, bombeiros e funcionários administrativos.

Com o aumento anual do número de turistas nos parques da Argentina, os guardas-florestais afirmam que os cortes orçamentais e as medidas de desregulamentação dificultam a monitorização do risco de incêndios, a limpeza de trilhos e a consciencialização dos visitantes sobre a preservação do parque. Em março passado, o governo revogou a exigência de que atividades turísticas como caminhadas em glaciares e escaladas em rocha fossem supervisionadas por guias licenciados.

“Se aumenta o número de visitantes enquanto reduz o número de funcionários, corre o risco de perder o controlo”, afirma Alejo Fardjoume, representante sindical dos trabalhadores dos parques nacionais. “As consequências dessas decisões nem sempre são imediatas; elas serão sentidas cumulativamente, progressivamente.”

Por que os bombeiros estão a ter dificuldades para acompanhar o ritmo?

Um relatório de 2023 da Administração de Parques Nacionais recomenda o destacamento mínimo de 700 bombeiros para cobrir a área sob a sua jurisdição. A agência emprega atualmente 391 pessoas, tendo perdido 10% do quadro de funcionários devido a demissões e pedidos de demissão nos últimos dois anos sob a gestão de Milei.

Os cortes orçamentais no Serviço Nacional de Gestão de Incêndios reduziram a capacidade de treino e os equipamentos disponíveis, dizem os bombeiros, fazendo com que muitos dependam de vestuário de proteção de segunda mão e equipamentos doados.

As autoridades de Los Alerces afirmam que sempre tiveram dificuldades financeiras, independentemente do governo, e insistiram que não faltavam recursos para combater o incêndio.

“Criticar é sempre fácil”, diz Luciano Machado, chefe da divisão de incêndios, comunicações e emergências da Administração de Parques Nacionais. “Às vezes, adicionar aeronaves não melhora as coisas. E para aumentar o número de bombeiros, é preciso mais comida, abrigo e rodízio.”

Mas os bombeiros dos parques nacionais, levados ao limite da exaustão, dizem que os seus efetivos estão a diminuir constantemente, seja por demissões, seja por pedidos de demissão devido a salários abaixo da linha da pobreza, que não acompanham a inflação.

O bombeiro médio nos parques da Patagónia ganha menos de US$ 600 (cerca de € 508) por mês. Em províncias com custo de vida mais baixo, o salário mensal cai para menos de US$ 450 (€ 381). Um número crescente de bombeiros afirma ter precisado realizar trabalhos extras como jardineiros e trabalhadores rurais.

“De fora, parece que tudo continua a funcionar normalmente, mas os nossos corpos sofrem as consequências”, diz Mondino. “Quando alguém sai, o resto de nós carrega mais peso, dorme menos e trabalha mais horas.”

A abordagem de Milei em relação ao incêndio, mantendo-se dentro da normalidade.

Durante um mês, enquanto as florestas ardiam, Milei quase não disse nada sobre os incêndios e seguiu a sua vida normalmente. Na semana passada, enquanto governadores provinciais imploravam para que ele declarasse estado de emergência a fim de libertar verbas federais, ele dançou no palco com a sua ex-namorada ao som de baladas de rock argentino.

A imagem em tela dividida forneceu aos seus críticos munição política poderosa. "Enquanto a Patagónia queima, o presidente diverte-se cantando", disse o deputado centrista Maximiliano Ferraro. Os partidos de oposição de esquerda organizaram protestos em diversas províncias.

Na quinta-feira, Milei cedeu, decretando estado de emergência, o que libertou US$ 70.000 (€ 59.000) para bombeiros voluntários e anunciando "uma luta histórica contra o fogo" nas redes sociais.

Num acampamento-base neste fim de semana, paramédicos voluntários movimentavam-se apressadamente entre bombeiros de olhos cansados, cuidando de gargantas irritadas, pernas doloridas e seios nasais inflamados. Alguns expressaram esperança de que mais ajuda estivesse a caminho. Outros descartaram o decreto como simbólico. Todos, olhando para as árvores fumegantes que levam gerações humanas para se regenerar, não conseguiam deixar de pensar no que já havia sido perdido.

“Dói porque não é apenas uma paisagem bonita, é onde vivemos”, diz Mariana Rivas, uma das voluntárias. “Há raiva pelo que poderia ter sido evitado e raiva porque a cada ano piora.” Isabel Debre – Argentina Euronews.green com “Associated Press”


quarta-feira, 5 de novembro de 2025

União Europeia - Investigadores desenvolvem plataforma que pretende prevenir e detetar antecipadamente incêndios florestais

Uma equipa de investigadores do Departamento de Engenharia Informática (DEI) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) está a desenvolver, no âmbito de um projeto europeu, uma plataforma que pretende apoiar na prevenção e deteção precoce de incêndios.


O projeto “SenForFire - Cost-Effective Wireless Sensor Networks for Forest Fire Prevention and Early Detection”, financiado pelo Programa Interreg Sudoe da União Europeia e que envolve Andorra, Espanha, França e Portugal, tem vindo a trabalhar no desenvolvimento e demonstração de redes de sensores sem fios, de baixo custo, para medir parâmetros meteorológicos e ambientais relevantes para a avaliação de risco de incêndios florestais em municípios e comunidades locais em áreas de alto risco de incêndio.

«A nossa contribuição para este projeto passa pela análise inteligente dos dados, que são georreferenciados e multimodais, ou seja, de vários tipos de sensores e vários tipos de fontes, de modo a criar suporte a decisões que venham a ser tomadas, quer por bombeiros, quer por uma Câmara Municipal, antes ou durante o combate a um incêndio», explica Catarina Silva, professora do DEI, investigadora do Centro de Informática e Sistemas da UC (CISUC) e coordenadora do projeto.

Em Portugal, o caso de estudo está localizado no Fundão, onde estão instalados os sensores desenvolvidos no âmbito do projeto. Os dados recolhidos (temperatura, humidade, gases, etc.) estão integrados num sistema The Things Stack, armazenados numa base de dados temporal e analisados por modelos inteligentes que identificam precursores de incêndios, permitindo alertas antecipados de risco de incêndio.

«Para além dos dados ambientais, o sistema incorpora informação geoespacial e topológica (satélites, relevo, declives, ocupação e uso do solo, histórico de incêndios), aumentando, assim, a precisão da avaliação de risco», destaca Cidália Fonte, docente do Departamento de Matemática da FCTUC e investigadora do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores de Coimbra (INESC Coimbra).

Com parceiros em Andorra, Espanha, França e Portugal, incluindo municípios, universidades e empresas, este projeto visa não só a investigação, mas também a industrialização da tecnologia para apoio direto a autoridades locais.  O principal objetivo é oferecer uma maior capacidade aos municípios e bombeiros para prevenir incêndios florestais, através de dados e previsões robustas, acessíveis e atualizadas.

«Os resultados preliminares mostram que os modelos conseguem prever o risco de incêndio. Esperamos, futuramente, fornecer ferramentas proativas de prevenção e gestão de meios, com maior detalhe e resolução espacial», conclui a equipa de investigadores.

A equipa de investigadores da FCTUC inclui Alberto Cardoso, Bernardete Ribeiro, Catarina Silva, Cidália Fonte, Filipe Araújo e Jacinto Estima. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Portugal - Universidade de Coimbra estuda impacto dos incêndios nos animais selvagens

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) vai investigar, nos próximos meses, o efeito dos incêndios florestais ocorridos, em agosto, na fauna a nível nacional. Adicionalmente, e no seguimento dos trabalhos já em curso, será dado um destaque particular à monitorização das populações de cervídeos.


O projeto “Mapear para Proteger!”, desenvolvido por investigadores do Centro de Ecologia Funcional (CFE) e do Departamento de Ciências da Vida (DCV) da FCTUC, e integrado na iniciativa “Memórias da Floresta”, do HTC - Pólo CFE na NOVA FCSH, inclui o lançamento de uma plataforma digital aberta ao público, que permitirá aos cidadãos registar observações e, assim, contribuir para o estudo do impacto do fogo na floresta e nos animais.

«No caso particular da Serra da Lousã, e apesar desta zona já ter sido afetada por incêndios anteriormente, este ano, a área ardida é bastante extensa, o que implica um reforço na monitorização. Este ano, vamos alargar a área de monitorização, englobando tanto as áreas afetadas pelos incêndios, como as não ardidas, no sentido de perceber as consequências deste fenómeno no comportamento e movimentação dos cervídeos presentes na serra», explica Joana Alves, investigadora do CFE e responsável pelo projeto.

Além dos registos da população, os investigadores irão recorrer a pontos de observação, câmaras de fotoarmadilhagem e gravadores de áudio distribuídos por várias zonas da serra. Esta estratégia permitirá perceber se os animais estão a regressar às áreas ardidas ou se estão a movimentar-se para territórios adjacentes.

Esta investigação coincide com a época da brama do veado, fase reprodutiva caracterizada pelos intensos bramidos. Desde 2019, os investigadores registam estes sons para analisar o comportamento da espécie, a intensidade das vocalizações e os efeitos da pressão humana sobre a reprodução.

«Com os estudos que temos feito, foi possível concluir que os veados vocalizam menos em zonas ruidosas e próximas de parques eólicos, sobretudo aos fins de semana, quando há mais atividade humana. Como os bramidos são essencial durante a reprodução, estes resultados revelam que o ruído provocado pelo ser humano pode perturbar a comunicação da espécie e o seu sucesso reprodutivo», revela a também coordenadora do BeWild Lab.

Os investigadores alertam que os incêndios poderão ter um impacto relevante nas populações selvagens, reforçando a importância deste estudo para compreender a resiliência da fauna e a capacidade dos ecossistemas em manter e recuperar o equilíbrio ecológico. Universidade de Coimbra - Portugal


quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Timor-Leste - Doa 8,6 milhões de euros a Portugal para apoiar recuperação dos incêndios

O Governo de Timor-Leste aprovou, esta quarta-feira, um donativo de dez milhões de dólares (cerca de 8,6 milhões de euros) à República Portuguesa, destinado à recuperação dos danos causados pelos incêndios florestais que têm afectado o país desde Julho

De acordo com a Lusa, a decisão foi tomada em reunião do Conselho de Ministros, após proposta do primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão.

Num comunicado oficial, o executivo timorense expressa solidariedade com o povo e autoridades portuguesas face aos “graves incêndios florestais”.

Portugal continental tem enfrentado múltiplos incêndios rurais de grande dimensão, sobretudo nas regiões Norte e Centro.

Os fogos provocaram quatro mortes, incluindo um bombeiro, e deixaram vários feridos, além de destruírem habitações, explorações agrícolas e vastas áreas florestais.

Em resposta à emergência, Portugal activou o Mecanismo Europeu de Protecção Civil, recebendo apoio com aeronaves especializadas no combate aos incêndios.

Segundo dados provisórios do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), cerca de 250 mil hectares já foram consumidos pelas chamas. In “Jornal de Angola” – Angola com “Lusa”


quinta-feira, 19 de setembro de 2024

Brasil - A fumaça não chegou ao Itamaraty nem ao Lula?

No começo da semana, o Itamaraty convocou a imprensa para um "briefing", em Brasília, sobre a participação do presidente Lula na abertura da 79. Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque. Lula fará seu discurso na próxima terça-feira, dia 24.

Na ONU, deverão ser abordados uma série de temas atuais e urgentes como inclusão social, combate à fome, transição energética e reforma da governança global, o pacto global digital, prevenção de conflitos, desenvolvimento sustentável e multilateralismo. Alguns desses temas serão incluídos no discurso de Lula, logo depois da abertura da Assembleia Geral pelo secretário-geral da ONU, António Guterres.

No "briefing" dois jornalistas se referiram a um tema considerado obrigatório, uma dizendo "o país está pegando fogo" e seu colega, mais adiante, citando "a fumaça ali perto da capital federal", provavelmente para saber se Lula daria um destaque, no seu discurso, aos incêndios de florestas que ocorrem em todo país. O porta-voz do Itamaraty, embaixador Cozendey, foi sucinto e comentou estar havendo "uma seca excepcional", mas não disse se Lula dará um enfoque especial à questão.

Espera-se que sim, mesmo por uma questão de credibilidade, diante da importância dos incêndios não apenas no norte, na região amazônica, avançando pelo centro oeste no Estado de Goiás e chegando ao sudeste, no Estado de São Paulo, tornando o céu escuro e chegando a fumaça a países vizinhos.

Mesmo porque o Brasil acolherá, dentro de um ano, a COP30, a Conferência sobre mudanças climáticas, organizada pela ONU, na cidade de Belém, capital do Pará, na região amazônica. Sem esquecer que, no ano passado, na abertura da Assembleia da ONU, Lula havia falado da emergência climática e prometido agir contra os crimes ambientais na Amazônia, como o desflorestamento pela serra ou pelo fogo. Mesmo se houve uma redução da ordem de 42% em certas regiões, os controles feitos por satélite mostram novos focos de queimadas em outras regiões destruindo o bioma natural original.

Os surgimentos recentes de novos incêndios florestais, favorecidos com a seca, foram trágicos por destruírem milhares de quilômetros quadrados de árvores e matarem animais, aves e pássaros vivendo em estado selvagem.  Algumas espécies vegetais podem ter sido destruídas definitivamente. Embora alguns incêndios tenham sido provocados involuntariamente pelos próprios agricultores com a chamada "queimada", costume utilizado tradicionalmente, embora condenado, para "limpar" com o fogo o que restou das colheitas nas terras cultivadas, a maioria dos focos de incêndio foi criminosa. No seu canal youtube, Bob Fernandes fala na suspeita de terem sido utilizados drones para o lançamento de produtos inflamáveis.

Mesmo se o agronegócio fale em milhões de perdas com a propagação dos incêndios incontroláveis, a destruição das árvores e vegetações nativas pelo fogo é a maneira mais simples e econômica de se preparar as terras para o plantio de cereais como a soja ou a criação de pastos para a criação extensiva de gado. Tanto os cereais como a carne bovina se destinam à exportação em grande escala para países asiáticos, numa reconversão regressiva do Brasil em país agrícola exportador de matérias-primas.

Não se sabe como o presidente Lula irá explicar seu atraso contra o desmatamento das florestas brasileiras, frente à pressão do agronegócio, mesmo porque certos setores da esquerda também defendiam, no passado, a ocupação econômica da Amazônia, antes que fosse tomada por países ou empresas estrangeiras. É o caso de Aldo Rabelo, antigo presidente da UNE e durante anos membro do PCB, cuja visão da Amazônia não é a mesma da ecologista Marina Silva.

Em todo caso, os temores de Rabelo já se concretizaram com a implantação de missões evangélicas norte-americanas na Amazônia, destinadas a civilizar os indígenas, que deixam o xamanismo pelas doutrinas bíblicas. E com o avanço das empresas agropecuárias nas áreas desmatadas, sem se esquecer dos garimpeiros.

União Europeia vai punir o desmatamento

Como Lula poderia ter impedido totalmente ou reduzido a um mínimo a destruição das florestas brasileiras? Sem maioria no Parlamento é quase uma missão impossível. Mas poderia ter utilizado o patriotismo dos militares para uma ocupação pacífica da região, sem molestarem os indígenas, pelo Exército, com o objetivo de prenderem, expulsarem ou impedirem o acesso à região pelos grileiros, missionários religiosos, garimpeiros, desmatadores e invasores do agro.

Como isso não foi feito e diante da destruição gradativa da Amazônia, a União Europeia deve começar a aplicar, a partir do fim deste ano, uma lei contra a importação e a comercialização de produtos provindos ou produzidos nas áreas desflorestadas desde 2020. Isso inclui uma enorme gama de produtos brasileiros atualmente exportados para a União Europeia, como cacau, café, soja, óleo de palma, madeira, carne bovina, borracha, couro, móveis, papel e etc.

Diante disso, o governo brasileiro, depois de um encontro com produtores em áreas desmatadas ou desflorestadas, está pedindo à União Europeia para adiar sine die, sem data fixa, a nova regulamentação anti-desflorestamento, por considerar tal exigência "um instrumento unilateral, punitivo e uma ameaça para suas exportações", além de atentatória ao "princípio de soberania"!

Esse pedido formulado pelo Brasil à União Europeia "é triste, lamentável e surpreendente (eu acrescentaria vergonhoso) porque contradiz o discurso do próprio presidente (na ONU em 2023)" declarou à Agence France Presse o secretário-executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini. A entidade reúne uma centena de ONG de proteção e defesa  do meio-ambiente.

Astrini lembra os discursos de Lula se comprometendo a acabar com o desflorestamento no Brasil até 2030. "De nada adianta fazer discursos em favor de uma produção agrícola durável se não se quer aplicar o mecanismo que torna isso possível", diz Astrini. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

Discurso do Presidente Lula da Silva na abertura da Assembleia Geral da ONU em 2023

 

quinta-feira, 23 de março de 2023

Portugal - Universidade de Coimbra promove curso sobre segurança em incêndios florestais

 


O Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais (CEIF) da Associação para do Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (ADAI) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) vai realizar um curso sobre segurança em incêndios florestais. A formação decorre a 28 de abril, no Auditório Laginha Serafim, do Departamento de Engenharia Mecânica, entre as 9h e as 17h.

Ao longo dos últimos anos, os aspetos ligados ao comportamento do fogo e à segurança das pessoas têm sido o principal objeto de estudo do CEIF-ADAI. Assim, neste curso, este centro da FCTUC procura incorporar alguns dos ensinamentos essenciais obtidos a partir da análise dos principais incêndios da última década, bem como do seu longo programa de investigação continuada nesta temática.

No âmbito deste curso serão abordados temas como “O panorama dos incêndios florestais em Portugal”; “Incêndios florestais e a meteorologia”; “Preparação física no combate a incêndios”; “Princípios fundamentais de segurança”; “Comportamento extremo do fogo”; e ainda, “Estudo de acidentes passados e respetivas lições aprendidas”. As intervenções ficam a cargo da equipa da ADAI, com a coordenação do Professor Domingos Xavier Viegas.

Este curso é aberto a todos os interessados na temática segurança em incêndios florestais, mas destina-se especialmente a bombeiros, técnicos de proteção civil, técnicos autárquicos, técnicos florestais, produtores florestais, sapadores, GNR e cientistas.

As inscrições, a decorrer até ao dia 25 de abril, são limitadas à capacidade da sala e o seu custo tem o valor de 70€ (inclui documentação, café e almoço). Será emitido um certificado de presença com a carga horária discriminada.

As horas de formação serão registadas pela Escola Nacional dos Bombeiros (ENB), entidade com a qual o CEIF tem um protocolo de colaboração ativo, no Recenseamento Nacional dos Bombeiros Portugueses, na ficha individual de cada bombeiro.

Saiba mais sobre o curso através desta ligação. Universidade de Coimbra - Portugal


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Portugal - Universidade de Coimbra dinamiza workshop sobre deteção, geolocalização e monitorização de incêndios florestais


O Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores de Coimbra (INESC Coimbra), o Centro de Informática e Sistemas da Universidade de Coimbra (CISUC) e a Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (ADAI) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) vão promover na próxima segunda-feira, 27 de fevereiro, entre as 10h e as 17h, um workshop sobre gestão de dados de deteção, geolocalização e monitorização de incêndios florestais.

O evento, que terá lugar no Hotel Vila Galé, em Coimbra, consiste na apresentação dos resultados de vários projetos de investigação desenvolvidos no âmbito desta temática, financiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), nomeadamente: FireLoc; FoRESTER; FirePuma; Floresta Limpa; IMFire; Firefront; e Eye in the Sky. As abordagens deste workshop são baseadas em dados enviados pelos cidadãos e na sua combinação com outras fontes de dados.

Após cada sessão de apresentações segue-se um período para questões, estando ainda previsto um Painel de Discussão sobre “Integração de dados para a deteção, geolocalização e monitorização de eventos extremos - potencialidades, limitações e riscos”.

O evento será em formato híbrido (presencial e remoto). A inscrição é gratuita, mas obrigatória e pode ser realizada através desta ligação. Universidade de Coimbra - Portugal


 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Portugal - Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial e Liga dos Bombeiros Portugueses celebram protocolo de colaboração

A Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (ADAI), instituição ligada ao Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), e a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) assinam, na próxima segunda-feira, dia 19 de dezembro, um protocolo de colaboração.

Com início pelas 10h30, a cerimónia terá lugar no Laboratório de Estudos sobre Incêndios Florestais (LEIF), no aeródromo da Lousã, e tem como objetivo «formalizar e promover a colaboração existente entre a LBP e a ADAI, através do seu Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais, no âmbito da investigação científica, formação avançada, realização de estudos e participação na reflexão sobre o papel e intervenção das diversas entidades envolvidas na gestão integrada dos incêndios florestais», explica Domingos Xavier Viegas, professor catedrático da FCTUC.

O evento conta com a intervenção do presidente da Liga dos Bombeiros, António Nunes, bem como do Coordenador do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais, da ADAI, Domingos Xavier Viegas. Após a assinatura deste acordo, segue-se uma visita ao Laboratório de Estudos sobre Incêndios Florestais. Universidade de Coimbra - Portugal

 

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Internacional - Conferência sobre Incêndios Florestais reúne em Coimbra peritos de todo o mundo

Mais de três centenas de investigadores e técnicos operacionais de todo o mundo vão participar na IX Conferência Internacional sobre Incêndios Florestais que está a ter lugar, em Coimbra, entre os dias 11 e 18 de novembro.

Organizada pelo Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais (CEIF) da Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (ADAI), da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), esta edição da Conferência vai focar-se nos principais temas relacionados com a gestão dos incêndios florestais, na perspetiva da investigação científica, nomeadamente a gestão do risco, a redução e a adaptação ao risco, o comportamento do fogo e a segurança, os incêndios na interface urbano florestal e os sistemas de apoio à decisão.

A Conferência é estruturada por uma Comissão Organizadora, presidida por Domingos Xavier Viegas, professor catedrático da FCTUC, e co-presidida pelo Mestre Luís Mário Ribeiro. O Coordenador salienta que «será prestada uma atenção particular à investigação em curso na Europa e à necessidade de promover uma maior cooperação entre os diversos programas de investigação, a nível nacional, europeu e internacional. Haverá uma sessão dedicada a apresentar os principais projetos em curso na União Europeia, a fim de incentivar o reforço de redes já existentes entre os vários grupos e projetos de investigação, dentro e fora da Europa».

O programa da IX edição inclui sete conferências plenárias sobre temas de interesse geral, proferidas por cientistas convidados de renome internacional, bem como apresentações relativas à mais recente investigação na área produzida em todo mundo, pelos respetivos autores, vindos de cerca de 30 países.

Segundo o especialista em incêndios florestais, considerando a relevância dada, «desde a primeira edição da Conferência, aos temas do comportamento do fogo e da segurança pessoal, esta será precedida de dois cursos especializados, tirando partido da presença no nosso país de um conjunto de especialistas com uma importante e reconhecida atividade nas respetivas áreas».

Assim, no dia 11 terá lugar o Curso de Segurança Pessoal, coordenado pelo Professor Jason Sharples, da Universidade de Canberra, na Austrália, e presidido pela Secretária de Estado da Proteção Civil, Patrícia Gaspar. Este curso destina-se sobretudo a técnicos, agentes operacionais e a investigadores da temática da segurança nos incêndios. A IX edição terá várias lições dedicadas ao bem-estar físico e mental dos Bombeiros, bem como ao importante tema da prestação de socorro e apoio médico e psicológico aos Bombeiros, em condições de emergência.

O segundo curso, nos dias 12 e 13 de novembro, é dedicado ao Comportamento do Fogo, coordenado pelo Professor Albert Simeoni, do Worcester Polythecnic Institute, dos Estados Unidos da América. É dirigido essencialmente a investigadores e técnicos operacionais envolvidos neste tema, que é um dos tópicos fundamentais da gestão dos incêndios.

A IX Conferência Internacional sobre Incêndios Florestais conta ainda com a principal associação internacional de investigadores e técnicos operacionais em incêndios florestais, que decidiu associar-se, sendo também uma das entidades patrocinadoras, integrando a reunião anual 17th International Wildland Fire Safety Summit, na edição deste ano. 

No âmbito da Conferência, está prevista uma homenagem ao investigador norte-americano Richard Rothermel, por ocasião do seu 50º aniversário, da publicação do seu importante trabalho sobre modelação do comportamento do fogo, o qual teve grande influência no trabalho de investigação e de aplicação operacional da previsão da propagação do fogo, em todo o mundo.

Destaque ainda para a realização de uma visita ao Laboratório de Estudos sobre Incêndios Florestais, situado na Lousã, na qual serão apresentados os principais trabalhos realizados naquela infraestrutura pelo CEIF, incluindo a atividade de formação que é realizada, em colaboração com diversas entidades, nomeadamente a Escola Nacional de Bombeiros.

No último dia da Conferência, 18 de novembro, realiza-se uma visita à Serra da Estrela, para conhecer os principais factos associados ao maior incêndio ocorrido este ano em Portugal, assim como para perceber a metodologia de gestão dos impactos decorrentes. Nesta visita, em associação com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), irá proceder-se a uma plantação simbólica de árvores, a qual pretende representar a reflorestação de áreas queimadas que a ADAI irá promover, integrado no Projeto ICFFR Zero Carbon Footprint. Este projeto tem como objetivo minimizar as emissões de dióxido de carbono equivalente resultantes das atividades associadas à realização deste evento, tais como as viagens dos participantes.

A Conferência conta com o apoio e patrocínio das seguintes entidades Projeto Firelogue, Projeto FirEUrisk, ambos financiados pela Comissão Europeia; International Association of Wildland Fire; Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT); REN; LEITEK; Universidade de Coimbra; FLAD; Menzio; e AGIF.

Mais informação disponível aqui. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Portugal - Cientistas estudam novos planos de emergência para proteção das populações em risco em caso de incêndio


Em caso de incêndio florestal, é altamente complexa a missão de decidir quando e como retirar as pessoas em risco, pois implica múltiplos fatores. Para ajudar as entidades competentes, uma equipa da Universidade de Coimbra (UC), em colaboração com a Escola Nacional de Bombeiros (ENB) e o Centro de Inovação e Competências da Floresta (SERQ), está a estudar novos planos de emergência para as comunidades, considerando os mais diversos cenários.

Trata-se do projeto “EVACUAR FLORESTA - Decisões e Planos de Evacuação em Cenários de Incêndio Florestal”, que tem como objetivo principal criar um sistema de apoio à tomada de decisão, «para a proteção da comunidade em risco em caso de incêndio rural e ainda mitigar problemas no contexto de uma evacuação. Para os incêndios urbanos já existem planos de evacuação desenvolvidos, mas o mesmo não acontece nos incêndios florestais», diz Aldina Santiago, coordenadora do estudo e docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

Atualmente, fundamenta, o que existe para o suporte à tomada de decisão «é muito reduzido em termos técnicos e científicos e depende em muito da sensibilidade do comandante no teatro das operações. Muitas das vezes, esta escolha é criticada, ou porque é feita de forma muito antecipada ou porque é feita de forma tardia». Assim, o resultado final do projeto, que conta com 270 mil euros de financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), é apoiar as entidades governamentais e locais «na proteção das pessoas envolvidas, criando indicações específicas sobre a forma e mecanismos a utilizar para proteger e tornar mais resiliente cada uma das comunidades, face às suas particularidades e desenvolvimento do incêndio. A proteção das pessoas de uma determinada comunidade tem de ser pensada e discutida muito antes dos incêndios; as possíveis soluções têm de estar acauteladas através de planos de emergência e evacuação; a evacuação parcial ou, em casos extremos, total é uma dessas soluções, mas não é a única».

Numa primeira fase do projeto, iniciado há um ano e que se estende até 2023, os cientistas focaram-se na caracterização e estudo do que já existe no que respeita a estratégias associadas à proteção das pessoas em cenário de incêndio rural, não só em Portugal, mas também em outros países que são fustigados pelos fogos florestais, como, por exemplo, Espanha, Itália, Grécia, Austrália e EUA (Califórnia). 


Nesses estudos, os cientistas observaram que «se antigamente a política era “ficar em casa e esperar”, atualmente começa a optar-se por evacuações preventivas. Portugal começa também a seguir esta estratégia, ou seja, nos últimos anos, a estratégia de proteção tem vindo a alterar, em resultado do paradigma dos incêndios atuais (incêndios de grandes proporções e que facilmente se propagam à interface urbano-floresta)», indica Aldina Santiago.

A equipa tem, também, efetuado trabalho de campo junto das comunidades escolhidas para casos de estudo, nos concelhos da Lousã e Sertã. No caso do município da Lousã, foram escolhidas as localidades de Cerdeira e Cabanões. Segundo a coordenadora do projeto, estas escolhas não foram «aleatórias, foram consideradas as suas especificidades. Cabanões é uma localidade isolada, de difícil acesso, com uma população reduzida (menos de 25 pessoas), envelhecida e com algumas limitações de mobilidade; já a Cerdeira, é uma localidade com componente turística significativa, com uma população muito variável, tanto ao longo da semana, como ao longo do ano. É difícil saber quantas e onde as pessoas estão nesta localidade e na sua envolvente; esta incerteza é sem dúvida um dos fatores que dificulta a proteção destas pessoas em caso de incêndio».

Em paralelo, com recurso a métodos numéricos avançados, a equipa está a trabalhar em modelos que permitem simular a propagação do incêndio e a evacuação das pessoas. «Estas simulações estão a ser calibradas com dados de incêndios reportados na literatura, mas esperamos vir brevemente a simular os incêndios ocorridos nas últimas semanas em Portugal. Cruzando resultados, conseguimos estudar o impacto de possíveis soluções, possíveis alternativas para proteção», esclarece Aldina Santiago.

Os sistemas de modelação e simulação de evacuação «são ferramentas essenciais para planeamento e tomada de decisão. Durante a evacuação e o incêndio, o comportamento das pessoas também é um fator determinante; o que as pessoas fazem, e quando o fazem, depende muito da distribuição no espácio-temporal dos eventos num cenário de catástrofe, sendo a educação da população para esta temática igualmente determinante para o sucesso deste processo», conclui. Universidade de Coimbra - Portugal



 

domingo, 27 de fevereiro de 2022

Argentina - Recebe ajuda do Brasil para combater incêndios

O governador de Corrientes, Gustavo Valdés, agradeceu a chegada de bombeiros brasileiros, que se juntaram ao combate aos incêndios que estão a afetar aquela província do nordeste da Argentina

Bombeiros do município de São Borja, no estado brasileiro do Rio Grande do Sul, atravessaram a fronteira para apoiar a luta contra as chamas no município argentino de Santo Tomé.

Gustavo Valdés, que pediu aos Estados Unidos para enviarem aviões de combate a incêndios, agradeceu ao Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, numa mensagem na rede social Twitter. Entretanto, o Presidente da Bolívia, Luis Arce, aprovou o envio de 70 bombeiros para ajudar a apagar os incêndios em Corrientes, indicou a presidência argentina.

Desde janeiro, as chamas queimaram mais de 785200 hectares em Corrientes, o que representa 8,8% da província, na fronteira com o Paraguai, Brasil e Uruguai, de acordo com um relatório sobre a evolução dos incêndios, do Instituto de Tecnologia Agropecuária argentino.

A província foi declarada “zona de catástrofe ecológica e ambiental” e recebeu recursos de várias zonas do país, do governo e particulares.

Valdés indicou que entre 2800 e três mil pessoas, cinco helicópteros e 12 hidrantes estão no terreno em Corrientes, “mas não são suficientes”.

“O que está a acontecer connosco é absolutamente extraordinário”, alertou o governador, que disse ser necessário “multiplicar os recursos normais por 20 e 30 para poder controlar as chamas em Corrientes”. Os incêndios já causaram prejuízos no valor de 40 mil milhões de pesos (330 milhões de euros), estimou Valdés. In “Milénio Stadium” - Canadá

 

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Brasil - Quase 17 milhões de vertebrados terão morrido nos incêndios do Pantanal

Os incêndios florestais de 2020 no Pantanal, gigantesca área húmida do Brasil, poderão ter causado a morte imediata de até 16,9 milhões de vertebrados, incluindo lagartos, aves e primatas, segundo um estudo publicado na revista Scientific Reports


Os incêndios florestais no Pantanal ocorreram entre janeiro e novembro de 2020, causando enormes danos naquela que é maior área húmida tropical do planeta, de acordo com uma nota da publicação.

Para chegar a essas conclusões, Walfrido Moraes Tomas, da Embrapa Pantanal (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária do Pantanal), e Ronaldo Morato, do Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade de São Paulo, fizeram uma estimativa das mortes de animais em decorrência dos incêndios florestais a partir dos cadáveres encontrados nas áreas queimadas.

Nesse sentido, os investigadores recolheram amostras de esqueletos ao longo de 114,43 quilómetros, imediatamente após o incêndio.

Os especialistas encontraram um total de 302 cadáveres e, apesar do mau estado de conservação, conseguiram identificar a espécie da maioria dos casos.

A partir desses primeiros dados, a equipa fez uma extrapolação dos números para calcular o total de animais que morreram na área queimada, observando tanto vertebrados pequenos (com peso corporal inferior a dois quilogramas), quanto vertebrados médios e grandes (com peso superior a dois quilogramas).

Assim, a estimativa é que entre 13206700 e 18811300 pequenos vertebrados morreram nos 39030 quilómetros quadrados de área queimada do Pantanal entre janeiro e novembro de 2020.

Os pequenos vertebrados incluem pequenos lagartos, pássaros e roedores.

Os autores também deduziram que entre 691090 e 1196570 vertebrados médios e grandes morreram imediatamente, incluindo ungulados (divisão de mamíferos que compreende os animais de casco) e primatas.

No total, segundo as estimativas, 16952000 vertebrados perderam a vida nos incêndios, concluíram os cientistas, que alertam que a sua amostragem não incluiu várias espécies que se sabe que também morreram nos incêndios, como onças, pumas e antas.

Ressaltaram ainda que sua estimativa não reflete o impacto total dos incêndios que, além disso, terão causado a morte de animais devido à perda de ‘habitat’.

Fatores antropogénicos influenciaram significativamente a frequência, duração e intensidade da seca meteorológica em muitas regiões do mundo, e o aumento da frequência de incêndios florestais é uma das consequências mais visíveis das alterações climáticas induzidas pelo homem, escreveram os cientistas no artigo.

Apesar do papel que os incêndios desempenham na determinação dos resultados da biodiversidade em diferentes ecossistemas, os incêndios não controlados podem causar impactos negativos na vida selvagem.

Este estudo destaca, dizem os especialistas, “o impacto catastrófico” que os incêndios florestais de 2020 tiveram sobre a vida selvagem do Pantanal e a importância de prevenir futuros desastres. In “Sapo 24” – Portugal com “MadreMedia / Lusa”


quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Internacional - Projeto liderado pela Universidade de Coimbra conquista 10 milhões de euros para estudo de grandes incêndios florestais

Um projeto internacional liderado pelo cientista Domingos Xavier Viegas, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), acaba de obter 10 milhões de euros de financiamento para o estudo de grandes incêndios florestais.

Intitulado “FirEUrisk - Developing a holistic, risk-wise strategy for European wildfire management” (Desenvolvendo uma estratégia holística e baseada no risco para a gestão de incêndios florestais na Europa), o projeto foi aprovado no âmbito do programa Horizon 2020 da União Europeia, na área focal “Building a low-carbon, climate resilient future” (Construindo um futuro climaticamente resiliente e baixo em carbono), mais especificamente no tópico “Forest Fires Risk Reduction: towards an Integrated Fire Management Approach in the EU” (Redução do risco de incêndios florestais: em direção a uma abordagem de gestão integrada do fogo na UE).

Este ambicioso projeto junta em consórcio 39 parceiros de todo o mundo (Alemanha, Austrália, Bélgica, Canadá, Chipre, Espanha, Estados Unidos da América, França, Finlândia, Grécia, Holanda, Hungria, Israel, Itália, Portugal, Reino Unido, Roménia, Suécia, Ucrânia). Na Universidade de Coimbra, o estudo vai ser efetuado no Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais (CEIF) da Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (ADAI), da FCTUC, envolvendo também equipas do Instituto Jurídico da Faculdade de Direito (FDUC) e da Faculdade de Medicina (FMUC).


Genericamente, o FirEUrisk, com a duração de quatro anos, tem como grandes objetivos utilizar o conhecimento científico desenvolvido para atualizar os sistemas de avaliação do risco de incêndio florestal, incluindo fatores críticos que não são ainda tidos em conta, propor medidas eficazes para a sua redução e adaptar as estratégias de gestão dos incêndios às mudanças climáticas e socioeconómicas futuras.

Estas metas, explica a equipa de Xavier Viegas, «serão alcançadas em estreita colaboração entre investigadores, utilizadores e cidadãos, integrando novas tecnologias, orientações e recomendações de políticas para melhorar os sistemas e práticas atuais, das escalas regionais às da UE».

O projeto vai abordar «todos os tipos de incêndios florestais, com foco particular em mega-incêndios, a interface urbano-florestal e os desafios dos incêndios emergentes no norte da União Europeia. Uma estratégia de gestão centrada no risco integrará as práticas e políticas de prevenção de incêndios florestais, supressão e restauração, numa estrutura conceitual holística e implementará uma plataforma operacional que apoie a coordenação conjunta, treino profissional e exercícios operacionais, envolvendo várias partes interessadas e abordando todas as tarefas relevantes de gestão de incêndios florestais, para melhorar a proteção dos cidadãos expostos», destacam os investigadores. Universidade de Coimbra - Portugal