Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 6 de julho de 2025

Timor-Leste - Fundação Carbon Offset Timor – Plantar um futuro mais verde no país

Com mais de 219 mil hectares de terras agrícolas, Timor-Leste pode ser um exemplo na economia verde. No entanto, os agricultores — que representam a maioria da população rural — continuam a integrar o estrato social mais vulnerável do país


Segundo o relatório do Censo Agrícola de 2019, Timor-Leste dispõe de mais de 219 mil hectares de áreas agrícolas. A maioria da população rural dedica-se à agricultura, dependendo fortemente das plantações para garantir o sustento diário.

O Global Forest Watch indica que 67% do terreno timorense é coberto por floresta natural, contando com 1,01 milhão de hectares de áreas florestais em 2020. No entanto, tem havido uma tendência para a perda de “cobertura arbórea”, como mostram os dados de 2024, em que se registou uma perda de 1,36 mil hectares de floresta natural, o que equivale a 520 mil toneladas de emissões de CO.

A Fundação Carbon Offset Timor (FCOTI) é uma ONG local, instituída legalmente em outubro de 2018, mas que tem trabalhado na plantação comunitária de árvores desde 2009. A iniciativa já beneficiou mais de 225 famílias e mais de 2000 agricultores individuais em zonas rurais, contribuindo simultaneamente para a mitigação das alterações climáticas globais, através de créditos de remoção de carbono baseados no reflorestamento comunitário.

O Diligente entrevistou o diretor-executivo da FCOTI, Alexandre Sarmento, para falar sobre os projetos desenvolvidos ao longo da existência da fundação. Com apoio suficiente, o objetivo da FCOTI passa por alargar os serviços e beneficiar mais pessoas.

“Dependendo dos recursos, queremos expandir-nos para outros municípios em Timor-Leste e, eventualmente, para outros países vizinhos na região, especialmente a Indonésia Oriental e os Estados insulares do Pacífico”.

Atualmente, quais são as principais atividades desenvolvidas pela fundação?

Desenvolvemos ações de reflorestamento comunitário e agroflorestal, concedemos bolsas de estudo a estudantes do ensino secundário em Laclubar — em parceria com a GTNT-Darwin Austrália — e disponibilizamos microcrédito a agricultores que gerem os seus pequenos negócios. Também formamos mulheres da comunidade na confeção de marmelada, utilizando produtos locais, e reabilitamos pequenas infraestruturas, como salas de aula e casas de banho escolares em zonas rurais, em parceria com o Rotary Club.

A FCOTI também tem estabelecido contratos com o PNUD (UNDP em inglês) e com um projeto chamado EARTH (Enhanced Agroforestry for Resilient Timorese Households), em parceria com a World Vision. O EARTH é financiado pela União Europeia e pela World Vision.

Em que consistem os projetos Carbon Offset e Halo Verde?

O nome completo do nosso principal projeto de carbono é Halo Verde Timor Community Forest Carbon. Numa forma mais curta, chamamos de Projeto Halo Verde. Consiste em atividades agroflorestais e de reflorestamento, com agricultores dos municípios de Manatuto, Manufahi e Viqueque.

As atividades são pensadas e executadas segundo os princípios de não emissão de dióxido de carbono.

Quem são os principais parceiros da fundação?

GTNT-Darwin Australia, Rotary Club NSW, Australia, UNDP, JICA, World Vision & EU, The Plan Vivo Foundation no Reino Unido, vários compradores de créditos de carbono da Austrália, Europa (Dinamarca, Reino Unido, Portugal, Alemanha) e Estados Unidos da América.

Quais são as principais conclusões das pesquisas realizadas pela FCOTI sobre agricultura e alterações climáticas em Timor-Leste?

Normalmente, realizamos pesquisas regulares junto das famílias, para determinar as suas opiniões e perceções, e avaliar o impacto económico a nível familiar e ambiental. A última pesquisa foi realizada em 2021. Há uma pesquisa em curso (em 2025).

O que significa “Carbon Credit Sell” e como funciona?

Um crédito de carbono, também conhecido como compensação de carbono (carbon offset), é uma licença negociável que representa uma tonelada métrica de dióxido de carbono (ou seu equivalente em outros gases de efeito estufa) que foi reduzida, evitada ou removida da atmosfera. Esses créditos são gerados por projetos que mitigam ativamente as mudanças climáticas, como o desenvolvimento de energia renovável, o reflorestamento ou tecnologias de captura de carbono. Essencialmente, permitem que empresas ou indivíduos compensem as suas próprias emissões, apoiando projetos que reduzem as emissões noutros lugares.

Por exemplo, se um agricultor planta um hectare de árvores, esse hectare absorve 100 toneladas de CO2, então esse agricultor tem 100 créditos (uma tonelada métrica de dióxido de carbono é cotada em um crédito). Se um crédito custa 20 dólares, o agricultor ganha 2000 dólares.

Pode explicar o que é o Acordo de Pagamento de Serviços Ecossistémicos (PES Agreement)?

O acordo PES é um acordo entre o agricultor e a fundação. Define as tarefas e responsabilidades de cada parte. O pagamento aos agricultores varia, dependendo da sobrevivência da árvore e da venda do crédito de carbono no mercado, com base no preço esperado. Se essas duas condições não forem cumpridas, o pagamento aos agricultores será retido.

Porque é que os agricultores recebem pagamentos de 10 anos, se o acordo tem a duração de 30?

Uma vez plantada, uma árvore deve permanecer no solo por mais de 30 anos. Idealmente, nenhuma árvore deve ser cortada.

O nosso acordo inicial com os agricultores é de 10 anos. Terminado esse período, são oferecidos pequenos incentivos aos agricultores para que continuem a manter as árvores nos 20 anos seguintes. É importante observar que a maioria das nossas áreas são agroflorestais. A floresta é mais rentável para os agricultores que os créditos de carbono, cujo mecanismo gera apenas um dinheiro extra para os agricultores. Os créditos de carbono não devem ser tratados como o principal produto da floresta ou agrofloresta.

Quais foram os principais resultados alcançados até hoje?

Até hoje, mais de 250 mil árvores foram distribuídas e plantadas pelas comunidades. Temos mais de 150 hectares sob o programa de carbono e mais de 91 mil dólares pagos aos agricultores até 2024. Mais de 35 créditos de carbono vendidos em mercados internacionais, 226 acordos de PES assinados com as comunidades e mais de 600 bolsas de estudo concedidas desde 2011.

Quais os maiores desafios enfrentados pela fundação ao longo do tempo?

Somos uma pequena fundação local, timorense, com recursos limitados. Precisamos de aumentar a nossa capacidade em termos de administração, mas também em termos de estrutura, para que nos possamos expandir para outras áreas. Sem recursos suficientes, os nossos planos futuros ficam apenas no papel. Ainda temos vários desafios pela frente.

Os maiores desafios que enfrentamos na comunidade incluem o pasto de animais, a queima de florestas e a falta de registos de propriedade dos terrenos.

Que recomendações deixaria à sociedade civil, às instituições e ao Governo?

Todos nós precisamos de fazer a nossa parte e dar o nosso contributo para a Mãe Natureza. O que fazemos pode ser uma pequena gota no oceano. No entanto, se agirmos em conjunto, podemos ter um impacto maior.

Como podem os cidadãos ajudar ou envolver-se com a Fundação?

Qualquer agricultor pode participar no programa desde que cumpra com os critérios mínimos mencionados anteriormente.

Quais são os critérios utilizados para selecionar os agricultores participantes?

Por se tratar de um compromisso de longo prazo – 30 anos –, temos dois níveis de critérios.

O primeiro nível é para as terras elegíveis: a terra não deve estar sob disputa, não deve ser usada para desenvolvimento futuro de infraestruturas, como o alargamento de estradas, a construção de escolas e clínicas e, portanto, o local deve estar longe de áreas residenciais. A terra deve ser desmatada. É estritamente proibido, de acordo com o nosso guia, cortar árvores para plantar árvores.

No segundo nível, avaliamos os agricultores: devem ser timorenses, residir em áreas rurais, estar saudáveis ​​para plantar árvores, devem garantir a propriedade da terra e devem assinar um acordo connosco para cuidar das árvores sem as cortar ao longo desses 30 anos.

Existem planos para envolver jovens ou escolas em atividades de sensibilização ambiental?

Tentamos sempre envolver jovens e estudantes do ensino secundário em Laclubar, Lacluta e Lospalos, em ações de treino agroflorestal, como uma atividade extracurricular. Em Laclubar, além de oferecer bolsas de estudo, também oferecemos formação e treino em biodiversidade.

A fundação também ofereceu bolsas de estudo a 13 estudantes universitários. No entanto, devido à falta de financiamento, o programa foi descontinuado. Um dos nossos bolseiros universitários está agora a trabalhar com a fundação.

A FCOTI recebe financiamento do Estado timorense ou apenas de parceiros externos?

Durante a pandemia da COVID-19, o Governo de Timor-Leste concedeu um pequeno subsídio à FCOTI para cobrir os custos operacionais do escritório e manter o pessoal essencial. O Governo também concedeu um subsídio adicional em 2021, para a realização de atividades de campo, mas 93% do financiamento da fundação vem de parceiros internacionais, especialmente compradores de créditos de carbono.

Como é feita a monitorização dos resultados ambientais obtidos?

A monitorização anual é muito rigorosa e envolve o proprietário da fazenda e a equipa de campo: medem e reportam o crescimento das árvores, as taxas de sobrevivência, o diâmetro à altura do peito, a altura das árvores, etc. Os dados devem ser reportados ao Plan Vivo, que concede a certificação internacional ao nosso projeto. O relatório também é publicado no site. Reportamos regularmente às autoridades locais e mantemos uma boa relação com elas. Antónia Martins – Timor-Leste in Diligente


quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

Internacional - Estudo mostra que emissão de axiões pode alterar processo de evaporação de buracos negros

Um estudo da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em colaboração com a Universidade de Oxford, evidencia que a emissão de axiões pelo efeito de Hawking pode alterar completamente o processo de evaporação de um buraco negro. Os detalhes da investigação estão publicados na revista Physical Review Letters.


 

Os axiões são partículas hipotéticas muito leves, eletricamente neutras e fracamente interativas, o que as torna extremamente difíceis de detetar. Foram propostos pela primeira vez na década de 1970 para explicar algumas das propriedades da interação forte. A teoria de cordas, em particular, prevê que existam centenas ou, até mesmo, milhares de espécies de axiões com massas diferentes.

Esta publicação mostra ainda que ao contrário da emissão de fotões, eletrões ou outras das partículas que conhecemos, a emissão de axiões pode fazer um buraco negro rodar mais depressa sobre si mesmo. «Simulamos computacionalmente a evaporação de um buraco negro desde os primórdios do universo até aos dias de hoje, tendo em conta a emissão das partículas conhecidas e de um número arbitrário de axiões», explica João Rosa, docente do Departamento de Física da FCTUC e investigador do Centro de Física da Universidade de Coimbra (CFisUC).

«Ficamos muito entusiasmados com os resultados que obtivemos, porque percebemos que poderíamos determinar se existem ou não centenas de axiões leves, como prevê a teoria de cordas, simplesmente medindo a velocidade com que os buracos negros primordiais rodam sobre si mesmos», revela o físico, acrescentando que buracos negros com massas diferentes, por estarem em diferentes fases de evaporação, terão também velocidades de rotação distintas, dependendo apenas de quantas espécies de axiões existem na natureza. 

O estudo demonstra ainda que a rotação tem um efeito mensurável no espectro da radiação de Hawking emitida por um buraco negro, ou seja, na variação da intensidade da radiação com a energia. «Assim, se encontramos um ou mais destes buracos negros poderemos usá-lo como um autêntico laboratório de física de partículas. De acordo com os dados astrofísicos de que dispomos, estes buracos negros deverão ser relativamente raros, sendo, no entanto, possível que um ou mais passem suficientemente perto do sistema solar nos próximos anos para os conseguirmos observar», acredita o físico. 

Por fim, foi possível concluir que a evaporação dos buracos negros primordiais poderá ter permeado o universo de axiões que viajam a velocidades muito próximas das da luz, o que constitui uma outra “assinatura” da teoria de cordas que os cientistas podem procurar detetar. Universidade de Coimbra - Portugal


quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Angola e Timor–Leste interessados em emitir dívida pública em Macau

O regulador financeiro de Macau disse que os bancos centrais de Angola e Timor–Leste estão interessados em emitir dívida pública no território para atrair investidores da China continental. Henrietta Lau Hang Kun, membro da direcção da Autoridade Monetária de Macau (AMCM), disse que a instituição tem tentado promover o território como “uma plataforma de serviços financeiros junto dos países lusófonos”. “Para já, ainda estamos a negociar com os países lusófonos” para que a emissão de dívida “passe aqui, através de Macau, para o mercado [da China] continental”, acrescentou Henrietta Lau.



A dirigente recordou que, em setembro, a cidade recebeu a segunda Conferência dos Governadores dos Bancos Centrais e dos Quadros da Área Financeira entre a China e os Países de Língua Portuguesa. “Falámos também com o Banco [Nacional] de Angola e o Banco [Central] de Timor-Leste. Todos eles estão interessados (..). Mas ainda têm de estudar”, explicou Lau. “Ainda tenho de discutir com eles para ver que oportunidades temos aqui. Então acho que eles estão interessados”, acrescentou a dirigente da AMCM.

Lau falava à margem da cerimónia de lançamento oficial de uma ligação directa entre os mercados de dívida de Macau e de Hong Kong. “Os países lusófonos, os investidores desses países, podem investir através deste canal em Macau”, disse a dirigente.

Durante a cerimónia, também o presidente da AMCM disse que a iniciativa irá “oferecer aos investidores internacionais, incluindo os oriundos dos países de língua portuguesa, um canal prático que permite facilitar a sua participação nos mercados de obrigações de Hong Kong e Macau”.

Num discurso, Benjamin Chan Sau San defendeu que a ligação irá “fortalecer o papel de Macau enquanto plataforma de serviços financeiros entre a China e os países de língua portuguesa”.

O Governo de Macau tem defendido uma aposta no sector financeiro para diversificar a economia, muito dependente dos casinos, mas não tem ainda data para a criação de uma bolsa de valores ‘offshore’, denominada em renminbi.

As autoridades têm ligado a possível criação de uma bolsa ao papel que Macau tem assumido enquanto plataforma de serviços comerciais e financeiros entre a China e os países de língua portuguesa. In “Ponto Final” - Macau


sexta-feira, 15 de novembro de 2024

Macau - Atribuídos cada vez menos bilhetes de identidade de residente a portugueses

O número de novos bilhetes de identidade de residente da RAEM (BIR) emitidos para cidadãos de nacionalidade portuguesa continua numa tendência de queda abrupta nas últimas décadas. Entre o início de 2023 e Agosto deste ano, foram atribuídos apenas 83 novos BIR a portugueses. No ano de 2013, por exemplo, tinham sido emitidos 309 BIR a cidadãos portugueses. Os dados foram revelados pela Direcção dos Serviços de Identificação (DSI) ao Ponto Final


Continua a tendência de queda a pique no número de novos bilhetes de identidade de residente da RAEM (BIR) emitidos para cidadãos de nacionalidade portuguesa. Segundo dados enviados pela Direcção dos Serviços de Identificação (DSI) ao Ponto Final, nos últimos 20 meses – entre Janeiro de 2023 e Agosto de 2024 – foram atribuídos apenas 83 BIR a cidadãos portugueses. Este número é sensivelmente seis vezes inferior àquilo que se registava há dez anos, por exemplo.

Em média, entre Janeiro de 2023 e Agosto de 2024, foram emitidos cerca de quatro BIR por mês a portugueses. A média mensal do ano de 2013 era de quase 26, uma vez que, no total, em 2013, tinham sido atribuídos 309 bilhetes de identidade de residente a portugueses. Em 2014, o total foi de 307. A partir daí tem-se registado uma tendência de queda: 194 em 2015, 188 em 2016, 152 em 2017, 170 em 2018 e 144 em 2019.

Naturalmente, nos anos da pandemia – 2020, 2021 e 2022 – o número de BIR atribuídos a nacionais portugueses pelas autoridades de Macau foram os mais baixos desde 2000, dado que estiveram em vigor fortes restrições fronteiriças no território. Em 2022 foram emitidos 59, em 2021 foram 47 e em 2020 foram 112.

Antes de 2013, o número de BIR emitidos a nacionais portugueses manteve-se relativamente estável, com uma média de cerca de 163 por ano. Em 1999, após 20 de Dezembro, data da transferência de soberania de Macau, ainda foram emitidos BIR a dois portugueses.

Os dados relativos ao ano de 2023 e aos primeiros meses de 2024 foram enviados pela DSI ao Ponto Final mais de dois meses depois de a informação ter sido solicitada e após várias insistências junto do organismo. Há cerca de um ano, este jornal pediu informações semelhantes à DSI e a resposta chegou em apenas quatro dias.

Recorde-se que em Setembro do ano passado foi noticiado que os Serviços de Migração já não estavam a aceitar novos pedidos de residência para portugueses sob a fundamentação do exercício de funções técnicas especializadas. No portal do Governo da RAEM, é possível verificar que as orientações nesse âmbito publicadas em Agosto deste ano já excluem a possibilidade de fazer o pedido tendo por base o exercício de funções especializadas. As anteriores instruções permitiam que houvesse pedidos por agrupamento familiar, por anterior ligação à RAEM e por exercício de funções especializadas. Tanto o Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong como o secretário de Estados das Comunidades Portuguesas têm, ao longo do último ano, afirmado que estão a decorrer conversações entre Portugal e Macau sobre as restrições aos pedidos de residência. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”


segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Timor-Leste - Caos no serviço de registos e notariado de Díli para fazer o passaporte

Centenas de timorenses provocaram o caos no serviço de registos e notariado do Ministério da Justiça em Díli, Timor-Leste, para tentarem fazer o passaporte electrónico, cuja emissão estava suspensa por falta de cadernetas. Depois de a Direcção-Geral dos Serviços de Registo e Notariado do Ministério da Justiça timorense ter anunciado que abria o atendimento ao público para a emissão de passaportes, centenas de timorenses dirigiram-se aquele serviço para tentar fazer o seu passaporte.


Timor-Leste esteve sem cadernetas para emitir o passaporte electrónico devido a “dificuldades processuais” e a um aumento de procura “acima da média e do esperado”, provocando uma rutura do ‘stock’, segundo o executivo.

O Governo timorense explicou, em comunicado divulgado em outubro, que a estimativa de impressão anual de passaportes eletrónicos é de 20000 e que em 2015 foi celebrado um fornecimento de 150 mil unidades de cadernetas, que foram entregues entre 2016 e 2019. “Entretanto, em finais de 2022, após a reabertura dos aeroportos depois da covid-19, houve um aumento de solicitações de emissão de passaportes acima da média e do esperado, causando a sua rutura”, explicou o Governo.

Em 2022, segundo o Governo, foi iniciado um novo processo para aquisição de cadernetas que foi “inviabilizado por dificuldades processuais”, acontecendo o mesmo no início deste ano.

Para solucionar o problema, o Governo timorense aprovou a compra de mais de 73 mil cadernetas que foram chegando ao país de forma faseada.

Em declarações à agência de notícias timorense Tatoli, o diretor-geral dos Serviços de Registo e Notariado, João Borges, explicou que numa primeira fase foram atribuídos os pedidos urgentes de passaportes e que se iniciava o atendimento ao público em geral. João Borges explicou também que aquela direção-geral vai atender diariamente 140 pessoas, nomeadamente 50 homens, 50 mulheres, 15 idosos, 10 pessoas com necessidades especiais e 15 crianças. In “Ponto Final” – Macau com “Tatoli”


domingo, 5 de novembro de 2023

França - A rádio Alfa vai começar a emitir do Mónaco em DAB+

A partir da próxima segunda-feira, dia 6 de novembro, a rádio Alfa vai passar a emitir também do Mónaco em DAB+, alargando a cobertura geográfica da estação portuguesa mais conhecida de França.

A rádio Alfa nasceu nos anos 90, inicialmente com o estatuto de rádio associativa, passando mais tarde a ser uma rádio comercial, a emitir nos 98,6 MHz da banda FM. Acompanhando a transição digital, a rádio da família Lopes já emite em DAB+ a partir de Paris, Lille, Strasbourg e Lyon, passando agora a marcar presença também no Mónaco.

“Emitir a partir do Mónaco é importante para nós, porque temos a possibilidade de cobrir uma grande região do sul da França” explicou Fernando Lopes ao LusoJornal.

A implantação da rádio no Mónaco surgiu “por acaso”. O Principado decidiu dar a possibilidade a uma série de rádios de se instalarem no “Rochedo”. “Eles querem rádios ‘específicas’, que tenham algo de particular, como é o caso da rádio Alfa que se destina à Comunidade portuguesa” explica Fernando Lopes.

O Diretor Geral da rádio explica que já apresentou um pedido às autoridades francesas para a instalação em Marseille. “Mas o processo é longo e não funcionou. No Mónaco, o processo demorou poucas semanas”.

A rádio tem a sua sede em Valenton, no Val-de-Marne (94), mas tem também um animador em Lille. “Por enquanto, no Mónaco, a rádio vai difundir a mesma programação que é feita em Paris. O objetivo, a médio prazo, é termos também um animador no Mónaco para dar notícias locais” disse Fernando Lopes.

Em França, a transição digital das rádios está a ser um processo “extremamente lento”. Muitas rádios associativas ainda não conseguiram equipar-se com material para emitir em DAB+, por isso o Estado francês ainda não mandou encerrar as emissões hertzianas. “Pessoalmente, não creio que isso venha acontecer nos próximos 10 anos” confessa o Diretor da rádio Alfa.

O importante é ir ocupando espaço e Fernando Lopes diz que ultimamente a situação tem evoluindo. “As grandes rádios entraram também no universo digital e começaram a fazer campanhas a explicar que as pessoas têm DAB+ no carro. Nós sozinhos não fazemos nada, mas se formos muitas rádios, sobretudo rádios grandes, a divulgar, então vamos conseguir promover esta nova forma de ouvir rádio”. Carlos Pereira – França in “LusoJornal”


quinta-feira, 30 de março de 2023

Suécia – Apesar dum recorde de produção de energia eólica, o país é repreendido pelo aumento de emissões de gases de efeito de estufa

Mais de um quarto da eletricidade da Suécia vem da energia eólica por dois meses consecutivos, mas um novo relatório alertou que as emissões de gases do país podem aumentar em breve.


A Suécia gerou um recorde de 27% de eletricidade a partir do vento em fevereiro, batendo por pouco o recorde de 26% estabelecido em janeiro deste ano.

De acordo com uma análise do think tank da energia Ember - esta é a maior participação de geração de energia eólica no país.

O marco ocorre após anos de investimento em energias renováveis ​​– um impulso que está “a compensar”, diz Nicolas Fulghum, analista de dados de energia e clima da Ember.

“A maior geração eólica torna a rede da Suécia mais resiliente contra as secas e protege os consumidores dos altos custos”, afirma.

“Com uma grande ambição política de expandir ainda mais a energia eólica, a Suécia está pronta para obter mais benefícios em custos, segurança e clima.”

No entanto, o país também deve aumentar as suas emissões de gases de efeito de estufa, de acordo com um relatório de avaliação anual do Conselho Sueco de Política Climática.

“Ao invés de reduzir rapidamente as emissões, as alterações decididas e anunciadas até agora irão, ao contrário, segundo avaliação do próprio governo, aumentar as emissões no futuro próximo”, afirma o relatório.

Como a Suécia estabeleceu um novo recorde na produção de energia eólica?

A Suécia tem metas ambiciosas de energia limpa e pretende atingir 100% de produção de eletricidade renovável até 2040. Até 2045, o país pretende não ter emissões líquidas de efeito estufa. Estas metas foram estabelecidas sob o governo social-democrata, que foi substituído em novembro por uma aliança de três partidos de centro-direita.

Para atingir esses objetivos, a Suécia tem investido dinheiro em energia limpa. Desde 2018, a sua capacidade eólica duplicou e o país agora possui quase 5000 turbinas.

Elas geraram cerca de 4 terawatts de energia em fevereiro - 27% da procura de eletricidade do país.

Em 2022, a Suécia instalou 2,4 GW de capacidade de energia eólica. Apenas a Alemanha instalou mais, à volta de 2,5 GW. Um gigawatt pode alimentar cerca de 750 mil casas.

“Com a ambição política de expandir ainda mais a energia eólica, a Suécia está pronta para obter mais benefícios em custos, segurança e clima”, diz Fulghum.

“Outros países europeus podem alcançar o mesmo se seguirem o exemplo.”

Como outros países da UE podem comparar-se à Suécia em energia eólica?

As emissões globais de gases de efeito estufa atingiram 58 mil milhões de toneladas em 2022 - um recorde. Mas as energias renováveis ​​têm o potencial de reduzir esse total preocupante.

A energia eólica produz apenas 0,02% das emissões de CO2 por unidade de energia quando comparada ao carvão.

À medida que os preços globais da energia continuam a subir - alimentados pela guerra da Ucrânia - a construção da capacidade de energia limpa é cada vez mais urgente.

A energia eólica é uma opção particularmente boa, pois não é ameaçada pela seca da mesma forma que a energia hidroelétrica.

Mas muitos países europeus estão a ficar para trás.

Em 2021, a UE implantou 34 GW de capacidade eólica e solar combinada. De acordo com a análise da Ember, as adições anuais precisarão de aumentar para que as metas climáticas permaneçam dentro do objectivo. O bloco precisará de ter um total de 76 GW até 2026 para manter o aquecimento global dentro de 1,5 graus Celsius.

Com as taxas de implantação previstas, apenas quatro dos 27 países da UE (Finlândia, Croácia, Lituânia e Suécia ) alcançarão aumentos anuais suficientemente altos na capacidade eólica para atingir essa meta.

Por que a Suécia está a ser criticada pelo aumento das emissões?

Apesar do seu sucesso na produção de energia eólica, a Suécia tem um longo caminho a percorrer no clima.

O novo governo de coligação de centro-direita não é ambicioso em relação ao clima, afirmou Cecilia Hermansson, presidente do Conselho de Política Climática da Suécia, no lançamento de um novo relatório.

“Perdemos o ímpeto e vamos seguir na direção errada se as políticas não forem alteradas”, alertou.

“As políticas apresentadas até agora não são suficientes para atingir a meta de 2030. As mudanças nas políticas que foram anunciadas são projetadas para aumentar até mesmo as emissões de gases de efeito estufa no curto prazo”.

Se as emissões aumentarem, será a primeira vez em duas décadas que elas crescem no país escandinavo. Charlotte Elton – Reino Unido in “Euronews.green”


sábado, 2 de outubro de 2021

África do Sul - Promete metas mais ambiciosas sobre emissões poluentes

O país africano anunciou que vai limitar a emissão de gases de efeito de estufa a 150 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono até 2025 e ao máximo de 420 milhões de toneladas até 2030

A África do Sul comprometeu-se com metas mais ambiciosas sobre as emissões de gases poluentes, uma medida bem acolhida pelos ativistas ambientais, foi anunciado esta segunda-feira (27).

“O novo compromisso da África do Sul é muito mais ambicioso do que aquele que o país propôs há cinco anos, quando o acordo de Paris foi alcançado”, disse a vice-presidente para o clima e economia no centro de pesquisa World Resources Institute.

Helen Mounford explicou que as novas metas estão mais em linha com o objetivo global de limitar o aumento da temperatura em 1,5 graus até final do século, em comparação com o nível pré-industrial.

A África do Sul informou o departamento do clima das Nações Unidas que vai limitar a emissão de gases de efeito de estufa a 150 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono até 2025 e ao máximo de 420 milhões de toneladas até 2030.

O novo objetivo representa um teto significativamente mais baixo quando comparado com o objetivo anterior de 614 milhões de toneladas na próxima década, o limite inferior do objetivo também foi mudado, de 398 milhões de toneladas de dióxido de carbono até 2030 para 350 milhões de toneladas, informou a agência Associated Press. Isto significa que o novo objetivo vai cair, em termos absolutos, a partir de 2025, uma década mais cedo que o previsto, de acordo com este centro de pesquisa norte-americano.

O país mais industrializado em África pretende aumentar o uso de energias renováveis e desvanecer a utilização de energia baseada no carvão, ao mesmo tempo que se prepara melhor para os efeitos das alterações climáticas, como a seca. In “Milénio Stadium” - Canadá


segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Cabo Verde – Estudantes universitários desesperam por falta de emissão de visto por Portugal


Cidade da Praia – Um grupo de estudantes universitários, com propósito de continuar os estudos em Portugal, manifestaram na cidade da Praia, ao lado da embaixada de Portugal, exortando esta representação diplomática a dar uma resposta em relação aos pedidos de visto.

Em declarações à Inforpress, Wilson Semedo, em representação dos estudantes, afirmou que a embaixada está a retardar-se nas respostas dos pedidos de visto dos estudantes, uma vez que aguardam, há quase quatro meses, uma resposta ao pedido de visto e nada, ou seja, nenhuma justificativa da embaixada de Portugal.

O estudante asseverou ainda que todos os documentos já foram emitidos, e que já estão todos matriculados em universidades em Portugal, até com o pagamento de propinas efetuado.

Justificou que as aulas já estão muito avançadas, e, por conseguinte, estão “super atrasados”, pelo que, acrescentou, esta morosidade e a incerteza se vão ou não vão ser atribuídos os vistos estão a causar preocupações a todos os estudantes, porque ficam à deriva, sem saber o que fazer.

“Queremos ir estudar e a embaixada atrasa a nossa ida”, reiterou Wilson Semedo, salientando que o propósito da manifestação é apenas fazer com que a embaixada se pronuncie em relação a este atraso na atribuição dos vistos aos estudantes, porém querem uma resposta “positiva, e irem correr atrás dos seus objectivos”.

Por sua vez, Nelson Borges disse que esta falta de resposta e morosidade da embaixada tem deixado a todos os alunos “tristes” e “angustiados”, tendo sublinhado que ao longo da vida se faz planos, planeia-se coisas “melhores”, portanto, a seu ver, em Portugal vêem “mais oportunidades” do que aqui em Cabo Verde.

“Dizem que os alunos que para ali vão não estão a estudar, que 94% não estão a estudar, então porque é que abrem mais vagas em menos de um ano?”, questionou o estudante, ressaltando que a embaixada “não quer dar respostas”.

Em nome dos estudantes, Nelson Borges apelou a uma resposta, asseverando que devem saber, ao menos, se os vistos foram recusados e que justifiquem o porquê da recusa, ao invés disto, “a embaixada só tem atrasado os estudantes”.

“Vamos estudar, porque deixam que cheguemos atrasados? As aulas começaram em Setembro, fecharam por causa da covid-19 e reiniciaram em Outubro, disse, considerando que chegar atrasado na escola deixa os alunos “desnorteados”.

A Inforpress tentou falar com a embaixada de Portugal para uma eventual reacção, mas sem sucesso. In “Inforpress” – Cabo Verde


 

sábado, 1 de junho de 2019

Portugal - O primeiro país da zona do euro a emitir “títulos panda” no mercado chinês


A emissão destas obrigações com um prazo de 3 anos teve uma forte procura por parte dos investidores



Portugal tornou-se o primeiro país da zona do euro, na passada quinta-feira, a emitir dívida em yuan no mercado chinês.

Através da Agência Portuguesa de Gestão de Tesouraria e Dívida Pública (IGCP), Lisboa emitiu os denominados “panda bonds” no valor de 2 mil milhões de yuan (aproximadamente 289 milhões de dólares) com um prazo de 3 anos.

"Esta é a primeira emissão de “panda bonds” por um país da zona do euro e o terceiro soberano europeu a entrar no mercado 'onshore' da China", disse o IGCP num comunicado. Além disso, destaca que a colocação das obrigações foi fortemente procurada pelos investidores, o que superou a oferta em 3,16 vezes, permitindo que a taxa marginal inicial fosse reduzida de 4,35% para 4,09%.

Em declarações para o canal americano CNBC, o ministro das Finanças Português, Mário Centeno afirmou que esta emissão é um "passo positivo na gestão da dívida externa do país no médio prazo," e que esta operação permitirá a Lisboa expandir a sua base de investidores.

Portugal é um dos países europeus com o maior nível de investimento chinês. Entre 2011 e 2014, esta nação teve que pedir um resgate internacional durante o auge da crise da dívida na zona do euro. Desde então, a economia portuguesa voltou a ter números positivos de crescimento e as agências de notação de crédito também se mostraram optimistas em relação ao país. Na semana passada, a Fitch elevou o rating de Portugal de "estável" para "positivo", abrindo as portas para uma melhoria nos ratings ainda este ano.

Os “panda bonds” não são os primeiros dentro da União Europeia, já que a Polônia emitiu títulos estaduais no mercado chinês em 2016 e a Hungria em 2018. In “RT” - Rússia