Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 7 de junho de 2026

Luxemburgo – António José Seguro pede mais português no currículo escolar

O Presidente da República afirmou, este domingo, que apelou aos responsáveis do Luxemburgo para que alarguem a disponibilização do português como língua de opção no programa curricular, lembrando que um terço dos residentes no país é lusófono


António José Seguro falava numa sessão com alunos que aprendem português no Luxemburgo, país que visita desde sexta-feira e que marca o arranque das comemorações oficiais do Dia de Portugal, a que se juntou, este domingo, o primeiro-ministro, Luís Montenegro.

O chefe de Estado salientou que o português “é uma chave que abre portas no mundo inteiro”, falado por 260 milhões de pessoas em quatro continentes.

“Quando estiverem cansados nas aulas, lembrem-se disso. Não estão apenas a aprender uma língua, estão a ligar-se ao mundo”, afirmou.

Aos pais e professores, assegurou que o seu papel “é reconhecido e valorizado pelo Presidente da República de Portugal e também pelo primeiro-ministro”, que tinha discursado minutos antes.

“Deixei aos responsáveis luxemburgueses um apelo claro: que alarguem a disponibilização do português como língua de opção no programa curricular do nosso ensino, aqui, num país onde cerca de um terço de residentes é lusófono, onde o português é a segunda língua principal falada em casa pelos alunos do ensino público e isso é relevante para o nosso país”, disse.

Para Seguro, esta é “uma opção decisiva para o fortalecimento de uma comunidade dinâmica e coesa”.

O Presidente da República e o primeiro-ministro encontraram-se, este domingo, com alunos portugueses no Centro Cultural Artikuss de Sanem.

“Olhar para esta sala e ver estes rostos cheio de energia, cheios de futuro, é ver Portugal vivo no centro da Europa e perceber melhor do que qualquer discurso poderia explicar, porque é que escolhi o Luxemburgo para celebrar o primeiro dia de Portugal no meu mandato”, afirmou Seguro.

O chefe de Estado voltou a agradecer às autoridades luxemburguesas a forma como tem tratado a comunidade portuguesa, que classificou como “uma força do Luxemburgo”.

Para Seguro, ter dois países “não significa ter um coração dividido, significa ter um coração maior, onde cabem dois países e dois povos extraordinários”.

“Portugal está nos vossos avós que ligam pelo telefone. Está na comida que a vossa mãe faz ao fim de semana, ou o vosso pai. Está nas histórias que ouviram contar. Está nas músicas que conhecem sem saber bem quando as aprenderam. E acima de tudo, está na língua que estão a aprender aqui nesta sala”, disse.

O Presidente da República assegurou que “Portugal está sempre de braços abertos” para receber estes emigrantes, quer seja de férias, quer seja para construírem uma vida num país “que precisa de todos”.

“Continuem a falar português em casa. E quando alguém vos perguntar de onde são, digam com a cabeça erguida e um sorriso, sou português, do Luxemburgo e de Portugal”, pediu. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 31 de maio de 2026

Luxemburgo - “Euforia”: A celebração da lusofonia no verão do país

No cenário histórico da Abbaye de Neumünster, o centro cultural Neimënster acolhe mais uma edição de um evento que celebra a diversidade cultural através da música. Intitulado Euforia, este dia específico da programação destaca-se como uma homenagem às sonoridades da lusofonia, reunindo influências de Portugal, Cabo Verde e Brasil num ambiente festivo e aberto a todos


Agendado para o dia 11 de julho de 2024, entre as 17h30 e a meia-noite, Euforia propõe uma viagem musical que atravessa geografias e tradições, refletindo a riqueza cultural dos países de língua portuguesa. Integrado na programação de verão de Neimënster, o evento decorre ao ar livre, tirando partido do ambiente único da abadia.

Ao longo da tarde e da noite, o público é convidado a mergulhar em diferentes estilos musicais que, apesar das suas especificidades, partilham raízes comuns. O programa inclui a presença do Priscila da Costa Trio, que traz ao palco a expressividade do fado, género profundamente ligado à identidade portuguesa. Segue-se Carisa Dias & Band, com uma abordagem que cruza a morna cabo-verdiana com influências contemporâneas, evocando temas como a diáspora e a pertença. A energia do samba brasileiro chega com Samba de Lux, convidando à dança e à celebração coletiva, enquanto o encerramento fica a cargo da Banda Compacto, que transforma o espaço num verdadeiro baile ao ar livre.

Mais do que uma sucessão de concertos, Euforia afirma-se como um espaço de encontro entre comunidades. A programação inclui também momentos de convívio, animação e propostas pensadas para diferentes públicos, reforçando o carácter inclusivo do evento. A combinação entre música, gastronomia e ambiente ao ar livre contribui para criar uma experiência imersiva, onde o público não é apenas espectador, mas parte integrante da festa.

Num país marcado pela diversidade cultural como o Luxemburgo, iniciativas como esta assumem um papel relevante na valorização das comunidades lusófonas e das suas expressões artísticas. Euforia surge assim como um ponto de convergência entre tradição e contemporaneidade, promovendo o diálogo cultural através da música.

Ao reunir diferentes vozes e ritmos num mesmo palco, o evento sublinha a força da lusofonia enquanto espaço de partilha. Mais do que um momento de entretenimento, trata-se de uma celebração da identidade cultural comum, vivida de forma coletiva num dos espaços mais emblemáticos da cidade. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 10 de maio de 2026

Europa - Português à BeNeLux: Coordenação do Ensino inova nas redes sociais

A Coordenação do Ensino Português no Luxemburgo, Bélgica e Países Baixos (CEPE BeNeLux) assinalou o Dia Mundial da Língua Portuguesa, celebrado a 05 de maio, com o lançamento da rubrica “Português à BeNeLux”, uma nova iniciativa pedagógica dedicada à forma como o português é falado, usado e transformado pelas comunidades lusófonas nestes três países


Nascida do trabalho desenvolvido nos cursos de Língua e Cultura Portuguesas, a rubrica envolve alunos e docentes do 3.º ciclo e do ensino secundário e pretende dar visibilidade à diversidade intralinguística do português, ao contacto entre línguas e às múltiplas realidades linguísticas existentes no espaço BeNeLux.

Com periodicidade semanal e divulgação nas redes sociais da CEPE BeNeLux, “Português à BeNeLux” propõe conteúdos curtos, acessíveis e dinâmicos, focados em expressões do quotidiano, sotaques, fenómenos de mistura linguística, mini-aulas explicativas, testemunhos e referências culturais. O objetivo é espelhar práticas reais de comunicação em português e mostrar a presença efetiva da língua nas comunidades de Luxemburgo, Bélgica e Países Baixos, disse ao Bom Dia, Mónica Bastos, coordenadora do ensino de português nos três países.

Para além da dimensão cultural e identitária, o projeto assume um forte propósito pedagógico, promovendo competências de oralidade – fluência, clareza discursiva e adequação da linguagem a diferentes contextos – através da participação ativa dos alunos enquanto produtores de conteúdos.

A rubrica conta com o apadrinhamento do linguista e escritor Marco Neves, cuja colaboração contribui para o enquadramento conceptual e para o aprofundamento da reflexão sobre variação linguística e usos contemporâneos do português.

Com esta iniciativa, a CEPE BeNeLux reforça o compromisso com a valorização da língua portuguesa, a promoção da diversidade linguística e o reconhecimento do papel das comunidades lusófonas na construção de um português plural, vivo e em constante movimento.

O vídeo de lançamento de “Português à BeNeLux”, produzido no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Língua Portuguesa, já está disponível nas páginas oficiais da Coordenação do Ensino Português no BeNeLux no Facebook e no Instagram, onde serão igualmente publicados, nas próximas semanas, os conteúdos da nova rubrica. Acompanhar estas plataformas é, sublinha a CEPE, uma forma de conhecer de perto o trabalho de alunos e docentes e de descobrir como o português se vive e se transforma no BeNeLux. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 12 de abril de 2026

Luxemburgo - Arquivos Nacionais do Luxemburgo estão a ser modernizados com tecnologia portuguesa

Os Arquivos Nacionais do Luxemburgo contam agora com uma nova plataforma digital desenvolvida pela portuguesa Keep Solutions, uma tecnológica com origem na Universidade do Minho


O novo portal vê modernizado o acesso ao património documental do grão-ducado, permitindo a consulta online de 311 fundos e coleções que totalizam cerca de 30 mil documentos digitalizados, de acordo com nota enviada pela empresa ao Bom Dia.

O novo sistema, assegura a tecnológica, substitui a antiga ferramenta de pesquisa, designada “Query”, e utiliza o “software” Archeevo, uma solução criada em Braga.

A plataforma foi concebida para servir investigadores e público em geral, facilitando a localização de registos paroquiais e civis para fins de genealogia, contratos notariais, mapas, fotografias e espólios audiovisuais.

Entre os documentos disponíveis encontram-se também registos históricos relativos aos períodos de ocupação durante as Guerras Mundiais.

Este projeto, que teve início em 2022, reforça o percurso de internacionalização da Keep Solutions na área da gestão e preservação de património digital. Fundada em 2008 por docentes e antigos alunos da Escola de Engenharia da Universidade do Minho, a empresa tem expandido a sua atividade para diversas instituições europeias, colaborando com os arquivos nacionais da Estónia e da Dinamarca, com a Polícia da Suécia e com a Comissão Europeia.

Em Portugal, a tecnológica foi responsável pelo desenvolvimento de plataformas estruturantes, como o Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP) e o Portal Português de Arquivos. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sábado, 28 de março de 2026

Luxemburgo - Association de divulgation et d’intervention éducatives organiza festa portuguesa em Soleuvre, no sul do país

Soleuvre, no sul do Luxemburgo, prepara-se para acolher uma nova festa portuguesa, marcada para o próximo dia 2 de maio de 2026. O evento, organizado pela ADIE asbl (Association de divulgation et d’intervention éducatives), terá lugar na Salle Festikuss, situada na Rue Jean Anen


O cartaz é encabeçado por Markus e por Ás da Concertina, contando ainda com a atuação da Banda Compacto para animar o convívio.

No plano gastronómico, a organização aposta em pratos tradicionais da cozinha portuguesa, destacando-se no menu a carne de porco à portuguesa e o bacalhau à brás.

A entrada para o evento tem um custo de 35 euros.

As reservas para a iniciativa podem ser efetuadas através dos contactos +352 691197695 e +352 691197992. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sábado, 28 de fevereiro de 2026

Luxemburgo - Saiu mais uma remessa com apoio às vítimas das tempestades em Portugal

Partiram esta sexta-feira para Portugal mais 20 toneladas de apoio humanitário para as vítimas das tempestades que entre janeiro e fevereiro assolaram a zona Centro do país. Esta é a segunda “remessa” enviada pelo Grupo Sopinor e pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Luxemburguesa (CCILL), e pelo menos mais duas sairão do grão-ducado nas próximas semanas


O apelo da CCILL e da Sopinor aos empresários do Luxemburgo gerou uma onda de solidariedade praticamente sem precedentes, e prova disso têm sido as toneladas de bens materiais feitas chegar ao centro de logística da Sopinor, em Schifflange, com destino a Portugal.

O primeiro semi-reboque encheu-se rapidamente com materiais de construção, ferramentas e equipamentos de proteção individual (EPI). Num total, 24 toneladas foram entregues na passada segunda-feira, 23 de fevereiro, aos concelhos de Ourém e Marinha Grande.

Esta nova carga tem sobretudo material de construção destinado à reparação de telhados, e terá como destino os distritos de Leiria e Santarém. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 30 de novembro de 2025

Luxemburgo – Continua a crescer o transporte coletivo de carros elétricos em carril, denominado Tram

O Governo aprovou a extensão do elétrico até ao Centro Hospitalar do Luxemburgo. O trajeto de 2,2 km inclui quatro estações e um túnel. O objetivo é descongestionar o tráfego na Route d'Arlon


A novidade foi divulgada na sexta-feira à noite através de um comunicado de imprensa que descreve as decisões tomadas nesse dia pelo Conselho de Governo. O Conselho "aprovou o projeto de lei relativo à construção do prolongamento da linha de elétrico entre a Place de l'Étoile e o nó do CHL, que visa autorizar e financiar o prolongamento da linha de elétrico ao longo da Route d'Arlon", lê-se, juntamente com a reforma da "carta verde" desmaterializada.

Como se sabe, os eléctricos luxemburgueses pretendem expandir-se em várias frentes. A sul, evidentemente, a extensão graças ao elétrico rápido que irá até Esch-sur-Alzette e Belval. A norte, a segunda linha, que atravessará o bairro de Kirchberg. Em seguida, para oeste, temos os dois projectos de extensão: o que atravessa o futuro bairro de Nei Hollerich e esta linha que ligará ao Centro Hospitalar do Luxemburgo (CHL) a partir da Place de l'Étoile.


Parte da linha será subterrânea

Tal como anunciado anteriormente pela Ministra da Mobilidade Yuriko Backes (DP) e pela Luxtram, o trajeto seguirá a Route d'Arlon, uma ligação estratégica entre a capital e Strassen, e terá 2,2 km de comprimento.

Foi igualmente explicado que incluiria quatro novas estações e que seria escavado um túnel de 550 metros na segunda metade do seu trajeto, entre o futuro "Wunnquartier Stade" (no local do estádio Josy Barthel e o Centre Hospitalier de Luxembourg, onde um novo edifício principal deverá estar operacional em 2028). O objetivo é reduzir o impacto no tráfego e no planeamento urbano.

A Place de l'Étoile será igualmente remodelada, com espaços verdes, zonas pedonais e uma ciclovia separada do tráfego automóvel.

O objetivo é descongestionar o tráfego na Route d'Arlon, facilitar o acesso ao hospital e oferecer uma alternativa sustentável ao automóvel.  O custo estimado é de 171 milhões de euros, segundo um comunicado divulgado pela ministra Yuriko Backes nas redes sociais neste sábado, 29 de novembro. “114 milhões de euros serão cobertos pelo Estado e 57 milhões de euros pela cidade de Luxemburgo”, explicou.

Deveremos saber mais em breve com o projeto de lei. A data de início das obras ainda não foi anunciada, evidentemente, mas teremos de esperar, pelo menos, até 2032 para que esta nova e importante extensão esteja concluída. Julien Carette – Luxemburgo in “Contacto”







domingo, 9 de novembro de 2025

Luxemburgo - Vem aí a maior feira do livro que se realiza na cidade de Walferdange

Livros para todos os gostos, leituras, música e muito mais em Walferdange


A feira do livro de Walferdange, a maior do país, realiza-se nos próximos dias 15 e 16 de novembro, no estádio Prince Henri, em Walferdange. Os ‘Walfer Bicherdeeg’ (Os dias do livro de Walferdange, numa tradução livre para português) podem ser visitados entre as 10h e as 19h, no sábado (dia 15) e entre as 10h e as 18h no domingo (dia 16).

Como já é habitual, além do mercado de livros, o evento propõe exposições, leituras, música e espetáculos. “Uma aventura literária inesquecível para pequenos e graúdos”, promete a organização.

A complementar a feira do livro estará um placo exterior, onde leituras, música, artes do espetáculo e literatura irão formar uma unidade que promete uma experiência apaixonante”, refere a organização.

Outra componente do evento diz respeito aos ‘Books for Kids’ com o objetivo de despertar o “amor pelos livros” entre os mais jovens. Além da literatura infantil, o programa inclui também leituras destinadas aos mais pequenos em duas salas.

Um lugar para ler

No hall 2, estará instalado um ‘Café Literário’, que se quer um lugar de “encontro” onde os “visitantes poderão discutir novos livros enquanto tomam um café ou simplesmente mergulhar tranquilamente num livro”, indica o organismo responsável pelo evento.

Como todos os anos, a emblemática Maison Dufaing vai acolher leituras organizadas pelos “Lëtzebuerger Bicherediteure” e moderadas por especialistas literários luxemburgueses.

Primeira edição foi há 30 anos

Este ano, a feira do livro de Walferdange comemora o seu 30.º aniversário. A primeira edição teve lugar no dia 8 de outubro de 1995, também no Centro Prince Henri.

“Os autores de Walferdange foram o centro das atenções”, lê-se no site do evento, que acrescenta que o evento de 1995 foi complementado por um mercado de livros novos e usados e uma mesa-redonda sobre o mercado do livro luxemburguês. Diana Alves – Luxemburgo in “Contacto"




domingo, 28 de setembro de 2025

Luxemburgo - Festival Atlântico: Celebração da lusofonia regressa à Philharmonie

De 2 a 11 de outubro de 2025, a Philharmonie do Luxemburgo acolhe o Festival Atlântico, um evento que celebra a diversidade e a riqueza cultural dos países lusófonos. Com uma programação variada que abrange concertos, workshops e experiências culturais, o festival promete ser um ponto de encontro para os amantes da música e da cultura lusófona

O Festival Atlântico destaca-se por reunir talentos de várias partes do mundo lusófono. A programação inclui tanto artistas consagrados que regressam à Philharmonie como novos talentos que apresentam suas obras pela primeira vez. Este evento é uma oportunidade única para experimentar a fusão de tradições musicais e a inovação contemporânea que caracteriza a lusofonia.

O festival começa com uma homenagem a Carlos Paredes no Centro Cultural Português, com entrada livre. Nos dias seguintes, a programação inclui atividades para todas as idades, como “Le coquillage d’or des mers” e “Martina’s Music Box”, que visam envolver o público jovem e familiar.

Entre os concertos mais esperados estão as atuações de Gisela João, conhecida por sua paixão e intensidade, Leo Middea, cuja música é uma verdadeira estrela instrumental, e a carismática Mayra Andrade, que encerra o festival no Grand Auditorium com “reEncanto”.

O festival também oferece experiências imersivas como “Mon premier Arraial”, que, sem palavras, permite que crianças entre 3 e 5 anos vivam a essência dos tradicionais arraiais portugueses. Além disso, atividades como a “Jam Session” e o “Your musical lunchbreak” são projetadas para energizar e envolver o público num ambiente descontraído e acolhedor. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

sábado, 6 de setembro de 2025

Luxemburgo - Tem cursos gratuitos para adultos em português

Em causa estão cursos básicos de instrução de leitura, escrita, cálculo ou de navegação na internet. Estão disponíveis em várias línguas, inclusive em português


Quer adquirir ou aprofundar competências de leitura, escrita, cálculo ou de navegação na internet? Então esta notícia é para si. No âmbito do Dia Internacional da Alfabetização, que se celebra a 8 de setembro, o Ministério da Educação Nacional, Infância e Juventude desenvolveu uma campanha dirigida aos adultos.

No Luxemburgo, assim como noutros países europeus, “estima-se que 10 a 12% dos adultos não possuam a capacidade” de ler, escrever, ou de navegar na internet, lê-se num comunicado do Ministério. Com efeito, o Governo pretende “motivar as pessoas a inscreverem-se nos cursos gratuitos oferecidos pelo Serviço de Educação de Adultos (SFA) e a capacitarem-se para melhorar a participação na vida profissional e social”.

No âmbito da campanha, são oferecidos cursos básicos de instrução em francês, alemão ou português e estas ofertas formativas, para além de serem gratuitas, decorrem à noite “para facilitar o acesso ao maior número possível de pessoas”. Podem ser frequentadas em Clausen-Luxemburgo, Ettelbruck, Warken, Wiltz, Mersch, Echternach e Esch-Belval.

Os cursos básicos de formação são ministrados por instrutores especializados e experientes e os interessados podem pedir mais informações através do número de telefone 80 02 99 99. Filipa Pereira – Luxemburgo in “Contacto”


Luxemburgo entre os países da UE com melhor acesso a cuidados dentários e Portugal entre os piores

Em 2024, só 3% da população no Luxemburgo ficou sem cuidados dentários por falta de meios, enquanto Portugal surge como o quarto país da UE com mais dificuldades de acesso


O Luxemburgo é um dos países da União Europeia (UE) onde a população enfrenta menos dificuldades no acesso a cuidados de saúde dentários. Em 2024, apenas 3% das pessoas que vivem no Grão-Ducado não conseguiram aceder a cuidados dentários, segundo dados divulgados recentemente pelo Eurostat. Já Portugal é o quarto país da UE onde um maior número de pessoas não tem acesso a cuidados dentários: 15,4% da população indicou que não conseguiu ir ao dentista.

Em 2024, 6,3% das pessoas com 16 anos ou mais na União Europeia que precisavam de cuidados odontológicos relataram que não conseguiram recebê-los devido a “razões financeiras, longas listas de espera ou distância dos dentistas”, refere o Eurostat.

Entre os países da UE, a proporção de pessoas com necessidades de cuidados dentários não satisfeitas foi mais elevada na Grécia (27,1%), Letónia (16,5%), Roménia (16,2%) e Portugal (15,4%). As percentagens mais baixas foram observadas em Malta (0,4%), Alemanha (0,9%), Croácia (1,1%) e Hungria (1,5%), com Luxemburgo a ocupar a 11.ª posição neste ranking europeu.

Os dados mostram ainda que a proporção de pessoas em risco de pobreza que relataram necessidades de cuidados dentários não atendidas (13,7%), em 2024, foi substancialmente maior do que a registada entre a população sem essa vulnerabilidade económica (5,1%).

Um padrão semelhante foi verificado em todos os países da UE, com diferenças mais significativas nuns do que noutros. No Luxemburgo, a percentagem sobe de 3% para 7% entre os mais vulneráveis, um desfasamento reduzido em comparação com a realidade europeia. Já em Portugal, o contraste é mais acentuado: de 15,4% na população em geral para 32,5% entre quem vive em risco de pobreza.

Apoios estatais

A discrepância entre Luxemburgo e Portugal, que ocupam posições quase opostas no acesso aos cuidados dentários, pode ser explicada em parte pelos distintos modelos de apoio estatal.

No Grão-Ducado, a Caisse Nationale de Santé (Caixa Nacional de Saúde, CNS) cobre uma vasta gama de atos de medicina dentária, garantindo o reembolso integral para menores. Os tratamentos comparticipados vão de consultas normais e urgentes a desvitalizações, extrações dentárias, assim como tratamentos ortodônticos e protéticos.

Em Portugal, desde 2016 que os centros de saúde passaram a disponibilizar consultas de medicina dentária, assegurando aos utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) referenciados pelo médico de família o acesso a cuidados e tratamentos básicos sem pagamento de taxa moderadora. Contudo, no âmbito destas consultas podem ser estabelecidos planos de tratamentos e ser cobrados valores de acordo com a tabela de estomatologia em vigor.

Existe ainda o cheque-dentista, um vale emitido pelo SNS que dá acesso gratuito a consultas e tratamentos de medicina dentária, quer em unidades de saúde públicas como em consultórios privados aderentes, de acordo com a informação disponível no site do SNS. Contudo, a cobertura é mais restrita, não incluindo vários tratamentos, como ortodontia ou próteses, abrangendo sobretudo as áreas da prevenção, diagnóstico e tratamentos básicos.

Os cheques-dentista também só são atribuídos a grupos populacionais considerados prioritários, que apresentem particular vulnerabilidade, nomeadamente menores, grávidas em acompanhamento pré-natal no Serviço Nacional de Saúde (SNS), beneficiários do Complemento Solidário para Idosos que sejam utentes do SNS, portadores do VIH/SIDA e pessoas em situação de risco aumentado de cancro oral. Uma parte significa da população portuguesa continua, assim, dependente do setor privado, suportando custos elevados. Sofia Cristino – Portugal in “Contacto”


domingo, 29 de junho de 2025

Luxemburgo - Próxima indexação dos salários prevista para o terceiro trimestre de 2026

A próxima indexação dos salários está prevista para o terceiro trimestre de 2026, de acordo com as mais recentes estimativas do Instituto Nacional de Estatísticas luxemburguês (Statec).


No último boletim sobre a conjuntura, o gabinete “prevê uma inflação ligeiramente inferior a 2%, tanto em 2025 como em 2026, o que levaria a uma próxima indexação dos salários no decorrer do terceiro trimestre de 2026”.

A última adaptação dos salários à inflação remonta ao passado mês de maio, quando salários e reformas aumentaram 2,5% ao abrigo do mecanismo.

O Statec salienta que a inflação subiu ligeiramente no início de 2025, “um movimento que se explica sobretudo por fenómenos isolados, tais como o levantamento parcial dos tetos tarifários sobre a energia, assim como a aplicação da tranche do ‘index’ em maio”.

O gabinete de estatísticas refere que, globalmente, as pressões sobre os preços no consumidor permanecem estáveis no Grão-Ducado. De resto e, tal como aconteceu em 2024, o país continua a mostrar uma inflação relativamente baixa no que toca a serviços e alimentação, quando comparado com outros países europeus. Diana Alves – Luxemburgo in “Contacto”


domingo, 8 de junho de 2025

Luxemburgo - Luso Academy abre inscrições para o novo ano letivo

Estão oficialmente abertas as inscrições para o ano letivo 2025/2026 na Luso Academy, em Esch-sur-Alzette, no Luxemburgo. A escola, que aposta na valorização da língua e cultura portuguesas através da música, convida crianças e jovens da comunidade lusófona a aprender instrumentos como guitarra, piano, violino e viola d’arco


As aulas de instrumento decorrem presencialmente, permitindo um acompanhamento individualizado por parte dos professores. Já as aulas de teoria musical são online, reunindo alunos de diferentes polos da Luso Academy espalhados pela Europa, promovendo assim o intercâmbio cultural entre jovens músicos da diáspora portuguesa.

As inscrições podem ser feitas através do sítio oficial da escola (www.lusoacademy.co.uk) ou diretamente no formulário disponível em: forms.gle/rsQg4U157xycS6Er9.

Fundada em 2012, em Londres, a Luso Academy tem como missão promover o ensino da música em português junto das comunidades emigrantes, utilizando a arte como elo de ligação entre gerações e como veículo de preservação da identidade cultural. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Luxemburgo - É palco de oficina científica em português

A organização não governamental Native Scientists vai realizar no próximo dia 14 de junho, às 14h00 (hora local), uma oficina científica em português para crianças entre os 7 e os 11 anos, em Ettelbruck, no Luxemburgo


O objetivo da atividade passa por estimular a curiosidade científica de forma lúdica, acessível e inclusiva, promovendo o contacto direto com cientistas que partilham a mesma língua e herança cultural das crianças participantes.

A atividade insere-se no trabalho contínuo da Native Scientists, que procura aproximar jovens de comunidades migrantes da ciência, combatendo a ideia de que esta é inacessível ou distante das suas realidades culturais e linguísticas.

Durante a oficina científica, investigadores de língua portuguesa vão apresentar experiências práticas, partilhando assim os seus percursos pessoais na ciência. O objetivo é criar um ambiente de inspiração, onde as crianças se sintam representadas e motivadas a explorar o mundo científico. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 1 de junho de 2025

Luxemburgo - Joaquim Prazeres: o rosto do ensino português abre o livro

Depois de 28 anos no Grão-Ducado, Joaquim Prazeres reformou-se. A partir do Luxemburgo, coordenou o ensino da língua portuguesa em todo o Benelux. Conversa na hora da despedida, para avaliar as vitórias que alcançou, tudo o que falta fazer e esta capacidade única que a educação tem de mudar vidas

Em 2017, parecia mesmo que o caldo estava entornado. É isso que Joaquim Prazeres, 67 anos, recorda quando se lhe pergunta o momento mais difícil que viveu em quase três décadas como professor e coordenador do ensino do português no Luxemburgo. “Na altura houve um acordo entre os dois países e a nossa língua deixou de fazer parte do sistema integrado. Ou seja, ficou de fora do horário escolar e passou a ser uma atividade complementar. Isto afastou muita gente da vulgarmente chamada ‘escola portuguesa’, até porque os pais, geralmente de classes trabalhadoras - e muito trabalhadoras, com horários difíceis -, não tinham na maior parte das vezes disponibilidade para levar as crianças de um lado para o outro”, conta agora. “Foi um retrocesso enorme e um golpe duro para o trabalho que estávamos a tentar erguer.”

O caso foi badalado na altura e teve eco ao mais alto nível. Em visita oficial, aliás, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa acabaria por apelar à comunidade que insistisse e inscrevesse os seus filhos no ensino do português. “Foram as próprias escolas que passaram a escolher os currículos e as disciplinas que queriam. Então nós tínhamos de tentar organizar-nos ao mesmo tempo com seis ou sete estabelecimentos de ensino diferentes para poder dar aulas a todos os alunos inscritos. Isto acabou por reduzir imenso a participação”, diz com um encolher de ombros, e, nota-se sem sombra para dúvidas, esta é uma frustração que ainda carrega nos ombros.

“Quando temos tanta gente que já fala português neste país, era bom ver as pessoas investirem no potencial delas mesmas e desenvolverem a escrita. Porque isso só as vai beneficiar.”

Mas Joaquim Prazeres é lutador pela sua causa – e mesmo depois da reforma recusa-se a baixar os braços. Ou os argumentos. “Aqui no Luxemburgo já vamos na terceira geração da emigração”, diz Prazeres. “Temos números que nos dizem que 28 por cento da população fala a língua de Camões em casa. Mas às vezes há esta ideia de que basta o português de casa, não é preciso muito mais do que isso. A aprendizagem da escrita, da gramática, é importantíssima, até porque o português é uma língua de futuro.”

Fala do papel do português no mundo. Tem 300 milhões de falantes e é uma das línguas mais falada do planeta. Alguns registos apontam-na como a quinta língua mundial, atrás do inglês, do mandarim, do espanhol e do hindi. Outros colocam-na na oitava posição, atrás do árabe e do francês. “Seja como for, é um património vasto, com um potencial incrível para abrir portas, criar pontes, desenvolver negócios”, sublinha Prazeres. “Quando temos tanta gente que já fala português neste país, era bom ver as pessoas investirem no potencial delas mesmas e desenvolverem a escrita. Porque isso só as vai beneficiar.”

Nos anos que comandou os destinos do ensino da língua, tentou fazer perceber a importância do português ao Grão-Ducado. Dentro da comunidade portuguesa, mas fora dela também. Orgulha-se de ver agora muitos professores do sistema educativo luxemburguês a quererem aprender a língua, para melhor ensinarem os seus alunos – algo que o jornal Contacto recentemente reportou. Orgulha-se de ver o interesse que cresce nos estrangeiros, mesmo nas crianças. Vitórias suas, também. E, mesmo que o cartão de cidadão diga o contrário, Prazeres tem um esgar de infância, de quem se atreve a dar alimento aos sonhos. “Há muito trabalho para fazer”, diz quase em tom de aviso.

Gostaria de ver o português ser ensinado como língua estrangeira, com o mesmo estatuto que o inglês, por exemplo. Gostaria que várias disciplinas pudessem ser lecionadas na língua de Camões, como as ciências ou a cidadania, de forma opcional. E se há hoje escolas internacionais no Luxemburgo com sistemas educativos em francês e inglês porque não criar uma instituição em português, também? “O Luxemburgo é um dos países do mundo onde o português não é língua oficial, mas mais gente o fala e aprende. Os espanhóis fizeram da sua língua uma prioridade política, defendida pelas altas esferas. E está na altura de nós fazermos o mesmo”, atira para cima da mesa, bebendo um golo de água para aclarar a garganta. A conversa ainda agora começou.

Grandes mudanças na comunidade lusófona

Quando fala da comunidade portuguesa no Grão-Ducado, Joaquim Prazeres não consegue deixar de se emocionar. “Eu já tinha trabalhado em França e Espanha como professor de português e, quando cheguei ao Luxemburgo, percebi imediatamente que a emigração aqui era diferente. Era uma comunidade mais fechada do que é hoje, porque provavelmente ainda havia pouca gente de segunda geração. Mas tinham uma grande vontade de aprender”, conta. “E sobretudo de aprender português.”

Os miúdos que apanhou por aqui, no final dos anos 1990, provinham normalmente de duas circunstâncias. “Ou tinham nascido em Portugal e tinham algumas bases da língua ou então tinham nascido aqui e as famílias tinham o desejo de voltar a casa, de levar os miúdos para fazerem o liceu e a universidade lá em baixo”, explica. “Mas uma coisa era certa. Todas as famílias aqui percebiam que a educação era uma ferramenta importantíssima para as gerações seguintes. Para saírem do círculo de trabalho duro e sacrifício a que eles, os pais e os avós deles, tinham estado votados.”

Em 1998 havia 40 professores de português no Luxemburgo. No ano letivo 2005/06, atingiu-se o pico: eram 54. “Hoje há 29, e isso também se explica pelas mudanças estruturais que houve na comunidade”, avança o antigo coordenador de ensino. “É que foram nascendo segundas e depois terceiras gerações, que foram integradas no sistema luxemburguês. Falam em casa com os pais, mas comunicam entre si numa mistura de vários idiomas. E, seja porque as escolas não ajudam ou os pais não promovem, não têm o mesmo interesse em aprender verdadeiramente a língua portuguesa.”

Não será também isso reflexo de uma má promoção do lado português? “Sim, também. Tivemos embaixadores que não estavam interessados na defesa estrutural do idioma, os sucessivos governos também desenvolveram muitas políticas desadequadas e desligadas da realidade a partir de Lisboa. Mas, também acho natural que haja uma certa dispersão da comunidade, à medida que ela cresce, que têm filhos e netos aqui”, e abre os braços para explicar a sua ideia. “O interesse no regresso tornou-se mais longínquo, a integração é mais efetiva, vieram muitas pessoas de outros países que falam português. E com isso os laços, de alguma forma, dispersaram.”

A ligação às terras de origem foi uma das suas lutas, e muitas vezes sacrificou-se pessoalmente para o conseguir fazer. Mas também tem memórias que lhe trazem o sorriso de volta aos lábios, como daquela vez em que levou 75 alunos e dez professores durante uma dezena de dias a Portugal. “Eu estava num liceu de Esch-sur-Alzette e fazia parte do conselho da escola. Então consegui implementar esta ideia, arranjar patrocínios, custear a excursão por quase nada. Mas o mais extraordinário foi que não foram apenas portugueses, foram miúdos de todas as nacionalidades, muitos deles luxemburgueses. O orgulho com que os portugueses mostravam as suas origens aos outros foi qualquer coisa de que nunca me conseguirei esquecer”, avisa, e o fio de voz a cortar-se outra vez.

“A escola tem de ser um espaço de diálogo, de fraternidade. Bati-me por isso toda a minha vida.”

Muitos dos gaiatos nunca tinham viajado de avião. À chegada de Lisboa, deram de caras com uma comitiva do Benfica, que haveria de convidá-los a visitar o estádio da Luz. Depois rumaram uns dias a Setúbal, apanharam o barco para Troia, e os golfinhos vieram cumprimentá-los ao estuário do Sado. “Os garotos foram todos para um lado do barco e quase que virávamos. Tivemos de fazer grupos, ir rodando, mas nada paga ver aqueles rostos tão felizes”, diz com uma gargalhada.

Joaquim Prazeres reformou-se a 1 de fevereiro deste ano. Vinte dias depois, recebeu das mãos do embaixador de Portugal no Luxemburgo, Pedro Sousa e Abreu, as insígnias de Comendador da Ordem de Instrução Pública. O Estado português prestou-lhe homenagem pelos 45 anos que dedicou ao ensino, 39 deles no estrangeiro. Mas, como bom professor, aquilo que o comove verdadeiramente é quando encontra um dos seus antigos alunos e ouve o elogio de ter ajudado alguém a mudar de vida, abrir a cabeça, encontrado luz em estrada de sombras. Não se pode tratá-lo de outra forma que não esta, em letras maiúsculas: Senhor Professor.

Uma vida dedicada à educação

Joaquim Reduto Prazeres nasceu em 1958 na aldeia da Pêga, concelho da Guarda. Era filho de agricultores e neto de comerciantes de gado. A sua terra era de feirantes e artesãos, o que permitia aos pais mandar os filhos estudar. “Era uma circunstância rara naquele tempo, mas em quatrocentos habitantes havia 50 professores ali”, conta.

A capital do distrito era conhecida por albergar um Magistério, “então dizia-se que a Guarda era boa a produzir duas coisas: professores e batatas”, lembra-se ele com mais uma gargalhada. No entanto, no início dos tempos, a vida parecia levá-lo em todas as direções, menos ao ensino. “Quando eu tinha seis anos o mau pai emigrou para França e nós fomos todos atrás dele”, conta. “Os meus primeiros anos de alfabetização foram em Paris. Mas, quando fiz dez, a minha família quis que eu estudasse em Portugal e puseram-me num colégio interno na Guarda. Tinha a quarta classe, fiquei na segunda. Era a atração da escola, o afrancesado”, e volta a rir das memórias.

Lembra-se do 25 de Abril como se fosse hoje. “Naquele tempo era habitual os alunos terem um pequeno rádio nos quartos, para ouvirem música e as notícias. Vieram confiscar-nos isso e impediram-nos de abandonar o colégio”, lembra. “No dia seguinte, vieram os alunos do liceu da Guarda ‘libertar-nos’. Foi uma alegria.” Nos tempos seguintes viu a gente da cidade chegar aos campos, alfabetizar as aldeias, e isso fascinava-o. “Houve muitas crianças que só sabiam pegar numa sachola e agora aprendiam a pegar num lápis, e num instante já sabiam escrever o nome, ler, escrever.”

Nesses tempos percebeu nos professores uma arte que podia mudar vidas. Então concorreu ao Magistério. E entrou. “Havia 600 candidaturas para 90 vagas, os meus pais ficaram muito orgulhosos”, lembra com alguma saudade. Contra todas as probabilidades, Joaquim Prazeres formou-se em 1980 como professor e, desde o primeiro dia, percebeu que ia usar essa arma para conhecer o mundo.

Nos primeiros seis anos esteve em Setúbal, onde ensinou português a adultos. “Tenho muito boas memórias desse tempo, da força daquela gente que lutava contra a pobreza, mas queria aprender. Queriam recuperar as oportunidades que não tinham tido quando eram jovens e isso é qualquer coisa de especial”, diz, dando exemplos concretos. “Havia trabalhadores das salinas que vinham à noite. Havia peixeiras que vendiam na praça e mesmo assim iam de noite estudar, quase sem poderem dormir. Que respeito guardo por aquela gente”, suspira.

Em 1986, abriu um concurso para ensinar português no estrangeiro e ele concorreu para França. Entrou. “Passados 20 anos, voltei a casa dos meus pais. Fiquei numa escola dos arredores da capital, onde vivia gente muito humilde. Trabalhadores da construção civil, da agricultura, das limpezas, com algumas dificuldades de integração. Então comecei a pensar como haveria de ajudar a resolver isso na geração mais nova, como podia ajudá-los a fintar o destino”, e enrodilha os dedos enquanto fala, como se fosse hoje que está a estabelecer o plano.

Então fez nascer uma fórmula que haveria de utilizar, muitos anos mais tarde, no Luxemburgo: levar os miúdos a Portugal. Duas semanas, entre Porto e Coimbra, envolvendo ministérios dos dois países, embaixadas e assistentes sociais, para que ninguém deixasse de ir por falta de fundos. “Foi um sucesso, desde o primeiro dia. Aqueles miúdos, habituados a sentirem-se no fim da linha, sentiam-se assim valorizados, podiam fazer-se valer aos outros da sua cultura. E isso dá resultados diretos de integração.”

Passou sete anos assim, nas escolas dos arredores da capital francesa, até um dia o ministério da Educação reformular o ensino português no estrangeiro e ele perder lugar no sistema. “Concorri novamente e fui parar a Espanha. Estive um ano em Miranda del Ebro, em Castela e Leão, e três em San Sebastian, no País Basco”, diz. No primeiro caso foi dar aulas a crianças de etnia cigana, que viviam em tendas e sem acesso a cuidados básicos de higiene. “Consegui convencer a escola a deixá-los vir meia hora mais cedo, tomarem banho nos balneários, tomarem pequeno-almoço. Depois arranjei roupas, pu-los a falar da cultura cigana, de Portugal, e a integração melhorou”, conta.

Em San Sebastian os problemas eram outros. “Era sobretudo gente que vinha da Póvoa do Varzim para trabalhar na indústria da pesca de arrasto. O grande problema ali era a língua, porque as escolas ensinavam em euskera (basco) e havia um grande sentimento anti-espanhol”, e Joaquim Prazeres põe as coisas em contexto. “Foi entre 1993 e 1996, altura em que o terrorismo da ETA estava no auge. Chegou a haver atentados à porta da escola onde eu dava aulas. Era difícil integrar os alunos portugueses.”

Usou a fórmula do costume: trazer as turmas a Portugal, com miudagem de todas as nacionalidades. Depois ainda teve uma ideia que funcionou às mil maravilhas: organizar umas jornadas multiculturais na escola. As crianças traziam comida, danças, falavam das tradições de cada país e, com isso, comunicavam umas com as outras. “A escola tem de ser um espaço de diálogo, de fraternidade. Bati-me por isso toda a minha vida”, advoga Prazeres.

Em 1998, mudou de ares. Estava na dúvida se haveria de seguir caminho para Genebra ou Luxemburgo, mas a mulher, que já tinha passado por aqui, dissera-lhe que o Grão-Ducado era um lugar adorável. Então veio, sem grandes planos, ao sabor do destino. O resto é história. “Sorte a minha”, diz Joaquim Prazeres, em jeito de despedida. Não, não, Senhor Professor. Sorte a nossa. Ricardo Rodrigues – Luxemburgo in “Contacto”


quinta-feira, 1 de maio de 2025

Luxemburgo - Música inspirada em Pessoa marca Dia da Língua Portuguesa no próximo dia 05 de Maio

A 05 de maio, por ocasião da celebração do Dia Mundial da Língua Portuguesa, proclamado pela UNESCO, a Embaixada de Portugal e o Centro Cultural Português – Camões, organizam um recital de música de países lusófonos, por músicos oriundos de países de língua oficial portuguesa residentes no Luxemburgo



Eimy Dream (Angola), Gregório Carvalho (Brasil), Plácido Vaz (Cabo Verde), Ody Cadiz (Guiné-Bissau), Paulo Levi (Portugal) Hy-Khang Dang (Luxemburgo) apresentarão, no Dia Mundial da Língua Portuguesa, um repertório lusófono e uma composição inspirada em Fernando Pessoa, a peça “Saudades” (inspirada no “Livro do Desassossego” de Fernando Pessoa).

O recital terá lugar no Camões – Centro Cultural Português, às 19h00, e a entrada é livre.

Dado o número limitado de lugares disponíveis, solicita-se reserva para o seguinte email: ccp-luxemburgo@camoes.mne.pt. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 6 de abril de 2025

Luxemburgo - Um lobo de Lisboa e uma loba de Madrid foram viver para o Parc Merveilleux

Iniciativa integra-se nos esforços europeus para preservar o lobo-ibérico, cuja população tem vindo a recuperar nas últimas décadas, apesar dos desafios de coexistência com atividades humanas



Um lobo-ibérico macho, de 10 anos, nascido no Jardim Zoológico de Lisboa, e uma fêmea, de dois anos, proveniente de um santuário de animais em Cuenca, Espanha, foram viver juntos no Parc Merveilleux no Luxemburgo. O objetivo da instituição é contribuir para a conservação desta espécie ameaçada, promovendo a sua reprodução no âmbito de um programa europeu.

Os dois lobos foram integrados numa área de 5 mil metros quadrados, onde podem circular livremente e, segundo o veterinário do parque, Guy Willems, os animais “adaptaram-se muito bem” ao novo habitat.

A chegada dos lobos faz parte de uma parceria com o Programa Europeu de Salvamento de Espécies, que visa garantir a sobrevivência do lobo-ibérico.

“Queremos que os dois animais procriem, é um dos motivos de terem vindo para o parque”, explicou o tratador responsável ao jornal português no Luxemburgo "O Contacto".

Os lobos-ibéricos tornaram-se uma das principais atrações do Parc Merveilleux de Bettembourg, que reabriu ao público a 29 de março, iniciando a sua 69.ª temporada.

Uma espécie ameaçada que recuperou até 2024

O lobo-ibérico é uma subespécie do lobo-cinzento, originária da Península Ibérica. No passado, a sua população foi drasticamente reduzida devido a campanhas de caça e envenenamento, especialmente durante as décadas de 1970. Estima-se que, nessa altura, restassem apenas cerca de 50 casais.

Os esforços de conservação deram frutos.

Segundo dados da UE, em 2023 existiam cerca de 20.300 lobos na Europa, com as maiores concentrações nos Balcãs, nos países nórdicos, em Itália e em Espanha. O crescimento da população tem gerado dificuldades de convivência com atividades humanas, especialmente devido aos ataques ao gado.

Situação do lobo-ibérico em Portugal

Em Portugal, a recuperação do lobo-ibérico a sul do Douro também teve bons resultados.

O projeto LIFE WolFlux, que decorreu ao longo de seis anos e terminou em dezembro de 2024, implementou diversas medidas para promover a coexistência entre lobos e humanos.

Desenvolvido pela Rewilding Portugal com parceiros locais e apoio da Comissão Europeia, o projeto LIFE WolFlux implementou medidas como a introdução de presas selvagens, cães de guarda e vedações e promoveu a coexistência entre lobos e humanos. Apesar de terminado o projeto, há ainda desafios a ultrapassar, como a necessidade de melhorar a ligação entre alcateias dispersas, prevenir danos e simplificar indemnizações para produtores lesados, conclui no seu relatório final.

Em Portugal, estima-se que existam entre 250 a 300 lobos-ibéricos (dados até novembro de 2024), com a maioria concentrada a norte do rio Douro, onde a subpopulação se mantém relativamente estável.

Apenas cerca de 14% destes animais vivem a sul do Douro, numa situação mais vulnerável. Aqui, os lobos estão distribuídos por algumas alcateias dispersas e isoladas, algumas localizadas no Grande Vale do Côa e outras mais a oeste.

Proteção do lobo enfraquecida na Europa em 2025

A nível europeu, o estatuto de proteção do lobo sofreu um revés no final de 2024, quando os países decidiram reduzir o nível de proteção da espécie.

Sob pressão dos criadores de gado, a Convenção de Berna – que regula a proteção da vida selvagem na Europa – aprovou a passagem do lobo de “espécie estritamente protegida” para “protegida”.

A proposta de revisão foi apresentada pela União Europeia, que justificou a mudança com o aumento da população de lobos e os crescentes conflitos com os criadores de gado.

Na sua proposta, a UE, que afirma basear-se numa “análise aprofundada do estado” do carnívoro no seu território, dá conta de uma população crescente, atingindo 20.300 indivíduos em 2023, maioritariamente nos Balcãs, nos países nórdicos, em Itália e em Espanha.

Uma expansão que estaria na origem de dificuldades de “coexistência com as atividades humanas, nomeadamente devido aos danos causados à pecuária, que atingiram níveis significativos”, segundo Bruxelas.

A decisão entrou em vigor a 7 de março de 2025. Catarina Almeida – Portugal in “SIC Notícias”


segunda-feira, 24 de março de 2025

Portugal - Startup da UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto lidera projeto para criar airbag de satélites

A startup da UPTEC vai desenvolver um dispositivo inovador que acelera a remoção de satélites inativos da órbita terrestre



O consórcio internacional liderado pela SpaceO, startup incubada na UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, venceu o contrato para o desenvolvimento de uma nova tecnologia de recolha de satélites em fim de missão e lixo espacial.

O projeto SWIFT (Spacecraft With Inflatable Termination), orçamentado em 3 milhões de euros e que conta com o apoio da Agência Espacial Europeia (ESA), prevê o lançamento no espaço de uma vela de arrasto insuflável para acelerar a desorbitação e garantir um ambiente espacial mais sustentável.

O SWIFT foi concebido para se tornar o equipamento padrão a bordo de todos satélites a serem lançados no futuro. “Atualmente, os satélites completam a sua missão e permanecem na órbita terrestre durante décadas, agravando o problema dos detritos espaciais,” sublinha João Pedro Loureiro, fundador da SpaceO.

O processo de remoção de satélites inativos – e existem cerca de 9900 a sobrevoar a Terra – pode demorar décadas. “A nossa tecnologia permitirá que, no futuro, os satélites sejam desintegrados de forma controlada – uma vez obsoletos iniciam uma trajetória descendente que os fará incandescer e desintegrar – contribuindo para reduzir o lixo espacial”, acrescenta o responsável da empresa.

O sistema tem dimensões compactas, ocupando apenas 100 mm3, e quando ativado insufla uma vela de arrasto de 1,5 m2 capaz de “abraçar” satélites do tipo 12U até 24 quilogramas de peso. “Embora tenha sido inicialmente concebido para pequenos satélites, o design o SWIFT é escalável e poderá ser adaptado para satélites de maior porte e até constelações de satélites,” refere Pedro Miguel Carneiro, co-fundador da SpaceO.

SpaceO: líder de consórcio multinacional europeu

A SpaceO vai liderar ambas as fases do projeto SWIFT: a fase de desenvolvimento em solo e a fase de lançamento e experimentação orbital. “Quando tudo estiver concluído em 2028, é muito provável que o lançamento do SWIFT seja feito nos Estados Unidos pela SpaceX,” esclarece João Pedro Loureiro.

O consórcio liderado pela SpaceO integra mais três empresas europeias: a luxemburguesa GomSpace, a francesa SpaceLocker e a neerlandesa SolidFlow.

A SpaceO recebeu, em 2023, financiamento da Portugal Ventures no âmbito da call INNOV-ID. Universidade do Porto - Portugal