Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 16 de julho de 2026

Angola - Leitores de diferentes gerações reflectem em torno da obra literária de Manuel Rui

A Biblioteca Contr’Ignorância, no município do Rangel, em Luanda, realiza neste Sábado, 18, mais uma edição do Clube de Leitura Handyman, desta vez para reflectir em torno da obra “Quem Me Dera Ser Onda”, do escritor angolano Manuel Rui, publicado pela primeira vez em 1982


A iniciativa vai reunir crianças, adolescentes, jovens e adultos a fim de descobrir novos mundos e conversar sobre a referida obra, com o objectivo de incentivar o diálogo, a reflexão e a descoberta de novos conhecimentos através dos livros, bem como valorizar a literatura angolana e a produção literária do país.

Segundo o coordenador de Projectos da biblioteca, Dilson Maria, uma das maiores virtudes desta sessão reside na diversidade de interpretações que cada participante construirá a partir da mesma obra. Na sua perspectiva, embora todos leiam o mesmo livro, cada leitor desenvolve uma leitura própria, influenciada pelas suas vivências, pela realidade social e pela sua sensibilidade.

“O clube não pretende convencer ninguém de que uma determinada obra é boa ou má. Pelo contrário, acreditamos que são precisamente os livros que suscitam dúvidas, desconforto ou opiniões divergentes que proporcionam conversas mais profundas e enriquecedoras”, afirmou.

O responsável esclareceu ainda que o encontro está aberto para quem já leu a obra e para aqueles que desejam apenas conhecer o funcionamento do clube de leitura.

Questionado sobre a escolha de “Quem Me Dera Ser Onda” para esta edição, explicou que a equipa acompanha regularmente os títulos mais procurados pelos utilizadores da biblioteca, procurando seleccionar obras capazes de despertar o interesse de crianças, adolescentes e adultos e estimular um debate participativo. Musseque Segunda – Angola in “O País”


quinta-feira, 11 de junho de 2026

Suíça - Morreu Jean Ziegler, o inimigo dos bancos suíços

Morreu, na quarta-feira, dia 10 de junho, aos 92 anos, o suíço Jean Ziegler, um suíço como nenhum outro. Professor, sociólogo, escritor, político e, o mais importante, o inimigo número 1 dos bancos suíços, cujo livro A Suíça Lava mais Branco, foi denúncia internacional, editado também no Brasil.

Ziegler foi o intelectual suíço mais detestado e mais criticado na Suíça e, ao mesmo tempo, o mais amado e respeitado no que se chamava de Terceiro Mundo. Foi amigo de Sartre, de Simone de Beauvoir, de Guevara e dos grandes líderes de esquerda da época.

Quando num encontro com Guevara, disse querer ir lutar na América Latina, Guevara lhe respondeu - "Não, você tem de ficar na Suíça, onde está a cabeça do monstro".

Ziegler foi professor universitário, deputado federal suíço e relator especial da ONU sobre direito à alimentação.


Era detestado na Suíça

O nome de Jean Ziegler começou a ser detestado pelos financistas, pela elite financeira e bancos suíços em 1976 com a publicação do livro Uma Suíça Acima de Qualquer Suspeita, no qual Ziegler denunciava os lucros das multinacionais suíças às custas dos países pobres, o segredo bancário incentivador da sonegação de impostos com a fuga para a Suíça de capitais estrangeiros e o controle das instituições suíças pelos meios financeiros.

Alvo de numerosos processos por bancos e entidades financeiras, Ziegler revelava, no fim da vida numa entrevista para Swissinfo, ter perdido seus bens nas condenações de que fora alvo. Felizmente, tinha o cargo de relator da ONU para a Alimentação e havia a publicação de uma vintena de livros com bastante sucesso no Exterior.

No dizer da imprensa, seus livros eram suas armas, tanto que o jornal suíço Le Temps chamou-o de "guerrilheiro da sociologia", ao noticiar sua morte.

Um desses livros, responsável por processos e notoriedade no Exterior, foi A Suíça Lava mais Branco, pelo qual seus colegas deputados federais lhe tiraram a imunidade parlamentar. Veio a seguir A Suíça, o Ouro e os Mortos, tratando da neutralidade suíça, durante a Segunda Guerra Mundial. Os livros de Jean Ziegler eram publicados no Brasil pela Editora Brasiliense.

Embora de família suíço-alemânica protestante e conservadora, Ziegler aderiu ao marxismo ao estudar Direito em Paris.

Eu havia lido, em Paris, seu livro Uma Suíça Acima de Qualquer Suspeita, e ao me mudar para a Suíça, onde trabalhei para a Rádio Suíça Internacional, quis logo conhecer e entrevistar Jean Ziegler. Fiz diversas reportagens sobre ele para a Rádio Suíça Internacional e, mais tarde, para jornais e rádios brasileiros e portugueses.

Acabamos ficando amigos e quando estourou o escândalo do desvio de dinheiro público para bancos suíços pelo ex-prefeito e ex-governador Paulo Maluf, recebi o convite do Luiz Fernando Emediato, da Geração Editorial para contar num livro minhas reportagens para a CBN sobre Maluf. Foi Jean Ziegler quem escreveu o prefácio desse livro, cujo título é Dinheiro Sujo da Corrupção.

Essas reportagens tinham custado minha demissão da CBN, como contou para o Observatório da Imprensa o jornalista paraibano Carlos Aranha.

Também o jornalista Lúcio Vilar, no texto Políticos Viraram Marionetes, publicado no Correio da Paraíba e Observatório da Imprensa, escreveu: "Se o dinheiro é o sangue dos pobres... os milhões de dólares transferidos por Maluf e escondidos na Suíça, com a cumplicidade dos banqueiros suíços, são o sangue e as lágrimas dos favelados de São Paulo" assim escreveu Jean Ziegler... no prefácio do livro O Dinheiro Sujo da Corrupção. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.



 

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Hungria - Mia Couto distinguido com o título de Doutor Honoris Causa

O escritor moçambicano Mia Couto foi distinguido com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Eötvös Loránd (ELTE), uma das mais prestigiadas instituições académicas da Hungria, sediada em Budapeste.


A homenagem foi atribuída durante uma cerimónia realizada na passada sexta-feira, 08 de Maio, onde a universidade destacou o escritor moçambicano como uma “voz incontornável dos povos do chamado Sul Global”, sublinhando ainda a relevância internacional da sua obra, traduzida e premiada em dezenas de países.

Além de Mia Couto, a universidade distinguiu também quatro cientistas internacionais pelos seus contributos de relevância global nas respectivas áreas.

Na sua mensagem durante a cerimónia de gala Mia Couto partilhou aquele galardão de mérito com todos os escritores moçambicanos e com todos os professores que “se empenham em trazer luz e esperança para as novas gerações de Moçambique”

Mia Couto é um dos mais importantes escritores africanos contemporâneos. Autor de mais de 30 livros entre romances, contos, poesia e crónicas, tem a sua obra traduzida para mais de 30 línguas e publicada em diversos países. Vencedor do Prémio Camões, Mia Couto destaca-se pela recriação poética da língua portuguesa e pela forma como aborda a memória, a identidade, a tradição e os desafios sociais de Moçambique. A sua obra é referência incontornável da literatura africana e lusófona, contribuindo para a projecção internacional da cultura moçambicana. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


segunda-feira, 20 de abril de 2026

Angola - Escritor João Rosa Santos defende mais união entre escritores da CPLP

O escritor angolano, João Rosa Santos, reafirmou, recentemente, a necessidade e pertinência de união entre escritores de diferentes territórios que conformam a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).


João Rosa Santos falava no acto de lançamento da 6.ª edição do projecto Elos da Língua Portuguesa, antologia lançada em homenagem à Guiné Equatorial, que decorreu no último sábado, na cidade do Rio Preto, Estado de São Paulo, no Brasil.

‎Mais do que uma simples reunião de textos, a sexta edição  da Antologia de Língua Portuguesa contou com a participação de 154 escritores, entre os quais, alguns angolanos.

‎De acordo com o também imortal da Academia Brasileira de Escritores, o projecto Elos da Língua Portuguesa amplia o horizonte da Lusofonia e fortalece a pluralidade de vozes que nela habitam.

‎Para os organizadores do evento, João  Paulo Vani, presidente da Academia Brasileira de Escritores e Samira Camargo, coordenadora do projecto, nesta edição, a colectânea percorre paisagens culturais marcadas pela convivência  entre tradições pela memória histórica e pelas múltiplas formas de expressão, que encontram no português um ponto de encontro.

Segundo soube O País, a próxima edição da Antologia Elos da Língua Portuguesa está prevista para o ano de 2027, com uma homenagem à República de São Tomé e Príncipe. Flávio da Costa – Angola in “O País”

quinta-feira, 12 de março de 2026

Portugal - O escritor e jornalista Mário Zambujal partiu aos 90 anos

Mário Zambujal nasceu em Moura, Beja, a 5 de março de 1936. O escritor estreou-se em 1980 com o livro Crónica dos Bons Malandros, que se tornou num sucesso. A história foi adaptada ao cinema por Fernando Lopes e inspirou uma série de televisão realizada por Jorge Paixão da Costa.


Fim da Rua, À Noite Logo se Vê, Fora de Mão (coletânea de contos e crónicas), Primeiro as Senhoras, Uma Noite Não São Dias, Dama de Espadas, Longe É um Bom Lugar, O Diário Oculto de Nora Rute, Serpentina, Talismã, Romão e Juliana, Já Não se Escrevem Cartas de Amor, Então, Boa Noite, Rodopio, Fabíolo e Pirueta foram outras das obras do escritor.

Em dezembro, o escritor editou o livro O Último a Sair. “Estou a cumprir uma promessa que fiz a mim próprio. Esta é a tentativa de escrever um livro policial. Não será um típico. Um livro em que as personagens devem ter afeto e conflitos e contradições”, disse Zambujal.

Além de escritor, foi também jornalista desportivo na RTP. No canal, apresentou programa como "Grande Encontro".

Em 1984, o escritor foi distinguido com o grau de Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e, em 2016, com a medalha de Mérito Cultural da Câmara de Lisboa. Presidiu à Direção do Clube de Jornalistas entre 2007 e 2021.

Em 2025, Mário Zambujal recebeu Prémio Gazeta de Mérito, atribuído pelo Clube de Jornalistas, em reconhecimento pela sua carreira.

Mário Zambujal, descrito como "um dos mais carismáticos prosadores portugueses", foi o principal homenageado da edição de 2020 do Festival Literário Escritaria, em Penafiel.

90 anos de vida e mais de 45 anos de carreira literária

Há menos de quinze dias, Rosa Margarida, no Clube de Leitura SAPO  recordou cinco obras do premiado autor com uma vasta biografia, entre contos, crónicas, romances e outros géneros literários, que ditaram a sua carreira ao longo dos anos.

CRÓNICA DOS BONS MALANDROS, edição comemorativa com lançamento em março de 2026, com selo Clube do Autor

"Sinto-me sequestrado por estes bons malandros. Aos livros que fui escrevendo, e outros que venha a escrever, não lhes valem possíveis méritos. Mais de trinta anos depois de saltarem à cena, sem outra pretensão do que fazer sorrir circunstanciais leitores, os bons malandros não arredam pé e ganharam a afeição de gerações sucessivas.

Nada mais surpreendente, para quem lhes deu vida, esta longevidade que permite divertir jovens de hoje, tal como acontecera com seus pais e mesmo avós. (…) Entretanto, o que o autor ambiciona é o mesmo de sempre: proporcionar prazer de leitura a quem se dispõe à descoberta das singulares aventuras destes bons malandros. Se eles vos divertirem, cumprem o seu destino".

"A síntese divertida de uma tragédia. Não se trata da queda de quem quis subir, mas bem pior do que isso: a queda de quem quis descer (da malandragem para o crime a sério). Eis uma síntese possível, mas há muitas outras. Por exemplo, esta: um livro divertido, rápido, que nos lembra que também já fomos novos (e isso é bondade e maldade ao mesmo tempo)".

Gonçalo M. Tavares in Prefácio

O ÚLTIMO A SAIR, lançado em novembro de 2025, numa edição Clube do Autor

Conheceremos a história de duas personagens caricatas: a psicóloga Lídia e o chefe de polícia reformado Rodrigo. Tudo começa com a morte estranha de um amigo e a decisão do casal de descobrir o culpado ou culpada. E, para gáudio dos leitores, eles vão até ao fim. Um livro repleto de bom humor, com o estilo inconfundível a que Mário Zambujal nos habituou ao longo dos anos.

Esta edição inclui a história Conto Final, Parágrafo, plena de humor e amor, num livro sempre fiel ao espírito do autor.

FABÍOLO, de novembro de 2021, com chancela Clube do Autor

Danças de um romântico incurável com deslizes pelo meio. Sedução, romance e suspense à boa maneira de Mário Zambujal.

Assente num divertido jogo de sedução, o romance do eterno bom malandro é um livro pleno de mistério, humor e criatividade. O protagonista, Fabíolo, é um homem de paixões. Honestas. E também de outros impulsos e deslizes.

Dividido entre dois romances com uma morena e outra ruiva, Fabíolo sucumbe facilmente aos encantos femininos. Mas é uma inesperada tentação de riqueza que leva este romântico por caminhos sombrios. Morte anunciada a prazo, 15 dias de espera e esquivas…

UMA NOITE NÃO SÃO DIAS, de outubro de 2020, com selo Clube do Autor Um romance pleno de humor e criatividade a que se junta a prosa escorreita tão característica do autor.

Tudo se passa na Avenida Vertical, nome de uma torre habitacional de 98 andares, símbolo citadino dos novos tempos, onde ocorrem dois misteriosos assaltos: o roubo de um helicóptero no heliporto que encima o edifício e o roubo da coroa da rainha Matilde, que casou com o infante D. Afonso e chegou a rainha de Portugal. É nesta atmosfera de mistério que desfilam as personagens principais: Antony, um historiador, a mulher deste, Grace, e o amigo escultor, James.

"O que vai ler é uma história verídica, a ocorrer, garantidamente, no ano de 2044. É possível que os inevitáveis cépticos e maldizentes tentem beliscar o rigor da narrativa, negando verosimilhança às novidades urbanas, técnicas e de costumes. Não importa, 2044 vem já aí. Depois conversamos.»

LONGE É UM BOM LUGAR, de outubro de 2011, numa edição Clube do Autor

Tânia Dulce é uma jovem com uma ampla capacidade para amar e cede aos rogos do Doutor Ângelo, narrador de uma movimentada relação de desfecho imprevisível. Médico com sonhos de romancista, o doutor Ângelo percorre caminhos paralelos, do romance real com Tânia Dulce e da trama ficcional que se esforça por escrever. E porque o resto são (também) histórias, o leitor acompanha uma sequência de pequenas ficções, originalmente publicadas na revista Tempo Livre, do Inatel, com o estilo inconfundível a que podemos chamar de zambujalesco. Mário Zambujal volta a cativar os leitores pelo ritmo vivo da prosa em que avultam as surpresas, o humor e a reflexão acerca de cumprimentos e situações.

Nas palavras de Mário Zambujal, "O longe é a meta quando se foge". Tiago David – Portugal in Sapo


quinta-feira, 5 de março de 2026

Guiné Equatorial - Escritor Jorge Abeso Ndong Nneme apresentará a epopeia Fang na 4ª edição do Grande Fórum Africano de Publicações, nos Camarões

O evento vai realizar-se de 11 a 14 de março de 2026 na esplanada do Museu Nacional de Yaoundé (Camarões), sob o lema "O livro versus a inteligência artificial"


O escritor, editor e jornalista guineense-equatorial Jorge Abeso Ndong Nneme foi oficialmente convidado a participar da quarta edição do Salão Internacional da Indústria do Livro de Yaoundé (SILLY 2026), um dos eventos mais importantes do setor editorial africano. O evento realizar-se-á de 11 a 14 de março de 2026, na esplanada do Museu Nacional de Yaoundé (Camarões), com o tema O Livro Diante da Inteligência Artificial.

A cada ano, o SIILY reúne escritores, editores, investigadores, livreiros e promotores culturais de diversos países africanos, consolidando-se como um espaço de reflexão sobre o futuro dos livros no continente, os desafios da indústria editorial e o impacto das novas tecnologias na produção e circulação do conhecimento.

Nesta edição, a Guiné Equatorial será representada pela primeira vez por Jorge Abeso Ndong Nneme, que participará como convidado especial no dia 14 de março. Durante o evento, o autor apresentará a sua obra "Sobre a Epopeia Fang", um ensaio vencedor do primeiro Prémio de Ensaio da AEGLE, que analisa a tradição épica Fang como um dos pilares da literatura oral africana. Ele também fará uma apresentação intitulada "O Setor Editorial e de Livros na Guiné Equatorial", na qual abordará o estado atual da indústria editorial do país, os seus desafios estruturais, a promoção da leitura e as perspectivas para o desenvolvimento dos livros guineenses no contexto africano.

A relevância desta pesquisa é ainda mais reforçada por um momento significativo para a cultura Fang. Em 2025, a UNESCO reconheceu oficialmente o Nvet Oyeng, inscrevendo-o na Lista do Património Cultural Imaterial que Necessita de Salvaguarda Urgente. Neste contexto, diversos investigadores consideram a obra "Sobre a Epopeia Fang" um dos estudos mais abrangentes dedicados ao Nvet Oyeng e à tradição épica Fang na Guiné Equatorial, abordando sistematicamente as suas origens, estrutura narrativa, simbolismo filosófico e dimensão cultural. É também a primeira pesquisa a examinar este tema de forma abrangente no país.

A participação da Abeso Ndong Nneme neste fórum internacional representa uma oportunidade para apresentar o património cultural da Guiné Equatorial e fortalecer a diplomacia cultural do país, bem como abrir novos caminhos para a publicação e a cooperação académica com outros países africanos, num momento em que o debate sobre a relação entre livros e inteligência artificial ocupa um lugar central na esfera cultural global.

Abeso Ndong Nneme recebeu inúmeros prémios nacionais e internacionais por ensaios, narrativas e poesia. O seu estilo inspira-se na tradição oral, na história e na identidade cultural africana. Entre as suas distinções, destacam-se três Prémios AECID de Narrativa (2007, 2008 e 2011), o Prémio AECID de Poesia (2008) e o Primeiro Prémio AEGLE de Ensaio (2019) pelo seu estudo sobre a poesia épica Nvet e Fang. As suas obras mais conhecidas incluem romances como O Devorador de Homens, o Filho das Sombras e Correntes e Pólvora, uma antologia de poesia e um ensaio sobre a poesia épica Fang (2022).

A sua presença nestes fóruns internacionais ajuda a posicionar a literatura e o pensamento da Guiné Equatorial no diálogo cultural africano contemporâneo, dando visibilidade ao património intelectual do país e permitindo que a epopeia Fang tenha voz num dos mais importantes centros editoriais da África. Após a sua participação em Yaoundé, o escritor guineense também foi convidado para outro evento internacional que será realizado em abril em Libreville, Gabão, para o qual conta com o apoio do Ministério da Informação, Imprensa e Cultura, que já iniciou os preparativos necessários para viabilizar a sua participação. Benjamin Eyang – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”

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Jorge-Abeso Ndong Nneme, nasceu na Guiné Equatorial, em 20 de dezembro de 1984. Trabalhou no Centro Cultural Ecuatoguineano como editor da revista Ilusión, Chefe do departamento de investigação e estúdio de projetos, e Coordenador Geral.

Possuí formação universitária como professor diplomado em ciências da educação, licenciado em ciências da informação e comunicação, e vários diplomas de antropologia e história de África.


terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Portugal - Escritor Onésimo Teotónio Almeida distinguido com Prémio Graça Moura

O escritor e professor universitário Onésimo Teotónio Almeida foi o distinguido deste ano com o Prémio Vasco Graça Moura – Cidadania Cultural pelo seu contributo para “a afirmação da cultura da língua portuguesa no mundo”, foi agora anunciado.

O escritor e professor universitário Onésimo Teotónio Almeida foi o distinguido deste ano com o Prémio Vasco Graça Moura – Cidadania Cultural pelo seu contributo para “a afirmação da cultura da língua portuguesa no mundo”, foi agora anunciado.

“Como estudioso e ensaísta tem contribuído decisivamente para a afirmação da cultura da língua portuguesa no mundo, afirmando assim a cidadania cultural como um factor exemplar de expansão e desenvolvimento”, realçou o júri, ao qual presidiu o antigo ministro Guilherme d’Oliveira Martins.

O júri justificou a escolha de Onésimo Teotónio de Almeida “em virtude da sua persistente acção enquanto professor e investigador de prestígio com provas dadas nos domínios do estudo e consolidação da língua, da literatura e da cultura portuguesas, em especial dos Estados Unidos da América”.

O autor de Na Senda de Fernão Mendes (2013) reside desde 1972 nos Estados Unidos, para onde foi como aluno de pós-graduação na Brown University e onde continua a leccionar, tendo ajudado a criar o Centro de Estudos Portugueses e Brasileiros, actualmente já um departamento daquela universidade, o qual dirigiu de 1991 a 2003.

Onésimo Teotónio Almeida nasceu há 79 anos no Pico da Pedra, na ilha de São Miguel, nos Açores, tendo estudado no Seminário de Angra do Heroísmo e feito o bacharelato na Universidade Católica de Lisboa.

Como autor tem publicado em diferentes géneros – crónica, conto, teatro, poemas e ensaio. Entre as suas obras contam-se José Enes – Filósofo, Pedagogo e Mestre (2025), Diálogos Lusitanos (2024), O Século dos Prodígios (2018), A Obsessão da Portugalidade (2017), e Despenteando Parágrafos (2015).

Em comunicado enviado à agência Lusa, a Estoril Sol – organizadora do prémio – sublinha que “Onésimo Teotónio Almeida é um dos grandes pensadores e prosadores, tendo mais de uma centena de ensaios e textos publicados em Portugal e no estrangeiro, nomeadamente nos Estados Unidos, Brasil, França e Inglaterra”.

O Prémio Vasco Graça Moura – Cidadania Cultural, no valor de 20.000 euros, foi entregue pela primeira vez em 2016 ao ensaísta Eduardo Lourenço. Desde então foram já distinguidos o jornalista José Carlos Vasconcelos, o escritor e investigador Vítor Aguiar e Silva, a actriz Maria do Céu Guerra, o fadista Carlos do Carmo, o gestor e jurista Emílio Rui Vilar, o editor livreiro Zeferino Coelho, a pintora Graça Morais, o historiador José Pacheco Pereira e o escritor e investigador Hélder Macedo.

Além de Guilherme d’Oliveira Martins, o júri foi constituído por Maria Carlos Gil Loureiro, da Direcção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas, José Manuel Mendes, presidente da Associação Portuguesa de Escritores, Manuel Frias Martins, presidente da Associação Portuguesa de Críticos Literários, Ana Paula Laborinho, directora em Portugal da Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, Ciência e Cultura, pelo jornalista José Carlos de Vasconcelos, e, ainda, por Dinis de Abreu, a convite da Estoril Sol.

O distinguido foi anunciado no dia em que o escritor Vasco Graça Moura completaria 84 anos. A cerimónia da entrega do galardão “será anunciada oportunamente”. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa” 

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Onésimo Teotónio Pereira de Almeida - Natural de S. Miguel, Açores, é doutorado em Filosofia pela Brown University em Providence, Rhode Island (EUA). Professor Emérito dessa mesma universidade, foi Professor Catedrático no Departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros, bem como no Center for the Study of the Early Modern World e no Wayland Collegium for Liberal Learning. Autor de dezenas de livros. Alguns dos mais recentes: Despenteando Parágrafos, A Obsessão da Portugalidade, O Século dos Prodígios. A ciência no Portugal da expansão e Diálogos Lusitanos, na área do ensaio. Em escrita criativa: Livro-me do Desassossego, Aventuras de um Nabogador e Quando os Bobos Uivam. Co-dirige as revistas Gávea-Brown e Pessoa Plural, bem como quatro séries de livros sobre temática lusófona em várias editoras. É membro da Academia da Marinha, da Academia das Ciências e doutor Honoris Causa pela Universidade de Aveiro e Universidade Lusófona. A Brown University concedeu-lhe uma cátedra de mérito, a Royce Family Professorship in Teching Excellence. Observatório da Língua Portuguesa


segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Portugal - Morreu Fernando Paulouro das Neves

Histórico diretor do Jornal do Fundão partiu na noite desta segunda-feira, aos 78 anos


O histórico jornalista Fernando Paulouro das Neves, antigo diretor do Jornal do Fundão e que nos últimos anos se dedicou à escrita, morreu na noite desta segunda-feira, um dia depois de ter apresentado o seu último livro, As Sombras do Combatente, editora Guerra & Paz, numa sessão realizada na Biblioteca Eugénio de Andrade, no Fundão, completamente cheia.

Fernando Paulouro, nascido em 31 de janeiro de 1947, na cidade do Fundão, dedicou quase toda a vida ao Jornal do Fundão, onde foi jornalista, chefe de redação e diretor. Por várias vezes integrou as estruturas do Sindicato dos Jornalistas e da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista. Com uma ligação muito forte à cultura, também presidiu ao Teatro das Beiras e recebeu inúmeras distinções, entre as quais o título de sócio de honra da Sociedade Ibero-Americana de Antropologia Aplicada, o Prémio Gazeta de Mérito do Clube dos Jornalistas ou o Prémio Eduardo Lourenço, atribuído pelo Centro de Estudos Ibéricos. Em 2013, foi-lhe atribuída a Medalha de Ouro da cidade do Fundão.

No próximo ano iria presidir à Comissão de Honra das Celebrações dos 80 anos do Jornal do Fundão.  

Como escritor, publicou, entre outros, "A Guerra da Mina e os Mineiros da Panasqueira" (com Daniel Reis), "O Foral: Tantos Relatos/Tantas Perguntas", "Os Fantasmas Não Fazem a Barba" (com Zé d’Almeida), "A Materna Casa da Poesia – Sobre Eugénio de Andrade", "Os Olhos do Medo", "Crónica do País Relativo – Portugal, Minha Questão", "Fellini na Praça Velha", "Brasil em Mim", "O Informador e Outros Contos", "Catorze Histórias Incríveis ou o Fabuloso Imaginário das Lendas da Beira Baixa" (com José Manuel Castanheira) e "O Tribunal das Almas". Organizou também a antologia António Paulouro: As Palavras e as Causas. InJornal do Fundão” - Portugal


quarta-feira, 10 de setembro de 2025

Cabo Verde - Ministério da Educação “não tem competência para acto de padronização linguística” segundo escritor José Luiz Tavares

Cidade da Praia – O escritor José Luiz Tavares afirmou que o Ministério da Educação “não tem competência orgânica” para a realização de um acto de padronização linguística.


“Tal competência é do Ministério da Cultura, que resolveu que a melhor tática é permanecer mudo até que a borrasca passe”, esclareceu o escritor, em entrevista à Inforpress a propósito de uma providencia cautelar que vai interpor, ainda esta semana, para a suspensão do uso do manual do 10.º ano de Língua e Cultura Cabo-verdiana.

À Inforpress, o poeta explicou que, além do “atropelo de todos os comandos legais” sobre a língua cabo-verdiana, há ainda a “incompetência orgânica do Ministério da Educação para a realização de um acto de padronização linguística, ainda que encapotada", pois que “as mentes engendradoras de tal façanha, apesar das evidências em contrário, juram por este mundo e pelo outro que não se trata de tal coisa”.

“Portanto, o ministro Amadeu Cruz tem duas opções: uma sensata, que é suspender e mandar refazer o manual, extirpando a montanha de ilegalidade e anticientificidade, que é a tal (anti)norma pandialetal”, lançou, ou insistir nesse projecto “bairrista e divisionista”, com vista “à eliminação” da matriz histórica da língua cabo-verdiana.

E, então, continuou, arcar com as consequências cíveis e penais, que irá pedir ao tribunal, e que se averigue se as houver, para além das políticas, que, “estranhamente ninguém neste país assaca ao ministro”, finalizou. In “Inforpress” – Cabo Verde


segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Macau – Escritor Su Tong destaca influência mundial de José Saramago

O autor chinês Su Tong, pseudónimo de Tong Zhonggui, vencedor do prémio literário Man Asian, que recebeu um doutoramento ‘honoris causa’ em Macau, realçou à Lusa o impacto de José Saramago, “figura reverenciada por escritores”, em todo o mundo. “No mundo de língua portuguesa, há uma figura reverenciada e honrada por escritores em todo o mundo: José Saramago. A sua influência estende-se por todo o planeta”, disse Su Tong.


“Eu também estou entre os seus admiradores”, acrescentou o escritor de 62 anos, após uma palestra sobre a sua carreira literária, na Universidade da Cidade de Macau (UCM). A UCM distinguiu com um doutoramento ‘honoris causa’ Su Tong, autor de sete romances e mais de 200 contos, alguns dos quais traduzidos para português, como “A Minha Vida Enquanto Imperador” e “Esposas e Concubinas”. “Esposas e Concubinas” foi adaptado ao cinema pelo realizador Zhang Yimou em 1991 e chegou a estar proibido na China continental.

Durante a palestra, Su Tong observou que a sua jornada literária começou quando era jovem, ao ouvir contar histórias. “No início dos anos 70, quando a vida espiritual das pessoas era árida, o fascínio por contos tornava-se cada vez mais intenso”, recordou. Para dar continuidade a uma história que não tinha ouvido até ao final, Su Tong tentou escrever o desenlace da trama, embarcando, assim, na carreira de escritor.

O autor considera que foi precisamente a época que viveu que forjou a sua ligação à criação literária. A década de 1980 fez a China entrar numa era de fervor literário, o que acendeu ainda mais a sua paixão criativa, explicou.

Su Tong é um dos romancistas chineses contemporâneos mais conhecidos a residir na China e venceu em 2009 o Man Asian Literary Prize, versão asiática do Man Booker Prize, com o livro “O Barco para a Redenção”, um romance passado durante a Revolução Cultural.

Todos os escritores são porta-vozes do seu tempo, e a época, “como a Esfinge do Egipto, revela aspectos diferentes quando vista de diferentes tempos e ângulos”, referiu na palestra.

À Lusa, Su Tong afirmou que os escritores desta era partilham um sentimento de “ausência de peso”, “essa sensação de estar à deriva”. “Consequentemente, tornam-se mais sintonizados com a relação entre a humanidade e a realidade, e entre o escritor e o mundo”, explicou. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 16 de julho de 2025

Moçambique - Centro Cultural Português na Beira presta homenagem a Adelino Timóteo

O Centro Cultural Português na Beira vai, no próximo dia 18 de Julho, prestar uma homenagem ao escritor e artista plástico Adelino Timóteo. O evento contará com familiares, amigos e seguidores do percurso extraordinário do artista.


Adelino Timóteo nasceu a 3 de Fevereiro de 1970, na Beira, em Moçambique. Formou-se em Língua Portuguesa, mas nunca foi professor. Mais tarde, licenciou-se em Direito. Em 1994, na Beira, ingressou na área do jornalismo, tendo passado pelo Diário de Moçambique, pelo semanário Savana e ainda pelo semanário Canal de Moçambique.

Ao longo dos últimos 30 anos, Adelino Timóteo tem construído e consolidado uma carreira notável, demarcando-se como escritor e artista plástico no panorama nacional e internacional.

Adelino Timóteo, o escritor, tem 26 obras publicadas, entre poesia, romances e biografias históricas. Começou com “Os segredos da arte de amar” (Maputo: AEMO, 1998). Ilustrativamente, destacamos “A Virgem da Babilónia” (Maputo: Texto, 2009), a tríade lançada em 2013 com a chancela da Alcance Editores “Não chora Carmen”, “Nós, os do Macurungo” e “Livro Mulher” e terminamos com os últimos três títulos, designadamente “A biblioteca debaixo da cidade” (2023), “Jorge Jardim: o ano do adeus ao ultramar” (2024) e “Regresso ao sagrado Macurungo” (2025).

Adelino Timóteo, o artista plástico, conta com 26 exposições, em várias cidades de Moçambique, tendo exposto, ainda, na Espanha e na Áustria. Começou, em 1994, com uma exposição coletiva com os artistas Ferrão, Silva e Sitoe, na Casa Provincial de Cultura de Sofala. Em 2001, expõe pela primeira vez a título individual no Clube Náutico da Beira. Em 2013, o artista apresenta a “Exposição Msiro”, na Galiza, na Espanha e, no mesmo ano, apresenta a exposição individual “Mussicanas do Macurungo” no Centro Cultural Português na Beira. Atualmente, por ocasião dos seus 30 anos de carreira, encontra-se em exibição a sua última exposição de pintura intitulada “As Meninas da Rua 6 e outras”, na Casa do Artista, na Beira.

Timóteo recebeu, em 1999, o prémio anual do Sindicato Nacional do Jornalismo, pela melhor Crónica Jornalística. Em 2021, foi galardoado com o Prémio Nacional Revelação de Poesia AEMO (Associação dos Escritores Moçambicanos). Em 2011, recebeu o Prémio BCI/AEMO 2011 pela obra “Dos frutos do amor e desamores até à partida” e, em 2013, recebeu o “Melhor Escritor da Cidade da Beira”, Moçambique.

O escritor e artista plástico também foi distinguido pela “excelente e inquestionável qualidade de sua obra” (2015), pelo Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora (CEMD), Lisboa, Portugal. Adelino Timóteo foi homenageado pelo ISPO (2004), pelo Conselho Municipal da Beira (2007) e pelo Conselho Municipal de Quelimane (2015).

No passado dia 05 de Junho, o escritor e artista plástico celebrou os seus 30 anos de carreira na Casa do Artista e, no dia 18 de julho, às 18h, será homenageado no Centro Cultural Português na Beira. In “O País” - Moçambique


sábado, 31 de maio de 2025

Portugal - Escritor cabo-verdiano Joaquim Arena vence Prémio Literário Guerra Junqueiro Lusofonia

O escritor cabo-verdiano Joaquim Arena é um dos galardoados com o Prémio Literário Guerra Junqueiro 2024, atribuído anualmente no âmbito do Freixo Festival Internacional de Literatura (FFIL), em Portugal

O Prémio Literário Guerra Junqueiro (PLGJ) é promovido desde 2017 pela Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta, no âmbito do Freixo Festival Internacional de Literatura (FFIL), em homenagem ao poeta Guerra Junqueiro.

Autor de obras como Siríaco e Mister Charles (Prémio Oceanos 2023), Debaixo da Nossa Pele (2017), O Sabor da Água da Chuva e Outras Memórias da Amiga Perfeita (2024), Joaquim Arena é o laureado por Cabo Verde com este prémio que reconhece a carreira de escritores dos Países Membros da CPLP.

Contente pela distinção

“Sendo uma distinção não para um livro, mas para o conjunto da obra, fico muito contente, embora espero vir a escrever muitos mais livros”, revela o escritor, que brevemente coloca nas bancas mais um romance.

Trata-se do livro “As mortes do meu pai”, que encerra a Trilogia Negropolitana, destinada a dar vida e voz a homens e mulheres descendentes de africanos escravizados,  trazidos para o coração do Império.

“O reconhecimento pelo nosso trabalho, ainda por cima tendo como patrono um escritor e pensador português da craveira de Guerra Junqueiro, é sempre uma grande satisfação”, diz o autor, em conversa com A Nação.

Outros cabo-verdianos premiados

O PLGJ já distinguiu, em edições anteriores, outros escritores cabo-verdianos, como Dina Salústio (2022), Vera Duarte Pina (2021) e Jorge Carlos Fonseca (2020).

O prémio carrega o nome do patrono do evento e resgata um dos poetas que marcaram a formação dos poetas e escritores do séc. XX: Pretende ser um contributo para um movimento criador de uma união cultural lusófona. In “A Nação” – Cabo Verde


sexta-feira, 30 de maio de 2025

Angola - Destacado papel dos escritores na divulgação da História do país

O escritor e historiador Alberto Oliveira Pinto realçou, quarta-feira, em Luanda, que Angola vive uma realidade especial nestes 50 anos de Independência Nacional, em que os escritores desempenharam um papel fundamental na divulgação e pesquisa sobre a História do país



Durante o debate inaugural do ciclo de palestras que visa celebrar os 50 anos da Independência Nacional, o premiado escritor e historiador referiu que abordar a História implica sempre um ponto de interrogação.

Na dissertação, apontou exemplos de autores como Pepetela e outros que, ao longo dos 50 anos de Independência, muitas vezes, substituíram os académicos, pesquisando a História de Angola em busca da verdade dos factos.

“Portanto, há sempre uma exploração entre a história e a literatura, mas, no caso de Angola, nos últimos 50 anos essa relação foi muito significativa”, defendeu.

Questionado sobre a forma como analisa os escritores com forte carga de história nas suas obras, o orador disse que tem aprendido muito com a produção literária em obras de Pepetela, Arnaldo Santos, Henrique Abranches e muitos outros escritores angolanos.

Alberto Oliveira Pinto revelou ter feito recurso a obras desses escritores para produzir um ensaio sobre a oralidade entre um romance histórico de Pepetela e outro de Arnaldo Santos, embora reconheça serem escritores de tempos diferentes. “Escrevi romances históricos, mas aprendi muito com eles. Destaco o romance ‘Mazanga’, sobre a Ilha de Luanda e a origem dos axiluanda, com o qual ganhei o Prémio Sagrada Esperança, em 1998”, disse.

Doutor em História de África pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o prelector revelou que já escrevia literatura e se interessava por temas históricos, mas lamentou o facto de ter tomado a decisão de se tornar historiador muito tarde, aos 34 anos, aquando do regresso a Angola, em 1996, depois de muitos anos de vivência em Portugal.

“Voltei cá em 1996, aqui mesmo nesta sala da União dos Escritores Angolanos, e já tinha livros publicados. Ao voltar, percebi que não sabia nada sobre o país, foi assim que nasceu a paixão pela pesquisa da História de Angola. Já escrevia romances históricos, quando pensava que a história não passava de pano de fundo para os meus romances”, recordou. 

Na qualidade de anfitrião, o secretário-geral cessante da União dos Escritores Angolanos (UEA), David Capelenguela, reconheceu que Alberto Oliveira Pinto tem sido um dos historiadores que tem contribuído bastante para o conhecimento da história recente e não só do país, embora viva na diáspora.

“O debate com este membro desta Casa das Letras mostra que celebrar os 50 anos da nossa Independência exige a contribuição de todos os saberes, principalmente, a partilha com jovens académicos ávidos em procurar novos caminhos ou factos para as suas pesquisas”, avaliou.

Promovido pelo Memorial Dr. António Agostinho Neto, o ciclo de palestras, em Luanda, encerrou hoje, às 14h00, na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto, onde Alberto Oliveira Pinto ministrou o debate sobre “Lugares de Memória de Angola antes e depois da Independência”.

A agenda de Alberto Oliveira Pinto culmina no dia 4 de Junho, na cidade do Huambo, às 9h00, no Centro Cultural Manuel Rui, onde vai debater temas como a figura de Norton de Matos e a fundação daquela cidade, assim como as bases do nacionalismo angolano. Katiana Silva – Angola in “Jornal de Angola”


quinta-feira, 15 de maio de 2025

Angola - Historiador Egídio de Sousa Santos lança livro sobre Njinga a Mbande

O historiador António Egídio de Sousa Santos lançou no auditório da Universidade Rainha Njinga, em Malanje, a obra “Njinga a Mbande – Rainha de Ndongo e de Matamba”, sob a chancela da Mayamba Editora



Segundo a nota de imprensa enviada pela editora, a sessão de venda e autógrafos foi precedida de uma palestra sobre a rainha e o seu legado, proferida pelo autor.

Na obra, António Egídio de Sousa Santos “Disciplina”, antigo chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas, faz o retrato da vida desta guerreira que considera mulher destemida e prodigiosa. O historiador destacou, entre outros pontos, que o seu reino lhe foi tirado, travou uma guerra contra a escravização do seu povo, sublinhando, igualmente, que Njinga a Mbande perdeu muitas batalhas, mas nunca a guerra, assim como viveu e morreu rainha.

“Para o seu povo, e ainda hoje, quase quatro séculos depois, para todos os povos de Angola, continua viva, porque se tornou um símbolo. Figura lendária de uma África negra implacavelmente martirizada, Njinga deveria despertar as nossas consciências adormecidas, ainda devedoras desses tristes séculos de infâmia.

O espírito de resistência e liberdade simbolizado pela Rainha Njinga espalhou-se muito para além das fronteiras de Angola”, lê-se no comunicado. Detentora de uma história que tem inspirado pessoas de diversas nacionalidades, a nota refere que Njinga a Mbande encarna uma imagem central da história africana, a de resistência aos objectivos colonialistas da Europa.

Após a morte de Njinga, sustenta o comunicado, muitos países africanos resistiram e lutaram durante séculos pela Independência, que só obtiveram durante o século XX, pelo que, em África, a memória desta rainha foi fonte de inspiração na luta pela Independência.

Antigo chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas, António Egídio de Sousa Santos nasceu em Kalandula, na província de Malanje. Em 1985, licenciou-se em Filologia pela Escola Superior Político-Militar de Lviv, na Ucrânia.

Em 1990, licenciou-se em Ciências da Educação, opção Ensino de História, pelo Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED Lubango). Em 1994, em França, obteve o “Diplôme d’Études Approfondies” em História da África Negra pela Université de Paris I, Panthéon-Sorbonne, e, em 2004, obtém o grau de Doutor (Ph.D) em História e Civilizações pela École des Hautes Études en Sciences Sociales.

Com vasta e longa experiência no ensino da História da Antiguidade e Etnologia Africana, é membro investigador do Arquivo Histórico Nacional de Angola e professor de História de África na Universidade Agostinho Neto.

Publicou as obras “A Cidade de Malanje na História de Angola, dos finais do século XIX até 1975” (Nzila, 2006), “O Itinerário Yaka no Território Angolano e sua Influência no Desenvolvimento Cultural da Região”, “Esboço da História Política de Angola – Como poderia silenciar-me?” (Kilombelombe, 2013) e “Cidades, organização do espaço e sociedades em Angola” (Mayamba Editora, 2020). Katiana Silva – Angola in “Jornal de Angola”


sábado, 12 de abril de 2025

Estados Unidos da América – Moçambicano Mia Couto vence Prémio PEN/Nabokov 2025 para literatura internacional

O escritor moçambicano Mia Couto venceu o Prémio PEN/Nabokov 2025, tornando-se o primeiro autor de língua portuguesa a ser distinguido com este galardão do PEN América destinado à literatura internacional, revelou a editorial Caminho



“O PEN America atribui o Prémio PEN/Nabokov de Literatura Internacional ao eminente escritor moçambicano Mia Couto pelo conjunto da sua obra. Couto é admirado por romances como ‘Terra Sonâmbula’ (1992) e, mais recentemente, a trilogia ‘As Areias do Imperador’ (2015, 2016 e 2018), selecionada para o Prémio Booker Internacional”, lê-se no comunicado do PEN norte-americano, citado pela editora.

De acordo com o júri do prémio, o trabalho de Mia Couto é um testemunho da dramática história da sua pátria, “bem como dos enigmas da identidade e da existência”.

Mia Couto, que escreve em português, ocupa “uma posição singular no panorama das literaturas africana e mundial”, acrescenta o júri.

O Prémio PEN/Nabokov de Literatura Internacional, no valor de 50 mil dólares (cerca de 45 mil euros), é concedido anualmente pelo PEN America, em colaboração com a Fundação Literária Vladimir Nabokov, a um autor vivo cujo corpo de trabalho, escrito ou traduzido para inglês, representa o mais alto nível de realização em ficção, não-ficção, poesia e/ou drama, segundo informação do ‘site’ oficial do galardão.

O prémio celebra autores cuja obra demonstra “originalidade duradoura e artesanato consumado”, evocando a versatilidade e o compromisso com a literatura, características da escrita de Vladimir Nabokov, acrescenta.

Fundado em 2016, este prémio distinguiu anteriormente os escritores Maryse Conde, Vinod Kumar Shukla, Ngũgĩ wa Thiong’o, Anne Carson, M. NourbeSe Philip, Sandra Cisneros, Edna O’Brien e Adonis.

Em setembro do ano passado, Mia Couto foi distinguido com o Prémio FIL (Feira Internacional do Livro de Guadalajara) de Literatura em Línguas Românicas 2024.

Mia Couto nasceu na Beira, em Moçambique, em 1955, trabalhou como jornalista e professor, e atualmente é biólogo e escritor.

Prémio Camões em 2013, Mia Couto é autor, entre outros, de “Jesusalém”, “O Último Voo do Flamingo”, “Vozes Anoitecidas”, “Estórias Abensonhadas”, “Terra Sonâmbula”, “A Varanda do Frangipani” e “A Confissão da Leoa”.

Traduzido em mais de 30 línguas, o escritor foi igualmente distinguido com o Prémio Vergílio Ferreira, em 1999, com o Prémio União Latina de Literaturas Românicas, em 2007, e com o Prémio Eduardo Lourenço, em 2011, pelo conjunto da obra, entras outras distinções.

“Terra Sonâmbula” foi eleito um dos 12 melhores livros africanos do século XX, e “Jesusalém” esteve entre os 20 melhores livros de ficção mais publicados em França, na escolha da rádio France Culture e da revista Télérama. In “Sapo Mag” – Portugal com “Lusa”


quarta-feira, 9 de abril de 2025

Angola - Escritor Jorge Arrimar satisfeito pelo reconhecimento à criação

O escritor Jorge Arrimar considerou, na segunda-feira, no Centro Cultural Português, em Luanda, ser um incentivo e privilégio receber o VI Prémio de Literatura Dstangola/Camões, em que concorreu com o romance “Cuéle – O pássaro troçador”, publicado pela editora portuguesa “Guerra e Paz”



O prémio, promovido pelo Dstgroup em parceria com o Instituto Camões, dedicou-se nesta edição a obras de prosa de autores angolanos, publicadas em 2022 e 2023. O prémio, no valor de 15.000 euros, foi entregue ao vencedor, na quantia correspondente em kwanzas.

Em declarações ao Jornal de Angola, Jorge Arrimar, explicou que ao ver reconhecido o trabalho, serve como um incentivo à continuidade, embora não esteja habituado a receber prémios.

Questionado sobre a ausência nos grandes concursos de literatura, o poeta e romancista disse que nunca se sentiu injustiçado, por estar consciente da complexidade da sua escrita que requer algum rigor na elaboração temática, por não escrever para um público vasto, assim como para as editoras, que muitas vezes são reguladas pela sua componente comercial. “Trabalho muito o texto, faço muita pesquisa e tento sempre escolher, detalhadamente as palavras. Isso leva muito tempo. Há muita exigência da minha parte. Isso, provavelmente, torna a leitura, também, mais complicada”, reconheceu.  

Além da presença de escritores e membros de direcção da empresa promotora na concorrida cerimónia, a entrega do prémio foi prestigiada pela secretária de Estado da Cultura, Maria da Piedade Jesus, que felicitou o escritor pelo prémio, bem como, a organização e o júri, por todo o trabalho desenvolvido em mais uma edição que tem privilegiado a excelência e criatividade na literatura angolana. “Essa distinção só vem enaltecer o trabalho que tem sido desenvolvido ao longo dos anos pelos escritores angolanos”, sublinhou.

Argumentos do júri

O júri, foi constituído por José Mena Abrantes (presidente), David Capelenguela e Amélia Dalomba “constatou com satisfação a qualidade de grande parte das obras apresentadas este ano a concurso”, o que tornou mais difícil a decisão final. “Depois de uma profunda e cuidada análise e do cruzamento das suas opiniões, o júri decidiu, por unanimidade, outorgar o prémio deste ano à obra “Cuéle - O pássaro troçador', de Jorge Arrimar, um fresco grandioso e muito bem documentado sobre uma região de Angola raramente presente na nossa literatura”, explicou o júri.

“O autor tem perfeito domínio da sua expressão, tanto na escrita e na definição das diferentes personagens, quanto no rigor como caracteriza modos de ser, tradições e comportamentos dos vários estratos sociais, quer do lado africano quer do lado europeu, num momento decisivo do desenvolvimento do Sul de Angola, na transição do século XIX para o século XX”, acrescentou ainda o júri, em comunicado.

Jorge Arrimar concilia, assim, na opinião dos jurados, “com naturalidade, num estilo simples e fluido, reminiscências de figuras relevantes da época e da sua própria história familiar e factos históricos profusamente documentados, que revelam tanto o esboço de uma harmonia possível no contacto entre duas culturas diferentes quanto a violentação de uma pela outra na concretização da ocupação colonial”.

O vencedor foi conhecido em Novembro do ano passado, em que o júri considerou “Cuéle – O pássaro troçador” como “um fresco grandioso e muito bem documentado sobre uma região de Angola raramente presente na literatura”.

Ao longo destas edições, o concurso já distinguiu Zetho Cunha Gonçalves, em 2019, Pepetela, em 2020, Benjamim M’Bakassy, em 2021, Boaventura Cardoso, em 2022, e João Melo, no ano passado. Katiana Silva – Angola in “Jornal de Angola”