Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 28 de julho de 2026

Brasil - Nova Era – Fondation Jean Pina expande horizontes com entrega de 50 cabazes

A Nova Era – Fondation Jean Pina, em parceria com a Associação Vida à Vida, promoveu a entrega de 50 cestas básicas na cidade de Goiânia, no Estado de Goiás, no Brasil. A iniciativa teve como objetivo prestar apoio direto e levar bens de primeira necessidade a famílias em situação de vulnerabilidade social na região


Fundada em 2014, a ONG Vida à Vida atua na região metropolitana de Goiânia e em várias localidades do interior do estado de Goiás, desenvolvendo projetos voltados para a assistência e apoio comunitário.

João Pina, fundador da fundação sediada em França, sublinhou esta quinta-feira nas redes sociais a importância desta cooperação e expressou o seu reconhecimento pelo trabalho desenvolvido no terreno pela equipa diretiva da associação, composta pela presidente Carolina Sírio Nascimento Farinelli, pela vice-presidente Nara Medeiros de Carli e pela secretária Mara Olivia Viegas.

“A Nova Era – Fondation Jean Pina agradece de coração à Associação Vida à Vida pela importante parceria e pelo compromisso em levar solidariedade, apoio e esperança às famílias que mais precisam”, declarou o empresário benemérito. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sábado, 11 de julho de 2026

Venezuela - Mais de 17 mil pessoas estão em 80 acampamentos temporários

Diretor da Organização Pan-Americana de Saúde, Opas, fala da situação no país devastado por terremotos no final de junho, a agência procura mobilizar US$ 24 milhões para resposta imediata, deste total, já foram recebidos US$ 9 milhões


Mais de duas semanas após os dois terremotos que atingiram a Venezuela, o número de mortos já passa de 3,8 mil, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde, Opas.

O diretor da agência, Jarbas Barbosa, falou com a ONU News sobre a situação em campo. Estima-se que mais de 712 mil pessoas viviam em municípios expostos à maior intensidade sísmica. Os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram a região norte da Venezuela.

Ampliação do atendimento aos feridos

O chefe da Opas contou à ONU News como está a ser o trabalho da agência no país:

“A nossa equipa foi reforçada para que o governo da Venezuela consiga responder a esta situação tão grave. Estamos a trabalhar em várias áreas, tanto coordenando o envio das equipas internacionais de emergência, que já chegaram à Venezuela, algumas com capacidade de fazer cirurgias, de atender emergências, ou seja, ampliando rapidamente a capacidade de atender aos feridos”.

De acordo com o diretor, também estão a ser mobilizados recursos para que as mais de 17 mil pessoas que estão em quase 80 acampamentos temporários possam ter acesso a vacinas, comida segura, água potável e saneamento.

Segundo ele, estas medidas são fundamentais para prevenir ou identificar rapidamente surtos de doença respiratórias ou diarreicas, que são frequentes nessa região.

Um apelo à solidariedade

A estratégia de resposta da Opas concentra-se em atender às necessidades imediatas de saúde e, ao mesmo tempo, apoiar a recuperação inicial do sistema de saúde durante os primeiros seis meses da emergência. A estratégia é viabilizada por meio de um apelo de financiamento feito pela agência.

“Lançamos um apelo para mobilizar US$ 24 milhões para essa resposta imediata. Já recebemos quase US$ 9 milhões de dólares desses 24 e seguimos incentivando a solidariedade internacional e a boa coordenação entre todas as organizações das Nações Unidas para que possamos apoiar conjuntamente e de forma bem coordenada a resposta adequada a esta situação tão dramática que temos na Venezuela”.

Segundo agências de notícias, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, FMI, Kristalina Georgieva, conversou esta semana com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. O objetivo é fazer com que o país possa aceder a parte dos seus ativos retidos pela organização internacional para responder à crise causada pelos terremotos. ONU News – Nações Unidas


sábado, 28 de fevereiro de 2026

Luxemburgo - Saiu mais uma remessa com apoio às vítimas das tempestades em Portugal

Partiram esta sexta-feira para Portugal mais 20 toneladas de apoio humanitário para as vítimas das tempestades que entre janeiro e fevereiro assolaram a zona Centro do país. Esta é a segunda “remessa” enviada pelo Grupo Sopinor e pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Luxemburguesa (CCILL), e pelo menos mais duas sairão do grão-ducado nas próximas semanas


O apelo da CCILL e da Sopinor aos empresários do Luxemburgo gerou uma onda de solidariedade praticamente sem precedentes, e prova disso têm sido as toneladas de bens materiais feitas chegar ao centro de logística da Sopinor, em Schifflange, com destino a Portugal.

O primeiro semi-reboque encheu-se rapidamente com materiais de construção, ferramentas e equipamentos de proteção individual (EPI). Num total, 24 toneladas foram entregues na passada segunda-feira, 23 de fevereiro, aos concelhos de Ourém e Marinha Grande.

Esta nova carga tem sobretudo material de construção destinado à reparação de telhados, e terá como destino os distritos de Leiria e Santarém. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Caritas Macau angaria fundos para ajudar Portugal e Espanha

Durante três meses, a Caritas Macau irá recolher fundos para apoiar as vítimas dos temporais que têm afectado Portugal e Espanha. Paul Pun destacou a “ligação especial” entre o território e o povo português


A Caritas Macau está a angariar fundos para os afectados pelas tempestades na Península Ibérica, sobretudo devido à “ligação especial” entre Portugal e a RAEM, disse ontem à Lusa o secretário-geral da instituição.

“Os residentes de Macau incluem cidadãos portugueses. Os nossos colegas são portugueses, os nossos vizinhos são portugueses, os nossos parceiros são portugueses. Talvez os nossos professores sejam portugueses”, disse Paul Pun Chi Meng.

Os censos de 2021 indicam mais de 2200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong.

“Ao vermos e percebermos que há sofrimento lá [em Portugal], podemos ajudar”, explicou o secretário-geral da Caritas Macau.

Numa nota publicada nas redes sociais, a organização católica lamentou as “tempestades devastadoras” que provocaram “inundações catastróficas” e deslizamentos de terras em Portugal e Espanha, destruindo infra-estruturas e casas. “Milhares de pessoas estão desalojadas e necessitam urgentemente de água, alimentos e cuidados médicos. As equipas locais trabalham incansavelmente, mas a recuperação será longa e desafiante”, alertou a Caritas Macau.

Paul Pun demonstrou esperança na solidariedade da população de Macau, especialmente numa altura em que se aproxima o Ano Novo Lunar, a mais tradicional festividade chinesa, que este ano calha em 17 de Fevereiro.

A campanha de angariação de fundos foi lançada na terça-feira e irá decorrer durante três meses, referiu o líder da Caritas. Os pormenores sobre o processo das doações estão disponíveis na página da Caritas na rede social Facebook.

No final, o dinheiro angariado será enviado para a Caritas Espanha e a Caritas Portugal, com quem a Caritas Macau tem há muito uma parceria, lembrou o secretário-geral. A Caritas Macau foi fundada em 1951, ainda durante a administração portuguesa do território.

No dia 17 de Abril, Paul Pun irá visitar Portugal, numa deslocação já marcada “há meio ano”, para discutir como “unir recursos financeiros” para ajudar os mais desfavorecidos, não apenas em Portugal, mas também em outros países lusófonos.

Pelo menos 16 pessoas já morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados. A décima sexta vítima é um homem de 72 anos que caiu no dia 28 de Janeiro quando ia reparar o telhado da casa de um familiar, no concelho de Pombal, e que morreu na terça-feira, nos Hospitais da Universidade de Coimbra.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afectadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros (cerca de 24 mil milhões de patacas ao câmbio actual).

Na Espanha, a região sul da Andaluzia foi a zona mais afectada nos últimos dias pelas fortes chuvas que provocaram inundações e o desalojamento de mais de 11 mil pessoas, sendo que mais de oito mil já conseguiram regressar às suas casas. Ontem, o País Basco estava sob alerta vermelho (perigo extremo) para ondas até 10 metros de altura e alerta amarelo (baixo perigo) para ventos fortes. Outras 14 regiões encontravam-se também sob alertas laranja ou amarelo, devido a uma ou mais destas condições meteorológicas, além do degelo e da chuva. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


terça-feira, 20 de janeiro de 2026

UCCLA – Manifesta solidariedade com o povo moçambicano devido às intensas chuvas que assolam Moçambique

A UCCLA manifesta a sua solidariedade para com o povo de Moçambique, na sequência das intensas chuvas que têm assolado diversas regiões do país, provocando vítimas mortais, desaparecidos, deslocados e significativos danos materiais, com impactos graves nas comunidades, nas infraestruturas e nas condições de vida das populações afetadas.

Neste momento particularmente difícil, a UCCLA endereça as suas mais sentidas condolências às famílias enlutadas e expressa total solidariedade para com todos os moçambicanos, reafirmando o seu compromisso de cooperação e solidariedade no seio da comunidade lusófona, desejando uma rápida recuperação das zonas afetadas e o restabelecimento das condições de segurança e bem-estar das populações.  


quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Timor-Leste - CPLP condena golpe na Guiné-Bissau, admite a sua suspensão e o Governo timorense avalia assumir a presidência rotativa da Organização

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa reage com firmeza ao golpe de Estado de 26 de novembro na Guiné-Bissau, condena a rutura institucional, exige a libertação de detidos e admite a suspensão temporária do país. Timor-Leste integra a missão diplomática de alto nível e avalia assumir a presidência da CPLP em 2026-2027, num contexto de fortes alertas sobre a credibilidade da Organização

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) condenou de forma “veemente” a interrupção do processo eleitoral e a rutura institucional na Guiné-Bissau, na sequência do golpe de Estado ocorrido a 26 de novembro, que impediu a proclamação dos resultados das eleições presidenciais. A posição foi assumida na XVII Reunião Extraordinária do Conselho de Ministros da CPLP, realizada por videoconferência no passado dia 5 de dezembro, convocada para analisar a grave crise política no país.

No comunicado final da reunião, a que o Diligente teve acesso, os ministros dos Negócios Estrangeiros manifestam “profunda preocupação” com a situação política guineense, considerando que a interrupção do processo eleitoral constitui uma “grave violação dos princípios democráticos e da vontade soberana do povo da Guiné-Bissau”. O documento rejeita igualmente a rutura institucional verificada e sublinha que esta compromete a paz, a estabilidade e o normal funcionamento do Estado.

A CPLP exige ainda a “libertação imediata e incondicional” de todas as pessoas detidas desde o início da crise e defende a “retoma urgente da ordem constitucional” como condição essencial para o restabelecimento da normalidade democrática no país.

Missão diplomática de alto nível e recomendação de suspensão

Entre as decisões tomadas, destaca-se a criação de uma Missão de Bons Ofícios de Alto Nível, a enviar para Bissau “no mais breve período de tempo”, com o objetivo de reforçar os esforços diplomáticos, promover o diálogo político entre as partes e acompanhar a evolução da situação no terreno.

O Conselho de Ministros recomendou igualmente a suspensão temporária da Guiné-Bissau da CPLP, uma decisão que deverá agora ser analisada pela Conferência de Chefes de Estado e de Governo da organização. Está também em cima da mesa a possibilidade de transferência da presidência pro tempore da CPLP, atualmente exercida pela Guiné-Bissau, para outro Estado-membro.

O encontro foi presidido por Ilza Amado Vaz, Ministra dos Negócios Estrangeiros de São Tomé e Príncipe, e contou com a participação dos chefes da diplomacia de todos os Estados-membros, incluindo Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Equatorial e Timor-Leste.

O Conselho reafirmou ainda o compromisso da CPLP com a democracia, o Estado de Direito e a solidariedade entre os Estados-membros, expressando “solidariedade fraterna” para com o povo guineense e apoio a todos os esforços destinados a restabelecer a normalidade institucional.

Timor-Leste integra missão e avalia assumir presidência da CPLP

Na sequência das conclusões da reunião extraordinária, o Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Timor-Leste, Bendito Freitas, apresentou esta terça-feira no Parlamento Nacional os resultados e decisões tomadas ao nível da CPLP.

O governante explicou que vários ministros dos Estados-membros defenderam o envio urgente de uma missão de mediação à Guiné-Bissau e sugeriram que o chefe dessa missão fosse o Presidente da República de Timor-Leste. “Consultei Sua Excelência. O Presidente informou que não se encontra disponível para viajar neste momento, devido a outros compromissos igualmente importantes”, afirmou Bendito Freitas.

Perante essa indisponibilidade, o Conselho de Ministros de Timor-Leste deliberou designar o Ministro da Administração Estatal, Tomás do Rosário Cabral, e o Ministro da Defesa, Donaciano do Rosário Gomes, para integrarem a Missão de Bons Ofícios de Alto Nível da CPLP.

O Governo timorense decidiu ainda manifestar disponibilidade para assumir a presidência rotativa da CPLP no período de 2026-2027, caso se confirme a suspensão temporária da Guiné-Bissau. Segundo Bendito Freitas, vários países questionaram formalmente Timor-Leste sobre essa possibilidade.

“Ainda não está definitivamente decidida. Na ocasião da partida do Primeiro-Ministro para as negociações sobre a fronteira, falei brevemente sobre o assunto, mas ainda não houve uma decisão formal sobre se iremos presidir ou não”, esclareceu o ministro, acrescentando que o Executivo deverá consultar o Primeiro-Ministro, atualmente em missão na Indonésia, antes de avançar com uma decisão final. Poderá, entretanto, ser convocada uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros para deliberar sobre o tema.

Ramos-Horta exige firmeza e Parlamento timorense expressa solidariedade

O Presidente da República, José Ramos-Horta, assumiu publicamente uma posição crítica e firme em relação à situação na Guiné-Bissau, afirmando, na semana passada, que não aceitaria chefiar a missão diplomática da CPLP.

“A situação da Guiné-Bissau já é demais. A União Africana já suspendeu a Guiné-Bissau”, afirmou, defendendo que as eleições decorreram de forma regular. “O povo participou bem nas eleições. De repente, o Presidente, consciente de que ia perder, inventou um golpe”, disse.

Ramos-Horta foi taxativo ao exigir uma posição clara da CPLP. “Para a CPLP, a Guiné-Bissau tem de ser suspensa. Exijo que a organização assuma uma posição com honra e dignidade. Se fechar os olhos, a CPLP perde credibilidade”, alertou.

A Presidente do Parlamento Nacional, Fernanda Lay, reconheceu que o golpe de Estado na Guiné-Bissau preocupa profundamente os países lusófonos, devido ao compromisso político e diplomático partilhado no âmbito da CPLP.

Fernanda Lay sublinhou que Timor-Leste acompanha atentamente a evolução da crise e manifesta solidariedade para com o povo guineense. “Esperamos que o país consiga restabelecer rapidamente o funcionamento pleno da sua democracia e das instituições do Estado”, afirmou.

Provedor dos Direitos Humanos alerta para falhas democráticas

O Provedor dos Direitos Humanos e Justiça (PDHJ), Virgílio Guterres, lamentou a crise política que afeta a Guiné-Bissau e mostrou-se preocupado com a instabilidade no funcionamento da democracia e com o respeito pelos direitos fundamentais, nomeadamente perante a detenção de líderes políticos.

“Não tenho informação específica sobre as situações mais recentes, mas a Guiné-Bissau passou muitos anos com problemas relacionados com o jogo do poder. Foi o primeiro país da CPLP a declarar a independência e chegou a ser um exemplo para outras nações lusófonas”, recordou.

Segundo o Provedor, os sinais atuais apontam para um claro défice democrático. “É uma situação triste. Espero que a democracia seja restaurada e que os direitos humanos dos cidadãos sejam respeitados”, afirmou.

Questionado sobre se Timor-Leste deveria assumir um papel mais ativo na defesa da ordem constitucional guineense, Virgílio Guterres mostrou-se cauteloso. “Não questiono a capacidade política dos líderes timorenses, mas o país enfrenta os seus próprios desafios, nomeadamente socioeconómicos, após a integração plena na ASEAN. Uma intervenção séria na Guiné-Bissau pode desviar a atenção dos problemas internos”, alertou.

O Provedor recordou ainda o papel desempenhado por Timor-Leste em anteriores processos de estabilização da Guiné-Bissau, com enviados especiais como José Ramos-Horta, mas considerou que a atual crise apresenta desafios diferentes e mais complexos. “Não creio que consigamos resolver agora os problemas que já tínhamos resolvido no passado”, disse.

Como lição, Virgílio Guterres sublinhou que Timor-Leste “não precisa de ir até à Guiné-Bissau para aprender”. “A experiência histórica guineense e a própria trajetória timorense após 2002 servem de alerta”, afirmou, evocando também as crises político-militares vividas em Timor-Leste entre 2005 e 2007. Citou, por fim, palavras do antigo Presidente da República, Taur Matan Ruak: “Quando os militares chegam ao poder, não falam de democracia nem de direitos humanos; falam de como controlar e limitar”. Joana Silva – Timor-Leste in Diligente


terça-feira, 2 de setembro de 2025

Espanha - Navio apoia famílias afectadas por tempestade em Cabo Verde

Um navio da Marinha espanhola partiu, segunda-feira, de Las Palmas com sete toneladas para apoiar as famílias afectadas pela tempestade de 11 de Agosto, que causou nove mortos e dois desaparecidos em Cabo Verde


De acordo com a Lusa, a carga inclui 720 kits de higiene da Agência Espanhola de Cooperação Internacional, suficientes para 3600 pessoas durante um mês.

A acção, coordenada com o Ministério da Defesa de Espanha, procura responder à falta de água potável, alimentos e cuidados de saúde.

O envio soma-se a apoios anteriores da Espanha e de outros países, como Portugal e Estados Unidos, que já forneceram água, medicamentos, alimentos e apoio logístico às zonas mais afectadas, conclui a mesma fonte. In “Jornal de Angola” – Angola com “Lusa”


quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Timor-Leste - Doa 8,6 milhões de euros a Portugal para apoiar recuperação dos incêndios

O Governo de Timor-Leste aprovou, esta quarta-feira, um donativo de dez milhões de dólares (cerca de 8,6 milhões de euros) à República Portuguesa, destinado à recuperação dos danos causados pelos incêndios florestais que têm afectado o país desde Julho

De acordo com a Lusa, a decisão foi tomada em reunião do Conselho de Ministros, após proposta do primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão.

Num comunicado oficial, o executivo timorense expressa solidariedade com o povo e autoridades portuguesas face aos “graves incêndios florestais”.

Portugal continental tem enfrentado múltiplos incêndios rurais de grande dimensão, sobretudo nas regiões Norte e Centro.

Os fogos provocaram quatro mortes, incluindo um bombeiro, e deixaram vários feridos, além de destruírem habitações, explorações agrícolas e vastas áreas florestais.

Em resposta à emergência, Portugal activou o Mecanismo Europeu de Protecção Civil, recebendo apoio com aeronaves especializadas no combate aos incêndios.

Segundo dados provisórios do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), cerca de 250 mil hectares já foram consumidos pelas chamas. In “Jornal de Angola” – Angola com “Lusa”


sábado, 16 de agosto de 2025

CPLP - Pede resposta internacional solidária às chuvas em Cabo Verde

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) manifestou este sábado a sua “profunda solidariedade” ao povo cabo-verdiano e apelou à ação internacional urgente, após as chuvas intensas que assolaram as ilhas de São Vicente e Santo Antão, provocando vários mortos e desaparecidos



Em comunicado, o secretariado executivo da CPLP refere que as chuvas intensas e ventos ciclónicos que assolaram Cabo Verde no passado dia 11 “causaram perdas humanas irreparáveis” e destaca a necessidade de uma resposta solidária “neste momento de dor e sofrimento”.

A organização “encoraja a comunidade internacional e as agências especializadas a reforçarem os esforços do Governo e da sociedade cabo-verdiana, com especial atenção às populações mais vulneráveis, apoiando a redução da pobreza e a mitigação dos impactos em alojamento, nutrição e direitos humanos, sobretudo protegendo as crianças, mulheres e jovens afetados pela calamidade”.

O mesmo comunicado sublinha ainda “a importância de apoio concreto ao investimento e ao relançamento produtivo, como via para promover a resiliência e a recuperação sustentável do país”.

A CPLP recorda os compromissos assumidos no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas e a Estratégia da comunidade para esta área, sublinhando a urgência de uma ação conjunta para mitigar os impactos das mudanças climáticas na vida das populações.

O secretariado executivo recorda ainda que, já em 2019, o Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) alertava para riscos severos decorrentes da crise climática, com particular incidência em cidades litorais e ilhas, frisando a necessidade de “mecanismos de compensação” que atenuem os efeitos socioeconómicos e evitem o agravamento da pobreza.

Nove pessoas morreram, uma está desaparecida e 12 ficaram desalojadas na sequência das cheias causadas por chuvas intensas que assolaram as ilhas de São Vicente e Santo Antão, na madrugada de 11 de agosto.

Ruas ficaram inundadas, casas parcialmente destruídas, pavimentos e calçadas levantados e detritos espalhados, evidenciando a força das chuvas, que destruiu ainda várias viaturas e estabelecimentos comerciais.

Entretanto, na quinta-feira, o governo de Cabo Verde anunciou que militares portugueses vão ajudar a restabelecer serviços críticos, de abastecimento de água e eletricidade, e ajudar nas limpezas. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Cabo Verde - NRP Sines já está na ilha de São Vicente para reforçar resposta à crise

O encarregado de negócios da Embaixada de Portugal em Cabo Verde, Nuno Félix, destacou as valências do navio da Marinha Portuguesa NRP Sines, que vão contribuir para minimizar os impactos da crise provocada pelas chuvas em São Vicente, sobretudo no fornecimento de água às estruturas essenciais, como o Hospital Baptista de Sousa e o Centro de Hemodiálise



À chegada do navio ao Mindelo, Nuno Félix sublinhou que a embarcação reforça a capacidade de resposta em várias frentes.

“Este é um navio que traz um conjunto de valências para apoiar a população de São Vicente e, sobretudo, para trabalhar lado a lado com as autoridades cabo-verdianas. Entre elas, uma pequena capacidade de produção de água, destinada de forma prioritária às necessidades mais críticas do hospital. Está também prevista a deslocação a Santo Antão para transportar água excedente daquela ilha para o Mindelo”, indicou.

Entre as missões previstas, destaca-se ainda a inspecção ao fundo da Baía do Porto Grande, considerada essencial para assegurar a segurança da navegação.

“A verificação do estado do fundo da baía é para garantir a segurança da navegação e inclui missões concretas de apoio às populações e de colaboração nos trabalhos intensos de recuperação da cidade e da ilha. A vinda deste navio mostra que a solidariedade não pode ficar apenas por palavras e que, neste caso, se traduz em ações concretas. Estaremos aqui nesta fase crítica ao lado de Cabo Verde e dos cabo-verdianos”, afirmou o diplomata.

O comandante do navio, capitão-tenente Vítor Manuel Silva Santos, disse que a missão é contribuir para a reposição da normalidade na ilha.

“O apoio é sempre curto, mas vamos dar o nosso máximo para ajudar e colocar Mindelo novamente numa situação normalizada, ou pelo menos aproximar-nos disso, dando o nosso melhor”, garantiu.

Por seu lado, o ministro da Administração Interna, Paulo Rocha, destacou o reforço de recursos humanos e técnicos que a chegada do navio representa.

“O Sines tem especialização em intervenções em infra-estruturas críticas, na remoção de grandes volumes e também alguma capacidade de pesquisa hidrográfica. Na zona da baía, ainda temos objectos de grande dimensão, incluindo uma viatura, e o navio vai apoiar na sua remoção, com mergulhadores especializados. Também dispõe de capacidade de bombagem de água, o que será útil para retirar água acumulada em caves e pântanos. Em conjunto com a Protecção Civil, vão percorrer a cidade para identificar onde podem ser mais úteis, incluindo a remoção de escombros”, explicou.

Paulo Rocha reconheceu que ainda há muito por fazer para repor a normalidade em São Vicente e elogiou a entrega das instituições e da sociedade civil, que continuam na linha da frente da limpeza e apoio aos mais afectados. Lourdes Fortes – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas” com “Rádio Morabeza”


terça-feira, 12 de agosto de 2025

UCCLA manifesta solidariedade com a ilha de São Vicente, em Cabo Verde

A UCCLA manifesta a sua profunda consternação e solidariedade perante as consequências das chuvas intensas, na madrugada do dia 11 de agosto, que atingiram a ilha de São Vicente, em Cabo Verde, provocando vítimas mortais, desaparecidos e avultados danos materiais.


Neste momento de luto e tristeza, a UCCLA endereça as mais sentidas condolências às famílias e amigos das vítimas, e manifesta a sua solidariedade para com todos os que foram afetados por esta tragédia.

Neste espírito de união e fraternidade, reiteramos a nossa proximidade e apoio à população de São Vicente e de Cabo Verde.

Informamos que a Câmara Municipal de São Vicente, através da Loja Social, está a recolher doações para apoiar as famílias que sofreram danos materiais significativos devido ao forte temporal que atingiu a ilha.

Pode contribuir com:

- Alimentos não perecíveis;

- Roupas e calçados;

- Produtos de higiene.

- Outros bens essenciais.

Entrega das doações: Loja Social da CMSV - no Centro Social da Câmara Municipal, em Fonte Filipe.

Contactos: +238 9577246 | 9839029

Doações monetárias:

Banco: BCA

Conta nº: 72870378.10.001

NIB: 003.0000.72870378.101.76

IBAN: CV64.003.0000.72870378.101.76

SWIFT: BCATCVCV


domingo, 20 de julho de 2025

Guiné-Bissau - Português foi de férias e acabou por mudar vidas no país

Um pedido da população de Cacheu a um grupo de turistas portugueses fez José Pereira mudar de vida e encontrar na cidade do norte da Guiné-Bissau um novo lar e uma empreitada de voluntariado


Natural da zona de Viana de Castelo, em Portugal, José Pereira nunca tinha estado em África e, na primeira visita que fez, ficou, tornando-se no elo com Cacheu da Associação de Cooperação com a Guiné-Bissau, uma Organização Não Governamental para o Desenvolvimento (ONGD).

Em pouco mais de uma década, construíram a maternidade pedida pela comunidade, a casa das mães, uma casa para pessoas com deficiência, um infantário, um espaço multiusos e uma cantina.

Mais de um milhão de euros em obras, sem contar com o apoio de empresas e o trabalho voluntário que José Pereira continua a fazer em Cacheu, de onde não espera sair tão depressa, confessou à Lusa.

O empreiteiro minhoto foi de férias a Cacheu, em 2007, com um grupo de ex-combatentes portugueses na guerra colonial.

Nessa altura, contou, a população pediu-lhes uma maternidade e, a partir daí, começaram a trabalhar no projeto.

Ao fim de três anos, tinham dinheiro para começar a obra, construída em aproximadamente um ano.

Em 2011, entregaram a maternidade à comunidade e José Pereira ficou em Cacheu.

“Gostei do clima, sobretudo, e comecei a passar os meus invernos cá. Comecei a gostar disto, acabei por construir a minha casa e vivo cá mais tempo agora do que vivo lá [em Portugal]”, partilhou.

Os projetos continuaram e, depois da maternidade, no mesmo local, construíram a casa para as pessoas com deficiência e a casa das mães.

Já este ano, inauguraram, com a presença do primeiro-ministro da Guiné-Bissau, a maior de todas as obras, três blocos com infantário, um multiusos e cantina/restaurante.

“Já gastámos para cima de um milhão de euros, no total do que fizemos até hoje. Não estão contabilizadas as ofertas de muitas empresas e o trabalho”, afirmou.

No trabalho está incluída mão-de-obra, nomeadamente do próprio que participou na construção, algumas vezes sozinho.

Todo o trabalho é voluntário, salientou, apontando que, mesmo entre os membros da associação, “cada um paga as suas despesas” quando se desloca a Cacheu.

José Pereira tem ajudas de custos pela função que desempenha com um novo projeto em curso, a ampliação do centro de recurso de Cacheu, com ludoteca, biblioteca, internet e outros meios de que a população não dispõe.

A “grande recompensa” que diz ter por este trabalho é, em primeiro lugar, o impacto em indicadores que preocupam na Guiné-Bissau como a mortalidade materno-infantil.

“É quase nula, não é cem por cento, mas é quase”, garantiu, indicando que as mulheres passaram a ter condições para o parto, que não tinham, com enfermeiras e parteiras disponíveis 24 horas por dia.

“Sobretudo as mulheres que vinham das tabancas, que tinham [de andar] meio dia ou um dia para chegarem aqui a pé, não chegavam à maternidade sequer e agora chegam, tudo por causa da Casa das Mães. Já vêm atempadamente, com uma semana, duas semanas antes de parirem”, concretizou.

“E isso é uma nossa recompensa grande”, reiterou, referindo-se também às crianças guineenses que “são agradáveis, são sorridentes”.

Fazer o que for possível para ajudar esta comunidade é o propósito de José Pereira e da Associação, num país que “carece de tudo”, disse.

“Com o tempo, Cacheu já está a ficar mais ou menos apetrechado de certas coisitas e eles estão a tirar muito bom partido disso e parabéns a eles”, afirmou.

Enquanto tiver saúde e condições físicas, José Pereira promete que vai continuar com a associação, por Cacheu. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”


quarta-feira, 2 de abril de 2025

Galiza - A Mesa convoca umha concentraçom diante do julgado de Padrom em defesa do direito a viver em galego

A Mesa pola Normalización Lingüística convoca umha concentraçom na próxima sexta-feira, dia 4 de abril às 9h30, diante do julgado de Padrom, em solidariedade com Marcos Maceira e Sara Seco, acusadas dum suposto delito de injúrias por denunciarem diante dos meios e nas redes sociais um atestado no que a polícia municipal de Rianjo afirmava que os trabalhadores públicos “nom tinham obriga de falar em galego”

O presidente da Mesa, Marcos Maceira, e a tiktoker Sara Seco declararám em qualidade de pessoas investigadas, por defenderem o direito dum vizinho de Rianjo a ser atendido na nossa língua. Maceira e Seco denunciaram perante os meios de comunicaçom e nas redes sociais um atestado no que a polícia municipal de Rianjo, perante a solicitude de atençom em galego dum cidadám, afirmava que “na Galiza o castelhano é umha língua igualmente oficial” e que “nom tinham obriga de lhe falar em galego”, polo que foi advertido “mui seriamente, para abandonar essa atitude”. Acto seguido, a polícia propujo o cidadám para sançom por alterar gravemente a ordem no centro de saúde, infraçom administrativa da que foi absolvido.

Para a Mesa, a denuncia policial é “um ataque à liberdade de expressom e de opiniom” e “mais um passo no intento dos responsáveis policiais de Rianjo de intimidarem e amedrontarem a quem se atreva a assinalar as atitudes hostis cara a língua galega”.

“Essa atitude ficou clara no processo judicial contra o cidadám que reclamou o seu direito à atençom em galego”, afirmam, “e agora a denunciar destacados membros da Mesa por reproduzirem a literalidade dum atestado policial e dumha resoluçom sancionadora da Subdelegaçom do Governo na Corunha”. Neste sentido, A Mesa reafirmou a sua vontade de continuar a defender qualquer pessoa que veja vulnerado o seu direito a usar o galego sempre e em qualquer lugar. In “Portal Galego da Língua” - Galiza


domingo, 23 de fevereiro de 2025

Canadá - Comunidade portuguesa une-se por causa solidária

A comunidade portuguesa no Canadá está a unir esforços para um torneio de ténis de mesa dedicado à saúde mental, um evento solidário que decorrerá em 6 de março, em Toronto



“Sabemos que os problemas de saúde mental afetam toda a sociedade, incluindo a comunidade portuguesa no Canadá. Todos conhecemos alguém que lida com depressão, ansiedade ou isolamento. O torneio nasceu da necessidade de criar um espaço onde pudéssemos sensibilizar, angariar fundos e, ao mesmo tempo, proporcionar um momento de convívio,” afirmou Wilson Teixeira, membro do Conselho da Diáspora Portuguesa e um dos organizadores do evento.

“Queremos que esta iniciativa seja mais do que um torneio de ténis de mesa. O nosso objetivo é envolver a comunidade e demonstrar que a saúde mental deve ser uma prioridade. Além disso, esta é uma forma de mostrar a força da comunidade portuguesa no Canadá e a sua capacidade de se unir por causas importantes,” acrescentou Teixeira.

Entre os organizadores encontram-se também Andrew Oliveira, Christianne Teixeira, Erika Melo, Jason Prazeres, Michael Mancinelli, Saverio Repole e Victoria Mancinelli.

O ‘Paddle Battle’ conta ainda com o apoio de diversas empresas ligadas à comunidade portuguesa, incluindo a LiUNA Local 183, o maior sindicato da construção civil na América do Norte.

A iniciativa solidária teve a sua primeira edição em 2016, com uma segunda edição em 2017.

Após uma pausa devido à pandemia, a organização decidiu retomar a iniciativa, reconhecendo os desafios acrescidos que a covid-19 trouxe para a saúde mental.

Os fundos angariados serão destinados a quatro instituições: Kids Help Phone, Canadian Mental Health Association, Jack.org e Luso Canadian Charitable Society.

“A Kids Help Phone presta apoio a jovens que enfrentam dificuldades emocionais, a Canadian Mental Health Association oferece assistência a pessoas de todas as idades, a Jack.org aposta na formação de jovens para identificar sinais de alerta entre os seus pares, e a Luso Charities trabalha diretamente com a comunidade portuguesa, apoiando famílias e cuidadores que lidam diariamente com desafios emocionais,” explicou Teixeira.

O torneio terá ainda uma componente festiva, com prémios para as equipas vencedoras, os maiores angariadores de fundos e os participantes com os melhores trajes, num espírito de Carnaval.

“A nossa ideia é que as equipas escolham um tema e se apresentem com trajes alusivos. Mais do que a competição, queremos que os participantes se divirtam e criem laços com a comunidade,” disse Teixeira.

A organização já ultrapassou a meta inicial de aproximadamente 160 mil dólares canadianos (150 mil euros), e espera-se que o valor final supere os 180 mil dólares canadianos (170 mil euros).

As inscrições para o torneio e as doações podem ser feitas através do sítio oficial, paddlebattle.ca.

“O envolvimento da comunidade portuguesa tem sido essencial para o sucesso deste torneio. Queremos que esta iniciativa continue a crescer e, no futuro, possa expandir-se para outras cidades da América do Norte,” concluiu Teixeira. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Venezuela - “Há cada vez mais portugueses carenciados”, afirma organização Heróis do Mar

O presidente da organização Heróis do Mar alertou que há cada vez mais portugueses carenciados na Venezuela, um país onde as pessoas têm vergonha que se saiba que são pobres



“Cada dia mais se justifica a solidariedade, porque cada dia há mais carenciados, inclusive na nossa comunidade, que muita gente desconhece, porque existe muita vergonha escondida (…) nós ajudamos as famílias todos os meses, mas cada dia há mais pessoas a bater-nos à porta”, disse à agência Lusa Simão Rocha, em Tanaguarenas, no estado de La Guaira, 45 quilómetros a norte de Caracas.

Heróis do Mar é um grupo composto por duas centenas de portugueses que desde há 20 anos realiza almoços para reunir fundos para ajudar a comunidade portuguesa carenciada.

Simão Rocha explicou que cada membro do grupo pode apresentar algum caso de carenciados que conheça e todos ajudam, acrescentando que “é lamentável porque cada dia há mais necessidade” na comunidade portuguesa.

“Começámos há 20 anos, numa carpintaria em Mariche (leste de Caracas). Inicialmente não tínhamos a pretensão de ser um grupo de beneficência, mas a circunstância do país obrigou-nos a estarmos atentos às pessoas da nossa comunidade que necessitam de nós”, disse.

Explicou ainda que começaram por cozinhar à sexta-feira à tarde e que o lema inicial era “à volta de uma mesa, à boa maneira portuguesa, cultivar a amizade”.

“É importante o lema de à volta de uma mesa, à boa maneira portuguesa, porque sem a mesa não existe ajuda e porque mantemos a comunidade unida e solidária com os carenciados”, frisou.

Apesar de o grupo ser composto por 200 pessoas, participam em média, em cada almoço, entre 70 e 80 membros, não havendo nenhuma obrigação de participar.

“Quem puder participa. É um grupo muito generoso. Somos uma equipa de trabalho. Todos trabalhamos pela mesma causa. Estou orgulhosíssimo dos Heróis do Mar”, disse.

Simão Rocha explicou ainda que ao longo dos 20 anos dos Heróis do Mar aprendeu “a conviver com as diferenças dos outros de uma maneira impressionante”, a conviver, a respeitar, porque há “várias gerações pessoas de 22 a 92 anos no grupo”.

Os almoços realizam-se uma vez ao mês e há ainda os convívios familiares e o grupo está aberto a novos colaboradores.

Na Venezuela reside uma importante comunidade portuguesa, que ronda as 600.000 pessoas.

No entanto, a própria comunidade estima ser mais de 1,5 milhões, incluindo os lusodescendentes sem nacionalidade portuguesa.

A crise política, económica e social, obrigou mais de 7,7 milhões de pessoas a abandonarem a Venezuela nos últimos anos à procura de melhores condições de vida, a maioria para países da região. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”


domingo, 10 de novembro de 2024

França - Santa Casa de Paris lança campanha de solidariedade

A Santa Casa da Misericórdia de Paris (SCMP) lançou este mês a primeira campanha de solidariedade franco-portuguesa para angariar fundos para ajudar o crescente número de pedidos de ajuda de pessoas desfavorecidas na França


“Desde há 30 anos que a Santa Casa da Misericórdia de Paris está a praticar a solidariedade principalmente para a nossa comunidade e para as pessoas lusófonas também, e cada vez tem mais necessidade de verbas para ajudar. Por isso, pensou-se numa outra maneira de angariar fundos”, disse à Lusa Ilda Nunes, provedora da SCMP.
A iniciativa, que ocorre de 01 a 30 de novembro, tem como objetivo mobilizar associações e empresas para angariar fundos para o trabalho que a SCMP desenvolve diariamente em todo o território francês.
“Este é o primeiro ano, mas contamos que todos os anos, no mês de novembro, haverá a mesma campanha, porque, infelizmente, gostaria que só fosse este ano, isso queria dizer que a partir do próximo ano não haveria mais pobreza”, disse Ilda Nunes, acrescentando que “cada vez mais pessoas têm dificuldades”.
Por essa razão, o trabalho da SCMP tem aumentado e a provedora tem esperança que ao longo do mês se angariem “alguns fundos que podem ser úteis”, como os donativos que já receberam, nomeadamente do Banco BCP.
Segundo Ilda Nunes, a escolha do mês de novembro centra-se em torno de 11 de novembro, feriado em França e dia de São Martinho, que “com a espada partilhou a sua capa e deu metade a um mendigo”, num pequeno ato que mudou a vida de quem necessitava.
“Muitas associações organizam eventos nesse dia, nomeadamente os Magustos, e pensou-se que talvez as pessoas, sensíveis às dificuldades dos nossos compatriotas, pudessem ajudar a SCMP a ajudá-los, ou seja, revertendo uma quantia que eles decidissem dos lucros dos seus eventos”, afirmou.
Este ano a campanha é apadrinhada pelo embaixador de Portugal em França, José Augusto Duarte, e pela escritora Lídia Jorge, autora do livro Misericórdia, cuja versão traduzida para francês foi vencedora do Prémio Médicis.
“O nosso objetivo é ajudar, mas para isso temos que ter meios para o fazer”, afirmou Ilda Nunes, referindo que essa ajuda “é feita antes de mais aos portugueses, numa estrutura que foi criada à imagem da primeira Misericórdia em 1498 em Lisboa”, mas também aos lusófonos e a qualquer “pessoa de outra nacionalidade, de outra cor, de outra religião”. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”




domingo, 14 de julho de 2024

Guiné-Bissau - Casal português gere hospital para ajudar os mais pobres

Um casal português decidiu atender às necessidades de saúde dos guineenses com ações como um hospital de campanha, onde cerca de 600 pessoas receberam consultas, tratamentos e medicamentos gratuitos, num dos bairros mais pobres e populosos de Bissau


Ao nascer do dia do primeiro sábado de julho, ainda se ultimavam os preparativos e já a população do bairro Militar se aglomerava em torno das mesas e cadeiras instaladas debaixo de lonas, à procura das respostas que não encontra no sistema de saúde ou não tem dinheiro para pagar.

Neste hospital de campanha, com um pequeno laboratório de análises e sala de observações, nove médicos, quatro enfermeiras e 12 auxiliares fizeram 573 consultas de ortopedia, clínica geral, pediatria e outras especialidades, assim como 47 tratamentos de feridas e outras lesões e 39 análises.

Tudo gratuito, inclusive os medicamentos cedidos às pessoas atendidas pela Pedras no Caminho, uma Organização Não-Governamental (ONG) criada há um ano pelo casal português para formalizar o apoio.

Depois de atendida e de ter levantado os medicamentos, Maria Helena Cabral agradecia repetidamente e só pedia para continuarem a dar consultas, “pelo menos de seis em seis meses”, neste e em todos os bairros de Bissau.

“Não paguei nada, recebi medicamentos grátis”, enfatizou à Lusa, contando que já tinha ido ao hospital, assim como Mariama Camará, visivelmente cansada, que foi fazer consulta, para ela e para as duas filhas pequenas, por causa da febre.

Conta que foi duas vezes ao hospital, mas a febre não passa, embora ela já se sinta melhor, mas as filhas não.

A mais nova, diz, “está cada vez com mais febre, chora muito à noite, e a mais velha está com problema no peito”.

“Hoje ouvi sobre esta consulta, deixei tudo, não trabalhei, não comi, para vir cá”, disse, contando que o marido não está e ela não tem dinheiro, nem meios.

Augusto Pereira também aproveitou para ir fazer consulta “sem pagar nada”, pois há já algum tempo que este idoso “estava a sentir o corpo um pouco doente”, mas não tinha possibilidade de ir ao médico.

Deslocar-se do bairro ao hospital implica pagar transporte, a consulta e os eventuais medicamentos, que neste dia conseguiu tendo que esperar apenas pela vez. Chegou às sete da manhã e despachou-se por volta do meio-dia.

Augusto aproveitou para “pedir que venham mais vezes e que não fiquem só em Bissau, que abranjam também o interior”.

“Com isto estão a ajudar o povo e nós ficamos muito contentes porque além da consulta, dão medicamentos, fazem análises, tudo gratuito. O hospital é muito difícil, não temos dinheiro para ir fazer consulta”, afirmou.

Enquanto são distribuídos pão, água e sumos pelos que esperam, num espaço mais resguardado já se encontra Abubaca Fati, que estava “quase há um mês” com dor de dentes e acabou por apanhar uma infeção.

Depois de ter levado uma injeção, garantiu que se sentia muito melhor e agradece insistentemente estes serviços.

O médico guineense Paulo Có Júnior fez parte da equipa que atendeu estas pessoas e destaca a importância destas ações para as comunidades locais.

“Às vezes perguntamos nos hospitais porque é que as pessoas não vão ao hospital, é porque a saúde não é barata em nenhuma parte do mundo, mas na Guiné-Bissau torna-se mais cara ainda”, explicou.

Paulo atendeu sobretudo crianças com as maleitas típicas da época das chuvas na Guiné-Bissau, as febres do paludismo e parasitismo.

É a segunda vez que trabalha com esta organização depois de uma anterior aventura de nove dias pelo interior do país, “em zonas onde nem imaginava que viviam pessoas”.

“Nós íamos, acampávamos, no dia seguinte íamos para outra comunidade. Fazíamos despistagem, consultas e depois regressávamos ao acampamento”, contou.

Estas ações resultam da paixão por África de Jaime Ferreira, um português de 60 anos, e da mulher, Margarida Cristóvão, que decidiram aplicar “algumas condições económicas mais favoráveis” que têm, para apoiar este povo.

Segundo disse à Lusa, tudo começou muitos antes da criação da associação, já que sempre que viajava, o casal português entendia que se tinha “dinheiro para estar num ‘resort’ de luxo”, também devia “alocar uma parte às comunidades mais desfavorecidas”.

A Guiné-Bissau ganhou um espaço maior na vida deste casal que também tem ajudado particulares e associações em Portugal, nomeadamente a Ajuda de Mãe.

Jaime diz que não dependem financeiramente de ninguém, o que lhes garante “uma certa agilidade” para tomar decisões e desenvolver ações como a que decorreu no bairro Militar de Bissau, com um custo de 12.500 euros.

Salienta que quem trabalha com a associação é remunerado, desde os médicos aos operacionais e que o que o move é ajudar este povo, que enfrenta ainda mais dificuldades no interior da Guiné-Bissau.

“Principalmente ao nível da diabetes, pessoas com gangrena nos braços, nas pernas, grandes problemas de crianças queimadas porque os pais vão para o campo trabalhar e as crianças ficam em casa, caem nas fogueiras (onde a população cozinha)”, diz.

A saúde é apenas uma das áreas de ação da Pedras no Caminho que está também a ajudar a reabilitar uma escolar, com 282 alunos, desde o jardim-de-infância ao quinto ano.

O proprietário, Alficeni Cassamá, agradece o apoio da associação na melhoria das condições da escola e espera poder continuar a contar com a ajuda para ampliar as instalações.

“É muita criança e pouco espaço”, observa. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”