Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 9 de abril de 2025

Angola - Escritor Jorge Arrimar satisfeito pelo reconhecimento à criação

O escritor Jorge Arrimar considerou, na segunda-feira, no Centro Cultural Português, em Luanda, ser um incentivo e privilégio receber o VI Prémio de Literatura Dstangola/Camões, em que concorreu com o romance “Cuéle – O pássaro troçador”, publicado pela editora portuguesa “Guerra e Paz”



O prémio, promovido pelo Dstgroup em parceria com o Instituto Camões, dedicou-se nesta edição a obras de prosa de autores angolanos, publicadas em 2022 e 2023. O prémio, no valor de 15.000 euros, foi entregue ao vencedor, na quantia correspondente em kwanzas.

Em declarações ao Jornal de Angola, Jorge Arrimar, explicou que ao ver reconhecido o trabalho, serve como um incentivo à continuidade, embora não esteja habituado a receber prémios.

Questionado sobre a ausência nos grandes concursos de literatura, o poeta e romancista disse que nunca se sentiu injustiçado, por estar consciente da complexidade da sua escrita que requer algum rigor na elaboração temática, por não escrever para um público vasto, assim como para as editoras, que muitas vezes são reguladas pela sua componente comercial. “Trabalho muito o texto, faço muita pesquisa e tento sempre escolher, detalhadamente as palavras. Isso leva muito tempo. Há muita exigência da minha parte. Isso, provavelmente, torna a leitura, também, mais complicada”, reconheceu.  

Além da presença de escritores e membros de direcção da empresa promotora na concorrida cerimónia, a entrega do prémio foi prestigiada pela secretária de Estado da Cultura, Maria da Piedade Jesus, que felicitou o escritor pelo prémio, bem como, a organização e o júri, por todo o trabalho desenvolvido em mais uma edição que tem privilegiado a excelência e criatividade na literatura angolana. “Essa distinção só vem enaltecer o trabalho que tem sido desenvolvido ao longo dos anos pelos escritores angolanos”, sublinhou.

Argumentos do júri

O júri, foi constituído por José Mena Abrantes (presidente), David Capelenguela e Amélia Dalomba “constatou com satisfação a qualidade de grande parte das obras apresentadas este ano a concurso”, o que tornou mais difícil a decisão final. “Depois de uma profunda e cuidada análise e do cruzamento das suas opiniões, o júri decidiu, por unanimidade, outorgar o prémio deste ano à obra “Cuéle - O pássaro troçador', de Jorge Arrimar, um fresco grandioso e muito bem documentado sobre uma região de Angola raramente presente na nossa literatura”, explicou o júri.

“O autor tem perfeito domínio da sua expressão, tanto na escrita e na definição das diferentes personagens, quanto no rigor como caracteriza modos de ser, tradições e comportamentos dos vários estratos sociais, quer do lado africano quer do lado europeu, num momento decisivo do desenvolvimento do Sul de Angola, na transição do século XIX para o século XX”, acrescentou ainda o júri, em comunicado.

Jorge Arrimar concilia, assim, na opinião dos jurados, “com naturalidade, num estilo simples e fluido, reminiscências de figuras relevantes da época e da sua própria história familiar e factos históricos profusamente documentados, que revelam tanto o esboço de uma harmonia possível no contacto entre duas culturas diferentes quanto a violentação de uma pela outra na concretização da ocupação colonial”.

O vencedor foi conhecido em Novembro do ano passado, em que o júri considerou “Cuéle – O pássaro troçador” como “um fresco grandioso e muito bem documentado sobre uma região de Angola raramente presente na literatura”.

Ao longo destas edições, o concurso já distinguiu Zetho Cunha Gonçalves, em 2019, Pepetela, em 2020, Benjamim M’Bakassy, em 2021, Boaventura Cardoso, em 2022, e João Melo, no ano passado. Katiana Silva – Angola in “Jornal de Angola”


terça-feira, 3 de setembro de 2024

México - Mia Couto vence prémio Feira Internacional do Livro

O escritor moçambicano, Mia Couto, venceu, segunda-feira, o Prémio Feira Internacional do Livro de Guadalajara (FIL) de Literatura em Línguas Românicas 2024, anunciou o júri numa conferência de imprensa, no México

O júri decidiu atribuir o prémio por unanimidade, algo que "diz tudo quanto ao reconhecimento da obra (de Mia Couto), do que significa literariamente, para a língua portuguesa e para quem escreve literatura nesse subúrbio da língua portuguesa que é Moçambique", referiu o ensaísta e professor português Carlos Reis, que integrou o júri e a quem coube anunciar o nome do vencedor.

Com este prémio "reconhece-se uma obra literária notável que inclui crónica, conto, novela", considerou o júri, composto por sete críticos literários e escritores.

Segundo a Lusa, o vencedor, que recebe um prémio de 150 mil dólares (135,5 mil euros), foi escolhido entre 49 autores de 20 países, que escrevem em seis línguas, catalão, castelhano, francês, italiano, português e romeno.

Mia Couto vai estar presente na 38.ª FIL de Guadalajara no dia 30 de Novembro, primeiro dia desta edição, que se estende até 8 de Dezembro, refere a mesma fonte. In “Jornal de Angola” - Angola