Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 25 de abril de 2026

Macau - Chefe do Executivo diz que língua portuguesa “não merece preocupação”

Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, partiu de Lisboa para Madrid referindo que as ligações do território com Portugal estão cada vez mais estreitas e que o caminho da cooperação está traçado. Em encontros com ministros, destacou que “a língua [portuguesa] não é questão que mereça preocupação”, quer ao nível do ensino, quer no uso pelos tribunais

“Posso garantir que a língua não é questão que mereça preocupação.” Foi desta forma que o Chefe do Executivo da RAEM, Sam Hou Fai, se referiu ao panorama do ensino e uso da língua portuguesa no território em reuniões com ministros portugueses. Na conferência de imprensa de balanço da visita da delegação da RAEM a Lisboa, que decorreu entre sábado e esta terça-feira, Sam Hou Fai destacou alguns pontos abordados na intensa agenda que teve na capital portuguesa.

Tanto nos encontros com o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, ou com a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, o uso do português foi abordado. “Eles mostraram interesse sobre a formação em língua portuguesa”, disse Sam Hou Fai.

“Após o retorno de Macau à China, Macau fez muito pela formação e nunca houve uma formação tão abrangente. Nunca houve tantas escolas [a ensinar a língua] e, na história de Macau, nunca houve tantos estudantes a aprender português. Eles [ministros] sabem que, actualmente, há mais chineses a aprender português em Macau do que as pessoas de Portugal a aprender português. Sabem que damos importância à utilização do português, sobretudo no sistema judicial”, destacou.

Sam Hou Fai lembrou que a ministra da Justiça e a sua equipa tem conhecimento de que no Tribunal de Última Instância (TUI) “a maioria das sentenças, sobretudo a nível civil, continuam a ser em língua portuguesa”.

“Eles têm conhecimento da utilização da língua portuguesa em Macau, qual a situação e que continuamos a apostar na forte formação da língua portuguesa. Eles ficaram satisfeitos com a minha resposta”, adiantou.

O governante não deixou de lembrar que esta foi a primeira vez, em quase 27 anos, que um líder da RAEM foi recebido pelos “quatro líderes nacionais dos poderes executivo, legislativo e judicial”. Sam Hou Fai disse ainda que desenvolveu “um programa destinado a aprofundar a amizade e a promover a cooperação, obtendo resultados positivos e atingindo os objectivos previstos”.

Salários mais altos

No contexto da necessidade de mais quadros qualificados em Macau, Sam Hou Fai disse ter feito “uma apresentação muito pormenorizada sobre a força laboral de Macau” no encontro com o ministro português da Economia, sem que tenha havido espaço para questionar, concretamente, a questão da atribuição de residência a portugueses.

“Temos cerca de 180 mil trabalhadores não residentes em Macau. Não tenho aqui o número exacto, mas muitos deles são de países de língua portuguesa. No âmbito da terceira fase de importação de quadros qualificados do Governo da RAEM, expliquei que às pessoas que dominam a língua portuguesa, nomeadamente de universidades de excelência de Portugal, pode dar-se um valor [salarial] mais elevado para que possam ser atraídas a ir para Macau.”

Sam Hou Fai referiu-se concretamente às pessoas oriundas dos países de língua portuguesa, “incluindo Portugal”, para que tenham condições laborais mais atractivas. Tudo para que haja uma maior atracção de “quadros qualificados [para participar] no desenvolvimento de Macau”.

Mercado em projecção

Foi um corre-corre de encontros e visitas desde sábado, e que só terminou na tarde de terça-feira, dia em que se deu a partida da comitiva da RAEM para Madrid. O líder do Governo de Macau reuniu também com o Presidente da República, António José Seguro, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, João Cura Mariano.

Nestes encontros, Sam Hou Fai foi destacando o papel de Macau enquanto ponte nas relações sino-portuguesas. “Os principais líderes da República Portuguesa reconheceram que Macau desempenha um papel importante como plataforma nas relações estratégicas e de cooperação entre a China e Portugal, e manifestaram o desejo de aproveitar ainda mais as funções e vantagens únicas desta plataforma”, afirmou.

De acordo com Sam Hou Fai, o Governo português manifestou particular interesse em potenciar uma plataforma para permitir que empresas chinesas e de Macau utilizem e aproveitem as vantagens de Portugal como uma porta de entrada para novos mercados em África, Europa e América Latina.

Em contrapartida, foi explorada “a possibilidade de promover a colaboração entre empresas de Macau e de Portugal para explorar os mercados dos países da Península Ibérica”. “A cooperação entre a China e Portugal está voltada para o futuro e irá criar melhores oportunidades de desenvolvimento”, afirmou.

Sam Hou Fai adiantou que vai exigir ao IPIM – Instituto de Promoção do Comércio e Investimento que “promova esses projectos, ao nível da cultura, educação, assuntos sociais e também da economia, para que possam ter acompanhamento e avançar”.

Citado por uma nota oficial, Luís Montenegro, primeiro-ministro português, “afirmou que Portugal está empenhado em aprofundar a cooperação amigável luso-chinesa, esperando continuar, através da estreita ligação e cooperação pragmática com Macau, a consolidar ainda mais e até elevar ininterruptamente a amizade tradicional”.

Montenegro disse que “Macau é uma janela importante para o sector português entrar no mercado chinês”, e que Portugal “poderá igualmente ser uma plataforma de cooperação económica e comercial para as empresas do Interior da China e de Macau entrarem no mercado europeu”. Por essa razão, deve ser reforçada “a articulação e cooperação”, a fim de se chegar, por parte dos dois territórios, “a um maior mercado”.

O governante português afirmou que o país “espera ter mais empresas chinesas e de Macau a investir em Portugal”, apostando-se na cooperação nas áreas “judiciária, cultura e turismo, promoção da língua portuguesa e quadros qualificados de alto nível”. Andreia Silva – Macau in “Hoje Macau”


quarta-feira, 22 de abril de 2026

Do “legado histórico” à relação “singular” entre Macau e Portugal

Na recepção oficial do Governo da RAEM em Portugal, Sam Hou Fai discursou na língua de Camões perante 400 convidados. Na ocasião, tanto o Chefe do Executivo como o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas destacaram o legado histórico e a relação “singular” entre Macau e Portugal, perspectivando um futuro de maior proximidade e cooperação. Emídio Sousa defendeu ainda que a comunidade portuguesa é “um elo vivo e permanente” das relações entre Portugal, Macau e a China. Antes, foi inaugurada uma exposição sobre a implementação do princípio “um país, dois sistemas”, onde José Cesário discursou, defendendo que é “essencial” dar passos para facilitar “ainda mais” o fluxo humano entre as partes


Foi em português que Sam Hou Fai decidiu discursar na recepção oficial do Governo da RAEM, que decorreu ao final da tarde de segunda-feira, em Lisboa, e contou com cerca de 400 convidados. O legado histórico das relações entre Macau e Portugal foi vincado quer pelo Chefe do Executivo, quer pelo Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa. Ambos apontaram ainda para o reforço da ligação e da cooperação, lembrando os mais de cinco séculos de história que unem Portugal e Macau, bem como a República Popular da China.

O líder da RAEM afirmou que a visita a Portugal “constitui simultaneamente um meio simbólico eficaz para transmitir o legado de tradição de amizade e uma iniciativa destinada a avançar na concretização dos importantes consensos alcançados” entre o Presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional, Zhao Leji, e o Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar Branco.

Defendendo que, desde a transferência, “Macau tem aplicado com sucesso o grande princípio de ‘um país, dois sistemas’, alcançando conquistas notáveis reconhecidas mundialmente”, apontou igualmente para “a prosperidade e a estabilidade duradouras”.

Neste âmbito – e perante membros da delegação do Governo da RAEM, representantes da delegação empresarial, representantes da Embaixada da República Popular da China em Portugal, e personalidades de diversos sectores da sociedade portuguesa -, Sam Hou Fai afirmou ainda que “todos os direitos dos residentes de Macau, incluindo os dos Macaenses de origem portuguesa, são efectivamente salvaguardados nos termos da lei”.

Por outro lado, assegurou que Macau está “cada vez mais empenhado” em “potenciar o papel singular” do território com “ponte” e como “interlocutor de precisão”, “reforçando o aperfeiçoamento dos diversos mecanismos e plataformas de cooperação sino-lusófona”. O objectivo, acrescentou, é que Macau “se torne numa plataforma importante para toda a comunidade internacional, especialmente os países de língua portuguesa”, contribuindo para a concretização de cooperações “mutuamente benéficas de nível mais elevado”.

Na ocasião, fez votos para que “a árvore da amizade entre a China e Portugal permaneça para sempre viçosa e cheia de vitalidade” e para que “a cooperação entre Macau e Portugal em todos os domínios dê frutos ainda mais abundantes”.

Afirmando que a estratégia de “Macau + Hengqin” é “cada vez mais aceite e enraizada na população”, Sam Hou Fai defendeu que “o desenvolvimento integrado entre Macau e Hengqin tem um potencial ilimitado”. Depois, convidou as pessoas presentes a visitar o Interior da China, Macau e Hengqin com vista a “descobrir as oportunidades existentes na China, a investir em Macau e Hengqin” e de olhos postos no futuro.

Já o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, começou por dizer que a decisão de Sam Hou Fai de escolher Portugal como destino da sua primeira visita oficial ao exterior “tem um forte valor simbólico”. “Interpretamos [a decisão] como um sinal inequívoco da importância que Portugal continua a ocupar no quadro das relações da RAEM. Trata-se de uma escolha que honra o nosso país e que reforça a natureza especial do vínculo que nos une. Portugal olha, como sempre olhou, com especial significado para Macau”, afirmou ainda.

Emídio Sousa assinalou que “essa relação singular assenta numa história comum de quase cinco séculos que ligou Portugal a Macau e por essa via a República Popular da China”, acrescentando que, ao longo do percurso histórico, Macau se afirmou como “espaço ideal entre culturas, sistemas e visões do mundo, desempenhando um papel único e irrepetível”. “Esse legado histórico não se encerrou com a retroversão de Macau à soberania da República Popular da China, pelo contrário, marcou o início de uma nova etapa nas relações entre Portugal e Macau, enquadrada num contexto distinto, mas firmemente ancorada nos mesmos valores da confiança mútua, respeito e amizade”, considerou.

“É sobre esse património comum que o Governo de Portugal reafirma a sua determinação em aprofundar e reforçar a ligação com Macau, em estreita articulação com as autoridades da RAEM. A amizade entre Portugal e Macau traduz-se, antes de mais, nas pessoas”, prosseguiu o Secretário de Estado, acrescentando que a comunidade portuguesa residente em Macau “é importante” e “constitui um dos pilares fundamentais desta relação, sendo um elo vivo e permanente entre as nossas sociedades”.

Cesário pede “passos” para facilitar o fluxo humano

Antes da recepção oficial, o Chefe do Executivo presidiu à inauguração da exposição “Macau, Êxitos de ‘Um País, Dois Sistemas’: Transmitir o Legado de Tradição da Amizade Sino-Portuguesa e Escrever Um Novo Capítulo do Princípio ‘Um País, Dois Sistemas’”, onde disse que Macau zela “sempre” pela defesa do princípio formulado por Deng Xiaoping.

José Cesário, presidente da Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, esteve igualmente presente na inauguração da mostra, tendo também assinalado, à semelhança do Secretário de Estado, a relevância da visita de Sam Hou Fai ao país. “Macau é um território que jamais deixará de fazer parte da nossa história, sendo essencial para a nossa presença no Oriente no passado, no presente e no futuro”, afirmou.

Cesário defendeu que é “essencial darmos passos no sentido de facilitarmos ainda mais o fluxo humano entre os nossos países e os nossos territórios”, apontando que as especificidades e a relevância das comunidades portuguesas em Macau e na China, e das comunidades macaense e chinesa em Portugal, são igualmente questões que requerem acompanhamento permanente.

Recorde-se que Macau não aceita, desde Agosto de 2023, novos pedidos de residência para portugueses, para o “exercício de funções técnicas especializadas”, permitindo apenas justificações de reunião familiar ou anterior ligação ao território. Orientações que eliminam uma prática firmada após a transição de Macau, em 1999.

Antes, tinha elogiado as “excelentes relações” entre as partes e a “a forma exemplar como a transição da administração de Macau se processou”. Numa altura em que a conjuntura política e económica globais são complexas, José Cesário assinalou a “relevância” da visita, tendo em conta o actual contexto geopolítico. Disse ainda estar certo de que resultará daqui “uma ainda maior proximidade”.

Disse ainda que “a luta pela paz a nível mundial, o entendimento entre os povos, o respeito pelo Direito Internacional e a melhoria da nossa relação política, económica e cultural serão questões que, naturalmente, estarão muito presentes nesta visita”.

Exposição mostra “forte vitalidade” do princípio “um país, dois sistemas”

Patente até 28 de Junho nas instalações da Delegação Económica e Comercial de Macau, em Lisboa, a exposição “Macau, Êxitos de ‘Um País, Dois Sistemas’: Transmitir o Legado de Tradição da Amizade Sino-Portuguesa e Escrever Um Novo Capítulo do Princípio ‘Um País, Dois Sistemas’” está dividida em seis capítulos. São eles “Prefácio”, “O princípio ‘um país, dois sistemas’ é o alicerce da Região Administrativa Especial”, “Ponte de ligação para a abertura ao exterior e janela para o intercâmbio e a aprendizagem mútua entre as civilizações”, “Zona de cooperação em Hengqin cria novo espaço de desenvolvimento para Macau”, “Sociedade harmoniosa e estável garante uma vida saudável e segura” e “Conclusão”. Através de textos em português e chinês e mais de 100 fotografias, a mostra “faz uma retrospectiva histórica, foca o presente e olha para o futuro, destacando os notáveis feitos alcançados por Macau nas áreas política, económica, social e de bem-estar da população”. São ainda exibidos vários vídeos, incluindo testemunhos de várias figuras emblemáticas que acompanharam a transição de Macau. Catarina Pereira – Portugal in “Jornal Tribuna de Macau”


segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Macau - Projecto do viaduto entre Zonas A e B procura “equilíbrio”

O projecto do viaduto entre as Zonas A e B vai mesmo avançar, sendo que o Chefe do Executivo indicou que o design está a ser aperfeiçoado. Recorde-se que a UNESCO tinha exigido uma “avaliação de impacto ambiental abrangente” e a submissão de “documentação detalhada” em relação a este projecto. “Proteger o Centro Histórico é uma missão importante”, frisou Sam Hou Fai, garantindo que a ideia é encontrar um “equilíbrio” entre património e transportes


O Chefe do Executivo disse ontem que o Governo “está a aperfeiçoar o design” do projecto do viaduto entre as Zonas A e B, “de acordo com as exigências do Centro de Protecção do Património Mundial”, sendo que o objectivo é encontrar um “equilíbrio” entre património e a necessidade de transportes. Sam Hou Fai falava à margem da recepção comemorativa do 26.º aniversário da RAEM quando garantiu ainda que o Executivo mantém uma “atitude aberta” em relação às opiniões da sociedade.

“Em Abril, já mencionei que os Serviços de Obras Públicas estão a levar a cabo o design sobre o viaduto entre as Zonas A e B, sendo que o Governo irá manter uma atitude aberta para ouvir as opiniões do público, com o objectivo de resolver a longo prazo a procura pela deslocação entre a Zona A e a Península e ao mesmo tempo contemplar a protecção do património cultural”, afirmou Sam Hou Fai em declarações aos jornalistas.

Lembrando que este ano marcou os 20 anos da inscrição do Centro Histórico de Macau no Património Mundial da UNESCO, o líder da RAEM frisou que “proteger o Centro Histórico é uma missão importante”. Sam Hou Fai apontou que a tutela dos Assuntos Sociais e Cultura, liderada pela Secretária O Lam, “está a manter contacto estreito com a Administração Estatal do Património Cultural da China e com o Centro de Protecção do Património Mundial”.

O objectivo, vincou Sam, é “garantir a continuação das vantagens de Macau de fusão cultural entre o Oriente e o Ocidente e desempenhar o papel de Macau enquanto plataforma de integração de culturas do Oriente e do Ocidente na região da Ásia-Pacífico e até em todo o mundo”.

Recorde-se que, apesar do viaduto entre as Zonas A e B dos Novos Aterros seguir o princípio “colina-mar-cidade”, o Comité do Património Mundial da UNESCO considerou que uma parte do projecto poderia violar as restrições de altura na zona do Farol da Guia, tendo instado a RAEM a realizar uma “avaliação de impacto ambiental abrangente” e submeter “documentação detalhada”. Um mês depois, em Agosto deste ano, o Instituto Cultural disse estar a acompanhar o pedido da UNESCO.

Ontem, o Chefe do Executivo notou ainda que a Zona A dos Novos Aterros vai acolher mais de 100 mil habitantes, sendo “necessário” construir um acesso entre essa nova zona e a Península. “A tutela dos transportes e obras públicas está a estudar uma ligação através do Metro Ligeiro”, afirmou.

Nas Linhas de Acção Governativa para 2026, o Secretário para os Transportes e Obras Públicas voltou a abordar o plano de desenvolvimento do Metro, indicando que está prevista uma extensão a Coloane. Raymond Tam falou ainda nas diversas linhas, incluindo a Linha Sul, que poderá ligar o posto fronteiriço de Macau na Ponte do Delta à estação ES5 da Zona A, passando pelo NAPE, lote A9 em Nam Van, Sai Van e Barra. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Macau – Chefe do Executivo espera que relações com Portugal mantenham uma “base sólida”

De visita a Macau, uma delegação da Assembleia da República portuguesa efectuou uma série de visitas a associações de matriz lusa e reuniu-se com o Chefe do Executivo. Sam Hou Fai disse esperar que as relações amigáveis entre Macau e Portugal “continuem a avançar sob uma base sólida”. Na APOMAC, José Cesário, líder da comitiva, ouviu algumas preocupações, uma das quais relacionada com o actual contexto de segurança nacional, tendo referido que as relações entre Portugal e a China “devem ser essencialmente pautadas por respeito”


O Chefe do Executivo considera que o apoio, “cada vez maior”, do Governo no ensino da língua portuguesa, na transmissão da cultura e à comunidade lusa, “demonstram plenamente os alicerces consolidados de Macau na coexistência de culturas diversificadas, e a importância e respeito dados constantemente aos direitos, interesses, costumes e tradições da comunidade portuguesa em Macau”.

As palavras de Sam Hou Fai foram proferidas no decorrer de um encontro que manteve com a delegação da Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, liderada por José Cesário, que esteve de visita ao território.

No encontro realizado na Sede do Governo, Sam Hou Fai disse igualmente esperar que “as relações amigáveis entre Macau e Portugal continuem a avançar sob uma base sólida”. Salientou ainda que a plataforma de cooperação sino-lusófona se encontra “em bom funcionamento”, com o número de estudantes que aprendem a língua portuguesa “constantemente a crescer”.

A comitiva portuguesa, que integrou deputados dos três maiores partidos, visitou várias instituições, entre as quais a Fundação Oriente, Escola Portuguesa, Santa Casa da Misericórdia, Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC) e Associação dos Trabalhadores da Função Pública (ATFPM).

Jorge Fão, presidente da assembleia-geral da APOMAC, disse ao Jornal Tribuna de Macau que a reunião serviu para discutir vários temas, entre os quais sobressaiu a segurança nacional da China e os reflexos para a comunidade portuguesa aqui residente.

“Essa questão não é só da China, Portugal também tem, assim como outros países”, começou por dizer, acrescentando que “da nossa parte temos estado a fazer o nosso papel, cumprindo os requisitos e as exigências da segurança nacional da China”.

Por essa razão, adianta, “aproveitei para pedir aos deputados que quando se dialoga com a China, ou quando se tem algum relacionamento com a China, antes de fazer algo que seja hostil, pensem na comunidade de Macau, que não é pequena, são cerca de 140.000, falantes ou não da língua portuguesa”.

O dirigente da APOMAC espera que “Portugal se associe mais com a China, seja mais assertivo em relação às suas políticas com Pequim, porque a China hoje é uma potência económica e isso não podemos ignorar”. Portugal e a sua população “só ganhariam se a política com a China fosse mais assertiva e consensual”, assinala.

Sobre este relacionamento e a questão da segurança nacional, José Cesário foi peremptório ao afirmar que “Portugal não esquece Macau” e que as relações entre Portugal e China devem ser essencialmente pautadas por respeito.

“Um respeito muito grande pela China, tão grande como aquele que nós pedimos à China que tenha por Portugal, exactamente igual”, enfatizou. Em declarações à TDM, o líder da Comissão assinalou ainda a cultura milenar dos dois países: “Temos todas as razões para nos respeitar profundamente, sem esquecer uma coisa fundamental, que é termos portugueses em Macau e na restante China, e que há muitos chineses em Portugal”.

Por sua vez, José Pereira Coutinho, presidente da direcção da ATFPM, revelou ao JTM que foram trocadas impressões “sobre assuntos relacionados com a Caixa Geral de Depósitos, a Autoridade Tributária, questões de residência e aquisição de nacionalidade”.

Durante a conversa “abordamos também as ligações aéreas entre Macau, Portugal, Europa e os países de língua portuguesa”, assim como “questões no âmbito do estreitamento de cooperação desportiva, educativa, social e gastronómica”, manifestou.

Relativamente à deslocação à Santa Casa da Misericórdia, o Provedor António José de Freitas referiu ao JTM que se tratou apenas de “uma visita de cortesia”, na qual os membros da delegação ficaram a conhecer os projectos da instituição.

A Comissão Parlamentar seguiu ontem, segunda-feira, para Hong Kong. Timor-Leste será a próxima paragem, país onde permanecerá durante dois dias. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Macau - Chefe do Executivo quer atrair empresas tecnológicas e científicas do bloco lusófono

O Chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai, quer que empresas dos sectores da tecnologia e ciência vindas dos países lusófonos se fixem no território, disse o Governo local


Sam Hou Fai apontou como objectivo para o território “atrair activamente empresas científicas e tecnológicas de excelência dos países de língua portuguesa”, de acordo com um comunicado.

O líder do Governo sublinhou que estas empresas podem estabelecer operações tanto em Macau como na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau, na vizinha Hengqin.

Esta zona económica especial, gerida em conjunto pelas autoridades de Macau e da província de Guangdong, foi lançada pelo Governo Central chinês em 2021, com uma área de cerca de 106 quilómetros quadrados.

Em sentido contrário, Sam prometeu “apoiar as empresas científicas e tecnológicas do interior da China a expandirem para o exterior”, aproveitando as vantagens de Macau e os quatro laboratórios de referência do Estado situados na cidade.

O Chefe do Executivo falava na terça-feira à noite, num encontro com o ministro da Ciência e Tecnologia chinês, Yin Hejun, que veio a Macau para assinalar a reestruturação dos quatro laboratórios.

Os laboratórios, com sede na Universidade de Macau e na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, são dedicados às áreas de medicina chinesa, ciência lunar e planetária, microeletrónica e Internet das coisas (comunicação entre objetos e aparelhos). Horas antes, Yin defendeu que os quatro laboratórios devem “aproveitar o ambiente e as vantagens de Macau”, nomeadamente a tradição de “cooperação com o exterior”, para contratar mais “talentos internacionais”.

Também na terça-feira, o Governo de Macau anunciou que Sam Hou Fai vai visitar Portugal a partir de 16 de Setembro, na primeira deslocação ao estrangeiro desde que tomou posse, em dezembro.

O Chefe do Executivo – o primeiro líder do território semiautónomo a dominar a língua portuguesa – vai visitar Lisboa e Madrid, entre 16 e 23 de setembro, indicou em comunicado o Gabinete de Comunicação Social.

Em Maio, Sam disse que a delegação enviada por Macau a Portugal e Espanha irá incluir empresários dos setores industrial, comercial e financeiro da região e “até certas empresas do interior da China”. Na mesma altura, o líder do Governo defendeu que o território tem de “receber os amigos estrangeiros para investir em Macau e também concretizar os seus sonhos em Macau”, principalmente na área da tecnologia avançada. Sam sublinhou que “podem ser provenientes dos países de língua português e espanhola”. “Desde que sejam a favor da diversificação económica, são sempre bem-vindos”, acrescentou o dirigente. Sam defendeu que os empresários locais devem “explorar os mercados de língua espanhola e portuguesa e os mercados de África e o Médio Oriente”. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quinta-feira, 12 de junho de 2025

Macau - Enaltecido “inegável contributo” dos portugueses para a RAEM

É “inegável” o “contributo” dos portugueses para o desenvolvimento da RAEM – palavras do Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, por ocasião das comemorações locais do 10 de Junho. O papel da comunidade tem sido “importante” em “múltiplos aspectos”, vincou o líder da RAEM, na recepção oficial. Já o Cônsul-Geral, Alexandre Leitão, defendeu que “nenhum povo será tão dedicado e leal a Macau” como o português, pedindo que a comunidade seja estimada


A música “Avião de Papel”, pela voz dos “Portugalitos”, o coro da Casa de Portugal, abriu a recepção oficial do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, – lado a lado com o Cônsul-Geral, Alexandre Leitão, o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, assistiu ao momento musical de sorriso no rosto. Mais tarde, enalteceu o “inegável contributo” da comunidade para o desenvolvimento da RAEM, renovou as promessas de “abertura ao exterior” e garantiu que o Governo irá manter “inalterados” por “um longo tempo” o sistema capitalista e a “maneira de viver”. Já o embaixador português falou num “propósito comum” de crescimento, diversificação de economias e internacionalização, e defendeu que “nenhum povo será tão dedicado e leal a Macau” como o português.

Depois, ouviram-se os hinos da República Popular da China e de Portugal, mas não sem antes serem lançados ao ar aviões de papel, pelas crianças que cantavam na varanda do edifício da Bela Vista. Foi então altura de “Marcha dos Voluntários” e “A Portuguesa”. Vários elementos da comunidade portuguesa e macaense marcaram presença no local, além de titulares de altos cargos, como o Comissário dos Negócios Estrangeiros da RPC em Macau, Liu Xianfa, o director-geral do Departamento de Publicidade e Cultura do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, Wan Sucheng, e o Secretário para a Administração e Justiça, André Cheong.

“Nestes últimos 25 anos em que Macau conheceu mudanças profundas, o contributo das comunidades portuguesas tem sido importante para o desenvolvimento saudável, em múltiplos aspectos, desta Região”, vincou Sam Hou Fai, durante o seu discurso. Aproveitou ainda a ocasião para agradecer “todo o apoio, esforço e cooperação” que a comunidade portuguesa tem prestado ao trabalho do Governo da RAEM, “bem como o inegável contributo que tem vindo a dar para o desenvolvimento económico e social de Macau”.

Sam Hou Fai garantiu depois que o Governo da RAEM continuará, “com o forte apoio do Governo Central”, a implementar o princípio “um país, dois sistemas” de uma forma que descreve como “abrangente, precisa e inabalável”, bem como a “cumprir a Lei Básica”. Nesse sentido, assegurou que irá manter “inalterados, por um longo tempo, o sistema capitalista e a respectiva maneira de viver, o estatuto de porto franco internacional e de zona aduaneira autónoma da RAEM e o sistema de direito europeu continental”.

No discurso que proferiu, afirmou que as autoridades continuarão a “defender as características multiculturais de Macau e a promover o desenvolvimento em todas as vertentes”, procurando assegurar e melhorar continuamente o bem-estar de todos os residentes de Macau, “incluindo as comunidades portuguesas”.

Dizendo que “os fortes e profundos laços históricos entre Portugal e Macau” já são conhecidos, encontrando-se reflectidos no Dia de Portugal, Sam Hou Fai sublinhou que se celebra também o maior poeta português, “que viveu uns anos em Macau e fez parte dos primeiros momentos deste encontro histórico de dois povos”. “Nunca é demais recordar que é por conta deste encontro centenário de culturas, nesta ‘janela para o exterior’ da China, que surge a ‘singularidade’ de Macau enquanto ‘único local do mundo que tem como línguas oficiais o português e o chinês’”, prosseguiu, citando o Presidente chinês, Xi Jinping.

Para Sam Hou Fai, a “cooperação amistosa” e “as boas relações” entre a China e Portugal “revelam um modelo exemplar de colaboração e intercâmbio entre dois países, prevalecendo sempre o respeito e consideração pelas suas diferenças sociais e culturais”. Também assinalou o reforço da cooperação entre a RAEM e Portugal nos domínios da economia e do comércio, da inovação científica e tecnológica, dos recursos humanos, dos cuidados médicos e de saúde, da educação e da cultura. E disse estar convicto de que, no futuro, serão “aprofundados, tirando-se bom proveito das características únicas de Macau”.

Aproveitando novamente as palavras do líder chinês sobre Macau como “lugar onde as culturas chinesas e ocidental se encontram”, devendo Macau “promover o intercâmbio internacional entre as pessoas”, o Chefe do Executivo reiterou o “empenho e compromisso” do Governo da RAEM na “concentração de esforços para a construção de uma plataforma de abertura ao exterior de nível mais elevado, no reforço da abertura bilateral com a Lusofonia e na promoção de uma cooperação abrangente de benefícios mútuos, que enriqueça e alargue ainda mais o papel e as funções de Macau enquanto plataforma sino-lusófona”.

“Nenhum povo será tão dedicado e leal a Macau”

Por sua vez, Alexandre Leitão, também se fez valer das palavras do Presidente da RPC, que em Dezembro, ao recordar que Macau é o único local do mundo onde o chinês e português são línguas oficiais, “reforçou a esperança numa difusão alargada e no uso generalizado do português na Administração e na sociedade da RAEM” que, prosseguiu o Cônsul-Geral, “seriam inegavelmente vantajosos para a ‘plataforma importante para a promoção da cooperação económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa’”.

Assegurando que as empresas portuguesas estão preparadas para aproveitar uma “postura mais aberta e inclusiva para intensificar os laços internacionais e aumentar a projecção e a atractividade globais e o renome de Macau como metrópole internacional”, palavras que citou novamente, o embaixador acrescentou que “todos, na RAEM, estão conscientes do contributo das empresas e dos trabalhadores portugueses para o crescimento e a qualidade dos serviços da economia” do território.

Alexandre Leitão disse ainda ao Chefe do Executivo que “pode contar com a comunidade portuguesa para participar activamente no ambicioso desígnio de diversificação económica da RAEM” e pediu-lhe que estime a comunidade: “Compreendemos bem e partilhamos o desejo de abertura. Peço-lhe que acredite, senhor Chefe do Executivo, que nenhum povo será tão dedicado e leal a Macau como o nosso. Peço-lhe, por conseguinte, que estime os portugueses, todos os de Macau e os que vêm de fora, para contribuir para um futuro de prosperidade partilhada e a realização dos grandes projectos da RAEM”.

Recordou igualmente que, ao longo de séculos, os portugueses de Macau e os que aqui foram chegando “criaram laços afectivos indeléveis a este pequeno canto da grande China”. “Um pequeno canto que se fez grande, com o contributo da comunidade portuguesa que, como em qualquer parte do mundo, é trabalhadora, ordeira, dedicada à terra onde vive e desejosa de criar condições para que os seus filhos aqui possam viver”.

Apontando que está prevista a deslocação do líder da RAEM a Portugal, o Cônsul mencionou também a intenção de, como já foi dito, realizar em breve uma Comissão Mista. Já em relação aos serviços consulares, agradeceu o trabalho da equipa, “constituída quase na íntegra por macaenses”. Depois de ultrapassados os desafios pós-pandemia no Consulado, agora é tempo de “dedicar mais tempo a outros domínios”, como “o aprofundamento das relações diplomáticas, económicas e culturais de Portugal com as RAE de Macau e Hong Kong”.

Lembrando que o Chefe tem defendido a aceleração da abertura e da diversificação da economia, Alexandre Leitão acrescentou que “Portugal tem o mesmo desígnio”, pelo que há “um propósito comum”: crescer, diversificar as economias, internacionalizando-as, para “benefício dos nossos povos”.

Na ocasião, houve ainda um outro momento musical, pela Banda da Casa de Portugal, além dos habituais petiscos, numa celebração que se estendeu até às 20h30. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


terça-feira, 15 de abril de 2025

Macau - “Cluster” de indústria médica e “Cidade Universitária” em Hengqin

Sam Hou Fai dedicou uma considerável parte das Linhas de Acção Governativa a abordar o desenvolvimento de Hengqin, tendo dito que pretende criar “um cluster da indústria médica e de saúde” na Zona de Cooperação Aprofundada. O Chefe do Executivo está também apostado em desenvolver uma “Cidade Universitária de Educação Internacional” do outro lado da fronteira



O apoio de Hengqin na diversificação da economia de Macau está ainda “aquém das expectativas” e a RAEM deve “alinhar aguerridamente nas estratégias nacionais para alcançar um melhor desenvolvimento”, defendeu ontem o Chefe do Executivo. Na apresentação das Linhas de Acção Governativa, Sam Hou Fai sublinhou que o desenvolvimento da cooperação Macau-Hengqin é uma das suas missões.

Nesse âmbito, Sam Hou Fai indicou que o Governo vai “introduzir criteriosamente tecnologias e conceitos médicos de ponta a nível internacional, construindo uma série de instituições médicas especializadas de alto nível”. A ideia é atrair “o estabelecimento de uma série de empresas tecnológicas de saúde de alta qualidade na Zona de Cooperação Aprofundada, criando um cluster da indústria médica e de saúde com características de Macau e Hengqin”.

A par disso, afirmou que será adoptado o modelo “Registo de Macau + Produção em Hengqin” para promover o “desenvolvimento integrado e profundo” da indústria de medicina tradicional chinesa de Macau e Hengqin. Ao mesmo tempo, Sam Hou Fai prometeu que se irá empenhar na “optimização do sistema da conta de comércio livre multifuncional, no impulsionamento da participação dos bancos qualificados com capitais de Macau no projecto-piloto da Zona de Cooperação, e na promoção do fluxo transfronteiriço de capitais entre Macau e Hengqin”.

Além disso, o Chefe do Executivo está também apostado em criar uma “Cidade Universitária de Educação Internacional” em Hengqin, evidenciando “as vantagens das instituições de ensino superior de Macau”. De acordo com o Relatório das LAG, a ideia é através da “internacionalização de quadros qualificados, pesquisas científicas e intercâmbio científico e tecnológico”, levar a cabo acções promocionais do desenvolvimento integrado entre Macau e Hengqin no âmbito da educação, da ciência e tecnologia e dos quadros qualificados.

“O Governo da RAEM irá proceder ao trabalho de coordenação para que as instituições de ensino superior locais qualificadas a recrutar alunos do Interior da China para cursos de licenciatura, (…) possam, recorrendo ao modelo de extensão pedagógica “Uma Universidade, Duas Zonas”, realizar trabalhos preparatórios para criação do novo campus universitário na Zona de Cooperação, com o objectivo de criar um ambiente pedagógico que esteja uniformizado com o de Macau, e de configurar um projecto piloto de integração de Macau com Hengqin no âmbito do ensino superior”, afirmou.

Sam Hou Fai disse ainda que serão também “envidados esforços para obter autorização para construir mais Laboratórios de Referência do Estado”. A Universidade de Macau (UM) será a primeira a implementar o modelo de extensão pedagógica na Zona de Cooperação. O líder da RAEM disse ontem que, apesar de a UM já ter o terreno, não tem dinheiro para iniciar a construção, sendo também essa uma das razões pelas quais o orçamento para 2025 precisa de ser revisto.

Em relação a Hengqin, o Chefe disse ainda que serão destacados mais trabalhadores da Administração Pública de Macau para trabalharem na Comissão Executiva e nas diversas estruturas de trabalho. Sam Hou Fai frisou ainda que a RAEM vai “promover de forma proactiva” o projecto-piloto de contratação de juízes de Macau para desempenharem funções de juízes não permanentes nos tribunais de Hengqin.

Mais produtos lusófonos na Grande Baía

Na apresentação das Linhas de Acção Governativa, o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, garantiu que o Governo vai promover “o acesso de mais produtos dos países de língua portuguesa ao mercado da Grande Baía”. Segundo disse, será maximizada, “de forma plena”, a função do “Pavilhão de Exposição da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, transformando Macau num “Ponto de partida” para os produtos lusófonos no acesso ao mercado da Grande Baía. Sam Hou Fai disse também que serão realizados diversos tipos de Convenções e Exposições, “no sentido de criar mais cenários para o aprofundamento da conectividade entre as nove cidades da Grande Baía e os países de língua portuguesa”. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quarta-feira, 2 de abril de 2025

Macau - Chefe do Executivo desafia empresas de Zhongshan a aproveitarem vantagens da Região

Sam Hou Fai recebeu, na tarde de segunda-feira, Guo Wenhai, secretário do Comité Municipal de Zhongshan do Partido Comunista Chinês e presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Municipal de Zhongshan. No encontro, foram discutidas formas de aprofundamento da cooperação entre as duas cidades.



Na reunião, o Chefe do Executivo lembrou que “Macau e Zhongshan têm mantido uma relação estreita e boa, o intercâmbio e a cooperação em várias áreas numa base sólida”. Sam Hou Fai disse ainda acreditar “que ambas as partes irão continuar o princípio de benefícios mútuos, potenciar as suas próprias vantagens das indústrias, impulsionar de forma abrangente, o reforço da cooperação dos dois territórios na área da economia e comércio, biomedicina, cultura e turismo, tecnologia de ponta e ensino superior, entre outras”.

Por outro lado, indicou que a entrada em funcionamento da Ponte Shenzhen-Zhongshan tornou mais próximas as ligações entre as cidades da Grande Baía e disse esperar que a facilitação dos transportes possa “impulsionar ainda mais fluxo de visitantes dentro da Grande Baía, demonstrando os novos resultados da cooperação regional”.

Por fim, pediu para as empresas de Zhonshan aproveitarem melhor as “vantagens de Macau como Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, alargando a relação de cooperação com os países de língua portuguesa na área de comércio e investimento”. In “Ponto Final” - Macau


sábado, 25 de janeiro de 2025

Macau - Chefe do Executivo promete impulsionar cooperação sino-lusófona

O Chefe do Executivo garantiu que vai continuar a impulsionar a cooperação entre a China e os países lusófonos através da plataforma de Macau. Sam Hou Fai também adiantou que este ano vai liderar delegações da RAEM em visitas quer a países da lusofonia quer a países do Sudeste Asiático

O Governo organizou, na noite de terça-feira, um jantar de recepção aos cônsules-gerais da RAEM e aos delegados dos países de língua portuguesa junto do Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Na ocasião, o Chefe do Executivo sublinhou a importância das relações sino-lusófonas e com os países do Sudeste Asiático.

No discurso proferido na ocasião, Sam Hou Fai começou por lembrar, mais uma vez, as palavras de Xi Jinping aquando da sua passagem por Macau, nomeadamente a exigência de que a RAEM reforce a “conectividade tanto com o continente como com o resto do mundo”. Assim, dirigindo-se aos cônsules e delegados presentes, o Chefe do Executivo garantiu que Macau “irá certamente proporcionar novas oportunidades e plataformas para o estreitamento de relações de cooperação”.

“Macau irá tirar pleno partido das próprias vantagens únicas para reforçar a sua função de conexão, tanto com o continente como com o resto do mundo, para desempenhar melhor o seu papel enquanto ponte e plataforma”, afirmou.

O líder do Governo apresentou então algumas ideias para pôr em marcha esse foco na cooperação. A primeira das quais é “continuar a impulsionar com empenho a cooperação entre a China e os países lusófonos”. “Macau, sendo a única região no mundo que tem o chinês e o português como línguas oficiais, desempenha um papel importante de plataforma na promoção da cooperação económica e comercial estabelecida entre a China e os países de língua portuguesa”, referiu, acrescentando que, “no processo de abertura e intercâmbio da RAEM com o exterior, é muito importante e tem um significado relevante a manutenção do intercâmbio e cooperação com os países de língua portuguesa”.

Sam Hou Fai lembrou também que, entre Janeiro e Novembro do ano passado, as trocas comerciais entre a China e os países lusófonos atingiram 208,6 mil milhões de dólares americanos, um aumento de 4,35% em comparação com o período homólogo de 2023, tendo-se registado “resultados frutíferos” em várias áreas de intercâmbio e cooperação, como as áreas humanas da ciência e tecnologia, ensino, saúde e turismo. No futuro, a ordem é para “enriquecer e alargar mais” o papel e as funções da plataforma sino-lusófona.

Outro desígnio apresentado pelo Chefe do Executivo tem a ver com o intercâmbio entre a RAEM e os países do Sudeste Asiático. “A RAEM e os países do Sudeste Asiático, incluindo as Filipinas, geograficamente próximos, têm uma cooperação económica e comercial estreita, com intercâmbio intenso de pessoas e na área cultural, sendo tradicionalmente bons vizinhos e bons parceiros”, assinalou o Chefe, notando que a população filipina na RAEM equivale a cerca de 5% do total, dando “contributos valiosos para o desenvolvimento socioeconómico de Macau”.

“Temos de aproveitar esta boa base de cooperação tradicional para, em conjunto com os países do Sudeste Asiático, agarrar novas oportunidades, explorar mais potencialidades de cooperação em todas as vertentes e fomentar maiores progressos na cooperação entre Macau e os países do Sudeste Asiático”, frisou Sam.

Por fim, Sam Hou Fai disse esperar que se intensifique o intercâmbio e que se aperfeiçoem os mecanismos de cooperação, “no sentido de alavancar de forma abrangente o intercâmbio e cooperação ao nível do sector privado”. O Chefe do Executivo adiantou ainda que este ano vai liderar delegações da RAEM em visita a países de língua portuguesa e do Sudeste Asiático para “impulsionar a cooperação” em diversas áreas. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”


sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Macau - Casa de Portugal otimista quanto à língua portuguesa na Região apesar de “mau sinal”

A presidente da Casa de Portugal em Macau permanece otimista quanto ao papel da língua portuguesa, mas descreveu a ausência de tradução, hoje, do primeiro discurso do novo líder da região como "um mau sinal"



Durante uma cerimónia a celebrar o 25.º aniversário da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), o novo chefe do Executivo, Sam Hou Fai, discursou em cantonês, não tendo sido disponibilizada qualquer tradução para português.

Sam, que tomou posse esta manhã, é o primeiro dirigente que domina a língua portuguesa a liderar a RAEM, criada na sequência da transição de administração de Portugal para a China.

“Fiquei desiludida e não fui a única. É de facto um mau sinal de início, não haver tradução, no primeiro discurso do chefe do Executivo”, disse à Lusa Maria Amélia António.

Apesar de ser “profundamente lamentável”, a presidente da Casa de Portugal em Macau disse esperar “que tenha sido um acidente pontual” e que “não se repita”.

Questionado pela Lusa, o Gabinete de Comunicação Social do Governo de Macau não fez qualquer comentário.

Horas antes, na tomada de posse do novo Governo local, Xi sublinhou que Macau, como “o único local do mundo que tem como línguas oficiais o português e o chinês”, tem de aproveitar “a sua singularidade” para servir de “plataforma entre a China” e os países lusófonos.

“Isto não tem discussão. Está ali dito, preto no branco e claro. E, portanto, como língua oficial [a língua portuguesa] tem de ser tratada de outra forma daquela que tem sido tratada até agora”, defendeu Maria Amélia António, antes do discurso de San Hou Fai.

A também advogada considerou que o papel da comunidade portuguesa vai depender “imenso daquilo que for capaz de fazer, da qualidade do trabalho que desenvolver”.

Cerca de 155 mil pessoas têm nacionalidade portuguesa em Macau e Hong Kong, disse à Lusa na terça-feira o cônsul-geral de Portugal nas duas regiões semiautónomas chinesas, Alexandre Leitão.

De acordo com os últimos censos realizados no território de 2021, há mais de 2200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau.

A comunidade portuguesa “tem um papel fundamental na manutenção de todas as características de Macau”, nomeadamente como uma ligação aos países lusófonos, sublinhou Maria Amélia António.

O território tem “desempenhado um papel muito importante ao longo da história” da China, como “uma janela para o exterior”, “aproveitando a sua vantagem única de ser a mistura de diferentes culturas”, disse Xi Jinping.

Mas o chefe de Estado sublinhou que Macau precisa de “uma atitude mais tolerante, mais aberta, de estabelecer mais laços de cooperação com o exterior”, para “projetar a imagem” da região no exterior e ter “o seu lugar no palco internacional”.

O líder chinês defendeu a necessidade de “renovar as leis que têm a ver com o comércio” de forma a “atrair mais recursos e investidores internacionais”. In “Plataforma” - Macau


segunda-feira, 14 de outubro de 2024

Macau - Sam Hou Fai confirmado como o próximo Chefe do Executivo da RAEM

Está confirmado: Sam Hou Fai vai liderar o sexto Governo da RAEM. Dos 400 membros da comissão eleitoral, 394 votaram no antigo presidente do Tribunal de Última Instância, fazendo dele o candidato que mais votos angariou em eleições ao cargo de Chefe do Executivo da região. Após a votação, Sam Hou Fai jurou fidelidade ao Governo Central e salientou que quer reforçar a ligação de Macau à comunidade internacional e à lusofonia, em particular


Sam Hou Fai foi ontem confirmado como o próximo Chefe do Executivo da RAEM. O antigo presidente do Tribunal de Última Instância (TUI) era o único candidato e conseguiu 394 dos 400 votos possíveis dos membros da comissão eleitoral. A votação decorreu na manhã de ontem, no Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

Pelas 10h, os responsáveis da Comissão de Assuntos Eleitorais do Chefe do Executivo (CAECE) deram início aos trabalhos, salientando que a comissão eleitoral – órgão de 400 membros que tem como responsabilidade eleger o líder do Governo da região em representação de toda a população de Macau – é “amplamente representativa” de toda a sociedade da região.

Fila a fila, os membros foram-se dirigindo às oito urnas colocadas na sala para exercerem o direito de voto. A votação terminou e, ao longo da meia hora seguinte, foram lidos os votos plasmados nos boletins, repetindo-se por 394 vezes o nome “Sam Hou Fai”. Pelo meio, houve ainda quatro votos em branco – houve ainda dois membros da comissão que estiveram ausentes. Isto significa que Sam Hou Fai conseguiu uma taxa de aprovação de 98,5% dos membros da comissão eleitoral.

Assim, Sam Hou Fai conseguiu mais dois votos favoráveis do que Ho Iat Seng nas eleições de 2019, o que se traduz em mais 0,5 pontos percentuais. Em 2014, Chui Sai On obteve 380 votos a favor, ou seja, 95% dos votos da comissão. No escrutínio anterior, em 2009, a comissão eleitoral era composta por 300 membros e Chui Sai On obteve 282 votos, o que dá uma percentagem de aprovação de 94%. Já em 2004, também com os 300 membros da comissão, Edmund Ho conseguiu 296 votos a favor, o que dá a mais alta taxa de aprovação das eleições para o cargo: 98,6%. Todas estas eleições tiveram apenas um candidato. Apenas a primeira eleição para Chefe do Executivo da RAEM, em 1999, teve dois candidatos: Edmund Ho (81,9% dos votos) e Stanley Au (17%).

“A maior honra para a minha vida”

Após a eleição, Sam Hou Fai foi ovacionado e depois proferiu um discurso. “É uma grande honra para mim e a maior honra para a minha vida”, afirmou o Chefe do Executivo indigitado.

Sam Hou Fai lembrou que, ao longo das duas últimas semanas de campanha, foram ouvidos responsáveis de 108 associações e instituições sobre o futuro desenvolvimento de Macau, foram também visitados bairros comunitários e auscultadas as opiniões de moradores, comerciantes, vendilhões e jovens, por exemplo. “Todo o encorajamento dos cidadãos ao longo do caminho deixou-me comovido e foi o vosso apoio caloroso que me deu grande força e confiança. Agradeço aos cidadãos pela confiança e o reconhecimento que depositaram em mim, o que me fez sentir uma grande responsabilidade”, afirmou o antigo presidente do TUI.

No discurso de vitória, Sam Hou Fai assegurou que vai “assumir com firmeza esta grande responsabilidade”, cumprindo “com fidelidade” as suas ideias de candidatura e o seu programa político, “tendo como objectivo máximo satisfazer as expectativas dos cidadãos por uma vida melhor, como orientação fundamental implementar o princípio ‘um país, dois sistemas’ de forma plena, correcta e firme, como princípio supremo defender a soberania, a segurança e os interesses do desenvolvimento do país”. A meta é, referiu, “acelerar a promoção da diversificação económica, e melhor integrar-se e servir a conjuntura do desenvolvimento nacional”.

Por outro lado, Sam comprometeu-se a “unir e liderar todos os sectores da sociedade e a população”, de forma a “melhor desempenhar o papel de orientação do Governo, mobilizar a iniciativa, o entusiasmo e a criatividade de todos, auscultar as opiniões da população, reunir a sabedoria e as forças da população, promover o desenvolvimento integral dos assuntos sociais, económicos, culturais e relacionados com a vida da população de Macau”.

“Em prol da população, de Macau e do país, e tomando como núcleo o Estado de Direito, irei continuar a defender a justiça e a imparcialidade sociais, a proteger a vontade da população, a elevar constantemente a capacidade de gestão pública e o nível de governação”, prometeu, sublinhando que o objectivo é “não defraudar as expectativas que os cidadãos depositam” em si.

Sam Hou Fai, que será o primeiro Chefe do Executivo da RAEM não nascido em Macau, frisou que trabalha e vive na região há 38 anos. “Desde que construí a minha família e até aos dias de hoje, em que três gerações vivem sob o mesmo tecto, o amor e apoio da minha família têm sido o meu respaldo mais forte”, destacou. “Dedico-me de corpo e alma a esta cidade e aos seus habitantes, sempre com gratidão e amor, sem desiludir os tempos modernos e a sociedade em que vivemos e sem defraudar a confiança dos cidadãos de Macau”, concluiu.

Integração na conjuntura nacional, laços com a lusofonia e directrizes de Pequim

Depois do discurso, houve ainda uma conferência de imprensa que durou 45 minutos e em que foram apenas permitidas seis questões por parte de jornalistas. Aqui, foi questionado o papel de Macau e a sua integração na conjuntura de desenvolvimento nacional. Na resposta, Sam Hou Fai começou por salientar que a RAEM “é parte inalienável da República Popular da China” e subordinada ao Governo Central”.

“O desenvolvimento de Macau partilha o mesmo destino do desenvolvimento do país. Nestes últimos 25 anos desde o retorno de Macau à pátria, Macau tem persistido na política ‘um país, dois sistemas’ com grande apoio da população e do país. O Governo da RAEM tem obtido resultados frutíferos no seu desenvolvimento ao persistir no princípio ‘um país, dois sistemas’, tem obtido confiança do Governo Central e no palco internacional, confirmando grande vitalidade desta política”, destacou o futuro líder da RAEM.

Sobre a estratégia de integração de Macau na conjuntura de desenvolvimento do país, Sam Hou Fai indicou que isso significaria maximizar as “vantagens singulares” de Macau. “O tempo tem vindo a mostrar que esta política é adequada para o desenvolvimento de Macau, é uma ordem constitucional e temos de aproveitar bem as nossas vantagens”, disse.

Por outro lado, Sam Hou Fai também disse que a RAEM tem de trabalhar para estabelecer uma melhor ligação com a comunidade internacional, em específico com a comunidade de língua portuguesa. Sam referiu que quer que o seu Governo promova mais a cooperação entre a China e os países de língua portuguesa.

O próximo Chefe deixou claro que “Macau tem de seguir plenamente o princípio ‘um país, dois sistemas’, manter uma boa relação com o Governo Central e respeitar todas as suas directrizes, ao mesmo tempo que põe em prática o “alto grau de autonomia” que o princípio de Deng Xiaoping prevê.

Sam Hou Fai indicou que a sociedade espera que o seu Governo possa melhorar a vida da população em aspectos como a educação, a saúde, os transportes, medidas para os idosos e também para fazer face à baixa taxa de natalidade, por exemplo. O líder eleito assegurou que as opiniões que foram sendo recebidas ao longo das semanas de campanha serão compiladas e analisadas com a sua futura equipa governativa.

Outro dos assuntos que Sam Hou Fai promete analisar melhor é o da economia nos bairros comunitários, nomeadamente a quebra de negócio das pequenas e médias empresas. Explicando que actualmente vive-se um momento de mudança no consumo, após a pandemia, Sam apontou que o seu Governo “irá estudar, em conjunto com o sector comerciais e através das associações e com comerciantes dos bairros antigos, como é que se pode melhorar o ambiente de negócios”. “As pequenas e médias empresas enfrentam problemas de longo prazo. Espero que possamos encontrar fórmula duradoura e saudável”, disse.

Sam respondeu também a uma pergunta de um membro de um órgão de comunicação social do interior da China em mandarim para agradecer o apoio prestado pelas autoridades do Continente: “É muito importante o apoio do país”.

Sam Hou Fai irá tomar posse no dia 20 de Dezembro, dia do 25.º aniversário do estabelecimento da RAEM. Ho Iat Seng, recorde-se, anunciou que não se iria candidatar a um segundo mandato devido a problemas de saúde – esta é a primeira vez na história da RAEM que um Chefe do Executivo não governa dois mandatos. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”




segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Macau - Atribuição de Bilhete de Identidade de Residente abordada no encontro entre Casa de Portugal e Sam Hou Fai

Foi em Língua Portuguesa que Sam Hou Fai orientou a conversa que manteve com uma delegação da Casa de Portugal. De entre os temas abordados, destaque para a questão das restrições na atribuição do BIR a nacionais portugueses que venham trabalhar para Macau. Amélia António disse ao candidato a Chefe do Executivo que os novos procedimentos “criam muitas dificuldades”. De resto, na reunião de cerca de uma hora, o ex-presidente do TUI ficou a conhecer, de uma forma generalizada, as acções organizadas pela associação de matriz portuguesa. “O encontro foi extremamente positivo”, revelou a dirigente ao Jornal Tribuna de Macau


A Casa de Portugal foi mais uma associação portuguesa a ser ouvida pelo candidato a Chefe do Executivo da RAEM, no seu périplo de auscultação e diálogo com vários sectores da sociedade local, neste caso ouvindo organismos com relevância na comunidade lusa do território.

O encontro de Sam Hou Fai com uma delegação da Casa de Portugal, liderada pela sua presidente Amélia António, durou cerca de uma hora e, de entre os temas abordados, a questão das restrições na atribuição do BIR a portugueses que vêm para Macau trabalhar “mereceu a atenção por parte do candidato”, segundo referiu a responsável pela Casa de Portugal ao Jornal Tribuna de Macau.

Amélia António lembrou as dificuldades encontradas a partir do momento em que as novas orientações foram difundidas. “Levantei essa questão, salientando que a alteração tinha complicado muito a vida das pessoas, concretamente para aquelas que pretendíamos aqui trazer para a realização das nossas actividades”, referiu.

A também advogada disse a Sam Hou Fai que “saiu muita gente qualificada e que essas saídas são difíceis de substituir, uma vez que, nas condições actuais, é muito difícil as pessoas aceitarem vir”. O candidato “ouviu com atenção a nossa opinião e tomou notas”, sublinha a dirigente.

A conversa – que foi mantida em Português, por iniciativa de Sam Hou Fai, uma vez que tem algum domínio da língua de Camões, na sequência dos anos em que estudou em Coimbra – abrangeu outros temas. O candidato quis perceber quais as áreas de intervenção da Casa de Portugal, que fontes a sustentam, como sobrevive.

“Falámos das nossas actividades, das oficinas, entre outras acções, ainda que de uma forma mais generalizada, tendo sido um pouco um encontro para levantar ideias”, diz Amélia António, acrescentando ter falado das dificuldades em termos de instalações.

“Dissemos-lhe que nos encontrávamos a desenvolver as oficinas num prédio industrial e das rendas estarem sempre a subir, o que implica pedir mais apoios”. A presidente da Casa explicou a Sam Hou Fai que “esse apoio, que podia ser mais bem canalizado, acaba, numa grande parte, por ser gasto nas instalações”, observando que a possibilidade dessas instalações serem colocadas em locais da administração “daria outra estabilidade”.

Por outro lado, foi mencionada a ligação que existe com os portugueses. “Falou do sistema jurídico, da cultura, porque 500 anos de língua e cultura portuguesas não é uma coisa que seja para destruir, pelo contrário, é um valor também para a RAEM, portanto, são coisas para preservar e que o candidato fez questão de reforçar”, expressou a dirigente, para quem, “ao nível das intenções, o encontro foi extremamente positivo”. Para o futuro, “veremos”, mas “há que reconhecer que ele não tem uma varinha mágica para resolver todos os problemas e terá certamente, enquanto Chefe, condicionamentos”, sustenta Amélia António.

No balanço da conversa e falando da receptividade do candidato a sexto mandato de Chefe do Executivo, Amélia António destaca, acima de tudo, a “atitude de interesse” manifestada por Sam Hou Fai. “Mostrou interesse em saber coisas que se falaram, de fazer mais uma pergunta ou outra para ficar a conhecer melhor, portanto, teve uma atitude positiva de uma pessoa interessada em saber, em perceber”, reforça.

Reforço da integração cultural sino-portuguesa

Em nota oficial do gabinete de candidatura, é referido que os representantes presentes na reunião “expressaram a sua concordância e apoio total ao programa político de Sam Hou Fai, e realizaram uma troca de opiniões, tendo em consideração as actividades desta associação”.

O texto assinala que “a Casa de Portugal em Macau enfatizou a vantagem única de Macau em termos da integração cultural sino-portuguesa, afirmando que a associação não só serve a comunidade portuguesa no território, mas também os cidadãos de Macau de todas as camadas”.

A Casa sugeriu, indica o comunicado, “que o Governo deveria fazer uma revisão das políticas de financiamento às associações, optimizar os procedimentos administrativos, aumentar o investimento em projectos de promoção e formação da cultura e língua portuguesa, esperando que se dê maior importância ao cultivo de talentos”.

Para além disso, é importante que se “promova o desenvolvimento da cultura, arte e artesanato portugueses, e que se aperfeiçoem as políticas atinentes ao trabalho e à formação de professores de origem portuguesa em Macau, que se conservem a diversidade cultural e a continuação dos valores jurídicos característicos do direito continental europeu”.

Sam Hou Fai “agradeceu as opiniões e elogiou o trabalho da Casa de Portugal em Macau em promover a cultura, arte e língua portuguesa”. O candidato “acredita que o enriquecimento constante do conceito de ‘uma base’ requer o esforço conjunto de todas as etnias de Macau”.

Apontou ainda que, “em resposta ao desenvolvimento dos tempos, a RAEM precisa de proceder à modernização da legislação, e enfatizou a importância de dar continuação aos princípios jurídicos fundamentais com características do direito continental europeu, afirmando, por outro lado, que de acordo com a Lei Básica, os interesses dos descendentes portugueses em Macau são protegidos, devendo as suas tradições e culturas ser respeitadas”.

A delegação da Casa de Portugal integrou, para além da presidente, também João Costa Antunes, responsável pela mesa da assembleia-geral, Armindo Vaz, presidente do Conselho Fiscal, e as secretárias Diana Soeiro e Andrea Aleixo.

Sam Hou Fai teve, entretanto, outros encontros, sempre acompanhado pelo seu representante, Lei Wun Long, e pelo chefe da sede de candidatura, Ip Sio Kai. Recebeu uma delegação de 11 elementos da Aliança de Povo de Instituição de Macau, que fizeram sugestões sobre diversas áreas, incluindo, Administração Pública, desenvolvimento económico, aperfeiçoamento do sistema de garantia de aposentação e do mecanismo de pensão para idosos, políticas de habitação pública. A Aliança de Povo apresentou ainda vários relatórios de pesquisa, entre os quais o “Estudo sobre o Índice de Bem-Estar da RAEM desde o Retorno”.

O candidato único conversou igualmente com dirigentes da Federação de Médico e Saúde de Macau e da Aliança de Sustento e Economia de Macau e deslocou-se à Associação de Beneficência Tung Sin Tong. Vítor Rebelo – Macau – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”