Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 20 de abril de 2026

Angola - Escritor João Rosa Santos defende mais união entre escritores da CPLP

O escritor angolano, João Rosa Santos, reafirmou, recentemente, a necessidade e pertinência de união entre escritores de diferentes territórios que conformam a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).


João Rosa Santos falava no acto de lançamento da 6.ª edição do projecto Elos da Língua Portuguesa, antologia lançada em homenagem à Guiné Equatorial, que decorreu no último sábado, na cidade do Rio Preto, Estado de São Paulo, no Brasil.

‎Mais do que uma simples reunião de textos, a sexta edição  da Antologia de Língua Portuguesa contou com a participação de 154 escritores, entre os quais, alguns angolanos.

‎De acordo com o também imortal da Academia Brasileira de Escritores, o projecto Elos da Língua Portuguesa amplia o horizonte da Lusofonia e fortalece a pluralidade de vozes que nela habitam.

‎Para os organizadores do evento, João  Paulo Vani, presidente da Academia Brasileira de Escritores e Samira Camargo, coordenadora do projecto, nesta edição, a colectânea percorre paisagens culturais marcadas pela convivência  entre tradições pela memória histórica e pelas múltiplas formas de expressão, que encontram no português um ponto de encontro.

Segundo soube O País, a próxima edição da Antologia Elos da Língua Portuguesa está prevista para o ano de 2027, com uma homenagem à República de São Tomé e Príncipe. Flávio da Costa – Angola in “O País”

terça-feira, 15 de abril de 2025

Brasil - Academia de Escritores homenageia Angola

A Academia Brasileira de Escritores homenageou Angola, no fim-de-semana, em São José do Rio Preto, Estado de São Paulo, Brasil, na cerimónia de lançamento do quinto volume da antologia “Elos da Língua Portuguesa”



A antologia, que reúne textos de escritores de diferentes nações e contextos históricos, é um testemunho da pluralidade da Comunidade de Países de Língua Oficial Português (CPLP).

Mais do que uma colectânea de textos, Elos da Língua Portuguesa celebra a unidade na diversidade, uma ponte entre diferentes realidades, em torno de um bem comum.

De acordo com os organizadores do evento, o projecto, mais do que avaliar a qualidade técnica dos textos publicados, exalta a coragem, a criatividade e o desejo de expressão de cada autor. In “Jornal de Angola” - Angola


quinta-feira, 17 de outubro de 2024

Brasil - Marçal: as redes sociais têm um limite

Talvez em nenhum outro lugar as redes sociais tenham sido utilizadas de uma maneira tão intensa e com resultados tão evidentes como na campanha eleitoral para a eleição do prefeito de São Paulo. Porém, ao mesmo tempo, ficou evidente que, apesar dos resultados surpreendentes, o controle da maioria do fluxo de redes sociais não é garantia de se impor o produto, no caso, o candidato.

Isso tem um significado bastante positivo em termos de não existir ainda uma maneira de se propor para impor à maioria da população um produto ou um tipo de comportamento voluntário tendo como base apenas um certo tipo de indução. Ou seja, o pesadelo de um mundo unificado, tipo 1984, sem o emprego paralelo da persuasão coercitiva e da punição ainda não é um risco fatal e definitivo. O teste a seguir será o do emprego da inteligência artificial, mas isso ainda vai levar algum tempo.

A campanha eleitoral paulistana online, nas redes sociais, nos canais youtube acabou se transformando num grande teste real ou ao vivo, em termos de sociologia, comportamento humano, controle coletivo, testes de indução, do qual vão também se beneficiar as empresas de publicidade nas campanhas de lançamento de novos produtos. Campanhas de produtos com condições de aplicar milhões na invasão das redes sociais com os chamados cortes, que podem ser frases, ilustrações, fotos, vídeos ou filmes.

Países com vocações ditatoriais também poderão se inspirar dos resultados obtidos por Pablo Marçal com suas redes sociais, sabendo que poderão conquistar o apoio do equivalente a um terço de uma população. É claro, as redes sociais são importantes mas não passam de um meio de utilização fácil para atingir milhões de pessoas. Elas só funcionam para quem tiver a mensagem, no caso a mensagem populista conservadora, inspiradora de segurança.

Mas só isso não basta é preciso o carisma, a sedução, o magnetismo, o fascínio possuído por certos líderes políticos ou religiosos, que atraem seguidores. foi o caso de Hitler, que arrastou os alemães para a guerra; do lider islâmico Khomeini, que derrubou o Xá Reza Pahlevi; do fenômeno social também surgido em São Paulo, Jânio Quadros, todos eles sem contarem com redes sociais.

E chegamos, então, ao novo líder surgido em São Paulo, Pablo Marçal, eliminado das eleições para prefeito, mas que se declara pronto para se lançar candidato à presidência ou à sucessão de Tarcísio de Freitas no governo de São Paulo.

A CNN convidou um especialista, Renato Dolci, especialista em ciência de dados e transformação digital para explicar o método aplicado por Marçal nas redes sociais, considerado como algo de novo. Esse método fez com que Marçal tivesse 600 milhões de visualizações, enquanto todos seus concorrentes juntos não passavam de 80 milhões.

O método inovador permitiu também a Marçal testar discursos para saber qual o formato a ser utilizado diante do público. Foi assim que percebeu serem seus discursos agressivos bem recebidos pelo eleitorado mais idoso e seus discursos centrados na prosperidade serem melhor recebidos pelos mais jovens, principalmente na periferia.

Mas nem tudo foi um sucesso nesse formato criado por Marçal na propaganda digital porque o sentimento negativo com relação ao candidato era maior que o positivo. Restou também a impressão de que a novidade Pablo Marçal surgida do nada, de repente, no começo da campanha, entrou numa fase de desgaste no decorrer da campanha. Assim, alçado à primeira posição nas primeiras prévias, dando mesmo a impressão de se eleger no primeiro turno, foi perdendo força até cair para o terceiro lugar nas votações e ser eliminado.

Mas sua derrota, que recolocou a campanha eleitoral entre Boulos e Nunes nos moldes tradicionais, não significa seu desaparecimento. Mais inteligente, mais preparado e mais ágil de linguagem que Bolsonaro, Marçal quebrou o monolitismo da extrema-direita e também limitou a presença evangélica nos seus discursos, provocando a ira do líder pastor Silas Malafaia. Se Marçal se mantiver e crescer como líder desse setor da direita e extrema-direita, isso irá se repercutir numa perda da presença e influência política dos pastores evangélicos. O populismo evangélico bolsonarista, que dominou as redes sociais durante anos, não tem a mesma velocidade digital do populismo de Marçal. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

terça-feira, 15 de outubro de 2024

Brasil - Adriana Belic, curadora dos festivais portugueses ONFITA e Festival das Marias, participa da Womex, na Inglaterra

A Belic Arte.Cultura – agência e produtora fundada e dirigida pela brasileira Adriana Belic - está entre as 10 empresas selecionadas para representar o estado brasileiro de São Paulo na Womex - Worldwide Music Expo, uma das maiores feiras do mundo da indústria musical, que acontece entre 23 e 27 de outubro de 2024, em Manchester, na Inglaterra.

A Belic Arte.Cultura é uma agência e produtora paulista que atua na criação e representação de espetáculos de música e de artes cênicas, representando artistas nacionais e internacionais, realizando curadorias para festivais e consultoria para propositura de projetos para editais e leis de incentivo, contribuindo para a execução de projetos de instituições públicas e privadas. A agência faz a curadoria internacional para o ONFITA (desde 2020), que acontece em paralelo ao FITA - Festival Internacional de Teatro do Alentejo (Portugal), para o Festival das Marias - Festival Internacional das Artes no Feminino, edições Brasil (desde 2020) e Portugal (desde 2019), entre outros. Produziu as turnês internacionais do violonista Filó Machado (Portugal, 2024), do Beba Trio (Portugal e Alemanha, 2022), da baixista cubana Yusa (Brasil, 2015) e do baixista americano Billy Cox (Brasil, 2013), entre outras, além de inúmeras circulações nacionais de artistas brasileiros. A agência, dona do selo Belic Music e lançará obras de Filó Machado e Fabio Bergamini, ainda em 2024.

Adriana Belic ressalta a importância de levar a música produzida no estado de São Paulo para um evento como a Womex: “Estaremos presentes com o selo Belic Music e a música instrumental, apresentando trabalhos dos brasileiros Filó Machado e Fabio Bergamini, além de trabalhos do baixista americano Billy Cox, da banda holandesa The Trail of Mistery; também com canção brasileira feminina que vai representada por Consuelo de Paula e Cida Moreira. Outro projeto agenciado pela Belic Arte.Cultura, o VerDe Perto, O Musical Ecológico, criado por Renata Pizi, que une música e artes cênicas para o público infantil, soma-se nessa bagagem sonora, direto de São Paulo para a Inglaterra”, declara. Festivais realizados pela agência também terão explanações/exibições na Womex, são eles: Festival das Marias - Festival Internacional das Artes no Feminino; Festival Allegria, Festival Infantojuvenil de Artes Cênicas e Música; Festival SP Roots Music e Festival SP Choro in Jazz.


Esta missão empresarial do Governo de São Paulo à Womex - Worldwide Music Expo é realizada pelo CreativeSP, programa da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado e da InvestSP, agência de promoção de investimentos vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado, que visa incentivar a troca de conhecimentos, promover novos negócios, atrair investimentos estrangeiros e potencializar a geração de emprego e renda na indústria cultural. As empresas selecionadas podem trocar conhecimentos técnicos e fazer negócios com representantes de cerca de 100 países. O programa ainda promove eventos de networking durante as missões e oferece ações de consultoria, monitoramento de resultados e acompanhamento pós-evento. Conheça o programa CreativeSP. Eliane Verbena – Brasil




 

quinta-feira, 29 de agosto de 2024

Brasil - Pablo Marçal não é o primeiro a atrair os paulistanos

A rápida ascensão política de Pablo Marçal na campanha eleitoral para a prefeitura de São Paulo não é novidade. Ainda sem as facilidades criadas pelas redes sociais digitais, houve um clima parecido de sensação eleitoral, em 1953, quando um deputado estadual, ex-vereador, decidiu enfrentar as forças políticas da época com uma campanha populista, na qual o símbolo era uma vassoura, para varrer a corrupção.

Outra coincidência, Jânio Quadros, o fenômeno eleitoral eleito prefeito com o voto dos bairros populares, não era paulistano mas matogrossense, quase da mesma região de Pablo Marçal, que é goiano.

Agora uma diferença, Jânio tinha sido vereador trabalhador e um tanto minucioso; como deputado combatia a corrupção e fazia a fiscalização dos gastos públicos. Em síntese, um populista de direita, com discurso conservador, preocupado com a pauta de costumes: era contra os jogos de azar, contra a prostituição e chegou a proibir o uso do biquini.

Apesar de Jânio ter frustrado seus seguidores com sua renúncia e de ser considerado um dos principais responsáveis pela instabilidade política brasileira que levou ao Golpe militar, Jânio manteve o rigor na defesa dos bens públicos e no combate à corrupção.

O retorno do populismo ao poder depois dos governos petistas de Lula e Dilma, foi com outra roupa, sem as caspas de Jânio, e o combate às corrupção ficou só nas palavras. Deixou de ser populismo de direita para se afirmar como populismo de extrema-direita, sem independência internacional, atrelado aos EUA e à política trumpista republicana, visando o desmantelamento do Estado e o enfraquecimento das regras republicanas, tudo consubstanciado na figura do ex-presidente Jair Bolsonaro. 

Esse novo populismo mais extremo veio acompanhado de um novo elemento também importado dos EUA, destinado a assegurar mais coesão e fidelidade entre os seguidores pertencentes às camadas mais pobres e menos instruídas: a presença religiosa invisível mas penetrante do evangelismo e suas variantes neopentecostais, capazes de obter contrôle e submissão sem um aparelho repressor visível.

É nesse quadro que surge Pablo Marçal, justamente quando havia a impressão ou esperança da sociedade civil estar se desembaraçando do populismo bolsonarista. Bolsonaro parece agora como um aprendiz de feiticeiro diante do esperto Marçal, conhecedor do funcionamento das redes sociais, capaz de se transformar em algumas semanas num dos prováveis eleitos para a prefeitura de São Paulo.

Ao mesmo tempo, o surgimento das redes sociais criou uma nova maneira de se fazer política com o investimento dos candidatos e dos partidos na publicidade digital. A intensa publicidade de Pablo nas redes levou-o à imprensa escrita e televisão, onde o candidato ganhou terreno e em pouco tempo, com promessas mirabolantes mas difíceis de realizar, alcançou os primeiros colocados Boulos e Nunes à Prefeitura de São Paulo. A vitória de um dos três primeiro-colocados dependerá, no segundo turno, da transferência de votos dos candidatos derrotados.

Até que ponto a Justiça Eleitoral pode intervir impedindo, até novembro, a participação de Pablo nas eleições municipais da maior cidade brasileira? Nos EUA, sem justiça eleitoral, o candidato Donald Trump prossegue candidato apesar de ser alvo de diversos processos. Terão algum resultado as acusações claras e precisas da candidata Tábata Amaral?

Provavelmente não. Em todo o caso, Pablo não cumpriu os 4 anos e cinco meses de prisão por furto qualificado, porque a Justiça Federal reconheceu já ter prescrito o crime. Isso lembra Paulo Roberto de Andrade, que deu o golpe do Boi Gordo, enganou mais de 30 mil investidores, mas saiu livre dos processos por prescrição do crime. Ou seja, a prescrição acaba valendo como declaração de não culpabilidade.

Se tiver assegurada sua impunidade, a presença de Pablo Marçal na campanha para a Prefeitura de São Paulo muda o quadro político por enfraquecer a imagem do governador paulista Tarcísio de Freitas e esvaziar a candidatura de Ricardo Nunes. Na hipótese de Pablo ir para o segundo turno com Boulos, é quase certo ter o voto dos bolsonaristas e ser eleito.

Se isso ocorrer, a vitória de Pablo poderá significar o fim definitivo para Bolsonaro e família, pois ficará difícil continuar a receber a totalidade dos votos dos evangélicos. Diante disso, Pablo já começa a negociar a possibilidade de receber um apoio do clã Bolsonaro, ofendendo e rejeitando o apoio de Joyce Hasselmann, chamando-a de traíra ou traiçoeira, enquanto acena aos evangélicos, declarando seu apoio à pauta de costumes por eles defendida. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.