Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 30 de julho de 2026

Japão - Nos bastidores da obra-prima de mistério "A Devoção do Suspeito X"

Keigo Higashino, um dos principais escritores de mistério do Japão, faleceu. Pedimos a Yoshiyuki Hatori, editor-chefe da revista literária "All Yomimono", onde a sua obra-prima "A Devoção do Suspeito X" foi publicada em série, que relembrasse o verdadeiro carácter do autor e o fascínio pelas suas obras


As únicas palavras que me vêm à mente agora são "um gigante caiu". Alguns podem achar essa uma maneira antiquada de pensar, mas para alguém que esteve envolvido com a publicação de romances por tanto tempo, esta expressão parece a mais adequada. Keigo Higashino, um autor de best-sellers que deixou mais de 100 obras e cujas vendas acumuladas ultrapassam facilmente 100 milhões de exemplares, não só liderou o cenário de romances de entretenimento no Japão, como também conquistou muitos leitores em mercados globais como os Estados Unidos e a China, faleceu repentinamente neste verão.

Nunca trabalhei diretamente com o Sr. Higashino, nem tive uma relação particularmente próxima com ele, mas como membro da editora que publica a sua obra mais representativa, a "Série Galileu", tive a oportunidade de estar na sua presença. Com gratidão por essa gentileza e um profundo sentimento de perda com o falecimento de um autor tão grandioso, escrevi este humilde texto.

"Vou te mostrar um truque que ninguém jamais imaginou."

A obra-prima de Higashino e um marco da ficção policial japonesa, A Devoção do Suspeito X, foi publicada na All Yomimono, uma revista literária da editora Bungei Shunju. Como editor-chefe durante a publicação em série, eu aguardava ansiosamente as cerca de 30 páginas de manuscrito que chegavam mensalmente, mas também sentia uma certa ansiedade em relação aos imprevisíveis desdobramentos da trama. Certo dia, quando encontrei Higashino numa festa ou bar em Ginza e compartilhei as minhas impressões sobre a publicação em série, ele disse-me estas palavras.

"Vou mostrar-vos um truque que ninguém jamais imaginou, nem no passado nem no presente", disse, com o rosto repleto de confiança e convicção.

A essência de um mistério reside no seu artifício, e a confiança de um escritor deriva da ambição de conceber um artifício que ninguém poderia ter previsto e de surpreender os amantes do mistério em todo o mundo.

Fiquei encantado. A verdade é que não só eu e o editor responsável, mas toda a editora no Bungei Shunju tínhamos grandes esperanças de que esta obra finalmente lhe rendesse o Prémio Naoki. Na época, Higashino já era um autor de grande sucesso, mas, quando se tratava do Prémio Naoki, ele havia sido indicado diversas vezes, sem nunca conseguir vencer.

O resultado foi de tirar o fôlego. Um matemático solitário usa todo o seu intelecto para lutar contra o seu amigo e rival da faculdade, um físico genial (o renomado Professor Galileu), a fim de encobrir um assassinato cometido por uma mãe e filha que moravam na casa ao lado. A chave do seu plano era cometer outro assassinato para encobrir o primeiro. Fiquei completamente estupefato com esse truque inesperado e cativado pela perfeição do mistério.

Contudo, o fascínio desta obra não termina aí. O cerne do mistério reside no maior enigma: por que um matemático cometeria um assassinato por um vizinho com quem apenas trocara cumprimentos? Esse mistério contém o tema profundo da obra. Parafraseando Higashino, o maior mistério é o coração humano, e o verdadeiro encanto desta obra-prima reside na profunda compreensão da natureza humana que convence o leitor dessa mensagem.

A Devoção do Suspeito X ganhou, com muita alegria, o Prémio Naoki. Eu estava a moderar a reunião do comité de seleção, e até mesmo os escritores veteranos que até então haviam sido relativamente críticos das obras de Higashino a elogiaram bastante, e Yumie Hiraiwa, que a apreciava desde o início, entusiasmou-se com a profundidade do mundo criado no romance. Essa foi a primeira incursão de Higashino em conquistar um público mais amplo, e ele rapidamente ascendeu ao posto de um dos principais concorrentes. Nos 20 anos seguintes, ele jamais abandonou essa posição. Algo assim nunca havia acontecido antes.

Na exibição de pré-estreia de A Devoção do Suspeito X

Antes disso, sua coletânea de contos "Detetive Galileu" havia sido adaptada para um popular drama televisivo estrelado por Masaharu Fukuyama. Após ganhar o Prémio Naoki, A Devoção do Suspeito X finalmente foi adaptado para o cinema. Na exibição privada para os envolvidos com o filme, eu estava sentado ao lado de Higashino. No final, quando a "devoção" desesperada do matemático se mostrou inútil, e ele uivou e chorou como um animal, fiquei completamente devastado. Não só não consegui conter as lágrimas (havia muitos colegas mais jovens por perto), como acabei soluçando alto, envergonhado. No meu choque, deixei escapar algo que não deveria ter dito a Higashino.

"Consegue assistir sem pestanejar, não é?"

Respondeu Higashino com um sorriso irónico.

"Seria estranho se eu chorasse."

O filme A Devoção do Suspeito X foi um enorme sucesso, arrecadando quase 5 mil milhões de ienes nas bilheteiras. Acredito que o romance original, incluindo as edições de bolso, tenha vendido bem mais de 3 milhões de cópias. Desde então, inúmeros livros da série foram publicados e adaptados para o cinema, tornando-se um pilar de receita para a Bungei Shunju. O volume final da série, Memória Eterna, tem lançamento previsto para o dia 05 de agosto. Gostaria de saborear o mundo desta obra final com profunda lembrança.

Fresco por fora, mas quente por dentro.

Acho que a impressão geral que se tem de Higashino é que ele é descolado e elegante. Além disso, ele é bonito. Aliás, quando Higashino e Masaharu Fukuyama estavam sentados juntos num bar em Ginza, nós, que estávamos ao redor, cochichávamos uns com os outros.

"Não sou inferior a Fukuyama."

Contudo, em bares noturnos onde estava rodeado apenas pelos seus editores mais próximos, ele transformava-se num verdadeiro nativo de Osaka, fazendo todos ao seu redor rirem com o seu entusiasmo e espírito prestativo. O Sr. Higashino tomava goles de uísque com gelo, e nós ficávamos extasiados com sua vasta gama de assuntos e a sua inteligência em contar histórias, como se o tempo tivesse parado para nós. As nossas conversas às vezes estendiam-se até as 2, 3 ou até mesmo 4 da manhã. Ele parecia tranquilo e sereno, mas era uma pessoa que nunca deixava de demonstrar consideração pelos outros e oferecer palavras de encorajamento.

Talvez por isso, ele também fosse um mestre da oratória. O seu grande antecessor, o escritor de romances de viagem e mistério Kyotaro Nishimura, faleceu, e uma cerimónia em sua memória foi realizada em Atami, onde ele morava. De pé no palco, diante de muitos profissionais do ramo editorial, Higashino concluiu o seu elogio fúnebre com estas palavras.

"Durante os primeiros 10 anos após a minha estreia, os meus livros não venderam nada. A única razão pela qual consegui publicar livros foi porque o Sr. Nishimura tinha um grande público leitor e estava enriquecendo a editora. Se me permitem a ousadia, agora assumirei esse papel. Por favor, apoiem todos os escritores que estão a lutar para sobreviver."

Enquanto escrevo isto, as palavras memoráveis ​​de Higashino continuam a vir-me à mente. No funeral de Masako Bando, que tinha quase a minha idade, ele esforçou-se ao máximo para expressar em palavras o quão talentosa escritora Bando era. Fiquei profundamente comovido com a genialidade dos seus elogios e com a profundidade da sua tristeza pela morte da sua colega escritora.

Ele faleceu aos 68 anos. Enquanto lamentamos a sua morte prematura, considerando o imenso poder que possuía para deixar um legado tão vasto de obras-primas, é inevitável pensar que ele vivia num ritmo duas vezes mais acelerado que o de uma pessoa comum. Há algum fundamento para essa ideia, já que editores próximos sabiam que, quando ele se machucava praticando snowboard, desporto que tanto amava, os seus ferimentos cicatrizavam com uma velocidade impressionante. O próprio Sr. Higashino parecia achar isso estranho e disse o seguinte:

"Mesmo quando eu era criança, as lesões cicatrizavam muito rápido. Acho que minhas células provavelmente se dividem mais rápido do que as de outras pessoas."

O genial autor, que utilizou o conhecimento científico para criar uma obra-prima da ficção policial, faleceu tão repentinamente quanto o vento. O mundo editorial está agora em profundo luto. Yoshiyuki Hatori – Japão in “Nippon”

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Keigo Igashino. (04 de fevereiro de 1958, Ikuno-ku, Osaka - 23 de julho de 2026, Japão), é um dos mais destacados autores japoneses da atualidade, tendo já sido publicado em 14 países.

Os seus bestsellers foram galardoados com vários prémios, incluindo o Mystery Writers of Japan Award e o Prémio Naoki, e obtiveram reconhecimento nacional e internacional com as subsequentes adaptações cinematográficas e televisivas.

A Pequena Loja dos Grandes Milagres, publicado pela “Presença”, já vendeu mais de 15 milhões de exemplares em todo o mundo. In “Wook”




terça-feira, 28 de julho de 2026

Suíça - Filme luso-suíço concorre ao principal prémio do Festival de Locarno

O filme O Jacaré, coprodução entre Suíça e Portugal dirigida por Basil Da Cunha, está entre os concorrentes ao Leopardo de Ouro no Festival de Locarno, que acontece de 5 a 15 de agosto


A organização do Festival de Locarno anunciou que O Jacaré disputará o principal prémio da mostra internacional. A longa-metragem encerra a trilogia do cineasta Basil Da Cunha, radicado em Lausanne, e passa-se num subúrbio de Lisboa, o bairro da Reboleira, na cidade da Amadora.

Misturando drama e suspense, a produção acompanha as consequências de um assalto e é resultado de uma coprodução entre a Suíça e Portugal.

Na tradicional exibição ao ar livre da Piazza Grande será apresentado The Invite, da diretora norte-americana Olivia Wilde (Don’t Worry Darling), na sua estreia na Suíça. O público também poderá assistir a Frank & Louis, primeiro filme em língua inglesa da diretora suíça Petra Volpe (The Divine Order e Heldin). As duas cineastas participarão do festival.


Entre 5 e 15 de agosto, o Festival de Locarno exibirá 233 filmes, dos quais 103 serão apresentados em estreia mundial. In “Swissinfo” - Suíça




segunda-feira, 20 de julho de 2026

Centro de Estudos Internacionais Iscte – Convite para assistir à exibição do filme "A Bem da Nação" no Museu do Aljube

No âmbito do projeto "Memórias da Resistência: A luta armada contra a ditadura em Portugal", da investigadora Raquel Beleza da Silva, financiado pela FCT e pela Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril, convidamo-lo(a) para a sessão do filme "A Bem da Nação: Um filme em construção", de Miguel Dores, apresentada pelo coletivo Maus da Fita.

A apresentação terá lugar no próximo 28 de julho, às 18h00, no Museu do Aljube. A sessão é de entrada livre, sujeita à lotação do espaço.


Sinopse

Após a eleição fraudulenta de Américo Tomás em 1958, e a fuga de Humberto Delgado, Portugal vive uma tempestade silenciosa. A frustração da via democrática e o esforço de guerra em África tornarão os anos 60 em Portugal um período de grande convulsão. 50 anos após a Revolução dos Cravos, A BEM DA NAÇÃO retorna à memória deste período telúrico e insurrecional, a partir das vozes dos operacionais da LUAR (Liga de Unidade e Ação Revolucionária), ARA (Ação Revolucionária Armada) e BR (Brigadas Revolucionárias). Centro de Estudos Internacionais Iscte - Portugal


quarta-feira, 8 de julho de 2026

Alemanha - Euclides Teixeira representa o cinema angolano no Festival Internacional de Cinema de Munique com “Meu Semba”

O actor angolano Euclides Teixeira, protagonista do filme Meu Semba, marcou presença no Filmfest München (Festival Internacional de Cinema de Munique), na Alemanha, onde a longa-metragem integra a prestigiada CineVision Competition, uma das principais secções competitivas do evento.


A presença de Euclides Teixeira no festival reforça a crescente projeção internacional de Meu Semba, que continua o seu percurso em importantes festivais de cinema, contribuindo para a afirmação do cinema angolano no circuito internacional.

Durante o evento, o actor participou em apresentações do filme, sessões de perguntas e respostas com o público e encontros com profissionais da indústria cinematográfica. A delegação angolana contou ainda com a presença do realizador Hugo Salvaterra e do produtor Jorge Cohen, que representaram a equipa do filme num dos mais relevantes festivais de cinema da Europa. A deslocação de Euclides Teixeira foi viabilizada pelo Goethe-Institut, reforçando a importância da cooperação cultural internacional na promoção da circulação de artistas e obras cinematográficas.

Reconhecido como um dos principais festivais de cinema da Alemanha, o Filmfest München reúne anualmente cineastas, produtores, distribuidores e novos talentos de diferentes países, destacando-se pela diversidade da sua programação e pela promoção do cinema contemporâneo.

A seleção de Meu Semba para a CineVision Competition coloca o filme entre as produções internacionais em competição numa secção dedicada à descoberta de novos realizadores. A categoria distingue primeiras e segundas longas-metragens que se destacam pela qualidade artística, inovação narrativa e linguagem cinematográfica.

Sobre “Meu Semba”

Produzido pela Geração 80 e realizado por Hugo Salvaterra, Meu Semba é uma longa-metragem integralmente angolana que acompanha a vida de três irmãos em Luanda. Com uma abordagem intimista, o filme cruza memória, identidade e cultura local numa narrativa contemporânea que retrata os desafios e as relações familiares na capital angolana. In “O País” - Angola


sexta-feira, 5 de junho de 2026

Alemanha - O Instituto Cervantes em Frankfurt dedica um dia especial à Guiné Equatorial

O programa centrou-se nas vozes da cultura da Guiné Equatorial. Autores da Guiné Equatorial participaram neste evento, tudo com o objetivo de destacar a cultura e a história da Guiné Equatorial


Na passada quarta-feira, 3 de junho, o Instituto Cervantes de Frankfurt acolheu o "Dia do Cinema e da Literatura: Guiné Equatorial", um encontro cultural monográfico que se realizou na sede do centro, na Alemanha.

Em entrevista à Rádio Nacional da Espanha, Ferrán Ferrando Melià, diretor do Instituto Cervantes em Frankfurt, afirmou que, diferentemente das atividades individuais normalmente oferecidas nos centros Cervantes, este evento combinou literatura, cinema e debate sobre a Guiné Equatorial num único dia. O objetivo foi facilitar o deslocamento dos participantes de toda a Alemanha, que puderam chegar pela manhã e regressar à tarde.

O programa centrou-se em vozes da cultura da Guiné Equatorial. Entre os participantes estiveram a escritora Trifonia Melibea Obono, atualmente bolsista da Fundação Humboldt na Universidade de Essen, e o escritor Joaquín Mbomío Bachen, que reside em França.

Na seção de cinema, foram exibidos o filme FEGUIBOX, de Rubén Monsuy, o primeiro documentário realizado na Guiné Equatorial e premiado no Festival de Luxemburgo, e Negrolimbo, de Lorenzo Benítez, uma obra sobre o passado colonial espanhol no país durante as décadas de 50 e 60.

O dia começou com uma visão geral histórica apresentada por Augusto, autor de vários livros sobre a Guiné Equatorial e as relações entre a África e a Europa, que reside em Valência. A sua apresentação visou contextualizar o papel do período colonial, a influência espanhola e a diversidade étnica do país.

Cada exibição e palestra foi seguida de um debate com diretores, autores e especialistas. O evento gratuito teve a participação do público.

Ferrando Melià explicou que o Instituto Cervantes trabalha não só para a América Latina, mas também para a Guiné Equatorial devido à sua ligação histórica com a Espanha: foi uma colónia espanhola durante 200 anos até à sua independência em 1968. Além disso, continua a ser o único país africano com o espanhol como língua oficial. Fernando Mbuy – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


domingo, 26 de abril de 2026

Portugal - Documentário “Mulheres de Abril” recupera histórias de resistência feminina

O documentário “Mulheres de Abril“, de Raquel Freire, cruza as vidas e as histórias de resistência de 10 mulheres portuguesas e africanas que lutaram contra o fascismo e o colonialismo e tem ante-estreia marcada para sexta-feira no IndieLisboa


Mulheres de Abril propõe uma viagem pela memória e pela história recente do país, através das vozes de Margarida Tengarrinha, Julieta Rocha, Ana Maria Cabral, Isabel do Carmo, Maria Emília Brederode Santos, Luísa Sarsfield Cabral, Teresa Loff Fernandes, Zezinha Chantre, Helena Neves e Ruth Rodrigues, cujas vidas foram marcadas pela perseguição, prisão, tortura, censura, exílio, clandestinidade, luta e resistência.

“A história até agora foi contada por homens e sobre homens. É o momento de serem as mulheres a contar a história da luta e da resistência antifascista e anticolonialista. E eu sei isso por experiência pessoal da minha família, das minhas ancestrais”, explicou a realizadora à Lusa.

Desde logo a sua mãe, Ruth Rodrigues, uma das 10 “capitãs de abril”, como gosta de dizer e que participa no filme.

“Eu sou uma filha da Revolução. Cresci a ouvir as histórias desta resistência das mulheres da minha família que lutaram pela liberdade. Começou logo na minha bisavó, depois a minha avó, a minha mãe. De um lado da família e do outro lado”, disse.

“E eu cresci a ouvir estas histórias de como os meus pais, por exemplo, me usaram como disfarce para esconderem propaganda para uma greve dentro das minhas fraldas, quando eu tinha uns meses, numa sessão de distribuição clandestina durante a madrugada”, contou a autora.

Perante o legado familiar, Raquel Freire, que já tinha feito o filme Histórias das Mulheres do meu País (2020), sabia que haveria de contar também as histórias das mulheres de Abril: “Uma das mulheres do filme é a minha mãe, que foi uma grande resistente antifascista e é ainda”.

A vontade de escutar as vozes africanas, através dos testemunhos de Teresa Loff Fernandes, Zezinha Chantre e Ana Maria Cabral (viúva de Amílcar Cabral) – todas integraram as fileiras do Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde (PAIGC) – pareceu-lhe justa e natural.

“A luta anticolonialista foi o berço de muita desta revolta que envolve o 25 de Abril. E, portanto, este filme tem estas duas perspetivas, de ser a história contada pelas mulheres e, ao mesmo tempo, ser a história contada pelas mulheres portuguesas e pelas mulheres que, em África, lutavam pela independência dos seus países. E era uma luta comum”, afirmou.

“Várias mulheres africanas lutaram ativamente contra a guerra e pela independência e autodeterminação dos seus países, que estavam ocupados (…) não só na luta armada, mas lutaram a criar redes, a criar escolas, a criar hospitais. A alfabetizar também”, disse.

A guerra colonial é, para Raquel Freire, determinante, no envolvimento e no papel que as mulheres assumem a partir de então.

“O testemunho da Margarida Tengarrinha fala disso. Estamos a falar claramente das mulheres que vão ao mercado, que falam com as outras e que começam a dizer não à guerra. São os preços que sobem, são os filhos e os maridos que desaparecem. E, portanto, as mulheres tomam aqui a dianteira nesta luta contra a guerra colonial. E a paz torna-se uma palavra política, que é também uma coisa a que nós assistimos hoje em dia”, referiu.

Também por isto a realizadora considera que o filme “tem um lado atual” perante as guerras atuais.

“Eu penso que este filme tem este lado tão atual, porque nós hoje em dia enfrentamos guerras. Enfrentamos injustiças tremendas. Enfrentamos novas formas de fascismo. E a sabedoria que estas mulheres acumularam, que estas mulheres tiveram para lutar contra um sistema tão opressor, que tinha uma polícia política que matava, perseguia, é-nos fundamental hoje em dia para nós também termos as nossas ferramentas para lidarmos com a violência quotidiana que temos neste momento em 2026”, disse.

Cinquenta e dois anos após a Revolução de Abril e 51 das independências africanas, o filme é um posto de escuta e reconhecimento, que celebra uma participação silenciada durante décadas, e que a autora entrega agora às novas gerações.

“Estas mulheres são museus vivos de sabedoria democrática com várias ferramentas e, sobretudo, com um amor pelos outros e pela liberdade que são profundamente inspiradores. Portanto, sim, este é um filme para as novas gerações, porque é um filme com o pé no presente e no futuro. E o final do filme é mesmo dirigido aos mais jovens e às mais jovens”, conclui a realizadora.

Com um tema original de A garota não, “Fazia tudo de novo (uma revolução nunca acaba)”, Mulheres de Abril terá a sua antestreia no dia 01 de maio, no Grande Auditório da Culturgest, em Lisboa, e estreará nas salas de cinema no final do ano.

Filmado entre 2023 e 2025 por uma equipa inteiramente feminina, com produção da MadameFilmes, é dedicado a três das 10 mulheres de abril que já faleceram: Margarida Tengarrinha, Teresa Loff Fernandes e Maria Emília Brederode Santos.

“Essa é a parte que me custa, mesmo sabendo que elas vão continuar vivas connosco, através da sua presença no cinema”, confessou Raquel Freire. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


sexta-feira, 20 de março de 2026

Fundação Calouste Gulbenkian - Bolsas Formação em Artes no Estrangeiro

Estas bolsas destinam-se a apoiar a formação académica e técnica em artes no estrangeiro, na vertente de artes visuais, dança, teatro, cinema e música


Condições de Elegibilidade

Podem candidatar-se cidadãos portugueses ou estrangeiros, residentes em Portugal.

No âmbito da formação académica, são concedidas bolsas para a frequência de pós-graduações e mestrados. Podem candidatar-se pessoas com idade igual ou inferior a 35 anos à data de 31 de dezembro de 2026, sendo considerados prioritários os candidatos em início de carreira que iniciem o ciclo de estudos a partir de 1 de setembro de 2026.

No âmbito da formação técnica e do aperfeiçoamento artístico, são concedidas bolsas para projetos formativos que promovam a especialização, a formação contínua e a valorização das carreiras profissionais. Nesta vertente, não existe limite de idade, sendo dada prioridade aos candidatos que iniciem a formação a partir de 1 de setembro de 2026.

No caso da música, são aceites apenas candidaturas nas especialidades correspondentes a instrumentos de orquestra, canto e direção de orquestra.

Excluem-se candidaturas destinadas à obtenção dos graus de licenciatura e de doutoramento.

Não são aceites candidaturas nas áreas de Arquitetura e Urbanismo, Design, História da Arte, Património e Arqueologia.

Condições da Bolsa

A bolsa inclui:

  • Uma mensalidade no valor de 1500 € ou 50 €/dia;
  • Um valor único de 1000 € para despesas de instalação, aplicável a formações com duração superior a três meses;
  • Um apoio até 500 € para despesas de viagem diretamente relacionadas com a formação;
  • Um apoio até 5000 € para pagamento de propinas, mediante apresentação dos respetivos comprovativos de pagamento;
  • Um seguro de acidentes pessoais em viagem.

No caso da formação académica, as bolsas são concedidas por um período mínimo de três meses e até um máximo de 12 meses. Mediante decisão discricionária da Fundação Calouste Gulbenkian, a bolsa poderá ser renovada para formações cujo plano de estudos tenha duração superior a 12 meses, não podendo a duração total da bolsa, incluindo renovações, exceder 24 meses.

No caso da formação técnica e do aperfeiçoamento artístico, as bolsas são concedidas por um período mínimo de uma semana e até um máximo de 12 meses. Também neste caso, poderá haver lugar a renovação, mediante decisão discricionária da Fundação Calouste Gulbenkian, para formações com duração superior a 12 meses, não podendo a duração total da bolsa exceder 24 meses.

Como concorrer

A candidatura é feita através da submissão de um formulário online, em português.

Consulte o Regulamento e verifique todos os critérios de elegibilidade, antes de submeter o formulário de candidatura.

Para aceder ao formulário de candidatura é necessário primeiro registar-se no website.

Preencha todos os campos obrigatórios para submeter a candidatura, incluindo o carregamento da documentação exigida no Regulamento.

Evite submeter a sua candidatura nos últimos dias do prazo para prevenir possíveis dificuldades.

Contactos

E-mail: bolsasgulbenkian@gulbenkian.pt. Fundação Calouste Gulbenkian – Portugal


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Japão - Sociedade Luso‑Nipónica apresenta curtas-metragens portuguesas

No próximo dia 4 de março, a Sociedade LusoNipónica organiza, em Tóquio, uma mostra de três curtasmetragens de animação portuguesas, que integraram o festival EU Film Days, numa iniciativa que visa aproximar o público japonês da cultura contemporânea de Portugal


A sessão contará com três trabalhos de realizadores portugueses que têm vindo a ganhar reconhecimento internacional.

“Garrano”, de David Doutel e Vasco Sá, explora temas de tradição e identidade cultural através de uma narrativa animada envolvente. Já “Percebes”, de Alexandra Ramires e Laura Gonçalves, é uma curta criativa que combina humor e sensibilidade artística para contar histórias do quotidiano português.

Finalmente, “Ice Merchants”, de João Gonzalez, foi premiada internacionalmente e combina técnica de animação refinada com uma narrativa poética sobre relações humanas e memórias.

Esta mostra representa uma oportunidade para o público nipónico conhecer a diversidade e a qualidade da animação portuguesa, reforçando os laços culturais entre Portugal e Japão.

A entrada é aberta ao público. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Sri Lanka - Filme revela resistência da Suíça em devolver artefactos coloniais

O documentário “Elefantes e Esquilos” acompanha a artista cingalesa Deneth Veda Arachchige na sua procura por artefactos saqueados por suíços e hoje guardados num museu de Basileia, expondo o delicado debate sobre a Suíça e o seu passado colonial


Deneth Piumakshi Veda Arachchige, artista nascida no Sri Lanka e radicada na França, tem uma missão: ela pretende devolver à sua terra natal os valiosos artefactos culturais pertencentes aos indígenas Wanniyala-Aetto. Os objetos saqueados encontram-se nos acervos do Museu das Culturas e do Museu de História Natural, ambos na cidade de Basileia, na Suíça.

Em “Elefantes e Esquilos“, o seu documentário de estreia, o cineasta suíço Gregor Brändli captura as meticulosas tentativas de Piumakshi Veda Arachchige de iniciar um processo de restituição cultural envolvendo obras de arte roubadas, máscaras cerimoniais, restos mortais humanos e até mesmo de animais, de onde vem o inusitado título do filme.

A sua procura acaba revelando-se um imenso desafio, recebido com desconfiança e ceticismo pelo circuito de arte na Suíça, onde curadores e diretores de museus ainda não se posicionam de facto frente ao secreto passado colonial do país.

Depois da premiação de “Elefantes e Esquilos” com a “Pomba de Prata” de melhor documentário no recente Festival Internacional de Documentários e Filmes de Animação de Leipzig (DOK Leipzig), Gregor Brändli e Deneth Piumakshi Veda Arachchige conversaram com a Swissinfo sobre a sua colaboração de longa data e a missão que compartilham.

Força espiritual

“Não são meros objetos”, diz a artista, referindo-se ao inestimável património do Sri Lanka levado pelos primos suíços Paul e Fritz Sarasin no final do século 19 e início do século 20 do que era então conhecido como Ceilão.

“Esses objetos foram criados por mãos humanas, nascidos do amor e da energia”, completa Piumakshi Veda Arachchige. “Por exemplo: nos tempos antigos, as máscaras feitas à mão não serviam apenas para o uso, mas tinham propósitos importantes para a cura, rituais e promoção da identidade cultural. Era preciso ser primeiramente reconhecido pela tradição, para então obter o direito de usar determinada máscara e de se apresentar. De forma que esses artefactos são corpos energéticos em si mesmos”, explica a artista.

Numa das cenas mais impressionantes de “Elefantes e Esquilos”, ela coloca uma das máscaras cerimoniais escondidas nos arquivos da Basileia. É um momento forte: pela primeira vez em séculos, esse ato permite que as dimensões espirituais da obra de arte sagrada fluam novamente através de alguém cujas raízes estão no Sri Lanka.

Piumakshi Veda Arachchige argumenta que, mesmo quando uma máscara como essa é cuidadosamente preservada num arquivo europeu, as suas energias sagradas foram roubadas. “Essas qualidades são ignoradas quando um cientista manuseia um artefacto”, diz a artista. “Eles simplesmente a veem como uma peça decorativa e a colocam em um contexto completamente diferente. É como remover o coração de uma pessoa e guardá-lo longe. Quando eu estava a usar aquela máscara, senti as suas vibrações, porque ela finalmente havia cumprido o seu propósito novamente”, relata.

A artista descreve a semelhança entre esse momento e a sensação de segurar pela primeira vez um crânio ancestral nas mãos: “Era como se uma pessoa estivesse a falar comigo noutra dimensão, em outra língua”, conta.

Esses gestos simbólicos resumem perfeitamente o conflito central da sua obra: como a reivindicação emocional por parte de uma artista, em prol da restituição, choca com a postura marcadamente racional das instituições, que querem continuar mantendo esses artefactos nos seus arquivos em nome da ciência e da preservação.

Batendo contra a parede

Embora o mundo da arte esteja lentamente acompanhando os debates pós-coloniais que enfatizam a necessidade de restituição cultural – um assunto que Mati Diop explorou com veemência no seu documentário poético “Dahomey” (2024) –, “Elefantes e Esquilos” mostra que o trabalho de verdade só começa depois que essas primeiras conversas acontecerem. Já na década de 1970, o Sri Lanka havia exigido a devolução de alguns desses objetos, mas a Suíça nunca atendeu a esses pedidos.

No filme, Piumakshi Veda Arachchige participa de painéis de discussão e debates para reiterar mais uma vez o mesmo ponto: conversar não basta. “Na minha opinião, o debate em torno da descolonização e do pós-colonialismo é marcado por muita conversa diplomática e académica”, diz ela, lembrando que o aspeto emocional, que desempenha um papel fundamental no seu trabalho como artista visual, é deixado com frequência de lado.

Esse conflito foi o que inspirou Brändli a realizar o documentário, o seu primeiro em longa-metragem. Curioso para saber como e por que todos esses artefactos se encontravam nos arquivos suíços, ele procurou Bernhard C. Schär, historiador suíço e autor de um livro sobre os primos Sarasin, que por sua vez incentivou o cineasta a entrar em contato com Piumakshi Veda Arachchige.

Os esforços frustrados da artista na Suíça acabaram tornando-se um material excepcional para um documentário. “Embora Deneth tenha sido inicialmente bem recebida em Basileia, essa recepção calorosa diminuiu quando ela começou a fazer perguntas mais críticas”, conta o diretor. “Em determinado momento, tive até que conduzir sozinho as entrevistas na Suíça, pois esbarramos numa parede e Deneth não tinha permissão para atravessá-la”, revela.

De volta às origens

Gregor Brändli, por sua vez, viu-se perdido quando a dupla se aventurou pelo Sri Lanka, onde Piumakshi Veda Arachchige foi quem conseguiu abrir portas. Ele recorda: “Vimal, indígena e jornalista, nos convidou para ir à aldeia de Dambana. E disse: ‘Não falem apenas sobre o passado, mas também sobre as lutas que enfrentamos hoje’. Esse foi um momento decisivo para mim, em que senti um forte desejo por parte dos outros de também trabalhar nessa história”, relata o cineasta.

A mudança de locação amplia a perspectiva do filme, que, de acordo com Piumakshi Veda Arachchige, “vai muito além da restituição”.

“A filosofia que nos guiou era: contexto e consenso”, diz Brändli. Uruwarige Wannila Aththo, líder da comunidade indígena Vedda, em Dambana, desempenhou um papel central neste sentido. Ele recebeu a equipa e descreveu o valor pessoal desses artefactos que foram roubados dos seus ancestrais.

Durante as filmagens no Sri Lanka, Piumakshi Veda Arachchige mal podia acreditar que a aventura na qual estava envolvida com Brändli resultaria realmente num filme. “Estávamos apenas documentando o que acontecia”, reflete a artista. “E capturando a maneira como fazíamos a nossa pesquisa, não apenas em arquivos, mas também na vida real. Pegámos comboios, voos, tuk-tuks e autocarros, documentando constantemente o que estava a acontecer ao nosso redor em tempo real. Quando vi o filme finalizado pela primeira vez, enxerguei todas essas camadas, como nossas realidades no Ocidente contrastavam com o que vivemos no Sri Lanka”, conta a artista.

Nesse sentido, “Elefantes e Esquilos” nasceu de uma colaboração que, segundo Brändli, “surgiu organicamente e foi necessária ao longo de toda a história. Como se as nossas capacidades juntas de fazer a ponte entre o Sri Lanka e Basileia tivessem permitido que todas essas portas diferentes se abrissem. Isso foi crucial, visto que a questão da restituição está profundamente enredada em padrões culturais específicos”.

Gregor Brändli e Deneth Piumakshi Veda Arachchige sentiram-se encorajados pela recepção calorosa no DOK Leipzig. “Vi como a história ressoou no público”, diz a artista. “Após a exibição, um artista queniano na plateia chegou a dizer que se sentiu inspirado pelo longa-metragem e que está também no processo de produção de um filme sobre restituição. Se o nosso documentário conversa com todas essas situações semelhantes no mundo, acho que fizemos um bom trabalho”, conclui. Hugo Emmerzael – Países Baixos in “Swissinfo”



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Macau - Rota das Letras regressa à Casa Garden para celebrar a 15.ª edição

Tal como já acontece há dois anos, o Festival Literário de Macau – Rota das Letras volta a ter lugar na Primavera. O evento – um dos mais relevantes ao nível das artes no território – vai ocupar a Casa Garden entre os dias 5 e 15 de Março, apresentando uma programação diversa que vai para além das letras e explora expressões artísticas como o cinema, o teatro e a música. A lista de convidados é extensa e inclui desde poetas locais a argumentistas de filmes de Hollywood


O Festival Literário de Macau – Rota das Letras está de regresso. A 15.ª edição do evento decorre de 5 a 15 de Março na Casa Garden, voltando a plantar no coração da Península uma celebração primaveril da arte nas suas múltiplas vertentes. Da literatura ao cinema, passando pela música e pelo teatro, a Rota das Letras oferece uma palete diversificada de manifestações artísticas produzidas por autores de diferentes culturas, em diferentes línguas, para o público igualmente heterogéneo de Macau.

O propósito da iniciativa mantém-se inalterado desde 2012, aquando da primeira edição: materializar “um ponto de encontro fundamental entre culturas, línguas e expressões artísticas do Oriente e do Ocidente”. A morada principal é a Casa Garden, onde decorrerão as habituais sessões de discussão e de lançamento de livros que caracterizam o festival, mas a programação contempla ainda a exibição de filmes, representações teatrais e concertos em vários espaços culturais da cidade.

A “celebração” e o “diálogo intercultural” são as forças motoras da presente edição, segundo adianta a organização em comunicado de imprensa. Celebra-se, sobretudo, os 15 anos de realização ininterrupta da Rota das Letras, que manteve a sua função enquanto ágora artística e cultural mesmo em plena pandemia de Covid-19 e que continua a ser uma referência incontornável na aproximação dos polos ocidental e oriental.

Será também assinalado o centenário do falecimento de Camilo Pessanha, poeta português que viveu, morreu e garantiu um lugar perene no território ao ser sepultado no Cemitério de São Miguel Arcanjo. “A sua ligação profunda a Macau e o seu legado literário serão revisitados através de diversas iniciativas, sublinhando o papel da cidade como ponte entre mundos”, indica o comunicado, que desvenda ainda três nomes envolvidos na celebração. São eles António Carlos Cortez, poeta e professor de Português e Literatura; Carlos Morais José, escritor e jornalista radicado em Macau; e Christopher Chu, escritor e jornalista que já publicou um livro sobre os trinta anos em que Pessanha viveu na cidade.

Embora a programação completa ainda não tenha sido divulgada ao público, já é possível saber qual o foco do dia de abertura do festival, a 5 de Março. Nesse dia, estará em destaque a exposição “Territórios Humanos: Fotografia, Pertença e Memória”, que reunirá imagens captadas pela óptica do português Alfredo Cunha e do chinês Liu Zheng e explorará as suas “identidades” particulares, bem como as “narrativas” comuns que se cruzam nos respectivos acervos fotográficos. A mostra será acompanhada pelo lançamento de dois livros de fotografia.

Nomes sonantes da literatura

O painel completo de convidados será divulgado em comunicado posterior, mas já se conhecem alguns dos nomes locais e internacionais que integrarão as sessões desta edição da Rota das Letras.

O panorama literário local divide-se entre os poetas Yao Feng, Cheung Wai Man, Kam Un Loi e Nick Groom, no lado masculino, e Rai Matsu e Zita Si Tou Chi U, no lado feminino. A lista de convidados radicados em Macau inclui também o pintor Konstantin Bessmertny e o maestro Veiga Jardim. Por sua vez, Rui Leão e Maria José de Freitas e “outros autores locais” vão homenagear a obra do arquitecto macaense José Maneiras, falecido em Novembro do ano passado.

As sessões dedicadas ao mundo lusófono contarão ainda com a presença de dois jornalistas e escritores que no ano passado publicaram, individualmente, livros sobre personalidades portuguesas de diferentes espectros políticos. Falamos de João Miguel Tavares, autor de José Sócrates – Ascensão (1957-2005), e de Miguel Carvalho, autor de Por Dentro do Chega – A face oculta da extrema-direita em Portugal. Destaque ainda para a jornalista Andreia Sofia da Silva com O lápis vermelho, livro que se debruça sobre os efeitos da censura do Estado Novo nos territórios ultramarinos, com especial foco na imprensa de Macau.

No que respeita à literatura em língua chinesa, a lista de convidados é composta por nomes bastante sonantes e reconhecidos tanto pelo público como pela crítica especializada. O comunicado começa por mencionar Bi Feiyu, vencedor de prémios como o Man Asian Literary Prize, o Lu Xun Literary Prize e o Mao Dun Prize – provavelmente, o mais prestigioso prémio literário chinês.

Seguem-se escritores como Xiao Bai, autor de Xangai que também venceu o prémio Lu Xun; Gu Shi, detentora dos prémios Nebula e Locus pelas suas histórias de ficção científica; e Lu Jian, poeta da geração “pós-anos 80s” galardoado com o Prémio de Poesia Zhang Qiang. Importa ainda mencionar o nome de Xie Youshun, que se destaca dos demais por se dedicar à análise e crítica da literatura contemporânea chinesa – responsabilidade que lhe mereceu, aliás, a atribuição do Prémio Feng Um de Crítica Literária.

Por seu turno, a categoria das letras internacionais é representada por personalidades de múltiplas línguas e continentes. No continente asiático, incluem-se o escritor indiano Amitav Ghosh – considerado um dos grandes vultos da literatura mundial graças à sua “Trilogia Ibis” e à forma como retrata temas como colonialismo, ambiente e identidade humana – e Elisa Shua Dusapin, romancista franco-suíça com raízes sul-coreanas cuja obra de estreia, Inverno em Sokcho, se situa precisamente na cidade turística da Coreia do Sul.

Viajando até às Américas, encontramos Hernán Diáz, escritor argentino-americano que venceu o prémio Pulitzer em 2023; Carlos Andrés Gomez, colombiano-americano que escreve e declama poesia ‘spoken word’; e Guy Delisle, cartoonista canadiano conhecido pelos seus livros de viagem sobre destinos pelo mundo fora – incluindo a China, que explorou no livro de 2000 Shenzhen: A Travelogue from China.

A Europa é representada pelo britânico Adam Sisman, autor de biografias aprofundadas sobre figuras como A. J. P. Taylor ou Hugh Trevor-Roper, e pelo trio envolvido na concepção do filme “Ballad of a Small Player”, lançado na Netflix no final do ano passado: Lawrence Osborne, o autor do livro homónimo de 2014, e Mike Goodridge, o produtor da longa-metragem. Este filme, recorde-se, foi gravado em Macau no Verão de 2024 e catapultou cenários bem conhecidos da região, como templos e casinos, para os ecrãs dos utilizadores da Netflix.

Para além das letras

Enveredando pela área do cinema, a programação tem espaço para uma homenagem à sétima-arte portuguesa com a apresentação de “Salatinas”, um documentário assinado pela jornalista Filipa Queiroz que aborda a expulsão de cerca de três mil residentes da Alta de Coimbra para dar lugar à Cidade Universitária.

O cinema português vai também estar representado por Tiago Guedes, com os seus filmes “A Herdade”, de 2019, e “Restos do Vento”, de 2022. Para além de realizador de cinema, é também encenador da peça de teatro “À Primeira Vista”, que terá assim a sua estreia em Macau. A ocasião marca o regresso da actriz Margarida Vila-Nova ao território, onde já residiu e inclusive fundou projectos como a Mercearia Portuguesa ou a Futura Clássica.

“À Primeira Vista” é a versão portuguesa do monólogo de 2019 “Prima Facie”, que a produtora Força de Produção descreve na sua página oficial como “uma das mais reconhecidas pelas de teatro dos últimos anos”. Com assinatura de Suzie Miller, o espectáculo promete um “thriller jurídico de cortar a respiração” sobre temas fortes como “poder, consentimento e lei”.

Quanto ao calendário musical, o único nome até agora confirmado é o de Rodrigo Leão. O músico e compositor, figura essencial do género ‘new age’ em Portugal e membro das bandas Sétima Legião e Madredeus, tem actuação marcada para a noite de 11 de Março no Centro Cultural de Macau.

O comunicado de imprensa sublinha que serão “brevemente” acrescentados “nomes adicionais” a esta primeira lista de convidados. A 15.ª edição do Festival Literário de Macau é organizada com o apoio do Governo de Macau e de representações diplomáticas, associações locais, empresas (sobretudo as do sector hoteleiro) e órgãos de comunicação social. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”


terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Cabo Verde - Lidera Rural lança concurso nacional para produção de curtas-metragens sobre êxodo rural

Porto Novo – O projecto Lidera Rural está a promover o concurso nacional para seleccionar ideias e financiar a produção de quatro curtas-metragens que estimulem o debate e a reflexão sobre a vida e êxodo rural nas ilhas de intervenção.


Uma nota divulgada pelo projecto Lidera Rural explica que a iniciativa, cuja candidatura decorre entre 16 de Dezembro e 09 de Janeiro, visa igualmente abordar a “fuga” de pessoas das comunidades devido à falta de oportunidades por factores exógenos, como as alterações climáticas.

As curta-metragens devem abordar ainda o contributo do empreendedorismo das mulheres e dos jovens para construir alternativas através dos sectores da alimentação e do turismo rural e comunitário.

Esta é a terceira edição deste concurso, denominado “Bodji”, que incide em várias temáticas, quais sejam, Raízes que Resistam: Mulheres e Jovens a Transformar o Rural, Da Terra ao Futuro, Inovação Rural, Cadeias Produtivas e Segurança Alimentar, Terras de Acolhimento: Turismo Comunitário como Caminho para Ficar.

O projecto Lidera Rural, que está a ser implementado nos três municípios de Santo Antão, é financiado pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento.

O projecto, que está a ser implementado pelo Centro de Estudos Rurais e Agricultura Internacional (CERAI) e pela Associação dos Amigos da Natureza, abarca ainda a ilha de São Vicente e tem como objectivo gerar oportunidades económicas para os jovens e mulheres rurais de ambas as ilhas. In “Inforpress” – Cabo Verde

Regulamento

Candidaturas, exclusivamente, através de formulário online


sábado, 8 de novembro de 2025

Angola – Cidade de Lubango integra lista da UNESCO

A cidade do Lubango, com o seu artesanato e arte popular, e a brasileira de São Paulo, devido à afirmação no cinema e audiovisual, integram, agora, a Rede de Cidades Criativas da UNESCO (UCCN)


As duas cidades, juntamente com Matosinhos, em Portugal, compõem a presença lusófona numa lista de 58 novas cidades que obtiveram a classificação.

O anúncio foi feito a 31 de Outubro, Dia Mundial das Cidades, pela directora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay.

No caso do Lubango, cidade capital da província da Huíla, foi classificada na categoria de Artesanato e Artes Populares.

As cestas e balaios do Lubango são apenas algumas das peças artesanais mais conhecidas produzidas na capital da Huíla. A cidade de São Paulo foi classificada na categoria de Cinema.

De acordo com a UNESCO, estas cidades são reconhecidas pelo seu compromisso, em defender a criatividade como motor do desenvolvimento urbano sustentável e trazem, para a Rede, “a sua comprovada experiência na construção de comunidades resilientes e vibrantes”.

Neste ano, a UNESCO integrou, pela primeira vez o tema Arquitectura na Rede de Cidades Criativas, juntando-se aos sete domínios já existentes, nomeadamente Artesanato e Artes Populares, Artes Digitais, Design, Cinema, Gastronomia, Literatura e Música. In “Jornal de Angola” - Angola


sábado, 11 de outubro de 2025

Cabo Verde - Josslyn lança EP “Malibu” e estreia-se no cinema com o filme “Maldito Amor”

A cantora cabo-verdiana Josslyn lançou esta sexta-feira, 10, em todas as plataformas digitais, o seu novo EP intitulado “Malibu”

Segundo um comunicado enviado à Inforpress, o trabalho marca uma nova fase na carreira da artista, com uma sonoridade que cruza elementos do pop e do alternativo.

O disco inclui cinco faixas, Intentada, Baby Mama, Fallin, Gotham City e Malibu – duas das quais já foram divulgadas previamente.

O single Malibu, lançado há cinco meses, regista mais de 1,6 milhões de visualizações no YouTube, enquanto Baby Mama soma cerca de 155 mil visualizações.

Conforme a mesma fonte, Josslyn assina todas as letras do projecto, que conta com a colaboração de artistas e compositores como Ste yepSoM, Ritxa Kursha e Nelly Silva. Participam ainda no EP os músicos Mark Delman, MC Acondize, Rnany e Big Z.

Josslyn estreou-se discograficamente em 2016 com um álbum homónimo. Desde então, tem vindo a consolidar a sua presença no panorama da música lusófona.

Paralelamente ao lançamento do EP, a artista prepara-se para a sua estreia como protagonista no cinema, no filme angolano "Maldito Amor", um thriller sobre fama e relações tóxicas.

Josslyn interpreta Kaina, personagem central na narrativa que acompanha a trajetória do actor Zulo, papel desempenhado por Sílvio Nascimento.

Ainda sem data oficial de estreia, a longa-metragem deverá chegar às salas de cinema em Angola até ao final do ano, com previsão de exibição internacional em 2026. In “Expresso das Ilhas” – Cabo Verde com “Inforpress”