Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 28 de julho de 2026

Brasil - Nova Era – Fondation Jean Pina expande horizontes com entrega de 50 cabazes

A Nova Era – Fondation Jean Pina, em parceria com a Associação Vida à Vida, promoveu a entrega de 50 cestas básicas na cidade de Goiânia, no Estado de Goiás, no Brasil. A iniciativa teve como objetivo prestar apoio direto e levar bens de primeira necessidade a famílias em situação de vulnerabilidade social na região


Fundada em 2014, a ONG Vida à Vida atua na região metropolitana de Goiânia e em várias localidades do interior do estado de Goiás, desenvolvendo projetos voltados para a assistência e apoio comunitário.

João Pina, fundador da fundação sediada em França, sublinhou esta quinta-feira nas redes sociais a importância desta cooperação e expressou o seu reconhecimento pelo trabalho desenvolvido no terreno pela equipa diretiva da associação, composta pela presidente Carolina Sírio Nascimento Farinelli, pela vice-presidente Nara Medeiros de Carli e pela secretária Mara Olivia Viegas.

“A Nova Era – Fondation Jean Pina agradece de coração à Associação Vida à Vida pela importante parceria e pelo compromisso em levar solidariedade, apoio e esperança às famílias que mais precisam”, declarou o empresário benemérito. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Angola - Lançada antologia literária "Avança Mulher"

A antologia literária "Avança Mulher" foi lançada, esta sexta-feira, em Luanda

A obra é uma compilação de textos literários escritos por 110 mulheres de diferentes sectores sociais, económicos e políticos, uma criança e dois homens provenientes de 10 países diferentes.

A iniciativa da Organização Não-Governamental Avança Mulher pretende usar a história de vida das co-autoras para inspirar outras mulheres angolanas a “abrirem-se ao mundo” e deixar a marca sem medo de julgamento.

A compilação foi feita por Egna de Sousa, Fátima Moniz e Priscila de Lemos, as autoras principais e coordenadoras do projecto da Editora Gira Livro.

A cerimónia de lançamento contou com a ministra da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, Ana Paula do Sacramento, das Pescas e Recursos Marinhos, Cármen do Sacramento Neto, secretários de Estado e demais membros do governo e convidados.

O livro com 141 textos foi prefaciado pela Primeira-Dama da República, Ana Dias Lourenço.

Para a diplomata e uma das coordenadoras do projecto, Priscila de Lemos, a antologia é uma dedicatória às mulheres que “não têm voz”, que muito têm lutado, bem como aos homens, fies companheiros que têm sido a base em meio à luta”.

Já Fátima Moniz considerou ser fundamental continuar a identificar, reconhecer, respeitar e aprofundar os saberes, as histórias que as mulheres que constroem os países carregam e que esta obra é mais um degrau para aqueles que lutam pela igualdade de género no país.

Por fim Egna de Sousa frisou que o livro descreve a resistência e a força das mulheres no país e no mundo.

O evento culminou com uma roda de conversa com algumas co-autoras sobre os temas dos textos escritos e disponibilizados na antologia. Teresa Cabari – Angola in “Jornal de Angola”


terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Cabo Verde - Lidera Rural lança concurso nacional para produção de curtas-metragens sobre êxodo rural

Porto Novo – O projecto Lidera Rural está a promover o concurso nacional para seleccionar ideias e financiar a produção de quatro curtas-metragens que estimulem o debate e a reflexão sobre a vida e êxodo rural nas ilhas de intervenção.


Uma nota divulgada pelo projecto Lidera Rural explica que a iniciativa, cuja candidatura decorre entre 16 de Dezembro e 09 de Janeiro, visa igualmente abordar a “fuga” de pessoas das comunidades devido à falta de oportunidades por factores exógenos, como as alterações climáticas.

As curta-metragens devem abordar ainda o contributo do empreendedorismo das mulheres e dos jovens para construir alternativas através dos sectores da alimentação e do turismo rural e comunitário.

Esta é a terceira edição deste concurso, denominado “Bodji”, que incide em várias temáticas, quais sejam, Raízes que Resistam: Mulheres e Jovens a Transformar o Rural, Da Terra ao Futuro, Inovação Rural, Cadeias Produtivas e Segurança Alimentar, Terras de Acolhimento: Turismo Comunitário como Caminho para Ficar.

O projecto Lidera Rural, que está a ser implementado nos três municípios de Santo Antão, é financiado pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento.

O projecto, que está a ser implementado pelo Centro de Estudos Rurais e Agricultura Internacional (CERAI) e pela Associação dos Amigos da Natureza, abarca ainda a ilha de São Vicente e tem como objectivo gerar oportunidades económicas para os jovens e mulheres rurais de ambas as ilhas. In “Inforpress” – Cabo Verde

Regulamento

Candidaturas, exclusivamente, através de formulário online


sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Guiné Equatorial - A ONG Eticultura apresenta a sua primeira peça teatral inclusiva para crianças com deficiência auditiva

Com esta atividade, a Eticultura comemorou o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência



O coletivo Eticultura encerrou nesta quinta-feira sua turnê teatral sobre a inclusão social de pessoas com deficiência na cidade de Malabo. A turnê, que incluiu palestras de consciencialização e atividades envolvendo pessoas com e sem deficiência, aconteceu em centros educacionais como parte das comemorações do Dia Mundial da Pessoa com Deficiência, celebrado em 3 de dezembro.

A fase final aconteceu no Centro Virgen María de África, em Malabo, onde, pela primeira vez, o grupo, através dos seus alunos, apresentou uma peça inclusiva com crianças com deficiência auditiva e crianças sem deficiência. A mensagem da apresentação centrou-se no esforço que a sociedade deve fazer para aprender a língua gestual, uma vez que esta permite uma melhor comunicação com o grupo minoritário que sofre de deficiência auditiva.

Durante a reunião, foram abordados aspectos importantes como cumprimentos e o alfabeto em língua gestual. "Precisamos aprender todos os dias, porque trabalhamos por uma sociedade mais inclusiva", disse o representante do grupo.

O centro Virgen María de África, um dos primeiros a implementar estratégias de inclusão social através da educação especial, expressou a sua gratidão ao grupo por esta iniciativa. Feliciano Ava – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


domingo, 6 de julho de 2025

Timor-Leste - Fundação Carbon Offset Timor – Plantar um futuro mais verde no país

Com mais de 219 mil hectares de terras agrícolas, Timor-Leste pode ser um exemplo na economia verde. No entanto, os agricultores — que representam a maioria da população rural — continuam a integrar o estrato social mais vulnerável do país


Segundo o relatório do Censo Agrícola de 2019, Timor-Leste dispõe de mais de 219 mil hectares de áreas agrícolas. A maioria da população rural dedica-se à agricultura, dependendo fortemente das plantações para garantir o sustento diário.

O Global Forest Watch indica que 67% do terreno timorense é coberto por floresta natural, contando com 1,01 milhão de hectares de áreas florestais em 2020. No entanto, tem havido uma tendência para a perda de “cobertura arbórea”, como mostram os dados de 2024, em que se registou uma perda de 1,36 mil hectares de floresta natural, o que equivale a 520 mil toneladas de emissões de CO.

A Fundação Carbon Offset Timor (FCOTI) é uma ONG local, instituída legalmente em outubro de 2018, mas que tem trabalhado na plantação comunitária de árvores desde 2009. A iniciativa já beneficiou mais de 225 famílias e mais de 2000 agricultores individuais em zonas rurais, contribuindo simultaneamente para a mitigação das alterações climáticas globais, através de créditos de remoção de carbono baseados no reflorestamento comunitário.

O Diligente entrevistou o diretor-executivo da FCOTI, Alexandre Sarmento, para falar sobre os projetos desenvolvidos ao longo da existência da fundação. Com apoio suficiente, o objetivo da FCOTI passa por alargar os serviços e beneficiar mais pessoas.

“Dependendo dos recursos, queremos expandir-nos para outros municípios em Timor-Leste e, eventualmente, para outros países vizinhos na região, especialmente a Indonésia Oriental e os Estados insulares do Pacífico”.

Atualmente, quais são as principais atividades desenvolvidas pela fundação?

Desenvolvemos ações de reflorestamento comunitário e agroflorestal, concedemos bolsas de estudo a estudantes do ensino secundário em Laclubar — em parceria com a GTNT-Darwin Austrália — e disponibilizamos microcrédito a agricultores que gerem os seus pequenos negócios. Também formamos mulheres da comunidade na confeção de marmelada, utilizando produtos locais, e reabilitamos pequenas infraestruturas, como salas de aula e casas de banho escolares em zonas rurais, em parceria com o Rotary Club.

A FCOTI também tem estabelecido contratos com o PNUD (UNDP em inglês) e com um projeto chamado EARTH (Enhanced Agroforestry for Resilient Timorese Households), em parceria com a World Vision. O EARTH é financiado pela União Europeia e pela World Vision.

Em que consistem os projetos Carbon Offset e Halo Verde?

O nome completo do nosso principal projeto de carbono é Halo Verde Timor Community Forest Carbon. Numa forma mais curta, chamamos de Projeto Halo Verde. Consiste em atividades agroflorestais e de reflorestamento, com agricultores dos municípios de Manatuto, Manufahi e Viqueque.

As atividades são pensadas e executadas segundo os princípios de não emissão de dióxido de carbono.

Quem são os principais parceiros da fundação?

GTNT-Darwin Australia, Rotary Club NSW, Australia, UNDP, JICA, World Vision & EU, The Plan Vivo Foundation no Reino Unido, vários compradores de créditos de carbono da Austrália, Europa (Dinamarca, Reino Unido, Portugal, Alemanha) e Estados Unidos da América.

Quais são as principais conclusões das pesquisas realizadas pela FCOTI sobre agricultura e alterações climáticas em Timor-Leste?

Normalmente, realizamos pesquisas regulares junto das famílias, para determinar as suas opiniões e perceções, e avaliar o impacto económico a nível familiar e ambiental. A última pesquisa foi realizada em 2021. Há uma pesquisa em curso (em 2025).

O que significa “Carbon Credit Sell” e como funciona?

Um crédito de carbono, também conhecido como compensação de carbono (carbon offset), é uma licença negociável que representa uma tonelada métrica de dióxido de carbono (ou seu equivalente em outros gases de efeito estufa) que foi reduzida, evitada ou removida da atmosfera. Esses créditos são gerados por projetos que mitigam ativamente as mudanças climáticas, como o desenvolvimento de energia renovável, o reflorestamento ou tecnologias de captura de carbono. Essencialmente, permitem que empresas ou indivíduos compensem as suas próprias emissões, apoiando projetos que reduzem as emissões noutros lugares.

Por exemplo, se um agricultor planta um hectare de árvores, esse hectare absorve 100 toneladas de CO2, então esse agricultor tem 100 créditos (uma tonelada métrica de dióxido de carbono é cotada em um crédito). Se um crédito custa 20 dólares, o agricultor ganha 2000 dólares.

Pode explicar o que é o Acordo de Pagamento de Serviços Ecossistémicos (PES Agreement)?

O acordo PES é um acordo entre o agricultor e a fundação. Define as tarefas e responsabilidades de cada parte. O pagamento aos agricultores varia, dependendo da sobrevivência da árvore e da venda do crédito de carbono no mercado, com base no preço esperado. Se essas duas condições não forem cumpridas, o pagamento aos agricultores será retido.

Porque é que os agricultores recebem pagamentos de 10 anos, se o acordo tem a duração de 30?

Uma vez plantada, uma árvore deve permanecer no solo por mais de 30 anos. Idealmente, nenhuma árvore deve ser cortada.

O nosso acordo inicial com os agricultores é de 10 anos. Terminado esse período, são oferecidos pequenos incentivos aos agricultores para que continuem a manter as árvores nos 20 anos seguintes. É importante observar que a maioria das nossas áreas são agroflorestais. A floresta é mais rentável para os agricultores que os créditos de carbono, cujo mecanismo gera apenas um dinheiro extra para os agricultores. Os créditos de carbono não devem ser tratados como o principal produto da floresta ou agrofloresta.

Quais foram os principais resultados alcançados até hoje?

Até hoje, mais de 250 mil árvores foram distribuídas e plantadas pelas comunidades. Temos mais de 150 hectares sob o programa de carbono e mais de 91 mil dólares pagos aos agricultores até 2024. Mais de 35 créditos de carbono vendidos em mercados internacionais, 226 acordos de PES assinados com as comunidades e mais de 600 bolsas de estudo concedidas desde 2011.

Quais os maiores desafios enfrentados pela fundação ao longo do tempo?

Somos uma pequena fundação local, timorense, com recursos limitados. Precisamos de aumentar a nossa capacidade em termos de administração, mas também em termos de estrutura, para que nos possamos expandir para outras áreas. Sem recursos suficientes, os nossos planos futuros ficam apenas no papel. Ainda temos vários desafios pela frente.

Os maiores desafios que enfrentamos na comunidade incluem o pasto de animais, a queima de florestas e a falta de registos de propriedade dos terrenos.

Que recomendações deixaria à sociedade civil, às instituições e ao Governo?

Todos nós precisamos de fazer a nossa parte e dar o nosso contributo para a Mãe Natureza. O que fazemos pode ser uma pequena gota no oceano. No entanto, se agirmos em conjunto, podemos ter um impacto maior.

Como podem os cidadãos ajudar ou envolver-se com a Fundação?

Qualquer agricultor pode participar no programa desde que cumpra com os critérios mínimos mencionados anteriormente.

Quais são os critérios utilizados para selecionar os agricultores participantes?

Por se tratar de um compromisso de longo prazo – 30 anos –, temos dois níveis de critérios.

O primeiro nível é para as terras elegíveis: a terra não deve estar sob disputa, não deve ser usada para desenvolvimento futuro de infraestruturas, como o alargamento de estradas, a construção de escolas e clínicas e, portanto, o local deve estar longe de áreas residenciais. A terra deve ser desmatada. É estritamente proibido, de acordo com o nosso guia, cortar árvores para plantar árvores.

No segundo nível, avaliamos os agricultores: devem ser timorenses, residir em áreas rurais, estar saudáveis ​​para plantar árvores, devem garantir a propriedade da terra e devem assinar um acordo connosco para cuidar das árvores sem as cortar ao longo desses 30 anos.

Existem planos para envolver jovens ou escolas em atividades de sensibilização ambiental?

Tentamos sempre envolver jovens e estudantes do ensino secundário em Laclubar, Lacluta e Lospalos, em ações de treino agroflorestal, como uma atividade extracurricular. Em Laclubar, além de oferecer bolsas de estudo, também oferecemos formação e treino em biodiversidade.

A fundação também ofereceu bolsas de estudo a 13 estudantes universitários. No entanto, devido à falta de financiamento, o programa foi descontinuado. Um dos nossos bolseiros universitários está agora a trabalhar com a fundação.

A FCOTI recebe financiamento do Estado timorense ou apenas de parceiros externos?

Durante a pandemia da COVID-19, o Governo de Timor-Leste concedeu um pequeno subsídio à FCOTI para cobrir os custos operacionais do escritório e manter o pessoal essencial. O Governo também concedeu um subsídio adicional em 2021, para a realização de atividades de campo, mas 93% do financiamento da fundação vem de parceiros internacionais, especialmente compradores de créditos de carbono.

Como é feita a monitorização dos resultados ambientais obtidos?

A monitorização anual é muito rigorosa e envolve o proprietário da fazenda e a equipa de campo: medem e reportam o crescimento das árvores, as taxas de sobrevivência, o diâmetro à altura do peito, a altura das árvores, etc. Os dados devem ser reportados ao Plan Vivo, que concede a certificação internacional ao nosso projeto. O relatório também é publicado no site. Reportamos regularmente às autoridades locais e mantemos uma boa relação com elas. Antónia Martins – Timor-Leste in Diligente


sábado, 21 de junho de 2025

São Tomé e Príncipe - Educação pré-escolar em Lembá com sinais de transformação real

Chegou ao fim o Projeto de Valorização da Educação Pré-Escolar no distrito de Lembá, uma iniciativa que, ao longo dos últimos anos, procurou inverter os índices preocupantes de acesso e qualidade na educação da primeira infância. Com intervenções técnicas, pedagógicas e comunitárias, o projeto deixa para trás não apenas um conjunto de resultados concretos, mas também um modelo replicável de transformação educativa em contextos vulneráveis.


Implementado pela organização não-governamental Helpo, com cofinanciamento da Fundação Calouste Gulbenkian e apoio técnico-científico do Instituto Politécnico de Leiria (Portugal), o projeto teve como principal missão criar condições para que as crianças de Lembá, entre os 3 e os 5 anos de idade, pudessem aceder a uma educação pré-escolar de qualidade, baseada em práticas pedagógicas modernas, inclusivas e culturalmente contextualizadas.

Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) e da UNICEF (2020), apenas 34,9% das crianças entre 36 e 59 meses frequentavam jardins de infância no distrito. Em paralelo, cerca de 60% dos profissionais do setor não possuíam formação adequada e estavam submetidos a condições laborais precárias, comprometendo o desenvolvimento cognitivo e social das crianças.

Este cenário motivou uma intervenção multidimensional, que abrangeu 13 jardins de infância, onde foram promovidas ações de formação contínua para educadores e auxiliares pedagógicos, introduzindo metodologias centradas na criança e inspiradas nos princípios da pedagogia ativa.

Um dos eixos estruturantes da intervenção foi a valorização de materiais pedagógicos produzidos com recursos naturais e tradicionais locais, como conchas marinhas, sementes de cacau, folhas, fibras e madeira. Estes materiais foram sistematizados de acordo com objetivos pedagógicos definidos, e organizados num catálogo de recursos didáticos que será disponibilizado a nível nacional.

A iniciativa não se limitou às salas de aula. Mais de 600 encarregados de educação foram envolvidos em sessões comunitárias de sensibilização, focadas na importância da educação infantil, higiene, alimentação e desenvolvimento emocional. As famílias passaram a reconhecer o valor da educação pré-escolar como uma etapa essencial para o futuro dos seus filhos.

Durante a cerimónia oficial de encerramento, realizada esta semana no distrito de Lembá, a coordenadora do projeto sublinhou que o término da intervenção representa “um ponto de transição e não de conclusão”. Os conteúdos pedagógicos continuarão acessíveis, a rede de educadores formada manterá atividades colaborativas, e o modelo de capacitação será defendido como exemplo de política pública para outras regiões.

Além disso, foi lançado um livro dedicado aos brinquedos e jogos tradicionais da primeira infância em São Tomé e Príncipe, com o propósito de integrar a sabedoria ancestral nas práticas educativas contemporâneas. O material será distribuído como ferramenta didática em centros de formação e escolas.

“Este projeto mostrou que é possível transformar a realidade da educação infantil com soluções locais, baixo custo e forte envolvimento comunitário. O que está em causa agora é garantir a sustentabilidade do que foi alcançado”, destacou Miguel Jarimba, coordenador nacional da Helpo.

O encerramento do projeto foi também um momento de balanço e articulação de futuras parcerias. Participaram representantes do Ministério da Educação, do Instituto Politécnico de Leiria, professores, técnicos municipais e membros da sociedade civil.

A experiência de Lembá torna-se agora uma referência nacional em práticas educativas inovadoras na infância, reforçando o apelo à institucionalização dos resultados. Há uma exigência clara: que o Estado tome a dianteira e assuma a responsabilidade pela continuidade das formações, pelo enquadramento digno dos educadores e pela expansão do acesso a jardins de infância em condições adequadas.

A jornada termina, mas o compromisso continua: nenhuma criança deve ser privada do seu direito de aprender, brincar e crescer num ambiente educativo seguro, inclusivo e culturalmente relevante. Waley Quaresma – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”


domingo, 8 de junho de 2025

Luxemburgo - É palco de oficina científica em português

A organização não governamental Native Scientists vai realizar no próximo dia 14 de junho, às 14h00 (hora local), uma oficina científica em português para crianças entre os 7 e os 11 anos, em Ettelbruck, no Luxemburgo


O objetivo da atividade passa por estimular a curiosidade científica de forma lúdica, acessível e inclusiva, promovendo o contacto direto com cientistas que partilham a mesma língua e herança cultural das crianças participantes.

A atividade insere-se no trabalho contínuo da Native Scientists, que procura aproximar jovens de comunidades migrantes da ciência, combatendo a ideia de que esta é inacessível ou distante das suas realidades culturais e linguísticas.

Durante a oficina científica, investigadores de língua portuguesa vão apresentar experiências práticas, partilhando assim os seus percursos pessoais na ciência. O objetivo é criar um ambiente de inspiração, onde as crianças se sintam representadas e motivadas a explorar o mundo científico. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sexta-feira, 4 de abril de 2025

Lusofonia - ONG Mundu Nôbu prepara expansão de Portugal para Cabo Verde

A organização não-governamental (ONG) Mundu Nôbu, criada, há um ano, pelo músico Dino D’Santiago e Liliana Valpaços, para capacitar comunidades sub-representadas em Portugal, vai expandir-se este ano para Cabo Verde, disseram os fundadores à Lusa. “O que nos deixa ainda mais felizes é sabermos que vamos trazer esse projeto, devidamente adaptado, para Cabo Verde”, referiu [...]



A organização não-governamental (ONG) Mundu Nôbu, criada, há um ano, pelo músico Dino D’Santiago e Liliana Valpaços, para capacitar comunidades sub-representadas em Portugal, vai expandir-se este ano para Cabo Verde, disseram os fundadores à Lusa.

“O que nos deixa ainda mais felizes é sabermos que vamos trazer esse projeto, devidamente adaptado, para Cabo Verde”, referiu Liliana Valpaços, vice-presidente da ONG, arrancando as reuniões com autoridades e parceiros, na cidade da Praia.

“Nós criámos a Mundo Nôbu porque sentimos que há várias comunidades, na sociedade portuguesa, que não têm representatividade” em vários setores, profissões e áreas de influência, explicou – tanto comunidades afro-descendentes, como do Brasil, países de leste ou sul-asiáticos.

O programa “O teu lugar no mundo” inclui 12 módulos curriculares (literacia financeira, gestão de emoções, liderança, entre outros) e atividades complementares em que os participantes – dos 14 aos 18 anos – se envolvem por quatro a seis anos (até aos 22 anos, no máximo), “para que sintam que podem sonhar o que quiserem, serem o que quiserem”.

As atividades complementares “podem ser visitas a museus, contactos com determinadas pessoas, estágios em empresas, atividades que permitam romper horizontes”, tudo com o objetivo de “desenvolver o pensamento crítico e construir um projeto de vida sólido”.

Atualmente, o programa inclui 123 inscritos, que se candidataram voluntariamente, e Liliana Valpaços ambiciona chegar ao mesmo número em Cabo Verde, na fase inicial.

“Houve uma primeira intenção para que [a ONG] tivesse nascido em Cabo Verde”, recordou Dino D’Santigao.

“Felizmente fui aconselhado pela Liliana Valpaços”, disse à Lusa.

Uma conversa em que lhe apontou um facto sobre muitos filhos de pais africanos: “nasceram em Portugal, mas não sentem que este também é o seu lugar”, apesar de já merecerem “sentir isso, como ninguém”.

“Um ano depois, ver os resultados dos jovens que por lá passaram, é gratificante. Poder materializá-lo em Cabo Verde, já está acima do que eu tinha sonhado. Mas é a prova máxima de que, quando juntamos outra pessoa, agregando sonhos, conseguimos viver num mundo bem melhor”, concluiu.

A Mundu Nôbu (do crioulo, Mundo Novo) dá prioridade “à igualdade de acesso às oportunidades”, defendendo “valores morais e éticos, à luz da Declaração Universal dos Direitos do Homem”. Luís Fonseca – “Agência Lusa” in “Forbes” 


domingo, 9 de março de 2025

Timor-Leste - ONG condena casos de assédio sexual nas escolas do país

A organização não-governamental Fórum de Comunicação das Mulheres de Timor-Leste (Fokupers, sigla em inglês) condenou os casos de assédio sexual nas escolas do país e exigiu a “atenção urgente” da sociedade e do Estado timorenses.

“As escolas e universidades devem ser espaços seguros para a aprendizagem e o desenvolvimento das novas gerações, guiadas pelo espírito de sabedoria, e não locais de violência”, afirmou Filomena Barros dos Reis, porta-voz da Fokupers, em conferência de imprensa realizada na sede daquela organização não-governamental, em Díli.

A semana passada o Ministério da Educação denunciou publicamente dois casos de assédio sexual em duas escolas do país, perpetrados alegadamente pelos diretores daqueles estabelecimentos de ensino. “Ocorrem casos de abuso e assédio sexual em duas escolas secundárias, a Escola Secundária Geral Nicolau Lobato e a Escola Secundária Geral 5 de Maio, o que exige uma condenação firme da nossa parte”, sublinhou.

A Fokupers condenou aqueles crimes e disse que vai continuar a desenvolver ações de advocacia para combater todas as formas de violência contra mulheres e raparigas, exigindo que as entidades governamentais tomem medidas concretas para garantir justiça às vítimas.

A organização não-governamental apelou ao Ministério da Educação para que, além da aplicação de sanções disciplinares, reforce os processos de investigação. Se os resultados das investigações indicarem indícios criminais, os casos devem ser encaminhados “rapidamente” para o sistema judicial, de forma a assegurar justiça justa e eficaz para as vítimas, notou.

Para prevenir situações de assédio sexual, a porta-voz apelou também à Ministra da Educação para que o recrutamento de diretores e professores seja realizado com o máximo de rigor, garantindo que os trabalhadores na área da educação exerçam as funções com profissionalismo, dedicação e respeito pelos princípios e valores dos direitos humanos. In “Ponto Final” - Macau


segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Moçambique - Cerca de 650 mil crianças em risco devido ao ciclone Chido

Cerca de 650 mil crianças estão em risco face aos impactos do ciclone Chido no norte de Moçambique, alertou ontem a Organização Não-Governamental (ONG) Save The Children, avançando que decorrem ações de ajuda



“O ciclone Chido é uma catástrofe para as crianças no norte de Moçambique. Elas correm o risco de perder as suas casas, serem separadas das suas famílias e ver o acesso à água, saneamento, cuidados de saúde e educação extremamente limitado”, disse Ilaria Manunza, diretora da Save The Children em Moçambique, citada num comunicado da organização.

A responsável avançou que a Save The Children preparou equipas e recursos para apoiar os mais afetados pela intempérie, como parte de uma “resposta urgente e multidimensional”, fazendo também menção à vulnerabilidade das comunidades expostas ao Chido. “Esta tempestade é mais um exemplo de condições climáticas extremas a devastarem uma comunidade já vulnerável, dilacerada pelo conflito e mergulhada na pobreza”, acrescentou Ilaria Manunza.

Segundo a ONG, estão presentes equipas de organização na maioria das áreas mais atingidas pelo ciclone, que deverão apoiar o estabelecimento de sistemas e serviços de proteção às crianças, além de apoiar a reabilitação de escolas destruídas. “A Save the Children está a preparar-se para apoiar as comunidades afetadas com kits de sobrevivência e outros artigos essenciais, em coordenação com outras agências”, lê-se ainda no comunicado, que alerta também para dificuldades de assistência a Cabo Delgado, devido à presença de grupos armados que protagonizam ataques na região desde 2017.

Pelo menos quatro pessoas morreram e outras 37 ficaram feridas na sequência da passagem do ciclone Chido nas províncias de Cabo Delgado e Nampula, anunciaram organizações no terreno.

O ciclone, de escala 3 (1 a 5), atingiu a zona costeira do norte de Moçambique na noite de sábado para domingo, segundo o Centro Nacional Operativo de Emergência (CNOE).

O mesmo serviço indicou que o ciclone enfraqueceu para tempestade tropical severa, mas que continua a fustigar aquelas duas províncias do norte, com “chuvas muito fortes acima de 250 mm [milímetros]/24 horas, acompanhada de trovoadas e ventos com rajadas muito fortes”. “Este cenário apresenta elevado risco de inundações urbanas e erosão nas cidades de Pemba, Nacala e Lichinga, assim como em áreas baixas e ribeirinhas das bacias dos rios Muaguide, Megaruma, Lúrio”, refere a informação do CNOE, consultada pela Lusa.

Cerca de 200 mil clientes ficaram sem eletricidade em Nampula e Cabo Delgado devido aos efeitos da passagem do Chido, divulgou, no domingo, a Eletricidade de Moçambique (EDM) e pelo menos três voos com destino à região norte foram, no mesmo dia, cancelados pela companhia aérea Linhas Aéreas de Moçambique (LAM).

As autoridades moçambicanas já tinham admitido na quinta-feira que cerca de 2,5 milhões de pessoas poderiam ser afetadas pelo ciclone nas províncias de Nampula, Cabo Delgado e Niassa, no norte, e na Zambézia e Tete, no centro.

Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações climáticas no mundo, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre outubro e abril.

O período chuvoso de 2018/2019 foi dos mais severos de que há memória em Moçambique: 714 pessoas morreram, incluindo 648 vítimas dos ciclones Idai e Kenneth, dois dos maiores de sempre a atingir o país.

Já na primeira metade de 2023, as chuvas intensas e a passagem do ciclone Freddy provocaram 306 mortos, afetaram mais de 1,3 milhões de pessoas, destruíram 236 mil casas e 3200 salas de aula, de acordo com dados oficiais do Governo. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 8 de novembro de 2024

Timor-Leste - ONG Konservasaun Flora & Fauna restaura manguezais para proteger país de desastres climáticos

A nação de língua portuguesa do sudeste asiático é vulnerável a inundações, deslizamentos e erosão, além de aumento do nível do mar e tsunamis, florestas de manguezais funcionam como barreira natural, mas são ameaçadas por retirada ilegal e madeira, poluição e exploração de petróleo. Com o apoio do PNUD, uma organização local desenvolveu ações de conservação


Uma das prioridades na 29.ª Cúpula do Clima, COP29, que começa na próxima semana no Azerbaijão, será um novo acordo financeiro coletivo para apoiar os países em desenvolvimento a tomar medidas de mitigação e adaptação às alterações climáticas.
Algumas das soluções são baseadas simplesmente em conservar e restaurar ecossistemas, como manguezais, corais e ervas marinhas, que funcionam como barreiras naturais para eventos climáticos extremos.
Vulnerabilidade a inundações e deslizamentos
Por ser um dos países mais vulneráveis do mundo a desastres como ciclones, terremotos, tsunamis, secas e chuvas, Timor-Leste pode beneficiar com um eventual novo acordo na COP29. Com apoio das Nações Unidas, o país tem apostado em soluções baseadas na natureza e mostrado resultados.
A nação lusófona, do sudeste da Ásia, tem uma geografia muito particular com 743 km de litoral e diversas montanhas, que chegam até 3 mil metros de altura. Relatos mitológicos contam que o país surgiu de um crocodilo e por isso a ilha tem o formato do animal, sendo as montanhas a sua coluna.
Estas características fazem com que a pequena nação asiática seja particularmente vulnerável a inundações, deslizamentos de terra e erosão do solo.
Ao mesmo tempo, o aumento do nível do mar em Timor-Leste nas últimas décadas foi de cerca de 9 mm anualmente, o que é bem superior à média global de 2,8 - 3,6 mm por ano.
Restauração de manguezais
Mas a própria natureza do país também oferece recursos de proteção contra essas ameaças, um deles é o manguezal. No entanto, desde 1940, Timor-Leste perdeu 80% da cobertura desse ecossistema.
Para reverter este quadro, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, PNUD, iniciou em 2016 o Programa de Resiliência Costeira. Até 2020, quase 2 mil hectares de manguezais e zonas húmidas foram conservados e restaurados nas costas norte e sul do país.
A ONG local Konservasaun Flora & Fauna, KFF, obteve apoio do PNUD para o desenvolvimento de um centro de estudos de manguezais no município de Hera, também convertido em ponto turístico.
Além de apoiar pesquisas, a KFF faz a “gestação” de 30 a 40 mil árvores todos os anos, de 16 espécies diferentes, para garantir a reabilitação de florestas de manguezais em Hera e outras áreas de Timor-Leste.
Ameaça da poluição por lixo e resíduos do petróleo
A ONU News visitou o local e conversou com o diretor da KFF, Alito Rosa, que disse que “os manguezais podem proteger as comunidades costeiras de desastres naturais, como tsunamis, furacões, ventos fortes, e prevenir a ocorrência de erosão”.
Segundo ele, dos 13 hectares de manguezais que existem atualmente em Hera, três foram restaurados com sucesso pela KFF, com apoio do PNUD. A organização também restaurou recifes de coral danificados e preservou cerca de 15 hectares de algas marinhas.
Os maiores riscos para a existências dos manguezais são o corte e queima de árvores, extração ilegal de madeira, e poluição. O diretor da KFF explicou que “se as ondas do mar carregarem lixo e cobrirem a parte superior da semente do mangue, isso impedirá que ela seja exposta à luz solar efetivamente matando os manguezais”.


Por isso, os esforços de conservação são a principal prioridade da organização. Para reforçar essa ideia, o caminho que os visitantes fazem ao chegar ao centro de estudos é por uma passadeira feita com plástico reciclado, convertendo o principal inimigo do mangue num suporte para a sua contemplação.
O coordenador de projetos da KFF, Elídio Ximenes, adicionou que a exploração de petróleo na costa timorense também “gera resíduos que se infiltram nos manguezais”. Para ele, a falta de regulação dessas atividades representa uma “ameaça significativa para a sobrevivência dos manguezais e dos recifes de coral”.
Envolvimento da comunidade
O representante do Suco Hera, Raul Amaral Soares, afirmou que os esforços de conservação envolvem toda a comunidade, que participa de eventos de plantio e ações de educação sobre como cuidar do lixo.
A líder comunitária Nélia dos Santos Oliveira já participou dessas atividades e declarou que “os manguezais são um bom habitat para a vida marinha e não devem ser destruídos”.
Segundo ela, uma vez que a pesca é essencial para o modo de vida das comunidades costeiras, as mulheres devem envolver-se e contribuir.
Alito Rosa ressalta que esses ecossistemas são muito valiosos para Timor-Leste porque, “quando vistos através das lentes da economia azul, desempenharão um papel significativo no futuro”.
“Na nossa organização, esse espírito motiva-nos a continuar fazendo a diferença através do nosso trabalho”, concluiu ele. Felipe de Carvalho – Timor-Leste ONU News


quarta-feira, 30 de outubro de 2024

Timor-Leste - Violência contra vendedores de rua em Díli revela tendências autoritárias

Uma organização não-governamental (ONG) afirmou que a violência contra os vendedores ambulantes em Díli revela “tendências autoritárias” e um “desrespeito pelos direitos humanos básicos”, que está a provocar “divisão e conflito” na sociedade.


“A aplicação brutal da ‘lei e ordem’ não só está a levar a violações dos direitos humanos, mas também a provocar divisão e conflito dentro da sociedade”, advertiu a Fundação Mahein (FM), numa análise divulgada na sua página oficial. “Em vez de recorrer à violência para intimidar os pobres a conformarem-se, os líderes devem refletir sobre a sua própria responsabilidade na situação atual deste país”, salientou a ONG.

Em causa está a campanha de despejos e demolições iniciada este ano pelo Governo, através da Secretaria de Estado dos Assuntos de Toponímia e Organização Urbana, para eliminar construções ilegais e atividades económicas não licenciadas, e que, em alguns casos, tem sido exercida com violência.

O último incidente ocorreu na semana passada, quando oficiais daquela Secretaria de Estado e elementos da polícia se envolveram numa luta com vendedores ambulantes em Díli, tendo um homem sido ferido com um tiro alegadamente disparado por um membro das forças de segurança. “O discurso público que justifica o uso da violência também é preocupante. Declarações sugerindo que as forças do Estado têm justificação para usar violência porque ‘caso contrário as pessoas não ouvem’ contradizem os princípios de uma República Democrática, fundada no Estado de Direito e no respeito pela dignidade humana”, afirmou a Fundação Mahein.

Para a ONG, aquelas afirmações lembram a “ditadura militar indonésia, um Estado que justificava a brutalidade e a violência em nome da ordem e da estabilidade”. “A FM receia que a normalização da violência estatal para impor ordem crie um precedente perigoso para as futuras interações entre o Estado e os cidadãos”, advertiu.

Para a FM, o comércio ambulante e as construções ilegais são sinais de “problemas estruturais mais profundos” e revelam falhas das autoridades na “modernização da economia e da sociedade”. “Em vez disso, focaram a maior parte da sua energia a competir pelo poder e, quando no poder, a implementar megaprojetos ou esquemas que enriquecem as elites e compram apoio político”, acusou a ONG.

A organização disse também que a campanha da secretaria de Estado “contrasta fortemente com a impunidade de que gozam as elites políticas e económicas de Timor-Leste”. “Enquanto cidadãos comuns são perseguidos, espancados e têm as suas casas demolidas e os bens destruídos, as elites gozam de imunidade para violações muito mais graves da lei”, afirmou a FM.

Para a fundação, a “violência” e as “táticas repressivas” não são a solução para aqueles problemas e apelou ao Governo para “reconsiderar a abordagem”, focando-se na análise às “causas profundas da informalidade e da pobreza em Timor-Leste”. In “Ponto Final” - Macau


domingo, 14 de julho de 2024

Guiné-Bissau - Casal português gere hospital para ajudar os mais pobres

Um casal português decidiu atender às necessidades de saúde dos guineenses com ações como um hospital de campanha, onde cerca de 600 pessoas receberam consultas, tratamentos e medicamentos gratuitos, num dos bairros mais pobres e populosos de Bissau


Ao nascer do dia do primeiro sábado de julho, ainda se ultimavam os preparativos e já a população do bairro Militar se aglomerava em torno das mesas e cadeiras instaladas debaixo de lonas, à procura das respostas que não encontra no sistema de saúde ou não tem dinheiro para pagar.

Neste hospital de campanha, com um pequeno laboratório de análises e sala de observações, nove médicos, quatro enfermeiras e 12 auxiliares fizeram 573 consultas de ortopedia, clínica geral, pediatria e outras especialidades, assim como 47 tratamentos de feridas e outras lesões e 39 análises.

Tudo gratuito, inclusive os medicamentos cedidos às pessoas atendidas pela Pedras no Caminho, uma Organização Não-Governamental (ONG) criada há um ano pelo casal português para formalizar o apoio.

Depois de atendida e de ter levantado os medicamentos, Maria Helena Cabral agradecia repetidamente e só pedia para continuarem a dar consultas, “pelo menos de seis em seis meses”, neste e em todos os bairros de Bissau.

“Não paguei nada, recebi medicamentos grátis”, enfatizou à Lusa, contando que já tinha ido ao hospital, assim como Mariama Camará, visivelmente cansada, que foi fazer consulta, para ela e para as duas filhas pequenas, por causa da febre.

Conta que foi duas vezes ao hospital, mas a febre não passa, embora ela já se sinta melhor, mas as filhas não.

A mais nova, diz, “está cada vez com mais febre, chora muito à noite, e a mais velha está com problema no peito”.

“Hoje ouvi sobre esta consulta, deixei tudo, não trabalhei, não comi, para vir cá”, disse, contando que o marido não está e ela não tem dinheiro, nem meios.

Augusto Pereira também aproveitou para ir fazer consulta “sem pagar nada”, pois há já algum tempo que este idoso “estava a sentir o corpo um pouco doente”, mas não tinha possibilidade de ir ao médico.

Deslocar-se do bairro ao hospital implica pagar transporte, a consulta e os eventuais medicamentos, que neste dia conseguiu tendo que esperar apenas pela vez. Chegou às sete da manhã e despachou-se por volta do meio-dia.

Augusto aproveitou para “pedir que venham mais vezes e que não fiquem só em Bissau, que abranjam também o interior”.

“Com isto estão a ajudar o povo e nós ficamos muito contentes porque além da consulta, dão medicamentos, fazem análises, tudo gratuito. O hospital é muito difícil, não temos dinheiro para ir fazer consulta”, afirmou.

Enquanto são distribuídos pão, água e sumos pelos que esperam, num espaço mais resguardado já se encontra Abubaca Fati, que estava “quase há um mês” com dor de dentes e acabou por apanhar uma infeção.

Depois de ter levado uma injeção, garantiu que se sentia muito melhor e agradece insistentemente estes serviços.

O médico guineense Paulo Có Júnior fez parte da equipa que atendeu estas pessoas e destaca a importância destas ações para as comunidades locais.

“Às vezes perguntamos nos hospitais porque é que as pessoas não vão ao hospital, é porque a saúde não é barata em nenhuma parte do mundo, mas na Guiné-Bissau torna-se mais cara ainda”, explicou.

Paulo atendeu sobretudo crianças com as maleitas típicas da época das chuvas na Guiné-Bissau, as febres do paludismo e parasitismo.

É a segunda vez que trabalha com esta organização depois de uma anterior aventura de nove dias pelo interior do país, “em zonas onde nem imaginava que viviam pessoas”.

“Nós íamos, acampávamos, no dia seguinte íamos para outra comunidade. Fazíamos despistagem, consultas e depois regressávamos ao acampamento”, contou.

Estas ações resultam da paixão por África de Jaime Ferreira, um português de 60 anos, e da mulher, Margarida Cristóvão, que decidiram aplicar “algumas condições económicas mais favoráveis” que têm, para apoiar este povo.

Segundo disse à Lusa, tudo começou muitos antes da criação da associação, já que sempre que viajava, o casal português entendia que se tinha “dinheiro para estar num ‘resort’ de luxo”, também devia “alocar uma parte às comunidades mais desfavorecidas”.

A Guiné-Bissau ganhou um espaço maior na vida deste casal que também tem ajudado particulares e associações em Portugal, nomeadamente a Ajuda de Mãe.

Jaime diz que não dependem financeiramente de ninguém, o que lhes garante “uma certa agilidade” para tomar decisões e desenvolver ações como a que decorreu no bairro Militar de Bissau, com um custo de 12.500 euros.

Salienta que quem trabalha com a associação é remunerado, desde os médicos aos operacionais e que o que o move é ajudar este povo, que enfrenta ainda mais dificuldades no interior da Guiné-Bissau.

“Principalmente ao nível da diabetes, pessoas com gangrena nos braços, nas pernas, grandes problemas de crianças queimadas porque os pais vão para o campo trabalhar e as crianças ficam em casa, caem nas fogueiras (onde a população cozinha)”, diz.

A saúde é apenas uma das áreas de ação da Pedras no Caminho que está também a ajudar a reabilitar uma escolar, com 282 alunos, desde o jardim-de-infância ao quinto ano.

O proprietário, Alficeni Cassamá, agradece o apoio da associação na melhoria das condições da escola e espera poder continuar a contar com a ajuda para ampliar as instalações.

“É muita criança e pouco espaço”, observa. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”

segunda-feira, 27 de maio de 2024

Moçambique - Contrabando de madeira está a financiar insurgentes, alerta ONG

Milhões de toneladas de madeira continuam a ser exportadas ilegalmente de Moçambique para a China e os grupos insurgentes no norte do país estão a beneficiar financeiramente, revelou a organização norte-americana Agência de Investigação Ambiental.

Apesar das restrições do Governo moçambicano à exportação de madeira, a Environmental Investigation Agency (EIA) estima que, entre 2017 e 2023, foram enviadas para a China cerca de 3,7 milhões de toneladas de toros, com um valor calculado de 1,3 mil milhões de dólares.

A organização, com escritórios em Londres e Nova Iorque, está a monitorizar o setor madeireiro em Moçambique há vários anos, tendo-se centrado em Cabo Delgado mais recentemente, e acredita existir uma relação entre este comércio ilegal de madeira e os grupos de insurgentes islamistas.

Um relatório publicado este mês cita uma fonte bem colocada que estima que “30% da madeira explorada em Cabo Delgado corre um risco elevado de ser proveniente de florestas ocupadas pelos insurgentes”.

A madeira terá sido cortada nos distritos de Montepuez, Muidumbe, Meluco, Quissanga, Mueda, até na província vizinha de Nampula, e depois transportada para as serrações de Montepuez, por vezes de mota ou dissimulada nos porões de autocarros.  Com base em mais de 30 fontes locais, com profissionais do sector, sociedade civil e funcionários públicos, a EIA descreve como o movimento da madeira é facilitado graças a subornos pagos à polícia, soldados, representantes governamentais e inspetores alfandegários.

O relatório refere que “indivíduos do partido Frelimo beneficiam do comércio de madeira ilegal e do caos e insegurança causados pela insurreição”. A madeira é depois comprada por empresários chineses, que enviam os toros em contentores para o país asiático através de transportadoras marítimas internacionais.

Os toros de pau-preto, em particular, uma espécie nativa protegida, podem ser comprados por poucos dólares mas servem depois para fazer peças de mobiliário que custam milhares de dólares.

Os empresários compram madeira de diferentes origens, algumas delas ilegais, incluindo de florestas ocupadas por insurgentes, afirmou a responsável pelo estudo, Alexandra Bloom. “Por vezes é madeira que os insurgentes cortaram eles próprios, e eles beneficiam do dinheiro que ganham com a venda desta madeira. Uma fonte disse que eles estavam escondidos na floresta e que estavam a ficar com pouco dinheiro, por isso passaram a vender madeira”, explicou.

Este negócio acaba por gerar financiamento para o grupo terrorista Ahlu Sunnah Wal Jamaah (ASWJ), o principal da região, também conhecido internacionalmente como ISIS-Moçambique e localmente designado por Al-Shebab.  Bloom, que é analista especializada em comércio na EIA, acredita que Maputo esteja a fazer esforços para combater os insurgentes e este tipo de actividades ilícitas.  No entanto, acrescentou, “muitas pessoas estão a receber subornos ao longo do processo da cadeia de abastecimento de madeira ilegal, por isso, têm um certo incentivo para permitir que continue”. In “Ponto Final” - Macau


segunda-feira, 24 de abril de 2023

Venezuela - Lusodescendente promove há décadas direitos infantis

O luso-venezuelano Fernando Augusto Pereira criou há 38 anos a ONG Cecodap – Centros Comunitários de Aprendizagem, que trabalha desde então na promoção e defesa dos Direitos Humanos das crianças e adolescentes na Venezuela

A ideia, explicou à agência Lusa, surgiu em 1984, quando estudava na Universidade e contactou com “comunidades muito pobres na periferia de Caracas” onde viu as necessidades que tinham as crianças e famílias, mas sobretudo as mulheres, as mães.

“Foi então que começámos a ver o que podíamos fazer para melhorar as condições (locais) e prestar atenção”, disse, precisando que se tratava de El Ciprés, em Las Adjuntas, um bairro que estava rodeado de culturas de agricultores portugueses.

Por outro lado, explicou que o símbolo da ONG é, desde o primeiro momento, um “papagaio” (joeira) porque “tem a ver com a possibilidade de voar até ao céu” e que para fazê-lo “é preciso ir contra o vento, não se voa se não se tiver vento de proa, então as dificuldades estão sempre presentes”.

“Não tínhamos nada e tínhamos tudo, porque tínhamos o desejo e a vontade de trabalhar, a confiança no que podíamos fazer”, frisou.

Segundo Fernando Augusto Pereira, tem sido fundamental “ajudar os jovens a realizar os seus sonhos, acreditar neles, fazê-los entender que o único sonho que não acontece é aquele que não se tem, por outras palavras, as crianças e os adolescentes têm uma capacidade infinita para serem capazes de criar e realizar os seus sonhos”.

“Começámos numa comunidade muito pobre, não tínhamos sede nem escritório. Não tínhamos recursos, apenas o nosso trabalho voluntário. E tivemos o apoio de pessoas que começaram a ver e a confiar no que fazíamos, porque estávamos envolvidos de coração, com muita paixão, e essa é uma forma de inspirar e motivar os outros”, disse.

Lembra-se que conseguiram construir um “ranchito” (uma casita) com paredes de cartão e teto de lata de zinco e que com uma tinta cedida pelo pai, Augusto Pereira da Silva, que era pintor da construção, pintaram o teto de azul e uma mamã usou papel de alumínio para colocar algumas estrelas no teto.

“E quando perguntavam às crianças onde estudavam, estas diziam que era numa escola que tinha o céu dentro. Vimos e compreendemos que o céu estava lá dentro, que embora não tivéssemos nada de material, tínhamos tudo, porque tínhamos a ilusão e a confiança de todos”, disse, sublinhando que “os projetos não se fazem por recursos materiais ou físicos, fazem-se pela gente, pelo carinho e entrega que se possa ter”.

Sobre a origem do nome, explicou que surgiu da criação, com o apoio da comunidade, de vários centros de aprendizagem e que serviu depois de inspiração para um programa governamental inspirado em alguns elementos da experiência que tinham.

“Isso levou-nos a avançar na formação de outras organizações profissionais, não apenas em Caracas, mas em todo o país. Serviu para nos projetarmos a nível nacional”, explicou, precisando que em 2022 a Cecopad tinha presença em 800 escolas públicas e privadas do país, dando formação a muitas crianças, estudantes, professores e familiares.

A organização já publicou mais de 15 livros sobre as matérias que disponibilizam, que são usados por outras instituições.

Filho de Augusto Pereira da Silva, um emigrante de Espinho, um pintor que deu formação a venezuelanos, colombianos, equatorianos e dominicanos, explicou que o pai “teve sempre uma paixão pelo que fazia” e que “não trabalhava para viver, vivia para trabalhar”.

“Ele fez-me compreender que é preciso gostar do que se faz e fazê-lo bem, porque se se gosta e se faz com paixão, o resto surge por adenda. Muitos desses valores ficaram tatuados no meu ADN e é isso que hoje estou a fazer aqui. O legado que posso deixar aos meus colegas e à equipa é essa ideia de trabalhar, de fazer as coisas com perseverança e de fazer o melhor que se pode”, explicou.

Sobre a atualidade venezuelana, disse que nos últimos anos “se tem complicado, há muitas dificuldades”, sublinhando a importância de reforçar, nos jovens, a capacidade de resiliência para superar as adversidades e que ao ter confiança neles mesmos, vão-se abrindo portas a outros cenários e possibilidades.

Fernando Augusto Pereira referiu que a sua vida está unida à sua herança portuguesa.

“Desde criança ‘amamentaram-me’ com muitos valores e, da minha infância, lembro-me dos bolinhos de bacalhau, da aletria, do pão-de-ló, do bolo-rei. Apesar de algumas limitações, foi uma infância com muita alegria”, concluiu. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”