Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 7 de junho de 2026

Associação Internacional dos Lusodescendentes - Avança com proposta de Dia do Lusodescendente

A Associação Internacional dos Lusodescendentes (AILD) anunciou esta sexta-feira, 5 de junho de 2026, o lançamento de uma iniciativa para instituir oficialmente o Dia do Lusodescendente. O objetivo é reconhecer a identidade própria das gerações nascidas da diáspora portuguesa em todo o mundo


Gilda Pereira, presidente da Direção da AILD, destacou a importância da iniciativa, afirmando que “os lusodescendentes são a projeção global e o futuro de Portugal no mundo”. A responsável esclareceu ainda que a designação não deve ser “dia nacional”, uma vez que seria uma contradição para uma comunidade cuja vivência é, por definição, global. “Vamos pedir estas audiências parlamentares convictos de que os deputados, em especial os eleitos pela Emigração, reconhecerão a urgência de valorizar esta imensa rede que une Portugal ao mundo”, concluiu.

A AILD declarou que vai formalizar pedidos de audiência junto da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas e dos diversos Grupos Parlamentares da Assembleia da República.

A associação sublinha que, embora o dia 10 de Junho seja já assinalado como o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, os lusodescendentes constituem uma realidade identitária distinta. “Os lusodescendentes representam uma realidade identitária distinta, marcada por vivências transnacionais, multiculturalidade e uma relação com Portugal que se renova geração após geração”, lê-se na publicação.

Segundo a AILD, a instituição deste dia assenta em três eixos fundamentais: a afirmação global da identidade transnacional de milhões de cidadãos; a continuidade da herança, através do incentivo ao ensino do português como língua de herança; e o reconhecimento dos lusodescendentes como um ativo estratégico em posições de liderança internacional nas áreas económicas, científicas e culturais.

A AILD lançou ainda um apelo à sociedade civil e ao movimento associativo, convidando todas as organizações da diáspora, instituições culturais e cidadãos interessados a juntarem-se à causa. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sexta-feira, 15 de maio de 2026

Estados Unidos da América - Luso-americanos unem gastronomia e diáspora em simpósio internacional na cidade de Newark

Dois empresários luso-americanos promovem sábado, em Newark, um simpósio gastronómico inspirado nas comunidades emigrantes que moldam o cenário culinário e cultural diversificado naquela cidade norte-americana


Denominado “Saboreie Newark”, o evento tem curadoria da Plusable, uma companhia de relações públicas fundada nos Estados Unidos pelos luso-americanos Isabelle Coelho-Marques e Carlos Ferreira, e reunirá ‘chefs’ locais e internacionais, assim como decisores políticos, para apresentar a diversidade gastronómica de Newark e o seu papel cultural na região.

“Com convidados internacionais de Portugal, Brasil, Itália, entre outros países, o evento destaca a forma como as comunidades emigrantes estão a moldar a identidade de Newark e como a gastronomia serve como um poderoso motor de crescimento económico e de narrativa global”, indicou a Plusable num comunicado enviado à agência Lusa.

Será um dia de demonstrações gastronómicas e diálogo global subordinado ao tema “A Taça Culinária: Unidos à Mesa”, a poucas semanas de Newark e outras cidades dos Estados Unidos receberem uma audiência global para o Campeonato do Mundo de Futebol.


“Desde as influências portuguesas, brasileiras e espanholas do Ironbound District até às ricas cozinhas africana, caribenha e sul-americana que se encontram em Newark, a cultura gastronómica da cidade reflete gerações de herança, resiliência e inovação”, sublinha.

O programa deste ano inclui painéis de discussão dinâmicos, como “Unir Cidades Através do Sabor” e “Receber o Mundo: Comida, Cultura e o Palco Global de Newark”.

No ano passado, o ‘chef’ português Gil Fernandes foi o convidado especial do evento. Já na edição deste ano, o destaque vai para o ‘chef’ brasileiro Nelson Soares, que fará uma demonstração culinária ao vivo.

De acordo com a organização, outro dos principais destaques da edição deste ano é um acordo formal de intercâmbio de estudantes entre Newark e Cascais, permitindo a dois estudantes da cidade norte-americana treinar durante seis semanas com o ‘chef’ Gil Fernandes no restaurante Fortaleza do Guincho, em Cascais.

“O ‘Saboreie Newark’ é um poderoso reflexo de quem somos como cidade — ousados, diversos e profundamente ligados a uma família global mais ampla”, disse o presidente da Câmara de Newark, Ras J. Baraka, citado no comunicado.

“Enquanto nos preparamos para receber o mundo para os jogos do Mundial de Futebol, este evento mostra não só os nossos sabores, mas também os nossos valores — união, oportunidade e orgulho. Reunir talentos locais e parceiros internacionais para o ‘Saboreie Newark’ fortalece a nossa economia, eleva as nossas comunidades e constrói pontes culturais duradouras que se estendem muito para além das nossas fronteiras”, acrescentou.

O programa, que é gratuito e aberto ao público, inclui ainda degustações de restaurantes locais, oferecendo aos participantes a oportunidade de experienciar em primeira mão a diversificada identidade culinária de Newark, cidade que acolhe uma das mais significativas comunidades portuguesas nos Estados Unidos.

“Acreditamos firmemente que Newark é a autêntica capital gastronómica da América e que a sua cena culinária tem o poder de impulsionar o orgulho cultural e o crescimento económico”, afirmou Isabelle Coelho-Marques, CEO da Plusable.

Em entrevista ao Bom Dia, por ocasião do evento de 2025, Isabelle Coelho-Marques e Carlos Ferreira explicaram que acreditam “que a construção de laços estratégicos entre a diáspora portuguesa e Portugal tem um potencial imenso, que ainda não está a ser explorado ao nível que poderia e deveria ser”. Os luso-americanos sentem que, em muitos casos, a diáspora portuguesa ainda é vista “como uma comunidade presa ao saudosismo de um Portugal que já não está em sintonia com o país da atualidade”.

A dupla sugere que se passe a valorizar os talentos que se destacam na diáspora e se desenvolvam estratégias sustentáveis para elevar a marca de Portugal ao nível que merece, alcançando ainda mais destaque global. “Nas nossas comunidades que residem no estrangeiro, cada vez mais emigrantes e luso-descendentes ocupam cargos de destaque nos países de acolhimento, mas, ainda assim, o coração continua em Portugal”, concluem. Leia a entrevista completa aqui. In “Bom dia Europa” Luxemburgo com “Lusa”




quinta-feira, 7 de maio de 2026

UCCLA - Busto de Luís de Camões a caminho dos Estados Unidos da América

A UCCLA vem desenvolvendo o projeto de levar o busto de Luís de Camões a várias cidades onde se fala português, no intuito de reforçar a matriz da nossa organização, assente num idioma comum a um tempo uno e diverso.


Desta feita, o busto do poeta maior foi levado para Washington D.C., nos Estados Unidos da América, e transportado pelo navio-escola Sagres a partir do Porto de Lisboa, no dia 30 de abril.

A presente iniciativa congrega não só a simbologia do nosso idioma junto das diásporas das várias cidades membros da UCCLA, mas também o facto de o Campeonato Mundial de Futebol decorrer nos Estados Unidos da América (além do México e Canadá) pretendendo, outrossim, prestar homenagem às seleções portuguesa e cabo-verdiana de futebol.

A UCCLA agradece à Marinha Portuguesa, nomeadamente ao senhor Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante Jorge Manuel Nobre de Sousa, e ao senhor Comandante do NRP SAGRES, CFR José Eduardo de Sousa Luís, a pronta disponibilidade manifestada para o transporte do busto de Luís de Camões, a cuja simbologia e significado um navio com o prestígio da Sagres muito acresceu. UCCLA


terça-feira, 28 de abril de 2026

Cabo Verde - Número de eleitores cresce 5,95% com maior expressividade na diáspora

Os dados provisórios da Direcção-Geral de Apoio ao Processo Eleitoral (DGAPE) indicam que, em comparação com as últimas eleições, o número de eleitores registados aumentou em 23.384, o que representa uma variação de 5,95%. O crescimento é mais expressivo na diáspora, onde se registou uma subida de 36,5%, passando de 52.752 eleitores em 2021 para os actuais 72.051, distribuídos por 22 países


Conforme explicou a presidente da CNE, Maria do Rosário Pereira Gonçalves, o aumento do número de eleitores na diáspora deve-se, sobretudo, à implementação de um novo sistema de recenseamento, que permite aos cidadãos cabo-verdianos residentes no exterior inscreverem-se no recenseamento eleitoral quando recorrem aos serviços consulares para emissão ou renovação do passaporte.

No total, encontram-se inscritos para estas eleições 416.335 eleitores, dos quais 344.284 no território nacional e 72.051 na diáspora.

Ainda no que se refere à diáspora, verificou-se um crescimento significativo no número de mesas de voto, que passaram de 236, em 2021, para 284 nas presentes eleições. A nível do território nacional, foram constituídas 1058 mesas de votação.

No que se refere às candidaturas, a CNE recebeu dos tribunais um total de 48 listas apresentadas por cinco partidos políticos. O Movimento para a Democracia (MpD) e o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) lideram, com 13 candidaturas cada, sendo os únicos a concorrer em todos os círculos eleitorais.

O Partido Popular (PP) e o Pessoas, Trabalho e Solidariedade (PTS) apresentaram seis candidaturas cada. O PP concorre nos círculos de Santiago Sul, Santiago Norte, Boa Vista e na diáspora (África, América e Resto do Mundo), enquanto o PTS apresenta listas em Santiago Sul, Santiago Norte, São Vicente e também nos círculos da diáspora.

Já a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) submeteu 10 candidaturas, ficando de fora dos círculos da Brava, Maio e Boa Vista.

Das 48 listas admitidas, que representam um total de 556 candidatos, 300 são efectivos e 256 suplentes.

Em termos de distribuição por sexo, 294 candidatos (52,88%) são do sexo masculino e 262 (47,12%) do sexo feminino. A CNE destacou que todas as listas cumprem a Lei da Paridade, não se registando qualquer candidatura com representação inferior a 40% de um dos sexos.

Questionada sobre a avaliação do período pré-eleitoral, a presidente da CNE considerou que se tratou de uma fase “bastante competitiva”, marcada por elevada atenção por parte das candidaturas e dos partidos proponentes às eleições legislativas.

A presidente da CNE revelou ainda que foram registadas várias queixas durante a pré-campanha, sobretudo relacionadas com alegadas violações do dever de neutralidade e imparcialidade da administração pública.

“O que nós podemos dizer é que, sim, houve bastante discussão em torno desta questão, que já é recorrente. O respeito pelo princípio da neutralidade e da imparcialidade continua a merecer centralidade na fase da pré-campanha eleitoral em Cabo Verde”, concluiu a presidente da CNE.

A conferência de imprensa culminou com a entrega dos fac-símiles às candidaturas às eleições, na presença dos membros da CNE. Anilza Rocha – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”


sábado, 7 de março de 2026

Cabo Verde - Sobe a pensão solidária para os idosos em São Tomé e Príncipe e vai abrir escolas no interior do país

Vanuza Francisca Barbosa, secretária de Estado das Comunidades visitou São Tomé e Príncipe, e apresentou ao primeiro-ministro Américo Ramos as novas acções de carácter social com impacto económico, a serem implementadas no quadro da cooperação bilateral.


O conceito de escola cabo-verdiana vai ser implementado nas regiões mais isoladas do país. Trata-se de um projecto piloto que Cabo Verde pretende disseminar noutros países africanos que albergam a comunidade cabo-verdiana.

Professores cabo-verdianos estarão envolvidos na implementação do conceito de escola cabo-verdiana nas regiões mais isoladas da ilha de São Tomé e na ilha do Príncipe.

«Vamos trazer para aqui, o conceito de escola cabo-verdiana para a sua implementação nas comunidades com menor acesso ao ensino, e pretendemos ter São Tomé e Príncipe como o projecto piloto», declarou Vanuza Francisca Barbosa.

O Ministério da Educação de Cabo Verde já aceitou o desafio e o conselho de ministros cabo-verdiano vai agir. «Este projecto já está a ser avaliado no conselho de ministros, e a breve trecho teremos novidades na implementação», assegurou.

A educação é estruturante para o desenvolvimento de qualquer sociedade, ao mesmo tempo, Cabo Verde que há vários anos apoia a formação dos jovens são-tomenses continua a conceder bolsas de estudo para a juventude são-tomense, tanto para a formação universitária como para a formação profissional.

«Cabo Verde dá 20 bolsas de estudo para os estudantes são-tomenses. Também há bolsas de estudo para o ensino superior em Marrocos. Também atribuímos bolsas de estudo para formação profissional em Cabo Verde, e continuamos a fazer essa cooperação», confirmou a secretária de Estado das comunidades.

A cultura, é um laço que há séculos une os dois países. Segundo Vanuza Francisca Barbosa, o primeiro-ministro Américo Ramos prometeu contribuir para acelerar a instalação do primeiro centro cultural de Cabo Verde em São Tomé e Príncipe.

«O senhor primeiro-ministro acabou de reafirmar o seu compromisso para acelerar o projecto. Temos um espaço para ser reabilitado e implementar o centro cultural cabo-verdiano. Será um ponto de contacto e de partilha de cultura. O objectivo é que o centro tenha múltiplas valências, e certamente que a comunidade cabo-verdiana e outras radicadas aqui em São Tomé terão assim uma mais-valia», explicou.

As autoridades cabo-verdianas estimam em cerca de 10 mil, os cabo-verdianos residentes em São Tomé e Príncipe. Uma comunidade que gerou milhares de descendentes. Para a secretária de Estado das comunidades de Cabo Verde juntando os são-tomenses de ascendência cabo-verdiana pode atingir cerca de 70 mil pessoas, num país de 200 mil habitantes.

A maioria dos idosos que trabalharam nas roças de cacau e café, não beneficia de uma pensão de reforma. O Governo cabo-verdiano avançou com uma pensão solidária que inicialmente era de 20 euros, depois subiu para 40, e mais tarde para 60.

A pensão solidária é um compromisso assumido pelo Estado cabo-verdiano com a sua diáspora em África. São mais de 3 mil idosos. São Tomé e Príncipe alberga a maioria dos pensionistas na diáspora africana, 1033 pessoas.

O executivo cabo-verdiano inscreveu no orçamento geral do Estado para 2026, mais um aumento do valor da pensão atribuída aos idosos em São Tomé e Príncipe. Agora são 70 euros.

«Aqui em São Tomé temos mais de 1000 pensionistas. Neste momento com a aprovação do orçamento geral do Estado para 2026, esse valor passa para 70 euros. É o mesmo valor que pagamos para os pensionistas do regime não contributivo em Cabo Verde. É a nossa contribuição para a melhoria das condições de vida da nossa comunidade aqui em São Tomé e Príncipe», destacou.

No entanto o fomento do turismo e das trocas comercias entre os dois países é condicionado pela falta da ligação aérea e marítima. A companhia aérea angolana que assegurava a ligação entre os dois arquipélagos acabou por suspender os voos.

«Foi o assunto abordado à instantes com o primeiro-ministro. Há negociações em curso entre Cabo Verde e Angola. Estamos em negociações para que se define a melhor rota que traga benefícios, tanto para Angola, Cabo Verde como para São Tomé, para todos nós que precisamos desta ligação aérea para trocas comerciais», concluiu Vanuza Francisca Barbosa.

Ligados por história, cultura e consanguinidade, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe reforçam as relações de cooperação e de solidariedade. Abel Veiga – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”


sábado, 14 de fevereiro de 2026

Portugal - Defendida maior ligação entre Casa de Macau e Casa de Goa

Decorreu ontem em Lisboa a conferência “Casa de Goa e Casa de Macau: agentes fundamentais de um diálogo indispensável”, que analisou o papel de ligação que as entidades podem ter na diáspora goesa e macaense. Carlos Piteira, presidente da Casa de Macau, destaca a importância de criar pontes com a Casa de Goa pelo “paralelo de representatividade de luso-descendentes”


Que papel podem ter a Casa de Macau e a Casa de Goa, em Lisboa, tendo em conta o desfilar do tempo e os desenvolvimentos trazidos pelas novas gerações das comunidades macaense e goesa? É certo que Macau e Goa há muito deixaram de fazer parte do antigo império português, mas os laços socioculturais permanecem. A pensar nisso, decorreu ontem, na Sociedade de Geografia de Lisboa, a palestra “Casa de Goa e Casa de Macau: agentes fundamentais de um diálogo indispensável”, que procurou traçar respostas para os desafios do futuro.

Ao HM, Carlos Piteira, presidente da Casa de Macau em Lisboa, declarou que “seria interessante que as pontes entre a Casa de Macau e a Casa de Goa pudessem também ser equacionadas num paralelo da sua representatividade dos luso-descendentes e das culturas mestiçadas”, tendo em conta que as duas entidades “são pilares fundamentais para a representatividade dessas comunidades”.

O responsável, ele próprio macaense, destaca “as similitudes da sua gastronomia, crioulo e festividades” entre as duas comunidades. Seria, assim, “interessante aliar as pequenas representações dos gigantes do mundo asiático, representadas pela simbologia do Dragão e do Elefante, como elementos estruturantes para um diálogo entre Portugal e a Ásia, queiram as vontades políticas e institucionais”.

Na visão de Carlos Piteira, as duas casas “reforçam a herança legitimada do diálogo entre o Ocidente e o Oriente, e as relações seculares de Portugal com estes países, muitas vezes ignorada e esquecida pelos poderes oficiais e institucionais”.

Já Pedro Colaço, da direcção da Casa de Goa, destaca a importância de preservar a memória da presença portuguesa tanto em Goa como nos restantes territórios de Damão e Diu. “Foram 450 anos de história, no caso de Macau foram mais umas décadas, e procuramos acompanhar a actual cultura goesa. Uma das partes mais importantes do nosso trabalho é fazer uma ponte entre Goa e Lisboa, e diariamente contactamos com artistas, músicos e membros da comunidade, é esse o nosso papel”, descreveu ao HM. Pedro Colaço deu o exemplo do concerto que vai decorrer a 8 de Março na Fundação Oriente, em Lisboa, intitulado “Oscar Castellino – Voz de Ópera de Goa e Piano com Rodrigo Ayala”.

De resto, a Casa de Goa, actualmente sem sede própria, procura, tal como a Casa de Macau, atrair novos sócios, sobretudo das novas gerações, a fim de dar continuidade ao projecto, para que a Casa se mantenha “como um polo de união dos goeses e, cada vez mais, dos amigos de Goa”.

Acompanhar a história

A Casa de Macau foi fundada em Lisboa em 1966 e tem acompanhado diversas fases não só da história de Portugal como do relacionamento do país com Macau e a China.

“A existência da Casa de Macau marca, sem dúvida, um paralelo com a própria história de Portugal por mais de 70 anos. Macau foi a ‘pérola do Oriente’ para o Estado Novo e viveu as turbulências do período revolucionário de Abril 1974, adaptando-se e consagrando-se como a ‘ponte entre o Ocidente e Oriente'”. Por fim, depois da transição para a República Popular da China, tem-se assistido à reorganização [de Macau] como território central na ligação, a partir da China, com os países da língua portuguesa.”

Carlos Piteira descreveu ainda que a Casa de Macau tem acompanhado “a história dos tempos, alargando a visão da presença portuguesa neste território”. Além disso, teve uma tarefa “não menos importante”, por ter “cristalizado, protegido e perpetuado a comunidade macaense em Portugal e no mundo”.

Actualmente, a Casa de Macau tem desenvolvido diversas actividades que levam mais sócios à Avenida Gago Coutinho, onde está situada, e cujo edifício foi recentemente alvo de obras de restauro. Todas as quartas-feiras há almoços de comida macaense com a Chef Tina, natural de Macau, decorrendo também sessões de cinema e palestras.

A missão da Casa é, actualmente, “realizar actividades de divulgação de Macau e da cultura macaense”, dando-se “apoio e dinamização de estudos e trabalhos de teor científico sobre Macau, macaenses” e fazendo-se também a “interligação institucional com as demais entidades ligadas a Macau, Portugal e Casas de Macau na diáspora”.

Quem é de Goa e quem não é

Pedro Colaço explicou que a comunidade goesa em Lisboa “tem mais facilidade em falar com a restante diáspora indiana” em Portugal, tendo em conta que, por exemplo, “a ligação é muito antiga” com a comunidade hindu.

“Temos pena que às vezes não se fale mais [da comunidade], ao nível dos meios de comunicação, porque é uma parte importante da história portuguesa”, lamenta o responsável, lembrando figuras bem destacadas no país, como António Costa, que foi primeiro-ministro português, ou Narana Coissoró, antigo presidente da Casa de Goa e ex-deputado do CDS-PP. “Há figuras mais notórias, mas no geral a comunidade goesa inseriu-se muito bem e é conhecida por ser uma comunidade bastante instruída”, lembrou ainda, lamentando que em Portugal não se consiga fazer uma distinção entre comunidades de origem indiana.

“Uma coisa que é preocupante é o desconhecimento que existe em relação às comunidades. Hoje em dia há uma grande pressão devido à imigração e depois mistura-se tudo”, destaca Pedro Colaço, lembrando que há um sentimento forte em ser-se goês, nomeadamente na ligação ao catolicismo e a uma cultura muito própria por oposição a comunidades do Indostão que, actualmente, estão muito presentes em Portugal.

“A comunidade goesa é tão miscigenada que metade da minha família, ou mais, não aparenta ser goesa, mas eu, por acaso, aparento. Há um sentimento de ser goês, algo que nos une. As outras comunidades da diáspora indiana são, muitas vezes, confessionais, têm uma religião associada, enquanto a comunidade goesa é, na sua maioria, católica, mas cada um vai à sua igreja, está muito espalhada”, apontou.

O futuro é um desafio

Pedro Colaço fala num “futuro desafiante” para a Casa de Goa. “Estou agora no segundo mandato, a direcção mudou de presidente, e uma das coisas que se tem tentado fazer é trazer jovens para os órgãos sociais. Agora temos três ou quatro membros mais novos, abaixo dos 40 anos. Também temos tentado alargar a Casa a não goeses.”

Neste ponto, há semelhanças com a Casa de Macau, que também tem procurado alargar o leque de sócios a chineses ou portugueses que não pertençam à comunidade. Pedro Colaço adianta que, com o passar dos anos, as coisas mudaram.

“Há 30 anos a comunidade era muito grande, mas neste momento, e tal como todas as instituições, temos de nos alargar. Há muitas pessoas que gostam muito de Goa e que sabem muito do território, talvez até mais do que eu, e são esses que têm de ser puxados”, assumiu.

Actualmente, a Casa de Goa tem 500 associados e, mesmo sem sede, procura fazer actividades, nomeadamente em parceria com a Fundação Oriente. É publicado um boletim mensal. Deixaram de ter sede devido às obras do metro em Lisboa, o que tem dificultado a agenda da Casa.

“Estamos no processo de arranjar uma nova sede, e é algo que tem constituído um constrangimento, mas procuramos fazer o máximo de actividades possível e, mensalmente, temos sempre actividades”, rematou Pedro Colaço. Andreia Silva – Portugal in “Hoje Macau”


segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Moçambique – Daniel Chapo reforça visão da independência económica em diálogo com moçambicanos em Portugal

O Presidente da República, Daniel Chapo, reuniu-se na cidade do Porto, com a comunidade moçambicana residente em Portugal, num encontro marcado pelo apelo ao reforço das ligações entre a diáspora e o país, pela partilha da situação política e económica nacional e pela valorização do papel da comunidade no processo de diálogo inclusivo que Moçambique está a conduzir.


Durante a sessão, enquadrada na visita de trabalho que efectua a Portugal para participar na VI Cimeira Bilateral Portugal–Moçambique, o Chefe do Estado explicou o contexto da sua deslocação, sublinhando a importância do reforço das relações de amizade, cooperação, irmandade e familiaridade entre os dois países. O Presidente da República agradeceu a participação activa da diáspora nos processos sociais, económicos e políticos que ligam Moçambique a Portugal.

Ademais, manifestou satisfação por estar junto dos compatriotas residentes no país europeu, afirmando tratar-se de uma oportunidade essencial de contacto directo e diálogo. Partilhou informações sobre a situação política, económica e social do país, destacando o Diálogo Nacional Inclusivo em curso, cuja finalidade é consolidar a paz e a estabilidade com a participação de todos os estratos sociais, sem discriminação de qualquer natureza.

Ao reforçar a natureza ampla deste processo, o governante afirmou que “neste momento, este diálogo está a acontecer, não só ao nível do país, mas também na diáspora, e nós achamos que todos nós precisamos de participar”. Por isso, apelou à comunidade moçambicana em Portugal para contribuir com ideias e propostas que enriqueçam as discussões nacionais.

O Chefe do Estado apresentou igualmente a visão do Governo para o actual ciclo, assente no lançamento dos alicerces da independência económica, destacando que Moçambique dispõe de condições favoráveis em áreas como turismo, transportes, logística, corredores de desenvolvimento, recursos minerais, agricultura, energia e indústria.  “Precisamos todos estar unidos e trabalhar para que esta diversificação da nossa economia possa acontecer”, afirmou.

O estadista saudou o contributo contínuo da comunidade moçambicana para a boa imagem do país em Portugal, reconhecendo que representam de forma exemplar a diáspora nos mais diversos planos, incluindo o cultural.

Sublinhou que Moçambique tem beneficiado das contribuições vindas dos seus cidadãos no exterior, em particular de Portugal. “Vamos continuar a trabalhar juntos para encontrar soluções às preocupações que aqui foram apresentadas, que são todas legítimas, registámos e vamos continuar a trabalhar para melhorar”, garantiu.

O Presidente da República anunciou ainda medidas concretas para responder a algumas das preocupações levantadas, assegurando que equipas móveis serão enviadas a Portugal para facilitar o tratamento de documentos, e que o Governo está a mobilizar recursos para que estas brigadas permaneçam por mais tempo no país e noutros destinos com forte presença da diáspora.

Outrossim, informou também sobre as reformas em curso na Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), anunciando a intenção de retomar voos de Moçambique para Portugal, bem como para o Brasil e a Índia. “Já está na manga a retoma dos voos para Portugal”, disse, defendendo que essa retoma contribuirá para estabilizar os preços das passagens.

Em nome da comunidade, os representantes consideraram a visita do Presidente Chapo “uma honra”, sublinhando que há muitos anos um Chefe do Estado moçambicano não visitava a cidade do Porto, facto que descrevem como um “abraço do país”.

Recordaram que a diáspora é composta por cerca de 13.700 moçambicanos entre estudantes, profissionais, empreendedores, atletas e famílias. Reconheceram desafios relacionados com adaptação cultural, acesso a oportunidades e burocracia, mas afirmaram enfrentá-los com coragem, acrescentando que aspiram a contribuir activamente para as soluções do país.

A comunidade pediu mais bolsas de estudo, maior atenção dos ministérios às dinâmicas da diáspora, a criação de um espaço físico para actividades culturais e reafirmou a disponibilidade para reforçar o desenvolvimento de Moçambique. In “O País” - Moçambique


sábado, 29 de novembro de 2025

Canadá - Angolanos celebram o 50.º aniversário da Independência Nacional em Toronto

A comunidade angolana celebrou, em Toronto, a tradicional Gala da Dipanda, que este ano assinalou o 50.º aniversário da independência de Angola. A iniciativa, promovida pela Comunidade Angolana de Ontário (ACO, na sigla em inglês), comemorou também os 35 anos da criação da associação, reunindo membros da diáspora, representantes do corpo diplomático angolano acreditado no Canadá e outros convidados. O evento decorreu num ambiente de confraternização, animado pela música, dança e gastronomia típica de Angola


Na abertura do evento, a presidente da ACO, Joyce Santos, destacou a emoção da dupla celebração: “O meu coração está cheio de felicidade. Estamos a celebrar 50 anos de independência e 35 anos da criação desta organização comunitária angolana em Ontário. Ver o nosso povo e os amigos de Angola reunidos com o mesmo propósito, a celebrar uma etapa tão importante, é motivo de grande alegria.”

Joyce Santos elogiou ainda o crescimento da participação comunitária e deixou votos de continuidade: “Quero felicitar a comunidade angolana por tudo o que alcançou até aqui, pelo crescimento e pela união. Desejo prosperidade e que continuemos a atingir novos patamares, que nos permitam chegar a outras comunidades e sermos reconhecidos no Canadá como uma comunidade forte, integrada e vibrante.”

O vice-presidente da ACO, Anael Sambo, reforçou a importância da união e do trabalho conjunto, salientando que estes encontros promovem o papel da comunidade angolana no Canadá e a integração das novas gerações.

Ao longo da noite, participantes e convidados partilharam mensagens de orgulho, lembrando a história e os sacrifícios que permitiram a conquista da independência. Para Nai Webba, foi um momento de profunda celebração: “Todo o angolano devia sentir orgulho neste dia. Foram muitas batalhas e sacrifícios para chegarmos aqui. Celebrarmos esta história tão bonita e custosa para o nosso povo, mesmo fora de Angola, enche-nos de orgulho.”

Os irmãos Oakley e Kayan Newman destacaram a importância de marcar presença e felicitaram a comunidade, realçando a beleza de Angola e das suas gentes, e o significado especial dos 50 anos de independência.

Com a participação e colaboração de membros da comunidade, do corpo diplomático angolano e de amigos de Angola, as comemorações do cinquentenário prolongaram-se ao longo de novembro, com várias iniciativas simbólicas e oficiais. Entre elas, destacaram-se as cerimónias de hasteamento da bandeira de Angola na Assembleia Legislativa de Ontário, na Câmara Municipal de Toronto e, pela primeira vez, na Câmara Municipal de Hamilton, assim como a festa comemorativa organizada pelo Kandando Toronto.

O programa deste ano incluiu também ações de plantação de árvores e um culto religioso na Igreja Admito, dedicado à oração e à reflexão sobre as cinco décadas de independência.

Graças a estas iniciativas, novembro reafirma-se como o principal mês de celebração para a comunidade angolana no Canadá, fortalecendo os laços culturais e identitários e consolidando a presença angolana no mosaico multicultural canadiano, transformando este período no verdadeiro mês da herança cultural angolana no país. In “Milénio Stadium” - Canadá


segunda-feira, 7 de julho de 2025

Cabo Verde - Quer “mais e melhor” investimento chinês

O ministro da Administração Interna de Cabo Verde disse à Lusa que Cabo Verde quer atrair investimento da China, que descreveu como “um dos principais parceiros” no desenvolvimento do país desde a independência. “Neste momento, já temos uma comunidade chinesa em Cabo Verde, essencialmente de pequenos e médios empresários”, afirmou Paulo Rocha.


O ministro disse que o próximo alvo é “atrair mais e melhor investimento [chinês] em diferentes sectores”, para diversificar a economia, muito dependente do turismo. O mar é uma prioridade e o Governo “procura parcerias” para implementar a Zona Económica Especial Marítima de São Vicente, cujo estudo foi feito com o apoio da China, recordou Rocha, durante uma passagem por Macau.

Também em Macau, em Março, o presidente da agência cabo-verdiana para o investimento externo, José Almada Dias, desafiou a empresa estatal chinesa Shaanxi Construction a aproveitar os 20 mil hectares que o país colocou ao serviço do turismo.

Paulo Rocha disse que seria “perfeitamente realista” Cabo Verde querer atrair turistas da China e de outros países asiáticos, sublinhando a presença forte de visitantes chineses na Europa e “ainda mais longe”. “Continuamos a fomentar investimentos neste domínio, crescem o número de hotéis em construção, o número de resorts, particularmente nas duas ilhas mais turísticas, do Sal e da Boavista”, disse.

Rocha defendeu que a China é, “sem dúvida, um parceiro confiável” de Cabo Verde e que tem sido “essencial no processo de desenvolvimento em diferentes setores” ao longo dos 50 anos de independência.

Cabo Verde beneficiou de múltiplos perdões de dívida por parte da China – nomeadamente cerca de 1,18 milhões de euros em 2007 e mais 1,39 milhões em 2016. Nas últimas décadas, a China consolidou a sua presença em Cabo Verde através de investimentos em obras públicas, incluindo o Estádio Nacional e a nova sede da Assembleia Nacional.

“Já nos próximos meses, iremos inaugurar uma importante maternidade na ilha de São Vicente, feita com o apoio do Governo da China, estruturante para toda a região do Barlavento”, realçou o ministro.

A cooperação estende-se à área da educação, com mais de uma dezena de bolsas atribuídas anualmente pelo Governo chinês. Desde 2010, centenas de estudantes cabo-verdianos frequentaram instituições de ensino superior na China. Alguns acabaram por ficar por terras chinesas, incluindo em Macau, e tornaram-se “verdadeiros diplomatas do (…) país, além daquilo que é a diplomacia oficial”, elogiou.

A diáspora cabo-verdiana é uma enorme reserva “em termos de capital humano” e que “contribui muito mais do que com as remessas, [ao] investir no sector produtivo do país”, acrescentou.

Paulo Rocha disse também que o país está a negociar com a China o financiamento do alargamento do sistema de videovigilância Cidade Segura a mais três cidades: Porto Novo, na ilha de Santo Antão, e Assomada e Tarrafal, na ilha de Santiago.

Fórum continuará a fomentar intercâmbio

Paulo Rocha foi um dos presentes na “Palestra alusiva ao 50º Aniversário da Independência Nacional de Cabo Verde”, co-organizada pela Embaixada de Cabo Verde na China e pelo Secretariado Permanente do Fórum de Macau. Subordinada ao tema “Cabo Verde: 50 Anos de Conquistas e Desafios – Papel de Diáspora e a Experiência de Macau”, contou com a participação de diversas personalidades.

O secretário-geral do Fórum de Macau, Ji Xianzheng, disse que o organismo continuará “a tirar o melhor proveito do papel de Macau enquanto plataforma sino-lusófona, contribuindo para fomentar o intercâmbio e a cooperação em diferentes domínios entre a China e Cabo Verde”.

Por sua vez, o embaixador de Cabo Verde na China, Arlindo Nascimento do Rosário, afirmou que o momento “não significa apenas uma data histórica para o seu país, mas também uma oportunidade para Cabo Verde mostrar ao mundo a força de uma nação que, apesar das dificuldades, persevera, reinventa-se e prospera”. “O Governo de Cabo Verde valoriza a relação com a China, especialmente com a RAEM, e a nossa diáspora. Macau ocupa um lugar especial no coração do povo cabo-verdiano, a diáspora cabo-verdiana em Macau e as suas associações não só fortalecem os laços de amizade entre os povos, como também promovem a integração social e económica da comunidade cabo-verdiana na RAEM”, prosseguiu.

Já Helena de Senna Fernandes, directora dos Serviços de Turismo, que esteve em representação do Secretário para a Economia e Finanças, referiu que “Macau e Cabo Verde são territórios aliados, desde sempre, por laços históricos, prosseguindo unidos pela vontade de se aliarem para trabalhar em prol da criação de mais e diversas oportunidades de desenvolvimento para as suas gentes e economias”.

O ministro Paulo Rocha, por seu turno, manifestou “gratidão” ao Governo da RAEM pelo “contributo valioso” que tem dado na aproximação entre a China e os países lusófonos, designadamente por via dos mecanismos do Fórum de Macau. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 4 de julho de 2025

Cabo Verde - Lança inquérito para conhecer diáspora no mundo

Cabo Verde lançou nesta quinta-feira o inquérito principal do Mapeamento da Diáspora no Mundo com o qual pretende conhecer os emigrantes, em dezenas de países, a partir de informações estatísticas, anunciou o Governo.

“Durante os próximos 90 dias, em mais de 42 países, nos cinco continentes, o Governo de Cabo Verde vai estar presente — física e digitalmente — junto de cada cabo-verdiano, da primeira à quarta geração”, para fazer várias perguntas, referiu o ministro da Saúde, Jorge Figueiredo, em representação do Governo, durante uma cerimónia de lançamento da operação, em Luanda, capital angolana.

Angola foi escolhida para o evento por ser o país africano com maior presença da emigração cabo-verdiana e Jorge Figueiredo já foi embaixador do arquipélago no país.

Estados Unidos, Portugal, Holanda, Luxemburgo e França são outros dos países com maiores comunidades no exterior.

A partir das respostas ao inquérito, o Governo promete “políticas públicas mais justas, eficazes e inclusivas, que elevem o nível do diálogo bilateral com os países de acolhimento, valorizem os dividendos da presença migrante — económicos, sociais, culturais, humanos — e integrem plenamente a diáspora no esforço coletivo de desenvolvimento de Cabo Verde”.

É a primeira vez que Cabo Verde realiza “uma operação estatística global, profunda e sistemática” desta natureza, “fora do território nacional”, apontou.

O Governo cabo-verdiano aprovou, em junho de 2023, o início do processo, com apoios do Banco Mundial e da Organização Internacional das Migrações (OIM).

Ao INE foi atribuído o papel de executar o projeto, prevendo-se a conclusão da operação em 2026.

As remessas dos emigrantes para Cabo Verde atingiram um recorde de 30,6 mil milhões de escudos (278 milhões de euros) em 2024, estimando-se que vivam fora do país 1,5 milhões de cabo-verdianos e descendentes, cerca do triplo da população residente no arquipélago, que ronda os 500 mil habitantes. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


sábado, 14 de junho de 2025

Angola - Diáspora está a aumentar

São cada vez mais os angolanos que vivem em Portugal, "desembarcam" dezenas todos os dias, penso mesmo que este fenómeno é maior do que aquele que se viveu nos anos oitenta e noventa por causa da guerra, e chegam com histórias muito diversas e com motivações muito diferentes


Esta semana na Feira do Livro de Lisboa tive a oportunidade de confirmar como a comunidade angolana naquele País olha para o Expansão e para o Novo Jornal com um enorme carinho, respeito, orgulho e, fundamentalmente, como um raio de jornalismo independente e de verdade. A forma como nos abordam, a força que nos dão, apesar de estarem fora porque não conseguiram o seu espaço no País, pressionando-nos a não desistir, deixou-me impressionado.

São cada vez mais os angolanos que vivem em Portugal, "desembarcam" dezenas todos os dias, penso mesmo que este fenómeno é maior do que aquele que se viveu nos anos oitenta e noventa por causa da guerra, e chegam com histórias muito diversas e com motivações muito diferentes. Os da classe alta, familiares e conhecidos dos dirigentes partidários, dos governantes, dos altos quadros das instituições públicas, estão aqui porque têm dinheiro. Vivem orgulhosamente rodeados de conforto em Lisboa, no Porto ou em Cascais, e não pensam em voltar. Dizem-se patriotas, filhos da pátria, mas optam por desfrutar das benesses que Angola deu a meia dúzia dos seus filhos, longe, à distância de sete horas de avião, que utilizam no máximo, duas vezes por ano. Depois os da classe média, muitos deles técnicos superiores e profissionais respeitados nas suas áreas. Vieram porque querem uma melhor educação para os seus filhos, porque querem um acesso mais facilitado à saúde, porque querem uma vida mais tranquila e mais digna. Muitos deles fizeram-se à estrada porque estão desiludidos com o País, com a forma como são tratados nos empregos - a maior parte eram funcionários públicos - fartos de verem os colegas incompetentes, incapazes, a subirem na hierarquia das organizações à boleia do cartão do partido ou da protecção de um "iluminado".

Existem também os que aqui estão porque acabaram por ser perseguidos nos empregos e na sociedade por algumas opiniões que deram, e tiveram de sair porque a pressão se tornou insuportável. Há outros, menos, claro, que aqui estão e não podem voltar tão cedo. Puseram a "mão na massa" e fugiram. Alguns não têm processos judiciais a correr em Angola, mas não arriscam voltar. Têm o suficiente para ter uma vida digna, estão empenhados em conseguir a nacionalidade portuguesa, e alguns já vivem do rendimento mínimo.

Deixo para o fim os com menos posses. Os que juntaram durante anos o dinheiro necessário para o passaporte, o visto e a viagem. São milhares, digo-vos eu. Muitos deles sem condições, mas também já era assim que viviam em Luanda, dispostos a fazer qualquer coisa para garantirem a sua subsistência, com o apoio de um familiar que já cá está há mais tempo.

São histórias que mexem com a nossa estrutura, cidadãos que não têm formação, explorados nos empregos agrícolas, de construção ou de hotelaria, entregues a si próprios porque, como nos contam, ninguém quer saber deles. Em todos estes extractos há uma característica comum: não querem voltar a Angola. Estão zangados ou fartos. E parece que o regime não está preocupado com isso. Tenho muito pena que assim seja. João Armando – Angola in “Expansão”


sábado, 17 de maio de 2025

A língua portuguesa “projeta uma certa forma de estar no mundo”

Uma língua é um instrumento de projeção de valores e de uma visão que é muito própria de uma cultura.” Florbela Paraíba, Presidente do Camões Instituto da Cooperação e da Língua



O Dia Mundial da Língua Portuguesa, comemorado a 05 de maio pela Unesco, é mais do que uma celebração simbólica para a presidente Camões - Instituto da Cooperação e da Língua. “É um motivo para fazermos uma reflexão sobre a nossa língua e o papel que a nossa língua tem no mundo”.

Em entrevista à ONU News, a embaixadora Florbela Paraíba destacou a importância da língua portuguesa como veículo de comunicação, cultura, conhecimento e aproximação entre povos. Ela mencionou a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP, as diásporas espalhadas pelo mundo assim como alunos do idioma.

Rede de ensino do português

O Instituto Camões tem vindo a consolidar uma rede global de ensino da língua, com 63 cátedras e 86 centros de língua portuguesa em diversos países. A entidade tem mais de 300 protocolos de cooperação e múltiplas parcerias com escolas comunitárias e instituições locais.

“É toda esta rede que promove não só o ensino da língua portuguesa, como a projeção da cultura de matriz portuguesa em todo o mundo”, afirmou a partir da sede do instituto em Lisboa.

A embaixadora realça ainda a importância da adaptação ao mundo digital e aos desafios da inteligência artificial. “Temos que ser protagonistas nesta revolução e não ficarmos reduzidos ao papel de utilizadores.”

Língua como identidade

Florbela Paraíba sublinha ainda o papel da língua como expressão de identidade e valores, sendo mais do que um código de comunicação. “Uma língua é um instrumento de projeção de valores e de uma visão que é muito própria de uma cultura.”

Sobre a ambição de elevar o português à língua oficial das Nações Unidas, ela considera que se trata de um caminho estratégico e coletivo. “Essa é uma pretensão assumida desde logo pelo governo português e é também uma pretensão que tem sido muito trabalhada no âmbito da CPLP e com outros parceiros. É um objetivo comum.”

500 milhões de falantes até 2100

A presidente do Instituto Camões reforça que o português já tem hoje estatuto de língua oficial em várias organizações internacionais, como a União Africana e o Mercosul e sublinha o potencial de crescimento. “Estamos a apontar para um potencial de 500 milhões de falantes até ao final deste século.”

A língua portuguesa, afirma Florbela Paraíba, continua a afirmar-se como uma ponte para o entendimento, a cooperação e a diversidade: “Muito mais importante do que dizermos que temos uma língua rica e promotora da paz, é que os outros a reconheçam assim.”

O Dia da Língua Portuguesa, celebrado a 05 de maio, foi criado pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa em 2009 e passou a Dia Mundial após a resolução da Unesco, em 2019.

A entrevista:

ONU News – Por que é importante celebrar o Dia Mundial da Língua Portuguesa?

Florbela Paraíba - É uma celebração e um motivo para fazermos uma reflexão sobre a nossa língua e o papel que a nossa língua tem no mundo. O Dia Mundial da Língua Portuguesa, foi proclamado pela Unesco em 2019, mas já antes havia no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP, o Dia da Língua Portuguesa e das Culturas da CPLP e isso foi iniciado por volta de 2008. É uma marca e uma oportunidade de criar aqui um espaço para nós pensarmos qual é a nossa estratégia em relação à nossa própria língua, de que forma ela é relevante no mundo e quais são os novos caminhos que devemos trilhar, a partir da língua e da promoção da nossa cultura contemporânea no mundo inteiro.

E, por isso, é naturalmente uma data muito importante, não só para os 10 milhões de portugueses, mas para cerca de 260 milhões de pessoas que são falantes da língua portuguesa, sejam eles nos países da CPLP, sejam eles nas diásporas destes vários países por todo o mundo, sejam eles pessoas que falam português ou que querem aprender português, que estão a aprender português devido a questões profissionais, negócios, artísticas ou até mesmo questões afetivas, uma paixão pelo português ou por alguma coisa que os aproximou à nossa própria língua.

ON – Que trabalho desenvolve o Instituto Camões e quantos são pelo mundo?

FP - Temos cerca de 83 centros de língua portuguesa em todo o mundo. São instituições que estão dentro das universidades, algumas das mais prestigiadas do mundo, por todos os continentes.

Temos protocolos de docência, ou seja, acordos com essas universidades, que neste momento se estimam em cerca de 325 destes protocolos, que permitem que haja professores contratados por essas universidades para ensinarem o português. E depois temos também, todas as associações e escolas comunitárias que também oferecem o português, e ainda, e muito importante, as escolas portuguesas no estrangeiro.

Portanto, é toda esta rede que promove não só o ensino da língua portuguesa, como a projeção da cultura de matriz portuguesa em todo o mundo.

Para além do ensino presencial, que nós privilegiamos, porque a pandemia também nos veio ensinar que é muito importante e que não é completamente substituível por meios digitais, temos também cursos online, cursos de autoaprendizagem, que permitem que pessoas dos mais diversos pontos do mundo possam aprender o português.

É uma rede que mobiliza muita gente, que tenta chegar ao máximo de escolas e de pessoas e de universidades possível no mundo, e que necessita permanentemente de ser adaptada às geografias onde há mais interesse pelo português, que necessita permanentemente de valorização e de formação dos professores e daqueles que ensinam português, que implica também um esforço tecnológico constante.

Também é muito importante toda a parte de estímulo à investigação, porque as línguas são organismos vivos, e como todos os organismos precisam de ser estudados até mesmo para a sua própria promoção e para a sua própria evolução e produção científica nestas áreas.

É importante todo o apoio que nós damos em termos de, por exemplo, de tradução de obras portuguesas, de escritores portugueses no estrangeiro. Temos uma linha que é uma linha de tradução que é muito ativa e que, portanto, permite dar algum apoio financeiro a traduções de obras portuguesas para outras línguas.

As boas notícias são que nós, apesar de todas as limitações que há e que são normais, porque os recursos são finitos, vamos conseguindo dar resposta a este interesse e vamos estar muito, muito ativos também a nível das organizações internacionais. Para lhe dar um exemplo, criámos agora um leitorado junto da União Africana, a nível da própria oferta, a nível da formação dos tradutores.

As línguas para serem, de facto, utilizadas nos meios da diplomacia internacional é essencial que haja boas interpretações e boas traduções dos textos, para que se possa ser livremente utilizada e em igualdade de circunstâncias com outras línguas que são, nomeadamente com o inglês, que é uma língua praticamente franca.

ON - Que tipo de imagem projeta a língua portuguesa a nível mundial?

FP - Eu acho que as línguas transformam-nos sempre e nós somos moldados e transformados por elas. Uma língua, além de ser um instrumento de comunicação, é um instrumento de projeção de valores e de uma visão que é muito própria de uma cultura e a língua portuguesa projeta culturas, não só a cultura portuguesa, mas a cultura do Brasil, dos outros estados de Angola, de Moçambique, de Cabo Verde, de São Tomé e Príncipe, da Guiné-Bissau, de Timor-Leste, da própria CPLP, o que nós conseguimos ser em comum, que tem também a Guiné-Equatorial como Estado-membro.

Portanto, projeta uma certa forma de estar no mundo, tem agregado a si uma quantidade de características que, mais uma vez, o que é importante para mim é que nos sejam reconhecidas, muito mais de nós as disseminarmos como uma espécie de propaganda. Toda esta questão das pontes, da abertura para o diálogo, da aproximação cultural, são valores intrínsecos na forma como nós comunicamos e como nós chegamos aos outros.

ON- Como olha para o percurso da íngua portuguesa enquanto idioma internacional?

FP - Nós vemos o português aqui no Camões - Instituto da Cooperação e da Língua como uma língua pluricêntrica, pluricontinental, multicultural e, portanto, com muitos polos de onde é feita uma evolução. E essa diversidade do português é, em si mesma, a sua riqueza e muitas vezes o motivo pelo qual ela consegue congregar tanto interesse da parte de públicos tão variados.

O português é uma língua que é falada não só por nós, cidadãos dos estados que têm a língua portuguesa como língua oficial, mas também como língua de herança, portanto, filhos das nossas diásporas, das nossas comunidades, como também como língua segunda, como língua estrangeira. É estratégico que o português seja cada vez mais uma língua integrada nos sistemas de ensino de outros países, como língua opcional, como nós em Portugal aprendemos o francês ou o espanhol ou o inglês.

E depois termos os meios técnicos, científicos, tecnológicos e, naturalmente, os recursos humanos que nós devemos valorizar: os nossos professores, as entidades públicas, as universidades, os escritores, os cantores e artistas, todos aqueles que promovem internacionalmente o português e ter esta rede bem construída de privados e públicos que levam a língua até todas as profissões, todas as áreas de saber e do conhecimento e que de facto a projetam no mundo, seja nas organizações internacionais, seja no espaço digital, seja agregando ao ensino da língua portuguesa toda a dimensão de inteligência artificial que é preciso nós fazermos e pensarmos como vamos fazer e, portanto, facilitar todas as formas de chegar com o português onde é possível e onde nós somos queridos.

Este dia também reflete muito o interesse que há na língua portuguesa, ou seja, o interesse que os outros veem em nós, na nossa língua. Muito mais do que se nós dizemos que temos uma língua muito rica, muito diversa, uma língua promotora da paz, do desenvolvimento, da criação de espaços de intercompreensão, de tolerância, muito mais importante do que isso é o facto de outros nos verem dessa forma, outros identificarem na nossa língua essas características, porque é isso que os aproxima naturalmente dela.

ON – Como é que o Camões olha e contribui para uma eventual campanha de tornar o português língua oficial das Nações Unidas?

FP – Essa é uma pretensão assumida desde logo pelo governo português e é também uma pretensão que tem sido muito trabalhada no âmbito da CPLP e com outros parceiros. Nós temos aqui uma cooperação que pretendemos sempre reforçar com o Instituto Internacional de Língua Portuguesa, que está sediado em Cabo Verde e que pertence a este universo da CPLP, também com congéneres, por exemplo, no Brasil, com o Instituto Guimarães Rosa. Portanto este é um trabalho conjunto de todos aqueles que têm, cuja pátria ou mátria é a língua portuguesa. É um objetivo comum.

O que nós procuraremos fazer sempre é uma avaliação de todas as condições políticas, diplomáticas, económicas, financeiras, logísticas, que tornem possível nós chegarmos a esse objetivo, que eu estou convencida que um dia chegaremos.

Mas também é preciso dizer que a língua portuguesa já é a língua de trabalho e língua oficial de múltiplas organizações internacionais, sejam elas no âmbito das Nações Unidas, várias organizações e programas que têm o português como língua oficial, mas também não na União Europeia, portanto organizações que não estão nas Nações Unidas, mas que existem, ou outras organizações regionais como a UA, a União Africana, ou como o Mercosul, ou como a Cedeao, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, o Sadc, a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral.

E, portanto, este é um caminho que nós estamos muito empenhados, como não poderia deixar de ser, mas que é um caminho que só será possível naturalmente porque a nossa língua representa hoje em dia já 260 milhões de falantes em todo o mundo e tem um potencial de crescimento enorme.

Segundo as projeções demográficas das Nações Unidas, estamos a apontar para um potencial de 500 milhões até ao final deste século, o que é realmente uma duplicação praticamente do número hoje em dia de falantes.

Mas é também importante quando falamos em projeções demográficas e em aspetos quantitativos, dizer que nós também estamos preocupados naturalmente com a qualidade do português.

Queremos aqui ensinar todos os dias um português que permita às pessoas, não só expressarem-se no básico, mas poderem ler livros, poderem escrever poesia ou apresentar peças de teatro ou escrever, que é muito importante também, as suas teses científicas em língua portuguesa. Ou seja, que seja de facto um português que dê recursos para as pessoas fazerem todas as suas atividades, das mais técnicas e específicas que existirem em língua portuguesa e não é reconhecimento convivial da nossa língua.

ON – Como é que a língua portuguesa se tem adaptado às novas plataformas de inteligência artificial e como se pode proteger a sua essência?

FP – Qualquer revolução civilizacional, e parece-me que estamos praticamente a falar a esse nível, não pode nem deve nunca esquecer as pessoas e o papel que elas têm. Não vejo como é que a inteligência artificial vai substituir o ser humano. Eu acho que é preciso nós construirmos e retirarmos da tecnologia aquilo que nos pode ajudar, minimizando os efeitos potencialmente menos positivos que ela possa ter sobre a nossa sociedade.

Para isso é preciso informação, é preciso as pessoas estarem muito informadas e nós sabemos exatamente o que é que queremos, que produto vamos colocar lá, a informação que nós vamos colocar nos sistemas, os dados que vamos introduzir para que depois o resultado seja o resultado que nós queremos, editado por nós, pelas nossas próprias éticas, pelos nossos valores e não o resultado de escolhas feitas por outros.

É muito importante, creio eu, nós sabermos exatamente, conhecermos e queremos que quem estude a nossa língua desse ponto de vista - da adaptação a meios tecnológicos do hoje e do futuro - para sermos nós os atores, para sermos nós os protagonistas desta revolução e não ficarmos reduzidos ao papel de utilizadores. Nós não podemos ser só usuários desta tecnologia, temos que ser de facto e criar as condições para ter gente que seja realmente protagonista nesta revolução. ONU News – Nações Unidas