Dados do World Economic Outlook mostram protagonismo do Sul Global na economia mundial
Os dados mais recentes do World Economic Outlook, divulgados
pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em outubro de 2025, revelam uma
mudança estrutural profunda na economia global. Considerando o PIB em Paridade
do Poder de Compra (PPC) — indicador que mede o tamanho real das economias ao
levar em conta o custo de vida interno —, o ranking de 2026 confirma que o eixo
do crescimento mundial já não está concentrado no Ocidente.
A China permanece como a maior economia do planeta
em termos reais, respondendo por 19,84% do PIB mundial. Mesmo com uma
desaceleração gradual, o país mantém uma liderança sólida baseada em mercado
interno robusto, cadeia industrial completa e forte presença no comércio
global. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com 14,52%,
ainda como potência central, mas com peso relativo em declínio frente às
economias emergentes.
O grande destaque do ranking é a Índia, que já
concentra 8,73% da economia mundial, consolidando-se como a terceira
maior economia do planeta. A combinação entre demografia favorável, expansão
industrial e crescimento do consumo interno sustenta a ascensão indiana no
longo prazo.
A Rússia ocupa a quarta posição, com 3,35%
do PIB global, à frente de todas as grandes economias europeias. O resultado
evidencia a capacidade do país de reorganizar sua economia apesar das sanções
ocidentais, ampliando laços comerciais com a Ásia, o Oriente Médio e o Sul
Global.
Entre as economias tradicionais, Japão (3,16%),
Alemanha (2,89%), França (2,12%) e Reino Unido
(2,10%) seguem relevantes, mas com participação cada vez menor no PIB
mundial, reflexo de baixo crescimento, envelhecimento populacional e limitações
estruturais.
Dois países do Sul Global reforçam a mudança de eixo
econômico: a Indonésia, com 2,44%, e o Brasil, com 2,35%,
figuram entre as dez maiores economias do mundo. No caso brasileiro, o
desempenho reflete o peso do mercado interno, do agronegócio e a maior
integração com os países do BRICS.
Os números do FMI confirmam que o
século XXI é marcado pela consolidação de um mundo multipolar, no qual o
protagonismo econômico se desloca de forma acelerada para a Ásia e o Sul
Global. Yuri Ferreira – Brasil in “Revista Fórum”
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