Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 4 de julho de 2025

Angola - Escritor AC Khamba apresenta novo livro

O escritor AC Khamba apresenta a sua mais recente obra literária intitulada “Viajantes surreais no insólito maximbombo”, numa sessão de venda e assinatura de autógrafos que acontece no Centro Cultural Manuel Rui, na cidade do Huambo



O livro, que será apresentado por José Haleka, vai ser comercializado no valor de 9 mil kwanzas. Segundo a nota enviada à imprensa, o livro é uma colecção de 11 textos prosaicos nas diversas modalidades construtivas da “prosa curta” e que se distingue das demais propostas pela sua navegação entre o realismo mágico, fantástico e animista.

O livro volta a ser apresentado no dia 31 do corrente mês, no Museu de Arqueologia de Benguela, pelas 14h30, e estará a cargo de Fernando Tchacupomba.

AC Khamba é o pseudónimo literário de António César Cambanda, estudante de Língua Portuguesa no Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED), em Luanda. AC Khamba é escritor, crítico literário, professor de Língua Portuguesa no Instituto Politécnico Dom Damião Franklin (IPDDF), director-geral do Complexo Escolar Paulo Feire (CEPF) e coordenador científico no Centro de Língua e Literatura Milho (CLLM).

Tem textos em diversas colectâneas, especificamente em “Nós e a Poesia (homenagem ao escritor João Tala e Lopito Feijóo), revista Palavra e Arte, revista Mayombe (Crítica Literária Angolana), revista Soletrar, Jornal Cultura, Jornal de Angola e Jornal O País. In “Jornal de Angola” - Angola


sexta-feira, 30 de maio de 2025

Angola - Destacado papel dos escritores na divulgação da História do país

O escritor e historiador Alberto Oliveira Pinto realçou, quarta-feira, em Luanda, que Angola vive uma realidade especial nestes 50 anos de Independência Nacional, em que os escritores desempenharam um papel fundamental na divulgação e pesquisa sobre a História do país



Durante o debate inaugural do ciclo de palestras que visa celebrar os 50 anos da Independência Nacional, o premiado escritor e historiador referiu que abordar a História implica sempre um ponto de interrogação.

Na dissertação, apontou exemplos de autores como Pepetela e outros que, ao longo dos 50 anos de Independência, muitas vezes, substituíram os académicos, pesquisando a História de Angola em busca da verdade dos factos.

“Portanto, há sempre uma exploração entre a história e a literatura, mas, no caso de Angola, nos últimos 50 anos essa relação foi muito significativa”, defendeu.

Questionado sobre a forma como analisa os escritores com forte carga de história nas suas obras, o orador disse que tem aprendido muito com a produção literária em obras de Pepetela, Arnaldo Santos, Henrique Abranches e muitos outros escritores angolanos.

Alberto Oliveira Pinto revelou ter feito recurso a obras desses escritores para produzir um ensaio sobre a oralidade entre um romance histórico de Pepetela e outro de Arnaldo Santos, embora reconheça serem escritores de tempos diferentes. “Escrevi romances históricos, mas aprendi muito com eles. Destaco o romance ‘Mazanga’, sobre a Ilha de Luanda e a origem dos axiluanda, com o qual ganhei o Prémio Sagrada Esperança, em 1998”, disse.

Doutor em História de África pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o prelector revelou que já escrevia literatura e se interessava por temas históricos, mas lamentou o facto de ter tomado a decisão de se tornar historiador muito tarde, aos 34 anos, aquando do regresso a Angola, em 1996, depois de muitos anos de vivência em Portugal.

“Voltei cá em 1996, aqui mesmo nesta sala da União dos Escritores Angolanos, e já tinha livros publicados. Ao voltar, percebi que não sabia nada sobre o país, foi assim que nasceu a paixão pela pesquisa da História de Angola. Já escrevia romances históricos, quando pensava que a história não passava de pano de fundo para os meus romances”, recordou. 

Na qualidade de anfitrião, o secretário-geral cessante da União dos Escritores Angolanos (UEA), David Capelenguela, reconheceu que Alberto Oliveira Pinto tem sido um dos historiadores que tem contribuído bastante para o conhecimento da história recente e não só do país, embora viva na diáspora.

“O debate com este membro desta Casa das Letras mostra que celebrar os 50 anos da nossa Independência exige a contribuição de todos os saberes, principalmente, a partilha com jovens académicos ávidos em procurar novos caminhos ou factos para as suas pesquisas”, avaliou.

Promovido pelo Memorial Dr. António Agostinho Neto, o ciclo de palestras, em Luanda, encerrou hoje, às 14h00, na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto, onde Alberto Oliveira Pinto ministrou o debate sobre “Lugares de Memória de Angola antes e depois da Independência”.

A agenda de Alberto Oliveira Pinto culmina no dia 4 de Junho, na cidade do Huambo, às 9h00, no Centro Cultural Manuel Rui, onde vai debater temas como a figura de Norton de Matos e a fundação daquela cidade, assim como as bases do nacionalismo angolano. Katiana Silva – Angola in “Jornal de Angola”


quarta-feira, 2 de abril de 2025

Angola - António Bambi lança livro de provérbios africanos

“Máximas Africanas e os seus valores pedagógicos e morais” é o título do livro do escritor angolano António Bambi lançado no Centro Cultural Manuel Rui, na província do Huambo, uma obra que revela a riqueza que carrega a filosofia das línguas nativas de interpretação na resolução dos problemas

Com 483 páginas, o livro tem mais de 411 adágios em diferentes línguas bantu e foi editado pela Casa Editora Vieira da Silva, em Portugal. A obra vai ser comercializada ao preço de 16 mil kwanzas.

O também pastor da Igreja Adventista do Sétimo Dia revelou que o livro traz provérbios, que chamam a atenção, educam e dão exemplos práticos sobre a vida na comunidade.

António Bambi refere que os africanos ensinavam os seus filhos através de provérbios, chamados de “alusapo” na língua umbundu, uma prática para a orientação da vida dos mais jovens.

“Nós que crescemos neste sistema de ensino, que muitos caracterizam não formal, nem metodológico, aprendemos com provérbios nos ondjangos, onde o seculo ou sobas passava o adestramento social”, disse.

Ao pôr do sol, todos à volta da fogueira, as mamãs traziam o jantar no odjango, os mais velhos aproveitavam aquele momento para dar instruções e gizar tarefas para o dia seguinte, através dos provérbios que carregavam um grande valor pedagógico e moral. “Estas medidas é que nos guiam desde a antiguidade, até aos dias de hoje”.

“Esta obra literária traz ensinamentos importantes para a vida inteira, tem, igualmente, poesias em umbundu e traz rimas ao estilo africano, como por exemplo, ‘kukwete ombili, kukwata umbili’, entretanto, o ombili é (vontade) e umbili é um rato que fica nas margens dos rios, o que se traduz que, se não tiveres vontade não apanhas o rato. O que revela que em línguas africanas a rima existe”, disse. Adolfo Mundombe – Angola in “Jornal de Angola”