Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 31 de maio de 2025

Portugal - Escritor cabo-verdiano Joaquim Arena vence Prémio Literário Guerra Junqueiro Lusofonia

O escritor cabo-verdiano Joaquim Arena é um dos galardoados com o Prémio Literário Guerra Junqueiro 2024, atribuído anualmente no âmbito do Freixo Festival Internacional de Literatura (FFIL), em Portugal

O Prémio Literário Guerra Junqueiro (PLGJ) é promovido desde 2017 pela Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta, no âmbito do Freixo Festival Internacional de Literatura (FFIL), em homenagem ao poeta Guerra Junqueiro.

Autor de obras como Siríaco e Mister Charles (Prémio Oceanos 2023), Debaixo da Nossa Pele (2017), O Sabor da Água da Chuva e Outras Memórias da Amiga Perfeita (2024), Joaquim Arena é o laureado por Cabo Verde com este prémio que reconhece a carreira de escritores dos Países Membros da CPLP.

Contente pela distinção

“Sendo uma distinção não para um livro, mas para o conjunto da obra, fico muito contente, embora espero vir a escrever muitos mais livros”, revela o escritor, que brevemente coloca nas bancas mais um romance.

Trata-se do livro “As mortes do meu pai”, que encerra a Trilogia Negropolitana, destinada a dar vida e voz a homens e mulheres descendentes de africanos escravizados,  trazidos para o coração do Império.

“O reconhecimento pelo nosso trabalho, ainda por cima tendo como patrono um escritor e pensador português da craveira de Guerra Junqueiro, é sempre uma grande satisfação”, diz o autor, em conversa com A Nação.

Outros cabo-verdianos premiados

O PLGJ já distinguiu, em edições anteriores, outros escritores cabo-verdianos, como Dina Salústio (2022), Vera Duarte Pina (2021) e Jorge Carlos Fonseca (2020).

O prémio carrega o nome do patrono do evento e resgata um dos poetas que marcaram a formação dos poetas e escritores do séc. XX: Pretende ser um contributo para um movimento criador de uma união cultural lusófona. In “A Nação” – Cabo Verde


domingo, 1 de janeiro de 2023

Cabo Verde - Prémio Literário Arnaldo França: “É sempre bom quando o reconhecimento chega”, afirma Joaquim Arena

Cidade da Praia – O cabo-verdiano Joaquim Arena, vencedor da 5.ª edição do Prémio Literário Arnaldo França, considerou hoje que “é sempre bom quando o reconhecimento chega” e que a atribuição do prémio se traduz na recompensa do trabalho de horas de escrita.

“O Sabor da Água da Chuva e Outras Memórias da Amiga Perfeita”, de Joaquim Arena, segundo uma nota da organização, mereceu ser, por unanimidade do júri, o trabalho vencedor da edição de 2022 do Prémio Literário Arnaldo França, dirigido a cidadãos cabo-verdianos (a residir em Cabo Verde ou no estrangeiro) ou a residentes em Cabo Verde há mais de 5 anos.

Em declarações à Inforpress, o escritor premiado afirmou que foi bom receber esta notícia sobretudo porque o prémio tem como patrono o escritor, ensaísta e poeta Arnaldo França, mestre da literatura cabo-verdiana como crítico, ensaísta, mas também como poeta.

“É o reconhecimento do trabalho de horas de escrita, de pensamento de estar a reflectir”, disse, sustentando que o trabalho de um escritor é muito solitário, porque trabalha sozinho, com muitas horas até se construir uma história, até conseguir expressar ideias e criar personagens.

Daí que acrescentou, “é sempre bom quando o reconhecimento chega”.

A obra vencedora “O Sabor da Água da Chuva e Outras Memórias da Amiga Perfeita” segundo contou, é uma história de amizade entre duas mulheres que são separadas aos 13 anos, sendo que uma fica numa das ribeiras em uma das ilhas de Cabo Verde enquanto a outra emigra com os seus pais para São Tomé e Príncipe naquelas levas de cabo-verdianos contratados para trabalhar nas roças.

“Portanto é nessa iminência da sua chegada que a amiga que aqui ficou escreve e recupera aqui o que foi um pouco o seu relacionamento através das cartas ao longo de mais de 50 anos. É uma história de amizade entre duas pessoas separadas por um facto histórico e ao mesmo tempo é a história de ambas de como é que cada uma viveu a sua vida”, sublinhou.

A edição de 2022 do Prémio Literário Arnaldo França contou com Manuel Brito-Semedo como presidente do júri, do qual fizeram também parte a professora Maria de Fátima Fernandes e Paula Mendes, a editora-chefe da Imprensa Nacional – Casa da Moeda.

Para o júri, trata-se de uma narrativa epistolar, um género original na literatura cabo-verdiana, feita numa perspectiva interessante de abordagem da realidade cabo-verdiana, «bem escrita e de leitura cativante».

“O Sabor da Água da Chuva e Outras Memórias da Amiga Perfeita” foi seleccionado dentre 13 candidaturas. Além dos 5 mil euros do valor pecuniário do prémio, Joaquim Arena, que concorreu com o pseudónimo Júlia, deverá ver publicado já no próximo ano o seu trabalho com a chancela das duas editoras públicas: Imprensa Nacional, de Lisboa, e Imprensa Nacional de Cabo Verde.

Joaquim Arena nasceu em 1964, na ilha de São Vicente, Cabo Verde, filho de pai português e mãe cabo-verdiana. Aos seis anos foi viver para Lisboa, onde a família se instalou. Licenciou-se em Direito e dedicou-se à música e ao jornalismo. No final dos anos 90 regressou a Cabo Verde, onde fundou o jornal O Cidadão, em São Vicente.

De recordar que o propósito da atribuição deste galardão literário é o da promoção da língua portuguesa e do talento literário em Cabo Verde, bem como homenagear a destacada figura da literatura e cultura cabo-verdiana Arnaldo França.

Este prémio é atribuído pela Imprensa Nacional – Casa da Moeda em parceria com a Imprensa Nacional de Cabo Verde. In “Inforpress” – Cabo Verde