Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 15 de maio de 2026

Hungria - Mia Couto distinguido com o título de Doutor Honoris Causa

O escritor moçambicano Mia Couto foi distinguido com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Eötvös Loránd (ELTE), uma das mais prestigiadas instituições académicas da Hungria, sediada em Budapeste.


A homenagem foi atribuída durante uma cerimónia realizada na passada sexta-feira, 08 de Maio, onde a universidade destacou o escritor moçambicano como uma “voz incontornável dos povos do chamado Sul Global”, sublinhando ainda a relevância internacional da sua obra, traduzida e premiada em dezenas de países.

Além de Mia Couto, a universidade distinguiu também quatro cientistas internacionais pelos seus contributos de relevância global nas respectivas áreas.

Na sua mensagem durante a cerimónia de gala Mia Couto partilhou aquele galardão de mérito com todos os escritores moçambicanos e com todos os professores que “se empenham em trazer luz e esperança para as novas gerações de Moçambique”

Mia Couto é um dos mais importantes escritores africanos contemporâneos. Autor de mais de 30 livros entre romances, contos, poesia e crónicas, tem a sua obra traduzida para mais de 30 línguas e publicada em diversos países. Vencedor do Prémio Camões, Mia Couto destaca-se pela recriação poética da língua portuguesa e pela forma como aborda a memória, a identidade, a tradição e os desafios sociais de Moçambique. A sua obra é referência incontornável da literatura africana e lusófona, contribuindo para a projecção internacional da cultura moçambicana. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


sábado, 27 de janeiro de 2024

Brasil - Ministro da Educação do Vaticano recebe Doutor Honoris Causa em Pernambuco

A Universidade Católica de Pernambuco concedeu, na tarde desta quinta-feira (25), o título de Doutor Honoris Causa ao Cardeal português Dom José Tolentino de Mendonça. Professor visitante da Católica, Dom Tolentino é poeta, ensaísta, filósofo e teólogo português com diversos livros publicados.

O Reitor da Unicap, Padre Pedro Rubens, fez o discurso de abertura. O panegírico foi feito pelo jurista, escritor e imortal da Academia Brasileira de Letras, José Paulo Cavalcanti Filho. Compuseram a mesa também o embaixador de Portugal, Luís Faro Ramos, a Reitora da UPE, Socorro Cavalcanti, o Vice-reitor da Unicap, Padre Lúcio Flávio Cirne, a Pró-reitora de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação, Valdenice José Raimundo, e o Diretor da Escola de Educação e Humanidades, Danilo Vaz-Curado.

Dom Tolentino é prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação da Cúria Romana, um cargo equivalente ao de ministro, já que o Vaticano é um Estado independente. Antes de ser nomeado como prefeito do Dicastério, Dom Tolentino foi diretor da Biblioteca Apostólica Vaticana e Arquivista.

No final do ano passado, ele foi o vencedor do Prêmio Pessoa 2023, uma iniciativa do semanário Expresso e da Caixa Geral de Depósitos que visa reconhecer a atividade de pessoas portuguesas com papel significativo na vida cultural e científica do país.

A relação de Dom Tolentino com a Unicap vem desde 2009 quando ele começou a dar cursos e ministrar palestras na Universidade. Em agosto de 2015, por iniciativa do Reitor da Unicap, Padre Pedro Rubens, a Universidade, em parceria com a Editora Paulinas, lançou o primeiro livro de Tolentino no Brasil: “A Leitura Infinita – A Bíblia e a sua interpretação”.

Em 2017, Dom Tolentino voltou à Unicap para lançar o livro “Libertar o Tempo” durante a Semana de Estudos Bíblicos, promovida pelo Programa de Pós-Graduação e pela Graduação em Teologia da Católica. O lançamento contou com a presença do jurista e imortal da Academia Pernambucana de Letras, José Paulo Cavalcanti Filho, que fez a apresentação da obra.

Dos nove livros do Cardeal editados no Brasil, três foram lançados pela Unicap (“A Leitura Infinita – A Bíblia e a sua interpretação”, “A Construção de Jesus” e “Libertar o Tempo”). Padre Pedro fez o prefácio dos dois primeiros. O texto de Dom Tolentino pode ser visto ainda em outra publicação no Brasil. Ele assina a apresentação da obra “A Mesa de Deus” (Editora Record, 2022), de autoria da pesquisadora gastronômica Maria Lectícia Monteiro Cavalcanti, esposa de José Paulo Cavalcanti.

Em setembro de 2019, o Papa Francisco anunciou a nomeação do então arcebispo português e professor visitante da Unicap como cardeal. Na ocasião, Padre Pedro Rubens comemorou a notícia sobre a nomeação. “Dom Tolentino é um amigo de fé, um poeta de Deus, um homem apaixonado pela Igreja. Desde o nosso primeiro encontro em Lisboa, em 2009, ficamos grandes amigos. Ganhei um de seus livros, que devorei na viagem e nunca mais deixei de ler os seus textos”, destacou.

Padre Pedro conta que o Papa Francisco convidou Dom Tolentino para pregar um retiro no Vaticano e logo percebeu que, “para a transformação que ele vem suscitando na Igreja, precisava também de um poeta místico”. Em 2020, o Cardeal Tolentino fez por meio remoto a abertura oficial da 18ª Semana de Integração (Siucs) da Unicap. A palestra “A fraternidade como chave do futuro”, o Cardeal português falou sobre a Encíclica Fratelli Tutti, do Papa Francisco. In “Mundo Lusíada” - Brasil

Biografia:

Dom José Tolentino de Mendonça nasceu em Machico, no Arquipélago da Madeira. O também exegeta foi ordenado padre em 1990 e realizou seu doutorado em Teologia Bíblica. Ganhador de mais de dez prêmios por sua obra literária, Tolentino Mendonça foi condecorado com o grau de Comendador da Ordem de Sant’lago da Espada por Aníbal Cavaco Silva, presidente da República de Portugal, em 2015.

Também é professor e foi vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa até a sua nomeação episcopal em junho de 2018 e, na mesma universidade, atuou como diretor da Faculdade de Teologia.


sábado, 10 de dezembro de 2022

Cabo Verde - Espírito científico e liderança tornam Amílcar Cabral Doutor Honoris Causa

O histórico líder da luta pela independência de Cabo Verde e Guiné-Bissau, Amílcar Cabral (1924 -- 1973), foi hoje homenageado pela primeira vez pela Academia cabo-verdiana com o grau de Doutor Honoris Causa, pelo seu espírito científico e liderança


"Reconhece a nossa Academia que só um espírito científico associado a uma grande capacidade de liderança de político-social teria a força e a grandeza para propor tal salto civilizacional, naquela precisa janela temporal para esta parcela minúscula da humanidade", afirmou o reitor da Universidade do Mindelo, Albertino Lopes da Graça.

A cerimónia de hoje, à qual assistiram os chefes de Estado de Cabo Verde e de Portugal, José Maria Neves e Marcelo Rebelo de Sousa, inseriu-se igualmente no 20.º aniversário da Universidade do Mindelo e antecede os 50 anos da morte de Amílcar Cabral (2023) e o centenário do seu nascimento (2024).

Sobre o pensamento que defendeu, de independência das duas colónias, o reitor recordou que "nunca ninguém antes dele tinha ousado propor tal tese": "Apontar o caminho da independência naquela altura era temeridade. Só um espírito amadurecido pela análise histórica, política, económica e social, tanto a nível mundial e regional, e absolutamente convencido do poder transformador do homem sobre as adversidades podia ousar propor tal solução".

A Universidade do Mindelo, ilha cabo-verdiana de São Vicente, atribuiu hoje o grau de Doutor Honoris Causa a Amílcar Cabral, líder histórico da luta pela independência de Cabo Verde e Guiné-Bissau, cerimónia que reuniu ainda antigos combatentes cabo-verdianos e intervenções do presidente da Fundação Amílcar Cabral, o ex-Presidente cabo-verdiano Pedro Pires, e a filha do líder histórico, Iva Cabral.

"Na nossa tradição de outorga do título de Doutor Honoris Causa, normalmente distinguimos uma personalidade contemporânea. Este ano, excecionalmente, o conselho científico da Universidade do Mindelo decidiu a outorga dessa distinção académica, a título póstumo, ao engenheiro Amílcar Lopes Cabral. Foi uma personalidade de múltiplas facetas, um pensador internacionalmente reconhecido e bastante estudado por muitos analistas políticos e sociais, uma figura distinguida por vários países, várias universidades e várias instituições internacionais", justificou ainda o reitor.

"No nosso país, o engenheiro Amílcar Lopes Cabral também teve muitas distinções, mas esta é a primeira vez que a Academia, através da Universidade do Mindelo, lhe outorga uma distinção nesta cidade do Mindelo, em que ele viveu parte da sua juventude e onde concluiu os estudos liceais", enfatizou.

Fundador do então Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que em Cabo Verde deu lugar ao Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), e líder dos movimentos independentistas nos dois países, Amílcar Cabral nasceu em 12 de setembro de 1924 e foi assassinado em 20 de janeiro de 1973, em Conacri, aos 49 anos.

"Com este nosso singelo testemunho, pretendemos em breves traços reconhecer e evocar a sua faceta científica de pensador e pedagogo, na abordagem de questões políticas e sociais no quadro da sua participação no processo histórico pela emancipação dos povos oprimidos e em especial pela afirmação e reconhecimento das nações cabo-verdiana e guineense (...) Amílcar Lopes Cabral foi, ao mesmo tempo, um intelectual e um estratega operacional, sintetizando sempre que era preciso: Pensar para melhor agir e agir para melhor pensar. Isso é o que fazem os cientistas sociais", concluiu o reitor.

Filho de Juvenal Cabral e Iva Pinhel Évora, o líder histórico nasceu na Guiné-Bissau e partiu com oito anos, acompanhando a sua família, para Cabo Verde, onde viveu parte da infância e adolescência, antes de se licenciar em Agronomia, em Portugal, em 1950.

O ideólogo das independências da Guiné-Bissau e Cabo Verde, Amílcar Cabral, foi considerado em 2020 o segundo maior líder mundial de todos os tempos, numa lista elaborada por historiadores para a BBC e com a votação dos leitores. Agência Lusa





quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

França - Amélia Polónia é Doutora Honoris Causa pela Université Bretagne Sud

Professora Associada da Faculdade de Letras da U.Porto recebeu a mais alta distinção atribuída pelas universidades francesas



Amélia Polónia, Professora Associada da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), recebeu, no passado dia 10 de fevereiro, na cidade francesa de Vannes, o título de Doutora Honoris Causa pela Université Bretagne Sud (UBS).

À semelhança do que acontece em Portugal, o título de Doutor Honoris Causa é uma das mais prestigiadas distinções atribuídas pelas universidades francesas. Neste caso, porém, tem a particularidade de ser atribuído somente a “personalidades de nacionalidade estrangeira” que se distingam pelos “serviços eminentes prestados à ciência, letras ou às artes, à França ou à Universidade”.

Com quase 40 anos de ligação – 35 dos quais como docente – à FLUP, Amélia Polónia (ver perfil abaixo) vê assim reconhecido internacionalmente um percurso de excelência ao nível da docência e investigação na área da História Moderna. Especialista em História da Expansão Ultramarina Portuguesa e História da Colonização Europeia, é amplamente reconhecida pelos seus trabalhos nos domínios dos Estudos Coloniais, História Portuária ou dos Estudos de Género.

A cerimónia de atribuição do Doutoramento Honoris Causa decorreu na Faculdade de Direito, Ciências Económicas e Gestão da UBS, e contou com a presença da diretora da FLUP, Fernanda Ribeiro. Cláudia Moreira e Tiago Reis – Portugal in “Universidade do Porto”



Sobre Amélia Polónia

Licenciada (1984) e mestre em História (1990) e doutorada em História Moderna (2000) pela Faculdade de Letras da U.Porto, Amélia Polónia (1962, Porto) é professora Associada com agregação no Departamento de História, Estudos Políticos e Internacionais da FLUP, onde dirige também o Mestrado em Estudos Africanos. Foi ainda professora convidada em universidades da Argentina, Brasil, Estados Unidos, França. Índia, Israel, Japão, Holanda, Hungria, Macau e Namíbia.

Em paralelo com a docência, possui um vasto currículo científico, no qual se inclui a publicação de dezenas de artigos, livros e capítulos de livros, a orientação de dezenas de teses de doutoramento ou a liderança de inúmeros projetos internacionais. Parte desse trajeto foi construído no Centro de Investigação Trandisciplinar «Cultura, Espaço e Memória» (CITCEM), onde desempenha atualmente o cargo de coordenadora científica.

É ainda Vice-Presidente da International Maritime History Economic Association (IMEHA) e membro da Sociedade Portuguesa de Estudos de História de Construção, além de pertencer ao conselho editorial de revistas de especialidade.

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Lusofonia - Francês Edgar Morin recebeu ‘honoris causa’ da Universidade Lusófona do Porto



O filósofo e sociólogo francês Edgar Morin disse que Portugal é um “país extraordinário” e reforçou a riqueza da multiculturalidade, incluindo de uma lusofonia variada e extensa.

Edgar Morin, de 98 anos, falou na apresentação do livro “O Devir da Lusofonia”, de Isabelle de Oliveira, na Associação de Futebol do Porto, cujo preâmbulo assinou.

Segundo o pensador francês, “a lusofonia tem um papel importante a desempenhar”, realçando o “contributo importante” do trabalho de Isabelle de Oliveira, professora na parisiense Universidade Sorbonne-Nouvelle (III), “para a cultura [lusófona]” e para a Humanidade.

A sessão contou ainda com intervenções de várias personalidades, como a antiga candidata presidencial Maria de Belém, o secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo, ou o presidente da Associação de Futebol do Porto, Lourenço Pinto, autor do posfácio.

Classificando a literatura portuguesa como “admirável”, Edgar Morin assentou a intervenção na riqueza da multiculturalidade, criticando ainda o papel do inglês como uma “língua universal que perde o sabor” em troca do valor para o mercado.

No início da “conclusão”, como apelidou a palestra que deu, o filósofo começou por explicar, em português, que “a francofonia pode ajudar a lusofonia”, lembrando depois Bento de Espinosa, um descendente de portugueses que, em Amesterdão, “acabou por influenciar o pensamento europeu moderno”.

Portugal é “um país extraordinário, que é atlântico e mediterrâneo ao mesmo tempo, ibérico e com ligação ao resto do planeta, com uma vitalidade e convivialidade e cordialidade extraordinária”, afirmou.

À Lusa, Isabelle de Oliveira destacou esta obra como abrindo “portas sobre a memória da diáspora portuguesa”, particularmente em França, para poder denunciar “o ‘clichê’ do trolha, da porteira, e olhar para a diáspora com outro olhar, mais positivo”.

Outra ideia importante é a de “chamar a atenção aos governantes” portugueses.

“A diáspora não é só as remessas, temos hoje altos quadros em todas as áreas, e dizer que já chega, basta, de olhar para esse conceito, para mim uma aberração, de lusodescendentes, somos todos portugueses”, atirou.

Sobre a ligação ao campo desportivo, Oliveira destaca Cristiano Ronaldo ou José Mourinho como “embaixadores” do mundo lusófono, da mesma forma que a diáspora é “embaixadora da língua portuguesa”, ligados ao país “por afetos”.

Lourenço Pinto destacou aos jornalistas a importância desta “manifestação cultural” para o esforço de formação de jovens enquanto desportistas e pessoas, um crescimento pessoal de que a cultura é “parte integrante”.

“Já dizia Coubertin que não há desporto sem valores e os valores no desporto são importantíssimos”, acrescentou.

Isabelle Oliveira é a diretora da Faculdade de Línguas Estrangeiras Aplicadas da Universidade Sorbonne-Paris III e tem escrito vários ensaios e textos sobre a elaboração e execução de políticas de promoção internacional da língua portuguesa.

Nascido em 08 de julho de 1921, em Paris, Edgar Morin tem assinado, ao longo das décadas, múltiplos trabalhos nas áreas da sociologia, política e filosofia, entre muitas outras.

De acordo com a biografia existente na página do centro a que deu nome, foi investigador do Centro Nacional de Investigação Científica, em França, entre 1950 e 1989, tendo sido diretor de investigação em 1970.

Em 2017, Morin já tinha apresentado outro livro da mesma autora, a obra “Lusofonia e Francofonia: A aliança da latinoesfera”, na Fundação Gulbenkian, em Lisboa.

Na terça-feira, Edgar Morin recebeu um doutoramento ‘honoris causa’ pela Universidade Lusófona do Porto. In “Lusojornal” - França

terça-feira, 10 de setembro de 2019

São Tomé e Príncipe – Inocência da Mata recebe título de doutora Honoris Causa atribuído por Universidade do Malawi

Filha da ilha do Príncipe, Inocência Mata, professora – doutora na faculdade de letras da Universidade de Lisboa, recebeu em Malawi, país da África Austral, um dos mais prestigiados galardões académicos até agora atribuído a um intelectual são-tomense.

A prestigiada universidade americana “Cypress International Institute University“, através do seu pólo no Malawi (Lilongwe), premiou Inocência Mata, no dia 31 de Agosto, com o Doutoramento Honoris Causa.



Um galardão justificado com o brilhante percurso académico e intelectual, da professora Inocência Mata.

«Recentemente tivemos a oportunidade de reconhecer em homenagem pública cá na ilha do Príncipe, o seu contributo especial como filha desta terra, pelos relevantes serviços prestados ao longo dos tempos para o engrandecimento e reconhecimento de São Tomé e Príncipe além fronteiras», refere o Governo da Região Autónoma do Príncipe, num comunicado de felicitações a professora Inocência Mata.

A comunicação do Governo da Ilha do Príncipe, realça os feitos da professora universitária, que nasceu no Príncipe, para promover o nome de São Tomé e Príncipe no mundo. Abel Veiga – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Brasil - Presidente de Cabo Verde afirma querer a CPLP uma comunidade de pessoas e não de Estados



O Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, disse numa visita ao Brasil que trabalha para que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) avance para se tornar mais numa comunidade de pessoas do que de Estados.

“No quadro da CPLP, [a] que temos a assumida honra de presidir até julho do próximo ano, pretendemos continuar a desenvolver todos os sócios no sentido de fazer cada vez mais da CPLP uma comunidade mais de pessoas, de cidadãos, do que de Estados”, afirmou o Presidente cabo-verdiano.

O chefe de Estado de Cabo Verde recebeu, na quarta-feira, o título de doutor honoris causa, em reconhecimento do seu percurso político, pela Universidade Federal de Ouro Preto.

“Acreditamos que podemos juntamente com o Brasil e os demais membros da nossa comunidade prestar contribuição importante para os nossos povos”, disse Jorge Carlos Fonseca.

No discurso de agradecimento, o Presidente de Cabo Verde reconheceu estar honrado com a distinção e mencionou que a sua carreira acadêmica antecedeu a política, já que trabalhou na Universidade de Lisboa, numa universidade de Macau e também fundou uma instituição de ensino superior no seu país.

Jorge Carlos Fonseca também citou fatos peculiares das relações entre Cabo Verde e Brasil, lembrando a existência de um partido pró-Brasil em Cabo Verde que, na época da independência, juntou um grupo de liberais que propunha a separação de Cabo Verde de Portugal e sua associação ao Brasil.

O chefe de Estado recordou as ligações históricas entre os dois países, notando que muitas produções agrícolas levadas pelos portugueses para o Brasil foram testadas em Cabo Verde, que terá sido uma espécie de incubadora de produtos, nomeadamente a cana de açúcar.

“Cabo Verde edificou uma sociedade aberta e tolerante, uma democracia estável e que situado numa região caracterizada por acentuada instabilidade política e militar, com importantes atividades terroristas, teima em ser um oásis de paz e de concórdia ao serviço da liberdade na África e no mundo”, referiu.

A cerimônia que outorgou o título de doutor honoris causa ao Presidente cabo-verdiano coincidiu com a data em que a Universidade Federal de Ouro Preto completou 50 anos de fundação.

O músico brasileiro Chico Buarque também foi agraciado com o título de doutor honoris causa na mesma ocasião.

A CPLP é constituída por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Portugal, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Moçambique - Mia Couto é Honoris Causa na Universidade Politécnica

A Universidade Politécnica atribuiu ontem, quarta-feira, 2 de Setembro de 2015, o título de Doutor Honoris Causa em Humanidades, na especialidade de Literatura, ao escritor Mia Couto, o mais conhecido e premiado do País.

A atribuição deste título é feita em reconhecimento ao contributo que o escritor tem dado à literatura moçambicana, através da sua vasta obra literária e intervenção, de que resulta a sua grandeza e reconhecimento a nível nacional, continental e mundial.

Conforme explicou Lourenço do Rosário, Reitor da Universidade Politécnica, Mia Couto é um reconhecido escritor que, com o seu trabalho, projecta Moçambique além-fronteiras, elevando bem alto o nome do País. É um escritor de inestimável dimensão humana e cidadania.

A cerimónia de condecoração, que decorreu no anfiteatro da Universidade Politécnica, contou com a presença do Presidente da República, Filipe Nyusi, que na sua breve alocução destacou o papel do escritor na promoção da literatura moçambicana.

Na sua primeira aula de sapiência como Doutor Honoris Causa, Mia Couto falou da degradação do tecido moral da sociedade, sobre a qual, na sua opinião, existe um consenso nacional.

Para Mia Couto, perante esta realidade, caracterizada pela perda de valores por parte da sociedade, um dos caminhos que podem ajudar a resgatar essa moral perdida pode ser a literatura, como arte de contar e escutar histórias.

"É muito preocupante que os nossos jovens cresçam sem referências morais. Não vejo muito interesse em preparar os nossos filhos para que sejam simplesmente boas pessoas, bons cidadãos no seu País e no mundo. Estamos empenhados em assuntos como empresas e empreendedorismo, como se todos os nossos filhos estivessem destinados a serem empresários", disse o escritor.

Mia Couto, pseudónimo de António Emílio Leite Couto, nasceu a 5 de Julho de 1955 na cidade da Beira, província de Sofala, e é considerado um dos escritores mais destacados do País, tendo sido homenageado com o Prémio Camões em 2013, o mais importante da língua portuguesa.

O seu primeiro romance, Terra Sonâmbula, publicado em 1992, ganhou o Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos em 1995 e foi considerado um dos dez melhores livros africanos do século XX.

Mia Couto tem uma obra literária extensa e diversificada, incluindo poesia, contos, romance e crónicas, sendo que muitos dos seus livros foram traduzidos e publicados em mais de 30 países.

Em paralelo à atribuição do título de Doutor Honoris Causa, foi no mesmo dia lançada a obra Mia Couto: Um Moçambicano que diz Moçambique em Português, da autoria de Fernanda Cavacas, e ainda inaugurada a exposição alusiva aos 20 anos de existência da Universidade Politécnica. In “Olá Moçambique” - Moçambique