Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Portugal - Investigação da Universidade de Coimbra revela presença generalizada de microplásticos nos rios Mondego e Vouga

Uma equipa internacional liderada pelo Centro de Ciências do Mar e do Ambiente da Universidade de Coimbra (MARE-UCoimbra) identificou a presença generalizada de microplásticos nos rios Mondego e Vouga, dois dos principais sistemas fluviais da região Centro de Portugal.


O estudo, publicado na revista científica Journal of Hazardous Materials: Plastics, analisou microplásticos em suspensão na coluna de água destes dois rios, tendo sido detetados em todos os locais de amostragem. Os resultados confirmam que a poluição por plásticos está amplamente disseminada, mesmo em ecossistemas de água doce no interior do território.

O estudo, que resulta numa colaboração entre a Universidade de Coimbra (UC) e o Indian Institute of Science Education and Research Kolkata, identificou variações nos níveis de contaminação associadas a diferentes pressões antrópicas, incluindo atividades urbanas, turismo, agricultura e infraestruturas.

A maioria das partículas detetadas apresentava dimensões inferiores a um milímetro, sendo as fibras o tipo mais comum. Entre os polímeros mais frequentes destacam-se o polietileno e o polipropileno, amplamente utilizados em embalagens e plásticos de uso único.

Para além da quantificação da contaminação, a investigação incluiu uma avaliação do risco ecológico com base em índices internacionais de poluição e perigo. Apesar de concentrações globais moderadas, várias zonas dos rios Mondego e Vouga apresentaram níveis de risco entre baixo e potencialmente elevado, sobretudo devido à presença de partículas pequenas, mais facilmente transportadas e ingeridas por organismos aquáticos.

Segundo Seena Sahadevan, líder do estudo e investigadora do MARE e do Departamento de Ciências da Vida da UC, “este trabalho fornece informação de base importante sobre a contaminação por microplásticos em sistemas de água doce em Portugal e evidencia a necessidade de monitorização contínua e de estratégias de mitigação”.

Este estudo constitui uma das primeiras avaliações integradas de risco ecológico associadas a microplásticos em suspensão nos rios Mondego e Vouga, contribuindo com dados relevantes para a conservação de ecossistemas aquáticos e a gestão ambiental em Portugal.

A investigação contou ainda com a participação de Sarra Ben Tanfous, na qualidade de primeira autora, bem como dos investigadores Abhishek Mandal, Juliana Barros e Gopala Krishna Darbha. Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 1 de abril de 2026

Índia - Vai combater a obesidade com injecções genéricas e baratas

Uma onda de medicamentos para emagrecer está prestes a transformar a luta global contra a obesidade, com a Índia a preparar-se para lançar versões genéricas de baixo custo de injecções como o Ozempic. A medida irá alargar drasticamente o acesso a tratamentos que há muito são considerados um luxo, especialmente nos países de rendimento médio, onde a crescente procura destes medicamentos choca com os preços elevados.


Nas clínicas de toda a cidade de Bombaim, os médicos notam um aumento do número de pacientes. Mais de 50 pessoas procuram o consultório do endocrinologista Nadeem Rais todas as semanas em busca de injecções para emagrecer.

“Temos cerca de 70 a 80 doentes em tratamento activo neste momento. Quando os genéricos forem lançados e os preços descerem, este número poderá facilmente chegar aos 200”, disse.

Segundo a sua colega, a Dra. Sunera Ghai, a procura é “muito elevada”, mas muitos “provavelmente não estão a consumir porque, neste momento, é realmente um artigo de luxo”.

A descoberta surge após a expiração da patente da semaglutida – princípio activo de medicamentos como o Ozempic e o Wegovy – na Índia, maior fornecedor mundial de medicamentos genéricos. Até ao final de 2026, as principais patentes da semaglutida expirarão em 10 países que representam 48% da carga global de obesidade, de acordo com um estudo publicado no início de Março por investigadores. Estes países incluem Brasil, China, África do Sul, Turquia e Canadá.

Para os gigantes farmacêuticos indianos, isto marca o início de uma nova e agressiva corrida. Pelo menos quatro grandes empresas já prepararam injecções genéricas de semaglutida, de acordo com os registos regulamentares e os documentos de conformidade.

Algumas, incluindo a Zydus Lifesciences, anunciaram lançamentos “no primeiro dia”, sugerindo que as versões genéricas poderão estar disponíveis já esta semana na Índia.

A empresa de estudos Pharmarack estima que o mercado indiano será em breve inundado de opções. “Mais de 50 marcas serão lançadas no mercado e mais de 40 empresas estarão a lançar estes medicamentos”, disse Sheetal Sapale, vice-presidente da Pharmarack.

O momento coincide com a mudança do panorama da saúde na Índia. Embora, segundo a Organização Mundial de Saúde, o país ainda represente um terço da subnutrição mundial, o aumento dos rendimentos e o estilo de vida urbano impulsionaram drasticamente as taxas de obesidade. Dados governamentais divulgados em Março de 2025 mostram que 24% das mulheres e 23% dos homens têm excesso de peso ou são obesos na Índia.

“Quando uma pessoa começa a ganhar dinheiro, torna-se mais sedentária”, disse o cirurgião Sanjay Borude, assinalando que “em contraste, no Primeiro Mundo, quando as pessoas ganham mais dinheiro, tornam-se mais activas e também dedicam mais tempo à saúde”.

Esta inversão da dinâmica económica tem sido muito benéfica para grandes empresas farmacêuticas como a Eli Lilly e a Novo Nordisk, que têm lucrado bastante com o mercado.

As vendas de medicamentos para emagrecer na Índia cresceram 10 vezes em cinco anos, atingindo 153 milhões de dólares em 2026, e a projecção é de que ultrapassem os 500 mil milhões até 2030.

Mas o uso destes medicamentos pode causar efeitos secundários, incluindo náuseas e problemas gastrointestinais. O Mounjaro, da Eli Lilly, tornou-se o medicamento mais vendido na Índia em 2025, ultrapassando mesmo os antibióticos comuns.

Ainda assim, os preços elevados – frequentemente entre 15.000 e 22.000 rupias (1300 a 1900 patacas) por mês – limitam o acesso, afirma a Dra. Swati Pradhan, que gere uma clínica de emagrecimento em Bombaim e que prevê um aumento do número de doentes quando os genéricos reduzirem o custo do tratamento para perto de 5000 rupias por mês.

O impacto internacional pode ser ainda mais profundo. A Índia fornece mais de metade dos medicamentos genéricos de África, e a semaglutida mais barata pode tornar-se uma tábua de salvação para os países onde a obesidade está a aumentar rapidamente.

“A semaglutida a um custo mais baixo pode expandir significativamente o acesso a um tratamento eficaz, particularmente nos países de rendimento médio, onde o preço tem sido uma grande barreira”, afirmou Simon Barquera, presidente da Federação Mundial da Obesidade, observando que “os medicamentos genéricos são um passo importante para quebrar a barreira de acesso, agora que a barreira científica foi ultrapassada”.

As empresas indianas serão uma força motriz fundamental, com a Reddy’s Laboratories a planear lançar a sua versão da semaglutida no Canadá até Maio de 2026.

Para doentes como Sukant Mangal, de 46 anos, que perdeu quase 14 kg em oito meses, um acesso mais alargado ao medicamento não podia chegar em melhor altura. Muitas pessoas que ele conhece simplesmente abandonaram o tratamento a meio quando perceberam que teriam de gastar 20.000 rupias por mês durante sete a oito meses.

“Se fosse mais barato, teria sido muito mais fácil obter o medicamento”, concluiu à agência AFP. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “AFP”


quarta-feira, 25 de março de 2026

Novo livro aborda quatro décadas da administração portuguesa

O livro “O Poder entre Lisboa e o Oriente – Persistência e Mudanças na Administração do Ultimato ao Ato Colonial” da historiadora Célia Reis foi recentemente publicado pela Fundação Macau e o Centro Científico e Cultural de Macau. A obra incide sobre a evolução dos sistemas administrativos ultramarinos em Macau, em Timor e na Índia, entre os séculos XIX e XX

A Fundação Macau (FM) e o Centro Científico e Cultural de Macau publicaram recentemente o livro O Poder entre Lisboa e o Oriente – Persistência e Mudanças na Administração do Ultimato ao Ato Colonial, de Célia Reis. Inserido na colecção “Estudos de Macau”, a obra de Célia Reis descreve a evolução e as práticas dos sistemas administrativos portugueses em Macau, em Timor e na Índia, entre os finais do século XIX até à primeira metade do século XX, enquadrados no modelo de administração ultramarina de Portugal, refere uma nota de imprensa.

Segundo a FM, “as formas de administração ultramarina constituíram um dos tópicos centrais nos debates e práticas coloniais que se desenvolveram sobretudo a partir da segunda metade do século XIX”. Mais especificamente, o livro foca-se no período compreendido entre o “Ultimatum” britânico de 1890 e a promulgação do Ato Colonial, em 1930.

Nessas quatro décadas, Portugal modernizou-se, tendo passado de um regime monárquico para uma República, o que alterou a forma de administração ultramarina e introduziu novas formas de controlo financeiro nalguns territórios administrados pelos portugueses. Essas transformações forçaram Portugal a adaptar a sua forma de governação ultramarina, refere a nota.

A FM defende que a publicação desta obra “vem colmatar a lacuna em estudos sobre a administração portuguesa no Oriente”, com grande significado académico para a investigação da história administrativa contemporânea de Macau.

Doutorada em História Contemporânea pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Célia Reis é também professora em Torres Vedras e investigadora no Centro de Ecologia Funcional. As suas áreas essenciais de estudo são a História Colonial, o final da Monarquia, a Primeira República e a oposição à Ditadura Militar.

A sua tese de doutoramento, na qual se baseou a obra agora publicada, recebeu o Prémio Fundação Oriente – Embaixador João de Deus Ramos, atribuído pela Academia de Marinha. O livro está disponível na Livraria Portuguesa e na Livraria Plaza Cultural de Macau, por 280 patacas. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quinta-feira, 19 de março de 2026

Timor-Leste - Investimentos aproximam o país da China, diz estudo

Um estudo recente destaca como Timor-Leste tem procurado mais investimentos da China como estratégia de desenvolvimento económico e de superação de isolamento geopolítico

O trabalho realizado por William Vogt, membro executivo sénior de política no think-tank The Digital Economist, e por Guilan Massoud-Moghaddam e Robert Miles Chong da Universidade de Georgetown, explora a crescente presença da China em Timor-Leste e o impacto dessa relação no desenvolvimento tecnológico do país.

“A presença chinesa em Timor-Leste ocorre num momento em que três outras nações — Índia, Austrália e Portugal — fornecem ajuda em tecnologias de informação e comunicação, sendo a Austrália o contribuinte mais ativo”, destacou o estudo.

Segundo os autores, a abordagem da política externa tecnológica da China é concebida para desafiar os interesses geopolíticos australianos no Sudeste Asiático, investindo fortemente em áreas essenciais para o desenvolvimento digital timorense, incluindo eletrificação e conectividade.

Timor-Leste tem procurado integrar-se plenamente na Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), embora enfrente escrutínio devido a fragilidades económicas, com “cerca de 42% dos timorenses a viver abaixo do limiar da pobreza e o fundo soberano do país em declínio”.

A adesão, apoiada diplomaticamente por Pequim, abriria acesso ao fundo de cooperação ASEAN–China e a “benefícios económicos tangíveis”, com os investigadores a descrever que Timor-Leste pode estar a recalibrar a sua política externa, privilegiando novas parcerias.

Para os autores, a presença crescente da China em sectores-chave — telecomunicações, energia, agricultura e defesa — sugere que Díli procura superar o isolamento geopolítico e construir uma economia digital funcional. “A China encontra-se bem posicionada para competir oferecendo o trabalho de campeões nacionais como a Huawei, em conjunto com outros fornecedores de energia e tecnologia”, assinalaram.

A companhia China Nuclear Industry 22nd Construction Company, por exemplo adjudicou um contrato de 360 milhões de dólares para melhorar a rede elétrica nacional timorense, enquanto a gigante tecnológica Huawei se afirma como fornecedora central de infraestrutura de Internet.

A Austrália continua a ser um parceiro relevante, financiando cabos de fibra ótica que substituem a dependência timorense de conexões via satélite, contudo Pequim tem avançado em áreas sensíveis, apoiando a Rádio e Televisão de Timor-Leste na digitalização de conteúdos e promovendo um sistema de transmissão televisiva digital terrestre. “A China aumenta o acesso dos timorenses a essas transmissões, criando um destino potencial para propaganda chinesa”, alertam Vogt, Massoud-Moghaddam e Chong.

O estudo descreve também que a cooperação sino-timorense não se limita ao setor civil, pois em julho de 2024 os dois países acordaram reforçar intercâmbios militares e investir em áreas como formação de pessoal, tecnologia de equipamentos e exercícios conjuntos.

Para os autores, esta aproximação reflete uma mudança significativa na política externa timorense, com o presidente José Ramos-Horta a alinhar-se cada vez mais com os interesses chineses. “Díli pode ser persuadida a continuar a aprofundar suas relações com Pequim como estratégia para o desenvolvimento económico contínuo e para a superação do isolamento geopolítico”, acrescentou o estudo.

Além de apoiar a Marinha timorense e integrar Timor-Leste na sua Rota Marítima da Seda, Pequim tem investido em tecnologia agrícola, introduzindo arroz híbrido e métodos como a tecnologia Juncao, aplicados em zonas agrícolas com suporte digital.

Segundo o estudo, os financiamentos são frequentemente canalizados através do China Exim Bank, permitindo a Díli aceder a crédito para obras públicas e projetos digitais, uma parceria é vista como alternativa às limitações de capital interno, dependente das receitas de recursos naturais.

Ao mesmo tempo, o comércio eletrónico é visto como caminho para o desenvolvimento económico moderno e Díli poderá colher frutos ao integrar-se no mercado digital regional, recorrendo às plataformas e produtos chineses. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Goa - O Festival de Música do Monte regressa com três dias de harmonia cultural

Realizado anualmente num dos morros mais pitorescos de Goa, o Festival de Música do Monte, organizado pela Fundação Oriente, oferece vistas deslumbrantes do Rio Mandovi, as suas ilhas, um santuário de pássaros nas proximidades e o icónico centro histórico de Goa Velha, Património Mundial da UNESCO.


Criado em 2002, após a restauração da Capela de Nossa Senhora do Monte, do século XVI, pela Fundação Oriente, o festival foi concebido como uma plataforma para o intercâmbio artístico entre as tradições clássicas ocidentais e indianas.

Ao longo dos anos, tornou-se um importante encontro cultural que vai além da música e da dança, acolhendo artistas de Portugal e da Índia que compartilham não apenas os seus desempenhos, mas também a rica herança das suas regiões.

A edição de 2026 será realizada nos dias 30 e 31 de janeiro e 1º de fevereiro, no pátio da Capela de Nossa Senhora do Monte, em Goa Velha, transformando mais uma vez o sereno pátio da capela num espaço para diálogo e celebração cultural. Esta é a quarta edição do festival sob a direção do Dr. Paulo Jorge da Silva Gomes, diretor da Fundação Oriente, que conta com o apoio da equipa da Fundação Oriente.

O Festival de Música de Monte não exigirá ingressos para nenhum dos seus concertos e haverá dois autocarros para levar os visitantes do Gandhi Circle, em Goa Velha, até a Capela de Nossa Senhora do Monte, também em Goa Velha. O Dr. Paulo Jorge da Silva Gomes informa: “A próxima edição do Festival de Música de Monte reunirá, através da música e da dança, diferentes elementos e diferentes partes da Índia e de Portugal. De Rajasthan, Gujarat, Ahmedabad, Mumbai e Delhi, na Índia, e de Lisboa e Alentejo, região no sul de Portugal, uma mistura de grandes músicos que oferecerá não apenas um festival de música e dança, mas também um evento cultural. Este é o ingrediente mais importante para nós no Festival de Música de Monte.

Claro que não podemos esquecer os artistas goeses, pois abriremos o Festival de Música de Monte com Sonia Shirsat e os seus amigos, todos goeses, para promover também os artistas, a música e a língua goesa.”

Falando sobre Ricardo Ribeiro, que encerrará o festival, o Dr. Paulo Gomes afirma: “Ele é um fadista português com uma voz inesquecível, que combina com maestria o fado clássico com influências contemporâneas. Hoje, é considerado uma das vozes mais influentes do fado em Portugal.” A Fundação Oriente tem o dom de selecionar apresentações excepcionais ano após ano, mantendo o festival vibrante e atual, apresentando artistas nacionais e internacionais raramente vistos no país.

“Trabalhamos na área das artes e seguimos certos critérios. Em primeiro lugar, recebemos um grande número de propostas de músicos indianos e portugueses. Para cada edição, os artistas são selecionados pela equipa curatorial responsável naquele ano. Temos um amplo banco de dados, o que facilita o processo de seleção em termos de qualidade, pois oferece uma grande variedade de opções. Dito isso, “Nunca é fácil escolher alguns artistas e não outros que também gostaríamos de convidar, isso faz parte do processo. No geral, graças ao volume de propostas que recebemos e ao nosso extenso banco de dados, a nossa missão é facilitada nesse sentido”, explica o Dr. Paulo Gomes. Dolcy D'Cruz – Goa in “O Heraldo”

Programa

30 de janeiro | 19h, HORIZONTES EM TRANSFORMAÇÃO, COM O CORO AO NAGA. Horizontes em Transformação é uma jornada musical que celebra as tradições vivas do nordeste da Índia. Enraizado nas tradições culturais Naga, o Coro representa com orgulho a sua herança por meio de trajes tradicionais, paisagens sonoras indígenas e desempenhos que incorporam o espírito e o legado dos seus ancestrais.

30 de janeiro | 17h45 CALIDOSCÓPIO – UMA SINFONIA DE CORES EM SOM, POR SÓNIA SHIRSAT E AMIGOS O FMM 2026 será inaugurado com uma apresentação da cantora goesa Sónia Shirsat, acompanhada por cinco músicos goeses. Eles apresentarão canções em português e concani, destacando os laços históricos entre Goa e Portugal, bem como o idioma oficial de Goa, o concani. O grupo será composto por Carlos Menezes, Allan Abreu, Prathamesh Chari, Irshad Khalifa e Franz Schubert Cotta.

31 de janeiro | 17h45 “ROOTS” – ONDE AS MELODIAS ESQUECIDAS DA ÍNDIA ENCONTRAM A SUA VOZ NOVAMENTE, POR ASAD KHAN E AMIGOS Liderado pelo mestre do sitar reconhecido pelo Grammy, Asad Khan, o Roots é um coletivo musical que dá vida às ricas melodias enterradas no solo cultural da Índia. Das tradições folclóricas do Rajastão, Gujarat, Maharashtra, Assam e Bengala, Asad reinventa dhuns, taranas, dohas e heets de casamento esquecidos, cada um enraizado nos humores da vida indiana: amor, saudade, chuva, colheita, celebração e despedida. O conjunto contará com Rais Khan, Dana Bharmal Harjan, Kalpa Joyti, Altamash Ansari e Jogi Laxman Premji.

31 de janeiro | 19h 100 PAREDES E STUTI CHORAL & STRING ENSEMBLE Em 2025/2026, celebra-se o centenário de Carlos Paredes, uma das figuras mais emblemáticas da cultura portuguesa e embaixador mundial da guitarra portuguesa. Para homenagear este marco, André Varandas e Bruno Costa criaram o projeto 100 Paredes. Em Goa, o grupo 100 Paredes atuará ao lado do aclamado Stuti Choral & String Ensemble, sob a direção de Parversh Java, com arranjos orquestrais do renomado compositor brasileiro Rodrigo Morte.

1º de fevereiro | 17h45 SAMANVAYA – HARMONIA POR RAUL & MITALI Mitali-Raul e a sua trupe apresentam Samanvaya – Harmonia; uma confluência de música e movimento, Odissi e Bharatanatyam, tradição e inovação, ritmo e expressão, património e contemporaneidade.

1 de fevereiro | 19h RICARDO RIBEIRO A voz de Ricardo Ribeiro, descrita como "uma vez ouvida, jamais esquecida", tornou-se um nome essencial no fado contemporâneo. Com uma presença vocal que evoca vida e morte num só fôlego, ele continua a trilhar o seu próprio caminho entre o fado tradicional e o futuro do género.



quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Macau – Vírus Nipah leva autoridades a reforçar avaliação médica nas fronteiras

Devido às infecções do vírus Nipah detectadas na Índia, as autoridades de Macau decidiram reforçar a vigilância médica nas fronteiras, apesar de não haver voos directos do território para aquele país. Sublinhando que estão a acompanhar a situação, os Serviços de Saúde indicaram que vão intensificar a avaliação e exames médicos nos postos fronteiriços “para quem tenha história de viagem e apresenta sintomas”


As autoridades da RAEM vão reforçar a vigilância nas fronteiras, devido ao vírus Nipah, na sequência de um alerta epidemiológico lançado pelas autoridades de saúde da Índia. O vírus, que foi identificado no estado de Bengala Ocidental, já resultou em pelo menos dois casos confirmados e levou à quarentena de 190 pessoas. Os Serviços de Saúde (SSM) afirmaram ontem estar a “acompanhar atentamente a situação” causada pela infecção do vírus no leste da Índia, apelando aos residentes para “evitarem deslocar-se àquela região”.

“Os indivíduos que se encontram no local devem tomar as devidas medidas preventivas e, em caso de aparecerem sintomas de gripe após o regresso a Macau, devem recorrer ao médico o mais rápido possível e informar sobre a história de viagem e de contacto”, sublinhou o organismo.

Apesar de não haver voos directos entre Macau e a Índia, “por uma questão de precaução, vai ser reforçada avaliação e exames médicos nos postos fronteiriços para quem tenha história de viagem e apresenta sintomas”, indicaram os SSM.

Também o Governo de Hong Kong anunciou um reforço dos controlos de saúde para os viajantes que chegam ao aeroporto vindos da Índia. Em comunicado, citado pela Lusa, o director do Serviço para a Protecção de Saúde, Edwin Tsui Lok Kin, confirmou o destacamento de equipas para o aeroporto.

O objectivo é “realizar o rastreio da temperatura dos viajantes nas portas de embarque relevantes, realizar avaliações médicas em viajantes sintomáticos e encaminhar casos suspeitos com potencial impacto na saúde pública para os hospitais para exame”, explicou o dirigente.

Apesar da medida, Edwin Tsui sublinhou que, até à data não foi registado em Hong Kong nenhum caso de infecção pelo vírus Nipah e que não existem voos directos entre o território e Calcutá, capital do estado indiano de Bengala Ocidental.

Por cá, os SSM referem que o Nipah é um vírus zoonótico que pode ser fatal. “Os morcegos frugívoros são os hospedeiros naturais do vírus Nipah, e este pode ser transmitido aos seres humanos através de alimentos contaminados (geralmente frutas ou produtos derivados de frutas) ou através de contacto com porcos infectados, ou directamente entre as pessoas”, sublinha.

A infecção pelo vírus Nipah causa desde sintomas assintomáticos até doenças respiratórias agudas e encefalite fatal, com uma taxa de mortalidade estimada entre 40% e 75%. Os primeiros sintomas são similares aos da gripe, e nos casos mais graves pode haver dificuldades respiratórias, tonturas, sonolência, confusão mental, entre outros. Geralmente, o período de incubação varia entre quatro e 14 dias, sendo o máximo de 45 dias.

Os surtos do vírus Nipah, para o qual ainda não existe vacina ou cura aprovadas, ocorrem quase anualmente no Bangladesh e no estado indiano vizinho de Bengala Ocidental, ocasionalmente, noutros países do sul e sudeste da Ásia. A Índia registou os primeiros surtos em humanos em Bengala Ocidental, em 2001 e 2007, quando foram registadas pelo menos 50 mortes. O surto mais recente, em Julho de 2015, resultou em duas mortes no estado de Kerala, no sul do país.

OMS acredita que Índia conseguirá travar surto

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera “baixo” o risco de expansão na Índia do vírus Nipah, um agente patogénico altamente letal para o qual não existe vacina ou tratamento antiviral específico, após a confirmação de dois casos no estado de Bengala Ocidental e a declaração de alerta epidemiológico pelas autoridades indianas. “A Índia tem capacidade para conter estes surtos, como foi comprovado em casos passados”, disse um porta-voz da agência da ONU em resposta à EFE, assegurando que a OMS tem estado em contacto com as autoridades de saúde indianas para realizar uma avaliação de risco e fornecer apoio técnico. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Internacional - PIB-PPC: Estas serão as maiores economias do mundo em 2026, segundo o FMI

Dados do World Economic Outlook mostram protagonismo do Sul Global na economia mundial


Os dados mais recentes do World Economic Outlook, divulgados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em outubro de 2025, revelam uma mudança estrutural profunda na economia global. Considerando o PIB em Paridade do Poder de Compra (PPC) — indicador que mede o tamanho real das economias ao levar em conta o custo de vida interno —, o ranking de 2026 confirma que o eixo do crescimento mundial já não está concentrado no Ocidente.

A China permanece como a maior economia do planeta em termos reais, respondendo por 19,84% do PIB mundial. Mesmo com uma desaceleração gradual, o país mantém uma liderança sólida baseada em mercado interno robusto, cadeia industrial completa e forte presença no comércio global. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com 14,52%, ainda como potência central, mas com peso relativo em declínio frente às economias emergentes.

O grande destaque do ranking é a Índia, que já concentra 8,73% da economia mundial, consolidando-se como a terceira maior economia do planeta. A combinação entre demografia favorável, expansão industrial e crescimento do consumo interno sustenta a ascensão indiana no longo prazo.

A Rússia ocupa a quarta posição, com 3,35% do PIB global, à frente de todas as grandes economias europeias. O resultado evidencia a capacidade do país de reorganizar sua economia apesar das sanções ocidentais, ampliando laços comerciais com a Ásia, o Oriente Médio e o Sul Global.

Entre as economias tradicionais, Japão (3,16%), Alemanha (2,89%), França (2,12%) e Reino Unido (2,10%) seguem relevantes, mas com participação cada vez menor no PIB mundial, reflexo de baixo crescimento, envelhecimento populacional e limitações estruturais.

Dois países do Sul Global reforçam a mudança de eixo econômico: a Indonésia, com 2,44%, e o Brasil, com 2,35%, figuram entre as dez maiores economias do mundo. No caso brasileiro, o desempenho reflete o peso do mercado interno, do agronegócio e a maior integração com os países do BRICS.

Os números do FMI confirmam que o século XXI é marcado pela consolidação de um mundo multipolar, no qual o protagonismo econômico se desloca de forma acelerada para a Ásia e o Sul Global. Yuri Ferreira – Brasil in “Revista Fórum”


sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Guiné Equatorial – Vai participar na Olimpíada de Jovens Chefs de 2026 na Índia

Esta competição culinária juvenil, considerada uma das mais prestigiadas internacionalmente, será realizada em Nova Deli de 1 a 7 de fevereiro de 2026


Na última segunda-feira, 15 de dezembro, foi realizado o sorteio oficial da Olimpíada de Jovens Chefs de 2026, que definiu os grupos e locais onde cada país competirá na fase inicial da competição. A República da Guiné Equatorial competirá em Nova Deli, na Índia, um dos principais locais do evento.

Nesta edição, a Guiné Equatorial será representada pela jovem chef Maria Ayang, da escola culinária do Grand Hotel Djibloho, que competirá em Delhi ao lado de participantes dos Emirados Árabes Unidos, Zimbabue, Inglaterra, Lesoto, Albânia, Bulgária, País de Gales e Omã.

A concorrente da Guiné Equatorial levará ao cenário internacional o talento, a criatividade e a excelência culinária que caracterizam a gastronomia do país.

A participação da Guiné Equatorial na Olimpíada de Jovens Chefs de 2026 reafirma seu compromisso com a formação culinária, a projeção internacional de jovens talentos e a promoção da gastronomia nacional em palcos globais, consolidando sua presença num dos eventos culinários juvenis mais relevantes do mundo.

É importante destacar que a Olimpíada de Jovens Chefs reúne anualmente jovens chefs de 50 países, tornando-se uma plataforma para o intercâmbio cultural e gastronómico, onde a inovação, a técnica e a identidade culinária de cada nação ganham destaque.

Para além da Guiné Equatorial estarão a concurso os países lusófonos Portugal e Timor-Leste. Fernando Mbuy – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


domingo, 2 de novembro de 2025

Índia - Camões – Centro Cultural Português em Nova Deli promove leitura de “Amor de Perdição”

No âmbito das comemorações do bicentenário do nascimento de Camilo Castelo Branco, o Camões – Centro Cultural Português em Nova Deli dedica o IV Grupo de Leitura de Autores de Língua Portuguesa à leitura integral do clássico “Amor de Perdição”


O IV Portuguese Book Club decorrerá ao longo de um mês, com encontros semanais online às quartas-feiras, nos dias 5, 12, 19 e 26 de novembro, entre as 18h00 e as 20h00 (hora local).

A participação é livre mas sujeita a inscrição obrigatória, através de um formulário online. A iniciativa está aberta a leitores da Índia e de outros países, com ou sem domínio da língua portuguesa. Os participantes poderão optar por ler o romance na sua versão original ou na tradução inglesa de Alice R. Clemente.

As sessões semanais, que servirão para discutir e refletir sobre as leituras individuais, serão dinamizadas em inglês por João Ribeirete, Diretor do Camões – Centro Cultural Português em Nova Deli. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 28 de outubro de 2025

Internacional - Ainda existem quase 200 tribos isoladas na Terra

Foi publicado o primeiro estudo abrangente sobre comunidades indígenas que evitam contacto com estrangeiros. Ele mostra que esses povos precisam de ter cuidado com a falta de imunidade a doenças


Você também costuma desejar menos contacto? Sim, claro, a solidão também é um problema. Mas, cada vez mais, eu só quero paz e sossego, e não ser incomodado pelo barulho do presente, pelas mensagens de estranhos nas redes sociais e pelas notícias ruins do decadente mundo do capitalismo de consumo.

É impossível não ficar cada vez mais impressionado com a sensação que o cantor Jan Delay expressou no seu primeiro álbum solo, na mudança do milénio (o videoclipe também era óptimo, com Merkel a usar um lenço palestino na cabeça): "Tudo está envenenado". Como seria maravilhoso apagar o disco rígido e olhar o mundo com olhos virginais? Com ​​novos olhos. Com rituais comunitários, em contato constante com a Mãe Natureza, acreditando nos espíritos e mitos das árvores, da água e dos animais. E, portanto, talvez sentir um pouco mais de solidez e firmeza, e menos medo.

A notícia de que ainda existem 196 povos na Terra que desfrutam dessa experiência diária surpreendeu-me ainda mais. Eu estava dirigindo no trânsito de Berlim quando o rádio noticiou um novo estudo da organização de direitos humanos Survival International. A grande maioria, 188, desses chamados povos desconectados da realidade e reclusos do mundo vive na América do Sul, na Amazónia brasileira. Segundo a organização, o "povo mais isolado do mundo" vive numa ilha pertencente à Índia – os Sentineleses.

Imediatamente comecei a sonhar comigo mesmo em densas selvas amazónicas e ilhas solitárias, vestindo apenas uma tanga, arremessando furiosamente uma lança esculpida à mão contra drones e câmaras. Há vídeos correspondentes no YouTube, todos os quais vi. Para as tribos que querem saber mais, somos um grande perigo. Ao contacto, doenças são imediatamente transmitidas, dizimando dois terços das tribos devido à falta de imunidade. Os autores alertam que os habitats dessas tribos também estão ameaçados pela exploração madeireira, mineração e pecuária.

Nos últimos anos, porém, surgiram outras razões, às vezes surpreendentes. Entre elas, estavam gangues de traficantes de drogas e missionários evangélicos. E também influenciadores que procuram ganhar dinheiro por meio de "primeiros contactos" e, portanto, no sentido mais verdadeiro da palavra, pretendem uma falsa proximidade. Então desliguei o rádio; eu tinha chegado ao consultório do dentista. Timo Feldhaus – Alemanha in “Berliner Zeitung”

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Moçambique - 850 militares indianos reforçam segurança marítima no país

Moçambique recebe 850 militares indianos para reforço da segurança marítima. O objectivo é fortalecer a protecção da costa moçambicana, considerada estratégica, face às crescentes ameaças no Oceano Índico.


Quatro navios de patrulha marítima da Índia encontram-se em Moçambique, desde terça-feira, no âmbito de um programa de intercâmbio com as Forças de Defesa e Segurança. A iniciativa visa intensificar a cooperação militar entre os dois países e fortalecer a capacidade de protecção da costa moçambicana.

Moçambique manifesta interesse em colher experiência no domínio da segurança marítima, com foco na protecção da  Zona Económica Exclusiva.

Segundo as forças indianas destacadas em Moçambique, três oficiais moçambicanos estão actualmente a beneficiar de treinamento especializado naquele país asiático.

Os militares indianos deixam o país na próxima sexta-feira. In “O País” - Moçambique


terça-feira, 10 de junho de 2025

Macau - Uma viagem pelas cores de Goa na fotografia de Miguel Quental

“Aquilo que realmente me chamou a atenção foram as cores, aquela beleza”. Foi a partir de uma caminhada espontânea pelas ruelas de Goa que Miguel Quental deu início a uma viagem fotográfica que manifesta a vibrante herança cultural da antiga cidade imperial. A exposição “Cores de Goa”, que será inaugurada neste sábado na Creative Macau, revela a riqueza das cores, da história e da fé que caracterizam este território no sudoeste da Índia


A Creative Macau prepara-se para receber, no próximo sábado, 14 de Junho, a exposição fotográfica intitulada “Cores de Goa”, uma mostra artística do advogado Miguel Quental que estará patente na galeria no rés-do-chão do Centro Cultural até ao dia 5 de Julho. Uma selecção de imagens captadas durante uma visita a Goa, a antiga cidade que deixou um legado multicultural de uma riqueza “extraordinária”, marcada por cores, aromas, sabores e crenças que parecem “transcender a imaginação”. “Parti um pouco à descoberta do património da UNESCO. Mas aquilo que realmente me chamou a atenção foram as cores. Aquela, aquela beleza…”, recorda Quental.

Nas palavras do artista, a sua descoberta foi espontânea, feita enquanto caminhava por rotas comuns, sem grande planeamento, mas que revelaram uma beleza impressionante. “Não andei à procura de sítios muito remotos. Dentro de todo aquele património, as cores é que são extraordinárias, bem como a conservação dos edifícios”.

A atenção de Quental foi imediatamente capturada pelas cores vívidas das igrejas antigas, dos símbolos católicos e das casas senhoriais, que parecem manter-se majestosas e impassíveis. “Foi então que comecei a fotografar principalmente as cores, mas também aqueles objectos religiosos que reflectem realmente a fé do povo. É extraordinário. A conservação das igrejas, a forma como tudo está bem mantido, despertou-me interesse”, disse ao Ponto Final.

Para o fotógrafo, essa experiência não foi apenas uma simples viagem, mas uma oportunidade de partilhar uma herança cultural que acredita merecer a atenção do público de Macau. “Gostava que estas imagens fossem um convite para que as pessoas visitem Goa. Merece a pena, pela sua diversidade cultural, sabores, cheiros. É um pouco como Macau, para quem chega cá, fica deslumbrado com as nossas cores também. E no fundo, poder repartir com os outros aquilo que eu vi na minha experiência, ainda que curta, é o que mais me motiva”, partilha.

A ligação de Goa a Macau, ambas com “resquícios” de um passado ligado a Portugal, reforça essa sensação de semelhança entre os patrimónios, embora Quental ressalte que Goa é suficientemente diferente para justificar a viagem. “As pessoas são simpatiquíssimas e realmente somos muito bem recebidos. No fundo, é um orgulho por parte da população de Goa receber os portugueses e mostrar aquilo que é a história e o passado”, sublinhou.

Paixão pela fotografia

A sua paixão pela fotografia acompanha-o há algum tempo, tendo começado desde que chegou a Macau. “Sempre gostei de fazer fotografia”, revela. Recentemente, o seu interesse evoluiu para uma prática mais consciente, procurando captar o melhor momento. “No ano passado viajei para Angola e Moçambique, uma experiência que também quis partilhar através da minha lente”. Na sua visita a Goa, usou vários tipos de câmaras, incluindo telemóveis, com o objectivo de captar a essência do momento de forma espontânea. “Uso o meu telemóvel muito mais do que a Sony. Às vezes, com o telemóvel é mais fácil fazer zoom, captar detalhes”, explica.

Apesar de se considerar um amador, Miguel Quental manifesta a sua paixão pela fotografia e o desejo de continuar a trabalhar nesta forma de expressão. “Tenho interesse em possivelmente juntar-me a um grupo ou associação fotográfica, outro incentivo para melhorar”, afirma, agradecendo o apoio de amigos na edição das suas imagens, como Francisco Ricarte, que o ajudou na pós-produção. “Disparo, mas depois, quando é com o telemóvel, não fica com grande qualidade. Portanto, busco partilhar conhecimento com outros fotógrafos que ajudam nas edições”, acrescenta.

A exposição “Cores de Goa” surge assim como uma oportunidade de explorar uma herança que mistura história, arte e fé, através do olhar de um artista que, além de advogado, é também um apaixonado por imagens que estimulam os sentidos. Quental espera que as suas fotografias sirvam de convite para que o público descubra uma cultura diferente, que traz outras expressões, tanto nas cores como na comida. “Espero que as pessoas gostem e que isto sirva de convite. A diversidade de culturas, sabores, cheiros… tudo isso faz com que a experiência seja completa, como uma viagem de sentidos”, reforça.

O evento de inauguração realiza-se neste sábado, às 18h30, na Creative Macau. Durante o período de exibição, até 5 de Julho, os visitantes terão a oportunidade de conhecer esta viagem visual que revela a beleza e a história de Goa, uma antiga cidade imperial que, apesar do tempo, mantém intacta a sua essência cultural. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”


quinta-feira, 15 de maio de 2025

Internacional - Cientistas da Universidade de Coimbra recorrem a machine learning e reduzem em sete vezes o tempo de cálculo das estrelas de neutrões

As estrelas de neutrões são um dos objetos mais densos do Universo. Podem ser vistas como núcleos gigantes muito ricos em neutrões, mas a sua verdadeira composição ainda é uma incógnita: será que no seu interior os quarks estão desconfinados? Será que na sua composição além de protões e neutrões também existem hiperões, partículas parecidas aos nucleões, mas contendo um quark estranho?


 

Explorando o potencial do método de regressão simbólica, uma ferramenta no âmbito de técnicas de machine learning, que fornece relações algébricas entre diferentes propriedades, uma equipa de cientistas do Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) obteve uma relação entre a massa máxima de uma estrela de neutrões e a sua equação de estado. 

Esta relação, descrita na revista científica Physics Letters B, reduz os cálculos computacionais por um fator de sete, numa das etapas essenciais da procura de modelos compatíveis com as observações. O cálculo utiliza a inferência de Bayes, que pode ser muito demorada, uma vez que é necessário resolver as equações diferenciais que determinam a massa e o raio da estrela para vários milhões de modelos. 

«Com os atuais dados experimentais e observacionais disponíveis e os dados que serão recolhidos nas próximas décadas, espera-se que a composição destes objetos seja finalmente desvendada», afirma Constança Providência, investigadora do Centro de Física da Universidade de Coimbra (CFisUC) e professora da FCTUC. «Extrair das observações astronómicas as propriedades da matéria que interage pela força forte, como a matéria nuclear, a altas densidades, é, no entanto, outro desafio», considera.  

As utilizações de métodos estatísticos revelam-se essenciais para o sucesso deste problema. No entanto, de acordo com os especialistas, determinar o modo como a matéria sujeita a densidades e pressões extremamente elevadas se comporta dentro destes objetos - isto é, qual é a sua equação de estado, partindo do conhecimento da massa e raio das estrelas de neutrões, é um problema complicado que exige muitas horas de cálculo, pela quantidade de modelos que têm de ser testados. 

«Num futuro próximo, esperamos que seja possível descodificar a equação de estado da matéria densa diretamente a partir do conhecimento preciso dos observáveis das estrelas de neutrões, utilizando estas técnicas computacionais avançadas, o que nos permitirá desvendar as propriedades da matéria bariónica a altas densidades. Assim, será possível saber a que densidades os quarks deixam de estar confinados aos nucleões e se a transição de fase para a matéria desconfinada é uma transição de primeira ordem», concluem os investigadores envolvidos.

O artigo científico “Inferring the equation of state from neutron star observables via machine learning” é uma colaboração conjunta entre os investigadores Tuhin Malik, Helena Pais e Constança Providência do CFisUC, juntamente com investigadores na China e na Índia. Universidade de Coimbra – Portugal


domingo, 13 de abril de 2025

Índia - Tigre dourado raro avistado no Parque Nacional de Kaziranga

Acredita-se que existam apenas cerca de 30 tigres dourados em todo o mundo. Um deles foi criado em cativeiro, mas este foi visto livre na natureza



O fotógrafo de vida selvagem Sudhir Shivaram compartilhou fotos raras de um tigre dourado e publicou no seu instagram, dizendo: “Uma das maravilhas mais raras da natureza – Tigre dourado, avistado no Parque Nacional de Kaziranga!”

Mencionou ainda que este tigre incrível estava na sua lista principal quando planeou o safari em Kaziranga. Mesmo após vários safaris, nunca o tinham avistado. “Mas neste dia a sorte estava do nosso lado, os participantes do nosso workshop chegaram e tivemos a oportunidade de ver este raro Golden Jackpot. Este momento foi inesquecível para os nossos participantes”, escreveu maravilhado.

Um Tigre Dourado é uma cor muito rara num tigre de Bengala, também conhecido como Tigre Malhado Dourado ou Tigre Morango. A sua pelagem dourada e listras castanhas-avermelhadas distinguem-no de outros tigres.

“A razão para a raridade do Tigre Dourado é um gene recessivo chamado “Wideband”, que reduz a produção de melanina durante o período de crescimento do pelo. Uma condição rara chamada pseudomelanismo, uma mutação genética que afeta a pigmentação do corpo. Ao contrário do albinismo ou do leucismo, esta variação confere ao tigre uma aparência laranja-dourada cintilante.

O Parque Nacional de Kaziranga em Assam fica na Índia e é famoso pela sua população de rinocerontes-indianos de um chifre — também abriga um felino raro e misterioso: o Tigre Dourado. A sua raridade torna os avistamentos incrivelmente especiais — e as poucas imagens capturadas viralizaram.

Ainda no seu post, o fotografo de vida selvagem, escreveu: ontem, compartilhei imagens desse magnífico felino em tons mais suaves e naturais — uma tentativa de me manter fiel ao clima e à luz da selva. As imagens de hoje, capturadas com a Sony 300mm f/2.8, revelam uma perspetiva mais vívida e rica em contrastes, que é mais do meu gosto, destacando a beleza impressionante deste raro indivíduo”

Lentes diferentes, luz diferente, escolhas criativas diferentes — mas o mesmo tema inspirador. Ambos os estilos oferecem um vislumbre único da história do Tigre-Dourado. “Convido-o a ver não apenas uma comparação, mas uma celebração de quão variada e expressiva a fotografia da vida selvagem pode ser”, termina, questionando o leitor: “qual estilo combina mais com você: o discreto e natural ou o vívido e dramático?” In “Sustentix” - Portugal


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Goa – Carlos Monjardino faz balanço “muito positivo” da presença da Fundação Oriente

A propósito do 30.º aniversário do início das actividades da Fundação Oriente em Goa, Carlos Monjardino faz um balanço “muito positivo” do papel da instituição na Índia, nomeadamente na cena cultural de Goa. Em declarações ao Ponto Final, o presidente do conselho de administração da Fundação Oriente afirma também que, após a desconfiança inicial das entidades oficiais de Goa, agora a instituição é perfeitamente aceite



Carlos Monjardino foi a Goa no início deste mês para assinalar os 30 anos de actividade da delegação indiana da Fundação Oriente. Ao Ponto Final, o presidente do conselho de administração da Fundação Oriente recordou o processo para estabelecer ali uma delegação e destacou o papel actual da instituição na Índia.

Monjardino lembrou que o estabelecimento da delegação em Goa, em 1995, teve por base uma sugestão de Mário Soares, Presidente da República de Portugal na altura. “Ele pediu-me para contemplar a hipótese de a Fundação ter qualquer coisa em Goa, porque não havia ali nada de português, nem consulado, nem Camões, nada. Decidimos abrir”, contou. Esta foi a segunda delegação da Fundação Oriente, a primeira tinha sido estabelecida em Macau, em 1988, e a de Timor-Leste começou a sua actividade em 2002.

Sobre a presença em Goa, o responsável da Fundação Oriente destacou os subsídios concedidos para o ensino da língua portuguesa. Hoje em dia há ainda cerca de duas dezenas de professores subsidiados. Há ainda bolsas de estudo para estudantes goeses que querem frequentar o ensino superior em Portugal.

Além disso, “assumimo-nos também como criadores de um certo tipo de manifestações culturais com ligações a Portugal, sejam artistas sejam músicos, pintores, etc.”, referiu, apontando para o Festival de Música do Monte e para a exposição do pintor goês António Xavier Trindade que está patente no piso térreo do edifício da delegação, situado no bairro das Fontainhas.

Estes aspectos fazem com que Carlos Monjardino faça um “balanço muito positivo” da presença da Fundação em Goa. “Continuamos a ser uma pedra muito importante em tudo o que são eventos culturais em Goa”, frisou.

Sobre a inclusão da Fundação Oriente na comunidade local, Monjardino recordou que, “ao princípio, não da parte dos locais mas da parte oficial, houve alguma resistência porque ainda tinham na cabeça a parte colonial dos portugueses”. No fim da década de 1990, houve também entraves por parte de descendentes dos intitulados “freedom fighters”, um movimento que, no século XIX, lutou para acabar com o domínio da colonização portuguesa. No entanto, “isso foi desaparecendo ao longo do tempo e hoje em dia somos perfeitamente aceites, tanto que as entidades oficiais de Goa vão às nossas manifestações culturais e só tenho a dizer bem dessa relação”, conclui.

Delegação da Fundação Oriente em Goa: 30 anos a reforçar os vínculos históricos

No ano em que se comemoram os 50 anos de restabelecimento das relações diplomáticas entre Portugal e a Índia, a delegação da Fundação Oriente em Goa comemora três décadas de actividade. O objectivo tem sido reforçar os laços históricos que ligam Portugal e a Índia. Ao Ponto Final, Paulo Gomes, delegado da Fundação Oriente em Goa, destaca o papel do organismo no apoio ao ensino da língua portuguesa, nas artes e na recuperação do território, por exemplo



Celebram-se agora 30 anos desde que a Fundação Oriente estabeleceu uma delegação em Goa, na Índia. Neste ano, também se assinalam os 50 anos do restabelecimento das relações diplomáticas entre Portugal e a Índia. Através de iniciativas ligadas às artes, ao património e à língua portuguesa, a delegação de Goa da Fundação Oriente pretende valorizar os vínculos entre os dois países.

Para assinalar a data, Carlos Monjardino, presidente do conselho de administração da Fundação Oriente, bem como João Amorim, vogal do conselho de administração, estiveram em Goa, entre os dias 27 de Janeiro e 2 de Fevereiro, marcando também presença no segundo encontro anual das delegações de Goa, de Macau e de Timor-Leste. No âmbito das celebrações, a delegação de Macau deu a conhecer em Goa as obras de uma artista da região, Tsang Tseng Tseng e realizou-se também o Festival de Música do Monte, um dos mais importantes eventos do calendário cultural de Goa, que contou com a actuação da fadista portuguesa Cuca Roseta. Ainda no âmbito das efemérides, realizaram-se concertos de violino e guitarra portuguesa no Indian Council for Cultural Relations (ICCR), na capital indiana, Nova Deli.

“A Fundação Oriente não é apenas uma ponte entre Oriente e Ocidente, mas também entre diferentes partes do Oriente onde se fala Português e onde tem Delegações que colaboram entre si”, lê-se na nota oficial sobre as comemorações das efemérides, que destaca também que, ao longo dos últimos 30 anos, “a delegação da Fundação Oriente na Índia tem apoiado projectos de ensino da língua portuguesa nas escolas secundárias de Goa, bem como contribuído para a difusão da cultura, não só com apoios nas áreas da música, teatro, dança e literatura, como também através da realização de festivais, concertos, seminários, conferências, publicações e exposições de artistas indianos e portugueses, com intercâmbios entre os dois países”.

Um “papel determinante” nas relações Portugal-Índia

Paulo Gomes é o delegado da Fundação Oriente em Goa desde Junho de 2022. Ao Ponto Final, destaca o “papel determinante” da delegação nas relações entre os dois países.

O responsável começa por assinalar que a presença de três décadas da instituição em Goa surgiu “num período fundamental para voltar a estabelecer os laços entre Portugal e Índia”. Depois do restabelecimento das relações diplomáticas entre a Índia e Portugal, em 1975, “praticamente nada existia, sob o ponto de vista cultural, nas relações entre Portugal e Goa e Portugal e a Índia”, e foi então que Carlos Monjardino, a sugestão de Mário Soares, decidiu implementar uma delegação da Fundação Oriente em Goa. Depois de as autoridades indianas terem percebido que a intenção não era política ou religiosa, mas sim cultural e educativa, o Governo Central indiano deu luz verde ao projecto.

Paulo Gomes destaca, em primeiro lugar, o papel da delegação no que toca ao ensino de língua portuguesa. A Fundação paga os honorários a cerca de 20 professores goeses que ministram português em 20 escolas secundárias, num universo de 1100 alunos. “Substituímos o Governo e pagamos os honorários desses professores, que é também uma forma de manter o português vivo em Goa”, diz o responsável. A par disso, são organizados cursos e workshops de português para professores.

No âmbito do ensino da língua portuguesa, há também um programa de bolsas de estudo em que é atribuído todos os anos três ou quatro bolsas para alunos do ensino superior e para investigadores que querem ir à Índia fazer os seus estudos, ou, ao contrário, investigadores e professores indianos que querem ir para Portugal.

Depois há também a área das artes performativas: “Nós temos uma galeria de arte com uma exposição permanente de um brilhante artista goês, António Xavier Trindade, que tem sido também um bom marco de ligação até para indianos que nos visitam de outros estados e que acham a colecção lindíssima”. Há ainda prémios para projectos de artes visuais e o já referido Festival de Música do Monte, por exemplo.

Uma outra área de actuação da delegação da Fundação Oriente em Goa tem a ver com a publicação e literatura. “Nós temos as nossas próprias publicações anuais sobre a Goa, sobre a Índia, um conjunto interminável de conferências, de workshops que também desenvolvemos aqui na Fundação, com escritores, autores portugueses, brasileiros, indianos”, assinala Paulo Gomes.

Outro aspecto “essencial” tem a ver com a recuperação do património, essencialmente património com ligações a Portugal, como igrejas e capelas, mas também algum património hindu. Por fim, destaque para a acção social da delegação em Goa. “Nós temos tido aqui um papel importante, quer a apoiar organizações governamentais, quer a apoiar idosos ou orfanatos”, diz o delegado.

Para Paulo Gomes, a maior conquista da delegação tem sido a preservação do ensino da língua portuguesa: “A grande conquista foi os jovens de hoje poderem estar em escolas a aprender português, tendo novamente contacto com a língua portuguesa”. Outra vitória, refere, tem a ver com “a abertura da Fundação para a diversidade”. “Ter aceitação e reconhecimento das entidades governamentais, da sociedade civil, dos empresários, é algo que nos deixa muito satisfeitos e creio que é a maior conquista”, frisa.

Reforçando que a relação da delegação com todos os sectores da sociedade de Goa “é fantástica”, Paulo Gomes sublinha: “A nós não nos interessa política, não nos envolvemos em religião, estamos aqui para não perder aquilo que foram os quase 450 anos de presença portuguesa aqui, a herança histórica, religiosa, cultural e patrimonial que existe entre os dois países”.

O delegado da Fundação adianta que, para o futuro, está prevista uma iniciativa nova que pretenderá dar novas oportunidades a raparigas abandonadas que estão em orfanatos na vertente da formação linguística ou das artes, por exemplo. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”

andrevinagre.pontofinal@gmail.com