Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Dióxido de Carbono. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Dióxido de Carbono. Mostrar todas as mensagens

domingo, 6 de julho de 2025

Timor-Leste - Fundação Carbon Offset Timor – Plantar um futuro mais verde no país

Com mais de 219 mil hectares de terras agrícolas, Timor-Leste pode ser um exemplo na economia verde. No entanto, os agricultores — que representam a maioria da população rural — continuam a integrar o estrato social mais vulnerável do país


Segundo o relatório do Censo Agrícola de 2019, Timor-Leste dispõe de mais de 219 mil hectares de áreas agrícolas. A maioria da população rural dedica-se à agricultura, dependendo fortemente das plantações para garantir o sustento diário.

O Global Forest Watch indica que 67% do terreno timorense é coberto por floresta natural, contando com 1,01 milhão de hectares de áreas florestais em 2020. No entanto, tem havido uma tendência para a perda de “cobertura arbórea”, como mostram os dados de 2024, em que se registou uma perda de 1,36 mil hectares de floresta natural, o que equivale a 520 mil toneladas de emissões de CO.

A Fundação Carbon Offset Timor (FCOTI) é uma ONG local, instituída legalmente em outubro de 2018, mas que tem trabalhado na plantação comunitária de árvores desde 2009. A iniciativa já beneficiou mais de 225 famílias e mais de 2000 agricultores individuais em zonas rurais, contribuindo simultaneamente para a mitigação das alterações climáticas globais, através de créditos de remoção de carbono baseados no reflorestamento comunitário.

O Diligente entrevistou o diretor-executivo da FCOTI, Alexandre Sarmento, para falar sobre os projetos desenvolvidos ao longo da existência da fundação. Com apoio suficiente, o objetivo da FCOTI passa por alargar os serviços e beneficiar mais pessoas.

“Dependendo dos recursos, queremos expandir-nos para outros municípios em Timor-Leste e, eventualmente, para outros países vizinhos na região, especialmente a Indonésia Oriental e os Estados insulares do Pacífico”.

Atualmente, quais são as principais atividades desenvolvidas pela fundação?

Desenvolvemos ações de reflorestamento comunitário e agroflorestal, concedemos bolsas de estudo a estudantes do ensino secundário em Laclubar — em parceria com a GTNT-Darwin Austrália — e disponibilizamos microcrédito a agricultores que gerem os seus pequenos negócios. Também formamos mulheres da comunidade na confeção de marmelada, utilizando produtos locais, e reabilitamos pequenas infraestruturas, como salas de aula e casas de banho escolares em zonas rurais, em parceria com o Rotary Club.

A FCOTI também tem estabelecido contratos com o PNUD (UNDP em inglês) e com um projeto chamado EARTH (Enhanced Agroforestry for Resilient Timorese Households), em parceria com a World Vision. O EARTH é financiado pela União Europeia e pela World Vision.

Em que consistem os projetos Carbon Offset e Halo Verde?

O nome completo do nosso principal projeto de carbono é Halo Verde Timor Community Forest Carbon. Numa forma mais curta, chamamos de Projeto Halo Verde. Consiste em atividades agroflorestais e de reflorestamento, com agricultores dos municípios de Manatuto, Manufahi e Viqueque.

As atividades são pensadas e executadas segundo os princípios de não emissão de dióxido de carbono.

Quem são os principais parceiros da fundação?

GTNT-Darwin Australia, Rotary Club NSW, Australia, UNDP, JICA, World Vision & EU, The Plan Vivo Foundation no Reino Unido, vários compradores de créditos de carbono da Austrália, Europa (Dinamarca, Reino Unido, Portugal, Alemanha) e Estados Unidos da América.

Quais são as principais conclusões das pesquisas realizadas pela FCOTI sobre agricultura e alterações climáticas em Timor-Leste?

Normalmente, realizamos pesquisas regulares junto das famílias, para determinar as suas opiniões e perceções, e avaliar o impacto económico a nível familiar e ambiental. A última pesquisa foi realizada em 2021. Há uma pesquisa em curso (em 2025).

O que significa “Carbon Credit Sell” e como funciona?

Um crédito de carbono, também conhecido como compensação de carbono (carbon offset), é uma licença negociável que representa uma tonelada métrica de dióxido de carbono (ou seu equivalente em outros gases de efeito estufa) que foi reduzida, evitada ou removida da atmosfera. Esses créditos são gerados por projetos que mitigam ativamente as mudanças climáticas, como o desenvolvimento de energia renovável, o reflorestamento ou tecnologias de captura de carbono. Essencialmente, permitem que empresas ou indivíduos compensem as suas próprias emissões, apoiando projetos que reduzem as emissões noutros lugares.

Por exemplo, se um agricultor planta um hectare de árvores, esse hectare absorve 100 toneladas de CO2, então esse agricultor tem 100 créditos (uma tonelada métrica de dióxido de carbono é cotada em um crédito). Se um crédito custa 20 dólares, o agricultor ganha 2000 dólares.

Pode explicar o que é o Acordo de Pagamento de Serviços Ecossistémicos (PES Agreement)?

O acordo PES é um acordo entre o agricultor e a fundação. Define as tarefas e responsabilidades de cada parte. O pagamento aos agricultores varia, dependendo da sobrevivência da árvore e da venda do crédito de carbono no mercado, com base no preço esperado. Se essas duas condições não forem cumpridas, o pagamento aos agricultores será retido.

Porque é que os agricultores recebem pagamentos de 10 anos, se o acordo tem a duração de 30?

Uma vez plantada, uma árvore deve permanecer no solo por mais de 30 anos. Idealmente, nenhuma árvore deve ser cortada.

O nosso acordo inicial com os agricultores é de 10 anos. Terminado esse período, são oferecidos pequenos incentivos aos agricultores para que continuem a manter as árvores nos 20 anos seguintes. É importante observar que a maioria das nossas áreas são agroflorestais. A floresta é mais rentável para os agricultores que os créditos de carbono, cujo mecanismo gera apenas um dinheiro extra para os agricultores. Os créditos de carbono não devem ser tratados como o principal produto da floresta ou agrofloresta.

Quais foram os principais resultados alcançados até hoje?

Até hoje, mais de 250 mil árvores foram distribuídas e plantadas pelas comunidades. Temos mais de 150 hectares sob o programa de carbono e mais de 91 mil dólares pagos aos agricultores até 2024. Mais de 35 créditos de carbono vendidos em mercados internacionais, 226 acordos de PES assinados com as comunidades e mais de 600 bolsas de estudo concedidas desde 2011.

Quais os maiores desafios enfrentados pela fundação ao longo do tempo?

Somos uma pequena fundação local, timorense, com recursos limitados. Precisamos de aumentar a nossa capacidade em termos de administração, mas também em termos de estrutura, para que nos possamos expandir para outras áreas. Sem recursos suficientes, os nossos planos futuros ficam apenas no papel. Ainda temos vários desafios pela frente.

Os maiores desafios que enfrentamos na comunidade incluem o pasto de animais, a queima de florestas e a falta de registos de propriedade dos terrenos.

Que recomendações deixaria à sociedade civil, às instituições e ao Governo?

Todos nós precisamos de fazer a nossa parte e dar o nosso contributo para a Mãe Natureza. O que fazemos pode ser uma pequena gota no oceano. No entanto, se agirmos em conjunto, podemos ter um impacto maior.

Como podem os cidadãos ajudar ou envolver-se com a Fundação?

Qualquer agricultor pode participar no programa desde que cumpra com os critérios mínimos mencionados anteriormente.

Quais são os critérios utilizados para selecionar os agricultores participantes?

Por se tratar de um compromisso de longo prazo – 30 anos –, temos dois níveis de critérios.

O primeiro nível é para as terras elegíveis: a terra não deve estar sob disputa, não deve ser usada para desenvolvimento futuro de infraestruturas, como o alargamento de estradas, a construção de escolas e clínicas e, portanto, o local deve estar longe de áreas residenciais. A terra deve ser desmatada. É estritamente proibido, de acordo com o nosso guia, cortar árvores para plantar árvores.

No segundo nível, avaliamos os agricultores: devem ser timorenses, residir em áreas rurais, estar saudáveis ​​para plantar árvores, devem garantir a propriedade da terra e devem assinar um acordo connosco para cuidar das árvores sem as cortar ao longo desses 30 anos.

Existem planos para envolver jovens ou escolas em atividades de sensibilização ambiental?

Tentamos sempre envolver jovens e estudantes do ensino secundário em Laclubar, Lacluta e Lospalos, em ações de treino agroflorestal, como uma atividade extracurricular. Em Laclubar, além de oferecer bolsas de estudo, também oferecemos formação e treino em biodiversidade.

A fundação também ofereceu bolsas de estudo a 13 estudantes universitários. No entanto, devido à falta de financiamento, o programa foi descontinuado. Um dos nossos bolseiros universitários está agora a trabalhar com a fundação.

A FCOTI recebe financiamento do Estado timorense ou apenas de parceiros externos?

Durante a pandemia da COVID-19, o Governo de Timor-Leste concedeu um pequeno subsídio à FCOTI para cobrir os custos operacionais do escritório e manter o pessoal essencial. O Governo também concedeu um subsídio adicional em 2021, para a realização de atividades de campo, mas 93% do financiamento da fundação vem de parceiros internacionais, especialmente compradores de créditos de carbono.

Como é feita a monitorização dos resultados ambientais obtidos?

A monitorização anual é muito rigorosa e envolve o proprietário da fazenda e a equipa de campo: medem e reportam o crescimento das árvores, as taxas de sobrevivência, o diâmetro à altura do peito, a altura das árvores, etc. Os dados devem ser reportados ao Plan Vivo, que concede a certificação internacional ao nosso projeto. O relatório também é publicado no site. Reportamos regularmente às autoridades locais e mantemos uma boa relação com elas. Antónia Martins – Timor-Leste in Diligente


terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Internacional - Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto desenvolve tecnologia inovadora para converter CO₂ em e-metanol

No âmbito do projeto eMetCO2, a equipa liderada pela investigadora Francisca Moreira vai desenvolver um eletrolisador com características inovadoras para a redução eletroquímica do CO2 em metanol



Para atender à necessidade urgente de mitigar a crescente concentração de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera, um dos principais responsáveis pelo aquecimento global e pelas alterações climáticas, surge o projeto eMetCO2. Este projeto, que conta com a participação da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), pretende desenvolver uma tecnologia inovadora e energeticamente eficiente para a conversão de CO₂ em e-metanol, um combustível e produto químico versátil com inúmeras aplicações energéticas e industriais.

A solução passa pela redução eletroquímica do CO2 (eCO₂R), a qual oferece uma alternativa sustentável para a captura, utilização e armazenamento de carbono. A ausência de eletrolisadores eficientes para a eCO₂R, capazes de oferecer alta taxa de conversão e estabilidade a longo prazo, representa um desafio significativo à sua implementação. O projeto eMetCO2 pretende superar esta limitação por meio do desenvolvimento de um eletrolisador com um design inovador e eletrocatalisadores de última geração.

Através da equipa liderada por Francisca Moreira, investigadora do Laboratório de Processos de Separação e Reação – Laboratório de Catálise e Materiais (LSRE-LCM) do Departamento de Engenharia Química e Biológica, a FEUP é responsável pela linha de investigação relacionada com o “desenvolvimento, caracterização e otimização de um sistema eNETmix”.

Na prática, será desenvolvido e caracterizado um eletrolisador inovador baseado no misturador estático NETmix, com o auxílio de simulações avançadas de Dinâmica de Fluidos Computacional (CFD). Simultaneamente, será desenvolvido um protótipo à escala laboratorial nas instalações do laboratório colaborativo Net4CO2, integrando o novo eletrolisador, no qual serão realizados ensaios de otimização da eCO₂R em e-metanol.

Para a investigadora, este projeto pretende acelerar a implementação desta solução no mercado. “A eCO₂R encontra-se, atualmente, num nível de prontidão tecnológica (TRL) baixo e requer avanços significativos na inovação do design de reatores e no desenvolvimento de eletrocatalisadores de última geração. Esta tecnologia será desenvolvida à escala laboratorial sob condições relevantes para uma aplicação industrial subsequente, com o objetivo de aumentar o TRL da tecnologia de 2 para 5 e atrair interesse comercial.”

A par de Francisca Moreira, a equipa do LSRE-LCM conta com o contributo dos investigadores Ricardo Santos, Tânia Silva e Vítor Vilar. “A integração do LSRE-LCM e da FEUP neste projeto inovador proporciona acesso a redes de colaboração internacionais, reunindo conhecimentos complementares e especializados em áreas distintas, o que impulsiona o desenvolvimento de soluções verdadeiramente inovadoras e de impacto global. Para além disso, a participação num projeto desta relevância aumenta o prestígio e a visibilidade do laboratório e da faculdade, consolidando a sua posição como referência de excelência no campo da investigação científica e tecnológica”.

Colaboração entre a FEUP e o Net4CO2

Nascido da colaboração contínua entre a FEUP e o coordenador do projeto, o laboratório colaborativo Net4CO2, o qual está instalado no Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC), este projeto resulta de uma parceria que tem promovido uma forte sinergia entre investigação fundamental e aplicada, unindo o avanço científico a soluções com maior aplicabilidade industrial.

Para atingir os seus objetivos gerais, o projeto eMetCO2 é apoiado por uma equipa colaborativa, transnacional e interdisciplinar com capacidades reconhecidas e experiência em eletroquímica, eletrocatálise, ciência dos materiais, química, dinâmica de fluidos e engenharia, provenientes da academia e da indústria de três países diferentes: Portugal, Espanha e Estónia.

A representar Portugal estão os supracitados FEUP e Net4CO2, assim como o parceiro industrial Ria Stone. De Espanha vêm as contribuições das universidades de Alicante e da Cantábria, e da Estónia vem o contributo da Universidade de Tartu. A liderança dos seis pacotes de trabalho que definem o projeto eMetCO2 é distribuída por estas entidades. Universidade do Porto - Portugal


quarta-feira, 8 de maio de 2024

Portugal - Universidade de Coimbra aposta na regeneração de óleos lubrificantes usados através de CO2 de instalações industriais

Um grupo de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) está a desenvolver uma tecnologia sustentável para a regeneração de óleos lubrificantes usados, através de dióxido de carbono (CO2) de instalações industriais.


O projeto Regeneration of used lubricant oil by supercritical CO2 - a process towards circular economy and environmental health (NeWLOife), um dos vencedores da 4.ª edição dos Prémios Semente de Investigação Científica Interdisciplinar da Universidade de Coimbra, está a ser desenvolvido em parceria com a Sogilub - Sociedade de Gestão Integrada de Óleos Lubrificantes Usados, Lda. e pretende reduzir o elevado impacto ambiental dos óleos lubrificantes usados e criar um produto de alta qualidade capaz de ser reintroduzido no seu ciclo de vida útil.

«Os óleos lubrificantes usados são altamente poluentes, mas podem ser também um recurso, uma vez que são derivados do petróleo. Ou seja, se tivermos a possibilidade de regenerar eficazmente aquele que já existe em vez de utilizar óleo novo, é, naturalmente, uma mais valia. Se, adicionalmente, pudermos aproveitar o dióxido de carbono das indústrias para o processo de regeneração, podemos atingir uma pegada negativa», acredita Cecília Santos, investigadora do Departamento de Química da FCTUC e coordenadora do projeto.

Assim, «a ideia é limpar os óleos usados através do uso de dióxido de carbono supercrítico e reintroduzi-los no ciclo de vida. A utilização de CO2 como solvente não só tem o potencial de ser uma tecnologia mais limpa e mais económica, sem produtos secundários, como pode ajudar a capturar dióxido de carbono de instalações industriais», garante a investigadora. 

Os resultados obtidos são bastante promissores e mostram que esta tecnologia pode trazer diversas vantagens a vários níveis, mas em particular para o meio ambiente, quando comparada com as já existentes. Neste momento, estão ainda a decorrer alguns estudos ao nível da composição química do óleo regenerado, mas o passo seguinte é a otimização do processo.

De acordo com a Química, esta tecnologia tem duas particularidades que a diferenciam das restantes: «pode ser autossustentada, o que terá impacto económico, ao reaproveitar CO2 e direcionar os contaminantes dos óleos para outras indústrias; e é menos poluente, os processos que existem atualmente utilizam solventes, gerando resíduos ainda mais contaminantes do que o próprio óleo usado».

«Temos aqui vantagens claras e estamos no ponto do projeto em que já temos evidencias de que o processo é viável e tem um bom rendimento. É ainda necessário otimizar, melhorando as condições experimentais para conseguirmos uma maior quantidade de óleo e com melhor qualidade», conclui

Futuramente, o objetivo é que este projeto tenha um foco mais alargado, nomeadamente em relação à aplicação dos resíduos contaminantes do óleo e a possível integração na indústria do asfalto. Universidade de Coimbra - Portugal

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Internacional - Desflorestação: Todos os anos arde no mundo uma área com cerca de 10 milhões de hectares, alerta ONU

Todos os anos a floresta perde cerca de 10 milhões de hectares, uma área superior à dimensão de Portugal e equivalente à da Islândia, segundo os dados da Organização das Nações Unidas (ONU), que adverte para esta “alarmante” desflorestação global.

Este fenómeno, em conjunto com a agricultura e outras alterações do uso do solo, é responsável por 25% das emissões globais de gases com efeito de estufa, o que afasta cada vez mais o mundo de atingir os objetivos florestais e acabar ou inverter a desflorestação até 2030, de acordo com o último relatório do Programa UN-REDD, feito pelo Centro de Monitorização da Conservação Mundial (UNEP-WCMC) do Programa das Nações Unidas para o Ambiente e pela iniciativa Green Gigaton Challenge (GGC).

Para que as metas de 2030 possam ser alcançadas e assim se possa progredir em relação ao objetivo de 1,5°C do Acordo de Paris, é necessário que as emissões sejam revertidas, mais tardar até 2025, segundo o relatório

A defesa climática e a inversão da desflorestação na Amazónia foi um dos motes da campanha do agora presidente do Brasil Lula da Silva, que planeia convocar uma cimeira este ano com os presidentes dos onze países que partilham a maior área verde do planeta.

Com esta reunião, o líder brasileiro pretende restabelecer as medidas de combate à desflorestação na floresta tropical amazônica que foram abandonadas pelo seu antecessor Jair Bolsonaro durante o seu mandato, o que resultou num aumento de quase 60% de destruição florestal, com uma área média devastada de 11396 quilómetros quadrados por ano.

O desaparecimento de florestas tem sido causado maioritariamente pelos incêndios que, além de destruírem também a biodiversidade, libertam grandes quantidades de CO2 para a atmosfera.

Em 2022, arderam cerca de 786 mil hectares de floresta na União Europeia (EU), dos quais 39% em Espanha, e foram libertadas 28 milhões de toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera. Também na província argentina de Corrientes, no nordeste do país, há registo de 785 mil hectares queimados e na Bolívia 855.

Com estes números, a ONU acredita que será impossível limitar o aumento médio da temperatura global a 1,5°C sem que as florestas desempenhem um papel importante, tanto em termos das reduções maciças de emissões que podem ser conseguidas travando a desflorestação como do carbono adicional que pode ser sequestrado através de uma melhor gestão florestal e reflorestação. Beatriz Maio – Portugal in “MultiNews – Sapo”

 

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

União Europeia – Está a fazer de Portugal um exemplo, processando-os por má qualidade do ar


Portugal está a ser processado pela Comissão Europeia por não ter tomado medidas contra a má qualidade do ar.

O país tem alguns dos níveis mais altos de dióxido de nitrogénio (NOX) na atmosfera como resultado do tráfego rodoviário, em particular de veículos a diesel. Assim, a UE decidiu apontar o seu dedo publicamente, remetendo Portugal para o Tribunal de Justiça da União Europeia.

Seguir o código de qualidade do ar ambiente da UE é fundamental para proteger os cidadãos e o meio ambiente, afirma. Quando um estado-membro excede o limite de poluição do ar, existem consequências.

Portugal excedeu “contínua e persistentemente” o limite anual de dióxido de azoto em três zonas de qualidade do ar em Lisboa, Porto e Minho. E apesar de dois avisos, um em 2019 e outro em 2020, o país não conseguiu adotar novas medidas para o tráfego rodoviário para reduzir a poluição por dióxido de nitrogénio.

Durante a pandemia, a poluição atmosférica diminuiu drasticamente em Portugal, indicando que o tráfego automóvel foi a maior fonte de emissões de NOX e CO2. Infelizmente, mais transportes públicos não ajudavam a resolver o problema, uma vez que a rede de transportes públicos de Lisboa já estava “a colapsar sob o peso do seu próprio sucesso” com a procura a aumentar, de acordo com a Transport Environment.

No início deste ano, o Tribunal de Justiça Europeu também decidiu que a Alemanha "sistematicamente" excedeu os valores-limite para o óxido de nitrogénio em várias cidades, incluindo Berlim. Diante da ameaça de penalidades financeiras se não melhorar, o país agora está a trabalhar para melhorar a poluição nas áreas urbanas.

Quais são os perigos do dióxido de nitrogénio?

O dióxido de nitrogénio, um gás emitido por carros, centrais de energia e fábricas, é responsável por algumas doenças respiratórias e cardíacas.

Causa 50 mil mortes prematuras na UE todos os anos, de acordo com a Agência Europeia do Ambiente (EEA) e pode desencadear doenças graves como a asma e a função pulmonar reduzida.

Aqueles que correm maior risco com o dióxido de nitrogénio são as crianças, idosos, pessoas com asma, fumadores, qualquer pessoa que possua aparelhos de aquecimento e cozinha que emitem algum nível de NO2 usando combustíveis fósseis e aqueles que vivem perto ou trabalham em centrais movidas a carvão.

O dióxido de nitrogênio também prejudica o meio ambiente, causando chuva ácida, aumento da neblina e poluição por nutrientes.


Então, como pode Portugal melhorar a qualidade do ar?

Veículos elétricos mais limpos em Portugal reduziriam significativamente as emissões de dióxido de carbono, óxido de nitrogénio e dióxido de enxofre.

A UE também está a incentivar o país a reduzir a poluição por NO2, restringindo o acesso a carros altamente poluentes nos centros das cidades.

“Fortes zonas de baixa emissão que gradualmente eliminam todos os carros altamente poluentes em favor de viagens ativas, transporte público ou veículos elétricos compartilhados são cruciais para enfrentar a crise de poluição do ar que afeta as nossas cidades”, diz Francisco Ferreira, Presidente da ZERO e sócio da Campanha Cidades Limpas em Portugal.

“Lisboa e Porto têm de implementar zonas de emissão zero o mais rapidamente possível para proteger a saúde dos seus cidadãos”.

As autoridades da cidade de Lisboa também estão investindo no ciclismo, incluindo ajuda para as pessoas que compram bicicletas, ciclovias e esquemas de compartilhamento de bicicletas. Além disso, o governo português está a oferecer um subsídio de 10 por cento do preço até € 100 para quem comprar bicicletas - e o município local irá apoiar 50 por cento, até € 350. Maeve Campbell – Reino Unido in Euronews.green




 

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

China - Florestas absorvem mais poluentes do que se imaginava

A política agressiva da China de plantio de árvores estará a desempenhar um papel significativo na moderação do impacto climático no país. Uma equipa internacional identificou duas áreas chinesas onde a escala de absorção de dióxido de carbono por novas florestas foi subestimada


As áreas analisadas pelos investigadores representam mais de 35% de toda a captura de carbono da China, segundo refere o estudo baseado em observações terrestres e por satélite.

O sequestro de carbono ocorre quando um reservatório – como florestas – absorve mais carbono do que liberta, reduzindo assim a concentração de CO2 na atmosfera. A China é a maior emissora mundial de dióxido de carbono produzido pelo homem, responsável por cerca de 28% das emissões globais. Contudo, já declarou a intenção de atingir o pico das emissões antes de 2030 e passar para a neutralidade de carbono até 2060.

“Alcançar a meta de carbono zero da China até 2060, recentemente anunciada pelo Presidente chinês Xi Jinping, envolverá uma grande mudança na produção de energia e também o crescimento de reservatórios de sequestro de carbono sustentável”, disse Yi Liu, do Instituto Atmosférico Física (IAP), da Academia Chinesa de Ciências em Pequim, co-autor do estudo publicado na revista científica “Nature”.

“As actividades de florestamento descritas no artigo [da Nature] desempenharão um papel importante para atingir essa meta”, acrescentou à BBC.

O aumento das matas na China já é evidente há algum tempo. Milhões e milhões de árvores foram plantadas nas últimas décadas para combater a desertificação e a perda de solo, bem como para fomentar indústrias de madeira e papel, mas até agora estimava-se que o seu efeito tivesse sido pouco expressivo.

“A China é um dos maiores emissores globais de CO2, mas o quanto é absorvido pelas suas florestas é muito incerto”, explicou o cientista do IAP Jing Wang, principal autor do relatório. Mas, “trabalhando com dados de CO2 recolhidos pela Administração Meteorológica Chinesa, fomos capazes de localizar e quantificar quanto CO2 é absorvido pelas florestas chinesas”.

As duas áreas de sequestro de carbono até então subestimadas situam-se nas províncias de Yunnan, Guizhou e Guangxi (sudoeste) e no nordeste do país, particularmente nas províncias de Heilongjiang e Jilin.

A biosfera terrestre sobre o sudoeste da China, de longe a maior região individual de absorção, representa uma absorção de cerca de -0,35 petagramas por ano, representando 31,5% do sequestro de carbono terrestre chinês. Um petagrama equivale a mil milhões de toneladas.

O co-autor Paul Palmer, professor da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, disse que o tamanho dos reservatórios da floresta pode parecer surpreendente, mas apontou a concordância muito boa entre as medições espaciais e em terra como motivo para confiar no estudo. “Declarações científicas ousadas devem ser apoiadas por grandes quantidades de evidências e isso é o que fizemos neste estudo”, salientou o cientista do Centro Nacional de Observação da Terra NERC.

“Reunimos uma série de evidências baseadas em dados terrestres e de satélite para formar uma narrativa consistente e robusta sobre o ciclo do carbono chinês”, acrescentou. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências Internacionais”