Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 17 de janeiro de 2026

Angola - Artistas plásticos homenageiam Fernando Lucano em exposição colectiva

O artista plástico Fernando Lucano, falecido em 2024, vai ser homenageado a título póstumo, pela primeira vez, por um grupo de quatro artistas plásticos angolanos, numa exposição colectiva a ter lugar na próxima Quarta-feira, 21, do corrente mês, na Galeria Tamar Golan, concretamente na Fundação Arte e Cultura, a partir das 19h00


Segundo informações avançadas pela Assessora de Comunicação e Imagem da Fundação Arte e Cultura, Antónia Paulo, a amostra surge como uma iniciativa de quatro artistas plásticos, nomeadamente Wilson Belas, Saitido Sa damy, Nelo Teixeira e Paulo Amaral, que conviveram com o artista, para homenagear e agradecer a generosidade de Lucano, que durante muito tempo dedicou a sua vida à arte plástica.

Antónia Paulo referiu que Lucano foi um dos artistas com quem a instituição manteve mais proximidade, e acompanhou de perto a sua evolução artística, facto que culminou com a apresentação da sua primeira exposição no referido espaço.

“A Fundação Arte e Cultura quer agradecer e, sobretudo, honrar a memória e a arte de Lucano, uma vez que o artista sempre fez parte desta família, e já é falecido”, destacou. In “O País” - Angola


sábado, 15 de novembro de 2025

Macau - Aeroporto inaugura exposição dedicada ao artista português Eduardo Nery

O Aeroporto Internacional de Macau inaugurou uma exposição sobre a criação do mural de painéis de azulejo por parte do artista plástico português Eduardo Nery. O mural, com 210 metros de comprimento e 2,1 metros de altura, “inspira-se na mitologia, na história marítima, na evolução da aviação e nas trocas culturais entre a China e Portugal”, referiu a Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau


O Aeroporto Internacional de Macau inaugurou uma exposição sobre a criação do mural de painéis de azulejo por parte do artista plástico português Eduardo Nery (1938-2013).

Num comunicado, a companhia gestora da infraestrutura disse que a mostra, no terminal de passageiros, “apresenta materiais preciosos do processo criativo” de Nery, “incluindo esboços, estudos de cor e projectos gráficos”.

A exposição “Arte Icónica: O Ícone do Terminal” oferece aos visitantes “um olhar aprofundado sobre a metodologia do artista”, acrescentou a CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau.

A mostra concentra-se no mural de azulejos portugueses criado por Eduardo Nery para a inauguração, em 9 de Novembro de 1995, do aeroporto, ainda durante a administração portuguesa do território.

O mural, com 210 metros de comprimento e 2,1 metros de altura, “inspira-se na mitologia, na história marítima, na evolução da aviação e nas trocas culturais entre a China e Portugal”, referiu a CAM.

A obra “integra com mestria a essência das culturas chinesa e portuguesa, refletindo o papel histórico singular de Macau como ponto de encontro das civilizações oriental e ocidental”, acrescentou a empresa.

A exposição, que serve também para assinalar os 30 anos do aeroporto, foi organizada em conjunto pela CAM e pela Faculdade de Artes e Humanidades da Universidade de São José.

Na cerimónia de inauguração, o presidente da CAM, Ma Iao Hang, agradeceu ao director da faculdade, o português Carlos Sena Caires, “pela estreita colaboração” com a família de Eduardo Nery, que permitiu apresentar ao público “manuscritos e esboços de design gráfico de valor inestimável”.

Nascido na Figueira da Foz, em 1938, Eduardo Nery exerceu a sua atividade nas áreas da pintura, tapeçaria, vitral, mosaico e azulejo, entre outras. Desde a década de 60 realizou diversas intervenções em espaços arquitectónicos, de que são exemplo os painéis de azulejo no viaduto do Campo Grande (Lisboa) ou os vitrais da capela de São José, na Basílica de Fátima.

Entre 1970 e 1972, Eduardo Nery lecionou as disciplinas de Desenho e Texturas no IADE, à altura designado Instituto de Arte e Decoração.

Em 1973 integrou a primeira direção pedagógica do Centro de Arte e Comunicação Visual (Ar.Co), escola onde se manteve até 1975.

Ao longo da carreira artística foi premiado por diversas vezes, com destaque para um galardão atribuído na 1.ª Bienal Internacional de Arte Contemporânea Europeia (Itália, 1975) ou o Prémio Bordalo da Imprensa, na categoria de Artes Plásticas (1995). In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


terça-feira, 11 de novembro de 2025

Moçambique - Eugénio Saranga expõe “Os que julgam sem voz” na Fundação Fernando Leite Couto

O artista plástico Eugénio Saranga apresenta, nesta quarta-feira, uma exposição intitulada “Os que julgam sem voz – ensaio sobre a ferida da caça furtiva”, na Fundação Fernando Leite Couto.


A exposição apresenta uma faceta de Saranga, virada para as questões contemporâneas da vida selvagem ao próprio comportamento humano ligado à natureza.

Eugénio Saranga pertence à geração de artistas que se posiciona num momento de reafirmação de arte plástica moçambicana e procura ir além do que se exige ao artista, viver o seu tempo e denunciar o que subverte a ordem das coisas. A natureza e tudo que nela habita.

Nas obras de desenho com recurso a tinta-da-china e caneta gel sobre papel, as imagens são associadas ao mundo selvagem ao mesmo tempo que espiritual. Sobre as figuras preenchidas pelo preto destaca-se o vermelho, das criaturas ávidas de se alimentar de outros seres, dos animais que serão feridos de uma morte inesperada, que vai servir a um fim que vai além da ganância humana.

Eugénio Saranga é, actualmente, artista plástico e curador de arte. É membro e vice-presidente do Núcleo de Arte e da Associação de Fotografia em Moçambique. In “O País” - Moçambique


quarta-feira, 16 de julho de 2025

Moçambique - Centro Cultural Português na Beira presta homenagem a Adelino Timóteo

O Centro Cultural Português na Beira vai, no próximo dia 18 de Julho, prestar uma homenagem ao escritor e artista plástico Adelino Timóteo. O evento contará com familiares, amigos e seguidores do percurso extraordinário do artista.


Adelino Timóteo nasceu a 3 de Fevereiro de 1970, na Beira, em Moçambique. Formou-se em Língua Portuguesa, mas nunca foi professor. Mais tarde, licenciou-se em Direito. Em 1994, na Beira, ingressou na área do jornalismo, tendo passado pelo Diário de Moçambique, pelo semanário Savana e ainda pelo semanário Canal de Moçambique.

Ao longo dos últimos 30 anos, Adelino Timóteo tem construído e consolidado uma carreira notável, demarcando-se como escritor e artista plástico no panorama nacional e internacional.

Adelino Timóteo, o escritor, tem 26 obras publicadas, entre poesia, romances e biografias históricas. Começou com “Os segredos da arte de amar” (Maputo: AEMO, 1998). Ilustrativamente, destacamos “A Virgem da Babilónia” (Maputo: Texto, 2009), a tríade lançada em 2013 com a chancela da Alcance Editores “Não chora Carmen”, “Nós, os do Macurungo” e “Livro Mulher” e terminamos com os últimos três títulos, designadamente “A biblioteca debaixo da cidade” (2023), “Jorge Jardim: o ano do adeus ao ultramar” (2024) e “Regresso ao sagrado Macurungo” (2025).

Adelino Timóteo, o artista plástico, conta com 26 exposições, em várias cidades de Moçambique, tendo exposto, ainda, na Espanha e na Áustria. Começou, em 1994, com uma exposição coletiva com os artistas Ferrão, Silva e Sitoe, na Casa Provincial de Cultura de Sofala. Em 2001, expõe pela primeira vez a título individual no Clube Náutico da Beira. Em 2013, o artista apresenta a “Exposição Msiro”, na Galiza, na Espanha e, no mesmo ano, apresenta a exposição individual “Mussicanas do Macurungo” no Centro Cultural Português na Beira. Atualmente, por ocasião dos seus 30 anos de carreira, encontra-se em exibição a sua última exposição de pintura intitulada “As Meninas da Rua 6 e outras”, na Casa do Artista, na Beira.

Timóteo recebeu, em 1999, o prémio anual do Sindicato Nacional do Jornalismo, pela melhor Crónica Jornalística. Em 2021, foi galardoado com o Prémio Nacional Revelação de Poesia AEMO (Associação dos Escritores Moçambicanos). Em 2011, recebeu o Prémio BCI/AEMO 2011 pela obra “Dos frutos do amor e desamores até à partida” e, em 2013, recebeu o “Melhor Escritor da Cidade da Beira”, Moçambique.

O escritor e artista plástico também foi distinguido pela “excelente e inquestionável qualidade de sua obra” (2015), pelo Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora (CEMD), Lisboa, Portugal. Adelino Timóteo foi homenageado pelo ISPO (2004), pelo Conselho Municipal da Beira (2007) e pelo Conselho Municipal de Quelimane (2015).

No passado dia 05 de Junho, o escritor e artista plástico celebrou os seus 30 anos de carreira na Casa do Artista e, no dia 18 de julho, às 18h, será homenageado no Centro Cultural Português na Beira. In “O País” - Moçambique


sexta-feira, 5 de julho de 2024

Reino Unido - Artista português Carlos Bunga expõe em Walsall

O artista português Carlos Bunga apresenta uma série de desenhos inéditos, inspirados em momentos da sua infância, numa exposição que é inaugurada esta sexta-feira em Walsall, no Reino Unido


A mostra a solo “Citizen of the world”, com curadoria de Zoë Lippett, estará patente na The New Arte Gallery Walsall, cidade situada a cerca de meia hora de carro de Birmingham, na região britânica de West Midlands.

De acordo com informação disponível no ‘sítio’ oficial da galeria, a exposição inclui “uma série de desenhos, nunca antes apresentados, inspirados pelas experiências de infância de Carlos Bunga, de mudar-se entre casas frágeis e temporárias, que muitas vezes colapsaram e desapareceram”.

A acompanhar estes “poderosos trabalhos” está um filme criado há dez anos, no qual é mostrado “o processo dinâmico do artista de apagar desenhos de edifícios reais e imaginários para abrir caminho para novas criações”.

Segundo a galeria, “Citizen of the world” é a “maior exposição a solo de Carlos Bunga no Reino Unido” e “uma rara oportunidade de apreciar a sua ampla prática [artística] em profundidade”.

Na mostra são também apresentados desenhos mais antigos, numa “instalação imersiva, composta por objetos domésticos familiares, transformados pelas estruturas arquitetónicas de papelão que se erguem dos mesmos”.

No âmbito da exposição, Carlos Bunga irá criar uma pintura de grande formato, para um espaço envidraçado da galeria, virado para a rua, “incorporando galhos e folhas apanhados nos arredores da casa do artista, entrelaçados na tinta da casa”.

“Citizen of the world” estará patente até 27 de outubro.

Carlos Bunga, nascido no Porto, em 1976, e a viver atualmente em Barcelona, desenvolve uma obra de intervenções em lugares escolhidos previamente, que modifica através de materiais do quotidiano como papelão, tinta e fita adesiva.

O seu trabalho é reconhecido pelas instalações de grandes dimensões, elaboradas como estruturas arquitetónicas que muitas vezes destrói em performances, ou até mesmo antes da abertura da própria exposição.

O trabalho de Bunga tem sido exposto em museus e centros de arte internacionais como o Museu de Serralves, no Porto (2012), o Museu Universitário de Arte Contemporânea, na Cidade do México (2013), o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, em Lisboa (2019), a Whitechapel Gallery, em Londres (2020), e o Museu Nacional Rainha Sofia (2022), entre outros.

Carlos Bunga formou-se na Escola Superior de Artes e Design (ESAD), nas Caldas da Rainha, estudou também em Nova Iorque, e venceu o prémio EDP Novos Artistas em 2003. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 30 de junho de 2024

Portugal – Faleceu o artista plástico Manuel Cargaleiro

Manuel Cargaleiro “morreu tranquilo, rodeado pelos seus, adormeceu”, disse a sua companheira


O artista plástico nasceu em 16 de março de 1927 em Chão das Servas, no concelho de Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco.

A sua obra foi fortemente inspirada no azulejo tradicional português. Em 1949, ingressou na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e participou na Primeira Exposição Anual de Cerâmica, no Palácio Foz, em Lisboa, onde realizou a sua primeira exposição individual de cerâmica, no ano de 1952.

No início de carreira, ainda na década de 1950, recebeu o Prémio Nacional de Cerâmica Sebastião de Almeida, e o diploma de honra da Academia Internacional de Cerâmica, no Festival Internacional de Cerâmica de Cannes, em França, numa altura em que iniciara funções de professor de Cerâmica na Escola de Artes Decorativas António Arroio e apresentara as suas primeiras pinturas a óleo no Primeiro Salão de Arte Abstrata.

Em Castelo Branco, viria a ser inaugurada a Fundação Manuel Cargaleiro, em 1990, depois expandida com o respetivo museu e mais tarde, no Seixal, distrito de Setúbal, a Oficina de Artes Manuel Cargaleiro.

No último ano teve patente as exposições “Eu Sou… Cargaleiro”, no Mosteiro de Ancede – Centro Cultural de Baião, no distrito do Porto, uma mostra de pintura na Casa Museu Teixeira Lopes – Galerias Diogo de Macedo, em Vila Nova de Gaia, intitulada “Cargaleiro, Pintar a Luz Viver a Cor”, e uma exposição de gravura no Fórum Cultural de Ermesinde, em Valongo, de nome “A essência da cor”. Este ano levou obras nunca expostas à sua oficina, no Seixal. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 16 de junho de 2024

São Tomé e Príncipe - Kwame Sousa homenageou Patrice Lumumba na exposição “O Empoderamento do Homem Negro”

A exposição de pintura “O Empoderamento do Homem Negro”, já foi apresentada em Joanesburgo - África do Sul, e em Lisboa – Portugal. Pintados em São Tomé em 2022, os quadros tinham de regressar à terra natal do artista plástico, Kwame Sousa.


“Estas obras foram pintadas aqui em São Tomé em 2022, mas ainda não tinham sido mostradas”, afirmou Kwame Sousa.

Patrice Lumumba, o pan-africanista que dá nome à maior escola do país, é a figura africana homenageada na exposição de São Tomé. À semelhança de Kwame Sousa nas décadas de 80 e 90 do século XX, todas as crianças de São Tomé e Príncipe passaram pela escola preparatória Patrice Lumumba.

“Estudei na escola Patrice Lumumba, aqui à frente, mas não percebia bem a importância da vida de Patrice Lumumba para nós os africanos», reclamou.

No passado a escola Patrice Lumumba era o pólo do ensino secundário, da quinta à sexta classe. O pan-africanismo não fazia parte do currículo escolar. Patrice Lumumba é o patrono da escola onde os alunos, até aos dias de hoje, não aprendem nada sobre o seu legado histórico.

Através da arte, o artista decidiu expor no centro cultural português a história do pan-africanismo, com homenagem a Lumumba.

Patrice Lumumba morreu aos 36 anos de idade. Figura pan-africana nascida na actual República Democrática do Congo. É o país mais rico de África em termos de recursos naturais. Tem cerca de 100 milhões de habitantes. É extenso, o maior da África subsaariana com mais de 2 milhões de quilómetros quadrados.


“Patrice Lumumba foi espancado, morto e depositado em barril como este (mostrou a obra de homenagem) com ácido sulfúrico. Depois de dias a única coisa que se encontrou de Lumumba foi um dente. Foi morto aos 36 anos de idade», explicou o artista plástico.

Por causa do seu imenso recurso natural, foi sempre cobiçado pelos interesses estrangeiros. Para além de Patrice Lumumba, a RDC viu assassinado o ex-Presidente Laurent Desiré Kabilá.  Recentemente no mês de maio, e por causa de interesses estrangeiros, o actual Presidente Félix Tshisekedi foi alvo de uma tentativa de golpe de Estado perpetrada por mercenários estrangeiros. 

“Lumumba foi primeiro-ministro da República do Congo durante 1 ano, e foi morto pela CIA e por Bruxelas. Falar de Lumumba é falar do empoderamento do homem negro”, pontuou Kwame Sousa.

Mártir por causa das ideias que defendia pelo empoderamento do homem africano, e a libertação do seu país das garras da expropriação dos recursos pelos neocolonialistas estrangeiros, Patrice Lumumba deixou um legado que dignifica o homem negro e africano. Por isso, depois da independência de São Tomé e Príncipe, em julho de 1975, os nacionalistas santomenses baptizaram a maior escola da capital, de Patrice Lumumba retirando o nome colonial que a escola ostentava.

Miguel Trovoada, o companheiro de outros nacionalistas santomenses que na década de 60 combatiam junto com Lumumba contra o colonialismo, baptizou o seu filho com o nome do pan-africanista congolês. Patrice, foi o nome que Trovoada deu ao seu filho mais velho, hoje primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe.

No entanto a exposição “O empoderamento do Homem Negro” retracta outros aspectos da identidade africana.

“Não é só uma exposição de pintura. É também um grito por causa do nosso nacionalismo africano. É um grito de que eu estou aqui, eu existo. Não preciso que vocês me vejam, para eu ser quem eu sou. Nós africanos temos de pensar em ser autónomos”, referiu o artista plástico.

Kwame Kruma, ex-Presidente do Gana pan-africanista na década de 60 do século XX, vai ser homenageado por Kwame Sousa na próxima exposição.


Coincidentemente, Kwame Kruma é o nome que os nacionalistas santomenses deram à avenida que liga a escola preparatória Patrice Lumumba à Casa das Nações Unidas na capital São Tomé.

As ideias pan-africanistas de Patrice Lumumba continuam vivas e animam Kwame Sousa. “Ele dizia que África um dia será livre, será feliz. Essa frase é actual, porque continuamos ainda nesse um dia”, frisou.

A religião, e o seu impacto nas sociedades africanas vai estar na tela da próxima exposição. «Falarei da religião. Pois a religião ocultou as nossas culturas. A religião tirou-nos aquilo que tínhamos de mais importante, a nossa identidade», concluiu.

O Empoderamento do Homem Negro, está exposto no Centro Cultural Português na capital São Tomé. Abel Veiga – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”






segunda-feira, 1 de abril de 2024

25 de Abril: Marcas do passado colonial continuam vivas em ideias, emoções e acções

As marcas do passado colonial português “continuam vivas” em ideias, emoções e ações, considera o pintor afrodescendente Francisco Vidal, para quem “descolonizar o pensamento contemporâneo português” continua a ser importante, passadas cinco décadas da Revolução de Abril


“Temos de fazer isto, passados 50 anos, porque ainda há marcas”, conclui o artista plástico nascido em Lisboa, em 1978, já depois da Revolução dos Cravos, como faz questão de sublinhar, numa entrevista à agência Lusa, a propósito da efeméride.

Francisco Vidal – cuja pintura é dominada por cores vivas e linhas caligráficas que lhe conferem movimento – sente-se, ao mesmo tempo, cidadão português, angolano e cabo-verdiano, por ser descendente de pais africanos, que o educaram numa “cultura de paz”. “Eu já nasci num Portugal que vai do Minho até ao Algarve, não vai até Timor, mas sou descendente de um pai e de uma mãe que vêm de outros territórios que eram chamados colónias”, ressalvou o pintor que se tem interessado por descobrir a história dos movimentos anti-colonialistas, sobretudo na figura de Amílcar Cabral (1924-1973), político e intelectual guineense, envolvido na luta antifascista e contra o colonialismo português.

Amílcar Cabral, nascido na Guiné, um dos fundadores do então partido clandestino PAIGC – Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde, foi assassinado em 1973. “Nasci depois do 25 de Abril, mas estudo bastante o passado colonial porque tenho de perceber de onde venho e para onde vou”, comentou o artista que em 2014 apresentou o projeto de pintura “Utopia Luanda Machine” na 56.ª Bienal de Veneza, no Pavilhão de Angola, com curadoria de António Ole, e também na Expo Milão, com curadoria de Suzana Sousa.

O artista plástico considera que ainda hoje é importante “descolonizar” o pensamento, as emoções e as ações da sociedade portuguesa: “Ainda vivemos, todos nós, numa estrutura que vem do espaço colonial, portugueses, angolanos, cabo-verdianos, guineenses, são-tomenses, todo o nosso universo lusófono pensa em português. Este tipo de pensamento ainda existe no pensamento contemporâneo português”, sublinha. “Eu percebo a necessidade de sair dessa mentalidade e entender essa estrutura mental colonizada, e trazê-la para um presente e um futuro mais consciente”, defende, lembrando um passado que “deixou marcas” que “continuam vivas e activas”.

No Festival Iminente, Francisco Vidal apresentou uma performance com batucadeiras cabo-verdianas para recordar e homenagear o ator Bruno Candé, assassinado em 2021 em pleno dia, em Lisboa, por um ex-combatente da guerra colonial, que ficou registado como ataque de ódio racial.

Para a performance, Vidal disse ter-se apercebido que falou com as batucadeiras para explicar que era importante fazer aquela iniciativa, “embora Bruno Candé fosse guineense e não cabo-verdiano”. “Só mais tarde refleti sobre essa necessidade minha de lhes justificar”, disse, referindo-se às suas experiências de infância, e a certas crenças que continuam na mente de muitos africanos e afrodescendentes. “Ultimamente estive a ver o documentário sobre a guerra colonial do Joaquim Furtado e percebi que, nessa altura, existiu uma estratégia do exército português de ‘dividir para reinar’ nas antigas colónias. A ideia, colocada em prática, era pôr os guineenses contra os cabo-verdianos, porque foram aqueles que, no espaço colonial, da ditadura, tinham sido instrumentalizados para que esse espaço existisse em África”, apontou o artista que usa também o desenho e instalações no seu trabalho.

Quando era criança, nos anos 1980, Francisco Vidal recorda-se de ouvir várias pessoas dizerem-lhe que “ser filho de pai angolano e mãe cabo-verdiana era uma mistura terrível”. “’O teu pai e a tua mãe não se vão dar bem, não vai dar certo’, diziam-me. Isto foi e é ainda um traço da cultura colonial que temos de descolonizar” passadas várias décadas, defende o artista licenciado em Escultura pela Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha, e que estudou Artes Visuais na Escola de Artes Visuais Maumaus, em Lisboa.

Vidal viveu durante algum tempo nos Estados Unidos, obtendo o mestrado na School of Visual Arts da Columbia University, em Nova Iorque. Começou a pintar profissionalmente em 2000, e a expor com regularidade a partir de 2005, em mostras individuais e coletivas, em Lisboa, Luanda, Paris, São Tomé, Joanesburgo, São Paulo, Londres, Macau, Lagos e Chile. “Essa cultura anti-guerrilha do exército português, de dividir para reinar, existiu realmente no passado. Não acredito que na nossa cultura isso aconteça ainda. Já não queremos dividir os cabo-verdianos para ter domínio sobre eles, mas ainda há resquícios dessas marcas”, avaliou, em entrevista à Lusa.

Tendo nascido em Portugal, “no pós-guerra colonial ou guerra das independências do ponto de vista africano”, e “sendo também angolano e cabo-verdiano, que é outro espaço de pensamento”, Francisco Vidal sente que é, ao mesmo tempo, “português, europeu e africano”, culturas sobre as quais tem refletido, e que derramam uma conotação histórica e política na sua obra, na qual aborda temáticas como a diáspora africana, miscigenação cultural e identitária, e as correntes transculturais. “Eu não vejo nenhuma diferença entre ser europeu ou africano. Sou completamente não binário, e vejo-me como uma pessoa. Mas há artistas brasileiros afrodescendentes que têm uma ideia completamente diferente, porque estão mais perto dos afro-americanos, do lado de lá do Atlântico. Dizem que não conhecem o seu passado, o nome de família, as suas raízes. Sentem um vazio muito grande no preenchimento da sua biografia”, disse.

Francisco Vidal também encontra no passado português ligado à ditadura um “culto do único, do primeiro, de só poder existir um, melhor do que todos, como no tempo do Salazar”: “Acredito que temos esta ‘síndrome Fernando Pessoa’ na nossa cultura”, no sentido de ter de haver uma referência acima de todas as outras, maior que todas as outras, “que inibe a cultura artística de crescer e de evoluir, como na altura do Estado Novo”. “Ao mesmo tempo, a nossa cultura é comum, é nossa, partilhada, e enriquece com os pontos de vista diferentes de todos estes lugares” nas ex-colónias, sublinha o artista cuja obra está representada em várias coleções públicas e privadas, como as da Fundação EDP, da Fundação PLMJ e a Coleção Sindika Dokolo. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Angola - Antoninho expõe “Aprimores da Alma”

A exposição individual do artista plástico Antoninho, intitulada “Aprimores da Alma”, vai ser inaugurada, hoje, a partir das 18h00, na Galeria Tamar Golan, em Luanda, durante as festividades da Ilha de Luanda


A actividade vai acontecer no Centro Cultural da Fundação Arte e Cultura e as dez obras do artista plástico vão ficar patentes até ao dia 4 de Dezembro.

Em declarações, ontem, à imprensa, o artista plástico Fernando de Carvalho "Tozé” disse que a exposição "Aprimores da Alma”, transporta-nos para uma viagem pelas subtilezas dos traços pictórios com pinceladas e linhas sensuais do autor, numa expressiva simbiose artística das variadas formas de representação da matriz e identidade cultural nacional.

"Nesta exposição o artista propõe-nos uma antologia de dez peças, nas quais podemos encontrar as expressividades culturais, vivências, hábitos e costumes de personagens e atitudes, tais como o pescador, a ideologia religiosa expressa de forma surrealista na obra com o título ‘África para onde ides?”’.

As criações destas obras, explicou, foram inspiradas e baseadas na mais pura sensibilidade artística e na dedicação por todas as formas de vida com o "Aprimores da Alma”.

Uma noite de homenagem

A cantora e compositora Tonicha Miranda será distinguida, hoje, pela Fundação Arte e Cultura, pelos seus feitos enquanto moradora da Ilha do Cabo.

O responsável da comunicação da Fundação Arte e Cultura, Clodovil Henrique, disse que a iniciativa surge da programação da instituição, que homenageia sempre os ídolos, no mês considerado da Dipanda e das Festividades da Ilha de Luanda.

"Através da criação do Acervo Cultural Digital E-Zomba, queremos continuar a promover e a disponibilizar a rica cultura angolana tanto a nível nacional, como global. Tonicha Miranda é uma artista de mão cheia com uma biografia interessante e muito resiliente. Por isso, decidimos homenagear essa grande artista em nome dos povos ilhéus”.

Clodovil Henrique referiu que a artista é uma defensora dos valores tradicionais, como a rebita, a composição para grupos carnavalescos e apoia o aprendizado de instrumentos como a serpentina (usada na rebita), assim como a ajuda a nova geração a cantar em línguas nacionais.

"Para a noite de homenagem à Tonicha Miranda, vai partilhar o palco com Ângela Ferrão, uma convidada especial que participou no novo álbum da artista, vão poder oferecer animação com alguns temas”. Armindo Canda – Angola in “Jornal de Angola”


sexta-feira, 16 de junho de 2023

Moçambique - Pekiwa inaugura exposição “Filhas do mar”

No dia 22 de Junho, pelas 18h00, o artista plástico Pekiwa vai inaugurar uma mostra individual no Camões – Centro Cultural Português em Maputo.


Na exposição “Filhas do mar”, Pekiwa desenvolve as suas concepções escultóricas recorrendo a materiais em madeira que adquire na Ilha de Moçambique, mas também ferro que procura nas sucatas urbanas na província de Maputo.

Desde figuras animais e humanas e composições geométricas, Pekiwa esculpe no suporte de madeira e incorpora-lhe o ferro de forma a apresentar as suas inquietações do quotidiano e da sociedade onde se insere.

“Filhas do Mar”, em particular, mostra a erosão natural inerente a materiais que convivem com o mar, mas também preocupações que o artista tem sentido ao longo do seu percurso e que propõe consciencializar, mediante alguma provocação, sobre a preservação e necessária diversidade.

Segundo avança a nota de imprensa do Camões, o desenvolvimento da obra de Pekiwa busca uma reflexão sobre temas actuais e uma forte ligação à natureza marítima, inerente ao seu pensamento, ao contexto da sua obra e à busca de matéria-prima maioritariamente numa Ilha, naturalmente relacionada intimamente com o mar, e tudo aquilo que ele proporciona.

Em diferentes linhagens, Pekiwa concede também frequentemente uma nova função a objectos de arquitectura abandonados, como portas, portadas e janelas, que através de um novo olhar passam a ser objectos de fruição e permitem momentos de reflexão.

A exposição “Filhas do Mar” conta com o apoio do Millennium Bim e estará patente no Camões – Centro Cultural Português em Maputo até ao dia 31 de Agosto, de segunda a sábado, entre as 10h00 e as 17h00.

Nelson Ferreira, de nome artístico Pekiwa, é natural de Maputo (1977). Pekiwa esculpe desde a infância, tendo no início trabalhado com o escultor Govane, seu pai. Desde 1991, participa em diversas exposições colectivas e workshops nacionais e internacionais e, desde 2002, apresenta exposições individuais. A sua obra está representada em colecções públicas e privadas em Moçambique, Portugal, África do Sul, Botswana, Noruega, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Senegal, Espanha, Países Baixos, E.U.A., Inglaterra, Japão, Itália e Austrália. In “O País” - Moçambique


segunda-feira, 10 de abril de 2023

Moçambique - Artista cubano celebra mulher moçambicana em exposição

No auditório do BCI, na Cidade de Maputo, está patente a exposição “Rostos de África”, do artista plástico cubano Rachid Gutiérrez. Com recurso a desenho a carvão como técnica principal e à utilização de colagem com capulanas, matizes e tonalidades com cores usando tinta a óleo, a mostra é composta por cerca de 20 obras, através das quais o artista procura estabelecer um diálogo visual, baseado na pesquisa por si efectuada e nas experiências vividas em Moçambique.


O projecto, segundo adiantou o autor, na cerimónia de abertura, que teve lugar na quarta-feira, foi iniciado em 2020 e concluído em 2021, e tem a particularidade de focalizar a figura da mulher. “O ponto mais importante foi mostrar uma mulher moçambicana forte, independente e capaz de lutar”, disse, esperando que “cada mulher se sinta identificada, ao olhar para estes quadros”.

O Director de Relações Públicas do BCI, Heisler Castelo David, afirmou que “esta exposição vem testemunhar, de certa forma, o carácter multifacetado do Auditório do BCI, como espaço de cruzamento de culturas. Com efeito, para além da exibição de obras de arte, da publicação de livros, da realização de eventos científicos e socioeconómicos, tem acolhido manifestações multiculturais, dando sentido ao posicionamento do BCI como Banco de apoio à Cultura”.

Nesta exposição, os títulos dos quadros retratando mulheres partem de “sabedoria” até “resistência”, passando por “firmeza”, “coragem”, “constância”, “determinação”, “elegância”, entre outros designativos que caracterizam a força da mulher.

Rachid Gutiérrez nasceu em 1991, em Cuba, tendo começado os seus primeiros estudos artísticos aos 7 anos de idade. Em 2000, fez um curso de desenho e pintura no “Gran Teatro de La Habana”, onde participou na sua primeira exposição colectiva. A sua primeira mostra individual, intitulada “Fusion”, teve lugar em 2019, na Associação de Escritores Moçambicanos (AEMO), na cidade de Maputo.

‘Rostos de África” é a segunda exposição individual do autor e estará aberta ao público até ao dia 18 de Abril. In “O País” - Moçambique


sábado, 12 de junho de 2021

Luxemburgo - Artista plástico cabo-verdiano Nelson Neves comemora 20 anos de carreira com exposição de 180 quadros


Cidade da Praia – O artista plástico Nelson Neves tem patente até 27 de Junho na galeria de Art H2O em Differdange, Luxemburgo, a exposição “Retrospectiva Nelson Neves 2001-2021” de 180 quadros em comemoração aos 20 anos de carreira.

Em declarações à Inforpress, o artista plástico, que é natural de Santo Antão e reside no Luxemburgo, afirmou que está “muito feliz” de estar a comemorar os seus 20 anos de carreira com a exibição de 180 quadros de diferentes tamanhos, cuja pintura iniciou em 1998.

Segundo informou, a exposição de 20 anos de carreira, era para ser exibida em 2020, mas devido à pandemia da covid-19 foi adiada para este ano, afirmando que a mesma tem um “grande significado” para si.

“Vim de Cabo Verde com sete anos, sempre tive a oportunidade de dar aulas nas escolas primárias e ao longo desses anos tenho feito exposições e realizado workshop, envolvendo jovens, porque como sabemos, os jovens são o futuro e tento sempre transmitir o pouco daquilo que sei à nova geração”, declarou Nelson Neves.

Passados 20 anos, realçou, houve uma evolução no seu trabalho, salientando que uma parte das pinturas é inspirada da vida quotidiana e a cultura cabo-verdiana e outra parte reflecte o quotidiano de Luxemburgo.

“São pinturas desde o início até hoje, para que as pessoas possam perceber a minha evolução enquanto artista. Espero que o público goste do resultado do meu trabalho porque foram 20 anos de muitos projectos, exposições na Europa e Africa”, afirmou. In “Inforpress” – Cabo Verde


 

sábado, 16 de novembro de 2019

Cabo Verde – Artista plástico Nélson Neves celebra 20 anos de carreira com exposição no Luxemburgo



Cidade da Praia – O artista plástico cabo-verdiano residente no Luxemburgo Nélson Neves celebra no próximo ano 20 anos de carreira com uma exposição intitulada “Retrospectiva Nelson Neves 2000-2020”, na galeria d’Arte H2O na villa de Differdange, Luxemburgo.

Em conversa com a Inforpress, este artista, que vive há mais de 30 anos no Luxemburgo, informou que a exposição acontece de 15 de Junho a 5 de Julho, mas a cerimónia de abertura está prevista para o dia 18, e espera contar com a presença do Ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente.

Nélson Neves nasceu em Santo Antão, em 1973, e aos sete anos emigrou com os pais para o Luxemburgo.

Após os seus estudos primários e pós-primários, Nélson Neves seguiu carreira como decorador, mas nunca deixou de lado pintura.

A sua primeira exposição de pintura foi realizada em Setembro de 2001, em Rodange, enquadrada na Semana Cultural de Cabo Verde, e de lá até hoje houve vários convites para participar em exposições nesse país europeu e não só.

Ao longo da sua carreira participou em cerca de 40 exposições individuais e em grupo no Luxemburgo, França, Bélgica e Cabo Verde.

Entretanto, à Inforpress considerou que a exposição que lhe marcou foi a de 2008, quando o Ministério da Cultura do Luxemburgo o convidou para representar o país na Semana Cultural Luxemburguesa, na Cidade da Praia.

“Foi com muito orgulho que participei, fiquei muito contente e foi uma grande responsabilidade para mim porque Luxemburgo tem grandes pintores e fiquei grato por terem-me convidado para representar Luxemburgo na terra onde nasce”, regozijou-se.

A partir dali, recordou, passou a receber vários prémios artísticos e convites por parte de liceus e escolas básicas para ministrar formação sobre arte, o que a seu ver é um reconhecimento do seu percurso, uma vez que não tem qualquer diploma de professor de arte.

Realçou o facto de, para além de levar a sua arte para expor em alguns países, principalmente em Cabo Verde, ter aproveitado para ministrar workshops sobre pinturas em diversas ilhas do país, destinados às crianças, aos jovens com deficiência e aos reclusos.

Nélson Neves revelou ainda à Inforpress que a vivência do povo cabo-verdiano, a vivência dos luxemburgueses, a natureza, as cores e tudo que o rodeia são as suas fontes de inspiração e que para o seu “equilíbrio” preciso das duas culturas.

Na sua última exposição, que ocorreu em Outubro, na casa dos Assalariados, em Luxemburgo, disse ter ficado “muito contente” quando o director da galaria, no seu discurso, ter dito que ele tem construído pontes entre a cultura cabo-verdiana e a luxemburguesa.

“É isso que tento fazer sempre que é unir povos através da cultura. Digo sempre que as pessoas que querem dividir o mundo e os povos há muitos (…) mas os artistas têm que ter a obrigação de construir pontes porque é com ponte que aproximamos os povos”, defendeu.

Para continuar a construir esta ponte, revelou que para a cerimónia de abertura da expoçisão vai haver uma fusão da música cabo-verdiana com a luxemburguesa, e que para isso convidou um artista cabo-verdiano e um artista luxemburguês.

A exposição “Retrospectiva Nelson Neves 2000-2020” irá contar com mais de 100 quadros, obra desses 20 anos de carreira, informou.

Realçou ainda o facto de não ter sido fácil conseguir a galeria d’Arte H2O para expor os seus trabalhos, uma vez que, por ser uma das mais maiores galerias do país, todos os artistas conceituados do Luxemburgo querem expor naquele espaço. In “Inforpress” – Cabo Verde

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Luxemburgo - Nelson Neves artista plástico cabo-verdiano expõe na câmara dos assalariados

O artista plástico de origem cabo-verdiana Nelson Neves é o primeiro a expor na nova sede da câmara dos assalariados, em Bonnevoie



Ao todo, Nelson Neves vai expor cerca de 50 quadros, entre o figurativo e o abstrato. A inauguração vai ter lugar no próximo dia 3 de outubro (às 18h30) e as obras do pintor, nascido na ilha cabo-verdiana de Santo Antão, vão poder ser vistas até 31 de outubro.

Nelson Neves participa regularmente, desde 1991, em exposições coletivas e individuais no Luxemburgo, em França e Cabo Verde. As suas telas distinguem-se pelas cores vivas, que evocam a sua origem cabo-verdiana.



Foi galardoado em Itália com o prémio de mérito “Guerreiros de Riace 2017”, um reconhecimento da carreira e da divulgação da arte contemporânea, também enquanto embaixador do Instituto Europeu das Artes Contemporâneas no Luxemburgo.

Além de exposições, Nelson Neves tem levado a cabo várias oficinas de pintura com crianças, com pessoas portadoras de deficiência e reclusos.

A exposição pode ser vista de segunda a sexta-feira, entre as 8h e as 18h, nas novas instalações da câmara dos assalariados - antigo casino sindical (rue Pierre Hentges, nº 2-4). In “Contacto” - Luxemburgo



quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Turquia - Exposição plástica “Lusofonias” dá-se a conhecer



A exposição “Lusofonias”, com artistas plásticos de Portugal, Brasil, Moçambique e Cabo Verde, está a fazer uma itinerância pela Turquia, anunciou a Perve Galeria, em Lisboa.

A mostra, que passará primeiro por Istambul, onde ficará até domingo, no âmbito da Contemporary Istanbul Art Fair, conta com obras de artistas como Cruzeiro Seixas (Portugal), Fernando Lemos (Portugal/Brasil), Malangatana (Moçambique) e Manuel Figueira (Cabo Verde).

De acordo com a galeria, a exposição irá depois a Ancara, ficando patente nas galerias da Universidade de Bilkent, de 19 de setembro a 05 de outubro, dia em que se fará um ato simbólico de homenagem a todas as independências.

Esse ato será realizado através da exibição de obras realizadas por Manuel João Vieira e pelo coletivo português BorderLovers, acompanhando estes artistas a viagem da exposição à Turquia.

No âmbito desta itinerância, a Perve Galeria irá também apresentar um projeto que liga a arte portuguesa à chilena, com obras de João Ribeiro, Manuel João Vieira e do coletivo BorderLovers, de Pedro Amaral e de Ivo Bassanti, a par com obras de Aldo Alcota, Miguel Huerta e Ivan Villalobos.

Esta itinerância tem o apoio da Embaixada de Portugal em Ancara, do Instituto Camões e da feira de arte contemporânea de Istambul.

De acordo com o galerista Carlos Cabral Nunes, a exposição despertou também o interesse dos Emirados Árabes Unidos, através do ministro de Estado Zaki Nusseibeh, que nomeou um alto representante do país para “indagar as condições necessárias” à realização de “uma mostra ampla” da Coleção Lusofonias no âmbito da Expo Dubai 2020. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Luxemburgo - Português vai representar o país na Bienal de Arte de Veneza em 2019

O artista plástico luso-luxemburguês Marco Godinho foi escolhido para representar o Luxemburgo na Bienal de Arte Contemporânea de Veneza, em 2019

O anúncio foi feito pelo Ministério da Cultura do Grão-Ducado. Em comunicado, o júri explicou que a escolha permite “honrar o trabalho prolífico de Marco Godinho e a sua presença notada na cena artística nacional e internacional na última década”.

O convite para representar o Grão-Ducado na Bienal de Veneza “vai permitir-lhe realizar um projeto artístico ambicioso e inédito” e “alargar a sua rede profissional”, graças à “visibilidade acrescida do pavilhão luxemburguês no Arsenal”, acrescenta a nota.

O júri, composto por especialistas de três países, incluía Suzanne Cotter, ex-diretora do Museu de Serralves e atual responsável do Museu de Arte Moderna (Mudam), no Luxemburgo, a diretora do Centro Pompidou em Metz (França), Emma Lavigne, e o diretor do IKOB Eupen, na Bélgica, Frank-Thorsten Moll, tendo analisado 20 candidatos.

Nascido em 1978, em Salvaterra de Magos, e a viver entre Paris e o Luxemburgo, Marco Godinho chegou ao Grão-Ducado com nove anos.

Licenciado em Artes Plásticas pela Escola de Belas Artes de Nancy, em França, já expôs em quase todo o mundo, de Beirute a Nova Iorque.

Em 2016, o português, com dupla nacionalidade, participou na feira de arte contemporânea Art Central de Hong Kong, com uma ‘performance’ em que leu e rasgou páginas de “Os Lusíadas”, de Luiz Vaz de Camões.

A emigração e o nomadismo são temas que marcam o seu trabalho, a exemplo de “Forever Immigrant”, uma obra apresentada em 2015 no Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, em Lisboa, formada pela inscrição sobreposta de centenas de carimbos, que evocam simultaneamente uma nuvem de andorinhas e o calvário burocrático dos imigrantes. Em Palermo e Lampedusa, também em 2015, apresentou a “Declaração Universal dos Direitos Humanos”, um texto escrito em sobreposição (um método utilizado no séc. XIX, para economizar papel), que faz lembrar arame farpado, uma alusão à chegada de milhares de refugiados à costa italiana. Em Portugal já expôs na Fundação EDP, no Museu Berardo e no Museu da Presidência.

Uma das suas obras – um verso de “A Tabacaria”, de Álvaro de Campos, heterónimo de Pessoa, recriado com fio e alfinetes – foi adquirida pela Lotaria Nacional do Luxemburgo e decora agora a sede, nos arredores da capital luxemburguesa, com palavras em português: “Tenho em mim todos os sonhos do mundo”. In “Mundo Português” - Portugal

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Portugal – Júlio Pomar, o artista plástico com um percurso de sete décadas

Nascido em Lisboa, a 10 de Janeiro de 1926, Júlio Pomar, que gostava mais de desenhar do que de jogar à bola quando era criança, vendeu o primeiro quadro a Almada Negreiros por seis escudos, numa época em que era impensável viver da pintura. Tornou-se um dos artistas mais conceituados do século XX português, com uma obra marcada por várias estéticas, do neo-realismo ao expressionismo e abstraccionismo, e uma profusão de temáticas abordadas e de suportes artísticos experimentados.

A obra foi dedicada sobretudo à pintura e ao desenho, mas realizou igualmente trabalhos de gravura, escultura e ‘assemblage’, ilustração, cerâmica e vidro, tapeçaria, cenografia para teatro e decoração mural em azulejo. Desde muito jovem começou a escrever sobre arte, tem obra poética publicada, alguma musicada e interpretada por cantores como Carlos do Carmo e Cristina Branco.

Estudou na Escola de Artes Decorativas António Arroio e nas Escolas de Belas-Artes de Lisboa e Porto, tendo participado em 1942, em Lisboa, convidado por Almada Negreiros, na VII Exposição de Arte Moderna do Secretariado de Propaganda Nacional/Secretariado Nacional de Informação. Fez parte da Comissão Central do Movimento de Unidade Democrática Juvenil (MUD), e participou activamente nas lutas estudantis, o que lhe custou a expulsão das Belas-Artes do Porto.

Em 1947, realizou a primeira exposição individual, no Porto, onde apresentou desenhos, e colaborou com os jornais A Tarde, Seara Nova, Vértice, Mundo Literário e Horizonte, participando no movimento artístico “Os Convencidos da Morte”, assim denominado por oposição aos célebres “Os Vencidos da Vida”, grupo marcante na história da literatura portuguesa.

A oposição ao regime de Salazar leva-o a passar quatro meses na prisão, a apreensão de um dos seus quadros – “Resistência” – pela polícia política, e a ocultação dos frescos com mais de 100 metros quadrados, realizados para o Cinema Batalha, no Porto. Mesmo assim, Júlio Pomar conseguiu desenhar e pintar na prisão – onde circulavam papel, lápis e caneta – e fazendo um requerimento para obter materiais que lhe permitiram criar retratos dos camaradas presos, como Mário Soares, e do quotidiano no cárcere.

Num período inicial, neo-realista, foram marcantes algumas das suas obras, como “O Almoço do Trolha”, “Menina com um Gato Morto”, “Varina Comendo Melancia” ou “O Cabouqueiro”, que revelam a influência, na mesma corrente, de escritores como Alves Redol e Soeiro Pereira Gomes, e artistas plásticos como o brasileiro Cândido Torquato Portinari.

Nos anos de 1950 viajou até Espanha, onde estudou a obra do pintor Goya, fundou a cooperativa Gravura, em Lisboa, para produção e divulgação de obras gráficas, que marcou várias gerações de artistas. Na década seguinte, foi viver para Paris, onde esteve como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian entre 1963 e 1966. Desse tempo destaca-se a série de quadros a preto e branco para ilustrar a versão de “D. Quixote”, de Aquilino Ribeiro, tema que usou noutras pinturas e esculturas, e iniciou a série “Tauromaquias”, que exibiu em Paris, onde também participou numa mostra dedicada ao quadro de Ingres “Le Bain Turc”, no Museu do Louvre, em 1971.

Em entrevista à agência Lusa em 2009, Júlio Pomar recordou que a vivência em Paris, nos anos de 1960, coincide com uma ruptura “mais dramática” no percurso artístico, quando sentiu que a pintura que criava “estava a desfazer-se”. “A minha pintura estava a desfazer-se e senti necessidade de dar-lhe uma estrutura”, explicou, acrescentando que as mudanças no seu percurso artístico foram feitas de um modo geral sem esforço, mas naquele caso “foi esforçada”.

Em Portugal, a primeira retrospectiva da obra de Pomar foi organizada em 1978 pela Fundação Gulbenkian e exibida na sua sede em Lisboa, também no Museu Soares dos Reis, no Porto e, parcialmente, em Bruxelas. Também em Paris e em Madrid apresentou, na década de 1990, a série sobre os índios do Alto Xingú, na Amazónia, onde passou algum tempo, e a antológica “Pomar/Brasil”, organizada pelo Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, e apresentada em Lisboa, Brasília, São Paulo, e Rio de Janeiro.

Em 2004, o Sintra Museu de Arte Moderna – Coleção Berardo apresentou uma vasta retrospectiva intitulada “Pomar/Autobiografia”, comissariada por Marcelin Pleynet, enquanto o Centro Cultural de Belém expôs a antologia “A Comédia Humana”, organizada por Hellmut Wohl. Nesse ano foi criada a Fundação Júlio Pomar e quase uma década depois, em 2013, foi inaugurado em Lisboa o Atelier-Museu Júlio Pomar, com um projecto arquitectónico de reabilitação de Álvaro Siza.

Júlio Pomar também ilustrou várias obras, como “Guerra e Paz”, de Tolstoi, “O Romance de Camilo”, de Aquilino Ribeiro, a obra “D. Quixote”, de Cervantes, “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri, “Pantagruel”, de Rabelais, “Rose et Bleu”, de Jorge Luis Borges, e “Mensagem”, de Fernando Pessoa. Recentemente ilustrou o livro “O cão que comia a chuva”, de Richard Zimler, distinguido com o Prémio Bissaya Barreto de literatura para a infância.

O seu trabalho encontra-se em edifícios e espaços públicos, nomeadamente na estação de metro do Alto dos Moinhos (1983-84), em Lisboa, os frescos pintados no Cinema Batalha (Porto 1946-7), e a sala de audiência do Tribunal da Moita, com o arquitecto Raul Hestnes Ferreira (1993), e as tapeçarias executadas para as sedes do Montepio Geral e da Caixa Geral de Depósitos.

Escreveu os livros de ensaio sobre pintura “Discours sur la Cécité des Peintres” (1985), “Da Cegueira dos Pintores” (1986), e “Et la Peinture?” (2000) e “Então e a Pintura?” (2003), e publicou os livros de poesia “Alguns Eventos” (1992) e «TRATAdoDITOeFeito» (2003). É o autor do retrato oficial do antigo Presidente da República Mário Soares.

Júlio Pomar integrou a representação portuguesa na Bienal de São Paulo de 1953 e recebeu, entre outros, o Prémio Associação Internacional de Críticos de Arte em 1995, o Prémio Celpa/Vieira da Silva, em 2000, e o Prémio Amadeo de Souza Cardoso em 2003. Foi condecorado pelo antigo Presidente da República Mário Soares e também por Jorge Sampaio. Em França, foi condecorado com a comenda das Artes e das Letras. Em 2013 recebeu o Doutoramento Honoris Causa da Universidade de Lisboa. Deixou-nos a 22 de Maio de 2018. Agência Lusa