Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Timor-Leste e Singapura reforçam diálogo político e cooperação em vários sectores

Timor-Leste e Singapura decidiram na sexta-feira reforçar o diálogo político e a cooperação nos setores da economia, educação e saúde no âmbito da primeira visita de um primeiro-ministro daquele país a Díli


“Singapura tem sido um parceiro de confiança e um amigo de Timor-Leste. Tem apoiado o nosso povo, as nossas instituições e a nossa preparação para a adesão à ASEAN [Associação das Nações do Sudeste Asiático]”, afirmou Xanana Gusmão, em conferência de imprensa, após um encontro com o seu homólogo, Lawrence Wong.

“Timor-Leste espera dar continuidade aos resultados desta visita, incluindo nas áreas da cooperação no âmbito da ASEAN, mobilidade laboral, educação, saúde, investimento, conectividade e assuntos regionais”, salientou o líder timorense.

Durante o encontro, Singapura anunciou também a intenção de abrir determinados setores da sua economia a trabalhadores timorenses. “É um anúncio importante. Representa um desenvolvimento muito significativo nas relações entre os nossos dois países”, afirmou Xanana Gusmão, que destacou que será uma oportunidade para os trabalhadores timorenses adquirirem competências e experiência profissional.

O primeiro-ministro de Singapura considerou a visita como “histórica” por ser a primeira que um chefe de Governo do seu país faz a Díli, mas também por se realizar durante o primeiro ano em que Timor-Leste é membro de pleno direito da ASEAN.

“Singapura sente-se privilegiada por poder acompanhar Timor-Leste no seu percurso de construção da nação”, disse Lawrence Wong, recordando que o apoio do seu país começou ainda antes da restauração da independência.

Lawrence Wong disse também que Singapura vai continuar a apoiar Timor-Leste na integração regional e reforçar o programa para preparar a presidência de Timor-Leste da ASEAN.

Sobre a mobilidade laboral, o chefe do Governo de Singapura salientou que é uma iniciativa “vantajosa para ambas as partes”. “Timor-Leste é uma nação jovem, mas acreditamos que possui um enorme potencial de desenvolvimento e crescimento. Singapura fará a sua parte para ajudar Timor-Leste a ter sucesso”, salientou.

No âmbito da visita foi também assinado um memorando de entendimento para estabelecer consultas bilaterais entre os ministérios dos Negócios Estrangeiros de ambos os países.

Lawrence Wong chegou quinta-feira a Timor-Leste para uma visita de 24 horas, que terminou sexta-feira com um banquete oficial.

Antes do encontro com o primeiro-ministro, Lawrence Wong recebeu o Grande Colar da Ordem de Timor-Leste no Palácio da Presidência e reuniu-se com o chefe de Estado, José Ramos-Horta. Na altura, José Ramos-Horta salientou que “Singapura tem sido um parceiro inabalável” no percurso de construção de Timor-Leste e disse estar convicto de que a visita de Lawrence Wong “abrirá novos e estimulantes capítulos” nas relações bilaterais. In “Ponto Final” - Macau


sexta-feira, 26 de junho de 2026

Portugal – Xanana Gusmão distinguido com o Prémio Jorge Miranda na Universidade de Lisboa

O primeiro-ministro timorense recebeu a distinção que destaca a defesa dos Direitos Humanos e da Constituição, dedicando o galardão ao povo de Timor-Leste


O primeiro-ministro de Timor-Leste, Kay Rula Xanana Gusmão, foi distinguido com o Prémio Professor Doutor Jorge Miranda - Constituição e Direitos Humanos, numa cerimónia que decorreu na Aula Magna da Universidade de Lisboa. Promovida pela Faculdade de Direito da ULisboa, a iniciativa reconhece personalidades que se destacam na defesa do Estado de Direito e dos valores constitucionais.

Durante o seu discurso, o líder timorense dedicou o prémio aos mártires da pátria e aos milhares de cidadãos que lutaram pela independência do país. Xanana Gusmão sublinhou que a homenagem não se centrava na sua figura individual, mas sim no percurso coletivo de um povo que lutou, sofreu e perseverou para alcançar a liberdade, a dignidade e a autodeterminação.

O governante manifestou ainda o seu orgulho por receber um galardão associado ao nome de Jorge Miranda, a quem considerou uma das maiores referências do constitucionalismo na língua portuguesa e um amigo de longa data de Timor-Leste. Na ocasião, destacou também o contributo fundamental do jurista para o debate constitucional e para o fortalecimento da cultura jurídica do país. Universidade de Lisboa - Portugal


segunda-feira, 18 de maio de 2026

Timor-Leste - Xanana Gusmão recorda que foi através da língua portuguesa que a resistência falou ao mundo

O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, afirmou que a língua portuguesa ocupa um “lugar especial” na história da resistência, porque foi através do português que “Timor-Leste falou ao mundo”


“A língua portuguesa ocupa igualmente um lugar especial na história da nossa resistência. Foi através desta língua que Timor-Leste falou ao mundo. Foi esta língua que levou a causa timorense às Nações Unidas, às organizações internacionais e aos países amigos. A língua portuguesa tornou-se símbolo de identidade, de resistência e de continuidade histórica do Estado timorense”, disse o primeiro-ministro timorense, no discurso divulgado à imprensa.

Xanana Gusmão participou ontem na cerimónia de celebração do 24.º aniversário da restauração da independência, que se assinala na quarta-feira, no Arquivo e Museu da Resistência Timorense, que inclui a inauguração de uma exposição e um lançamento de um livro, denominado “Vida da Resistência”.

“Quando o invasor proibiu o uso do português, o povo timorense continuou a falar [o português] em segredo. Continuou a resistir em português. Assim, a língua portuguesa tornou-se uma língua de resistência”, salientou Xanana Gusmão.

Na sua intervenção na “Casa Sagrada”, o líder timorense destacou também que o 20 de Maio não é apenas uma data histórica, mas a “prova de que uma nação, mesmo pequena, pode alcançar grandes vitórias quando luta com coragem, em plena consciência, com unidade nacional e com um profundo amor à pátria”. “Hoje, não celebramos apenas a independência de um Estado. Celebramos, acima de tudo, a sobrevivência de uma nação. Celebramos a vitória da memória contra o esquecimento. Celebramos a vitória da esperança contra o medo e a vitória da dignidade humana contra a opressão”, afirmou Xanana Gusmão.

O primeiro-ministro deixou igualmente uma mensagem aos jovens, que representam a maioria da população do país. “A geração da resistência entregou-vos a liberdade. Agora cabe-vos defender o futuro desta nação. A luta da vossa geração já não se trava nas montanhas. A luta de hoje faz-se através da educação, do conhecimento, da disciplina, da honestidade e do trabalho”, disse Xanana Gusmão. “Precisamos de jovens preparados para defender a identidade, a cultura, a memória e os valores da resistência. Precisamos de jovens capazes de transformar o sofrimento do passado numa força para construir um futuro melhor”, acrescentou.

As celebrações do 24.º aniversário da restauração da independência tiveram início no domingo com a inauguração de uma feira de culinária local em Tasi Tolu e vão incluir também uma missa e a deposição de uma coroa de flores aos Heróis da Pátria, na terça-feira no cemitério de Santa Cruz, e a cerimónia de hastear da bandeira nacional, na quarta-feira. In “Ponto Final” - Macau


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Timor-Leste e Guiné-Bissau: Xanana Gusmão pede desculpa, mas não fala de acusações de “demência” e “pedofilia”

Xanana Gusmão pediu desculpa à Guiné-Bissau e cancelou a Missão de Bons Ofícios da CPLP após ter classificado o país como “Estado falhado”. Enquanto Bissau acusou o líder timorense de “demência” e falta de legitimidade, vozes internas questionam a autoridade moral de Timor-Leste


O Primeiro-Ministro de Timor-Leste, Kay Rala Xanana Gusmão, pediu desculpa à Guiné-Bissau, depois de ter classificado o país como um “Estado falhado”. A declaração provocou forte reação das autoridades guineenses, que acusaram o líder timorense de falta de legitimidade moral e recorreram a ataques pessoais. Xanana pediu desculpa, mas não respondeu às acusações de demência, senilidade e pedofilia feitas pelo porta-voz do Conselho Nacional de Transição (CNT).

“Já pedi desculpa ao Governo transitório da Guiné-Bissau. Não estou a defender-me. Estou com a cabeça baixa”, declarou esta segunda-feira, 16 de fevereiro.

Na sequência da polémica, o chefe do Governo anunciou o cancelamento da Missão de Bons Ofícios da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) à Guiné-Bissau, decisão tomada em conjunto com o Presidente José Ramos-Horta. A missão, que integraria representantes de Angola e São Tomé e Príncipe, tinha como objetivo interceder pela libertação dos detidos na crise de 26 de novembro de 2025 e apoiar a restauração da ordem constitucional. Estava prevista para decorrer entre 18 e 21 de fevereiro.

As declarações que desencadearam a crise diplomática foram proferidas na quinta-feira, 12 de fevereiro, após um encontro com o Presidente da República. Xanana Gusmão afirmou que, após o recente golpe militar, a Guiné-Bissau deixou de ser apenas um “Estado frágil” para se tornar um “Estado falhado”, sublinhando que Timor-Leste já havia ajudado a estruturar o sistema eleitoral guineense.

Em resposta, o Governo de transição da Guiné-Bissau emitiu, no mesmo dia, um comunicado oficial considerando que as afirmações revelam “falta de dignidade, postura política e moral”. A nota questiona o percurso político de Xanana Gusmão e refere que José Ramos-Horta “tem sido associado, no debate público, a posicionamentos considerados controversos, que levantam dúvidas sobre a sua estabilidade e coerência política”. O executivo guineense sublinha que “estes fatores tornam difícil compreender como figuras com esse perfil assumem responsabilidades de liderança” na CPLP e garante que “não aceita, nem aceitará qualquer tentativa de humilhação pública”.

No dia seguinte, em conferência de imprensa em Bissau, o porta-voz do CNT, Fernando Vaz, classificou as palavras do Primeiro-Ministro timorense como um “erro diplomático” e “delírio de uma cabeça em decadência”. Questionou ainda a legitimidade de Timor-Leste para assumir um papel de mediação. “Quem diz que a Guiné-Bissau é um Estado falhado é quem nomeia indivíduos para mediar o conflito na Guiné. Se somos um Estado falhado, o que estão a fazer aqui?”

Vaz afirmou também que “a idade não trouxe sabedoria” a Xanana Gusmão e considerou que, antes de qualificar outros Estados, o líder timorense deveria refletir sobre a situação interna do seu país. “Timor-Leste é um Estado fachada, que sobrevive sob tutela de potências externas e não tem legitimidade para exportar diagnósticos de fracasso.”

Segundo o porta-voz, a pretensão de Timor-Leste em assumir a presidência da CPLP “não é uma oportunidade de união, mas sim o anúncio de um funeral moral para a organização. Como pode uma comunidade que se diz de pais e irmãos ser liderada por uma dupla de marginais políticos que alternam entre o cinismo diplomático e a demência senil?”.

Afirmou também que enquanto Xanana Gusmão exibe a sua demência popular em nações soberanas de Estados falidos, “esquecendo-se da sua própria captura vergonhosa num bordel, longe de qualquer ato de bravura, Ramos-Horta atua como relações-públicas do oportunismo. São dois lados da mesma moeda”.

“A Guiné-Bissau é um Estado soberano, forjado na luta pela libertação nacional, e não aceita ser diminuída por quem confunde a sorte política com o mérito pessoal. Esta dupla de saltimbancos só deve ser habilitada para mediar pedofilia e demência, sendo presunção a mais pretender ser mediadora para a Guiné-Bissau”, criticou.

Virgílio Guterres analisa declarações de Xanana Gusmão e cancelamento da missão da CPLP à Guiné-Bissau

O Provedor dos Direitos Humanos e Justiça (PDHJ), Virgílio Guterres, avaliou as declarações do Primeiro-Ministro timorense, Kay Rala Xanana Gusmão, sobre a Guiné-Bissau, considerando que, embora a afirmação tenha sido forte, não deve ser interpretada como um ataque direto ao povo guineense.

“Acredito que o Primeiro-Ministro identificou o problema. Ele colocou o dedo na ferida, mas a linguagem utilizada não soou bem aos ouvidos do Governo de transição na Guiné-Bissau”, afirmou Virgílio Guterres.

O Provedor salientou ainda que, enquanto o regime guineense pode ter-se sentido ofendido, muitos cidadãos e alguns políticos da Guiné-Bissau interpretaram a declaração de Gusmão como um reflexo da realidade e não como uma ofensa. “A verdade não ofende o povo, mas ofendeu o regime”, disse.

Em relação à resposta oficial da Guiné-Bissau, que manifestou “profunda indignação e veemente repúdio” às declarações do chefe do Governo timorense, Virgílio Guterres defendeu que o restabelecimento do diálogo depende da postura dos líderes guineenses. “Qualquer processo relativo à Guiné-Bissau vai depender dos políticos do país, bem como do apoio da população. Uma coisa é certa: golpes de Estado não são solução. Já ocorreram dezenas de golpes e demonstraram que não constituem uma medida correta nem eficaz para o povo guineense”, afirmou.

O Provedor enfatizou ainda que Timor-Leste, na qualidade de presidente da CPLP, tem a obrigação de continuar a promover o diálogo e a restaurar os princípios da organização, que incluem a promoção do Estado Democrático e do Estado de Direito.

Sobre o cancelamento da Missão de Bons Ofícios da CPLP à Guiné-Bissau, Virgílio Guterres expressou preocupação quanto às possíveis consequências políticas. “A democracia está em risco na Guiné-Bissau. A violação dos direitos humanos, a detenção arbitrária de políticos da oposição e de ativistas de direitos humanos são questões que necessitam de supervisão internacional, e a ausência dessa supervisão pode desestabilizar o país”, alertou.

Questionado sobre as acusações de pedofilia e de demência dirigidas ao Primeiro-Ministro timorense, Virgílio afirmou que se tratam de ataques pessoais. “A questão em foco não é sobre abuso sexual ou pedofilia; o ataque pessoal é a clássica arma dos ignorantes quando faltam argumentos”.

Para restaurar a estabilidade e a dignidade da Guiné-Bissau, o Provedor sublinhou que é fundamental que os líderes guineenses cumpram os compromissos históricos de independência e soberania e respeitem os princípios de democracia e Estado de Direito. “O povo guineense deve colocar os interesses da nação à frente dos interesses partidários ou de grupos específicos”, concluiu Virgílio Guterres.

Parlamento reage à crise diplomática com apelos à responsabilidade institucional e defesa da imagem do Estado

No Parlamento Nacional, o deputado da FRETILIN, Antoninho Bianco, comentou a polémica envolvendo a declaração do Primeiro-Ministro sobre a Guiné-Bissau, destacando a necessidade de evitar insultos públicos em organizações, sejam pequenas ou grandes, como a CPLP.

“Acho que dentro do princípio de uma organização, sobretudo da CPLP, não podemos e não devemos perder energia com insultos. Insultar pessoas em público não é bom”, afirmou Bianco.

O deputado sublinhou que a diplomacia deve ser conduzida com respeito e compreensão, evitando ataques verbais que possam prejudicar relações internacionais. “Na regra da diplomacia, não é bem assim. Ajudar uns aos outros é normal. No passado, enfrentámos situações difíceis, e outros países também nos ajudaram sem reservas. É importante usar palavras apropriadas, para que o nome de Timor-Leste não seja prejudicado pelo comportamento de uma ou duas pessoas”, declarou Antoninho Bianco.

Bianco reforçou ainda a importância da solidariedade entre países, especialmente em momentos de crise. “Neste momento, outro país está a enfrentar uma situação difícil, por isso precisamos de ajudar. As relações entre países e povos devem visar o interesse humano e do Estado”, concluiu.

Florentinho Ximenes “Sinarai”, deputado da FRETILIN, questionou a recente deslocação do Presidente da República ao estrangeiro, levantando dúvidas sobre o enquadramento da visita e os custos associados.

“Esta deslocação resultou de um convite formal de alguma entidade estrangeira ou partiu de uma iniciativa nossa? Estamos a enviar cartas para que nos convidem? Porque foi gasto tanto dinheiro público?”, questionou o parlamentar.

O deputado associou ainda a visita presidencial às declarações recentes das autoridades da Guiné-Bissau, que acusaram líderes timorenses de promoverem a prostituição.

“É este o resultado da visita? O Governo de Timor-Leste deve responder de imediato às declarações da Guiné-Bissau. Não podemos permitir que um país fale de nós dessa forma. Foi na sequência dessa deslocação que a situação evoluiu para este ponto”, afirmou Florentinho Ximenes.

A Presidente do Parlamento Nacional, Fernanda Lay, reagiu às declarações do deputado da oposição, afirmando que “a CPLP já sancionou a Guiné-Bissau, que neste momento se encontra fora da Assembleia Parlamentar da CPLP (AP-CPLP)”.

Sobre a possibilidade de uma resposta oficial às acusações, a líder parlamentar questionou a existência de fundamentos concretos. “Devemos perguntar se há verdade ou não nas afirmações. Se não houver factos, estamos apenas a perder tempo”, afirmou.

Fernanda Lay sublinhou que Timor-Leste já prestou apoio à Guiné-Bissau em diversas ocasiões e considerou não haver razão para responder a declarações que classificou como desprovidas de argumentos. “Timor-Leste já ajudou muitas vezes. Não há motivo para responder a quem apenas utiliza insultos. É verdade que estamos a promover prostituição? Todos nos conhecemos, Timor é um país pequeno”, declarou.

A Presidente do Parlamento acrescentou que, apesar da indignação, é necessário evitar uma escalada verbal. “Podemos ficar zangados, mas não devemos gastar energia a responder a quem não apresenta argumentos políticos consistentes”, concluiu.

“Não há legitimidade moral para comentar a situação de outro Estado quando o próprio país pode caminhar para a bancarrota”

O jurista Armindo Moniz afirmou que, relativamente a assuntos externos, é necessário basear posições em dados e factos devidamente apurados. “Quanto às declarações do Primeiro-Ministro, creio que podem ter implicações nas relações bilaterais entre Estados-membros da CPLP”, disse.

Para o jurista, a segunda questão prende-se com a situação interna de Timor-Leste. Segundo o Banco Mundial e outros investigadores, o país poderá enfrentar risco de bancarrota nos próximos anos. “Perante este cenário, não há legitimidade moral para comentar a situação de outro Estado quando o próprio país pode caminhar para a bancarrota”, afirmou, referindo-se a Xanana Gusmão e José Ramos-Horta.

“De acordo com alguns estudos, dentro de três ou quatro anos Timor-Leste poderá enfrentar sérias dificuldades financeiras. Porque é que não traçam políticas para prevenir essa situação, promovendo poupança e evitando o desperdício de recursos públicos?”, questionou.

Armindo Moniz acrescentou que, se o Primeiro-Ministro e o Presidente da República falassem na qualidade de académicos ou observadores internacionais, poderiam emitir opiniões com base em dados e análises. “Mas são titulares de órgãos de soberania. A prioridade deve ser exercer as suas funções para prevenir riscos internos. Nessas circunstâncias, não têm legitimidade moral para comentar outro Estado”, criticou.

O jurista acusou ainda os dois governantes de não enfrentarem os problemas estruturais do país. “Há desperdício de recursos, multiplicação de cargos ministeriais e recrutamento de assessores que pouco contribuem para o desenvolvimento. Isso fragiliza o Estado”, afirmou.

Moniz referiu também o aumento de contratações de funcionários casuais para cumprir promessas políticas, considerando que tais práticas não trazem benefícios ao país. “Isto revela má gestão. Enfraquecer instituições independentes, como a Comissão Anticorrupção, é facilitar um caminho que pode conduzir à bancarrota”, concluiu.

A troca de acusações públicas — que passou do plano político para o ataque pessoal — expôs fragilidades diplomáticas entre dois Estados-membros da CPLP e levantou dúvidas sobre a capacidade da organização para atuar como mediadora em contextos de crise. Entre o pedido de desculpas de Xanana Gusmão, o cancelamento da missão e as críticas internas à gestão do país, a polémica ultrapassa a dimensão bilateral e projeta-se sobre a credibilidade internacional de Timor-Leste e da própria comunidade lusófona. Joana Silva – Timor-Leste in Diligente


sexta-feira, 14 de março de 2025

Timor-Leste - Transferência de pacientes para hospital em Atambua gera controvérsia

A possibilidade de encaminhar pacientes timorenses para tratamento em Atambua, Indonésia, está a gerar forte polémica em Timor-Leste. Enquanto o Presidente da República, José Ramos-Horta, defende a medida como uma alternativa viável para reduzir custos, várias entidades consideram-na uma vergonha nacional e um sinal da degradação do sistema de saúde do país



A eventualidade do governo encaminhar pacientes timorenses para tratamento no Hospital Geral Regional Gabriel Manek, em Atambua, Indonésia, está a gerar forte controvérsia em Timor-Leste. O Presidente da República, José Ramos-Horta, defende a medida como uma solução para reduzir custos, mas deputados da oposição e especialistas alertam para a perda de soberania e a falta de investimento no sistema de saúde nacional. Críticos classificam a decisão como uma “vergonha nacional”, questionando a transparência do acordo e a qualidade dos serviços médicos na Indonésia.

A discussão intensificou-se após o Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão, ter afirmado que a recomendação partiu de Ramos-Horta e que a parceria com o hospital indonésio permitiria reduzir os elevados custos dos tratamentos no exterior, nomeadamente em Singapura e na Malásia.

A medida levanta críticas entre vários setores da sociedade, que consideram inaceitável que o Hospital Nacional Guido Valadares (HNGV), o maior hospital de Timor-Leste, seja ultrapassado por uma unidade distrital indonésia. Para muitos, esta decisão demonstra a degradação do sistema de saúde nacional e a falta de investimentos para o melhorar.

A deputada Maria Angelina Sarmento, do Partido Libertação Popular (PLP), criticou a decisão, considerando que a transferência de pacientes para Atambua “diminui a dignidade de Timor-Leste”. Para a deputada, a medida transmite a ideia de que os recursos humanos e a qualidade do HNGV são inferiores aos de um hospital municipal indonésio.

“Timor-Leste deveria ter apostado num hospital de nível internacional dentro do país. Se continuarmos a depender de hospitais estrangeiros, estaremos apenas a fortalecer os sistemas de saúde dos outros enquanto o nosso permanece atrasado”, afirmou.

Preocupações com transparência e qualidade dos serviços

Além da questão da soberania, surgem dúvidas sobre a transparência nos acordos bilaterais e a qualidade dos serviços médicos em Atambua. A deputada da FRETILIN, Nurima Ribeiro Alkatiri, manifestou preocupação com a falta de investimento nos hospitais e centros de saúde nacionais.  “O foco deveria ser o fortalecimento do nosso próprio sistema de saúde, em vez de transferências para outros países, que perpetuam a fragilidade do setor”, destacou.

Nurima Alkatiri acrescentou que, embora o governo justifique a decisão com o alto custo dos tratamentos no estrangeiro, não está claro porque se optou por Atambua, um local que, segundo declarações do próprio Presidente da Indonésia, enfrenta dificuldades em responder às necessidades locais.

“Se Atambua tem falta de recursos para os próprios cidadãos, como poderá garantir assistência adequada aos pacientes timorenses?”, questionou.

O académico e jurista Armindo Moniz também levantou dúvidas sobre a qualidade dos serviços prestados no hospital indonésio, explicando que Atambua é classificado como hospital de grau C, enquanto o HNGV deveria, teoricamente, ter uma classificação superior.

“Se estamos a transferir pacientes do nosso hospital nacional para um hospital de classe C, isso significa que o HNGV é um hospital de classe D? Se for esse o caso, o nosso sistema de saúde está numa situação gravíssima”, alertou.

Desigualdade no acesso à saúde

Outro ponto de crítica diz respeito à desigualdade no acesso aos serviços de saúde. Segundo Moniz, a transferência para Atambua destina-se apenas aos mais pobres, sob o pretexto de reduzir custos, enquanto os líderes políticos continuam a viajar para tratamentos de luxo no estrangeiro.

“Se o governo quer cortar despesas, porque não reduz os salários dos assessores, ministros e deputados, ou elimina subsídios injustificados dos membros do Parlamento Nacional?”, questionou.

Maria Angelina Sarmento criticou o governo, alertando que “o Estado está a falhar no seu dever de garantir assistência médica digna aos cidadãos”.

Deputados da oposição têm criticado repetidamente a falta de investimento na saúde, especialmente nos debates sobre o Orçamento Geral do Estado (OGE). Segundo Maria Angelina Sarmento, o governo rejeitou propostas para reforçar o orçamento do setor, canalizando verbas para infraestruturas que beneficiam apenas alguns grupos.

“O setor da saúde continua subvalorizado porque o governo não reconhece as pessoas como o fator mais importante. Um país que não investe no bem-estar do seu povo está a comprometer o seu próprio futuro”, alertou Maria Angelina. A deputada reforçou que um investimento adequado no setor da saúde contribuiria não só para a melhoria do bem-estar da população, mas também para o crescimento económico.

“A solução não passa apenas por reduzir os custos com tratamentos no exterior. O problema real é a incapacidade e falta de vontade do governo em criar um sistema de saúde eficiente dentro do país”, frisou Nurima Alkatiri.

Propostas para um sistema de saúde mais autossuficiente

A oposição defende que, em vez de depender de hospitais estrangeiros, o governo deveria investir na criação de centros especializados em oncologia e cardiologia no país, uma necessidade reconhecida, mas que não recebeu qualquer alocação orçamental para 2025. “Essa era uma promessa do governo, mas agora parece que deixou de ser prioridade”, lamentou Nurima Alkatiri.

Além disso, a deputada propõe modernizar e equipar os hospitais nacionais e regionais para garantir um atendimento de qualidade; reforçar a formação e retenção de médicos timorenses, promovendo a especialização dentro do país; garantir o fornecimento contínuo de medicamentos e equipamentos médicos; implementar programas de prevenção e diagnóstico precoce para reduzir a necessidade de tratamentos dispendiosos e criar parcerias com universidades e hospitais estrangeiros para capacitar profissionais timorenses.

Maria Angelina Sarmento também pediu uma avaliação rigorosa das decisões da junta médica, denunciando alegados interesses financeiros de alguns elementos do Ministério da Saúde na seleção de pacientes para tratamento no exterior. “Há relatos de que certas pessoas influenciam as transferências para hospitais estrangeiros por interesses privados. Isto deve ser investigado”, afirmou.

Questionadas sobre as dívidas do governo a hospitais estrangeiros, as deputadas afirmaram que é obrigação do executivo encontrar soluções rápidas, de forma a não prejudicar ainda mais os pacientes timorenses que necessitam urgentemente desses tratamentos no exterior. Antes de estabelecer novos acordos de transferência de pacientes, o governo deve primeiro resolver as dívidas pendentes.

Caso haja suspeitas de irregularidades nos pagamentos, Maria Angelina Sarmento defendeu que “primeiro devem ser resolvidos os pagamentos pendentes e, depois, iniciada uma investigação para identificar eventuais responsáveis que possam estar a transformar esta situação numa oportunidade de negócio para interesses privados”, afirmou.

As deputadas sublinharam que o Parlamento Nacional tem o dever de fiscalizar e que esse papel deve ser exercido através de audiências com o Ministério da Saúde e outras instituições relevantes. No entanto, denunciaram que “a maioria parlamentar tem defendido o governo cegamente, mesmo quando são evidentes as falhas graves que têm ocorrido no setor e as suas consequências. Desta forma, a fiscalização tem-se tornado um mero cumprimento de burocracias, cujos relatórios muitas vezes não refletem os problemas identificados durante as audiências e inspeções, enfraquecendo assim o impacto que poderiam ter e que é necessário”, lamentaram.

Em 2024, a bancada da oposição do PLP apresentou uma denúncia ao Ministério Público sobre a adjudicação direta à empresa Salimagu para o fornecimento de medicamentos ao Instituto Nacional de Farmácia e Produtos Médicos. No entanto, até ao momento, o problema continua por resolver.

Armindo Moniz realçou que o governo precisa de alocar um orçamento adequado para melhorar os recursos e as infraestruturas de saúde. Segundo ele, isso permitiria reduzir a necessidade de enviar pacientes para o exterior e ajudaria a desenvolver um sistema de saúde autossuficiente no país. “O HNGV tem recursos humanos suficientes, mas os equipamentos precisam de mais atenção. O governo deveria cortar verbas de ministérios irrelevantes e eliminar subsídios desnecessários aos membros do governo e do Parlamento Nacional. Isso tem de acabar”, defendeu.

Além disso, Moniz recomendou que o Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão, faça uma remodelação governamental e coloque profissionais qualificados à frente do setor da saúde. “Deveria demitir a Ministra da Saúde, Élia Amaral, e nomear alguém com verdadeira capacidade para liderar o setor. Esta é uma questão técnica e deve ser conduzida por um profissional competente”, concluiu.

Ramos-Horta defende medida, Xanana promete avaliação

José Ramos-Horta justificou a proposta alegando que a transferência para Atambua permitiria uma resposta mais rápida e acessível às necessidades dos pacientes, especialmente quando o HNGV não tem equipamentos disponíveis ou estes estão avariados. “É mais barato enviar os pacientes para Atambua do que para Jacarta ou Singapura”, afirmou o Presidente da República.

O Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão, por sua vez, garantiu que a decisão ainda será avaliada e que o governo entrará em contacto com a Ministra da Saúde, Élia dos Reis Amaral, para examinar as condições do hospital antes de encaminhar pacientes.

“O Presidente disse que há técnicos qualificados lá. Se há doenças que não conseguimos tratar aqui, devemos analisar a experiência deles. Não podemos continuar a gastar milhões todos os anos em Singapura ou na Malásia”, explicou Xanana.

O chefe do governo também mencionou que Timor-Leste firmou uma parceria com Brunei Darussalam para formar profissionais de saúde timorenses em diversas especialidades, o que poderá reduzir a dependência externa no futuro. “No caso da cardiologia, por exemplo, se conseguirmos especializar os nossos médicos, não precisaremos mais de enviar pacientes para Singapura ou Austrália”, concluiu.

A decisão do governo continua a gerar divisões. Enquanto a liderança defende a transferência como uma solução económica, a oposição e especialistas defendem que sem investimentos urgentes no sistema de saúde nacional, a dependência de hospitais estrangeiros só irá agravar-se. Rilijanto Viana – Timor-Leste inDiligente


quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Timor-Leste - Xanana Gusmão diz que o país está a fazer progressos positivos para adesão à ASEAN em 2025

Xanana Gusmão, primeiro-ministro timorense, afirmou que Timor-Leste está a fazer progressos na adesão à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) no próximo ano. “Posso dizer que estamos a 50% de preparação“

O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, disse que Timor-Leste está a fazer “progressos positivos” para a aderir à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) no próximo ano, durante a presidência da Malásia da organização regional.

“Há certos requisitos, em alguns estamos avançados, e em outros menos, porque são mais difíceis de cumprir, porque há normas e leis. Em termos gerais posso dizer que estamos a 50% de preparação”, afirmou Xanana Gusmão.

O chefe do executivo timorense falava aos jornalistas no aeroporto de Díli, depois de uma visita oficial à Malásia, a primeira que fez àquele país, que vai assumir em Janeiro a presidência da ASEAN.

O primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, disse “que vai fazer todo o possível” para Timor-Leste ser membro pleno da ASEAN durante a presidência da Malásia, “que se dispôs a receber” os técnicos timorenses para formação, afirmou Xanana Gusmão.

Anwar Ibrahim deu o “exemplo do Camboja e do Laos que também levaram vários anos para entrar e depois de completarem os requisitos mais importantes, entraram e depois foram cumprindo os restantes”, acrescentou o primeiro-ministro timorense.

A vice-ministra para os Assuntos da Associação das Nações do Sudeste Asiático, Milena Rangel, que acompanhou o primeiro-ministro na viagem, disse aos jornalistas que o “progresso é positivo”, mas que há acordos económicos que ainda estão a ser tratados, porque as negociações levam mais tempo.

Durante a visita, os governos de Timor-Leste e da Malásia, assinaram também acordos relativos à isenção de vistos, à cedência de um terreno em Díli para a construção da embaixada daquele país em Timor-Leste e um último relativo a ligações aéreas da Batik Air.

Os Estados-membros da ASEAN chegaram a um acordo de princípio em Novembro de 2022 para integrar Timor-Leste na organização regional, passando o país a ter estatuto de observador e a poder participar em todas as reuniões, incluindo nas cimeiras.

A Presidência e o Governo timorenses decidiram apontar o ano de 2025 para a concretização da adesão plena, tendo em conta o cumprimento de um roteiro, que exige o estabelecimento de acordos e missões diplomáticas, construção de infraestruturas e preparação de recursos humanos, entre outros.

O primeiro-ministro viajou acompanhado ainda do vice-primeiro-ministro e ministro do Turismo e Ambiente, Francisco Kalbuadi Lay, e dos ministros dos Negócios Estrangeiros, Bendito Freitas, do Ensino Superior, José Jerónimo, da Saúde, Élia Amaral, e do secretário de Estado da Comunicação Social, Expedito Dias Ximenes. In “Ponto Final” - Macau


domingo, 13 de outubro de 2024

Prémios da Lusofonia 2024 homenageiam Xanana Gusmão e 14 outras personalidades

Histórico líder timorense recebeu o ‘Prémio Carreira’ na edição anual dos Prémios da Lusofonia, organizados em parceria com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e com a Câmara Municipal de Cascais


O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, foi homenageado na VIII edição da Gala Prémios da Lusofonia, numa cerimónia que distinguiu 15 personalidades dos nove países que têm a língua portuguesa como língua oficial, este sábado, no Estoril.

“Este meu prémio pertence ao povo timorense. Aos timorenses que lutaram pela integridade da nação e que se sacrificaram pela libertação do seu território. Coube-me o papel de liderar esta luta. Mas, em boa verdade, eu é que fui liderado pelo povo. Foram as mulheres, homens, jovens e crianças do meu amado país que me inspiraram, que me deram força e esperança, e que nunca me permitiram desistir nos momentos mais difíceis do meu percurso pelo qual sou hoje homenageado”, afirmou o histórico líder timorense, recordando os anos de luta pela autodeterminação de Timor-Leste.

Kay Rala Xanana Gusmão recebeu o ‘Prémio Carreira’ durante o evento anual dos Prémios da Lusofonia, que têm a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a Câmara Municipal de Cascais como entidades parceiras.

António Quintas, antigo embaixador de São Tomé e Príncipe em Portugal, e Manuel Nsua, primeiro-ministro da Guiné Equatorial e antigo diretor do Banco Nacional da Guiné Equatorial, receberam o ‘Prémio Mérito Lusófono’, enquanto Luísa Diogo, antiga primeira-ministra de Moçambique, e Filomena Gonçalves, ministra da Saúde de Cabo Verde, foram distinguidas com o ‘Prémio Especial Lusofonia’.

O ‘Prémio Língua Portuguesa’, que na edição do ano passado foi entregue ao Instituto Camões, distinguiu o escritor e jornalista brasileiro Edmilson Caminha.

Quanto aos galardoados portugueses, a fadista Ana Moura recebeu o ‘Prémio Música do Mundo’, o encenador e dramaturgo Filipe La Féria o ‘Prémio Teatro e Cinema’, o ativista Miguel Duarte o ‘Prémio Cidadania’, a apresentadora Liliana Campos o ‘Prémio Comunicação Social’ e a estilista e empresária Ana Sousa recebeu o ‘Prémio Moda e Estilismo’.

Na esfera das empresas, a ISQ recebeu o ‘Prémio Ação Empresarial, que em edições anteriores foi atribuído à Delta Cafés e a Rui Nabeiro.

O ‘Prémio Ambiente’ foi entregue a Josefa Sacko, comissária para a Agricultura e Economia Rural da União Africana (UA), o ‘Prémio Diplomacia’ a Maria de Fátima Jardim, atual Embaixadora de Angola na Albânia, o ‘Prémio Literatura’ a Abdulai Sila, engenheiro, economista e investigador social da Guiné-Bissau.

Em representação do presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, a vereadora Carla Semedo saudou a “celebração da herança cultural riquíssima que ultrapassa fronteiras” representada no evento dos Prémios da Lusofonia, aludindo à comunidade global de 270 milhões de falantes de língua portuguesa.

“É uma homenagem a essa diversidade, que nos enriquece mutuamente, e é um lembrete de que a nossa língua comum é uma força de coesão, capaz de promover o diálogo intercultural e a compreensão entre os povos. A comunidade da lusofonia é mais do que uma comunidade linguística. É uma comunidade de afetos, de partilhas e de sonhos comuns. (…) A lusofonia é um vasto oceano de diversidade. De Lisboa a Luanda, de São Paulo a Maputo, de Díli a Praia”, afirmou a vereadora.

Do lado da CPLP, o secretário executivo Zacarias da Costa falou da Gala Prémios da Lusofonia como “o palco onde se manifesta o poder transformador da cultura e da língua”. “Este é um momento que não apenas celebra as conquistas de figuras excecionais do nosso universo lusófono, mas também reafirma o compromisso da CPLP em promover e fortalecer os laços que unem os povos de língua portuguesa espalhados pelo mundo”, disse o diplomata timorense.

Sobre os laços da CPLP com os Prémios da Lusofonia, Zacarias da Costa aponta para um “reflexo da nossa convicção de que a promoção das culturas lusófonas e da língua portuguesa é uma missão coletiva e uma responsabilidade partilhada”, defendendo a importância do “intercâmbio cultural e fortalecimento das indústrias criativas pioneiras e estratégias no plano de ação da CPLP”. Sobre a “essência da lusofonia”, o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação explica-a como “a capacidade de criar pontes, de unir povos e de transformar a diversidade numa força motriz para o desenvolvimento”.

Lançados em 2017, os Prémios da Lusofonia reconhecem a vida e obra de cidadãos e cidadãs da lusofonia em várias áreas – em que “a paridade de género constitui ponto de honra” -, contando com Isabel Leitão como fundadora e mentora. In Jornal Económico” - Portugal




quinta-feira, 9 de maio de 2024

Timor-Leste - Falta de domínio do português enfraquece Estado de Direito

O primeiro-ministro de Timor-Leste afirmou que a falta de domínio da língua portuguesa enfraquece o Estado de Direito democrático e anunciou o recrutamento de jovens para estudarem ciências jurídicas nas universidades portuguesas.

“O nosso Estado ainda é frágil, porque as leis são feitas em português e os nossos magistrados não dominam o português e dependem muito da capacidade do assessor que vem e depois assinam e cometem erros de justiça. Isto é um grande problema”, afirmou Xanana Gusmão.

O primeiro-ministro timorense falava no Instituto Nacional de Formação de Docentes e Profissionais da Educação (Infordepe), em Díli, antes do início de um seminário alusivo ao Dia Mundial da Língua Portuguesa, celebrado no passado domingo.

“São 22 anos de independência, mas o futuro ainda é longo, e a língua é fundamental para a consolidação do Estado de Direito democrático. Isto é a maior fraqueza do Estado de Direito democrático e por isso vamos proceder a um recrutamento, escolher os melhores jovens, que dominem o português e que tenham inclinação para direito”, disse. “Eu vim do passado para lembrar que a língua portuguesa faz parte da nossa identidade e todos temos de contribuir para isso”, salientou o primeiro-ministro timorense.

O gabinete de Xanana Gusmão, através do Grupo de Trabalho para a Reforma do Sector da Justiça, divulgou na segunda-feira um programa para a atribuição de 48 bolsas de estudo para jovens que tenham terminado o 12.º ano em ciências sociais e humanidades e para timorenses que já estejam a frequentar licenciaturas em ciências jurídicas em universidades portuguesas.

O Governo timorense pretende também atribuir duas bolsas de estudo direcionadas para a realização da especialidade em medicina legal e destinam-se a licenciados em medicina legal com experiência profissional em patologia forense. A recepção de candidaturas já começou e decorre até 28 de Maio de 2024. In “Ponto Final” - Macau


sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Timor-Leste - Primeiro-ministro destaca vontade de solidificar Estado para servir a população

O primeiro-ministro timorense afirmou ontem o empenho em solidificar as instituições do Governo e do Estado para garantir que são adequadamente dimensionadas para servir a população

Xanana Gusmão disse que o Estado “não tem de ser grande”, mas tem que actuar e trabalhar de forma a “servir a população”, referindo-se ao que considerou ser o excessivo número de empresas e institutos públicos, que representam gastos adicionais. Xanana Gusmão falava aos jornalistas depois do encontro semanal com o Presidente timorense, José Ramos-Horta, no Palácio Presidencial, em Díli, com quem analisou os desafios do país.

Dois meses depois da posse, o Governo já aprovou o Orçamento Geral do Estado (OGE) retificativo para 2023, à espera de promulgação pelo Presidente timorense, continuando a avançar na aprovação das orgânicas de várias estruturas.

O Executivo e as várias instituições do Estado estão já a começar com o processo de preparação do OGE para o próximo ano, devendo ser identificadas e definidas, até 7 de Setembro, as actividades anuais e plurianuais.

O seminário das Jornadas Orçamentais decorre a 8 de Setembro e cinco dias depois prevê-se a aprovação do tecto orçamental, com as propostas de cada Ministério a serem entregues até 29 de Setembro. “Após os necessários ajustamentos às propostas sectoriais, prevê-se que o projecto de Proposta de Lei do Orçamento Geral do Estado para 2024 seja aprovado em Conselho de Ministros a 31 de Outubro e entregue ao Parlamento Nacional no dia 15 de Novembro”, indicou o Governo.

Esta semana, e entre outras medidas, o Governo fez algumas alterações na Saúde, um dos sectores mais complexos do país, especialmente numa altura em que Timor-Leste enfrenta carências de medicamentos. Nesse quadro, o Governo aprovou a criação do Instituto de Farmácia e Produtos Médicos, que substitui o Serviço Autónomo de Medicamentos e Equipamentos de Saúde (SAMES) timorense.

O novo instituto “poderá adquirir, designadamente por importação, produtos farmacêuticos e equipamentos médicos, produzir produtos farmacêuticos e equipamentos médicos, assegurar o controlo de qualidade dos bens adquiridos ou produzidos pelo instituto e assegurar as melhores práticas de armazenamento e distribuição ao Serviço Nacional de Saúde, e a sua revenda às farmácias e unidades privadas de saúde nacionais, quando necessário”, referiu o Governo.

Foi igualmente aprovado o novo regime da Assistência Médica no Estrangeiro, necessário para colmatar as carências ainda existentes no país, de forma a adequá-lo “à atual realidade do país, bem como às práticas vigentes”.

Entre outros aspetos, o diploma clarifica e harmoniza os conceitos com as práticas legislativas actuais, “esclarece-se e reduz-se a linha de atuação dos vários intervenientes nos procedimentos de assistência médica no estrangeiro, evitando redundâncias e atos desnecessários para assegurar uma assistência médica mais rápida e eficaz”. In “Ponto Final” - Macau com “Lusa”


quarta-feira, 12 de maio de 2021

Timor-Leste – Xanana Gusmão, um dos autores distinguido com o Prémio Literário Guerra Junqueiro Lusofonia 2021 organizado pelo Freixo Festival Internacional de Literatura

A escritora portuguesa Hélia Correia venceu o Prémio Literário Guerra Junqueiro, do Festival Internacional de Literatura de Freixo de Espada à Cinta, que lhe será entregue na próxima edição, em Julho, anunciou esta terça-feira a organização


Díli – Xanana Gusmão venceu, em representação de Timor-Leste, o prémio literário Guerra Junqueiro Lusofonia de 2021.

Ricardo Antunes, professor de português, recorda que Xanana Gusmão não é só reconhecido pela luta na libertação do país mas também pela sua qualidade literária.

“Desde cedo, mostrou dotes para a escrita, tendo ganho o Prémio Revelação da Poesia Ultramarina, em 1973, e o 1.º Prémio do Concurso Literário de 1975 do CITT (Centro de Informação e Turismo de Timor), com um poema em jeito de epopeia, que viria a ser publicado em partes pelo jornal A Voz de Timor”, recordou.

O professor lembra também que Xanana escreveu, entre 1977 e 1981, os textos “Pátria e Revolução” e “Guerra, Temática Fundamental do Nosso Tempo”.

“Em 1994, publicou pela primeira vez o livro ‘Timor-Leste – Um Povo, Uma Pátria’, obra que veio a ser referência, quer em Timor-Leste quer no estrangeiro, tendo sido já reeditada”, acrescentou.

Segundo Ricardo Antunes, foi, contudo, na poesia que o líder timorense se destacou.

“No livro ‘Mar Meu’, de 1998, reuniram-se vários poemas de Xanana Gusmão, escritos no período de 1994 e 1996, durante a prisão em Cipinang. Estes poemas de Xanana conquistaram a crítica literária em língua portuguesa, tendo sido bastante difundidos em países como Angola, Guiné-Bissau, Moçambique, Brasil e Portugal”, explicou.

Na categoria principal deste ano, a premiada é a escritora portuguesa Hélia Correia.

Nesta quinta edição deste festival literário, além de Xanana, são agraciados com o Prémio Literário Guerra Junqueiro Lusofonia 2021 Agustin Nze Nfumu pela Guiné Equatorial, Albertino Bragança por São Tomé e Príncipe, Vera Duarte Pina por Cabo Verde, Abraão Bezerra Batista pelo Brasil, Abdulai Sila pela Guiné-Bissau, Luís Carlos Patraquim por Moçambique por Moçambique e João Tala por Angola.

O Prémio Literário Guerra Junqueiro foi criado em 2017 e incluído no Festival Internacional de Literatura de Freixo de Espada à Cinta, um município português, terra-natal do escritor Guerra Junqueiro.

O festival atribui, desde 2020, prémios a escritores de países lusófonos, sendo que este ano Timor-Leste e a Guiné Equatorial participaram pela primeira vez. Isaura Lemos – Timor-Leste in “Timor Post”