Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 30 de junho de 2026

Portugal - 400 artistas e intelectuais defendem ensino da língua portuguesa no estrangeiro

Preocupados com a nova proposta de reformulação do Regime Jurídico da Rede do Ensino Português no Estrangeiro (EPE), mais de 400 artistas e intelectuais pedem ao Governo que defenda “o mais valioso ativo da diplomacia cultural”


Da literatura à música, do cinema às artes plásticas, nomes como os de Lídia Jorge, Teolinda Gersão ou José Luís Peixoto, Graça Morais, Sérgio Godinho ou Maria de Medeiros, incluindo quatro vencedores do Prémio Camões — Hélia Correia, João Barrento, Silviano Santiago e Ana Paula Tavares -, assinam o “Manifesto em Defesa da Rede EPE: a primeira linha da diplomacia portuguesa”.

Para os signatários, é “urgente e necessário rejeitar a precarização” da rede EPE, bem como “conferir estabilidade, reconhecimento e solidez às carreiras dos agentes desta rede”, que dignifiquem os profissionais que desempenham o seu trabalho “frequentemente em condições de insustentável vulnerabilidade”.

Afirmando a rede EPE como “o mais sólido espaço de diálogos, circulações, trânsitos e disseminação da literatura, arte e cultura portuguesas pelo mundo”, os subscritores do Manifesto sublinham o papel “decisivo” dos Leitores e Professores que todos os dias trabalham para divulgar autoras e autores de língua portuguesa em vários lugares do mundo.

“A rede de Ensino Português no Estrangeiro não só cria e garante visibilidade às letras e à cultura produzidas em língua portuguesa a uma escala global: esta rede cria pontes, todos os dias, entre escritores, comunidades, países e os públicos mais diversos”, lê-se no texto do Manifesto.

“Todos os dias, algures no planeta, há uma Leitora ou um Leitor da rede EPE a organizar uma conferência, um seminário, um colóquio, um debate, com artistas e autores de língua portuguesa. Graças a elas e a eles, todos os dias se fala em português nalgum ponto do planeta”, acrescentam, destacando o que consideram ser um trabalho “minucioso” e “constante”, que, ao longo dos anos, tem construído “um dos mais sólidos pilares de internacionalização” da cultura em língua portuguesa.

“Apesar de, a cada ano, o número de Leitorados ser menor e a situação profissional de quem neles trabalha mais vulnerável, são elas e eles que, todos os dias, levam a cabo a infinita e minuciosa tarefa de coordenar viagens, residências artísticas, traduções e festivais”, sublinham.

E prosseguem nos elogios aos Leitores e Professores que operam como artesãos que “tecem diariamente esta poderosa e simultaneamente frágil teia de contactos, ligações, colaborações e pontes que tornam as culturas em língua portuguesa das mais estudadas em todo o mundo”.

Há ainda o contributo da rede EPE junto das comunidades portuguesas na diáspora, que consideram ser um elo de ligação fundamental para a “reconexão com as raízes”.

“É a rede EPE que assegura que as filhas, netos e descendentes de portugueses espalhados pelo mundo encontrem os nossos romances, poesia, música, cinema e outras artes em língua portuguesa; também por esta via a nossa língua se inscreve continuamente em múltiplos, diversos e inovadores ambientes de produção, reflexão e fruição a nível mundial”.

Por tudo isto, consideram todos os espaços da rede EPE como “o mais valioso ativo da diplomacia cultural portuguesa pelo mundo” e pedem ao Governo que reconheça esta verdade, com “investimento sério”, “valorização” e “estabilidade laboral”.

“Quando atravessamos um momento histórico marcado por incógnitas, crises humanitárias e incertezas quanto ao futuro, a importância de reconhecer o trabalho humanístico, de promoção do diálogo, da leitura e das artes que a rede EPE leva a cabo, todos os dias, é mais premente do que nunca”, defendem.

“Para que possam continuar a desenvolver este trabalho, é fundamental que o seu mérito seja reconhecido, mas também que as estruturas legais em vigor acarinhem todos estes profissionais, garantindo-lhes a indispensável estabilidade, solidez de carreiras e vínculos laborais fortes”, acrescentam.

Terminam com o apelo ao Governo para “reconsiderar” a proposta de lei para o Regime Jurídico do Ensino Português no Estrangeiro, rejeitando a precarização e a falta de “empenho sério” no investimento na rede EPE e nos seus profissionais.

“Fazê-lo é do mais indispensável respeito pela língua que nos une”, concluem.

O “Manifesto em Defesa da Rede EPE: a primeira linha da diplomacia portuguesa” foi assinado até ao momento por 441 personalidades das artes e de universidades de todo o mundo, ligados à cultura e à língua portuguesa.

Os sindicatos representativos dos professores e o Governo iniciaram, no passado dia 28 de maio, as reuniões do processo negocial relativas à revisão RJEPE, cuja pasta é tutelada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).

Após esse primeiro encontro, as propostas apresentadas pelo Governo têm sido contestadas pelos docentes e seus respetivos sindicatos. Hoje realizou-se nova reunião, estando ainda outra marcada para 13 de julho. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

 


quinta-feira, 11 de junho de 2026

Suíça - Morreu Jean Ziegler, o inimigo dos bancos suíços

Morreu, na quarta-feira, dia 10 de junho, aos 92 anos, o suíço Jean Ziegler, um suíço como nenhum outro. Professor, sociólogo, escritor, político e, o mais importante, o inimigo número 1 dos bancos suíços, cujo livro A Suíça Lava mais Branco, foi denúncia internacional, editado também no Brasil.

Ziegler foi o intelectual suíço mais detestado e mais criticado na Suíça e, ao mesmo tempo, o mais amado e respeitado no que se chamava de Terceiro Mundo. Foi amigo de Sartre, de Simone de Beauvoir, de Guevara e dos grandes líderes de esquerda da época.

Quando num encontro com Guevara, disse querer ir lutar na América Latina, Guevara lhe respondeu - "Não, você tem de ficar na Suíça, onde está a cabeça do monstro".

Ziegler foi professor universitário, deputado federal suíço e relator especial da ONU sobre direito à alimentação.


Era detestado na Suíça

O nome de Jean Ziegler começou a ser detestado pelos financistas, pela elite financeira e bancos suíços em 1976 com a publicação do livro Uma Suíça Acima de Qualquer Suspeita, no qual Ziegler denunciava os lucros das multinacionais suíças às custas dos países pobres, o segredo bancário incentivador da sonegação de impostos com a fuga para a Suíça de capitais estrangeiros e o controle das instituições suíças pelos meios financeiros.

Alvo de numerosos processos por bancos e entidades financeiras, Ziegler revelava, no fim da vida numa entrevista para Swissinfo, ter perdido seus bens nas condenações de que fora alvo. Felizmente, tinha o cargo de relator da ONU para a Alimentação e havia a publicação de uma vintena de livros com bastante sucesso no Exterior.

No dizer da imprensa, seus livros eram suas armas, tanto que o jornal suíço Le Temps chamou-o de "guerrilheiro da sociologia", ao noticiar sua morte.

Um desses livros, responsável por processos e notoriedade no Exterior, foi A Suíça Lava mais Branco, pelo qual seus colegas deputados federais lhe tiraram a imunidade parlamentar. Veio a seguir A Suíça, o Ouro e os Mortos, tratando da neutralidade suíça, durante a Segunda Guerra Mundial. Os livros de Jean Ziegler eram publicados no Brasil pela Editora Brasiliense.

Embora de família suíço-alemânica protestante e conservadora, Ziegler aderiu ao marxismo ao estudar Direito em Paris.

Eu havia lido, em Paris, seu livro Uma Suíça Acima de Qualquer Suspeita, e ao me mudar para a Suíça, onde trabalhei para a Rádio Suíça Internacional, quis logo conhecer e entrevistar Jean Ziegler. Fiz diversas reportagens sobre ele para a Rádio Suíça Internacional e, mais tarde, para jornais e rádios brasileiros e portugueses.

Acabamos ficando amigos e quando estourou o escândalo do desvio de dinheiro público para bancos suíços pelo ex-prefeito e ex-governador Paulo Maluf, recebi o convite do Luiz Fernando Emediato, da Geração Editorial para contar num livro minhas reportagens para a CBN sobre Maluf. Foi Jean Ziegler quem escreveu o prefácio desse livro, cujo título é Dinheiro Sujo da Corrupção.

Essas reportagens tinham custado minha demissão da CBN, como contou para o Observatório da Imprensa o jornalista paraibano Carlos Aranha.

Também o jornalista Lúcio Vilar, no texto Políticos Viraram Marionetes, publicado no Correio da Paraíba e Observatório da Imprensa, escreveu: "Se o dinheiro é o sangue dos pobres... os milhões de dólares transferidos por Maluf e escondidos na Suíça, com a cumplicidade dos banqueiros suíços, são o sangue e as lágrimas dos favelados de São Paulo" assim escreveu Jean Ziegler... no prefácio do livro O Dinheiro Sujo da Corrupção. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.



 

sábado, 21 de maio de 2022

Cabo Verde – Antropólogo Manuel Brito-Semedo lança “Falucho”

O professor, antropólogo e escritor Manuel Brito-Semedo lança, no próximo dia 27 de maio, o seu mais recente livro intitulado “Falucho”, no Espaço Orla, em Kebra Kanela, na cidade da Praia

A obra, sob a chancela da Rosa de Porcelana Editora, documenta, com textos e fotografias, os navios que acolheram a odisseia cabo-verdiana no oceano atlântico, ora inter-ilhas, ora em transatlânticas viagens, conforme nota de imprensa.

Entre memórias infantis e recordações contadas por outrem, Manuel Brito-Semedo traz-nos de volta, ao tempo presente, algumas das histórias mais emblemáticas da aventura marítima.

Entre elas, algumas bem trágicas “das muitas faluas e de alguns navios que circularam inter-ilhas, no passado”.

A apresentação do “Falucho” no próximo dia 17 de maio, às 17h30, estará a cargo da Carla Lima e da Margarida Fortes.

Sobre o Autor

Manuel Brito-Semedo, nascido em São Vicente em 1952, é Doutor em Antropologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Professor universitário, é membro fundador da Academia das Ciências e de Humanidades de Cabo Verde, da Cátedra Eugénio Tavares de Língua Portuguesa e da Associação de Escritores Cabo-verdianos.

Como escritor tem publicado dez livros, sendo os mais recentes “A Advocacia em Cabo Verde – Breve Historial” (2020), “Morna: Música Rainha de nôs terra” -, uma coleção de 5 livros + CD (2019) e “Representação Social do Médico em Cabo Verde” (2018).

Foi também organizador de várias obras, em destaque, “Diário”, de António Pedro; Jaime, Dramaturgo, Pintor e Ensaísta; “Sôdad em 80 Poema”, entre outras.

Por ocasião do 35º Aniversário da Independência Nacional Brito Semedo foi condecorado com a Medalha do Vulcão, 1ª Classe, em reconhecimento pela sua importante contribuição para a promoção e o desenvolvimento da cultura nacional. Romice Monteiro – Cabo Verde in “A Nação”


segunda-feira, 19 de julho de 2021

Macau - Pandemia e fecho de fronteiras leva à saída de oito professores da Escola Portuguesa de Macau

Um total de oito professores vai deixar a Escola Portuguesa de Macau por questões pessoais. Fecho das fronteiras e a ausência prolongada da família são alguns dos motivos adiantados para a partida. O presidente da direcção da escola, Manuel Machado, pensa que mais docentes poderão sair caso a situação se prolongue

O encerramento das fronteiras de Macau com o resto do mundo, devido à pandemia da covid-19, está a levar docentes da Escola Portuguesa de Macau (EPM) a deixarem a instituição e o território. A notícia foi avançada pelo semanário Expresso e confirmada ao HM pelo presidente da direcção da escola, Manuel Machado.

“Saem oito professores da EPM e as razões prendem-se fundamentalmente com a situação que se atravessa e com a vontade de reencontrarem a família. Felizmente conseguimos assegurar a sua substituição.”

Manuel Machado adiantou que saíram também alguns alunos pelo facto de as suas famílias terem decidido sair do território por motivos semelhantes, mas não soube precisar números.

Caso as fronteiras continuem fechadas, o responsável admite que mais docentes ou estudantes possam sair. “É uma coisa muito pessoal, mas admito que sim, [que mais] possam sair no final do próximo ano lectivo. Vamos ver, tudo depende do número de pessoas que se forem embora, a que grupos disciplinares pertencem, há várias variáveis.”

Filipe Regêncio Figueiredo, presidente da Associação de Pais da EPM, referiu apenas esperar que “as substituições [de docentes] sejam asseguradas por pessoas competentes”.

A contragosto

Um dos docentes de saída, e que falou ao Expresso, foi João Basto da Silva, que dá aulas de educação física. “Esta terra também é minha. Não será fácil a adaptação a Portugal. Mas pronto, o regresso teria de ser um dia.”

“Não tem ajudado estarmos aqui fechados sem perspectivas de conseguirmos sair. Já não vou a Portugal há dois anos”, disse o professor, que será integrado nos quadros de uma escola no país. “Esta saída traz-me alegria, porque vou reencontrar a minha família, mas também me custa porque vou deixar a terra.”

Maria João Pires, professora de educação musical, também está de partida. “A pandemia está a restringir a nossa liberdade de circulação. Estamos bem, temos de ver o lado positivo, não há covid, mas sinto-me mais fechada e sozinha e está a ser complicado de gerir. Tenho emprego em Portugal e por isso estou mais à vontade. Se não fosse a pandemia, sem dúvida que ficaria mais tempo”, frisou.

Ao semanário, Manuel Machado explicou que o número de saídas “ultrapassa os valores registados em anos anteriores, em que a média rondava os dois docentes”. “A grande maioria acelerou o regresso a Portugal devido à pandemia e à vontade de se reencontrar com a família”, rematou.

Novas propinas em vigor

Apesar da contestação da Associação de Pais da EPM, os novos valores de propinas já estão em vigor. A informação foi confirmada ao HM por José Sales Marques, administrador e porta-voz da Fundação da EPM, que não prestou mais esclarecimentos.

Recorde-se que os pais foram informados em Junho de que as propinas iriam sofrer um aumento que, segundo Filipe Regêncio Figueiredo, “tem um peso real no bolso dos pais que varia entre 34,05 e 46,19 por cento, dependendo do ciclo de ensino”. O Governo, através da Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude, financia parte destes valores, mas apenas para os portadores de BIR. Andreia Silva – Macau in “Hoje Macau”


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Timor-Leste - Mais 18 professores portugueses integrarão projeto Pro-Português

Díli – O Coordenador do projeto Pro-Português, Marino Tavares, revelou que 18 professores portugueses integrarão o projeto ainda este ano.

Segundo Marino Tavares, o Instituto Nacional de Formação de Docentes e Profissionais da Educação de Timor-Leste (INFORDEPE) pretende recrutar, na segunda fase, mais 18 professores portugueses.

“No processo de recrutamento relativo à segunda fase, serão contratados 18 professores portugueses. Vão, assim, juntar-se aos 15 professores portugueses da primeira fase de seleção”, disse Marino Tavares, à Tatoli, em Balide, Díli.

O responsável pelo projeto referiu ainda que a formação dos professores timorenses integrará duas fases – a primeira contará com 15 professores, enquanto da segunda farão parte mais 18 docentes, perfazendo ao todo 33.

“Estes professores juntar-se-ão aos 53 formadores timorenses. Ao todo, serão 83 professores a ministrarem formação aos nossos professores timorenses nos 65 postos administrativos de Timor-Leste”, afirmou.

De acordo com os dados, mais de 8 mil professores timorenses frequentarão a formação dos níveis de proficiência A2 (básico), B1 e B2 (intermédio) em todos os municípios do território. A formação realizar-se-á ao longo de 42 meses, o equivalente a três anos e meio.

O coordenador afirmou ainda que o curso de formadores timorenses será dividido em dois módulos, sublinhando que, caso não haja qualquer tipo de impedimento, em virtude de o país estar sob o estado de emergência, o módulo I terá lugar entre os dias 01 e 05 de março deste ano, com uma carga horária de 30 horas.

Já no que se refere à formação do módulo II, esta realizar-se-á entre os dias 15 e 31 de março em todos os municípios e na Região Administrativa Especial de Oé-Cusse e Ambeno (RAEOA), com uma carga horária de 130 horas. Na primeira fase, as formações serão ministradas por 15 professores portugueses.

Recorde-se que o INFORDEPE deu por concluído o processo de recrutamento de 106 docentes timorenses no âmbito do projeto Pro-Português.

“O número previsto é de 106 formadores nacionais, 53 efetivos e os restantes suplentes”, afirmou.

O Pro-Português, financiado em mais de 18,5 milhões de dólares, decorre da cooperação entre o Ministério da Educação, Juventude e Desporto de Timor-Leste e o Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, I.P de Portugal, cujo protocolo foi assinado em setembro de 2019. O projeto tem como objetivo melhorar as competências linguísticas de português de todos os docentes timorenses em cerca de três anos. Nelia Fernandes – Timor-Leste in “Tatoli”

 

 

domingo, 17 de janeiro de 2021

China – Universidade de Pequim abre centro de formação de professores de português

A Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim (BFSU, na sigla inglesa) abriu este mês o Centro Nacional de Formação de Professores de Espanhol e Português, para reforçar a qualidade do ensino da língua portuguesa na China, anunciou a instituição.

Num comunicado, a Faculdade de Estudos Hispânicos e Portugueses da BFSU diz que o Centro irá fornecer formação abrangente aos professores chineses para reforçar o desenvolvimento do ensino da língua portuguesa na China continental.

A cerimónia de inauguração contou com académicos vindos de universidades e centros de investigação situados em Macau e em várias cidades da China continental, que participaram logo a seguir a um fórum sobre a formação de professores de espanhol e português.

Segundo a Rádio China Internacional, cerca de 300 peritos, professores e estudantes de espanhol e português participaram no fórum.

Cerca de 50 instituições chinesas de ensino superior têm cursos de língua portuguesa, disse à Lusa, em novembro, Gaspar Zhang Yunfeng, coordenador do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa do Instituto Politécnico de Macau.

O professor disse que o interesse pelo português na China registou um “crescimento enorme” nos últimos anos, porque há muitas saídas profissionais, nomeadamente “em empresas chinesas que tenham uma grande colaboração com os países de língua portuguesa”.

A formação de professores na China é um dos desafios, disse Gaspar Zhang.

“Muitos chineses que ensinam português na China são muito jovens, ainda estão a fazer mestrado e doutoramento”, sublinhou. In “Mundo Português” - Portugal

 

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Portugal – Eduardo Lourenço (1923 – 2020)


Professor, filósofo, escritor, crítico literário, ensaísta, interventor cívico, várias vezes galardoado e distinguido, Eduardo Lourenço foi um dos pensadores mais proeminentes da cultura portuguesa, escrevendo várias obras sobre a sociedade e identidade portuguesa. O Labirinto da Saudade (“discurso crítico sobre as imagens que de nós próprios temos forjado”, nas palavras do autor)​, Fernando, Rei da Nossa Baviera, Os Militares e o Poder são algumas das suas principais obras.

Eduardo Lourenço Faria nasceu em 23 de Maio de 1923, em S. Pedro do Rio Seco, no concelho de Almeida, na Beira Alta. O mais velho de sete irmãos, e filho de um militar do exército, frequentou a escola primária da aldeia onde nasceu e matriculou-se, posteriormente, no Colégio Militar, em Lisboa, onde concluiu o curso em 1940.

“Vindo de uma pequena aldeia e de uma família conservadora, encontrou em Coimbra um ambiente mais aberto e propício a uma reflexão cultural que sempre haveria de prosseguir”, refere o Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, editado em 1998. Frequentou o curso de Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde foi depois professor assistente. Emigrou para França em 1949, ano em que é publicado o seu livro de estreia, Heterodoxia I – “um dos mais nobres e perturbantes discursos ensaísticos de toda a nossa história literária”, classificou o professor e ensaísta Eugénio Lisboa.

Foi leitor de Língua e Cultura Portuguesa nas Universidades de Hamburgo e Heidelberg, na Alemanha, e Montpellier, na França, depois professor de filosofia na Universidade Federal da Bahia, no Brasil. Também foi leitor a cargo do Governo francês nas Universidades de Grenoble e de Nice.

Na juventude escreveu poesia e narrativa, mas passou para uma literatura mais ensaística. “Em relação à ficção – com a minha falta de sentido do concreto – muito cedo pensei que não teria capacidade de me tornar naquilo que eu mais queria ser: um romancista, um ficcionista”, disse à revista Ler, em 2008.

Conhecia Dostoievsky, Kafka e Camus, mas o primeiro encantamento literário foi com Júlio Dinis, ainda criança. Husserl, Kierkegaard, Nietzsche, Heidegger e Sartre estavam nas suas primeiras leituras. Apesar destas referências, “a sua mundividência foi associada à de um certo existencialismo, sobretudo por volta dos anos 50, altura em que colaborou na Árvore e se tornou amigo de Vergílio Ferreira”, descreve o Dicionário Cronológico de Autores Portugueses. “Eduardo Lourenço nunca se deixou enfeudar, todavia, a qualquer escola de pensamento, já que, embora favorável a ideias de esquerda, nunca abandonou uma atitude crítica perante essa esquerda, facto sobejamente explícito em opiniões manifestadas no conturbado período pós-revolucionário”.

Apaixonado pela literatura, referia-se aos livros como “filhos” e dizia que “estar-se sem livros é já ter morrido”. Em 2008, nessa conversa com a Ler, dizia que “dificilmente” conseguiria imaginar o mundo sem livros em papel. “Bom, de qualquer modo os livros ainda estarão aí. Estarão aí, mas como museu. Em vez de termos uma biblioteca, que é uma floresta viva da memória humana, os livros estarão lá como espectros. Mas, enfim, podem ser ressuscitados pela leitura de cada um. Isso modifica a nossa relação com o mundo. Porque o relacionamento com os livros – que vem de todos os livros que a gente lê quando é jovem – torna-os bocados de nós próprios. São as tábuas privadas das nossas leis. As escritas e as não escritas. Faltará qualquer coisa quando a nossa relação com eles for puramente electrónica.”

E completava: “No livro a gente pode voltar atrás, andar para frente. Também podemos fazer isso com a imagem, provavelmente, mas há sobretudo esse tempo que é transportado fisicamente pelo livro. Esse pó que fica nos livros. O pó do tempo. Nos novos instrumentos não haverá pó. É só o que lhes falta. Esse pó quer dizer o tempo, quer dizer a própria essência da nossa vida.”

Entre as várias distinções que Eduardo Lourenço recebeu estão o Prémio Casa da Imprensa (1974), o Prémio Jacinto do Prado Coelho (1986), o Prémio Europeu de Ensaio Charles Veillon (1988), o Prémio Camões (1996), o Prémio Pessoa (2011), e o Prix du Rayonnement de la Langue et de la Littérature Françaises da Academia Francesa (2016). Em França, recebeu também a condecoração de Officier de l’Ordre de Mérite, Chevalier de L’Ordre des Arts et des Lettres; em Espanha, a Encomienda de Numero de la Orden del Mérito Civil. Em Portugal, era Grande Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, de que também possuía a Grã-Cruz, assim como da Ordem do Infante D. Henrique e da Ordem da Liberdade. Era também Oficial da Ordem Nacional do Mérito, Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras e da Legião de Honra de França.

A missa de corpo presente decorre na quarta-feira, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, às 12h, sendo celebrada pelo cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, e pelo cardeal e bibliotecário da Santa Sé, Tolentino Mendonça, referiu fonte da Presidência da República à Lusa. In “Público” – Portugal com “Lusa”


 

domingo, 8 de novembro de 2020

Venezuela – Professores de língua portuguesa reuniram-se em congresso virtual

Quarenta docentes participaram sábado no 3.º Congresso e 7.º Encontro de Professores de Língua Portuguesa da Venezuela, uma iniciativa anual de coordenação local do Camões, Instituto de Cooperação e da Língua, que pela primeira vez foi virtual



“Este ano contámos com um grupo bastante interessante de especialistas que deram recomendações aos professores sobre como trabalhar diferentes áreas da língua, usando as ferramentas da internet e diversas plataformas”, explicou o coordenador do ensino à Agência Lusa.

Segundo Rainer Sousa (na foto), o encontro, de quatro dias, contou com especialistas de Espanha, de Portugal, da Suíça e do Brasil, entre criadores de manuais de português como língua estrangeira e representantes de editoras portuguesas que produzem livros para o ensino.

“Apesar dos problemas que existem na Venezuela (falhas na Internet e apagões de eletricidade) tem havido um aumento de estudantes de língua portuguesa no ensino oficial venezuelano, com novas escolas a abrirem em Estados onde não tínhamos ensino (oficial) de português, como Mérida, Nova Esparta e Delta Amacuro”, disse.

Rainer Sousa precisou que a Venezuela tem atualmente 650 alunos de português no ensino privado e 4600 no ensino oficial.

“Todas estas aulas são à distância, porque o Ministério da Educação da Venezuela assumiu o ensino à distância como o ensino que tem de ser praticado durante estes meses da pandemia”, frisou.

Por outro lado, explicou que “o grande desafio continua a ser ter mais professores, porque nos próximos anos a procura continuará em crescimento e cada vez mais escolas procurarão implementar o português nos seus programas oficiais”.

O professor Jany Moreira, da Federação de Luso-descendentes da Venezuela, acrescentou que “a Venezuela tem grandes problemas de conexão (à Internet) e de eletricidade o que faz com que, às vezes, as aulas tenham constrangimentos”.

Segundo o professor David Pinho, presidente da Associação Venezuelana Para o Ensino do Português (AVELP) a maioria dos alunos que procuram aprender a língua portuguesa têm entre os 11 e os 15 anos.

“Foi preciso fazer formação para usar as aplicações, que foi dada pelo Instituto Camões e cada professor tomou a iniciativa de usar uma aplicação, entre elas , Google Meet, Zoom ou Classroom”, disse.

Por outro lado, agradeceu o apoio do Camões mas insistiu precisar de ajuda económica, porque “há professores que não estão a dar aulas, porque a maior procura é do ensino presencial” que de momento não está autorizado localmente devido à pandemia da covid-19. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Timor-Leste – Entidades ligadas ao ensino solicitam ao Ministério da Educação prioridade para professores e infraestruturas escolares

DÍLI – Os presidentes do Sindicato dos Professores de Timor-Leste (SPTL) e da Organização Não Governamental de Coligação para a Educação em Timor-Leste (TLCE, em inglês), Francisco Menezes e Augusto Pires, pediram ao Ministério da Educação, Juventude e Desporto (MEJD) que fosse dada prioridade à situação dos professores e das infraestruturas escolares para que seja garantida a qualidade do ensino.

“Mantemos a nossa exigência até que o MEJD resolva o assunto. É preciso melhorar a vida dos professores. Só a partir daí é que poderão assumir adequadamente as suas responsabilidades”, afirmou Francisco Menezes, aos jornalistas, no passado domingo (09/08), em Caicoli.

Segundo o responsável do SPTL, verifica-se uma distribuição aleatória de professores colocados nos diferentes estabelecimentos escolares.

Também Augusto Pires apelou ao MEJD que acelerasse o processo de pagamento do subsídio aos dirigentes escolares, pois considera-o um estímulo que abre portas à qualidade do ensino no país.

Pediu, de igual modo, que fosse dada primazia às infraestruturas escolares, visto que há diversos estabelecimentos de ensino que não foram, desde 2000, renovadas, dificultando, assim, o processo de aprendizagem, principalmente na época da chuva. In “Timor Post” – Timor-Leste

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Luxemburgo - Quinze professores portugueses ajudam escolas luxemburguesas

Na sequência da declaração de estado de crise ligada à pandemia do coronavírus, todas as escolas e estruturas de acolhimento foram encerradas no Luxemburgo desde março de 2020. Tendo em vista a decisão de proceder ao desconfinamento por fases, o governo luxemburguês decretou que as escolas de ensino fundamental e as estruturas de acolhimento abrirão as suas portas a partir de 25 de maio de 2020 com contingentes de crianças reduzidos a metade e um professor em alternância, o que requer pessoal de ensino e de acompanhamento suplementar



Em comunicado enviado ao Bom Dia, assinado pelos ministros, Augusto Santos Silva e Claude Meisch, esta manhã anunciam que “no quadro das excelentes relações bilaterais entre o Luxemburgo e Portugal, e a pedido do governo luxemburguês, 15 professores da rede de ensino da língua portuguesa no estrangeiro intervirão nas escolas fundamentais luxemburguesas, durante um período máximo de 15 horas por semana e até ao fim do ano escolar 2019/2020”.

No quadro de cooperação no domínio da educação entre os dois países, os dois governos sublinham ainda “a importância dos cursos de e em língua portuguesa. Presentemente, estes cursos são assegurados por intermédio do ensino à distância. Logo que seja retomado o ensino presencial, previsto para o início do novo ano escolar em setembro de 2020, os cursos integrados, paralelos e complementares serão novamente oferecidos nas escolas luxemburguesas.

Recorde-se que um grupo de pilotagem luso-luxemburguês está também a desenvolver outros projetos neste contexto.

“Esta cooperação caracteriza a união profunda e a solidariedade entre dois Estados-membros da União Europeia”, afirmam o Ministro dos Negócios Estrangeiros português, Santos Silva, e o Ministro da Educação luxemburguês, Claude Meisch. In “Bom Dia Europa” - Luxemburgo

sexta-feira, 20 de março de 2020

França - Professores de língua portuguesa aguardam em casa que a pandemia cesse

94 Professores de Português a lecionar em França, estão neste momento em casa, em contacto com a Coordenação do Ensino de Português e com os cerca de 14 mil alunos que aprendem português em França, 9500 dos quais na região de Paris.

Todos os cursos fecharam. “A principal norma é o respeito pelas indicações que chegam do Ministério francês da educação e das autoridades de saúde francesas. É o respeito total pelas indicações que chegam dessas entidades e estamos a cumprir rigorosamente” explica ao LusoJornal a Coordenadora do ensino de português em França, Adelaide Cristóvão. “Quando as escolas francesas abrirem, os cursos de português retomam ao mesmo tempo”.

Em França há cerca de 14 mil alunos a aprender português com professores sob tutela do Instituto Camões, quase todos no ensino primário, mas também há mais cerca de 16 mil alunos no ensino secundário, com professores do Ministério francês da educação.

Também há professores do Instituto Camões a lecionar nas Secções internacionais, que são frequentadas por cerca de mil alunos, da primária até ao 12° ano. Os alunos das Secções internacionais têm as aulas normais do programa francês, acrescidas das disciplinas de língua, literatura, história e geografia em português.

O Instituto Camões também destacou alguns professores para darem aulas em algumas associações portuguesas.

Adelaide Cristóvão é a Coordenadora do ensino de português em França e reporta diretamente ao Instituto Camões e ao Embaixador de Portugal em França. A Coordenação tem duas Assistentes da Coordenadora e duas colaboradoras para gerir a rede de ensino de língua portuguesa em França, assim como a articulação com as 15 universidades francesas que têm Protocolo com o Instituto Camões. “Nas universidades temos cerca de 5000 alunos, que têm apoio através de Protocolos de cooperação, que apoiam não só a investigação, através de Cátedras, como também Centros de língua e todo o ensino de português nessas 15 universidades” explica Adelaide Cristóvão ao LusoJornal.

Contacto com os alunos

Com as medidas de confinamento impostas pelo Governo, os estabelecimentos de ensino franceses estabeleceram planos de apoio aos alunos e Adelaide Cristóvão garante que os professores de português seguem esses mesmos planos. “Nós estamos em contacto permanente com os nossos professores, de forma a transmitir-lhes também materiais, pequenos projetos, que eles podem levar a cabo com as crianças, de forma a que possam continuar a apoiá-los durante este período” diz a Coordenadora do ensino. “Tudo isto é muito recente. Tentamos que haja sempre uma relação, sempre que possível, entre os professores e os alunos. Ou através dos estabelecimentos, ou também através da Coordenação do ensino”.

Apesar da ligação à Coordenação do Ensino, os 94 professores de português da rede do Instituto Camões têm também como autoridade os Diretores das escolas, os Inspetores e toda a estrutura do Ministério francês da educação. “Mesmo tratando-se de cursos opcionais, são dispositivos do Ministério francês da Educação”.

Durante muitos anos este dispositivo estava integrado nos cursos ELCO (ensino da língua e cultura de origem), mas há alguns anos que os Governos franceses querem reformular os ELCO. A língua portuguesa foi a primeira a sair deste dispositivo e a passar para o estatuto de EILE (ensino internacional de línguas estrangeiras). Portugal cumpre rigorosamente o Quadro europeu comum de referência para as línguas e tem critérios também rigorosos de recrutamento de professores.

“Os nossos professores são recrutados através de um concurso nacional do Instituto Camões. Para concorrer, os professores têm de ter formação necessária para serem professores, depois passam um concurso no qual prestam provas sobre, por exemplo, os conhecimentos sobre o Quadro europeu comum de referência para as línguas e sobre cultura portuguesa, e têm também de ter obrigatoriamente o nível B2 de francês para poderem lecionar em França” explica Adelaide Cristóvão.

É este rigor que fez com que a língua portuguesa deixasse de ser ensinada no quadro dos ELCO, para passar a ser ensinada no quadro dos EILE. Aliás, ainda recentemente o Presidente francês Emmanuel Macron anunciou que vai continuar a reformular os ELCO argumentando que alguns países não cumprem regras transparentes no recrutamento dos professores, nem têm planos pedagógicos obrigatórios.

Toda esta rede está atualmente parada e Adelaide Cristóvão aguarda que “esta crise passe rapidamente”. Numa entrevista ao LusoJornal, explica que “da mesma forma que o Camões tem para connosco, nós temos para com os nossos professores um cuidado atento com a saúde e com o bem-estar deles”. Carlos Pereira – França in “LusoJornal”

quinta-feira, 12 de março de 2020

Timor-Leste – Chegaram mais 34 professores de Portugal para apoiar os Centros de Aprendizagem e Formação Escolar

DÍLI – O Ministério da Educação, Juventude e Desporto (MEJD) recebeu, na passada segunda-feira (09/03), mais 34 professores de Portugal para apoiar os Centros de Aprendizagem e Formação Escolar (CAFE).

“Recebemos hoje mais de 30 docentes portugueses para darem continuidade às atividades letivas nos CAFE do país”, afirmou a Ministra da Educação, Juventude e Desporto, Dulce Soares, em declarações aos jornalistas, no salão do MEJD, em Vila Verde.

Segundo a governante, os CAFE têm mais de oito mil alunos e 338 professores, sendo que 138 são portugueses e os restantes timorenses.

De acordo com Dulce Soares, os CAFE garantem uma educação de qualidade em todos os municípios, incluindo na Região Administrativa Especial de Oé-Cusse Ambeno (RAEOA).

Para a ministra, os professores timorenses têm agora grandes oportunidades de poderem aprender com os docentes portugueses, em termos pedagógicos e científicos.

A governante lembrou, de igual modo, que os professores deviam ter chegado em janeiro e que, devido à sua ausência, durante dois meses, os docentes timorenses permitiram que as atividades letivas decorressem com normalidade.

Também o Coordenador em exercício dos CAFE, Justino Ximenes, disse que os professores timorenses se devem esforçar para aprender com os colegas portugueses, visto que a ideia principal é “entregar os CAFE nas mãos dos professores timorenses para gerirem totalmente a escola”.

“Devemo-nos esforçar para aprender com eles [professores portugueses] para que, caso o projeto apresente sucesso, a responsabilidade total da escola fique a cargo dos docentes timorenses”, referiu o coordenador.

De acordo com Justino Ximenes, a presença dos professores portugueses é de extrema importância, pois tem contribuído para a melhoria do conhecimento dos colegas timorenses.

“Todos os professores timorenses dos CAFE trabalham com, pelo menos, um docente português de modo a que possam melhorar os conhecimentos. Serão avaliados. Caso apresentem bons resultados, os CAFE serão imediatamente entregues aos timorenses”, concluiu.

Recorde-se que já tinham chegado a Díli, no dia 28 de fevereiro, mais 101 professores portugueses dos CAFE. In “Timor Post” – Timor-Leste

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Timor-Leste - Formador de professores considera sistema de educação frágil

Díli - O formador de professores Domingos de Deus Maia disse no passado dia 22 de fevereiro que o sistema de educação de Timor-Leste (TL) regista debilidades, a começar pela formação dos professores.

“Começámos por fundar todo o sistema de educação a partir das bases ou de alicerces muito frágeis. Mostrámos apenas boa vontade. Depois da independência, devemos responsabilizar-nos pelo andamento do setor da educação”, afirmou Domingos aos jornalistas do Timor Post, na sua residência, no Palapaço, Díli

O atual formador de professores timorenses do Instituto Nacional de Formação de Docentes e Profissionais da Educação de Timor-Leste (INFORDEPE) referiu ainda que o país tem enfrentado a falta de recursos, nomeadamente de professores qualificados e infraestruturas mais adequadas, numa altura em que a nova geração necessita de aceder a uma educação de qualidade.

“Todos querem aprender, apesar de as condições serem mínimas, impedindo, assim a sua aprendizagem. Temos um elevado número de professores com poucas competências. Não temos sabido dado atenção à sua qualidade. Embora a lei garanta o direito a educação de todos os cidadãos, a nossa capacidade é limitada”, referiu.

Segundo o ex-docente, Timor-Leste necessita de mais tempo para melhorar determinados aspetos, como a metodologia e a didática de ensino. Acrescentou, no entanto, que, para se alcançar esta meta, seria necessária a ajuda de outros países, como os da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

“Passados 20 anos, o nosso espírito em criar novas escolas caiu significativamente nos últimos tempos.  Agora as pessoas consideram que o setor da educação está mais frágil, pois a remuneração que auferem os professores é insuficiente para fazer face às despesas diárias. É, por isso, difícil incutir nas pessoas vontade em trabalharem neste setor”, afirmou.

Questionado sobre o facto de alunos da universidade não possuírem competências de escrita e compreensão académica, o professor referiu que a raiz do problema reside sobretudo na sua base, porque “quando os professores não dominam os princípios de metodologia, terão muitas dificuldades em lecionar adequadamente”.

“Existe ainda a questão ligada à literacia e numeracia. O que está em causa é a capacidade da leitura, a forma como se deve ler, a própria compreensão da leitura e explicar às outras pessoas”, sublinhou.

De acordo com o docente, embora os estudantes que ingressam na Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL) saibam ler, não o sabem fazer de forma crítica, interpretar as ideias contidas no texto por falta de bases sólidas”, concluiu. In “Timor Post” – Timor-Leste

terça-feira, 28 de maio de 2019

Lusofonia - Ensino de português pode ultrapassar barreira de 80 países neste ano

A rede do Ensino de Português no Estrangeiro (EPE), educação pré-escolar e ensinos básico, secundário e superior, nas modalidades integrado, paralelo e projetos, poderá abranger 82 países neste ano, uma previsão do Camões - Instituto da Cooperação e Língua

Relativamente a 2018, com um universo de 77 países, a rede do EPE no mundo deverá ser alargada a mais cinco nações até 31 de dezembro de 2019, mantendo a tendência de crescimento dos últimos três anos.

A presença do EPE tem-se alargado desde 2016, ano em que a rede se estendeu a 70 países.

Em 2017, mais três países aderiram à rede na educação pré-escolar e ensinos básico, secundário e superior do EPE, da responsabilidade do Camões - Instituto da Cooperação e Língua.

Em 20 países, o português insere-se nos currículos de escolas públicas ao nível do secundário e o Instituto Camões tem o objetivo de ampliar para o dobro a presença como idioma estrangeiro, "de forma faseada", num prazo de "quatro ou cinco anos", como refere o presidente do Instituto Camões, Luís Faro Ramos.

"É uma meta ambiciosa, mas que é exequível", considera, sublinhando a existência de "avanços no interesse por parte de outros países em integrar o português nos seus currículos".

A língua portuguesa está a ter uma procura crescente e o Instituto Camões regista "interesse de todos os continentes", estando previsto "iniciar colaboração, em 2019, com Azerbeijão, Cazaquistão, Camarões e Gana, bem como com Panamá e Peru, ao mesmo tempo que serão reforçadas colaborações com países" onde a rede EPE está presente.

Luís Faro assinala que, "uma vez assumida pelo outro Estado a importância da integração do português nos currículos das suas escolas públicas, esse passa a ser também um projeto do país em questão", num "esforço conjunto".

A expansão da rede do EPE a nível curricular "pressupõe, em termos gerais, um envolvimento muito direto das autoridades locais, nomeadamente ao nível do investimento que elas próprias concretizam, dirigido ao ensino da língua portuguesa".

O Instituto Camões tem também uma "componente financeira que esse alargamento possa implicar", um esforço "desenvolvido ao nível da negociação com as autoridades educativas desses países".

O investimento do Instituto Camões em toda a rede do EPE "representa um investimento de cerca de 28 milhões de euros".

"Um investimento na perspetiva de que a aposta forte que fazemos na promoção da língua e da cultura portuguesa proporciona um retorno de grande valor real e simbólico para Portugal, para as comunidades portuguesas e para todo o espaço de língua portuguesa", frisa o presidente do Instituto Camões.

Grande parte do montante total de investimento é relacionado com professores da rede do EPE.

"Cerca de 75% desse valor corresponde, de facto, a vencimentos de professores dos ensinos básico e secundário", explica Luís Faro Ramos, que refuta mais despesas com o aumento da rede do EPE.

A estratégia do Instituto Camões é "clara", para que se trabalhe "nos países onde está presente" a rede do EPE, "quer ao nível da formação de professores quer ao nível do apoio à constituição de departamentos nas universidades em que o português tenha sustentação".

"Esta via, endógena, é a mais eficaz para aumentar a rede sem aumentar os custos, apoiando a qualificação das redes locais e tendo uma presença multiplicadora. Valorizamos, em paralelo, a colaboração dos nosso docentes, relativamente aos quais procuramos adotar uma postura construtiva e colaborativa no que diz respeito ao enquadramento (legal, profissional, etc...) da sua importante ação", sustenta. In “Sapo” – Portugal com “Lusa”

terça-feira, 16 de abril de 2019

Portugal - Mecanismo para formação contínua de professores de português de Macau está em estudo



Decorreu na passada quarta e quinta-feira, em Lisboa, a quarta reunião da Subcomissão da Língua Portuguesa e Educação. Discutida foi a possibilidade de estabelecimento de um mecanismo efectivo para formação contínua de professores de língua portuguesa de Macau, com as instituições de ensino superior portuguesas. Ambas as partes sinalizaram as potencialidades de Macau para se assumir como plataforma distribuidora de competências entre a China e os países de língua portuguesa, particularmente ao nível do ensino do português, refere uma nota divulgada pela Direcção dos Serviços do Ensino Superior.

Na reunião foi referido que as negociações com vista à renovação do Protocolo entre o Ministério da Educação de Portugal e o Instituto Confúcio, relativo à cooperação para o ensino do mandarim no ensino secundário português, encontram-se praticamente concluídas, esperando-se que este venha a ser celebrado no âmbito da visita de Marcelo Rebelo de Sousa à China.

Nesta reunião foi também assinalado o progresso das negociações com vista à assinatura do Memorando de Entendimento sobre o Reconhecimento Mútuo Automático de Graus Académicos e Diplomas de Ensino Superior. A assinatura do memorando deverá acontecer por ocasião da Comissão Mista, diz o comunicado.

Relativamente à mobilidade de estudantes e professores, está previsto, a partir de 2020, o alargamento do período de estudo dos alunos da RAEM em países de língua portuguesa, e foram ainda discutidos possíveis mecanismos para reforçar o intercâmbio de estudantes e docentes do ensino superior entre Portugal e a Macau.

No comunicado é referido também que a subcomissão enalteceu os recentes dados sobre o ensino da língua portuguesa em Macau, “que denotam uma tendência crescente e uma significativa generalização do ensino da língua portuguesa”. In “Ponto Final” - Macau