Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 12 de março de 2026

Portugal - O escritor e jornalista Mário Zambujal partiu aos 90 anos

Mário Zambujal nasceu em Moura, Beja, a 5 de março de 1936. O escritor estreou-se em 1980 com o livro Crónica dos Bons Malandros, que se tornou num sucesso. A história foi adaptada ao cinema por Fernando Lopes e inspirou uma série de televisão realizada por Jorge Paixão da Costa.


Fim da Rua, À Noite Logo se Vê, Fora de Mão (coletânea de contos e crónicas), Primeiro as Senhoras, Uma Noite Não São Dias, Dama de Espadas, Longe É um Bom Lugar, O Diário Oculto de Nora Rute, Serpentina, Talismã, Romão e Juliana, Já Não se Escrevem Cartas de Amor, Então, Boa Noite, Rodopio, Fabíolo e Pirueta foram outras das obras do escritor.

Em dezembro, o escritor editou o livro O Último a Sair. “Estou a cumprir uma promessa que fiz a mim próprio. Esta é a tentativa de escrever um livro policial. Não será um típico. Um livro em que as personagens devem ter afeto e conflitos e contradições”, disse Zambujal.

Além de escritor, foi também jornalista desportivo na RTP. No canal, apresentou programa como "Grande Encontro".

Em 1984, o escritor foi distinguido com o grau de Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e, em 2016, com a medalha de Mérito Cultural da Câmara de Lisboa. Presidiu à Direção do Clube de Jornalistas entre 2007 e 2021.

Em 2025, Mário Zambujal recebeu Prémio Gazeta de Mérito, atribuído pelo Clube de Jornalistas, em reconhecimento pela sua carreira.

Mário Zambujal, descrito como "um dos mais carismáticos prosadores portugueses", foi o principal homenageado da edição de 2020 do Festival Literário Escritaria, em Penafiel.

90 anos de vida e mais de 45 anos de carreira literária

Há menos de quinze dias, Rosa Margarida, no Clube de Leitura SAPO  recordou cinco obras do premiado autor com uma vasta biografia, entre contos, crónicas, romances e outros géneros literários, que ditaram a sua carreira ao longo dos anos.

CRÓNICA DOS BONS MALANDROS, edição comemorativa com lançamento em março de 2026, com selo Clube do Autor

"Sinto-me sequestrado por estes bons malandros. Aos livros que fui escrevendo, e outros que venha a escrever, não lhes valem possíveis méritos. Mais de trinta anos depois de saltarem à cena, sem outra pretensão do que fazer sorrir circunstanciais leitores, os bons malandros não arredam pé e ganharam a afeição de gerações sucessivas.

Nada mais surpreendente, para quem lhes deu vida, esta longevidade que permite divertir jovens de hoje, tal como acontecera com seus pais e mesmo avós. (…) Entretanto, o que o autor ambiciona é o mesmo de sempre: proporcionar prazer de leitura a quem se dispõe à descoberta das singulares aventuras destes bons malandros. Se eles vos divertirem, cumprem o seu destino".

"A síntese divertida de uma tragédia. Não se trata da queda de quem quis subir, mas bem pior do que isso: a queda de quem quis descer (da malandragem para o crime a sério). Eis uma síntese possível, mas há muitas outras. Por exemplo, esta: um livro divertido, rápido, que nos lembra que também já fomos novos (e isso é bondade e maldade ao mesmo tempo)".

Gonçalo M. Tavares in Prefácio

O ÚLTIMO A SAIR, lançado em novembro de 2025, numa edição Clube do Autor

Conheceremos a história de duas personagens caricatas: a psicóloga Lídia e o chefe de polícia reformado Rodrigo. Tudo começa com a morte estranha de um amigo e a decisão do casal de descobrir o culpado ou culpada. E, para gáudio dos leitores, eles vão até ao fim. Um livro repleto de bom humor, com o estilo inconfundível a que Mário Zambujal nos habituou ao longo dos anos.

Esta edição inclui a história Conto Final, Parágrafo, plena de humor e amor, num livro sempre fiel ao espírito do autor.

FABÍOLO, de novembro de 2021, com chancela Clube do Autor

Danças de um romântico incurável com deslizes pelo meio. Sedução, romance e suspense à boa maneira de Mário Zambujal.

Assente num divertido jogo de sedução, o romance do eterno bom malandro é um livro pleno de mistério, humor e criatividade. O protagonista, Fabíolo, é um homem de paixões. Honestas. E também de outros impulsos e deslizes.

Dividido entre dois romances com uma morena e outra ruiva, Fabíolo sucumbe facilmente aos encantos femininos. Mas é uma inesperada tentação de riqueza que leva este romântico por caminhos sombrios. Morte anunciada a prazo, 15 dias de espera e esquivas…

UMA NOITE NÃO SÃO DIAS, de outubro de 2020, com selo Clube do Autor Um romance pleno de humor e criatividade a que se junta a prosa escorreita tão característica do autor.

Tudo se passa na Avenida Vertical, nome de uma torre habitacional de 98 andares, símbolo citadino dos novos tempos, onde ocorrem dois misteriosos assaltos: o roubo de um helicóptero no heliporto que encima o edifício e o roubo da coroa da rainha Matilde, que casou com o infante D. Afonso e chegou a rainha de Portugal. É nesta atmosfera de mistério que desfilam as personagens principais: Antony, um historiador, a mulher deste, Grace, e o amigo escultor, James.

"O que vai ler é uma história verídica, a ocorrer, garantidamente, no ano de 2044. É possível que os inevitáveis cépticos e maldizentes tentem beliscar o rigor da narrativa, negando verosimilhança às novidades urbanas, técnicas e de costumes. Não importa, 2044 vem já aí. Depois conversamos.»

LONGE É UM BOM LUGAR, de outubro de 2011, numa edição Clube do Autor

Tânia Dulce é uma jovem com uma ampla capacidade para amar e cede aos rogos do Doutor Ângelo, narrador de uma movimentada relação de desfecho imprevisível. Médico com sonhos de romancista, o doutor Ângelo percorre caminhos paralelos, do romance real com Tânia Dulce e da trama ficcional que se esforça por escrever. E porque o resto são (também) histórias, o leitor acompanha uma sequência de pequenas ficções, originalmente publicadas na revista Tempo Livre, do Inatel, com o estilo inconfundível a que podemos chamar de zambujalesco. Mário Zambujal volta a cativar os leitores pelo ritmo vivo da prosa em que avultam as surpresas, o humor e a reflexão acerca de cumprimentos e situações.

Nas palavras de Mário Zambujal, "O longe é a meta quando se foge". Tiago David – Portugal in Sapo


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