Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 7 de fevereiro de 2026

Japão - Financia a reabilitação da Escola da Cruz Vermelha para Surdos na Guiné Equatorial

A Cruz Vermelha e a Embaixada do Japão assinam um acordo de doação para fortalecer a educação inclusiva para crianças com deficiência auditiva


A Cruz Vermelha da Guiné Equatorial e a Embaixada do Japão acreditada no país assinaram um acordo de doação em Malabo no valor de 68.639 euros, destinado à reabilitação e ampliação da Escola para Surdos da instituição humanitária, com o objetivo de melhorar a educação inclusiva para crianças com deficiência auditiva.

O acordo, assinado nesta quinta-feira, permitirá a renovação e ampliação das instalações existentes, bem como a construção de novos serviços sanitários, a fim de oferecer melhores condições de aprendizagem e cuidados aos alunos do centro.

A missão diplomática japonesa, sediada no Gabão, foi chefiada pelo encarregado de negócios, Yoshikawa Toru, que explicou que o projeto faz parte do programa de cooperação económica japonês chamado Doações para Microprojetos Locais que Contribuem para a Segurança Humana, destinado a apoiar iniciativas sociais com impacto direto nas comunidades.

Atualmente, a Escola da Cruz Vermelha para Surdos, fundada em 1992 e localizada em Malabo, atende 27 crianças. O projeto visa aumentar a capacidade do centro, facilitando o acesso à educação adaptada e segura para um número maior de crianças com deficiência auditiva.

Durante o evento, a delegação japonesa reafirmou o compromisso do seu país com o desenvolvimento social e educacional da Guiné Equatorial, em consonância com os objetivos nacionais de redução das desigualdades e fortalecimento do sistema educacional.

Desde o lançamento deste programa no país em 2019, o Japão financiou cinco microprojetos, três deles relacionados aos setores social e educacional.

Por sua vez, a Cruz Vermelha da Guiné Equatorial agradeceu ao governo japonês pelo apoio e destacou que a iniciativa irá melhorar o atendimento e a capacitação de um dos grupos mais vulneráveis ​​do país.

A cerimónia de assinatura ocorreu na sede da Escola para Surdos em Malabo e contou com a presença de representantes do PNUD, bem como dos Ministérios do Interior, da Educação e da Saúde, entre outras autoridades. Marisa Okomo – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Vietname - O negócio sujo da reciclagem que está a fazer ricos

Agachado entre montanhas de plástico descartado, Lanh retira os rótulos das garrafas de Coca-Cola, Evian e chás vietnamitas locais para que possam ser derretidos e transformados em pequenos grânulos para reutilização. Mais lixo chega diariamente, acumulando-se como nevões multicoloridos ao longo das estradas e rios de Xa Cau, uma das centenas de aldeias de reciclagem “artesanais” que rodeiam Hanói, a capital do Vietname, onde o lixo é separado, triturado e derretido


As aldeias apresentam um paradoxo: permitem a reutilização de parte das 1,8 milhões de toneladas de resíduos plásticos que o Vietname produz anualmente e possibilitam aos trabalhadores a obtenção de salários tão necessários. Mas, a reciclagem é feita com pouca regulamentação, polui o ambiente e ameaça a saúde dos envolvidos, disseram à AFP trabalhadores e especialistas.

“Este trabalho é extremamente sujo. A poluição ambiental é realmente grave”, disse Lanh, de 64 anos, pedindo para ser identificada apenas pelo primeiro nome por receio de perder o emprego.

É um dilema enfrentado por muitas economias em rápido crescimento, onde a utilização e eliminação do plástico ultrapassou a capacidade do governo de recolher, separar e reciclar. Mesmo nos países ricos, as taxas de reciclagem são frequentemente muito baixas porque a reutilização de produtos plásticos pode ser cara e as taxas de triagem são baixas.

No entanto, os métodos rudimentares utilizados nas aldeias artesanais do Vietname produzem emissões perigosas e expõem os trabalhadores a produtos químicos tóxicos, alertam os especialistas.

“O controlo da poluição do ar é zero nestas instalações”, disse Hoang Thanh Vinh, analista do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, com foco na reciclagem de resíduos. O esgoto não tratado é frequentemente despejado directamente nos cursos de água, acrescentou.

A verdadeira dimensão do problema é difícil de avaliar, existindo poucos estudos abrangentes.

Na aldeia de Minh Khai, segundo Vinh, uma análise de sedimentos detectou “uma contaminação muito elevada por chumbo e a presença de dioxinas”, bem como furano – todos associados ao cancro. Em 2008, verificou-se que a esperança de vida dos residentes das aldeias era uma década inferior à média nacional, segundo o Ministério do Ambiente.

As autoridades locais e o ministério não responderam aos pedidos de comentários da AFP.

Lanha acredita que o lixo tóxico em Xa Cau causou cancro no sangue do marido, mas ainda passa os dias a separar o lixo para pagar as suas despesas médicas. “Esta aldeia está cheia de casos de cancro, pessoas apenas à espera da morte”, disse ela.

Não existem dados sobre as taxas de cancro nas aldeias, mas a AFP falou com mais de meia dúzia de trabalhadores em Xa Cau e Minh Khai que relataram casos de colegas ou familiares com cancro.

O coordenador da Aliança Lixo Zero do Vietname, Xuan Quach, disse que a exposição contínua ao “ambiente tóxico” torna inevitável que os residentes enfrentem “riscos para a saúde que são, obviamente, maiores”.

Um residente de 60 anos, conhecido por Dat, separa o plástico em Xa Cau há uma década e disse que o trabalho “afecta definitivamente a saúde”. “Não faltam casos de cancro nesta aldeia”, aponta.

Mas também não faltam trabalhadores, ávidos da tábua de salvação económica que a reciclagem proporciona.

Em Xa Cau, o plástico acumula-se em redor de casas de vários andares, algumas com fachadas ornamentadas que indicam os anos em que foram construídas.

“Enriquecemos graças a este negócio”, disse Nguyen Thi Tuyen, de 58 anos, que vive numa casa de dois andares. “Agora todas as casas são de tijolo. No passado éramos apenas uma aldeia agrícola”.

A maior parte do lixo que os residentes reciclam é de produção local, dizem investigadores e residentes.

Embora o Vietname recicle apenas cerca de um terço do seu próprio lixo plástico, importa milhares de toneladas anualmente da Europa, EUA e Ásia. As importações dispararam depois de a China ter deixado de aceitar lixo plástico em 2018, embora o Vietname tenha recentemente endurecido as regulamentações e anunciado planos para eliminar gradualmente também as importações.

Para já, estatísticas comerciais dos EUA e da União Europeia mostram que as remessas para o Vietname provenientes destas duas economias atingiram mais de 200 mil toneladas em 2024.

Em Minh Khai, o proprietário de uma fábrica de grânulos de plástico disse que a oferta interna “não é suficiente”. “Preciso de importar do estrangeiro”, explicou Dinh, de 23 anos, no meio do zumbido das máquinas pesadas.

A maior parte do lixo doméstico não está separado, pelo que não pode ser facilmente reutilizado.

Houve esforços para melhorar o sector, incluindo a proibição da queima de resíduos não recicláveis ​​e a construção de instalações modernas. Mas, a queima continua e o lixo inutilizável é frequentemente descartado em terrenos baldios, referiu Vinh, defendendo que o governo deveria ajudar as empresas de reciclagem a mudarem-se para parques industriais com melhores medidas de protecção ambiental, formalizando um sector que processa um quarto da reciclagem do país.

“O método actual de reciclagem nas aldeias de reciclagem… não é nada bom para o ambiente”. In “Jornal Tribuna de Macau” com “AFP”


terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Guiné Equatorial - Chegam ao país13 contentores com equipamentos para o Plano de Melhoria Urgente dos Hospitais Públicos

O Ministério da Saúde, Bem-Estar Social e Infraestrutura de Saúde, em coordenação com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o UNICEF, recebeu 13 contentores de equipamentos de saúde no âmbito do Plano de Melhoria Urgente para Hospitais Públicos na Guiné Equatorial.


Este carregamento representa um passo concreto na implementação do Plano promovido pelo Governo da Guiné Equatorial, cujo objetivo é melhorar imediatamente as condições de atendimento, hospitalização e conforto dos pacientes nos hospitais públicos do país.

Os recursos, canalizados através do PNUD no âmbito do Programa Conjunto financiado pelo Fundo Multiparceiros das Nações Unidas, incluem principalmente camas hospitalares, mesas, cadeiras para acompanhantes e outros suprimentos essenciais para o bom funcionamento dos centros de saúde.

Embora o equipamento tenha sido recebido e descarregado no Hospital Geral de Sampaka, as autoridades de saúde esclareceram que os recursos não se destinam exclusivamente a esta unidade. A sua distribuição será feita entre os três hospitais públicos que atualmente implementam o Plano de Melhoria Urgente, em conformidade com o Plano Nacional de Distribuição validado pela Equipa Operacional Interinstitucional.

O Ministério da Saúde informou que estes recursos representam aproximadamente 10% do total planeado. Os demais envios serão feitos gradualmente durante os primeiros meses de 2026, permitindo um aumento contínuo no fornecimento de equipamentos, mobiliário e suprimentos essenciais para a rede de hospitais públicos do país. Marisa Okomo – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


quarta-feira, 7 de maio de 2025

Nações Unidas - Índice de Desenvolvimento Humano, relatório de 2025

O ranking de Desenvolvimento Humano, divulgado nesta terça-feira, revela que as nações de língua portuguesa melhoraram em expectativa de vida, mas não em anos de escolaridade, em nível global, desigualdades entre os países ricos e pobres aumentaram pelo quarto ano consecutivo



O relatório sobre Índice de Desenvolvimento Humano, IDH, deste ano, indica uma melhoria nos indicadores de todas as nações de língua portuguesa.

A expectativa de vida aumentou para todos os países lusófonos no mundo. O documento foi divulgado nesta terça-feira.

Situação nos países de língua portuguesa

O relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, PNUD, tem como base dados de 2023 e analisa expectativa de vida ao nascer, anos de escolaridade e rendimento médio por pessoa.

Em comparação a 2022, todos os países de língua portuguesa tiveram melhora na expectativa de vida, o que sinaliza avanço na oferta de serviços de saúde.

Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Portugal também avançaram no rendimento per capita. Já a Guiné Equatorial, Angola, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste apresentaram queda.

Em relação aos anos de escolaridade, todos os países de língua portuguesa permaneceram estagnados nos mesmos patamares de 2022.

Portugal lidera grupo na 40ª posição do ranking

Portugal é considerado um país de desenvolvimento humano “muito alto”, ocupando a posição 40. O Brasil está na categoria “alto”, na posição 84. Guiné Equatorial, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Angola estão no nível “médio”, nas posições 133, 135, 141, 142 e 148, respectivamente.

Já a Guiné-Bissau e Moçambique figuram na faixa do desenvolvimento “baixo”, nas posições 174 e 182.

Desigualdades entre países aumentam pelo quarto ano seguido

Os cinco países mais bem colocados no ranking do IDH são: Islândia, Noruega, Suíça, Dinamarca e Alemanha.

O estudo do PNUD que acompanha o levantamento indica que que as desigualdades entre países ricos e pobres aumentaram pelo quarto ano consecutivo.

Os autores afirmam que pressões globais, como o aumento das tensões comerciais e o agravamento da crise da dívida, que limitam a capacidade dos governos de investir em serviços de saúde e educação, estão a estreitar os caminhos tradicionais para o desenvolvimento.

Um período de “crises excepcionais” nos anos recentes, como a pandemia da Covid-19, também contribuiu para estagnar o progresso em todas as regiões do mundo.

Para o líder do PNUD, Achim Steiner, se o desenvolvimento humano continuar neste ritmo lento o mundo pode tornar-se “menos seguro, mais dividido e mais vulnerável a choques económicos e ecológicos”. ONU News – Nações Unidas


sexta-feira, 8 de novembro de 2024

Timor-Leste - ONG Konservasaun Flora & Fauna restaura manguezais para proteger país de desastres climáticos

A nação de língua portuguesa do sudeste asiático é vulnerável a inundações, deslizamentos e erosão, além de aumento do nível do mar e tsunamis, florestas de manguezais funcionam como barreira natural, mas são ameaçadas por retirada ilegal e madeira, poluição e exploração de petróleo. Com o apoio do PNUD, uma organização local desenvolveu ações de conservação


Uma das prioridades na 29.ª Cúpula do Clima, COP29, que começa na próxima semana no Azerbaijão, será um novo acordo financeiro coletivo para apoiar os países em desenvolvimento a tomar medidas de mitigação e adaptação às alterações climáticas.
Algumas das soluções são baseadas simplesmente em conservar e restaurar ecossistemas, como manguezais, corais e ervas marinhas, que funcionam como barreiras naturais para eventos climáticos extremos.
Vulnerabilidade a inundações e deslizamentos
Por ser um dos países mais vulneráveis do mundo a desastres como ciclones, terremotos, tsunamis, secas e chuvas, Timor-Leste pode beneficiar com um eventual novo acordo na COP29. Com apoio das Nações Unidas, o país tem apostado em soluções baseadas na natureza e mostrado resultados.
A nação lusófona, do sudeste da Ásia, tem uma geografia muito particular com 743 km de litoral e diversas montanhas, que chegam até 3 mil metros de altura. Relatos mitológicos contam que o país surgiu de um crocodilo e por isso a ilha tem o formato do animal, sendo as montanhas a sua coluna.
Estas características fazem com que a pequena nação asiática seja particularmente vulnerável a inundações, deslizamentos de terra e erosão do solo.
Ao mesmo tempo, o aumento do nível do mar em Timor-Leste nas últimas décadas foi de cerca de 9 mm anualmente, o que é bem superior à média global de 2,8 - 3,6 mm por ano.
Restauração de manguezais
Mas a própria natureza do país também oferece recursos de proteção contra essas ameaças, um deles é o manguezal. No entanto, desde 1940, Timor-Leste perdeu 80% da cobertura desse ecossistema.
Para reverter este quadro, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, PNUD, iniciou em 2016 o Programa de Resiliência Costeira. Até 2020, quase 2 mil hectares de manguezais e zonas húmidas foram conservados e restaurados nas costas norte e sul do país.
A ONG local Konservasaun Flora & Fauna, KFF, obteve apoio do PNUD para o desenvolvimento de um centro de estudos de manguezais no município de Hera, também convertido em ponto turístico.
Além de apoiar pesquisas, a KFF faz a “gestação” de 30 a 40 mil árvores todos os anos, de 16 espécies diferentes, para garantir a reabilitação de florestas de manguezais em Hera e outras áreas de Timor-Leste.
Ameaça da poluição por lixo e resíduos do petróleo
A ONU News visitou o local e conversou com o diretor da KFF, Alito Rosa, que disse que “os manguezais podem proteger as comunidades costeiras de desastres naturais, como tsunamis, furacões, ventos fortes, e prevenir a ocorrência de erosão”.
Segundo ele, dos 13 hectares de manguezais que existem atualmente em Hera, três foram restaurados com sucesso pela KFF, com apoio do PNUD. A organização também restaurou recifes de coral danificados e preservou cerca de 15 hectares de algas marinhas.
Os maiores riscos para a existências dos manguezais são o corte e queima de árvores, extração ilegal de madeira, e poluição. O diretor da KFF explicou que “se as ondas do mar carregarem lixo e cobrirem a parte superior da semente do mangue, isso impedirá que ela seja exposta à luz solar efetivamente matando os manguezais”.


Por isso, os esforços de conservação são a principal prioridade da organização. Para reforçar essa ideia, o caminho que os visitantes fazem ao chegar ao centro de estudos é por uma passadeira feita com plástico reciclado, convertendo o principal inimigo do mangue num suporte para a sua contemplação.
O coordenador de projetos da KFF, Elídio Ximenes, adicionou que a exploração de petróleo na costa timorense também “gera resíduos que se infiltram nos manguezais”. Para ele, a falta de regulação dessas atividades representa uma “ameaça significativa para a sobrevivência dos manguezais e dos recifes de coral”.
Envolvimento da comunidade
O representante do Suco Hera, Raul Amaral Soares, afirmou que os esforços de conservação envolvem toda a comunidade, que participa de eventos de plantio e ações de educação sobre como cuidar do lixo.
A líder comunitária Nélia dos Santos Oliveira já participou dessas atividades e declarou que “os manguezais são um bom habitat para a vida marinha e não devem ser destruídos”.
Segundo ela, uma vez que a pesca é essencial para o modo de vida das comunidades costeiras, as mulheres devem envolver-se e contribuir.
Alito Rosa ressalta que esses ecossistemas são muito valiosos para Timor-Leste porque, “quando vistos através das lentes da economia azul, desempenharão um papel significativo no futuro”.
“Na nossa organização, esse espírito motiva-nos a continuar fazendo a diferença através do nosso trabalho”, concluiu ele. Felipe de Carvalho – Timor-Leste ONU News


quinta-feira, 17 de outubro de 2024

Timor-Leste - Aldeia dá exemplo de restauração da segurança alimentar

Local abalado por escassez de água, desmatamento, erosão e deslizamentos está a recuperar a sua capacidade produtiva por meio de um novo sistema de irrigação e técnicas agroflorestais introduzidos pelo PNUD, os resultados incluem redução da subnutrição em aproximadamente 12%, beneficiando mais de 119 crianças


As terras férteis da aldeia Bahadatu em Timor-Leste sofreram um duplo impacto nas últimas décadas: a escassez de água causada pela alteração climática e os deslizamentos de terra como efeito de práticas agrícolas que assolaram a mata.

Ambos os eventos abalaram as fontes de irrigação, fazendo com que o local historicamente abundante mergulhasse na pobreza. Os campos que antes eram viçosos e verdes tornaram-se estéreis e muitas colheitas falharam. Os rendimentos das famílias diminuíram quase 40%.

Envolvimento da comunidade

A aldeia, localizada no suco (distrito) de Fatulia, ganhou uma nova vida com um projeto do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, PNUD, que aliou a reconstrução do sistema de irrigação com técnicas agroflorestais nas encostas para proteger a fonte de água dos impactos de deslizamentos.

Ao visitar o local, a ONU News percebeu que a principal razão para o sucesso desta restauração não foram os 415 metros de alvenaria do canal de irrigação nem os 1,5 mil metros quadrados de paisagem recuperada. Foi o envolvimento da comunidade que plantou novas árvores e maneja a irrigação todos os dias com as próprias mãos.

Eles contam com brilho nos olhos sobre as técnicas de plantio que aplicaram e mostram com empolgação o caminho que a água percorre quando é aberta a comporta construída para regular a irrigação dos campos de cultivo.

De acordo com o chefe do Suco Fatulia, Angelino Moisés Pereira, antigamente a comunidade só conseguia plantar arroz uma vez por ano, hoje, eles semeiam duas vezes.


Melhoria da segurança alimentar

Segundo o PNUD, houve um aumento entre 10 e 15% no rendimento das culturas, resultando num volume adicional de 300 a 450 quilos de arroz por hectare. Isso melhorou diretamente a segurança alimentar de 918 moradores e reduziu a subnutrição em aproximadamente 12%, beneficiando mais de 119 crianças.

O projeto, apoiado pelo Fundo Verde do Clima e iniciado em maio de 2023, já garantiu o plantio de 14.665 árvores, incluindo 1334 espécies frutíferas. Com isso, a comunidade irá beneficiar no futuro de uma variedade maior de alimentos.

O agricultor Américo Ximenes Pereira relatou o seu envolvimento dizendo que plantou até agora com sucesso 1,8 mil árvores polivalentes, incluindo rambutan, mogno e laranjeiras.

Disse estar otimista de que dentro de cinco anos estas árvores produzirão uma “colheita substancial”, permitindo-o “vender os frutos no mercado e, assim, melhorar a situação económica” da sua família.

Empoderamento económico das mulheres

O agricultor Câncio Pereira dos Reis, disse que com a orientação recebida da ONG Raebia, parceira do PNUD, todos aprenderam como plantar de forma eficaz para garantir a sobrevivência das árvores.

Sobre o sistema de irrigação, ressaltou que todos partilham a responsabilidade garantindo que cada campo de arroz receba a quantidade adequada de água.

A chefe da aldeia Bahadatu, Edviges da Costa Gusmão,  disse que as mulheres estão plenamente envolvidas em diversas tarefas físicas, tais como plantar árvores, cultivar campos de arroz e estabelecer viveiros de peixes e criadouros.

Segundo ela “estas atividades não só capacitam as mulheres, mas também lhes proporcionam incentivos económicos”.

Necessidade de reabilitação das estradas

No entanto, a líder da aldeia disse que o grande desafio agora é a estrada que conecta os campos com os mercados. As más condições significam que durante a estação chuvosa, não é possível transitar pelo caminho.

Edviges pediu que o PNUD e o governo continuem os esforços de reabilitação para garantir que a comunidade possa “aceder à estrada à medida que a estação das chuvas se aproxima”.

Mateus Soares Maia, representante da ONG Raebia explicou que o governo participou da inauguração deste canal de irrigação e se comprometeu a inaugurar outro em breve na região. O Ministério da Agricultura também forneceu três tratores manuais para os agricultores da aldeia Bahadatu.

O chefe do suco, Angelino Moisés Pereira, disse que até ao final deste ano, com as duas fontes a operar, será possível abastecer de água toda a comunidade do posto administrativo de Venilale.

Culinária Local

Ele comentou que um benefício positivo do envolvimento comunitário é o aumento do conhecimento entre os membros sobre técnicas eficazes de plantação. Isto fez com que um maior número de indivíduos participasse ativamente no cultivo dos campos de arroz.

Esse alimento é preparado de diversas maneiras em Timor-Leste, sendo uma das mais tradicionais a katupa, um bolinho de arroz cozido em leite de coco, temperado com açafrão, alho e sal e enrolado em uma folha de coqueiro ou bambu.

A aldeia Bahadatu, localizada em uma das muitas encostas montanhosas do país, enfrenta dificuldades de acesso, problemas de infraestrutura e pobreza. Mas nada disso diminui a força de vontade da sua gente, que sonha em melhorar de vida por meio da agricultura, nem a hospitalidade com os visitantes, que são recebidos com uma grande variedade de pratos locais como a katupa.

A intervenção do PNUD para melhorar e proteger a irrigação dos campos de cultivo e introduzir árvores frutíferas é, portanto, uma forma de alimentar os sonhos e a identidade de um dos locais mais remotos, de um dos países mais longínquo do mundo. Felipe de Carvalho – Timor-Leste ONU News




quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Guiné-Bissau - Com o apoio da ONU, o jovem Dembo Mané promove solução alternativa à insegurança alimentar

Dembo Mané integra a plataforma juvenil do PNUD e aposta na produção, secagem e venda de farinha de tilápia. A iniciativa prevê empregar centenas de jovens e abastecer o mercado de peixe fresco

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, PNUD, quer rever os termos de referência do Fórum de Auscultação Juvenil para dar espaço a novos membros e melhorar a qualidade da plataforma.

O núcleo pensante e ativo da agência congrega 22 jovens e foi criado em 2022 em resposta a uma recomendação do Escritório Regional do PNUD na sequência do Youth Connect realizado em Gana em 2021.

Papel e Oportunidades

A ONU News, em Bissau, conversou com o agro empreendedor, Dembo Mané que é um dos membros do denominado “Youth Sounding Board”.

Ele é ativo em discussões sobre o papel e as oportunidades em interações promovidas pelo PNUD e outras entidades debatendo a perspectiva do grupo no seu programa de ação.

Dembo Mané participou da 28ª Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, COP28, no Dubai e no Programa de Jovens Líderes Africanos. O ponto de viragem foi a ação de reforço de competências em agronegócio voltada para a piscicultura promovida pelo PNUD no Benim em 2022.

Ele conta que a ação alargou as suas perspetivas empreendedoras e desembocou na criação da sua empresa. Mané Nanque Piscicultura atua na produção, processamento e comercialização de tilápia, uma espécie de peixe ciclídeo de água doce.

Crise climática

Num contexto em que a acidificação dos mares, decorrente das alterações climáticas impacta a vida marinha e a Guiné-Bissau, o país costeiro tem o peixe desempenhando um papel-chave na dieta alimentar das populações. Dembo Mané diz querer ser aquele jovem que trabalha mais em soluções do que problemas.

“Vamos lançar um outro projeto de ris-piscicultura, cultivo do arroz e peixe num mesmo sítio com o objetivo de combater a insegurança alimentar porque não podemos falar da independência no nosso continente, se não combatermos a fome ou não tivermos soberania alimentar.”

O projeto, “Poder de Bentana” lançado em junho último é parte da empresa Mané Nanque Piscicultura criada em 2020 e que intervém na região de Bafatá, leste da Guiné-Bissau.

Num país em que os jovens são mais de metade da população, a visão do PNUD é identificar, formar e interconectar agentes de mudança tendo em vista um desenvolvimento positivo. Ana Djú é chefe do Mapeamento de Soluções do PNUD e ponto focal do Youth Sounding Board.

Perspectiva jovem

“Não só nos apoiam a incluir a perspectiva dos jovens no nosso trabalho, mas também são capacitados para quando saírem do Youth Sounding Board, para terem capacidade de serem profissionais e trabalhar noutras áreas."

Para o caso de empreendimentos como o de Mané, os desafios incluem maximizar a produção de pequena escala, incluir outras espécies e abastecer o mercado de peixe fresco.

A aposta a curto prazo será na educação e sensibilização sobre a importância e as vantagens da piscicultura e demostrar quão biológico é o processo de cultivo de peixe. ONU News – Nações Unidas  


sexta-feira, 15 de março de 2024

Lusofonia - Quatro países ainda atrás no Índice de Desenvolvimento Humano pré-covid

Quatro países lusófonos – Brasil, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste – não recuperaram ainda o nível de desenvolvimento humano que registavam antes da pandemia, segundo o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) divulgado


De acordo com o relatório elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que se centra no desempenho dos países entre 2022 e 2023, entre os países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), por outro lado, apenas a Guiné Equatorial e Moçambique registam progressos no IDH, independentemente de subirem ou descerem nas posições relativas dos 193 países e territórios considerados.

Portugal, por exemplo, ainda que registe progressos no IDH, passando de 0,866 pontos em 2021-2022 para os 0,874 pontos em 2022-2023, cai quatro posições no ‘ranking’, da 38.ª no índice do ano passado para a 42.ª posição este ano. Ou seja, ainda que o índice de desenvolvimento humano de Portugal tenha registado progressos, cresceu menos do que outros no grupo de países de Muito Alto Desenvolvimento Humano, que o ultrapassaram no ‘ranking’ liderado este ano pela Suíça, com 0,967 pontos.

Nos casos da Guiné Equatorial e de Moçambique, os ganhos no índice foram acompanhados por subidas no ‘ranking’, sendo o desempenho do primeiro dos dois membros da CPLP o mais rápido e expressivo de todos os países da comunidade lusófona.

A Guiné Equatorial ocupava a 145.ª posição no ‘ranking’, com 0,596 pontos, em 2021-2022 (a mesma posição no IDH de 2019, com 0,592 pontos) e subiu 12 lugares este ano, para a 133.ª posição, com 0,650 pontos.

Moçambique subiu da 185.ª posição no IDH de 2022, com 0,446 pontos, para a 183.ª com 0,461 pontos, desempenho que, ainda assim, está longe de tirar o país do grupo dos menos desenvolvidos do mundo – cujo limiar está fixado nos 0,542 pontos este ano -, mas que o coloca, pela primeira vez desde 1990, acima dos 10 últimos.

O Brasil aparece este ano na 89.ª posição do IDH, no grupo dos países com Alto Nível de Desenvolvimento, com 0,760 pontos, duas posições abaixo da registada no relatório de 2021-2022, quando o índice estava nos 0,754 pontos, e cinco abaixo da 84.ª posição, que ocupava antes da pandemia, em 2019, com 0,765 pontos. In “Ponto Final” - Macau


segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Portugal – Universidade do Porto em projeto pioneiro para melhorar alimentação em Angola

Equipa da Universidade esteve envolvida na criação da “Tabela da Composição de Alimentos do Sul de Angola”, a primeira do género a ser desenvolvida para aquele país


Foi apresentada, no passado dia 6 de dezembro, a versão preliminar da nova “Tabela da Composição de Alimentos do Sul de Angola”, a primeira tabela da composição de alimentos a ser desenvolvida naquele país africano e em cuja elaboração estiveram envolvidas docentes da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação (FCNAUP) e da Faculdade de Medicina (FMUP) da Universidade do Porto.

A “Tabela da Composição de Alimentos do Sul de Angola” foi desenvolvida no quadro do programa “FRESAN – Fortalecimento da Resiliência e da Segurança Alimentar e Nutricional em Angola”, dinamizado pela U.Porto em colaboração com o Governo de Angola, com a gestão do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., das agências locais das Nações Unidas, FAO e PNUD, e do Hospital Val D’Hebron, e com financiamento da União Europeia.

O objetivo desta parceria é contribuir para a redução da fome, da pobreza e da vulnerabilidade à insegurança alimentar e nutricional nas províncias do sul do país mais afetadas pelas alterações climáticas – o Cunene, a Huíla e o Namibe.

No caso específico da nova “Tabela”, o objetivo passa por permitir uma melhor compreensão do valor nutricional dos alimentos e das receitas locais. Trata-se, por isso, de um instrumento essencial para a intervenção nutricional e alimentar em Angola, para o desenvolvimento de intervenções e políticas públicas na área alimentar e, em particular, para combater situações de insegurança alimentar que afetam a região.


No âmbito desta parceria internacional, desenvolveu-se ainda um Pacote Pedagógico de Educação Alimentar e Nutricional que prevê a disseminação de materiais a utilizar em ações de sensibilização junto das comunidades rurais, bem como ações de formação para os profissionais de saúde e outros técnicos que intervém juntos das comunidades locais.

Liderada pelos docentes Duarte Torres, da FCNAUP, e Carla Lopes, da FMUP, a equipa técnica da U.Porto teve um papel importante na recolha de dados sobre hábitos alimentares e gastronomia local e na elaboração dos recursos educativos.

Para esse trabalho foram decisivas as visitas realizadas, entre março e  junho de 2022, pelas nutricionistas Rita Pereira Luís e Isa Viana, às províncias de Cunene, Huíla e Namibe, no sul de Angola. Nesta missão, as profissionais tiveram a oportunidade de recolher dados sobre práticas alimentares, gastronomia local e alimentos consumidos e produzidos nas três províncias, bem como de implementar diversas atividades, nomeadamente formações para profissionais de saúde das unidades sanitárias locais.

Aos representantes da Universidade coube ainda apoiar a implementação de ações de formação, nomeadamente os Grupos Temáticos de Nutrição sobre Cestas Alimentares e Demonstrações Culinárias, e a formação em nutrição para a aplicação do Questionário de Linha de Base FRESAN/Camões, I.P., dirigida aos técnicos das organizações da sociedade civil. Universidade do Porto - Portugal




quinta-feira, 8 de junho de 2023

Cabo Verde - Inauguração do projecto de requalificação e reabilitação do Forte Duque de Bragança, localizado no ilhéu da cidade de Sal Rei

Sal Rei – O primeiro-ministro considerou na Boa Vista que a intervenção na reabilitação do Forte Duque de Bragança enquadra-se na política cultural definida desde 2017 pelo Governo para restaurar, reabilitar e requalificar patrimónios históricos e religiosos do País.


Ulisses Correia e Silva falava na quarta-feira, 07, no acto de inauguração do projecto de requalificação e reabilitação do edifício histórico Forte Duque de Bragança, localizado no ilhéu da cidade de Sal Rei, construído em 1820 para proteger Boa Vista.

O chefe do Governo destacou, por isso, a importância deste tipo de intervenção, uma vez que países que deixam degradar os seus patrimónios “não valorizem a sua história e identidade”, pois, considerou, além do valor económico este tipo de património tem “um valor simbólico forte” do percurso e história da Nação e da transmissão de valores para o futuro.

“Este património tem um valor turístico importante porque é uma centralidade de visita da ilha, ao mesmo tempo agradável porque para se chegar aqui se faz uma travessia de pouco tempo no mar, o que aumenta possibilidade de haver mais visitantes, e isto terá uma devolução com valor acrescido para a população e para o território local e nacional”, frisou, reconhecendo a parceria com a Câmara Municipal da Boa Vista.

Na ocasião, o chefe do Governo felicitou o Instituto do Património Cultural (IPC) por este projecto que, a seu ver, “demonstra o trabalho meritório” que a instituição tem vindo a desenvolver com “esforço e qualidade”, que ficou também com a marca do ex-presidente do IPC, Hamilton Jair Fernandes, pela dedicação a este restauro e iniciativa de colocar este património dentro do leque dos reabilitados.

“Com estas reabilitações estamos a restaurar, a reconstituir, e a restituir a nossa história como povo independente, e não somente o património colonial como tem sido veiculado em debates”, afirmou, por seu lado, o ministro da Cultura, Abraão Vicente, que recordou outras reabilitações como a Catedral e o Pelourinho da Cidade Velha e o Forte de São Filipe.

O presidente da Câmara Municipal da Boa Vista, Cláudio Mendonça, manifestou-se satisfeito pela requalificação, visto que vai valorizar o espaço e a cidade de Sal Rei, destacando-o como um “elemento importante para resgatar e valorizar a história e a cultura” da ilha, contribuindo para “alavancar a actividade económica” da Boa Vista, que é o turismo.

“Hoje colocou-se uma gota de água para o desenvolvimento do município”, disse o autarca, garantindo que a sua equipa fará de tudo para valorizar e conservar o espaço, a começar pelo aspecto ambiental, que deve merecer a atenção não só da autarquia, como dos munícipes, entidades públicas e privadas.

A reabilitação é parte integrante do Plano Nacional de Reabilitação dos Edifícios Históricos e Estudos Religiosos, coordenado pelo Ministério da Cultura das Indústrias Criativas, através do Instituto de Património Cultural (IPC).

As obras de requalificação do Forte Duque de Bragança incluíram a conservação e restauro de sete canhões do monumento, colocados no passadiço que vai desde o Forte até o litoral, e a musealização com colocação de sinaléticas informativas à volta do ilhéu.

Além da reabilitação deste edifício histórico e património e a musealização de todo o ilhéu foram igualmente criados roteiros subaquáticos, reabilitada e requalificada a antiga Alfândega, edifício onde foi instalado o Museu de Arqueologia Subaquática, que será inaugurado hoje, projetos que complementam o núcleo de arqueologia da Boa Vista.

O projecto contou com co-financiamento da Direção Nacional do Ambiente, através do programa da Bio-Tur com o financiamento do PNUD no valor de 3508 contos, sendo o valor global do investimento de 4208 contos. In “Inforpress” – Cabo Verde


terça-feira, 6 de junho de 2023

Moçambique - Agência coreana disponibiliza cerca de 400 milhões de Meticais ao Instituto Nacional de Gestão de Desastres

O Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD) tem 6,5 milhões de dólares, o equivalente a cerca de 400 milhões de Meticais, disponibilizados por parceiros no âmbito de um acordo fechado na Cidade de Maputo. O valor destina-se a 342 mil pessoas afectadas por desastres naturais e conflitos armados.

Devido à sua localização geográfica, aliada a alterações climáticas, Moçambique tem sofrido inundações e cheias causadas por chuvas intensas, ciclones, depressões tropicais e secas. Os eventos resultam na destruição de infra-estruturas públicas e privadas, perda de vidas humanas, bem como deslocamento de pessoas.

Para ajudar a enfrentar essas situações, a Agência Coreana de Cooperação Internacional disponibilizou 6,5 milhões de dólares ao INGD.

“Testemunhamos a assinatura deste acordo de disponibilização de 6,5 milhões de dólares para melhorar as capacidades nacionais e locais para antecipar, prevenir e enfrentar riscos multidimensionais. Estamos seguros dos impactos positivos deste projecto, pois os seus objectivos estão alinhados com as prioridades de desenvolvimento estratégico de Moçambique”, esclareceu Teresa Pinto, do INGD.

São 342 mil pessoas a serem beneficiadas pelo projecto que será implementado em comunidades das províncias de Zambézia, Manica, Sofala, Nampula, Niassa e Cabo Delgado durante quatro anos.

Além de minimizar os efeitos dos desastres naturais, o projecto contempla a prevenção de conflitos armados, segundo fez saber a directora da Agência Coreana de Desenvolvimento Internacional, Jinjoo Hyum.

“O terrorismo que se regista na zona Norte de Moçambique desde 2017 e o ciclone Freddy, que assolou o país este ano, resultaram em vítimas e refugiados que, neste momento, sofrem bastante. A situação mostrou-se particularmente grave na região Centro do país.”

O dinheiro disponibilizado pelo governo coreano para o projecto será aplicado e monitorizado pelo PNUD e pelo INGD.

Algumas das medidas a serem tomadas passam por reforçar as capacidades dos comités de gestão de risco de desastres, melhorar as estratégias de resposta às calamidades, construir infra-estruturas comunitárias melhoradas e equipar e treinar comunidades em sistemas de aviso prévio e resposta antecipada. Amândio Borges – Moçambique in “O País”

 

sexta-feira, 19 de maio de 2023

Guiné-Bissau - Recebe material para apoiar calendário eleitoral do país

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, PNUD quer que a campanha eleitoral marcada para este 13 de maio na Guiné-Bissau decorra num clima de paz e serenidade. O país vai as eleições a 4 de junho para escolher 102 deputados entre 20 partidos e duas coligações. 


Inclusão

O apelo do PNUD aos atores políticos, é para que as eleições sejam justas, transparentes e não deixem ninguém para trás incluindo as mulheres, foi proferido na entrega de materiais eleitorais sensíveis às autoridades nacionais da Guiné-Bissau.

Para o representante adjunto do PNUD, José Levy, só assim os resultados permitirão consolidar a estabilidade e criar as condições para implementar as reformas necessárias e desenvolver o país. A ação é parte do compromisso de apoiar os processos democráticos como forma de promover a estabilidade, transparência e inclusão.

Cabines de voto

Os materiais incluem 4 mil cabines de voto, 10 mil canetas de tinta indelével e 70 mil selos para as urnas, orçados em cerca de US$ 1 milhão.  

“Estes materiais foram adquiridos no âmbito do Projeto de Apoio ao Ciclo Eleitoral 2023 – 2025, para o qual foi constituído um cabaz de fundos, como mecanismo de gestão de fundos dos parceiros e doadores. A resposta dos parceiros está sendo lenta, o cabaz de fundos apresenta um gap de US$ 3.000.000”.

Falta de verbas

Levy assinala a elaboração em tempo recorde do projeto para a mobilização dos recursos para este fundo que inclui um plano de trabalho e um orçamento. As promessas dos doadores tradicionais mantêm-se de pé, mas o contexto é de fraca mobilização de recursos.

Enquanto se espera pela concretização das promessas, a agência da ONU avança com os cerca de XOF 600 milhões de francos para evitar que a viabilidade da data de 4 de junho fosse comprometida. O montante foi usado na aquisição dos materiais eleitorais sensíveis. 

O PNUD reconhece o esforço do governo em financiar o recenseamento eleitoral e quer que o reconhecimento seja extensivo aos parceiros, através das contribuições ao cabaz de fundos que neste momento apresenta um gap de US$ 3 milhões.

“Contamos disponibilizar fundos para aquisição de materiais eleitorais não sensíveis, subsídios das Comissões Regionais das Eleições e logística para o seu funcionamento. Próximas atividades importantes incluirão as atividades de Educação Cívica e a verificação e validação das candidaturas pelo Supremo Tribunal de Justiça.

Calendário Eleitoral

A aquisição dos materiais é vista como decisão estratégica para garantir que o processo siga cumprindo o cronograma das atividades elaborado pela Comissão Nacional de Eleições. De recordar que a equipa técnica do PNUD para as eleições já se encontra no terreno.

Inclui o Conselheiro Técnico Principal que chefia a equipa, o especialista em Logística, que trabalha diretamente com a CNE, o especialista em Finanças, e 10 Voluntários Nacionais das Nações Unidas, que vão trabalhar nas Comissões Regionais de Eleições. 

Os doadores e parceiros tradicionais que apoiam o processo eleitoral guineense são: a União Europeia, Portugal, Brasil e Espanha. Itália, Estados Unidos, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), UEMOA e o Bloco da África Ocidental. ONU News – Nações Unidas    


sexta-feira, 14 de abril de 2023

Moçambique - PNUD disponibiliza verba para reabilitar escola destruída pelo ciclone Idai


Desde Março de 2019, cerca de nove mil alunos da Escola Secundária da Manga, localizada na cidade da Beira, província de Sofala, estão a estudar em condições deploráveis. É que o ciclone Idai, que afectou aquela região do país, destruiu parte considerável da infra-estrutura, com destaque para portas, janelas, sistema de canalização de água e a instalação eléctrica. O tecto da escola não escapou à fúria dos ventos e, sempre que há mau tempo, o processo de ensino-aprendizagem é interrompido, devido à elevada infiltração.

Aliás, numa das salas de aula, a parede desabou, mesmo assim, com todos os riscos, os alunos continuam a estudar naquela sala. “Infelizmente é a nossa sala. Quando começa a chover, somos os primeiros a abandonar a sala em toda a escola, pois as águas das chuvas escorrem pelo local onde a parede desabou e inunda a sala”, explicou Silva, aluno da 10ª classe daquela escola.

Uma boa nova chegou, esta segunda-feira, aos alunos, professores e gestores da escola. A infra-estrutura será reabilitada, uma iniciativa que estará sob responsabilidade do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). As obras arrancam ainda este ano, no âmbito da reconstrução pós-Idai.

Foram anunciados pelo representante desta organização em Moçambique, António Molpeceres, depois de visitar a escola, acompanhado pelo governador de Sofala, Lourenço Bulha, a existência de cerca de dois milhões de dólares para a reabilitação da escola, mas estudos referentes ao processo da modernização da infra-estrutura irão ditar o valor exacto.

“Pretendemos, com esta acção, melhorar a qualidade de educação na Escola Secundária da Manga, proporcionando aos alunos e aos professores melhores instalações de aprendizagem e modernizando as infra-estruturas existentes, assim como apetrechar a escola com carteiras e bibliotecas”, Garantiu Molpeceres.

Tanto o PNUD como o Gabinete de Reconstrução pós-Ciclones (GREPOC), esta última instituição representada por Zacarias Chissungo, garantiram que o passo a seguir é o levantamento exaustivo dos danos causados e necessidades para dar seguimento à empreitada, pois o nível de destruição da escola é preocupante.

O PNUD e o GREPOC acrescentaram que, de seguida, será lançado um concurso para a selecção do empreiteiro, assim como a firma que irá fazer a fiscalização.

O governador de Sofala, que liderou os contactos para o processo de reabilitação da escola, indicou, na ocasião, os passos que serão dados para não prejudicar o processo de ensino-aprendizagem.

“Conhecida a data para o arranque das obras, claro, depois dos concursos, vamos distribuir os cerca de nove mil alunos em várias escolas que existem nos arredores, por forma a garantir que o processo de ensino-aprendizagem não seja interrompido. Neste momento, os mapas já estão a ser desenhados para que cada aluno saiba com antecedência onde será afectado.”

Refira-se que o GREPOC e o PNUD têm um projecto denominado Mecanismo de Recuperação para Moçambique, que iniciou em Agosto 2019, com duração de cinco anos, abrangendo, nesta fase, as províncias de Sofala e Cabo Delgado, afectadas pelos ciclones Idai e Kenneth. Francisco Raiva – Moçambique in “O País”


 

sábado, 18 de fevereiro de 2023

Cabo Verde - Inauguração das obras de reabilitação do Forte Duque de Bragança no ilhéu de Sal-Rei prevista para Março, segundo o Instituto do Património Cultural


Sal Rei – As obras de reabilitação e conservação do Forte Duque de Bragança, no monumento natural do ilhéu de Sal-Rei, decorrem “a bom ritmo” e a sua inauguração está prevista para Março próximo, informou o Instituto do Património Cultural (IPC).

Esta constatação foi feita após a directora dos Museus, Ana Samira Baessa, ter visitado as obras da fortaleza, no ilhéu de Sal-Rei, na Boa Vista, para se inteirar dos trabalhos que se encontram na sua fase final.

De acordo com IPC, este projecto visa a reabilitação e musealização do Forte do Duque de Bragança, com foco na consolidação dos restos arquitetónicos, em sítios onde se revelem necessários, para que possa impedir ao máximo a contínua degradação que tem sido notado ao longo do tempo, minimizando danos maiores.

Este projecto é co-financiado pela Direcção Nacional do Ambiente, através do programa da Bio-Tur, com o financiamento do PNUD, em 3,5 mil contos, sendo o valor global do investimento, de 4,2 mil contos.

Para a efectivação deste projecto, cujos trabalhos deram início em Outubro de 2022, o IPC conta com a parceria da Câmara Municipal da Boa Vista. In “Inforpress” – Cabo Verde


 

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Guiné-Bissau - Digitalização pode melhorar níveis de transparência pública

O Programa da ONU aponta a inovação e empreendedorismo juvenil como boas apostas para melhorar os resultados no desenvolvimento. O êxito nas reformas e modernização do Estado requer a inclusão do género. Para o representante, qualquer crescimento económico que deixe de lado mulheres e jovens é inviável

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud e a Associação Industrial da Guiné-Bissau ultimam detalhes para a criação, este ano, de um centro de inovação para empresários e jovens empreendedores do país.

A iniciativa conjunta inclui a rede global, Impact Hub.



Fundo de garantia

O centro vai estar em Bissau e ligado às redes de empreendedorismo juvenil e entidades referentes de todo o país. Funcionará como espaço de trabalho conjunto, onde jovens do novo ecossistema de inovação possam receber formações, trocar experiências e conhecimentos.

A ideia é juntar toda a força juvenil num único lugar, que terá uma plataforma digital para retratar as suas atividades e sirva de porta de entrada e acesso a créditos.

Um fundo de garantia vai ser instituído para apoiar a atividade económica do espaço, novas iniciativas, e planos de negócio, conforme contou à ONU News o representante do Pnud, Tjark Egenhoff.

Paz e reconciliação

Tjark Egenhoff lembra que soluções inovadoras, novos métodos de paz e reconciliação e instrumentos de inclusão e serviços financeiros podem melhorar os resultados do desenvolvimento e níveis de transparência na administração pública podem ser elevados, usando instrumentos e tecnologia digital.

“Temos muitas ações na parte da digitalização da administração, incluindo até uma certa transparência do serviço público junto com as autoridades. É importante ver quais são os vetores que nos possam dar uma entrada para alcançar o que ainda não alcançámos, acho que os últimos anos não deram os frutos do desenvolvimento que a população guineense esperava”.

Poluição do ambiente plástico

A digitalização do registro civil em curso no país é uma ação alinhada a modernização do Estado, apoiado pelo Pnud que vai identificar os cidadãos e determinar a sua localização e necessidades. O projeto, Semente Verde ligado ao Impact Hub procurou uma solução empreendedora a crescente poluição do ambiente pelo plástico.

Um concurso de ideias e soluções habilitou jovens, em vias de ingressar o mercado de trabalho, a confeccionar móveis e demais artigos com sacos plásticos, transformando lixo em luxo. O Pnud espera que a oportunidade de negócios tenha impacto na vida dos jovens.

Atores de Mudança

Agência quer tornar jovens, mulheres e outros grupos vulneráveis parte fundamental da sua atenção e atuação.

“O fórum que chamamos “Youth Sounding Board” é como uma plataforma de auscultação, mas de integração da voz juvenil no nosso trabalho. Convidá-los a ser parte do Pnud, do núcleo pensante e ativo do Pnud para redirecionar e co desenhar as linhas programáticas do Pnud viradas para esta perspectiva da juventude”.  

O Programa da ONU abordou recentemente com jovens de todo o país as oportunidades e o papel desta camada no processo de desenvolvimento.

Legislação e inclusão

Quer, conforme o plano estratégico para o país, identificar, formar e interconectar atores e agentes de mudança para o desenvolvimento positivo.

A ampliação da Academia de Liderança por meio do lançamento da nova Antena da Escola Nacional de Administração insere-se nestes esforços.

Originou a criação de uma Rede de Atores de Mudança onde o governo, parceiros e a sociedade civil debatem o desenvolvimento da ação pública, reformas, legislação e inclusão. Amatijane Candé – Guiné-Bissau ONU News