Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Alemanha - “Sinais claros de desindustrialização” – empresas de médio porte estão cada vez mais a transferir a produção para o exterior, alerta a DIHK

Cada vez mais empresas alemãs estão a transferir a sua produção para o exterior. Os motivos são o aumento dos custos, os altos impostos e a burocracia. A presidente da Câmara Alemã de Indústria e Comércio (DIHK), Melnikov, vê isso como um sinal de alerta para empregos, investimentos e para a indústria alemã


A Associação Alemã das Câmaras de Indústria e Comércio (DIHK) alerta para um êxodo crescente de empresas alemãs para o exterior. "O perigo é real", disse Helena Melnikov, diretora-geral da DIHK, à Reuters no domingo. O setor industrial, em particular, está sob imensa pressão. "Estamos vendo claros sinais de desindustrialização: empresas de médio porte estão a realocar a sua produção ou a fechar completamente", afirmou Melnikov.

Desde 2019, 400 mil empregos industriais já foram perdidos. Em 2025, houve mais de 1600 falências somente no setor industrial – o maior número em doze anos. "Este é um sinal de alerta para a Alemanha como local de negócios", enfatizou a CEO da Associação das Câmaras de Indústria e Comércio Alemãs (DIHK). As causas, segundo ela, são o aumento dos custos de mão de obra e energia, os altos impostos corporativos e a ainda enorme burocracia. "Se os formuladores de políticas não tomarem medidas decisivas, corre-se o risco de uma forte perda de valor agregado e empregos", afirmou Melnikov.

Ela apontou para as perspectivas económicas fracas. A DIHK (Associação das Câmaras de Indústria e Comércio Alemãs) prevê um crescimento de apenas 0,7% para 2026. "Isso não é uma recuperação, mas um número mínimo, em parte devido ao facto de que haverá menos feriados em dias úteis em 2026", enfatizou a especialista da DIHK. "Após três anos sem crescimento económico, este é um sinal fraco." A pesquisa económica atual da DIHK, que abrange cerca de 23.000 empresas, mostra que apenas 15% dos negócios esperam uma melhoria. Uma em cada três empresas planeia cortar investimentos e uma em cada quatro pretende reduzir o quadro de funcionários. "Falta o impulso necessário para uma recuperação real", disse Melnikov. "As reformas implementadas até agora não estão a chegar às empresas."

Os cortes nas taxas de juros do Banco Central Europeu (BCE), por si só, não fornecerão estímulo suficiente. Eles não substituem as reformas urgentemente necessárias na Alemanha. "Empresas que não enxergam uma perspectiva de longo prazo não investirão, mesmo com custos de financiamento mais baixos", afirmou a CEO da Associação das Câmaras de Indústria e Comércio Alemãs (DIHK). O BCE reduziu a sua taxa básica de juros para metade, de 4% para 2%, entre meados de 2024 e meados de 2025. Manteve-a inalterada no segundo semestre do ano devido aos riscos inflacionários existentes. InWelt” – Alemanha com “Reuters”


segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Brasil - Desindustrialização em marcha

São Paulo – Estudo preparado pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), divulgado pelo jornal Valor Econômico, mostra que o Brasil está em franco processo de desindustrialização, em razão de uma opção tomada pelos últimos governos em favor do setor primário e da exploração dos recursos naturais, em detrimento do setor industrial.

Segundo o documento, entre 2016 e 2020, o número de indústrias competitivas, que são aquelas que exportam mais que a média mundial, caiu de 196 para 167, enquanto a participação dos produtos primários ligados ao agronegócio aumentou de 37,2% para 44,3%. Como se sabe, a exploração descontrolada de produtos ligados ao agronegócio pode causar maior intensidade de emissões de gases de efeito estufa e de degradação ambiental, o que já tem causado protestos por parte de países que defendem uma política ambientalista mais saudável.

Ainda que, a princípio, não se possa condenar as atividades ligadas ao agronegócio, que, nos últimos tempos, têm garantido o superávit na balança comercial, a verdade é que só os produtos de média e alta tecnologia são capazes de estimular o crescimento do número de empregos, movimentar o mercado interno e, ao mesmo tempo, dar impulso à importação dos insumos necessários para a agregação de valor aos equipamentos. E, portanto, mereceriam uma política mais focada que viesse a interromper o atual processo de desindustrialização.

De acordo com o estudo, os produtos de média tecnologia reduziram sua participação na pauta exportadora de 20,2%, em 2016, para 14,2%, em 2020, enquanto as exportações neste setor diminuíram 16,7%. Já os produtos de alta tecnologia registraram uma queda de 5,2% para 3,1% naquele período. No total, a redução nas exportações foi a mais elevada (30,6%). Enquanto isso, os produtos com menor intensidade tecnológica tiveram um elevado crescimento, especialmente aqueles ligados aos segmentos de ouro, madeira bruta, petróleo, soja e milho.

Obviamente, não haveria razão para se citar o aumento da exportação de produtos primários, provocado também pela demanda mundial por commodities, desde que não houvesse ocorrido uma queda brutal nas vendas para o exterior dos produtos industrializados. Para piorar, há as despesas que resultam do chamado custo Brasil, ou seja, um conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas, trabalhistas e econômicas que atrapalham o crescimento do País, influenciam negativamente o ambiente de negócios e encarecem os preços dos produtos nacionais e os custos de logística.

Essas despesas representam mais de 30% do preço final dos manufaturados, tornando-os pouco competitivos no mercado externo. Apesar disso, até agora. não houve uma resposta firme por parte do governo para essa questão. Para explicar a queda, naturalmente, também é exercida a desculpa da pandemia de coronavírus-19, que teria provocado redução na procura mundial por bens manufaturados.

Embora atualmente haja elevada tecnologia na extração de produtos primários, especialmente nos do setor agrícola, o problema é que essas atividades promovem a concentração da riqueza gerada, ou seja, criam poucos empregos, estimulando a migração das pessoas do campo para as áreas urbanas, o que acelera as questões sociais, com o aumento da população de rua.

Diante disso, só resta ao País aguardar as tão anunciadas (e sempre adiadas) reformas, que passam pela queda da carga tributária, modernização e ampliação da infraestrutura, diminuição dos custos de financiamento, redução da burocracia e da insegurança jurídica e investimentos em pesquisa e qualificação profissional. Se essas reformas já tivessem sido feitas há uma ou duas décadas, hoje o Brasil estaria colhendo os frutos do desenvolvimento. E o pior é que, diante da atual baixa qualidade intelectual da representação pública, não se pode esperar muito. Por enquanto. Liana Martinelli - Brasil

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Liana Lourenço Martinelli, advogada, pós-graduada em Gestão de Negócios e Comércio Internacional, é gerente de Relações Institucionais do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional. E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br