Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, partiu de Lisboa para Madrid referindo que as ligações do território com Portugal estão cada vez mais estreitas e que o caminho da cooperação está traçado. Em encontros com ministros, destacou que “a língua [portuguesa] não é questão que mereça preocupação”, quer ao nível do ensino, quer no uso pelos tribunais
“Posso garantir que a língua não é
questão que mereça preocupação.” Foi desta forma que o Chefe do Executivo da
RAEM, Sam Hou Fai, se referiu ao panorama do ensino e uso da língua portuguesa
no território em reuniões com ministros portugueses. Na conferência de imprensa
de balanço da visita da delegação da RAEM a Lisboa, que decorreu entre sábado e
esta terça-feira, Sam Hou Fai destacou alguns pontos abordados na intensa
agenda que teve na capital portuguesa.
Tanto nos encontros com o ministro da Economia e da
Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, ou com a ministra da Justiça, Rita
Alarcão Júdice, o uso do português foi abordado. “Eles mostraram interesse
sobre a formação em língua portuguesa”, disse Sam Hou Fai.
“Após o retorno de Macau à China, Macau fez muito pela
formação e nunca houve uma formação tão abrangente. Nunca houve tantas escolas
[a ensinar a língua] e, na história de Macau, nunca houve tantos estudantes a
aprender português. Eles [ministros] sabem que, actualmente, há mais chineses a
aprender português em Macau do que as pessoas de Portugal a aprender português.
Sabem que damos importância à utilização do português, sobretudo no sistema
judicial”, destacou.
Sam Hou Fai lembrou que a ministra da Justiça e a sua
equipa tem conhecimento de que no Tribunal de Última Instância (TUI) “a maioria
das sentenças, sobretudo a nível civil, continuam a ser em língua portuguesa”.
“Eles têm conhecimento da utilização da língua portuguesa
em Macau, qual a situação e que continuamos a apostar na forte formação da
língua portuguesa. Eles ficaram satisfeitos com a minha resposta”, adiantou.
O governante não deixou de lembrar que esta foi a
primeira vez, em quase 27 anos, que um líder da RAEM foi recebido pelos “quatro
líderes nacionais dos poderes executivo, legislativo e judicial”. Sam Hou Fai
disse ainda que desenvolveu “um programa destinado a aprofundar a amizade e a
promover a cooperação, obtendo resultados positivos e atingindo os objectivos
previstos”.
Salários mais altos
No contexto da necessidade de mais quadros qualificados
em Macau, Sam Hou Fai disse ter feito “uma apresentação muito pormenorizada
sobre a força laboral de Macau” no encontro com o ministro português da
Economia, sem que tenha havido espaço para questionar, concretamente, a questão
da atribuição de residência a portugueses.
“Temos cerca de 180 mil trabalhadores não residentes em
Macau. Não tenho aqui o número exacto, mas muitos deles são de países de língua
portuguesa. No âmbito da terceira fase de importação de quadros qualificados do
Governo da RAEM, expliquei que às pessoas que dominam a língua portuguesa,
nomeadamente de universidades de excelência de Portugal, pode dar-se um valor
[salarial] mais elevado para que possam ser atraídas a ir para Macau.”
Sam Hou Fai referiu-se concretamente às pessoas oriundas
dos países de língua portuguesa, “incluindo Portugal”, para que tenham
condições laborais mais atractivas. Tudo para que haja uma maior atracção de
“quadros qualificados [para participar] no desenvolvimento de Macau”.
Mercado em projecção
Foi um corre-corre de encontros e visitas desde sábado, e
que só terminou na tarde de terça-feira, dia em que se deu a partida da
comitiva da RAEM para Madrid. O líder do Governo de Macau reuniu também com o
Presidente da República, António José Seguro, o presidente da Assembleia da
República, José Pedro Aguiar-Branco, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, o
presidente do Supremo Tribunal de Justiça, João Cura Mariano.
Nestes encontros, Sam Hou Fai foi destacando o papel de
Macau enquanto ponte nas relações sino-portuguesas. “Os principais líderes da
República Portuguesa reconheceram que Macau desempenha um papel importante como
plataforma nas relações estratégicas e de cooperação entre a China e Portugal,
e manifestaram o desejo de aproveitar ainda mais as funções e vantagens únicas
desta plataforma”, afirmou.
De acordo com Sam Hou Fai, o Governo português manifestou
particular interesse em potenciar uma plataforma para permitir que empresas
chinesas e de Macau utilizem e aproveitem as vantagens de Portugal como uma
porta de entrada para novos mercados em África, Europa e América Latina.
Em contrapartida, foi explorada “a possibilidade de
promover a colaboração entre empresas de Macau e de Portugal para explorar os
mercados dos países da Península Ibérica”. “A cooperação entre a China e
Portugal está voltada para o futuro e irá criar melhores oportunidades de
desenvolvimento”, afirmou.
Sam Hou Fai adiantou que vai exigir ao IPIM – Instituto
de Promoção do Comércio e Investimento que “promova esses projectos, ao nível
da cultura, educação, assuntos sociais e também da economia, para que possam
ter acompanhamento e avançar”.
Citado por uma nota oficial, Luís Montenegro,
primeiro-ministro português, “afirmou que Portugal está empenhado em aprofundar
a cooperação amigável luso-chinesa, esperando continuar, através da estreita
ligação e cooperação pragmática com Macau, a consolidar ainda mais e até elevar
ininterruptamente a amizade tradicional”.
Montenegro disse que “Macau é uma janela importante para
o sector português entrar no mercado chinês”, e que Portugal “poderá igualmente
ser uma plataforma de cooperação económica e comercial para as empresas do
Interior da China e de Macau entrarem no mercado europeu”. Por essa razão, deve
ser reforçada “a articulação e cooperação”, a fim de se chegar, por parte dos
dois territórios, “a um maior mercado”.
O governante português afirmou que o país “espera ter
mais empresas chinesas e de Macau a investir em Portugal”, apostando-se na
cooperação nas áreas “judiciária, cultura e turismo, promoção da língua
portuguesa e quadros qualificados de alto nível”. Andreia Silva – Macau in “Hoje
Macau”
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